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TALITA COSTA DE OLIVEIRA ALMEIDA O CENÁRIO DA GESTÃO ESCOLAR DEMOCRÁTICA Sumário INTROTDUÇÃO ����������������������������������������������� 3 GESTÃO E ESCOLARIZAÇÃO ������������������������� 4 Conceito de gestão �������������������������������������������������������������� 4 Conceito de escolarização �������������������������������������������������� 8 A gestão da escolarização ������������������������������������������������� 11 EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA �����������������������13 A escola e os modelos de sociedade �������������������������������� 14 Educação escolarizada e teorias da educação ���������������� 18 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO ����������������20 O papel da escola na sociedade do conhecimento ���������� 21 Reflexão entre o ensino público e privado ������������������������ 24 MUDANÇAS DO CENÁRIO EDUCACIONAL: EDUCAÇÃO BÁSICA ���������� 26 Sistema educacional brasileiro ������������������������������������������ 26 Impactos das mudanças educacionais na gestão escolar ��������������������������������������������������������������������������������� 28 CONCEITO SOBRE GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA E DEMOCRÁTICA ���������������30 A gestão enquanto prática educativa �������������������������������� 30 Responsáveis pela gestão escolar ������������������������������������ 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS ��������������������������������������������40 2 INTRODUÇÃO Para compreender a gestão escolar é importante ter clareza sobre a educação escolarizada no contexto da sociedade do conhecimento. De que forma podemos buscar esse esclarecimento? Ana- lisando o cenário educacional da Educação Básica e refletindo sobre os princípios para constituir uma escola democrática e participativa. Nesse sentido, ainda é fundamental conhecer os fundamentos e práticas da gestão e da escola- rização para promover as condições que façam com que a escola cumpra sua função social� Por isso, ao longo deste e-book você conhecerá os fundamentos da gestão e da escolarização a partir do estudo do modelo de sociedade e de escola constituídos historicamente. Com base nesses conhecimentos, aprenderá sobre o conceito de gestão escolar democrática e par- ticipativa, analisando os limites e possibilidades de aplicação dessa forma de gestão no processo de escolarização� 3 GESTÃO E ESCOLARIZAÇÃO Neste tópico, você aprenderá sobre os conceitos de gestão e de escolarização enquanto prerroga- tivas para o desenvolvimento da gestão escolar. A gestão é comumente relacionada às questões administrativas e vinculada a processos empresa- riais� Entretanto, quando se analisa os aspectos da gestão no contexto escolar é preciso considerar as especificidades desse ambiente. Por isso, é importante traçar um panorama da educação escolar na perspectiva histórica de sua constituição para entender de que maneira a gestão passa a ser fundamental na escola� Então, prossiga seus estudos para conhecer e analisar a concepção de gestão, de escolarização e como a relação desses processos impactam a educação� CONCEITO DE GESTÃO Gestão é um conceito amplo e dinâmico, pois é aplicável em diferentes contextos e esferas da sociedade. Segundo Libâneo: [...] a gestão é, pois, a atividade pela qual são mo- bilizados meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização, envolvendo, basicamente, 4 os aspectos gerenciais e técnico-administrativos (LIBÂNEO, 2012, p� 438)� Assim, a gestão compreende a articulação de dife- rentes atividades e recursos (humanos, financeiros, materiais, estratégicos etc�) de uma organização de acordo com uma finalidade. Nesse sentido, Santos apresenta os fundamentos da gestão in- dicando que: [...] embora as práticas de gestão remontem ao desenvolvimento da organização da sociedade hu- mana, o estudo da gestão como disciplina autônoma do conhecimento científico apenas se iniciou em épocas relativamente recentes. Esta autonomização ficou a dever-se, em grande medida, às contribui- ções pioneiras de indivíduos que se preocuparam, essencialmente, com a resolução de problemas específicos relacionados com a atividade produtiva, em especial ao nível fabril, que resultaram sobretudo da Revolução Industrial. (SANTOS, 2008, p. 54). Em decorrência dessa estruturação da gestão enquanto um campo de conhecimento, foram ela- boradas diferentes teorias de gestão com aborda- gens diferenciadas, classificadas como: Clássica, Humanista, Quantitativa e Contemporânea. 5 Agora, você pode estar se perguntando por que precisa conhecer esse panorama conceitual sobre gestão? Simples, porque muitas práticas de gestão utilizadas no contexto escolar estão pautadas nas diferentes abordagens de gestão configuradas por diferentes teorias� Nesse sentido, o modelo de gestão adotado na escola sempre estará pau- tado em uma teoria que pode ser mais tradicional, caracterizada pela centralização das decisões e rigidez dos processos, ou contemporânea, que integra práticas participativas e dinâmicas. Para evitar equívocos, ainda cabe destacar que a gestão e a administração são processos diferen- tes, pois à administração são atribuídas funções relacionadas à estrutura e aos processos orga- nizacionais que garantam o comando e controle das atividades desenvolvidas na escola, enquanto a gestão envolve a consideração de todas as es- feras de uma organização de maneira articulada com vistas ao acompanhamento e alcance dos objetivos estabelecidos. Por isso, Paro afirma que “a administração pode ser vista, assim, tanto na teoria quanto na prática, como dois amplos campos que se interpenetraram: a ‘racionalização do trabalho’ e a ‘coordenação do esforço humano coletivo’” (PARO, 1996, p. 20). 6 Na prática, esse paralelo entre gestão e adminis- tração pode ser exemplificado a partir da estrutura organizacional existente nas escolas que, até a década de 1990, possuíam a função do supervisor escolar muito ligada à perspectiva de controle que fazia parte da administração escolar� A partir da adoção do conceito de gestão, o papel do supervi- sor escolar evoluiu para o orientador educacional, desenvolvendo uma visão mais ampla do processo educativo. Vamos aprofundar o conceito de administração? Chiavenato afirma que a administração tem o papel de: [...] interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional por meio do planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objeti- vos da maneira mais adequada à situação e garantir a competitividade em um mundo de negócios altamente concorrencial e complexo (CHIAVENATO, 2020, p. 10). Vale apontar que, como afirma Lück: [...] a gestão não se propõe a depreciar ou invalidar a importância da administração, mas, sim, a superar as limitações de enfoque fragmentado, simplificado FIQUE ATENTO 7 e reduzido. Para ser efetiva, a gestão baseia-se na administração e a propõe como uma dimensão e área da gestão que possibilita o bom funcionamento das demais dimensões (LÜCK, 2006, p. 53). Portanto, a administração não deixa de ser um fator necessário para a organização escolar, apenas assume um outro espaço como um dos componentes da gestão escolar� CONCEITO DE ESCOLARIZAÇÃO Aparentemente, tratar da escolarização pode remeter a uma ação óbvia, representada pelo processo de ensino e aprendizagem organizado formalmente com vistas a disseminar o conhecimento. No en- tanto, ao considerar que a educação nem sempre ocorreu ou ocorre em ambientes formais e de forma institucionalizada, destaca-se a importância de compreender a educação escolarizada a partir das suas raízes históricas. Nesse sentido, Saviani nos ajuda a entender o per- curso histórico de constituição da escolarização indicando que “no princípio, homem agia sobre a natureza coletivamente e a Educação coincidia com o próprio ato de agire existir, com o trabalho, portanto” (SAVIANI, 1992 p. 97). 8 Segundo Saviani (1992) a partir da mudança do modo de produção, que altera o formato de exploração da terra e do trabalho para o formato escravocrata e feudal, não exigindo mais que todos trabalhem para a subsistência, gerando o surgimento de uma classe ociosa, é um indicativo da origem da escola, uma vez que: [...] Escola, em grego, significa o lugar do ócio. O tempo destinado ao ócio� Aqueles que dispunham de lazer, não precisavam trabalhar para sobreviver, tinham que ocupar o tempo livre, e esta ocupação do ócio era traduzida pela expressão escola [���] À medida que nesses dois tipos de sociedade, antiga ou escravista e medieval ou feudal, havia uma diminuta classe de proprietários e uma gran- de massa de não proprietários, a escola aparecia como uma modalidade de educação complementar e secundária� Isto porque a modalidade principal de educação continuava sendo ainda o trabalho [...] (SAVIANI, 1992, p. 97-98). Então, como chegamos ao formato de escola existente atualmente? É preciso deixar claro que embora a escola não existisse originalmente da maneira como conhecemos hoje, a educação sempre foi uma prática em diferentes contextos e épocas. Sendo disseminada por meio de diversas estratégias e espaços sociais� 9 O marco para o estabelecimento da escola enquanto instituição formal e legítima para a propagação do conhecimento científico foi o estabelecimento da idade moderna, caracterizada por uma outra mu- dança no processo produtivo: a industrialização. Com o advento do capitalismo, que gera uma mu- dança significativa na sociedade, transacionando o processo produtivo do campo para a cidade, o conhecimento sistematizado atinge um alto nível de relevância, fazendo com que a forma escolar de educação se torne generalizada e dominante, ao contrário do que ocorria até a idade média� Assim, a educação escolar assume um teor formal e institucionalizado, regido por diretrizes e parâmetros e mediados pela sociedade e pelo Estado� Sendo que a escola se torna referência e praticamente sinônimo da educação formal, mas a educação não formal e informal não deixa de existir e ter seu espaço na formação humana� Dado este panorama, cabe destacar que, embora a escola esteja vinculada principalmente à educação formal, ao abordar a perspectiva de gestão parti- cipativa e democrática, se verifica que no espaço escolar podem ocorrer iniciativas educacionais não formais que envolvam a comunidade, como por exemplo: programas de capacitação e em- 10 pregabilidade para familiares dos alunos, eventos comunitários e grupos de convivência. A GESTÃO DA ESCOLARIZAÇÃO A gestão escolar é o ponto de convergência entre as diferentes áreas de atuação da escola� Mas, o que isso quer dizer? Conforme Lück (2009) existem várias dimensões da gestão escolar: planejamento e organização do trabalho escolar; monitoramento de processos e avaliação de resultados educacio- nais; gestão de resultados educacionais; gestão democrática e participativa; gestão de pessoas; gestão pedagógica; gestão administrativa; gestão do clima e cultura escolar e gestão do cotidiano escolar� Logo, essas várias dimensões se centralizam na atividade macro de gerir a escola, o que poderíamos chamar de gestão da escolarização, partindo de uma perspectiva ampliada da escola não somente enquanto espaço ou ambiente, mas como estrutu- ra social legalmente constituída para disseminar saberes, promover a socialização e a cidadania. Além disso, a escolarização constitui-se como um direito em níveis nacionais e internacionais, pois a Constituição Federal de 1988 assegura que a edu- cação é direito de todos e dever do estado, além de a Declaração Universal dos Direitos Humanos 11 também indicar que todo ser humano tem direito à instrução� Por isso, tratar da gestão escolar é abordar essas diferentes dimensões numa dinâmica de centrali- zação e descentralização. Sabe por quê? Porque embora todas as dimensões estejam centradas no papel do gestor escolar, elas somente podem ser desenvolvidas e alcançar resultados, sendo um dos principais a aprendizagem dos alunos, se ocorrer de maneira descentralizada, o que implica na participação de todos os agentes internos e externos da escola. Partindo da esfera macro da gestão, que é a socie- dade, em que se encontram os elementos que regem a educação – legislação, políticas educacionais, instâncias de responsabilidade federal, estadual e municipal, família, economia e cultura – chegamos à esfera micro: a escola. 12 EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA A educação escolarizada pode ser definida de maneira superficial como processos educativos desenvolvidos no ambiente escolar e que seguem diretrizes estabelecidas pela legislação. Entretan- to, a educação escolar possui fundamentos que precisam de um resgate histórico para serem compreendidos� Ao considerarmos as premissas do conceito de educação, percebe-se que no cenário da pré-história o ato de repassar o conhecimento historicamente acumulado de uma geração para outra estava vinculado aos saberes básicos relacionados à sobrevivência. Alguns marcos históricos demonstram de que maneira a educação passou a ser institucionali- zada, gerando a escola� Nesse sentido, Barreto e Almeida afirmam que: O volume crescente de novas descobertas e expe- riências humanas, assim como das novas informa- ções, naturalmente tornou imperativo a criação de um tipo de registro bem mais formal e permanente, visto que a transmissão oral desses conhecimentos já́ não era uma forma tão eficiente para perpetuar 13 para as próximas gerações tantos saberes novos (Barreto e Almeida 2014, p� 11)� Logo, também foi necessário um espaço formal que propagasse a disseminação do conhecimento e, assim, as escolas constituíram-se organizações com papel fundamental na sociedade� Assim, neste tópico você aprofundará seus conhe- cimentos sobre os modelos de sociedade e suas implicações na constituição e relevância da escola em diferentes períodos. Além disso, analisará a relação entre a escola e as teorias da educação� A ESCOLA E OS MODELOS DE SOCIEDADE Na idade pré-histórica a educação era caracteriza- da pela transmissão de saberes necessários para garantir a sobrevivência (caça, rituais, proteção, crenças etc.), por isso as instituições educativas eram representadas pela família e pela socieda- de, não havendo o papel de uma figura específica responsável por ensinar, assim também a escola também não existia nesse contexto, mesmo porque não ocorria intencionalidade nos conhecimentos transmitidos� Ao longo do tempo, com novas descobertas e acúmulo de conhecimentos, a transmissão oral 14 já não atendia o objetivo de perpetuar os saberes para as próximas gerações. Em decorrência disso, conforme afirmam Barreto e Almeida (2014), surge a escrita, inaugurando uma nova era da humanida- de, conhecida como Idade Antiga ou Antiguidade, que vai desde a invenção da escrita (entre 4.000 a.C. e 3.500 a.C.) até a queda do Império Romano do Ocidente (476 d�C�)� Logo, é na Antiguidade que se estabelece a figura de uma pessoa responsável por ensinar e, conse- quentemente, a necessidade de instituir um espaço formal para que essa tarefa seja cumprida. Nesse sentido, as evidências indicam que as primeiras salas destinadas para esse fim ficavam nas pró- prias casas e palácios, sendo que esses espaços foram os precursores do que conhecemos hoje como escola� Diante desse cenário, será que a educação estava acessível para todos? Certamente não, pois além de ter um alto custo, o próprio modelo educacional era restrito e bem tradicional, pautado somente na transmissão de saberes relacionados aos inte- resses dos ministrantes e estavam muito ligados à religião� No entanto, assim a transmissão oral continuava existindo para educar a população menos favorecida e iletrada. Assim como hoje, de certa forma a educação era vista comouma forma de domínio e poder. 15 Como agravante, a desigualdade oriunda da es- tratificação social chegou à educação de forma mais contundente e generalizada, iniciando-se então o dualismo escolar, que destinava um tipo de ensino para o povo e outro para os nobres. Nesse momento, a apropriação da escrita tornou-se uma diferencial bem maior entre as classes, separando ainda mais o povo da alta nobreza. (BARRETO; ALMEIDA, 2014, p. 12) Os modelos sociais que mais se destacaram por estabelecerem uma estrutura educacional nessa época foram das sociedades grega e romana� A educação grega focava na formação indivíduo, que compreendia o desenvolvimento do corpo e do espírito. Inclusive a Grécia foi considerada o berço da pedagogia, termo que deriva da palavra grega paidagogos, representados pelos escravos que conduziam as crianças à escola� No contexto da sociedade romana, a educação inicialmente era caracterizada pelo ensino por meio da oralidade, mas com o tempo foi grandemente influenciada pelo formato de ensino grego. Entre- tanto, mesmo com alguma sistematização, não se pode considerar que na antiguidade existia o conceito de educação escolar, pois a configuração era muito mais pautada na apropriação de saberes. 16 Na Idade Média a educação continuou como um privilégio das classes mais favorecidas economi- camente, o grande diferencial foi a interferência da igreja na área educacional, disseminando a visão de que os saberes estavam relacionados aos de- sígnios de Deus. Assim, as escolas funcionavam anexas às catedrais, monastérios e mosteiros, sendo altamente hierárquicas e rígidas, tendo os conteúdos relacionados com saberes de cunho religioso� Em meados do século 15, com o Renascimento, que marcou o início da Idade Moderna, ocorreu um movimento de ruptura com esse modelo educacional e escolar, segundo Barreto e Almeida, “grande parte da população mais favorecida economicamente, mas que não fazia parte diretamente dos gover- nos, passou a se mobilizar exigindo mudanças educacionais” (BARRETO E ALMEIDA, 2014, p. 14). Tais fatores geraram a redução da influência da igreja na educação e a defesa da formação pautada no humanismo e voltada para formação moral dos indivíduos. Entretanto, o processo de transição do modelo religioso de educação e escola durou até o século 18. Barreto e Almeida indicam que: [���] foi somente a partir do século 18 que a Escola começou a adquirir o formato atual, com um espaço de aprendizagem comportando diferentes alunos de 17 variadas origens, professores, disciplinas e conteúdos diversificados e um objetivo educacional claramente definido e adotado dentro do seu ambiente escolar. Ou seja, podemos considerar que o atual conceito de Educação Escolar começou a ser delineado a partir daí (Barreto e Almeida, 2014, p. 15). A Idade Contemporânea, marcada por descobri- mentos e marcos importantes como a revolução industrial e os avanços tecnológicos, culminou no estabelecimento da educação escolar de forma sistematizada e estruturada� Todo esse cenário demonstra a importância da institucionalização da educação como premissa para a democratização do conhecimento acumu- lado historicamente pela humanidade� Além disso, esse percurso histórico, além de apresentar a des- crição de como a escola se constituiu enquanto organização social, sinaliza as possibilidades de avanço implícitas na escolarização. Inclusive, o formato atual de escola pode ser o conteúdo de discussões das próximas gerações. EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA E TEORIAS DA EDUCAÇÃO A educação escolar, além de sofrer a interferência direta dos modelos sociais, é definida por diferen- tes teorias educacionais concebidas de acordo 18 com a visão de mundo e de homem em diferentes momentos históricos� Para compreender melhor é importante relembrar que existem diferentes teorias da aprendizagem: Behaviorismo, Cognitiva, Construtivismo e So- ciointeracionismo, que pautam a educação es- colar. Além dessas teorias, Libâneo (2007) indica algumas teorias que tem implicação na escola, classificando-as em teorias não críticas (pedagogia tradicional, pedagogia nova e pedagogia tecnicista) e teorias crítico-reprodutivistas (sistema de ensino como violência simbólica, escola como aparelho ideológico do estado e escola dualista)� Além de raízes históricas de constituição da escola, as diferentes teorias que permearam a educação escolar em diferentes períodos também são fa- tores relevantes para compreender este espaço tão peculiar que é a escola com todas as suas responsabilidades e práticas. Por isso, cabe uma reflexão: você imaginou que para realizar a gestão escolar seria necessário es- tudar sobre a escola nesse nível de profundidade? Essa pergunta revela um princípio fundamental da gestão: não é possível gerir sem conhecer. Então, siga em frente e continue aproveitando os conteúdos. 19 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO A escola enquanto instituição social deve acom- panhar as transformações científicas e tecnológi- cas, fato que repercute diretamente na estrutura e funcionamento dos processos pedagógicos e de gestão� Nesse sentido, é fundamental conhecer as carac- terísticas da sociedade do conhecimento para pro- mover a superação do modelo tradicional de ensino, proporcionando que a escola consiga acompanhar os avanços tecnológicos, econômicos e sociais decorrentes das revoluções técnico-científicas que marcam a sociedade do conhecimento, também conhecida como sociedade da informação� Por isso, é interessante abordar o conceito de modernidade líquida difundido por Bauman, que caracteriza a modernidade do século 15 como sólida devido aos padrões rígidos da época e denomina o contexto contemporâneo como modernidade líquida, em que, segundo Almeida, Gomes e Bracht: “tudo é temporário e incapaz de manter a forma. [...] Vivemos em um tempo mutante no qual as referências – institucionais ou não – que oferecem modelos de conduta estão em fluxo permanente e completamente desreguladas” (Almeida, Gomes e Bracht, 2013, p. 5). 20 Logo, a escola enquanto organismo social não pode ficar alheia a esse processo. Por isso, ao longo deste tópico você conhecerá o papel da escola na sociedade do conhecimento, refletindo sobre as diferentes implicações desse contexto em instituições de ensino públicas e privadas. O PAPEL DA ESCOLA NA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO As transformações sociais impactam ou deveriam impactar diretamente na estrutura e funcionamento do sistema de ensino e das escolas, porque entre os papéis da educação e da escola está o de pre- parar os sujeitos para a cidadania e para o trabalho. Diante disso, Libâneo (2012, p. 32) afirma: Como instituição socioeducativa, a escola vem sendo questionada sobre o seu papel ante as trans- formações econômicas, políticas, sociais e culturais do mundo contemporâneo. Tais transformações decorrem, sobretudo, dos avanços tecnológicos, da reestruturação do sistema de produção e desen- volvimento, da compreensão do papel do Estado, das modificações nele operadas e das mudanças do sistema financeiro, na organização do trabalho e nos hábitos de consumo. Além das mudanças em si, a velocidade com que essas transformações acontecem pesam ainda 21 mais sobre a escola, que precisa dar conta de gerações que tem muito acesso a informação e podem aprender em diversos espaços e de diversas formas, na empresa, na rua, nas associações, por meio de vídeos, da televisão e das redes sociais, por exemplo. O que fazer diante disso? Será que a escola não faz mais sentido? A escola é um ambiente insubsti- tuível, pela função social que exerce e por ser uma instituição legítima e credenciada para a formação dos indivíduos. O que ocorre é a necessidade de atentar para as demandas que se colocam por essa sociedade do conhecimento, conforme pode ser visto no esquema a seguir: Figura 1: Demandas da sociedade do conhecimento Sociedade do Conhecimento Exige no tipo de trabalhador,mais flexível e polivalente e uma educação formadora de novas habilidades cognitivas e competências sociais e pessoais. Induz alteração na atitude do professor e no trabalho docente, uma vez que os meios de comunicação e os demais recursos tecnológicos são muito motivadores. Modifica os objetivos e prioridades da escola, muito mais voltados para os interesse do mercado. Força a escola a mudar suas práticas por causa do avanço tecnológico dos meios de comunicação e da introdução da informática. Fonte: Libâneo (2012, p. 32-33). Adaptado. 22 Tratamos principalmente das revoluções técnico- -científicas e suas consequências na sociedade. Tais revoluções são representadas por: Revolução tecnológica – energia termonuclear; Revolução da microbiologia – uso da genética para produção de resultados, a exemplo do cultivo de alimentos transgênicos; Revolução da microeletrônica – re- presentada pelo uso de tecnologias eletrônicas nas mais diversas atividades do cotidiano, desde o trabalho até o lazer; Revolução informacional – representada pelos avanços na telecomunicação, nas mídias e nas tecnologias da informação. Todas essas revoluções estão inseridas e são consequência de um movimento macro que ca- racteriza a sociedade do conhecimento que é a globalização. Convergindo para pensar sobre o papel da educação escolar nesse contexto, Edgar Morin trata do assunto na obra Os sete saberes necessários à educação do futuro� Vale a pena a leitura: MORIN, E� Os setes saberes necessários à educação do futuro. Trad. Catarina Leonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 2000. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/ arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf� SAIBA MAIS 23 http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf É importante destacar e reforçar que discutir o papel da educação escolar em nenhum momento deve colocar em risco sua relevância social, mas possibilitar caminhos para a formação de sujeitos que estejam preparados para enfrentar os desafios e oportunidades dispostos na sociedade atual� REFLEXÃO ENTRE O ENSINO PÚBLICO E PRIVADO Mediante o panorama da sociedade do conheci- mento, ao abordar as expectativas com relação à escola, é inevitável refletir sobre a educação escolar na rede de ensino público e privada, uma vez que, embora as diretrizes sejam as mesmas, as fontes de recursos com relação a infraestrutura e condi- ções de se adequar ao contexto da globalização são bem diversas. Sobretudo, quando pensamos no que afirma Paro: [...] a concepção de educação que parece prevalecer na orientação das políticas públicas e que acaba por estruturar a forma de ser da própria escola básica é aquela adotada pelo senso comum que a vê como mera transmissão de conhecimentos e informações (PARO, 2012, p. 58). Tal concepção está totalmente em desacordo com as demandas da sociedade da informação, pois se espera que a educação escolar ofereça mais 24 do que conhecimentos e informações, mas desen- volva o pensamento crítico, a tolerância frente à diversidade e outras competências que extrapo- lam aquilo que pode ser facilmente acessado em outros ambientes. Por que é necessário você refletir sobre isso? Porque enquanto profissional da área de educação você irá se deparar com diferentes realidades, uma delas pode ser a de escolas particulares ou até mesmo públicas muitos equipadas, com formação de professores no sentido de atualizá-los frente às novas tecnologias, mas outra pode ser de escolas sem condições materiais para acompanhar o ritmo das inovações e tampouco de capacitar a equipe docente para preparar seus alunos para essa so- ciedade, inclusive porque nem mesmo os alunos possuem acesso às tecnologias (celular, internet, computador etc�)� 25 MUDANÇAS DO CENÁRIO EDUCACIONAL: EDUCAÇÃO BÁSICA O cenário educacional apresenta mudanças constantes que são fruto dos aspectos políticos, econômicos e sociais estabelecidos em diferentes momentos históricos, decorrentes em grande parte de alterações governamentais ou da dinâmica dos setores produtivos. Assim, ao longo deste tópico você reconhecerá os principais aspectos que compõem o sistema educacional brasileiro, com foco na Educação Básica� Para tanto, serão apresentados os princi- pais documentos norteadores da educação e sua relação com a gestão escolar� SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO O sistema educacional brasileiro obedece à legis- lação magna do país, que é a Constituição Federal de 1988 e documentos normativos decorrentes da Carta Magna, sendo o principal deles a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 9394/96 (LDBEN), que dispõe sobre a estrutura e funcionamento dos diversos níveis e modalidades de ensino� 26 Nesse sentido, a Educação Básica que compreende a educação obrigatória dos 4 aos 17 anos, composta pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio é o foco principal do processo de ensino, porque compreende as etapas de escolarização obrigatória, gratuita e com certa universalização de acesso� Conhecer o cenário educacional, partindo das prer- rogativas legais é um dos fatores cruciais para a gestão escolar, pois a organização e funcionamento da escola é definido em grande parte pelas diretrizes nacionais e por outros documentos norteadores como o Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelece metas para serem alcançadas pelo sistema educacional no período de 10 anos. Figura 2: Esquema da legislação educacional brasileira Constituição Federal 1988 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Plano Nacional da Educação Base Nacional Comum Curricular Decretos, normas e resoluções federais, estaduais e municipais Fonte: Elaborado pela autora. Em decorrência das transformações sociais, das avaliações em larga escala e em grande parte por alterações de governo, o cenário educacional 27 anda sofrendo mudanças, sendo algumas delas: o estabelecimento do ensino fundamental de 9 anos; a reforma curricular e implementação da Base Nacional Comum Curricular e a proposta do Novo Ensino Médio; a implantação das escolas cívico-militares. É possível perceber que as mudanças do cenário educacional geralmente irão ocorrer pelo movi- mento das demandas levantadas pela sociedade, repercutindo nos documentos norteadores� Outra fonte de mudança são os aspectos culturais que moldam o cenário educacional no cotidiano da es- cola, a exemplo da mudança no perfil das famílias, da denúncia de práticas de bullying, entre outros� IMPACTOS DAS MUDANÇAS EDUCACIONAIS NA GESTÃO ESCOLAR As mudanças no cenário educacional, embora não estejam restritas à legislação, de maneira geral partirão dos documentos legais que estabe- lecem as bases do ensino. Ou seja, o que ensinar – currículo; como ensinar – metodologia; porque ensinar – visão de homem e de mundo; para que ensinar – objetivos da educação escolarizada geralmente relacionados à cidadania e ao mundo do trabalho; e, por fim, quais os resultados – ação voltada para avaliação. 28 Assim, tanto as normativas macro, representadas por diretrizes nacionais, quanto as micro, represen- tadas por documentos municipais e pelo projeto político-pedagógico da escola, impactarão na gestão escolar sempre que sofrerem alterações. Um exemplo desse impacto pode ser evidenciado pela mudança no ensino fundamental para 9 anos. As escolas tiveram que se preparar em diversos aspectos para receber alunos mais jovens, para isso, reformularam o projeto político-pedagógico, reestruturaram o planejamento e, muitas vezes, até mesmo o espaço físico. Para mais detalhes sobre essa alteração na duração do ensino fundamental, vale a pena verificar a lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/ lei/l11274.htm� SAIBA MAIS 29 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htm CONCEITO SOBRE GESTÃO ESCOLAR PARTICIPATIVA E DEMOCRÁTICA Uma das dimensões fundamentais da gestão são as pessoas, é imprescindível que a gestão escolar seja participativa e democrática, principalmente ao considerar que a escola deve ser por excelência um espaço democrático por ter uma função social de formação humana por meio da disseminação de conhecimento científico. A gestão participativa e democrática é caracteri- zada por privilegiar o envolvimento dos diferentes sujeitos internos e externos da escola nas ativida- des escolares. Por isso, neste tópico, você poderá refletir sobre a gestão escolar enquanto prática educativa que articula e envolve todas as esferas da escola e todos os agentes que integram essa instituição de ensino� A GESTÃO ENQUANTO PRÁTICA EDUCATIVA Por estar pautada em uma concepção de visão de mundo e sociedade, a gestão também é uma prática educativa, pois se a organização da escola é pautada em dispositivos tradicionais, que não permitem a autonomia dos estudantes e a partici- 30 pação de toda comunidade escolar, condicionará todas as pessoas que compõem essa organização a se portarem dessa forma� Para deixar mais claro, Libâneo afirma que: [���] as práticas de organização da escola são práticas educativas, ou seja, não educamos e ensinamos nossos alunos apenas na sala de aula, também as formas de organização e gestão educam, o contex- to institucional educa, o ambiente educa. É muito comum entre os profissionais da educação escolar o entendimento de que assuntos de organização, administração, gestão, são de responsabilidade apenas da direção e da coordenação pedagógica� [...] o entendimento de que o contexto institucional e sociocultural educa, que o ambiente social existente na escola educa, significa dizer que os modos de funcionamento da escola são práticas educativas, eles educam e ensinam, propiciam aprendizagens, produzem mudanças no modo de pensar e agir das pessoas (LIBÂNEO, 2015, p. 2). Com base nessas considerações é possível perce- ber que a gestão precisa ser participativa para ser democrática, pois na medida em que compartilho responsabilidades por meio da participação, dou abertura para que as pessoas expressem suas opiniões e auxiliem na tomada de decisões por meio de um processo democrático� 31 Essas ações são expressas na sala de aula quando os alunos têm voz ativa, na atitude de um colabora- dor da área administrativa que propõe um projeto para racionalizar os materiais de escritório da secretaria, da bibliotecária que faz uma ação para engajar os alunos na prática da leitura, envolvendo também a família. Assim, tomar a gestão escolar como prática educa- tiva é ir além do uso de ferramentas e estratégias de gestão, que também são válidas, mas que não são efetivas se utilizadas de maneira isolada, sem a articulação com as outras áreas da gestão e sem o fator chave, que é a aplicação daquilo que foi definido de maneira coletiva, participativa e democrática� RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO ESCOLAR No modelo de gestão escolar democrática e parti- cipativa é imprescindível considerar que todas as pessoas que atuam nas diferentes esferas dentro e fora da escola fazem parte da gestão� Isso signi- fica que as equipes diretiva, pedagógica, docente, discente, funções administrativas e operacionais, pais e comunidade são responsáveis pela gestão escolar� As implicações desse formato de gestão requerem a participação de todos esses agentes nos proces- 32 sos de decisão da escola, o que inclui aspectos como cuidados com a estrutura física, segurança, organização e planejamento e avaliação. Por isso, a participação é uma premissa para que efetiva- mente a gestão escolar seja democrática. Uma das ações mais recorrentes que exemplificam uma gestão escolar participativa são as reuniões de pais, que aproximam a família da escola. Entretanto, muitas vezes existem dúvidas sobre a relevância e até mesmo a organização das reuniões. Por isso, é importante que as reuniões de pais sejam estabelecidas enquanto espaços colaborativos e não apenas como momentos protocolares para comunicar problemas ou agendadas para tratar de situações de indisciplina ou baixo desempenho dos estudantes� Assim, as reuniões devem tratar desses aspectos, mas não devem estar limitadas a tais pontos. Uma vez que, ao reunir pais, professores, coordenadores, orientadores e diretores, pode-se explorar temas que aproximem e fortaleçam a parceria entre a família e a escola, como o impacto positivo da participação da família no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, por exemplo. Outros pontos que podem ser abordados dizem respeito à comunidade em que a escola está in- serida, mapeando situações em que a escola e as 33 famílias podem contribuir por meio da formação de redes de apoio e voluntariado, atuando em projetos que ajudem crianças em situações de vulnerabilidade, por exemplo. As reuniões de pais também podem ser direciona- das às demandas diagnosticadas com base nas necessidades identificadas no cotidiano dos alunos. Um exemplo pode ser a orientação com relação aos aspectos comportamentais da adolescência, que geralmente são um desafio para os pais. Para promover esse aspecto formativo das reuni- ões de pais, além de identificar as demandas dos alunos, pode-se fazer enquetes, questionários ou até levantamentos informais a respeito de temáticas que as famílias gostariam que fossem abordadas ou até mesmo ações de interesse dos pais que poderiam ser desenvolvidas nas reuniões, como aspectos relacionados à empregabilidade (palestras, orientações profissionais). Assim, as reuniões cumprem além do papel in- formativo, o papel formativo, fato que repercute diretamente no processo de gestão democrática da escola, pois na medida em que a família se aproxima da escola, ela estará apta e se sentirá parte da instituição� Consequentemente, poderá contribuir com as decisões que envolvem a gestão escolar, conforme afirma Libâneo: 34 A organização da escola requer atender a duas necessidades: a participação na gestão, enquanto requisito democrático, e a gestão da participação, como requisito técnico� Por um lado, as escolas precisam cultivar os processos democráticos e colaborativos de trabalho, em função da convivên- cia e da tomada de decisões. Por outro, precisam funcionar bem tecnicamente, a fim de poder atingir eficazmente seus objetivos, o que implica a gestão da participação. A gestão participativa significa alcançar de forma colaborativa e democrática os objetivos da escola. A participação é o principal meio de tomar decisões, de mobilizar as pessoas para decidir sobre os objetivos, os conteúdos, as formas de organização do trabalho e o clima de tra- balho desejado para si próprias e para os outros. A participação se viabiliza por interação comunicativa, diálogo, discussão pública, busca de consensos e de superações de conflitos. Nesse sentido, a melhor forma de gestão é aquela que criar um sistema de práticas interativas e colaborativas para troca de ideias e experiências para chegar a ideias e ações comuns. (LIBÂNEO, 2015, p. 18). Agora, você pode estar se perguntando em termos práticos como organizar reuniões de pais com caráter democrático, colaborativo e participativo. Vamos nos atentar ao que Flávia Vivaldi, para o portal Nova Escola indica a este respeito: 35 Para organizar as reuniões, é necessário ter uma pauta bem definida, montada de acordo com os objetivos do encontro. Os temas eleitos devem dizer respeito a todos os alunos da classe e não a problemas específicos, que precisam ser tratados em encontros individuais. Algumas possibilidades de assuntos para abordar nos encontros coletivos: 1) Informar aspectos pedagógicos, como os conte- údos de cada série, os trabalhos desenvolvidos, o planejamento dos meses seguintes, características do segmento, a quantidadee tipo de lição de casa e a proposta didática das diferentes áreas� 2) Discutir a adaptação dos alunos aos novos desafios da série, o uso de aparelhos eletrônicos na instituição, características da infância e da adolescência, assuntos relativos à sexualidade e drogas, entre outros� 3) Esclarecer aos pais características da faixa etária do ponto de vista cognitivo, social e emocional. 4) Reforçar questões institucionais, como normas e regras para o bom convívio da comunidade, bem como eventos que serão ou foram realizados. 5) Apresentar às famílias a equipe que interage com os alunos. (VIVALDI, 2013). Ainda nesse sentido, pode ser estabelecida uma agenda de reuniões em comum acordo com os pais, com opções de dias e horários que favore- 36 çam a participação de todos� Para cada reunião podem ser estabelecidos os objetivos fixos com os aspectos pedagógicos e de acompanhamento dos estudantes e os objetivos complementares que podem ser definidos de acordo com o levantamento dos pontos de interesse dos pais ou de assuntos que a escola identifica como relevantes de serem tratados ou esclarecidos com os familiares� O desenvolvimento dessas ações indica uma das formas de desenvolver a gestão escolar democrá- tica. Entretanto, existem ações que são totalmente opostas ao modelo participativo de gestão. Um fato recorrente que exemplifica o que não é uma gestão democrática é a elaboração do projeto político- -pedagógico sem a participação dos professores, alunos, pais e comunidade escolar, ou seja, sem considerar as especificidades da localidade em que escola está inserida. Por isso, Lück destaca que: [���] Não se pode esperar mais que os dirigentes enfrentem suas responsabilidades baseados em “ensaio e erro” sobre como planejar e promover a implementação do projeto político pedagógico da escola, monitorar processos e avaliar resultados, desenvolver trabalho em equipe, promover a inte- gração escola-comunidade, criar novas alternativas de gestão, realizar negociações, mobilizar e manter mobilizados atores na realização das ações edu- cacionais, manter um processo de comunicação 37 e diálogo aberto, planejar e coordenar reuniões eficazes, atuar de modo a articular interesses dife- rentes, estabelecer unidade na diversidade, resolver conflitos e atuar convenientemente em situações de tensão (2009, p. 25). Na gestão participativa a comunidade é convidada a fazer parte do cotidiano da escola, por isso, é comum a realização de mutirões para pintar os muros da escola, por exemplo. Além disso, são realizadas reuniões para decidir sobre o inves- timento dos recursos recebidos, eleições para escolha da direção, existências de grêmios dos alunos e associação de pais e professores, não apenas para cumprir o regimento para realmente tratar dos interesses dos alunos e da comunidade escolar como um todo� A gestão escolar deve ser uma responsabilidade apenas dos cargos administrativos da escola? Leia o artigo de Vitor Paro e reflita sobre a possibilidade de realizar a gestão educacional de forma participativa e democrática� http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/ view/1235/1239 REFLITA 38 http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/view/1235/1239 http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/view/1235/1239 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book, percorremos uma jornada de conhe- cimento acerca dos aspectos fundamentais da gestão escolar, que partem da própria concepção da gestão e da escolarização. Além disso, você aprendeu sobre as dimensões da gestão escolar e conheceu as raízes históricas que precederam a educação escolar no formato como conhecemos atualmente� Ainda sobre a escolarização pudemos verificar as relações entre os diferentes modelos de sociedade e suas repercussões na escola. Nesse sentido, ao considerar a escola como uma instituição socioe- ducativa, também discorremos sobre a sociedade do conhecimento e suas implicações para a for- mação humana� Tratamos sobre as mudanças no cenário educa- cional brasileiro com foco na Educação Básica, refletindo sobre os impactos que dessas mudanças na gestão escolar. Por fim, abordamos a gestão escolar participativa e democrática discutindo sobre os limites e possibilidades de promovê-la de maneira efetiva na escola. 39 Referências Bibliográficas & Consultadas ALIAS, G� Diversidade, Currículo Escolar e Projetos Pedagógicos: a nova dinâmica na Escola atual. São Paulo: Cengage, 2016. [Minha Biblioteca]. ALMEIDA, F. Q.; GOMES, I. 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