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Você conhece bem sua MAP? É capaz de contraí-la de maneira eficaz? A contração consciente da MAP é fundamental 
para o bom desempenho sexual, porém infelizmente menos de 50% da população feminina em todo o mundo sabe como fazê-
la de maneira eficiente. Para conhecer melhor sua MAP, senti-la e aprender a contraí-la, leia Descubra sua MAP. 
O que são Cones Vaginais? 
Cones vaginais são pequenas cápsulas de formato anatômico, constituídas de materiais resistentes e pesados que, ao serem 
inseridos no canal vaginal, proporcionam o estímulo necessário para que a mulher contraia corretamente a musculatura do 
assoalho pélvico, evitando que os abdominais sejam contraídos durante os exercícios. 
Mas o principal é que eles permitirem um treinamento com aumento de carga progressivo, exatamente como acontece na 
musculação de academia, com pesos, para o restante do corpo. Este tipo de treino é a forma mais rápida e eficaz de 
fortalecimento muscular. 
Um kit é composto normalmente por cinco ou seis cones, com pesos que variam entre 20g a 100g. A indicação depende de 
cada objetivo, mas de um modo geral, não é necessário chegar até o cone de 100g a não ser quando a finalidade seja a 
melhoria no desempenho sexual. 
 
Quais as vantagens de treinar a MAP com Cones Vaginais? 
Utilizados de maneira correta, os cones permitem um fortalecimento crescente da MAP, além de melhorarem a 
propriocepção local (sensibilidade vaginal e percepção da contração e relaxamento da MAP). Melhorar força e 
propriocepção são úteis tanto para melhorar a sustentação dos órgãos pélvicos quanto na preparação para o parto. 
Outro resultado notável do incremento de força e propriocepção é a melhoria no desempenho sexual da mulher. 
Sexualmente, aumentar a força de contração da MAP significa, na prática, melhorar o poder de "contração da 
vagina" ao redor do pênis, melhorando a sensibilidade tanto da mulher quanto do parceiro no momento do ato 
sexual. 
 
Já aumentar propriocepção e coordenação motora da MAP significa permitir que a mulher "contraia a vagina" 
conscientemente (para quem não sabe contrair), ou melhorar a qualidade desta contração (torná-la mais 
intensa ou permitir tipos diferentes - rápida, lenta, alternada, etc). 
 
Qual peso é indicado para o meu caso? 
Para que um exercício de fortalecimento funcione é necessário que se use a carga certa. Exercício leve demais não fortalece, 
e pesado demais lesiona. Com os cones não é diferente: cada mulher deve usar um peso específico para o seu caso em 
https://perineo.net/conteudo/desempenho-sexual.php
https://perineo.net/conteudo/descubra-seu-perineo.php
https://perineo.net/conteudo/desempenho-sexual.php
particular. Por exemplo: um cone de 35 gramas pode ser leva para uma mulher, enquanto pesado demais para outra. Como 
saber, então, qual cone cada mulher deve usar? 
O teste é simples: ela precisa inserir o cone no canal vaginal, posicionar-se em pé e sentir ele descendo (ou puxando para 
baixo), de modo que ele só fique dentro da vagina se a MAP estiver sendo fortemente contraída. 
O cone ideal é aquele que, sob forte contração, pode ser segurado de 2 a 8 segundos. Ou seja, aquele que 1) com a 
MAP relaxada cai; 2) com a MAP contraída pode ser segurado por mais de 2 segundos; e 3) cai com 8 
segundos ou menos, mesmo com a MAP fortemente contraída. 
CONE MUITO LEVE - Não cai com a MAP relaxada 
A: Se a mulher está em pé, com a MAP relaxada, e cone não cair (descer pela vagina, saindo), então ele é muito leve e 
deve ser trocado pelo próximo, mais pesado. B: Se em pé e sob forte contração da MAP a mulher conseguir segurar o cone 
por mais de 8 segundos, então ele também ficou muito leve, e deve ser trocado pelo próximo, mais pesado. 
CONE MUITO PESADO - Cai em menos de 2 segundos sob contração 
Se, quando em pé e sob forte contração a mulher só conseguir segurar o cone por menos que 2 segundos, então ele é muito 
pesado, e deve ser substituído pelo anterior, mais leve. 
Como utilizar o cone? 
Inicialmente a força da MAP e as condições ginecológicas e gerais de saúde da mulher devem ser avaliadas por 
profissionais, e o cone vaginal ideal deve ser escolhido. Não é necessário usar presenvativo, já que o cone é de uso pessoal. O 
uso de lubrificantes no cone aumenta o grau de dificuldade do treino. 
Para a inserção do cone, a mulher pode estar deitada com as pernas afastadas, ou em pé, com um dos pés apoiados sobre 
uma cadeira. O cone deve ser inserido com a parte mais larga para cima (em direção ao colo uterino). O dedo médio pode 
servir de guia, empurrando o dispositivo para cima. A parte cônica inferior (mais estreita, onde prende-se o fio de 
remoção) é a zona onde os músculos do assoalho pélvico (MAP) irão agir durante o exercício, impulsionando o cone para 
cima. 
O cone deve ser posicionado profundamente, lá pela metade da vagina, de modo que fique acima da linha da MAP. Se ele 
não estiver suficientemente fundo, a MAP o empurrará para baixo ao invés de para cima, tornando o exercício ineficaz. 
Após a inserção deve-se usar preferencialmente uma calcinha para evitar de o cone acidentalmente cair no chão. A partir de 
então deve ser realizada a série de exercícios, orientada por fisioterapeuta especialista, que varia para cada caso. 
Consulte uma fisioterapeuta especialista antes de iniciar a prática dos exercícios para o assoalho pélvico. 
 
https://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php#cn3
Quais exercícios posso fazer? 
De um modo geral, como em qualquer outro plano de fortalecimento muscular, os exercícios devem seguir o protocolo 
orientado pelo profissional de saúde. Você deve consultar uma fisioterapeuta pélvica para que ela desenhe o protocolo inicial 
ideal para o estado atual do seu assoalho pélvico, bem como prescrever a evolução desse treinamento (quando e de que 
forma mudar o peso, o número de repetições ou o número de séries do seu exercício com os cones). 
Também é importante respeitar a fase de adaptação ao exercício: quem nunca exercitou sua MAP deve iniciar o 
treinamento com um cone leve e fazer pouco exercício, para evitar fadiga muscular e dor. Geralmente não é preciso muito 
tempo diário para os exercícios: alguns minutos bastam. 
A intensidade e duração dos exercícios com cones vaginais vai depender do objetivo do tratamento. Cada caso apresenta um 
tipo específico de necessidade, mas de um modo geral o treino com cones vaginais visa aumento na força da MAP. 
Musculaturas mais enfraquecidas podem necessitar treinamento mais intensivo (mais vezes por dia/semana) e/ou mais 
longo (mais semanas). Para a dosagem correta e um treinamento eficaz é importante ser avaliada por um fisioterapeuta 
pélvico. 
Importante: Sempre deve ser trabalhada a respiração durante os exercícios para a MAP, inclusive com cones 
vaginais. Procure relaxar e respirar de maneira lenta, suave e profunda. Nunca tranque a respiração, pois desta 
forma provavelmente os abdominais estão sendo indesejavelmente contraídos, ao invés da MAP. Não trabalhe 
somente na inspiração ou só na expiração: você deve respirar lentamente durante todo o exercício. 
Uma das vantagens do treino com cones vaginais é o tempo necessário. Em alguns programas a sessão pode ser bastante 
rápida, de até 15 minutos. O ponto decisivo no treino com cones é, como em qualquer outro trabalho de fortalecimento, 
saber escolher o cone certo para cada caso. 
O exercício com cones visa principalmente ganho de força e, portanto, deve ser utilizado apenas nos casos onde é este o 
objetivo principal. Normalmente trabalhos para ganho de força necessitam de uma fase intensiva, tanto de adaptação ao 
exercício quanto para o aumento de força propriamente dito. Este trabalho costuma durar cerca de 1 a 3 meses ou mais, de 
acordo com o grau de força desejado. 
Você deve exercitar seu assoalho pélvico todos os dias. 
Pouco exercício não alcança resultados. 
 
Treino de Força 
Após escolher o cone certo e inseri-lo corretamente no canal vaginal (vestindo uma calcinha para evitar que ele caiano 
chão durante o exercício), a mulher deve posicionar-se em pé para fazer os exercícios. 
https://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php
https://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php#cn2
O programa de treino deve progedir de acordo com o protocolo determinado pelo fisioterapeuta, que normalmente vai 
seguir a sequência níveis de dificuldade crescentes, que normalmente são incrementados toda semana. 
Você deve consultar uma fisioterapeuta especialista antes de iniciar o treino com cones vaginais. 
Nível 1: 8 contrações de 6 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 6 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 6 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 8 contrações (uma série). 
▸ Realizar 3 séries de 8 contrações. 
Cada conjunto destes de 8 contrações corresponde a uma série de exercícios. Você deve realizar três séries deste 
exercício por dia, com um intervalo de 1 minuto de descanso entre as séries. Você deve progredir o exercício 
quando conseguir realizar as três séries sem que o cone caia nenhuma vez. 
Nível 2: 8 contrações de 7 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 7 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 7 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 8 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 8 contrações. 
Nível 3: 8 contrações de 8 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 8 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 8 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 8 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 8 contrações. 
Nível 4: 9 contrações de 6 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 6 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 6 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 9 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 9 contrações. 
Nível 5: 9 contrações de 7 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 7 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 7 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 9 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 9 contrações. 
Nível 6: 9 contrações de 8 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 8 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 8 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 9 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 9 contrações. 
Nível 7: 10 contrações de 6 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 6 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 6 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 10 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 10 contrações. 
Nível 8: 10 contrações de 7 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 7 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 7 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 10 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 10 contrações. 
Nível 9: 10 contrações de 8 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 8 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 8 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 10 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 10 contrações. 
Nível 10: 11 contrações de 6 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 6 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 6 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 11 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 11 contrações. 
Nível 11: 11 contrações de 7 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 7 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 7 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 11 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 11 contrações. 
Nível 12: 11 contrações de 8 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 8 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 8 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 11 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 11 contrações. 
Nível 13: 12 contrações de 6 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 6 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 6 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 12 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 12 contrações. 
Nível 14: 12 contrações de 7 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 7 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 7 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 12 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 12 contrações. 
Nível 15: 12 contrações de 8 segundos 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e segurar esta contração por 8 segundos: 
[Reposicionar rapidamente o cone para dentro se ele descer/cair] 
▸ Relaxar a MAP por por 8 segundos; 
▸ Repetir cada contração e relaxamento deste num total de 12 contrações. 
▸ Realizar 3 séries de 12 contrações. 
Treino de Potência 
Um assoalho pélvico saudável e funcional vai depender de mais do que somente força para as exigências do dia-a-dia: vai 
depender também de velocidade, ou como chamamos tecnicamente, potência de contração, por exemplo quando tossimos: 
nosso assoalho necessita contrair forte e rápido para evitar a perda de urina. 
Para o treino de potência, após escolher o cone certo e posicioná-lo corretamente, deve-se realizar o seguinte exercício, com 
contrações super rápidas, com no máximo 1 segundo cada: 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com toda a força e o mais rápido possível por 15 vezes sem parar. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
▸ Faça mais 15 contrações rápidas com toda a força. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
▸ Faça mais 15 contrações rápidas com toda a força. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
Importante: Exercitar a MAP deve ser transformado em costume, pois se não for exercitado o músculo perde 
força e resistência, e tudo o que foi ganho nos treinamentos intensivos tende a ser perdido. 
 
Treino de Endurance 
Também pensando nas exigência diárias as quais o assoalho pélvico é submetido, é importante que ele tenha resistência, ou 
seja, que consigacontrair não somente forte e rápido, mas também por um bom tempo. À esta contração sustentada 
chamamos endurance. 
https://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php#cn2
Para o treino de endurance, após escolher o cone certo e posicioná-lo corretamente, deve-se realizar um exercício, com 
contrações moderadas (leves), sustentadas 30 segundos. 
O treino de endurance deve ser realizado com contrações moderadas, não tão fortes (não contrações máximas, 
mas algo como metade de uma contração máxima). 
▸ Posicione o cone dentro do canal vaginal, acima da linha da MAP; 
▸ Contrair a MAP com força moderada e sustentar (segurar) esta contração por 30 segundos. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
▸ Contrair a MAP com força moderada por mais 30 segundos. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
▸ Contrair a MAP com força moderada por mais 30 segundos. 
▸ Descanse por 1 minuto. 
 
https://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php#cn2
Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 1, p. 43-49, jan./mar. 2009 43
O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
O fortalecimento do assoalho 
pélvico com cones vaginais: 
programa de atendimento 
domiciliar
Strengthening of pelvic floor 
muscles using vaginal cones: 
a home care program
Daniela Zeni Dreher 1 
evelise Moraes BerleZi 2 
siMone Zeni strassBurger 3 
Márcia Z. el aMMar 4
1 Fisioterapeuta. Mestre em Engenharia de Produção. Docente do curso de Fisioterapia da Universidade Regional do Noroeste do Estado do 
Rio Grande do Sul – UNIJUÍ.
2 Fisioterapeuta. Doutora em Geriatria e Gerontologia Biomédica. Docente do curso de Fisioterapia da UNIJUÍ.
3 Fisioterapeuta. Mestre em Saúde da Criança. Docente do curso de Fisioterapia da UNIJUÍ.
RESUMO
Objetivos: avaliar a eficiência de um programa 
de fisioterapia domiciliar com cones vaginais para o 
fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, na 
resolução da incontinência urinária de esforço. 
Relato do caso: foi selecionada para o estudo uma 
voluntária com 60 anos de idade, com história de única 
gestação, com parto vaginal, apresentando queixa e 
diagnóstico de incontinência urinária de esforço. Para 
avaliação pré e pós-intervenção utilizaram-se como 
instrumentos: anamnese, avaliação da qualidade de 
vida, avaliação físico-funcional e exame de urodinâmica. 
A intervenção fisioterapêutica foi realizada através 
de um protocolo de exercícios terapêuticos com 
cones vaginais durante oito semanas, com frequência 
de três vezes semanais em duas sessões diárias. Na 
avaliação inicial foi realizada a manobra de Valsalva 
com 300 ml de volume intra-vesical, ocorrendo discreta 
perda urinária com a pressão de perda ao esforço de 
94 cmH2O, indicando incontinência urinária de esforço 
de grau leve. Na reavaliação não se observou perda 
ABSTRACT
Aims: to evaluate the efficiency of a home care 
physiotherapy program using vaginal cones for the pelvic 
floor muscles strength to approach the treatment of stress 
urinary incontinence.
Case description: A female volunteer, 60 years-old, 
with history of a single pregnancy and vaginal delivery, 
presenting complaints and diagnosis of stress urinary 
incontinence, was selected for the study. The evaluation 
instruments of pre and post-intervention were anamnesis, 
evaluation of quality of life, semiological evaluation and 
urodynamics examination. It was applied a therapeutical 
exercise protocol using vaginal cones, three times a week, 
two times a day. Valsalva maneuver presenting intra- 
vesical volume of 300 ml was the initial evaluation. 
Mild urinary incontinence with Valsalva leak-point pressure 
of 94 cmH2O denoted a mild stress urinary incontinence. 
During reevaluation, urinary loss was not observed 
with vesical pressure, until 117 cmH2O for the same 
volume, showing a considerable reduction in urinary 
incontinence. 
Relato de Caso
44 Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 1, p. 43-49, jan./mar. 2009
O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
urinária com pressão vesical de até 117 cmH2O para o 
mesmo volume, expressando melhora considerável da 
continência urinária. 
Conclusões: o programa de exercícios terapêuticos 
com cones vaginais a domicílio mostrou-se efetivo na 
resolução da incontinência urinária de esforço.
DESCRITORES: iNcONtiNêNciA uriNáriA POr es- 
tRESSE/terapia, MODalIDaDES DE FISIOtERaPIa; PERÍNEO; 
sOAlHO PélVicO; ciNesiOlOgiA APlicAdA; FEMININO; 
GENItálIa FEMININa.
Conclusions: A home care program of therapeutical 
exercises using vaginal cones presented positive results on 
the stress urinary incontinence treatment.
KEY WORDS: UrInAry IncOnTInence, STreSS/ therapy; 
pHySIcAl THerApy MODAlITIeS; perIneUM; pelVIc flOOr; 
kIneSIOlOgy, ApplIeD; feMAle; genITAlIA, feMAle.
INTRODUÇÃO
Segundo a International continence Society a 
incontinência urinária de esforço (iue) é a perda 
urinária involuntária que ocorre após exercício 
físico, tosse ou espirro.1 a literatura relata que 
cerca de 15% a 30% da população feminina, 
independentemente da sua idade, podem apre- 
sentar IUE aos pequenos, medianos e grandes 
esforços.2 Esta realidade afeta, sem dúvida, a 
vida social, ocupacional e sexual dos pacientes 
acometidos. 
Nas décadas de 1960 e 1970 foi dada grande 
ênfase para cirurgias como tratamento de escolha 
para a incontinência urinária. Mais recentemente, os 
urologistas e ginecologistas têm mostrado grande 
interesse nas terapias conservadoras, estimulando 
pesquisas na área da fisioterapia, aperfeiçoando 
os recursos disponíveis e introduzindo novas 
técnicas que visam uma abordagem menos 
invasiva, com menor ônus, reduzindo o número 
de cirurgias e proporcionando melhor qualidade 
de vida às pacientes.3
assim, a cirurgia não tem sido a primeira 
opção de tratamento. Para sua indicação devem ser 
considerados os benefícios e riscos pós-cirúrgicos, 
os quais também devem ser de conhecimento das 
mulheres que irão se submeter ao procedimento. 
técnicas de reeducação, direcionadas às 
incontinências leves ou moderadas, são indicadas 
para quaisquer idade ou antecedentes obstétricos/
cirúrgicos. essa conduta está respaldada pelo 
consenso sobre a incontinência urinária do 
national Institute for Health and clinical excellence 
de 2006, que indica que, como regra geral, deveria 
ser usado em primeiro lugar um procedimento 
menos invasivo e de menor risco, como a 
fisioterapia.4,5
O tratamento conservador deve ser indicado 
tanto para pacientes com idade avançada, quanto 
naquelas em período reprodutivo, ou ainda, para 
as que já foram submetidas a tratamento cirúrgico 
prévio sem sucesso, uma vez que a cirurgia 
perineal apresenta risco de causar uma intensa 
dispareunia.3,6. Na questão da saúde propriamente 
dita a sexualidade desempenha uma função vital 
para ambos os sexos, tanto que a Organização 
Mundial da Saúde estipula que a felicidade sexual 
é uma condição inseparável da questão da saúde, 
pois a falta de prazer pode desencadear múltiplos 
problemas como tensão, mau humor, depressão, 
insônia, entre outros.7
Entre as modalidades de tratamento da 
fisioterapia para a iue, encontram-se a eletro- 
estimulação perineal, o biofeedback e a cine- 
sioterapia, que engloba a terapia comporta- 
mental, o uso de cones vaginais e o fortalecimento 
manual. a cinesioterapia com os cones vaginais 
é um tratamento efetivo para a disfunção da 
musculatura do assoalho pélvico, sendo inclusive 
imprescindível no pré e pós-operatório de cirurgias 
do períneo, uma vez que o insucesso cirúrgico 
pode estar relacionado a esta condição.8
O fortalecimento dos músculos do assoalho 
pélvico (MAP) traz vários benefícios para as 
pacientes, com a possibilidade de garantir a 
diminuição ou ausência da perda de urina. 
Dentre os tratamentos indicados para IUE, o 
fortalecimento dos MaP através de exercícios 
cinesioterapêuticos com utilização de cones 
vaginais é uma opção pouco invasiva e de 
baixo custo. essa técnica terapêutica permite o 
recrutamento das fibras musculares dos tipos i e ii, 
além de melhorara propriocepção das pacientes, 
contribuindo para contrações mais eficazes.8
a musculatura do assoalho pélvico é 
constituída por dois tipos de fibras: as fibras tipo 
I, de contração lenta cujas células são ricas em 
mitocôndrias e resistentes à fadiga, portanto, 
importantes na manutenção da continência ao 
repouso, e as fibras tipo ii, de contração rápida, 
caracterizando-se por alta concentração de 
Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 1, p. 43-49, jan./mar. 2009 45
O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
glicogênio e fadiga rápida, permitindo, assim, 
uma resposta imediata a mudanças súbitas de 
pressão. Os cones vaginais promovem uma 
atividade contrátil muscular mais específica e 
eficaz, pois para que a paciente possa mantê-los 
na vagina necessita de contração dos MaP.8-11
esta pesquisa buscou contribuir com conhe- 
cimentos já constituídos sobre a efetividade 
dos exercícios terapêuticos com cones vaginais 
no manejo da iue em pacientes com indicações 
para essa terapia, porém na perspectiva de um 
atendimento domiciliar supervisionado. 
RELATO DO CASO
Para participar do estudo, foi selecionada 
uma voluntária entre as pacientes encaminhadas 
à clínica de fisioterapia da unijuí, que atendesse 
aos seguintes pré-requisitos: evidências clínicas 
e comprovação diagnóstica de iue e ausência 
de infecção urinária. Não poderia participar 
do estudo paciente com déficit de cognição, 
comprometimento neurológico ou fazendo 
uso de fármacos que poderiam estar causando 
temporariamente a perda de urina. O estudo 
foi aprovado pelo comitê de ética em Pesquisa 
da Unijuí e a paciente assinou o termo de 
Consentimento livre e Esclarecido. 
O protocolo de pesquisa previu uma avalia- 
ção inicial, um programa de oito semanas de 
intervenção e uma reavaliação. Para o processo 
de avaliação utilizou-se entrevista semi-estrutura- 
da que abordou a história pregressa, os sintomas 
desencadeantes da perda de urina, a rotina 
de ingestão de líquidos e hábitos intestinais; 
avaliação física que realizou as medidas de peso 
e altura para a determinação do índice de massa 
corporal,12 escala Análoga Visual13,14 para verificar 
a gravidade dos sintomas de incontinência 
urinária e os reflexos na qualidade de vida 
da paciente; e exame de urodinâmica15,16 para 
avaliar as funções de armazenamento e esva- 
ziamento vesical e a atividade do complexo 
esfincteriano uretral, realizado por um médico 
urologista.
A Paciente e.O., com 60 anos, apresentava 
queixa de perda de urina há mais de 20 anos. 
referia, ainda, que após o nascimento de seu 
único filho (com o auxílio de fórceps, via vaginal), 
começou a apresentar perda urinária em pequeno 
volume, esporadicamente, aos esforços físicos. 
Já no climatério, há cinco anos, a perda urinária 
ficou mais acentuada e ocorrendo em pequenos 
esforços e/ou outras situações corriqueiras tais 
como tossir, subir escadas, rir, erguer peso e até 
na relação sexual. 
Na avaliação física apresentou índice de 
massa corporal de 33,33 kg/m² que representa 
obesidade grau i. O resultado inicial da escala 
Análoga Visual foi 5, configurando o prejuízo que 
a iue traz à paciente. No exame de urodinâmica 
na pré-avaliação, a paciente apresentou iue leve, 
consequente a hipermobilidade uretral. Nesta 
primeira avaliação, foi realizado a manobra de 
Valsalva com 300 ml de volume intra-vesical, 
ocorrendo discreta perda urinária com a pressão 
de perda ao esforço de 94 cmH2O. 
O tratamento foi realizado através da 
cinesioterapia, utilizando um kit de cones 
vaginais da marca Womb therapy. O protocolo de 
exercícios foi realizado no domicílio da paciente 
três vezes na semana, duas vezes ao dia, e foi 
realizada uma visita semanal para orientar os 
exercícios. Para a conscientização da paciente em 
relação à musculatura do assoalho pélvico, uma 
aula explicativa com folhetos, mapa anatômico e 
cartazes foram realizados na primeira sessão. 
O protocolo de exercícios com o uso de cones 
foi elaborado com base em fundamentos propos- 
tos por Haddad8 prevendo a execução dos exercí- 
cios em duas fases: passiva e ativa. Fase passiva: 
a determinação do peso do cone é feita através de 
um teste em que a paciente introduz na vagina, 
em posição ortostática, o cone de maior peso, que 
resulte em uma sensação de perda do dispositivo, 
sem que ocorra a sua exteriorização, na ausência 
da contração voluntária dos MAP. O ápice do 
cone deve estar voltado para baixo, em direção ao 
assoalho pélvico. Para a identificação desse cone 
é introduzido o dispositivo de número 1, no caso 
de não haver sensação de perda do mesmo, passa-
se para o de número 2 e assim sucessivamente. a 
seguir, solicita-se que a paciente deambule, não 
contraindo os MaP por um período de 1 minuto. 
desta forma é estabelecido o peso inicial do cone 
vaginal para o tratamento.8
durante a primeira semana foram realizados 
exercícios com cones vaginais de forma passiva, ou 
seja: a paciente introduziu um cone determinado 
pelo teste acima, pela cavidade vaginal e 
permaneceu em pé (ortostatismo), sem deixar 
o mesmo cair, durante 15 minutos, uma vez no 
turno da manhã e outra no turno da tarde, 3 vezes 
na semana. A cada semana foi realizado um novo 
teste para determinar se mudaria o cone ou se esse 
permaneceria o mesmo. 
fase ativa: a fase ativa inicia-se com o cone de 
maior peso que a paciente for capaz de reter na 
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O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
vagina por um período de 1 minuto com contração 
voluntária dos MAP em posição ortostática. Para 
identificação deste dispositivo, denominado de 
cone ativo, a paciente inicia introduzindo o peso 
imediatamente maior do que o utilizado na fase 
passiva. caso for capaz de mantê-lo na vagina 
passa para o dispositivo de peso subsequente e 
assim sucessivamente. Quando um determinado 
cone se exterioriza pela vagina, a paciente deve 
iniciar esta fase com o cone anterior. Se a paciente 
termina a fase passiva com o cone de número 
cinco, deve iniciar a ativa com este mesmo 
dispositivo.8
da segunda à sexta semana, orientou-se a 
realização de contrações do assoalho pélvico 
com o recurso dos cones vaginais de acordo com 
a seguinte conduta: 5 segundos de contração e 
5 segundos de relaxamento; 12 repetições em 3 
séries, 2 vezes ao dia, 3 vezes por semana. Na 
sétima e oitava semanas manteve-se a mesma 
conduta, acrescentando exercício de subir e descer 
escadas (8 degraus) por 4 vezes, 2 vezes ao dia, 3 
vezes por semana, mantendo o cone na cavidade 
vaginal.
sempre antes de modificar o tratamento 
realizou-se uma explicação e treinamento 
da nova rotina de exercícios. Para além do 
treinamento, esses encontros semanais tiveram 
como propósitos supervisionar o andamento 
do protocolo proposto, verificar a adaptação da 
paciente ao uso dos cones, identificar o peso a 
ser utilizado na nova fase e manter vínculos de 
forma a motivar a adesão ao tratamento. Após 8 
semanas os resultados foram analisados através 
de uma comparação simples dos resultados pelas 
respostas pré e pós-intervenção fisioterapêutica e 
avaliação urodinâmica.
Na reavaliação do exame de urodinâmica, 
após o tratamento, não se observou perda 
urinária com pressão de perda ao esforço de até 
117 cmH2O para o mesmo volume intra-vesical. 
Quanto à fluxometria, ao ser solicitada a urinar, 
o fluxo e a pressão foram normais, sem resíduos 
significativos, tanto na avaliação quanto na 
reavaliação. O resultado final na aplicação da 
escala Análoga Visual foi 10.
Os cones vaginais foram utilizados com 
facilidade pela paciente, porém observou-se 
que da quarta para a quinta semana e da sexta 
para a sétima não foi possível realizar aumento 
de carga. No decorrer do tratamento, a paciente 
relatou “estar curada”, pois constatou não ocorrer 
mais perda de urina nas situações relatadas por 
ela anteriormente.
DISCUSSÃO
O conjunto dos resultados obtidos mostrouque e.O. esteve durante a sua vida exposta a vá- 
rios fatores transitórios e definitivos que predis- 
põem a iue, como a gestação, parto, obesidade, 
menopausa e idade. a relação da gestação 
com a iue está no aumento da tensão sobre a 
musculatura do assoalho pélvico, que causa um 
rebaixamento de 2,5 cm no períneo ao final da 
gestação. Durante o parto normal pode ocorrer 
estiramento e ruptura das fibras musculares do 
períneo, deslocando a bexiga e a uretra de suas 
posições normais e causando incontinência.17,18,19 
Os efeitos traumáticos do parto transpélvico e a 
atrofia tecidual, que ocorre após a menopausa, 
acarretam disfunção dos MAP, que habitualmente 
não é valorizada no exame uroginecológico, 
apesar de se constituir em um dos principais 
fatores etiopatogênicos da iue.8,20,21
Outro fator relacionado à incontinência é 
a obesidade. em mulheres obesas acontece o 
acúmulo de gordura no interior do abdômen, 
provocando aumento da pressão intra-abdominal, 
que é transmitida à bexiga. Ainda, após a 
menopausa, a produção de estrogênio diminui 
e, em algumas mulheres, o tecido uretral torna-
se mais frágil e sujeito a lesões e infecções. O 
aumento da idade também é um fator de risco 
para a incontinência urinária, uma vez que está 
relacionado à diminuição da força e da massa 
muscular. estudos têm demonstrado que a 
fibra muscular atinge o seu tamanho máximo 
na terceira ou quarta década de vida e depois 
diminui gradativamente.18
Após a intervenção observou-se uma 
significativa melhora na qualidade de vida. sabe-
se que esta é relacionada à conscientização da 
pessoa sobre sua situação ou doença e posterior 
tratamento. A incontinência urinária repercute 
na qualidade de vida, no que diz respeito ao 
trabalho e à vida social, acarretando perdas 
funcionais, psicossociais e emocionais e levando 
essas mulheres a isolamento social e mudança 
nos hábitos de vestimenta e da vida diária, como 
forma de evitar situações constrangedoras. 22
A literatura acerca da urodinâmica ressalta 
que a IUE ocorre devido à transmissão desigual da 
pressão intra-abdominal durante os esforços para 
a bexiga e uretra, de forma que a pressão vesical 
torna-se maior que a pressão uretral, ocasionando 
a perda da urina.23 tal fato acontece devido à 
hipermobilidade do colo vesical e da uretra 
proximal, que decorre do relaxamento do assoalho 
Scientia Medica, Porto Alegre, v. 19, n. 1, p. 43-49, jan./mar. 2009 47
O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
pélvico. No exame de urodinâmica, para o mesmo 
volume vesical da avaliação, os resultados finais 
expressaram melhora considerável e continência 
urinária. Mesmo com o aumento da pressão de 
perda ao esforço ao máximo que paciente podia 
gerar com a manobra de Valsalva, não houve 
perda de urina. 
No programa de exercícios terapêuticos com 
cones vaginais observou-se que a metodologia 
empregada de visitas domiciliares teve papel 
determinante no sucesso do tratamento proposto. 
através do programa, foi possível efetivar o 
protocolo com progressão da carga ou manutenção 
desta de acordo com os resultados semanais, 
respeitando-se assim os princípios fisiológicos 
de um treinamento.
Neste estudo destaca-se o princípio da 
sobrecarga, que se refere à observação de que 
um sistema ou tecido deve ser exercitado ao nível 
além do qual está acostumado para que ocorra 
o efeito do treinamento. é importante lembrar 
que após um certo período, o exercício deixa de 
promover progressos no ganho muscular, sendo 
sempre necessário modificar o estímulo.24,25,26
Observou-se que em algumas semanas do 
tratamento não foi possível aumentar a carga do 
cone, pois o peso utilizado na semana anterior 
estava adequado para aquele momento e a 
musculatura ainda não estava preparada para 
uma nova sobrecarga, situação que teria sido 
negligenciada sem supervisão semanal. Acredita-
se que neste sentido o tratamento foi adequado 
quanto ao peso do cone, pois os testes realizados 
indicaram qual a carga a ser utilizada. Os cones 
vaginais melhoram os resultados dos exercícios 
perineais não só pelo aumento da carga (peso), 
mas também aumentando a motivação. O 
principio é o mesmo utilizado pelos halterofilistas 
para aumentar a massa muscular, ou seja, 
trabalhar progressivamente um grupo muscular 
aumentando a carga usada.27
Muitos autores preconizam o uso de cones 
vaginais somente na fase passiva. Neste estudo 
idealizou-se a utilização em duas fases distintas, 
passiva e ativa, para obter recrutamento distinto 
das fibras do tipo i e ii. Na fase passiva, há um 
maior recrutamento das fibras musculares do tipo 
i, pois o cone estimula contrações musculares por 
tempo prolongado, além de estimular as fibras 
musculares do tipo “IIa” a se adaptarem com 
características fisiológicas semelhantes às do tipo 
I. Na fase ativa, mesmo com o tempo de repouso 
igual ao da contração, há um maior recrutamento 
das fibras musculares do tipo ii em relação à fase 
passiva.24 A atrofia muscular é específica para cada 
fibra, predominando nos músculos que contém 
maior quantidade de fibras tipo ii. relata-se que 
há diminuição linear da proporção de fibras tipo 
II e que este efeito pode ser prevenido através de 
exercícios 18. com este pressuposto, justifica-se a 
escolha de realizar apenas uma semana na fase 
passiva, visto que as fibras do tipo ii caracterizam-
se por dar uma resposta imediata a mudanças 
súbitas de pressão, sendo, portanto, responsáveis 
por manter a continência nestas situações.28
A duração desta modalidade terapêutica ainda 
não apresenta um consenso. a grande maioria 
dos autores recomenda de 4 a 8 semanas e outros 
de 3 a 6 meses.8 Neste estudo o tratamento foi 
efetivado com sucesso em 8 semanas.
alguns autores demonstraram que o esfíncter 
uretral interno se contrai ao mesmo tempo em 
que ocorre a contração voluntária dos MAP, 
mas outros29 demonstraram aumento da pressão 
uretral durante a contração correta. Em nossa 
paciente, a contração voluntária dos MAP antes 
do aumento da pressão intra-abdominal, como a 
causada pela tosse, reduziu a perda de urina em 
73% em média, depois de apenas uma semana 
de treinamento. Entretanto, nenhuma pessoa 
continente pensa antes de realizar a contração 
dos MAP. Quando necessário, esses músculos 
se contraem automaticamente, da mesma forma 
como, ao subir uma escada, não pensamos na 
contração do músculo vasto medial e ninguém 
se dá conta dos MAP quando está correndo, 
dançando ou andando por um período de tempo 
mais longo.30
Jonasson et al.31 compararam o método de 
exercícios preconizado por Kegel em 1948 com 
cones vaginais para melhora da função do assoalho 
pélvico, em pacientes com IUE, e constataram que 
36% das mulheres que utilizaram os exercícios 
de Kegel não aumentaram o peso do cone 
passivo, enquanto que todas as que utilizaram 
os dispositivos vaginais foram capazes de manter 
passivamente na vagina cones de maior peso. O 
emprego dos cones vaginais, além de possibilitar 
contração adequada dos MaP, fornece à paciente 
uma indicação objetiva do progresso alcançado, 
motivando-a a persistir com a terapêutica.8
No caso aqui descrito, a terapia com cones 
vaginais, como recurso fisioterapêutico, mostrou-
se um método eficaz num período de tempo 
relativamente curto. Foi possível comprovar, 
através da urodinâmica e do relato da paciente, 
um resultado clínico satisfatório. Outro aspecto 
de relevância foi a utilização desta terapêutica no 
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O fortalecimento do assoalho pélvico com cones ... Dreher DZ et al.
ambiente domiciliar. O sucesso clínico obtido com 
a proposta de acompanhamento e reavaliação 
semanal possibilitou uma conduta voltada às 
necessidades da paciente, considerando os 
princípios de treinamento.
tendo em vista a comprovação dos benefí- 
cios da cinesioterapia com cones vaginais no 
fortalecimento do assoalho pélvico, enfatiza-se 
a importância de disponibilizar esses recursospara um maior número de mulheres que estão 
sob a condição de incontinentes. O atendimento 
domiciliar, nesta perspectiva, além de pro- 
porcionar a atenção num ambiente que lhe é 
peculiar, permite que a mulher se exercite mais 
de uma vez ao dia e mantenha uma rotina regular 
de exercícios, prevenindo a recidiva.
tratando-se de um estudo de caso, os 
resultados não podem ser inferidos para toda a 
população, sugerindo-se que sejam realizadas 
outras pesquisas. ainda, o aspecto qualidade de 
vida em mulheres com incontinência urinária 
merece estudos mais aprofundados, que utilizem 
questionários validados e estatisticamente aceitos, 
entendendo-se que a avaliação da qualidade de 
vida neste estudo apresentou limitações.
Cada situação clínica deve ser vista de forma 
individualizada e, portanto, o fisioterapeuta deve 
avaliar a conduta a ser eleita respeitando-se as 
particularidades de cada caso, pois há uma vasta 
gama de recursos fisioterapêuticos na área da 
uroginecologia. Mas, sem dúvida, estes resultados 
mostram que um programa de atenção domiciliar 
de cinesioterapia com cones vaginais, no manejo 
da incontinência urinária de esforço, é factível, 
resolutivo e de baixo custo, quando aplicado por 
um profissional habilitado e conhecedor desta 
técnica reabilitativa.
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dANielA ZeNi dreHer
rua do comércio, 3000 – Bairro universitário
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