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DESENVOLVIMENTO DAS
PRÁTICAS INTEGRATIVAS
E COMPLEMENTARES NO
MUNDO
Aula 1
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NO
MUNDO
Práticas Integrativas e Complementares
no mundo
Olá, estudante! As PICS possuem uma forma diferenciada de olhar para o
processo saúde-doença, não se direcionando para a disfunção, mas para o
indivíduo que a possui. Complementando, o indivíduo é visto de forma
integral, sob todos os seus aspectos. E essa maneira de cuidado, marca
registrada das PICS, está presente em todo o mundo, porém, com
peculiaridades conforme a região. Vamos lá?!
Ponto de Partida
Olá, estudante boas-vindas à unidade sobre o desenvolvimento das práticas
integrativas e complementares em saúde no mundo! Neste momento,
conversaremos sobre o processo das práticas integrativas e complementares
ao redor do mundo, quais são seus conceitos, sua visão e seus atributos
gerais, e como a Organização Mundial da Saúde (OMS) teve a intenção de
inclusão e regularização dessas práticas.
Baseadas no modelo de atenção humanizada e centrada na integralidade do
indivíduo, as PICS são práticas com diferentes origens geográficas, culturais
e históricas, e isso faz com que exista uma ampla modalidade de práticas
disponíveis atualmente. Dessa forma, cada país possui uma variedade
própria de PICS, relacionadas à cultura local ou importadas de outras
tradições, reconhecidas com base nos aspectos socioculturais e nos
diferentes graus de integração com a medicina convencional de cada país.
Estas terapias encontram-se em crescente ascensão e visibilidade, reflexo da
busca por um modelo integral de cuidado.
E vale destacar que a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) é reconhecida internacionalmente como referência
em implantação das práticas integrativas e complementares no sistema de
saúde do nosso país. Dentro deste contexto, se insere o ObservaPICS. Você,
estudante, conhece o ObservaPICS? Saberia dizer para que foi criado e seus
objetivos?
Vamos Começar!
As Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI),
nomeação utilizada pela OMS, recebeu esta denominação para incluir o
termo Medicina Integrativa, para cobrir as abordagens integrativas tanto da
Medicina tradicional complementar (MTC) quanto da medicina convencional
em relação à política, ao conhecimento e à prática. Estas práticas fazem
referência a um amplo grupo de terapias utilizadas na atenção à saúde
baseada em teorias, experimentações e experiências de diferentes e
variadas culturas, que são utilizadas para promoção da saúde, prevenção e
recuperação, levando em consideração o ser integral em todas as suas
dimensões. As MTCI promovem uma visão ampliada do processo
saúde/doença e da promoção global do cuidado humano, incluindo o
autocuidado, e atuam para o empoderamento dos sujeitos.
Cada país possui sua própria variedade de práticas reconhecidas e
institucionalizadas ou consideram uma determinada prática de maneira
distinta em relação a outro país, levando em conta sua inserção sociocultural
e suas particularidades. As Medicinas Tradicionais formam, de maneira
importante, o modelo de cuidado à saúde, sendo em muitos países a
principal oferta de serviços à população. Em outros países, sua inserção nos
sistemas de saúde acontece de forma complementar ao sistema
convencional.
A OMS, buscando por maiores informações, idealizou e executou um
relatório com a finalidade de traçar a linha de evolução da instalação da
Estratégia de Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura ao longo dos
continentes mundiais, coletando dados e informações a partir de 2012 até o
final de 2018. Esse relatório faz menção a três articulações que tratam da
Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura no território brasileiro, sendo uma
delas o ObservaPICS, que tem por objetivo agregar conhecimentos em torno
das práticas integrativas e complementares em saúde, alocando esses
conhecimentos na Biblioteca Virtual em Saúde em Medicinas Tradicionais,
Complementares e Integrativas (BVS/MTCI) e no Consórcio Acadêmico
Brasileiro em Saúde Integrativa. A intenção é o fortalecimento das atividades
que objetivam agregar saberes tradicionais, informações acerca de produção
científica, práticas exitosas e políticas em implantação nesse campo no Brasil
e nas Américas.
Em 2014, ocorreu a 67ª Assembleia Mundial da Saúde, na qual se deram a
votação e a aprovação da Resolução World Health Assembly 67.18 –
Assembleia Mundial em Saúde (WHA67.18), que trata a respeito da medicina
tradicional chinesa.
No ano de 2018, 124 países, que representam 64% dos Estados-Membros
da OMS, relataram ter em seus sistemas leis, regras, normas ou
regulamentos sobre a produção e utilização de medicamentos fitoterápicos, e
78 países relataram ter políticas sobre o fornecimento de medicamentos
tradicionais e complementares. Já no ano de 2019, foi feita a divulgação pela
OMS, da informação de que houve elevação de 79 para 109 países que
realizaram a implantação ou ampliaram o número inicial do marco legal e
regulatório em medicina tradicional chinesa e indiana. A Organização avaliou
que os Estados-Membros prestaram mais atenção ao estabelecimento de
políticas globais e de sistemas relacionados a serviços de saúde tradicionais
e complementares.
Segundo o relato e os dados constantes em relatório, os países cada vez
mais desejam e continuam se movimentando para integrar a prática da
Medicina Tradicional e Complementar aos mais variados níveis de prestação
de atenção nos serviços de saúde, na atenção primária, por meio de clínicas
de bem-estar, voltadas ao tratamento da dor e uso de medicamentos
fitoterápicos.
A partir de 2014, o Secretariado da Convenção-Quadro da OMS iniciou seus
trabalhos no intuito de utilizar seus esforços para a realização do
desenvolvimento de documentos, normativas e terminologias utilizadas no
cunho internacional, além de ferramentas para guiar os países. Já com
relação aos acontecimentos advindos no período estabelecido entre 2016 e
2018, a OMS realizou a atualização e a efetivação de pesquisa global sobre
medicina tradicional, que culminou em outro relatório, o qual apresentou as
tendências constatadas nessa pesquisa.
Siga em Frente...
Em meados de 2017, ocorreu a unicidade relativa à prática de Medicina
Tradicional e Complementar da OMS, a qual somou à denominação a
terminologia Medicina Integrativa, com relação às terapias que tivessem
abordagem integrativa de Medicina Tradicional e Complementar, em união
com a medicina convencional relacionada a políticas educativas,
conhecimentos, saberes, terapias e práticas. Ainda dando continuidade a
essa ação, projetos em andamento estabeleciam forma melhorada de
compreensão dessa integração, da mesma maneira que se deu com a
medicina integrativa, e proporcionar, de forma orientada aos Estados-
Membros da OMS, os critérios e elementos das melhores práticas para
integrar a Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa aos sistemas de
saúde ao redor do mundo.
Contudo, em relação ao documento liberado em maio de 2019, a OMS
colocou como destaques a apresentação de oficinas executadas para
preparar representantes dos países que estavam realizando a implantação
ou expansão de suas políticas sobre as práticas integrativas e
complementares, a produção de redes e de acordos inter-regionais.
Além das políticas e regulamentações nacionais sobre medicinas tradicionais
e complementares (MTC) que foram desenvolvidas em cada vez mais
Estados-Membros, a infraestrutura de governação a nível nacional também
melhorou significativamente. Fato apontado em que, até 2018, 107 Estados-
Membros tinham um gabinete nacional de medicina tradicional e 75 Estados-
Membros tinham um instituto nacional de investigação.
Os progressos registados em 2018 foram generalizados em todas as seis
regiões da OMS:
Na Região Africana da OMS, entre 2005 e 2018, foram registrados
progressos significativos no desenvolvimento de políticas, leis e
regulamentos nacionais e de programas nacionais para MTC. A
regulamentação e o registro de medicamentos fitoterápicosand
complementary medicine 2019. World Health Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Encerramento da Unidade
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/312342/9789241515436-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/312342/9789241515436-eng.pdf?sequence=1&isAllowed=y
https://mtci.bvsalud.org/medicina-tradicional-en-las-americas/
https://iris.who.int/handle/10665/312342
DESENVOLVIMENTO DAS
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NO
MUNDO
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Nesta videoaula vamos compreender como se deu o
desenvolvimento das PICS nos diferentes continentes pelo mundo, suas
principais características, as práticas mais usadas, como se dá seu controle e
quais as expectativas futuras. Ainda, nesse momento teremos conhecimento
suficiente para integrá-los e diferenciar as características do emprego das
PICS comparado ao Brasil. E não vale esquecer que somos referência!
Vamos lá?
Ponto de Chegada
Olá, estudante! As MTCI abrangem um modelo de cuidado à saúde que não
consta e nem faz parte da tradição do cuidado ou da medicina tida como
convencional e usual, bem como não estão, em sua totalidade, integradas ao
sistema de saúde vigente. Os países, cada vez mais, desejam e continuam
se movimentando para integrar a prática da Medicina Tradicional e
Complementar aos mais variados níveis de atenção dos serviços de saúde.
Este aprendizado vai de encontro com as competências para esta unidade:
conhecer a representatividade das PICS no mundo, assim como explorar as
regulamentações, os cuidados e as características destas práticas nas
diferentes regiões do planeta.
Podemos dizer então, que em alguns países, sua inserção nos sistemas de
saúde acontece de forma complementar ao sistema convencional, já em
outros, esses termos são usados, alternadamente, para fazer referência à
medicina tradicional.
No ano de 2019, houve um aumento de 79 para 109 no número de países
que realizaram a implantação ou ampliaram o número inicial do marco legal e
regulatório em medicina tradicional chinesa e indiana. Ainda, 64% dos
Estados-Membros da OMS (124 países) relataram ter em seus sistemas
algum tipo de dispositivo responsável sobre a produção e utilização de
medicamentos fitoterápicos, e 78 países relataram ter políticas sobre o
fornecimento de medicamentos tradicionais e complementares. E vários
outros progressos foram registrados em todas as regiões do planeta: África,
região da Américas, Mediterrâneo Oriental, Europa, Ásia e Pacífico Ocidental.
A prática da medicina alternativa, nome ainda utilizado em algumas regiões
dos EUA, vem sendo substituída pela denominação Práticas ou Terapias
Integrativas e Complementares, reafirmando a importância da relação
terapeuta-paciente com foco no indivíduo como um todo. Nos Estados
Unidos, é o governo quem estimula a pesquisa e a adesão às PICS. O
National Center for Complementary and Integrative Health, que é parte do
Departamento Nacional de Saúde, é o órgão responsável pela investigação
científica voltada para o uso e a segurança das intervenções de medicina
complementar e integrativa, bem como pela melhoria da saúde. As
evidências científicas permitirão que o público e os profissionais de saúde
utilizem essas técnicas para a tomada de decisões em saúde.
Já na Europa, a European Federation for Complementary and Alternative
Medicina (EFCAM) é a federação que possui a responsabilidade de
regulamentar as PICS em 23 países. A EFCA tem, portanto, o objetivo de
garantir as PICS política de saúde europeia e assegurar a livre escolha de
quais terapias disponibilizarem, visando a melhora na disponibilização e no
acesso de tais práticas. Um ponto importante é que no continente europeu, a
abordagem das TIC e suas formas de aplicação podem mudar radicalmente
de um país para outro e, até mesmo, dentro de um único país, entre
diferentes grupos socioeconômicos. Existem mudanças significativas no
tratamento, nas regras e nomenclaturas das práticas que são diferentes, não
havendo padronização de procedimentos e terapias.
No continente asiático, a utilização de medicinas tradicionais é muito forte, e
não à toa que Estados-Membro da região têm demonstrado compromisso
contínuo para melhorias da estrutura para MTCI.
Nas Américas, existe o intercâmbio com as culturas locais e ancestrais, dos
povos indígenas ou originários e tradicionais, sendo utilizadas práticas menos
invasivas, oriundas de outros países, tais como a acupuntura e a
homeopatia. Cada país possui uma variedade própria de práticas
reconhecidas e institucionalizadas ou consideram uma determinada prática
de maneira distinta em relação a outro país, levando em conta sua inserção
sociocultural e suas particularidades.
Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, EUA, Haiti, México, Nicarágua, Paraguai,
Uruguai, Venezuela são exemplos de países que implementaram as MTCI
nos serviços de saúde como oferta principal de tratamento ou como medicina
complementar.
Vale ainda mencionar que as diferentes origens das MTCI nas Américas são:
Medicina tradicional norte-americana.
Medicina tradicional andina.
Medicina tradicional mesoamericana.
Medicina tradicional amazônica.
Medicina tradicional afro-americana.
Medicina tradicional comunidades Rom.
É Hora de Praticar!
Imagine que você é um profissional de saúde com especialização em PICS e
que trabalha na Rede Regional em MTCI para as Américas. A rede é uma
iniciativa inclusiva, de governança horizontal, da qual participam, atualmente,
diversas instituições de 15 países, incluindo Argentina, Brasil, Bolívia, Chile,
Colômbia, Cuba, Equador, EUA, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai,
Peru, Uruguai e Venezuela.
A rede de MTCI para as Américas articula as instituições que geram políticas,
regulam, formam profissionais, pesquisam, desenvolvem programas e
educam o público em geral no tocante aos diversos sistemas médicos e
terapêuticos das MTCI, e que, por meio da colaboração e da gestão do
conhecimento, apoiam a tomada de decisões em diferentes âmbitos, a fim de
aproveitar as contribuições potenciais das MTCI à saúde com segurança,
qualidade e pertinência.
Você escolheu trabalhar lá pois a Rede Regional em MTCI para as Américas
é uma iniciativa colaborativa com diversos atores sociais (organizações,
instituições governamentais e não governamentais, entre outros) criada para
desenvolver uma agenda comum e avançar rumo à integração das MTCI nos
sistemas e serviços de saúde dos países da América, de acordo com os
contextos nacionais. Então, você foi contratado para ser coordenador de uma
equipe responsável pela regulamentação, criação de políticas públicas,
formação de profissionais, pesquisa e desenvolvimento.
Você já contratou a sua equipe multiprofissional e, agora, precisa criar
políticas públicas, regulamentar as práticas existentes no continente
americano, formar e capacitar profissionais, validar cientificamente as MTCI e
desenvolver programas para informar o público geral sobre as MTCI
existentes e disponíveis. Como você pode realizar estas atividades tão
importantes?
Reflita
Agora que você já conhece a história e os principais conceitos das práticas
integrativas pelo mundo, bem como, de que forma estas práticas estão sendo
introduzidas nos diferentes sistemas de saúde, reflita:
Seria possível instituir uma forma padrão de inserção destas práticas
para a população mundial?
Tem algum país que te chamou mais a atenção (positivamente ou
negativamente) pela forma como lida com estas práticas?
Você consegue perceber pontos relevantes que fizeram do Brasil referência
na utilização das PICS?
Resolução do estudo de caso
De acordo com demandas passadas a você, é possível:
Estabelecer laços de cooperação entre os atores sociais dos países da
região das Américas e desenvolver diferentes aspectos das MTCI:
políticas públicas, regulação (de práticas, produtos e profissionais),
formação de recursos humanos, pesquisa, educação em saúde e
prestação de serviços de saúde
Compilar e sistematizarinformações técnicas, científicas, regulatórias e
de políticas públicas em MTCI nas Américas por meio de uma base de
dados e da BVS em MTCI a partir da colaboração entre atores em nível
regional.
Gerir a BVS em MTCI como um espaço de encontro entre os diversos
atores sociais que trabalham em MTCI na região das Américas com o
objetivo de desenvolver um panorama regional sobre os diferentes
aspectos das MTCI, facilitar a troca de experiências, facilitar o acesso à
informação científica, técnica e de educação em saúde, apoiar o
fortalecimento de capacidades e a visibilidade de boas práticas.
Promover a pesquisa colaborativa em MTCI na região das Américas.
Favorecer o resgate de conhecimentos ancestrais, incluindo a medicina
tradicional indígena e de outras diversidades étnica.
Apoiar processos de tomada de decisões para a integração das MTCI
aos sistemas e serviços de saúde na região das Américas, de acordo
com os contextos nacionais, seguindo as recomendações da Estratégia
OMS de Medicina Tradicional.
Promover a visibilidade, em nível mundial, das políticas públicas,
modelos de integração, saberes e práticas das medicinas tradicionais,
dos desenvolvimentos conceituais e de pesquisas em MTCI realizadas
na região das Américas.
Estudante, esta situação-problema foi desenvolvida com o propósito de lhe
trazer mais conhecimento sobre a atuação da Rede Regional em MTCI para
as Américas. Dessa forma, fica claro que a Rede possui grande
complexidade na sua estrutura e no seu planejamento e desenvolvimento
das ações, porém, de um modo mais simples de pensar suas atividades fica
bem mais fácil reter o conhecimento!
Dê o play!
Assimile
No decorrer desta unidade foi possível conhecer e integrar os aprendizados
referentes às PICS nos diferentes cantos do mundo! Com o mapa mental
apresentado, ficará mais fácil estudar e memorizar as características das
PICS nos diferentes continentes!
Fonte: elaborada pela autora.
Referências
CHUNG, V. C. H. et al. Implementation science in traditional, complementary
and integrative medicine: An overview of experiences from China and the
United States. Phytomedicine, v. 109, 154591, 2023.
MACHADO, M. G. M.; et al. Práticas integrativas e complementares em
saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina
integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
SOUZA, I. C.; GUIMARÃES, M. B.; GALLEGO-PEREZ, D. F.
(Org.) Experiências e reflexões sobre medicinas tradicionais,
complementares e integrativas em sistemas de saúde nas
Américas. Recife: Fiocruz; ObservaPICS, 2021.
World Health Organization - WHO. Report on financial and administrative
implications for the Secretariat of resolutions proposed for adoption by
the Executive Board or Health Assembly. Sixty-Seventh World Health
Assembly, 2014. Disponível em:
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf. Acesso
em: 18 dez. 2023.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on traditional and
complementary medicine 2019. World Health Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf
https://iris.who.int/handle/10665/312342continuam a
ser um desafio para a região.
Na Região das Américas da OMS, houve aumento no número de
Estados-Membros que desenvolvem políticas, programas, leis e
regulamentos nacionais. A região ficou ligeiramente atrás do cenário
global para todos os indicadores, mas prevê-se que a MTC será
constantemente reconhecida como um contributo valioso nos cuidados
com a saúde.
Na Região do Mediterrâneo Oriental da OMS, registaram-se progressos
assinaláveis na área da regulamentação e registro de medicamentos
fitoterápicos desde 2005, em que a região se sai melhor do que o
cenário global. Dos 21 países desta região, nove relataram ter uma
política nacional para MTC e 12 países relataram leis e regulamentos
que regem a MTC.
Na Região Europeia da OMS, houve um grande aumento do número de
Estados-Membros com sistema de registo e regulamentação para
medicamentos à base de plantas. No entanto, indicadores como
políticas, gabinetes, programas e institutos de investigação nacionais
para MTC ficam significativamente atrás das médias globais.
A Região do Sudeste Asiático da OMS, que tem vários sistemas
históricos de medicina tradicional na região e um forte foco político, teve
um desempenho melhor do que as médias globais em todos os
indicadores.
A Região do Pacífico Ocidental da OMS teve um forte enfoque político,
com 17 dos 27 Estados-Membros a reportarem uma política nacional
para MTC. A região está atrasada em relação ao cenário global no
registro e regulamentação de fitoterápicos, mas é comparável em todos
os outros indicadores.
Complementando, a fim de prestar apoio contínuo, a OMS solicitou aos
Estados-Membros que definissem as suas necessidades de assistência. As
respostas incluíram pedidos de apoio e orientação técnica geral para
pesquisa e avaliação da MTC, compartilhamento de informações sobre
questões regulamentares, workshops sobre capacitação nacional e
fornecimento de bases de dados de investigação.
Vamos Exercitar?
Vimos que o ObservaPICS tem como objetivo principal unir conhecimentos
relacionados às práticas integrativas e complementares. Dessa forma, o
ObservaPICS é um canal de comunicação do Observatório Nacional de
Saberes e Práticas Tradicionais, Integrativas e Complementares em Saúde
(ObservaPICS) para partilhar experiências e estudos e gerar discussões
acerca dessa modalidade de cuidado com pesquisadores de diversas
instituições, trabalhadores, gestores e usuários do SUS.
A missão do Observatório é promover reflexões teóricas e práticas,
mapeamento e análise crítica das PICS, com ênfase no SUS.
Portanto, seus objetivos são debater, articular a troca de conhecimentos,
estimular e produzir pesquisas, comparar e responder diferentes dúvidas
quanto à validação das práticas e a integração com os procedimentos
convencionais biomédicos.
O observatório tem apoio do Ministério da Saúde e parceria com a Biblioteca
Virtual em Saúde em Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas
em Saúde (BVS-MTCI-Bireme), do Consórcio Acadêmico Brasileiro para a
Saúde Integrativa e da Rede PICS Brasil.
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
Para complementar os conhecimentos desta aula sugerimos a leitura do
capítulo Natureza, saúde e princípios socioecológicos (Seção 3, Capítulo 24),
do livro Bases da medicina integrativa disponível em nossa Biblioteca Virtual.
LIMA, P. T. R. Bases da medicina integrativa. 3. ed. Santana de Parnaíba:
Manole, 2023. Biblioteca Virtual.
 Sugestão de artigo científico
Para agregar aos seus conhecimentos sobre as práticas integrativas, o artigo
Medicina Tradicional Complementar e Integrativa: desafios para construir um
modelo de avaliação do cuidado discorre sobre a complexidade e a
diversidade do que se propõe sob a lógica da Medicina Tradicional,
Complementar e Integrativa (MTCI), que constitui um desafio para os
interessados em evidências de sua efetividade. O seu crescimento, a sua
oferta e o seu uso justificam a necessidade de construir referenciais
metodológicos mais complexos e mais adequados para explicitar a
singularidade do cuidado e a diversidade de suas técnicas. 
SOUSA, I. M. C. de; HORTALE, V. A.; BODSTEIN, R. C. de A. Medicina
Tradicional Complementar e Integrativa: desafios para construir um modelo
de avaliação do cuidado. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 10, p. 3403-
3412, 2018. 
 Outras sugestões
A página sugerida faz parte do site da Organização Pan-America da
Saúde/Organização Mundial da Saúde e aborda as Medicinas tradicionais,
complementares e integrativas. Explore a página e seus links para mais
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
áreas de conhecimento, como, OMS: Estratégia de medicina tradicional e
Tópicos relacionados.
Fonte completa: Organização Pan-America da Saúde – OPAS/Organização
Mundial da Saúde – OMS. Medicinas tradicionais, complementares e
integrativas. 
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Glossário temático: práticas integrativas e
complementares em saúde. Secretaria-Executiva. Secretaria de Atenção à
Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional de práticas integrativas e
complementares no SUS: atitude de ampliação de acesso. Secretaria de
Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. 2. ed. Brasília:
Ministério da Saúde, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.761, de 19 de novembro de
2013. Institui a Política Nacional de Educação Popular em Saúde no âmbito
do Sistema Único de Saúde (PNEPS -SUS). Brasília: Ministério da Saúde,
2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de
2012. Trata de pesquisas em seres humanos e atualiza a Resolução nº 196.
Conselho Nacional de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
SOUSA, I. M. C. de; HORTALE, V. A.; BODSTEIN, R. C. de A. Medicina
Tradicional Complementar e Integrativa: desafios para construir um modelo
de avaliação do cuidado. Ciência & Saúde Coletiva, v. 23, n. 10, p. 3403-
3412, 2018. Disponível
em: https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?
format=pdf&lang=pt. Acesso em: 18 dez. 2023.
World Health Organization - WHO. Report on financial and administrative
implications for the Secretariat of resolutions proposed for adoption by
the Executive Board or Health Assembly. Sixty-Seventh World Health
Assembly, 2014. Disponível em:
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf. Acesso
em: 18 dez. 2023.
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.paho.org/pt/topicos/medicinas-tradicionais-complementares-e-integrativas
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/csc/a/s7Wp8hbTLzkFPsMtSXKdCgp/?format=pdf&lang=pt
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on traditional and
complementary medicine 2019. World Health Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Aula 2
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NOS
PAÍSES ORIENTAIS
Práticas Integrativas e Complementares
nos países orientais
Olá, estudante! As PICS possuem relação muito forte com a cultura oriental.
Mas se pensarmos que práticas integrativas possuem raízes nas medicinas
tradicionais já conseguimos ampliar nossos horizontes para outros povos e
culturas. E justamente esse é o tema de nossa aula, mas com enfoque nos
países orientais. Tenho certeza de que irá gostar!
Ponto de Partida
https://iris.who.int/handle/10665/312342
Olá, estudante! Muitas pessoas pensam que as práticas integrativas são
orientais. Talvez pela grande difusão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC)
e suas técnicas. E de fato, o sucesso da MTC e suas técnicas têm sua
parcela de responsabilidade para tal suposição.
De fato, estas práticas são amplamente utilizadas e respeitadas, com
comprovaçãocientífica advinda de estudos científicos robustos. Outro fator
que contribuiu para a sua disseminação é que estas práticas são milenares e
possuem muita força na cultura oriental. Podemos dizer ainda, que a MTC
está entre as práticas mais buscadas em todo o mundo.
Porém, sabemos que as práticas integrativas orientais são mais abrangentes
que as técnicas da medicina chinesa como acupuntura e moxabustão. Outras
técnicas, advindas também de povos orientais são reconhecidas.
Nesta aula, vamos explorar um pouco destas culturas e as características do
uso das práticas integrativas nos países orientais mais conhecidos por nós.
Além disso, gostaria que você, estudante, refletisse no decorrer da aula se
quando falamos de países orientais, e sua relação com as PICS, nos
referimos à MTC e as mesmas práticas por toda população asiática ou há
características próprias em cada país?
Vamos Começar!
A implementação da Medicina Tradicional, Complementar e Integrativa
(MTCI) nos sistemas convencionais de prestação de serviços de saúde tem
sido defendida, já há um bom tempo, pela OMS. No entanto, existem vários
desafios para integrar a MTCI em ambiente dominado pela medicina
convencional. Mesmo quando as MTCI estão formalmente incorporadas no
sistema de saúde, ainda é difícil transformar a prática com evidências clínicas
para melhorar a qualidade.
Reconhecendo estas barreiras, é importante utilizar o conhecimento derivado
da ciência da implementação para compreender e facilitar a implementação
de serviços de MTCI em ambientes de cuidados de saúde convencionais e
para promover a incorporação de evidências na prática de MTCI. 
No continente asiático, considerando o período de 2005 a 2018, os Estados-
Membros têm demonstraram forte compromisso contínuo com a política, lei,
regulamentação e infraestrutura nacional para MTCI, em que a grande
maioria afirmou ter uma política, programa, escritório e comitê de
especialistas nacionais para MTCI.
O uso de medicinas tradicionais pela população também é fortemente
reconhecido na região. O maior crescimento que foi observado é referente à
regulamentação de medicamentos fitoterápicos.
Apesar deste enraizamento cultural da MTCI, a ciência da implementação
fornece uma perspectiva multifatorial sobre a implementação, aplicando os
chamados quadros determinantes para identificar diferentes fatores que
influenciam nesta implementação. Os determinantes, que podem ser
barreiras ou facilitadores, são categorizados em cinco domínios
interdependentes:
1. Eficácia da estratégia utilizada para apoiar a implementação.
2. Atributos do serviço implementado, como a sua complexidade percebida
e compatibilidade com serviços anteriores.
3. Características dos adotantes (suas atitudes, suas crenças e sua
motivação em relação ao serviço implementado).
4. Características dos pacientes ou destinatários da prática implementada
(preferências e valores, por exemplo).
5. Influências contextuais, como a cultura e outras influências coletivas
sobre os adotantes. 
 A importância de cada um destes domínios deve ser avaliada caso a caso,
e as estratégias para apoiar a implementação devem ser idealmente
adaptadas às barreiras identificadas à implementação. 
No que diz respeito à MTC, é perceptível que se mantiveram como as
técnicas mais próximas do tradicional e com menor influência do saber
ocidental. Apesar de possuir origens muito antigas, de acordo com os
registros históricos, as técnicas sofreram pouca ou nenhuma influência das
práticas ocidentais até a metade do século XIX. São, contudo, consideradas
as técnicas naturais e não medicamentosas que possuem maior divulgação e
cada vez mais respeito.
A história das técnicas relacionadas à MTC se mistura com a história política
da China, em que passaram por períodos de menor expressão e até de
proibição de seu uso. Os governos chineses são conhecidos como dinastias,
e cada uma delas trouxe uma forma diferente de entender as práticas
terapêuticas tradicionais e a influência das práticas ocidentais sobre elas. Na
década de 1920, durante a Era Guomindang, o governo tentou acabar com
as terapias tradicionais, mas não houve sucesso. Quando foi instituída a
República Popular da China, em 1949, as técnicas tradicionais chinesas
foram reconhecidas e formalizadas. Os profissionais tradicionais foram
estimulados a intercambiar saberes com o Ocidente, tornando as duas linhas
de pensamento integradas e complementares e expandindo os saberes
orientais.
Esta integração entre as terapias tradicionais e as práticas ocidentais
culminou em maior rigor científico, cada vez mais expressivo na
documentação das antigas práticas chinesas. Os avanços científicos
relacionadas à MTC e suas técnicas também contribuiu para maior
aproximação ocidental gerando mais visibilidade e maior aplicação das
práticas fora do território chinês.
Dessa forma, observamos hoje que as práticas tradicionais orientais
convivem de forma harmoniosa com a medicina convencional, e os
profissionais de saúde têm a liberdade de utilizar as duas abordagens de
forma paralela.
Outra prática tradicional oriental conhecida é a Medicina Ayurvédica (MA).
Não se tem dados precisos com relação ao seu surgimento, mas esta forma
também milenar (acredita-se tratar de mais de 5000 anos atrás) de cuidados
com a saúde pode ter tido seus ensinamentos passados inicialmente de
forma oral. Assim, podemos dizer que a civilização védica no sudeste da Ásia
migrou para o sul para criar a Medicina Ayurvédica, enquanto a civilização
austral criou a Medicina Tradicional Chinesa.
As abordagens de tratamento da MA envolvem mudanças na dieta, utilização
de ervas, uso de massagens e práticas purificadoras, todas elas com o
objetivo de equilibrar a fisiologia do indivíduo.
Em 1947, após a independência da Índia, a ayurveda, antes proibida pelos
britânicos, pôde ser praticada. E, em 1971, a MA foi autorizada a fazer parte
do sistema de saúde oficial da Índia. A partir de então, a ayurveda se
disseminou por diversas regiões, incluindo Europa, Japão, Austrália, Rússia,
América do Norte e do Sul.
Índia
Na Índia, a política nacional sobre MTCI é a Política Nacional sobre Sistemas
Indianos de Medicina e Homeopatia, de 2002. A legislação nacional sobre
estas práticas inclui a Lei do Conselho Central de Medicamentos Indianos
(1970), a Lei do Conselho Central de Homeopatia (1973) e a Lei de
Medicamentos e Cosméticos (de 1940, alterado em 2009). O governo da
Índia criou um departamento separado conhecido como Departamento de
Sistemas Indianos de Medicina e Homeopatia em 1995, que mais tarde foi
renomeado como Departamento de Ayurveda, Yoga, Unani, Siddha e
Homeopatia (AYUSH), administrado pelo Ministério da Saúde. Mais tarde, em
2014, foi formado o Ministério independente da AYUSH. No país existem
vários comitês de especialistas em MTCI, sendo os mais importantes o
comitê de farmacopeia, a Célula de Controle de Medicamentos e o Conselho
Consultivo Técnico ayurveda Siddha e Unani. Existem, ainda, quatro
conselhos separados para pesquisa sob AYUSH: o Conselho Central para
Pesquisa em Ayurveda e Siddha, o Conselho Central para Pesquisa em
Medicina Unani, o Conselho Central para Pesquisa em Yoga e Naturopatia, e
o Conselho Central de Pesquisa em Homeopatia.
Também no ano de 2014, se iniciou um plano nacional para integrar a MTCI
na prestação nacional de saúde. As práticas de Medicina ayurvédica, Unani e
homeopatia possuem regulamentações nacionais e para atuar nestas áreas é
necessária licença emitida pelo governo, emitida após a formatura e estágio
obrigatório. Os serviços de MTCI são reembolsados por seguros de saúde
públicos e privados.
Quanto aos medicamentos fitoterápicos, estes são regulamentados pela
disposição de medicamentos ayurvédicos, Siddha e Unani na Lei de
Medicamentos e Cosméticos e possuem regulamentos exclusivos, separados
dos medicamentos convencionais, a fim de garantir a sua qualidade.
Coreia do Norte e Coreia do Sul
Na Coreia do Norte, a política nacional sobre MTCI foi emitida em 1979. O
Departamentode Medicina Tradicional Koryo serve como escritório nacional
de MTCI. O instituto nacional de pesquisa em MTCI é a Academia de
Medicina Tradicional Koryo, fundada em 1961; e o plano nacional para
integrar a MTCI na prestação nacional de serviços de saúde, começou em
1979.
A regulamentação para medicamentos fitoterápicos é a mesma que para
produtos farmacêuticos convencionais.
O Departamento de Medicina Tradicional Koryo estima que, em 2010, 40-
59% da população utilizava práticas indígenas de medicina tradicional, 20-
39% usaram acupuntura, quiropraxia e naturopatia, e 40-59% usaram
medicamentos fitoterápicos.
A medicina tradicional indígena é coberta pelo seguro de saúde do governo,
e a cobertura total do seguro governamental está disponível para as práticas
de acupuntura, quiropraxia, fitoterápicos e naturopatia. Ainda, existe um
programa de educação do consumidor para cuidados de autocuidado usando
MTCI que está em vigor desde 1980.
Já na República da Coreia (Coreia do Sul), e, 1993 foi criado o Departamento
de Medicina Tradicional Coreana para facilitar o planejamento estratégico e a
implementação da política nacional sobre a medicina coreana. Mais tarde,
em 2008, foi ampliado para duas divisões: Divisão de Política de Medicina
Tradicional Coreana e Divisão da Indústria de Medicina Tradicional Coreana.
Na Coreia do Sul também existem instituições públicas importantes na área
da medicina tradicional coreana: o Instituto Coreano de Medicina Oriental
(1994), que é um instituto nacional de pesquisa para a medicina coreana; e o
Instituto Nacional de Desenvolvimento da Medicina Coreana (2016), que
funciona como uma agência nacional responsável por promover a indústria
médica coreana. Além disso, o país desenvolve planos de ação a cada cinco
anos com a intenção de promover e desenvolver a medicina coreana.
Atualmente, o plano nacional tem a visão de promover a saúde pública
através da medicina coreana e fortalecer a medicina nacional.
Para atuar com a Medicina Tradicional Coreana é necessário se graduar na
universidade e passar no Exame Nacional de Licenciamento. E, para
fortalecer a pesquisa em medicina coreana, todas as universidades de
medicina coreana oferecem mestrado e doutorado na área.
Desde 1987, o seguro nacional de saúde cobre serviços selecionados de
medicina tradicional coreana, incluindo alguns produtos de acupuntura,
moxabustão e medicamentos fitoterápicos.
Siga em Frente...
Tailândia
Quando falamos da Tailândia, a política sobre MTCI está integrada na Lei
Nacional de Saúde desde 2007 e existe uma política nacional exclusiva para
a Medicina Tradicional Tailandesa (MTT), incluída no 10º Plano Nacional de
Desenvolvimento da Saúde (2007-2011). A legislação relacionada às
medicinas tradicionais inclui leis e regulamentos sobre a “prática da arte de
curar”, produtos farmacêuticos e a proteção e promoção da MTT. A política e
a legislação nacional sobre MTCI foram atualizadas em 2016. Não existe
comitê único na Tailândia para a MTCI, mas vários comitês de especialistas,
subcomitês e grupos em diferentes áreas do TTM. O plano nacional para a
integração da MTCI na prestação nacional de saúde está em vigor desde
1992.
Comparado a outros países, a Tailândia possui adesão mais baixa às práticas
integrativas. De acordo com o Instituto de Medicina Tradicional Tailandesa,
em 2010, 1-19% da população utilizava práticas indígenas de medicina
tradicional e medicamentos fitoterápicos. Dados do Instituto de Medicina
Tailandês-Chinesa do Sudeste Asiático mostram que, também em 2010,
menos de 1% da população usava acupuntura e 1-19% usava a medicina
tradicional chinesa. A Divisão de Medicina Complementar e Alternativa
informou que, em 2010, a medicina ayurvédica, a quiropraxia, a homeopatia,
a naturopatia, a osteopatia e os medicamentos Unani eram utilizados por
menos de 1% da população.
 China
Na China, como já foi visto, a principal forma de MTCI é a MTC, em que a
prestação de serviços já foi adotada em todos os níveis de cuidados de
saúde. Com o elevado volume de investigação clínica das últimas décadas,
uma questão política é como traduzir em prática as evidências clínicas
relacionadas à MTC. O desenvolvimento de diretrizes de prática clínica tem
sido a principal intervenção de implementação, porém, a adesão dos médicos
da MTC tem sido fraca, devido ao conflito entre a prática individualizada
clássica e a padronização da prática.
Assim, apesar dos diversos órgãos relacionados a MTCI e MTC, o Conselho
de Estado emitiu dois documentos, o Regulamento da República Popular da
China sobre a Medicina Tradicional Chinesa (2003), e os Pareceres sobre o
Apoio e Promoção do Desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa
(2009), formando gradualmente um sistema político relativamente completo
sobre a Medicina Tradicional Chinesa. Em 2016, o Comité Central do Partido
Comunista da China e o Conselho de Estado emitiram o “Plano para uma
China Saudável 2030”, que, entre outras condutas, estabelece uma série de
tarefas e medidas para implementar um programa de desenvolvimento da
medicina tradicional chinesa. Também foi emitido, pelo Conselho de Estado,
o “Plano Estratégico para o Desenvolvimento da Medicina Tradicional
Chinesa” (2016-2030), que tornou o desenvolvimento da MTC uma estratégia
nacional.
A relevância da MTC é tão grande que 130 elementos desta foram
incorporados à Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial
Nacional, com as práticas da MTC de acupuntura e moxabustão sendo
incluídas na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da
Humanidade pela UNESCO. Ainda, o Cânon Interno do Imperador Amarelo
(Huang Di Nei Jing) e o Compêndio de Matéria Médica (Ben Cao Gang Mu)
estão listados no Registro da Memória do Mundo.
Na China, existe uma rede urbana de cuidados médicos de MTC que
compreende hospitais, clínicas e departamentos clínicos e centros de saúde
comunitários de medicina tradicional. Também foi estabelecida uma rede rural
de cuidados médicos de MTC.
Os seguros governamentais e comerciais (incluindo companhias de seguros
estatais e privadas) cobrem a MTC e cobrem parcialmente as práticas de
MTCI de acupuntura, fitoterapia e osteopatia.
Os medicamentos tradicionais chineses e medicamentos naturais
(medicamentos fitoterápicos) são controlados pelo sistema regulador
nacional. Existem também regulamentos que determinam a forma como a lei
de administração de medicamentos é implementada, a proteção dos
medicamentos tradicionais chineses, a administração de medicamentos
tóxicos para uso médico e a proteção dos “recursos medicinais silvestres”.
 Japão
No Japão não existe lei ou regulamento nacional para a MTCI, da mesma
forma, não existe um escritório oficial responsável por tais práticas, nem
comitê de especialistas. As questões relativas especificamente da MTCI são
tratadas pelos escritórios e comitês existentes. Alguns projetos de
investigação sobre as medicinas tradicionais são financiados pelo governo.
As práticas indígenas de medicina tradicional são consideradas importantes
no Japão. A medicina tradicional indígena e outras práticas de MTCI são
utilizadas pela população, mas as percentagens de utilização não são
conhecidas.
Os provedores de MTCI atuam em hospitais e clínicas dos setores público e
privado. O governo nacional emite a licença MTCI necessária para a prática.
Há cobertura parcial da medicina tradicional indígena e das práticas de MTCI
de acupuntura e fitoterápicos pelo seguro saúde governamental.
A Lei de Assuntos Farmacêuticos emitida, de 1960, constitui a
regulamentação nacional sobre medicamentos fitoterápicos, que incluem
medicamentos tradicionais japoneses. Um guia sobre padrões de aprovação
para produtos tradicionais foi publicado em 2008 e posteriormente revisado.
Os requisitos de segurança para medicamentos fitoterápicos também são os
mesmos dos produtos farmacêuticos convencionais.
 Singapura
Singapura é uma nação reconhecida pelas políticas públicas para melhorar a
qualidade de vida da população, com diversos programaspara incentivo à
alimentação saudável, à prática de atividade física e aos cuidados com a
população idosa.
Atualmente não existe um instituto nacional de pesquisa em medicina
tradicional. Porém, o Ministério da Saúde administra subsídios dedicados à
investigação em MTC para incentivar a investigação colaborativa entre
praticantes e investigadores nas suas instituições acadêmicas e de cuidados
de saúde.
Existem regulamentações nacionais sobre medicamentos fitoterápicos e
estes medicamentos, incluindo os medicamentos tradicionais chineses,
indianos e malaios, são regulamentados pela Lei de Medicamentos.
Entre as práticas de MTCI, apenas os praticantes da MTC são
regulamentados estatutariamente. A Lei dos Praticantes de Medicina
Tradicional Chinesa foi estabelecida em 2000, e os Regulamentos dos
Praticantes de Medicina Tradicional Chinesa (Registro de Acupunturistas) e
os Regulamentos dos Praticantes de Medicina Tradicional Chinesa (Registro
de Médicos de MTC) entraram em vigor em 2001 e 2002, respectivamente.
Os praticantes de outras técnicas, como a medicina tradicional malaia, a
medicina tradicional indiana e a quiropraxia, são incentivados a praticar a
autorregulação por meio de associações profissionais. Não são conhecidas
as percentagens da população que utiliza as práticas de MTCI em Singapura.
Para finalizar, entre as dificuldades enfrentadas por alguns países asiáticos
está a falta de apoio financeiro para pesquisas sobre as MTC, falta de
conhecimentos apropriados das autoridades nacionais em saúde e agências
de controle, falta de mecanismos apropriados para o controle e a regulação
de produtos fitoterápicos.
Vamos Exercitar?
Pudemos perceber no decorrer desta aula, que a MTC é muito forte nos
países asiáticos, especialmente na China. Mas, cada país utiliza amplamente
a sua medicina tradicional, decorrente dos costumes e cultura. E não é
porque é uma medicina tradicional que não possui regulamentação, pelo
contrário. Percebemos que além do incentivo da OMS, cada país tem órgãos
responsáveis por tais práticas, de modo a buscar a qualidade e segurança
com seu uso.
Além disso, na Ásia especialmente, percebemos que não existe uma relação
bem formada entre o desenvolvimento do país e o uso da MTCI. Alguns
países inclusive, como é o caso da China, possuem programas de atenção à
saúde mediante a utilização das MTCI tanto no meio urbano quanto em áreas
rurais, para garantir o atendimento de toda a população. 
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
Como sugestão para complementar seus conhecimentos deixamos o capítulo
A Medicina Tradicional Chinesa como Medicina Integrativa (Seção II, Capítulo
7), do livro Medicina integrativa na prática clínica disponível em nossa
Biblioteca Virtual.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina
integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
O artigo Origens, influências e aplicações das medicinas asiáticas no mundo
globalizado traz, em uma leitura leve, alguns fatos interessantes sobre as
medicinas tradicionais orientais.
SIEGEL, P.; BARROS, N. F. Origens, influências e aplicações das medicinas
asiáticas no mundo globalizado. Physis Revista de Saúde Coletiva, v. 19, n.
2, p. 551-557, 2009. 
Outras sugestões
O filme icônico Karatê Kid, tanto a primeira versão de 1984, quanto a
regravação de 2010, além da trama muito bem estruturada, mostra muito das
tradições do povo chinês e sua proximidade com a medicina tradicional,
apresentando diversas práticas, que fazem parte do dia a dia da população
chinesa. Se você, estudante, não conhece este filme, vale a pena! E se já
conhece, que tal assisti-lo novamente com um novo olhar e tentar identificar
as práticas nele utilizadas?
Referências Bibliográficas
CHUNG, V. C. H. et al. Implementation science in traditional, complementary
and integrative medicine: An overview of experiences from China and the
United States. Phytomedicine, v. 109, 2023.
MACHADO, M. G. M. et al. Práticas integrativas e complementares em
saúde. Porto Alegre: SAGAH, 2021.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina
integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on traditional and
complementary medicine 2019. World Health Organization. Disponível em:
https://iris.who.int/handle/10665/312342. Acesso em: 18 dez. 2023.
Aula 3
https://www.scielo.br/j/physis/a/ggCxdfJzv3RmCdBMYZzDxSC/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/physis/a/ggCxdfJzv3RmCdBMYZzDxSC/?format=pdf&lang=pt
https://iris.who.int/handle/10665/312342
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NA
EUROPA E ESTADOS UNIDOS
Práticas Integrativas e Complementares
na Europa e Estados Unidos da América
Olá, estudante! Apesar de as práticas integrativas serem iguais em todo
mundo, com o passar dos anos e de acordo com cada cultura elas foram
sofrendo modificações. Isso faz com que sejam necessárias medidas para
seu controle nos diferentes lugares do mundo, a fim de manter sua qualidade
e segurança para a população. E é justamente isso que será discutido em
nossa videoaula de forma complementar ao material didático!
Ponto de Partida
Olá, estudante! A utilização das PICS tem crescido de maneira global,
mesmo em países já desenvolvidos em que a medicina convencional ou
alopática tem se estabelecido nos sistemas de saúde, a exemplo os Estados
Unidos e vários países europeus.
Nesta aula conversaremos sobre o processo das práticas integrativas e
complementares no continente europeu, abordando como se deu seu
desenvolvimento, quais são seus atributos gerais e relações nos diferentes
países da Europa. Também abordaremos sobre as práticas integrativas e
complementares nos Estados Unidos da América (EUA), sua visão e suas
características principais, e as abordagens acerca destas técnicas.
Mas antes de começar vamos pensar um pouco! Você já deve ter notado
com o que aprendemos até aqui, que as PICS têm uma história muito antiga
e está enraizada nos costumes e cultura de diferentes povos. Ainda,
aprendemos que esta forma de cuidado com a saúde é muito popular em
comunidades com menos recursos, e podemos dizer inclusive que acaba
sendo a principal forma de cuidado. Mas, por que então que estas práticas
estão sendo vistas com tanto cuidado pela OMS e por populações mais
desenvolvidas, ou com melhores recursos para os cuidados com a saúde,
como a europeia e a norte-americana?
Vamos Começar!
O continente europeu é constituído por 50 nações ou países que, unidos,
totaliza uma população de 730 milhões de pessoas, o equivalente a 11% da
população mundial. Localizado no hemisfério norte do globo terrestre, é o
menor dos cinco continentes, tendo uma área de 10 milhões de km2.
A Europa, com relação às PICS, tem uma abordagem voltada para a
incorporação de entendimentos que tenham sido comprovados
cientificamente e é denominada medicina mente-corpo, a qual conta com a
inclusão de várias áreas do conhecimento. Para tal fomentação, tem-se
utilizado inúmeros artigos científicos, os quais fazem a indagação do porquê
utilizar o termo integrativo, e não o termo complementar. Tal indagação
justifica a utilização da denominação práticas integrativas e complementares,
que faz a união dos dois termos.
Ao olhar do National Center for Complementary and Integrative Health
(NCCIH), compreende-se como medicina integrativa a somatória da
utilização da dita medicina convencional com as terapêuticas da medicina
complementar. É, portanto, a área do conhecimento que complementa a
Medicina Tradicional, que tem seus objetivos na prevenção e no cuidar de
doenças, agindo de forma completa, observando as diferentes dimensões e o
equilíbrio entre as emoções, o corpo físico, a mente e o nosso redor, visando
à busca pelo bem-estar integral de cada indivíduo, e não somente mantendo
o olhar na patologia orgânica ou na doença instalada no corpo.
A partir da década de 1960, intensificaram-se a busca e a procura mundial
por diferentes formas deterapias, tendo como propulsor principal a grande e
crescente prevalência de doenças crônicas e degenerativas, assim como a
insatisfação com o modelo de saúde e as formas de tratamentos
convencionais.
A European Federation for Complementary and Alternative Medicina
(EFCAM) é a federação responsável pela regulamentação das práticas
holísticas em 23 países da Europa Ocidental, estabelecendo um objetivo
para garantir que se tenha elevados pontos na política de saúde europeia, a
fim de assegurar a livre escolha de quais terapias disponibilizarem. Para a
população, a EFCAM visa melhorar a disponibilidade e o acesso a serviços
de práticas integrativas e complementares, garantindo os direitos legais da
imagem de profissionais e regulamentos e treinamentos na Europa, além da
participação desses praticantes de TIC em pesquisas e projetos da área.
Dentre as pesquisas realizadas pela EFCAM, ocorreu uma em 2015 na qual
foi constatado que 80% de indivíduos em diferentes países da União
Europeia utilizaram uma TIC, e estimou-se que 360 mil profissionais
trabalham em diferentes tipos de terapias.
Entretanto, na Europa, a abordagem das TIC e suas formas de aplicação
podem mudar radicalmente de um país para outro, e até mesmo dentro de
um único país, entre diferentes grupos socioeconômicos. Desta forma, vemos
diversas políticas relacionadas a tais práticas e quando o paciente atravessa
a fronteira de um país e procura por serviços de TIC, ele percebe mudanças
significativas no tratamento, o que pode se tornar um risco para a segurança
do paciente. O mesmo acontece com um especialista, quando vai para outro
país, porque as regras e nomenclaturas são diferentes. Essa diferença
também afeta os pesquisadores, pois não há padronização de procedimentos
e terapias. As nomenclaturas e aplicações heterogêneas acabam interferindo
na qualidade e segurança no tratamento da saúde. Além disso, a EFCAM fez
esforços para estabelecer diretrizes gerais sobre leis e regulamentos da TIC,
incluindo requisitos de treinamento para especialistas, autorizações e
sistemas de licenciamento de especialista/terapeuta.
No período entre 2010 e 2012, a EFCAM realizou uma investigação chamada
Complementary and Alternative Medicine Umbrella (CAMbrella), para verificar
as regras das práticas integrativas e complementares dos países pan-
europeus, a partir dos dados fornecidos pelo Ministro da Saúde e sua
agência. A pesquisa envolveu 27 Estados-Membros e 12 países associados.
Em 2015, foram publicados os relatórios, permitindo a criação das diretrizes
para os próximos passos nas preferências das MTCI no mundo. Na Europa,
a proporção de indivíduos que usaram a MTCI representou 31% na Bélgica e
75% na França. No Reino Unido, um em cada dez adultos visita um médico
de medicina complementar a cada ano, e 90% desses atendimentos são
feitos fora do sistema nacional de saúde.
Nos EUA, as medicinas tradicionais e complementares são regulamentadas
em nível estadual. Porém, o National Center for Complementary and
Integrative Health (NCCIH) identificou que a saúde integrada tinha
capacidade de fornecer uma combinação de cuidados e suplementos
comuns, de forma organizada. Parte da premissa do enaltecimento vem de
uma abordagem abrangente, com foco em pacientes e saúde, sendo o
aspecto da boa saúde, em geral, incluindo os aspectos mentais, emocionais,
funcionais, espirituais e outros, tratando o todo, em vez de um sistema ou
uma agência. O NCCIH, portanto, está procurando cuidados integrados entre
terapeutas e organizações.
Assim, nos EUA, essa temática é tratada pelo NCCIH, que é parte do
Departamento Nacional de Saúde e tem como missão determinar, por meio
de investigação científica rigorosa, o uso e a segurança das intervenções de
medicina complementar e integrativa, bem como seu papel na melhoria da
saúde. Sua visão é que as evidências científicas permitirão que o público em
geral, os profissionais de saúde e os guias utilizem essas técnicas em
abordagens para a tomada de decisões em saúde.
O plano do NCCIH está dividido em cinco objetivos estratégicos, que são:
Avançar na pesquisa em intervenções, práticas e disciplinas mentais e
físicas.
Buscar produtos naturais.
Integrar a atenção e a promoção da saúde.
Aumentar a capacidade de produção para pesquisas rigorosas no
campo.
Desenvolver e divulgar evidências sobre intervenções práticas
integrativas e complementares.
Siga em Frente...
Na área da investigação científica, o NCCIH estabeleceu seis campos
prioritários: gestão não medicamentosa da dor; mecanismos e efeitos
neurobiológicos; abordagem inovadora para estabelecer critérios orgânicos
para produtos naturais; prevenção e promoção da saúde em cada fase e ao
longo da vida; ensaios clínicos utilizando métodos inovadores de avaliação
da saúde; e estratégias e ferramentas para melhorar a comunicação,
educação e compreensão científica da pesquisa clínica no campo. Então,
através do NCCIH, o governo estimula a pesquisa e a adesão a essas
práticas, com orçamento superior a 120 milhões de dólares.
Centros de prestígio, como MD Anderson e Centro Memorial Sloan-Kettering,
e Universidades, como Harvard, que já têm programas específicos para
aplicações de pesquisa em acupuntura, relaxamento e outras práticas. O
número de pesquisas sobre o assunto aumentou 33% em cinco anos, de
acordo com o banco de dados de publicações médicas do PubMed.
A prática da medicina alternativa, nome ainda utilizado em algumas regiões
dos EUA, mas que tem sido cada vez mais substituído pela denominação
Práticas ou Terapias Integrativas e Complementares, reafirma a importância
da relação terapeuta-paciente, com foco no indivíduo como um todo,
conforme aponta o Conselho Americano de Medicina Integrativa. A prática é
entregue por evidências e utiliza todos os tratamentos e profissionais
médicos e não médicos para alcançar a cura e a saúde de forma eficaz.
Nos Estados Unidos algumas práticas integrativas possuem cobertura pelos
planos de saúde: acupuntura, quiropraxia, massoterapia, medicina natural
(condições preexistentes não são cobertas pelos seguros), Ayurveda (a
cobertura varia conforme o estado). Temos também o feedback, tratamento
não invasivo em psicoterapia em que os pacientes aprendem a controlar
processos corporais involuntários, como a pressão sanguínea, a tensão
muscular e os batimentos do coração. Ele ajuda pessoas com dor crônica,
incontinência, enxaqueca, pressão alta e crianças hiperativas. Planos de
saúde e até o Medicaid (programa social de saúde para pessoas de baixa
renda), em 36 estados, oferecem cobertura para esse tipo de tratamento.
Nos Estados Unidos, todos os centros combatem o câncer usando drogas
integradas no tratamento dessa doença, como a associação de fitoterapias e
aromaterapias. No Brasil, foi iniciada a utilização das drogas integradas em
2018, com a colaboração da pesquisa realizada em Universidade dos
Estados Unidos sobre a eficácia desses complementos no tratamento de
câncer. Para tal, fazia-se necessária a realização de um treinamento, o qual
tinha a duração de dois anos. Esse treinamento trouxe outro ponto de vista:
um olhar holístico, em que mais pessoas cuidam e com menos danos. É
notório que, medidas a extensão, a especialização e o foco dessa doença, há
distância em relação ao "medicamento real".
O NCCAM, por meio do Instituto Nacional de Saúde, organização que criou
informações sobre o Reiki, considerando-o como uma terapia adicional.
Nesse local também foram reunidas informações para o seu site, com
pesquisas oficiais sobre o uso dessa técnica, bem como as recomendações
para que ela possa ser utilizada, havendo muitos exemplos da integração de
Reiki em cuidados de saúde nos Estados Unidos. Estudos de diferentes
terapias de energia mostrou que o Reiki acarreta redução de ansiedade,
melhora em doença muscular, aceleração da cura de diversos males e é
benéfico em pré e pós-cirúrgicos, bem como para melhorar a qualidade da
saúde.
Um dos exemplos em que se tem a integração entre o Reiki e os tratamentos
convencionaisé a escola de Medicina da Universidade de Michigan, no qual
o Reiki é aplicado pela equipe de enfermagem em funcionários e de
funcionários em funcionários. Em muitos hospitais, os residentes aprendem
Reiki como parte do seu internato e conteúdo programático.
Os tratamentos integrativos também podem ser chamados de holísticos.
Alguns se tornaram muito populares, outros ainda estão se desenvolvendo,
mas cada vez mais pessoas estão se juntando a essa nova onda de múltiplas
opções. Porém, a Europa enfrenta algumas dificuldades relacionadas às
práticas integrativas: poucos dados de investigação; falta de conhecimentos
especializados das autoridades nacionais de saúde, mecanismos de
monitoramento da segurança das práticas escassos e falta de apoio
financeiro para pesquisas.
Vamos Exercitar?
E então estudante, vamos retomar o questionamento desta aula?! Por que a
OMS e os países desenvolvidos e com alta tecnologia nos cuidados com a
saúde têm tido um olhar especial para as PICS, ou também chamadas de
MTCI?
Quando falamos das práticas integrativas elas olham para o indivíduo e não
para a doença em si. Apesar de já estar enjoado de ouvir esta definição
vamos analisá-la de forma mais profunda. Quando dizemos em olhar para o
indivíduo, isso quer dizer que o olhar é particular, pensando neste ser como
único, junto com suas experiências, suas memórias e seus sentimentos.
Além disso, quando tiramos nossa atenção da patologia em si e
direcionamos o cuidado para quem a carrega, mudamos a forma de enxergar
as doenças. Estas acometem um corpo físico, mental e espiritual quando
este se encontra enfraquecido/debilitado. Então, se conseguirmos deixar este
organismo, considerando todas as suas dimensões, forte e em harmonia, a
tendência é a cura.
Apesar da grande tecnologia envolvida nos cuidados com a saúde, há
questões que a ciência não teve êxito ainda para explicar. Nesse sentido, as
PICS se tornam grandes aliadas por ter seu olhar ampliado em relação ao
processo saúde-doença e por promover o processo de autocura e de
autocuidado.
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
O capítulo de livro Medicinas tradicionais europeias (Seção II, Capítulo 9) do
livro Medicina integrativa na prática clínica, disponível em nossa Biblioteca
Virtual, aborda o contexto histórico destas práticas no continente europeu e
também traz informações interessantes sobre a medicina grega e indígena.
Vale a leitura!
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina
integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
O artigo proposto aborda as concepções, ou representações, de profissionais
de saúde que utilizam as PICS e sua forma de enxergar o indivíduo doente.
Um ótimo complemento para os aprendizados de nossa aula! Boa leitura!
ZAPELINI, R. G.; JUNGES, J. R.; BORGES, R. F. Concepção de saúde dos
profissionais que usam práticas integrativas e complementares no
cuidado. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 33, p. 1-24, 2023.
https://www.scielo.br/j/physis/a/3mwBJznLh5wZZCrRpCwtZhm/?format=pdf&lang=pt
Outras sugestões
Deixamos como sugestão para que você estudante explore e adquira mais
conhecimentos, o site da Biblioteca virtual em saúde das MTCI – Américas.
Esperamos que aproveite bastante não só para complementar seus
conhecimentos nesta disciplina, mas durante sua vida acadêmica e
profissional!
Biblioteca virtual em saúde das MTCI – Américas. 
Referências Bibliográficas
BENITES, D. F. Acessibilidade das Práticas Integrativas e
Complementares na Rede de Atenção Primária de Saúde, do município
de Porto Alegre, no âmbito da prática e do ensino. 2020. 145 p.
Dissertação (Mestrado profissional pelo Programa de Pós-graduação em
Ensino na Saúde) – Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto
Alegre. Porto Alegre, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares
(PICS). Brasília: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em:
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/praticas-
integrativas-e complementares-pics-1. Acesso em: 17 dez. 2023.
LEMOS, C. S. et al. Práticas integrativas e complementares em saúde no
tratamento de feridas crônicas: revisão integrativa da
literatura. Aquichan, Bogotá, v. 18, n. 3, p. 327-342, 2018.
NACIONAL CENTER OF COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE HEALTH.
Complementary, Alternative, or Integrative Health: What’s In a
Name? Disponível em: https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-
alternative-or-integrative-health-whats-in-a-name . Acesso em: 18 dez. 2023.
NIGENDA, G. et al. Análisis de las alternativas de los migrantes mexicanos
en Estados Unidos de América para atender sus problemas de salud. Salud
pública Méx, Cuernavaca, v. 51, n. 5, p. 407-416, 2009. 
PENA, A.; PACO, O. Alternative medicine: Intent of analysis. Anales de la
Facultad de Medicina. v. 68, n. 1, p. 87-96, 2007.
MACHADO, L. C. B.; ALVES, C. A. D. Uso das práticas integrativas e
complementares em pacientes com diabetes melito. In: ARAÚJO, R. P. C.
Órgãos e sistemas: temas interdisciplinares. v. 3. Salvador: EDUFBA, 2013.
https://mtci.bvsalud.org/
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/praticas-integrativas-e%20complementares-pics-1
https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/praticas-integrativas-e%20complementares-pics-1
https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-alternative-or-integrative-health-whats-in-a-name
https://www.nccih.nih.gov/health/complementary-alternative-or-integrative-health-whats-in-a-name
p. 161-171. 
TESSER, C. D.; SOUSA, I. M. C.; NASCIMENTO, M. C. Práticas Integrativas
e Complementares na Atenção Primária à Saúde brasileira. Saúde em
Debate, v. 42, n. spe. 1, p. 174-188, 2018.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Report on financial and
administrative implications for the Secretariat of resolutions proposed
for adoption by the Executive Board or Health Assembly. Sixty-Seventh
World Health Assembly, 2014. Disponível
em: https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf .
Acesso em: 18 dez. 2023.
Aula 4
PRÁTICAS INTEGRATIVAS E
COMPLEMENTARES NA
AMÉRICA LATINA
Práticas Integrativas e Complementares
na América Latina
Olá, estudante! Para completar nossa volta ao mundo com as PCIS vamos
abordá-las nas diferentes culturas que formam a América Latina. Quando
falamos desses territórios o intercâmbio cultura é tão grande, incluindo as
medicinas tradicionais e PICS, que redes de apoio para desenvolvimento de
tais práticas nas américas foram desenvolvidas. Vamos conhecer um pouco
mais sobre esse pedaço do mundo, ou seria das PICS?
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf%C2%A0.%20Acesso%20em:%2018%20dez.%202023
https://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA67/A67_18Add1-en.pdf%C2%A0.%20Acesso%20em:%2018%20dez.%202023
Ponto de Partida
Olá, estudante! Como já vimos, as Medicinas Tradicionais Complementares e
Integrativas (MTCI) são a soma de conhecimentos, capacidades e práticas
baseadas em teorias, crenças e experiências de diferentes culturas,
utilizadas para manter a saúde e prevenir, diagnosticar, melhorar ou tratar
doenças físicas e mentais. 
Na América Latina diversos países implementaram as MTCI nos serviços de
saúde como oferta principal de tratamento ou como medicina alternativa.
Porém, muitos países estão atrasados nos cuidados com a saúde de sua
população, incluindo o olhar mais cuidadoso para as práticas integrativas,
muitas vezes oferecidas apenas pelo setor privado.
Nesta aula, você terá a oportunidade de aprender mais sobre as MTCI na
América Latina e alguns conceitos importantes sobre o tema, incluindo uma
visão geral das práticas e sua utilização.
Você notará as diferentes nomenclaturas para as mesmas práticas dadas por
cada população e perceberá que algumas terapias são mais utilizadas que
outras.
Iremos falar sobre a América Latina e também aprendemos sobre os países
orientais, a Europa e os Estados Unidos da América. Mas, para completar
nossos estudos, já parou para pensar em como estas práticas são utilizadasno Canadá?
Vamos Começar!
Medicinas Tradicionais Complementares e Integrativas é a denominação
dada ao paradigma vitalista e ao modo de intervir nos processos de
adoecimento no qual o foco das intervenções são os indivíduos e não as
doenças, visando-se à prevenção e à promoção da saúde, por meio da
integração do corpo com a mente no processo do adoecimento. As MTCI
constituem um importante modelo de cuidado à saúde, pois consideram o
indivíduo em sua singularidade, integralidade e complexidade, levando em
consideração sua inserção sociocultural com ênfase na relação
profissional/paciente, o que contribui para a humanização da atenção. Ainda,
os cuidados de saúde integrativos englobam abordagens complementares e
convencionais de forma coordenada. 
Nas Américas, existe o intercâmbio com as culturas locais, ancestrais dos
povos indígenas ou originários e tradicionais, fazendo uso de práticas menos
invasivas, oriundas de outros países, tais como a acupuntura e a
homeopatia. Cada país possui uma variedade própria de práticas
reconhecidas e institucionalizadas ou consideram uma determinada prática
de maneira distinta em relação a outro país, levando em conta sua inserção
sociocultural e suas particularidades. 
Nas Américas, as MTCI podem ser inseridas/integradas nos sistemas
nacionais de saúde a partir de iniciativas governamentais ou por meio da
atuação de diferentes instituições que trabalham na regulação da oferta e na
organização, pesquisa, formação e prestação de serviços em MTCI. Países
como Bolívia, Argentina, Brasil, Peru e Equador possuem legislação, modelos
e/ou normas próprias para a regulamentação das MTCI.
O Brasil é referência mundial no campo das MTCI, no que diz respeito à
inserção das MTCI no sistema público de saúde. No país, quase todos os
municípios ofertam PICS, e, em 90% dos casos, as PICS acontecem na
atenção primária. 
Em muitos países, as MTCI são a principal oferta de serviço de saúde à
população e constituem um importante modelo de cuidado à saúde. Nos
países nos quais as MTCI não são a principal oferta de serviços de saúde à
população, elas são inseridas nos sistemas de saúde de maneira
complementar ao sistema tradicional. Porém, de acordo com a OMS, em
alguns países, esses termos são usados alternadamente, para fazer
referência à medicina tradicional.
Existe a necessidade de esforços conjuntos por parte dos países do
continente americano para se vencer os desafios comuns e avançar numa
maior integração entre práticas integrativas, medicinas tradicionais e políticas
públicas de saúde. Como exemplo, podemos citar: 
 Implantação de marcos legais interculturais com os povos originários: as
comunidades indígenas.
Criação conjunta de diretrizes que possibilitem acesso universal a um
modelo de saúde integrativa.
Levantamento de todas as políticas existentes nas Américas para se
poder construir interfaces com a economia e os direitos humanos,
possibilitando o estabelecimento de uma unidade representativa no
continente frente aos órgãos multilaterais e nacionais.
Socializar cada vez mais as informações sobre práticas integrativas para
o público geral e divulgar as evidências científicas, vencer a resistência
do pensamento biomédico e os interesses comerciais contra a saúde.
Ampliar o diálogo intercultural entre as MTCI e os profissionais de saúde
para se fortalecer a relação entre a medicina convencional e os saberes
tradicionais de povos onde as práticas se originaram.
Segundo dados preliminares obtidos em pesquisa organizada pela
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS) em parceria com o
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
(Bireme/BVS), o ObservaPICS/Fiocruz e a Rede MTCI Américas, as
informações sobre medicinas tradicionais e práticas integrativas e
complementares em saúde (PICS) estão presentes em sites institucionais de
vários países do continente americano. Entre os países, podemos citar:
Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, Haiti, México, Nicarágua, Paraguai, Uruguai,
Venezuela. 
Essa pesquisa, iniciada em 2021, estuda a implantação e integração das
PICS nos sistemas de saúde dos países do continente americano.
Inicialmente, foram levantadas informações sobre práticas integrativas e
medicinas tradicionais nos sites institucionais de cada país. Além da busca
desses dados, o projeto envolve análise de entrevistas e documentos para
traçar um panorama das políticas vigentes, de como estão sendo aplicadas e
das características dos povos atendidos, incluindo a presença de
comunidades tradicionais, como povos indígenas.
A Rede Regional em MTCI para as Américas é uma iniciativa colaborativa
com diversos atores sociais (organizações, instituições governamentais e não
governamentais, entre outros) criada para desenvolver uma agenda comum e
avançar rumo à integração das MTCI nos sistemas e serviços de saúde de
acordo com os contextos nacionais.
Esses atores estão envolvidos na geração de políticas, regulação, formação,
promoção, prática, uso e pesquisa desses sistemas e métodos terapêuticos
na região das Américas. A rede é uma iniciativa inclusiva, de governança
horizontal, da qual participam, atualmente, diversas instituições de 15 países
da região, estando em contínuo crescimento. Esta rede de MTCI para as
Américas é uma “rede de redes” que articula as instituições que geram
políticas, regulam, formam profissionais, pesquisam, desenvolvem programas
e educam o público em geral no tocante aos diversos sistemas médicos e
terapêuticos das MTCI, bem como, por meio da colaboração e da gestão do
conhecimento, apoiam a tomada de decisões em diferentes âmbitos, a fim de
aproveitarem as contribuições potenciais das MTCI à saúde com segurança,
qualidade e pertinência.
Entre os objetivos da rede de MTCI, estão:
Estabelecer laços de cooperação entre os atores sociais dos países da
região das Américas para desenvolver diferentes aspectos das MTCI:
políticas públicas, regulação (de práticas, produtos e profissionais),
formação de recursos humanos, pesquisa, educação em saúde e
prestação de serviços de saúde.
Compilar e sistematizar a informação técnica, científica, regulatória e de
política pública em MTCI nas Américas, por meio de uma base de
dados, e da BVS em MTCI, por meio da colaboração entre atores em
nível regional.
Gerir a BVS em MTCI como um espaço de encontro entre os diversos
atores sociais que trabalham em MTCI na Região das Américas com o
objetivo de desenvolver um panorama regional sobre os diferentes
aspectos das MTCI, facilitar a troca de experiências, facilitar o acesso à
informação científica, técnica e de educação em saúde, bem como
apoiar o fortalecimento de capacidades e a visibilidade de boas práticas.
Promover a pesquisa colaborativa em MTCI na região das Américas.
Favorecer, de maneira participativa, o resgate dos conhecimentos
ancestrais, incluindo a medicina tradicional indígena e de outras
diversidades étnicas.
Promover a visibilidade, em nível mundial, das políticas públicas, dos
modelos de integração, de saberes e práticas das medicinas
tradicionais, de desenvolvimentos conceituais e das pesquisas em MTCI
realizadas na região das Américas.
Apoiar os processos de tomada de decisões para a integração das
MTCI aos sistemas e serviços de saúde na região das Américas, de
acordo com os contextos nacionais, seguindo as recomendações da
Estratégia OMS de Medicina Tradicional (2014-2023).
Quando falamos especificamente de cada país, existe uma grande variedade
de práticas utilizadas e regulamentações também diversas em cada um, isto
é, ainda não é realidade a ideia de entendimento e unificação destas
práticas, tão pouco da sua utilização em todos os países além daquelas
ligadas aos seus aspectos culturais. A seguir, trazemos alguns exemplos:
Siga em Frente...
Argentina
Na Argentina, existe legislação nacional exclusiva para os fitoterápicos que
incluem fabricação e prescrição. Com relação às práticas utilizadas, somente
a acupuntura é regulamentada por meio de resoluções do Ministério da
Saúde.
Bolívia
NaBolívia, a política nacional para a Medicina Tradicional e Complementar
está ligada ao plano setorial de saúde. Em sua legislação mais recente, de
2013, está compreendida a medicina ancestral boliviana. Isso porque a
prática da medicina tradicional indígena é muito importante no país, com seu
uso representado por quase 80% da população. Outras práticas utilizadas
são: acupuntura (19%), medicina ayurvédica (1-19%), quiropraxia (40-59%),
medicamentos fitoterápicos (80-99%), homeopatia (20-39%), naturopatia (1-
19%), osteopatia (60-79%) e Medicina Tradicional Chinesa (1-19%). Todas as
práticas estão disponíveis apenas em clínicas privadas e alguns seguros de
saúde realizam o reembolso.
É necessário licença ou certificado emitido por órgão nacional, governo
provincial, municipal ou comunitário para praticar. Já a regulamentação de
fitoterápicos é a mesma dos produtos farmacêuticos convencionais.
Chile
Semelhante à Bolívia, no Chile existe regulamentação para a Política de
Saúde dos Povos Indígenas incluindo a medicina tradicional. Também existe
um Programa Especial de Saúde e Povos Indígenas.
Desde 2015 o Ministério da Saúde tem trabalhado no desenvolvimento de
regulamento que estabelece o direito de povos indígenas para receber
assistência à saúde com relevância cultural. A intenção é regular os cuidados
de saúde prestados no sector público e não regular os sistemas de saúde
dos povos indígenas ou nativos, pois o regulamento, ainda em processo
administrativo, reconhece, protege e respeita os sistemas ancestrais de cura,
práticas religiosas e crenças culturais e espirituais desses povos.
Outras práticas utilizadas por cerca de 19% da população incluem
acupuntura, fitoterapia, homeopatia e naturopatia. Existem decretos
específicos que regulamentam estes atendimentos e são aplicados a nível
nacional.
Colômbia
A Colômbia não possui política ou documento legal específico para MTC.
Entretanto, o país tem um quadro regulamentar que abrange a prática da
MTC pelos profissionais de saúde; a inclusão dos serviços no sistema de
saúde; a prestação de serviços, medicamentos homeopáticos e produtos
fitoterápicos; e lojas de alimentos naturais.
Existe uma regulamentação exclusiva para medicamentos fitoterápicos, que
são regulamentados como medicamentos não sujeitos a receita médica.
Outras práticas utilizadas incluem a acupuntura, medicina ayurvédica,
quiropraxia, fitoterapia, homeopatia, naturopatia, osteopatia, Medicina
Tradicional Chinesa, Medicina Unani, equilíbrio polar eletromagnético, terapia
neural e sintergética.
Paraguai
O Paraguai também não possui política ou lei para a MTC. No país existe o
projeto de Política Nacional de Plantas Medicinais que é um documento
estruturado e revisado por especialistas e discutido em conferências
temáticas.
Também existe uma regulamentação específica para medicamentos
fitoterápicos, que inclui produtos homeopáticos, em que os medicamentos
fitoterápicos são classificados como fitofármacos de venda livre e são
vendidos com reivindicações baseadas no uso popular. Não existe
regulamentação sobre a fabricação de medicamentos fitoterápicos que
garanta sua qualidade.
Com relação às práticas usadas, incluem-se a acupuntura, medicina
ayurvédica, quiropraxia, fitoterapia, homeopatia, naturopatia, osteopatia,
Medicina Tradicional Chinesa e Medicina Unani, oferecidas apenas em
clínicas privadas. Desde 2017 existe um projeto de regulamentação para
prestadores de MTC que está em análise pela assessoria jurídica do
Ministério da Saúde.
México
Subindo no mapa temos o México, em que a Política Nacional de MTC está
integrada no Programa Nacional de Saúde 2007-2012: Medicina Tradicional e
Sistemas Complementares de Saúde, “Por um México Saudável”,
construindo alianças para uma saúde melhor. Comitês de especialistas foram
criados em 2002 para a medicina tradicional indígena e em 2007 para as
práticas de medicina complementar de fitoterapia, homeopatia e acupuntura.
Com relação à fitoterapia, o documento oficial do governo “Rumo a uma
política farmacêutica integral para o México”, de 2005, inclui capítulo sobre
medicamentos fitoterápicos. Os medicamentos fitoterápicos são
regulamentados como “produtos de saúde”, juntamente com produtos
farmacêuticos convencionais, medicamentos alopáticos e medicamentos
homeopáticos. A garantia da qualidade se dá por meio de regulamentação
semelhante, ao abrigo do Regulamento de Produtos de Saúde.
As práticas integrativas usadas no México são: medicina tradicional indígena,
fitoterapia, acupuntura, aromaterapia, terapia floral de Bach, quiropraxia,
homeopatia, naturopatia, osteopatia, Medicina Tradicional Chinesa e
Medicina Unani.
Vamos Exercitar?
No Canadá, assim como em outros países, as PICS possuem caraterísticas e
regulamentações específicas.
O Canadá possui o Gabinete e a Lei de Produtos Naturais para a Saúde
direcionado para a segurança e eficácia de medicamentos fitoterápicos.
Ainda, a Diretoria de Produtos de Saúde Naturais e Sem Prescrição
(NNHPD), subordinada à Health Canada, cuida da regulamentação de
produtos naturais para a saúde que incluem medicamentos homeopáticos e
medicamentos tradicionais. O país também possui políticas rigorosas sobre
pesquisas com seres humanos incluindo aspectos éticos da investigação
com populações aborígenes.
Com relação às práticas integrativas mais utilizadas, a Pesquisa Canadense
de Saúde Comunitária, realizada em 2005, indicou o uso de acupuntura,
quiropraxia, fitoterápicos, homeopatia e naturopatia por 1-19% da população.
A medicina ayurvédica, a osteopatia, a Medicina Tradicional Chinesa e a
Medicina Unani também são utilizadas, mas não estão disponíveis dados
sobre a sua percentagem de utilização. Outras práticas das MTC, como o
método Feldenkrais e a técnica de Alexander, biofeedback, rolfing,
reflexologia, cura religiosa e cura espiritual, também são usadas por 1-19%
da população no Canadá, o que comparado a outros países mostra uma
adesão mais baixa de tais práticas nos cuidados com a saúde.
Saiba Mais
Sugestão de capítulo de livro
O capítulo de livro Medicinas Tradicionais nas Américas (Seção II, Capítulo
10) do livro Medicina integrativa na prática clínica, disponível em nossa
Biblioteca Virtual, traz mais informações relacionadas às PICS em alguns
países da América Latina.
ROHDE, C. B. dos S.; MARIANI, M. M. de C.; GHELMAN, R. Medicina
integrativa na prática clínica. 1. ed. Santana de Parnaíba: Manole, 2021.
Sugestão de artigo científico
Vamos aprender mais sobre as PICS nos países ocidentais com a leitura do
artigo Práticas integrativas e complementares no ocidente: uma proposta
EAD para qualificação de profissionais da área de saúde. 
MILDER, L. M. C.; LIMA, C. P. Práticas integrativas e complementares no
ocidente: uma proposta EAD para qualificação de profissionais da área de
saúde. Cadernos da Escola de Saúde, v. 17, n. 2, p. 4-19, 2018.
Outras sugestões
O relatório global da OMS sobre as práticas integrativas contém informações
sobre as abordagens e o uso de tais práticas em todas as regiões do mundo:
África, Américas, Mediterrâneo Oriental, Europa, Sudeste Asiático e Pacífico
Ocidental.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO global report on
traditional and complementary medicine 2019. Geneva: World Health
Organization, 2019. 
Referências Bibliográficas
BIBLIOTECA VIRTUAL EN SALUD – MEDICINAS TRADICIONALES,
COMPLEMENTARIAS E INTEGRAFIVAS (BVS MTCI). Medicinas
Tradicionales de las Americas. Disponível em:
https://mtci.bvsalud.org/medicina-tradicional-en-las-americas/. Acesso em: 15
dez. 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria
de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. 3. ed.
Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2010.
SOUZA, I. C.; GUIMARÃES, M. B.; GALLEGO-PEREZ, D. F.
(Org.) Experiências e reflexões sobre medicinas tradicionais,
complementares e integrativas em sistemas de saúde nas
Américas. Recife: Fiocruz; ObservaPICS, 2021. 
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO global report on traditional

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