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Júlia Cunha Serra RESUMO D2 PMSUS – 8ª FASE OT4 (PARTE 1 – OFTALMOLOGIA) Olho vermelho: • Sinal representado pela hiperemia da conjuntiva bulbar • Qualquer doença que afete a córnea, a conjuntiva, a íris ou o corpo ciliar pode se expressar por olho vermelho. • Causas: Þ Causas mais comuns = conjuntivites bacteriana, viral ou alérgica Þ Causas graves que devem ser consideradas = glaucoma agudo, iridociclite, queimadura física/química, herpes simples oftálmico Þ Causas frequentemente esquecidas = corpo estranho, erosão de córnea, blefarite • Sinais de alerta que indicam necessidade de referência ao oftalmologista: Þ Diminuição da acuidade visual Þ Dor ocular profunda Þ Reflexo pupilar ausente ou diminuído Þ História de trauma Þ Hipópio = pus na câmara anterior do olho Þ Hifema = sangue na câmara frontal do olho Conjuntivite: • Processo inflamatório da conjuntiva, em geral secundário a uma infecção bacteriana ou viral, ou a uma reação alérgica. • Grande maioria é autolimitada e tem pouca morbidade. • A obtenção de culturas conjuntivais é geralmente reservada para casos de suspeita de conjuntivite infecciosa neonatal, conjuntivite recorrente, conjuntivite resistente à terapia, conjuntivite com secreção purulenta grave e casos suspeitos de infecção gonocócica ou por clamídia. • Bacteriana = secreção mucopurulenta, conjuntivas lisas e inflamadas, com pontos vermelhos, sem adenopatia pré-auricular; transmissível. • Viral = secreção mais aquosa, folículos translúcidos circundados por vasos sanguíneos, adenopatia pré-auricular; transmissível. • Alérgica = ardência, prurido, secreção mucoide, história de exposição a substancia alergênica. • O manejo do indivíduo com conjuntivite infecciosa deve iniciar com a orientação do paciente e de sua família sobre cuidados com a higiene das mãos, soluções oftálmicas e toalhas. • A secreção palpebral deve ser limpa com gaze umedecida com água limpa e fervida. Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Júlia Cunha Serra • O uso de lentes de contato deve ser interrompido por pelo menos 24 horas após o término do tratamento ou até não haver mais sinal ou sintoma de doença infecciosa ocular. • Na conjuntivite bacteriana, o uso de antibiótico tópico pode ser considerado para diminuir o tempo de resolução dos sintomas, bem como o tempo de infecção à colírios de cloranfenicol, a 0,5% (1 gota de 2/2 horas por 2 dias; após, 1 gota de 4/4 horas por 5 dias durante a vigília), gentamicina, neomicina + polimixina B, tobramicina, ofloxacino e cloridrato de ciprofloxacino B. Þ Para pctes que usam lente os colírios com fluoroquinolonas são preferidos, e deve-se considerar encaminhar p/ oftalmo. • Não existe tratamento curativo para a conjuntivite viral. Para evitar infecção bacteriana secundária, pode ser utilizado antibiótico tópico por 10 a 14 dias. • Os pacientes com conjuntivite alérgica devem ser orientados a remover lentes de contato, evitar exposição a alérgenos e não esfregar os olhos. A aplicação de compressas frias sobre o local afetado é recomendada. Pode ser considerado o uso de vasoconstritores tópicos, estabilizadores de mastócitos, e anti-histamínicos. • Em casos de conjuntivite que não melhoram em 1 semana, o paciente deve ser encaminhado ao oftalmologista. Iridociclite: • É a inflamação da íris e do corpo ciliar. • Manifesta-se por forte dor ocular, visão borrada, fotofobia e lacrimejamento. • Ao exame, nota-se hiperemia pericorneana de tom violáceo. O olho afetado costuma apresentar uma pupila pequena (miose), fixa e irregular. • Trata-se de uma uveíte anterior, condição geralmente associada a doenças infecciosas ou sistêmicas, como tuberculose, sífilis, herpes, citomegalovirose, toxoplasmose, sarcoidose, artrite reumatoide e espondiloartropatia soronegativa, especialmente a espondilite anquilosante. Þ Logo, o diagnóstico de iridociclite deve alertar o médico para a investigação de doenças reumatológicas ou infecciosas. • O tratamento inicial consiste na aplicação de corticoides tópicos, colírios de atropina a 1% e outros midriáticos. • O paciente deve ser encaminhado prontamente ao oftalmologista. Glaucoma agudo: • Embora raro, é uma situação clínica de extrema gravidade, uma verdadeira urgência médica. • Apresenta-se com forte dor ocular, visão muito diminuída, fotofobia e lacrimejamento intenso. • O globo ocular torna-se difusamente vermelho. Há grande edema de córnea, com pressão ocular muito elevada e consistência dura à palpação bidigital do globo ocular (consistência pétrea). • Se houver suspeita de glaucoma agudo de ângulo fechado, o paciente deve ser referenciado imediatamente para avaliação com oftalmologista. • Se o encaminhamento não puder ser realizado, pode-se iniciar o tratamento de emergência no local: Þ Deitar o paciente em decúbito dorsal em superfície plana, sem o apoio de travesseiros sob a cabeça; Þ Mióticos (colírio de pilocarpina a 2%) de 15/15 minutos; Þ Diuréticos (acetazolamida 250 mg, por via oral, de 6/6 horas, e/ou manitol a 20%, 250 mL, 70 gotas/minuto por via intravenosa); Þ Após normalizada a cifra tensional intraocular, o paciente deve ser encaminhado ao oftalmologista para procedimento cirúrgico que reduz permanentemente a pressão intraocular e evita danos maiores ao nervo óptico. Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Victor hugo Tonietto Júlia Cunha Serra • OBS: Convém tratar preventivamente o outro olho, o qual anatomicamente poderá ter também estreito ângulo camerular (espaço entre a íris e a córnea). Utiliza-se, no outro olho, colírios de pilocarpina a 2%, 4×/dia, visando manter pupila miótica e, assim, impedir o fechamento do ângulo camerular. Corpo estranho: • Corpos estranhos constituem, logo após as conjuntivites, a maioria dos casos de atendimento oftalmológico de urgência. • O quadro clínico consiste em dor, fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho e, em geral, história de trauma prévio. • Após a instilação de algumas gotas de colírio anestésico (cloridrato de proximetacaína a 0,5%) com auxílio de uma boa iluminação e, às vezes, de uma lupa, na maioria dos casos se localiza o corpo estranho. Por vezes, é necessário inverter a pálpebra superior. • Para remover um corpo estranho da conjuntiva, pode-se usar um cotonete molhado com colírio anestésico ou uma pinça sem dentes. • Já a remoção de corpo estranho da córnea é mais difícil, tenta-se irrigando SF estéril na direção do corpo estranho ou passando levemente o cotonete molhado; em último caso tem como utilizar agulha de insulina. • Se não der certo à encaminha para oftalmo • As suspeitas de corpo estranho adicional,laceração da esclerótica ou perfuração de córnea (pode reduzir a peofundidade da câmara anterior ou ocorrer perda de líquido intraocular da córnea) são indicações de encaminhamento imediato a serviço de oftalmologia. • Casos com corpo estranho metálico na córnea por mais de 1 dia também demandam encaminhamento. • A infecção ocular por corpo estranho é rara, porém, em razão de sua potencial gravidade, está indicado que, após a remoção do corpo estranho, seja administrado antibiótico tópico nas primeiras 24/48h Erosão de córnea: • Ocorre por desepitelização de um setor da córnea, após trauma com objetos pequenos como pontas de lápis, unhas, lentes de contato, etc. • O paciente queixa-se de sensação de corpo estranho, ardência, fotofobia e dor local. • Elas podem ser vistas com a ajuda de iluminação oblíqua da córnea com uma lanterna. A aplicação de corante de fluoresceína destaca a área danificada. • Afastada a possibilidade de corpo estranho, pode-se prosseguir para o tratamento. • Pequenas lesões curam espontaneamente em 12 a 24 horas. • Analgésicos orais podem ser prescritos de acordo com a necessidade. • Os casos em que a dor persiste 48 horas após a consulta devem ser encaminhados a um oftalmologista. • NÃO é recomendado: colírios anestésicos, colírios de esteroides, AINES tópicos e curativo oclusivo. Queimaduras químicas: • Embora menos comuns, as queimaduras químicas exigem tratamento imediato e adequado. • Quando produzidas por agentes alcalinos, podem prejudicar a visão do paciente definitivamente. • Os agentes ácidos produzem quadros oculares menos graves. • O tratamento para ambas as condições consiste em lavagem imediata e demorada do olho atingido com qualquer fonte de água disponível, analgésicos sistêmicos, colírio de atropina e corticoide, além de oclusão com pomada de antibiótico. • O paciente deve ser encaminhado rapidamente ao oftalmologista. Þ Sendo que no trajeto pode-se permanecer irrigando os olhos afetados abundantemente com SF Júlia Cunha Serra Queimaduras físicas: • Queimaduras físicas são infrequentes. • Costumam ocorrer após exposição à irradiação ultravioleta (solda elétrica) sem a devida proteção com óculos de segurança especiais. • Os sintomas surgem 10 a 12 horas após a exposição, com intensa dor e vermelhidão ocular, blefarospasmo (contrações involuntárias dos músculos das pálpebras, causando a sensação de que os olhos estão “pulando”), fotofobia e lacrimejamento. • Em geral, o paciente não associa esses sintomas à sua causa. • O tratamento consiste em curativo oclusivo com pomada de antibiótico binocular, sedação e repouso por 24 horas Hemorragia subconjuntival: • A presença localizada de coleção sanguínea entre a conjuntiva e a esclerótica, com margens limitadas, é característica de hemorragia subconjuntival (hiposfagma). • O paciente é assintomático e só percebe a lesão ao se olhar no espelho ou ao ser avisado por terceiros. • Embora não seja grave, pode causar preocupações em razão de seu aspecto. • É importante tranquilizar o paciente e seus familiares, informando-os acerca da remissão espontânea em 1 a 2 semanas. • Geralmente ocorre devido pequenos traumas, uso de lentes, esfregar os olhos com força ou considerada idiopática. • Quando recorrente, investigar HAS, DM, distúrbios hemorrágicos, neoplasias, ... Síndrome do olho seco: • O filme lacrimal é classicamente dividido em três camadas: a de mucina, aderida ao epitélio corneano, a aquosa, intermediária, e a lipídica, mais superficial, que impede a sua evaporação. • Na forma mais frequente, a deficiência de produção desta última leva à evaporação precoce da lágrima e ao quadro de olho seco. Isso explica o fato de o aparente paradoxo do lacrimejamento ser um dos sintomas de olho seco. • As situações que levam ao olho seco por deficiência de produção aquosa estão mais relacionadas com doenças reumatológicas (síndrome de Sjögren) e deficiências primárias ou secundárias da glândula lacrimal. • Os sintomas dessa síndrome são principalmente: sensação de areia/corpo estranho, irritação, olho vermelho, ardência, queimação, prurido ocular, lacrimejamento, fotofobia, secreção mucosa e embaçamento da visão. • Nos portadores de olho seco leve/moderado os sintomas costumam aparecer com a exposição à fatores externos como vento e ar seco, ou quando o indivíduo faz atividade que diminuem a frequência do piscar (leitura, direção, ...) • Avançar da idade, uso de medicamentos e doenças sistêmicas são causas comuns • Deve-se orientar o paciente a evitar condições que pioram o quadro, como utilização de alguns fármacos (anti-histamínicos tópicos e sistêmicos), uso de lentes de contato, tabagismo, entre outros. • Os colírios lubrificantes – também chamados de “lágrimas artificiais” – são soluções hipo ou isotônicas contendo eletrólitos, surfactantes e agentes de diferentes viscosidades. Quanto Júlia Cunha Serra mais viscoso o agente, maior o tempo de duração de efeito lubrificante, porém as formulações mais viscosas (em gel) costumam causar um borramento visual desagradável logo após sua aplicação, sendo muitas vezes reservadas para uso à noite. • Os colírios contendo soluções vasoconstritoras (fenilefrina, nafazolina) têm seu emprego bastante difundido pela população em função de sua disponibilidade para venda sem necessidade de receita médica, baixo custo e efeito descongestionante imediato. De forma geral, essas formulações não são adequadas para o tratamento do olho seco, e seu uso crônico é contraindicado em função dos efeitos colaterais locais e sistêmicos decorrentes de seu abuso. • O uso tópico de mel de Manuka tem sido apontado como método que pode melhorar a lubrificação ocular, contribuindo para redução da necessidade de aplicação de colírios lubrificantes. • Suplementação de ômega-3 e óleo de linhaça precisa de mais evidências. • O encaminhamento ao oftalmologista deve ser considerado em casos com suspeita de doença subjacente causando o olho seco ou quando, após 4 semanas de medidas terapêuticas, não houver melhora dos sintomas. Pterígio: • É um crescimento fibrovascular da conjuntiva sobre a córnea, geralmente em direção ao seu ápice. • Importante relação com exposição solar. • A sintomatologia causada pelo pterígio está mais relacionada com a instabilidade do filme lacrimal provocada pela irregularidade na superfície da córnea: ardência, sensação de corpo estranho e vermelhidão ocular. • Mais raramente, pterígios que chegam a acometer a região pupilar e o ápice corneano podem causar significativa redução da acuidade visual. • O tratamento do pterígio costuma ser clínico quando pequeno e pouco sintomático e consiste no uso de colírios lubrificantes em uma frequência de acordo com a necessidade. • O tratamento cirúrgico é indicado quando a sintomatologia é importante e não apresenta resposta adequada ao tratamento clínico, bem como nos casos em que o crescimento do pterígio ameaça cobrir a pupila e a região central da córnea. Hordéolo e calázio: • O hordéolo a infecção aguda das glândulas palpebrais, popularmente conhecido como terçol. • Pode ser classificado como interno (acometendo as glândulas tarsais ou de Meibomius) ou externo (acometendo as glândulas acessórias dos complexos pilossebáceos ou glândulas de Zeis). Júlia Cunha Serra • Em geral, são processos agudos com sinais flogísticos clássicos (calor, hiperemia, edema e dor) e costumam apresentar resolução após a drenagem espontânea de seu conteúdo. • O calázio é o cisto com retenção crônica de material sebáceo, geralmente resultante de um hordéolo interno que não teve drenagem espontânea e que já não apresenta mais sinais significativos de inflamação aguda. • Os hordéolos costumam ser tratados com compressas mornas por 5 a 10 minutos (3-4 ×/dia), além de pomadas de associação antibiótico + corticoide (tobramicina + dexametasona,ciprofloxacino + dexametasona, ou neomicina + polimixina B + dexametasona). Þ Em geral, leva de 1 a 3 semanas para resolver completamente. • O tratamento do calázio é realizado com compressas mornas quando o paciente é sintomático ou há comprometimento cosmético. Não há benefício de adição de antibióticos tópicos ou orais na ausência de sinais de celulite. Þ Quando for lesão mais antiga, sem sinais flogísticos vai precisar de uma terapia mais invasiva à encaminhar • Sinais de alerta que justificam encaminhamento são edema periorbital, protrusão do globo ocular, visão dupla, redução do movimento ocular, redução da acuidade visual, mal-estar sistêmico. Blefarite: • Se refere à inflamação crônica das margens palpebrais. • Pode estar associada à disfunção seborreica ou contaminação por Staphylococcus aureus (blefarite anterior) ou à disfunção das glândulas de Meibomius (meibomite). • Ambos os casos podem levar a um quadro de olho seco e irritação ocular crônica, bem como predispor ao surgimento de hordéolos e calázios. • A blefarite é também um achado comum nos pacientes com rosácea, assim como em outras doenças sistêmicas. • O diagnóstico é sugerido por sintomas de prurido, queimação e fincadas na pálpebra em ambos os olhos, piores pela manhã. Þ Os sintomas são frequentemente intermitentes, com exacerbações e remissões ocorrendo durante longos períodos. • Ao exame, as laterais das pálpebras estão inflamadas e vermelhas, e podem apresentar crostas: Júlia Cunha Serra • O tratamento na realização de higiene palpebral, no início 2 ×/dia e depois diariamente, com xampu neutro ou produtos específicos para esse propósito (p. ex., óleo de amêndoa + álcool etílico + metilparabeno, Blephagel®). • No início do tratamento, ou em períodos de exacerbação, pode ser utilizada também pomada de antibiótico associado ou não a corticoide por 7 a 14 dias. Diagnóstico diferencial: Júlia Cunha Serra Alteração da visão: • A forma mais simples de diagnosticar a limitação da visão é medir a acuidade visual com a escala de Snellen (5-6m de distância). Um paciente apresenta limitação da visão quando não enxerga um ou mais números ou letras da escala. • Cegueira legal = quando o paciente, mesmo com o auxílio de recursos ópticos, não consegue distinguir o maior símbolo (20/200) da escala de Snellen ou similares. (incapacidade laboral) • Cegueira total (amaurose) = é a incapacidade absoluta de perceber a presença de uma fonte luminosa próxima. • As causas de limitação de visão podem ser divididas em: defeitos ópticos e patologias do globo ocular ou das vias ópticas • Defeitos ópticos: Þ Miopia: o Diminuição da visão para longe. o Se inicia na infância, desenvolvendo-se de modo gradual até os 30 anos. o Hereditária. o Corrigida com óculos, lentes de contato e, mais recentemente, com algumas técnicas cirúrgicas como a fotoablação corneana por raio laser. Þ Hipermetropia: o Diminuição da visão para perto. o Condição fisiológica ao nascimento, diminuindo progressivamente durante a infância. o Algumas formas de estrabismo são desencadeadas por hipermetropias não corrigidas. o A melhor maneira de proporcionar conforto visual aos pacientes é pelo uso de óculos de grau ou lentes de contato. Þ Astigmatismo: o Resulta de graus variáveis de refração no olho, com distorção da visão. o É a condição vista com mais frequência em consultórios de oftalmologia. o Uma parte considerável da população é portadora de sintomas desagradáveis, como cefaleia, decorrentes desse vício de refração não corrigido. o Em geral, a acuidade visual é boa nos graus baixos e muito comprometida nos graus elevados. o A correção é feita por meio de óculos ou lentes de contato. o Cirurgia refrativa Þ Presbiopia: o É uma situação considerada fisiológica. o Surge de modo gradual, próximo dos 40 anos de idade, independentemente de sexo, profissão ou utilização excessiva dos olhos. o O paciente queixa-se de dificuldade visual para perto, sobremaneira em atividades como ler. o A correção é feita com lentes de óculos (bifocais ou multifocais) ou com lentes de contato. • Doenças do globo ocular: Þ Catarata: o Opacificação da lente (cristalino) Júlia Cunha Serra o Trata-se de uma patologia própria dos pacientes idosos (catarata senil) ou com alterações metabólicas (catarata diabética), embora também possa estar associada a uso de fármacos (p. ex., esteroides), tabagismo, exposição prolongada à radiação solar, trauma ocular ou presença de afecções como uveíte. o Os sintomas típicos da catarata incluem visão turva (dificuldade para ler e reconhecer faces), dificuldade para enxergar à noite, aumento da sensibilidade ocular à luz e presença de halo claro ao redor de focos de luz. o O exame pode demonstrar redução da acuidade visual, pupila branca e teste do reflexo vermelho diminuído. o O único tratamento efetivo para catarata é a remoção do cristalino opaco por intermédio de técnica cirúrgica. A cirurgia é eletiva e sua indicação depende do grau de incapacidade visual do paciente. Þ Glaucoma: o É um grupo de afecções oculares em que o dano progressivo do nervo óptico leva à disfunção da visão, podendo provocar cegueira. o Em geral, é associado à elevação da pressão intraocular, e apresenta-se sob três formas clínicas: agudo, crônico e congênito. o No glaucoma agudo, o paciente apresenta limitação súbita da visão, olho intensamente vermelho e dolorido e com pressão intraocular muito elevada. o No glaucoma crônico, o paciente é assintomático e a limitação da visão inicia-se por uma restrição do seu campo visual, sendo que a visão central só é atingida nas etapas mais finais da doença, e é sempre irreversível. O diagnóstico é feito por tonometria, análise dos campos visuais ou escavação acentuada da papila ao exame oftalmoscópico. O oftalmologista que trata (com betabloqueadores, análogos da prostaglandina, simpatomiméticos, inibidores da anidrase carbônica, ou em alguns casos com cirurgia). o O glaucoma congênito caracteriza-se por globos oculares de tamanho aumentado (buftalmia – “olho de boi”), fotofobia, blefarospasmo e lacrimejamento. As córneas também têm diâmetro aumentado e são pouco transparentes. O tratamento cirúrgico deve ser instituído imediatamente para normalizar as cifras tensionais. • Há, ainda, outras doenças que podem causar limitação da visão, como as patologias da retina e da úvea. Þ Retinite pigmentar = redução da visão noturna na infância Þ Maculopatia senil = perda da visão central Þ Retinopatia diabética Þ Descolamento da retina = aparecimento súbito de flashes de luzes (fotopsia), “moscas volantes” ou escotomas, seguido de turvamento visual unilateral com piora progressiva (sensação de sombra atrapalhando visão) Þ Hemorragia do vítreo = “moscas volantes” podendo estar associada de perda súbita da visão unilateral Þ Uveíte Júlia Cunha Serra Þ Neurite óptica = perda de visão unilateral progressiva, desconforto retro-ocular com movimento dos olhos Þ Perda súbita da visão transitória pode estar associada a oclusão de vasos • Diagnóstico diferencial = se dá principalmente pelo tempo de evolução dos sintomas: OT4 (PARTE 2 – OTORRINO) Epistaxe: • Caracterizada por qualquer tipo de sangramento proveniente do nariz. • Pode ocorrer em todas as faixas etárias, com distribuição de idade bimodal, sendo mais comum em crianças com idade 70 anos. • Vale ressaltar duas áreas com relevância clínica nas epistaxes: o plexo de Kiesselbach, ou área de Little, com importância nos sangramentos anteriores, que se localiza na área septal anteroinferior, onde desembocam os ramos terminais das artérias carótidas interna e externa, e a área de Woodruff, relevanteem sangramentos posteriores, que se encontra posteriormente à concha média. • Causas: Júlia Cunha Serra Þ Em crianças é muito comum trauma induzido pela manipulação constante do nariz ou corpos estranhos na cavidade nasal. o Corpo estranho em fossa nasal à rinorreia purulenta ou piossanguinolenta unilateral com odor fétido Þ Tumores malignos são raros, mas uma epistaxe recidivante com obstrução unilateral é sinal de alerta Þ Homem adolescente à angiofibroma nasofaríngeo Þ Na prática clínica, as causas medicamentosas de epistaxe são bastante relevantes e prevalentes. o Cerca de 24 a 33% de todos os pacientes hospitalizados por epistaxe utilizam fármacos anticoagulantes ou antiplaquetários. o Outras medicações relacionadas com a condição são os inibidores da fosfodiesterase-5, vasodilatadores utilizados principalmente para disfunção erétil, sendo epistaxe o efeito colateral mais frequente desses fármacos. o Sprays nasais com corticoide tópico aumentam a frequência de sangramentos locais. • No exame físico deve ser feito a rinoscopia anterior com espéculo nasal, associada à aplicação de vasoconstritor tópico se houver sangramento ativo • Além do revestimento nasal, as superfícies mucosas da cavidade oral e faringe são examinadas, pois podem ser fontes secundárias de sangramento. • Exames complementares: Þ Se o sangramento é brando e não recorrente, a investigação laboratorial não está indicada. Júlia Cunha Serra Þ Na epistaxe recorrente ou intensa, está indicada a dosagem do nível de hemoglobina Þ Tempo de protrombina (TP) se paciente for anticoagulado Þ TC pode ser solicitada para auxílio no diagnóstico nos casos de epistaxe recorrente de etiologia não definida, especialmente no diagnóstico diferencial de tumores. • Conduta: Þ Compressão nas narinas, aplicação de gelo na parte de trás do pescoço, posição sentada 90º inclinada um pouco para frente o Pode-se associar a compressão um vasoconstritor tópico Þ Observar por 30min Þ Creme nasal antisséptico Þ Se o sangramento recomeçar à rinoscopia anterior à nitrato de prata/eletrocautério Þ Origem do sangramento não identificada e/ou posterior à tamponamento nasal em caráter de urgência o O tampão pode ser feito com gaze em fita esterilizada impregnada com vaselina, colocada na base do nariz, estendendo-se por toda a cavidade nasal o Tampão de dedo de luva = feito cortando-se o dedo de uma luva cirúrgica e preenchendo seu interior com esponja ou gaze e lubrificando-o com vaselina ou pomada de ATB antes de introduzi-lo na cavidade nasal; sempre fixar ele depois o O tamponamento é removido, em geral, após 48 a 72 horas pelo clínico, que deve orientar o paciente a evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroides e atividades físicas vigorosas por 1 semana. o Complicações = isquemia, rinossinusite, ... Þ Se paciente instável à encaminhar para otorrinolaringologia e repor volume • Fármaco com ação antifibrinolítica, o ácido tranexâmico (TXA) 500 mg, 3 ×/dia por 7 dias (para crianças: dose de 10 mg/kg), ou aplicado topicamente diminui o ressangramento • Medidas profiláticas incluem umidificar o ambiente, evitar banhos quentes e exercícios extenuantes e aplicar soro fisiológico no nariz com frequência. Além disso, deve-se evitar assoar o nariz energicamente por 7 a 10 dias. • Encaminhar se: epistaxe refratária e/ou com repercussão hemodinâmica, suspeita de anormalidade anatômica, neoplasia ou doença crônica como hemofilia A, von Willebrand e uremia em crianças. Rinite: • Doença respiratória crônica mais prevalente do mundo • Afeta a qualidade de vida dos pacientes, interferindo na alimentação, na qualidade do sono e nas funções cognitivas, causando cansaço e irritabilidade. Em crianças, pode haver impacto no crescimento, no desenvolvimento neuropsicomotor e no aprendizado. • As infecções respiratórias são comorbidades frequentes, sendo comuns a otite média secretora, a faringotonsilite e as rinossinusites. Júlia Cunha Serra • O diagnóstico clínico das rinites é baseado principalmente na história clínica detalhada, com o relato de rinorreia posterior e anterior, hiposmia, espirros em salvas e obstrução nasal. • O prurido nasal, ocular ou faríngeo é o sintoma mais característico da alergia, caso esta seja a causa da rinite. • Na anamnese sempre lembrar de pesquisar história familiar de atopia • A rinite alérgica caracteriza-se por rinorreia mucoide e clara, enquanto a secreção purulenta em geral está associada a infecções. • Rinite alérgica: Þ A rinite alérgica pode ser classificada em quatro subgrupos: intermitente leve, intermitente moderada/grave, persistente leve, persistente moderada/grave. Þ Sintomas ocorrem após o contato de um alérgeno com anticorpos IgE sensibilizados acoplados a mastócitos e basófilos, induzindo sua degranulação. Liberando mediadores inflamatórios, dentre eles a histamina. Þ Os “alérgenos” são os antígenos de natureza proteica ou glicoproteica que induzem uma reação específica com o anticorpo IgE. Outras substâncias podem reagir como irritantes da mucosa nasal, funcionando como amplificadores da reação alérgica: poluentes externos, fumaça de cigarro, perfumes, cloro, cosméticos, mudanças climáticas, ar-condicionado, pelos de animais. Aeroalérgenos = ácaros, baratas e fungos. Þ Rinoscopia = as conchas nasais encontram-se hipertrofiadas, edemaciadas, pálidas e com rinorreia aquosa. Þ A radiografia de rinofaringe pode ser útil para o diagnóstico de obstrução nasal por hipertrofia da tonsila faríngea (adenoide) ou por outros processos tumorais da rinofaringe. Þ Testes alérgicos (skin prick test - SPT) • Rinite induzida por fármacos: Þ AINES, AAS Þ Betabloqueadores Þ Inibidor de fosfodiesterase (tadalafila, sildenafila, ...) Þ IECAs Júlia Cunha Serra Þ Psicotrópicos (risperidona, clorpromazina, alprazolam, amitriptilina, ...) Þ Ciclosporina Þ Hormônios com estrogênio Þ Anti-hipertensivos (hidroclorotiazida, hidralazina, ....) Þ Gabapentina • Rinite medicamentosa: Þ Efeito rebote do uso frequente de descongestionantes tópicos (não devem ser utilizados por mais de 5 dias consecutivos) • Rinite ocupacional: Þ Reação alérgica ou uma hiper-responsividade não alérgica a um agente presente no ambiente de trabalho. • Rinite infecciosa: Þ O rinovírus e os vírus influenza e parainfluenza são os germes mais envolvidos. Þ Espirros e prurido são sintomas geralmente relacionados a quadros não infecciosos, enquanto secreção purulenta, faringites e linfonodomegalia cervical são sugestivas de quadro infeccioso. Þ Principalmente nas crianças pode ter associado febre, mialgias, cefaleia Þ Pode ser aguda, aguda recorrente, crônica ou pode ocorrer exacerbação aguda da doença crônica. Þ A doença é autolimitada, com resolução em média dentro de 4 a 7 dias, a menos que ocorra infecção bacteriana secundária. Þ A rinite bacteriana é caracterizada por obstrução nasal, secreção mucopurulenta, dor facial e presença de crostas nasais Þ Os agentes etiológicos mais isolados são Streptococcus pneumoniae (20-35%) e Haemophilus influenzae (6-26%). • Rinite hormonal e rinite da gestação: Þ A rinorreia e a congestão nasal são sintomas passíveis de ocorrer durante o período menstrual, puberdade e gravidez, e em indivíduos com alterações endócrinas específicas, como hipotireoidismo, diabetes melito e acromegalia. Þ A rinite gestacional geralmente inicia no segundo mês, sintomas são mais graves no segundo trimestre, e em geral desaparecem depois do parto. Þ Lavagem nasal e por período e dose restritos budesonida Þ Não usar vasoconstritores tópicos • Rinite gustatória: Þ Os pacientes apresentam um tipo de rinite isolada pouco frequente, provocada pela ingestão de determinados alimentos, em geral contendo muitos condimentos, e álcool. Þ Não acompanha prurido ou congestão nasal. • Riniteeosinofílica não alérgica: Þ Quadro semelhante a alérgica porém com os testes cutâneos negativos e IgE sérica normal • Rinite vasomotora: Þ Atualmente chamada de rinite idiopática ou rinopatia não alérgica, manifesta-se como uma hiperresponsividade das vias aéreas superiores a agentes ambientais não específicos, como mudanças de temperatura e umidade, exposição ao tabaco e odores fortes. Júlia Cunha Serra Þ Caracteriza-se por rinorreia e obstrução nasal, sem prurido ou espirros, e ocorre principalmente em mulheres com idade entre 40 e 60 anos. Þ A história familiar de alergia e os testes cutâneos são negativos, a IgE sérica é normal e a citologia nasal mostra poucos eosinófilos. • Rinite do idoso ou rinite senil: Þ As alterações morfofuncionais advindas do processo fisiológico de envelhecimento que atingem a mucosa nasal deixam os idosos mais vulneráveis a sintomas como rinorreia, congestão nasal, gotejamento posterior, ressecamento da mucosa, crostas e hiposmia. Þ O tratamento recomendado é irrigação nasal sistemática com solução salina hipertônica • Rinite atrófica e síndrome do nariz vazio: Þ A rinite atrófica é uma doença inflamatória crônica que se caracteriza pela atrofia progressiva da mucosa e dos ossos da cavidade nasal, com formação importante de crostas, obstrução nasal, epistaxe e rinorreia fétida. O tratamento é paliativo, com remoção mecânica das crostas, irrigação com solução salina e ATB. Þ A síndrome do nariz vazio ocorre geralmente após a cirurgia de redução das conchas nasais, e os pacientes referem clínica semelhante à da rinite atrófica. Ambas podem ser diferenciadas pois, além de a rinite atrófica apresentar um volume muito maior de crostas, a síndrome do nariz vazio não está associada à infecção bacteriana. O tratamento é também paliativo. • Rinite autoimune, granulomatosa ou vasculítica: Þ No caso de uma rinite com crostas e epistaxes persistentes e quando as vias aéreas superior e inferior são acometidas, outros diagnósticos sistêmicos devem ser considerados – entre eles, os mais importantes são a granulomatose com poliangeíte, antigamente conhecida como granulomatose de Wegener, a granulomatose eosinofílica com poliangeíte, conhecida como síndrome de Churg-Strauss, a sarcoidose, e o lúpus eritematoso sistêmico. • Manejo: Þ Controle ambiental Þ Higiene nasal com solução salina Þ Os fármacos disponíveis para o tratamento da rinite são os anti-histamínicos, muito utilizados na rinite alérgica, os vasoconstritores orais e tópicos, os corticoides orais e tópicos, o cromoglicato dissódico e os antileucotrienos. Þ Em geral se inicia com anti-histamínico (anti-H1 de segunda geração), podendo associar corticoide tópico se sintomas graves; e se necessário tto adicional, adicionar loratadina Þ Recomenda-se o uso das menores doses possíveis dos corticoides intranasais pelo período mais curto possível. Þ Cromoglicato dissódico = estabilizador da membrana dos mastócitos, inibindo sua degranulação; menos eficaz do que os anti-histamínicos e corticoides para crises; sua indicação é na profilaxia de crises Þ Corticoides sistêmicos são reservados para casos graves, refratários ao tratamento com corticoides intranasais, em especial se associados à polipose nasal. As doses e o tempo de uso devem ser limitados, pelo risco de efeitos colaterais graves nas crianças. Þ Os antagonistas dos receptores de leucotrienos bloqueiam a ação dos leucotrienos liberados pelos mastócitos, granulócitos, macrófagos e monócitos em resposta ao estímulo antigênico. A eficácia dos antileucotrienos (montelucaste) no tratamento da rinite alérgica é inferior à dos anti-histamínicos e dos corticoides intranasais, devendo Júlia Cunha Serra ser usados apenas como segunda ou terceira linha de tratamento em caso de falha das primeiras opções. Þ Além da farmacoterapia, para casos específicos e persistentes, os tratamentos modificadores incluem a cirurgia, a imunoterapia alérgeno-específica e, mais recentemente, os agentes imunobiológicos. o A imunoterapia é indicada quando a higiene ambiental e a farmacoterapia são insuficientes para controlar os sintomas nasais, ou quando o tratamento farmacológico provoca efeitos indesejáveis. o O tratamento cirúrgico está incluído no rol de possibilidades terapêuticas de rinite alérgica, sendo indicado nos casos pacientes refratários ao tratamento clínico que apresentem alterações anatômicas nasossinusais. Rinossinusite: • Processo inflamatório que acomete a mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios paranasais. • As bactérias isoladas com mais frequência são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Streptococcus viridans, Moraxella catarrhalis e Staphylococcus aureus. • Entre os vírus, podem ser encontrados o rinovírus, o coronavírus, o vírus sincicial respiratório, o influenzavírus, o vírus da parainfluenza, o adenovírus e o enterovírus. Júlia Cunha Serra • Fatores de risco: infecção e procedimentos odontológicos, causas iatrogênicas (cirurgia nasossinusal, tubo nasogástrico, tamponamento nasal, ...), imunodeficiências, tabagismo, obstrução mecânica (desvio de septo, polipose nasal, ...), rinite • Quadro clínico: Obstrução, congestão, entupimento nasal ou rinorreia (anterior, gotejamento posterior), dor ou pressão facial, hiposmia ou anosmia, tosse • Classificação quanto ao tempo: Þ Rinossinusite aguda (RSA) = 10 dias, com duração 38 °C, aumento da PCR/VHS, ou recaída dos sintomas (double-sickening) • A solicitação de exames laboratoriais, a aspiração de secreção e a cultura não estão indicadas na avaliação inicial do paciente, mas devem ser consideradas nos casos de imunodeficiência ou na presença de complicações. • Exames de imagem: a TC de seios da face é o exame de imagem de escolha, auxiliar a confirmar o diagnóstico e verificar a extensão da doença. Þ Está especialmente indicada nos casos de difícil resposta ao tratamento clínico, nos casos recorrentes ou crônicos, na vigência de complicações e no planejamento cirúrgico. • Tratamento: Þ Solução salina = lavagem nasal com soluções salinas isotônicas Þ Corticoides tópico nasal = indicado mais nos quadros pós-virais e bacterianos (flunisolida, budesonida, ...) Þ Corticoides sistêmicos = indicados como adjuvantes do antibiótico p/ RSA bacteriana (prednisona, betametasona, ...), por 1-3 semanas à na viral NÃO Þ Antibióticos: o Em pacientes previamente hígidos com quadros agudos leves, não há necessidade de antibióticos, tendo em vista a etiologia viral na maioria dos casos. o Terapia inicial p/ adultos com doença leve = amoxicilina, amoxicilina- inibidores da betalactamase e cefalosporinas de segunda geração (axetilcefuroxima, cefprozila, cefaclor). o O sulfametoxazol + trimetoprima, a doxiciclina e os macrolídeos (azitromicina, claritromicina ou roxitromicina) estão indicados em pacientes alérgicos aos antibióticos β-lactâmicos. o Quadros recorrentes ou com resposta inadequada à antibioticoterapia podem receber altas doses de amoxicilina + clavulanato ou fluoroquinolonas respiratórias, como levofloxacino, moxifloxacino e gemifloxacino. o Na criança, por uma probabilidade maior da presença de Haemophilus influenzae resistente aos β-lactâmicos e de pneumococos com mutações na proteína receptora de penicilina, a amoxicilina em doses usuais (45 mg/kg) deve ser evitada em casos crônicos. Nos casos defalha do tratamento inicial, a amoxicilina deve ser preferencialmente associada aos inibidores da betalactamase. Þ Medidas adjuvantes: o Pacientes com fator a;lérgico subjacente = anti-histamínicos o Descongestionantes tópicos (no máx por 4 dias – cuidado com rinite medicamentosa) Júlia Cunha Serra o Alguns fitoterápicos, como Pelargonium sidoides B, mostraram redução significativa nos sintomas o Analgésicos para dor ou febre • Nos casos de RSC ou rinossinusite recorrente resistentes ao tratamento clínico, ou com sinais de alerta, o encaminhamento ao otorrinolaringologista está indicado Otite média: • Otite média aguda (OMA) é a presença de efusão na orelha média, associada ao início recente, geralmente súbito, de sinais e sintomas de inflamação da orelha média. • Otite média aguda recorrente (OMAR) é a ocorrência de 3 episódios de otite média aguda em 6 meses ou 4 episódios em 12 meses, com pelo menos 1 episódio nos últimos 6 meses. • Otite média com efusão (OME) é a presença de líquido na orelha média sem sinais ou sintomas de infecção aguda na orelha média. • Estima-se uma incidência anual da OMA em 10,8% da população, sendo que 51% dos casos ocorrem em crianças com idadeBactéria mais frequente é a Pseudomonas aeruginosa Þ Nesses casos, a mobilização da orelha e do canal auditivo externo é muito dolorosa, assim como a introdução do otoscópio. Visualizam-se edema e hiperemia importantes das paredes do canal, reduzindo o diâmetro e algumas vezes ocluindo o seu lúmen. A presença de secreção azul-esverdeada é típica de Pseudomonas, devido ao pigmento piocianina produzido pela bactéria: Þ Tratamento: o AINE para dor o Orientar não molhar a orelha durante o banho, prescrevendo-se o uso de protetores auriculares de silicone ou tampões de algodão embebidos em substancia oleosa o Esportes aquáticos devem ser evitados por 7-10 dias Júlia Cunha Serra o Composições contendo ácido acético a 2% em acetato de alumínio (para acidificar a pele) ou a 5% em álcool isopropílico (pelo efeito bactericida sobre Pseudomonas) podem ser aplicadas. o Antibiótico tópico = polimixina B, neomicina, gentamicina, cloranfenicol, ciprofloxacino Þ Pacientes em risco de desenvolver otite externa aguda grave ou otite externa necrotizante necessitam ser encaminhados para o especialista. Um escore baseado em evidências foi desenvolvido com o objetivo de identificar esses casos: • Otite externa crônica: Þ Ao contrário dos quadros agudos, tem como etiologia mais frequente reações alérgicas ou autoimunes, do que causa infecciosa. Þ Corresponde a menos de 5% das otites. Þ Em geral, o paciente reclama de prurido e irritação do canal, em vez de dor. Otorreia, plenitude aural (sensação de ouvido entupido, abafado ou com pressão) e otalgia Júlia Cunha Serra podem estar presentes, dependendo do grau de edema e inflamação do conduto auditivo. Þ Muitos pacientes experimentam um curso intermitente ao longo de anos com exacerbações e remissões e, por fim, podem apresentar agudizações. Þ A aparência otoscópica varia de acordo com a causa subjacente. Os achados mais comuns são pele seca e com algum grau de atrofia. A falta de cerume é comum. Þ Na suspeita de infecção por bactérias ou fungos, é prudente realizar swab para cultura. Þ O tratamento vai depender da identificação do agente causador, quando possível. Þ Uma vez que a maior parte dos casos são decorrentes de alergias ou condições dermatológicas inflamatórias, o tratamento inclui a remoção de agentes irritantes e o uso de corticoides tópicos e, em alguns casos, sistêmico. Þ Na suspeita ou na presença de bactérias, o tratamento inicial é feito com preparações contendo corticoides e antibióticos como polimixina B, neomicina, gentamicina, cloranfenicol e ciprofloxacino. • Otite externa fúngica: Þ Também conhecida como otomicose, esse tipo de otite acomete as porções mais profundas do canal auditivo externo e a membrana timpânica. Þ Ela é mais comumente causada por Aspergillus (A. niger, A. fumigatus, A. flavus) e Candida. Þ Há dois tipos: a infecção superficial (mais frequente) e a infecção profunda invasiva (rara) dos imunodeprimidos. Þ Fatores predisponentes: o O uso prolongado de gotas otológicas com esteroides. o Pessoas com micoses em outras regiões do organismo, como nas unhas, também estão mais propensas, em razão da autoinoculação secundária à manipulação da orelha. o Hiperglicemia Þ O principal sintoma é o prurido otológico; porém, nas fases mais avançadas, podem aparecer otalgia e otorreia, devido à infecção bacteriana secundária. Þ A otoscopia mostra um macerado epitelial com esporos e micélios evidentes. A coloração dos esporos altera-se com o tipo de fungo infectante: preto com A. niger, marrom com A. fumigatus e amarelo-esbranquiçado com A. flavus. Þ Tratamento: o Controle dos fatores predisponentes. o Remoção mecânica total dos fungos e do macerado epitelial. o Podem ser necessários antifúngicos tópicos na forma de soluções ou cremes contendo nistatina, cetoconazol, fluconazol e clotrimazol. Júlia Cunha Serra o Substâncias com iodo ou violeta de genciana também são úteis como fungicidas • Otite externa eczematosa: Þ A lesão da otite externa eczematosa envolve o canal externo e porções do meato e da concha e é caracterizada por vermelhidão, prurido, edema e uma transudação seguida da formação de crostas. Þ Deve-se diferenciar da dermatite de contato, que é reação alérgica a metais, substancias químicas, ... Þ Compressas úmidas com acetato de alumínio podem ser úteis por 24-48h Þ Após podem ser empregadas soluções ou unguentos de corticoides Þ Se suspeita de infecção à ATB tópico • Otite externa bolhosa: Þ Causada por P. aeruginosa Þ O sintoma principal é otalgia súbita e intensa. Þ Na otoscopia, visualizam-se vesículas hemorrágicas (violáceas) na pele da porção óssea do canal auditivo externo, sem envolvimento da membrana timpânica, o que a diferencia da miringite bolhosa, na qual as bolhas se restringem somente à membrana timpânica e em geral não são hemorrágicas. Þ A ruptura dessas vesículas pode gerar otorreia sanguinolenta Þ Tratamento = analgésicos sistêmicos + gotas de polimixina ou ciprofloxacino (ATB) • Otite externa maligna: Þ Também conhecida como otite externa necrosante, a otite externa maligna é uma infecção em geral produzida por Pseudomonas, progressiva e potencialmente letal, que inicia no canal auditivo externo, mas se dissemina envolvendo o osso temporal. Þ Os sintomas iniciais são similares aos da otite externa difusa, ou seja, dor e otorreia. Þ Costuma-se observar tecido de granulação, isto é, há formação de tecido de coloração avermelhada e facilmente hemorrágico ao toque localizado no canal auditivo externo, normalmente envolto por secreção amarelada. Þ Com a progressão da doença, a infecção dissemina- se para os tecidos moles adjacentes e para as estruturas ósseas, desenvolvendo-se osteíte ou osteomielite do osso temporal. Júlia Cunha Serra Þ Os casos graves com frequência mostram envolvimento de nervos cranianos, em especial do sétimo par, com paralisia facial. Þ Pacientes com suspeita desse diagnóstico devem ser encaminhados de maneira emergencial para um otorrinolaringologista ou serviço de emergência!! Þ Em geral, o tratamento requer hospitalização prolongada, de até 6 semanas, para a terapia intravenosa, mas alguns casos menos graves têm sido tratados com sucesso em ambulatório, com a utilização de ciprofloxacino oral • Tabela com resumão das otites externas: Júlia Cunha Serra Dor de garganta: • É causada, na maioria das vezes, por um processo inflamatório na faringe, nas tonsilas palatinas (antigamente chamadas de amígdalas) e na nasofaringe. • A maioria das dores de garganta é de origem viral e ocorre como parte do resfriado comum. • Diversos vírus (Epstein-Barr, herpesvírus simples, adenovírus, Coxsackie, da influenza, da parainfluenza, rinovírus, enterovírus, vírus sincicial respiratório e outros) e o estreptococo β- hemolítico do grupo A são os principais agentes etiológicos. • A infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A) é a causa mais comum de faringite aguda bacteriana e é responsável por cerca de 5 a 15% dos casos de dor de garganta nos adultos e 20 a 30% dos casos em crianças. Estes casos devem ser identificados e tratados corretamente, já que se não tratados podem levar a complicações: • Faringite viral: Þ Processo de início gradual acompanhado de febre, mal-estar e anorexia Þ Dor de garganta costuma ser moderada Þ Pode ter também conjuntivite, coriza, rinite, tosse, rouquidão, diarreia e adenomegalia dolorosa. Þ A conjuntivite associada à faringite por adenovírus é chamada de febre faringoconjuntival Þ Em geral a doença não persiste por mais de 5-7 dias • Faringite estreptocócica: Þ Início súbito, calafrios, dor de garganta intensa, cefaleia, dor abdominal, orofaringe hiperemiada com exsudato, petéquias no palato mole e adenite cervical anterior dolorosa é o quadro típico Þ Mas na maioriadas vezes as manifestações são menos específicas Þ Crianças com idadesobre a prevenção quaternária: • O sobrediagnóstico acontece quando pessoas têm um diagnóstico corretamente confirmado de uma doença, mas não têm sintomas nem teriam sua vida ameaçada pela doença no futuro. • Elas são tratadas (neste caso, sobretratadas) porque são indistinguíveis das pessoas diagnosticadas que adoeceriam. • Isso ocorre em grandes proporções nos rastreamentos, gerando o paradoxo da popularidade: pessoas sobrediagnosticadas e sobretratadas consideram que foram salvas pelo rastreamento, mas foram prejudicadas. • Medidas preventivas redutivas = visam redução de exposição artificiais presentes no modo de viver, sabidamente patogênicas, de maior risco ou prejudiciais à saúde, sobretudo nas sociedades industrializadas. • Medidas aditivas = adicionar algum fator artificial na esperança de conferir proteção à medicamentos, vacinas, ... Júlia Cunha Serra • Princípio da precaução (PP) = orienta que frente a perigos e danos potenciais significativos decorrentes de uma atividade ou produto, havendo dúvidas científicas sobre os mesmos, o Estado deve agir evitando-os O PNSP tem quatro eixos: • O estímulo a uma prática assistencial segura; • O envolvimento do cidadão na sua segurança (o cidadão estar atento e cobrar segurança); • A inclusão do tema no ensino; • E o incremento de pesquisa sobre o tema. No atual ambiente organizacional da maioria dos hospitais, pelo menos seis grandes mudanças são requeridas para iniciar a jornada com vistas a uma cultura da segurança: • É necessário mudar a busca de erros como falhas individuais, para compreendê-los como causados por falhas do sistema. • É necessário mudar de um ambiente punitivo para uma cultura justa • Mudar do sigilo para a transparência. • O cuidado deve deixar de ser centrado no médico para ser centrado no paciente. • Mudar os modelos de cuidado baseados na excelência do desempenho individual e in- dependente, para modelos de cuidado realizado por equipe profissional interdependente, colaborativo e interprofissional. • A prestação de contas é universal e recíproca, e não do topo para a base. Para a organização do plano é importante que se conheça os fatores contribuintes, que são circunstâncias, ações ou influências que desempenham um papel na origem ou no desenvolvimento de um incidente ou no aumento do risco de incidente. Os fatores podem ser: • Humanos – relacionados ao profissional. • Sistêmico – relacionados ao ambiente de trabalho. • Externos – relacionados a fatores fora da governabilidade do gestor. • Relacionados ao paciente. Exemplo: não adesão ao tratamento Núcleos de segurança do paciente = Os NSPs são instâncias que devem ser criadas nos estabelecimentos de Saúde para promover e apoiar a implementação de iniciativas voltadas à segurança do paciente. Júlia Cunha Serra OT5 (PARTE 2 – INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO CLÍNICA) A consulta em 7 passos: • Tem por base um modelo clínico integrado, que é um desenvolvimento do método clínico centrado na pessoa. Þ Isto é, centra-se na singularidade de cada pessoa e, ao mesmo tempo, presta atenção aos aspectos biomédicos, ao médico, à relação médico-paciente e ao contexto em que tudo decorre. • Propõem-se três fases e sete passos para análise de cada consulta: Þ Fase inicial – preparação e primeiros minutos = preparação do que vai se seguir; fase de concentração, focalização de atenção e energia o Passo 1 – Preparação = revê situação do médico, do consultório e do próximo paciente antes dele ser chamado o Passo 2 – Os primeiros minutos = onde se procede à chamada, ao encontro, cumprimento e acolhimento do paciente; detecção de indícios físicos e emocionais, de motivos de consulta Þ Fase intermediária – exploração, avaliação e plano (EAP) = corresponde ao desenrolar da consulta, com a recolha sistematizada de dados e de informação, avalia tais dados e se faz um plano a partir deles o Passo 3 – Exploração = onde se recolhem, analisam e contextualizam dados e informações o Passo 4 – Avaliação = onde se fazem a interpretação, diagnósticos, explicações, prognósticos, e avaliam o impacto na qualidade de vida o Passo 5 – Plano = onde se prepara o plano de cuidado (propostas, negociação, acordos, ...) Þ Fase final – encerramento e reflexão final = se resume o que se passou, se avalia como decorreu a consulta para verificar se chegou ao local desejado, que não ficou nada para trás, e pensar nas próximas etapas o Passo 6 – Encerramento = se verifica se existem dúvidas, revê o plano acordado e se procede ao cumprimento de despedida o Passo 7 – Reflexão e notas finais = onde se faz uma breve reflexão crítica sobre o que se passou Júlia Cunha Serra Guia Calgary-Cambrigde: Júlia Cunha Serra