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<p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM</p><p>NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>A Faculdade Multivix está presente de norte a sul do</p><p>Estado do Espírito Santo, com unidades presenciais</p><p>em Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo,</p><p>Nova Venécia, São Mateus, Serra, Vila Velha e Vitória,</p><p>e com a Educação a Distância presente</p><p>em todo estado do Espírito Santo, e com</p><p>polos distribuídos por todo o país.</p><p>Desde 1999 atua no mercado capixaba,</p><p>destacando-se pela oferta de cursos de</p><p>graduação, técnico, pós-graduação e</p><p>extensão, com qualidade nas quatro</p><p>áreas do conhecimento: Agrárias, Exatas,</p><p>Humanas e Saúde, sempre primando</p><p>pela qualidade de seu ensino e pela</p><p>formação de profissionais com consciência</p><p>cidadã para o mercado de trabalho.</p><p>Atualmente, a Multivix está entre o seleto grupo de</p><p>Instituições de Ensino Superior que</p><p>possuem conceito de excelência junto ao</p><p>Ministério da Educação (MEC). Das 2109</p><p>instituições avaliadas no Brasil, apenas</p><p>15% conquistaram notas 4 e 5, que são</p><p>consideradas conceitos de excelência em</p><p>ensino. Estes resultados acadêmicos</p><p>colocam todas as unidades da Multivix</p><p>entre as melhores do Estado do Espírito</p><p>Santo e entre as 50 melhores do país.</p><p>MISSÃO</p><p>Formar profissionais com consciência cidadã para o</p><p>mercado de trabalho, com elevado padrão de quali-</p><p>dade, sempre mantendo a credibilidade, segurança</p><p>e modernidade, visando à satisfação dos clientes e</p><p>colaboradores.</p><p>VISÃO</p><p>Ser uma Instituição de Ensino Superior reconhecida</p><p>nacionalmente como referência em qualidade</p><p>educacional.</p><p>R E I TO R</p><p>GRUPO</p><p>MULTIVIX</p><p>R E I</p><p>2</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>3</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>BIBLIOTECA MULTIVIX (Dados de publicação na fonte)</p><p>Laís Cristina Gonçalves</p><p>Assistência de Enfermagem na Saúde do Adulto II / GONÇALVES, L. C. -</p><p>Multivix, 2023</p><p>Catalogação: Biblioteca Central Multivix</p><p>2023 • Proibida a reprodução total ou parcial. Os infratores serão processados na forma da lei.</p><p>4</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>LISTA DE QUADROS</p><p>UNIDADE 1</p><p>Atribuições da equipe de enfermagem no centro cirúrgico 26</p><p>Terminologias cirúrgicas 31</p><p>UNIDADE 2</p><p>Fase pré-operatória: atividades realizadas pela equipe de enfermagem 47</p><p>UNIDADE 3</p><p>Elementos do SAV 81</p><p>UNIDADE 4</p><p>Passo a passo da avaliação da cena do trauma 101</p><p>Escala de Coma de Glasgow com resposta pupilar (ECG-P) 107</p><p>Critérios indicativos de baixo e alto risco de lesão raquimedular 109</p><p>Principais complicações do trauma torácico 112</p><p>UNIDADE 5</p><p>Critérios de exclusão para o uso de VMNI 153</p><p>Cuidados de enfermagem para o paciente intubado 156</p><p>UNIDADE 6</p><p>Escala comportamental de dor 178</p><p>Escala CCPOT 179</p><p>5</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>LISTA DE FIGURAS</p><p>UNIDADE 1</p><p>Subsistemas da Unidade de Centro Cirúrgico (UCC) 14</p><p>Áreas que compõem o centro cirúrgico 18</p><p>Especificidades sobre a estrutura física da sala de</p><p>recuperação pós‑anestésica 21</p><p>Materiais utilizados para esterilização 24</p><p>Enfermagem perioperatória 28</p><p>Objetivos da terminologia cirúrgica 30</p><p>Posição de Trendelenburg 37</p><p>Posição de Trendelenburg reversa 38</p><p>Posição ginecológica ou posição de litotomia 39</p><p>UNIDADE 2</p><p>Fases do período perioperatório 44</p><p>Sala de operação 45</p><p>Enfermeiro perioperatório 46</p><p>Cuidados de enfermagem no intraoperatório 51</p><p>Fases do pós‑operatório 52</p><p>Objetivos da Sistematização da Assistência de</p><p>Enfermagem Perioperatória 57</p><p>UNIDADE 3</p><p>Características do profissional da saúde atuante nos serviços de</p><p>urgência e emergência 67</p><p>Organização histórica do sistema de saúde brasileiro 69</p><p>Objetivo da classificação de risco 76</p><p>Cadeia de sobrevivência para adultos 84</p><p>6</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>UNIDADE 4</p><p>Principais incidentes causadores de traumas 94</p><p>Característica dos traumas em relação à mortalidade 96</p><p>Biomecânica do trauma 97</p><p>Etapas de atendimento ao paciente 98</p><p>Trauma fechado 99</p><p>Liberação manual das vias aéreas 104</p><p>Principais incidentes causadores de traumatismo</p><p>cranioencefálico (TCE) 106</p><p>Característica dos traumas em relação à mortalidade 110</p><p>Prioridades na avaliação de um paciente vítima de trauma de tórax 111</p><p>Angina 113</p><p>Crise asmática 117</p><p>Acidente vascular encefálico 121</p><p>Classificação do AVE 122</p><p>UNIDADE 5</p><p>Características de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) 132</p><p>Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI‑N) 134</p><p>Principais infecções que ocorrem na UTI 142</p><p>Cuidados para evitar a PAV dentro de UTIs 143</p><p>Processo de enfermagem 146</p><p>Cateter de artéria pulmonar quatro vias 149</p><p>Cateter de artéria pulmonar com medida de débito cardíaco contínuo</p><p>e de saturação venosa de oxigênio 149</p><p>Momentos do ciclo ventilatório da VMI 154</p><p>Subdivisão das drogas vasoativas 158</p><p>7</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>UNIDADE 6</p><p>Tríade da acidose metabólica 168</p><p>Fisiopatologia da cetoacidose diabética 170</p><p>Sinais clínicos e complicações do diabetes relacionados à CAD 171</p><p>Complicações em decorrência do desequilíbrio hidroeletrolítico</p><p>e distúrbios 173</p><p>Escala de estimativa numérica (NRS) 177</p><p>Escalas utilizadas para avaliação do grau de sedação 180</p><p>Histórico de enfermagem 183</p><p>Subdivisão do Sistema Nervoso 188</p><p>Principais disfunções do sistema endócrino 191</p><p>8</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1UNIDADE</p><p>SUMÁRIO</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA 10</p><p>1 ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO E CENTRAL DE MATERIAL 13</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 13</p><p>1.1 O AMBIENTE CIRÚRGICO 13</p><p>1.2 TERAPÊUTICA CIRÚRGICA 27</p><p>2 IMPLEMENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM</p><p>NO PERIOPERATÓRIO 43</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 43</p><p>2.1 PERÍODO PERIOPERATÓRIO 44</p><p>2.2 DESENVOLVIMENTO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM</p><p>PERIOPERATÓRIA 53</p><p>3 O AMBIENTE DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 65</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 65</p><p>3.1 O AMBIENTE DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA 65</p><p>3.2 SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA 79</p><p>4 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS E TRAUMÁTICAS 93</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 93</p><p>4.1 CUIDADO DO INDIVÍDUO VÍTIMA DE TRAUMA 94</p><p>4.2 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS 113</p><p>5 UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 127</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 127</p><p>5.1 O AMBIENTE DA UNIDADE DE TRATAMENTO INTENSIVO (UTI) 131</p><p>5.2 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI 145</p><p>6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA UTI 163</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE 163</p><p>6.1 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI 164</p><p>6.2 ALTERAÇÕES NOS SISTEMAS ORGÂNICOS 181</p><p>2UNIDADE</p><p>4UNIDADE</p><p>3UNIDADE</p><p>5UNIDADE</p><p>6UNIDADE</p><p>9</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ATENÇÃO</p><p>PARA SABER</p><p>SAIBA MAIS</p><p>ONDE PESQUISAR</p><p>DICAS</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>ATIVIDADES DE</p><p>APRENDIZAGEM</p><p>CURIOSIDADES</p><p>QUESTÕES</p><p>ÁUDIOSMÍDIAS</p><p>INTEGRADAS</p><p>ANOTAÇÕES</p><p>EXEMPLOS</p><p>CITAÇÕES</p><p>DOWNLOADS</p><p>ICONOGRAFIA</p><p>10</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA</p><p>Boas-vindas! Você está dando início à disciplina Assistência de Enfermagem</p><p>na Saúde do Adulto II.</p><p>Antes de iniciar a leitura teórica, vamos explorar o significado de ser adulto</p><p>no que envolve a sociedade, o ciclo da vida, a saúde e as políticas públicas. O</p><p>ser humano, durante a transição de idade, passa por diversas fases – culturais,</p><p>intelectuais, cognitivas, biológicas, fisiológicas e outras – que permitem a sua</p><p>evolução na sociedade (Brêtas; Gamba, 2006).</p><p>No que se refere à saúde do adulto, alguns fatores de risco podem estar pre-</p><p>sentes para aumentar os riscos de morbimortalidade dessa população. Dian-</p><p>te disso, o profissional da</p><p>e específica para cada paciente cirúrgico (Razera; Braga, 2011).</p><p>A assistência de enfermagem, durante o período cirúrgico, ocorre de acordo</p><p>com o paciente, suas necessidades e particularidades a fim de auxiliar no pro-</p><p>cesso de alta e na reinserção na sociedade após a realização do procedimento</p><p>cirúrgico. Portanto, justifica-se a importância de realizar todo o processo de</p><p>assistência de enfermagem com eficácia e comprometimento, garantindo o</p><p>melhor cuidado ao indivíduo que, naquele momento, está fragilizado (Razera;</p><p>Braga, 2011; Moorhead, 2020).</p><p>2.2 DESENVOLVIMENTO DA ASSISTÊNCIA DE</p><p>ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA</p><p>Nesta segunda parte da unidade, vamos abordar a assistência de enferma-</p><p>gem na sala de recuperação pós-anestésica; a Sistematização da Assistência</p><p>de Enfermagem Perioperatória (SAEP), que verifica o histórico, os conceitos e</p><p>as etapas; e, por fim, a segurança do paciente cirúrgico.</p><p>Esperamos que todos tenham uma leitura agradável e proveitosa!</p><p>54</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>2.2.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SALA DE</p><p>RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA</p><p>O pós-operatório imediato, marcado pela presença do paciente na sala de recu-</p><p>peração anestésica (SRPA), é um momento crítico e que, obrigatoriamente, deve</p><p>contar com a presença do enfermeiro em tempo integral (Oliveira et al., 2019).</p><p>A SRPA é o local para onde o paciente é levado para se recuperar após o tér-</p><p>mino da cirurgia; lá, ele deve receber os cuidados da equipe de enfermagem.</p><p>Nesse momento, o enfermeiro precisa estar atento ao retorno da consciência,</p><p>ao aparecimento de agitação e às alterações dos sinais vitais do paciente e a</p><p>possíveis complicações decorrentes do processo, como quadros de depressão</p><p>cardiorrespiratória, complicações relacionadas ao uso de anestésicos, quadro</p><p>de dor e manutenção das vias aéreas. Portanto, o enfermeiro e sua equipe de-</p><p>vem estar atentos a quaisquer alterações de sinais clínicos para que seja possí-</p><p>vel intervir, se necessário, em tempo hábil (Do Monte; Da Silva; Bassine, 2020).</p><p>Assim, durante as primeiras 24 horas do pós-</p><p>operatório, o paciente deve ter atenção especial</p><p>da equipe de saúde, pois ele pode apresentar</p><p>distúrbios cardiovasculares, pulmonares, renais,</p><p>entre outros, que devem ser tratados de imediato</p><p>para evitar complicações nesse momento. Fonte:</p><p>Do Monte Souza; Da Silva; Bassine (2020, p. 5).</p><p>Desse modo, é importante mencionar que a assistência de enfermagem nes-</p><p>se período deve ser dinâmica, sistematizada, individualizada e integral, sendo</p><p>primordial conhecer o paciente e todas as informações adquiridas na coleta</p><p>de dados durante a visita pré-operatória a fim de garantir os cuidados especí-</p><p>ficos de acordo com as necessidades do paciente cirúrgico (Do Monte Souza;</p><p>Da Silva; Bassine, 2020).</p><p>Outro ponto importante diz respeito aos familiares do paciente. Consideran-</p><p>do que o acompanhante e os familiares também precisam de apoio, a figura</p><p>do enfermeiro é essencial durante esse processo, como um facilitador na co-</p><p>municação (Do Monte Souza; Da Silva; Bassine, 2020).</p><p>55</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Tudo o que for feito com o paciente cirúrgico na SRPA deve ser documentado,</p><p>garantindo o registro e o respaldo legal de todo cuidado e de toda assistência</p><p>prestados ao longo da permanência do paciente na SRPA (Do Monte Souza;</p><p>Da Silva; Bassine, 2020).</p><p>Diante desse cenário, conheça, a seguir, alguns dos principais cuidados ine-</p><p>rentes à assistência de enfermagem durante a fase do pós-operatório:</p><p>• Determinar a resposta imediata do paciente à</p><p>intervenção cirúrgica.</p><p>• Monitorar o estado fisiológico do paciente.</p><p>• Avaliar o nível de dor do paciente e administrar</p><p>as medidas analgésicas apropriadas.</p><p>• Preservar a segurança do paciente (vias</p><p>respiratórias, circulação, prevenção de acidentes).</p><p>• Administrar fármacos, soluções e hemoderivados</p><p>se estiverem prescritos.</p><p>• Oferecer líquidos orais (quando prescritos)</p><p>aos pacientes submetidos a procedimentos</p><p>cirúrgicos ambulatoriais.</p><p>• Avaliar a possibilidade de transferir o paciente</p><p>para a unidade de internação ou para a alta</p><p>domiciliar, conforme as normas da instituição.</p><p>Fonte: Pellico (2014, p. 97).</p><p>Algumas instituições têm utilizado um sistema de pontuação, aplicado ao pa-</p><p>ciente admitido na SRPA para determinar sua condição geral, avaliando os</p><p>sinais vitais. O resultado desse sistema indica se o paciente tem condições de</p><p>alta da SRPA para o setor de internação clínico-cirúrgica. O escore de Aldrete</p><p>é um exemplo de instrumento que pode ser aplicado no paciente no pós-</p><p>-operatório imediato (Do Monte Souza; Da Silva; Bassine, 2020).</p><p>56</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para saber mais sobre as particularidades do escore</p><p>de Aldrete, clique aqui.</p><p>2.2.2 SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE</p><p>ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA (SAEP): HISTÓRICO</p><p>A enfermagem perioperatória possui um instrumento cuja aplicação pode</p><p>ser feita apenas pelo enfermeiro. Esse instrumento é conhecido como Siste-</p><p>matização da Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP), que auxilia</p><p>o profissional no desenvolvimento do cuidado e visa melhorar a qualidade de</p><p>assistência destinada ao paciente cirúrgico (Oliveira et al., 2019).</p><p>Com base nas necessidades humanas e no Processo de Enfermagem (PE),</p><p>pautados por Wanda Aguiar Horta, tal instrumento permite que o enfermei-</p><p>ro, entre outras vantagens, melhore a comunicação entre as equipes e esta-</p><p>beleça a humanização no atendimento em virtude de um cuidado particular,</p><p>voltado às necessidades de cada paciente (Carvalho; Bianchi, 2016; Oliveira</p><p>et al., 2019).</p><p>Considerando essa percepção, é importante resgatar algumas teorias para</p><p>que, de fato, o real objetivo da SAEP seja compreendido. De acordo com a</p><p>Resolução nº 358/2009, estabelecida pelo Conselho Federal de Enfermagem</p><p>(Cofen), o processo de enfermagem deve ser realizado nos ambientes onde</p><p>o cuidado de enfermagem é prestado. Para isso, a Sistematização de Assis-</p><p>tência de Enfermagem (SAE) foi definida e conta com cinco etapas, a saber</p><p>(Oliveira et al., 2019):</p><p>1. Coleta de dados de enfermagem (ou histórico de enfermagem).</p><p>2. Diagnóstico de enfermagem.</p><p>3. Planejamento de enfermagem.</p><p>4. Implementação.</p><p>5. Avaliação de enfermagem.</p><p>https://recisatec.com.br/index.php/recisatec/article/view/89</p><p>57</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Quando realizada em centro cirúrgico (CC), a</p><p>SAE passa a ser chamada de Sistematização da</p><p>Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP).</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2019, p. 116).</p><p>Buscando a promoção da qualidade assistencial no CC, a SAEP tem como</p><p>propósito:</p><p>OBJETIVOS DA SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA</p><p>Promover a segurança do paciente e da equipe cirúrgica.</p><p>Educação para o autocuidado.</p><p>Apoio emocional para redução da ansiedade</p><p>do paciente e dos familiares.</p><p>Estimular a qualidade e a eficácia na assistência</p><p>de enfermagem.</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira et al. (2019, p. 116).</p><p>#pratodosverem: figura formada por quatro retângulos interligados entre si, com setas</p><p>no sentido vertical. No primeiro retângulo, tem-se: “promover a segurança do paciente e</p><p>da equipe cirúrgica”. No segundo retângulo: “educação para o autocuidado”. No terceiro</p><p>retângulo: “apoio emocional para redução da ansiedade do paciente e dos familiares”. No</p><p>quarto retângulo: “estimular a qualidade e a eficácia na assistência de enfermagem”.</p><p>Com base nos objetivos a serem cumpridos, assim como a SAE, a SAEP tem</p><p>etapas que precisam ser respeitadas e executadas exclusivamente pelo en-</p><p>fermeiro, tal como determina a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem.</p><p>Essas etapas são explicadas a seguir (Oliveira et al., 2019, p. 117):</p><p>58</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1. Fase pré-operatória:</p><p>• Realização de entrevista com o paciente (presencial ou não).</p><p>• Análise de prontuários dos pacientes em busca de informações relevantes.</p><p>2. Fase transoperatória:</p><p>• Realização dos cuidados identificados na fase anterior.</p><p>• Observação e monitoramento tanto do paciente quanto do ambiente.</p><p>3. Fase pós-operatória:</p><p>• Realização de visitas ao leito do paciente no período de recuperação pós-cirúrgica.</p><p>Quer saber mais sobre a Resolução Cofen</p><p>nº 358/2009? Acesse aqui.</p><p>A seguir, confira a segurança do paciente cirúrgico.</p><p>2.2.3 A SEGURANÇA DO PACIENTE CIRÚRGICO</p><p>O trabalho no centro cirúrgico é marcado por procedimentos invasivos e de</p><p>alta complexidade, que ocorrem em situações diversas, o que exige uma prá-</p><p>tica complexa e interdisciplinar. Diante da pluralidade desse setor, aconte-</p><p>cem, com frequência, eventos sentinelas referentes aos cuidados prestados</p><p>aos pacientes cirúrgicos no período perioperatório (Rothrock, 2021).</p><p>Nesse sentido, as notificações frequentes de eventos adversos decorrentes da</p><p>assistência à saúde do paciente cirúrgico têm sido motivo de alerta a todos os</p><p>profissionais de saúde (Couto; Pedrosa; Amaral, 2017; Rothrock, 2021).</p><p>https://www.cofen.gov.br/resoluo-cofen-3582009/</p><p>59</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Evento sentinela: ocorrências de incidentes que</p><p>causam danos ou apresentam risco de dano e</p><p>que devem ser registradas para investigação e</p><p>estabelecimento de ações, a fim de prevenir futuras</p><p>ocorrências. Fonte: Rothrock (2021).</p><p>Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde, em 2009, lançou o Manual</p><p>para Cirurgia Segura com o objetivo de estabelecer um conjunto de padrões</p><p>de segurança que possam ser replicados por todos os serviços de saúde ao re-</p><p>dor do mundo, promovendo a qualidade dos serviços cirúrgicos (WHO, 2009).</p><p>A partir da iniciativa da OMS, o Ministério de Saúde, em 2013, publicou o pro-</p><p>tocolo de cirurgia segura, que tinha como proposta recomendar a utilização</p><p>de um checklist para auxiliar na melhoria do cuidado dos pacientes cirúrgicos</p><p>nos mais diversos cenários. Isso se deu concomitantemente à publicação da</p><p>Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013, que instituiu o Programa Nacional de</p><p>Segurança do Paciente (PNSP) (Ministério da Saúde, 2013).</p><p>Incidente: evento ou circunstância que poderia ter</p><p>resultado, ou que resultou, em dano desnecessário</p><p>ao paciente. Fonte: Ministério da Saúde (2013).</p><p>Essa ferramenta é considerada de fácil aplicação, baixo custo e auxilia na co-</p><p>municação da equipe cirúrgica, além de permitir a análise e a realização do</p><p>procedimento transoperatório e, por meio da identificação de falhas no pro-</p><p>cesso, estabelecer estratégias e ações que possam garantir um serviço de</p><p>qualidade, com melhores prognósticos cirúrgicos, redução de morbimortali-</p><p>dade e complicações cirúrgicas (Ministério da Saúde, 2013).</p><p>60</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Evento adverso: incidente que resulta em dano ao</p><p>paciente. Fonte: Ministério da Saúde (2013).</p><p>Essa iniciativa se deu em razão de eventos adversos, sofridos pelos pacientes</p><p>cirúrgicos, que poderiam ser evitados. Entre as causas evitáveis, estão as in-</p><p>fecções de sítio cirúrgico (ISC) e outras complicações pós-operatórias, como</p><p>as causadas na anestesiologia (Brasil, 2017).</p><p>Portanto, definem-se os dez passos para se obter uma cirurgia segura:</p><p>Passo 1</p><p>A equipe operará o paciente certo e no local cirúrgico certo.</p><p>Passo 2</p><p>A equipe usará métodos conhecidos para impedir danos na</p><p>administração de anestésicos, enquanto protege o paciente da dor.</p><p>Passo 3</p><p>A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para a perda</p><p>de via aérea ou de função respiratória que ameacem a vida.</p><p>Passo 4</p><p>A equipe reconhecerá e estará efetivamente preparada para o risco de</p><p>grandes perdas sanguíneas.</p><p>61</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Passo 5</p><p>A equipe evitará indução de reação adversa a drogas ou reação</p><p>alérgica sabidamente de risco para o paciente.</p><p>Passo 6</p><p>A equipe usará, de maneira sistemática, métodos conhecidos para</p><p>minimizar o risco de infecção do sítio cirúrgico.</p><p>Passo 7</p><p>A equipe impedirá a retenção inadvertida de compressas ou de</p><p>instrumentos nas feridas cirúrgicas.</p><p>Passo 8</p><p>A equipe obterá, com segurança, todos os fragmentos e as peças</p><p>cirúrgicas coletadas e precisamente identificadas.</p><p>Passo 9</p><p>A equipe se comunicará efetivamente e trocará informações críticas</p><p>para a condução segura da operação.</p><p>Passo 10</p><p>Os hospitais e o sistema de saúde pública estabelecerão vigilância de</p><p>rotina sobre a capacidade, o volume e os resultados cirúrgicos obtidos.</p><p>Fonte: Brasil (2017, p. 117-118).</p><p>62</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para alcançar o supremo cuidado da saúde, a segurança do paciente é funda-</p><p>mental. Por isso, independentemente do ambiente ou da circunstância em</p><p>que a cirurgia for realizada, é dever ético e moral dos profissionais da saúde,</p><p>em especial do enfermeiro e da sua equipe, notificar a ocorrência de erros,</p><p>eventos adversos e situações que coloquem em risco a segurança do pacien-</p><p>te, de colaboradores e do ambiente hospitalar (Bergamasco, 2019).</p><p>63</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Esperamos que você tenha conseguido alcançar os objetivos propostos para</p><p>esta unidade. Até a próxima!</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema desta unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. A importância dos cuidados de enfermagem no</p><p>período pré-operatório.</p><p>2. Aspectos relevantes da visita pré-operatória de</p><p>enfermagem: benefícios para o paciente e para</p><p>a assistência.</p><p>3. Cuidados de enfermagem realizados ao paciente</p><p>cirúrgico no período pré-operatório.</p><p>4. Atribuições do enfermeiro no centro cirúrgico.</p><p>5. As intervenções do enfermeiro e as complicações</p><p>em sala de recuperação pós-anestésica.</p><p>https://www.remici.com.br/index.php/revista/article/view/69/31</p><p>https://www.remici.com.br/index.php/revista/article/view/69/31</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/559</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/559</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/saude/article/view/559</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/6tSjrS7tCLkK6s97chKc3fn/?lang=pt#</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/6tSjrS7tCLkK6s97chKc3fn/?lang=pt#</p><p>https://convergenceseditorial.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/3117</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/NBtDkD9DVBNcFR4fJjLfzvv/?lang=pt</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/NBtDkD9DVBNcFR4fJjLfzvv/?lang=pt</p><p>UNIDADE 3</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>64</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Conhecer a</p><p>organização dos</p><p>serviços de urgência</p><p>e emergência.</p><p>> Compreender o</p><p>Suporte Básico e o</p><p>Suporte Avançado</p><p>de Vida.</p><p>65</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>3 O AMBIENTE DA URGÊNCIA</p><p>E EMERGÊNCIA</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>Esta unidade vai proporcionar uma reflexão sobre a organização dos serviços</p><p>de urgência e emergência e o suporte básico e o suporte avançado de vida.</p><p>A mortalidade está fortemente relacionada a certas patologias e agravos que</p><p>marcam o perfil epidemiológico</p><p>da população brasileira, como doenças car-</p><p>diovasculares, neoplasias, causas externas, por exemplo, acidentes/violência e</p><p>doenças respiratórias (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Pesquisas que auxiliam na identificação do perfil epidemiológico da popula-</p><p>ção auxiliam os gestores e os serviços de saúde a definirem ações e estraté-</p><p>gias para prevenir e acompanhar essas doenças, visando à melhoria da quali-</p><p>dade de vida e ao aumento da expectativa de vida desses indivíduos, além de</p><p>reduzir o impacto econômico com gastos em saúde (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Com base nos atendimentos de urgência e emergência, esta unidade propõe</p><p>a contextualização dessas duas vertentes para que você possa compreender</p><p>efetivamente a funcionalidade desse serviço.</p><p>Desejamos uma boa leitura!</p><p>3.1 O AMBIENTE DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>A Portaria n. 2.048/2002 é considerada um marco importante para o Sistema</p><p>de Urgência e Emergência. Em 5 de novembro de 2002, essa portaria definiu</p><p>o Regulamento Técnico dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência</p><p>(Ministério da Saúde, 2002).</p><p>O regulamento ora aprovado estabelece os princípios e diretrizes dos</p><p>Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência, as normas e critérios de</p><p>funcionamento, classificação e cadastramento de serviços e envolve temas</p><p>como a elaboração dos Planos Estaduais de Atendimento às Urgências e</p><p>Emergências, Regulação Médica das Urgências e Emergências, atendimento</p><p>pré‑hospitalar, atendimento pré‑hospitalar móvel, atendimento hospitalar,</p><p>transporte inter‑hospitalar e ainda a criação de Núcleos de Educação em</p><p>Urgências e proposição de grades curriculares para capacitação de recursos</p><p>humanos da área. (Ministério da Saúde, 2002)</p><p>66</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para saber mais sobre a Portaria n. 2.048/2002,</p><p>acesse aqui.</p><p>É essencial que os profissionais atuantes na área da saúde tenham conheci-</p><p>mento das políticas públicas relacionadas ao panorama brasileiro dos serviços</p><p>de urgência e emergência, além das peculiaridades desses serviços (Tobase;</p><p>Tomazini, 2017).</p><p>Urgência: condição imprevista de agravo à saúde</p><p>com ou sem potencial risco de morte e com</p><p>necessidade de assistência de saúde imediata ou</p><p>em até 24 horas.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 4).</p><p>Para pessoas que não são da área da saúde, a definição de urgência e emer-</p><p>gência é interpretada, muitas vezes, de forma errônea. Com frequência, in-</p><p>divíduos procuram os serviços de urgência e emergência com queixas e/ou</p><p>quadros crônicos ou não graves, pois subentendem que os imprevistos que</p><p>alteram o curso natural da vida são classificados como algo grave, que neces-</p><p>sita de atendimento imediato (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Esses ocorridos geram superlotação nos serviços de urgência e emergência,</p><p>ocasionando fragilidades nos serviços de saúde como um todo e, consequen-</p><p>temente, geram aumento do tempo de espera de atendimento, comprome-</p><p>tendo a natureza e a eficácia da assistência à saúde (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt2048_05_11_2002.html</p><p>67</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Emergência: condição imprevista de agravo à saúde,</p><p>com risco iminente de morte ou sofrimento intenso,</p><p>exigindo, portanto, tratamento médico imediato.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 4).</p><p>Para amenizar essas consequências provenientes do mau uso dos serviços de</p><p>urgência e emergência, estratégias como a classificação de risco durante o aco-</p><p>lhimento do paciente foram estabelecidas, além da reordenação do sistema de</p><p>atendimento e da adequação da estrutura física (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>O serviço de urgência e emergência exige do profissional da saúde algumas</p><p>características indispensáveis:</p><p>CARACTERÍSTICAS DO PROFISSIONAL DA SAÚDE ATUANTE NOS SERVIÇOS DE</p><p>URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>Liderança Agilidade Observação</p><p>Competência Embasamento</p><p>científico</p><p>Habilidade</p><p>técnica</p><p>Comprometimento</p><p>com o trabalho</p><p>e com a equipe</p><p>Fonte: adaptado de Tobase; Tomazini (2017, p. 4).</p><p>#pratodosverem: figura formada por sete retângulos. No primeiro, aparece a</p><p>característica “liderança”. No segundo, “agilidade”. No terceiro, “observação”. No</p><p>quarto, “competência”. No quinto, “embasamento científico”. No sexto, “habilidade</p><p>técnica”. No sétimo, “comprometimento com o trabalho e com a equipe”.</p><p>68</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Assim, para atuar nesses serviços, na realização de atividades de alto grau de</p><p>complexidade e responsabilidade, de maneira a diminuir ao máximo o risco</p><p>de danos e promover a recuperação da saúde e a sobrevida do paciente, essas</p><p>características são imprescindíveis (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Para garantir a qualidade no atendimento, além dos recursos humanos, é</p><p>preciso ter uma estrutura adequada para o atendimento de situações de ur-</p><p>gência e emergência, pautadas nas políticas públicas de saúde; nas linhas es-</p><p>tratégicas interligadas; na organização das redes assistenciais; na humaniza-</p><p>ção do atendimento e na operacionalização da central de regulação médica</p><p>de urgência (Tobase; Tomazini, 2017, p. 4).</p><p>A assistência segura está amparada pela Agência</p><p>Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) por meio da</p><p>Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n. 36/2013 e</p><p>pelo Ministério da Saúde, com o Programa Nacional</p><p>de Segurança do Paciente, instituído pela Portaria</p><p>n. 529/2013.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 4).</p><p>A seguir, confira o planejamento e a organização dos serviços de urgência</p><p>e emergência.</p><p>3.1.1 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DOS</p><p>SERVIÇOS DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>Para funcionar adequadamente, os serviços de urgência e emergência de-</p><p>vem dispor de técnicas específicas e do apoio de toda a rede de saúde (Zava-</p><p>glia et al., 2019).</p><p>69</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Adiante, contextualizaremos a organização histórica do sistema atual de saú-</p><p>de no Brasil.</p><p>ORGANIZAÇÃO HISTÓRICA DO SISTEMA DE SAÚDE BRASILEIRO</p><p>Início, em 1986, da VIII Conferência Nacional de Saúde.</p><p>Criação do Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>Marcos do processo de redemocratização do país: Constituição</p><p>Federal do Brasil de 1988 – Seção II da Saúde, do artigo 196 ao 200.</p><p>Lei n. 8.080/1990, de 19 de setembro de 1990.</p><p>Lei Orgânica da Saúde, complementada pela Lei n. 8.142/1990.</p><p>Decreto Presidencial n. 7.508, de 28 de junho de 2011.</p><p>Fonte: adaptado de Whitaker; Gatto (2015, p. 5).</p><p>#pratodosverem: figura formada por seis retângulos em tons variados de azul e verde.</p><p>No primeiro, aparece o seguinte texto: “Início, em 1986, na VIII Conferência Nacional</p><p>de Saúde.” No segundo, “Criação do Sistema Único de Saúde (SUS).” No terceiro,</p><p>“Marcos do processo de redemocratização do país: Constituição Federal do Brasil de</p><p>1988 – Seção II da Saúde, do artigo 196 ao 200.” No quarto, “Lei n. 8.080/1990, de 19</p><p>de setembro de 1990.” No quinto, “Lei Orgânica da Saúde, complementada pela Lei</p><p>n. 8.142/1990.” No sexto, “Decreto Presidencial n. 7.508, de 28 de junho de 2011”.</p><p>Nesse contexto, a década de 1990 foi considerada um marco histórico em re-</p><p>lação à reestruturação dos modelos de assistência à saúde. Guiado pelo mo-</p><p>delo hospitalocêntrico e sanitarista, o modelo de assistência à saúde passou</p><p>a priorizar a qualidade de vida e as ações que articulassem a promoção, a</p><p>prevenção, a recuperação e a reabilitação da saúde, na dupla dimensão in-</p><p>dividual e coletiva, no âmbito dos municípios, proposto pela 10ª Conferência</p><p>Nacional de Saúde, em 1996.</p><p>70</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Hospitalocêntrico: modelo de assistência à saúde</p><p>voltado ao curativismo, ou seja, para a cura das</p><p>doenças, e não para a prevenção delas. Atuação</p><p>centrada no hospital e na figura médica.</p><p>Fonte: Whitaker; Gatto (2015).</p><p>Na atualidade, os serviços de urgência e emergência são organizados com</p><p>base nas boas práticas para organização e funcionamento, de acordo com a</p><p>Portaria n. 354, de 10 de março de 2014, do Ministério da Saúde. Esses serviços</p><p>prezam pela articulação de todos os equipamentos de saúde, ampliando e</p><p>qualificando o acesso dos usuários em situação de urgência e emergência, de</p><p>forma integral, humanizada, ágil e oportuna, e estão instalados em unidades</p><p>estratégicas na rede de atenção à saúde (RAS) (Zavaglia et al., 2019, p. 16-17).</p><p>Desse modo, determinou-se que os atendimentos de urgência e emergência</p><p>devem ser prestados por unidades móveis de urgência, por prontos-socorros</p><p>e por componentes da Rede de Atenção às Urgências e Emergências (RUE),</p><p>os quais são coordenados pela rede de atenção básica (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Portanto, os lugares onde o atendimento de urgência e emergência pode ser</p><p>realizado no Brasil são:</p><p>• Promoção, prevenção e vigilância à saúde.</p><p>• Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) e suas Centrais de</p><p>Regulação Médica das Urgências.</p><p>• Sala de estabilização.</p><p>• Força Nacional de Saúde do SUS (Sistema Único de Saúde).</p><p>• Unidades de Pronto Atendimento (UPA 24 horas).</p><p>• Atenção hospitalar.</p><p>• Atenção domiciliar.</p><p>Os serviços de urgência e emergência devem atender às necessidades da po-</p><p>pulação com um ambiente acolhedor e que ofereça orientações aos pacien-</p><p>tes e a seus familiares de forma clara e coesa, garantindo a privacidade do</p><p>71</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>usuário. Para tanto, a estrutura física dos serviços de urgência e emergência</p><p>deve ser composta por (Zavaglia et al., 2019):</p><p>• área externa coberta para a entrada de</p><p>ambulâncias;</p><p>• sala de recepção e espera com banheiros para</p><p>os usuários;</p><p>• sala para arquivo de prontuários ou fichas de</p><p>atendimento dos pacientes;</p><p>• sala de classificação de risco;</p><p>• área para higienização;</p><p>• consultórios;</p><p>• sala para assistente social;</p><p>• sala de procedimentos com área para sutura,</p><p>recuperação, hidratação e administração de</p><p>medicamentos;</p><p>• área para nebulização;</p><p>• sala para reanimação e estabilização;</p><p>• salas para observação e isolamento;</p><p>• posto de enfermagem;</p><p>• banheiro completo;</p><p>• depósito para resíduos sólidos;</p><p>• depósito para material de limpeza;</p><p>• vestiários e banheiros para os colaboradores;</p><p>• farmácia;</p><p>• almoxarifado;</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019, p. 17).</p><p>72</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Na sequência, compreenda as políticas públicas nacionais de atenção às ur-</p><p>gências e emergências.</p><p>3.1.2 POLÍTICAS PÚBLICAS NACIONAIS DE</p><p>ATENÇÃO ÀS URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS</p><p>Preconiza-se que a atenção às urgências deve existir em todos os níveis do</p><p>SUS de forma organizada e estruturada. A Portaria n. 1.863/GM, de 29 de se-</p><p>tembro de 2003, instituiu a Política Nacional de Atenção às Urgências, regula-</p><p>mentando a implementação dos serviços de atendimento móvel de urgência</p><p>nos municípios brasileiros (Ministério da Saúde, 2003).</p><p>A Portaria n. 1.863/GM, de 29 de setembro de 2003,</p><p>instituiu a implementação da Política Nacional</p><p>de Atenção às Urgências em todas as unidades</p><p>federativas do Brasil, respeitando as competências</p><p>das três esferas de gestão.</p><p>Fonte: Ministério da Saúde (2003).</p><p>A Política Nacional de Atenção à Urgência e Emergência (PNAU) tem como</p><p>objetivo intermediar a atenção básica e os serviços de média e alta complexi-</p><p>dade e resolve:</p><p>Art. 1°</p><p>Instituir a Política Nacional de Atenção às Urgências.</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2003/prt1863_26_09_2003.html</p><p>73</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Art. 2°</p><p>Estabelecer a Política Nacional de Atenção às Urgências de maneira</p><p>organizada, permitindo:</p><p>1. A garantia a universalidade, equidade e integralidade no</p><p>atendimento às urgências em todas as especialidades e motivos</p><p>causais.</p><p>2. A distribuição criteriosa dos recursos assistenciais.</p><p>3. A conferência de estratégias de promoção à saúde e de qualidade</p><p>de vida, a fim de prevenir agravos, gerar proteção a vida, recuperação</p><p>da saúde, bem como estimular a autonomia e a equidade entre</p><p>indivíduos e coletividades.</p><p>4. O fomento, a coordenação e a execução de projetos estratégicos</p><p>de atendimento às necessidades coletivas em saúde, de caráter</p><p>urgente e transitório, decorrentes de situações de perigo iminente, de</p><p>calamidades públicas e de acidentes com múltiplas vítimas, por meio</p><p>da construção de mapas de risco regionais e locais e da adoção de</p><p>protocolos de prevenção, atenção e mitigação dos eventos.</p><p>5. A contribuição para o desenvolvimento de processos e métodos de</p><p>coleta, análise e organização dos resultados das ações e dos serviços</p><p>de urgência, permitindo que por meio do desempenho observado</p><p>seja possível estabelecer uma visão dinâmica do estado de saúde da</p><p>população e do desempenho do Sistema Único de Saúde nos seus três</p><p>níveis de gestão.</p><p>6. A integração do complexo regulador do Sistema Único de Saúde, a</p><p>promoção do intercâmbio com outros subsistemas de informações</p><p>setoriais, implementando e aperfeiçoando permanentemente a</p><p>produção de dados e a democratização das informações com a</p><p>perspectiva de usá-las para alimentar estratégias promocionais.</p><p>7. A promoção da capacitação continuada das equipes de saúde do</p><p>Sistema Único de Saúde na Atenção às Urgências.</p><p>74</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Art. 3°</p><p>Definir que a Política Nacional de Atenção às Urgências, de que trata</p><p>o artigo 1º desta portaria, deve ser instituída a partir dos seguintes</p><p>componentes fundamentais:</p><p>1. Adoção de estratégias promocionais de qualidade de vida, buscando</p><p>identificar os determinantes e condicionantes das urgências, por meio</p><p>de ações transetoriais de responsabilidade pública, sem excluir as</p><p>responsabilidades de toda a sociedade.</p><p>2. Organização de redes loco regionais de atenção integral às</p><p>urgências, enquanto elos da cadeia de manutenção da vida, tecendo-</p><p>as em seus diversos componentes:</p><p>• Componente pré-hospitalar fixo: unidades básicas de saúde e</p><p>unidades de saúde da família, equipes de agentes comunitários</p><p>de saúde, ambulatórios especializados, serviços de diagnóstico</p><p>e terapias, e unidades não-hospitalares de atendimento às</p><p>urgências.</p><p>• Componente pré-hospitalar móvel: Serviço de Atendimento</p><p>Móvel de Urgência (SAMU) e os serviços associados de salvamento</p><p>e resgate.</p><p>• Componente hospitalar: portas hospitalares de atenção às</p><p>urgências das unidades hospitalares gerais de tipo I e II e das</p><p>unidades hospitalares de referência tipo I, II e III, bem como toda</p><p>a gama de leitos de internação, passando pelos leitos gerais e</p><p>especializados de retaguarda, de longa permanência e os de</p><p>terapia semi-intensiva e intensiva, mesmo que esses leitos estejam</p><p>situados em unidades hospitalares que atuem sem porta aberta</p><p>às urgências.</p><p>• Componente pós-hospitalar: modalidades de atenção domiciliar,</p><p>hospitais-dia e projetos de reabilitação integral com componente</p><p>de reabilitação de base comunitária.</p><p>3. Instalação e operação das Centrais de Regulação Médica das</p><p>Urgências, integradas ao Complexo Regulador da Atenção no SUS.</p><p>4. Capacitação e educação continuada das equipes de saúde de todos</p><p>os âmbitos da atenção.</p><p>Fonte: Ministério da Saúde (2003).</p><p>75</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>A Portaria n. 1.863/GM, de 29 de setembro</p><p>de 2003, na íntegra, traz diversas</p><p>particularidades sobre os serviços de urgência e emergência. Por isso, suge-</p><p>rimos que você aprofunde seus conhecimentos realizando a leitura das leis e</p><p>das portarias direcionadas a esse serviço (Ministério da Saúde, 2003).</p><p>Julgamos igualmente essencial que você leia a Portaria n. 1.600, de 7 de julho</p><p>de 2011, que reformula a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui</p><p>a Rede de Atenção às Urgências no Sistema Único de Saúde (SUS) (Ministério</p><p>da Saúde, 2011).</p><p>Caso você queira realizar a leitura das portarias, elas</p><p>podem ser encontradas aqui; aqui e aqui.</p><p>A seguir, acompanharemos o acolhimento e a classificação de risco nas urgências.</p><p>3.1.3 ACOLHIMENTO E CLASSIFICAÇÃO DE RISCO</p><p>NAS URGÊNCIAS</p><p>Com base no modelo sugerido pela Política Nacional de Atenção às Urgên-</p><p>cias e na teoria de humanização, os serviços de urgência e emergência estão</p><p>se adaptando para acolher e preservar a saúde do usuário de maneira inclusi-</p><p>va, integral e criteriosa (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Nesse sentido, espaços para acolhimento dos usuários estão sendo construí-</p><p>dos para que a escuta ativa e qualificada possa ser realizada, além de permitir</p><p>a avaliação das condições de saúde com base nas queixas dos indivíduos que</p><p>procuram o serviço de urgência e emergência, a fim de priorizar aqueles que</p><p>apresentam maior risco de agravos e óbito (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Como já constatamos, a busca inadequada pelos serviços de urgência e</p><p>emergência tem gerado quadros de superlotação e consequente diminuição</p><p>da qualidade de assistência à saúde, além do comprometimento da integra-</p><p>lidade do atendimento. Como uma estratégia de tentar sanar esse proble-</p><p>ma, viabilizando um atendimento rápido e de qualidade para aqueles que</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nac_urgencias.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_atencao_urgencias_3ed.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1600_07_07_2011.html</p><p>76</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>realmente chegam em situações graves e de risco, a Portaria n. 2.048, de 5</p><p>de novembro de 2002, e a Política Nacional de Humanização (PNH), lançada</p><p>em 2003, propõem as diretrizes para a implementação do acolhimento com</p><p>classificação de risco, ou triagem classificatória de risco, em todas as unidades</p><p>de atendimento de urgências (Ministério da Saúde, 2003; Zavaglia et al., 2019,</p><p>p. 48).</p><p>Assim, a classificação de risco tem como objetivo:</p><p>OBJETIVO DA CLASSIFICAÇÃO DE RISCO</p><p>Minimizar as disfunções da não distinção dos riscos,</p><p>proporcionando atendimento aos usuários de saúde de acordo</p><p>com os graus de sofrimento, e não mais por ordem de chegada.</p><p>Fonte: adaptado de Zavaglia; Pereira et al. (2019, p. 48).</p><p>#pratodosverem: retângulo amarelo em que aparece o seguinte texto: “Minimizar as</p><p>disfunções da não distinção dos riscos, proporcionando atendimento aos usuários de</p><p>saúde de acordo com os graus de sofrimento, e não mais por ordem de chegada”.</p><p>Para realizar a classificação de risco, é necessário que haja um profissional</p><p>com nível superior, preferencialmente um enfermeiro ou médico, que tenha</p><p>sensibilização, olhar crítico, conhecimento técnico-científico, que consiga</p><p>avaliar as queixas dos pacientes e acolher os que apresentarem quadros agu-</p><p>dos e/ou que tiverem condições de saúde que possam trazer risco iminente</p><p>de agravamento e/ou morte (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Portanto, a classificação de risco compreende uma ferramenta que auxilia o</p><p>profissional de enfermagem na organização da fila de espera dos serviços de</p><p>urgência e emergência, assegurando que ocorra atendimento no tempo ide-</p><p>al, de acordo com o quadro e a queixa apresentados por todo usuário avaliado</p><p>(Zavaglia et al., 2019).</p><p>Para saber mais sobre a classificação de risco, acesse</p><p>a Portaria n. 2.048/2002, clicando aqui.</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt2048_05_11_2002.html</p><p>77</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Entretanto, é importante dizer que a classificação de risco não exclui outras</p><p>estratégias que buscam garantir a qualidade do atendimento e da assistên-</p><p>cia nos serviços de saúde (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Para a execução correta da classificação de risco, vários protocolos foram cria-</p><p>dos em nível nacional e internacional. Todos os protocolos existentes se ba-</p><p>seiam na avaliação primária do paciente, realizada, preferencialmente, pelo</p><p>enfermeiro. A classificação de risco não tem como propósito excluir o atendi-</p><p>mento dos usuários, mas, sim, determinar a gravidade de cada caso (Zavaglia</p><p>et al., 2019).</p><p>A classificação de risco tem sido uma atividade do</p><p>profissional enfermeiro, respaldada pela Resolução</p><p>Cofen n. 661, de 9 de março de 2021, que normatiza</p><p>a participação do enfermeiro na atividade de</p><p>classificação de risco. Para ler essa resolução na</p><p>íntegra, acesse aqui.</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019); Conselho Federal de</p><p>Enfermagem (2021).</p><p>Os países precursores do desenvolvimento e da implementação da classifica-</p><p>ção de risco são Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido, com a uti-</p><p>lização de protocolos mundialmente conhecidos, como: Emergency Severity</p><p>Index (ESI), Australian Triage Scale (ATS), Canadian Triage Acuity Scale (CTAS)</p><p>e Manchester Triage System (MTS) (Zavaglia et al., 2019, p. 50).</p><p>A seguir, apresentaremos as particularidades do Manchester Triage System</p><p>(MTS), mundialmente conhecido e utilizado nos serviços de saúde.</p><p>O protocolo de Manchester é estruturado por cinco níveis de prioridade de</p><p>atendimento, os quais são representados por cores e associados ao tempo</p><p>máximo de espera por atendimento (Zavaglia et al., 2019).</p><p>https://www.cofen.gov.br/resolucao-cofen-no-661-2021/</p><p>78</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Prioridade 1</p><p>Considerado atendimento emergente, classificado pela cor vermelha,</p><p>o atendimento médico deve ser imediato.</p><p>Prioridade 2</p><p>Considerado atendimento muito urgente, classificado pela cor laranja,</p><p>o atendimento médico deve ocorrer em até dez minutos.</p><p>Prioridade 3</p><p>Considerado atendimento urgente, classificado pela cor amarela, o</p><p>atendimento médico deve ocorrer em até 60 minutos.</p><p>Prioridade 4</p><p>Considerado atendimento pouco urgente, classificado pela cor verde, o</p><p>atendimento médico deve ocorrer em até 120 minutos.</p><p>Prioridade 5</p><p>Considerado atendimento não urgente, classificado pela cor azul, o</p><p>atendimento médico deve ocorrer em até 240 minutos.</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019, p. 54).</p><p>O Brasil não tem um modelo de classificação próprio; por isso, adota protoco-</p><p>los já conhecidos e utilizados mundialmente, como é o caso do protocolo de</p><p>classificação de risco de Manchester (Zavaglia et al., 2019).</p><p>79</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>3.2 SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA</p><p>O Suporte Básico de Vida (SBV) e o Suporte Avançado de Vida (SAV) estão</p><p>interligados e têm como meta aumentar as taxas de sobrevivência dos indi-</p><p>víduos que necessitam de intervenção de urgência e emergência (Zavaglia</p><p>et al., 2019).</p><p>As manobras realizadas no SBV podem ser feitas em quaisquer faixas etárias</p><p>e consistem em um conjunto de ações e procedimentos realizados em víti-</p><p>mas com risco iminente de morte, sem a utilização de manobras invasivas. O</p><p>objetivo dessas manobras é a manutenção da vida e o não agravamento das</p><p>lesões já existentes, o que deve ser mantido até o início do suporte avançado</p><p>de vida (Zavaglia et al., 2019).</p><p>O SBV está dividido em avaliação primária e secundária e se baseia nas situ-</p><p>ações emergenciais: clínicas, traumáticas, especiais, ginecológicas e obstétri-</p><p>cas, pediátricas, intoxicações e</p><p>produtos perigosos e incidentes com múltiplas</p><p>vítimas (Zavaglia et al., 2019).</p><p>Avaliação primária</p><p>Realizada em todos os pacientes que apresentam suspeita de agravos</p><p>clínicos ou traumáticos, é feita pela avaliação da responsividade e</p><p>expansão torácica. São realizadas avaliação da permeabilidade das vias</p><p>aéreas, correção das situações de risco com a utilização de manobras de</p><p>hiperextensão da cabeça e elevação do mento, avaliação da ventilação,</p><p>avaliação do estado circulatório e avaliação do estado neurológico.</p><p>Avaliação secundária</p><p>Ocorre após a avaliação primária, e as intervenções específicas dessa</p><p>fase contemplam a realização da coleta de informações sobre a vítima</p><p>pelo histórico SAMPLA (sinais vitais, alergias, medicamentos em uso,</p><p>passado médico, líquidos e alimentos e ambiente), pela avaliação</p><p>complementar e pelo exame físico céfalo-podálico.</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019, p. 62-63).</p><p>80</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O SAV também tem como característica a avaliação primária e secundária e</p><p>pode ser feito em pacientes de todas as faixas etárias e em todo tipo de situ-</p><p>ação emergencial. Ele deve ser realizado por profissionais qualificados e ca-</p><p>pacitados, com equipamentos adequados que possam garantir oxigenação e</p><p>ventilação associados ao uso de medicamentos de acordo com cada situação.</p><p>A abordagem segue a sequência mnemônica ABCD, a saber:</p><p>A = vias aéreas.</p><p>B = respiração.</p><p>C = circulação.</p><p>D = desfibrilação e diagnóstico diferencial, o qual é</p><p>realizado apenas por profissionais da saúde.</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019, p. 65).</p><p>Na sequência, confira os elementos do SAV.</p><p>81</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>ELEMENTOS DO SAV</p><p>ELEMENTOS DO SAV</p><p>A – VIAS AÉREAS Checar a efetividade da ventilação primária e a permeabilidade</p><p>das vias aéreas.</p><p>Se houver indicação de via aérea avançada, poderão ser</p><p>utilizados Guedel, tubo orotraqueal, cricotireoidostomia,</p><p>máscara laríngea e combitube.</p><p>B – RESPIRAÇÃO Corresponde à ventilação avançada.</p><p>Confirmar o posicionamento da via aérea avançada.</p><p>Oferecer oxigênio (O2) sob pressão positiva por meio de</p><p>ventilação mecânica.</p><p>Manter SatO2 92%.</p><p>Avaliar CO2 expirado.</p><p>Se houver presença de lesões torácicas ou algum impedimento</p><p>torácico, tratar.</p><p>Solicitar exames de imagem e gasometria arterial, se necessário.</p><p>C – CIRCULAÇÃO Manter compressão cardíaca externa.</p><p>Checar frequência cardíaca e instalar monitor cardíaco para</p><p>determinar o ritmo.</p><p>Acesso venoso calibroso.</p><p>Coleta de exames laboratoriais para determinar e corrigir as</p><p>necessidades.</p><p>Avaliar glicemia capilar.</p><p>D – DESFIBRILAÇÃO</p><p>E DIAGNÓSTICO</p><p>DIFERENCIAL</p><p>Determinar a possível causa da PCR em AESP (atividade elétrica</p><p>sem pulso) ou assistolia (5H5T).</p><p>5H5T: hipóxia, hipovolemia, hipo/hipercalemia, H+ (acidose</p><p>metabólica), hipotermia, tamponamento cardíaco,</p><p>tromboembolismo pulmonar, trombose coronariana, tensão</p><p>torácica (pneumotórax) e toxicidade.</p><p>Desfibrilar segundo o ritmo cardíaco.</p><p>Medicar segundo o ritmo cardíaco.</p><p>Fonte: adaptado de Zavaglia; Pereira et al. (2019, p. 65).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e cinco linhas com os</p><p>elementos do suporte avançado de vida: A: vias aéreas; B: respiração;</p><p>C: circulação; D: desfibrilação e diagnóstico diferencial.</p><p>82</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Com base nos princípios do SBV e SAV, trataremos, a seguir, sobre o atendi-</p><p>mento na parada cardiorrespiratória (PCR) e a reanimação cardiopulmonar e</p><p>obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE). Boa leitura!</p><p>3.2.1 ATENDIMENTO NA PARADA</p><p>CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)</p><p>A parada cardiorrespiratória (PCR) é considerada uma emergência que ocor-</p><p>re em função da interrupção das condições vitais do ser humano. A PCR pode</p><p>ser decorrente de situações como fibrilação ventricular (FV), taquicardia ven-</p><p>tricular sem pulso (TVSP), assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP).</p><p>Assim que uma dessas condições for identificada, deve-se iniciar, imediata-</p><p>mente, o atendimento à PCR em razão da impossibilidade do cérebro de su-</p><p>portar a ausência de oxigênio por um período superior a cinco minutos. Após</p><p>esse período em hipóxia, ou seja, ausência de oxigênio, há grandes chances</p><p>de evolução de lesões irreversíveis no cérebro (Haley, 2023).</p><p>No Brasil e no mundo, as doenças cardiovasculares são responsáveis por nú-</p><p>meros elevados de morbimortalidade entre os indivíduos. Assim, as doenças</p><p>cardiovasculares e suas complicações podem desencadear parada cardior-</p><p>respiratória (PCR), aumentando as chances de mau prognóstico, como se-</p><p>quelas irreversíveis e óbito (Haley, 2023).</p><p>No Brasil, as doenças do aparelho circulatório são as principais causas de</p><p>morte, sendo responsáveis por mais de 30% dos óbitos e por cerca de 20%</p><p>de todas as mortes de indivíduos acima de 30 anos, atingindo a população</p><p>adulta em plena fase produtiva. (Haley, 2023, p. 3)</p><p>O enfermeiro e sua equipe são os profissionais mais próximos dos pacientes</p><p>em toda a permanência nos serviços de saúde. Por esse motivo, são os primei-</p><p>ros profissionais a presenciar uma PCR. Portanto, eles estão incumbidos de</p><p>iniciar imediatamente o atendimento da parada cardiorrespiratória, garantin-</p><p>do a sobrevida do paciente até a chegada de outros profissionais, para, então,</p><p>darem início ao suporte avançado de vida (Pellico, 2014; Haley, 2023).</p><p>Em virtude disso, é essencial que o enfermeiro tenha conhecimento e do-</p><p>mínio de todo o embasamento teórico a fim de garantir uma assistência de</p><p>qualidade e intervenções eficazes (Haley, 2023).</p><p>83</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>É importante destacar que, em um atendimento de parada cardiorrespiratória</p><p>(PCR), são utilizadas tanto as manobras do SBV quanto as do SAV (Haley, 2023).</p><p>Parada cardiorrespiratória: indivíduo inconsciente</p><p>em associação à ausência de movimentos</p><p>respiratórios ou de pulso central.</p><p>Fonte: Whitaker; Gatto, (2015).</p><p>Em outras palavras, a PCR consiste na cessação abrupta dos batimentos cardí-</p><p>acos, das funções respiratórias e cerebrais, o que é confirmado pela ausência de</p><p>pulso central, checado no pulso carotídeo ou femoral, pela apneia ou presença</p><p>de gasping e midríase completa em menos de três minutos (Santos, 2014).</p><p>Apneia: ausência de respiração.</p><p>Fonte: Santos (2014).</p><p>Logo, os primeiros minutos da PCR são cruciais para a sobrevivência do indiví-</p><p>duo. Todo atendimento deve ocorrer rapidamente, sempre pautado nos conhe-</p><p>cimentos técnicos e na prática baseada em evidências (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>Gasping: respiração agônica.</p><p>Fonte: Santos (2014).</p><p>84</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Considerando que a maioria das PCR súbitas ocorre em ambientes extra-hos-</p><p>pitalares, por exemplo, domicílios, ruas, entre outros, todos da comunidade</p><p>precisam ter algum conhecimento sobre o suporte de vida básico (Whitaker;</p><p>Gatto, 2015).</p><p>Midríase: dilatação da pupila.</p><p>Fonte: Santos (2014).</p><p>As manobras do SBV são realizadas de maneira sistematizada e de acordo</p><p>com as prioridades. Cada letra do mnemônico ABCD corresponde a uma ava-</p><p>liação seguida de uma intervenção (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>A (airway) – vias aéreas.</p><p>B (breathing) – respiração.</p><p>C (circulation) – compressões torácicas.</p><p>D (defibrillation) – desfibrilação.</p><p>CADEIA DE SOBREVIVÊNCIA PARA ADULTOS</p><p>PCRIH</p><p>Reconhecimento</p><p>e prevenção</p><p>precoces</p><p>Acionamento</p><p>do Serviço</p><p>Médico de</p><p>Emergência</p><p>RCP de alta</p><p>qualidade Desfibrilação Cuidados</p><p>pós-PCR Recuperação</p><p>PCREH</p><p>Acionamento</p><p>do Serviço</p><p>Médico de</p><p>Emergência</p><p>RCP de alta</p><p>qualidade Desfibrilação</p><p>Ressuscitação</p><p>avançada</p><p>Cuidados</p><p>pós-PCR Recuperação</p><p>Fonte: adaptado de American Heart Association (2020, p. 7).</p><p>#pratodosverem: imagem dividida em duas etapas, contendo o</p><p>fluxo de atendimento em uma situação emergencial.</p><p>85</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O principal objetivo do atendimento na parada cardiorrespiratória é manter a</p><p>circulação artificial por meio das compressões torácicas externas, promoven-</p><p>do oxigenação cerebral (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>3.2.2 REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR</p><p>Seguindo o fluxo de atendimento da PCR, iniciamos o atendimento com a</p><p>avaliação do nível de consciência e da respiração da vítima. Em caso de aten-</p><p>dimento extra-hospitalar, a avaliação da consciência é feita com estimulação</p><p>tátil e sonora. O socorrista deve tocar os ombros da vítima e perguntar em</p><p>voz alta: “Você está bem?”. Simultaneamente, deve-se avaliar a respiração; se</p><p>o paciente não estiver respirando ou apresentar respirações ineficazes (por</p><p>exemplo, agônicas, superficiais, muito lentas etc.), deve-se pedir ajuda e acio-</p><p>nar o serviço médico de emergência, como o SAMU (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>Já, dentro do ambiente hospitalar, o nível de consciência e do padrão respira-</p><p>tório são reavaliados e se busca ajuda de profissionais capacitados para exe-</p><p>cutar as manobras da PCR (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>Em relação à avaliação dos sinais de circulação, o profissional da saúde avalia</p><p>a presença do pulso em artérias de grande calibre, por exemplo, a artéria ca-</p><p>rotídea ou femoral (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>A artéria radial/ulnar não deve ser considerada como</p><p>parâmetro para a avaliação da presença de pulso</p><p>durante a PCR; a prioridade deve ser as artérias de</p><p>grande calibre.</p><p>Fonte: Whitaker; Gatto (2015).</p><p>Ao identificar a ausência do pulso, mesmo que haja dúvidas, as compressões</p><p>torácicas devem ser iniciadas de imediato. A recomendação é que os leigos</p><p>iniciem a RCP para uma suposta PCR, pois o risco de dano ao paciente é baixo</p><p>se ele não estiver em PCR (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>Buscando o melhor êxito nos atendimentos de emergência em reanimação</p><p>cardiorrespiratória, a American Heart Association (AHA) apresentou</p><p>novas diretrizes em que o atendimento deve ser rápido e com ênfase</p><p>na compressão cardíaca de alta qualidade, usando o logaritmo (CAB),</p><p>86</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>minimizando as interrupções, comprimindo cinco centímetros do tórax,</p><p>permitindo o seu retorno total e obedecendo ao padrão de 30 massagens</p><p>para duas ventilações, não excedendo dez ventilações por minuto. Essa</p><p>prioridade incide na mudança do padrão de ABC para CAB, constatando,</p><p>assim, a prioridade da compressão em relação à ventilação. (Haley, 2023, p. 3)</p><p>Para garantir a eficácia das descompressões torácicas externas, algumas</p><p>ações devem ser colocadas em prática (Whitaker; Gatto, 2015, p. 259).</p><p>• Manter a vítima em posição supina, sobre uma superfície plana e rígida.</p><p>• O socorrista deve se posicionar ao lado do paciente, próximo da região superior</p><p>do tórax, preferencialmente, em um plano mais elevado para que os braços</p><p>possam ser estendidos completamente durante o atendimento à vítima.</p><p>• Preferencialmente, o peito do paciente deve estar desnudo.</p><p>• Posicionar as mãos sobre o esterno da vítima, na linha intermamilar. Os</p><p>braços devem estar estendidos, sem flexionar cotovelos, de modo que forme</p><p>um ângulo de 90 graus.</p><p>• Para realizar a massagem cardíaca, o peso do tronco do socorrista ajuda</p><p>a comprimir o esterno da vítima, promovendo uma depressão de 5 cm e</p><p>permitindo, a seguir, o retorno do tórax à posição normal.</p><p>• Deve-se manter um ritmo, repetindo o movimento em série e de maneira</p><p>ininterrupta, tentando atingir uma frequência mínima de 100 compressões</p><p>por minuto.</p><p>• As ventilações são feitas de forma intercalada com as compressões torácicas,</p><p>em uma relação de 30 compressões para cada duas ventilações.</p><p>• Recomenda-se que a pessoa que está realizando as compressões troque</p><p>com outra a cada dois minutos, para garantir a qualidade e a constância</p><p>das compressões.</p><p>Confira aqui as atualizações da American Heart</p><p>Association sobre o manejo dos pacientes vítimas</p><p>de PCR.</p><p>https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf</p><p>87</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Em relação à desfibrilação, alguns ritmos são considerados chocáveis, como</p><p>é o caso da fibrilação ventricular. Quanto mais precoce for a desfibrilação,</p><p>melhores serão o prognóstico e a sobrevida da vítima. A cada dois minutos</p><p>de ressuscitação cardiopulmonar, o ritmo do paciente deve ser reavaliado</p><p>(Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>3.2.3 OBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS POR CORPO</p><p>ESTRANHO (OVACE)</p><p>A insuficiência respiratória é considerada a impossibilidade do sistema respi-</p><p>ratório de receber oxigênio em quantidades suficientes e/ou de eliminar, por</p><p>diferentes motivos, o dióxido de carbono produzido (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>A alteração do padrão respiratório, causada pela insuficiência respiratória, de-</p><p>manda atendimento imediato devido ao risco iminente de morte. A insufici-</p><p>ência respiratória é classificada como (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>Hipoxêmica ou tipo I</p><p>Pressão parcial de oxigênio alveolar – PaO2 < 60 mmHg, quando a</p><p>relação ventilação/perfusão está comprometida.</p><p>Hipercápnica ou tipo II</p><p>PaO2 50 mmHg: quando a principal causa é a hipoventilação.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 136).</p><p>A insuficiência respiratória está associada ao quadro clínico voltado para (To-</p><p>base; Tomazini, 2017):</p><p>• Alteração do padrão respiratório com a utilização progressiva da musculatura</p><p>acessória.</p><p>• Cianose de extremidades ou central.</p><p>• Aumento da frequência cardíaca.</p><p>• Alterações neurológicas devido à hipoxemia acentuada.</p><p>88</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Basicamente, o tratamento consiste na estabilização do quadro respiratório e</p><p>no manejo do que causou a insuficiência. Destaca-se que a hipóxia resultante</p><p>da insuficiência respiratória relaciona-se também com outras condições fre-</p><p>quentes em atendimentos de emergências respiratórias, como asfixia e obs-</p><p>trução de via respiratória por corpo estranho (Tobase; Tomazini, 2017, p. 136).</p><p>Nos casos em que a hipóxia é decorrente da obstrução das vias aéreas por</p><p>corpo estranho, é preciso intervenção imediata. Esse tipo de obstrução ocor-</p><p>re, sobretudo, em decorrência do engasgo com alimentos, da aspiração de</p><p>pequenos objetos levados à boca ou da aspiração de secreções como vômi-</p><p>to, sangue, prótese dentária, dente solto, entre outros. São caracterizados por</p><p>tosse cujo início se dá de maneira súbita em associação à dificuldade para</p><p>respirar e falar (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Assim, a obstrução é classificada em leve ou parcial e grave ou total. Com base</p><p>nessa classificação, devem-se iniciar as manobras e as condutas. Nas obstru-</p><p>ções consideradas leves ou parciais, ainda existe a passagem do ar, mas o</p><p>indivíduo apresenta tosse e dificuldade para respirar (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Já, nas obstruções avaliadas como graves ou totais, observa-se uma passa-</p><p>gem do ar mínima ou ausente, e a vítima apresenta dificuldade respiratória</p><p>intensa e tosse silenciosa ou fraca em associação ao quadro de cianose e ao</p><p>sinal de angústia respiratória (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>A conduta diante desses casos depende da faixa etária e da responsividade da</p><p>vítima. Nesta unidade, nosso enfoque é o indivíduo adulto.</p><p>Nos casos de obstrução grave em adultos responsivos, o profissional deve co-</p><p>locar em prática a seguinte conduta (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Posicione-se atrás da vítima.</p><p>• Contorne a cintura</p><p>da vítima com os braços, localize o ponto médio entre a</p><p>cicatriz umbilical e o processo xifoide.</p><p>• No ponto médio, coloque uma das mãos fechada em punho, com o polegar</p><p>voltado para o abdome, e posicione a outra mão, aberta, por cima da primeira.</p><p>• Em seguida, comprima a região abdominal com movimentos para dentro</p><p>e para cima, em “J”, repetidamente, até a saída do objeto ou até a pessoa</p><p>deixar de ficar responsiva.</p><p>89</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Já, a conduta em indivíduos adultos não responsivos deve ser feita da seguin-</p><p>te maneira (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Com a vítima deitada, faça as manobras semelhantes às realizadas durante</p><p>a ressuscitação cardiopulmonar.</p><p>• Avalie a cavidade oral em busca do objeto estranho que causou a obstrução.</p><p>• Avalie a responsividade da vítima.</p><p>Caso não haja resposta ou o objeto não seja encontrado e retirado, inicie as</p><p>seguintes manobras (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Posicione a vítima em decúbito dorsal horizontal sobre uma superfície plana</p><p>e rígida e faça 30 compressões torácicas.</p><p>• Abra as vias respiratórias por meio da inclinação da cabeça e da elevação</p><p>do queixo.</p><p>• Efetue duas ventilações e, se o ar não passar, faça 30 compressões torácicas.</p><p>• Inspecione a cavidade oral e, se o objeto estiver visível e alcançável, retire-o</p><p>com os dedos em pinça.</p><p>Caso não seja possível retirar o objeto (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Repita a sequência até ocorrer a saída do corpo estranho ou a passagem do ar.</p><p>• Prossiga com a avaliação primária após a retirada do objeto ou a passagem</p><p>do ar.</p><p>Nesta unidade, aprendemos as principais situações emergenciais, os protoco-</p><p>los para o manejo adequado e uma assistência de qualidade. Esperamos que</p><p>você tenha aproveitado.</p><p>90</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Finalizamos o conteúdo desta unidade, esperando que você tenha consegui-</p><p>do alcançar os objetivos propostos.</p><p>Nesta unidade, conhecemos a organização dos serviços de urgência e emer-</p><p>gência, além de compreender o Suporte Básico e o Suporte Avançado de</p><p>Vida. Também aprendemos sobre a parada cardiorrespiratória e o manejo da</p><p>ressuscitação cardiopulmonar.</p><p>A enfermagem em situações de urgência e emergência deve oferecer aten-</p><p>dimento rápido e eficaz, em busca da manutenção das principais funções</p><p>de vida do indivíduo, de acordo com as suas particularidades e necessidades.</p><p>Assim, a equipe de enfermagem está diariamente frente a frente com pa-</p><p>cientes nas mais variadas situações, exercendo os papéis que lhes são cabíveis</p><p>diante das normativas estabelecidas pelo Cofen.</p><p>Portanto, torna-se uma necessidade ímpar a habilidade do enfermeiro para</p><p>atuar nesses ambientes de saúde; por isso, a atualização e o estudo constan-</p><p>tes, além da imersão nos preceitos técnicos e no embasamento científico, se-</p><p>rem uma demanda da profissão.</p><p>91</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema desta unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. Avaliar o preparo dos acadêmicos de</p><p>enfermagem frente a um atendimento de</p><p>urgência e emergência.</p><p>2. A atuação do enfermeiro nos casos de parada</p><p>cardiorrespiratória: uma revisão integrativa da</p><p>literatura.</p><p>3. Teoria de médio alcance do diagnóstico de</p><p>enfermagem risco de aspiração em pacientes</p><p>críticos adultos.</p><p>4. O papel do enfermeiro na classificação de risco</p><p>nos serviços de urgência e emergência: uma</p><p>revisão integrativa.</p><p>5. Atuação do enfermeiro na classificação de risco</p><p>através do Protocolo de Manchester nos serviços</p><p>de urgência e emergência.</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/36269</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/36269</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/36269</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35159</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35159</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35159</p><p>https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf</p><p>https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf</p><p>https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/10500</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/10500</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/10500</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26592</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26592</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26592</p><p>UNIDADE 4</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>92</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Apresentar o</p><p>atendimento ao</p><p>indivíduo vítima</p><p>de trauma.</p><p>> Conhecer</p><p>as principais</p><p>emergências</p><p>clínicas.</p><p>93</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>4 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS</p><p>E TRAUMÁTICAS</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>Esta unidade faz uma reflexão sobre as emergências traumáticas e clínicas.</p><p>Os traumas são considerados a terceira causa de morte mais frequente no</p><p>mundo, logo depois das doenças cardiovasculares e do câncer. Quanto aos</p><p>dados epidemiológicos, o trauma atinge, majoritariamente, pessoas jovens,</p><p>em idade laboral, do sexo masculino e que, após o tratamento, necessitam</p><p>de reabilitação por tempo prolongado, o que acarreta, diretamente, prejuízo</p><p>financeiro para o Estado e para os encargos trabalhistas.</p><p>Esses dados reforçam a necessidade do atendimento de emergência, rápido</p><p>e qualificado pelos profissionais da saúde envolvidos na ocasião, em especial</p><p>o enfermeiro, pois o trabalho dele pode representar uma redução significa-</p><p>tiva na gravidade dos danos, aumentando as chances de bons prognósticos.</p><p>Assim, esta unidade propõe contextualizar as vertentes das emergências clí-</p><p>nicas e traumáticas para que você possa compreender, de maneira efetiva, a</p><p>funcionalidade desse serviço.</p><p>Desejamos uma boa leitura!</p><p>Eventos clínicos e traumáticos estão suscetíveis a ocorrer nos mais variados lo-</p><p>cais e em quaisquer circunstâncias. O crescimento populacional, a urbanização</p><p>e a mudança de estilo de vida da população fazem com que alguns desses</p><p>eventos aconteçam com maior frequência atualmente (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Diante desse cenário, algumas ações e estratégias precisam ser criadas e esta-</p><p>belecidas para facilitar o atendimento em emergências clínicas e traumáticas,</p><p>com protocolos objetivos, práticos e dinâmicos, que envolvam as prioridades</p><p>vitais da pessoa que sofreu um traumatismo grave (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Pensando nesse contexto, o Ministério da Saúde, por meio da Portaria n. 1.365,</p><p>de 8 de julho de 2013, aprovou e instituiu a Linha de Cuidado ao Trauma na</p><p>Rede de Atenção às Urgências e Emergências, que tem como objetivo, com</p><p>94</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ações de vigilância, prevenção e promoção da saúde, reduzir, no Brasil, a mor-</p><p>bimortalidade pelo trauma (Brasil, 2013).</p><p>Com base nesse cenário, vamos tratar de alguns assuntos que exploram o co-</p><p>nhecimento técnico-científico sobre a versatilidade do trauma. Bons estudos!</p><p>4.1 CUIDADO DO INDIVÍDUO VÍTIMA DE TRAUMA</p><p>Na atualidade, o trauma é considerado um problema de saúde pública que</p><p>acarreta altas taxas de morbimortalidade na população, apesar de ser reco-</p><p>nhecido como um agravo evitável e prevenível (Brasil, 2013).</p><p>O trauma é a terceira causa de morte com maior número de ocorrências em</p><p>âmbito nacional e internacional,</p><p>acometendo, em sua maioria, indivíduos do</p><p>sexo masculino, jovens em faixa economicamente ativa e costuma estar asso-</p><p>ciado ao uso de álcool e drogas (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Esses incidentes podem causar grandes impactos, seja na vida da vítima, jus-</p><p>tificados por danos irreversíveis, seja nos âmbitos social e econômico. Os prin-</p><p>cipais incidentes causadores de traumas são (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>PRINCIPAIS INCIDENTES CAUSADORES DE TRAUMAS</p><p>Afogamento Incêndio Homicídio Agressões</p><p>Abuso Ferimento por</p><p>arma de fogo</p><p>Ferimento por</p><p>arma branca Queda</p><p>Fonte: adaptado de Tobase; Tomazini (2017, p. 47).</p><p>#pratodosverem: figura formada por oito retângulos. No primeiro, aparece</p><p>o incidente “afogamento”. No segundo, “incêndio”. No terceiro, “homicídio”.</p><p>No quarto, “agressões”. No quinto, “abuso”. No sexto, “ferimento por arma</p><p>de fogo”. No sétimo, “ferimento por arma branca”. No oitavo, “queda”.</p><p>O paciente vítima de trauma, muitas vezes em condições graves, necessita de</p><p>atendimento prioritário e rápido a fim de reduzir as chances de morbimor-</p><p>talidade decorrentes do acidente. Assim, é necessário que você compreenda</p><p>que cada paciente possui uma especificidade e deve ser tratado de forma</p><p>diferenciada e individualizada (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>95</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>• Crianças mais novas apresentam índices maiores</p><p>de traumatismo craniano. Essa característica</p><p>se justifica pela cabeça relativamente maior</p><p>em relação ao corpo, o que aumenta o risco de</p><p>lesão desse tipo. Em geral, não há manifestações</p><p>imediatas, podendo a perda volêmica acontecer</p><p>de forma tardia, bem como a consequente</p><p>alteração dos sinais vitais.</p><p>• Os idosos, apesar de considerados uma</p><p>população com chances menores de sofrer</p><p>traumas em comparação aos adultos jovens, têm</p><p>maior tendência a prognósticos ruins e ao óbito</p><p>pela gravidade das lesões, pelas características</p><p>fisiológicas do envelhecimento, pelas</p><p>comorbidades, pelo uso de diversas medicações</p><p>no tratamento de doenças crônicas e pela falta</p><p>de compreensão quanto às necessidades e às</p><p>especificidades por parte de muitos profissionais</p><p>que os atendem.</p><p>• Ao atender uma vítima do sexo feminino, deve-se</p><p>atentar ao fato da possibilidade de gravidez. Para</p><p>isso, no caso de vítimas inconscientes, é preciso</p><p>fazer exames laboratoriais e/ou de imagem para</p><p>descartar ou confirmar essa condição.</p><p>• Nas gestantes, o trauma significa dar atenção</p><p>às duas vidas: o binômio mãe-filho. A variação</p><p>da posição do útero nas diferentes idades</p><p>gestacionais acarreta alterações na compressão</p><p>dos órgãos. O aumento uterino ocasiona lentidão</p><p>no esvaziamento gástrico, risco de refluxo e</p><p>broncoaspiração. A compressão do diafragma</p><p>dificulta o posicionamento corporal e resulta</p><p>em hiperventilação. O aumento do volume</p><p>circulante e a anemia fisiológica retardam as</p><p>manifestações na hipovolemia.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 47).</p><p>96</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Logo, o enfermeiro deve estar atento às características dos traumas, os quais</p><p>são divididos em três picos distintos no que diz respeito à mortalidade (Toba-</p><p>se; Tomazini, 2017):</p><p>CARACTERÍSTICA DOS TRAUMAS EM RELAÇÃO À MORTALIDADE</p><p>Morte imediata: ocorre logo após o trauma.1</p><p>2</p><p>3</p><p>Morte em minutos ou horas após o trauma.</p><p>Morte tardia: ocorre dias ou semanas após o trauma.</p><p>Fonte: adaptado de Tobase; Tomazini (2017, p. 47).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos enumerados de um</p><p>a três. No primeiro, aparece a característica “morte imediata: ocorre logo</p><p>após o trauma”. No segundo, “morte em minutos ou horas após o trauma”.</p><p>No terceiro, “morte tardia: ocorre dias ou semanas após o trauma”.</p><p>O trauma é, portanto, passível de prevenção e evitável em relação às mortes</p><p>na maioria dos casos. Para isso, é essencial que o profissional da saúde, sendo</p><p>o enfermeiro o foco do nosso estudo nesta disciplina, tenha domínio sobre as</p><p>características e os mecanismos do trauma para instituir medidas preventi-</p><p>vas nas fases pré, durante e pós o evento (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>4.1.1 CINEMÁTICA DO TRAUMA</p><p>Trauma é “[...] qualquer lesão caracterizada por uma alteração estrutural fi-</p><p>siológica resultante da ação de um agente externo que causou a exposição</p><p>da vítima a determinadas energias, sejam mecânicas, térmicas ou elétricas”</p><p>(Santos, 2018, p. 61).</p><p>97</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>BIOMECÂNICA DO TRAUMA</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 83).</p><p>#pratodosverem: fotografia de um afundamento do para-brisa de um carro. A</p><p>imagem mostra a impressão de pontos diferentes no para-brisa, o que leva a</p><p>crer que um corpo foi atingido por completo, como em um atropelamento.</p><p>O trauma pode ser classificado de duas formas:</p><p>Fechado</p><p>Originado por impacto direto em determinada região. A energia é</p><p>propagada no interior do corpo humano, provocando danos internos</p><p>que nem sempre são evidentes, como compressão, cisalhamento e</p><p>rompimento de órgãos e vísceras. Esse tipo de trauma requer muita</p><p>atenção e avaliação criteriosa, pois a ausência de lesões externas</p><p>dificulta a identificação rápida e imediata. Por isso, não dispensa a</p><p>suspeição de lesões e hemorragias internas.</p><p>98</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Penetrante ou aberto</p><p>Facilmente identificável, evidenciado pela presença de lesão que,</p><p>em geral, estabelece a comunicação entre os meios externo e</p><p>interno, originando uma cavidade temporária ou permanente que</p><p>afasta os tecidos da posição original. O risco de infecção é maior e,</p><p>às vezes, exige antibioticoterapia e profilaxia com imunobiológicos.</p><p>A comunicação entre órgãos e cavidades com o meio externo promove</p><p>o desequilíbrio das pressões internas e intracavitárias, influencia no</p><p>posicionamento e/ou no funcionamento dos órgãos afetados e exige</p><p>intervenções imediatas para a prevenção de alterações sistêmicas.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 48).</p><p>Diante desse cenário, é importante que o enfermeiro esteja apto a identificar</p><p>as características inerentes ao trauma e conduzir as etapas de atendimento</p><p>ao paciente ainda na cena (Zavaglia et al., 2019):</p><p>ETAPAS DE ATENDIMENTO AO PACIENTE</p><p>Não causar mais danos ao paciente.</p><p>Reverter lesões possivelmente letais.</p><p>Realizar transporte do paciente de forma segura</p><p>até o hospital que dará sequência ao atendimento.</p><p>Fonte: adaptado de Zavaglia et al. (2019, p. 76).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos. No primeiro, aparece a</p><p>característica “não causar mais danos ao paciente”. No segundo, “reverter</p><p>lesões possivelmente letais”. No terceiro, “realizar transporte do paciente de</p><p>forma segura até o hospital que dará sequência ao atendimento”.</p><p>Ao receber a chamada indicando a ocorrência, deve-se (Zavaglia et al., 2019, p. 77):</p><p>• Receber e anotar o chamado.</p><p>• Atentar para a ordem de transmissão dada pela central reguladora, com as</p><p>seguintes informações: endereço da ocorrência, nome do solicitante e das</p><p>vítimas e outras informações cabíveis.</p><p>99</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>• Para agilizar a chegada ao local, enquanto o registro da informação é feito, o</p><p>condutor deve realizar a busca pelo endereço no guia/GPS, a fim de garantir</p><p>a chegada ao destino o quanto antes.</p><p>• O condutor deve ficar atento às regras de trânsito, conforme o Código de</p><p>Trânsito Brasileiro (CTB).</p><p>• Deve-se escolher uma via de deslocamento segura e que garanta maior</p><p>agilidade no percurso.</p><p>• Ao chegar na cena, realizar a cinemática do trauma.</p><p>A cinemática do trauma consiste na avaliação da cena</p><p>do acidente para de-</p><p>terminar as lesões resultantes das forças e dos movimentos envolvidos, a fim</p><p>de prever a gravidade das lesões, sobretudo as que não estão evidentes e visí-</p><p>veis, para direcionar as decisões a serem tomadas pelo enfermeiro.</p><p>TRAUMA FECHADO</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 83).</p><p>#pratodosverem: fotografia da região torácica de um homem, vítima de um acidente.</p><p>Ele está deitado, com a cervical imobilizada com colar cervical, e apresenta inúmeros</p><p>hematomas e equimoses pela região torácica, sugestivas de trauma fechado.</p><p>100</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para realizar essa avaliação, é necessário ter conhecimento dos princípios ge-</p><p>rais e da ação das leis da física que regem o movimento na aplicação da ener-</p><p>gia, além dos efeitos nas estruturas corporais, durante as circunstâncias do</p><p>evento (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Ejeção: ato de ejetar, lançar para fora.</p><p>É indispensável compreender a direção e a velocidade; estimar a quantidade</p><p>de energia transferida sobre o corpo humano; presumir as possíveis lesões</p><p>internas de acordo com o cenário encontrado; avaliar as lesões externas e sus-</p><p>peitar de possíveis danos internos. Assim, devem ser analisados (Tobase; To-</p><p>mazini, 2017):</p><p>101</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>PASSO A PASSO DA AVALIAÇÃO DA CENA DO TRAUMA</p><p>O que aconteceu</p><p>Tipo de ambiente.</p><p>Natureza do evento.</p><p>Mecanismo de trauma envolvido.</p><p>Tipo de acidente (trânsito, esportivo, agressão, queda, explosão,</p><p>desabamento etc.).</p><p>Tamanho e</p><p>massa</p><p>Características do veículo e/ou do objeto utilizado na agressão.</p><p>Tipo e área de impacto.</p><p>Armas de alta ou de baixa energia, calibre e trajetória do projétil.</p><p>Avaliação do ponto de entrada e saída.</p><p>Comprimento, largura e trajetória da lâmina.</p><p>Velocidade e</p><p>distância</p><p>Avaliar aceleração/desaceleração.</p><p>Avaliar deformidade do veículo.</p><p>Avaliar trajetória estimada, altura do local e ação da gravidade.</p><p>Avaliar características do solo depois do impacto – principalmente</p><p>em caso de queda de altura superior a três vezes a altura da vítima.</p><p>Se houver ejeção, estimar a distância do deslocamento.</p><p>Características</p><p>das vítimas</p><p>Número de pessoas.</p><p>Idade.</p><p>Sexo.</p><p>Compleição física.</p><p>Posição ocupada no interior do veículo ou na via pública.</p><p>Área corporal atingida.</p><p>Padrão de lesão.</p><p>Dispositivos de</p><p>proteção</p><p>Uso de cinto de segurança, airbag, capacete, cadeira ou assento</p><p>infantil, maca ou cama com grades elevadas etc.</p><p>Fonte: adaptado de Tobase; Tomazini (2017, p. 48).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e cinco linhas apresenta</p><p>o passo a passo da avaliação da cena do trauma.</p><p>102</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Ao chegar no cenário do trauma, é preciso:</p><p>• Antes de iniciar o atendimento, é essencial</p><p>que o enfermeiro avalie a segurança do local,</p><p>garantindo um ambiente seguro para os</p><p>profissionais, para o paciente e para as demais</p><p>pessoas presentes na cena.</p><p>• A utilização de equipamentos de proteção</p><p>individual (EPIs) é imprescindível, respeitando as</p><p>normas de biossegurança e prevenindo possíveis</p><p>riscos ocupacionais.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 49).</p><p>Após realizar a cinemática do trauma, é preciso iniciar a avaliação primária.</p><p>4.1.2 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA – XABCDE</p><p>DO TRAUMA</p><p>Concluída a avaliação rápida da cinemática do trauma e tendo obtido o con-</p><p>trole da cena com a identificação de pontos importantes, como as caracterís-</p><p>ticas do paciente, o mecanismo do trauma, as lesões apresentadas e a análise</p><p>dos relatos e dos parâmetros vitais, é preciso iniciar a avaliação primária das</p><p>vítimas (Tobase; Tomazini, 2017; Santos, 2018).</p><p>O método mnemônico ABCDE do trauma foi elaborado pelo Colégio Ameri-</p><p>cano de Cirurgiões, por meio do Advanced Trauma Life Support (ATLS). Atua-</p><p>lizado há alguns anos, passou a incluir a letra X, passando a XABCDE. O propó-</p><p>sito desse método é padronizar o atendimento ao paciente vítima de trauma</p><p>por ordem de prioridade (Tobase; Tomazini, 2017; Sueoka, 2019).</p><p>103</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>A seguir, veremos o significado do mnemônico XABCDE (Tobase; Tomazini,</p><p>2017; Sueoka, 2019):</p><p>• X (Exsanguinação): a contenção de hemorragias externas deve ser a primeira</p><p>ação colocada em prática na cena do trauma.</p><p>• A (Airways): avaliar a via respiratória da vítima. Para isso, ela precisa estar</p><p>com a coluna cervical protegida.</p><p>• B (Breathing): avaliar o padrão respiratório da vítima, como frequência</p><p>respiratória, insuficiência respiratória, presença de cianose central e/ou de</p><p>extremidades; presença de desvio da traqueia etc.</p><p>• C (Circulation): avaliar a circulação e o controle da hemorragia externa.</p><p>• D (Disabilty): avaliar a disfunção neurológica. Nessa etapa, o enfermeiro</p><p>deve analisar o nível de consciência, a reatividade das pupilas, a presença de</p><p>lesão medular etc.</p><p>• E (Exposure): avaliar a exposição/controle do ambiente, para prevenir a</p><p>hipotermia.</p><p>A avaliação da via respiratória e do padrão respiratório e a permeabilização</p><p>das vias aéreas são etapas realizadas simultaneamente. Inicialmente, o en-</p><p>fermeiro deve fazer a inspeção da cavidade oral em busca de algo que possa</p><p>causar obstrução das vias aéreas. “A diminuição do fluxo aéreo por obstruções</p><p>parciais das vias aéreas implica risco iminente de vida, e a interrupção total do</p><p>fluxo de ar resulta em morte por asfixia em poucos minutos” (Sueoka, 2019,</p><p>p. 103).</p><p>O indivíduo com algum tipo de obstrução das vias aéreas ou insuficiência</p><p>respiratória apresentará sinais clássicos, como presença de estridores; ron-</p><p>cos pulmonares; cianose e retração das fossas supraclaviculares, da parede</p><p>torácica ou da parede abdominal na inspiração. No caso de corpos estranhos,</p><p>deve-se prosseguir com a manobra já ensinada nesta disciplina, observando</p><p>a variação para pacientes conscientes ou inconscientes (Sueoka, 2019).</p><p>104</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Caso seja identificado obstrução por queda da base da língua, causado pelo</p><p>relaxamento desse membro, a manobra de anteriorização da mandíbula cos-</p><p>tuma ser eficiente para reestabelecer o fluxo de oxigênio, conforme demons-</p><p>trado na imagem a seguir (Sueoka, 2019):</p><p>LIBERAÇÃO MANUAL DAS VIAS AÉREAS</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 115).</p><p>#pratodosverem: ilustração com duas imagens mostrando como fazer a liberação</p><p>manual das vias aéreas de um paciente que está com obstrução das vias</p><p>aéreas em razão da queda da base da língua. Na primeira imagem, a cabeça</p><p>do paciente é inclinada com uma das mãos do socorrista apoiada na cabeça</p><p>da vítima e a outra mão levanta o queixo com a ponta dos dedos. Na segunda</p><p>imagem, as mãos do socorrista pressionam os seios da face do paciente.</p><p>Já nos casos em que os pacientes estão inconscientes, pode ser utilizada a</p><p>cânula orofaríngea, conhecida como cânula de Guedel, para promover o fluxo</p><p>de oxigênio.</p><p>A fase C (circulation) consiste no reconhecimento rápido do choque hipovo-</p><p>lêmico, que pode ser identificado por meio de sinais e sintomas, como altera-</p><p>ção da frequência cardíaca, enchimento capilar, coloração da pele, presença</p><p>de sudorese e rebaixamento de sensório. À medida que o enfermeiro identi-</p><p>fica os sinais de choque hipovolêmico, é preciso detectar as prováveis causas</p><p>para evitar mau prognóstico e óbito por essa causa. Uma das ações nessa fase</p><p>é garantir dois acessos venosos periféricos calibrosos para infusão de cristaloi-</p><p>des e/ou medicações (Zavaglia et al., 2019).</p><p>105</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U</p><p>área da saúde, em especial o enfermeiro, precisa de-</p><p>sempenhar um papel de excelência no que diz respeito à promoção da saúde</p><p>com agilidade e precisão, independentemente do cenário em que o paciente</p><p>estiver inserido (Brêtas; Gamba, 2006).</p><p>Desse modo, visando melhorar a qualidade técnico-científica do conheci-</p><p>mento acerca da saúde do adulto e todo o contexto envolvido, apresentare-</p><p>mos, nesta disciplina, temas que possam trazer maior habilidade profissional</p><p>nas áreas de atuação do enfermeiro, isto é, temas que estejam relacionados</p><p>ao centro cirúrgico, ao serviço de urgência e emergência, e à unidade de te-</p><p>rapia intensiva.</p><p>Desejamos que você tenha um ensino de qualidade e que aproveite ao máxi-</p><p>mo a leitura. Bons estudos!</p><p>11</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>UNIDADE 1</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>12</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Compreender</p><p>a organização do</p><p>centro cirúrgico</p><p>e da central de</p><p>material, além da</p><p>atuação da equipe</p><p>de enfermagem.</p><p>> Conhecer as</p><p>terminologias</p><p>cirúrgicas, os tempos</p><p>cirúrgicos e os</p><p>posicionamentos</p><p>cirúrgicos.</p><p>13</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>1 ENFERMAGEM EM CENTRO</p><p>CIRÚRGICO E CENTRAL</p><p>DE MATERIAL</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>Esta unidade vai abordar uma reflexão sobre a atuação da equipe de enfer-</p><p>magem no centro cirúrgico. Para que você possa compreender esse cenário,</p><p>é importante a conceituação desse ambiente. O centro cirúrgico é um setor</p><p>hospitalar onde os profissionais da saúde estão reunidos para oferecer proce-</p><p>dimentos cirúrgicos ou exames específicos com segurança, conforto e agili-</p><p>dade (Pellico, 2014).</p><p>O centro cirúrgico é visto como um ambiente de alta rotatividade, no qual</p><p>são realizados procedimentos de alta complexidade, muito invasivos e que</p><p>exigem determinados cuidados específicos para evitar complicações.</p><p>Por esse motivo, julgamos essencial falar de temas que possam apresentar</p><p>um pouco sobre a realidade da rotina no centro cirúrgico. Assim, esta discipli-</p><p>na está subdividida em dois tópicos. O primeiro detalha o ambiente cirúrgico:</p><p>a sala cirúrgica, a central de material e a sala de recuperação pós-anestésica</p><p>(SRPA), além dos métodos de esterilização e o papel da equipe de enferma-</p><p>gem na cirurgia. O segundo tópico aborda a evolução da cirurgia, as termino-</p><p>logias, os tempos e os posicionamentos mais utilizados. Boa leitura!</p><p>1.1 O AMBIENTE CIRÚRGICO</p><p>Atualmente, o hospital é considerado uma empresa de alta complexidade,</p><p>com estruturas tecnológicas e que presta serviços de saúde, oferecendo inter-</p><p>nações, tratamentos, recuperações, entre outros serviços. Dessa forma, o hos-</p><p>pital segue os princípios de administração que envolvem questões de previsão,</p><p>organização, coordenação e controle (Pellico, 2014; Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>No contexto hospitalar, a Unidade de Centro Cirúrgico (UCC) é definida como</p><p>o setor responsável pelas atividades cirúrgicas, pela Recuperação Anestési-</p><p>ca (RA) e pelo Centro de Material e Esterilização (CME). Segundo Carvalho e</p><p>Bianchi (2016), de modo estruturado, a UCC compreende cinco subsistemas:</p><p>14</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>SUBSISTEMAS DA UNIDADE DE CENTRO CIRÚRGICO (UCC)</p><p>UCC</p><p>Psicossocial</p><p>Estrutural Administrativo</p><p>Tecnológico Metas e</p><p>Valores</p><p>Fonte: adaptado de Carvalho e Bianchi (2016, p. 2).</p><p>#pratodosverem: figura formada por um quadrado ao centro, com a descrição “UCC”,</p><p>e cinco retângulos ao redor, que trazem os cinco subsistemas que compreendem a</p><p>Unidade de Centro Cirúrgico. O primeiro subsistema, descrito no retângulo cinza, é o</p><p>“Psicossocial”. O segundo, descrito no retângulo amarelo, é o “Administrativo”. O terceiro,</p><p>descrito no retângulo azul, é o de “Metas e valores”. O quarto, descrito no retângulo</p><p>verde, é o “Tecnológico”. Por fim, o quinto, descrito no retângulo laranja, é o “Estrutural”.</p><p>Apesar de esse setor ser considerado um dos mais importantes da unidade</p><p>hospitalar, é preciso que ocorra integração entre ele e as demais áreas para</p><p>que seja possível desempenhar as funções que lhe cabem com eficiência. As-</p><p>sim, com o apoio de todos os demais setores hospitalares, é possível oferecer</p><p>um cuidado de qualidade, com o mínimo de risco para o paciente (Carvalho;</p><p>Bianchi, 2016).</p><p>Pautados no preceito de que o centro cirúrgico é responsável pela execução</p><p>de procedimentos de alto custo e com grande rotatividade de pacientes, o</p><p>que pode levar ao aumento da morbimortalidade do indivíduo caso os pro-</p><p>cedimentos não sejam realizados de acordo com o que é preconizado, des-</p><p>tacamos a importância da existência de profissionais qualificados que exe-</p><p>cutem suas funções e atribuições com competência técnico-científica. Esses</p><p>aspectos visam a um ambiente de trabalho contínuo e sincronizado em prol</p><p>da qualidade de assistência ao paciente durante o pré-operatório, o intraope-</p><p>ratório e o pós-operatório (Oliveira et al., 2019).</p><p>15</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Então, considerando a visão geral da prática de enfermagem perioperatória:</p><p>A enfermagem perioperatória denota a prestação</p><p>de cuidados abrangentes ao paciente durante sua</p><p>experiência cirúrgica nos períodos pré, intra e pós-</p><p>operatórios de procedimentos cirúrgicos e outros</p><p>procedimentos invasivos, utilizando a estrutura</p><p>do processo de enfermagem. Nessa atividade,</p><p>o enfermeiro perioperatório avalia o paciente,</p><p>coletando, organizando e priorizando os dados do</p><p>paciente; estabelece diagnósticos de enfermagem;</p><p>identifica os resultados/metas desejados por ele;</p><p>desenvolve e implementa um planejamento de</p><p>cuidados de enfermagem; e avalia esses cuidados</p><p>em relação aos resultados alcançados pelo e para</p><p>o paciente. Ao longo do processo, a atuação do</p><p>enfermeiro perioperatório é tanto independente</p><p>quanto interdependente. Assim como os</p><p>enfermeiros de outras especialidades, o enfermeiro</p><p>perioperatório colabora com outros profissionais da</p><p>saúde, faz os encaminhamentos de enfermagem</p><p>apropriados e delega e supervisiona outros</p><p>funcionários na prestação de uma assistência</p><p>segura e eficiente ao paciente. Fonte: Rothrock</p><p>(2021, p. 1).</p><p>Portanto, para desempenhar sua função com qualidade e de acordo com</p><p>suas atribuições, é preciso que o enfermeiro haja com foco para empregar</p><p>os cuidados ao paciente e os realize com responsabilidade, de modo que as</p><p>necessidades de cada paciente sejam respeitadas e sempre voltadas à mini-</p><p>mização de danos e riscos (Rothrock, 2021).</p><p>16</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para isso, o enfermeiro deve realizar todas as etapas do processo de enferma-</p><p>gem com o objetivo de alcançar a qualidade da assistência de enfermagem.</p><p>Essas etapas compreendem (Hinkle; Cheever, 2020; Rothrock, 2021):</p><p>• Coleta de dados.</p><p>• Diagnóstico de enfermagem.</p><p>• Planejamento de enfermagem.</p><p>• Implementação do plano de cuidados.</p><p>• Avaliação de enfermagem.</p><p>Com a realização de todas as etapas do processo de enfermagem durante</p><p>o período perioperatório, torna-se possível que o enfermeiro avalie a própria</p><p>prática para que, desse modo, possa determinar o progresso do paciente</p><p>(Rothrock, 2021).</p><p>1.1.1 PLANEJAMENTO FÍSICO DO CENTRO</p><p>CIRÚRGICO; CENTRAL DE MATERIAL E SALA DE</p><p>RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA</p><p>O centro cirúrgico compreende um setor hospitalar que engloba várias áre-</p><p>as interdependentes que visam à realização de procedimentos anestésicos e</p><p>cirúrgicos, sempre voltados para os princípios</p><p>em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Após manejar as fases anteriores, o enfermeiro prossegue com a avaliação</p><p>neurológica, identificada pela letra D (disability). Nessa etapa, analisa-se o ní-</p><p>vel de consciência e o tamanho e a reatividade das pupilas (Zavaglia et al.,</p><p>2019, p. 70-71):</p><p>Alerta</p><p>O socorrista nota que, ao tocar na vítima, ela reage de maneira</p><p>instantânea, ou seja, a vítima ainda tem as funções corporais e</p><p>neurológicas ativas.</p><p>Voz</p><p>A vítima não responde a estímulos sonoros e demonstra um processo</p><p>de perda de consciência, uma vez que a audição é um dos últimos</p><p>sentidos a se perder antes da inconsciência.</p><p>Dor</p><p>A vítima é exposta a estímulos dolorosos em busca de algum estágio</p><p>de consciência.</p><p>Inconsciência</p><p>A vítima está totalmente inconsciente, demonstrando a não atividade</p><p>cerebral do organismo.</p><p>Fonte: Zavaglia et al. (2019, p. 70-71).</p><p>A Escala de Coma de Glasgow também é um instrumento válido para avaliar</p><p>o nível de consciência da vítima de trauma.</p><p>Por fim, a última fase é a avaliação da extensão das lesões e a prevenção da</p><p>hipotermia com a utilização de mantas térmicas e a infusão venosa de soro-</p><p>terapia aquecida (Zavaglia et al., 2019).</p><p>106</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>4.1.3 EMERGÊNCIAS TRAUMÁTICAS: TRAUMA</p><p>CRANIOENCEFÁLICO, RAQUIMEDULAR</p><p>E TORÁCICO</p><p>O traumatismo cranioencefálico (TCE) é uma causa frequente de morte e de</p><p>incapacidade. Em razão de déficits neurológicos, muitas vítimas permane-</p><p>cem com sequelas para o resto da vida. Os incidentes mais comuns são:</p><p>PRINCIPAIS INCIDENTES CAUSADORES DE TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO (TCE)</p><p>Quedas Colisões</p><p>automobilísticas</p><p>Violência/agressão</p><p>física</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 175).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos. No primeiro, aparece o incidente</p><p>“queda”. No segundo, “colisões automobilísticas”. No terceiro, “violência/agressão física”.</p><p>Pacientes com traumatismo cranioencefálico são considerados um desafio</p><p>para os profissionais da saúde envolvidos no atendimento. Eles exigem ex-</p><p>trema competência e atenção haja vista que, em muitos casos, o TCE está</p><p>associado a elementos que podem dificultar o atendimento, como o uso de</p><p>álcool e drogas. Além disso, os sinais e os sintomas próprios do TCE, como a</p><p>confusão mental, podem comprometer a assistência à saúde (Sueoka, 2019).</p><p>O atendimento tem como foco inicial a manutenção dos níveis pressóricos</p><p>e dos níveis de oxigenação das vítimas, além da rápida identificação dos</p><p>pacientes com risco de herniações cerebrais e com pressão intracraniana</p><p>elevada. Com isso, minimiza‑se a mortalidade e a morbidade da lesão</p><p>primária e previne‑se, pelo menos parcialmente, as lesões secundárias.</p><p>(Sueoka, 2019, p. 175)</p><p>Para manejar o TCE, é essencial que a classificação dele seja realizada. Entre</p><p>os vários instrumentos utilizados para esse fim, o empregado com maior fre-</p><p>quência é a Escala de Coma de Glasgow, que conta com a avaliação de quatro</p><p>critérios: resposta ocular, resposta verbal, resposta motora e resposta neuro-</p><p>lógica. Atualmente, foi incluída, na Escala de Coma de Glasgow, a resposta</p><p>pupilar (ECG-P) em que se avalia a reatividade da pupila. Após terminar a ava-</p><p>liação pela ECG, o enfermeiro, com auxílio de uma lanterna, deve finalizar a</p><p>avaliação neurológica (Sueoka, 2019; Brasil, 2019).</p><p>107</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>ESCALA DE COMA DE GLASGOW COM RESPOSTA PUPILAR (ECG-P)</p><p>Escore Resposta Resposta modificada para lactentes</p><p>Abertura ocular</p><p>4 Espontânea Espontânea</p><p>3 Ao estímulo verbal Ao estímulo verbal</p><p>2 Ao estímulo álgico Ao estímulo álgico</p><p>1 Ausente Ausente</p><p>Resposta verbal</p><p>5 Orientado Balbucia</p><p>4 Confuso Choro irritado</p><p>3 Palavras inapropriadas Choro quando sente dor</p><p>2 Sons incompreensíveis Gemido quando sente dor</p><p>1 Ausente Ausente</p><p>Resposta motora</p><p>6 Obedece a comandos Movimentação espontânea</p><p>5 Localiza dor Localiza dor</p><p>4 Retirada quando tem estímulo</p><p>doloroso</p><p>Retirada quando tem estímulo doloroso</p><p>3 Decorticação (flexão) Decorticação (flexão)</p><p>2 Descerebração (extensão) Descerebração (extensão)</p><p>1 Ausente Ausente</p><p>Reação pupilar</p><p>2 Nenhuma Nenhuma</p><p>1 Apenas uma pupila reage ao</p><p>estímulo luminoso</p><p>Apenas uma pupila reage ao estímulo</p><p>luminoso</p><p>0 Reação bilateral ao estímulo Reação bilateral ao estímulo</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019); Brasil (2019).</p><p>#pratodosverem: quadro com três colunas e 24 linhas em que estão</p><p>dispostos o escore, a resposta e a resposta modificada para lactentes da</p><p>Escala de Coma de Glasgow, incluindo a avaliação de reação pupilar.</p><p>108</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O Ministério da Saúde, nas linhas de cuidado, traz as especificidades do ma-</p><p>nejo e da aplicação da Escala de Coma de Glasgow com avaliação da reação</p><p>pupilar (Brasil, 2019).</p><p>Se você quiser saber mais sobre a Escala de Coma</p><p>de Glasgow, acesse aqui.</p><p>O traumatismo raquimedular (TRM) é considerado qualquer trauma na co-</p><p>luna vertebral, que pode acarretar ou não lesão neurológica, levando ao aco-</p><p>metimento de ossos, ligamentos e/ou estruturas neurológicas (Sueoka, 2019,</p><p>p. 187).</p><p>Um paciente vítima de lesão medular traumática deve receber atendimento</p><p>correto e rápido, pois esse tipo de trauma ocasiona comprometimento total</p><p>ou parcial da função motora e da sensibilidade, podendo ser temporário ou</p><p>permanente, completo ou parcial. O tratamento é o marco diferencial para</p><p>definir o prognóstico da vítima tanto para a prevenção de déficits neuroló-</p><p>gicos decorrentes de traumas na coluna vertebral ou quanto secundários à</p><p>instabilidade hemodinâmica ou insuficiência respiratória (Sueoka, 2019).</p><p>Portanto, para avaliar o paciente, é necessário conhecer os riscos de trauma</p><p>raquimedular e os critérios que podem evidenciar a lesão. Alguns critérios, si-</p><p>nais e sintomas indicam baixo risco de lesão raquimedular e, outros, alto risco,</p><p>a saber:</p><p>https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/acidente-vascular-cerebral-(AVC)-no-adulto/glasgow</p><p>109</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CRITÉRIOS INDICATIVOS DE BAIXO E ALTO RISCO DE LESÃO RAQUIMEDULAR</p><p>Critérios</p><p>que indicam</p><p>baixo risco</p><p>de lesão</p><p>raquimedular</p><p>Paciente está alerta – não há trauma cranioencefálico.</p><p>Ausência de sinais de intoxicação por álcool ou outras drogas.</p><p>Ausência de dor cervical.</p><p>Ausência de sintomas neurológicos.</p><p>Ausência de dor em outros pontos da coluna vertebral.</p><p>Movimentação completa do pescoço, sem dor.</p><p>Mecanismos</p><p>de trauma</p><p>com alto grau</p><p>de suspeição</p><p>Quedas de altura maior que um metro.</p><p>Quedas de escadas acima de cinco degraus.</p><p>Trauma axial da cabeça (mergulhos ou esportes de contato).</p><p>Colisões de veículos automotores: alta velocidade, capotamento,</p><p>ejeção, acidentes de bicicleta, carros de corrida.</p><p>Colisões traseiras de ônibus, caminhões ou veículos em alta velocidade.</p><p>Sinais e</p><p>sintomas</p><p>indicativos</p><p>de lesão</p><p>raquimedular</p><p>Dor ou intensa sensação de dor (stinging) causada pela lesão das</p><p>fibras nervosas.</p><p>Plegias, habitualmente bilaterais, de membros superiores ou inferiores.</p><p>Hipoestesia ou anestesia, inclusive em relação às sensações térmicas</p><p>e tácteis.</p><p>Disfunções dos intestinos e da bexiga – incontinência ou retenção.</p><p>Hiper-reflexia ou espasmos.</p><p>Alterações da função sexual, da sensibilidade sexual e da fertilidade;</p><p>entre elas, o priapismo.</p><p>Dificuldade ou insuficiência respiratória e incapacidade de tossir.</p><p>Sinais</p><p>emergenciais</p><p>Alterações do nível de consciência.</p><p>Dor intensa na região posterior do pescoço, sensação de pressão na</p><p>cabeça, transição craniocervical ou de costas.</p><p>Fraqueza, incoordenação ou paralisia de qualquer parte do corpo.</p><p>Dormência,</p><p>formigamento ou anestesia nas mãos, pés e dedos.</p><p>Retenção esfincteriana vesical e retal.</p><p>Dificuldades para deambular.</p><p>Comprometimento respiratório após o trauma.</p><p>Posições anômalas da região cervical (rotação laterolateral,</p><p>flexões, extensões).</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 191).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e quatro linhas com os critérios</p><p>dos indicativos de baixo e de alto risco de lesão raquimedular.</p><p>110</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Priapismo: ereção anormal e persistente do órgão</p><p>genital masculino, normalmente dolorosa, não</p><p>associada ao desejo sexual ou à excitação.</p><p>O manejo do paciente vítima de trauma raquimedular começa na cena do</p><p>acidente. A atenção e a avaliação devem começar imediatamente, a fim de</p><p>prevenir novas lesões, reverter as existentes e minimizar as sequelas que po-</p><p>dem ocorrer em virtude do acidente. Por isso, o enfermeiro, no ambiente pré-</p><p>-hospitalar, deve estar atento a três objetivos:</p><p>CARACTERÍSTICA DOS TRAUMAS EM RELAÇÃO À MORTALIDADE</p><p>Manutenção da habilidade de ventilação e oxigenação.1</p><p>2</p><p>3</p><p>Controle do choque.</p><p>Imobilização da coluna vertebral para prevenir</p><p>dano neurológico inicial ou agravamento de lesão prévia.</p><p>Fonte: adaptado de Tobase; Tomazini (2017).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos enumerados de um a três.</p><p>No primeiro, aparece a característica “manutenção da habilidade de ventilação e</p><p>oxigenação”. No segundo, “controle do choque”. No terceiro, “imobilização da coluna</p><p>vertebral para prevenir dano neurológico inicial ou agravamento de lesão prévia”.</p><p>Para que você aprenda como realizar a estabilização correta da região cer-</p><p>vical, elegemos um vídeo realizado pelo Instituto Brasileiro de APH (Atendi-</p><p>mento pré-hospitalar).</p><p>111</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Para acessar o vídeo com as técnicas corretas para</p><p>garantir a estabilização adequada da região cervical,</p><p>acesse aqui.</p><p>O trauma de tórax é qualquer trauma situado no tronco entre o ponto de implan-</p><p>tação do pescoço e o abdome. É considerado um incidente de extrema gravida-</p><p>de em razão da grande energia envolvida nos diferentes mecanismos do trauma.</p><p>As prioridades durante a avaliação de uma vítima de trauma de tórax são:</p><p>PRIORIDADES NA AVALIAÇÃO DE UM PACIENTE VÍTIMA DE TRAUMA DE TÓRAX</p><p>Avaliação de vias aéreas, observando obstáculos</p><p>para ventilação e expansibilidade pulmonar.1</p><p>2</p><p>3</p><p>Choque hipovolêmico determinado</p><p>por sangramento abundante.</p><p>Tamponamento cardíaco.</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019, p. 147).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos enumerados de um a três. No</p><p>primeiro, aparece a característica “avaliação de vias aéreas, observando obstáculos</p><p>para ventilação e expansibilidade pulmonar”. No segundo, “choque hipovolêmico</p><p>determinado por sangramento abundante”. No terceiro, “tamponamento cardíaco”.</p><p>A seguir, são apresentadas as principais lesões ocasionadas pelo trauma de</p><p>tórax. Entretanto, vale a pena mencionar que muitas outras complicações po-</p><p>dem ocorrer em virtude desse trauma (Sueoka, 2019):</p><p>• Pneumotórax aberto.</p><p>• Pneumotórax simples.</p><p>• Pneumotórax hipertensivo.</p><p>• Hemotórax.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=iYvm-gn01eo</p><p>112</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES DO TRAUMA TORÁCICO</p><p>COMPLICAÇÃO CARACTERÍSTICAS</p><p>Pneumotórax</p><p>aberto</p><p>Ferimento provocado por objetos perfurantes, como ferragens,</p><p>madeiras etc.; arma branca, por exemplo, facas ou projéteis de arma</p><p>de fogo. Apresentam como sinais e sintomas: dor torácica no local</p><p>do impacto; dispneia (ou queixa de dispneia); ferimento aberto na</p><p>parede torácica que provoca ruído aspirativo, durante a inspiração,</p><p>e borbulhamento, durante a expiração; insuficiência respiratória;</p><p>ansiedade e taquipneia.</p><p>Pneumotórax</p><p>simples</p><p>Tipo de pneumotórax no qual os sinais e os sintomas são muito</p><p>parecidos com os casos em que ocorrem apenas fraturas de arcos</p><p>costais. Dor torácica pleurítica e vários níveis de dispneia podem ser</p><p>sintomas importantes.</p><p>Pneumotórax</p><p>hipertensivo</p><p>Emergência com risco iminente de morte, ocorre pelo mecanismo</p><p>no qual o ar entra no espaço pleural, aumentando a pressão</p><p>intratorácica. Acontece o desvio do mediastino, comprometendo</p><p>tanto a parte circulatória quanto a ventilatória. A vítima apresenta:</p><p>extrema ansiedade; taquipneia intensa; taquicardia; hipotensão;</p><p>cianose; dor torácica; respiração superficial; ruídos respiratórios</p><p>ausentes ou diminuídos do lado afetado; aumento progressivo da</p><p>dispneia; taquipneia e percussão timpânica. Podem existir outros</p><p>sinais tardios: ingurgitamento da veia jugular; desvio da traqueia;</p><p>sinais de hipóxia aguda; timpanismo à percussão do tórax; pressão</p><p>de pulso diminuída; hipotensão; sinais de choque descompensado.</p><p>Casos mais graves evoluem para cianose e apneia.</p><p>Hemotórax Presença de sangue no espaço pleural, o qual pode acomodar</p><p>até três litros. Vítima com desconforto, dor torácica e respiração</p><p>superficial. Ela apresenta murmúrio vesicular diminuído, mas, ao</p><p>contrário do pneumotórax, a percussão é maciça.</p><p>Fonte: adaptado de Sueoka (2019).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e cinco linhas trazendo</p><p>as principais complicações do trauma torácico.</p><p>Em seguida, abordaremos as emergências clínicas cardiovasculares, respira-</p><p>tórias e neurológicas.</p><p>113</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>4.2 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS</p><p>Vamos conhecer informações sobre algumas das principais emergências clí-</p><p>nicas que podem ocorrer tanto no atendimento pré-hospitalar quanto intra-</p><p>-hospitalar na sala de emergência.</p><p>Os profissionais que atendem esse tipo de situação devem ter conhecimento</p><p>técnico-científico da patologia em questão para que possam, de fato, auxiliar</p><p>a vítima, minimizando os riscos e melhorando o prognóstico.</p><p>As emergências clínicas constituem grande parte dos atendimentos de emer-</p><p>gências e são atendidas diariamente nos serviços de urgência e emergência.</p><p>Em geral, as doenças clínicas citadas aqui podem ser decorrentes de compli-</p><p>cações de doenças infecciosas, doenças crônicas não transmissíveis, aumento</p><p>da expectativa de vida do homem e envelhecimento populacional (Tobase;</p><p>Tomazini, 2017).</p><p>ANGINA</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de um homem de cabelos grisalhos,</p><p>deitado em um leito hospitalar em posição Fowler, com face de dor</p><p>e com as duas mãos posicionadas sobre a região esternal.</p><p>114</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Diante do cenário atual, em que grande parte da população não segue uma</p><p>alimentação saudável e balanceada, está em situação de obesidade e não</p><p>pratica exercícios físicos, a tendência é que cada vez mais o quantitativo de</p><p>emergências clínicas aumentem, seja de origem cardiovascular, respiratória,</p><p>neurológica e/ou metabólica (Pellico, 2014).</p><p>Na qualidade de futuro profissional enfermeiro, é nosso papel realizar orienta-</p><p>ções que visem reduzir as ocorrências das emergências clínicas por meio de</p><p>atividades preventivas e, nos casos em que houver situações emergenciais,</p><p>operar da melhor e mais rápida forma possível.</p><p>4.2.1 EMERGÊNCIAS CARDIOVASCULARES</p><p>As emergências cardiovasculares são a primeira causa de mortalidade entre</p><p>os brasileiros e provocadas, em sua maioria, em decorrência de complicações</p><p>relacionadas a doenças crônicas, obesidade e sedentarismo (Pellico, 2014).</p><p>A angina é uma síndrome clínica caracterizada por episódios de dor ou de</p><p>pressão na região anterior do tórax, causando fluxo sanguíneo coronário in-</p><p>suficiente e resultando em diminuição</p><p>do aporte de oxigênio, quando há au-</p><p>mento da demanda miocárdica por oxigênio, em resposta ao esforço físico</p><p>ou ao estresse emocional. Em outras palavras, na angina, a necessidade de</p><p>oxigênio excede a oferta (Pellico, 2014, p. 383).</p><p>Multifatorial: causada por diversos fatores.</p><p>115</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Sabe-se que a doença arterial coronariana é multifatorial. A principal causa</p><p>é a doença aterosclerótica. Entretanto, outros fatores de risco não podem</p><p>ser descartados:</p><p>• Fatores não modificáveis: hereditariedade, raça,</p><p>sexo e idade.</p><p>• Fatores modificáveis: hipertensão arterial</p><p>sistêmica, tabagismo, dislipidemia e</p><p>hipercolesterolemia, diabetes mellitus,</p><p>sedentarismo, obesidade e síndrome metabólica.</p><p>• Fatores contribuintes: estresse, fatores</p><p>psicossociais, marcadores inflamatórios e</p><p>ingestão excessiva de álcool.</p><p>Na sequência, vamos conhecer os principais tipos de angina:</p><p>Angina estável</p><p>Dor consistente e previsível que ocorre quando há esforço e é aliviada</p><p>pelo repouso.</p><p>Angina instável</p><p>Os sintomas ocorrem com mais frequência e duram mais tempo do</p><p>que a angina estável. O limite para dor é mais baixo, e ela pode ocorrer</p><p>em repouso.</p><p>Angina refratária ou intratável</p><p>Dor torácica intensa e incapacitante.</p><p>116</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Angina variante</p><p>Dor mesmo em repouso, com alteração do exame ECG, causando</p><p>supradesnivelamento reversível do segmento ST.</p><p>Isquemia silenciosa</p><p>Evidências objetivas de isquemia (como alterações no</p><p>eletrocardiograma durante o teste de esforço), mas o paciente não</p><p>relata sintomas.</p><p>Fonte: Pellico (2014, p. 383).</p><p>O enfermeiro, durante o atendimento ao paciente vítima de emergências</p><p>cardiovasculares, deve realizar a avaliação clínica com base na coleta do his-</p><p>tórico do paciente, perguntando sobre os fatores de risco e os sinais e os sin-</p><p>tomas referidos pelo paciente. Também é importante realizar o exame físico</p><p>e a mensuração dos sinais vitais a fim de evidenciar sinais de agravamento</p><p>ou outras complicações concomitantes. Além disso, é essencial que o enfer-</p><p>meiro esteja atento a: localização; duração; se há irradiação para membros</p><p>superiores, como mandíbula e região posterior do tórax; e fatores de melhora</p><p>ou de piora e da intensidade da dor, a qual pode ser mensurada pelo auxílio</p><p>de escalas. Por fim, outros sinais e sintomas diversos devem ser investigados</p><p>(Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>Doença aterosclerótica: doença causada em</p><p>consequência do acúmulo de placas de ateromas</p><p>(gordura) no interior ou na parede das artérias.</p><p>Alguns marcadores bioquímicos podem auxiliar no diagnóstico do infarto</p><p>agudo do miocárdio; eles são chamados marcadores de necrose miocárdica –</p><p>CKMB, troponina, mioglobina e DHL. Os dois primeiros são os mais utilizados</p><p>na prática clínica (Whitaker; Gatto, 2015).</p><p>117</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Para saber mais sobre os principais marcadores da</p><p>necrose miocárdica, acesse aqui.</p><p>A seguir, vamos tratar das emergências respiratórias.</p><p>4.2.2 EMERGÊNCIAS RESPIRATÓRIAS</p><p>O sistema respiratório é formado pelas vias respiratórias superiores e inferiores,</p><p>pelos vasos sanguíneos, pela caixa torácica (coluna vertebral, costelas e ester-</p><p>no) e pelos músculos respiratórios, principalmente o diafragma (Pellico, 2014).</p><p>As emergências respiratórias envolvem diferentes afecções, podendo evoluir</p><p>para o quadro de insuficiência respiratória com alto índice de morbidade e</p><p>mortalidade (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>CRISE ASMÁTICA</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de perfil de uma mulher sentada com a mão direita</p><p>apoiada na cabeça enquanto a mão esquerda segura um nebulizador.</p><p>https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3835</p><p>118</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A insuficiência respiratória é uma alteração grave do padrão respiratório, que</p><p>exige atendimento imediato em razão da ameaça iminente de morte, e ocor-</p><p>re em decorrência da rápida deterioração orgânica ocasionada pela altera-</p><p>ção da ventilação e da circulação. A insuficiência respiratória é, ainda, definida</p><p>como a troca gasosa ineficaz, ou seja, o sistema respiratório não consegue</p><p>atender às demandas de oxigênio e/ou eliminar o dióxido de carbono (CO2)</p><p>produzido por nosso organismo (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Os principais sinais e sintomas relacionados a essa emergência são:</p><p>• Alteração do padrão respiratório.</p><p>• Utilização progressiva da musculatura acessória.</p><p>• Fadiga respiratória.</p><p>• Presença de expectoração ou secreção respiratória.</p><p>• Alterações em exames radiológicos.</p><p>• Alteração dos valores de gasometria.</p><p>• Cianose das extremidades.</p><p>• Taquicardia.</p><p>• Alterações neurológicas em decorrência da hipóxia acentuada.</p><p>Hipóxia: baixa quantidade (ou ausência) de</p><p>oxigênio nos tecidos, dificultando a manutenção</p><p>das funções do corpo dentro da normalidade.</p><p>119</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O tratamento da insuficiência respiratória ou de outras patologias que pos-</p><p>sam levar à insuficiência respiratória visa estabilizar o padrão respiratório e</p><p>eliminar a causa de origem dessa complicação (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>A fim de restituir as pressões parciais de oxigênio e gás carbônico arterial,</p><p>a administração de oxigênio pode ser realizada por diversos dispositivos,</p><p>desde a instalação de cateter nasal, máscara de nebulização ou de Venturi.</p><p>Conforme a gravidade indica‑se o suporte ventilatório mecânico não invasivo,</p><p>com máscara de pressão positiva contínua das vias respiratórias (CPAP, do</p><p>inglês continuous positive airway pressure): sua pressão positiva contínua</p><p>fornece a mistura de gases de alto fluxo, combate microatelectasias, aumenta</p><p>a capacidade residual funcional e melhora a oxigenação. Outra opção é a</p><p>máscara de pressão positiva binível nas vias respiratórias (BiPAP, do inglês</p><p>bilevel positive airway pressure), que permite a regulação dos gradientes de</p><p>pressões inspiratória e expiratória. (Tobase; Tomazini, 2017, p. 135)</p><p>Diante dessas características, o enfermeiro pode prestar assistência ao pacien-</p><p>te em emergência respiratória tanto em atendimento pré-hospitalar quanto</p><p>hospitalar. Durante o atendimento pré-hospitalar, o foco é levar o paciente</p><p>em segurança ao hospital (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Deve-se tentar coletar o histórico com o acompanhante e avaliar o caso</p><p>rapidamente de acordo com as informações obtidas e os sinais apresentados.</p><p>• Nunca se esqueça de se apresentar como profissional de enfermagem e</p><p>identificar a equipe que está com você. Essa atitude cria um elo de confiança</p><p>e tranquiliza o paciente.</p><p>• É essencial que os sinais vitais do paciente sejam verificados e monitorados</p><p>em todo o percurso até a chegada no ambiente hospitalar.</p><p>• O oxigênio só pode ser administrado caso haja prescrição médica. Não se</p><p>esqueça de que algumas patologias podem ser agravadas caso o oxigênio</p><p>seja ofertado em altas concentrações.</p><p>• O paciente deve, preferencialmente, ser acomodado em uma maca em posição</p><p>de cabeceira elevada a 45°, para auxiliar a troca gasosa e a oferta de oxigênio.</p><p>120</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Após a chegada do paciente no ambiente hospitalar, o atendimento e a assis-</p><p>tência devem ser mantidos (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• A monitorização dos sinais vitais e a administração medicamentosa, de acordo</p><p>com a prescrição médica, devem ser mantidas conforme a orientação anterior.</p><p>• O paciente</p><p>deve ser orientado a manter repouso absoluto no leito, em posição</p><p>Fowler, para contribuir com a melhora da dispneia.</p><p>• O enfermeiro também deve estar atento ao acesso venoso periférico, visto</p><p>que o paciente em crise respiratória tem o acesso venoso prejudicado. É</p><p>essencial que o enfermeiro e sua equipe estejam monitorando e avaliando</p><p>constantemente o local da punção venosa para garantir a via de acesso para</p><p>a medicação caso seja necessário.</p><p>• Avaliar o paciente em busca de sinais de melhora ou de agravamento do</p><p>quadro respiratório, a fim de propor novas condutas se necessário.</p><p>Dispneia: dificuldade de respirar.</p><p>Adiante, trataremos das emergências neurológicas.</p><p>121</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>4.2.3 EMERGÊNCIAS NEUROLÓGICAS</p><p>Diariamente, o enfermeiro se depara com diversos pacientes que apresen-</p><p>tam alterações da função neurológica. Doenças que levam a alteração dessas</p><p>funções podem ocorrer em muitas circunstâncias e estão presentes em indi-</p><p>víduos de várias idades, com comorbidades associadas ou não (Pellico, 2014).</p><p>ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de um médico olhando um filme de</p><p>tomografia computadorizada de crânio em um ambiente hospitalar.</p><p>Nesse ambiente, há outros profissionais da saúde.</p><p>O enfermeiro deve estar apto a avaliar o sistema neurológico. Para isso, ele</p><p>precisa ter conhecimento sobre a anatomia e a fisiologia do sistema nervoso,</p><p>bem como de principais agravos, sinais, sintomas, tratamento e manejo des-</p><p>ses pacientes (Pellico, 2014).</p><p>122</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O acidente vascular encefálico (AVE), popularmente conhecido como der-</p><p>rame, é uma das complicações mais frequentes entre os pacientes vítimas</p><p>de emergências neurológicas. Compreende uma doença cuja prevalência</p><p>é maior na população idosa, sendo caracterizada por manifestações súbitas</p><p>que comprometem o sistema neurológico (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Caracterizado por alterações súbitas e déficits neurológicos frequentemente</p><p>focais, ou seja, em determinada região do encéfalo. Pode evoluir</p><p>rapidamente, devido à interrupção no suprimento sanguíneo, decorrente</p><p>de alterações vasculares ou do sistema de coagulação. Acomete pessoas em</p><p>diferentes faixas etárias, mas é prevalente em idosos, o que torna a doença</p><p>mais preocupante, considerando o aumento da longevidade da população.</p><p>(Tobase; Tomazini, 2017, p. 150)</p><p>O AVE é classificado em:</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO AVE</p><p>Acidente vascular</p><p>encefálico isquêmico</p><p>(AVEi)</p><p>Acidente vascular</p><p>encefálico hemorrágico</p><p>(AVEh)</p><p>Fonte: adaptado Tobase; Tomazini (2017).</p><p>#pratodosverem: figura formada por dois retângulos. No primeiro,</p><p>aparece a classificação “acidente vascular encefálico isquêmico (AVEi)”.</p><p>No segundo, “acidente vascular encefálico hemorrágico (AVEh)”.</p><p>123</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>AVEi: comumente causado por tromboses arteriais,</p><p>aterosclerose, microinfartos nos hemisférios ou</p><p>no tronco cerebral e êmbolos provenientes do</p><p>coração em doenças cardíacas. Com a obstrução</p><p>vascular cerebral, ocorre redução ou interrupção do</p><p>fluxo sanguíneo e oferta inadequada de oxigênio</p><p>e nutrientes para a região do encéfalo atingida,</p><p>resultando em isquemia potencialmente reversível</p><p>ou morte celular. As manifestações refletem na</p><p>região acometida, nas áreas motoras e sensitivas,</p><p>na linguagem, na execução da fala, nas alterações</p><p>visuais e coordenação, no rebaixamento do nível</p><p>de consciência, em náuseas, vômitos e tonturas. Os</p><p>sinais e sintomas duram mais do que 60 minutos.</p><p>AVEh: causado, principalmente, pela hipertensão</p><p>arterial não controlada, mas também decorrente</p><p>de malformação vascular e de aneurismas. Ocorre</p><p>quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe</p><p>subitamente, liberando sangue para os tecidos</p><p>subjacentes. O sangramento assume maior</p><p>vulto em indivíduos que usam medicamentos</p><p>anticoagulantes. É demonstrado por meio de</p><p>cefaleia, rebaixamento do nível de consciência</p><p>e vômitos, típicos da hipertensão intracraniana</p><p>consequente da hemorragia cerebral. Outras</p><p>manifestações são específicas do local acometido e</p><p>a gravidade do quadro está diretamente relacionada</p><p>à extensão do hematoma.</p><p>Fonte: Tobase; Tomazini (2017, p. 151).</p><p>124</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O reconhecimento precoce de sinais e sintomas, seguido do atendimento</p><p>rápido, maximiza a recuperação e minimiza as sequelas e a mortalidade do</p><p>AVE. O sucesso do tratamento está intimamente relacionado à qualidade do</p><p>atendimento prestado por toda a equipe de saúde (multidisciplinar) e pela</p><p>bagagem teórica que cada um possui (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Entre as funções do enfermeiro e da sua equipe diante de um quadro de</p><p>emergência neurológica, em um caso de AVE, por exemplo, é necessário ga-</p><p>rantir (Tobase; Tomazini, 2017):</p><p>• Monitoramento multiparamétrico: o enfermeiro e sua equipe devem</p><p>garantir monitoramento constante dos sinais vitais do paciente, evitando</p><p>quadro de hipertermia, mantendo pressão arterial sistólica próxima de</p><p>160 mmHg, saturação de oxigênio (SatO2) < 92%, HGT entre 70 e < 200 mg/</p><p>dℓ e administração de medicamentos conforme solicitação médica.</p><p>• Manutenção de material de intubação orotraqueal adulto próximo do</p><p>paciente para eventuais intercorrências.</p><p>• Garantia de acesso venoso periférico calibroso e pérvio em membro não</p><p>afetado pela doença.</p><p>• Nos casos de disfagia, solicitação de apoio de nutricionista e fonoaudiólogo</p><p>para avaliar a capacidade de deglutição e auxiliar no processo de recuperação</p><p>do paciente.</p><p>• Realização de diagnóstico de enfermagem de acordo com a particularidade</p><p>de cada paciente.</p><p>Em geral, os diagnósticos de enfermagem no AVE estão voltados para: altera-</p><p>ções nos processos de pensamento, risco de lesão e de aspiração, perfusão tissu-</p><p>lar cerebral prejudicada e comunicação verbal ineficaz (Tobase; Tomazini, 2017).</p><p>Desse modo, o enfermeiro pode levantar os principais diagnósticos e traçar</p><p>estratégias e planos de ação que visem à prevenção de danos e à recuperação</p><p>dos agravantes já estabelecidos.</p><p>125</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Finalizamos o conteúdo desta unidade, esperamos que você tenha consegui-</p><p>do alcançar os objetivos propostos.</p><p>Neste estudo, conseguimos detalhar as emergências clínicas e traumáticas,</p><p>além de compreender o papel do enfermeiro diante de cada situação. A missão</p><p>do enfermeiro no atendimento às vítimas de emergências por traumas ou clí-</p><p>nicas é identificar as lesões já existentes e agir precocemente, a fim de garantir</p><p>a estabilização do paciente e a prevenção de novos danos. Para isso, é preciso</p><p>que o profissional de enfermagem domine a fisiologia de cada complicação,</p><p>bem como entenda os protocolos que orientam o atendimento ao paciente.</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema desta unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. Papel do enfermeiro ao paciente</p><p>politraumatizado: uma revisão de literatura.</p><p>2. Epidemiologia do trauma raquimedular nas</p><p>emergências.</p><p>3. Intervenções de enfermagem em pacientes com</p><p>síndrome de insuficiência respiratória grave (SRAG)/</p><p>suspeitos e confirmados de Covid-19 atendidos em</p><p>âmbito hospitalar: uma revisão de literatura.</p><p>4. A sistematização da assistência de enfermagem</p><p>(SAE) no acompanhamento de idosos após</p><p>acidente vascular encefálico: SAE no pós-AVE.</p><p>5. Cuidados de enfermagem ao paciente vítima de</p><p>infarto agudo do miocárdio: uma revisão integrativa.</p><p>https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9263</p><p>https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/9263</p><p>https://chronos.samu.fortaleza.ce.gov.br/index.php/urgencia/article/view/43</p><p>https://chronos.samu.fortaleza.ce.gov.br/index.php/urgencia/article/view/43</p><p>https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3717</p><p>https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3717</p><p>https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3717</p><p>https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3717</p><p>https://www.fatecba.edu.br/revista-eletronica/index.php/rftc/article/view/136</p><p>https://www.fatecba.edu.br/revista-eletronica/index.php/rftc/article/view/136</p><p>https://www.fatecba.edu.br/revista-eletronica/index.php/rftc/article/view/136</p><p>https://remici.com.br/index.php/revista/article/view/75</p><p>https://remici.com.br/index.php/revista/article/view/75</p><p>UNIDADE 5</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>126</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Apresentar a</p><p>organização e os</p><p>aspectos éticos e</p><p>legais da UTI.</p><p>> Conhecer</p><p>as principais</p><p>intervenções de</p><p>enfermagem na UTI.</p><p>127</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>5 UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>Esta unidade fará uma reflexão sobre a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) tra-</p><p>tando dos aspectos legais e éticos desse setor e das principais intervenções</p><p>de enfermagem realizadas nesse ambiente (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Para atuar no cenário da UTI, é recomendado que o enfermeiro possua carac-</p><p>terísticas que transforme de maneira positiva esse setor, como o perfil de lide-</p><p>rança. Os líderes podem provocar mudanças nos cenários de prática, em espe-</p><p>cial nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Eles devem agir com confiança,</p><p>cautela, responsabilidade, além de terem visão das oportunidades de melho-</p><p>ra, prevendo riscos e assumindo-os caso ocorram (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Assim, esta unidade pretende contextualizar as vertentes que integram o se-</p><p>tor da UTI em relação ao trabalho do profissional de enfermagem para que</p><p>você possa compreender, efetivamente, a funcionalidade do serviço prestado</p><p>nesse ambiente.</p><p>Desejamos uma boa leitura!</p><p>128</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>As primeiras UTIs surgiram na metade do século XX, em hospitais estaduni-</p><p>denses, para tratamento de pacientes críticos que necessitavam de cuidados</p><p>complexos, sobretudo pacientes em pós-operatório de grandes cirurgias (Via-</p><p>na; Whitaker, 2020).</p><p>No Brasil, na cidade de São Paulo, as UTIs foram implementadas no final da</p><p>década de 1960, quando as atividades do Hospital das Clínicas da Faculdade</p><p>de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) foram iniciadas. A UTI</p><p>do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi considerada uma referência para</p><p>organização de outras unidades, que constituíram um expressivo contingen-</p><p>te na década de 1970 (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Já o serviço de enfermagem nas UTIs buscava um corpo de conhecimentos</p><p>específicos, os quais tornaram-se a meta principal dos enfermeiros de UTI.</p><p>Alguns aspectos devem ser considerados quando se analisa e se rememora a</p><p>trajetória da enfermagem nas UTIs:</p><p>Dotação de pessoal</p><p>Passou de uma mera escolha de profissionais interessados em cuidar</p><p>de pacientes críticos para a organização de equipes que operassem</p><p>em razão das necessidades dos pacientes e inteiramente voltadas</p><p>aos objetivos da UTI. Para o cálculo de pessoal, foram considerados:</p><p>a planta física da unidade; o número de leitos; as características do</p><p>hospital; o grau de dependência dos pacientes; a capacidade do</p><p>pessoal e a quantidade e a qualidade do equipamento.</p><p>Treinamento do pessoal de enfermagem</p><p>Aliado à seleção do profissional que trabalharia com o paciente crítico</p><p>(capacidade de trabalho, discernimento, responsabilidade e iniciativa),</p><p>tornou-se imprescindível um treinamento na própria unidade,</p><p>orientado para as características e abrangendo as diversas áreas de</p><p>assistência. O treinamento ficou objetivo e sistematizado, visando à</p><p>execução de práticas assistenciais específicas não rotineiras.</p><p>129</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Capacitação dos enfermeiros</p><p>No desenvolvimento das práticas assistenciais, os enfermeiros</p><p>passaram a ter um preparo especial: foram exigidos conhecimentos</p><p>específicos; aprendizados constantes e atualizações periódicas. Eles</p><p>passaram a trabalhar com base em uma firme estrutura teórica</p><p>para o desempenho das atividades, bem como para a capacidade</p><p>de liderança, discernimento, iniciativa e responsabilidade. Desde os</p><p>primórdios da história das UTIs no Brasil, a enfermagem tinha como</p><p>direcionamento as práticas assistenciais, voltadas para a recuperação</p><p>dos pacientes críticos e para a prevenção de danos. A fim de formar</p><p>profissionais de enfermagem com capacidade técnica para atuar na</p><p>UTI, são ofertados cursos acadêmicos de especialização cuja finalidade</p><p>é a formação desse tipo de profissional.</p><p>Mudanças e inovações nos padrões operacionais das ins-</p><p>tituições que abrigam UTIs</p><p>Ainda na década de 1970, a assistência a pacientes críticos nas</p><p>UTIs propiciou o aparecimento de outras áreas hospitalares de</p><p>atendimento, como a vigilância de enfermagem, que enfoca a</p><p>prevenção de danos e a recuperação e identificação precoce de</p><p>distúrbios. Foram organizadas as unidades de cuidados semi-</p><p>intensivos para pacientes que exigem vigilância moderada e que não</p><p>estão nas UTIs, fornecendo segurança e atendimento às necessidades</p><p>específicas desses pacientes. O valor da UTI fica, então, reforçado</p><p>pela disponibilidade de atendimento aos pacientes em unidades de</p><p>cuidados intermediários.</p><p>130</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O paciente como centro de atenção da equipe</p><p>Com o advento das UTIs, o tratamento dos doentes considerados</p><p>críticos e de alto risco obteve maior prontidão e eficácia, com base</p><p>em uma filosofia de trabalho definida e em um objetivo comum:</p><p>a recuperação. Buscou-se uma interação paciente-equipe para</p><p>promover uma atmosfera caracterizada pela redução do medo, da</p><p>ansiedade, da desconfiança e da tensão. O processo foi progressivo,</p><p>com a manutenção do entrosamento, da coordenação e do equilíbrio</p><p>no atendimento e nos métodos de tratamento.</p><p>Os papéis expandidos dos enfermeiros</p><p>As mudanças e as profundas transformações pelas quais passaram</p><p>as práticas nas UTIs estimularam claramente o desenvolvimento dos</p><p>enfermeiros. A responsabilidade sobre os complexos julgamentos</p><p>clínicos requer certo conhecimento, essencial para a prática da</p><p>assistência da enfermagem. A natureza dos serviços oferecidos nas</p><p>UTIs passou a ter o caráter de especialidade e exigiu, com o passar do</p><p>tempo, uma disposição do enfermeiro para examinar e rever o próprio</p><p>papel que exerce na equipe.</p><p>Fonte: Viana; Whitaker (2020, p. 4-5).</p><p>A seguir, veremos as características que constituem o ambiente da UTI.</p><p>131</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>5.1 O AMBIENTE DA UNIDADE DE TRATAMENTO</p><p>INTENSIVO (UTI)</p><p>Para elaborar o projeto de uma UTI, a recomendação é que um grupo interdis-</p><p>ciplinar de médicos, enfermeiros, arquitetos, engenheiros e administradores</p><p>seja constituído a fim de que questões voltadas para as características e as</p><p>necessidades de uma UTI sejam consideradas, por exemplo, os serviços que</p><p>serão ofertados, os critérios de admissão e alta, a expectativa da taxa de ocu-</p><p>pação etc. Além disso, deve-se levar em conta a possibilidade de serviços de</p><p>apoio, como laboratório, diagnósticos por imagem, entre outros (Freitas, 2018).</p><p>A equipe</p><p>de profissionais que atua em uma UTI é</p><p>formada inicialmente por um responsável técnico,</p><p>que é médico, um enfermeiro coordenador da</p><p>equipe de enfermagem e um fisioterapeuta</p><p>coordenador da equipe de fisioterapia. Para a</p><p>prestação dos cuidados, são necessários os seguintes</p><p>profissionais: médico diarista, médicos intensivistas,</p><p>enfermeiros intensivistas assistenciais, técnicos</p><p>de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos,</p><p>psicólogos, odontólogos, nutricionistas, assistentes</p><p>sociais e auxiliares administrativos, para além</p><p>dos funcionários exclusivos de higienização, cuja</p><p>quantidade adequada deve atender ao mínimo</p><p>determinado pela RDC n. 7 e pela Portaria</p><p>n. 3.432/98. Fonte: Viana; Torre (2017, p. 6).</p><p>132</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Portanto, uma UTI deve ter:</p><p>CARACTERÍSTICAS DE UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA (UTI)</p><p>Infraestrutura especializada</p><p>Assistência médica e de enfermagem ininterruptas</p><p>Equipamentos específicos</p><p>Recursos humanos qualificados</p><p>Terapêuticas sofisticadas</p><p>Acesso a tecnologias diagnósticas</p><p>Fonte: adaptado de Freitas (2018).</p><p>#pratodosverem: figura formada por seis retângulos. No primeiro, aparece</p><p>a característica “infraestrutura especializada”. No segundo, “assistência</p><p>médica e de enfermagem ininterruptas”. No terceiro, “equipamentos</p><p>específicos”. No quarto, “recursos humanos qualificados”. No quinto,</p><p>“terapêuticas sofisticadas”. No sexto, “acesso a tecnologias diagnósticas”.</p><p>Com base nisso, a UTI consiste em um setor hospitalar destinado ao atendi-</p><p>mento de pacientes em estado grave, mas com potencial de recuperação. As</p><p>UTIs são ainda subdivididas em categorias identificadas de acordo com o tipo</p><p>de tratamento que o paciente receberá, chamadas de Unidades de Terapia</p><p>Intensiva Especializada, por exemplo, UTIs coronarianas, UTIs neurológicas,</p><p>entre outras (Freitas, 2018).</p><p>133</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Você sabia que, no início do século XIX, Florence</p><p>Nightingale foi pioneira em reconhecer a</p><p>necessidade de se reservar uma área isolada no</p><p>hospital para os pacientes mais graves receberem</p><p>cuidados especiais? Nessa ocasião, os pacientes</p><p>que retornavam das cirurgias eram levados para</p><p>salas de recuperação pós-anestésica, consideradas</p><p>precursoras das modernas unidades de cuidados</p><p>de pacientes críticos ou graves como temos</p><p>atualmente. Fonte: Freitas (2018, p. 26).</p><p>As UTIs coronarianas ou cardiológicas são aquelas que atendem pacientes</p><p>adultos que necessitam de cuidados intensivos relacionados a eventos cardí-</p><p>acos, como dor torácica, síndromes coronarianas agudas, insuficiência cardí-</p><p>aca descompensada, arritmias instáveis, síndromes aórticas agudas, síndro-</p><p>me pós-parada cardiorrespiratória etc. (Freitas, 2018). Esse tipo de UTI oferece,</p><p>ainda, cuidados para pacientes que passaram por procedimentos como an-</p><p>gioplastias, implantes valvares percutâneos, intervenções vasculares, proce-</p><p>dimentos de cardioversão e ablação de arritmias, implantes de marca-passo,</p><p>entre outros (Freitas, 2018).</p><p>Outro exemplo é a UTI neurológica destinada ao tratamento e ao cuidado de</p><p>pacientes acometidos por acidente vascular cerebral, traumatismos cranio-</p><p>encefálicos e infecções no sistema nervoso central (Freitas, 2018).</p><p>Para o cuidado efetivo nessas unidades, é preciso a atuação de uma equipe</p><p>multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e nutri-</p><p>cionistas. Todos precisam ter preparo e inclinação para atendimento de pa-</p><p>cientes potencialmente graves (Freitas, 2018).</p><p>134</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL (UTI-N)</p><p>Fonte: adaptado de Freitas (2018, p. 24).</p><p>#pratodosverem: imagem com uma mulher tocando as costas</p><p>de um recém-nascido dentro de uma incubadora.</p><p>Já a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI-N) atende pacientes com</p><p>idade de zero a 28 dias, e a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI-P) é</p><p>destinada aos cuidados e à assistência de pacientes a partir de 29 dias de vida,</p><p>estendendo-se até os 14 anos, ou 18 anos, dependendo das rotinas hospitala-</p><p>res de cada instituição (Freitas, 2018).</p><p>135</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>A Unidade de Terapia Semi-intensiva destina-</p><p>se aos pacientes que exigem cuidados intensos,</p><p>em geral em função de maior dependência,</p><p>mas que não necessitam de monitoramento</p><p>permanente. Ela é um conjunto de elementos</p><p>funcionalmente agrupados, visando atender, em</p><p>particular, pacientes provenientes da UTI que</p><p>precisam de cuidados de enfermagem intensivos e</p><p>observação contínua, devendo ser supervisionados</p><p>e acompanhados por médico especializado. Ao</p><p>contrário dos pacientes da UTI, os pacientes da</p><p>Unidade de Terapia Semi-intensiva não precisam,</p><p>necessariamente, de tratamento intensivo, embora</p><p>necessitem de tratamento linear. Fonte: Freitas</p><p>(2018, p. 26).</p><p>Com base nos conhecimentos adquiridos até aqui, vamos conhecer o plane-</p><p>jamento e a organização de uma UTI.</p><p>5.1.1 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA UTI</p><p>O modelo que hoje conhecemos de UTI teve início com Florence Nightingale,</p><p>que, com a teoria de cuidados dela, determinou quais seriam os fatores deter-</p><p>minantes no processo de cuidar (Viana; Torre, 2017).</p><p>Ao longo do tempo, com a Revolução Industrial e o processo de cuidar da</p><p>enfermagem, as intervenções nos campos terapêutico e diagnóstico evoluí-</p><p>ram, com base nas práticas assistenciais pautadas em conhecimentos e em</p><p>evidências científicas, contribuindo para o aumento da sobrevida e dos resul-</p><p>tados positivos na assistência prestada (Viana; Torre, 2017).</p><p>Em razão da complexidade existente no ambiente da UTI, a atuação de pro-</p><p>fissionais extremamente capacitados torna-se necessária. Esse profissional</p><p>deve ter características voltadas para organização, planejamento, trabalho</p><p>em equipe, conhecimento científico, liderança, comunicação, relacionamen-</p><p>to interpessoal, promoção de cuidados, ensino e pesquisa, com otimização de</p><p>recursos e uma assistência especializada com qualidade e segurança (Viana;</p><p>Torre, 2017, p. 2).</p><p>136</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Além dos recursos humanos, algumas exigências quanto à planta física de-</p><p>vem ser consideradas. Preferencialmente, para a projeção ou a modificação</p><p>da UTI, é necessário o auxílio de profissionais com experiência em terapia in-</p><p>tensiva, sobretudo que tenham conhecimento acerca das normas regulado-</p><p>ras (Viana; Torre, 2017).</p><p>A UTI é considerada um setor obrigatório em unidades hospitalares com mais</p><p>de cem leitos. Ela deve ser projetada em local diferenciado, próximo da uni-</p><p>dade de emergência ou do centro cirúrgico, para facilitar o encaminhamento</p><p>do paciente.</p><p>O ambiente deve ser climatizado, com gerador próprio, iluminação adequada,</p><p>paredes laváveis e possuir visualização permanente dos pacientes, além de</p><p>um lavatório para cada dois leitos e poltronas para o acompanhante. No caso</p><p>de observação por meio de monitorização eletrônica, deverá ficar disponível</p><p>uma central de monitorização na área de maior circulação e presença da</p><p>equipe interdisciplinar. (Viana; Torre, 2017, p. 3)</p><p>Para construir ou modificar uma UTI, a planta física deve estar de acordo com</p><p>a RDC n. 50/2002, emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvi-</p><p>sa). Deve-se avaliar (Viana; Torre, 2017):</p><p>• a demanda esperada com base nos critérios de admissão e alta;</p><p>• a taxa de ocupação;</p><p>• o fluxo de visitantes e funcionários;</p><p>• a necessidade de instalações de apoio para oferecer suporte multiprofissional;</p><p>• a disponibilidade de serviços</p><p>de apoio, como laboratório, farmácia e radiologia.</p><p>Após essas considerações e com base na RDC, a unidade deve (Viana; Torre,</p><p>2017):</p><p>• garantir que a internação de pacientes críticos seja feita em ambientes</p><p>coletivos ou individuais, esse último com maior privacidade;</p><p>• oferecer e registrar assistência médica e de enfermagem intensivas;</p><p>• prestar apoio diagnóstico de imagem e laboratorial, além de hemoterápico,</p><p>cirúrgico e terapêutico 24 horas por dia;</p><p>• manter condições para assistência respiratória e monitoramento 24 horas</p><p>por dia;</p><p>137</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>• garantir assistência nutricional e alimentação aos pacientes;</p><p>• garantir que pacientes com morte cerebral permaneçam em condições viáveis</p><p>que permitam a retirada de órgãos para transplante, quando consentido.</p><p>Em uma UTI, o mínimo preconizado é de cinco</p><p>leitos, podendo existir quartos ou áreas coletivas,</p><p>ou ambos, a critério da instituição, lembrando que</p><p>o número de leitos de UTI deve corresponder a, no</p><p>mínimo, 6% do total de leitos do hospital.</p><p>A área mínima do quarto é de 10 m² e 9 m² para</p><p>área coletiva, ambos com distância de 1 m² entre</p><p>paredes e leitos, não considerando a cabeceira.</p><p>A área de prescrição médica é de 1,5 m².</p><p>Recomenda-se um posto de enfermagem</p><p>para cada área coletiva ou conjunto de quartos,</p><p>independentemente do número de leitos, de 6 m²</p><p>e deve estar instalado de forma que permita a</p><p>observação visual direta ou eletrônica dos leitos.</p><p>Para a sala de entrevista, sugere-se 6 m².</p><p>Sugere-se 4 m² para a área de higienização</p><p>e preparo de equipamentos e materiais, com</p><p>dimensão mínima de 1,5 m².</p><p>Quanto ao quarto de isolamento, deve haver pelo</p><p>menos um para cada dez leitos de UTI, ou fração.</p><p>Fonte: Viana; Torre (2017, p. 3-4)</p><p>138</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>5.1.2 ASPECTOS ÉTICOS LEGAIS E PSICOSSOCIAIS</p><p>DA ASSISTÊNCIA NA UTI</p><p>Na UTI, o exercício da autonomia ganha um contexto de maior complexida-</p><p>de em virtude da responsabilidade que essa unidade exige, inclusive sob a</p><p>óptica do profissional enfermeiro, que é responsável por várias tomadas de</p><p>decisão acerca das necessidades do paciente.</p><p>Desse modo, “[...] a autogovernança pode apresentar distintas concepções e</p><p>amplitudes de acordo com o contexto físico e sociocultural ao qual o indiví-</p><p>duo pertence, estando as suas deliberações sujeitas aos pareceres éticos, mo-</p><p>rais e religiosos impostos pela sociedade” (Viana; Whitaker, 2020, p. 82).</p><p>O enfermeiro é o profissional que tem autonomia para exercer o controle so-</p><p>bre as normas e o desempenho da equipe de enfermagem, em virtude do</p><p>conhecimento teórico-científico que apresenta e com base no Código de Éti-</p><p>ca dos Profissionais de Enfermagem que estabelece as atribuições e os cam-</p><p>pos de atuação desse profissional de acordo com os princípios éticos e legais</p><p>vigentes reconhecidos pelo Estado e pela sociedade (Viana; Whitaker, 2020;</p><p>Bickley; Szilagyi; Hoffman, 2022).</p><p>Assim, em razão da autonomia fragilizada do paciente no âmbito da UTI, cabe</p><p>ao profissional enfermeiro e aos demais membros da equipe multidisciplinar</p><p>atentarem para a promoção da livre escolha do paciente com base nas vulne-</p><p>rabilidades dele. Portanto, diante de uma situação-problema de cunho ético</p><p>ou moral no ambiente da terapia intensiva, o enfermeiro deve proceder de</p><p>acordo com a deliberação moral (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>139</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Deliberação moral: processo que tenta analisar</p><p>problemas éticos ou morais em toda complexidade,</p><p>podendo ser entendida como método de gestão/</p><p>investigação dos valores humanos na prática</p><p>clínica, permitindo aos participantes desse processo</p><p>uma ideia concreta acerca das possibilidades de</p><p>ação (eleger a melhor decisão em uma situação</p><p>específica) e as limitações do contexto. Para ter</p><p>capacidade de exercê-la, os envolvidos precisam ter</p><p>pleno exercício de liberdade, baseando-se na ética,</p><p>nos conhecimentos e na experiência. Fonte: Viana;</p><p>Whitaker (2020, p. 86).</p><p>A ação de deliberar moralmente deve ser realizada com base na evidência</p><p>e na interpretação por meio de discussões e prioridades, buscando as solu-</p><p>ções mais adequadas. Na unidade de terapia intensiva, a equipe necessita</p><p>respeitar os valores dos pacientes e dos familiares, mantendo a justiça e a</p><p>autonomia dos envolvidos. Sob essa perspectiva, a deliberação moral deve ser</p><p>exercida com base em etapas hierarquizadas de análise crítica do problema,</p><p>conforme explicado a seguir:</p><p>140</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1. Apresentação do caso: qual é o caso e as pessoas</p><p>envolvidas.</p><p>2. Discussão dos aspectos clínicos do prontuário.</p><p>3. Identificação dos problemas morais que</p><p>surgirem.</p><p>4. A pessoa responsável pelo paciente escolhe o</p><p>problema moral que lhe diz respeito e que ela</p><p>deseja analisar.</p><p>5. Determinação dos valores em conflito.</p><p>6. Início da elaboração dos possíveis cursos de ação.</p><p>7. O grupo analisa qual é o melhor curso de ação:</p><p>ponderação das consequências.</p><p>8. Decisão final.</p><p>9. Verificação da consistência da tomada de</p><p>decisão: essa decisão é legal do ponto de vista da</p><p>legislação? É possível ser deferida publicamente?</p><p>Será que se chegaria a essa mesma decisão em</p><p>mais algumas horas ou em alguns dias?</p><p>Fonte: Viana; Whitaker (2020, p. 87).</p><p>Na sequência, trataremos da prevenção e do controle de infecção em UTIs.</p><p>141</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>5.1.3 PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÃO</p><p>NA UTI</p><p>Indiscutivelmente, a infecção é uma das principais causas de morbimortali-</p><p>dade na UTI. Durante a internação em UTI, principalmente nos casos de in-</p><p>ternações prolongadas, o paciente fica bastante exposto a diversos riscos em</p><p>razão da colonização de microrganismos e dos procedimentos invasivos fre-</p><p>quentemente realizados em UTIs, os quais podem agravar o estado de saúde</p><p>desse paciente. Assim, “[...] a infecção, seja ela endógena ou exógena, repre-</p><p>senta grave ameaça ao paciente, o que gera grande preocupação dos profis-</p><p>sionais envolvidos na assistência” (Freitas, 2018, p. 81).</p><p>Entre os fatores que favorecem o aparecimento de infecções em UTIs, estão:</p><p>Condições gerais do paciente</p><p>Más condições gerais do paciente podem desencadear diminuição das</p><p>defesas orgânicas, favorecendo a disseminação de patógenos.</p><p>Constituição da flora do paciente</p><p>Mudanças na constituição da flora normal do organismo, resultantes</p><p>da gravidade do estado do paciente, assim como a contaminação</p><p>gerada pelos microrganismos encontrados no meio ambiente</p><p>hospitalar favorecem a instalação de processos infecciosos.</p><p>Colonização de microrganismos</p><p>A maioria das infecções possivelmente provém dos próprios tratos</p><p>contaminados dos pacientes, como luz intestinal, árvore respiratória,</p><p>sistema urogenital e superfície cutânea.</p><p>Fonte: Freitas (2018, p. 82).</p><p>142</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>É importante que os profissionais envolvidos com a assistência do paciente</p><p>ampliem os conhecimentos sobre as principais infecções que ocorrem em</p><p>UTIs, a saber:</p><p>PRINCIPAIS INFECÇÕES QUE OCORREM NA UTI</p><p>Infecção</p><p>respiratória</p><p>Infecção do</p><p>trato urinário (ITU)</p><p>Infecção da</p><p>corrente sanguínea</p><p>Fonte: adaptado de Freitas (2018).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos. No primeiro,</p><p>aparece “infecção respiratória”. No segundo, “infecção do trato</p><p>urinário (ITU)”. No terceiro, “infecção da corrente sanguínea”.</p><p>As pneumonias associadas</p><p>à assistência da saúde são, na maioria, relaciona-</p><p>das à ocorrência de aspirações e microaspirações silenciosas de secreções das</p><p>vias aéreas superiores, de material exógeno contaminado e de refluxo gástri-</p><p>co (Nettina, 2021). Além disso, as pneumonias associadas à ventilação mecâ-</p><p>nica (PAV) podem estar presentes nas UTIs. Entre os fatores de riscos para a</p><p>ocorrência de PAV estão (Freitas, 2018):</p><p>• nível de consciência diminuído;</p><p>• retenção de secreção das vias aéreas superiores, acima do balonete do tubo</p><p>orotraqueal;</p><p>• condensação de água no circuito do ventilador mecânico;</p><p>• imobilidade no leito.</p><p>A PAV pode acarretar a severidade das patologias de base, a falência dos ór-</p><p>gãos e a morte. Além disso, essa complicação prolonga o tempo de hospita-</p><p>lização do paciente, aumentando as chances de infecções associadas e ele-</p><p>vando os custos. Entre as principais estratégias para minimizar esse tipo de</p><p>infecção, estão (Freitas, 2018):</p><p>143</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Realização de vigilância de PAV</p><p>Monitorar as taxas de PAV, dar feedback aos profissionais envolvidos na</p><p>assistência, executar medidas de prevenção e envolver a equipe para</p><p>realizá-las, responsabilizando e comparando as taxas de infecção antes</p><p>e após as medidas adotadas.</p><p>Campanhas educativas com foco para ensinar a lavagem</p><p>correta das mãos</p><p>Focar nas técnicas e na periodicidade da lavagem das mãos, além de</p><p>ressaltar que o uso de álcool em gel não exclui a lavagem das mãos.</p><p>Treinamento da equipe multiprofissional</p><p>Por meio de diferentes metodologias, como aula presencial,</p><p>e-learning, simulações, discussão da prática à beira do leito e feedback</p><p>de indicadores com discussão de medidas profiláticas. A visita</p><p>multidisciplinar de rotina com todos os profissionais envolvidos</p><p>diretamente no cuidado do paciente deve ser encorajada.</p><p>Fonte: Freitas (2018).</p><p>O enfermeiro e a equipe devem estar atentos a alguns cuidados para evitar a</p><p>PAV dentro de UTIs.</p><p>CUIDADOS PARA EVITAR A PAV DENTRO DE UTIS</p><p>Cabeceira</p><p>da cama</p><p>elevada entre</p><p>30 e 45 graus</p><p>Redução das</p><p>taxas de PAV</p><p>Aspiração</p><p>da secreção</p><p>subglótica</p><p>Higienização</p><p>oral com</p><p>clorexidina</p><p>Fonte: adaptado de Freitas (2018).</p><p>#pratodosverem: figura formada por quatro retângulos. No primeiro,</p><p>aparece o cuidado “cabeceira da cama elevada entre 30 e 45 graus”.</p><p>No segundo, “redução das taxas de PAV”. No terceiro, “aspiração da</p><p>secreção subglótica”. No quarto, “higienização oral com clorexidina”.</p><p>144</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>É importante mencionar que algumas preocupações devem ser levadas em</p><p>consideração, por exemplo, a cabeceira da cama deve ser elevada entre 30 e</p><p>45 graus caso não haja contraindicação médica, e a interrupção ou redução</p><p>das taxas de PAV devem ser realizadas conforme protocolo da instituição hos-</p><p>pitalar e indicação médica (Freitas, 2018). Já a aspiração da secreção subgló-</p><p>tica deve ser feita conforme o estado geral do paciente e de acordo com a</p><p>técnica estéril, e a higienização oral com clorexidina deve ser executada dia-</p><p>riamente, de três a quatro vezes por dia (Freitas, 2018).</p><p>A infecção do trato urinário (ITU) hospitalar é considerada uma importante</p><p>fonte de sepse hospitalar:</p><p>[...] os cateteres vesicais representam riscos de infecção aos pacientes que</p><p>os utilizam, sendo responsáveis por aproximadamente 80% dos casos de</p><p>ITU hospitalar; o potencial risco para ITU relacionado ao cateter intermitente</p><p>é inferior, sendo de 3,1% e, quando na ausência de cateter vesical, de</p><p>aproximadamente 1,4%. É importante ressaltar que uma ITU poderá ocorrer</p><p>após a retirada do cateter vesical. (Freitas, 2018, p. 83)</p><p>Entre as medidas para reduzir as taxas de ITU está a realização da sondagem</p><p>vesical com técnica asséptica adequada e a redução do tempo de permanên-</p><p>cia do cateter vesical de demora (Freitas, 2018).</p><p>A infecção primária de corrente sanguínea (IPCS) está entre as infecções re-</p><p>lacionadas à assistência da saúde (IRAS). O principal dispositivo que está re-</p><p>lacionado à ocorrência desse tipo de infecção é o uso de cateteres vasculares</p><p>centrais, sobretudo os de curta permanência, isto é, aqueles utilizados, por no</p><p>máximo, três semanas (Freitas, 2018).</p><p>Portanto, é essencial realizar o procedimento de inserção ou de manipulação</p><p>do cateter venoso central com técnica asséptica adequada. Para isso, é preciso</p><p>oferecer treinamento a todos profissionais envolvidos na assistência do pacien-</p><p>te para assegurar que a técnica asséptica ideal será empregada (Freitas, 2018).</p><p>Na segunda parte desta unidade, lidaremos com a monitorização hemodinâ-</p><p>mica, a abordagem das vias aéreas e da ventilação mecânica, e a assistência</p><p>de enfermagem na administração de drogas vasoativas.</p><p>145</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>5.2 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI</p><p>Considerando que as UTIs são unidades destinadas a pacientes críticos, que</p><p>apresentam instabilidade grave de algum(ns) sistema(s) fisiológico(s), mas</p><p>com possibilidade de recuperação, profissionais que trabalham nesse setor</p><p>precisam ter competência para exercer as atividades intrínsecas a esse am-</p><p>biente (Padilha et al., 2014).</p><p>O enfermeiro de cuidados intensivos necessita de capacidade técnica e emo-</p><p>cional para lidar com situações emergenciais e críticas com velocidade, preci-</p><p>são, competência e julgamento científico, garantindo ao paciente em estado</p><p>crítico um atendimento de boa qualidade, que leve em consideração o tem-</p><p>po, os recursos e a capacitação profissional disponíveis (Padilha et al., 2014).</p><p>Para que se alcance os resultados desejados, protocolos de assistência à saú-</p><p>de são elaborados de forma organizada e sistematizada, executando o traba-</p><p>lho em equipe de forma contínua:</p><p>O uso de modelos de sistematização de assistência de enfermagem tem</p><p>sido considerado há décadas na profissão, mas a determinação legal do uso</p><p>do processo de enfermagem ampliou as iniciativas de sua implantação em</p><p>nosso meio, especialmente em UTIs. Mesmo com as dificuldades impostas no</p><p>trajeto de implantação, o processo de enfermagem ou SAE (Sistematização</p><p>da Assistência de Enfermagem) ganhou força em razão do desenvolvimento</p><p>de trabalhos acadêmicos e práticos por instituições públicas de referência,</p><p>em especial hospitais universitários. (Padilha et al., 2014, p. 1107)</p><p>O processo de enfermagem exige o desenvolvimento de habilidades cogni-</p><p>tivas, como lógica, criticidade e inteligência, para além de técnicas interpes-</p><p>soais pautadas na comunicação e na interação entre equipe e paciente, bem</p><p>como ética e capacidade de tomada de decisão (Padilha et al., 2014).</p><p>Processo de enfermagem: o processo de</p><p>enfermagem se refere a um estilo de pensamento</p><p>do enfermeiro para fazer julgamentos clínicos</p><p>apropriados. Fonte: Padilha et al. (2014, p. 1107).</p><p>146</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Logo, o processo de enfermagem está voltado para o cuidado do paciente, de</p><p>acordo com as necessidades e as individualidades relacionadas ao processo</p><p>de saúde/doença que esse paciente apresenta, sendo que quaisquer ações</p><p>ou resultados clínicos devem ser documentados e registrados de maneira</p><p>adequada (Padilha et al., 2014).</p><p>PROCESSO DE ENFERMAGEM</p><p>Fonte: adaptado de Padilha et al. (2014, p. 1108).</p><p>#pratodosverem: figura representando o processo de enfermagem. No centro da figura,</p><p>há um retângulo dividido em seis partes: duas na vertical, formando duas colunas, sendo</p><p>que uma delas se divide em duas. A primeira traz o escrito “estratégias”; na primeira</p><p>parte da segunda coluna, está escrito “processo”; e, na segunda parte, “recursos”.</p><p>Ao lado dessa coluna, ainda no retângulo,</p><p>há duas divisões na horizontal: a primeira</p><p>apresenta os seguintes processos “coleta de dados”, “diagnóstico”, “planejamento”,</p><p>“intervenção” e “avaliação”; do lado direito desses processos, há setas cujas pontas</p><p>estão direcionadas para baixo; e, do lado esquerdo, as setas estão direcionadas para</p><p>cima; a segunda divisão está segmentada ao meio, na vertical. A primeira compreende</p><p>os recursos “documentação”, “instrumentos”, “tempo/espaço” e “pessoas”; a segunda</p><p>diz respeito aos recursos “competência”, “intelectual/cognitiva”, “afetiva” e “ética”. Do</p><p>lado direito desse retângulo, surgem duas setas: uma a partir da margem superior</p><p>que aponta para baixo e outra a partir da margem inferior que aponta para cima.</p><p>Essas setas trazem outro retângulo no qual está escrito, na vertical, “cuidar”. Por fim,</p><p>do lado esquerdo do retângulo central, as palavras “processo”, “saúde” e “doença”</p><p>aparecem escritas na vertical. Entre elas e o retângulo central, estão os seguintes</p><p>textos: “modelo biomédico” e “sistemas corporais”, que aparecem em paralelo à</p><p>parte superior do retângulo central, e “modelo holístico” “necessidades humanas” e</p><p>“respostas humanas”, que aparecem em paralelo à parte inferior do retângulo central.</p><p>147</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Nesse contexto, o processo de enfermagem segue estas etapas contínuas,</p><p>dinâmicas e interdependentes:</p><p>• investigação ou coleta de dados;</p><p>• diagnóstico;</p><p>• planejamento;</p><p>• implementação das ações;</p><p>• avaliação de resultados.</p><p>Portanto, para qualquer atividade inerente à enfermagem cabe a realização</p><p>de tais etapas.</p><p>5.2.1 MONITORIZAÇÃO HEMODINÂMICA</p><p>Em meados do século XIX, o exame dos pacientes críticos era apenas voltado</p><p>ao exame clínico físico. Apesar da importância da realização do exame físico</p><p>para avaliar adequadamente o paciente, nem sempre era possível diagnosti-</p><p>car e estabelecer tratamento apenas com essa conduta. Ao longo do tempo,</p><p>com o avanço das técnicas médicas, de avaliação e de diagnóstico, iniciou-se</p><p>o aperfeiçoamento das técnicas de monitorização contínua de parâmetros</p><p>clínicos (hemodinâmicos e ventilatórios) (Padilha et al., 2014).</p><p>A monitorização hemodinâmica invasiva compreende, portanto, um recurso</p><p>tecnológico utilizado para o paciente em estado crítico, o qual pode contribuir</p><p>para o diagnóstico e a decisão terapêutica desse paciente (Padilha et al., 2014).</p><p>Desse modo, a monitorização hemodinâmica é uma ferramenta amplamen-</p><p>te utilizada em UTIs e o enfermeiro é o profissional envolvido no processo de</p><p>monitorização hemodinâmica invasiva e, em conjunto com o médico, discute</p><p>e define os seguintes aspectos (Padilha et al., 2014):</p><p>• o cateter e o local de punção;</p><p>• o preparo dos materiais e do paciente para o procedimento;</p><p>• auxilia na passagem do cateter;</p><p>• realiza todos os cuidados de manutenção;</p><p>• realiza, registra e interpreta as medidas hemodinâmicas;</p><p>• atua na retirada do cateter.</p><p>148</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para melhor compreensão das variáveis</p><p>hemodinâmicas e de uma assistência sem</p><p>complicações, é essencial que o enfermeiro domine</p><p>a anatomia e a fisiologia cardiovascular. Caso você</p><p>precise atualizar seus conhecimentos a respeito do</p><p>sistema cardiológico, clique aqui.</p><p>Com os conceitos de anatomia e de fisiologia cardíaca relembrados, vamos</p><p>aprender os tipos de monitorização invasiva. É recomendado que, para a rea-</p><p>lização da monitorização hemodinâmica básica, os seguintes parâmetros se-</p><p>jam seguidos (Padilha et al., 2014):</p><p>• frequência cardíaca (FC);</p><p>• frequência respiratória (FR);</p><p>• diurese;</p><p>• eletrocardiograma (ECG) contínuo;</p><p>• saturação arterial de oxigênio (O2);</p><p>• pressão arterial não invasiva;</p><p>• temperatura;</p><p>• pressão venosa central (PVC);</p><p>• pressão arterial invasiva (PAI);</p><p>• cateter de artéria pulmonar (CAP) para monitorização de pressões na</p><p>circulação pulmonar, do fluxo sanguíneo e da saturação venosa mista, a</p><p>critério do médico.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527728867/</p><p>149</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CATETER DE ARTÉRIA PULMONAR QUATRO VIAS</p><p>Fonte: adaptado de Padilha et al. (2014, p. 253).</p><p>#pratodosverem: ilustração de um cateter de artéria pulmonar de quatro vias, chamadas</p><p>“via do balonete”, “lúmen distal”, “lúmen proximal” e “conector do termistor”. Do outro lado</p><p>do cateter, há a “saída da via proximal”, o “termistor”, o “balonete” e a “saída da via distal”.</p><p>A seguir, vamos conferir a ilustração de um cateter de artéria pulmonar com</p><p>medida de débito cardíaco contínuo e de saturação venosa de oxigênio.</p><p>CATETER DE ARTÉRIA PULMONAR COM MEDIDA DE DÉBITO CARDÍACO CONTÍNUO</p><p>E DE SATURAÇÃO VENOSA DE OXIGÊNIO</p><p>Fonte: adaptado de Padilha et al. (2014, p. 254).</p><p>#pratodosverem: ilustração de um cateter de artéria pulmonar com medida de</p><p>débito cardíaco contínuo e de saturação venosa de oxigênio. Na parte esquerda</p><p>da ilustração, há três pontas iguais na parte inferior, e outras três pontas, mas cada</p><p>uma termina de um jeito. Na parte superior, duas dessas pontas superiores estão</p><p>nomeadas como “conector do filamento térmico” e “conector do termistor”. Entre</p><p>as pontas da parte superior e as da parte inferior, há o “conector do módulo óptico”.</p><p>Já na parte direita da ilustração, aparece a parte restante do cateter, formada</p><p>pela “via proximal de injeção”, pelo “filamento térmico” e pelo “termistor”.</p><p>150</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Com base nesses aspectos, cabe ao enfermeiro colocar em prática os cuida-</p><p>dos de enfermagem específicos para a inserção dos cateteres, a fim de que</p><p>a monitorização hemodinâmica invasiva do paciente seja feita. O enfermeiro</p><p>atuante na UTI deve participar de todas as etapas relacionadas ao cuidado</p><p>com os cateteres, desde a educação em saúde do paciente e dos familiares;</p><p>a escolha do material a ser utilizado; o preparo do ambiente para a realiza-</p><p>ção do procedimento; o período de inserção propriamente dito, realizado pelo</p><p>médico, até os cuidados pós-procedimento (Padilha et al., 2014).</p><p>Para a obtenção de dados fidedignos, o enfermeiro intensivista deve</p><p>conhecer os cateteres, dominar os conceitos de hemodinâmica, conhecer os</p><p>cuidados para a realização das medidas, identificar os potenciais problemas</p><p>ou artefatos que possam influenciar na obtenção de variáveis, prevenir</p><p>iatrogenias e identificar as implicações clínicas dos valores mensurados para</p><p>planejar uma assistência de enfermagem adequada. (Padilha et al., 2014,</p><p>p. 274)</p><p>Para saber mais sobre a atuação do enfermeiro</p><p>frente à monitorização hemodinâmica em UTIs,</p><p>clique aqui.</p><p>Para a manutenção adequada da perfusão e da oxigenação tecidual, tam-</p><p>bém é possível a realização de monitorização hemodinâmica não invasiva.</p><p>Nesse método, são monitoradas a:</p><p>• frequência cardíaca;</p><p>• pressão sanguínea arterial;</p><p>• frequência respiratória;</p><p>• temperatura.</p><p>https://www.recien.com.br/index.php/Recien/article/view/103</p><p>151</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Outros métodos podem ser utilizados para a investigação não invasiva:</p><p>• eletrocardiograma;</p><p>• ecocardiograma;</p><p>• capnometria.</p><p>Capnometria: medida da concentração de dióxido</p><p>de carbono no fim da expiração.</p><p>A seguir, vamos detalhar a abordagem de vias aéreas e a ventilação mecânica.</p><p>5.2.2 ABORDAGEM DE VIAS AÉREAS E</p><p>VENTILAÇÃO MECÂNICA</p><p>A história da ventilação mecânica (VM) iniciou-se em meados de 1920, pelo</p><p>precursor Philip Drinker. Atualmente, a VM é uma modalidade muito prati-</p><p>cada em cuidados intensivos para garantir a</p><p>ventilação de pacientes cujo sis-</p><p>tema respiratório está em falência, o uso dessa ventilação é mantido até ́que</p><p>as funções respiratórias mínimas retornem e a respiração espontânea seja</p><p>reestabelecida. Esse tipo de ventilação é utilizada ainda como forma de au-</p><p>mentar o volume corrente e oferecer pressão positiva expiratória final (PEEP)</p><p>(Murakami; Santos, 2017).</p><p>152</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A história recente da ventilação mecânica (VM) teve</p><p>início a partir da década de 1920, quando Philip Drinker</p><p>conduziu experimentos para o desenvolvimento</p><p>de um suporte ventilatório. Embora séculos antes,</p><p>insuflações rítmicas já́ tivessem sido descritas em</p><p>pulmões de animais através de um tubo inserido</p><p>na traqueia, foi no início da década de 1950 que</p><p>a epidemia de poliomielite possibilitou que a</p><p>invenção de Drinker se popularizasse. O “pulmão</p><p>de aço”, como ficou posteriormente conhecido o</p><p>primeiro ventilador mecânico utilizado, consistia</p><p>basicamente em um tanque no qual o paciente</p><p>era inserido; e a alternância da pressão positiva</p><p>e negativa permitia a respiração do paciente,</p><p>demonstrando a efetividade do suporte ventilatório.</p><p>Fonte: Murakami; Santos (2017, p. 161).</p><p>Nesse sentido, a VM oferece ao paciente (Murakami; Santos, 2017):</p><p>• garantia de troca gasosa adequada;</p><p>• correção da hipoxemia e da acidose respiratória associada à hipercapnia;</p><p>• alívio do trabalho da musculatura respiratória, reduzindo o desconforto</p><p>respiratório;</p><p>• reversão ou evitação da fadiga da musculatura respiratória;</p><p>• diminuição do consumo de oxigênio metabólico ou miocárdico;</p><p>• possibilidade de aplicação de terapêuticas específicas que demandam</p><p>administração de anestésicos e bloqueadores neuromusculares.</p><p>Hipercapnia: condição médica caracterizada pela</p><p>elevação, na pressão arterial, de gás carbônico</p><p>para valores superiores a 50 mmHg, os quais são</p><p>considerados prejudiciais para o ser humano.</p><p>153</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Atualmente, o suporte ventilatório é classificado em dois grandes grupos:</p><p>ventilação mecânica invasiva (VMI) e ventilação mecânica não invasiva (VMNI)</p><p>(Murakami; Santos, 2017).</p><p>Hipoxemia: condição médica caracterizada pela</p><p>baixa concentração de oxigênio no sangue arterial.</p><p>A VMNI tem como vantagem oferecer a pressão positiva sem as complicações</p><p>inerentes à intubação orotraqueal. A VMNI mantém a fisiologia da fonação, a</p><p>expectoração e a deglutição, sendo considerada uma opção válida para inter-</p><p>calar com a ventilação espontânea até o retorno do padrão respiratório por</p><p>completo. Entretanto, a VMNI não pode ser utilizada como mecanismo para</p><p>substituir a VMI (Murakami; Santos, 2017).</p><p>A seguir, apresentamos algumas contraindicações para o uso da VMNI:</p><p>CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO PARA O USO DE VMNI</p><p>Contraindicações</p><p>absolutas</p><p>Necessidade de intubação de urgência.</p><p>Parada respiratória ou cardiorrespiratória.</p><p>Contraindicações</p><p>relativas (analisar</p><p>riscos versus</p><p>benefícios para</p><p>cada paciente)</p><p>Incapacidade de cooperar, proteção das vias aéreas ou presença</p><p>de secreções abundantes.</p><p>Rebaixamento do nível de consciência (exceto acidose</p><p>hipercápnica em DPOC).</p><p>Falências orgânicas não respiratórias (encefalopatia, arritmias</p><p>malignas ou hemorragias digestivas graves com instabilidade</p><p>hemodinâmica).</p><p>Cirurgia facial ou neurológica.</p><p>Trauma ou deformidade facial.</p><p>Alto risco de aspiração.</p><p>Obstrução de vias aéreas superiores.</p><p>Anastomose de esôfago recente.</p><p>Fonte: adaptado de Murakami; Santos (2017).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas apresentando os critérios de exclusão para o uso</p><p>de VMNI, estabelecidos pelas contraindicações absolutas e pelas contraindicações relativas.</p><p>154</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A VMI é realizada por meio de dispositivo invasivo, introduzido na via aérea,</p><p>podendo ser tubo orotraqueal, tubo nasotraqueal ou cânula de traqueosto-</p><p>mia. Na VMI com pressão positiva, o ciclo ventilatório pode ser dividido em</p><p>quatro momentos (Murakami; Santos, 2017; Potter, 2018), a saber:</p><p>MOMENTOS DO CICLO VENTILATÓRIO DA VMI</p><p>Fase inspiratória</p><p>Ciclagem</p><p>Fase expiratória</p><p>Disparo</p><p>Fonte: adaptado de Murakami; Santos (2017).</p><p>#pratodosverem: figura com quatro retângulos formando um ciclo.</p><p>O primeiro retângulo compreende a “fase inspiratória”. O segundo, a</p><p>“ciclagem”. O terceiro, a “fase expiratória”. E o quarto, o “disparo”.</p><p>155</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Adiante, vamos detalhar as características de cada um desses momentos</p><p>(Murakami; Santos, 2017):</p><p>Fase inspiratória</p><p>Fase do ciclo em que o ventilador realiza a insuflação pulmonar</p><p>durante a abertura da válvula inspiratória e o fluxo aéreo é liberado no</p><p>ramo inspiratório.</p><p>Ciclagem</p><p>Transição entre a fase inspiratória e a fase expiratória. No momento</p><p>da ciclagem, a válvula inspiratória é fechada, parando a inspiração,</p><p>e a válvula expiratória é aberta para que o ar seja exalado no</p><p>ramo expiratório.</p><p>Fase expiratória</p><p>Fase do ciclo em que a válvula expiratória se mantém aberta,</p><p>permitindo que a pressão do sistema respiratório seja equilibrada com</p><p>a PEEP determinada no ventilador.</p><p>Disparo</p><p>Transição entre a fase expiratória e o início da fase inspiratória. A válvula</p><p>inspiratória é aberta quando ocorre o disparo.</p><p>Fonte: Murakami; Santos (2017, p. 168).</p><p>Por fim, o quadro a seguir mostra os cuidados de enfermagem específicos</p><p>para o paciente intubado:</p><p>156</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>CUIDADOS DE ENFERMAGEM PARA O PACIENTE INTUBADO</p><p>Cuidados diários</p><p>Manter o paciente em decúbito com elevação de 30° a 45°.</p><p>Lavar as mãos antes de manusear o tubo.</p><p>Manter a fixação do tubo com dispositivos de fixação disponíveis comercialmente.</p><p>Após a confirmação do posicionamento adequado pela ausculta pulmonar ou raio X de</p><p>tórax, a altura da cânula (em cm) deve ser registrada no prontuário, tendo como referência</p><p>os dentes frontais superiores ou a fissura labial.</p><p>Verificar a altura da cânula a cada plantão, preservando o posicionamento (geralmente</p><p>entre 21 e 23 cm).</p><p>Recomenda-se que a troca da tira/cadarço/dispositivo seja feita por duas pessoas para</p><p>evitar a extubação acidental ou a mobilização inadvertida (intubação seletiva), podendo ser</p><p>realizada uma vez ao dia.</p><p>Verificar a presença de lesões na pele (cadarços ou tiras muito apertadas ou lesões</p><p>causadas pelo adesivo) e na mucosa oral (sangramento, ressecamento, fissuras etc.).</p><p>Observar rigorosamente o padrão e os sinais de desconforto respiratório.</p><p>Realizar ausculta pulmonar em busca de anormalidades, como ruídos adventícios</p><p>(indicativos da presença de secreções, broncoespasmos etc.) ou ausência de murmúrios</p><p>vesiculares em hemitórax (indicativo de intubação seletiva).</p><p>Atentar para a insuflação do cuff. Não manuseá-lo sem aspiração prévia da cavidade oral,</p><p>para evitar que a secreção acumulada seja broncoaspirada.</p><p>Verificar a pressão do cuff a cada seis ou oito horas.</p><p>Realizar higiene oral rigorosa, no mínimo, a cada seis horas com produto que esteja de</p><p>acordo com o protocolo da instituição.</p><p>Aspirar a boca concomitantemente à higienização para evitar a possibilidade de</p><p>broncoaspiração das secreções.</p><p>Evitar ressecamento da língua e da mucosa oral. Se necessário, umidificar com água estéril</p><p>periodicamente.</p><p>Proceder com a aspiração endotraqueal quando necessário. Aumentar a FiO2</p><p>temporariamente para evitar a hipoxemia. Retornar ao nível basal tão logo a saturação</p><p>esteja normalizada.</p><p>Atentar para as possíveis complicações relacionadas ao procedimento,</p><p>da técnica asséptica e da segu-</p><p>rança ao paciente (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Interdependente: que dependem um do outro.</p><p>17</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Para que esses princípios sejam alcançados, é essencial que o enfermeiro</p><p>compreenda os elementos que compõem o centro cirúrgico, assim como as</p><p>características arquitetônicas e de bioengenharia que estão dispostas na le-</p><p>gislação vigente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): RDC nº</p><p>50/2002 e RDC nº 307/2002 (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>A Resolução RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, “[...] altera a RDC nº 50</p><p>de 21 de fevereiro de 2002 que dispõe sobre o regulamento técnico para pla-</p><p>nejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de esta-</p><p>belecimentos assistenciais de saúde” (Ministério da Saúde, 2002).</p><p>É considerada obrigação do enfermeiro do centro cirúrgico se inteirar das nor-</p><p>mas e das particularidades dessa legislação a fim de estar apto a participar de</p><p>discussões sobre a planta física do setor em que exerce suas atividades, ga-</p><p>rantindo assistência adequada ao paciente usuário, bem como assegurando</p><p>que seja um ambiente seguro para toda a equipe de saúde que atua nesse</p><p>setor (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Destaca-se que o centro cirúrgico é o coração do hospital; por esse motivo,</p><p>esse setor deve estar próximo, ou seja, ter acesso rápido e fácil a outros setores</p><p>imprescindíveis para o bom andamento dos procedimentos cirúrgicos reali-</p><p>zados, sejam eles procedimentos eletivos, sejam de urgência ou emergên-</p><p>cia. Portanto, o centro cirúrgico precisa ter acesso facilitado às unidades de</p><p>internação; à Unidade de Terapia Intensiva (UTI); aos setores de apoio, como</p><p>laboratórios, banco de sangue, setores de imagens diagnósticas e Centro de</p><p>Material e Esterilização (CME); e, até mesmo, a setores administrativos, como</p><p>o almoxarifado (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Para a construção, a adaptação ou a modificação dos centros cirúrgicos, é</p><p>necessário que haja a aprovação da vigilância sanitária local por meio de ins-</p><p>peção e avaliação do projeto arquitetônico. Por isso, a planta física desse setor</p><p>deve respeitar o princípio da prevenção de infecção, descrito a seguir:</p><p>18</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ÁREAS QUE COMPÕEM O CENTRO CIRÚRGICO</p><p>Área irrestrita ou zona de proteção</p><p>Área semirrestrita ou zona limpa</p><p>Área restrita ou zona estéril</p><p>Fonte: adaptado de Carvalho e Bianchi (2016).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos interligados por uma seta vertical</p><p>descendente. Cada retângulo traz uma das áreas que compõem o centro cirúrgico: “área</p><p>irrestrita ou de proteção”; “área semirrestrita ou zona limpa” e “área restrita ou zona estéril”.</p><p>Toda instituição hospitalar deve ter a aprovação de funcionamento da vigi-</p><p>lância sanitária local, com a declaração das atividades, das instalações, dos</p><p>recursos e dos equipamentos. A seguir, confira as particularidades de cada</p><p>área que compõe um centro cirúrgico:</p><p>Área irrestrita ou zona de proteção</p><p>Permite a circulação livre de pessoal; não é necessária a utilização de</p><p>uniforme privativo.</p><p>Área semirrestrita ou zona limpa</p><p>Constituída por elementos do centro cirúrgico (CC) e não é permitido o</p><p>trânsito livre de pessoal. Os colaboradores devem circular devidamente</p><p>vestidos com a roupa privativa, além de gorro e proteção para os</p><p>pés (propés).</p><p>19</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Área restrita ou zona estéril</p><p>Composta pelas salas cirúrgicas propriamente ditas e pelas áreas</p><p>onde estão os lavabos, tem a circulação restrita de pessoal, ou seja,</p><p>apenas aqueles profissionais diretamente envolvidos no procedimento</p><p>anestésico e/ou cirúrgico, vestidos com a roupa privativa, gorro, propés</p><p>e máscara, têm acesso.</p><p>Fonte: Carvalho; Bianchi (2016, p. 22-25).</p><p>É uma característica dos hospitais mais antigos a presença da central de ma-</p><p>terial no interior do centro cirúrgico. Entretanto, atualmente, tem-se preco-</p><p>nizado localizar a CME fora do centro cirúrgico com o intuito de facilitar a</p><p>comunicação e a interação entre os setores e minimizar a entrada demasiada</p><p>de profissionais dentro do ambiente cirúrgico (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>O CME, obrigatoriamente, deve conter (Carvalho; Bianchi, 2016):</p><p>• Área contaminada: local de destino dos materiais já utilizados e sujos para</p><p>que sejam realizadas a devida limpeza e secagem.</p><p>• Área limpa: local em que os materiais são inspecionados quanto a</p><p>viabilidade, defeitos, quebras e preparos. Nessa área, esses materiais ainda</p><p>são esterilizados, guardados e distribuídos para os setores de destino.</p><p>Com base na Resolução RDC nº 15/2012, a Anvisa estabelece as boas práticas</p><p>para o processamento de produtos em saúde, dispõe os requisitos de boas</p><p>práticas para o processamento de produtos para saúde e classifica a CME em</p><p>classe I e classe II (Oliveira et al., 2019).</p><p>20</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>CME classe I</p><p>Processa os produtos para saúde não críticos, semicríticos e críticos, de</p><p>conformação não complexa.</p><p>CME classe II</p><p>Efetua o processamento de produtos para saúde não críticos,</p><p>semicríticos e críticos, de conformação complexa e não complexa.</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2019, p. 18).</p><p>A RDC nº 15/2002 e a resolução RCD/Anvisa nº 307/2002 estabelecem as con-</p><p>dições mínimas necessárias para conter a CME classe I e classe II.</p><p>Na CME classe I, deve existir, no mínimo, a barreira técnica entre o setor</p><p>sujo e os setores limpos. Na CME classe II, é obrigatória a separação física</p><p>entre a área da recepção e a limpeza dos produtos para a saúde e as demais</p><p>áreas. Além disso, a CME classe II deve possuir lavadora ultrassônica com</p><p>conector para canulados, ter à sua disposição água purificada, pistolas de</p><p>ar comprimido, secadora para os produtos para saúde, seladoras para as</p><p>embalagens etc. (Oliveira et al., 2019, p. 18).</p><p>A seguir, falaremos sobre a sala de recuperação pós-anestésica (SRPA). Trata-</p><p>-se do local onde os pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos, sob</p><p>efeito de anestesia geral ou local, permanecem para observação clínica, visan-</p><p>do à recuperação segura da cirurgia com a prestação de cuidados imediatos</p><p>aos pacientes egressos da cirurgia.</p><p>Nesse contexto, algumas particularidades sobre a estrutura física desse setor</p><p>devem estar presentes:</p><p>21</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>ESPECIFICIDADES SOBRE A ESTRUTURA FÍSICA DA SALA DE</p><p>RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA</p><p>Deve estar localizada no bloco cirúrgico ou em suas proximidades.</p><p>Deve ter livre acesso aos integrantes da equipe cirúrgica.</p><p>Preferencialmente, a sala deve permitir a visualização dos pacientes</p><p>pela equipe de enfermagem e pelo médico.</p><p>Deve possuir número de leitos correspondente ao número médio</p><p>de pacientes programados para o bloco cirúrgico.</p><p>Deve ser bem iluminada.</p><p>Deve ter portas largas que sejam aptas para passagem de macas,</p><p>camas e equipamentos.</p><p>Deve possuir temperatura e ventilação que sejam semelhantes</p><p>às da sala de cirurgia.</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira, Bitencourt, et al. (2019, p. 24).</p><p>#pratodosverem: figura formada por sete retângulos interligados entre si que trazem</p><p>as especificidades sobre a estrutura física da sala de recuperação pós-anestésica. De</p><p>cima para baixo, no primeiro retângulo: “Deve estar localizada no bloco cirúrgico ou</p><p>em suas proximidades”. No segundo retângulo: “Deve ter livre acesso aos integrantes</p><p>da equipe cirúrgica”. No terceiro retângulo: “Preferencialmente, a sala deve permitir</p><p>a visualização dos pacientes pela</p><p>observando</p><p>principalmente a saturação de oxigênio, alterações da PA e da FC/arritmias. Não prolongar</p><p>o procedimento. Não instilar soro fisiológico.</p><p>Observar o aspecto e a quantidade do material aspirado. Utilizar o sistema fechado de</p><p>aspiração se a FiO2 ou a PEEP estiverem elevadas.</p><p>Observar sinais indicativos de sinusite (febre, secreção nasal purulenta).</p><p>Manter os circuitos do ventilador ou da traqueia de nebulização e outros aparatos de forma</p><p>que não tracione o tubo (risco de extubação acidental).</p><p>Avaliar a aceitação da dieta enteral. Não infundir a dieta em casos de distensão abdominal,</p><p>presença de refluxo e diminuição de ruídos hidroaéreos (risco de broncoaspiração).</p><p>157</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Após a extubação: cuidados imediatos</p><p>Observar sinais indicativos de espasmo ou de edema laríngeo: rouquidão, tosse etc.</p><p>Observar sinais de desconforto respiratório; manter a oxigenioterapia com máscara facial.</p><p>Manter pausa alimentar – possibilidade de reintubação.</p><p>Observar alterações do nível de consciência: agitação psicomotora, prostração.</p><p>Esclarecer dúvidas e orientar o paciente a comunicar alterações, como dor, desconforto,</p><p>falta de ar.</p><p>Incentivar movimentação gradativa no leito tanto quanto possível, se não houver sinais</p><p>de fadiga.</p><p>Fonte: adaptado de Murakami; Santos (2017).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e duas linhas nas quais estão expostos</p><p>os cuidados de enfermagem para o paciente intubado. Esses cuidados estão</p><p>divididos em “cuidados diários” e “após a extubação: cuidados imediatos”.</p><p>5.2.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA</p><p>ADMINISTRAÇÃO DE DROGAS VASOATIVAS</p><p>Sabemos que a UTI é uma unidade que atende o paciente grave, de alta com-</p><p>plexidade e que muitas vezes está com falências orgânicas, desequilíbrio aci-</p><p>dobásico ou choques circulatórios que necessitam de arsenal farmacológico,</p><p>como as drogas vasoativas, que podem impactar positivamente ou resultar</p><p>na mortalidade (Murakami; Santos, 2017; Bergamasco, 2019).</p><p>Drogas vasoativas: nome dado aos medicamentos</p><p>que têm a propriedade de atuar no endotélio</p><p>vascular de veias ou artérias, podendo causar efeitos</p><p>vasculares periféricos, cardíacos ou pulmonares,</p><p>sejam diretos ou indiretos.</p><p>Em virtude da atuação ativa dos enfermeiros no cotidiano da UTI, é primor-</p><p>dial que esse profissional esteja presente no monitoramento dos pacientes</p><p>submetidos à terapia com drogas vasoativas (DVA), a fim de detectar preco-</p><p>cemente as alterações hemodinâmicas que podem ocorrer em razão da ad-</p><p>versidade dessas medicações.</p><p>158</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>As principais drogas vasoativas podem ser subdivididas conforme a ação (Mu-</p><p>rakami; Santos, 2017).</p><p>SUBDIVISÃO DAS DROGAS VASOATIVAS</p><p>Inotrópicos Vasopressores Vasodilatadores</p><p>Fonte: adaptado de Murakami; Santos (2017).</p><p>#pratodosverem: figura com três retângulos caracterizando as subdivisões</p><p>das drogas vasoativas. O primeiro retângulo compreende os “inotrópicos”.</p><p>O segundo, os “vasopressores”. E, o terceiro, os “vasodilatadores”.</p><p>Entre as subdivisões, estão:</p><p>Inotrópicos: adrenalina, dopamina, dobutamina,</p><p>isoproterenol, levosimendano e milrinona.</p><p>Vasopressores: vasopressina e noradrenalina.</p><p>Vasodilatadores: nitroglicerina e nitroprussiato</p><p>de sódio.</p><p>As drogas vasoativas devem ser calculadas e</p><p>administradas considerando a dosagem (mcg/</p><p>min ou mcg/kg/min), e não apenas a velocidade de</p><p>infusão (mL/h). Para garantir a segurança do processo</p><p>de administração de medicamentos, é indicada a</p><p>padronização de diluições nas instituições de saúde,</p><p>a fim de minimizar a possibilidade de erros.</p><p>Fonte: Murakami; Santos (2017, p. 38).</p><p>159</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Entre as drogas vasoativas, estão:</p><p>1. Adrenalina: compreende uma catecolamina de ação extremamente</p><p>rápida, com efeito sobre os receptores alfa, beta-1 e beta-2. Pode ser</p><p>administrada em bólus, por via endovenosa em parada cardiorrespira-</p><p>tória (PCR); por via subcutânea ou inalatória, para o broncoespasmo; ou</p><p>intramuscular, para controle de reações anafiláticas. Além disso, pode ser</p><p>instalada em BIC para controle de distúrbios hemodinâmicos (Muraka-</p><p>mi; Santos, 2017).</p><p>2. Dopamina: considerada uma catecolamina, só pode ser administrada</p><p>por cateter venoso central (CVC) e em administração contínua, diluída</p><p>em solução fisiológica ou glicosada. O desmame dessa droga deve ser</p><p>lento para evitar hipotensão. A dopamina é indicada para estabilização</p><p>pressórica pós-PCR, choque e disfunção miocárdica com bradicardia</p><p>(Murakami; Santos, 2017).</p><p>3. Dobutamina: catecolamina sintética oriunda do isoproterenol e estrutu-</p><p>ralmente semelhante à dopamina. Deve ser administrada por via endo-</p><p>venosa diluída em soro fisiológico ou glicosado. Indicada para pacientes</p><p>com baixo débito cardíaco e disfunção miocárdica, como na insuficiência</p><p>cardíaca descompensada e no choque cardiogênico (Murakami; Santos,</p><p>2017).</p><p>4. Vasopressina: fármaco com efeito vasoconstritor de ação direta. Indica-</p><p>do para uso na PCR e como adjuvante no tratamento de pacientes com</p><p>choque séptico sem resposta às catecolaminas de uso habitual (Muraka-</p><p>mi; Santos, 2017).</p><p>5. Noradrenalina: considerado uma catecolamina que gera vasoconstrição</p><p>potente com aumento significativo da pressão arterial e pouca taquicar-</p><p>dia. Indicada no tratamento do choque (especialmente o séptico) refra-</p><p>tário a volume, também pode ser associada a inotrópicos para pacientes</p><p>com insuficiência cardíaca e hipotensão grave. A administração dessa</p><p>droga em pacientes hipovolêmicos e com miocardiopatia isquêmica,</p><p>trombose arterial, hipoxia grave ou hipercapnia deve ser cautelosa (Mu-</p><p>rakami; Santos, 2017).</p><p>160</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Entre os cuidados de enfermagem que podem ser citados, estão (Murakami;</p><p>Santos, 2017, p. 44-45):</p><p>• administrar os medicamentos apenas em bomba de infusão contínua, em</p><p>CVC de via exclusiva;</p><p>• atentar para possíveis incompatibilidades medicamentosas;</p><p>• atentar para sinais flogísticos pericateter;</p><p>• atentar para o uso de materiais sem plástico PVC ou fotossensíveis, quando</p><p>indicado;</p><p>• pesar o paciente diariamente;</p><p>• observar rigorosamente os sinais vitais (monitoração invasiva e não invasiva),</p><p>eletrocardiograma e exames laboratoriais durante a terapêutica com drogas</p><p>vasoativas;</p><p>• observar sinais de desidratação e de hipovolemia;</p><p>• monitorar função renal e débito urinário.</p><p>161</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Finalizamos o conteúdo desta unidade, esperando que você tenha consegui-</p><p>do alcançar os objetivos propostos.</p><p>Nesta unidade, conhecemos as particularidades de uma Unidade de Terapia</p><p>Intensiva e a atuação do enfermeiro nesse setor, bem como os cuidados de</p><p>enfermagem diante de algumas situações do dia a dia desse ambiente.</p><p>Esperamos que você tenha aproveitado a leitura e que, em paralelo, tenha</p><p>analisado outros textos acerca do assunto desta unidade para fixar, de modo</p><p>efetivo, o conteúdo até aqui abordado.</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema desta unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. Cuidados de enfermagem na administração de</p><p>drogas vasoativas em pacientes internados na</p><p>unidade de terapia intensiva.</p><p>2. Pneumonia associada à ventilação mecânica</p><p>invasiva: cuidados de enfermagem.</p><p>3. Contextualizando a ventilação mecânica e o</p><p>papel da enfermagem.</p><p>4. Assistência de enfermagem em terapia</p><p>intensiva ao paciente com Covid 19: um relato</p><p>de experiência.</p><p>5. Enfermagem em UTI na prevenção e redução</p><p>das IRAS.</p><p>http://cognitionis.inf.br/index.php/medicus/article/view/150</p><p>http://cognitionis.inf.br/index.php/medicus/article/view/150</p><p>http://cognitionis.inf.br/index.php/medicus/article/view/150</p><p>https://scielo.pt/pdf/ref/vserIVn20/serIVn20a10.pdf</p><p>https://scielo.pt/pdf/ref/vserIVn20/serIVn20a10.pdf</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/317</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/317</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/6118</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/6118</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/6118</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/1258</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/1258</p><p>UNIDADE 6</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>162</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Desenvolver</p><p>a assistência de</p><p>enfermagem.</p><p>> Conhecer as</p><p>principias alterações</p><p>dos sistemas</p><p>cardiovascular,</p><p>nervoso e endócrino</p><p>do indivíduo que</p><p>está na UTI.</p><p>163</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM</p><p>NA UTI</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>É com grande satisfação que apresentamos a Unidade 6 da disciplina Assis-</p><p>tência de Enfermagem na Saúde do Adulto II. Para esta unidade, foram es-</p><p>colhidos assuntos com relevância epidemiológica, que auxiliarão você, futuro</p><p>enfermeiro, a desenvolver uma habilidade crítica, além de aperfeiçoar e esti-</p><p>mular o conhecimento científico para a prática da enfermagem em pacien-</p><p>tes críticos, principalmente aqueles admitidos em leito de Unidade de Terapia</p><p>Intensiva (UTI).</p><p>Nas seções que seguem, vamos abordar patologias frequentemente encon-</p><p>tradas durante a atenção ao paciente adulto em situações de urgência e</p><p>emergência. Optamos por tratar os tópicos desta unidade com uma lingua-</p><p>gem simples e uma abordagem singular, sempre com base na assistência de</p><p>enfermagem, para que sua imersão e compreensão sejam facilitadas.</p><p>Esperamos que sua leitura seja proveitosa e prazerosa.</p><p>164</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Como visto na Unidade 5, a UTI é um ambiente onde estão disponíveis um</p><p>conjunto de elementos que visam ao atendimento de pacientes graves ou</p><p>com risco de vida, que necessitam de atendimento médico e de enfermagem</p><p>de modo contínuo e próximo, além de medicações, equipamentos e recursos</p><p>humanos especializados.</p><p>Dentro da equipe multidisciplinar que compõe o quadro de funcionários de</p><p>uma UTI, está o enfermeiro, profissional que deve ter um perfil peculiar que</p><p>permita agir com segurança, preparo, tenha um amplo conhecimento a res-</p><p>peito das técnicas, das medicações e das diversas patologias e complicações,</p><p>além de características como trabalho em equipe e liderança.</p><p>A sistematização da assistência de enfermagem é a melhor estratégia para</p><p>embasar os cuidados de enfermagem de acordo com a necessidade individu-</p><p>al de cada paciente dentro da UTI, garantindo a qualidade da assistência pres-</p><p>tada. Nesse sentido, considerando as necessidades de uma UTI, o enfermeiro</p><p>é essencial e indispensável.</p><p>6.1 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI</p><p>O cuidado envolve diversas atividades e capacidades do enfermeiro. O pro-</p><p>cesso de cuidar da enfermagem no âmbito de uma UTI deve ser embasado</p><p>no conhecimento científico, nas práticas refinadas, nas leis, nas normas e nos</p><p>protocolos que visem alcançar uma assistência de excelência (Bergamasco;</p><p>Murakami et al., 2019).</p><p>Por isso, durante o dia a dia de uma UTI, alguns protocolos e algumas normas</p><p>e regras vigentes por resoluções e portarias do Ministério da Saúde são segui-</p><p>das, como é o caso da Portaria n. 895, de 31 de março de 2017, que:</p><p>[...] institui o cuidado progressivo ao paciente crítico ou grave com os critérios</p><p>de elegibilidade para admissão e alta, de classificação e de habilitação de</p><p>leitos de Terapia Intensiva adulto, pediátrico, UCO, queimados e Cuidados</p><p>Intermediários adulto e pediátrico no âmbito do Sistema Único de Saúde –</p><p>SUS (Ministério da Saúde, 2017).</p><p>Nesse contexto, de acordo com as características e os objetivos da UTI, é pre-</p><p>ciso existir critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia inten-</p><p>siva, além de um quantitativo mínimo de profissionais dentro da equipe mul-</p><p>tidisciplinar (Ministério da Saúde, 2017).</p><p>http://www.as.saude.ms.gov.br/wp-content/uploads/2016/08/Portaria_895_2017_UTI_UCO.pdf</p><p>165</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>No caso de uma UTI adulto, Tipo II, recomenda-se que haja, no mínimo, (Mi-</p><p>nistério da Saúde, 2017):</p><p>I. Um médico responsável técnico. com jornada</p><p>mínima de quatro horas diárias, podendo acumular</p><p>o papel de médico rotineiro e que tenha habilitação</p><p>em terapia intensiva comprovada por título.</p><p>II. Um médico rotineiro com jornada de quatro</p><p>horas diárias na unidade e que tenha habilitação</p><p>em terapia intensiva comprovada por título.</p><p>III. Um médico plantonista para cada dez leitos</p><p>ou fração, em cada turno, com, no mínimo, três</p><p>certificações entre as descritas a seguir: a) suporte</p><p>avançado de vida em cardiologia; b) fundamentos</p><p>em medicina intensiva; c) via aérea difícil; d)</p><p>ventilação mecânica; e e) suporte do doente</p><p>neurológico grave.</p><p>IV. Um enfermeiro coordenador com jornada mínima</p><p>de quatro horas diárias, podendo acumular o papel</p><p>de enfermeiro rotineiro e que tenha habilitação em</p><p>terapia intensiva comprovada por título.</p><p>V. Um enfermeiro rotineiro com jornada de quatro</p><p>horas diárias na unidade e que tenha habilitação</p><p>em terapia intensiva comprovada por título.</p><p>VI. Um enfermeiro plantonista para cada dez leitos</p><p>ou fração, em cada turno.</p><p>166</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>VII. Um fisioterapeuta responsável técnico com</p><p>jornada mínima de seis horas diárias e, no mínimo,</p><p>dois anos de experiência profissional, comprovada</p><p>em unidade de terapia intensiva.</p><p>VIII. Um fisioterapeuta plantonista para cada dez</p><p>leitos ou fração, em cada turno, sendo exclusivo em</p><p>pelo menos três turnos, perfazendo um total de 18</p><p>horas diárias.</p><p>IX. Um fonoaudiólogo disponível para a unidade.</p><p>X. Um psicólogo disponível para a unidade.</p><p>XI. Técnicos de enfermagem, no mínimo um para</p><p>cada dois leitos, em cada turno.</p><p>XII Auxiliares administrativos, no mínimo um que</p><p>seja exclusivo da unidade.</p><p>XIII Funcionários exclusivos para serviço de limpeza</p><p>da unidade, em cada turno.</p><p>Fonte: Ministério da Saúde (2017).</p><p>Assim, é papel do coordenador de enfermagem, juntamente com o enfer-</p><p>meiro de plantão, garantir o quantitativo necessário para uma assistência de</p><p>qualidade e segura aos pacientes, além de assegurar cuidado progressivo do</p><p>paciente crítico e grave como institui a Portaria n. 895, do Ministério da Saúde.</p><p>167</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O cuidado progressivo é uma característica</p><p>da assistência prestada pelos profissionais</p><p>que trabalham na UTI. Desse modo, o cuidado</p><p>progressivo do paciente grave ou crítico tem</p><p>como objetivo:</p><p>• garantir acesso, acolhimento e resolubilidade;</p><p>• garantir o cuidado progressivo por meio de</p><p>acesso aos diferentes níveis da assistência adulta</p><p>e pediátrica, pela disponibilização de unidades</p><p>de cuidados intensivos e intermediários de</p><p>forma integrada;</p><p>• garantir a qualificação da atenção e a segurança</p><p>do paciente nas unidades de cuidados intensivos</p><p>e intermediários;</p><p>• apoiar a educação permanente dos profissionais</p><p>da saúde para a atenção</p><p>ao paciente crítico ou</p><p>grave; e</p><p>• induzir a implantação de mecanismos de</p><p>regulação, fiscalização, controle e avaliação da</p><p>assistência prestada aos pacientes críticos ou</p><p>graves no SUS.</p><p>Fonte: Ministério da Saúde (2017).</p><p>A seguir, abordaremos algumas patologias e condições que podem ser trata-</p><p>das na UTI.</p><p>168</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>6.1.1 CETOACIDOSE DIABÉTICA</p><p>Por definição, a cetoacidose diabética (CAD), o estado hiperosmolar hipergli-</p><p>cêmico (EHH) e o coma hipoglicêmico são as principais complicações rela-</p><p>cionadas aos distúrbios do metabolismo da glicose (Murakami; Santos, 2017).</p><p>A CAD é considerada uma complicação grave da hiperglicemia, principal-</p><p>mente para as pessoas com diabetes do tipo I, em razão da deficiência de</p><p>insulina. É considerada uma emergência médica, responsável por altas taxas</p><p>de mortalidade na população com diabetes, cujo quadro é agravado quando</p><p>está relacionada ao edema cerebral, o que pode levar à morte (Murakami;</p><p>Santos, 2017).</p><p>Durante essa complicação, há uma desregulação do organismo, resultando em</p><p>uma acidose metabólica, caracterizada pela tríade (Murakami; Santos, 2017).</p><p>TRÍADE DA ACIDOSE METABÓLICA</p><p>Hiperglicemia Cetonemia Acidemia</p><p>Fonte: adaptado de Freitas (2018).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos. No primeiro, aparece a primeira</p><p>etapa da tríade “hiperglicemia”. No segundo, “cetonemia”. No terceiro, “acidemia”.</p><p>A CAD é justificada pela presença de:</p><p>[...] acidose metabólica de pH < 7,3; pelo bicarbonato sérico < 15 mEq/L e</p><p>pela presença de cetonemia em graus variados. Dessa forma, pode‑se dizer</p><p>que a CAD possui, em sua formação, uma tríade formada por hiperglicemia,</p><p>cetonemia e acidemia metabólica (Murakami; Santos, 2017, p. 217).</p><p>Já o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH) vai de encontro ao “[...] estado</p><p>hiperosmolar não cetótico, coma hiperglicêmico hiperosmolar não cetótico e</p><p>síndrome hiperosmolar hiperglicêmica não cetótica, demonstrando que alte-</p><p>rações de cetoses não estão presentes em tal patologia” (Murakami; Santos,</p><p>2017, p. 217).</p><p>169</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O EHH costuma ocorrer em indivíduos idosos com diabetes tipo II, mas pode</p><p>também acometer jovens, tendo como principal complicação o coma. Em</p><p>relação à fisiopatologia da CAD e do EHH, pode-se dizer que o principal fator</p><p>desencadeante dessas complicações é justificado pela deficiência de insuli-</p><p>na. É válido dizer que a produção irregular de insulina é uma consequência de</p><p>diversas situações clínicas, por exemplo (Murakami; Santos, 2017):</p><p>• infecções;</p><p>• interrupção do uso ou doses incorretas de insulina;</p><p>• uso de drogas;</p><p>• traumas;</p><p>• pancreatite;</p><p>• gravidez;</p><p>• doenças cardiovasculares;</p><p>• doenças cerebrovasculares.</p><p>Diante disso, é pertinente dizer que a CAD sofre um processo fisiopatológico</p><p>e pode ser classificada em leve, moderada e grave (Murakami; Santos, 2017).</p><p>Com a diminuição ou a cessação da liberação de insulina no organismo,</p><p>ocorre a perda do transporte de glicose para os tecidos periféricos, como</p><p>músculos e gorduras, provocando aumento na produção de glicose pelo</p><p>fígado, gliconeogênese e glicogenólise, além da quebra de moléculas de</p><p>gordura e proteína, o que leva à hiperglicemia por causa da diminuição da</p><p>utilização periférica de glicose. Nos casos de CAD, há, ainda, produção de</p><p>corpos cetônicos pelo fígado, enquanto a hiperglicemia causa uma nova</p><p>complicação, a glicosúria, que aumenta a osmolaridade do sistema renal</p><p>e causa poliúria, perda de eletrólitos e, consequentemente, desidratação</p><p>(Murakami; Santos, 2017, p. 218).</p><p>170</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>FISIOPATOLOGIA DA CETOACIDOSE DIABÉTICA</p><p>Fonte: adaptado de Murakami e Santos (2017, p. 218).</p><p>#pratodosverem: fluxograma constituído por alterações</p><p>características da fisiopatologia da cetoacidose diabética.</p><p>Para identificar ou levantar a suspeita de CAD, é importante estar atento aos</p><p>sinais clínicos do diabetes e possíveis complicações (Murakami; Santos, 2017),</p><p>a saber:</p><p>171</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>SINAIS CLÍNICOS E COMPLICAÇÕES DO DIABETES RELACIONADOS À CAD</p><p>TorporPoliúria Respiração</p><p>de Kussmaul</p><p>Vômito e diarreia Choque</p><p>hipovolêmico</p><p>Edema cerebral</p><p>Polidipsia</p><p>Desidratação Perda de peso</p><p>ComaHálito cetônico Dor abdominal</p><p>Fonte: adaptado de Murakami e Santos (2017).</p><p>#pratodosverem: figura formada por um fluxograma contendo alguns dos</p><p>principais sinais clínicos do diabetes e possíveis complicações: poliúria, polidipsia,</p><p>desidratação, hálito cetônico, torpor, vômito e diarreia, perda de peso, dor abdominal,</p><p>respiração de Kussmaul, choque hipovolêmico, edema cerebral e coma.</p><p>Além desses sinais e sintomas, durante a CAD o paciente pode apresentar</p><p>pele fria e seca, acrocianose, taquicardia, hipotensão e língua pregueada. Na</p><p>maior parte dos casos, os valores glicêmicos estarão acima de 250 mg/dL, mas</p><p>valores dentro dos parâmetros da normalidade não podem ser utilizados para</p><p>desconsiderar a CAD ou o EHH, principalmente se o paciente recebeu dose</p><p>de insulina há pouco tempo (Murakami; Santos, 2017).</p><p>Também é essencial que o enfermeiro possa avaliar os diagnósticos diferen-</p><p>ciais e afastar outras situações clínicas como “[...] hipoglicemia, encefalopatia</p><p>hepática, intoxicação por salicilato, cianeto, organofosforados, intoxicação hí-</p><p>drica e alcoólica e acidose lática” (Murakami; Santos, 2017).</p><p>Igualmente, caso o paciente tenha alterações sensoriais ou do nível de cons-</p><p>ciência, deve-se afastar a possibilidade de “[...] meningite, encefalite, hemorra-</p><p>gias, tumores e abscessos cerebrais” (Murakami; Santos, 2017).</p><p>172</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A avaliação laboratorial é uma estratégia que visa auxiliar no diagnóstico da CAD:</p><p>Glicose</p><p>Geralmente, entre 250 e 800 mg/dL.</p><p>Ureia e creatinina</p><p>Podem aumentar em razão da desidratação, sendo um indicador de</p><p>insuficiência renal, pré-renal secundária à desidratação e hipovolemia.</p><p>Sódio</p><p>Abaixo do normal, em quase 80% dos casos, em razão da transferência</p><p>osmótica de líquidos do meio intracelular para o extracelular; vômito e</p><p>diarreia são fatores que contribuem para a perda desse íon.</p><p>Potássio</p><p>Na maioria das vezes, tem valores normais ou acima do normal. Em</p><p>alguns casos, o paciente pode estar hipocalêmico. De qualquer forma,</p><p>deve-se ter muita cautela na correção desse componente em razão do</p><p>grande risco de provocar arritmias e parada cardiorrespiratória.</p><p>Gasometria</p><p>p < 7,3 com HCO3 < 15 meq/L.</p><p>Hemograma</p><p>Aproximadamente metade dos casos de CAD apresentam</p><p>leucocitose de até 15.000 leucócitos/mm3, podendo ainda ocorrer</p><p>desvio à esquerda, decorrente da intensa atividade adrenocortical</p><p>desencadeada pela acidose.</p><p>Fonte: Murakami; Santos, 2017, p. 220.</p><p>173</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O tratamento da CAD visa reestabelecer a perfusão periférica, corrigir a glice-</p><p>mia e a acidose metabólica (Murakami; Santos, 2017).</p><p>6.1.2 DISTÚRBIOS ACIDOBÁSICOS</p><p>Para compreender os distúrbios acidobásicos, é preciso entender alguns con-</p><p>ceitos. A água é um elemento presente de forma abundante no corpo huma-</p><p>no, correspondendo a 60% do peso das pessoas adultas. É essencial para as</p><p>funções do organismo e responsável por diversas atividades, como a regula-</p><p>ção da temperatura corporal, reações bioquímicas e metabólicas, transporte</p><p>de solutos, entre outras (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>As</p><p>funções orgânicas humanas dependem de um rigoroso equilíbrio nas</p><p>quantidades e concentrações de líquidos, eletrólitos, ácidos e bases. Os</p><p>fluidos são responsáveis pelo transporte de gases, nutrientes e excretas; os</p><p>eletrólitos garantem as reações celulares; e os ácidos e bases atuam nas</p><p>reações químicas essenciais à vida. O desequilíbrio de qualquer um desses</p><p>elementos inicia reações de compensação nos outros, comprometendo</p><p>todas as funções vitais do indivíduo. (Viana; Whitaker, 2020, p. 137)</p><p>O enfermeiro deve estar atento à ocorrência de distúrbios hidroeletrolíticos em</p><p>pacientes que estão na UTI, pois, caso não sejam reconhecidos e tratados, podem</p><p>levar a complicações graves. Entre as complicações em decorrência do desequi-</p><p>líbrio hidroeletrolítico e distúrbios, estão (Potter, 2018; Viana; Whitaker, 2020):</p><p>COMPLICAÇÕES EM DECORRÊNCIA DO DESEQUILÍBRIO</p><p>HIDROELETROLÍTICO E DISTÚRBIOS</p><p>Hipovolemia HipernatermiaHipervolemia Hiponatremia</p><p>Hipocalemia HipercalcemiaHipercalemia Hipocalcemia</p><p>Hipomagnesemia Hipermagnesemia</p><p>Fonte: adaptado de Viana e Whitaker (2020).</p><p>#pratodosverem: figura formada por dez retângulos. No primeiro, aparece hipovolemia.</p><p>No segundo, hipervolemia. No terceiro, hiponatremia. No quarto, hipernatremia. No</p><p>quinto, hipocalemia. No sexto, hipercalemia. No sétimo, hipocalcemia. No oitavo,</p><p>hipercalcemia. No nono, hipomagnesemia. E, no décimo, hipermagnesemia.</p><p>174</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Os ácidos têm como objetivo doar íons de hidrogênio (H+) para uma solução,</p><p>tornando-a ácida. Existem dois tipos de ácidos no organismo: os ácidos volá-</p><p>teis e os não voláteis (Viana; Whitaker, 2020). Confira!</p><p>Ácidos voláteis</p><p>São capazes de mudar entre os estados líquido e gasoso. O ácido</p><p>carbônico (H2CO3) é o ácido mais encontrado no sangue humano. Nos</p><p>pulmões, o H2CO3 se dissocia facilmente em dióxido de carbono (CO2),</p><p>excretado pela respiração, e água (H2O), removida pelos rins.</p><p>Ácidos não voláteis</p><p>São incapazes de mudar para o estado gasoso e a excreção deles</p><p>dependente de uma função renal adequada (ácido láctico e cetoácidos).</p><p>Fonte: Viana; Whitaker (2020, p. 143).</p><p>Já as bases podem aceitar os íons de H+ de uma solução, tornando-a alcalina.</p><p>O bicarbonato (HCO3</p><p>–) é a base mais comumente encontrada no sangue hu-</p><p>mano. A concentração é regulada pelos rins. A concentração e a quantidade</p><p>de íons H+ no organismo é mensurada pela concentração do pH (power of</p><p>hydrogen). Essa concentração depende da ação de substâncias que dispu-</p><p>tam o H+ entre si, determinando o estado de acidez ou alcalinidade (Viana;</p><p>Whitaker, 2020).</p><p>Quanto maior a concentração de íons de H+ em</p><p>uma solução, mais ácida ela será, ou seja, menor</p><p>será o pH, correspondendo à acidemia. Quanto</p><p>menor a concentração de íons H+ em uma solução,</p><p>maior será o pH dela, ou seja, alcalemia.</p><p>Fonte: Viana; Whitaker (2020).</p><p>175</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>O pH sanguíneo corresponde a um valor de equilíbrio ou neutralidade, ou</p><p>seja, nem ácido nem básico, variando entre 7,35 e 7,45. Valores de pH menores</p><p>do que 6,8 ou maiores do que 7,8 são considerados incompatíveis com a vida</p><p>(Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Para manter esse equilíbrio acidobásico, o organismo utiliza os sistemas de</p><p>regulação que envolvem três processos na premissa de regular as alterações</p><p>do equilíbrio acidobásico (Viana; Whitaker, 2020):</p><p>1. controle respiratório;</p><p>2. controle renal;</p><p>3. controle metabólico.</p><p>Os sistemas reguladores agem na tentativa de compensar uma alteração do</p><p>equilíbrio acidobásico (EAB). Entretanto, caso os sistemas reguladores não</p><p>sejam capazes de normalizar, os distúrbios acidobásicos serão instalados, os</p><p>quais podem ser classificados em (Viana e Whitaker, 2020):</p><p>• primário ou simples;</p><p>• misto.</p><p>Entre os desequilíbrios acidobásicos, estão a acidose metabólica, a alcalose me-</p><p>tabólica, a acidose respiratória e a alcalose respiratória (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Para adquirir mais conhecimento sobre a acidose</p><p>metabólica, a alcalose metabólica, a acidose</p><p>respiratória e a alcalose respiratória, acesse aqui.</p><p>Adiante, veremos a importância da assistência de enfermagem no controle</p><p>da dor/sedação.</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/9334</p><p>176</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>6.1.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO</p><p>CONTROLE DA DOR/SEDAÇÃO</p><p>A dor é uma das grandes preocupações do homem, sendo a avaliação da dor</p><p>e da sedação um cuidado importante realizado pelo enfermeiro para garantir</p><p>a segurança do paciente na UTI (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Atualmente, a dor é considerada o quinto sinal vital e compete ao enfermeiro</p><p>mensurá-la, avaliá-la e registrá-la. Isso é visto como um desafio em razão da</p><p>gravidade e da instabilidade do paciente na UTI. Presume-se que seja mais</p><p>difícil avaliar a dor de um paciente que está sob efeito de sedativos. Por isso,</p><p>“[...] o enfermeiro e sua equipe devem estar atentos aos sintomas e às mani-</p><p>festações álgicas que o paciente crítico pode apresentar durante a realização</p><p>dos cuidados” (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Vários instrumentos têm sido utilizados para mensurar a percepção/sensação</p><p>de dor, como as medidas unidimensionais e as multidimensionais. As medi-</p><p>das unidimensionais foram criadas para a avaliação da intensidade da dor e</p><p>apresentam utilização e aplicação mais fáceis. Entre elas, estão (Viana; Whi-</p><p>taker, 2020):</p><p>• Escala de estimativa numérica (em inglês, numeric rating scale – NRS).</p><p>• Escala visual analógica (em inglês, visual analogue scale – VAS).</p><p>• Escala de categorias verbais ou visuais (em inglês, verbal-visual rating scale</p><p>– VRS).</p><p>177</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>A escala de estimativa numérica (NRS) quantifica a dor do paciente em uma</p><p>escala de zero a dez, em que zero significa “sem dor”; e dez, “pior dor” (Viana;</p><p>Whitaker, 2020).</p><p>ESCALA DE ESTIMATIVA NUMÉRICA (NRS)</p><p>Fonte: adaptado de Viana e Whitaker (2020, p. 154).</p><p>#pratodosverem: figura que representa o nível de dor de um paciente de acordo com a</p><p>expressão facial, variando conforme as cores e de zero a dez. De zero a um, azul. De um</p><p>a três, verde. De três a cinco, amarelo. De cinco a oito, laranja. De oito a dez, vermelho.</p><p>Entre as medidas multidimensionais, estão o questionário de dor de McGill</p><p>(em inglês, McGill pain questionnaire – MPQ); a escala funcional de dor; a es-</p><p>cala de avaliação da dor relembrada (em inglês, memorial pain assessment</p><p>card – MPAC) e a escala comportamental (EC) (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Para a avaliação da dor em pacientes críticos, devemos considerar que, na UTI,</p><p>muitos pacientes estão impossibilitados de expressar, por meio da fala, a dor</p><p>que estão sentindo, o que acaba prejudicando a avaliação e a condição clíni-</p><p>ca do paciente. Diante disso, duas escalas são mais utilizadas nesse contexto</p><p>(Viana; Whitaker, 2020):</p><p>1. Escala comportamental de dor (em inglês, behavioral pain scale – BPS).</p><p>2. Ferramenta de observação da dor em paciente crítico (em inglês, critical-</p><p>-care pain observation tool – CCPOT).</p><p>178</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>O alívio da dor está entre os cuidados do enfermeiro e da equipe, devendo</p><p>o enfermeiro, portanto, exercer o papel dele com base na sistematização de</p><p>enfermagem no controle da dor. A escala comportamental de dor permite</p><p>definir a intensidade entre três (nenhuma dor) e doze (maior intensidade da</p><p>dor), conforme mostra tabela a seguir (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>ESCALA COMPORTAMENTAL DE DOR</p><p>Item Descrição Pontuação</p><p>Expressão</p><p>facial Relaxada 1</p><p>Parcialmente contraída (p. ex.,</p><p>abaixamento palpebral)</p><p>2</p><p>Completamente contraída (olhos fechados) 3</p><p>Contorção facial 4</p><p>Movimento dos</p><p>membros superiores</p><p>Sem movimento 1</p><p>Movimentação parcial 2</p><p>Movimentação completa, com flexão dos dedos 3</p><p>Permanentemente contraídos 4</p><p>Conforto com o</p><p>ventilador mecânico</p><p>Tolerante 1</p><p>Tosse, mas tolerante à ventilação mecânica na</p><p>maior parte do tempo</p><p>2</p><p>Brigando com o ventilador 3</p><p>Sem controle de ventilação 4</p><p>Fonte: adaptado de Viana e Whitaker (2020, p. 158).</p><p>#pratodosverem: quadro com os itens avaliados durante a aplicação da escala</p><p>comportamental de dor, a respectiva descrição e a pontuação recebida.</p><p>A Escala CCPOT também é utilizada para avaliação de dor no paciente crítico,</p><p>conforme mostra a tabela seguinte.</p><p>179</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>ESCALA CCPOT</p><p>Indicador Pontos Descrição</p><p>Expressão facial 0 Relaxada</p><p>1 Tensa, cenho franzido, gesto de dor</p><p>2 Cenho franzido de forma habitual, dentes cerrados</p><p>Tranquilidade 0 Tranquilo, relaxado, movimentos normais</p><p>1 Movimentos ocasionais de inquietação e/ou posição</p><p>2 Movimentos frequentes, incluindo cabeça ou membros</p><p>Tônus muscular 0 Normal</p><p>1 Aumentado, flexão de dedos das mãos e/ou dos pés</p><p>2 Rígido</p><p>Ventilação</p><p>mecânica</p><p>0 Tolera a ventilação mecânica</p><p>1 Tosse, mas tolera a ventilação mecânica</p><p>2 Luta com o ventilador</p><p>Pontuação total</p><p>0 = sem dor; 1-3 = dor leve a moderada; 4-6 = dor moderada a grave; < 6 = dor muito</p><p>intensa. Obs.: considerar outras causas possíveis.</p><p>Fonte: adaptado de Viana e Whitaker (2020, p. 158).</p><p>#pratodosverem: quadro que compreende a Escala de CCPOT contendo quatro</p><p>domínios comportamentais: expressão facial, tranquilidade, tônus muscular e ventilação</p><p>mecânica para avaliar a dor de pacientes intubados ou que vocalizam em casos</p><p>de pacientes extubados, variando de zero a dois, e escore de zero a seis pontos.</p><p>A seguir, abordaremos a sedação e a analgesia. As condutas estão relacio-</p><p>nadas à melhora das condições clínicas do paciente. Entretanto, caso sejam</p><p>administradas doses inadequadas de sedativos, graves consequências po-</p><p>dem ocorrer. Pacientes que recebem doses de sedação menores do que o</p><p>necessário podem apresentar agitação psicomotora. Em contrapartida, doses</p><p>acima da necessidade do paciente podem desencadear maiores chances de</p><p>ventilação mecânica e maior tempo de intubação, além de lesões pulmona-</p><p>res induzidas pela ventilação (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Nesse sentido, a sedação está indicada para:</p><p>• redução da ansiedade;</p><p>• redução do consumo de oxigênio;</p><p>180</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>• prevenção de memórias desagradáveis;</p><p>• melhora do sincronismo com o ventilador;</p><p>• restrição de pacientes reativos;</p><p>• tratamento de abstinência por álcool;</p><p>• durante paralisia com bloqueadores neuromusculares;</p><p>• durante a fase final da retirada da ventilação mecânica.</p><p>Pacientes sob sedação podem apresentar perda completa do nível de consci-</p><p>ência ou do estado desperto, mas com comportamento calmo e colaborativo.</p><p>O agente sedativo adequado deve ter propriedades ideais, como o</p><p>mínimo de efeito depressor dos sistemas respiratório e cardiovascular,</p><p>a não interferência no metabolismo de outros fármacos, e possuir vias de</p><p>eliminação independentes dos mecanismos renal, hepático ou pulmonar,</p><p>resultando em uma meia‑vida de eliminação curta, sem metabólitos ativos.</p><p>(Viana; Whitaker, 2020, p. 160)</p><p>É uma prática comum nas UTIs a interrupção diária da sedação. Para realizar essa</p><p>prática, é necessário contar com um número suficiente de profissionais para de-</p><p>tecção precoce da necessidade de retorno à sedação (Viana; Whitaker, 2020).</p><p>Algumas escalas de sedação são utilizadas para avaliar o grau de sedação.</p><p>Entre elas, podemos citar (Viana; Whitaker, 2020):</p><p>ESCALAS UTILIZADAS PARA AVALIAÇÃO DO GRAU DE SEDAÇÃO</p><p>Richmond Agitation and sedation scale (RASS)1</p><p>2 Escala de Ramsay</p><p>Fonte: adaptado de Viana e Whitaker (2020).</p><p>#pratodosverem: figura representada por uma lista contendo as duas escalas</p><p>mais utilizadas para a avaliação do grau de sedação, sendo a primeira Richmond</p><p>Agitation and Sedation Scale (RASS) e a segunda a Escala de Ramsay.</p><p>Na segunda parte deste material, vamos abordar as alterações nos sistemas</p><p>orgânicos: cardiovascular, respiratório, nervoso e endócrino. Boa leitura!</p><p>181</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>6.2 ALTERAÇÕES NOS SISTEMAS ORGÂNICOS</p><p>Estão incluídas nas disfunções orgânicas as alterações cardiovasculares, me-</p><p>tabólicas, pulmonares, neurológicas, renais, hepáticas e hematológicas. A se-</p><p>guir, vamos ver algumas alterações que podem ocorrer no sistema cardiovas-</p><p>cular, no respiratório, no nervoso e no endócrino. Boa leitura!</p><p>6.2.1 SISTEMA CARDIOVASCULAR</p><p>É essencial entender a estrutura e a função do sistema cardiovascular para o</p><p>desenvolvimento das habilidades de avaliação em enfermagem (Pellico, 2014).</p><p>A função exclusiva do sistema cardiovascular é fazer circular sangue pela</p><p>rede de vasos sanguíneos (artérias, capilares e veias) por dois sistemas</p><p>circulatórios interdependentes, chamados de sistema circulatório pulmonar</p><p>(coração direito) e sistema circulatório sistêmico (coração esquerdo). O</p><p>sistema linfático complementa a função do sistema circulatório, drenando</p><p>o líquido intersticial excessivo dos tecidos e fazendo‑o voltar para a corrente</p><p>sanguínea pelas veias subclávia e jugular interna. (Pellico, 2014, p. 338)</p><p>Nesse sentido, doenças cardiovasculares são aquelas que acometem o cora-</p><p>ção e os vasos sanguíneos, e milhares de mortes por essa causa são registra-</p><p>das no Brasil todos os anos (Pellico, 2014).</p><p>Avaliar o sistema cardiológico faz parte da consulta de enfermagem, devendo</p><p>levar em consideração a gravidade dos sintomas do paciente, a presença de</p><p>fatores de risco, o cenário da prática e o propósito da avaliação, sempre bus-</p><p>cando garantir que o atendimento e o tratamento da condição em questão</p><p>sejam feitos em tempo hábil (Pellico, 2014).</p><p>As queixas mais comuns são:</p><p>• desconforto ou dor torácica: incluindo a angina instável, infarto agudo do</p><p>miocárdio, arritmias e valvopatia cardíaca.</p><p>• desconforto ou dor em outras áreas da região superior do corpo, inclusive</p><p>em um ou nos dois braços, nas costas, no pescoço, na mandíbula ou no</p><p>estômago, podendo estar relacionado às síndromes coronarianas agudas.</p><p>• tontura, síncope ou alterações no nível de consciência, choque cardiogênico,</p><p>distúrbios cerebrovasculares, arritmias, hipotensão, hipotensão postural e</p><p>síncope vasovagal.</p><p>182</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>• claudicação intermitente ou dor ao repouso nos membros inferiores,</p><p>sobretudo à noite – doença arterial periférica.</p><p>• palpitações ou taquicardia: abuso de cafeína ou de outros estimulantes,</p><p>desequilíbrios eletrolíticos, insuficiência cardíaca, estresse, valvopatia</p><p>cardíaca e aneurisma ventricular.</p><p>• edema periférico: insuficiência cardíaca e doença arterial periférica.</p><p>• ganho de peso: insuficiência cardíaca.</p><p>• ascite e distensão abdominal decorrente de fígado e baço aumentados,</p><p>hepatoesplenomegalia em decorrência de insuficiência cardíaca.</p><p>• dispneia com ou sem dor torácica: síndrome coronariana aguda, choque</p><p>cardiogênico, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e valvopatia cardíaca.</p><p>• fadiga incomum caracterizada pela sensação de mais cansaço ou fadiga</p><p>do que o normal: insuficiência cardíaca, síndrome coronariana aguda e</p><p>valvopatia cardíaca.</p><p>Diante desses conceitos e das possibilidades diagnósticas de acordo com as</p><p>queixas, os sinais e os sintomas apresentados ou referidos pelos pacientes, o</p><p>enfermeiro deve</p><p>buscar informações que auxiliem no levantamento do diag-</p><p>nóstico rápido e no tratamento, visando minimizar as complicações graves</p><p>(Pellico, 2014).</p><p>Em relação à história patológica pregressa, o profissional de enfermagem</p><p>deve fazer algumas das seguintes perguntas (Pellico, 2014):</p><p>1. Como está a saúde? Percebeu alguma mudança desde o último ano? E</p><p>nos últimos cinco anos?</p><p>2. Você tem um cardiologista ou clínico? Com que frequência realiza avalia-</p><p>ções de saúde?</p><p>3. Quais são os fatores de risco para doença cardíaca? Quais são as medidas</p><p>aplicadas por você para reduzir os riscos?</p><p>Diante disso, é essencial que o profissional investigue o histórico de doenças</p><p>cardíacas na família do paciente. Outras informações sociais são importantes</p><p>para definir quais estratégias e cuidados de enfermagem serão colocados em</p><p>prática (Pellico, 2014):</p><p>183</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>HISTÓRICO DE ENFERMAGEM</p><p>Uso de</p><p>medicamentos</p><p>Modificações na dieta,</p><p>prática de exercício,</p><p>perda e ganho de peso</p><p>Ritmos intestinal</p><p>e vesical</p><p>Atividade e exercício</p><p>Alterações recentes</p><p>que ocorreram nos</p><p>hábitos de sono</p><p>Capacidade de</p><p>autocuidado com</p><p>segurança, efetividade</p><p>e independência</p><p>Autopercepção</p><p>e autoconceito</p><p>Sexualidade</p><p>e reprodução</p><p>Ansiedade, depressão</p><p>e estresse</p><p>Fonte: adaptado de Pellico (2014).</p><p>#pratodosverem: figura formada por nove retângulos apresentando o histórico de</p><p>enfermagem, o que deve ser avaliado pelo profissional quando estiver diante de um</p><p>paciente com questões cardíacas. No primeiro, aparece uso de medicamentos. No</p><p>segundo, modificações na dieta, prática de exercício, perda e ganho de peso. No terceiro,</p><p>ritmos intestinal e vesical. No quarto, atividade e exercício. No quinto, alterações</p><p>recentes que ocorreram nos hábitos de sono. No sexto, capacidade de autocuidado com</p><p>segurança, efetividade e independência. No sétimo, autopercepção e autoconceito.</p><p>No oitavo, sexualidade e reprodução. No nono, ansiedade, depressão e estresse.</p><p>Em seguida, o profissional de enfermagem realiza o exame físico do paciente,</p><p>realizando (Pellico, 2014):</p><p>• Avaliação da cognição e da aparência geral: mudanças no nível de</p><p>consciência e no estado mental; sinais de angústia, os quais podem incluir</p><p>dor ou desconforto, dispneia ou ansiedade.</p><p>• Inspeção e palpação da pele: avalia os sinais e os sintomas de obstrução</p><p>aguda do fluxo sanguíneo arterial nas extremidades que podem resultar em</p><p>dor, palidez, ausência de pulso, parestesia, poiquilotermia, paralisia, tempo</p><p>de reperfusão capilar e edemas.</p><p>184</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Poiquilotermia: variação da temperatura corporal</p><p>de acordo com a temperatura do ambiente.</p><p>A seguir, trataremos do sistema respiratório.</p><p>6.2.2 SISTEMA RESPIRATÓRIO</p><p>A principal função do sistema respiratório é realizar a troca gasosa, ou seja,</p><p>fornecer oxigênio (O2) e remover o dióxido de carbono (CO2) das células. Além</p><p>disso, o sistema respiratório atua como:</p><p>[...] um reservatório de sangue para o ventrículo esquerdo quando é necessário</p><p>aumentar o débito cardíaco, como um protetor da circulação sistêmica por</p><p>meio da filtragem de partículas ou detritos e como provedor de funções</p><p>metabólicas, como na produção de surfactante e funções endócrinas.</p><p>(Nettina, 2021, p. 163)</p><p>Alvéolo: bolsa de ar em que ocorrem as trocas</p><p>gasosas.</p><p>185</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Desse modo, para identificar as alterações provenientes do sistema respira-</p><p>tório, o profissional de enfermagem precisa avaliar o paciente e analisar os</p><p>sintomas referidos durante a consulta de enfermagem a fim de levantar os</p><p>principais problemas e planejar o atendimento. O enfermeiro precisa estar</p><p>atento e investigar os seguintes pontos (Nettina, 2021):</p><p>Características</p><p>Aguda ou crônica? Quando ocorreu? O que faz com que a</p><p>situação melhore ou piore? Ocorreu de repente ou gradualmente?</p><p>É progressiva ou recorrente?</p><p>Fatores associados</p><p>Quais outros sinais ou sintomas estão associados à queixa? Quais</p><p>atividades pioram o quadro referido? É influenciado pela hora do dia,</p><p>pelas estações do ano ou por certos ambientes? Ocorre em repouso ou</p><p>em esforço físico?</p><p>História de saúde</p><p>Pesquise o histórico familiar de doenças, principalmente, o histórico de</p><p>parentes de primeiro grau que possam estar relacionados ao quadro</p><p>apresentado pelo paciente.</p><p>Significância</p><p>Utilize conhecimentos técnico-científicos para associar as queixas</p><p>do paciente às doenças que possam estar relacionadas ao</p><p>desfecho apresentado.</p><p>Fonte: Nettina (2021).</p><p>186</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Em relação aos dados objetivos, esses podem ser obtidos por meio de exame</p><p>físico, incluindo observação, palpação, percussão, ausculta, análise laborato-</p><p>rial e análise de exames de imagem, entre outros. No contexto do padrão res-</p><p>piratório e de suas alterações sistêmicas, é essencial que o enfermeiro observe</p><p>e avalie atentamente (Nettina, 2021):</p><p>1. Qual é a frequência, a profundidade e o padrão respiratórios? Os mús-</p><p>culos acessórios estão sendo utilizados? O paciente está respirando pela</p><p>boca ou franzindo os lábios durante a expiração? A secreção pulmonar</p><p>está sendo expectorada e qual é a aparência e o odor dela?</p><p>2. Existe um aumento do diâmetro torácico anterior ou posterior, sugerindo</p><p>retenção de ar? Há assimetria torácica?</p><p>3. Há ortopneia ou imobilização do tórax evidente?</p><p>4. Há baqueteamento dos dedos, associado a bronquiectasia, abscesso pul-</p><p>monar, empiema, fibrose cística, neoplasias pulmonares e vários outros</p><p>distúrbios?</p><p>5. Existe cianose central indicando possível hipoxemia ou doença cardíaca?</p><p>As mucosas e os leitos ungueais estão rosados ou arroxeados?</p><p>6. Existem sinais de pneumotórax, caracterizados por sinais de desvio tra-</p><p>queal?</p><p>7. As veias jugulares estão distendidas? Existe edema periférico ou outros</p><p>sinais de disfunção cardíaca?</p><p>8. A palpação do tórax causa dor? A expansão torácica é simétrica? Há al-</p><p>guma alteração no frêmito tátil ou na egofonia?</p><p>9. A percussão dos campos pulmonares tem ressonância bilateral? A ex-</p><p>cursão diafragmática é bilateralmente igual?</p><p>10. A ausculta pulmonar evidencia sons presentes e bilateralmente iguais?</p><p>Os campos pulmonares estão limpos ou existem roncos, sibilos, esterto-</p><p>res, estridor ou atrito pleural? A ausculta revela egofonia, broncofonia ou</p><p>pectoriloquia áfona?</p><p>Hemoptise: expectoração de sangue ou expectoração</p><p>de secreção com pequenas quantidades de sangue</p><p>originadas do sistema respiratório.</p><p>Ortopneia: falta de ar quando o paciente está</p><p>deitado.</p><p>187</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Alguns exames podem ser utilizados para auxiliar no levantamento de dados</p><p>e na decisão sobre quais condutas de enfermagem serão tomadas. Entre eles,</p><p>estão (Nettina, 2021):</p><p>• análise da gasometria arterial;</p><p>• exame de escarro;</p><p>• análise de líquido pleural;</p><p>• radiografia de tórax;</p><p>• tomografia computadorizada;</p><p>• ressonância magnética;</p><p>• tomografia por emissão de pósitrons (PET SCAN);</p><p>• angiografia pulmonar;</p><p>• cintilografia pulmonar de ventilação-perfusão;</p><p>• broncoscopia;</p><p>• biopsia pulmonar;</p><p>• testes de função pulmonar;</p><p>• oximetria de pulso;</p><p>• capnometria/capnografia;</p><p>• condensado de exalado pulmonar.</p><p>Após a avaliação do paciente e dos exames laboratoriais e de imagem, pode</p><p>ser possível identificar alguns distúrbios respiratórios. Os distúrbios conside-</p><p>rados agudos são: insuficiência respiratória, síndrome do desconforto respi-</p><p>ratório agudo, bronquite aguda, pneumonia, pneumonia por aspiração,</p><p>em-</p><p>bolia pulmonar, tuberculose, pleurisia, derrame pleural, abscesso pulmonar e</p><p>câncer do pulmão (carcinoma broncogênico) (Nettina, 2021).</p><p>Os distúrbios respiratórios crônicos compreendem a bronquiectasia, a doen-</p><p>ça pulmonar obstrutiva crônica e a cor pulmonale. A fibrose pulmonar está</p><p>relacionada à doença pulmonar intersticial. Por fim, os distúrbios traumáticos</p><p>encontrados no sistema respiratório podem ser o pneumotórax e as lesões</p><p>torácicas (Nettina, 2021).</p><p>188</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para aprender detalhadamente todos os distúrbios</p><p>pulmonares, aconselhamos que você aprofunde</p><p>seus conhecimentos lendo mais sobre essa questão,</p><p>como o texto que pode ser encontrado aqui.</p><p>Na sequência, estudaremos o sistema nervoso e o endócrino.</p><p>6.2.3 SISTEMA NERVOSO E ENDÓCRINO</p><p>O sistema nervoso é subdividido em sistema nervoso central (SNC) e sistema</p><p>nervoso periférico (SNP), e tem por função controlar as atividades do corpo hu-</p><p>mano, como as funções motoras, sensoriais, cognitivas, autonômicas e com-</p><p>portamentais. A seguir, confira a subdivisão do sistema nervoso (Pellico, 2014):</p><p>SUBDIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO</p><p>Sistema nervoso</p><p>SNC</p><p>SNP</p><p>Sistema nervoso somático</p><p>(ou voluntário)</p><p>Sistema nervoso autônomo</p><p>(ou involuntário)</p><p>Fonte: adaptado de Pellico (2014).</p><p>#pratodosverem: figura formada por um processo hierárquico que descreve a subdivisão</p><p>do sistema nervoso em SNC e SNP, sendo que o SNP se subdivide em sistema</p><p>nervoso somático (ou voluntário) e sistema nervoso autônomo (ou involuntário).</p><p>Considerando que o sistema nervoso é responsável pelo controle do nosso</p><p>corpo, das emoções, das ações e dos pensamentos, o enfermeiro pode se de-</p><p>parar com diversas situações em que alterações da função neurológica ocor-</p><p>rem, visto que as doenças que acometem o sistema nervoso podem atingir</p><p>qualquer faixa etária e causar desde sintomas leves a potencialmente fatais</p><p>(Pellico, 2014).</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527738002/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5D!/4/2/2%4051:2</p><p>189</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Nesse contexto, o enfermeiro deve ter conhecimento voltado para a fisiologia e</p><p>a anatomia do sistema nervoso, além de saber realizar exames e procedimen-</p><p>tos diagnósticos que permitam avaliar o sistema neurológico de modo geral e</p><p>específico. Para identificar as disfunções do sistema nervoso é preciso, portan-</p><p>to, realizar uma consulta de enfermagem eficaz e pertinente (Pellico, 2014).</p><p>Diante da necessidade de compreender a anatomia</p><p>e a fisiologia dos sistemas orgânicos, no caso, do</p><p>sistema nervoso, sugerimos que você relembre o</p><p>assunto acessando aqui.</p><p>Durante a entrevista inicial, o enfermeiro é capaz de identificar a condição clí-</p><p>nica atual do paciente, o aspecto geral, o nível de consciência, o estado men-</p><p>tal, a postura, a face de dor, os movimentos, o estado emocional, entre outros</p><p>aspectos. Caso não seja possível avaliar todas essas características, pode ser</p><p>necessário utilizar informações secundárias, ou seja, provenientes de acom-</p><p>panhantes ou de familiares presentes ou, até mesmo, revisar o prontuário mé-</p><p>dico em busca de informações do passado que podem ser úteis (Pellico, 2014).</p><p>Considerando que a doença neurológica pode ser aguda ou progressiva, além</p><p>de poder ter períodos assintomáticos, o enfermeiro deve realizar questiona-</p><p>mentos que visem reconhecer (Pellico, 2014):</p><p>• o início da doença;</p><p>• a gravidade;</p><p>• a duração;</p><p>• a frequência;</p><p>• os sinais e os sintomas;</p><p>• as queixas associadas;</p><p>• os fatores desencadeantes;</p><p>• os agravantes e as atenuantes;</p><p>• a progressão, a remissão e a exacerbação;</p><p>• o histórico familiar de sintomas semelhantes.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527729154/epubcfi/6/28%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter05%5D!/4/38/1:0%5B%2CC%C3%A9r%5D</p><p>190</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A escala de coma de Glasgow é uma ferramenta</p><p>comumente utilizada para avaliação de pacientes</p><p>com traumatismo craniano. Toma-se como base</p><p>três vertentes e pontua-se a melhor resposta do</p><p>paciente: abertura dos olhos, resposta motora e</p><p>resposta verbal.</p><p>Diante desse contexto, o enfermeiro visa avaliar e reconhecer (Pellico, 2014):</p><p>• o nível de consciência: mensurado pela autonomia do paciente para cognição</p><p>e atenção, podendo ser avaliado clinicamente por meio de respostas</p><p>adequadas e pertinentes a estímulos.</p><p>• estado mental: comportamento, vestes, higiene pessoal, expressões faciais,</p><p>fala, atividade motora, postura, gestos, orientação no tempo e espaço, e</p><p>concentração.</p><p>• percepção: agnosia.</p><p>Agnosia: incapacidade de interpretar ou de</p><p>reconhecer objetos percebidos por meio dos</p><p>sentidos especiais. O paciente pode ver um lápis,</p><p>mas não saber qual é o nome desse objeto ou o</p><p>que fazer com ele, conseguindo até descrevê-lo,</p><p>mas não interpretar a função desse objeto. Outros</p><p>clientes podem apresentar agnosia tátil, auditiva</p><p>ou visual. Cada uma dessas disfunções indica uma</p><p>região diferente do córtex (Pellico, 2014, p. 1121).</p><p>• função motora: perda da força motora total, paresia, diminuição da força</p><p>motora, incapacidade de manter a força motora preservada, o que indica</p><p>disfunção cerebral.</p><p>• linguagem: paciente apresenta afasia? Dislalia?</p><p>• equilíbrio e coordenação: realizar teste de Romberg.</p><p>191</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Afasia: termo usado para descrever uma deficiência</p><p>na função da linguagem (Pellico, 2014, p. 1121).</p><p>Deste momento em diante, trataremos dos distúrbios endócrinos:</p><p>[...] o sistema endócrino consiste em grupos de órgãos que regulam os</p><p>complexos processos envolvidos no metabolismo, na função tecidual, na</p><p>reprodução, no crescimento e no desenvolvimento por meio da síntese e</p><p>liberação de hormônios específicos. Os hormônios liberados visam a um</p><p>“tecido‑alvo” específico, no qual se ligam e causam impactos nas reações/</p><p>funções celulares. O sistema endócrino mantém a integridade celular</p><p>funcional interna ideal, logo sua influência ocorre em quase todas as células,</p><p>órgãos e funções do corpo. As glândulas endócrinas incluem a hipófise, a</p><p>tireoide, a paratireoide, as suprarrenais, as ilhotas pancreáticas, os ovários e</p><p>os testículos. (Pellico, 2014, p. 774)</p><p>Para a avaliação do sistema endócrino, o enfermeiro deve avaliar a presença</p><p>de distúrbios endócrinos anteriores, os tratamentos realizados para esse fim</p><p>e outras comorbidades associadas. É primordial que o enfermeiro saiba reco-</p><p>nhecer os mais diversos sinais e sintomas, atípicos ou específicos, que podem</p><p>estar correlacionados aos distúrbios endócrinos, como ganho ou perda de</p><p>peso, constipação intestinal ou diarreia, taquicardia ou bradicardia, hipoten-</p><p>são ou hipertensão, depressão ou ansiedade, intolerância ao calor ou ao frio,</p><p>entre outros (Pellico, 2014; Bergamasco; Murakami et al., 2019).</p><p>Portanto, o enfermeiro pode se deparar com as seguintes disfunções.</p><p>PRINCIPAIS DISFUNÇÕES DO SISTEMA ENDÓCRINO</p><p>Disfunção</p><p>da hipófise</p><p>Disfunção</p><p>suprarrenal</p><p>Disfunção da</p><p>glândula tireoide</p><p>Disfunção da</p><p>paratireoide</p><p>Fonte: Pellico (2014).</p><p>#pratodosverem: figura formada por quatro retângulos que mostram as</p><p>principais disfunções do sistema endócrino. No primeiro, aparece a disfunção</p><p>da hipófise. No segundo, a disfunção da glândula tireoide. No terceiro,</p><p>a disfunção da paratireoide. No quarto, a disfunção suprarrenal.</p><p>192</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Sabemos que este material englobou conteúdos densos e amplos. Por isso,</p><p>recomendamos que você associe</p><p>a leitura desse texto com outros materiais</p><p>que serão sugeridos adiante.</p><p>193</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Finalizamos o conteúdo destinado a esta unidade, esperando que você tenha</p><p>conseguido alcançar os objetivos propostos.</p><p>Nesta unidade, abordamos as peculiaridades da Unidade de Terapia Intensiva</p><p>e a atuação do enfermeiro nesse setor, bem como as intervenções de enfer-</p><p>magem nesse ambiente em relação à cetoacidose diabética, aos distúrbios</p><p>acidobásicos e ao controle da dor/sedação. Vimos, ainda, o papel do enfermei-</p><p>ro diante das alterações nos sistemas orgânicos, sobretudo no que envolve os</p><p>sistemas cardiovascular, respiratório, nervoso e endócrino.</p><p>Esperamos que você tenha aproveitado a leitura e que tenha visitado as lite-</p><p>raturas sugeridas.</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema desta unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. O manejo da cetoacidose em pacientes com</p><p>Diabetes Mellitus: subsídios para a prática clínica</p><p>de enfermagem.</p><p>2. A percepção de enfermeiros da Unidade de</p><p>Terapia Intensiva sobre o manejo e a avaliação da</p><p>dor: revisão narrativa da literatura.</p><p>3. Cuidados de enfermagem ao paciente com</p><p>complicações neurológicas.</p><p>4. Conhecimento da equipe de enfermagem sobre</p><p>neurointensivismo em Unidades de Terapia</p><p>Intensiva.</p><p>5. Diagnósticos de enfermagem no cuidado de</p><p>adultos e idosos hospitalizados com doença</p><p>pulmonar obstrutiva crônica.</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/K7mTbpYwmd8XXkGsMPqYkNp/?lang=pt</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/K7mTbpYwmd8XXkGsMPqYkNp/?lang=pt</p><p>https://www.scielo.br/j/reeusp/a/K7mTbpYwmd8XXkGsMPqYkNp/?lang=pt</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28498</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28498</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28498</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/207</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/207</p><p>https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693</p><p>https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693</p><p>https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693</p><p>http://revistaredes.ielusc.br/index.php/revistaredes/article/view/154</p><p>http://revistaredes.ielusc.br/index.php/revistaredes/article/view/154</p><p>http://revistaredes.ielusc.br/index.php/revistaredes/article/view/154</p><p>194</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AMARAL, E. 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Política nacional de atenção às urgências. Brasília: Biblioteca Virtual</p><p>em Saúde Ministério da Saúde, 2003. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/</p><p>politica_nac_urgencias.pdf. Acesso em: 28 set. 2023.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política nacional de atenção às urgências. Brasília: Biblioteca Virtual</p><p>em Saúde Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/</p><p>politica_nacional_atencao_urgencias_3ed.pdf. Acesso em: 28 set. 2023.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Brasília: Diário Oficial da União, 2013.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n. 895, de 31 de março de 2017. Brasília: Ministério da Saúde,</p><p>2017. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0895_26_04_2017.</p><p>html. Acesso em: 10 nov. 2023.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n. 1.600, de 7 de julho de 2011. Brasília: Biblioteca Virtual</p><p>em Saúde Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/</p><p>gm/2011/prt1600_07_07_2011.html. Acesso em: 28 set. 2023.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria n. 2048, de 5 de novembro de 2002. Brasília: Biblioteca Virtu-</p><p>al em Saúde Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/</p><p>gm/2002/prt2048_05_11_2002.html. Acesso em: 28 set. 2023.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Brasília: Agência</p><p>Nacional de Vigilância Sanitária; Ministério da Saúde, 2002.</p><p>MINISTÉRIO DA SAÚDE. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012. Brasília: Agência Nacio-</p><p>nal de Vigilância Sanitária - Ministério da Saúde, 2012.</p><p>MOORHEAD, S. et al. NOC: classificação dos resultados de enfermagem. Rio de Janeiro: Guana-</p><p>bara Koogan, 2020. E-book. ISBN: 9788595157644. Disponível em: https://integrada.minhabiblio-</p><p>teca.com.br/#/books/9788595157644/. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>MURAKAMI, B. M.; SANTOS, E. R. dos. Enfermagem em terapia intensiva. Barueri: Manole, 2017.</p><p>E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788578683108/. Aces-</p><p>so em: 30 out. 2023 .</p><p>MURAKAMI, B. M.; SANTOS, E. R. dos. Enfermagem em terapia intensiva. Santana do Parnaíba:</p><p>Manole, 2017. E-book. ISBN: 9788578683108. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.</p><p>com.br/#/books/9788578683108/. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>NASCIMENTO, C. C. D. S.; NASCIMENTO, M. D. S. Importância dos cuidados de enfermagem no</p><p>período pré-operatório. Revista Eletrônica Multidisciplinar de Investigação Científica, [s. l.],</p><p>p. 1-14, 2023.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527729154/</p><p>https://www.fatecba.edu.br/revista-eletronica/index.php/rftc/article/view/136</p><p>https://www.fatecba.edu.br/revista-eletronica/index.php/rftc/article/view/136</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/28498</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nac_urgencias.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nac_urgencias.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_atencao_urgencias_3ed.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_atencao_urgencias_3ed.pdf</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0895_26_04_2017.html</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt0895_26_04_2017.html</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1600_07_07_2011.html</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1600_07_07_2011.html</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt2048_05_11_2002.html</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2002/prt2048_05_11_2002.html</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157644/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595157644/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788578683108/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788578683108/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788578683108/</p><p>198</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>NETTINA, S. M. Prática de enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. E-book.</p><p>ISBN: 9788527738002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788527738002/. Acesso em: 12 nov. 2023.</p><p>OLIVEIRA, C. R. de et al. Cuidados de enfermagem ao paciente com complicações neurológicas.</p><p>Revista Remecs – Revista Multidisciplinar de Estudos Científicos em Saúde, [s. l.], p. 22, 2019.</p><p>Disponível em: https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/207. Aces-</p><p>so em: 29 set. 2023.</p><p>OLIVEIRA, S. A. G. D.; SILVA, E. S. D.; AIDAR, D. C. G. A atuação da enfermagem no processo de</p><p>cirurgia segura: revisão de literatura. Brazilian Journal of Development, Curitiba, p. 79608-79621,</p><p>dez. 2022.</p><p>OLIVEIRA, S. M. K. D. et al. Centro cirúrgico e CME. Porto Alegre: Grupo A, 2019.</p><p>PADILHA, K. G. et al. Enfermagem em UTI: cuidando do paciente crítico. Santana do Parnaíba:</p><p>Manole, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520441848/.</p><p>Acesso em: 29 out. 2023.</p><p>PAULA, A. S. S. de et al. Contextualizando a ventilação mecânica e o papel da enfermagem.</p><p>Revista Remecs – Revista Multidisciplinar de Estudos Científicos em Saúde, [s. l.], p. 12, 2021.</p><p>Disponível em: https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/317. Aces-</p><p>so em: 29 out. 2023.</p><p>PELLICO, L. H. Enfermagem médico-cirúrgica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. E-book.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2669-6/. Acesso em:</p><p>12 nov. 2023.</p><p>POPOV, D. C. S.; PENICHE, A. D. C. G. As intervenções do enfermeiro e as complicações em sala de</p><p>recuperação pós-anestésica. Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, p. 953-961,</p><p>dez. 2009.</p><p>POTTER, P. Fundamentos de enfermagem. Rio de Janeiro: GEN Guanabara Koogan, 2018.</p><p>E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151734/. Acesso</p><p>em: 25 ago. 2023.</p><p>RAZERA, A. P. R.; BRAGA, E. M. A importância da comunicação durante o período de recuperação</p><p>pós-operatória. Revista da Escola</p><p>equipe de enfermagem e pelo médico”. No quarto</p><p>retângulo: “Deve possuir número de leitos correspondente ao número médio de</p><p>pacientes programados para o bloco cirúrgico”. No quinto retângulo: “Deve ser</p><p>bem iluminada”. No sexto retângulo: “Deve ter portas largas que sejam aptas para</p><p>passagem de macas, camas e equipamentos”. Por fim, no sétimo retângulo: “Deve</p><p>possuir temperatura e ventilação que sejam semelhantes às da sala de cirurgia”.</p><p>Agora que introduzimos assuntos pertinentes à estrutura física do centro ci-</p><p>rúrgico, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os métodos de este-</p><p>rilização e controle.</p><p>22</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>1.1.2 MÉTODOS DE ESTERILIZAÇÃO E CONTROLE</p><p>O processamento de materiais em serviços de saúde objetiva minimizar os</p><p>danos associados ao seu uso, seja em virtude do risco de transmissão de in-</p><p>fecção, pelos produtos tóxicos ou pelos resíduos de material imunológico de</p><p>um paciente para outro, seja em razão de materiais reprocessados ou de re-</p><p>ações decorrentes de resíduos de produtos utilizados durante a limpeza do</p><p>material (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011, p. 28).</p><p>Antes de iniciarmos nossa discussão sobre a esterilização, é fundamental que</p><p>você compreenda a importância da limpeza prévia de todos os materiais. Mui-</p><p>tas vezes, a limpeza dos materiais é considerada uma atividade sem impor-</p><p>tância. Entretanto, ela é uma etapa imprescindível durante o processamento</p><p>de produtos e materiais para saúde.</p><p>Então, a limpeza “[...] consiste na remoção de sujidades orgânicas e inorgânicas</p><p>da superfície desses materiais, além de reentrâncias, articulações e lumens,</p><p>visando reduzir os microrganismos e remover resíduos, sejam eles químicos,</p><p>proteínas, sangue ou endotoxinas” (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011, p. 63).</p><p>Nenhum produto para saúde pode ser desinfetado</p><p>ou esterilizado sem previamente ser limpo de forma</p><p>adequada (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011, p. 63).</p><p>Após o processo adequado de limpeza, é preciso seguir com a embalagem</p><p>dos materiais para garantir a esterilização apropriada, certificando-se da qua-</p><p>lidade dessa etapa por meio da inspeção, cujo objetivo é identificar resídu-</p><p>os não removidos e possíveis falhas mecânicas nos instrumentais cirúrgicos</p><p>(Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>23</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Para auxiliar a etapa de inspeção, recomenda-se dispor os materiais sobre</p><p>um tecido limpo e seco, de cor clara, em um ambiente iluminado, auxiliado</p><p>pelo uso de lentes de aumento (lupas). Exige-se, ainda, que o funcionário res-</p><p>ponsável por essa etapa utilize roupas privativas e gorro, além de ter as mãos</p><p>sempre limpas (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Igualmente importante é a secagem do material após a limpeza: esses instru-</p><p>mentos devem ser secos, preferencialmente logo após o término da lavagem,</p><p>visto que microrganismos provenientes da água podem ser aderidos, contri-</p><p>buindo com a formação de biofilme (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Biofilme: bactérias em estado livre aderidas a uma</p><p>superfície.</p><p>Instrumentos limpos de maneira errada prejudicam o processo de esterili-</p><p>zação. Apesar de simples, essas falhas mecânicas podem trazer danos irre-</p><p>versíveis ao paciente, ocasionando inúmeras iatrogenias. Além disso, podem</p><p>aumentar o tempo de cirurgia e/ou da internação desse paciente (Uchikawa;</p><p>Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Iatrogenia: diz respeito a qualquer evento adverso,</p><p>doença, alteração, incapacidade provocada ao</p><p>paciente devido à prática médica malfeita.</p><p>24</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Em seguida, realiza-se o acondicionamento e a embalagem dos materiais</p><p>para, posteriormente, fazer-se a escolha do processo de esterilização. Para re-</p><p>alizar o empacotamento, há algumas opções de materiais, a saber (Uchikawa;</p><p>Silva; Psaltikidis, 2011):</p><p>MATERIAIS UTILIZADOS PARA ESTERILIZAÇÃO</p><p>Algodão</p><p>tecido</p><p>Papel grau</p><p>cirúrgico Não-tecido</p><p>Papel</p><p>encrespado</p><p>ou crepado</p><p>Contêiner</p><p>rígido</p><p>Fonte: adaptado de Uchikawa; Silva; Psaltikidis (2011).</p><p>#pratodosverem: figura formada por cinco retângulos interligados entre si que trazem os</p><p>materiais utilizados para esterilização. Da esquerda para a direita, temos: “algodão tecido”,</p><p>“papel grau cirúrgico”, “não tecido”, “papel encrespado ou crepado”, “contêiner rígido”.</p><p>Para prosseguir com o tema da esterilização, apresentaremos os métodos fí-</p><p>sicos de esterilização: o calor e a radiação, sendo o calor o mais antigo e o</p><p>mais utilizado (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Os métodos de esterilização por calor são o vapor</p><p>saturado sob pressão (também denominado calor</p><p>úmido) e o calor seco. A esterilização por radiação</p><p>pode se dar por meio de raios gama (produzidos</p><p>pela radiação emitida pelo elemento cobalto 60)</p><p>e por meio do feixe de elétrons (electron beam).</p><p>Fonte: Uchikawa; Silva; Psaltikidis (2011, p. 110).</p><p>Nesta unidade, vamos tratar do método de esterilização por calor devido à</p><p>sua maior utilização. O vapor saturado sob pressão, realizado nas autoclaves,</p><p>é o método empregado para esterilizar materiais termorresistentes. A morte</p><p>do microrganismo ocorre por meio da termocoagulação e da desnaturação</p><p>de enzimas e proteínas estruturais da célula microbiana. Para isso, alguns ele-</p><p>mentos são essenciais nesse processo, como o vapor saturado, a pressão, a</p><p>temperatura e o tempo. Ressaltamos que o calor úmido é mais eficiente e</p><p>mais rápido do que o calor seco, uma vez que a presença de água favorece a</p><p>coagulação de proteínas, proporcionando ação microbicida (Uchikawa; Silva;</p><p>Psaltikidis, 2011).</p><p>25</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Microbicida: tem poder de matar microrganismos</p><p>patológicos em geral.</p><p>Após o término do ciclo de esterilização na autoclave, é recomendado não</p><p>manusear os pacotes quentes ou depositá-los em superfícies frias (Uchikawa;</p><p>Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Para garantir a eficácia do processo de esterilização, é necessário realizar a</p><p>monitorização dos parâmetros físicos com testes químicos e biológicos, de-</p><p>vendo, obrigatoriamente, o profissional de enfermagem responsável por essa</p><p>etapa realizar o registro e os laudos dos testes feitos e arquivá-los por um pe-</p><p>ríodo mínimo de cinco anos (Uchikawa; Silva; Psaltikidis, 2011).</p><p>Já o calor seco, realizado por meio de estufas ou do forno de Pasteur, é me-</p><p>nos utilizado na atualidade. Um dos principais problemas desse método é o</p><p>tempo maior de esterilização associado à necessidade de altas temperaturas</p><p>em razão da dificuldade de penetração homogênea nos materiais de saúde.</p><p>Por esse motivo, nos dias de hoje, a Anvisa não recomenda esse tipo de mé-</p><p>todo para esterilização de materiais em ambientes de saúde (Uchikawa; Silva;</p><p>Psaltikidis, 2011).</p><p>1.1.3 EQUIPE DE ENFERMAGEM E CIRÚRGICA:</p><p>COMPONENTES E SUAS RESPECTIVAS FUNÇÕES</p><p>Sabe-se que o centro cirúrgico corresponde a um setor intra-hospitalar que</p><p>oferece a realização de procedimentos cirúrgicos e diagnósticos ou terapêu-</p><p>ticos, tanto eletivos quanto emergenciais. A alta complexidade dos diversos</p><p>procedimentos realizados nesse ambiente determina a atuação de profissio-</p><p>nais da saúde habilitados e competentes com o intuito de contribuir e de</p><p>prestar assistência à saúde nos mais variados cenários cirúrgicos com segu-</p><p>rança e eficiência (Oliveira et al., 2019).</p><p>26</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Para isso, cada profissional dentro do ambiente cirúrgico possui sua respon-</p><p>sabilidade e atua de forma interdependente, sempre pautado no objetivo de</p><p>garantir</p><p>de Enfermagem da USP, São Paulo, p. 632-637, 2011.</p><p>RIBEIRO, R. N. et al. Conhecimento da equipe de enfermagem sobre neurointensivismo em Uni-</p><p>dades de Terapia Intensiva. Revista Neurociências, [s. l.], n. 28, p. 1-21, 2020. Disponível em: https://</p><p>periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693. Acesso em: 29 set. 2023.</p><p>ROCHA, P. K. D. A. S. Teoria de médio alcance do diagnóstico de enfermagem risco de</p><p>aspiração em pacientes críticos adultos. 98 f. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Uni-</p><p>versidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2022. Disponível em: https://repositorio.ufrn.br/</p><p>bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf. Acesso em: 29 set. 2023.</p><p>ROTHROCK, J. Alexander: cuidados de enfermagem ao paciente cirúrgico. Rio de Janeiro: GEN</p><p>Guanabara Koogan, 2021.</p><p>SAMPAIO, E. C. et al. A atuação do enfermeiro na classificação de risco através do Protocolo de</p><p>Manchester em serviços de urgência e emergência. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento,</p><p>[s. l.], v. 11, n. 3, 2022. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26592. Acesso</p><p>em: 29 set. 2023.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527738002/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527738002/</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/207</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520441848/</p><p>https://www.revistaremecs.recien.com.br/index.php/remecs/article/view/317</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/978-85-277-2669-6/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595151734/</p><p>https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693</p><p>https://periodicos.unifesp.br/index.php/neurociencias/article/view/10693</p><p>https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf</p><p>https://repositorio.ufrn.br/bitstream/123456789/47126/1/Teoriamedioalcance_Rocha_2022.pdf</p><p>https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/26592</p><p>199</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>SANTOS, N. C. M. Enfermagem em pronto atendimento: urgência e emergência. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2014. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536520865/.</p><p>Acesso em: 1 out. 2023.</p><p>SANTOS, N. C. M. Urgência e emergência para enfermagem: do atendimento pré-hospitalar</p><p>(APH) à sala de emergência. São Paulo: Saraiva, 2018. Disponível em: https://integrada.minhabi-</p><p>blioteca.com.br/#/books/9788536530048/. Acesso em: 14 out. 2023.</p><p>SILVA, A. A. da et al. Gasometria arterial: métodos e suas aplicabilidades para a enfermagem em</p><p>Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, [s. l.], v. 17, 2022.</p><p>Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/9334. Acesso em:</p><p>12 nov. 2023.</p><p>SOBRAL, G. A. S. et al. Atribuições do enfermeiro no centro cirúrgico. Enfermagem Brasil, [s. l.],</p><p>v. 18, n. 4, p. 603-609, out. 2019. Disponível em: https://convergenceseditorial.com.br/index.php/en-</p><p>fermagembrasil/article/view/3117. Acesso em: 20 out. 2023.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de pediatria. Barueri: Manole, 2017. v. 1. E-book.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455869/. Acesso em:</p><p>25 ago. 2023.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de pediatria. Santana do Parnaíba: Manole,</p><p>2017, v. 1. E-book. ISBN: 9788520455869. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.</p><p>br/#/books/9788520455869/. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>SOUZA, L. A. de; CONSORTI, A. H.; MACHADO, N. L. M. Cuidados de enfermagem na administra-</p><p>ção de drogas vasoativas em pacientes internados na unidade de terapia intensiva. Cognitionis</p><p>Publishing, [s. l.], v. 3, n. 2, fev./mar/abr./maio/jun/jul. 2021. Disponível em: http://cognitionis.inf.br/</p><p>index.php/medicus/article/view/150. Acesso em: 29 out. 2023.</p><p>SOUZA, T. M. de; LOPES, G. D. S. Assistência de enfermagem em terapia intensiva ao paciente</p><p>com Covid 19: um relato de experiência. Revista Eletrônica Acervo Enfermagem, [s. l.], v. 9, p.</p><p>e6118, 2021. Disponível em: https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/6118.</p><p>Acesso em: 29 out. 2023.</p><p>SUEOKA, J. S. APH resgate: emergência em trauma. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019.</p><p>Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155374/. Acesso em:</p><p>14 out. 2023.</p><p>TOBASE, L.; TOMAZINI , E. A. S. Urgências e emergências em enfermagem. Rio de Janeiro: Gru-</p><p>po GEN, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527731454/.</p><p>Acesso em: 30 set. 2023.</p><p>TOBASE, L.; TOMAZINI, E. A. S. Urgências e emergências em enfermagem. Rio de Janeiro: Gua-</p><p>nabara Koogan, 2017. E-book. ISBN: 9788527731454. Disponível em: https://integrada.minhabiblio-</p><p>teca.com.br/#/books/9788527731454/. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>TORTORA, G. J.; DERRICKSON, B. Princípios de anatomia e fisiologia. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2016. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527728867/.</p><p>Acesso em: 29 out. 2023.</p><p>TREVILATO, D. D. et al. Concepções das enfermeiras em relação à segurança do paciente durante</p><p>o posicionamento cirúrgico. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, p. 1-11, 2022.</p><p>UCHIKAWA, G. K.; SILVA, A.; PSALTIKIDIS, E. M. Enfermagem em centro de material e esteriliza-</p><p>ção. Santana do Parnaíba: Manole, 2011.</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536520865/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536530048/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536530048/</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/9334</p><p>https://convergenceseditorial.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/3117</p><p>https://convergenceseditorial.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/3117</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455869/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455869/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455869/</p><p>http://cognitionis.inf.br/index.php/medicus/article/view/150</p><p>http://cognitionis.inf.br/index.php/medicus/article/view/150</p><p>https://acervomais.com.br/index.php/enfermagem/article/view/6118</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595155374/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527731454/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527731454/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527731454/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788527728867/</p><p>EAD.MULTIVIX.EDU.BR</p><p>CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE:</p><p>SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS</p><p>200</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>VENTURI, V. et al. O papel do enfermeiro no manejo da monitorização hemodinâmica em uni-</p><p>dade de terapia intensiva. Revista Recien – Revista Científica de Enfermagem, [s. l.], v. 6, n. 17,</p><p>p. 19-23, 2016. Disponível em: https://www.recien.com.br/index.php/Recien/article/view/103. Acesso</p><p>em: 27 out. 2023.</p><p>VIANA, R. A. P. P.; TORRE, M. Enfermagem em terapia intensiva: práticas integrativas. San-</p><p>tana do Parnaíba: Manole, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788520455258/. Acesso em: 29 out. 2023.</p><p>VIANA, R. A. P. P.; WHITAKER, I. Y. Enfermagem em terapia intensiva: práticas e vivências.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2020. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/</p><p>books/9788582715895/. Acesso em: 12 nov. 2023.</p><p>WHITAKER, I. Y.; GATTO, M. A. F. Pronto-socorro: atenção hospitalar às emergências. Barueri:</p><p>Manole, 2015. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520451922/.</p><p>Acesso em: 30 set. 2023.</p><p>WHO. Diretrizes da OMS para cirurgia segura: cirurgia segura salva vidas. [Genebra]: OMS,</p><p>2009. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/44185/9789241598552_eng.</p><p>pdf?sequence=1.</p><p>Acesso em: 25 set. 2023.</p><p>ZAVAGLIA, G. O. et al. Cuidado de enfermagem em emergência e traumas. Porto Alegre:</p><p>Grupo A, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595029873/.</p><p>Acesso em: 14 out. 2023.</p><p>https://www.recien.com.br/index.php/Recien/article/view/103</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455258/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520455258/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582715895/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582715895/</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520451922/</p><p>https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/44185/9789241598552_eng.pdf?sequence=1</p><p>https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/44185/9789241598552_eng.pdf?sequence=1</p><p>https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595029873/</p><p>EAD.MULTIVIX.EDU.BR</p><p>CONHEÇA TAMBÉM NOSSOS CURSOS DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA NAS ÁREAS DE:</p><p>SAÚDE • EDUCAÇÃO • DIREITO • GESTÃO E NEGÓCIOS</p><p>Atribuições da equipe de enfermagem no centro cirúrgico</p><p>Terminologias cirúrgicas</p><p>Fase pré-operatória: atividades realizadas pela equipe de enfermagem</p><p>Elementos do SAV</p><p>Passo a passo da avaliação da cena do trauma</p><p>Escala de Coma de Glasgow com resposta pupilar (ECG-P)</p><p>Critérios indicativos de baixo e alto risco de lesão raquimedular</p><p>Principais complicações do trauma torácico</p><p>Critérios de exclusão para o uso de VMNI</p><p>Cuidados de enfermagem para o paciente intubado</p><p>Escala comportamental de dor</p><p>Escala CCPOT</p><p>Subsistemas da Unidade de Centro Cirúrgico (UCC)</p><p>Áreas que compõem o centro cirúrgico</p><p>Especificidades sobre a estrutura física da sala de recuperação pós‑anestésica</p><p>Materiais utilizados para esterilização</p><p>Enfermagem perioperatória</p><p>Objetivos da terminologia cirúrgica</p><p>Posição de Trendelenburg</p><p>Posição de Trendelenburg reversa</p><p>Posição ginecológica ou posição de litotomia</p><p>Fases do período perioperatório</p><p>Sala de operação</p><p>Enfermeiro perioperatório</p><p>Cuidados de enfermagem no intraoperatório</p><p>Fases do pós-operatório</p><p>Objetivos da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perioperatória</p><p>Características do profissional da saúde atuante nos serviços de urgência e emergência</p><p>Organização histórica do sistema de saúde brasileiro</p><p>Objetivo da classificação de risco</p><p>Cadeia de sobrevivência para adultos</p><p>Principais incidentes causadores de traumas</p><p>Característica dos traumas em relação à mortalidade</p><p>Biomecânica do trauma</p><p>Etapas de atendimento ao paciente</p><p>Trauma fechado</p><p>Liberação manual das vias aéreas</p><p>Principais incidentes causadores de traumatismo cranioencefálico (TCE)</p><p>Característica dos traumas em relação à mortalidade</p><p>Prioridades na avaliação de um paciente vítima de trauma de tórax</p><p>Angina</p><p>Crise asmática</p><p>Acidente vascular encefálico</p><p>Classificação do AVE</p><p>Características de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)</p><p>Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI-N)</p><p>Principais infecções que ocorrem na UTI</p><p>Cuidados para evitar a PAV dentro de UTIs</p><p>Processo de enfermagem</p><p>Cateter de artéria pulmonar quatro vias</p><p>Cateter de artéria pulmonar com medida de débito cardíaco contínuo e de saturação venosa de oxigênio</p><p>Momentos do ciclo ventilatório da VMI</p><p>Subdivisão das drogas vasoativas</p><p>Tríade da acidose metabólica</p><p>Fisiopatologia da cetoacidose diabética</p><p>Sinais clínicos e complicações do diabetes relacionados à CAD</p><p>Complicações em decorrência do desequilíbrio hidroeletrolítico e distúrbios</p><p>Escala de estimativa numérica (NRS)</p><p>Escalas utilizadas para avaliação do grau de sedação</p><p>Histórico de enfermagem</p><p>Subdivisão do Sistema Nervoso</p><p>Principais disfunções do sistema endócrino</p><p>Apresentação da disciplina</p><p>1 ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO E CENTRAL DE MATERIAL</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>1.1 O AMBIENTE CIRÚRGICO</p><p>1.2 TERAPÊUTICA CIRÚRGICA</p><p>2 IMPLEMENTAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PERIOPERATÓRIO</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>2.1 PERÍODO PERIOPERATÓRIO</p><p>2.2 DESENVOLVIMENTO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA</p><p>3 O AMBIENTE DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>3.1 O AMBIENTE DA URGÊNCIA E EMERGÊNCIA</p><p>3.2 SUPORTE BÁSICO E AVANÇADO DE VIDA</p><p>4 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS E TRAUMÁTICAS</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>4.1 CUIDADO DO INDIVÍDUO VÍTIMA DE TRAUMA</p><p>4.2 EMERGÊNCIAS CLÍNICAS</p><p>5 UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>5.1 O AMBIENTE DA UNIDADE DE TRATAMENTO INTENSIVO (UTI)</p><p>5.2 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI</p><p>6 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA UTI</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>6.1 INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NA UTI</p><p>6.2 ALTERAÇÕES NOS SISTEMAS ORGÂNICOS</p><p>_Hlk146659453</p><p>_Hlk146659496</p><p>_Hlk146659532</p><p>_Hlk148209794</p><p>a segurança e a plena recuperação do paciente (Carvalho; Bianchi,</p><p>2016; Oliveira et al., 2019).</p><p>O enfermeiro, profissional foco desta unidade, tem por função liderar a equi-</p><p>pe, gerenciar o setor, realizar procedimentos de alta complexidade e prestar</p><p>assistência direta ao paciente. Assim, a equipe de enfermagem é composta</p><p>por: enfermeiro coordenador, enfermeiro assistencial, técnico de enferma-</p><p>gem circulante da sala e técnico de enfermagem assistencial (Couto; Pedrosa;</p><p>Amaral, 2017; Oliveira et al., 2019). A seguir, confira as atribuições de cada um</p><p>desses profissionais.</p><p>ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE ENFERMAGEM NO CENTRO CIRÚRGICO</p><p>Enfermeiro</p><p>coordenador</p><p>Responsável por diversas questões administrativas que envolvem</p><p>gerenciamento de ações; dimensionamento de equipe; previsão</p><p>e provisão de materiais; escala de trabalho; desenvolvimento e</p><p>implementação da sistematização da assistência de enfermagem</p><p>(SAE); supervisão da execução de protocolos, entre outras funções.</p><p>Enfermeiro</p><p>assistencial</p><p>Responsável por funções relacionadas à atividades assistenciais e</p><p>administrativas; conferência das salas cirúrgicas e dos materiais</p><p>necessários de acordo com a agenda cirúrgica; prestação de</p><p>assistência ao paciente cirúrgico, garantindo seu bem-estar físico</p><p>e mental desde a admissão até a transferência dele para o setor</p><p>clínico; realização do protocolo de cirurgia segura; supervisão do</p><p>armazenamento dos materiais esterilizados e do encaminhamento</p><p>dos materiais utilizados na cirurgia para a CME; elaboração do mapa</p><p>de cirurgias, entre outros.</p><p>Técnico de</p><p>enfermagem</p><p>e circulante da</p><p>sala cirúrgica</p><p>Realização da montagem da sala cirúrgica; abastecimento das salas</p><p>de cirurgia com os materiais necessários; responsável por comunicar</p><p>o enfermeiro em caso de defeitos ou mau estado de conservação</p><p>de aparelhos e equipamentos; execução do plano assistencial</p><p>desenvolvido pelo enfermeiro; posicionamento do paciente de</p><p>acordo com a cirurgia; auxílio na vestimenta da equipe cirúrgica;</p><p>cumprimento das normas da instituição; realização do registro do</p><p>paciente no prontuário, entre outros.</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira, Bitencourt et al. (2019).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e três linhas apresentando</p><p>as atribuições do enfermeiro coordenador, do enfermeiro assistencial</p><p>e do técnico de enfermagem e circulante da sala cirúrgica.</p><p>27</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Outros profissionais também estão presentes no ambiente cirúrgico. Entre</p><p>eles, a equipe anestésica, composta por médicos anestesistas que realizam</p><p>a avaliação do paciente no período pré-operatório, realizam a prescrição do</p><p>anestésico, fazem a indução anestésica, monitoram o paciente e suas con-</p><p>dições clínicas durante todo o ato anestésico e na sala de recuperação pós-</p><p>-anestésica (Oliveira et al., 2019).</p><p>Também estão presentes a equipe médica cirúrgica, composta pelo médico</p><p>cirurgião, pelo médico cirurgião assistente e pelo segundo cirurgião assisten-</p><p>te em casos específicos. Basicamente, a equipe médica cirúrgica é responsá-</p><p>vel pelo planejamento e pela execução do procedimento cirúrgico. Já o mé-</p><p>dico assistente auxilia o médico principal e, se necessário, o substitui (Oliveira</p><p>et al., 2019).</p><p>1.2 TERAPÊUTICA CIRÚRGICA</p><p>1.2.1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA CIRURGIA</p><p>Desde os primórdios da assistência à saúde, o centro cirúrgico é considerado</p><p>um setor que gera preocupação. Inicialmente, na época de Florence Nightin-</p><p>gale, os cuidados prestados eram voltados à teoria ambientalista, ou seja, acre-</p><p>ditava-se que as complicações de uma doença estavam intimamente relacio-</p><p>nadas ao ambiente em que o paciente estava inserido (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Nesse sentido, Florence defendia a limpeza do ambiente, além da dieta e da</p><p>higiene do paciente e da ventilação do ambiente. Os cirurgiões, na época,</p><p>chamados cirurgiões-barbeiros, realizavam os procedimentos em locais onde</p><p>havia pessoas responsáveis por manter o ambiente limpo e por realizar a ma-</p><p>nutenção dos instrumentos. Tal prática compreende o início das atividades</p><p>da enfermagem no centro cirúrgico (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>28</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de uma equipe cirúrgica realizando</p><p>procedimentos em um paciente dentro de um centro cirúrgico.</p><p>Ao final do século XIX, depois dos estudos de Pasteur (1822-1895), que abor-</p><p>davam a importância da antissepsia ou, segundo Lister (1827-1912), da desin-</p><p>fecção dos instrumentos e da higienização das mãos dos cirurgiões em ra-</p><p>zão da descoberta de microrganismos que causavam processos infecciosos</p><p>nas feridas operatórias, ocorreu a instalação das salas cirúrgicas nos hospitais</p><p>(Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>O termo cirurgia é derivado do grego kheirourgia e significa “trabalho ma-</p><p>nual”. Destina-se ao tratamento de doenças e de traumatismos por meio de</p><p>cirurgias manuais e instrumentais. As cirurgias eram realizadas em locais ina-</p><p>propriados, a céu aberto, nas casas dos pacientes, nos conveses de navios e</p><p>eram resumidas a amputações de membros, drenagens de abcessos, reti-</p><p>radas de tumores com o uso das mãos ou com auxílio de instrumentos ru-</p><p>dimentares, sem anestesia e nenhum tipo de esterilização. Por isso, os pa-</p><p>cientes sofriam com a dor intensa, as infecções, as hemorragias, entre outros</p><p>(Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>29</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Para estancar a hemorragia, métodos como óleo fervente ou ferro em brasa</p><p>eram utilizados. No que se refere às infecções, estas passaram a ser estudadas</p><p>após o advento dos antibióticos (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Em 1846, houve a descoberta da anestesia com éter para a realização dos pro-</p><p>cedimentos. A partir disso, iniciou-se o uso de máscaras, de aventais e a de-</p><p>germação das mãos. Entretanto, apesar dos avanços, o uso de luvas foi inseri-</p><p>do somente em 1890, por William Halsted, com o único objetivo de proteger</p><p>sua noiva, que participava como enfermeira das cirurgias, mas tinha alergia</p><p>aos antissépticos utilizados (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Apenas em meados do século XX, as técnicas cirúrgicas evoluíram com instru-</p><p>mentos adaptados para as cirurgias, com a introdução da anestesia geral, das</p><p>técnicas assépticas e do início da realização dos procedimentos cirúrgicos em</p><p>ambiente hospitalar, mas ainda sem um local específico, como o centro cirúr-</p><p>gico. Somente na Era Moderna foi que os centros cirúrgicos surgiram com a</p><p>criação das salas cirúrgicas e das áreas comuns (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>1.2.2 TERMINOLOGIA CIRÚRGICA E</p><p>TEMPOS CIRÚRGICOS</p><p>Nesta seção, vamos estudar as nomenclaturas utilizadas em técnicas cirúrgi-</p><p>cas. É essencial que a enfermagem saiba reconhecer essas terminologias e</p><p>seus conceitos.</p><p>A terminologia cirúrgica consiste nos termos que designam a intervenção e o</p><p>local do corpo onde o procedimento cirúrgico será realizado. Tais terminolo-</p><p>gias são padronizadas e imprescindíveis para a assistência à saúde do pacien-</p><p>te (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>30</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A terminologia cirúrgica é um conjunto de termos</p><p>que expressa o segmento corpóreo afetado e</p><p>a intervenção realizada para tratar a afecção. A</p><p>utilização de uma terminologia apropriada fornece</p><p>a definição dos termos cirúrgicos, a descrição</p><p>dos tipos de cirurgias e facilita o preparo de</p><p>instrumentais e de equipamentos para cada tipo</p><p>de procedimento cirúrgico. Apresentaremos, em</p><p>quadros, os significados dos prefixos e dos sufixos</p><p>em cirurgia, com destaque para os procedimentos</p><p>e exames com os sufixos: -ectomia, -tomia,</p><p>-stomia, -pexia,</p><p>-plastia, -rafia e -scopia, além de</p><p>terminologia diversa e epônimos. A utilização de</p><p>uma terminologia adequada é importante para as</p><p>pessoas envolvidas na assistência cirúrgica, uma vez</p><p>que facilita o entendimento de todos e proporciona</p><p>uniformização da linguagem. Fonte: Carvalho e</p><p>Bianchi (2016, p. 132).</p><p>A seguir, confira os principais objetivos da utilização de uma terminologia cirúrgica.</p><p>OBJETIVOS DA TERMINOLOGIA CIRÚRGICA</p><p>Fornecer</p><p>uma definição</p><p>dos termos</p><p>cirúrgicos.</p><p>Descrever</p><p>os tipos</p><p>de cirurgia.</p><p>Facilitar</p><p>o preparo</p><p>das cirurgias.</p><p>Padronizar uma</p><p>linguagem</p><p>universal para</p><p>o entendimento</p><p>sobre os</p><p>procedimentos</p><p>cirúrgicos.</p><p>Fonte: adaptado de Carvalho e Bianchi (2016).</p><p>#pratodosverem: figura formada por quatro retângulos que trazem os principais</p><p>objetivos da utilização de uma terminologia cirúrgica. Da esquerda para a</p><p>direita, tem-se: “Fornecer uma definição dos termos cirúrgicos”, “Descrever os</p><p>tipos de cirurgia”, “Facilitar o preparo das cirurgias”, “Padronizar uma linguagem</p><p>universal para o entendimento sobre os procedimentos cirúrgicos”.</p><p>31</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>As terminologias cirúrgicas facilitam a identificação dos procedimentos ope-</p><p>ratórios. Portanto, para preservar a linguagem que auxilia a equipe de enfer-</p><p>magem e todos os profissionais envolvidos, é preciso manter a unificação e a</p><p>coerência dessas nomenclaturas (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>A seguir, confira algumas das terminologias cirúrgicas mais comuns.</p><p>TERMINOLOGIAS CIRÚRGICAS</p><p>Amidalectomia Retirada das amígdalas</p><p>Apendicectomia Retirada do apêndice</p><p>Esplenectomia Retirada do baço</p><p>Colecistectomia Retirada da vesícula biliar</p><p>Histerectomia Retirada do útero</p><p>Ooforectomia Retirada dos ovários</p><p>Episiotomia Incisão perineal para evitar a ruptura do períneo durante o parto</p><p>Episiorrafia Sutura da região perineal</p><p>Traqueostomia</p><p>Abertura da traqueia e manutenção por meio de cânula para</p><p>facilitar a entrada de ar</p><p>Cistopexia Elevação e fixação da bexiga</p><p>Blefaroplastia Alteração de forma das pálpebras</p><p>Herniorrafia Sutura para correção de hérnia</p><p>Broncospia Visualização da parte interna dos brônquios</p><p>Fonte: Carvalho; Bianchi (2016).</p><p>#pratodosverem: quadro composto por duas colunas com algumas das principais</p><p>terminologias cirúrgicas terminadas com os prefixos “-tomia”; “- rafia”; “-plastia” e “-ospia”.</p><p>Agora que as terminologias cirúrgicas já estão explicadas, daremos sequên-</p><p>cia aos tempos cirúrgicos. Eles são caracterizados pela sequência de procedi-</p><p>mentos realizados durante o ato operatório e estão divididos em quatro tem-</p><p>pos básicos: diérese, hemostasia, exérese e síntese (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>32</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>A diérese compreende o primeiro tempo do ato cirúrgico se define como a</p><p>secção tecidual, ou seja, o corte realizado pelo cirurgião para liberação de es-</p><p>truturas anatômicas. A diérese pode ser executada pelos seguintes procedi-</p><p>mentos (Carvalho; Bianchi, 2016):</p><p>Secção</p><p>Ato de cortar com tesoura, serra, lâmina afiada, bisturi elétrico, laser,</p><p>ultrassom e micro-ondas.</p><p>Divulsão</p><p>Separação dos tecidos com pinça, tesoura, tentacânula ou afastadores.</p><p>Punção</p><p>Utilização de instrumentos perfurantes, como o trocarte ou a agulha</p><p>de Veress.</p><p>Dilatação</p><p>Obtida pela rotura de fibras musculares ou de tecido fibroso para</p><p>aumentar o diâmetro de canais e orifícios naturais ou de trajetos</p><p>fistulosos.</p><p>Serração</p><p>Realizada por meio de serra, especialmente em cirurgias ortopédicas.</p><p>Fonte: Carvalho; Bianchi (2016, p. 212).</p><p>A hemostasia compreende as medidas realizadas pelo cirurgião para precaver,</p><p>controlar ou interromper o sangramento no período intraoperatório. Portanto,</p><p>considera-se que a hemostasia pode ocorrer de forma espontânea, temporá-</p><p>ria ou definitiva e ser realizada por meio de pinçamento, tratamento compres-</p><p>33</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>sivo, garroteamento, tamponamento, ação farmacológica, entre outros instru-</p><p>mentos/métodos que alcancem esse objetivo (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Já a exérese diz respeito à retirada. Esse tempo compreende a cirurgia pro-</p><p>priamente dita; é o momento que todos os tecidos já estão expostos e que</p><p>todos os profissionais presentes durante o ato cirúrgico devem ter máxima</p><p>atenção e cautela. Para executar a exérese, são utilizados instrumentos de</p><p>preensão com o objetivo de prender vísceras e manipular tecidos; instrumen-</p><p>tos para apresentação, como os afastadores; e de contenção, como os clamps</p><p>intestinais (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Por fim, a síntese, o último tempo cirúrgico, resume-se à aproximação dos teci-</p><p>dos seccionados ou ressecados. Para executar essa etapa, algumas proprieda-</p><p>des devem ser observadas e realizadas, por exemplo (Carvalho; Bianchi, 2016):</p><p>• Antissepsia local.</p><p>• Vascularização perfeita das bordas da incisão.</p><p>• Bordas nítidas.</p><p>• Ausência de hematomas ou de outras coleções.</p><p>• Coaptação sem compressão dos tecidos.</p><p>• Ausência de corpos estranhos e tecidos necrosados.</p><p>• Fios de sutura apropriados para cada tecido.</p><p>• Técnica correta.</p><p>Coaptação: ato cujo objetivo é unir partes que</p><p>estavam separadas.</p><p>A enfermagem perioperatória presta assistência ao paciente cirúrgico em to-</p><p>dos os tempos cirúrgicos, com intervenções assistenciais, atividades educati-</p><p>vas e orientações, a fim de garantir o menor risco possível à integridade física</p><p>e mental do paciente.</p><p>34</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>No caso dos tempos cirúrgicos, considera-se que o período perioperatório é</p><p>constituído pelos períodos pré-operatório, transoperatório e pós-operatório e</p><p>suas subdivisões, a saber:</p><p>Período pré-operatório mediato</p><p>Desde o momento em que o paciente recebe a notícia de que será</p><p>submetido a um tratamento cirúrgico até as 24 horas que antecedem</p><p>a cirurgia.</p><p>Período pré-operatório imediato</p><p>Compreende as 24 horas antes da cirurgia.</p><p>Período transoperatório</p><p>Desde o momento em que o paciente é recebido no CC até sua saída</p><p>da Sala de Operações (SO).</p><p>Período intraoperatório</p><p>Do início ao término do procedimento anestésico-cirúrgico,</p><p>desenvolvido no período transoperatório.</p><p>Período pós-operatório imediato (POI)</p><p>Compreende as primeiras 24 horas após o procedimento anestésico-</p><p>cirúrgico, incluindo o tempo de permanência na Sala de Recuperação</p><p>Pós-Anestésica (SRPA).</p><p>Período pós-operatório mediato</p><p>Envolve o período das 24 horas depois da cirurgia.</p><p>35</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Período pós-operatório tardio</p><p>Varia de acordo com o tipo e a complexidade da cirurgia, podendo</p><p>compreender desde os 15 dias até cerca de um ano após o</p><p>procedimento anestésico-cirúrgico.</p><p>Fonte: Carvalho; Bianchi (2016, p. 7).</p><p>Em seguida, vamos estudar os posicionamentos cirúrgicos.</p><p>1.2.3 POSICIONAMENTO PARA CIRURGIA</p><p>Para garantir uma cirurgia de qualidade e segura, é indispensável o posicio-</p><p>namento cirúrgico correto. A importância de posicionar o paciente de manei-</p><p>ra adequada para o ato cirúrgico de acordo com o procedimento a ser feito</p><p>reforça a garantia de segurança do paciente (Rothrock, 2021).</p><p>O posicionamento, combinado com a anestesia e</p><p>seus efeitos fisiológicos, pode produzir alterações</p><p>indesejáveis se os fatores de segurança não forem</p><p>julgados muito importantes para um resultado</p><p>seguro do paciente. Fonte: Rothrock (2021, p. 146).</p><p>Visando à segurança e ao conforto do paciente, o posicionamento cirúrgico é</p><p>determinado pelos seguintes princípios (Rothrock, 2021):</p><p>• Proporcionar exposição ótima e acesso ao sítio cirúrgico.</p><p>• Possibilitar o acesso a locais intravenosos (IV) e aos dispositivos de</p><p>monitoramento de anestesia.</p><p>Vale a pena mencionar que o posicionamento incorreto do paciente durante</p><p>o procedimento cirúrgico pode ocasionar lesões de pele e de tecido subjacen-</p><p>te, levando a lesões por pressão (Rothrock, 2021).</p><p>36</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Lesão por pressão: dano localizado na pele e/ou</p><p>nos tecidos moles subjacentes, em geral sobre</p><p>uma proeminência óssea ou relacionado a um</p><p>dispositivo médico ou a um outro dispositivo. Fonte:</p><p>Rothrock (2021, p. 146).</p><p>Desse modo, o enfermeiro atuante no ato cirúrgico precisa conhecer profun-</p><p>damente a anatomia e a fisiologia associadas ao posicionamento do paciente</p><p>durante o perioperatório, devido às alterações que podem vir a ocorrer em</p><p>razão do mau posicionamento do paciente. Entre os fatores de risco que po-</p><p>dem levar a complicações estão: o tempo que o paciente permanece na po-</p><p>sição cirúrgica; o acolchoamento; os dispositivos utilizados no ato cirúrgico; o</p><p>tipo de anestesia, entre outros. Assim, pele e tecidos subjacentes, sistema ner-</p><p>voso, sistema respiratório, entre outras áreas suscetíveis, podem ser afetados</p><p>(Bergamasco; Murakami et al., 2019; Rothrock, 2021).</p><p>Diante disso, o posicionamento de pacientes no centro cirúrgico é conside-</p><p>rado de grande complexidade e, preferencialmente, deve ser avaliado e reali-</p><p>zado por um enfermeiro em conjunto com a equipe cirúrgica, garantindo as</p><p>necessidades de cada paciente de acordo com o procedimento previsto, mi-</p><p>nimizando consequências, muitas vezes, fatais. Portanto, recomenda-se que</p><p>o enfermeiro (Carvalho; Bianchi, 2016):</p><p>• Faça uma visita pré-operatória ao paciente a fim de identificar fatores de</p><p>risco que possam desencadear complicações durante o perioperatório.</p><p>• Inicie a assistência perioperatória quanto ao posicionamento cirúrgico antes</p><p>da transferência do paciente da maca para a mesa de cirurgia.</p><p>• Realize o posicionamento cirúrgico com cautela, segurança e organização,</p><p>envolvendo toda a equipe cirúrgica e levando em consideração a anatomia</p><p>e a fisiologia do paciente.</p><p>• Avalie a integridade dos tecidos e da pele do paciente durante todo o</p><p>procedimento cirúrgico.</p><p>37</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>• Impeça a hiperextensão das terminações nervosas, prevenindo paralisias e/</p><p>ou parestesias que podem ser irreversíveis.</p><p>• Proteja as proeminências ósseas, principalmente em pacientes idosos,</p><p>crianças, obesos e desnutridos, para evitar a formação de úlceras por pressão</p><p>e a ocorrência de tromboses e de compressão da circulação.</p><p>• Impeça contato direto do paciente com a superfície metálica da mesa de</p><p>operação.</p><p>• Nunca permita que os membros superiores e inferiores permaneçam</p><p>pendentes na maca.</p><p>• Realize treinamento e educação continuada a todos os membros da equipe</p><p>de enfermagem.</p><p>Confira, a seguir, as principais posições cirúrgicas (Carvalho; Bianchi, 2016):</p><p>1. Decúbito dorsal ou posição supina: nesta posição, o paciente está com</p><p>o dorso e a coluna apoiados sobre a superfície da mesa cirúrgica.</p><p>2. Posição de Trendelenburg: similar ao decúbito dorsal; entretanto, parte</p><p>do dorso é abaixada enquanto os pés são elevados.</p><p>POSIÇÃO DE TRENDELENBURG</p><p>Fonte: adaptado de Carvalho; Bianchi (2016, p. 170).</p><p>#pratodosverem: ilustração de um boneco em posição de Trendelenburg, deitado em</p><p>decúbito dorsal, com tronco abaixo do nível da cintura e membros inferiores elevados.</p><p>38</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>3. Posição de Trendelenburg reversa: o paciente fica em decúbito dorsal,</p><p>similar à posição de Trendelenburg. No entanto, nesse caso, o tronco fica</p><p>erguido, ao passo que os membros inferiores estão abaixados.</p><p>POSIÇÃO DE TRENDELENBURG REVERSA</p><p>Fonte: adaptado de Carvalho; Bianchi (2016, p. 170).</p><p>#pratodosverem: ilustração de um boneco em posição de Trendelenburg reversa,</p><p>deitado em decúbito dorsal, com tronco elevado e membros inferiores abaixados.</p><p>39</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>4. Posição ginecológica ou posição de litotomia: o paciente é mantido</p><p>em decúbito dorsal com os membros inferiores elevados, de maneira</p><p>que exponha a região perineal.</p><p>POSIÇÃO GINECOLÓGICA OU POSIÇÃO DE LITOTOMIA</p><p>Fonte: Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: ilustração de uma paciente em posição</p><p>ginecológica sendo avaliada por médica.</p><p>5. Posição de Fowler ou sentada: como o próprio nome diz, nesta posição</p><p>o paciente está sentado, em um ângulo de 90 graus, com o dorso apoia-</p><p>do em uma cadeira e com os pés no chão ou suspensos.</p><p>40</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Finalizamos o conteúdo desta unidade, esperando que você tenha consegui-</p><p>do alcançar os objetivos propostos.</p><p>Em suma, nesse estudo conseguimos avaliar a complexidade do ambiente ci-</p><p>rúrgico e o papel do enfermeiro nesse contexto, além de notar como a prática</p><p>baseada em evidências pode facilitar o processo de trabalho e contribuir para</p><p>o tratamento do paciente.</p><p>A enfermagem perioperatória tem por responsabilidade inúmeras atividades</p><p>que contam com cuidados diretos ao paciente. Assim, controlar o ambiente</p><p>em que esses cuidados são prestados é imprescindível.</p><p>Desse modo, é de extrema importância compreender e aprofundar conheci-</p><p>mentos acerca do conteúdo abordado nessa unidade, para que, dessa forma,</p><p>seja possível realizar um atendimento de qualidade, humanizado e voltado às</p><p>necessidades particulares de cada paciente.</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Para saber mais sobre o tema dessa unidade, leia os</p><p>artigos a seguir:</p><p>1. Boas práticas para segurança do paciente em</p><p>centro cirúrgico: recomendações de enfermeiros.</p><p>2. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012.</p><p>3. A atuação da enfermagem no processo de</p><p>cirurgia segura: revisão de literatura.</p><p>4. Lesão por posicionamento perioperatório:</p><p>medidas preventivas utilizadas por profissionais</p><p>de enfermagem.</p><p>5. Concepções das enfermeiras em relação à</p><p>segurança do paciente durante o posicionamento</p><p>cirúrgico.</p><p>https://www.scielo.br/j/reben/a/9tLBPnJcq4YpLb59jVyVLDs/?format=pdf&lang=pt</p><p>https://www.scielo.br/j/reben/a/9tLBPnJcq4YpLb59jVyVLDs/?format=pdf&lang=pt</p><p>https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2012/rdc0015_15_03_2012.html</p><p>https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/55483</p><p>https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/55483</p><p>https://revistas.unipam.edu.br/index.php/perquirere/article/view/2550</p><p>https://revistas.unipam.edu.br/index.php/perquirere/article/view/2550</p><p>https://revistas.unipam.edu.br/index.php/perquirere/article/view/2550</p><p>https://www.scielo.br/j/rgenf/a/j7Q3z3R793L3xCscvHpvJZw/abstract/?lang=pt#</p><p>https://www.scielo.br/j/rgenf/a/j7Q3z3R793L3xCscvHpvJZw/abstract/?lang=pt#</p><p>https://www.scielo.br/j/rgenf/a/j7Q3z3R793L3xCscvHpvJZw/abstract/?lang=pt#</p><p>41</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>UNIDADE 2</p><p>OBJETIVO</p><p>Ao final desta</p><p>unidade,</p><p>esperamos que</p><p>possa:</p><p>42</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>> Entender o período</p><p>perioperatório e</p><p>a assistência de</p><p>enfermagem.</p><p>> Compreender o</p><p>desenvolvimento</p><p>da Sistematização</p><p>da Assistência</p><p>de Enfermagem</p><p>Perioperatória</p><p>(SAEP) e a segurança</p><p>do paciente</p><p>cirúrgico.</p><p>43</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA</p><p>DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>2 IMPLEMENTAÇÃO DA</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM</p><p>NO PERIOPERATÓRIO</p><p>INTRODUÇÃO DA UNIDADE</p><p>Esta unidade vai fazer uma reflexão a respeito da atuação da equipe de enfer-</p><p>magem no período perioperatório. Para que você compreenda esse cenário,</p><p>é importante a conceituação do ambiente onde os procedimentos cirúrgicos</p><p>ocorrem. O centro cirúrgico é considerado um setor hospitalar em que estão</p><p>reunidos profissionais da saúde para oferecer cirurgias ou exames específicos</p><p>com segurança, conforto e agilidade (Pellico, 2014).</p><p>O centro cirúrgico é visto como um ambiente de muita rotatividade, no qual</p><p>são realizados procedimentos de alta complexidade e altamente invasivos e,</p><p>por isso, determinados cuidados específicos para evitar complicações, incen-</p><p>tivando a segurança do paciente, são necessários.</p><p>Assim, esta disciplina está subdivida em dois tópicos. O primeiro aborda o</p><p>período perioperatório e a assistência de enfermagem. O segundo apresenta</p><p>o desenvolvimento da Sistematização da Assistência de Enfermagem Perio-</p><p>peratória (SAEP) e a segurança do paciente cirúrgico (Pellico, 2014).</p><p>Boa leitura!</p><p>44</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>2.1 PERÍODO PERIOPERATÓRIO</p><p>No contexto cirúrgico, a enfermagem está presente em todas as fases do pe-</p><p>ríodo perioperatório. Esse tipo de enfermagem é nomeado perioperatória e</p><p>perianestésica e envolve todos os cuidados de enfermagem dispensados aos</p><p>pacientes de forma direta ou indireta durante as três fases do procedimento</p><p>cirúrgico (Pellico, 2014):</p><p>FASES DO PERÍODO PERIOPERATÓRIO</p><p>Pré-operatório Intraoperatório Pós-operatório</p><p>Fonte: adaptado de Pellico (2014, p. 96).</p><p>#pratodosverem: figura formada por três retângulos amarelos, sendo o primeiro definido</p><p>por “pré-operatório”; o segundo por “intraoperatório” e o terceiro por “pós-operatório”.</p><p>As fases do período perioperatório têm um tempo de início e fim, estão interli-</p><p>gadas entre si e são compostas por uma gama de atividades desempenhada</p><p>pelo enfermeiro. Essas atividades são pautadas no exercício profissional da en-</p><p>fermagem, no processo da enfermagem e na prática profissional (Pellico, 2014).</p><p>A sistematização da assistência de enfermagem perioperatória (SAEP) é uma</p><p>atividade privativa do enfermeiro e, além de ter como objetivo a valorização</p><p>do cuidado prestado ao paciente cirúrgico em busca de uma assistência com</p><p>maior qualidade voltada às necessidades individuais, também almeja melhorar</p><p>a comunicação entre as equipes envolvidas nas três fases (Oliveira et al., 2019).</p><p>Assim, durante a aplicação da SAEP, o enfermeiro pode ter a percepção dos</p><p>sentimentos do paciente em relação ao procedimento cirúrgico e, com essa</p><p>coleta de informações, pode orientar e informar todos os passos que ocor-</p><p>rerão, de modo que o paciente cirúrgico fique menos suscetível às próprias</p><p>emoções. Isso torna o momento mais leve e humanizado, o que favorece a</p><p>busca por um resultado pós-cirúrgico mais satisfatório e com o menor núme-</p><p>ro possível de complicações (Oliveira et al., 2019).</p><p>45</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>SALA DE OPERAÇÃO</p><p>Fonte: ©peoplecreations, Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de uma sala de operação, com uma mesa cirúrgica ao centro,</p><p>um foco de luz acima, uma mesa com instrumentais cirúrgicos e campos estéreis.</p><p>Agora que já relembramos o período perioperatório, é hora de aprofundar-</p><p>mos nossos conhecimentos em cada fase desse período. Boa leitura!</p><p>2.1.1 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA</p><p>FASE PRÉ-OPERATÓRIA</p><p>A assistência de enfermagem na fase pré-operatória é de extrema importân-</p><p>cia para garantir o bem-estar do paciente. Contextualizando, o pré-operatório</p><p>compreende as etapas que antecedem o procedimento cirúrgico. Em outras</p><p>palavras, o pré-operatório é o intervalo de tempo entre a solicitação da cirur-</p><p>gia e a entrada do paciente no centro cirúrgico. Assim, o objetivo dessa fase é</p><p>preparar o paciente cirúrgico. Isso é feito pela equipe cirúrgica, formada, prin-</p><p>cipalmente, pela equipe de enfermagem (Pellico, 2014).</p><p>Considera-se habitual o sentimento de medo e insegurança do paciente</p><p>diante da notícia da necessidade de uma cirurgia. Essa sensação de estresse</p><p>e ansiedade pode gerar complicações no estado de saúde e acarretar des-</p><p>46</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>fechos desfavoráveis seja antes, durante ou após o procedimento cirúrgico</p><p>(Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>Diante disso, uma das atribuições do enfermeiro na fase do pré-operatório</p><p>se dá pela tentativa de manter o bem-estar do paciente. Uma estratégia que</p><p>contribui para essa finalidade é a realização de visita pré-operatória pelo en-</p><p>fermeiro a fim de promover maior interação entre o enfermeiro do centro</p><p>cirúrgico e o paciente (Carvalho; Bianchi, 2016).</p><p>ENFERMEIRO PERIOPERATÓRIO</p><p>Fonte: © stefamerpik, Freepik (2023).</p><p>#pratodosverem: fotografia de uma sala de operação. Em segundo plano, há uma mesa</p><p>cirúrgica e três profissionais ao redor dela, trajando vestimentas azuis. Em primeiro</p><p>plano, vê-se uma enfermeira com luvas, máscara, gorro e uma prancheta nas mãos.</p><p>A visita pré-operatória pode ser uma ferramenta importantíssima para obter</p><p>informações sobre o paciente cirúrgico, seus hábitos, rede de apoio, medos,</p><p>inseguranças e dúvidas. Nesse período, também é essencial informar e orien-</p><p>tar o paciente e seus familiares quanto aos cuidados durante a fase do pré-</p><p>-operatório, o que se deve esperar para o procedimento anestésico cirúrgico,</p><p>para a recuperação anestésica e para o pós-operatório imediato (POI) (Carva-</p><p>lho; Bianchi, 2016).</p><p>A seguir, apresentamos exemplos de atividades de enfermagem realizadas</p><p>no pré-operatório.</p><p>47</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>FASE PRÉ-OPERATÓRIA: ATIVIDADES REALIZADAS PELA EQUIPE</p><p>DE ENFERMAGEM</p><p>FASE PRÉ-OPERATÓRIA</p><p>Condutas</p><p>pré-admissionais</p><p>Avaliação pré-operatória inicial.</p><p>Implementação do processo de ensino apropriado às necessidades</p><p>do paciente.</p><p>Inclusão da família na entrevista.</p><p>Confirmação dos resultados dos exames pré-operatórios necessários.</p><p>Verificação da compreensão das instruções pré-operatórias dadas</p><p>pelo cirurgião (por exemplo: preparo intestinal, banho de chuveiro</p><p>antes do procedimento cirúrgico etc.).</p><p>Avaliação da necessidade de transporte e de cuidados pós-</p><p>operatórios do paciente.</p><p>Internação na</p><p>unidade ou no</p><p>centro cirúrgico</p><p>Concluir a avaliação pré-operatória.</p><p>Avaliar as condições do paciente, inclusive o estado nutricional e o</p><p>nível de dor.</p><p>Avaliar os riscos de complicações pós-operatórias.</p><p>Relatar alterações inesperadas ou quaisquer desvios da normalidade.</p><p>Verificar se o formulário de consentimento para a realização da cirurgia</p><p>foi assinado e se os documentos necessários estão com o paciente.</p><p>Coordenar o processo de ensino do paciente com os outros</p><p>membros da equipe de enfermagem e reforçar as informações</p><p>fornecidas previamente.</p><p>Explicar as fases do período perioperatório e o que é esperado. Responder</p><p>às perguntas do paciente e de seus familiares e/ou acompanhante(s).</p><p>Elaborar um plano de cuidados.</p><p>Retirar e guardar, de maneira segura, próteses, próteses dentárias,</p><p>óculos, joias etc.</p><p>Providenciar a presença de um intérprete caso o paciente necessite.</p><p>Estimular o paciente a urinar antes do procedimento cirúrgico.</p><p>Instalar acesso intravenoso (IV) conforme protocolo do serviço.</p><p>Administrar os fármacos prescritos e relembrar ao paciente a</p><p>necessidade de permanecer no leito após a pré-medicação.</p><p>Implementar medidas para assegurar o conforto do paciente.</p><p>Oferecer apoio emocional.</p><p>Comunicar o estado emocional do paciente aos outros membros da equipe</p><p>de saúde que precisam saber dessa informação e deixá-la registrada.</p><p>Fonte: Pellico (2014, p. 97).</p><p>#pratodosverem: quadro com duas colunas e duas linhas com exemplos de atividades</p><p>de enfermagem realizadas no período pré-operatório, as quais estão divididas em</p><p>“condutas pré-admissionais” e “internação na unidade ou no centro cirúrgico”.</p><p>48</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Várias orientações acerca dos cuidados que serão dispensados ao paciente na</p><p>fase do pós-operatório também são reforçadas no pré-operatório.</p><p>Na fase do pré-operatório, deve-se explicar ao</p><p>paciente que ele precisa ter um papel ativo no</p><p>pós-operatório para que a recuperação seja rápida,</p><p>realizando os exercícios respiratórios necessários, a</p><p>movimentação no leito e a deambulação precoce</p><p>a fim de prevenir complicações respiratórias,</p><p>cardiovasculares e úlceras por pressão. Fonte:</p><p>Carvalho; Bianchi (2016, p. 40).</p><p>Portanto, a fase do pré-operatório é considerada um momento importante</p><p>em que o cuidado é efetivado. Mesmo diante de uma cirurgia considerada</p><p>simples pelo profissional de enfermagem e/ou pelo médico, é essencial que o</p><p>enfermeiro faça parte do preparo tanto físico quanto emocional do paciente,</p><p>pois, assim, os riscos cirúrgicos podem ser menores, contribuindo para resul-</p><p>tados e recuperação melhores (Oliveira et al., 2019).</p><p>A seguir, daremos sequência com a assistência de enfermagem na fase intra-</p><p>operatória.</p><p>2.1.2 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA</p><p>FASE INTRAOPERATÓRIA</p><p>A fase intraoperatória começa quando o paciente é admitido no bloco cirúr-</p><p>gico e perdura até a admissão dele na unidade de recuperação anestésica</p><p>(Potter, 2018).</p><p>Nesse período, as funções do enfermeiro são pautadas na assistência e nos</p><p>cuidados voltados para minimizar os riscos aos quais o paciente está suscetí-</p><p>vel durante o ato cirúrgico, principalmente em virtude do tempo de cirurgia e</p><p>do posicionamento cirúrgico (Oliveira et al., 2019; Hinkle; Cheever, 2020).</p><p>49</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Bisturi elétrico: instrumento utilizado durante</p><p>procedimentos cirúrgicos de pequeno, médio</p><p>ou grande porte que auxiliam no corte e/ou na</p><p>coagulação dos tecidos por meio da liberação de</p><p>corrente elétrica de alta frequência.</p><p>Precisamos relembrar que toda cirurgia exige um posicionamento específico.</p><p>Por esse motivo, cabe ao enfermeiro realizar um diagnóstico de enfermagem</p><p>pautado em fatores intrínsecos e extrínsecos de cada paciente, sempre alme-</p><p>jando reduzir, ao máximo, os fatores de risco que podem desencadear com-</p><p>plicações, como lesão por pressão (LPP), ou situações mais agudas, como a</p><p>síndrome compartimental que ocorre em consequência do posicionamento</p><p>cirúrgico por longo período, ou até mesmo o risco de queimadura provocado</p><p>pelo uso de bisturis elétricos (Oliveira et al., 2019; Moorhead, 2020; Butcher,</p><p>2020; Herdman; Kamitsuru; Lopes, 2021).</p><p>Síndrome compartimental: caracteriza-se pelo</p><p>aumento de pressão em um compartimento</p><p>corporal, promovendo a redução da perfusão</p><p>capilar, o que leva à isquemia. Se houver demora no</p><p>diagnóstico da síndrome, pode ocorrer um dano</p><p>neuromuscular permanente, e a realização da</p><p>fasciotomia descompressiva pode ser necessária.</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2019, p. 120).</p><p>A seguir, detalhamos os principais fatores intrínsecos que podem desencade-</p><p>ar LPP durante procedimentos cirúrgicos:</p><p>Idade</p><p>Extremos de idade tendem a ter peles mais sensíveis.</p><p>50</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>Peso corporal</p><p>Extremos de peso – pessoas muito magras ou muito gordas – podem</p><p>potencializar o surgimento de lesões.</p><p>Estado nutricional</p><p>Desnutrição e desidratação também podem potencializar o</p><p>surgimento de lesões.</p><p>Doenças crônicas</p><p>Diabetes mellitus, vasculopatias, neuropatias etc.</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2019, p. 120).</p><p>Na sequência, apresentaremos os fatores extrínsecos que podem favorecer o</p><p>aparecimento da LPP.</p><p>Tipo e tempo de cirurgia</p><p>Procedimentos com duas horas ou mais podem comprometer a</p><p>oxigenação dos tecidos em razão da compressão.</p><p>Anestesia</p><p>Em função da perda de proteção fisiológica compensatória.</p><p>Problemas no controle da temperatura corporal</p><p>A hipotermia pode ocasionar a hipóxia tecidual, favorecendo o</p><p>aparecimento de lesões.</p><p>51</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Posições cirúrgicas e imobilizações por posicionamento</p><p>São fatores de risco para a LPP.</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2019, p. 120).</p><p>Nesse contexto, o enfermeiro e sua respectiva equipe de enfermagem devem:</p><p>CUIDADOS DE ENFERMAGEM NO INTRAOPERATÓRIO</p><p>Assegurar um ambiente asséptico.</p><p>Gerenciar os recursos humanos, os equipamentos e os materiais.</p><p>Transferir o paciente para a mesa cirúrgica, colocando-o em</p><p>alinhamento funcional e aplicando as contenções na mesa cirúrgica.</p><p>Iniciar as medidas para atenuar as úlceras de pressão</p><p>e as lesões na pele.</p><p>Expor a área do corpo a ser operada.</p><p>Aplicar o dispositivo de aterramento no paciente.</p><p>Preencher a documentação intraoperatória.</p><p>Fonte: adaptado de Pellico (2014, p. 97).</p><p>#pratodosverem: figura formada por oito retângulos amarelos</p><p>com os cuidados de enfermagem no intraoperatório.</p><p>Na sequência, vamos abordar a assistência de enfermagem na fase pós-operatória.</p><p>52</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>2.1.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA FASE</p><p>PÓS-OPERATÓRIA</p><p>O pós-operatório começa a partir do momento em que o paciente é recebido</p><p>na sala de recuperação pós-anestésica e é dividido em três fases:</p><p>1. Pós-operatório imediato.</p><p>2. Pós-operatório mediato.</p><p>3. Pós-operatório tardio.</p><p>FASES DO PÓS-OPERATÓRIO</p><p>Imediato Mediato Tardio</p><p>• 12 a 24 horas após o</p><p>término da cirurgia.</p><p>• Varia conforme o</p><p>porte, a gravidade</p><p>da cirurgia e o estado</p><p>do paciente.</p><p>• Inicia nas primeiras</p><p>24 horas até a</p><p>alta hospitalar.</p><p>• Tempo de duração</p><p>variável conforme</p><p>cirurgia:</p><p>◦ cirurgia de menor</p><p>porte – em torno de</p><p>2 a 4 dias.</p><p>◦ cirurgia de grande</p><p>porte – em torno de</p><p>7 a 10 dias.</p><p>• Inicia ao término</p><p>do mediato.</p><p>• Duração de 1 a 2</p><p>meses, até a completa</p><p>cicatrização da ferida</p><p>cirúrgica ou até a fase</p><p>de ganho ponderal.</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira; Bitencourt et al. (2019, p. 121).</p><p>De acordo com esses conceitos, destaca-se a importância da presença do en-</p><p>fermeiro durante a fase do pós-operatório. Para aprimorar a assistência de en-</p><p>fermagem nessa fase, é indispensável a visita pós-operatória. Com esse sim-</p><p>ples procedimento, é possível que o enfermeiro consiga identificar situações</p><p>que necessitem de intervenção imediata (Razera; Braga, 2011).</p><p>53</p><p>MULTIVIX EAD</p><p>Credenciada pela portaria MEC nº 767, de 22/06/2017, Publicada no D.O.U em 23/06/2017</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA SAÚDE DO ADULTO II</p><p>Assim, a finalidade da visita pós-operatória compreende (Razera; Braga, 2011,</p><p>p. 633):</p><p>• Identificar problemas, percepções e expectativas que demandem ações da</p><p>enfermagem.</p><p>• Conhecer hábitos individuais do paciente que facilitem a adaptação dele à</p><p>unidade e ao tratamento.</p><p>• Estabelecer uma relação interpessoal com o paciente e os familiares.</p><p>• Tentar abranger a totalidade do paciente nos seus aspectos</p><p>biopsicossocioespirituais.</p><p>• Individualizar a assistência de enfermagem de acordo com as necessidades</p><p>de cada paciente.</p><p>• Fornecer subsídios para a tomada de decisão quanto às condutas de</p><p>enfermagem.</p><p>A visita de enfermagem, na fase do pós-operatório, faz parte da continuidade</p><p>da assistência de enfermagem iniciada no pré-operatório. Assim, o enfermeiro</p><p>deve prestar uma assistência de qualidade, dinâmica, participativa, integrada,</p><p>particular</p>