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DOSSIÊ: “Por uma Geografia Escolar Crítica” 
 
 
 Revista GeoSertões – ISSN 2525-5703 
 
 
167 
_________________________________________________________ 
Revista GeoSertões (Unageo-CFP-UFCG). Vol. 5, nº 10, jun./dez. 2020 
 https://cfp.revistas.ufcg.edu.br/cfp/index.php/geosertoes/index 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
João Manoel de Vasconcelos Filho (2) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
(1) Professor da Unidade Acadêmica de Geografia, Universidade Federal de Campina Grande 
E-mail: maltaslma@gmail.com 
 
(2) Professora do Departamento de Geografia, Universidade Estadual da Paraíba, Campus I 
 E-mail: ajosandra@yahoo.com.br 
 
 
 
A GEOGRAFIA CRÍTICA NAS EXPERIÊNCIAS DO 
PIBID 
 
LA GEOGRAFÍA CRÍTICA EN LAS EXPERIENCIAS DEL PROGRAMA 
INSTITUCIONAL DE BECAS PARA LA INICIACIÓN A LA ENSEÑANZA (PIBID - 
INICIALES EN PORTUGUÉS) 
 
Sérgio Luiz Malta de Azevedo (1) 
Josandra Araújo Barreto de Melo (2) 
mailto:maltaslma@gmail.com
mailto:ajosandra@yahoo.com.br
DOSSIÊ: “Por uma Geografia Escolar Crítica” 
 
 
 Revista GeoSertões – ISSN 2525-5703 
 
 
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Revista GeoSertões (Unageo-CFP-UFCG). Vol. 5, nº 10, jun./dez. 2020 
 https://cfp.revistas.ufcg.edu.br/cfp/index.php/geosertoes/index 
Resumo 
 
Esta pesquisa teve como objetivo principal apresentar algumas práticas desenvolvidas no período considerado 
para esse estudo, (2012 a 2020) com o Programa de iniciação à docência PIBID na Universidade Estadual da 
Paraíba – UEPB e Universidade Federal de Campina Grande - UFCG no que concerne a formação inicial 
embasada nas tendências críticas de ensino de Geografia, com destaque para método dialético que, pelo menos 
no nível das intenções, a nosso ver, deveria se materializar e difundir-se no currículo da escola básica, através 
da dimensão crítica na Geografia escolar. Foram desenvolvidos diversos projetos de intervenção e/ou 
colaboração, a partir da articulação entre as temáticas do currículo escolar e o lugar social dos discentes e 
docente, objetivando articular as diversas escalas geográficas à escala local, possibilitando a construção de 
conhecimentos significativos e uma maior compreensão da realidade, visando estimular a transformação social 
e a participação cidadã. Para elaboração deste artigo foram analisados os relatórios dos subprojetos Geografia 
para o período já assinalado e os relatos de experiência dos autores na coordenação das atividades dos referidos 
subprojetos. As bases teóricas da pesquisa se ligam a espacialidade geográfica, esta concebido numa visão 
crítica, a exemplo da totalidade e do lugar social, debatidos por vários geógrafos representantes da Geografia 
Crítica, como Milton Santos, Armando Correia da Silva e Lana de Souza Cavalcanti por exemplo, cujas obras 
fundamentaram as pesquisas em ensino de Geografia. A pesar disso, nota-se que o programa vem sofrendo, 
nos últimos anos, um desmonte em suas concepções e ações o que tem acarretado em enorme retrocesso 
político-educacional e operacional. 
 
Palavras-chave 
PIBID, Tendências críticas de ensino Geografia, Currículo, Lugar social do estudante. 
 
Resumen 
La investigación tuvo como su principal objetivo presentar algunas prácticas desarrolladas para el período de 
tiempo llevado a cabo para este estudio, (2012 a 2020), a través del Programa de iniciação à docência PIBID de 
la Universidade Estadual da Paraíba – UEPB y la Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, con 
respecto a la formación inicial basada en las tendencias críticas de la enseñanza de la Geografía, con énfasis en 
el método dialéctico que, por lo menos al nivel de las intenciones, en nuestra opinión, debería materializarse y 
propagarse en el programa de estudios de la educación primaria y secundaria, a través del aparato crítico en el 
sector de la Geografía escolar. Han sido desarrollados diversos proyectos de intervención y/o colaboración, a 
partir de la articulación entre las temáticas del plan de estudios escolar y la posición social de los estudiantes y 
profesores, cuya finalidad es articular las diversas escalas geográficas a la escala local, pirmitiendo la 
construcción de conocimientos significativos y un entendimiento aún más amplio de la realidad, y cuyo fin es 
estimular la transformación social y la participación del ciudadano. Para la elaboración de este artículo han sido 
analizados los informes de los subproyectos de Geografía para el período de tiempo que ya hemos señalado y 
los relatos de las experiencias de los autores en la coordinación de las actividades de los subproyectos de los 
que anteriormente hemos hablado. Los fundamentos teóricos de la investigación están relacionados a los 
espacios geográficos, éstos concebidos bajo un presupuesto crítico, por ejemplo, la totalidad y el lugar social, 
que ya han sido debatidos por muchos geógrafos que representan la Geografía Crítica, como Milton Santos, 
Armando Correia da Silva y Lana de Souza Cavalcanti, cuyas obras han fudamentado las investigaciones de la 
enseñanza de la Geografía. Sin embargo, observamos que el programa ha sufrido, en los últimos años, un 
desmantelamiento en sus concepciones y acciones, lo que ha provocado un inmenso retraso político y 
educacional, además de operacional. 
 
Palabras clave: 
PIBID, Tendencias críticas de la enseñanza de Geografía, Plan de estudios, Lugar social del estudiante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Introdução 
 
ssa reflexão é fruto de um convite efetuado pela organização da presente obra 
para que, conjuntamente e enquanto coordenações da área de Geografia, 
efetuemos uma análise acerca das ações do Programa Institucional de Bolsas 
de Iniciação à Docência – PIBID, através do desenvolvimento dos Subprojetos Geografia nas 
instituições Universidade Estadual da Paraíba e Universidade Federal de Campina Grande - 
UFCG, no período de agosto de 2012 a Fevereiro de 2020. 
Como recorte temático, nos foi solicitado refletir sobre as estratégias do 
desenvolvimento capitalista desenvolvidas tomando como referência o método dialético, 
materializado na Geografia pela concepção crítica, que concebe o espaço enquanto lócus da 
relação natureza-sociedade, mediada pelas contradições das relações de trabalho humano. 
Assim, o desenvolvimento capitalista, pela qual o espaço é recriado reproduz um processo 
contraditório e desigual, fruto das relações sociais, que se estabelecem no âmbito do modo de 
produção capitalista. 
No caso da UFCG, nos detemos no edital nº 007/2018 e na portaria nº 158/2017, ambos 
publicado pela CAPES, além de outros instrumentos regimentais emanados da própria UFCG. 
Assim, o aludido programa teve início em 09/2018 e término em 01/2020. Assim, o PIBID foi 
estruturado partir de um projeto que foi submetido e aprovado pela CAPES, contando com uma 
estrutura organizacional, a saber: Condenação geral do programa, Coordenadores de área, 
Supervisores de instituições escolares e estudantes (bolsistas (ID) e voluntários). Note-se que, 
o número de estudantes envolvidos no aludido programa foi de 13, sendo doze bolsistas e um 
voluntário, além de quatro docentes, sendo dois coordenadores de área, (UFCG) e dois 
supervisores escolares da rede de ensino pública estadualde Campina Grande-PB. Nesse 
contexto, é interessante notar a drástica redução do número de bolsas disponibilizadas para os 
estudantes, ficando mais evidente, tal redução, se compararmos a versão do mesmo programa 
em contexto pretérito (2014), quando o número de bolsistas, aptos a ingressar no programa foi 
de 32 alunos, o que representa uma redução de 19 bolsas a menos em número absoluto ou 146 
% em relação ao número ofertado, em comparação com o período de 2018 a 2020. Essa redução 
é emblemática e se insere num processo maior de precarização das IES públicas do país, em 
particular, para a formação docentes. 
Quanto ao Subprojeto Geografia UEPB/Campus I a sua formatação, durante todo o 
período das atividades, contou com coordenação de área, três professores supervisores e quinze 
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discentes da graduação, que atuaram como bolsistas. Estes sempre eram substituídos quando da 
conclusão do curso ou por motivos de força maior, a exemplo da entrada antecipada no mercado 
de trabalho. No período de 2012 até 2014, as escolas parceiras, todas da rede Estadual de Ensino 
do Estado da Paraíba, foram: a Escola Normal Estadual Padre Emídio Viana Correia, a Escola 
Estadual Senador Argemiro de Figueiredo (POLIVALENTE) e a Escola Estadual Hortênsio de 
Souza Ribeiro (PREMEN). Do período de 2014 a 2018, o Subprojeto foi desenvolvido nas 
Escolas Estaduais São Sebastião, Severino Cabral e Assis Chateaubriand. 
Todo esse tempo dedicado ao planejamento e execução da prática pedagógica na área 
de Geografia, lançam bases para serem discutidas determinadas questões relativas à educação 
básica, sobretudo no que concerne ao papel da Geografia crítica no ensino. Durante esse 
período, foram desenvolvidos diversos projetos de intervenção e/ou colaboração, a partir da 
articulação entre as temáticas do currículo escolar e o lugar social dos discentes, objetivando 
articular as diversas escalas geográficas à escala local, possibilitando a construção de 
conhecimentos significativos e uma maior compreensão da realidade, visando estimular a 
transformação social e a participação cidadã. 
Mediante o exposto, o presente artigo objetivo apresentar algumas práticas 
desenvolvidas durante o período de vigência do PIBID nas duas instituições, já que foi, em 
parte, substituído em 2018 pelo Programa Institucional Residência Pedagógica, no que 
concerne a formação inicial embasada nas tendências progressistas do ensino, com destaque 
para método dialético, que pelo menos no nível das intenções, ao nosso ver, deveria se 
materializa no currículo da escola básica, através da dimensão crítica na Geografia escolar. 
 
O PIBID, seus fundamentos e considerações sobre os desafios da 
educação nacional e o ensino de geografia 
 
 O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID foi instituído pelo 
Decreto 7.219/2010, com o objetivo de inserir os graduandos das diversas licenciaturas 
brasileiras no ambiente escolar, logo cedo, o que implica no aprimoramento da formação inicial 
dos futuros professores, bem como na contribuição para a construção de uma educação pública 
de melhor qualidade e no incentivo dos professores das escolas campo de atuação do referido 
programa a investirem na formação continuada. De acordo com o art. 1o do mencionado 
Decreto: 
 
Art. 1o O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID, 
executado no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de 
Nível Superior - CAPES, tem por finalidade fomentar a iniciação à docência, 
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contribuindo para o aperfeiçoamento da formação de docentes em nível 
superior e para a melhoria de qualidade da educação básica pública brasileira. 
 
 Pode-se afirmar que a essência do PIBID é o fortalecimento da docência, fundamentado 
na relação teoria-prática, de forma a que os conhecimentos mediados na universidade possam 
subsidiar a prática docente na escola básica e essa, por sua vez, gere compartilhamento de 
saberes e práticas na comunidade acadêmica voltada ao ensino das licenciaturas, aprimorando-
as e tornando-as efetivas em termos de aprendizagens proporcionadas. A figura 01 representa 
as metas do PIBID, fundadas na valorização do magistério. 
 
Figura 01: Metas do Programa Institucional de Iniciação à Docência. 
 Fonte:https://capes.gov.br/images/stories/download/bolsas/1892014-relatorio-PIBID.pdf 
 
 Pelo menos, no nível da intenção, trata-se da valorização do magistério pela qualidade da 
formação inicial dos professores, a partir de uma aproximação maior entre universidade e escola 
básica, quase sempre, pouco oportunizada durante a graduação em licenciatura, já que a carga 
horária destinada aos Estágios Supervisionados, nem sempre, é suficiente para fomentar uma 
boa formação, que tenha na pesquisa realizada na escola e no ensino das disciplinas específicas, 
o seu necessário embasamento. Além disso, essa componente curricular, em termos operativos, 
não tem se estruturada adequadamente para promoção da prática docente dos estudantes em 
processo de formação. 
 Em todas as dimensões, desde cedo, essa maior vivência do licenciando nas interações 
com seu futuro campo de atuação lhe permitirá melhor conhecer o espaço em que atuará 
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profissionalmente, Isso lhe possibilitará maior habilidade para compreender a complexidade do 
cotidiano escolar, a diversidade de estratégias necessárias para ministrar os conteúdos e para a 
resolução de conflitos, a maior compreensão das relações entre e com os discentes e toda a 
comunidade escolar, bem como lhe oportunizará efetuar a reflexão a partir das suas práticas e, 
portanto, a formação de um professor reflexivo. Dessa forma, poderá refletir se, de fato, as 
metodologias que estão sendo utilizadas são adequadas, em termos do que se espera para 
efetivação da aprendizagem, sobretudo, quanto as expectativas discentes para uma formação 
crítica, articulada e cidadã. 
 Quando se pesquisa sobre práticas desenvolvidas na educação a partir do PIBID, diversos 
estudos demonstram que é possível desenvolver um ensino mais dinâmico e significativo, 
mesmo diante de algumas políticas que foram se intensificando após o ano de 2016, que 
comprometeram os investimentos em pesquisa, na formação inicial e continuada de professores, 
além de imporem uma base de conteúdos curriculares em escala nacional, sem considerar a 
diversidade e as condições que permeiam as práticas docentes e discentes. 
Lamentavelmente, após as reformas neoliberais implementadas a partir do ano de 2016 
no Estado brasileiro, a educação vem sendo ainda mais desvalorizada. Foram implementadas 
várias contrarreformas que atingem os direitos sociais conquistados com muita dificuldade no 
século XX. Umadessas foi a Reforma do Ensino Médio, a PEC dos Gastos e a Implementação 
da Base Nacional Comum Curricular -BNCC. Esta última ensejou a substituição paulatina do 
PIBID pelo Programa Institucional de Bolsas de Residência Pedagógica, que visa apoiar a sua 
implementação na escola, além de pretender formar professores aptos a operacionalização da 
perspectiva pragmática e neoliberal da BNCC. 
Girotto (2017; 2019) faz uma análise dos objetivos da BNCC e sintetiza analisando que 
trata-se, pois, de um documento de cunho neoliberal, cujo objetivo centrado no 
desenvolvimento de competências e habilidades, nada mais é que a preparação dos discentes 
para o mercado de trabalho mal remunerado e que exige grande flexibilidade, tanto do ponto de 
vista da formação profissional, já que o indivíduo poderá se deparar com necessidades de 
adaptação a múltiplas situações, quanto do ponto de vista da desvalorização profissional e 
instabilidade no emprego, já que as leis que implementaram a terceirização e a reforma 
trabalhista deram o aval final para a regressão da condição dos profissionais pouco qualificados 
no mercado de trabalho. 
Dessa forma, no ano em que completaria 10 anos de sua criação, o PIBID não pode 
aniversariar com fôlego, ao contrário padece de desmobilização. Mesmo o programa Residência 
Pedagógica vem sendo desmontado. Assim, o PIBID perde a essência para a qual foi criado, ou 
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seja, aprimorar a formação inicial e continuada dos professores brasileiros, além de contribuir 
com a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem na educação básica, uma das metas do 
Plano Nacional da Educação. 
 
Rumo a um viés crítico no ensino de geografia nas experiências do 
PIBID UEPB/UFCG 
 
 No que concerne ao ensino de Geografia no âmbito das duas instituições em apreço, 
vislumbram-se as possibilidades de integração entre a realidade da cidade de Campina Grande, 
numa perspectiva de lugar social, conforme a acepção trazida por Silva (1991) para quem os 
conteúdos que regem uma parcela da estruturação curricular deveriam ser efetivos para 
promover mudanças sociais. Aposta-se que essa articulação pode conferir significado aos 
saberes construídos em sala de aula, de modo que os alunos possam perceber a importância 
para a sua realidade, podendo caracterizar a aprendizagem como uma prática cotidiana, em que 
se sintam sujeitos de um processo de produção e reprodução espacial, mediada pelo trabalho. 
No âmbito dos dois subprojetos PIBID de Geografia, as coordenações foram desafiadas 
a aprimorar os seus processos formativos, inserindo os licenciados em sala de aula, estimulando 
o planejamento, a pesquisa no ensino e o uso das mais diversas concepções, linguagens e 
metodologias, num momento em que a formação de professores ainda não vinham 
contemplando a contento, tais concepções e práticas, já que é sabido que a escola, foi e ainda 
não é uma instituição que atende aos interesses de uma minoria dominante desse país. 
 Essa constatação encontra fundamento na análise efetuada por Lacoste (1998), quando 
ele questiona a formação de professores e afirma que “se eles mistificam é porque também 
foram mistificados” (p.32). 
Dessa forma, objetivou-se motivar os futuros e atuais docentes em sua prática cotidiana 
e instigar nos discentes da educação básica o desejo por conhecer melhor a realidade 
circundante e em escalas mais abrangentes. Estas são necessidades de maior envergadura na 
formação e na prática docente e que denotam possibilidades de vencer as dificuldades no 
ensino. 
Compreende-se que as estratégias de ensino baseadas apenas no livro didático, fazendo-
se uso dos métodos atrelados às tendências liberais de ensino, sem a necessária articulação com 
a escala local, geram a disseminação de informações abstratas, muitas vezes difusas e 
desarticuladas para o processo ensino-aprendizagem. Tais circunstâncias geram uma distância 
entre o ensino dos componentes do currículo e o lugar social dos discentes construindo, assim, 
uma dicotomia entre a teoria e a realidade, fazendo com que muitos discentes não se sintam 
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incluídos no universo escolar e, sem a devida orientação familiar, compreendam a escolarização 
como desnecessária ou desinteressante. 
Para modificar tal concepção que permeia o ambiente escolar, se faz necessário integrar 
as diversas estratégias disponíveis para o ensino, bem como os artefatos do lugar social dos 
alunos aos conteúdos propostos pelos documentos oficiais, o que pode ser feito através do 
conhecimento das discussões que permeiam as tendências progressistas de ensino, baseadas no 
trabalho com temas geradores ensejadores de debates e discussões, também da aprendizagem 
baseada em projetos (ABP), conforme os preceitos colocados por Bender (2014), dentre outros 
direcionamentos de pesquisa que agreguem a realidade local. 
A justificativa para a escolha metodológica dos dois subprojetos parte de uma reflexão 
de como vem sendo desenvolvido o ensino da disciplina Geografia, desde a sua 
institucionalização enquanto disciplina do currículo, já que toda a literatura que trata do ensino 
dessa disciplina se reporta a ele como mnemônico, descritivo e desarticulado da realidade 
discente, o que o torna um saber inútil, em consonância com as ideias de Yves Lacoste, na obra 
– A Geografia: isso serve, em primeiro lugar para fazer a guerra. 
 
Fundamentos e estratégias do Subprojeto Geografia PIBID/ UEPB E UFCG 
 
 Como fio condutor das suas ações, o Subprojeto Geografia PIBID UFCG e UEPB 
guardam convergências, visto que ambos foram estruturados a partir de alguns conceitos que 
se relacionam com o espaço geográfico, este concebido numa visão crítica, a exemplo da 
totalidade e do lugar social, debatidos por vários geógrafos representantes da Geografia Crítica, 
como Milton Santos, (2005; 2006; 2014) Armando Correia da Silva1, (1991) Lana de Souza 
Cavalcanti (1998; 2008) por exemplo, cujas obras fundamentaram dezenas de trabalhos de 
Geografia. 
 No que concerne à totalidade, este conceito vem se aprimorando a partir da década de 
1970 e, na Geografia, Milton Santos considera que o espaço precisa ser assim considerado: 
conjunto de relações realizadas através de funções e formas apresentadas historicamente por 
processos, tanto do passado como do presente. Tal conceito, portanto, permite a articulação 
entre os diversos componentes do espaço geográfico (homens, grupos, Estado, capital, 
instituições, etc.), ganham concretude, relacionam-se e espacializam-se. Permite também 
entender interações/conexões entre espaços e tempos diferentes, desiguais, em suas 
 
1 O Professor Armando Correia da Silva, influenciou, em termos de suas concepções o subprojeto de Geografia da 
UFPB, tendo tido pouca influência no subprojeto do PIBID de Geografia da UFCG. 
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coexistências enquanto realidades de técnicas, fluxos, interesses, tradições, esperanças, que 
perfazem as diferentes territorialidades (SANTOS, 2005). 
 Quanto ao conceito de lugar social, estivemos em comunhão com a análise da teoria da 
Geografia e lugar social, desenvolvida pelo geógrafo Armando Correa da Silva, já que a busca 
por uma unicidade do objeto de estudo da ciência geográfica levou o autor ao entendimento do 
espaço enquanto lócus que ganha concretude através do lugar social, pois nele estarão o trabalho 
natural e social e a relação entre estes dois. Teve como base filosófica a influência do 
pensamento marxista, uma vez que considera o trabalho como base para sua discussão. 
 A partir desses conceitos, buscou-se no Subprojeto de Geografia da UEPB e UFCG 
romper com os dicotomismos comumente arraigados na disciplina, do tipo Geografia física 
versus Geografia humana e, principalmente, articular as diferentes escalas geográficas à escala 
local, de forma a que os discentes pudessem compreender o seu lugar numa perspectiva de 
inserção no capitalismo mundial. 
 Concordamos plenamente com Callai (2001), quando ela chama atenção para o fato de 
que o discente “é um ser histórico que traz consigo e em si uma história, e um conhecimento 
adquirido na sua própria vivência” (p. 136). A partir dessa compreensão, o professor é desafiado 
a buscar a promoção, a ampliação e o aprofundamento do conhecimento acerca do espaço, do 
lugar em que vive, relacionando-o com outros espaços mais distantes e até diferentes 
(articulação entre as diferentes escalas geográficas). 
 Para que isso aconteça, é necessário que o professor tenha uma boa formação 
pedagógica, que sejam oportunizadas melhores condições à educação, que se crie uma cultura 
de aprimoramento do ensino nas escolas e, sobretudo nos órgãos responsáveis pelas políticas 
públicas de fomento à educação nacional, pois não se pode aceitar e naturalizar que os 
professores sejam os únicos responsáveis pela condução do ensino-aprendizagem, já que se 
tratam de condições de trabalho e de vida que, integradas ao contexto de sala de aula, são 
definidoras de histórias de sucesso e de fracasso. 
 De qualquer forma, no âmbito do Subprojetos em análise, sempre buscamos chamar 
atenção dos participantes quanto a responsabilidade do professor, do seu papel, do método e 
das metodologias adotadas. A escolha do método constitui para o professor um ato político da 
prática educativa. Assim, o método acaba pela via da formação dos nossos estudantes 
influenciando a manutenção do status quo da sociedade ou da busca pela transformação. Se o 
professor apenas reproduz os conteúdos do livro didático, de forma descontextualizada do lugar 
social do discente, se não considera os elementos do espaço geográfico em sua totalidade, estará 
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contribuindo para a continuidade de uma Geografia descritiva e que pouco ou em nada contribui 
para as transformações sociais. 
 Por outro lado, se o professor adotar como orientação basilar para suas aulas o ensino a 
partir das contradições inerentes ao espaço geográfico, buscando propiciar aos alunos uma 
melhor compreensão desse espaço em que estão inseridos, influenciará, num contexto de 
mudança social a formação para a cidadania, já que propicia a compreensão da realidade e a 
consequente atuação sobre ela. Essa educação para a cidadania só acontece quando o discente 
é, de fato, integrado ao ensino, ou seja, o estudante não pode ser um ser deslocado do mundo 
em que vive, como se fosse um ser neutro e abstrato (CALLAI, 2001). 
 Ao confrontar várias situações entre si e com as condições concretas do seu próprio 
mundo próximo, o discente vai construindo um conhecimento próprio e, mais do que isto, a 
compreensão de regras e leis que regem este mundo atual; pode inclusive buscar o que as funda 
e fazê-las compreensíveis como processo historicamente construídos. 
 A partir desses pressupostos, a atuação da equipe integrante do Subprojeto 
Geografia/PIBID/UEPB e UFCG buscou trabalhar o espaço geográfico como uns lócus da 
relação sociedade-natureza, mediada pelo trabalho, num processo de mudanças constantes, 
determinadas por uma lógica maior, a do capital. Para atingir esse objetivo, lançou mão de 
diversas estratégias, de forma a buscar promoção e a integração da realidade discente na 
construção de um ensino de Geografia significativo, a partir da utilização de diversas linguagens 
e estratégias metodológicas que proporcionasse protagonismo aos discentes, de forma a 
promover a flexibilização do currículo oficial, promover mudanças favoráveis ao processo de 
ensino-aprendizagem de Geografia, na educação básica e renovar o ensino, adequando-o ao 
contexto dos discentes e em consonância com as mudanças em curso no espaço. 
 
Relato de experiência com projeto de colaboração desenvolvida no âmbito do 
Subprograma Geografia/PIBID/UEPB e UFCG 
 
 Nas pesquisas desenvolvidas no Subprojeto Geografia/PIBID/UEPB e UFCG tomamos 
como referência o conceito de escala proposto por Castro (1995). Este, classifica a escala como 
sendo um instrumento teórico-metodológico que permite a apreensão da realidade. Igualmente, 
também se utiliza nas pesquisas dos referidos Subprojetos a recomendação para o trabalho com 
a escala sugerido por Callai (2001), que alerta para a necessidade de articulação entre as 
diversas escalas geográficas e a escala local, rompendo com os círculos concêntricos, 
possibilitando ao aluno compreender como o seu espaço está relacionado a outros mais 
abrangentes e, com isso, promovendo significado ao ensino de Geografia. 
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 Do ponto de vista das concepções teórico-metodológicos, as pesquisas subjacentes aos 
Subprojetos utilizaram vários métodos da ciência, a exemplo do fenomenológico e do método 
dialético, este último subsidiou a pesquisa da presente reflexão, escolhida em função da 
temática trabalhada, que rompe, por exemplo com as costumeiras formas de se abordar o relevo 
em sala de aula, ou seja, numa perspectiva descritiva-regional, privilegiando as macroformas 
e o distanciamento de abordagens que contemplem o relevo local. Ao contrário dessa 
perspectiva, procurou-se a integração conceitual e a práxis integrada dos conteúdos. 
 Para fins de sistematização do presente artigo, como foram muitos os trabalhos 
desenvolvidos, no caso da UEPB relata-se os resultados de um projeto desenvolvido em sala de 
aula por Brito (2017), a partir da geomorfologia, procurando trabalhar as formas de relevo e 
seus processos além da perspectiva naturalista, ou seja, procurando articulá-la a ação antrópica, 
de forma a expressar como tais formas e seus processos geomorfológicos influenciam na 
construção do espaço geográfico. Trabalhando numa perspectiva da relação sociedade-natureza 
no trato com as mesoformas de relevo, é possível ao aluno compreender porque ocorrem 
problemáticas no seu lugar, a exemplo de enchentes, alagamentos, deslizamentos de terras e 
encostas, dentre outros fenômenos físicos decorrentes da ação humana, realizada sem 
preocupação conservacionista.A bolsista desenvolveu o trabalho na Escola Estadual São Sebastião, localizada no Alto 
Branco, cidade de Campina Grande, PB. O bairro é cortado pelo riacho das Piabas e apresenta 
relevo ondulado, com declives acentuados e com consequente apropriação desigual dessas 
formas, já que as residências localizadas nas áreas mais planas ou suavemente onduladas tem 
um valor imobiliário mais alto, sendo ocupada por famílias de classe A, B ou no máximo C, o 
que faz com que a população de menor poder aquisitivo só possa habitar as áreas de encostas 
mais íngremes e de fundos de vale. Trata-se, pois, de que as formas de relevo são apropriadas 
na cidade em função do poder aquisitivo sendo, portanto, uma relação ditada pelo capital. 
 O projeto foi desenvolvido em cinco etapas, seguindo a programação curricular 
elaborada pelo professor para o 1o ano do Ensino Médio. Os conteúdos curriculares trabalhados 
no projeto foram: Linguagem cartográfica e leitura de mapas. A litosfera: evolução geológica 
da terra; Constituição da crosta terrestre: tipos de rochas; Estruturas geológicas e as 
macroformas do relevo terrestre e, por fim, Unidades morfoestruturais brasileiras. 
 Durante o projeto, foram realizadas aulas expositivas e dialogadas, aproximando os 
conteúdos do livro didático ao espaço da cidade de Campina Grande-PB, sobretudo nos bairros 
Alto Branco e Lauritzen, inclusive com a confecção de uma maquete, a partir do recorte da 
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carta topográfica de Campina Grande. Assim, a partir da construção maquete, foram urdidos 
conceitos como o de divisores de águas, vertentes, vales fluviais e planícies de inundação. 
Posteriormente, com a maquete, slides e vídeos, discutiu-se como as formas de relevo 
presentes naquele espaço foram apropriadas no processo de urbanização, bem como as 
problemáticas socioambientais decorrentes de todo esse processo desigual de apropriação do 
referido espaço urbano. 
 Na sequência, foram formadas equipes para a realização de estudo de campo, para que 
os alunos pudessem estudar as paisagens do Alto Branco, Lauritzen e Rosa Mística, inclusive 
indo até o fundo do vale, representado pelo leito do Riacho das Piabas. Nesse trajeto, foram 
trabalhados vários aspectos da paisagem, sem se descuidar da compreensão da atuação do 
capital sobre a desigual apropriação dos espaços dos trechos percorridos. 
 Como culminância desse projeto, a equipe convidou o representante da Defesa Civil da 
Cidade de Campina Grande para proferir palestra na escola, visando analisar como as classes 
menos favorecidas, habitantes das encostas e fundos de vale são afetadas nos períodos de 
chuvas mais críticas na cidade de Campina Grande-PB, inclusive sendo motivo de matéria na 
mídia local. 
 Tratou-se de um projeto que teve a adesão e participação intensa da turma participante 
e que foi desenvolvido tomando como referência o fato de que o relevo não é algo estanque, 
desvinculado das relações entre sociedade e natureza e da realidade dos alunos. Para dar 
consistência a abordagem, tomou-se como referência os trabalhos de Ascensão (2009), 
Bertolini e Carvalho (2010) e Morais (2013). 
 Tais autores partem do questionamento da escala em que o relevo é trabalhado no ensino 
básico, procurando chamar atenção para a necessidade de uma aproximação com o espaço em 
que o aluno está inserido, propiciando relações acerca do seu papel na produção do espaço 
geográfico, fornecendo subsídios para a compreensão de problemáticas advindas das 
apropriações inadequadas do relevo vivenciadas pelos alunos (BRITO, 2017). 
 Assim como o trabalho de Brito (op. cit.), todos os bolsistas que integraram o Subprojeto 
nos seus cinco anos de existência desenvolveram os seus planos de trabalho tomando como 
referência a aprendizagem a partir de projetos, fazendo uso dos diferentes métodos que 
embasam o desenvolvimento das pesquisas geográficas, com destaque para a análise das 
contradições oriundas da apropriação do espaço movida pelo capital, articulando o 
conhecimento do livro didático com a realidade do seu entorno. 
No caso da UFCG, exemplificamos com uma atividade desenvolvida no ano de 2019 
na escola EEEF Monte Santo, situado no bairro de mesmo nome na cidade de Campina Grande-
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PB. A ideia partiu da docente colaboradora do PIBID, Profa. Sonia Maria de Lira. Anote-se que 
a referida propositura, logo recebeu adesão do Supervisor da escola e dos estudantes envolvidos 
com a proposta. 
Observe-se também, que a atividade proposta foi desenvolvida concomitantemente a 
oferta da disciplina prática de ensino de Geografia no segundo semestre de 2019. Assim, a 
atividade teve como mote o tema: Geografando no Entorno da Escola. O referido tema teve 
como objetivo principal realizar um estudo do meio, (ARCHELA; CALVENTE, 2008) que a 
priori pode ser desenvolvido em qualquer nível de ensino. Dado esse contexto, optamos pelas 
séries finais do ensino fundamental. No caso em apreço, partiu-se da compreensão dos 
conceitos geográficos de Paisagem (SANTOS, 2014), espaço (Santos, 2006) e Lugar (TUAN, 
1983). O desafio que enfrentamos conjuntamente foi o de demonstrar a possibilidade de um 
estudo do meio a partir da dimensão crítica do ensino, articulada a perspectiva acessória do 
conceito de lugar e espaço de vivido em Tuan. 
No caso em apreço, os estudantes foram organizados em grupos que se 
intercomplementavam, atuando, consoante as seguintes etapas: Estudo bibliográfico, 
planejamento das atividades de campo, saída de campo para coleta de dados, sistematização 
dos dados de campo, apresentação e integração dos dados coletados, debate, avaliação e 
compartilhamento dos dados sistematizados e culminância da atividade. 
Como a área do entorno da escola EEEF de Monte Santo, (figura 02), se encontra 
próximo a Universidade Federal de Campina Grande, os estudantes percorreram o trajeto a pé, 
saindo da UFCG até a referida escola (figura 03). No percurso os grupos foram fotografando as 
paisagens, entrevistando moradores das cercanias da aludida escola. Com essa ação os grupos 
objetivarão compreende o funcionamento dos sistemas de objetos e ações, as contradições socio 
espaciais, desveladas no entorno da mencionada instituição (figura 04). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Buscou--se, também compreender a metamorfose das paisagens, o processo de mudança 
do lugar visitado. Para tal intento foram utilizadas fotografias, em contexto pretérito e atual. 
Assim, comparando as fotografias os estudantes iam percebendo as transformações, 
verticalidades e horizontalidades como diria Milton Santos, iam sendo percebidas na paisagem, 
implicando em simetrias e assimetrias, ensejadas pelas relações contraditórias dos processosde 
mudança das relações entre o global e o local. Igualmente, foi motivo de inquietação entender 
a percepção do lugar a partir dos moradores daquele entorno e também os espaços de vida 
humana nas suas relações com a escola Monte Santo, na cidade de Campina Grande-PB. 
 
Considerações finais 
 
A Escola brasileira, a partir da vigência da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, promulgada em 1996, de fato, se constitui em um documento para além do seu tempo, 
isso se formos cotejá-la com a realidade da educação nacional na contemporaneidade, em geral, 
marcada pelas características assinaladas nesse trabalho; os dicotimismos, a fragmentação 
disciplinar, o caráter mnemônico da abordagem curricular, a ausência de dimensões 
educacionais emancipatórias. Como se não bastasse, o achincalhe a educação, a 
institucionalização do Banco Nacional Comum Curricular – BNCC parece alinhavar as aludidas 
características do lugar da educação no processo de formação dos nossos estudantes, pelo 
menos da estruturação curricular que invisibiliza o lugar social como campo de tencionamentos, 
de desigualdades e contradições sociais, serve a instrumentação para padronização e 
formalização curricular, só para citar alguns de seus paradoxos. 
É nesse sentido, que surge, a partir de 2009 o Programa de Bolsa de Iniciação à Docência 
- PIBID que de fato, pretendia ser o preludio de mudanças educacionais no país, pois como 
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programa, pensado para promoção de mudanças na nossa trajetória educacional, intencionava, 
ainda que em escala bastante reduzida, promover mudanças na formação de nossos docentes e 
discentes, do ensino fundamental ao “superior”. De fato, durante um curto período de tempo, 
diríamos de 2009 a 2014 logrou-se relativo progressos na implantação do referido programa 
que logo foi azougado pelas contrarreformas do capitalismo brasileiro, como diria Cury; Reis 
e Zanardi (2018, p. 77) são “soluços de um sistema desigual que não conseguem se prolongar 
por muito tempo”. Assim a insensatez, as agressões aos direitos a educação não tardaram a 
negar e ampliar o processo de deformação educacional, em um flagrante desrespeito a formação 
crítica para e pela cidadania. 
Na UEPB e UFCG respectivamente, os programas foram implantados em 2012 e 2014 
e como foi demonstrado, nessa pesquisa tem conseguido granjear êxito, sobretudo no 
mencionado período. De 2015 em diante iniciou-se um processo de desmonte do aludido 
programa. Uma das estratégias para “asfixiar” o programa foi a redução no número de bolsas. 
Como já foi relatado, no caso da UFCG e na UEPB não é muito diferente, na comparação de 
2014 para 2020 foram cortadas 19 bolsas, em número absoluto ou 146 % em números relativos 
ao ofertado em 2014. Fica claro, portanto, assim como em outros programas acadêmicos e 
profissionais das universidades públicas do país que a universidade pública do país sofre uma 
violenta interrupção em suas atividades e como alertado na introdução dessa pesquisa, tal 
contexto é emblemática e se insere num processo maior de precarização das IES públicas, em 
particular, para a formação docente na área das humanidades. 
 
Referências 
 
 
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