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FACULDADE IGUAÇU – FI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) Educação infantil:jogos, 
brinquedos e recreação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Juliana nascimento silva 
 
 
 
 
 
CAPANEMA – 2024 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A Escolha do tema O lúdico: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras na Educação 
Infantil despertaram grande interesse por nos trazer uma ampla visão da importância 
dos jogos e brincadeiras na Educação infantil, evidenciando o seu papel na 
aprendizagem, reconhecendo-os como um instrumento pedagógico importante no 
desenvolvimento, na construção do conhecimento da criança e na resolução de 
conflitos. Consiste dizer que nem sempre se tem uma visão clara de como utilizar 
jogos e brincadeiras para a construção do conhecimento da criança, pretende-se 
pontuar a importância do aspecto lúdico para o desenvolvimento da criança. Desta 
forma, este artigo científico contribui para a utilização de jogos e brincadeiras que 
efetivamente possibilitem ao processo de aprendizagem ser o mais próximo possível 
da realidade da criança. A fim de atender ao objetivo desse trabalho bibliograficoque 
se propos analisar, verificou-se o que dizem os autores sobre a influencia destes na 
aprendizagem e os efeitos na vida social da criança, identificado os tipos de jogos e 
brincadeira que contribuem na construção do conhecimento da criança, na formação 
humana e na vida social. Esse estudo é de grande importância, pois contribuirá 
como troca de experiências e para o crescimento de todos, alunos, professores e 
acadêmicos. 
 
 
Palavras – chave: Lúdico, Jogos, Brincar, Brincadeiras e Brinquedos 
Educação Infantil. 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 Este trabalho tem como tema gerador “A importância do Lúdico: a influência dos jogos, 
brinquedos e brincadeiras na educação infantil” que tende analisar a importância do brincar 
no desenvolvimento e aprendizagem da criança, observando assim o verdadeiro significado 
do brincar, conceituando os principais termos utilizados para designar o ato do lúdico, 
compreendendo assim o universo da criança através da ludicidade, onde a mesma 
comunica-se consigo e com o mundo que a cerca, aceita a existência dos outros, estabelece 
relações sociais, constrói conhecimentos, desenvolvendo-se integralmente, e ainda, os 
benefícios que o brincar através dos jogos, brinquedos e brincadeiras proporciona no 
ensino- aprendizagem infantil, influenciando na socialização das crianças. 
Para tanto houve a necessidade de varias pesquisas em livros, sites e autores que tratam 
desse tema. Pois ao analisarmos os jogos, brinquedos e brincadeiras infantis pode observar 
que não é apenas como simples entretenimento para as crianças, mas sim como atividades 
lúdicas que possibilitam a aprendizagem e o desenvolvimento em varias habilidades do 
nascimento aos seis anos de idade. 
No qual o brincar é uma atividade predominante na infância e vem sendo explorado no 
campo científico, com o intuito de caracterizar as suas peculiaridades, e identificar as suas 
relações com o desenvolvimento e com a saúde e, entre outros objetivos, intervir nos 
processos de educação e de aprendizagem das crianças. 
Segundo as pesquisas apontam que para a criança o brinquedo não é apenas um mero 
passatempo ou perda de tempo como julgam os adultos, as brincadeiras e os jogos estão 
relacionados a um aprendizado fundamental, seja por meio dos jogos ou das brincadeiras, 
cada criança cria uma serie de indagações a respeito da vida. Pois conforme as crianças 
vão crescendo suas brincadeiras se tornam mais ricas, com diversos elementos, conteúdos 
e valores que receberam em seus primeiros anos de vida. Para muitos a idéia de infância se 
caracteriza como o período que antecede a idade adulta. 
As brincadeiras oferecem uma “situação de aprendizagem delicada”, isto é, o educador 
precisa ser capaz de respeitar e nutrir o interesse da criança, dando-lhe possibilidades para 
que envolva em seu processo, ou do contrario perde- se a riqueza que o lúdico representa. 
(CUNHA 1994 p. 96) 
Tendo assim em vista a extrema importância do ato de brincar no desenvolvimento afetivo e 
cognitivo dessas crianças, sem deixar de privilegiar a criança como principal objeto de 
estudo do trabalho. 
 
DESENVOLVIMENTO 
 
 
A IMPORTÂNCIA DO BRINCAR NO DESENVOLVIMENTO INFANTIL 
 
 
Brincar é mais do que uma atividade sem conseqüência para a criança. Brincando, ela não apenas 
de diverte, mas recria e interpreta o mundo em que vive, se relacionando com este mundo. 
Brincando, a criança aprende. 
A importância do brincar para a criança é uma construção histórica, quando brinca a criança 
experimenta sensações antes desconhecidas. Pois o brincar é natural na vida das crianças. É algo 
que faz parte do seu cotidiano e se define como espontâneo prazeroso e sem comprometimento 
A brincadeira é uma atividade que a criança desenvolve em suas relações sociais, atividade essa 
que a criança faz para recrear-se ou por diversão na idade escolar com seus familiares, com seus 
pais, professores, amiguinhos ou com outras crianças da mesma idade sem objetivos educacionais 
ou de aprendizagem, com o espaço ou cultura na qual está inserida. Neste contexto a brincadeira da 
criança encontra papel fundamental na educação infantil, pois as crianças se desenvolvem e 
conhecem o mundo a partir das interações estabelecidas com a história e cultura de outras crianças, 
de seus pais, de seus professores e das pessoas envolvidas na instituição escolar. 
Segundo LEBOVICI (1988) o brincar é tão importante para a criança durante sua infância como é o 
trabalho para o adulto. Os adultos passam a maior parte de sua vida trabalhando, mas não o fazem 
por simples prazer. Mesmo que o trabalho dê alegria, compensação e um sentido a vida ele também 
causa estresse e cansaço. A maior razão para o fato dos adultos trabalharem é a necessidade. 
Segundo FREIDMANN (2006, p. 17) coloca que o brincar já existia na vida das pessoas bem antes 
das primeiras pesquisas sobre o assunto. Pois acredita que esse interesse pelo lúdico surgiu pela 
diminuição do espaço físico e temporal destinado a essa atividade, que supostamente tenha sido 
provocada pelo aparecimento das instituições escolares e pelo incremento das indústrias de 
brinquedos, além da influencia da mídia televisa e a inclusão da mulher no mercado profissional. 
BETTELHEIM (1984) afirma que: 
Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo. Sua escolha é motivada por 
processos íntimos, desejos, problemas, ansiedades. O que está acontecendo com a mente da 
criança determina suas atividades lúdicas; brincar é sua linguagem secreta, que devemos respeitar 
mesmo se não a entendemos (BETTELHEIM 1984 p.105). 
 
 Para BETTELHEIM (1984) Quando brinca, a criança cria situações imaginárias em que se comporta 
como se estivesse agindo como e no mundo do adulto. Enquanto brinca, seu conhecimento sobre o 
mundo é ampliado, de modo que ela faz de conta e se coloca no lugar do adulto. Assim, ao brincar a 
criança recria e repensa nos acontecimentos que viveu, sabendo que está brincando. 
Sendo que o brincar é uma ação que está presente em todos os períodos do desenvolvimento. Os 
objetos que despertam o interesse lúdico mudam dependendo da fase em que o ser humano se 
encontra. Se para um bebê de oito meses o brinquedo ideal são cubos coloridos, de tamanhos 
diferentes e que se encaixam, para uma criança de dois anos o interessante são os blocos de 
construção, para os pré-adolescentes jogos de tabuleiro com regras e para os adultos jogos de 
cartas. 
As atividades lúdicas integram-se ao cotidiano das pessoas sob várias formas, sejam individuais ou 
coletivas, sempre obedecendo aos aspectos e à necessidade cultural de cada época. No brincar, 
causam-se a espontaneidade e a criatividade com a progressiva aceitação das regras sociais e 
morais, brincando que a criança se humaniza. 
VYGOTSKY (1991) ressalta que a brincadeira é a atividade principal da infância.Essa afirmativa se 
dá não apenas pela frequência de uso que as crianças fazem do brincar, mas principalmente pela 
influência que esta exerce no desenvolvimento infantil. Pois a brincadeira cria as zonas de 
desenvolvimento proximal e que estas proporcionam saltos qualitativos no desenvolvimento e na 
aprendizagem infantil. 
ALMEIDA, (1978, p. 18) acredita que seria conveniente dar à criança a oportunidade de um ensino 
livre e espontâneo, pois o interesse geraria alegria e descontração. 
Ele pontua ainda que: 
 
“Em todos os jogos que, estão persuadidas de que se trata apenas de jogo, as crianças sofrem sem 
se queixar, rindo mesmo, o que nunca sofreriam de outro modo sem derramar torrentes de lágrimas”. 
Na brincadeira a criança assume diferentes papéis e nessa representação age, frente à realidade, 
transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas ações e características do papel assumindo, 
ou seja, muitas vezes o papel do adulto, utilizando-se de objetos substitutos (ALMEIDA 1978, p. 18). 
ELKONIN (1998) e LEONTIEV (1994) ampliam esta teoria afirmando que durante a brincadeira 
ocorrem as mais importantes mudanças no desenvolvimento psíquico infantil. 
 Para estes autores a brincadeira é o caminho de transição para níveis mais elevados de 
desenvolvimento. 
A brincadeira, seja simbólica ou de regras, não tem apenas um caráter de diversão ou de 
passatempo. Pela brincadeira a criança, sem a intencionalidade, estimula uma série de aspectos que 
contribuem tanto para o desenvolvimento individual do ser quanto para o social. Primeiramente a 
brincadeira desenvolve os aspectos físicos e sensoriais. Os jogos sensoriais, de exercício e as 
atividades físicas que são promovidas pelas brincadeiras auxiliam a criança a desenvolver os 
aspectos referentes à percepção, habilidades motoras, força e resistência e até as questões 
referentes à termo regulação e controle de peso (SMITH, 1982). 
Para BJORKLUND e PELLEGRINI (2000) a criança não testa diferentes estratégias apenas para o 
momento da brincadeira, mas sim para a vida adulta. Ao lidar com diferentes situações durante a 
brincadeira a criança agiria sem a intencionalidade, criando condições e formas de interação que irão 
auxiliar mais tarde, na vida adulta. 
A criança quando brinca de faz de conta, utiliza o meio em que vive, seja em casa, na rua ou na 
escola. Nesse momento, com o material que estiver nas mãos à criança desenvolverá suas 
habilidades de escrita, seja em suas brincadeiras, por exemplo, de lanchonete ao anotar o pedido do 
cliente, ou ao fazer de conta que está dirigindo um ônibus ou cobrando a passagem de alguém. 
Dessa forma, os primeiros passos rumo ao letramento são dados pela criança no momento das 
atividades lúdica, é por meio do brincar de ler e escrever, que o letramento vai ganhando sentindo 
para a criança, pois é nesse momento de brincar de ler com ela e ela própria brincar de desenhar e 
escrever que passa a ser um momento fundamental para o sucesso com a escrita (MOYLES 2006). 
De acordo com KISHIMOTO (2001, p.21) “desta forma, brinquedo e brincadeira relacionam-se 
diretamente com a criança e não se confundem com o jogo”. É inegável a influência do brinquedo no 
desenvolvimento infantil. No 
brinquedo as idéias estão separadas do objeto e a ação surge das idéias e não das coisas. Ex.: um 
canudo de papelão pode se tornar um “foguete”. Entretanto, é importante ressaltar a materialidade do 
imaginário, isto é, o imaginário se reporta sempre a algo realmente acontecido. Além disso, a criança 
pode utilizar como brinquedo o próprio corpo no decorrer dos primeiros meses de vida, passando em 
seguida a explorar objetos que despertam sua atenção auditiva e visual. A partir desse momento, o 
brinquedo estará presente em seu cotidiano até a fase adulta, possibilitando que a criança pesquise, 
investigue sobre a realidade e possa constituir-se socialmente. Ela tem consciência de que é um 
momento de faz - de- conta. 
 
 
Diverte-se com as próprias simulações e com a cumplicidade do adulto. Na verdade, o objeto é 
apenas um suporte para as suas brincadeiras. Brinca tanto com os objetos estruturados, inventados 
pelos fabricantes que servem como brinquedo, como utilizando o imaginário. 
REILY (2004) acrescenta que o brinquedo é um dos recursos mais eficazes para promover a ação da 
criança sobre o objeto, podendo por meio do brincar, fazer jus ao seu direito de ser criança. O 
brinquedo que valoriza as ações do aluno promove a acessibilidade e é um mediador de grande 
eficácia, por trazer o mundo para perto da criança, ao mesmo tempo em que coloca a criança dentro 
do mundo. Pode-se avaliar, por meio da brincadeira, o nível de estágio cognitivo no qual a criança se 
encontra. Ela brinca por vontade própria, expressando-se de forma espontânea. É importante 
salientar também que a atividade lúdica desperta o interesse do aluno, faz com que ele fique 
mobilizado e torne suas ações intencionais, fato essencial para a construção de esquemas racionais 
gradativamente aperfeiçoados. Onde a criança deve ter a oportunidade de construir seus esquemas 
lógicos, a partir de sua experiência anterior e da troca de experiências com o grupo, de maneira 
lúdica e prazerosa. 
Segundo MACEDO (1995), é preciso defender o valor psicopedagógico do jogo. Pois a criança 
constrói respostas por meio de um trabalho lúdico, simbólico e operatório integrado. O ato de 
conhecer, para a criança, remete a um jogo de investigação, a partir do qual se pode ganhar, perder 
ou tentar mais uma vez. 
 
Como fazer para recuperar o sentido do jogo na escola e na vida? 
Proponho que para isso, a escola adote uma postura menos rígida, que esqueça um pouco sua 
função instrumental. Por que não transformar a escola em um espaço de jogo, no qual crianças, 
professores, qual filósofos, pudessem recuperar a possibilidade de um pensar seguindo boas regras? 
Ou seja, seria importante que se permitisse na escola que os meios, ao menos por algum tempo, 
fossem os próprios fins das tarefas; que se permitisse às crianças e aos professores serem criativos, 
que tivessem prazer estético e conhecessem o gozo da construção do conhecimento (MACEDO, 
1995, p.10). 
 
Os jogos da criança pequena são fundamentais para o seu desenvolvimento e para a aprendizagem, 
pois envolvem diversão e ao mesmo tempo uma postura de seriedade. As brincadeiras é para a 
criança um espaço de investigação e construção de conhecimentos sobre si mesma e sobre o 
mundo. Brincar é uma forma de a criança exercitar sua imaginação. A imaginação é uma forma que 
permite às crianças relacionarem seus interesses e suas necessidades com a realidade de um 
mundo que pouco conhecem. A brincadeira expressa à forma como uma criança reflete, organiza, 
desorganiza, constrói, destrói e reconstrói o seu mundo. 
 
BETTELHEIM, (1984), coloca que a brincadeira é uma ponte para a realidade e que nós, adultos, 
através de uma brincadeira de criança, podemos compreender como ela vê e constrói o mundo, 
demostrando quais são as suas preocupações, que problemas ela sente, como ela gostaria que 
fosse a sua vida. Ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Ou seja, brincar é a 
sua linguagem secreta que devemos respeitar mesmo que não a entendamos. 
ARMANELLI (2003, p. 50-51) afirma que: 
 
 
No conceito de pessoas leigas, o brinquedo é um instrumento de recreação destinado a ocupar a 
criança, alegrando-a enquanto o tempo passa. Dentro do campo de ação da ciência educacional, 
entretanto, o brinquedo não tem essa característica de atividade acessória e secundária, porque 
assume papel de relevo no esquema das atividades infantis, como agente eficaz de propulsão 
evolutiva, acompanhando e favorecendo o crescimento sócio- psico-biológico da criança 
(ARMANELLI 2003, p. 50-51). 
 
O brincar é importante para o desenvolvimento afetivo da criança, para a formação da autoimagem, 
dos sentimentos e atitudes positiva sobre si mesma e os outros, para ela sentir-se forte e enriquecer 
a personalidade, viverintensamente as emoções, sentimentos, frustrações, imaginações e fantasias, 
resolvendo conflitos, desenvolvendo alianças e comportamentos sociais; ajuda-a a construir e 
respeitar regras, atitudes essenciais para que aprenda a viver em sociedade e a conviver com as 
diferenças. 
Segundo VYGOTSKY (1998), é errado definir o brinquedo como uma atividade que dá prazer para a 
criança. Ele diz que não só existem atividades que mesmo não remetendo ao brinquedo 
proporcionam um imenso prazer a ela (como chupar chupeta, por exemplo), como também existem 
jogos que se tornam desagradáveis para a criança, caso ela não seja o vencedor, tornando-se, 
assim, uma fonte de desprazer. Crianças muito pequenas tendem a satisfazer os seus desejos de 
forma imediata – elas ainda não planejam atividades futuras. Já crianças maiores, em idade pré-
escolar, passam a ter desejos não realizáveis imediatamente, e é por meio da utilização do 
brinquedo que elas buscam realizar os seus desejos, num mundo ilusório e imaginário. 
A concepção atual do brincar, nos leva a refletir que nesta atividade a criança: cria e atua; elabora 
conhecimentos anteriores de forma própria, imitando, imaginando, representando, comunicando, 
ativando a memória e atualizando conhecimentos (compreende e amplia); imagina e interpreta a 
realidade; pensa e soluciona problemas; transforma a função social dos objetos (exercita a criatividade). 
 
 Dar à criança inúmeras oportunidades de brincar e conviver com otimismo e descontração é o 
melhor caminho para que ela desenvolva seu potencial, seja feliz e se prepare para a vida adulta. É 
necessário então que as crianças encontrem nesses ambientes pessoas sensíveis, que as 
compreendam que entendam suas necessidades, seus interesses, respeitem sua individualidade e 
seus sentimentos e interajam com elas de forma agradável e otimista, ajudando-a a ser feliz. 
 
VYGOTSKY (1991), ao empregar o termo “brinquedo”, num sentido amplo, refere- se principalmente 
à atividade, ao ato de brincar. No entanto, é necessário ressaltar também que, embora ele analise o 
desenvolvimento do brinquedo e mencione outras modalidades (como os jogos esportivos), procura 
evidenciar o jogo de papéis ou a brincadeira do “faz-de- conta” (por exemplo, brincar de polícia e 
ladrão, de médico, de vendinha, etc). Tal fato se explica pela importância dessas brincadeiras nas 
crianças que aprendem a falar e que, portanto, já são capazes de representar simbolicamente, 
envolvendo-se numa situação imaginária. 
 
A criança passa a criar uma situação ilusória imaginária como forma de satisfazer seus desejos não 
realizáveis. Esta é, aliás, a característica que define o brinquedo de modo geral. A criança brinca 
pela necessidade de agir em relação ao mundo mais amplo dos adultos, e não apenas no universo 
dos objetos a que ela tem acesso. (VYGOTSKY 1991, p.82). 
 
 
 
O LÚDICO: JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS NA CONSTRUÇÃO DO 
PROCESSO DE APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL. 
 
 
OLIVIER, (2003, p.21). Coloca que o lúdico é estudado por vários autores e para a maioria deles é 
uma atividade que está associada ao prazer e a vida. E que o lúdico tem como objetivo a vivência 
prazerosa, é realizado sem motivo, é espontâneo; privilegia a criatividade devido à sua ligação com o 
prazer, não tem regras pré-estabelecidas e seu local de manifestação é o lazer, e o lazer “tem no 
prazer uma das suas características fundamentais”. O brinquedo não requer o uso de regras, mas 
sim uma suposta intimidade daquele que brinca com o objeto de forma indeterminada. É por meio do 
brinquedo que a criança se tornará capaz de reproduzir tudo aquilo que ela vê e ouve, enfim, tudo 
que a rodeia; isso dentro das limitações de cada um. 
 
De acordo com RONCA (1989, p. 27) “O movimento lúdico, simultaneamente, torna-se fonte 
prazerosa de conhecimento, pois nele a criança constrói classificações, elabora seqüências lógicas, 
desenvolve o psicomotor e a afetividade e amplia conceitos das várias áreas da ciência”. 
RONCA (1989, p.27) coloca ainda que o lúdico permite que a criança explore a relação do corpo com 
o espaço, provoca possibilidades de deslocamento e velocidades, ou cria condições mentais para 
sair de enrascadas, e ela vai então, assimilando e gastando tanto, que tal movimento a faz buscar e 
viver diferentes atividades fundamentais, não só no processo de desenvolvimento de sua 
personalidade e de seu caráter como também ao longo da construção de seu organismo cognitivo. 
O jogo é visto como recreação desde a antiguidade greco-romana e assim permanece por um longo 
tempo. Na Idade Média, ele é considerado como “não-sério”, sendo associado aos jogos de azar. 
Jogar é uma prática que ultrapassa os tempos, tem entre outras funções ampliar os conhecimentos, 
além de melhorar a capacidade de trabalhar em grupo, e auxiliando na integração social podendo 
facilitar o aprendizado individual e coletivo. 
Segundo KISHIMOTO (2001), antes do romantismo havia três concepções que relacionavam o jogo 
infantil e a educação: 
O jogo infantil como forma de recreação; 
O jogo como forma de favorecimento do ensino dos conteúdosescolares; 
O jogo como meio de diagnosticar a personalidade infantil, ajustando o ensino às 
necessidades infantis. 
Para SILVA (2007 p. 07) o jogo é definido como “qualquer atividade em que existe uma concentração 
espontânea de energias com finalidade de obter prazer da qual os indivíduos participam com 
envolvimento profundo e não por obrigação”. 
HUIZINGA (2004 p. 16) relaciona o lúdico com o jogo; essa relação ocorre porque o jogo é uma 
atividade livre, “não-séria”, é exterior a vida habitual, tem a capacidade de absorver o jogador, e não 
está ligada a interesses materiais, é praticado em tempo e local determinado, segue regras e possui 
uma ordem. 
HUIZINGA, (2004, p.21) coloca ainda que o lúdico possui as seguintes características: “ordem, 
tensão, movimento, mudança, solenidade, ritmo e entusiasmo, que também podem ser vistos no 
jogo”. 
Para MACEDO (1995, p.8), os jogos de regras constituem-se em “formas democráticas de 
intercâmbio social entre crianças ou adultos”. É necessária uma consideração recíproca, sendo a 
transgressão das regras uma falta grave. Os jogadores 
 
dependem, assim, um do outro, sendo a coletividade um caráter próprio dessa estrutura, além da 
importância do desenvolvimento da criança ao formular estratégias no decorrer da atividade. O 
jogador precisa ser melhor do que o seu oponente para ganhar, pois, apesar de ambos começarem 
“do zero”, com o decorrer do jogo um deles precisa errar menos e ser mais rápido, enfim, ser mais 
habilidoso a cada jogada. 
De acordo PIAGET (1990, p.216), “O jogo de regras apresenta precisamente um equilíbrio sutil entre 
a assimilação ao eu – princípio de todo o jogo e a vida social”. A criança, além de entender melhor o 
seu próprio eu, passa a interagir socialmente, criando uma cumplicidade relativa aos seus 
companheiros e ao respeito mútuo às regras do jogo. 
Segundo KISHIMOTO (2001) há, nos jogos, regras explícitas – no jogo de xadrez, por exemplo – e 
regras implícitas – quando a criança entra no seu mundo de faz-de-conta. Nesta última a criança 
pode imitar o pai, por exemplo, procurando agir como ele agiria, estando localizada nessa 
“necessidade” de fazer igual ao pai, durante a imitação, a regra implícita do jogo. 
Para VYGOTSKY (1991), é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. 
Pois, com menos de três anos de idade, é essencialmente impossível envolver-se em uma situação 
imaginária, uma vez que isso implica uma forma nova de comportamento que liberta a criança das 
restrições impostas pelo ambiente imediato. Mas a ação numa situação imaginária ensina à criança 
dirigir seu comportamento não somente pela percepção imediata dos objetos, ou pela situação que a 
afeta de imediato, mas também pelo significado dessa situação. 
VYGOTSKY (1991) também afirma que a brincadeira, mesmo sendo livre e não estruturada, possui 
regras. Para o autortodo tipo de brincadeira está embutido de regras, até mesmo o faz-de-conta 
possui regras que conduzem o comportamento das crianças. Uma criança que brinca de ser a 
mamãe com suas bonecas assume comportamentos e posturas pré-estabelecidas pelo seu 
conhecimento de figura materna. 
Para VYGOTSKY (1991) o brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois os 
processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato. 
ELKONIN (1998) avançando nos estudos de Vygotsky elaborou a lei do desenvolvimento do 
brinquedo. Para este autor o brincar passa por momentos evolutivos. A brincadeira vai de uma 
situação inicial, onde o papel e a cena imaginária são explícitas e as regras latentes, para uma 
situação em que as regras são explícitas e o papel e a cena imaginária latentes. 
 
 
Na situação imaginária, a criança tem a oportunidade de se fazer autônoma, ante as situações e 
restrições impostas pelo mundo que a cerca. O brinquedo auxilia nesse processo em que a criança, 
de forma espontânea e até mesmo inconsciente, aprende a seguir as regras. Por conta da satisfação 
e do prazer que encontra no brincar, tem a possibilidade de, cada vez mais descobrir-se, ampliando 
seus limites: 
 
A criação de uma situação imaginária não é algo fortuito na vida da criança; pelo contrário, é a 
primeira manifestação da emancipação da criança em relação às restrições situacionais. O primeiro 
paradoxo contido no brinquedo é que a criança opera com um significado alienado em uma situação 
real. O segundo é que, no brinquedo, a criança segue o caminho do menor esforço – ela faz o que 
mais gosta de fazer, porque o brinquedo está unido ao prazer – e, ao mesmo tempo, ela aprende a 
seguir os caminhos mais difíceis, subordinando-se às regras e, por conseguinte, renunciando ao que 
ela quer, uma vez que a sujeição a regras e a renúncia à ação impulsiva constitui o caminho para o 
prazer no brinquedo. (VYGOTSKY, 1991, p.113). 
 
O jogo, as brincadeiras, as invenções infantis buscam transformar o mundo, dominar seus efeitos de 
sentido. Abrem a possibilidade do princípio do prazer e da realização do criar, logo do aprender e de 
viver o não real, dentro do mundo real. A realidade recriada corresponde ao sono com sonhos, em 
que não se corta o fio constituído de imagens que se transpõem, de um lado para outro. Assim, é 
possível ao pensamento atravessar os limites do mundo imaginário, para acolher qualquer cena. O 
brincar é o espaço com poder de transformação. 
Podemos afirmar que o lúdico é à base de toda a atividade da Educação de Infância, pois é meio de 
motivação para a criança, que pode dar origem a processos de aprendizagem importantes, fonte de 
descoberta e prazer. Ludicidade é a espontaneidade em trabalhar, fazendo a comunicação entre a 
fantasia, o brincar e o real. A realidade jogando com falas e palavras, gestos e expressões enseja 
verdadeiro prazer em aprender. 
O brincar elemento importante, mediante o qual se aprende, sendo sujeito ativo desta aprendizagem 
que tem, nesse lúdico, efeitos de sentido prazerosos. No mundo lúdico, a criança encontra equilíbrio 
entre o real e o imaginário, alimenta sua vida interior, descobre o sentido de Ser no mundo. “O 
sentido de ser se aloja nas tramas cotidianas de viver o mundo. De habitá-lo e experimentá-lo.” 
(ROJAS,2004, p.44). 
A imaginação dramática está no centro da criatividade humana, sendo parte fundamental do 
processo de desenvolvimento da inteligência e, por isso, deve estar no centro da educação. Mesmo 
considerando que a imitação e o jogo estão relacionados ao 
 
processo de pensamento e ao desenvolvimento da cognição, é a imaginação dramática que 
interioriza os objetos e lhes confere significados (KOUDELA, 1984). 
 
RCNEI (1998) vem mais uma vez reforçar o conceito em relação ao brincar e as brincadeiras. É 
através do brincar e das brincadeiras, que a criança fará o uso de sua coordenação de habilidades 
motoras, gestos e movimentos dentro do seu contexto. Assim, a brincadeira deve ser valorizada, pois 
busca trabalhar as várias formas de expressão da criança, sejam elas, físicas ou emocionais. Todas 
essas características estão interligadas com o brincar, com a brincadeira da criança. É desta forma 
que o brincar e a brincadeira desperta nas crianças, a forma de cada uma recriar e repensar nos 
acontecimentos que estão a sua volta, favorecendo a sua auto-imagem. Através das modalidades 
lúdicas (jogos, brinquedos e brincadeiras), inúmeras competências e habilidades são estimuladas. O 
ensino deixa de ser exausto fazendo com que a criança construa seu conhecimento enquanto brinca. 
(RCNEI, 1998): 
 
Nessa perspectiva as crianças constroem o conhecimento a partir das interações que estabelecem 
com outras pessoas. O conhecimento não se constitui em cópia da realidade, mas sim, fruto de um 
intenso trabalho de criação, significação e ressignificação. (RCNEI, BRASIL, 1998 p.21-22) 
 
Para NUNES (2000), o brincar e o brinquedo fazem parte da vida infantil e de seu cotidiano, pois é 
através deste momento que a criança tem a oportunidade de demonstrar suas vivências e 
experiências, sendo elas nos momentos de alegria ou de frustrações. O brincar se torna o momento 
de criar de reinventar e o brinquedo vem para dar ênfase a fantasia e a criatividade da criança. 
Nunes afirma ainda que: O brinquedo caracteriza-se ainda, pela presença do outro. Brincar é estar 
junto com o outro. É sentir o gesto, o olhar, o calor do companheiro. O brinquedo aproxima as 
pessoas, torna-as amigas, porque brincar significa sentir- se feliz, é descobrir o mundo que as cerca, 
socializar-se. (p.5) Desta forma, tanto o brinquedo quanto o brincar passam a ser o mundo da 
criança, se torna o momento em que ela, passa a conhecer as pessoas a sua volta, ou seja, o 
momento interação e socialização com as outras. 
O brinquedo permite o extravasamento das emoções, pois são meio natural de avaliar o ambiente 
que nos rodeia ao qual reagimos de forma adaptativa. Os objetos, as pessoas, o mundo, podem nos 
causar emoções e respostas emocionais fortes ou fracas, boas ou más, conscientemente ou não. A 
memória também pode provocar emoções à luz da consciência. A interação entre o brincar e o 
mundo real produzindo, na memória infantil, o desencadear e o executar de tais emoções. 
(DAMÁSIO 2003). 
 
A utilização do jogo e das brincadeiras potencializa a exploração e a construção do 
conhecimento, por contar com a motivação interna, típica do lúdico, mas o trabalho 
pedagógico requer a oferta de estímulos externos e a influência de parceiros, bem como a 
sistematização de conceitos em outras situações que jogos ou brincadeiras. (KISHIMOTO, 
1999, p.38) 
 
ANTUNES (2003, p. 18), afirma que: 
A criança que brinca está desenvolvendo sua linguagem oral, seu pensamento associativo, suas 
habilidades auditivas e sociais, construindo conceitos de relação, classificação, seriação, aptidões 
visuo-espaciais e muitas outras. 
A brincadeira infantil ajuda a ampliar o vocabulário e a expressar ideias e pensamentos. É uma forma 
importante de interação, participação e convivência, de aprendizado alegre e espontâneo, levando a 
criança a enfrentar desafios e fazer descobertas. As crianças aprendem a brincar umas com as 
outras, observando-se mutuamente, movimentando-se juntas, imitando, participando de jogos. 
KISHIMOTO (2001) apresenta o jogo e suas determinadas classificações, brincadeira e seus 
diferentes significados. 
 
A dificuldade aumenta quando se percebe que um mesmo comportamento pode ser visto como jogo 
ou não-jogo. Se para um observador externo a ação da criança indígena que se diverte atirando com 
arco e flecha em pequenos animais é uma brincadeira, para a comunidade indígena nada mais é que 
uma forma de preparo para a arte da caça necessária à subsistência da tribo (KISHIMOTO, 2001, p. 
15). 
 
 
O PROFESSOR COMO MEDIADOR DAS BRINCADEIRAS 
 
Sabendo que o papel da escola de educação infantil seja ela em período integral ou não é antesde 
tudo promover a socialização das crianças e que o brinquedo e a brincadeira são as formas mais 
precisas para essa socialização. Pois o ato de brincar é inerente às crianças desde seu nascimento. 
Para que um professor introduza jogos no dia-a-dia de sua classe ou planeje atividades lúdicas, é 
preciso, que ele acredite que brincar é essencial na aquisição de conhecimentos, no 
desenvolvimento da sociabilidade e na construção da identidade. 
 
 
 
De acordo com o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI (1998), o 
professor tem que se preocupar com a organização do espaço, do ambiente em que ele irá trabalhar 
com seus alunos, pois é naquele determinado local que o conhecimento se fará presente, e será ali 
que ele vai buscar novas formas de aprendizagem, buscar novos recursos para aprender, ou seja, é 
neste momento que o professor se utiliza de jogos, brinquedos ou brincadeiras que buscam reforçar 
o conhecimento que foi trabalhado com o aluno. 
O RCNEI (BRASIL, 1988), coloca ainda que o brincar, na perspectiva dos professores, refere-se ao 
papel de estruturar o campo das brincadeiras na vida das crianças, disponibilizando objetos, 
fantasias, brinquedos ou jogos e possibilitando espaço e tempo para brincar. 
Diante disso, OLIVEIRA (2007) demonstrará que o professor deve buscar novos métodos de 
trabalho, respeitar tanto o seu ponto de vista quanto os das crianças, tendo em sala de aula um 
projeto coletivo, e através deste buscar a criatividade, e o desenvolvimento da criança, seja eles 
diante da brincadeira ou dos jogos, criar dentro da sala de aula momentos de descontração e 
aprendizado ao mesmo tempo. 
De acordo com a autora (2007, p.70) A constante orientação do trabalho educativo deve respeitar a 
infância, capta-la na complexidade de sua cultura com sua pluralidade de características. A 
perspectiva que defendemos é a de que o projeto pedagógico daquelas instituições busque fazer o 
olho infantil saltar o muro, quebrar barreiras, e que o olhar dos educadores procure reconhecer aquilo 
que as famílias das crianças sabem, vê e esperam. 
Ainda do ponto de vista do RCNEI (1998 p.21), a aprendizagem da criança se dá por meio da 
interação dela com o meio em que vive, é na troca de saberes que a criança passa a aprender e a 
compreender o mundo a sua volta. É nessa relação que a criança busca utilizar os recursos que 
estão ao seu alcance. “Dentre os recursos que as crianças utilizam, destaca-se a imitação, o faz-de-
conta, a oposição, a linguagem e a apropriação de imagem corporal”. 
De acordo com esse documento, o professor na hora de utilizar o faz-de-conta, deve organizar o 
espaço para que a criança possa fazer um bom uso do mesmo. Devem-se inserir novos objetos 
dentro da sala de aula na hora da brincadeira, como caixas contendo giz de cera, lápis de cor, papéis 
coloridos, para que através da brincadeira a criança possa buscar novos meios de explorar a sua 
criatividade. É através destes novos objetos e materiais que a criança poderá criar e realizar à escrita 
do seu modo, pois: Ainda com relação ao faz-de- conta, o professor poderá organizar situações nas 
quais as crianças conversem sobre suas brincadeiras, lembre-se dos papeis assumidos por si e 
pelos colegas, dos materiais e brinquedos usados, assim como do enredo e da sequência de ações. 
Nesses momentos, lembrar-se sobre o que, com quem e com o que brincaram poderá ajudar as 
crianças a organizarem seu pensamento e emoções, criando condições para o enriquecimento do 
brincar. (RCNEI 1998 p.50). 
A forma como o professor fará a intervenção durante a brincadeira irá definir o curso desta, onde a 
intervenção do professor deve revitalizar, clarificar, explicar o brincar e não dirigir as atividades, pois 
quando a brincadeira é dirigida por um adulto com um determinado objetivo ela perde o seu 
significado, lembrando que a brincadeira deve possuir um fim em si mesma.( BOMTEMPO 1997). 
SPODEK e SARACHO (1998) distinguem dois modos de intervenção por parte do professor durante 
a brincadeira, o participativo e o dirigido. No modo participativo a interação do professor visa à 
aprendizagem incidental durante a brincadeira. As crianças acham um problema e o professor, como 
que um membro a mais no jogo, tenta junto com o grupo encontrar a solução, estimulando estas a 
utilizarem a imaginação e a criatividade. No modo dirigido o professor aproveita a brincadeira para 
inserir a aprendizagem de conteúdos escolares e dirigir as atividades para situações não lúdicas, 
causando uma desvalorização do brincar, que deixa de ser espontâneo, impedindo o 
desenvolvimento da criatividade. O professor deve proporcionar situações que envolvam o aluno 
emocionalmente na busca da solução de problemas, apoiando-o e auxiliando-o a alcançar uma 
solução sempre. 
Afirma MOYLES (2006 p.137). Em ambientes lúdicos realistas, o letramento não é fragmentado por 
processos didáticos artificiais. O letramento é utilizado para tudo o que for apropriado no brincar: 
fazer compras, almoçar ou jantar em um restaurante, viajar de trem, visitar um hospital e assim por 
diante. O letramento ocorre por ser necessário no contexto do brincar, não porque o ensino exige. 
Por isso, cada vez mais os educadores recomendam que os jogos e brincadeiras ocupem um lugar 
de destaque no programa escolar desde a Educação Infantil. Para auxiliar no trabalho do professor. 
Uma tendência que vem ganhando espaço é a da ludo e ducação que resume em educar através da 
brincadeira e da descontração. É uma técnica por meio da qual podem ser postos em prática 
conceitos como os do construtivismo, uma vez que a aprendizagem se dá por meio da participação 
do aluno, e de uma forma que, para este, é divertida, por meio de brincadeiras e jogos que estimulam 
o desenvolvimento emocional e o relacionamento entre as crianças e também entre as crianças e 
professores (DOHME, 2002). 
BOMTEMPO (1997) coloca que respeitando as brincadeiras, o educador poderá desenvolver novas 
habilidades no repertório de seus alunos, sugerindo assim que as intervenções não específicas por 
parte dos professores podem oferecer várias possibilidades e também estimular a criatividade das 
crianças. A mesma autora também 
 
Afirma que a intervenção do professor não deve, de forma alguma, podar a imaginação criativa da 
criança, mas sim orientar para que a brincadeira espontânea apareça na situação de aprendizagem. 
Alves (2001 p. 21) resume isto apontando para a simplicidade do tema afirmando que, “Professor 
bom não é aquele que dá uma aula perfeita, explicando a matéria. 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
O brincar é muito importante na infância, pois a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para 
manter seu equilíbrio com o mundo. Dentro da escola podemos nos deparar com alguns 
preconceitos, entre eles o de que brincar é atividade reservada somente para o horário do recreio, 
que em sala de aula é necessário ter seriedade, fazer silêncio para aprender matérias importantes 
como: Matemática, Geografia, Português... Há muitos professores ainda que possuem uma visão em 
que o brincar é “enrolação de tempo”. Porém, não tem conhecimento que todos os jogos e 
brincadeiras, por sua essência, são educativos e contribuem para o desenvolvimento infantil. 
Brincar é uma função indispensável à criança. Seja brincando com o professor ou com seus 
parceiros e em grupos é um compromisso que todo educador deveria ter, uma vez que favorece o 
seu desenvolvimento cognitivo e sócio - afetivo. 
Durante a brincadeira, a criança estabelece decisões, resolve seus conflitos, vence desafios, 
descobre novas alternativas e cria novas possibilidades de invenções. Quando o professor 
proporciona um trabalho coletivo de cooperação e socialização dá oportunidade às crianças de 
construírem os jogos, de decidirem regras, de mostrarem como se joga, de perceberem seus limites 
através dos direitos e deveres e de aprenderem a conviver e a participar, mantendo sua 
individualidade e respeitando o outro. 
Ao trabalharcom atividades lúdicas o aluno pode conviver com os diferentes sentimentos que fazem 
parte de sua realidade interior. Na brincadeira, a criança aprende a se conhecer melhor e a aceitar a 
existência do outro, organizando, assim, suas relações emocionais e estabelecendo relaçõessociais. 
Acredito que este trabalho sobre a importância do lúdico: A influência dos jogos, brinquedos e 
brincadeiras na educação infantil nos abre um caminho dentro do dia-a-dia escolar para a integração 
dos vários aspectos do ser humano como: corporal, emocional e mental, possibilitando para 
professores e alunos se conhecer melhor, se relacionar melhor consigo mesmo e com o outro, e a 
lidar melhor com as próprias dificuldades e com as do outro. 
Na educação infantil o professor deve criar um ambiente especialmente para despertar as 
potencialidades da criança, e por esse motivo, devem ser oferecidos à criança oportunidades de ser 
estimulada e motivada. O professor que reconhece a importância do lúdico no seu dia-a-dia escolar e 
o coloca em prática em sala de aula por si só e proporciona aos seus alunos a sua vivência. 
 
 
 
 
 
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