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Engenharia Enzimática Enzimas e Cinética das Reações Enzimáticas Curso: Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia UTFPR - Campus Toledo Profª. Karina G. Fiametti Colombo Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 1 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 2 Fundamentos da Cinética Enzimática Evolução da Enzimologia: 1)Empírica: 4000 a 3000 a.C. – curtumes, coagulação do leite para produzir queijo 2)Descritiva: séc. XIX, atividade enzimática 3)Quantitativa: modelos matemáticos para quantificar a atividade enzimática (Michaelis-Menten, 1913) 4)Aplicada com planejamento: 1940: aperfeiçoamento e novas enzimas ❑ O estudo da cinética enzimática tem como objetivos: 1. Medir a velocidade das transformações que se processam 2. Estudar a influência de condições de trabalho - [reagentes], [enzima], T, pH, [ativadores] e [inibidores] nas velocidades 3. Correlacionar as velocidades das transformações com alguns dos fatores que as afetam (por meio de equações empíricas ou por meios de modelos matemáticos) 4. Colaborar na otimização do processo 5. Estabelecer critérios para o controle do processo 6. Projetar o reator mais adequado Cinética Enzimática: estudo da velocidade das reações enzimáticas Importância da Prática da Cinética Enzimática Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 3 Supondo que no sistema que nos interessa: ❑ Seja possível medir a [S] ou de um dos produtos durante o desenvolvimento da reação a partir do início: S → P + Q +.... E Representação esquemática das variações das concentrações do substrato e do produto em função do tempo. Medidas das velocidades no instante ‘t’ e das velocidades iniciais (t=0). Nota-se que as velocidades mudam ao longo do tempo – variação nas condições – importância da medida no inicio da reação – velocidade inicial (V0) (cond. exp. conhecidas) Velocidade inicial = velocidade de consumo de ‘S’ ou de formação de ‘P’ Medida da Velocidade 4 Modelo cinético de Michaelis e Menten ❑ Ainda hoje é um dos mais aceitos com o objetivo básico de explicar a influência das [E] e de [S] na velocidade inicial da reação enzimática. ❑ Hipóteses básicas deste modelo: I. O substrato e a enzima reagem reversivelmente entre si formando um composto intermediário denominado complexo enzima-substrato [ES]; II. O complexo formado ou se decompõe, ou reage com outra substância, regenerando a enzima e formando os produtos da reação. Medida da Velocidade 5 REPRESENTAÇÃO DE UMA CATÁLISE ENZIMÁTICA SEGUNDO MICHAELIS E MENTEN 6 k1= constante de velocidade de formação do complexo; k2= constante de velocidade de dissociação do complexo; k3= constante de velocidade de decomposição do complexo formando o produto; k4= constante de velocidade de formação do complexo E + S → ES → E + P k1 k2 k3 k4da equação obtida 34 c) Equação de Eadie-Hofstee: Equação de Burk multiplicada por [VMAX] V = − 𝐾𝑀 𝑉 [𝑆] + 𝑉𝑀Á𝑋 - KM VMÁX v V/[S] VMÁX KMy a x b Fazer em casa a demonstração da equação obtida ❑ Outros métodos de linearização: 35 Exemplo 3: Verifique os dados abaixo e encontre os valores de KM e VMáx. para os três métodos de linearização estudados. S (mol/L) V (μmol/L.min) 0,0 0,0 15,0 0,13 24,0 0,19 30,0 0,23 45,0 0,31 70,0 0,43 90,0 0,50 36 Solução: [S] (mol/L) V(umol/litro/mi n) Linewearver-Burk Hanes-Woolf Eddie- Hofstee 1/S 1/V S/V V/S 0 0 - - - - 15 0,13 0,0667 7,6923 115,3846 0,0087 24 0,19 0,0417 5,2632 126,3158 0,0079 30 0,23 0,0333 4,3478 130,4348 0,0077 45 0,31 0,0222 3,2258 145,1613 0,0069 70 0,43 0,0143 2,3256 162,7907 0,0061 37 Imprecisão para Km y = 102,1307x + 0,9315 R² = 0,9992 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0 9,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,1 0,1 0,1 Lineweaver-Burk y = 0,8496x + 104,7531 R² = 0,9906 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 120,0 140,0 160,0 180,0 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Hannes-Woolf y = -118,77x + 1,1436 R² = 0,9828 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,0000 0,0020 0,0040 0,0060 0,0080 0,0100 Eddie-Hofstee L-LB L-HW L-EH KM 109,6 123,6 118,8 Vmáx 1,07 1,18 1,14 38 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 39 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 40 41 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 42 sem inibidor com inibidor Representação gráfica da velocidade da reação com e sem inibidor ▪ Chama-se inibidor da reação enzimática uma substância que acarreta diminuição da velocidade da reação. ▪ Tipos de inibidores: Irreversível e Reversível. ▪ Tipos de inibidor reversível: competitivo, não competitivo, incompetitivo. Inibição Enzimática Esquema cinético para inibidores enzimáticos reversíveis. 43 ❑ Inibição Competitiva (Reversível) I. Inibidor é muito semelhante ao substrato; II. Inibidor liga-se ao sitio ativo da enzima e bloqueia o acesso do substrato a ele; III. Inibidor COMPETE com o substrato pelo sítio ativo da enzima; IV. Este tipo de inibição depende das concentrações de substrato e de inibidor. Importante: O aumento da concentração do substrato pode reverter o problema pois sua disponibilidade aumenta no meio. 44 ❑ Inibição Competitiva (Reversível) 1. O percentual de inibição resultante dependerá de dois fatores: [S] e [I competitivo] 2. Afinidade diferencial da enzima pelo substrato e pelo inibidor Representação esquemática da aplicação do Método de Lineweaver-Burk ao caso de inibição competitiva Km´ (com inibição) 45 Ex.: Metanol/Etanol (Semelhança estrutural!) Nesse caso o inibidor só se liga à enzima livre (com inibição) Demonstração para exercício da lista ❑ Inibição Competitiva (Reversível) Com [I] alta → Km aumenta Linearização: invertendo ambos os lados , temos: 1 𝑉𝑖 = 𝐾𝑀 ( 1+ 𝐼 𝐾𝑖 ) 𝑉𝑚𝑎𝑥 . 1 𝑆 + 1 𝑉𝑚𝑎𝑥 46 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 47 ❑ Inibição Não Competitiva (Reversível) I. Inibidor se liga à enzima em um sítio que não é o sítio ativo, provocando mudança na estrutura da enzima, especialmente em torno do sítio ativo; II. Substrato ainda pode ligar-se ao sitio ativo, mas a enzima não pode catalisar a reação enquanto o inibidor estiver ligado a ela; III. Aumento da [S] não diminui a inibição: não há competição. Importante: O aumento da concentração do substrato não eliminará o problema, não restituindo o valor de Vmax sem a inibição. 48 O inibidor não compete com o substrato pelo sítio ativo, mas vai ocupar outro sítio da enzima (sítio regulativo ou de inibição). A velocidade da reação enzimática neste caso, será: ❑ Inibição Não Competitiva (Reversível) 49 Representação esquemática da aplicação do Método de Lineweaver-Burk ao caso de inibição enzimática reversível não competitiva Representação gráfica da inibição enzimática reversível não competitiva Inibidor Inibidor ❑ Inibição Não Competitiva (Reversível) 50a afinidade da enzima pelo substrato não muda, sítio ativo livre. a enzima perde sua capacidade devido à nova ligação formada pelo inibidor em outro sítio. Inibição Competitiva Inibição Não Competitiva 51 ❑ Características das Inibições 52 ❑ Inibição Incompetitiva (Reversível) I. Inibidor não se combina com a enzima livre, não afetando sua reação normal com o substrato; II. Inibidor liga-se ao complexo ES formando ESI inativo, incapaz de sofrer a transformação em produto; III. O grau de inibição aumenta com o aumento da [S]. Importante: O aumento da [S] aumenta a inibição pois o inibidor não se liga ao sítio ativo da enzima, mas ao composto [ES] formado. Isso retarda a quebra do composto [ES] à [E] + [P]. Representação esquemática da aplicação do Método de Lineweaver-Burk ao caso de inibição enzimática reversível incompetitivo Representação gráfica da inibição enzimática reversível incompetitivo Inibidor Inibidor ❑ Inibição Incompetitiva (Reversível) KM e Vmax se alteram: o inibidor não utiliza o sítio ativo, mas “confunde” a enzima ao induzi-la a uma ligação improdutiva com o substrato, resultando numa menor Vmax de reação e um maior KM 54 ❑ Tipos de Inibição Reversíveis e Comportamento nos Gráficos Linearizados Reversível incompetitiva Reversível competitiva 55 ❑ Inibição Irreversível I. Inibidor se combina com a enzima livre, afetando irreversivelmente sua reação normal com o substrato; há uma ação direta no sítio ativo da enzima; II. Complexo EI é inativo e irreversível; III. Inibidor geralmente é um metal pesado. IV. Não há um modelo para este caso - [E] ↓ e [EI] ↑ 56 São úteis como ferramentas no estudo de mecanismo de reação, principalmente para a identificação de aminoácidos importantes para a catálise no sítio ativo. Cinética de inibição similar ao inibidor não-competitivo (Vmáx diminui, Km não se altera). Inativadores suicidas: relativamente não reativos até que se liguem ao sítio ativo da enzima específica --- Inativadores com base no mecanismo Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 57 ❑ Inibição Irreversível Aplicações de Inibição enzimática • Importância Farmacêutica do estudo da inibição enzimática • Inibidores enzimáticos são agentes moleculares que interferem na catálise, diminuindo ou acelerando a velocidade da reação… esse é o mecanismo de ação da grande maioria de agentes farmacêuticos. 59 percebeu-se que os inibidores da PDE5 eram capazes de induzir o relaxamento dos músculos lisos da parede dos vasos e por esse motivo passaram a ser estudados para o tratamento de condições cardiovasculares. 60 61 Aplicações • Alopurinol: tratar Gota (acúmulo de ácido úrico nas articulações) e cálculos renais. Este atua inibindo irreversivelmente a enzima Xantina oxidase, que catalisa a oxidação de purinas em ácido úrico. Com isso, as altas concentrações de ácido úrico são diminuídas. • Área ambiental: • Biossensores para detecção de agentes nocivos, como organosfosforados que inibem a enzima acetilcolinesterase; compostos fenólicos, que depois de oxidados pela enzima tirosinase, inibe a enzima, e metais pesados que inibem a glicose oxidase. Área alimentícia: • Biossensores que se utilizam de inibição enzimática para detecção de glicoalcalódes, que podem causar envenenamento, efeitos teratogênicos e embriogênicos, sendo a acetilcolinesterase e butilcolinesterase as enzimas utilizadas, • Detecção do ácido benzóico por tirosinase em maioneses e refrigerantes 62 Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 63 Exemplo 4: Que tipo de inibição ocorre neste caso? Como calcular todas as constantes?? 64 Sem inibidor: VMAX = 1,11 μmol/L.min KM = 119,25 μmol/L Com inibidor: VMAX = 0,38 μmol/L.min KM = 41,24 μmol/L Inibição Reversível Incompetitiva!! 65 y = 102,76x + 0,9005 R² = 0,9993 y = 109,64x + 2,6589 R² = 0,99670,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 1 /V 1/S Linearização de L-B Sem inibidor Com inibidor 66 Obs.: kcat não é a melhor maneira de comparar a eficiência catalítica pois essas constantes são válidas para concentrações saturantes de substrato (não fisiológica). Em geral as enzimas trabalham em condições não saturantes de substrato (importante para a regulação) 67 Constante cinética aparente de 2ª ordem 68 Exercícios: Utilize a equação de Michaelis-Menten para responder as questões abaixo: a) Qual a concentração de substrato para que uma enzima com kcat de 30,0 s-1 e Km de 0,005 M opere com um quarto da velocidade máxima? b) Determine a fração de Vmáx que seria obtida nas seguintes concentrações de substrato: 1/2Km; 2Km e 10Km. c) Enzimas que catalisam a reação X↔Y são isoladas de 2 espécies de bactérias. As enzimas possuem a mesma Vmáx, mas diferentes valores de Km. A enzima A tem Km=2 μM e a enzima B tem Km=0,5 μM. Qual destas enzimas possui maior afinidade pelo substrato? Profª. Dra. Karina G. Fiametti Colombo 69 TAREFA: Procurar o mecanismo de ação do glifosato e descrever como esse herbicida exerce sua função sobre a atividade da 5- enolpiruvilshiquimato-3- fosfato sintase (EPSPS), e que tipo de inibição ocorre. Entregar dia 12/09 Individual Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5: Modelo cinético de Michaelis e Menten Slide 6: REPRESENTAÇÃO DE UMA CATÁLISE ENZIMÁTICA SEGUNDO MICHAELIS E MENTEN Slide 7 Slide 8 Slide 9: Variação das [E], [S] e [P] em função do tempo Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21 Slide 22 Slide 23 Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 31 Slide 32 Slide 33: Exemplo 2: Verifique os dados abaixo e encontre os valores de KM e VMáx. Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39 Slide 40 Slide 41 Slide 42 Slide 43 Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47 Slide 48 Slide 49 Slide 50 Slide 51 Slide 52 Slide 53 Slide 54 Slide 55 Slide 56 Slide 57 Slide 58: Aplicações de Inibição enzimática Slide 59 Slide 60 Slide 61 Slide 62: Aplicações Slide 63 Slide 64 Slide 65 Slide 66 Slide 67 Slide 68 Slide 69