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Júlia Cunha Serra 
RESUMO D2 PMSUS – 8ª FASE 
 
OT4 (PARTE 1 – OFTALMOLOGIA) 
 
Olho vermelho: 
• Sinal representado pela hiperemia da conjuntiva bulbar 
• Qualquer doença que afete a córnea, a conjuntiva, a íris ou o corpo ciliar pode se expressar 
por olho vermelho. 
• Causas: 
Þ Causas mais comuns = conjuntivites bacteriana, viral ou alérgica 
Þ Causas graves que devem ser consideradas = glaucoma agudo, iridociclite, 
queimadura física/química, herpes simples oftálmico 
Þ Causas frequentemente esquecidas = corpo estranho, erosão de córnea, blefarite 
• Sinais de alerta que indicam necessidade de referência ao oftalmologista: 
Þ Diminuição da acuidade visual 
Þ Dor ocular profunda 
Þ Reflexo pupilar ausente ou diminuído 
Þ História de trauma 
Þ Hipópio = pus na câmara anterior do olho 
 
Þ Hifema = sangue na câmara frontal do olho 
 
 
Conjuntivite: 
• Processo inflamatório da conjuntiva, em geral secundário a uma infecção bacteriana ou viral, 
ou a uma reação alérgica. 
• Grande maioria é autolimitada e tem pouca morbidade. 
• A obtenção de culturas conjuntivais é geralmente reservada para casos de suspeita de 
conjuntivite infecciosa neonatal, conjuntivite recorrente, conjuntivite resistente à terapia, 
conjuntivite com secreção purulenta grave e casos suspeitos de infecção gonocócica ou por 
clamídia. 
• Bacteriana = secreção mucopurulenta, conjuntivas lisas e inflamadas, com pontos 
vermelhos, sem adenopatia pré-auricular; transmissível. 
• Viral = secreção mais aquosa, folículos translúcidos circundados por vasos sanguíneos, 
adenopatia pré-auricular; transmissível. 
• Alérgica = ardência, prurido, secreção mucoide, história de exposição a substancia 
alergênica. 
• O manejo do indivíduo com conjuntivite infecciosa deve iniciar com a orientação do paciente 
e de sua família sobre cuidados com a higiene das mãos, soluções oftálmicas e toalhas. 
• A secreção palpebral deve ser limpa com gaze umedecida com água limpa e fervida. 
Victor hugo Tonietto
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Júlia Cunha Serra 
• O uso de lentes de contato deve ser interrompido por pelo menos 24 horas após o 
término do tratamento ou até não haver mais sinal ou sintoma de doença infecciosa ocular. 
• Na conjuntivite bacteriana, o uso de antibiótico tópico pode ser considerado para diminuir o 
tempo de resolução dos sintomas, bem como o tempo de infecção à colírios de cloranfenicol, 
a 0,5% (1 gota de 2/2 horas por 2 dias; após, 1 gota de 4/4 horas por 5 dias durante a vigília), 
gentamicina, neomicina + polimixina B, tobramicina, ofloxacino e cloridrato de ciprofloxacino 
B. 
Þ Para pctes que usam lente os colírios com fluoroquinolonas são preferidos, e deve-se 
considerar encaminhar p/ oftalmo. 
• Não existe tratamento curativo para a conjuntivite viral. Para evitar infecção bacteriana 
secundária, pode ser utilizado antibiótico tópico por 10 a 14 dias. 
• Os pacientes com conjuntivite alérgica devem ser orientados a remover lentes de contato, 
evitar exposição a alérgenos e não esfregar os olhos. A aplicação de compressas frias 
sobre o local afetado é recomendada. Pode ser considerado o uso de vasoconstritores 
tópicos, estabilizadores de mastócitos, e anti-histamínicos. 
• Em casos de conjuntivite que não melhoram em 1 semana, o paciente deve ser 
encaminhado ao oftalmologista. 
 
Iridociclite: 
• É a inflamação da íris e do corpo ciliar. 
• Manifesta-se por forte dor ocular, visão borrada, fotofobia e lacrimejamento. 
• Ao exame, nota-se hiperemia pericorneana de tom violáceo. O olho afetado costuma 
apresentar uma pupila pequena (miose), fixa e irregular. 
• Trata-se de uma uveíte anterior, condição geralmente associada a doenças infecciosas ou 
sistêmicas, como tuberculose, sífilis, herpes, citomegalovirose, toxoplasmose, sarcoidose, 
artrite reumatoide e espondiloartropatia soronegativa, especialmente a espondilite 
anquilosante. 
Þ Logo, o diagnóstico de iridociclite deve alertar o médico para a investigação de 
doenças reumatológicas ou infecciosas. 
• O tratamento inicial consiste na aplicação de corticoides tópicos, colírios de atropina a 1% 
e outros midriáticos. 
• O paciente deve ser encaminhado prontamente ao oftalmologista. 
 
Glaucoma agudo: 
• Embora raro, é uma situação clínica de extrema gravidade, uma verdadeira urgência médica. 
• Apresenta-se com forte dor ocular, visão muito diminuída, fotofobia e lacrimejamento 
intenso. 
• O globo ocular torna-se difusamente vermelho. Há grande edema de córnea, com 
pressão ocular muito elevada e consistência dura à palpação bidigital do globo ocular 
(consistência pétrea). 
• Se houver suspeita de glaucoma agudo de ângulo fechado, o paciente deve ser 
referenciado imediatamente para avaliação com oftalmologista. 
• Se o encaminhamento não puder ser realizado, pode-se iniciar o tratamento de emergência 
no local: 
Þ Deitar o paciente em decúbito dorsal em superfície plana, sem o apoio de 
travesseiros sob a cabeça; 
Þ Mióticos (colírio de pilocarpina a 2%) de 15/15 minutos; 
Þ Diuréticos (acetazolamida 250 mg, por via oral, de 6/6 horas, e/ou manitol a 20%, 
250 mL, 70 gotas/minuto por via intravenosa); 
Þ Após normalizada a cifra tensional intraocular, o paciente deve ser encaminhado ao 
oftalmologista para procedimento cirúrgico que reduz permanentemente a pressão 
intraocular e evita danos maiores ao nervo óptico. 
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Júlia Cunha Serra 
• OBS: Convém tratar preventivamente o outro olho, o qual anatomicamente poderá ter 
também estreito ângulo camerular (espaço entre a íris e a córnea). Utiliza-se, no outro olho, 
colírios de pilocarpina a 2%, 4×/dia, visando manter pupila miótica e, assim, impedir o 
fechamento do ângulo camerular. 
 
Corpo estranho: 
• Corpos estranhos constituem, logo após as conjuntivites, a maioria dos casos de atendimento 
oftalmológico de urgência. 
• O quadro clínico consiste em dor, fotofobia, lacrimejamento, sensação de corpo estranho 
e, em geral, história de trauma prévio. 
• Após a instilação de algumas gotas de colírio anestésico (cloridrato de proximetacaína a 
0,5%) com auxílio de uma boa iluminação e, às vezes, de uma lupa, na maioria dos casos se 
localiza o corpo estranho. Por vezes, é necessário inverter a pálpebra superior. 
• Para remover um corpo estranho da conjuntiva, pode-se usar um cotonete molhado com 
colírio anestésico ou uma pinça sem dentes. 
• Já a remoção de corpo estranho da córnea é mais difícil, tenta-se irrigando SF estéril na 
direção do corpo estranho ou passando levemente o cotonete molhado; em último caso tem 
como utilizar agulha de insulina. 
• Se não der certo à encaminha para oftalmo 
• As suspeitas de corpo estranho adicional,laceração da esclerótica ou perfuração de córnea 
(pode reduzir a peofundidade da câmara anterior ou ocorrer perda de líquido intraocular da 
córnea) são indicações de encaminhamento imediato a serviço de oftalmologia. 
• Casos com corpo estranho metálico na córnea por mais de 1 dia também demandam 
encaminhamento. 
• A infecção ocular por corpo estranho é rara, porém, em razão de sua potencial gravidade, 
está indicado que, após a remoção do corpo estranho, seja administrado antibiótico 
tópico nas primeiras 24/48h 
 
Erosão de córnea: 
• Ocorre por desepitelização de um setor da córnea, após trauma com objetos pequenos 
como pontas de lápis, unhas, lentes de contato, etc. 
• O paciente queixa-se de sensação de corpo estranho, ardência, fotofobia e dor local. 
• Elas podem ser vistas com a ajuda de iluminação oblíqua da córnea com uma lanterna. A 
aplicação de corante de fluoresceína destaca a área danificada. 
• Afastada a possibilidade de corpo estranho, pode-se prosseguir para o tratamento. 
• Pequenas lesões curam espontaneamente em 12 a 24 horas. 
• Analgésicos orais podem ser prescritos de acordo com a necessidade. 
• Os casos em que a dor persiste 48 horas após a consulta devem ser encaminhados a 
um oftalmologista. 
• NÃO é recomendado: colírios anestésicos, colírios de esteroides, AINES tópicos e curativo 
oclusivo. 
 
Queimaduras químicas: 
• Embora menos comuns, as queimaduras químicas exigem tratamento imediato e adequado. 
• Quando produzidas por agentes alcalinos, podem prejudicar a visão do paciente 
definitivamente. 
• Os agentes ácidos produzem quadros oculares menos graves. 
• O tratamento para ambas as condições consiste em lavagem imediata e demorada do olho 
atingido com qualquer fonte de água disponível, analgésicos sistêmicos, colírio de 
atropina e corticoide, além de oclusão com pomada de antibiótico. 
• O paciente deve ser encaminhado rapidamente ao oftalmologista. 
Þ Sendo que no trajeto pode-se permanecer irrigando os olhos afetados 
abundantemente com SF 
Júlia Cunha Serra 
Queimaduras físicas: 
• Queimaduras físicas são infrequentes. 
• Costumam ocorrer após exposição à irradiação ultravioleta (solda elétrica) sem a devida 
proteção com óculos de segurança especiais. 
• Os sintomas surgem 10 a 12 horas após a exposição, com intensa dor e vermelhidão ocular, 
blefarospasmo (contrações involuntárias dos músculos das pálpebras, causando a 
sensação de que os olhos estão “pulando”), fotofobia e lacrimejamento. 
• Em geral, o paciente não associa esses sintomas à sua causa. 
• O tratamento consiste em curativo oclusivo com pomada de antibiótico binocular, sedação e 
repouso por 24 horas 
 
Hemorragia subconjuntival: 
• A presença localizada de coleção sanguínea entre a conjuntiva e a esclerótica, com margens 
limitadas, é característica de hemorragia subconjuntival (hiposfagma). 
 
• O paciente é assintomático e só percebe a lesão ao se olhar no espelho ou ao ser avisado 
por terceiros. 
• Embora não seja grave, pode causar preocupações em razão de seu aspecto. 
• É importante tranquilizar o paciente e seus familiares, informando-os acerca da remissão 
espontânea em 1 a 2 semanas. 
• Geralmente ocorre devido pequenos traumas, uso de lentes, esfregar os olhos com força ou 
considerada idiopática. 
• Quando recorrente, investigar HAS, DM, distúrbios hemorrágicos, neoplasias, ... 
 
Síndrome do olho seco: 
• O filme lacrimal é classicamente dividido em três camadas: a de mucina, aderida ao epitélio 
corneano, a aquosa, intermediária, e a lipídica, mais superficial, que impede a sua 
evaporação. 
• Na forma mais frequente, a deficiência de produção desta última leva à evaporação precoce 
da lágrima e ao quadro de olho seco. Isso explica o fato de o aparente paradoxo do 
lacrimejamento ser um dos sintomas de olho seco. 
• As situações que levam ao olho seco por deficiência de produção aquosa estão mais 
relacionadas com doenças reumatológicas (síndrome de Sjögren) e deficiências primárias ou 
secundárias da glândula lacrimal. 
• Os sintomas dessa síndrome são principalmente: sensação de areia/corpo estranho, 
irritação, olho vermelho, ardência, queimação, prurido ocular, lacrimejamento, 
fotofobia, secreção mucosa e embaçamento da visão. 
• Nos portadores de olho seco leve/moderado os sintomas costumam aparecer com a 
exposição à fatores externos como vento e ar seco, ou quando o indivíduo faz atividade 
que diminuem a frequência do piscar (leitura, direção, ...) 
• Avançar da idade, uso de medicamentos e doenças sistêmicas são causas comuns 
• Deve-se orientar o paciente a evitar condições que pioram o quadro, como utilização de 
alguns fármacos (anti-histamínicos tópicos e sistêmicos), uso de lentes de contato, 
tabagismo, entre outros. 
• Os colírios lubrificantes – também chamados de “lágrimas artificiais” – são soluções hipo 
ou isotônicas contendo eletrólitos, surfactantes e agentes de diferentes viscosidades. Quanto 
Júlia Cunha Serra 
mais viscoso o agente, maior o tempo de duração de efeito lubrificante, porém as formulações 
mais viscosas (em gel) costumam causar um borramento visual desagradável logo após sua 
aplicação, sendo muitas vezes reservadas para uso à noite. 
• Os colírios contendo soluções vasoconstritoras (fenilefrina, nafazolina) têm seu emprego 
bastante difundido pela população em função de sua disponibilidade para venda sem 
necessidade de receita médica, baixo custo e efeito descongestionante imediato. De forma 
geral, essas formulações não são adequadas para o tratamento do olho seco, e seu uso 
crônico é contraindicado em função dos efeitos colaterais locais e sistêmicos decorrentes de 
seu abuso. 
• O uso tópico de mel de Manuka tem sido apontado como método que pode melhorar a 
lubrificação ocular, contribuindo para redução da necessidade de aplicação de colírios 
lubrificantes. 
• Suplementação de ômega-3 e óleo de linhaça precisa de mais evidências. 
• O encaminhamento ao oftalmologista deve ser considerado em casos com suspeita de 
doença subjacente causando o olho seco ou quando, após 4 semanas de medidas 
terapêuticas, não houver melhora dos sintomas. 
 
Pterígio: 
• É um crescimento fibrovascular da conjuntiva sobre a córnea, geralmente em direção ao 
seu ápice. 
 
• Importante relação com exposição solar. 
• A sintomatologia causada pelo pterígio está mais relacionada com a instabilidade do filme 
lacrimal provocada pela irregularidade na superfície da córnea: ardência, sensação de 
corpo estranho e vermelhidão ocular. 
• Mais raramente, pterígios que chegam a acometer a região pupilar e o ápice corneano podem 
causar significativa redução da acuidade visual. 
• O tratamento do pterígio costuma ser clínico quando pequeno e pouco sintomático e 
consiste no uso de colírios lubrificantes em uma frequência de acordo com a necessidade. 
• O tratamento cirúrgico é indicado quando a sintomatologia é importante e não 
apresenta resposta adequada ao tratamento clínico, bem como nos casos em que o 
crescimento do pterígio ameaça cobrir a pupila e a região central da córnea. 
 
Hordéolo e calázio: 
• O hordéolo a infecção aguda das glândulas palpebrais, popularmente conhecido como terçol. 
 
• Pode ser classificado como interno (acometendo as glândulas tarsais ou de Meibomius) ou 
externo (acometendo as glândulas acessórias dos complexos pilossebáceos ou glândulas de 
Zeis). 
Júlia Cunha Serra 
 
• Em geral, são processos agudos com sinais flogísticos clássicos (calor, hiperemia, edema 
e dor) e costumam apresentar resolução após a drenagem espontânea de seu conteúdo. 
• O calázio é o cisto com retenção crônica de material sebáceo, geralmente resultante de um 
hordéolo interno que não teve drenagem espontânea e que já não apresenta mais sinais 
significativos de inflamação aguda. 
• Os hordéolos costumam ser tratados com compressas mornas por 5 a 10 minutos (3-4 
×/dia), além de pomadas de associação antibiótico + corticoide (tobramicina + 
dexametasona,ciprofloxacino + dexametasona, ou neomicina + polimixina B + 
dexametasona). 
Þ Em geral, leva de 1 a 3 semanas para resolver completamente. 
• O tratamento do calázio é realizado com compressas mornas quando o paciente é 
sintomático ou há comprometimento cosmético. Não há benefício de adição de antibióticos 
tópicos ou orais na ausência de sinais de celulite. 
Þ Quando for lesão mais antiga, sem sinais flogísticos vai precisar de uma terapia 
mais invasiva à encaminhar 
• Sinais de alerta que justificam encaminhamento são edema periorbital, protrusão do globo 
ocular, visão dupla, redução do movimento ocular, redução da acuidade visual, mal-estar 
sistêmico. 
 
Blefarite: 
• Se refere à inflamação crônica das margens palpebrais. 
• Pode estar associada à disfunção seborreica ou contaminação por Staphylococcus aureus 
(blefarite anterior) ou à disfunção das glândulas de Meibomius (meibomite). 
• Ambos os casos podem levar a um quadro de olho seco e irritação ocular crônica, bem como 
predispor ao surgimento de hordéolos e calázios. 
• A blefarite é também um achado comum nos pacientes com rosácea, assim como em outras 
doenças sistêmicas. 
• O diagnóstico é sugerido por sintomas de prurido, queimação e fincadas na pálpebra em 
ambos os olhos, piores pela manhã. 
Þ Os sintomas são frequentemente intermitentes, com exacerbações e remissões 
ocorrendo durante longos períodos. 
• Ao exame, as laterais das pálpebras estão inflamadas e vermelhas, e podem apresentar 
crostas: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Júlia Cunha Serra 
• O tratamento na realização de higiene palpebral, no início 2 ×/dia e depois diariamente, 
com xampu neutro ou produtos específicos para esse propósito (p. ex., óleo de amêndoa + 
álcool etílico + metilparabeno, Blephagel®). 
• No início do tratamento, ou em períodos de exacerbação, pode ser utilizada também 
pomada de antibiótico associado ou não a corticoide por 7 a 14 dias. 
 
Diagnóstico diferencial: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Júlia Cunha Serra 
Alteração da visão: 
 
• A forma mais simples de diagnosticar a limitação da visão é medir a 
acuidade visual com a escala de Snellen (5-6m de distância). Um paciente 
apresenta limitação da visão quando não enxerga um ou mais números 
ou letras da escala. 
 
• Cegueira legal = quando o paciente, mesmo com o auxílio de recursos 
ópticos, não consegue distinguir o maior símbolo (20/200) da escala de 
Snellen ou similares. (incapacidade laboral) 
 
• Cegueira total (amaurose) = é a incapacidade absoluta de perceber a 
presença de uma fonte luminosa próxima. 
 
• As causas de limitação de visão podem ser divididas em: defeitos ópticos 
e patologias do globo ocular ou das vias ópticas 
 
• Defeitos ópticos: 
Þ Miopia: 
o Diminuição da visão para longe. 
o Se inicia na infância, desenvolvendo-se de modo gradual até os 30 anos. 
o Hereditária. 
o Corrigida com óculos, lentes de contato e, mais recentemente, com algumas 
técnicas cirúrgicas como a fotoablação corneana por raio laser. 
Þ Hipermetropia: 
o Diminuição da visão para perto. 
o Condição fisiológica ao nascimento, diminuindo progressivamente durante a 
infância. 
o Algumas formas de estrabismo são desencadeadas por hipermetropias não 
corrigidas. 
o A melhor maneira de proporcionar conforto visual aos pacientes é pelo uso de 
óculos de grau ou lentes de contato. 
Þ Astigmatismo: 
o Resulta de graus variáveis de refração no olho, com distorção da visão. 
o É a condição vista com mais frequência em consultórios de oftalmologia. 
o Uma parte considerável da população é portadora de sintomas desagradáveis, 
como cefaleia, decorrentes desse vício de refração não corrigido. 
o Em geral, a acuidade visual é boa nos graus baixos e muito comprometida nos 
graus elevados. 
o A correção é feita por meio de óculos ou lentes de contato. 
o Cirurgia refrativa 
Þ Presbiopia: 
o É uma situação considerada fisiológica. 
o Surge de modo gradual, próximo dos 40 anos de idade, independentemente 
de sexo, profissão ou utilização excessiva dos olhos. 
o O paciente queixa-se de dificuldade visual para perto, sobremaneira em 
atividades como ler. 
o A correção é feita com lentes de óculos (bifocais ou multifocais) ou com lentes 
de contato. 
 
• Doenças do globo ocular: 
Þ Catarata: 
o Opacificação da lente (cristalino) 
Júlia Cunha Serra 
o Trata-se de uma patologia própria dos pacientes idosos (catarata senil) ou com 
alterações metabólicas (catarata diabética), embora também possa estar 
associada a uso de fármacos (p. ex., esteroides), tabagismo, exposição 
prolongada à radiação solar, trauma ocular ou presença de afecções como 
uveíte. 
o Os sintomas típicos da catarata incluem visão turva (dificuldade para ler e 
reconhecer faces), dificuldade para enxergar à noite, aumento da 
sensibilidade ocular à luz e presença de halo claro ao redor de focos de 
luz. 
o O exame pode demonstrar redução da acuidade visual, pupila branca e teste 
do reflexo vermelho diminuído. 
o O único tratamento efetivo para catarata é a remoção do cristalino opaco por 
intermédio de técnica cirúrgica. A cirurgia é eletiva e sua indicação depende 
do grau de incapacidade visual do paciente. 
Þ Glaucoma: 
o É um grupo de afecções oculares em que o dano progressivo do nervo óptico 
leva à disfunção da visão, podendo provocar cegueira. 
o Em geral, é associado à elevação da pressão intraocular, e apresenta-se sob 
três formas clínicas: agudo, crônico e congênito. 
o No glaucoma agudo, o paciente apresenta limitação súbita da visão, olho 
intensamente vermelho e dolorido e com pressão intraocular muito elevada. 
o No glaucoma crônico, o paciente é assintomático e a limitação da visão 
inicia-se por uma restrição do seu campo visual, sendo que a visão 
central só é atingida nas etapas mais finais da doença, e é sempre 
irreversível. O diagnóstico é feito por tonometria, análise dos campos visuais 
ou escavação acentuada da papila ao exame oftalmoscópico. O oftalmologista 
que trata (com betabloqueadores, análogos da prostaglandina, 
simpatomiméticos, inibidores da anidrase carbônica, ou em alguns casos com 
cirurgia). 
o O glaucoma congênito caracteriza-se por globos oculares de tamanho 
aumentado (buftalmia – “olho de boi”), fotofobia, blefarospasmo e 
lacrimejamento. As córneas também têm diâmetro aumentado e são pouco 
transparentes. O tratamento cirúrgico deve ser instituído imediatamente para 
normalizar as cifras tensionais. 
 
 
• Há, ainda, outras doenças que podem causar limitação da visão, como as patologias da retina 
e da úvea. 
Þ Retinite pigmentar = redução da visão noturna na infância 
Þ Maculopatia senil = perda da visão central 
Þ Retinopatia diabética 
Þ Descolamento da retina = aparecimento súbito de flashes de luzes (fotopsia), “moscas 
volantes” ou escotomas, seguido de turvamento visual unilateral com piora 
progressiva (sensação de sombra atrapalhando visão) 
Þ Hemorragia do vítreo = “moscas volantes” podendo estar associada de perda súbita 
da visão unilateral 
Þ Uveíte 
Júlia Cunha Serra 
Þ Neurite óptica = perda de visão unilateral progressiva, desconforto retro-ocular com 
movimento dos olhos 
Þ Perda súbita da visão transitória pode estar associada a oclusão de vasos 
 
• Diagnóstico diferencial = se dá principalmente pelo tempo de evolução dos sintomas: 
 
 
OT4 (PARTE 2 – OTORRINO) 
 
Epistaxe: 
• Caracterizada por qualquer tipo de sangramento proveniente do nariz. 
• Pode ocorrer em todas as faixas etárias, com distribuição de idade bimodal, sendo mais 
comum em crianças com idade 70 anos. 
• Vale ressaltar duas áreas com relevância clínica nas epistaxes: o plexo de Kiesselbach, ou 
área de Little, com importância nos sangramentos anteriores, que se localiza na área septal 
anteroinferior, onde desembocam os ramos terminais das artérias carótidas interna e externa, 
e a área de Woodruff, relevanteem sangramentos posteriores, que se encontra 
posteriormente à concha média. 
• Causas: 
Júlia Cunha Serra 
 
Þ Em crianças é muito comum trauma induzido pela manipulação constante do nariz ou 
corpos estranhos na cavidade nasal. 
o Corpo estranho em fossa nasal à rinorreia purulenta ou piossanguinolenta 
unilateral com odor fétido 
Þ Tumores malignos são raros, mas uma epistaxe recidivante com obstrução unilateral 
é sinal de alerta 
Þ Homem adolescente à angiofibroma nasofaríngeo 
Þ Na prática clínica, as causas medicamentosas de epistaxe são bastante relevantes e 
prevalentes. 
o Cerca de 24 a 33% de todos os pacientes hospitalizados por epistaxe utilizam 
fármacos anticoagulantes ou antiplaquetários. 
o Outras medicações relacionadas com a condição são os inibidores da 
fosfodiesterase-5, vasodilatadores utilizados principalmente para disfunção 
erétil, sendo epistaxe o efeito colateral mais frequente desses fármacos. 
o Sprays nasais com corticoide tópico aumentam a frequência de sangramentos 
locais. 
• No exame físico deve ser feito a rinoscopia anterior com espéculo nasal, associada à 
aplicação de vasoconstritor tópico se houver sangramento ativo 
• Além do revestimento nasal, as superfícies mucosas da cavidade oral e faringe são 
examinadas, pois podem ser fontes secundárias de sangramento. 
• Exames complementares: 
Þ Se o sangramento é brando e não recorrente, a investigação laboratorial não está 
indicada. 
Júlia Cunha Serra 
Þ Na epistaxe recorrente ou intensa, está indicada a dosagem do nível de hemoglobina 
Þ Tempo de protrombina (TP) se paciente for anticoagulado 
Þ TC pode ser solicitada para auxílio no diagnóstico nos casos de epistaxe recorrente 
de etiologia não definida, especialmente no diagnóstico diferencial de tumores. 
• Conduta: 
Þ Compressão nas narinas, aplicação de gelo na parte de trás do pescoço, posição 
sentada 90º inclinada um pouco para frente 
o Pode-se associar a compressão um vasoconstritor tópico 
Þ Observar por 30min 
Þ Creme nasal antisséptico 
Þ Se o sangramento recomeçar à rinoscopia anterior à nitrato de 
prata/eletrocautério 
Þ Origem do sangramento não identificada e/ou posterior à tamponamento nasal 
em caráter de urgência 
o O tampão pode ser feito com gaze em fita esterilizada impregnada com 
vaselina, colocada na base do nariz, estendendo-se por toda a cavidade nasal 
 
o Tampão de dedo de luva = feito cortando-se o dedo de uma luva cirúrgica e 
preenchendo seu interior com esponja ou gaze e lubrificando-o com vaselina 
ou pomada de ATB antes de introduzi-lo na cavidade nasal; sempre fixar ele 
depois 
o O tamponamento é removido, em geral, após 48 a 72 horas pelo clínico, que 
deve orientar o paciente a evitar o uso de anti-inflamatórios não esteroides e 
atividades físicas vigorosas por 1 semana. 
o Complicações = isquemia, rinossinusite, ... 
Þ Se paciente instável à encaminhar para otorrinolaringologia e repor volume 
• Fármaco com ação antifibrinolítica, o ácido tranexâmico (TXA) 500 mg, 3 ×/dia por 7 dias 
(para crianças: dose de 10 mg/kg), ou aplicado topicamente diminui o ressangramento 
• Medidas profiláticas incluem umidificar o ambiente, evitar banhos quentes e exercícios 
extenuantes e aplicar soro fisiológico no nariz com frequência. Além disso, deve-se evitar 
assoar o nariz energicamente por 7 a 10 dias. 
• Encaminhar se: epistaxe refratária e/ou com repercussão hemodinâmica, suspeita de 
anormalidade anatômica, neoplasia ou doença crônica como hemofilia A, von Willebrand e 
uremia em crianças. 
 
Rinite: 
 
• Doença respiratória crônica mais prevalente do mundo 
 
• Afeta a qualidade de vida dos pacientes, interferindo na alimentação, na qualidade do sono e 
nas funções cognitivas, causando cansaço e irritabilidade. Em crianças, pode haver impacto 
no crescimento, no desenvolvimento neuropsicomotor e no aprendizado. 
 
• As infecções respiratórias são comorbidades frequentes, sendo comuns a otite média 
secretora, a faringotonsilite e as rinossinusites. 
 
Júlia Cunha Serra 
• O diagnóstico clínico das rinites é baseado principalmente na história clínica detalhada, com 
o relato de rinorreia posterior e anterior, hiposmia, espirros em salvas e obstrução 
nasal. 
 
• O prurido nasal, ocular ou faríngeo é o sintoma mais característico da alergia, caso esta 
seja a causa da rinite. 
 
• Na anamnese sempre lembrar de pesquisar história familiar de atopia 
 
• A rinite alérgica caracteriza-se por rinorreia mucoide e clara, enquanto a secreção purulenta 
em geral está associada a infecções. 
 
• Rinite alérgica: 
Þ A rinite alérgica pode ser classificada em quatro subgrupos: intermitente leve, 
intermitente moderada/grave, persistente leve, persistente moderada/grave. 
 
Þ Sintomas ocorrem após o contato de um alérgeno com anticorpos IgE sensibilizados 
acoplados a mastócitos e basófilos, induzindo sua degranulação. Liberando 
mediadores inflamatórios, dentre eles a histamina. 
Þ Os “alérgenos” são os antígenos de natureza proteica ou glicoproteica que induzem 
uma reação específica com o anticorpo IgE. Outras substâncias podem reagir como 
irritantes da mucosa nasal, funcionando como amplificadores da reação alérgica: 
poluentes externos, fumaça de cigarro, perfumes, cloro, cosméticos, mudanças 
climáticas, ar-condicionado, pelos de animais. Aeroalérgenos = ácaros, baratas e 
fungos. 
Þ Rinoscopia = as conchas nasais encontram-se hipertrofiadas, edemaciadas, pálidas 
e com rinorreia aquosa. 
Þ A radiografia de rinofaringe pode ser útil para o diagnóstico de obstrução nasal por 
hipertrofia da tonsila faríngea (adenoide) ou por outros processos tumorais da 
rinofaringe. 
Þ Testes alérgicos (skin prick test - SPT) 
 
• Rinite induzida por fármacos: 
Þ AINES, AAS 
Þ Betabloqueadores 
Þ Inibidor de fosfodiesterase (tadalafila, sildenafila, ...) 
Þ IECAs 
Júlia Cunha Serra 
Þ Psicotrópicos (risperidona, clorpromazina, alprazolam, amitriptilina, ...) 
Þ Ciclosporina 
Þ Hormônios com estrogênio 
Þ Anti-hipertensivos (hidroclorotiazida, hidralazina, ....) 
Þ Gabapentina 
 
• Rinite medicamentosa: 
Þ Efeito rebote do uso frequente de descongestionantes tópicos (não devem ser 
utilizados por mais de 5 dias consecutivos) 
 
• Rinite ocupacional: 
Þ Reação alérgica ou uma hiper-responsividade não alérgica a um agente presente no 
ambiente de trabalho. 
 
• Rinite infecciosa: 
Þ O rinovírus e os vírus influenza e parainfluenza são os germes mais envolvidos. 
Þ Espirros e prurido são sintomas geralmente relacionados a quadros não infecciosos, 
enquanto secreção purulenta, faringites e linfonodomegalia cervical são 
sugestivas de quadro infeccioso. 
Þ Principalmente nas crianças pode ter associado febre, mialgias, cefaleia 
Þ Pode ser aguda, aguda recorrente, crônica ou pode ocorrer exacerbação aguda da 
doença crônica. 
Þ A doença é autolimitada, com resolução em média dentro de 4 a 7 dias, a menos que 
ocorra infecção bacteriana secundária. 
Þ A rinite bacteriana é caracterizada por obstrução nasal, secreção mucopurulenta, 
dor facial e presença de crostas nasais 
Þ Os agentes etiológicos mais isolados são Streptococcus pneumoniae (20-35%) e 
Haemophilus influenzae (6-26%). 
 
• Rinite hormonal e rinite da gestação: 
Þ A rinorreia e a congestão nasal são sintomas passíveis de ocorrer durante o período 
menstrual, puberdade e gravidez, e em indivíduos com alterações endócrinas 
específicas, como hipotireoidismo, diabetes melito e acromegalia. 
Þ A rinite gestacional geralmente inicia no segundo mês, sintomas são mais graves no 
segundo trimestre, e em geral desaparecem depois do parto. 
Þ Lavagem nasal e por período e dose restritos budesonida 
Þ Não usar vasoconstritores tópicos 
 
• Rinite gustatória: 
Þ Os pacientes apresentam um tipo de rinite isolada pouco frequente, provocada pela 
ingestão de determinados alimentos, em geral contendo muitos condimentos, e álcool. 
Þ Não acompanha prurido ou congestão nasal. 
 
• Riniteeosinofílica não alérgica: 
Þ Quadro semelhante a alérgica porém com os testes cutâneos negativos e IgE sérica 
normal 
 
• Rinite vasomotora: 
Þ Atualmente chamada de rinite idiopática ou rinopatia não alérgica, manifesta-se como 
uma hiperresponsividade das vias aéreas superiores a agentes ambientais não 
específicos, como mudanças de temperatura e umidade, exposição ao tabaco e 
odores fortes. 
Júlia Cunha Serra 
Þ Caracteriza-se por rinorreia e obstrução nasal, sem prurido ou espirros, e ocorre 
principalmente em mulheres com idade entre 40 e 60 anos. 
Þ A história familiar de alergia e os testes cutâneos são negativos, a IgE sérica é normal 
e a citologia nasal mostra poucos eosinófilos. 
 
• Rinite do idoso ou rinite senil: 
Þ As alterações morfofuncionais advindas do processo fisiológico de envelhecimento 
que atingem a mucosa nasal deixam os idosos mais vulneráveis a sintomas como 
rinorreia, congestão nasal, gotejamento posterior, ressecamento da mucosa, crostas 
e hiposmia. 
Þ O tratamento recomendado é irrigação nasal sistemática com solução salina 
hipertônica 
 
• Rinite atrófica e síndrome do nariz vazio: 
Þ A rinite atrófica é uma doença inflamatória crônica que se caracteriza pela atrofia 
progressiva da mucosa e dos ossos da cavidade nasal, com formação importante de 
crostas, obstrução nasal, epistaxe e rinorreia fétida. O tratamento é paliativo, com 
remoção mecânica das crostas, irrigação com solução salina e ATB. 
Þ A síndrome do nariz vazio ocorre geralmente após a cirurgia de redução das conchas 
nasais, e os pacientes referem clínica semelhante à da rinite atrófica. Ambas podem 
ser diferenciadas pois, além de a rinite atrófica apresentar um volume muito maior de 
crostas, a síndrome do nariz vazio não está associada à infecção bacteriana. O 
tratamento é também paliativo. 
 
• Rinite autoimune, granulomatosa ou vasculítica: 
Þ No caso de uma rinite com crostas e epistaxes persistentes e quando as vias aéreas 
superior e inferior são acometidas, outros diagnósticos sistêmicos devem ser 
considerados – entre eles, os mais importantes são a granulomatose com poliangeíte, 
antigamente conhecida como granulomatose de Wegener, a granulomatose 
eosinofílica com poliangeíte, conhecida como síndrome de Churg-Strauss, a 
sarcoidose, e o lúpus eritematoso sistêmico. 
 
• Manejo: 
Þ Controle ambiental 
Þ Higiene nasal com solução salina 
Þ Os fármacos disponíveis para o tratamento da rinite são os anti-histamínicos, muito 
utilizados na rinite alérgica, os vasoconstritores orais e tópicos, os corticoides orais 
e tópicos, o cromoglicato dissódico e os antileucotrienos. 
Þ Em geral se inicia com anti-histamínico (anti-H1 de segunda geração), podendo 
associar corticoide tópico se sintomas graves; e se necessário tto adicional, adicionar 
loratadina 
Þ Recomenda-se o uso das menores doses possíveis dos corticoides intranasais pelo 
período mais curto possível. 
Þ Cromoglicato dissódico = estabilizador da membrana dos mastócitos, inibindo sua 
degranulação; menos eficaz do que os anti-histamínicos e corticoides para crises; sua 
indicação é na profilaxia de crises 
Þ Corticoides sistêmicos são reservados para casos graves, refratários ao tratamento 
com corticoides intranasais, em especial se associados à polipose nasal. As doses e 
o tempo de uso devem ser limitados, pelo risco de efeitos colaterais graves nas 
crianças. 
Þ Os antagonistas dos receptores de leucotrienos bloqueiam a ação dos leucotrienos 
liberados pelos mastócitos, granulócitos, macrófagos e monócitos em resposta ao 
estímulo antigênico. A eficácia dos antileucotrienos (montelucaste) no tratamento da 
rinite alérgica é inferior à dos anti-histamínicos e dos corticoides intranasais, devendo 
Júlia Cunha Serra 
ser usados apenas como segunda ou terceira linha de tratamento em caso de falha 
das primeiras opções. 
Þ Além da farmacoterapia, para casos específicos e persistentes, os tratamentos 
modificadores incluem a cirurgia, a imunoterapia alérgeno-específica e, mais 
recentemente, os agentes imunobiológicos. 
o A imunoterapia é indicada quando a higiene ambiental e a farmacoterapia são 
insuficientes para controlar os sintomas nasais, ou quando o tratamento 
farmacológico provoca efeitos indesejáveis. 
o O tratamento cirúrgico está incluído no rol de possibilidades terapêuticas de 
rinite alérgica, sendo indicado nos casos pacientes refratários ao tratamento 
clínico que apresentem alterações anatômicas nasossinusais. 
 
 
 
Rinossinusite: 
• Processo inflamatório que acomete a mucosa que reveste a cavidade nasal e os seios 
paranasais. 
• As bactérias isoladas com mais frequência são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus 
influenzae, Streptococcus viridans, Moraxella catarrhalis e Staphylococcus aureus. 
• Entre os vírus, podem ser encontrados o rinovírus, o coronavírus, o vírus sincicial 
respiratório, o influenzavírus, o vírus da parainfluenza, o adenovírus e o enterovírus. 
Júlia Cunha Serra 
• Fatores de risco: infecção e procedimentos odontológicos, causas iatrogênicas (cirurgia 
nasossinusal, tubo nasogástrico, tamponamento nasal, ...), imunodeficiências, tabagismo, 
obstrução mecânica (desvio de septo, polipose nasal, ...), rinite 
• Quadro clínico: Obstrução, congestão, entupimento nasal ou rinorreia (anterior, gotejamento 
posterior), dor ou pressão facial, hiposmia ou anosmia, tosse 
• Classificação quanto ao tempo: 
Þ Rinossinusite aguda (RSA) = 10 dias, com duração 38 °C, 
aumento da PCR/VHS, ou recaída dos sintomas (double-sickening) 
• A solicitação de exames laboratoriais, a aspiração de secreção e a cultura não estão 
indicadas na avaliação inicial do paciente, mas devem ser consideradas nos casos de 
imunodeficiência ou na presença de complicações. 
• Exames de imagem: a TC de seios da face é o exame de imagem de escolha, auxiliar a 
confirmar o diagnóstico e verificar a extensão da doença. 
Þ Está especialmente indicada nos casos de difícil resposta ao tratamento clínico, nos 
casos recorrentes ou crônicos, na vigência de complicações e no planejamento 
cirúrgico. 
• Tratamento: 
Þ Solução salina = lavagem nasal com soluções salinas isotônicas 
Þ Corticoides tópico nasal = indicado mais nos quadros pós-virais e bacterianos 
(flunisolida, budesonida, ...) 
Þ Corticoides sistêmicos = indicados como adjuvantes do antibiótico p/ RSA 
bacteriana (prednisona, betametasona, ...), por 1-3 semanas à na viral NÃO 
Þ Antibióticos: 
o Em pacientes previamente hígidos com quadros agudos leves, não há 
necessidade de antibióticos, tendo em vista a etiologia viral na maioria dos 
casos. 
o Terapia inicial p/ adultos com doença leve = amoxicilina, amoxicilina-
inibidores da betalactamase e cefalosporinas de segunda geração 
(axetilcefuroxima, cefprozila, cefaclor). 
o O sulfametoxazol + trimetoprima, a doxiciclina e os macrolídeos (azitromicina, 
claritromicina ou roxitromicina) estão indicados em pacientes alérgicos aos 
antibióticos β-lactâmicos. 
o Quadros recorrentes ou com resposta inadequada à antibioticoterapia podem 
receber altas doses de amoxicilina + clavulanato ou fluoroquinolonas 
respiratórias, como levofloxacino, moxifloxacino e gemifloxacino. 
o Na criança, por uma probabilidade maior da presença de Haemophilus 
influenzae resistente aos β-lactâmicos e de pneumococos com mutações na 
proteína receptora de penicilina, a amoxicilina em doses usuais (45 mg/kg) 
deve ser evitada em casos crônicos. Nos casos defalha do tratamento inicial, 
a amoxicilina deve ser preferencialmente associada aos inibidores da 
betalactamase. 
Þ Medidas adjuvantes: 
o Pacientes com fator a;lérgico subjacente = anti-histamínicos 
o Descongestionantes tópicos (no máx por 4 dias – cuidado com rinite 
medicamentosa) 
Júlia Cunha Serra 
o Alguns fitoterápicos, como Pelargonium sidoides B, mostraram redução 
significativa nos sintomas 
o Analgésicos para dor ou febre 
• Nos casos de RSC ou rinossinusite recorrente resistentes ao tratamento clínico, ou com 
sinais de alerta, o encaminhamento ao otorrinolaringologista está indicado 
 
Otite média: 
• Otite média aguda (OMA) é a presença de efusão na orelha média, associada ao início 
recente, geralmente súbito, de sinais e sintomas de inflamação da orelha média. 
• Otite média aguda recorrente (OMAR) é a ocorrência de 3 episódios de otite média aguda 
em 6 meses ou 4 episódios em 12 meses, com pelo menos 1 episódio nos últimos 6 meses. 
• Otite média com efusão (OME) é a presença de líquido na orelha média sem sinais ou 
sintomas de infecção aguda na orelha média. 
• Estima-se uma incidência anual da OMA em 10,8% da população, sendo que 51% dos casos 
ocorrem em crianças com idadeBactéria mais frequente é a Pseudomonas aeruginosa 
Þ Nesses casos, a mobilização da orelha e do canal auditivo externo é muito dolorosa, 
assim como a introdução do otoscópio. Visualizam-se edema e hiperemia importantes 
das paredes do canal, reduzindo o diâmetro e algumas vezes ocluindo o seu lúmen. 
A presença de secreção azul-esverdeada é típica de Pseudomonas, devido ao 
pigmento piocianina produzido pela bactéria: 
 
Þ Tratamento: 
o AINE para dor 
o Orientar não molhar a orelha durante o banho, prescrevendo-se o uso de 
protetores auriculares de silicone ou tampões de algodão embebidos em 
substancia oleosa 
o Esportes aquáticos devem ser evitados por 7-10 dias 
Júlia Cunha Serra 
o Composições contendo ácido acético a 2% em acetato de alumínio (para 
acidificar a pele) ou a 5% em álcool isopropílico (pelo efeito bactericida sobre 
Pseudomonas) podem ser aplicadas. 
o Antibiótico tópico = polimixina B, neomicina, gentamicina, cloranfenicol, 
ciprofloxacino 
Þ Pacientes em risco de desenvolver otite externa aguda grave ou otite externa 
necrotizante necessitam ser encaminhados para o especialista. Um escore baseado 
em evidências foi desenvolvido com o objetivo de identificar esses casos: 
 
 
• Otite externa crônica: 
Þ Ao contrário dos quadros agudos, tem como etiologia mais frequente reações 
alérgicas ou autoimunes, do que causa infecciosa. 
Þ Corresponde a menos de 5% das otites. 
Þ Em geral, o paciente reclama de prurido e irritação do canal, em vez de dor. Otorreia, 
plenitude aural (sensação de ouvido entupido, abafado ou com pressão) e otalgia 
Júlia Cunha Serra 
podem estar presentes, dependendo do grau de edema e inflamação do conduto 
auditivo. 
Þ Muitos pacientes experimentam um curso intermitente ao longo de anos com 
exacerbações e remissões e, por fim, podem apresentar agudizações. 
Þ A aparência otoscópica varia de acordo com a causa subjacente. Os achados mais 
comuns são pele seca e com algum grau de atrofia. A falta de cerume é comum. 
Þ Na suspeita de infecção por bactérias ou fungos, é prudente realizar swab para 
cultura. 
Þ O tratamento vai depender da identificação do agente causador, quando possível. 
Þ Uma vez que a maior parte dos casos são decorrentes de alergias ou condições 
dermatológicas inflamatórias, o tratamento inclui a remoção de agentes irritantes e o 
uso de corticoides tópicos e, em alguns casos, sistêmico. 
Þ Na suspeita ou na presença de bactérias, o tratamento inicial é feito com preparações 
contendo corticoides e antibióticos como polimixina B, neomicina, gentamicina, 
cloranfenicol e ciprofloxacino. 
 
• Otite externa fúngica: 
Þ Também conhecida como otomicose, esse tipo de otite acomete as porções mais 
profundas do canal auditivo externo e a membrana timpânica. 
Þ Ela é mais comumente causada por Aspergillus (A. niger, A. fumigatus, A. flavus) e 
Candida. 
Þ Há dois tipos: a infecção superficial (mais frequente) e a infecção profunda invasiva 
(rara) dos imunodeprimidos. 
Þ Fatores predisponentes: 
o O uso prolongado de gotas otológicas com esteroides. 
o Pessoas com micoses em outras regiões do organismo, como nas unhas, 
também estão mais propensas, em razão da autoinoculação secundária à 
manipulação da orelha. 
o Hiperglicemia 
Þ O principal sintoma é o prurido otológico; porém, nas fases mais avançadas, podem 
aparecer otalgia e otorreia, devido à infecção bacteriana secundária. 
Þ A otoscopia mostra um macerado epitelial com esporos e micélios evidentes. A 
coloração dos esporos altera-se com o tipo de fungo infectante: preto com A. niger, 
marrom com A. fumigatus e amarelo-esbranquiçado com A. flavus. 
 
Þ Tratamento: 
o Controle dos fatores predisponentes. 
o Remoção mecânica total dos fungos e do macerado epitelial. 
o Podem ser necessários antifúngicos tópicos na forma de soluções ou 
cremes contendo nistatina, cetoconazol, fluconazol e clotrimazol. 
Júlia Cunha Serra 
o Substâncias com iodo ou violeta de genciana também são úteis como 
fungicidas 
 
• Otite externa eczematosa: 
Þ A lesão da otite externa eczematosa envolve o canal externo e 
porções do meato e da concha e é caracterizada por 
vermelhidão, prurido, edema e uma transudação seguida da 
formação de crostas. 
Þ Deve-se diferenciar da dermatite de contato, que é reação alérgica 
a metais, substancias químicas, ... 
Þ Compressas úmidas com acetato de alumínio podem ser úteis 
por 24-48h 
Þ Após podem ser empregadas soluções ou unguentos de 
corticoides 
Þ Se suspeita de infecção à ATB tópico 
 
• Otite externa bolhosa: 
Þ Causada por P. aeruginosa 
Þ O sintoma principal é otalgia súbita e intensa. 
Þ Na otoscopia, visualizam-se vesículas hemorrágicas (violáceas) na pele da porção 
óssea do canal auditivo externo, sem envolvimento da membrana timpânica, o 
que a diferencia da miringite bolhosa, na qual as bolhas se restringem somente à 
membrana timpânica e em geral não são hemorrágicas. 
 
Þ A ruptura dessas vesículas pode gerar otorreia sanguinolenta 
Þ Tratamento = analgésicos sistêmicos + gotas de polimixina ou ciprofloxacino (ATB) 
 
• Otite externa maligna: 
Þ Também conhecida como otite externa necrosante, a otite externa maligna é uma 
infecção em geral produzida por Pseudomonas, progressiva e potencialmente letal, 
que inicia no canal auditivo externo, mas se dissemina envolvendo o osso 
temporal. 
Þ Os sintomas iniciais são similares aos da otite externa difusa, ou seja, dor e otorreia. 
Þ Costuma-se observar tecido de granulação, isto é, há formação de tecido de 
coloração avermelhada e facilmente hemorrágico ao toque localizado no canal 
auditivo externo, normalmente envolto por secreção amarelada. 
Þ Com a progressão da doença, a infecção dissemina- se para os tecidos moles 
adjacentes e para as estruturas ósseas, desenvolvendo-se osteíte ou osteomielite do 
osso temporal. 
Júlia Cunha Serra 
Þ Os casos graves com frequência mostram envolvimento de nervos cranianos, em 
especial do sétimo par, com paralisia facial. 
 
Þ Pacientes com suspeita desse diagnóstico devem ser encaminhados de 
maneira emergencial para um otorrinolaringologista ou serviço de emergência!! 
Þ Em geral, o tratamento requer hospitalização prolongada, de até 6 semanas, para a 
terapia intravenosa, mas alguns casos menos graves têm sido tratados com sucesso 
em ambulatório, com a utilização de ciprofloxacino oral 
 
• Tabela com resumão das otites externas: 
 
 
 
Júlia Cunha Serra 
Dor de garganta: 
• É causada, na maioria das vezes, por um processo inflamatório na faringe, nas tonsilas 
palatinas (antigamente chamadas de amígdalas) e na nasofaringe. 
• A maioria das dores de garganta é de origem viral e ocorre como parte do resfriado comum. 
• Diversos vírus (Epstein-Barr, herpesvírus simples, adenovírus, Coxsackie, da influenza, da 
parainfluenza, rinovírus, enterovírus, vírus sincicial respiratório e outros) e o estreptococo β-
hemolítico do grupo A são os principais agentes etiológicos. 
• A infecção por Streptococcus pyogenes (estreptococo β-hemolítico do grupo A) é a causa 
mais comum de faringite aguda bacteriana e é responsável por cerca de 5 a 15% dos casos 
de dor de garganta nos adultos e 20 a 30% dos casos em crianças. Estes casos devem ser 
identificados e tratados corretamente, já que se não tratados podem levar a complicações: 
 
• Faringite viral: 
Þ Processo de início gradual acompanhado de febre, mal-estar e anorexia 
Þ Dor de garganta costuma ser moderada 
Þ Pode ter também conjuntivite, coriza, rinite, tosse, rouquidão, diarreia e adenomegalia 
dolorosa. 
Þ A conjuntivite associada à faringite por adenovírus é chamada de febre 
faringoconjuntival 
Þ Em geral a doença não persiste por mais de 5-7 dias 
• Faringite estreptocócica: 
Þ Início súbito, calafrios, dor de garganta intensa, cefaleia, dor abdominal, orofaringe 
hiperemiada com exsudato, petéquias no palato mole e adenite cervical anterior 
dolorosa é o quadro típico 
Þ Mas na maioriadas vezes as manifestações são menos específicas 
Þ Crianças com idadesobre a prevenção quaternária: 
• O sobrediagnóstico acontece quando pessoas têm um diagnóstico corretamente confirmado 
de uma doença, mas não têm sintomas nem teriam sua vida ameaçada pela doença no futuro. 
• Elas são tratadas (neste caso, sobretratadas) porque são indistinguíveis das pessoas 
diagnosticadas que adoeceriam. 
• Isso ocorre em grandes proporções nos rastreamentos, gerando o paradoxo da popularidade: 
pessoas sobrediagnosticadas e sobretratadas consideram que foram salvas pelo 
rastreamento, mas foram prejudicadas. 
• Medidas preventivas redutivas = visam redução de exposição artificiais presentes no modo 
de viver, sabidamente patogênicas, de maior risco ou prejudiciais à saúde, sobretudo nas 
sociedades industrializadas. 
• Medidas aditivas = adicionar algum fator artificial na esperança de conferir proteção à 
medicamentos, vacinas, ... 
Júlia Cunha Serra 
 
• Princípio da precaução (PP) = orienta que frente a perigos e danos potenciais significativos 
decorrentes de uma atividade ou produto, havendo dúvidas científicas sobre os mesmos, o 
Estado deve agir evitando-os 
 
O PNSP tem quatro eixos: 
• O estímulo a uma prática assistencial segura; 
• O envolvimento do cidadão na sua segurança (o cidadão estar atento e cobrar segurança); 
• A inclusão do tema no ensino; 
• E o incremento de pesquisa sobre o tema. 
 
No atual ambiente organizacional da maioria dos hospitais, pelo menos seis grandes mudanças são 
requeridas para iniciar a jornada com vistas a uma cultura da segurança: 
• É necessário mudar a busca de erros como falhas individuais, para compreendê-los como 
causados por falhas do sistema. 
• É necessário mudar de um ambiente punitivo para uma cultura justa 
• Mudar do sigilo para a transparência. 
• O cuidado deve deixar de ser centrado no médico para ser centrado no paciente. 
• Mudar os modelos de cuidado baseados na excelência do desempenho individual e in- 
dependente, para modelos de cuidado realizado por equipe profissional interdependente, 
colaborativo e interprofissional. 
• A prestação de contas é universal e recíproca, e não do topo para a base. 
 
Para a organização do plano é importante que se conheça os fatores contribuintes, que são 
circunstâncias, ações ou influências que desempenham um papel na origem ou no desenvolvimento 
de um incidente ou no aumento do risco de incidente. Os fatores podem ser: 
• Humanos – relacionados ao profissional. 
• Sistêmico – relacionados ao ambiente de trabalho. 
• Externos – relacionados a fatores fora da governabilidade do gestor. 
• Relacionados ao paciente. Exemplo: não adesão ao tratamento 
 
Núcleos de segurança do paciente = Os NSPs são instâncias que devem ser criadas nos 
estabelecimentos de Saúde para promover e apoiar a implementação de iniciativas voltadas à 
segurança do paciente. 
 
Júlia Cunha Serra 
OT5 (PARTE 2 – INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO CLÍNICA) 
 
A consulta em 7 passos: 
 
• Tem por base um modelo clínico integrado, que é um desenvolvimento do método clínico 
centrado na pessoa. 
Þ Isto é, centra-se na singularidade de cada pessoa e, ao mesmo tempo, presta atenção 
aos aspectos biomédicos, ao médico, à relação médico-paciente e ao contexto em 
que tudo decorre. 
 
• Propõem-se três fases e sete passos para análise de cada consulta: 
 
Þ Fase inicial – preparação e primeiros minutos = preparação do que vai se seguir; 
fase de concentração, focalização de atenção e energia 
o Passo 1 – Preparação = revê situação do médico, do consultório e do próximo 
paciente antes dele ser chamado 
o Passo 2 – Os primeiros minutos = onde se procede à chamada, ao encontro, 
cumprimento e acolhimento do paciente; detecção de indícios físicos e 
emocionais, de motivos de consulta 
 
Þ Fase intermediária – exploração, avaliação e plano (EAP) = corresponde ao 
desenrolar da consulta, com a recolha sistematizada de dados e de informação, avalia 
tais dados e se faz um plano a partir deles 
o Passo 3 – Exploração = onde se recolhem, analisam e contextualizam dados 
e informações 
o Passo 4 – Avaliação = onde se fazem a interpretação, diagnósticos, 
explicações, prognósticos, e avaliam o impacto na qualidade de vida 
o Passo 5 – Plano = onde se prepara o plano de cuidado (propostas, 
negociação, acordos, ...) 
 
Þ Fase final – encerramento e reflexão final = se resume o que se passou, se avalia 
como decorreu a consulta para verificar se chegou ao local desejado, que não ficou 
nada para trás, e pensar nas próximas etapas 
o Passo 6 – Encerramento = se verifica se existem dúvidas, revê o plano 
acordado e se procede ao cumprimento de despedida 
o Passo 7 – Reflexão e notas finais = onde se faz uma breve reflexão crítica 
sobre o que se passou 
 
 
 
 
Júlia Cunha Serra 
 
 
 
Guia Calgary-Cambrigde: 
 
Júlia Cunha Serra

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