Prévia do material em texto
Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29144 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) e a Implementação no Sistema único de Saúde (SUS) – Uma Breve Revisão Integrativa and Complemantary Health Practices (PICS) and Implementation in the Unified Health System (SUS) DOI:10.34119/bjhrv4n6-444 Recebimento dos originais: 08/11/2021 Aceitação para publicação: 28/12/2021 Raquel de Lima Calvi Bacharel em Farmácia - Universidade Paulista (UNIP) Rua Colômbia, 122, Jardim do Trevo, Campinas-SP E-mail: raquelcalvi@uol.com.br Larissa Teodoro Rabi Mestre em Ciências - Faculdade de Ciências Médicas Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Docente na Universidade Paulista (UNIP) – Campinas-SP Av. Comendador Enzo Ferrari, 280 - Swift - Campinas – SP E-mail: larissateodororabi@gmail.com Wânia de Oliveira Vianna Doutora em Fármacos e Medicamentos - Universidade de São Paulo (USP) Docente na Universidade Paulista (UNIP) – Campinas-SP Av. Comendador Enzo Ferrari, 280 - Swift - Campinas-SP E-mail: wanniavianna@gmail.com RESUMO O objetivo desta revisão bibliográfica é apresentar um breve histórico da Implementação das PICS no Sistema Único de Saúde, as modalidades que fazem parte; com ênfase em Acupuntura, Homeopatia e Florais, a mobilização de entidades em prol das PICS, com a finalidade de contribuir e prestar informações acerca das áreas de atuação do profissional farmacêutico. Baseados em livros e artigos científicos, nas plataformas digitais Scielo, Revista USP, nos sites da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), OMS e nas bases de dados do Ministério da Saúde, num período entre 1978 a 2019. As PICS foram instituídas no SUS em 2006, dentre as primeiras práticas ofertadas, estão a Acupuntura e a Homeopatia, atualmente já agregam 29 práticas. O Ministério da Educação incluiu em 2017, nas Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação de Farmácia, a prescrição, aplicação e acompanhamento das práticas integrativas e complementares. Com as PICS, o Brasil desponta em cuidados com a Saúde, verificou-se, portanto, uma necessidade da reestruturação das matrizes curriculares das Instituições de Educação Superior (IES) para a inserção de disciplinas contendo as PICS, alinhando com as mudanças do século XXI, contribuindo para a formação com a qualidade, necessária ao exercício profissional. Palavras-chaves: Práticas Integrativas, PICS, Homeopatia, Acupuntura, Florais. ABSTRACT The objective of this bibliographic review is to present a brief history of the Implementation of PICS in the Unified Health System, as changes that are part; with emphasis on Acupuncture, mailto:raquelcalvi@uol.com.br mailto:wanniavianna@gmail.com Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29145 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 Homeopathy and Florals, a mobilization of entities in favor of PICS, with a contribution aid and provision of information on areas of activity of the pharmaceutical professional. Based on books and scientific articles, on the digital platforms Scielo, Revista USP, on the websites of the VHL (Virtual Health Library), WHO and the databases of the Ministry of Health, from 1978 to 2019. PICS were instituted in SUS in 2006, among the first practices offered, including acupuncture and homeopathy, 29 practices are currently offered. The Ministry of Education included in 2017, in the Curricular Guidelines of the Pharmacy Graduation Course, a prescription, application and monitoring of integrative and complementary practices. With PICS, Brazil chooses health care, there is, therefore, a need to restructure the curricular matrices of Higher Education Institutions (HEIs) to include specific disciplines such as PICS, in line with the changes of the century XXI, contributing to the quality training required for professional practice. Keywords: Integrative Practices, PICS, Homeopathy, Acupuncture, Flowers. 1 INTRODUÇÃO As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), definidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medicina tradicional e medicina complementar alternativa (MT/MCA), são recursos terapêuticos fundamentados em conhecimentos tradicionais e milenares, voltados à prevenção de doenças e promoção da saúde.1 É crescente em todo o mundo a busca por esses recursos terapêuticos, principalmente pelo aumento significativo de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).2 Estatísticas da OMS de 2016, relatam que cerca de 41 milhões de mortes ocorreram devido às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, doenças respiratórias crônicas e transtornos mentais, representando 71% do total de 57 milhões de mortes.3 A OMS vem estimulando os países membros a implementarem em seus sistemas públicos de atenção à saúde as práticas integrativas.4 O Brasil vem paulatinamente implementando essas práticas no Sistema Único de Saúde (SUS) através da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), hoje o Brasil conta com 29 práticas integrativas no SUS, modalidades essas que visam estimular especialmente o autocuidado. As PICS estão presentes em quase 54% dos municípios brasileiros, distribuídos pelos 27 estados e Distrito Federal.1 Dentre as diretrizes das práticas integrativas, estão às atividades físicas, redução do estresse, reeducação alimentar, uma nova consciência de vida, são tratamentos customizados para cada paciente. Práticas essas que não substituem o tratamento convencional, e sim um complemento, aplicadas por profissionais especializados e conforme as necessidades.5 Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29146 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 A complexidade inerente à vida humana traz novos desafios para os profissionais de saúde, considerar o ser humano do ponto de vista integral (mente, corpo, e estilo de vida) representa um aspecto importante da formação profissional.6 1.1 REVISÃO DA LITERATURA 1.1.1 Breve Histórico para Implementação das PICS no SUS. Através da Conferência Internacional sobre cuidados primários de Saúde, realizada em setembro de 1978, pela OMS em Alma-Ata, na República do Cazaquistão – “Declaração de Alma Ata”, foi apontado à necessidade urgente de todos os governos promoverem a saúde de todos os povos do mundo, documento este que foi um marco para o mundo. A OMS declara que “Saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”, um direito fundamental do ser humano e uma das metas sociais mundiais mais importantes.7 No Brasil a partir de 1980, teve início a implementação da Atenção à Saúde, com o Sistema Único de Saúde (SUS), uma das mais importantes conquistas sociais aprovadas pela Constituição Brasileira de 1988, a saúde passa a ser um direito do cidadão e um dever do Estado, pois o acesso aos serviços médicos até então era restrito aos trabalhadores com carteira assinada que contribuíam para o Ministério da Previdência Social. O SUS teve sua regulamentação através da Lei 8080 de 1990, “Lei Orgânica de Saúde”.8 A OMS lança em 2002 a Estratégia sobre Medicina Tradicional 2002-2005, com objetivo de esclarecer o que é medicina tradicional. Com o aumento da busca por MT/MCA e o entendimento que a medicina tradicional continua a desempenhar um papel importante nos cuidados de saúde, a OMS tem concentrado esforços junto ao os Estados Membros a fim de garantir tratamentos seguros, eficazes e acessíveis, com pesquisas clínicas sobre segurança e eficácia.9 O Ministério da Saúde em consonância com as diretrizes da OMS, que preconiza o uso da Medicina Tradicional/Medicinacomplementar/Alternativa MT/MCA e, com o objetivo de ampliar o acesso da população a esses serviços nos sistemas de saúde como fatores determinantes para garantir condições de bem-estar físico, mental e social, à saúde da sociedade, aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS, através da Portaria n.º 971 de 03 de maio de 2006, onde disponibiliza aos usuários do SUS, opções preventivas e terapêuticas.10 Em 2013 a OMS lança uma nova Estratégia da Medicina Tradicional 2014-2023, uma revisão da Estratégia 2002-2005 para estabelecer a direção para a próxima década da MT/MCA. https://www.politize.com.br/estado-o-que-e/ Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29147 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 A Estratégia tem como objetivo dois pontos principais: apoiar os Estados Membros a promover o uso seguro e eficaz da MT/MCA, através da regulamentação de produtos, práticas e profissionais.2 Em 2017 o Ministério da Saúde (MS), através da portaria nº 849 de 27 de maço de 2017, inclui mais 14 novas práticas no SUS, para melhoria da qualidade na Atenção Básica.11 Já em 2018 o MS, considerando a necessidade de inclusão de outras práticas, em atendimento às diretrizes da OMS e visando avançar na institucionalização das PICS no âmbito do SUS, inclui mais novas práticas, através da portaria n° 702, de 21 de março de 2018.12 1.1.2 Mobilização de membros do governo e entidades para consolidar as PICS. O Ministério da Educação (MEC) institui as Diretrizes através da Resolução N. º 6 de 19 de outubro de 2017, a prescrição, aplicação e acompanhamento das práticas integrativas e complementares, de acordo com as políticas públicas de saúde e a legislação vigente.13 Em 2019 o Conselho Federal de Farmácia (CFF) recebe delegação da China, com o objetivo de fortalecer a profissão farmacêutica e a Medicina Tradicional Chinesa, pois, no Brasil é crescente a atuação de farmacêuticos na área de Medicina Tradicional Chinesa.14 O Conselho Regional de Farmácia (CRF) lança a Cartilha 2019, com a finalidade de prestar informações acerca das áreas de atuação do profissional farmacêutico, visando ajudar tanto aqueles que já exercem o ofício, quanto os que desejam trabalhar nessas áreas, que tendem a se expandir frente às emergentes demandas por saúde e bem-estar, que já fazem parte das PICS.15 O Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde (LAPACIS), instalado na Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, no departamento de Saúde Coletiva, criado em 2006, juntamente com a portaria 971/2006 do Ministério da Saúde, é um Laboratório de pesquisas, ensino e extensão de conhecimentos científicos e tradicionais, promotores e geradores de saúde e bem-estar, contribuindo com as metas da Organização Mundial da Saúde desde 1978.16 Comissão da Câmara aprova o Projeto de Lei 2821/19 que cria Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. A proposta, do deputado Giovani Cherini, tramita na Câmara do Deputado em caráter conclusivo. A proposta altera a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), as ações e serviços dessas práticas devem integrar as políticas públicas e promover a saúde integral da população brasileira, promovendo o autocuidado e o aumento da resolubilidade dos serviços de saúde.17 http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/793-comissao-da-camara-aprova-pl-que-cria-politica-nacional-de-praticas-integrativas-e-complementares-em-saude http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/793-comissao-da-camara-aprova-pl-que-cria-politica-nacional-de-praticas-integrativas-e-complementares-em-saude https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1990/lei-8080-19-setembro-1990-365093-norma-pl.html Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29148 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 Representantes das áreas de Registro, Monitoramento e Fiscalização de Medicamentos, além de membros da Assessoria Internacional e da gerência de Alimentos da ANVISA estiveram na China para aprofundar os conhecimentos sobre a produção e a regulação realizadas naquele país, com a missão de elaborar norma para produtos da medicina tradicional chinesa (MTC) comercializados no Brasil.18 1.1.3 As 29 práticas que compõem as PICS. Apiterapia, Aromaterapia, Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Bioenergética, Constelação familiar, Cromoterapia, Dança circular, Geoterapia, Hipnoterapia, Homeopatia, Imposição de mãos, Medicina antroposófica / antroposofia aplicada à saúde, Medicina Tradicional Chinesa – acupuntura, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Ozonioterapia, Plantas medicinais – fitoterapia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa, Terapia de Florais, Termalismosocial / crenoterapia, Yoga.4 2 OS FUNDAMENTOS DA HOMEOPATIA, ACUPUNTURA E TERAPIA FLORAL. 2.1 HOMEOPATIA A Homeopatia teve seu início em 1796, pelo médico alemão Christian Frederich Samuel Hahnemann, uma prática terapêutica que trata o doente e não a doença e reconhece o ser humano como um todo não em partes. Uma terapêutica fundamentada em princípios dos Semelhantes, ou seja, o medicamento tem efeito semelhante ao do sintoma causado pela doença, preceitos relatados já por Hipócrates e aprofundados por Hahnemann. A Homeopatia teve sua introdução no Brasil em 1840, através do médico francês Dr. Benoit Jules Mure.19 Buscando elucidar a classe médica e a sociedade em geral, a Câmara Técnica de Homeopatia do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) elaborou um Dossiê com “Evidências Científicas em Homeopatia”. Esse Dossiê também aborda a importância da incorporação da homeopatia e da acupuntura na formação acadêmica, devido a crescente procura da população. Nesse dossiê apresenta a progressão da pesquisa em homeopatia nas últimas décadas. Fundamentado cientificamente, o princípio da similitude terapêutica no estudo sistemático do efeito rebote dos fármacos modernos, reúne estudos publicados em periódicos científicos consagrados que atestam a similaridade de conceitos e manifestações entre o fenômeno rebote e a reação vital ou ação secundária do organismo gerada pelo tratamento homeopático.20 Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29149 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 2.2 ACUPUNTURA Arte Milenar, a arte de inserir agulhas em locais específicos do corpo para atingir um efeito terapêutico, uma técnica utilizada no sistema de saúde da China há mais de 3 mil anos. Das agulhas de osso, pedra, bambu, prata e aço inoxidável às de ouro. A prática da acupuntura evoluiu muito nos últimos milênios. Em 1979 a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu oficialmente a acupuntura como método terapêutico para 43 enfermidades, em 2003 para mais de uma centena, contribuindo para a expansão integrativa onde medicina chinesa e moderna caminham juntas. No Brasil a acupuntura teve seu reconhecimento como especialidade médica em 1995 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), após a comprovação de trabalhos científicos.21 2.3 TERAPIA DE FLORAIS Terapias de florais surgiram no início do século 20, na Inglaterra, e sua criação é atribuída ao médico Edward Bach. Os produtos das terapias florais são normalmente comercializados com alegações associadas ao equilíbrio das emoções. As essências florais ou Florais de Bach são reconhecidas pela OMS como terapia complementar e tradicional, e amplamente aceita em mais de 70 países. A Terapia de Florais já faz parte das Práticas Integrativas e Complementares (PICS). Diante do exposto, a ANVISA através do Comitê de Enquadramento de Produtos Sujeito à Vigilância Sanitária (COMEP) propôs que os florais deBach e demais florais sejam classificados como “produtos tradicionais para saúde”, sem registro prévio, e, que passem a ser monitorados de forma similar à aplicada atualmente aos produtos da Medicina Tradicional Chinesa e posterior regulamentação específica.22 Terapia de Florais faz parte de um campo emergente de terapias vibracionais (energética), com propriedades não invasivas. As essências florais, feitas a partir de plantas silvestres, flores e árvores do campo, tratam as desordens da personalidade e não das condições físicas, com finalidades de harmonizar o corpo etérico (corpo vital ou força vital).23 3 TERAPIAS VIBRACIONAIS (ENERGÉTICA), DESENVOLVIDA A PARTIR DE PESQUISAS COM BIOELETROGRAFIA. Fitoenergética, fem. Técnica terapêutica de promoção da saúde que considera, como princípio básico, o potencial energético das plantas para alcançar a restauração do equilíbrio, o controle das emoções e dos pensamentos, bem como a elevação da consciência, atuando, assim, de modo positivo no campo vibracional de cada ser vivo e agindo nas causas geradoras de doenças. Notas: i) A fitoenergética foi desenvolvida a partir de pesquisas com bioeletrografia (fotografia do campo energético, também Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29150 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 conhecida como foto Kirlian), técnica que permite analisar o padrão energético do indivíduo. 1 A energia vibracional foi demonstrada pelo pesquisador Japonês, Dr. Masaru Emoto no início de 1970, quando assumiu uma missão extraordinária para entender o mistério da água, fez experimentos com água congelada, fotografando cristais em alta velocidade o que o levou à revelação surpreendente, que a água tem capacidade para absorver sentimentos e emoções humanas. Suas fotografias de cristais de água revelaram a receptividade da água ao que ele chama Hado - ou seja, sons, pensamentos, palavras e imagens. Ele descobriu que água exposta a amor e palavras positivas, por exemplo, “eu te amo”, “obrigado”, ou musica harmoniosa como de Mozart ou Beethoven, formam cristais de forma requintada, brilhantes, enquanto que pensamentos e palavras negativos ou músicas desarmoniosas, formam cristais fragmentados em desordem. Dr. Emoto concluiu que, como as pessoas são compostas de 70% de água, e a Terra em si, se expressarmos conscientemente amor e boa vontade, poderemos nos curar e também o planeta.24 As alterações fisiológicas no organismo ligadas a estimulação sensorial, promovidas pela acupuntura. Tabela 1 - Mecanismo de ação neuro-humoral da acupuntura Ações locais da acupuntura (resultantes da inserção da agulha no ponto da acupuntura) Ações sistêmicas da acupuntura (resultantes do caminho do estímulo até o cérebro) Microtraumatismo deflagra reação anti-inflamatória e processo de regeneração celular Medula espinhal: ácido gama-aminobutírico (Gaba), dinorfina e encefalina bloqueiam o impulso nervoso. Liberação de substâncias bioquímicas causam vasodilatação capilar e consequente aumento do fluxo sanguíneo. Tronco encefálico: neurônios da substância cinzenta liberam endorfinas que estimulam neurônios do trato descendente do dorso lateral a produzir serotonina e noradrenalina, inibindo o impulso doloroso em nível medular. Estímulo atinge terminações nervosas livres e causa sensação inicial de dormência, queimação, choque, peso ou dor – o que é chamado de Qi na MTC. Hipotálamo- hipófise: β-endorfinas penetram no líquido cefalorraquidiano/liquor e na circulação sanguínea sistêmica, produzindo analgesia; adrenocorticotrofina induz a glândula suprarrenal a liberar cortisol, hormônio com ação anti-inflamátória. Fonte: Vieira 21, 2017 A Medicina Vibracional ou Medicina Energética e ciência das vibrações em relação à fisiologia do corpo poderá nos fornecer uma compreensão mais profunda dos processos celulares que promovem a cura. Várias práticas populares da medicina antiga utilizaram mapas corporais Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29151 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 etéreos para entender o fluxo de energia dentro do corpo. Na crença chinesa, a força da vida é a energia Qi (respiração), também conhecida como Yang, que se mistura com o sangue, ou a energia Yin, e cria o equilíbrio vital. Com isso o desequilíbrio entre o Yin e o Yang se instala o processo da doença. A prática da acupuntura de inserir agulhas ao longo de pontos de energia ajuda a equilibrar a energia Qi. Após a aplicação de acupuntura, através de estudos, observou o aumento de níveis de endomorfina-1, β-endorfina, encefalina e serotonina no plasma e tecido cerebral resultando em analgesia, sedação e a recuperação das funções motoras.25 4 DISCUSSÃO As Práticas Integrativas e Complementares em Saúde foram implementadas no Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006, através da Portaria n.º 971/06 e, se encontra aprovado na Comissão da Câmara, o Projeto de Lei 2821/19 que altera a Lei Orgânica de Saúde, Lei 8080 de 1990, para incluir as Práticas Integrativas e Complementares no campo de atuação do SUS. 10,17 O Ministério da Educação em 2017, através Resolução N. º 6 de 19 de outubro de 2017, incluiu a prescrição, aplicação e acompanhamento das práticas integrativas e complementares, nas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia (DCNs) , após análise do parecer do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior, que apontou a necessidade da harmonização entre Educação e Saúde, devido as mudanças ocorridas no século XXI, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS), que requerem uma formação acadêmica, com habilidades, conhecimentos e experiências específicas, para a atuação do farmacêutico. 13 Vieira (2017) aponta que a acupuntura, teve seu reconhecimento no Brasil, como especialidade médica em 1995 pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), após a comprovação de trabalhos científicos.21 Teixeira (2017) elaborou um Dossiê com “Evidencias Científicas em Homeopatia”, lançado pela Câmara Técnica de Homeopatia do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). 20 Anvisa através do Comitê de Enquadramento de Produtos Sujeito à Vigilância Sanitária (COMEP) propôs que os florais de Bach e demais florais sejam classificados como “produtos tradicionais para saúde”, sem registro prévio, e, que passem a ser monitorados de forma similar à aplicada atualmente aos produtos da Medicina Tradicional Chinesa e posterior regulamentação específica, devido a comercializados no Brasil e de possuírem inúmeras regulamentações locais e regionais. 22 http://www.conselho.saude.gov.br/ultimas-noticias-cns/793-comissao-da-camara-aprova-pl-que-cria-politica-nacional-de-praticas-integrativas-e-complementares-em-saude Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29152 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 5 CONCLUSÃO Com a Implementação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), no Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil desponta em cuidados com a Saúde, contribuindo para a prevenção de doenças, promoção e manutenção da saúde. Há, portanto, uma necessidade da reestruturação das grades curriculares das Instituições de Educação Superior (IES) para a inserção de disciplinas contendo as PICS, alinhando com as mudanças do século XXI, contribuindo para a formação profissional com a qualidade necessária ao exercício profissional em consonância com as necessidades de saúde e bem-estar da sociedade brasileira. Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29153 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 REFERÊNCIAS1. Brasil. Ministério da Saúde. Glossário Temático: Práticas Integrativas e Complementares em Saúde. Brasília; 2018 [acesso 20 ago 2019]. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/marco/12/glossario-tematico.pdf 2. WHO.Traditional Medicine Strategy: 2014-2023.USA. 2013.[acesso 11 set 2019]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/92455/9789241506090_eng.pdf;jsessionid=23 40E2D0aafaebdc2c6ec7df5b2f33a1?sequence=1 3. WHO. World Health Statistics. 2018. [acesso 20 ou 2019]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/272596/9789241565585-eng.pdf?ua=1 4. Brasil. Ministério da Saúde. Práticas Integrativas e Complementares (PICS) quais são e para que servem. Brasília; 2019. [acesso 21 ago 2019]. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-integrativas-e-complementares 5. Lima, P.T. Medicina Integrativa a cura pelo equilíbrio. São Paulo. MG Editores, 2009, p.12 e seg. 6.Tavares et al. A promoção da saúde no ensino profissional: desafios na Saúde e a necessidade de alcançar outros setores. 2016. [acesso 29 ago 2019] Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-1232016000601799&script=sci_abstract&tlng=pt Acesso em 29/08/2019. 7. WHO. International Conference on Primary Health Care, Alma-Ata, USSR, 6-12 September 1978. [acesso 25 ago 2019] Disponível em: https://www.who.int/social_determinants/tools/multimedia/alma_ata/en/ 8. Brasil. Ministério da Saúde. SUS Princípios e Conquistas. Brasília; 2000. [acesso 28 set 2019]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_principios.pdf 9. WHO. Traditional Medicine Strategy: 2002-2005. [acesso 11 set 2019]. Disponível em: https://apps.who.int/medicinedocs/pdf/s2297e/s2297e.pdf 10. Brasil. Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006. Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde. Diário Oficial da União 04 maio 2006; Seção 1. 11. Brasil. Portaria nº 849 de 27 de maço de 2017. Inclui a Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares. Diário Oficial da União. 28 março 2017; Seção 1. 12. Brasil. Portaria n° 702, de 21 de março de 2018. Altera a Portaria de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017, para incluir novas práticas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares - PNPIC. Diário Oficial da União. 22 março 2018; Seção 1. https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/marco/12/glossario-tematico.pdf https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/92455/9789241506090_eng.pdf;jsessionid=2340E2D0AAFAEBDC2C6EC7DF5B2F33A1?sequence=1 https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/92455/9789241506090_eng.pdf;jsessionid=2340E2D0AAFAEBDC2C6EC7DF5B2F33A1?sequence=1 https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/272596/9789241565585-eng.pdf?ua=1 http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/praticas-integrativas-e-complementares http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-1232016000601799&script=sci_abstract&tlng=pt https://www.who.int/social_determinants/tools/multimedia/alma_ata/en/ http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sus_principios.pdf https://apps.who.int/medicinedocs/en/p/printable.html#TopOfPage https://apps.who.int/medicinedocs/pdf/s2297e/s2297e.pdf Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29154 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 13. Brasil. Resolução nº 6, de 19 de outubro de 2017. Ministério da Educação. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia e dá outras providências. Diário Oficial da União 20 outubro 2006; Seção 1 14. Conselho Federal de Farmácia. CFF recebe delegação da China para tratar de MTC. 2018. [acesso 20 set 2019]. Disponível em: http://www.cff.org.br/noticia.php?id=5132&titulo=cff+recebe+delega%c3%a7%c3%a3o+da+c hina+para+tratar+de+mtc 15. Conselho Regional de Farmácia. Homeopatia. 2019 [acesso 20 set 2019]. Disponível em: http://portal.crfsp.org.br/images/cartilhas/homeopatia.pdf 16. FCM. Unicamp. Laboratório de Práticas Alternativas, Complementares e Integrativas em Saúde. 2019. [acesso 10 set 2019]. Disponível em https://www.fcm.unicamp.br/fcm/lapacis 17. Brasil. Projeto de Lei 2821/2019. Dispõe sobre a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, para incluir as Práticas Integrativas e Complementares no campo de atuação do SUS. [acesso 20 set 2019]. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2202984 18. Brasil. Anvisa. Medicina Tradicional: Equipe da Anvisa Visita China. Brasília; 2019 [acesso 29 set 2019] Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/noticias?p_p_id=101_instance_fxrpx9qy7fbu&p_p_col_id=column- 2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_101_instance_fxrpx9qy7fbu_groupid=219201&_101_ instance_fxrpx9qy7fbu_urltitle=medicina-tradicional-equipe-da-anvisa-visita- chia&_101_instance_fxrpx9qy7fbu_struts_action=%2fasset_publisher%2fview_content&_101 _instance_fxrpx9qy7fbu_assetentryid=5301557&_101_instance_fxrpx9qy7fbu_type=content 19. Santos, R; Sá, F. M. P., Homeopatia Histórico e Fundamentos, Revista Cient. Facul. Ed. Meio Ambiente, 2014, 5ª Ed. 20. Teixeira, M. Z., Dossiê especial Evidências Científicas em Homeopatia. Revista de Homeopatia v. 80, n. 1/2 (2017). [acesso 27 out 2019] Disponível em: http://www.bvshomeopatia.org.br/revista/DossieEvidenciasCientificasHomeopatiaRevistaAPH BrasilCompleta.pdf 21. Vieira, M.S.R., Acupuntura e Medicina Integrativa. São Paulo, MG Ed. 2017, p.59 e seg. 22. Brasil. Anvisa. Proposta de Iniciava de Atuação Regulatória para Regulamentar Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária Considerados de uso Tradicional para a Saúde. Brasília; 2018 [acesso 17 jul 2018]. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/voto+-+86+-+ggmed+- ++proposta+de+iniciativa+uso+tradicional.pdf/3641c751-0a5a-440f-ae51-1bab40064bfc 23. Salles, L.F, & Silva, M.J. P., Efeito das essências florais em indivíduos ansiosos. [acesso 01 julho 2019] Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n2/a13v25n2 http://www.cff.org.br/noticia.php?id=5132&titulo=cff+recebe+delega%c3%a7%c3%a3o+da+china+para+tratar+de+mtc http://www.cff.org.br/noticia.php?id=5132&titulo=cff+recebe+delega%c3%a7%c3%a3o+da+china+para+tratar+de+mtc https://www.fcm.unicamp.br/fcm/lapacis http://www.bvshomeopatia.org.br/revista/DossieEvidenciasCientificasHomeopatiaRevistaAPHBrasilCompleta.pdf http://www.bvshomeopatia.org.br/revista/DossieEvidenciasCientificasHomeopatiaRevistaAPHBrasilCompleta.pdf http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n2/a13v25n2 Brazilian Journal of Health Review ISSN: 2595-6825 29155 Brazilian Journal of Health Review, Curitiba, v.4, n.6, p. 29144-29155 nov./dec. 2021 24. Masaru, E. Healing with Water, The Journal of Alternative and Complementary Medicine Vol. 10, No. 1Photoessays, 2004, pp.19-21. [acesso 20 out 2019] Disponível em: https://www.liebertpub.com/doi/pdf/10.1089/107555304322848913 25. Beri, K., A future perspective for regenerative medicine: understanding the concept of vibrational medicine, 2018, Health, National Institutes Of. [acesso 29 ago 2019] Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5859346/ https://www.liebertpub.com/doi/pdf/10.1089/107555304322848913 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5859346/