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TALITA COSTA DE OLIVEIRA ALMEIDA
O CENÁRIO DA GESTÃO 
ESCOLAR DEMOCRÁTICA
Sumário
INTROTDUÇÃO ����������������������������������������������� 3
GESTÃO E ESCOLARIZAÇÃO ������������������������� 4
Conceito de gestão �������������������������������������������������������������� 4
Conceito de escolarização �������������������������������������������������� 8
A gestão da escolarização ������������������������������������������������� 11
EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA �����������������������13
A escola e os modelos de sociedade �������������������������������� 14
Educação escolarizada e teorias da educação ���������������� 18
SOCIEDADE DO CONHECIMENTO ����������������20
O papel da escola na sociedade do conhecimento ���������� 21
Reflexão entre o ensino público e privado ������������������������ 24
MUDANÇAS DO CENÁRIO 
EDUCACIONAL: EDUCAÇÃO BÁSICA ���������� 26
Sistema educacional brasileiro ������������������������������������������ 26
Impactos das mudanças educacionais na gestão 
escolar ��������������������������������������������������������������������������������� 28
CONCEITO SOBRE GESTÃO ESCOLAR 
PARTICIPATIVA E DEMOCRÁTICA ���������������30
A gestão enquanto prática educativa �������������������������������� 30
Responsáveis pela gestão escolar ������������������������������������ 32
CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������������39
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & 
CONSULTADAS ��������������������������������������������40
2
INTRODUÇÃO
Para compreender a gestão escolar é importante 
ter clareza sobre a educação escolarizada no 
contexto da sociedade do conhecimento. De que 
forma podemos buscar esse esclarecimento? Ana-
lisando o cenário educacional da Educação Básica 
e refletindo sobre os princípios para constituir uma 
escola democrática e participativa.
Nesse sentido, ainda é fundamental conhecer os 
fundamentos e práticas da gestão e da escola-
rização para promover as condições que façam 
com que a escola cumpra sua função social� Por 
isso, ao longo deste e-book você conhecerá os 
fundamentos da gestão e da escolarização a partir 
do estudo do modelo de sociedade e de escola 
constituídos historicamente. 
Com base nesses conhecimentos, aprenderá sobre 
o conceito de gestão escolar democrática e par-
ticipativa, analisando os limites e possibilidades 
de aplicação dessa forma de gestão no processo 
de escolarização�
3
GESTÃO E 
ESCOLARIZAÇÃO
Neste tópico, você aprenderá sobre os conceitos 
de gestão e de escolarização enquanto prerroga-
tivas para o desenvolvimento da gestão escolar. 
A gestão é comumente relacionada às questões 
administrativas e vinculada a processos empresa-
riais� Entretanto, quando se analisa os aspectos da 
gestão no contexto escolar é preciso considerar 
as especificidades desse ambiente.
Por isso, é importante traçar um panorama da 
educação escolar na perspectiva histórica de 
sua constituição para entender de que maneira a 
gestão passa a ser fundamental na escola� Então, 
prossiga seus estudos para conhecer e analisar a 
concepção de gestão, de escolarização e como a 
relação desses processos impactam a educação�
CONCEITO DE GESTÃO 
Gestão é um conceito amplo e dinâmico, pois é 
aplicável em diferentes contextos e esferas da 
sociedade. Segundo Libâneo:
[...] a gestão é, pois, a atividade pela qual são mo-
bilizados meios e procedimentos para atingir os 
objetivos da organização, envolvendo, basicamente, 
4
os aspectos gerenciais e técnico-administrativos 
(LIBÂNEO, 2012, p� 438)�
Assim, a gestão compreende a articulação de dife-
rentes atividades e recursos (humanos, financeiros, 
materiais, estratégicos etc�) de uma organização 
de acordo com uma finalidade. Nesse sentido, 
Santos apresenta os fundamentos da gestão in-
dicando que:
[...] embora as práticas de gestão remontem ao 
desenvolvimento da organização da sociedade hu-
mana, o estudo da gestão como disciplina autônoma 
do conhecimento científico apenas se iniciou em 
épocas relativamente recentes. Esta autonomização 
ficou a dever-se, em grande medida, às contribui-
ções pioneiras de indivíduos que se preocuparam, 
essencialmente, com a resolução de problemas 
específicos relacionados com a atividade produtiva, 
em especial ao nível fabril, que resultaram sobretudo 
da Revolução Industrial. (SANTOS, 2008, p. 54).
Em decorrência dessa estruturação da gestão 
enquanto um campo de conhecimento, foram ela-
boradas diferentes teorias de gestão com aborda-
gens diferenciadas, classificadas como: Clássica, 
Humanista, Quantitativa e Contemporânea.
5
Agora, você pode estar se perguntando por que 
precisa conhecer esse panorama conceitual sobre 
gestão? Simples, porque muitas práticas de gestão 
utilizadas no contexto escolar estão pautadas nas 
diferentes abordagens de gestão configuradas 
por diferentes teorias� Nesse sentido, o modelo 
de gestão adotado na escola sempre estará pau-
tado em uma teoria que pode ser mais tradicional, 
caracterizada pela centralização das decisões e 
rigidez dos processos, ou contemporânea, que 
integra práticas participativas e dinâmicas.
Para evitar equívocos, ainda cabe destacar que a 
gestão e a administração são processos diferen-
tes, pois à administração são atribuídas funções 
relacionadas à estrutura e aos processos orga-
nizacionais que garantam o comando e controle 
das atividades desenvolvidas na escola, enquanto 
a gestão envolve a consideração de todas as es-
feras de uma organização de maneira articulada 
com vistas ao acompanhamento e alcance dos 
objetivos estabelecidos.
Por isso, Paro afirma que “a administração pode 
ser vista, assim, tanto na teoria quanto na prática, 
como dois amplos campos que se interpenetraram: 
a ‘racionalização do trabalho’ e a ‘coordenação 
do esforço humano coletivo’” (PARO, 1996, p. 20). 
6
Na prática, esse paralelo entre gestão e adminis-
tração pode ser exemplificado a partir da estrutura 
organizacional existente nas escolas que, até a 
década de 1990, possuíam a função do supervisor 
escolar muito ligada à perspectiva de controle que 
fazia parte da administração escolar� A partir da 
adoção do conceito de gestão, o papel do supervi-
sor escolar evoluiu para o orientador educacional, 
desenvolvendo uma visão mais ampla do processo 
educativo.
Vamos aprofundar o conceito de administração?
Chiavenato afirma que a administração tem o papel de:
[...] interpretar os objetivos propostos pela organização 
e transformá-los em ação organizacional por meio do 
planejamento, organização, direção e controle de todos 
os esforços realizados em todas as áreas e em todos 
os níveis da organização, a fim de alcançar tais objeti-
vos da maneira mais adequada à situação e garantir a 
competitividade em um mundo de negócios altamente 
concorrencial e complexo (CHIAVENATO, 2020, p. 10).
Vale apontar que, como afirma Lück:
[...] a gestão não se propõe a depreciar ou invalidar 
a importância da administração, mas, sim, a superar 
as limitações de enfoque fragmentado, simplificado 
FIQUE ATENTO
7
e reduzido. Para ser efetiva, a gestão baseia-se na 
administração e a propõe como uma dimensão e 
área da gestão que possibilita o bom funcionamento 
das demais dimensões (LÜCK, 2006, p. 53).
Portanto, a administração não deixa de ser um 
fator necessário para a organização escolar, 
apenas assume um outro espaço como um dos 
componentes da gestão escolar�
CONCEITO DE ESCOLARIZAÇÃO 
Aparentemente, tratar da escolarização pode remeter 
a uma ação óbvia, representada pelo processo de 
ensino e aprendizagem organizado formalmente 
com vistas a disseminar o conhecimento. No en-
tanto, ao considerar que a educação nem sempre 
ocorreu ou ocorre em ambientes formais e de 
forma institucionalizada, destaca-se a importância 
de compreender a educação escolarizada a partir 
das suas raízes históricas.
Nesse sentido, Saviani nos ajuda a entender o per-
curso histórico de constituição da escolarização 
indicando que “no princípio, homem agia sobre a 
natureza coletivamente e a Educação coincidia 
com o próprio ato de agire existir, com o trabalho, 
portanto” (SAVIANI, 1992 p. 97).
8
Segundo Saviani (1992) a partir da mudança do modo 
de produção, que altera o formato de exploração 
da terra e do trabalho para o formato escravocrata 
e feudal, não exigindo mais que todos trabalhem 
para a subsistência, gerando o surgimento de uma 
classe ociosa, é um indicativo da origem da escola, 
uma vez que:
[...] Escola, em grego, significa o lugar do ócio. O 
tempo destinado ao ócio� Aqueles que dispunham 
de lazer, não precisavam trabalhar para sobreviver, 
tinham que ocupar o tempo livre, e esta ocupação 
do ócio era traduzida pela expressão escola [���] 
À medida que nesses dois tipos de sociedade, 
antiga ou escravista e medieval ou feudal, havia 
uma diminuta classe de proprietários e uma gran-
de massa de não proprietários, a escola aparecia 
como uma modalidade de educação complementar 
e secundária� Isto porque a modalidade principal 
de educação continuava sendo ainda o trabalho [...] 
(SAVIANI, 1992, p. 97-98).
Então, como chegamos ao formato de escola 
existente atualmente? É preciso deixar claro que 
embora a escola não existisse originalmente da 
maneira como conhecemos hoje, a educação 
sempre foi uma prática em diferentes contextos e 
épocas. Sendo disseminada por meio de diversas 
estratégias e espaços sociais�
9
O marco para o estabelecimento da escola enquanto 
instituição formal e legítima para a propagação do 
conhecimento científico foi o estabelecimento da 
idade moderna, caracterizada por uma outra mu-
dança no processo produtivo: a industrialização. 
Com o advento do capitalismo, que gera uma mu-
dança significativa na sociedade, transacionando 
o processo produtivo do campo para a cidade, o 
conhecimento sistematizado atinge um alto nível 
de relevância, fazendo com que a forma escolar 
de educação se torne generalizada e dominante, 
ao contrário do que ocorria até a idade média� 
Assim, a educação escolar assume um teor formal e 
institucionalizado, regido por diretrizes e parâmetros 
e mediados pela sociedade e pelo Estado� Sendo 
que a escola se torna referência e praticamente 
sinônimo da educação formal, mas a educação 
não formal e informal não deixa de existir e ter seu 
espaço na formação humana�
Dado este panorama, cabe destacar que, embora a 
escola esteja vinculada principalmente à educação 
formal, ao abordar a perspectiva de gestão parti-
cipativa e democrática, se verifica que no espaço 
escolar podem ocorrer iniciativas educacionais 
não formais que envolvam a comunidade, como 
por exemplo: programas de capacitação e em-
10
pregabilidade para familiares dos alunos, eventos 
comunitários e grupos de convivência.
A GESTÃO DA ESCOLARIZAÇÃO
A gestão escolar é o ponto de convergência entre 
as diferentes áreas de atuação da escola� Mas, o 
que isso quer dizer? Conforme Lück (2009) existem 
várias dimensões da gestão escolar: planejamento 
e organização do trabalho escolar; monitoramento 
de processos e avaliação de resultados educacio-
nais; gestão de resultados educacionais; gestão 
democrática e participativa; gestão de pessoas; 
gestão pedagógica; gestão administrativa; gestão 
do clima e cultura escolar e gestão do cotidiano 
escolar�
Logo, essas várias dimensões se centralizam na 
atividade macro de gerir a escola, o que poderíamos 
chamar de gestão da escolarização, partindo de 
uma perspectiva ampliada da escola não somente 
enquanto espaço ou ambiente, mas como estrutu-
ra social legalmente constituída para disseminar 
saberes, promover a socialização e a cidadania.
Além disso, a escolarização constitui-se como um 
direito em níveis nacionais e internacionais, pois a 
Constituição Federal de 1988 assegura que a edu-
cação é direito de todos e dever do estado, além 
de a Declaração Universal dos Direitos Humanos 
11
também indicar que todo ser humano tem direito 
à instrução�
Por isso, tratar da gestão escolar é abordar essas 
diferentes dimensões numa dinâmica de centrali-
zação e descentralização. Sabe por quê? Porque 
embora todas as dimensões estejam centradas 
no papel do gestor escolar, elas somente podem 
ser desenvolvidas e alcançar resultados, sendo 
um dos principais a aprendizagem dos alunos, se 
ocorrer de maneira descentralizada, o que implica 
na participação de todos os agentes internos e 
externos da escola.
Partindo da esfera macro da gestão, que é a socie-
dade, em que se encontram os elementos que regem 
a educação – legislação, políticas educacionais, 
instâncias de responsabilidade federal, estadual e 
municipal, família, economia e cultura – chegamos 
à esfera micro: a escola.
12
EDUCAÇÃO 
ESCOLARIZADA
A educação escolarizada pode ser definida de 
maneira superficial como processos educativos 
desenvolvidos no ambiente escolar e que seguem 
diretrizes estabelecidas pela legislação. Entretan-
to, a educação escolar possui fundamentos que 
precisam de um resgate histórico para serem 
compreendidos�
Ao considerarmos as premissas do conceito de 
educação, percebe-se que no cenário da pré-história 
o ato de repassar o conhecimento historicamente 
acumulado de uma geração para outra estava 
vinculado aos saberes básicos relacionados à 
sobrevivência.
Alguns marcos históricos demonstram de que 
maneira a educação passou a ser institucionali-
zada, gerando a escola� Nesse sentido, Barreto e 
Almeida afirmam que:
O volume crescente de novas descobertas e expe-
riências humanas, assim como das novas informa-
ções, naturalmente tornou imperativo a criação de 
um tipo de registro bem mais formal e permanente, 
visto que a transmissão oral desses conhecimentos 
já́ não era uma forma tão eficiente para perpetuar 
13
para as próximas gerações tantos saberes novos 
(Barreto e Almeida 2014, p� 11)� 
Logo, também foi necessário um espaço formal 
que propagasse a disseminação do conhecimento 
e, assim, as escolas constituíram-se organizações 
com papel fundamental na sociedade�
Assim, neste tópico você aprofundará seus conhe-
cimentos sobre os modelos de sociedade e suas 
implicações na constituição e relevância da escola 
em diferentes períodos. Além disso, analisará a 
relação entre a escola e as teorias da educação�
A ESCOLA E OS MODELOS DE 
SOCIEDADE
Na idade pré-histórica a educação era caracteriza-
da pela transmissão de saberes necessários para 
garantir a sobrevivência (caça, rituais, proteção, 
crenças etc.), por isso as instituições educativas 
eram representadas pela família e pela socieda-
de, não havendo o papel de uma figura específica 
responsável por ensinar, assim também a escola 
também não existia nesse contexto, mesmo porque 
não ocorria intencionalidade nos conhecimentos 
transmitidos�
Ao longo do tempo, com novas descobertas e 
acúmulo de conhecimentos, a transmissão oral 
14
já não atendia o objetivo de perpetuar os saberes 
para as próximas gerações. Em decorrência disso, 
conforme afirmam Barreto e Almeida (2014), surge 
a escrita, inaugurando uma nova era da humanida-
de, conhecida como Idade Antiga ou Antiguidade, 
que vai desde a invenção da escrita (entre 4.000 
a.C. e 3.500 a.C.) até a queda do Império Romano 
do Ocidente (476 d�C�)�
Logo, é na Antiguidade que se estabelece a figura 
de uma pessoa responsável por ensinar e, conse-
quentemente, a necessidade de instituir um espaço 
formal para que essa tarefa seja cumprida. Nesse 
sentido, as evidências indicam que as primeiras 
salas destinadas para esse fim ficavam nas pró-
prias casas e palácios, sendo que esses espaços 
foram os precursores do que conhecemos hoje 
como escola�
Diante desse cenário, será que a educação estava 
acessível para todos? Certamente não, pois além 
de ter um alto custo, o próprio modelo educacional 
era restrito e bem tradicional, pautado somente 
na transmissão de saberes relacionados aos inte-
resses dos ministrantes e estavam muito ligados 
à religião� No entanto, assim a transmissão oral 
continuava existindo para educar a população 
menos favorecida e iletrada. Assim como hoje, 
de certa forma a educação era vista comouma 
forma de domínio e poder.
15
Como agravante, a desigualdade oriunda da es-
tratificação social chegou à educação de forma 
mais contundente e generalizada, iniciando-se 
então o dualismo escolar, que destinava um tipo de 
ensino para o povo e outro para os nobres. Nesse 
momento, a apropriação da escrita tornou-se uma 
diferencial bem maior entre as classes, separando 
ainda mais o povo da alta nobreza. (BARRETO; 
ALMEIDA, 2014, p. 12)
Os modelos sociais que mais se destacaram por 
estabelecerem uma estrutura educacional nessa 
época foram das sociedades grega e romana� A 
educação grega focava na formação indivíduo, 
que compreendia o desenvolvimento do corpo e 
do espírito. Inclusive a Grécia foi considerada o 
berço da pedagogia, termo que deriva da palavra 
grega paidagogos, representados pelos escravos 
que conduziam as crianças à escola�
No contexto da sociedade romana, a educação 
inicialmente era caracterizada pelo ensino por meio 
da oralidade, mas com o tempo foi grandemente 
influenciada pelo formato de ensino grego. Entre-
tanto, mesmo com alguma sistematização, não 
se pode considerar que na antiguidade existia o 
conceito de educação escolar, pois a configuração 
era muito mais pautada na apropriação de saberes.
16
Na Idade Média a educação continuou como um 
privilégio das classes mais favorecidas economi-
camente, o grande diferencial foi a interferência da 
igreja na área educacional, disseminando a visão 
de que os saberes estavam relacionados aos de-
sígnios de Deus. Assim, as escolas funcionavam 
anexas às catedrais, monastérios e mosteiros, 
sendo altamente hierárquicas e rígidas, tendo os 
conteúdos relacionados com saberes de cunho 
religioso�
Em meados do século 15, com o Renascimento, 
que marcou o início da Idade Moderna, ocorreu um 
movimento de ruptura com esse modelo educacional 
e escolar, segundo Barreto e Almeida, “grande parte 
da população mais favorecida economicamente, 
mas que não fazia parte diretamente dos gover-
nos, passou a se mobilizar exigindo mudanças 
educacionais” (BARRETO E ALMEIDA, 2014, p. 14). 
Tais fatores geraram a redução da influência da 
igreja na educação e a defesa da formação pautada 
no humanismo e voltada para formação moral dos 
indivíduos. Entretanto, o processo de transição do 
modelo religioso de educação e escola durou até 
o século 18. Barreto e Almeida indicam que:
[���] foi somente a partir do século 18 que a Escola 
começou a adquirir o formato atual, com um espaço 
de aprendizagem comportando diferentes alunos de 
17
variadas origens, professores, disciplinas e conteúdos 
diversificados e um objetivo educacional claramente 
definido e adotado dentro do seu ambiente escolar. 
Ou seja, podemos considerar que o atual conceito 
de Educação Escolar começou a ser delineado a 
partir daí (Barreto e Almeida, 2014, p. 15).
A Idade Contemporânea, marcada por descobri-
mentos e marcos importantes como a revolução 
industrial e os avanços tecnológicos, culminou no 
estabelecimento da educação escolar de forma 
sistematizada e estruturada�
Todo esse cenário demonstra a importância da 
institucionalização da educação como premissa 
para a democratização do conhecimento acumu-
lado historicamente pela humanidade� Além disso, 
esse percurso histórico, além de apresentar a des-
crição de como a escola se constituiu enquanto 
organização social, sinaliza as possibilidades de 
avanço implícitas na escolarização. Inclusive, o 
formato atual de escola pode ser o conteúdo de 
discussões das próximas gerações.
EDUCAÇÃO ESCOLARIZADA E 
TEORIAS DA EDUCAÇÃO
A educação escolar, além de sofrer a interferência 
direta dos modelos sociais, é definida por diferen-
tes teorias educacionais concebidas de acordo 
18
com a visão de mundo e de homem em diferentes 
momentos históricos�
Para compreender melhor é importante relembrar 
que existem diferentes teorias da aprendizagem: 
Behaviorismo, Cognitiva, Construtivismo e So-
ciointeracionismo, que pautam a educação es-
colar. Além dessas teorias, Libâneo (2007) indica 
algumas teorias que tem implicação na escola, 
classificando-as em teorias não críticas (pedagogia 
tradicional, pedagogia nova e pedagogia tecnicista) 
e teorias crítico-reprodutivistas (sistema de ensino 
como violência simbólica, escola como aparelho 
ideológico do estado e escola dualista)�
Além de raízes históricas de constituição da escola, 
as diferentes teorias que permearam a educação 
escolar em diferentes períodos também são fa-
tores relevantes para compreender este espaço 
tão peculiar que é a escola com todas as suas 
responsabilidades e práticas.
Por isso, cabe uma reflexão: você imaginou que 
para realizar a gestão escolar seria necessário es-
tudar sobre a escola nesse nível de profundidade? 
Essa pergunta revela um princípio fundamental 
da gestão: não é possível gerir sem conhecer. 
Então, siga em frente e continue aproveitando os 
conteúdos.
19
SOCIEDADE DO 
CONHECIMENTO
A escola enquanto instituição social deve acom-
panhar as transformações científicas e tecnológi-
cas, fato que repercute diretamente na estrutura 
e funcionamento dos processos pedagógicos e 
de gestão� 
Nesse sentido, é fundamental conhecer as carac-
terísticas da sociedade do conhecimento para pro-
mover a superação do modelo tradicional de ensino, 
proporcionando que a escola consiga acompanhar 
os avanços tecnológicos, econômicos e sociais 
decorrentes das revoluções técnico-científicas que 
marcam a sociedade do conhecimento, também 
conhecida como sociedade da informação�
Por isso, é interessante abordar o conceito de 
modernidade líquida difundido por Bauman, que 
caracteriza a modernidade do século 15 como sólida 
devido aos padrões rígidos da época e denomina 
o contexto contemporâneo como modernidade 
líquida, em que, segundo Almeida, Gomes e Bracht: 
“tudo é temporário e incapaz de manter a forma. 
[...] Vivemos em um tempo mutante no qual as 
referências – institucionais ou não – que oferecem 
modelos de conduta estão em fluxo permanente e 
completamente desreguladas” (Almeida, Gomes 
e Bracht, 2013, p. 5).
20
Logo, a escola enquanto organismo social não 
pode ficar alheia a esse processo. Por isso, ao 
longo deste tópico você conhecerá o papel da 
escola na sociedade do conhecimento, refletindo 
sobre as diferentes implicações desse contexto 
em instituições de ensino públicas e privadas.
O PAPEL DA ESCOLA NA 
SOCIEDADE DO CONHECIMENTO
As transformações sociais impactam ou deveriam 
impactar diretamente na estrutura e funcionamento 
do sistema de ensino e das escolas, porque entre 
os papéis da educação e da escola está o de pre-
parar os sujeitos para a cidadania e para o trabalho.
Diante disso, Libâneo (2012, p. 32) afirma:
Como instituição socioeducativa, a escola vem 
sendo questionada sobre o seu papel ante as trans-
formações econômicas, políticas, sociais e culturais 
do mundo contemporâneo. Tais transformações 
decorrem, sobretudo, dos avanços tecnológicos, 
da reestruturação do sistema de produção e desen-
volvimento, da compreensão do papel do Estado, 
das modificações nele operadas e das mudanças 
do sistema financeiro, na organização do trabalho 
e nos hábitos de consumo.
Além das mudanças em si, a velocidade com que 
essas transformações acontecem pesam ainda 
21
mais sobre a escola, que precisa dar conta de 
gerações que tem muito acesso a informação e 
podem aprender em diversos espaços e de diversas 
formas, na empresa, na rua, nas associações, por 
meio de vídeos, da televisão e das redes sociais, 
por exemplo.
O que fazer diante disso? Será que a escola não 
faz mais sentido? A escola é um ambiente insubsti-
tuível, pela função social que exerce e por ser uma 
instituição legítima e credenciada para a formação 
dos indivíduos. O que ocorre é a necessidade de 
atentar para as demandas que se colocam por 
essa sociedade do conhecimento, conforme pode 
ser visto no esquema a seguir:
Figura 1: Demandas da sociedade do conhecimento
Sociedade do
Conhecimento
Exige no tipo de trabalhador,mais 
flexível e polivalente e uma 
educação formadora de novas 
habilidades cognitivas e 
competências sociais e pessoais.
Induz alteração na atitude do 
professor e no trabalho docente, 
uma vez que os meios de 
comunicação e os demais recursos 
tecnológicos são muito 
motivadores.
Modifica os objetivos e prioridades 
da escola, muito mais voltados 
para os interesse do mercado.
Força a escola a mudar suas 
práticas por causa do avanço 
tecnológico dos meios de 
comunicação e da introdução
da informática.
Fonte: Libâneo (2012, p. 32-33). Adaptado.
22
Tratamos principalmente das revoluções técnico-
-científicas e suas consequências na sociedade. 
Tais revoluções são representadas por: Revolução 
tecnológica – energia termonuclear; Revolução da 
microbiologia – uso da genética para produção 
de resultados, a exemplo do cultivo de alimentos 
transgênicos; Revolução da microeletrônica – re-
presentada pelo uso de tecnologias eletrônicas 
nas mais diversas atividades do cotidiano, desde 
o trabalho até o lazer; Revolução informacional – 
representada pelos avanços na telecomunicação, 
nas mídias e nas tecnologias da informação.
Todas essas revoluções estão inseridas e são 
consequência de um movimento macro que ca-
racteriza a sociedade do conhecimento que é a 
globalização.
Convergindo para pensar sobre o papel da educação 
escolar nesse contexto, Edgar Morin trata do assunto na 
obra Os sete saberes necessários à educação do futuro�
Vale a pena a leitura:
MORIN, E� Os setes saberes necessários à educação 
do futuro. Trad. Catarina Leonora F. da Silva e Jeanne 
Sawaya. 2. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO, 
2000. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/
arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf�
SAIBA MAIS
23
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/EdgarMorin.pdf
É importante destacar e reforçar que discutir o 
papel da educação escolar em nenhum momento 
deve colocar em risco sua relevância social, mas 
possibilitar caminhos para a formação de sujeitos 
que estejam preparados para enfrentar os desafios 
e oportunidades dispostos na sociedade atual�
REFLEXÃO ENTRE O ENSINO 
PÚBLICO E PRIVADO
Mediante o panorama da sociedade do conheci-
mento, ao abordar as expectativas com relação à 
escola, é inevitável refletir sobre a educação escolar 
na rede de ensino público e privada, uma vez que, 
embora as diretrizes sejam as mesmas, as fontes 
de recursos com relação a infraestrutura e condi-
ções de se adequar ao contexto da globalização 
são bem diversas. Sobretudo, quando pensamos 
no que afirma Paro:
[...] a concepção de educação que parece prevalecer 
na orientação das políticas públicas e que acaba 
por estruturar a forma de ser da própria escola 
básica é aquela adotada pelo senso comum que 
a vê como mera transmissão de conhecimentos e 
informações (PARO, 2012, p. 58).
Tal concepção está totalmente em desacordo com 
as demandas da sociedade da informação, pois 
se espera que a educação escolar ofereça mais 
24
do que conhecimentos e informações, mas desen-
volva o pensamento crítico, a tolerância frente à 
diversidade e outras competências que extrapo-
lam aquilo que pode ser facilmente acessado em 
outros ambientes.
Por que é necessário você refletir sobre isso? Porque 
enquanto profissional da área de educação você irá 
se deparar com diferentes realidades, uma delas 
pode ser a de escolas particulares ou até mesmo 
públicas muitos equipadas, com formação de 
professores no sentido de atualizá-los frente às 
novas tecnologias, mas outra pode ser de escolas 
sem condições materiais para acompanhar o ritmo 
das inovações e tampouco de capacitar a equipe 
docente para preparar seus alunos para essa so-
ciedade, inclusive porque nem mesmo os alunos 
possuem acesso às tecnologias (celular, internet, 
computador etc�)�
25
MUDANÇAS DO CENÁRIO 
EDUCACIONAL: EDUCAÇÃO 
BÁSICA
O cenário educacional apresenta mudanças 
constantes que são fruto dos aspectos políticos, 
econômicos e sociais estabelecidos em diferentes 
momentos históricos, decorrentes em grande parte 
de alterações governamentais ou da dinâmica dos 
setores produtivos.
Assim, ao longo deste tópico você reconhecerá 
os principais aspectos que compõem o sistema 
educacional brasileiro, com foco na Educação 
Básica� Para tanto, serão apresentados os princi-
pais documentos norteadores da educação e sua 
relação com a gestão escolar�
SISTEMA EDUCACIONAL 
BRASILEIRO
O sistema educacional brasileiro obedece à legis-
lação magna do país, que é a Constituição Federal 
de 1988 e documentos normativos decorrentes 
da Carta Magna, sendo o principal deles a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n. 
9394/96 (LDBEN), que dispõe sobre a estrutura e 
funcionamento dos diversos níveis e modalidades 
de ensino�
26
Nesse sentido, a Educação Básica que compreende 
a educação obrigatória dos 4 aos 17 anos, composta 
pela educação infantil, ensino fundamental e ensino 
médio é o foco principal do processo de ensino, 
porque compreende as etapas de escolarização 
obrigatória, gratuita e com certa universalização 
de acesso�
Conhecer o cenário educacional, partindo das prer-
rogativas legais é um dos fatores cruciais para a 
gestão escolar, pois a organização e funcionamento 
da escola é definido em grande parte pelas diretrizes 
nacionais e por outros documentos norteadores 
como o Plano Nacional de Educação (PNE), que 
estabelece metas para serem alcançadas pelo 
sistema educacional no período de 10 anos.
Figura 2: Esquema da legislação educacional brasileira
Constituição Federal 1988
Lei de Diretrizes e Bases
da Educação Nacional
Plano Nacional
da Educação
Base Nacional Comum
Curricular
Decretos, normas
e resoluções federais, 
estaduais e municipais
Fonte: Elaborado pela autora.
Em decorrência das transformações sociais, das 
avaliações em larga escala e em grande parte 
por alterações de governo, o cenário educacional 
27
anda sofrendo mudanças, sendo algumas delas: 
o estabelecimento do ensino fundamental de 9 
anos; a reforma curricular e implementação da 
Base Nacional Comum Curricular e a proposta do 
Novo Ensino Médio; a implantação das escolas 
cívico-militares.
É possível perceber que as mudanças do cenário 
educacional geralmente irão ocorrer pelo movi-
mento das demandas levantadas pela sociedade, 
repercutindo nos documentos norteadores� Outra 
fonte de mudança são os aspectos culturais que 
moldam o cenário educacional no cotidiano da es-
cola, a exemplo da mudança no perfil das famílias, 
da denúncia de práticas de bullying, entre outros� 
IMPACTOS DAS MUDANÇAS 
EDUCACIONAIS NA GESTÃO 
ESCOLAR
As mudanças no cenário educacional, embora 
não estejam restritas à legislação, de maneira 
geral partirão dos documentos legais que estabe-
lecem as bases do ensino. Ou seja, o que ensinar 
– currículo; como ensinar – metodologia; porque 
ensinar – visão de homem e de mundo; para que 
ensinar – objetivos da educação escolarizada 
geralmente relacionados à cidadania e ao mundo 
do trabalho; e, por fim, quais os resultados – ação 
voltada para avaliação.
28
Assim, tanto as normativas macro, representadas 
por diretrizes nacionais, quanto as micro, represen-
tadas por documentos municipais e pelo projeto 
político-pedagógico da escola, impactarão na 
gestão escolar sempre que sofrerem alterações.
Um exemplo desse impacto pode ser evidenciado 
pela mudança no ensino fundamental para 9 anos. 
As escolas tiveram que se preparar em diversos 
aspectos para receber alunos mais jovens, para 
isso, reformularam o projeto político-pedagógico, 
reestruturaram o planejamento e, muitas vezes, 
até mesmo o espaço físico.
Para mais detalhes sobre essa alteração na duração 
do ensino fundamental, vale a pena verificar a lei nº 
11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Disponível em: http://
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/
lei/l11274.htm�
SAIBA MAIS
29
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11274.htm
CONCEITO SOBRE GESTÃO 
ESCOLAR PARTICIPATIVA E 
DEMOCRÁTICA
Uma das dimensões fundamentais da gestão são 
as pessoas, é imprescindível que a gestão escolar 
seja participativa e democrática, principalmente ao 
considerar que a escola deve ser por excelência 
um espaço democrático por ter uma função social 
de formação humana por meio da disseminação 
de conhecimento científico.
A gestão participativa e democrática é caracteri-
zada por privilegiar o envolvimento dos diferentes 
sujeitos internos e externos da escola nas ativida-
des escolares. Por isso, neste tópico, você poderá 
refletir sobre a gestão escolar enquanto prática 
educativa que articula e envolve todas as esferas 
da escola e todos os agentes que integram essa 
instituição de ensino�
A GESTÃO ENQUANTO PRÁTICA 
EDUCATIVA
Por estar pautada em uma concepção de visão 
de mundo e sociedade, a gestão também é uma 
prática educativa, pois se a organização da escola 
é pautada em dispositivos tradicionais, que não 
permitem a autonomia dos estudantes e a partici-
30
pação de toda comunidade escolar, condicionará 
todas as pessoas que compõem essa organização 
a se portarem dessa forma�
Para deixar mais claro, Libâneo afirma que:
[���] as práticas de organização da escola são práticas 
educativas, ou seja, não educamos e ensinamos 
nossos alunos apenas na sala de aula, também as 
formas de organização e gestão educam, o contex-
to institucional educa, o ambiente educa. É muito 
comum entre os profissionais da educação escolar 
o entendimento de que assuntos de organização, 
administração, gestão, são de responsabilidade 
apenas da direção e da coordenação pedagógica� 
[...] o entendimento de que o contexto institucional e 
sociocultural educa, que o ambiente social existente 
na escola educa, significa dizer que os modos de 
funcionamento da escola são práticas educativas, 
eles educam e ensinam, propiciam aprendizagens, 
produzem mudanças no modo de pensar e agir das 
pessoas (LIBÂNEO, 2015, p. 2).
Com base nessas considerações é possível perce-
ber que a gestão precisa ser participativa para ser 
democrática, pois na medida em que compartilho 
responsabilidades por meio da participação, dou 
abertura para que as pessoas expressem suas 
opiniões e auxiliem na tomada de decisões por 
meio de um processo democrático�
31
Essas ações são expressas na sala de aula quando 
os alunos têm voz ativa, na atitude de um colabora-
dor da área administrativa que propõe um projeto 
para racionalizar os materiais de escritório da 
secretaria, da bibliotecária que faz uma ação para 
engajar os alunos na prática da leitura, envolvendo 
também a família.
Assim, tomar a gestão escolar como prática educa-
tiva é ir além do uso de ferramentas e estratégias 
de gestão, que também são válidas, mas que não 
são efetivas se utilizadas de maneira isolada, sem 
a articulação com as outras áreas da gestão e 
sem o fator chave, que é a aplicação daquilo que 
foi definido de maneira coletiva, participativa e 
democrática�
RESPONSÁVEIS PELA GESTÃO 
ESCOLAR
No modelo de gestão escolar democrática e parti-
cipativa é imprescindível considerar que todas as 
pessoas que atuam nas diferentes esferas dentro 
e fora da escola fazem parte da gestão� Isso signi-
fica que as equipes diretiva, pedagógica, docente, 
discente, funções administrativas e operacionais, 
pais e comunidade são responsáveis pela gestão 
escolar� 
As implicações desse formato de gestão requerem 
a participação de todos esses agentes nos proces-
32
sos de decisão da escola, o que inclui aspectos 
como cuidados com a estrutura física, segurança, 
organização e planejamento e avaliação. Por isso, 
a participação é uma premissa para que efetiva-
mente a gestão escolar seja democrática.
Uma das ações mais recorrentes que exemplificam 
uma gestão escolar participativa são as reuniões de 
pais, que aproximam a família da escola. Entretanto, 
muitas vezes existem dúvidas sobre a relevância 
e até mesmo a organização das reuniões.
Por isso, é importante que as reuniões de pais sejam 
estabelecidas enquanto espaços colaborativos e 
não apenas como momentos protocolares para 
comunicar problemas ou agendadas para tratar 
de situações de indisciplina ou baixo desempenho 
dos estudantes�
Assim, as reuniões devem tratar desses aspectos, 
mas não devem estar limitadas a tais pontos. Uma 
vez que, ao reunir pais, professores, coordenadores, 
orientadores e diretores, pode-se explorar temas 
que aproximem e fortaleçam a parceria entre a 
família e a escola, como o impacto positivo da 
participação da família no desenvolvimento da 
aprendizagem dos alunos, por exemplo.
Outros pontos que podem ser abordados dizem 
respeito à comunidade em que a escola está in-
serida, mapeando situações em que a escola e as 
33
famílias podem contribuir por meio da formação 
de redes de apoio e voluntariado, atuando em 
projetos que ajudem crianças em situações de 
vulnerabilidade, por exemplo.
As reuniões de pais também podem ser direciona-
das às demandas diagnosticadas com base nas 
necessidades identificadas no cotidiano dos alunos. 
Um exemplo pode ser a orientação com relação 
aos aspectos comportamentais da adolescência, 
que geralmente são um desafio para os pais. 
Para promover esse aspecto formativo das reuni-
ões de pais, além de identificar as demandas dos 
alunos, pode-se fazer enquetes, questionários 
ou até levantamentos informais a respeito de 
temáticas que as famílias gostariam que fossem 
abordadas ou até mesmo ações de interesse dos 
pais que poderiam ser desenvolvidas nas reuniões, 
como aspectos relacionados à empregabilidade 
(palestras, orientações profissionais).
Assim, as reuniões cumprem além do papel in-
formativo, o papel formativo, fato que repercute 
diretamente no processo de gestão democrática 
da escola, pois na medida em que a família se 
aproxima da escola, ela estará apta e se sentirá 
parte da instituição� Consequentemente, poderá 
contribuir com as decisões que envolvem a gestão 
escolar, conforme afirma Libâneo:
34
A organização da escola requer atender a duas 
necessidades: a participação na gestão, enquanto 
requisito democrático, e a gestão da participação, 
como requisito técnico� Por um lado, as escolas 
precisam cultivar os processos democráticos e 
colaborativos de trabalho, em função da convivên-
cia e da tomada de decisões. Por outro, precisam 
funcionar bem tecnicamente, a fim de poder atingir 
eficazmente seus objetivos, o que implica a gestão 
da participação. A gestão participativa significa 
alcançar de forma colaborativa e democrática os 
objetivos da escola. A participação é o principal 
meio de tomar decisões, de mobilizar as pessoas 
para decidir sobre os objetivos, os conteúdos, as 
formas de organização do trabalho e o clima de tra-
balho desejado para si próprias e para os outros. A 
participação se viabiliza por interação comunicativa, 
diálogo, discussão pública, busca de consensos e 
de superações de conflitos. Nesse sentido, a melhor 
forma de gestão é aquela que criar um sistema de 
práticas interativas e colaborativas para troca de 
ideias e experiências para chegar a ideias e ações 
comuns. (LIBÂNEO, 2015, p. 18).
Agora, você pode estar se perguntando em termos 
práticos como organizar reuniões de pais com 
caráter democrático, colaborativo e participativo. 
Vamos nos atentar ao que Flávia Vivaldi, para o 
portal Nova Escola indica a este respeito:
35
Para organizar as reuniões, é necessário ter uma 
pauta bem definida, montada de acordo com os 
objetivos do encontro. Os temas eleitos devem 
dizer respeito a todos os alunos da classe e não a 
problemas específicos, que precisam ser tratados 
em encontros individuais. Algumas possibilidades 
de assuntos para abordar nos encontros coletivos:
1) Informar aspectos pedagógicos, como os conte-
údos de cada série, os trabalhos desenvolvidos, o 
planejamento dos meses seguintes, características 
do segmento, a quantidadee tipo de lição de casa 
e a proposta didática das diferentes áreas�
2) Discutir a adaptação dos alunos aos novos 
desafios da série, o uso de aparelhos eletrônicos 
na instituição, características da infância e da 
adolescência, assuntos relativos à sexualidade e 
drogas, entre outros�
3) Esclarecer aos pais características da faixa etária 
do ponto de vista cognitivo, social e emocional.
4) Reforçar questões institucionais, como normas 
e regras para o bom convívio da comunidade, bem 
como eventos que serão ou foram realizados.
5) Apresentar às famílias a equipe que interage 
com os alunos. (VIVALDI, 2013).
Ainda nesse sentido, pode ser estabelecida uma 
agenda de reuniões em comum acordo com os 
pais, com opções de dias e horários que favore-
36
çam a participação de todos� Para cada reunião 
podem ser estabelecidos os objetivos fixos com 
os aspectos pedagógicos e de acompanhamento 
dos estudantes e os objetivos complementares que 
podem ser definidos de acordo com o levantamento 
dos pontos de interesse dos pais ou de assuntos 
que a escola identifica como relevantes de serem 
tratados ou esclarecidos com os familiares�
O desenvolvimento dessas ações indica uma das 
formas de desenvolver a gestão escolar democrá-
tica. Entretanto, existem ações que são totalmente 
opostas ao modelo participativo de gestão. Um fato 
recorrente que exemplifica o que não é uma gestão 
democrática é a elaboração do projeto político-
-pedagógico sem a participação dos professores, 
alunos, pais e comunidade escolar, ou seja, sem 
considerar as especificidades da localidade em que 
escola está inserida. Por isso, Lück destaca que:
[���] Não se pode esperar mais que os dirigentes 
enfrentem suas responsabilidades baseados em 
“ensaio e erro” sobre como planejar e promover a 
implementação do projeto político pedagógico da 
escola, monitorar processos e avaliar resultados, 
desenvolver trabalho em equipe, promover a inte-
gração escola-comunidade, criar novas alternativas 
de gestão, realizar negociações, mobilizar e manter 
mobilizados atores na realização das ações edu-
cacionais, manter um processo de comunicação 
37
e diálogo aberto, planejar e coordenar reuniões 
eficazes, atuar de modo a articular interesses dife-
rentes, estabelecer unidade na diversidade, resolver 
conflitos e atuar convenientemente em situações 
de tensão (2009, p. 25).
Na gestão participativa a comunidade é convidada 
a fazer parte do cotidiano da escola, por isso, é 
comum a realização de mutirões para pintar os 
muros da escola, por exemplo. Além disso, são 
realizadas reuniões para decidir sobre o inves-
timento dos recursos recebidos, eleições para 
escolha da direção, existências de grêmios dos 
alunos e associação de pais e professores, não 
apenas para cumprir o regimento para realmente 
tratar dos interesses dos alunos e da comunidade 
escolar como um todo�
A gestão escolar deve ser uma responsabilidade apenas 
dos cargos administrativos da escola?
Leia o artigo de Vitor Paro e reflita sobre a possibilidade 
de realizar a gestão educacional de forma participativa 
e democrática�
http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/
view/1235/1239
REFLITA
38
http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/view/1235/1239
http://publicacoes.fcc.org.br/index.php/cp/article/view/1235/1239
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste e-book, percorremos uma jornada de conhe-
cimento acerca dos aspectos fundamentais da 
gestão escolar, que partem da própria concepção 
da gestão e da escolarização. Além disso, você 
aprendeu sobre as dimensões da gestão escolar 
e conheceu as raízes históricas que precederam a 
educação escolar no formato como conhecemos 
atualmente�
Ainda sobre a escolarização pudemos verificar as 
relações entre os diferentes modelos de sociedade 
e suas repercussões na escola. Nesse sentido, ao 
considerar a escola como uma instituição socioe-
ducativa, também discorremos sobre a sociedade 
do conhecimento e suas implicações para a for-
mação humana�
Tratamos sobre as mudanças no cenário educa-
cional brasileiro com foco na Educação Básica, 
refletindo sobre os impactos que dessas mudanças 
na gestão escolar. Por fim, abordamos a gestão 
escolar participativa e democrática discutindo 
sobre os limites e possibilidades de promovê-la 
de maneira efetiva na escola.
39
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	Conceito de gestão 
	Conceito de escolarização 
	A gestão da escolarização
	Educação escolarizada
	A escola e os modelos de sociedade
	Educação escolarizada e teorias da educação
	Sociedade do conhecimento
	O papel da escola na sociedade do conhecimento
	Reflexão entre o ensino público e privado
	Mudanças do cenário educacional: Educação Básica
	Sistema educacional brasileiro
	Impactos das mudanças educacionais na gestão escolar
	Conceito sobre gestão escolar participativa e democrática
	A gestão enquanto prática educativa
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	Considerações finais
	Referências Bibliográficas & Consultadas

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