Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Organizadores
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho
Maria Augusta Rocha Bezerra
Mayara Águida Porfírio Moura
Saberes e Práticas do 
Enfermeiro no 
Cuidado à Criança e 
ao Adolescente
Igho Leonardo do Nascimento Carva
Organizadores
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho
Maria Augusta Rocha Bezerra
Mayara Águida Porfírio Moura
Saberes e Práticas do 
Enfermeiro no 
Cuidado à Criança e 
ao Adolescente
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho - Igho Leonardo.gif https://drive.google.com/file/d/1L6OD2Z7yGX43DuHhlQ10Bb5e5LD...
Editora CRV
Curitiba – Brasil
2022
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho
Maria Augusta Rocha Bezerra
Mayara Águida Porfírio Moura
(Organizadores)
SABERES E PRÁTICAS DO 
ENFERMEIRO NO CUIDADO À 
CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
Copyright © da Editora CRV Ltda.
Editor-chefe: Railson Moura
Diagramação da Capa: Designers da Editora CRV
Imagem da capa: Freepik | @distrologo_freepik
Revisão: Os Autores
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
CATALOGAÇÃO NA FONTE
Bibliotecária responsável: Luzenira Alves dos Santos CRB9/1506
SA113
Saberes e práticas do enfermeiro no cuidado à criança e ao adolescente / Amanda Lúcia Barreto 
Dantas, Igho Leonardo do Nascimento Carvalho, Maria Augusta Rocha Bezerra, Mayara Águida 
Porfírio Moura (organizadores) – Curitiba : CRV, 2022.
262 p.
Bibliografi a
ISBN Digital 978-65-251-3116-0
ISBN Físico 978-65-251-3115-3
DOI 10.24824/978652513115.3
1. Enfermagem 2. Saúde 3. Nutrição 4. Prevenção 5. Programas de saúde I. Dantas, Amanda 
Lúcia Barreto, org. II. Carvalho, Igho Leonardo do Nascimento, org. III. Bezerra, Maria Augusta 
Rocha, org. IV. Moura, Mayara Águida Porfírio, org. V. Título VI. Série.
CDD 610.73 CDU 616.31 
Índice para catálogo sistemático 
1. Enfermagem – 610.73
2022
Foi feito o depósito legal conf. Lei 10.994 de 14/12/2004
Proibida a reprodução parcial ou total desta obra sem autorização da Editora CRV
Todos os direitos desta edição reservados pela: Editora CRV
Tel.: (41) 3039-6418 – E-mail: sac@editoracrv.com.br
Conheça os nossos lançamentos: www.editoracrv.com.br
ESTA OBRA TAMBÉM SE ENCONTRA DISPONÍVEL EM FORMATO DIGITAL.
CONHEÇA E BAIXE NOSSO APLICATIVO!
Este livro passou por avaliação e aprovação às cegas de dois ou mais pareceristas ad hoc.
Comitê Científico:
Ana Rosete Camargo Rodrigues Maia (UFSC)
Carlos Leonardo Figueiredo Cunha (UFRJ)
Cristina Iwabe (UNICAMP)
Evania Nascimento (UEMG)
Fernando Antonio Basile Colugnati (UFJF)
Francisco Jaime Bezerra Mendonca Junior (UEPB)
Janesca Alban Roman (UTFPR)
José Antonio Chehuen Neto (UFJF)
Jose Odair Ferrari (UNIR)
Juliana Balbinot Reis Girondi (UFSC)
Karla de Araújo do Espirito Santo 
Pontes (FIOCRUZ)
Lucas Henrique Lobato de Araujo (UFMG)
Lúcia Nazareth Amante (UFSC)
Lucieli Dias Pedreschi Chaves (EERP)
Maria Jose Coelho (UFRJ)
Milena Nunes Alves de Sousa (FIP)
Narciso Vieira Soares (URI)
Orenzio Soler (UFPA)
Samira Valentim Gama Lira (UNIFOR)
Thiago Mendonça de Aquino (UFAL)
Vânia de Souza (UFMG)
Wagner Luiz Ramos Barbosa (UFPA)
Wiliam César Alves Machado (UNIRIO)
Conselho Editorial:
Aldira Guimarães Duarte Domínguez (UNB)
Andréia da Silva Quintanilha Sousa (UNIR/UFRN)
Anselmo Alencar Colares (UFOPA)
Antônio Pereira Gaio Júnior (UFRRJ)
Carlos Alberto Vilar Estêvão (UMINHO – PT)
Carlos Federico Dominguez Avila (Unieuro)
Carmen Tereza Velanga (UNIR)
Celso Conti (UFSCar)
Cesar Gerónimo Tello (Univer. Nacional 
Três de Febrero – Argentina)
Eduardo Fernandes Barbosa (UFMG)
Elione Maria Nogueira Diogenes (UFAL)
Elizeu Clementino de Souza (UNEB)
Élsio José Corá (UFFS)
Fernando Antônio Gonçalves Alcoforado (IPB)
Francisco Carlos Duarte (PUC-PR)
Gloria Fariñas León (Universidade 
de La Havana – Cuba)
Guillermo Arias Beatón (Universidade 
de La Havana – Cuba)
Helmuth Krüger (UCP)
Jailson Alves dos Santos (UFRJ)
João Adalberto Campato Junior (UNESP)
Josania Portela (UFPI)
Leonel Severo Rocha (UNISINOS)
Lídia de Oliveira Xavier (UNIEURO)
Lourdes Helena da Silva (UFV)
Marcelo Paixão (UFRJ e UTexas – US)
Maria Cristina dos Santos Bezerra (UFSCar)
Maria de Lourdes Pinto de Almeida (UNOESC)
Maria Lília Imbiriba Sousa Colares (UFOPA)
Paulo Romualdo Hernandes (UNIFAL-MG)
Renato Francisco dos Santos Paula (UFG)
Rodrigo Pratte-Santos (UFES)
Sérgio Nunes de Jesus (IFRO)
Simone Rodrigues Pinto (UNB)
Solange Helena Ximenes-Rocha (UFOPA)
Sydione Santos (UEPG)
Tadeu Oliver Gonçalves (UFPA)
Tania Suely Azevedo Brasileiro (UFOPA)
SUMÁRIO
PREFÁCIO �����������������������������������������������������������������������������������������������������13
Silvana Santiago da Rocha
DESENVOLVIMENTO NEUROPSICOMOTOR DE RECÉM-NASCIDOS 
PREMATUROS: revisão integrativa ���������������������������������������������������������������15
Tatiana Maria Melo Guimarães
Caroline Neves de Sá
Thaynah Suellen da Conceição Lima
Maria Augusta Rocha Bezerra
Luara Freitas Fonseca Ventura
Marcelo Victor Freitas Nascimento
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Doi: 10.24824/978652513115.3.15-26
PRINCIPAIS EVENTOS ADVERSOS NA UNIDADE DE TERAPIA 
INTENSIVA NEONATAL: revisão integrativa ������������������������������������������������� 27
Hiêza Magalhões Araújo
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Mychelangela de Assis Brito
Doi: 10.24824/978652513115.3.27-42 
DESENVOLVIMENTO DE INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO 
DO ESTADO VACINAL DE CRIANÇAS: um relato de experiência ������������� 43
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho
Amanda Vieira Sarmento
Ingrid Moura de Abreu
Ellen Karem Rodrigues da Silva
Doi: 10.24824/978652513115.3.43-54 
IMPLICAÇÕES DA RISOTERAPIA NA COMUNICAÇÃO, SINAIS VITAIS 
E PERCEPÇÃO DA DOR EM CRIANÇAS HOSPITALIZADAS ����������������� 55
Lany Leide de Castro Rocha Campelo
Tatiana Maria Melo Guimarães
Luisa Helena de Oliveira Lima
Antonia Tiarla Bezerra de Melo
Lairton Batista de Oliveira
João Victor Rodrigues de Azevedo
Aline Raquel de Sousa Ibiapina
Antonio Alberto Ibiapina Costa Filho
Doi: 10.24824/978652513115.3.55-70
ESTRATÉGIAS PARA ENVOLVER O PAI NO CUIDADO À CRIANÇA 
COM DOENÇA CRÔNICA�����������������������������������������������������������������������������71
Willyane de Andrade Alvarenga
Rosa Maria de Oliveira Sampaio
Elizangela da Silva Nunes
Silvana Santiago da Rocha
Doi: 10.24824/978652513115.3.71-82 
ANÁLISE DA QUALIDADE DO SONO ENTRE CRIANÇAS PRÉ-
ESCOLARES A PARTIR DA PERCEPÇÃO MATERNA ������������������������������ 83
Luara Freitas Fonseca Ventura
Caroline Neves de Sá
Tatiana Maria Melo Guimarães
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.83-96 
EDUCAÇÃO SEXUAL NA ADOLESCÊNCIA: visão dos pais e 
adolescentes e papel da escola ����������������������������������������������������������������������97
Elaide Silva Santos
Jaqueline Maria de Sousa
Maria Nauside Pessoa da Silva
Danieles Guimarães Oliveira
Flávia Dayana Ribeiro da Silveira
Lindia Kalliana da Costa Araújo Alves Carvalho
Layana Pachêco de Araújo Albuquerque
Doi: 10.24824/978652513115.3.97-110
CONTRIBUIÇÕES DA REDE DE APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO: 
uma revisão integrativa da literatura ��������������������������������������������������������������111
Maryanna Tallyta Silva Barreto
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Silvana Santiago da Rocha
Marcelo Vitor Freitas Nascimento
Artemizia Francisca de Sousa
Tamires Ferreira Mendes
Roseanne de Sousa Nobre
Doi: 10.24824/978652513115.3.111-124
ALEITAMENTO MATERNO NA CULTURA INDÍGENA: revisão integrativa 
de literatura����������������������������������������������������������������������������������������������������125
Dannyel Rogger Almeida Teixeira
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Ozirina Maria da Costa
Nara Silva Soares
Doi: 10.24824/978652513115.3.125-136 
FATORES RELACIONADOS À DURAÇÃO DO ALEITAMENTO MATERNO 
EXCLUSIVO DO BINÔMIO MÃE-FILHO: estudo longitudinal �����������������������137
Lorena Sousadiagnostic criteria of health-care 
associated infections in neonatal intensive care units in Turkey: A multicenter 
point- prevalence study. Pediatrics & Neonatology, [S.l.], v. 62, n. 2, p. 208-
217, mar. 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.pedneo.2021.01.001. Dispo-
nível em: https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S1875957221000012. 
Acesso em: 5 jul. 2021.
ELMENEZA, S.; ABUSHADY, M. Anonymous reporting of medical errors 
from The Egyptian Neonatal Safety Training Network. Pediatrics & Neona-
tology, [S.l.], v. 61, n. 1, p. 31-35, fev. 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.
pedneo.2019.05.008. Disponível em: https://www.pediatr-neonatol.com/arti-
cle/S1875-9572(19)30029-4/fulltext. Acesso em: 21 fev. 2021.
FERREIRA, C. P. et al. A utilização de cateteres venosos centrais de inserção 
periférica na Unidade Intensiva Neonatal. Revista Eletrônica de Enferma-
gem, [S.l.], Universidade Federal de Goiás, v. 22, p. 1-8, 30 jun. 2020. DOI: 
http://dx.doi.org/10.5216/ree.v22.56923. Disponível em: https://www.revistas.
ufg.br/fen/article/view/56923. Acesso em: 5 jul. 2021.
38
FOGLIA, E. E. et al. Factors associated with adverse events during tracheal 
intubation in the NICU. Neonatology, [S.l.], v. 108, n. 1, p. 23-29, 2015. DOI: 
http://dx.doi.org/10.1159/000381252. Disponível em: https://www.karger.
com/Article/FullText/381252. Acesso em: 25 fev. 2021.
FOGLIA, E. E. et al. Neonatal intubation practice and outcomes: an inter-
national registry study. Pediatrics, [S.l.], v. 143, n. 1, p. 1-10, 11 dez. 2018. 
American Academy of Pediatrics (AAP). DOI: http://dx.doi.org/10.1542/
peds.2018-0902. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics/arti-
cle/143/1/e20180902/37256/Neonatal-Intubation-Practice-and-Outcomes-An. 
Acesso em: 25 fev. 2021.
FRANCESCHI, A. T.; CUNHA, M. L. C. Eventos adversos relacionados con 
el uso de catéteres venosos centrales en recién nacidos hospitalizados. Revista 
Latino-Americana de Enfermagem, v. 18, n. 2, p. 196-202, 2010. Disponível 
em: https://www.scielo.br/j/rlae/a/rsfVtZwZMnPY6L4GcdCHLVg/?forma-
t=pdf&lang=es. Acesso em: 21 fev. 2021.
HATCH, L. D. et al. Interventions to Improve Patient Safety During Intubation 
in the Neonatal Intensive Care Unit. Pediatrics, [S.l.], American Academy 
of Pediatrics (AAP), v. 138, n. 4, p. 62-66, 21 set. 2016. DOI: http://dx.doi.
org/10.1542/peds.2016-0069. Disponível em: https://publications.aap.org/
pediatrics/article-abstract/138/4/e20160069/52281/Interventions-to-Impro-
ve-Patient-Safety-During?redirectedFrom=fulltext. Acesso em: 25 fev. 2021.
HERRICK, H. M. et al. Comparison of neonatal intubation practice and outco-
mes between the neonatal intensive care unit and delivery room. Neonatology, 
v. 117, n. 1, 2020, p. 65-72. DOI: 10.1159/000502611. Disponível em: https://
pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31563910/. Acesso em: 25 fev. 2021.
HOFFMEISTER, L. V.; MOURA, G. M. S. S.; MACEDO, A. P. M. C. Learning 
from mistakes: analyzing incidents in a neonatal care unit. Revista Latino-
-Americana de Enfermagem, [S.l.], v. 27, p. 1-8, 2019. DOI: http://dx.doi.
org/10.1590/1518-8345.2795.3121. Disponível em: https://www.scielo.br/j/
rlae/a/pjz5ZTR9RgfSrbg86Nv5WNy/?lang=en. Acesso em: 21 fev. 2021.
KARINO, M. E.; FELLI, V. E. A. Enfermagem baseada em evidências: avan-
ços e inovações em revisões sistemáticas. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 11, 
2012, p. 11-15. DOI: https://doi.org/10.4025/cienccuidsaude.v11i5.17048. 
Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/
article/view/17048. Acesso em: 20 mar. 2021.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 39
LANZILLOTTI, L. S. et al. Eventos adversos e outros incidentes na unidade 
de terapia intensiva neonatal. Ciência & Saúde Coletiva, [S.l], v. 20, n. 3, 
p. 937-946, 2015. DOI: 10.1590/1413-81232015203.16912013. Disponível 
em: https://www.scielo.br/pdf/csc/v20n3/pt_1413-8123-csc-20-03-00937.
pdf. Acesso em: 7 fev. 2021.
MAZIERO, E. C. S. et al. Associação entre condições de trabalho da enfer-
magem e ocorrência de eventos adversos em Unidades Intensivas neopediá-
tricas. Revista da Escola de Enfermagem da Usp, [S.l.], v. 54, p. 1-8, 2020. 
DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s1980-220x2019017203623. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/reeusp/a/sxwSttWPbz6rptNF3QCsMxb/?lang=pt. 
Acesso em: 21 fev. 2021.
MELNIK, B. M.; FINEOUT-OVERHOLT, E. Prática baseada em evidên-
cias em enfermagem e saúde. Filadélfia-PA: Lippincott Williams & Wilkins, 
2005. p. 6-10.
MOHER, D. et al. Preferred reporting items for systematic reviews and metaa-
nalyses: the PRISMA statement. Int. J. Surg., v. 8, n. 5, 2010, p. 336-341, 
2018. DOI: 10.1371/journal.pmed.1000097. Disponível em: https://www.
ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19621072. Acesso em: 5 mar. 2021.
NASCIMENTO, T. M. M. et al. Caracterização das causas de internações de 
recém-nascidos em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Caderno de 
Graduação – Ciências Biológicas e da Saúde – UNIT, Alagoas, v. 6, n. 1, 
p. 63, 2020. Disponível em: https://periodicos.set.edu.br/fitsbiosaude/article/
view/6568. Acesso em: 2 abr. 2021.
NLM – NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. MEDLINE: Overview. 
[S.l.], 2021. Disponível em: https://www.nlm.nih.gov/medline/medline_over-
view.html. Acesso em: 13 jun. 2021.
OLIVEIRA, C. O. P. Segurança do paciente em terapia intensiva neonatal: 
identificação e análise de eventos adversos. 2015. Dissertação (Mestrado) – 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, [S.l.], 2015. Disponível em: 
https://repositorio.ufrn.br/handle/123456789/20802. Acesso em: 21 fev. 2021.
OLIVEIRA, P. H. A. et al. Grupos e linhas de pesquisa pediátrica no Brasil 
e suas principais áreas de atuação. Jornal de Pediatria, v. 91, p. 299-305, 
2015. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jped.2014.09.002. Disponível em: https://
www.scielo.br/j/jped/a/7Jx3mSrWq9mJRBwPvtr9mWk/abstract/?lang=pt. 
Acesso em: 11 fev. 2021.
40
PEREIRA, H. P. et al. Desfechos relacionados ao cateter venoso central de 
inserção periférica e à dissecção cirúrgica em recém-nascidos. Cogitare 
Enfermagem, v. 25, 2020. DOI: http://dx.doi.org/10.5380/ce.v25i0.68266. 
Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/68266. Acesso 
em: 14 jun. 2021.
POUPPIRT, N. R. et al. Association between video laryngoscopy and adverse 
tracheal intubation-associated events in the neonatal intensive care unit. The 
Journal of Pediatrics, [S.l.], v. 201, p. 281-284, out. 2018. Elsevier BV. DOI: 
http://dx.doi.org/10.1016/j.jpeds.2018.05.046. Disponível em: https://www.
jpeds.com/article/S0022-3476(18)30759-5/fulltext. Acesso em: 21 fev. 2021.
PRADO, N. C. C. et al. Variáveis associadas a eventos adversos em neo-
natos com cateter central de inserção periférica. Enferm. glob., Murcia, 
v. 19, n. 59, p. 36-67, 2020. DOI: https://dx.doi.org/10.6018/eglobal.387451. 
Disponível em: http://scielo.isciii.es/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1695-61412020000300036&lng=es&nrm=iso. Acesso em: 14 jun. 2021.
REDONDO, M. A. et al. Mejorando la seguridad del paciente: utilidad de las 
listas de verificación de seguridad en una unidad neonatal. Anales de Pedia-
tría, [S.l.], v. 87, n. 4, p. 191-200, out. 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.
anpedi.2016.11.005. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/
article/pii/S1695403316303095?via%3Dihub. Acesso em: 2 mar. 2021.
RUIZ, M.T. E. et al. Los errores de tratamiento en una unidad neonatal, 
uno de los principales acontecimientos adversos. Anales de Pediatría, 
[S.l.], v. 84, n. 4, p. 211-217, abr. 2016. DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.
anpedi.2015.09.009. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/
article/pii/S1695403315003707?via%3Dihub. Acesso em: 2 mar. 2021.
SILVA, C. B. et al. Ocorrência de eventos adversos em Unidade de Terapia 
Intensiva Neopediátrica: qualidade assistencial de enfermagem. Revista de 
Epidemiologia e Controle de Infecção, [S.l.], APESC – Associação Pro-En-
sino em Santa Cruz do Sul, v. 7, n. 4, p. 241-245, 1º out. 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.17058/reci.v7i4.7564. Disponível em: https://online.unisc.br/
seer/index.php/epidemiologia/article/view/7564. Acesso em: 7 fev. 2021.
SOUSA, B. V. N. et al. Repensando a segurança do paciente em unidade de 
terapia intensiva neonatal: revisão sistemática. Cogitare Enfermagem, [S.l.], 
v. 21, n. 5, p. 1-10, 17 ago. 2016. Universidade Federal do Paraná. DOI: http://
dx.doi.org/10.5380/ce.v21i5.45576. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/
cogitare/article/view/45576/pdf. Acesso em: 7 fev. 2021.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 41
TIPPMANN, S. et al. Adverse events and unsuccessful intubation attempts 
are frequent during neonatal nasotracheal intubations. Frontiers In Pedia-
trics, [S.l.], v. 9, p. 1-7, 11 maio 2021. DOI: http://dx.doi.org/10.3389/
fped.2021.675238. Disponível em: https://www.frontiersin.org/arti-
cles/10.3389/fped.2021.675238/full. Acesso em: 25 jul. 2021.
TOMAZONI, A. et al. Segurança do paciente na percepção da enfermagem 
e medicina em unidades de terapia intensiva neonatal. Revista Gaúcha de 
Enfermagem, v. 38, n. 1, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/
rgenf/v38n1/0102-6933-rgenf-1983-144720170164996.pdf. Acesso em: 21 
fev. 2021.
URSI, E. S. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão inte-
grativa da literatura. 2005. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Uni-
versidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Ribeirão 
Preto, 2005. DOI: 10.11606/D.22.2005.tde-18072005-095456. Disponível em: 
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-18072005-095456/
en.php. Acesso em: 25 fev. 2021.
VENTURA, C. M. U. et al. Eventos adversos em Unidade de Terapia Intensiva 
Neonatal. Revista Brasileira de Enfermagem, [S.l.], v. 65, n. 1, p. 49-55, 
fev. 2012. FapUNIFESP (SciELO). Disponível em: https://www.scielo.br/
pdf/reben/v65n1/07.pdf. Acesso em: 21 fev. 2021.
WHITTEMORE, R.; KNAFL, K. The integrative review: updated metho-
dology. Journal of advanced nursing, v. 52, n. 5, p. 546-553, 2005. DOI: 
10.1111/j.1365-2648.2005.03621.x. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.
nih.gov/16268861/. Acesso em: 21 fev. 2021.
DESENVOLVIMENTO DE 
INSTRUMENTO DE AVALIAÇÃO 
DO ESTADO VACINAL DE 
CRIANÇAS: um relato de experiência
Igho Leonardo do Nascimento Carvalho
Amanda Vieira Sarmento
Ingrid Moura de Abreu
Ellen Karem Rodrigues da Silva
Doi: 10.24824/978652513115.3.43-54 
A imunização, desenvolvida pelo emprego de vacinas, é uma ação com-
provada para controlar e eliminar as doenças infecciosas, sendo con-
siderada estratégia fundamental de proteção às crianças. No Brasil, 
constitui uma das mais importantes intervenções em saúde pública ofereci-
das pelo Sistema Único de Saúde (SUS) gratuitamente à população infantil 
(FERREIRA et al., 2017).
A vacinação representa uma medida preventiva de doenças infectoconta-
giosas imunopreveníveis (SILVA, 2015; CARNEIRO, A. V. et al., 2011; OLI-
VEIRA et al., 2010), à medida que ocorre ampla cobertura vacinal, devido sua 
capacidade de promover adequada proteção imunológica (BARBOSA, 2016).
A Organização Mundial da Saúde (OMS), relatou em 2015, que quase 
seis milhões de crianças menores de cinco anos de idade morreram por doen-
ças imunopreveníveis, tais como a pneumonia e a diarreia. Entretanto, a imu-
nização poderia ter evitado 88% destes óbitos (COSTA, 2020), o que torna a 
desatualização vacinal um problema de saúde pública, já que se pode perceber 
o risco do surgimento de surtos de doenças imunopreveníveis e desatualização 
vacinal em todos os ciclos de vida.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPS), com o início da 
pandemia da covid-19 diminuiu a demanda por serviços de imunização, além 
do adiamento das campanhas de vacinação. No Brasil, em 2021, apenas 
57,35% da população foi vacinada com todos os imunobiológicos preconi-
zados, no Nordeste 51,91% e no Piauí 60,34% (SI-PNI/DATASUS, 2021). 
Desta forma, a atualização vacinal configura-se um desafio a ser enfrentado 
pelos profissionais enfermeiros, técnicos de enfermagem e agentes comuni-
tários de saúde, envolvidos com o processo de imunização.
No Brasil, merece destaque a Política Nacional de Imunização (PNI), 
criado em 1973 e regulamentado em 1975, cujo objetivo é reduzir a morbimor-
talidade por doenças imunopreveníveis, com fortalecimento de ações integradas 
44
de vigilância em saúde para promoção, proteção e prevenção em saúde da popu-
lação, sendo considerado um dos maiores programas de vacinação do mundo, 
reconhecido nacional e internacionalmente (BRASIL, 2021). Além disso, o 
PNI possui uma trajetória admirável sob âmbito das inovações tecnológicas e, 
particularmente, por sustentar altos níveis de cobertura da população infantil, 
gerando um controle efetivo de várias doenças (COELHO, 2020).
Lopes (2019) destaca que existem muitas barreiras que dificultam a 
manutenção do cartão atualizado, como a falta de conhecimento sobre a 
importância da administração do imunobiológico, o esquecimento das doses 
agendadas e o medo de reações adversas à vacina. No entanto, tal fato, pode 
acarretar prejuízos à saúde da população, como infecções, sequelas e até a 
morte. E para que a população tenha conhecimento disso, faz-se imprescin-
dível o entendimento das informações acerca do tema (SILVEIRA, 2016).
Segundo Rosa (2016) para diminuir o atraso vacinal é de suma impor-
tância uma atuação mais eficiente e esclarecedora por parte dos profissionais 
de saúde e a enfermagem tem papel fundamental neste sentido, pois são os 
responsáveis por todo o processo de vacinação. Salienta-se também a rele-
vância da atuação do agente comunitário de saúde, na busca dos faltosos, 
além de proporcionar o estreitamento do vínculo entre a equipe de saúde e as 
famílias (SILVEIRA, 2016).
Diante disso, observa-se a importância dos profissionais de saúde no pro-
cesso de orientação acerca da vacinação. Entretanto, nota-se que tais profissio-
nais possuem dificuldade de avaliar os cartões de vacinação, haja vista que, é um 
processo complexo, que envolve a detecção das vacinas a serem administradas, 
o agendamento correto do esquema vacinal e a identificação daquelas que ainda 
podem ser atualizadas. Para Aguiar (2016), é necessário que esses profissio-
nais sejam capacitados continuamente, pois através da educação continuada e 
permanente em saúde é viável a melhoria da atenção neste nível de cuidado.
Dessa forma, é necessário medidas que minimizem estas dificuldades, 
uma vez que, a identificação das vacinas atrasadas e que, ainda podem ser 
atualizadas é fundamental para o controle de doenças imunopreveníveis. De 
maneira geral, existem problemas e desafios no sistema para o acesso às 
oportunidades de imunização, com isso, o estado vacinal deve ser avaliado e 
as vacinas devem ser administradas em todas as oportunidades (FERREIRA 
et al., 2017). Com isso, esta pesquisa objetiva relatar experiência de desen-
volvimento de instrumento de avaliação do estado vacinal de crianças.
Método
Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem qualitativa, do tipo 
relato de experiência, em que uma narrativa de vivência que passa a ser 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 45
apresentada, transmitindo conhecimento com embasamento científico 
(GROLLMUS; TARRÉS, 2015).
O relato foi desenvolvido durante curso de aperfeiçoamento promovido 
pelo projeto de extensão “Mais que vacinar, proteger”, vinculado ao curso 
de Enfermagem da Universidade Federal do Piauí-UFPI, Campus Amílcar 
Ferreira Sobral-CAFS em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de 
Barão de Grajaú-MA. A iniciativa do curso tinha como intuito capacitar téc-
nicos e enfermeiros, bem como agentes comunitários de saúde, entretanto 
houve relatos que a principal dificuldade era realizar a avaliação da caderneta 
de vacinação da criança.
O estudo foi realizado no município de Barão de Grajaú, no estado do 
Maranhão, fundado em 29 de março de 1911, à margem do Rio Paranaíba, 
que estabelecelimite geográfico com o município de Floriano-PI. Possui área 
geográfica de 2.247 km2 e população estimada em 2021 de 19.026 pessoas.
No curso de aperfeiçoamento participaram 28 profissionais de enferma-
gem (técnicos e enfermeiros) e 50 agentes comunitários de saúde, totalizando 
78 profissionais de saúde que são responsáveis por toda a rede de atenção 
primária à saúde do município. O curso foi desenvolvido no auditório da 
Secretaria Municipal de Educação, no período de junho e julho de 2021, 
mantendo os cuidados de biossegurança para prevenção da covid-19, tais 
como distanciamento social, uso de máscara, disponibilidade de lavatórios 
e álcool em gel.
A sistematização do relato ocorreu a partir do desenvolvimento do ins-
trumento e das observações do coordenador da atividade de extensão que 
apresentou a funcionalidade desse instrumento aos participantes do curso. 
Para obtenção dos resultados, foram descritos a compreensão dos participan-
tes sobre o instrumento e sua incorporação na rotina do serviço de atenção 
primária à saúde.
Para o embasamento teórico, desenvolveu-se pesquisa de revisão integra-
tiva, fundamentada no referencial teórico proposto por Whittemore e Knafl, 
que possibilitou a consolidação de uma relação com produções científicas 
que discorrem sobre o tema por meio da estratégia PICo, tendo como cri-
térios de inclusão: estudos primários, sem delimitação temporal, restrito ao 
idioma português.
Houve aplicação do seguinte algoritmo de busca: ((lactente) OR (“pré-
-escolar”) OR (criança) OR (“saúde da criança”)) AND ((“ganhos em saúde”) 
OR (“movimento contra vacinação”)) AND ((“vacinação”) OR (“cobertura 
vacinal”)) AND (la:(“pt”)), sendo obitdo um total de 40 referências e, após 
aplicação dos critérios de inclusão, foram reduzidos para 15 referências.
O estudo não necessitou de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, 
já que se aborda experiência dos autores no desenvolvimento de instrumento 
46
de avaliação do estado vacinal de crianças, durante um curso de aperfeiçoa-
mento. Desta forma, o presente estudo
Resultados
O desenvolvimento de instrumento de avaliação do estado vacinal se 
baseou na necessidade de resolver um problema cotidiano para os profis-
sionais de enfermagem que atuam na vacinação infantil e na parceria entre 
instituição de ensino e serviço de saúde. A resolução de problemas reais cria 
um contexto de forte interação entre conhecimento teórico e realidade prática, 
representando um conhecimento aplicável.
O instrumento de avaliação do estado vacinal infantil permite avaliar o 
estado vacinal preconizado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI) do 
Ministério da Saúde, devendo ser atualizado a cada mudança adotada pelo 
PNI (BRASIL, 2001). O instrumento destina-se aos profissionais Enfermei-
ros e Técnicos de Enfermagem que atuam em sala de imunização, além dos 
Agentes Comunitários de Saúde que avaliam cadernetas de vacinação durante 
sua rotina profissional, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).
O instrumento subsidia o reconhecimento das vacinas administradas no 
período preconizado pelo PNI, as vacinas atrasadas e, destas quais podem ser 
atualizadas. Para isso, o instrumento se baseia na relação entre período para 
administração de vacinas e cores, obtendo a seguinte relação: a) no período 
de administração ideal (cor verde); b) no período para atualização (cor ama-
rela); c) no período contraindicado (cor vermelha), organizados de maneira 
semelhante às cores do semáforo de trânsito.
O uso do instrumento necessita da idade atual do usuário e sua cader-
neta de vacinação. Em seguida, deve-se observar as vacinas registradas na 
caderneta de vacinação e registrar as vacinas atrasadas, considerando a idade 
atual do usuário. Por fim, as vacinas atrasadas devem ser avaliadas quanto a 
possibilidade de atualização. Com isso, o instrumento representa um relevante 
recurso norteador da atualização vacinal infantil.
O desenvolvimento do instrumento de avaliação do estado vacinal apre-
sentou como desafio a consolidação de uma quantidade elevada de vacinas 
durante a infância, numa única folha, e a descrição das idades em meses (0-15 
meses) e anos (2-12 anos), coincidindo aos períodos ideais de vacinação. As 
cores e sua funcionalidades foram importantes no estabelecimento de um 
efeito visual que auxilia na interpretação da condição vacinal.
Além do desenvolvimento propriamente dito, outro aspecto relevante 
era possuir uma capacitação com um caráter didático que, por sua vez, via-
bilizasse a compreensão e o reconhecimento da utilidade pelos profissionais 
de enfermagem e agentes comunitários de saúde. Neste sentido, foi realizada 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 47
a apresentação do instrumento, descrevendo-o como recurso inovador, espe-
cialmente criado para solucionar uma dificuldade recorrente dos profissionais 
de saúde que atuam com vacinação.
A apresentação foi acompanhada da exposição de sua aplicação por 
meio de casos clínicos, demonstrando a funcionalidade do instrumento para 
os participantes do curso. Devido o distanciamento social, durante o curso os 
participantes foram divididos em dois grupos: profissionais de enfermagem e 
agentes comunitários de saúde, o que permitiu resgatar problemas reais citados 
pelos participantes para demonstrar o uso do instrumento. Após apresentação, 
foram apresentados outros casos clínicos para resolução baseada no uso do 
instrumento, o que reforçou a compreensão e uso do instrumento.
A relação das cores e prazos associados à vacinação facilitou a interpre-
tação e, com curta capacitação, permitiu a adoção do instrumento como uma 
tecnologia em todas as salas de vacinas da rede de atenção primária à saúde 
do município, incluindo os agentes comunitários de saúde. Acredita-se que 
a adoção do instrumento na rotina de trabalho se deve à sua simplicidade de 
aplicação e riqueza de informações. Vale ressaltar que o instrumento tem como 
principal objetivo identificar vacinas atrasadas que podem ser atualizadas.
O desenvolvimento do instrumento demonstra consistência na avaliação 
do estado e deu origem à pesquisa “Avaliação do Estado Vacinal nos Ciclos 
de Vida: um estudo de validação”. Entretanto, torna-se pertinente a apresen-
tação de limitações do instrumento, tal como a necessidade do profissional de 
saúde precisa ter conhecimento prévio sobre vacinas, por exemplo, vacinas 
que não podem ser administradas simultaneamente e agravos de contraindi-
cação (gestação). E o estabelecimento de prioridades, em caso de múltiplas 
vacinas atrasadas.
Acredita-se que o estudo de validação e sua, respectiva, publicação em 
periódico especializado será fundamental para que outras Secretarias de Saúde, 
de âmbito municipal e estadual, possam incorporar essa tecnologia em saúde 
aos seus protocolos e rotinas de trabalho associadas à vacinação. Não existe 
expectativa de rendimentos financeiro, apenas de contribuir com o Sistema 
Único de Saúde (SUS) no fortalecimento do PNI.
Discussão
A vacinação é uma das intervenções mais exitosas em saúde pública 
(BARBOSA, 2016), sendo intrinsecamente vinculada à Atenção Primária à 
Saúde (APS), contemplando a Estratégia Saúde da Família (ESF) para sua 
operacionalização (FERREIRA et al., 2017) por meio do PNI que, por sua 
vez, oferta vacinas gratuitas, conforme o calendário de vacinação infantil.
48
O PNI elucida procedimentos que antecedem a administração da vacina, 
tais como avaliação do histórico de vacinação e identificação das vacinas a 
serem administradas (BRASIL, 2014b). Nesse sentido, o instrumento de ava-
liação do estado vacinal infantil fortalece o processo de trabalho à medida que 
constitui uma tecnologia para auxiliar o profissional de saúde pela vacinação.
Os profissionais de enfermagem e ACSs lidam frequentemente com 
mudanças no processo de imunização, seja por introdução de uma nova vacina, 
alteração dos esquemas de vacinação, diferentes recomendações de cuidado e 
manuseios,de acordo com os laboratórios produtores (MOCHIZUKI, 2017). 
Tais mudanças implicam em risco de conduta desatualizada ou equivocada 
pelo profissional responsável pela avaliação das vacinas, o que pode ser pre-
venido por meio do uso do instrumento de avaliação do estado vacinal.
O calendário ficou mais complexo, exigindo um amplo conhecimento dos 
profissionais sobre os esquemas vacinais e a sua atualização, em especial para 
as crianças que chegam aos postos de vacinação em atraso. Nesse contexto, 
se a criança comparecer ao posto de vacinação fora da idade preconizada e 
o profissional de saúde não souber orientar quais vacinas deverão ser feitas 
simultaneamente no momento do comparecimento, poderá haver atraso na 
vacinação (DOMINGUES et al., 2020).
Diante da complexidade em que se tornou o Calendário Nacional de 
Vacinação (CNV), a partir das novas inclusões de vacinas ao longo da sua 
história, vale ressaltar que a introdução de novas vacinas não afeta negativa-
mente as coberturas daquelas presentes anteriormente no calendário. Porém, 
como as coberturas iniciais de novas vacinas geralmente são mais baixas que 
as de vacinas mais antigas, pode-se observar queda na cobertura do esquema 
completo (FERREIRA et al., 2018).
Em estudo que avaliou o conhecimento dos ACS sobre o conteúdo da 
caderneta da saúde da criança, realizado entre 2018 e 2019, evidenciou que 
possuem familiaridade com o acompanhamento do esquema vacinal (SANTOS 
et al., 2020). Nesse contexto, os ACSs atuam no agendamento das vacinas 
possibilitando a diminuição significativa da perda de oportunidade de vacina-
ção (MENEZES et al., 2022), o que demonstra a pertinência do instrumento 
de avaliação do estado vacinal no processo de trabalho do ACS.
Em estudo sobre cobertura vacinal, em 2012, mostrou que o atraso vaci-
nal ocorre com maior frequência na faixa etária em menores de um ano, 
sugerindo a importância das estratégias de busca ativa (CARDOSO et al., 
2015). Considerando o atraso vacinal infantil e a necessidade de atualização 
torna-se fundamental que os profissionais de saúde que atuam na área de vaci-
nação sejam submetidos a capacitações periódicas (FERREIRA et al., 2017), 
podendo ser inserida demonstração do uso e reflexão sobre a pertinência do 
instrumento de avaliação no auxílio do processo de trabalho.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 49
Os resultados de estudo realizado em 2015, com 184 crianças, revelaram 
elevado percentual de atrasos na aplicação de vacinas do calendário básico, 
principalmente vacina contra febre amarela, tríplice viral e vacina contra 
rotavírus, demonstrando a necessidade de planejamento de ações de educação 
em saúde e de iniciativas de fortalecimento de ações que contribuam para 
promover o cumprimento do esquema básico de vacinação no primeiro ano 
de vida, a fim de diminuir e evitar o reaparecimento de doenças imunopreve-
níveis (CAVALCANTE et al., 2015).
A tendência de queda na cobertura vacinal de crianças menores de 12 
meses já era uma realidade nos anos anteriores à pandemia, entretanto a pan-
demia por covid-19 e medidas de distanciamento tiveram como consequência 
à diminuição de imunização das crianças (PROCIANOY et al., 2022).
Muitas doenças tornaram-se desconhecidas, fazendo com que algumas 
pessoas não tenham noção da gravidade representada por elas, com conse-
quente risco de reintrodução ou recrudescimento de doenças controladas ou já 
erradicadas no país. Começa-se, então, a observar um fenômeno identificado 
não só no Brasil, mas em diversos países, que é a redução no alcance das 
metas preconizadas para os índices de coberturas vacinais (DOMINGUES 
et al., 2020)
Além de altas coberturas vacinais, outro aspecto fundamental para maxi-
mizar a proteção de indivíduos e populações é a aplicação das vacinas na idade 
recomendada. As recomendações de idade ideal para aplicações de vacinas, 
além de idades mínima e máxima, assim como os intervalos entre as doses 
em caso de vacinas com esquema multidose, são feitas com o objetivo de 
maximizar a proteção. Para isso, ressalta-se a importância da avaliação da 
validade das doses, por meio do instrumento proposto, como subsídio para o 
aprimoramento das estratégias de vacinação (FERREIRA et al., 2018).
O instrumento de avaliação do estado vacinal infantil fortalece ações da 
PNI, estratégia fundamental para a redução da mortalidade infantil e, con-
sequentemente, da melhoria da expectativa de vida da população brasileira 
(DOMINGUES et al., 2020).
Conclusões e considerações para a prática clínica e científica
Neste estudo foram descritos os procedimentos envolvidos no desenvolvi-
mento de instrumento de avaliação do estado vacinal, incluindo características 
técnicas e funcionais, que possuem o intuito de identificar vacinas atrasadas 
que podem ser atualizadas.
O instrumento é um recurso complementar aos profissionais de enferma-
gem e agentes comunitários de saúde que atuam na vacinação infantil, sendo 
50
relevante na prevenção de falhas na memória do avaliador e de equívocos na 
seleção de vacinas atrasadas que podem ser atualizadas.
A validação científica e a incorporação do instrumento em protocolos, 
constituem desafios para popularização e exercício do potencial no fortale-
cimento das ações de vacinação associadas ao PNI. Dessa forma, o desen-
volvimento do instrumento possibilitou a proposição de possibilidades para 
a prática clínica:
• O instrumento de avaliação do estado vacinal representa um recurso 
que auxilia profissionais de enfermagem e agentes comunitários de 
saúde que atuam com vacinação infantil, devendo fazer parte dos 
impressos utilizados na rotina de trabalho.
• Os profissionais de saúde que atuam com vacinação infantil devem 
ser sistematicamente submetidos às capacitações para acompa-
nhar as frequentes atualizações do calendário básico de vacinação, 
podendo o instrumento descrito neste estudo ser incluído como uma 
tecnologia em saúde para prática de vacinação segura.
• A disseminação do instrumento por meio das mídias digitais pode 
demonstrar seu potencial na avaliação do estado vacinal e sua 
simplicidade no uso, demonstrando aos profissionais de saúde o 
potencial na qualificação do processo de trabalho com imuniza-
ção infantil.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 51
REFERÊNCIAS
AGUIAR, F; MOREIRA, J. Educação permanente em saúde: a problemática 
da doação de órgãos. Rev. Ens. Educ. Cienc. Human., Londrina, v. 17, n. 2, 
p. 153-163, 2016.
BARBOSA, J. S. Estado vacinal de adultos residentes em área urbana de 
Botucatu-SP: prevalência, preditores e epidemiologia espacial. 2016. 74 f. 
Dissertação (Mestrado em Saúde Coletiva) – Universidade Estadual Paulista 
“Júlio de Mesquita Filho”, Faculdade de Medicina de Botucatu, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de 
Procedimentos para Vacinação. 4. ed. Brasília, 2001.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departa-
mento de imunização e doenças transmissíveis. Plano nacional de opera-
cionalização da vacinação contra a covid-19. Brasília, 2021.
BRASIL Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Depar-
tamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Normas e 
Procedimentos para Vacinação. Brasília, 2014b.
CARDOSO, M. D. T.; CARNEIRO, S. G.; RIBEIRO, T. T. et al. Avaliação 
da cobertura vacinal em crianças de 2 meses a 5 anos na estratégia saúde da 
família. Rev. APS., v. 18, n. 3, p. 273-280, jul./set. 2015.
CARNEIRO, A. V. et al. Efectividade clínica e análise econômica da vacina-
ção preventiva. Acta Med Port., v. 24, n. 4, p. 565-586, 2011.
CAVALCANTE, C. C. F. S.; MARTINS M. C. C.; ARAÚJO, T. M. E. et al. 
Vacinas do esquema básico para o primeiro ano de vida em atraso em municí-
pio do nordeste brasileiro. J. Rev. fundam. care. Online, v. 7, n. 1, p. 2034-
2041, jan./mar. 2015.
COELHO, D. M. et al. Dificuldades encontradas nas campanhas de vacinação 
datríplice viral: revisão integrativa da literatura. Revista Científica Multidis-
ciplinar Núcleo do Conhecimento, ano 5, ed. 11, v. 24, p. 92-106, nov. 2020.
COSTA, P. et al. Completude e atraso vacinal das crianças antes e após inter-
venção educativa com as famílias. Cogitare enferm., v. 25, p. e67497, 2020.
52
DOMINGUES C. M. A. S. et al. 46 anos do Programa Nacional de Imu-
nizações: uma história repleta de conquistas e desafios a serem superados. 
Cad. Saúde Pública, v. 36, Sup 2: e00222919, 2020. DOI: 10.1590/0102-
311X00222919. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/XxZCT7tKQ-
jP3V6pCyywtXMx/?format=pdf. Acesso em: 7 abr. 2022.
FERREIRA, A. V. et al. Acesso à sala de vacinas da Estratégia Saúde da 
Família: aspectos organizacionais. Rev. enferm. UFPE on-line, Recife, v. 11, 
n. 10, p. 3869-77, out. 2017.
FERREIRA, V. L. R. et al. Avaliação de coberturas vacinais de crianças em 
uma cidade de médio porte (Brasil) utilizando registro informatizado de imu-
nização. Cad. Saúde Pública, v. 34, n. 9, p. e00184317, 2018.
GROLLMUS, N. S.; TARRÉS, J. P. Stories about Methodology: Diffrac-
ting Narrative Research Experiences. Forum Qualitative Sozialforschung 
/ Forum: Qualitative Social Research, v. 16, n. 2, p. 26, Apr. 2015. DOI: 
10.17169/FQS-16.2.2207. Disponível em: https://www.qualitative-research.
net/index.php/fqs/article/view/2207. Acesso em: 7 abr. 2022.
LOPES, J. P. et al. Avaliação de cartão de vacina digital na prática de 
enfermagem em sala de vacinação. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 27, 
e3225, 2019.
MENEZES, A. M. B. Atraso na vacina tetravalente (DTP+Hib) em crianças 
de 12 a 23 meses de idade: Pesquisa Nacional de Saúde, 2013. Cad. Saúde 
Pública, v. 38, n. 1, e00063821, 2022.
MOCHIZUKI, L. B. Avaliação da qualidade da assistência de enferma-
gem em salas públicas de vacinação de Goiânia. 2017.102 f. Dissertação 
(Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Faculdade de 
Enfermagem, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2017.
OLIVEIRA, G.V. et al. Vacinação: o fazer da enfermagem e o saber das mães 
e/ou cuidadores. Rev. Rene, v. 11, n. esp., p. 133-141, 2010.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Inmunización. Dis-
ponível em: https://www.paho.org/es/temas/inmunizacion. Acesso em: 10 
jun. 2021.
PROCIANOY, G. S. et al., Impacto da pandemia do covid-19 na vacinação 
de crianças de até um ano de idade: um estudo ecológico. Ciênc. saúde 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 53
coletiva, v. 27, n. 3, p. 969-978, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-
81232022273.20082021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/HRM-
wSZF7GT96MMx7pBTJfkD/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 abr. 2022.
ROSA, Marcos Alexandre Viana. Fatores que dificultam a adesão ao 
calendário vacinal em crianças até seis meses de idade. 2016. Trabalho 
de Conclusão de Curso (Bacharelado em enfermagem) – Centro Universitário 
Univates, Lajeado, 2016.
SANTOS, W. J. et al. Avaliação do conhecimento de agentes comunitários 
de saúde sobre o conteúdo da caderneta de saúde da criança. J. Health Biol 
Sci. (on-line), v. 8, p. 1-5, 2020. DOI: 10.12662/2317-3206jhbs.v8i1. 3082.
p1-5.2020. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/
biblio-1118399. Acesso em: 10 abr. 2022.
SILVA, E. F. S. Atuação do enfermeiro na sala de vacina. 2015. 32 f. 
Monografia (Bacharel e Licenciatura) – Curso de Enfermagem, Faculdade 
São Lucas, Porto Velho, Rondônia, 2015.
SILVEIRA, M. D. et al. Motivos para o atraso no calendário vacinal de crian-
ças em uma unidade básica de saúde no sul do Brasil. Rev. Aten. Saúde, São 
Caetano do Sul, v. 14, n. 49, p. 53-58, jul./set. 2016.
SIPNI/DATASUS. Sistema de informações do Programa Nacional de Imu-
nizações. Disponível em: http://sipni.datasus.gov.br/si-pni-web/faces/inicio.
jsf. Acesso em: 10 jun. 2021.
IMPLICAÇÕES DA RISOTERAPIA 
NA COMUNICAÇÃO, SINAIS 
VITAIS E PERCEPÇÃO DA DOR EM 
CRIANÇAS HOSPITALIZADAS
Lany Leide de Castro Rocha Campelo
Tatiana Maria Melo Guimarães
Luisa Helena de Oliveira Lima
Antonia Tiarla Bezerra de Melo
Lairton Batista de Oliveira
João Victor Rodrigues de Azevedo
Aline Raquel de Sousa Ibiapina
Antonio Alberto Ibiapina Costa Filho
Doi: 10.24824/978652513115.3.55-70 
A terapia do riso é uma espécie de cuidado lúdico que busca espaço em 
meio ao cuidado rígido amplamente difundido em âmbito hospitalar. 
É um método terapêutico considerado como de fácil aplicação e baixo 
custo, que além de propiciar a melhora física e emocional da pessoa cuidada, 
apresenta características importantes para o processo de humanização do 
cuidado à saúde (GOANA; ORDOÑEZ; GUTIÉRREZ, 2018).
Nesse sentido, o hospital, ambiente considerado paradoxal por ser um 
lugar de cuidado, mas que também evoca estigma de dor e sofrimento, onde 
ainda é comum aos pacientes o sentimento de carência de um cuidado mais 
humanizado em decorrência do tratamento biomédico que pouco se abre para 
os aspectos do cuidado com a saúde emocional (TAKAHAGUI et al., 2014; 
CATAPAN; OLIVEIRA; ROTTA, 2019), tem sofrido o impacto de rearran-
jos políticos tomando a humanização como tema central com a tentativa de 
promover um ambiente que melhor atenda às necessidades de cuidado da 
população (ALCÂNTARA et al., 2016).
A necessidade de uma visão ampliada do sujeito possibilitou a implemen-
tação de terapias que utilizam do bom humor como forma de humanizar as 
práticas de saúde, tornando a terapia do riso uma das terapias mais usadas no 
mundo com poder para transformar o processo de hospitalização em um pro-
cesso mais alegre e menos traumático, com potencial para promover uma recu-
peração mais rápida e menos dolorosa ao paciente (SOSSELA; SAGER, 2017).
Especialmente em se tratando da criança, uma experiência desagradável 
no período de internação, pode desencadear medo, sofrimento ou sentimen-
tos de punição. Neste contexto, o lúdico configura-se como uma ferramenta 
56
importante para ajudá-la a lidar com a rotina do hospital, amenizar o estresse e 
a ansiedade desencadeados, melhorar o vínculo com os profissionais, expres-
sar melhor seus sentimentos, além de facilitar sua interpretação por parte do 
profissional e minimizar outros efeitos negativos causados pelo processo de 
hospitalização (ALMEIDA; SOUZA; MIRANDA, 2021).
Ao brincar com a criança, o profissional tem a oportunidade de se apro-
ximar dela, de oferecer um cuidado diferenciado além do cuidado com a 
patologia, incapacidade e/ou limitações. O brincar altera o ambiente em que 
a criança se encontra, fazendo com que ela se aproxime da sua realidade, 
tornando o ato recreativo, também em um ato terapêutico. Ademais, a inser-
ção do palhaço nesse contexto proporciona integração e interação entre as 
crianças hospitalizadas, fortalecimento do vínculo com seus pares, diminuição 
do isolamento social e evolução do seu quadro clínico (SILVA et al., 2017).
A figura do palhaço remete ao riso, ação que tem o poder de combater os 
efeitos danosos que estresse, sofrimento ou dor causam no organismo (WAL-
TER et al., 2021). O sorriso ativa a região límbica no cérebro acarretando a 
produção de neurotransmissores responsáveis pelas sensações, acelerando o 
ritmo cardíaco e desencadeando um maior bombeamento de sangue que con-
sequentemente fortalece o sistema imunológico. Com isso ocorre a elevação 
da produção das células de defesa, absorção de oxigênio e estimulação da 
musculatura abdominal, facilitando a digestão (SANTOS et al., 2021).
Quanto aos aspectos sociais, o riso favorece a comunicação, que envolve 
as relações humanas voltadas para a percepção e a interpretação das mensagens 
verbais e não verbais feitas pelos órgãos sensitivos visão, olfato, audição, tato 
e paladar (ALCÂNTARA et al., 2016).
Embora o uso de terapias alternativas esteja ganhando cada vez mais 
espaço no tratamento de crianças hospitalizadas (ALCÂNTARA et al., 2016), 
faz-se necessário avançar nos estudos que identifiquem as potencialidades 
do uso da terapia do riso sobre o quadrode saúde da criança hospitalizada, 
tais como sinais vitais, percepção de dor e comunicação e interação com a 
equipe de saúde mediante uma intervenção lúdica. Desta forma, este estudo 
objetiva verificar as implicações da terapia do riso sobre o quadro de saúde 
da criança hospitalizada a partir da sua comunicação não verbal, percepção 
da dor e sinais vitais.
Métodos
Pesquisa do tipo antes e depois com avaliação pré e pós-intervenção 
de um único grupo, em que acadêmicos de enfermagem caracterizados de 
palhaços desenvolveram atividades lúdicas como desenhos e pinturas em 
papel e balões, origami e contação de piadas e histórias, e verificaram seus 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 57
efeitos sobre os sinais vitais, a percepção de dor e comunicação não verbal 
das crianças.
O estudo foi realizado de maio a junho de 2021 na ala infantil de um 
hospital público de médio porte de um município piauiense. A ala possui 
seis leitos, é atendida por uma equipe composta por seis enfermeiros e seis 
técnicos de enfermagem, além de fisioterapeutas, médicos e nutricionistas, 
que intercalam seus horários em plantões de 24horas. Nesse setor, ocorrem 
cerca de 43 internações mensalmente, de crianças com diagnósticos variados, 
tais como fraturas, problemas respiratórios, alérgicos, renais, gastrintestinais, 
dentre outros. Cabe destacar que o hospital não conta com brinquedoteca ou 
área de recreação para as crianças e seus acompanhantes.
Participaram do estudo 21 crianças com idade entre três e 12 anos interna-
das na ala infantil do hospital no período de realização da pesquisa conforme os 
critérios de inclusão: crianças de 3-12 anos, internadas, hemodinamicamente 
estáveis, orientadas em relação a tempo e espaço, com cognição preservada 
a ponto de compreender a escala de faces e interagir com os pesquisadores e 
dispostas a participar da pesquisa.
Houve uma perda, visto que os pais de uma criança em pós-operatório 
imediato não autorizaram que a mesma participasse do estudo tendo em vista 
sua fragilidade e mal-estar no momento da pesquisa.
Inicialmente, os pesquisadores abordaram os familiares das crianças na 
ala pediátrica em que estavam instalados para solicitar a autorização para a 
participação das crianças e esclarecer sobre o estudo e seu desenvolvimento. 
Após a autorização dos familiares, um acadêmico, utilizando sua vestimenta 
habitual apresentava-se às crianças e prosseguia com a aferição dos seus 
sinais vitais e aplicação da escala de faces de dor, enquanto outro acadêmico 
observava e anotava discretamente suas percepções sobre o comportamento 
não verbal das crianças.
Após a verificação inicial dos sinais vitais, o pesquisador retirava-se, 
caracterizava-se com adornos de palhaço (maquiagem nos olhos e jaleco e 
luvas coloridas) e retornava à ala para realizar brincadeiras com as crianças, 
tais como pintura de desenhos em papel e balões, origami e contação de his-
tórias e piadas por um período de aproximadamente 15 minutos. Encerrado o 
tempo de brincadeiras, o pesquisador, ainda vestido de palhaço realizava uma 
nova verificação dos sinais vitais e avaliação da intensidade de dor, enquanto 
o outro pesquisador (não caracterizado de palhaço) anotava suas percepções 
sobre o comportamento não verbal das crianças.
A fim de não interferir nos resultados do estudo, causando ainda mais 
ansiedade nas crianças, as mesmas eram interrogadas sobre sua participação 
no estudo apenas ao término da coleta de dados, momento em que os pes-
quisadores explicavam todo o procedimento já ocorrido e, quando maiores 
de seis anos, solicitavam seu aceite formal por meio da assinatura do TALE.
58
Para a coleta de dados foram utilizados um instrumento para anotação dos 
sinais vitais, a Escala Facial de Dor e um instrumento contendo 9 Indicadores 
de Comunicação não Verbal. O tempo empregado com cada criança, incluindo 
a intervenção e aplicação dos instrumentos, variou de 15 a 30 minutos.
A escala facial de dor é uma escala adaptada para versão brasileira e 
validada por Claro et al., (1993) para avaliar a intensidade da dor do paciente 
utilizando recursos adaptados para cada fase do ciclo vital. Para avaliar a 
dor em crianças, a escala utiliza personagens de Maurício de Sousa, Ceboli-
nha e Mônica representando meninos e meninas, cujas faces retratam cinco 
diferentes expressões faciais, as quais variam da expressão sem dor até a dor 
insuportável, sendo 0 = sem dor, 1 = dor leve, 2 = dor moderada, 3 = dor 
forte, 4 = dor insuportável. Também conhecida como Escala Analógica de Dor 
(EVA) pode ser utilizada no início e no final de cada atendimento, a mesma 
só não é utilizada em paciente que se encontra inconsciente, ou que tenham 
alguma limitação que o impossibilite de visualizar as figuras da EVA. Para 
utilizar a EVA o profissional deve questionar a criança em relação à qual é seu 
grau de dor. Este questionamento deve ser estimulado para criança através de 
perguntas tais como: você tem dor? Como você classifica sua dor? Deixando-a 
falar livremente e a vontade para escolher a face do personagem que mais 
representar sua dor naquele exato momento.
Os Indicadores de comunicação não verbal consistem em uma diretriz 
para avaliar a comunicação não verbal em diversos contextos, não se trata de 
uma escala e não possui um escore, mas quatorze itens, dos quais apenas onze 
(postura, contato com os olhos, móveis, expressão facial, distância interpessoal, 
cabeça, postura corporal, volume de voz, nível de energia e paraverbal) foram 
avaliados neste estudo. Este instrumento permite avaliar dois tipos de com-
portamentos não verbais: o primeiro trata-se do comportamento efetivo que é 
aquele que encoraja a fala ou aproximação do outro por demonstrar aceitação 
e respeito; o segundo é o comportamento ineficaz, ou seja, aquele que, prova-
velmente, enfraquece a conversação e prejudica interação (OLIVEIRA, 2020).
Para a tabulação e organização das informações utilizou-se o Microsoft 
Excel 2016. Para as análises estatísticas utilizou-se o Statistical Packae for 
the Social Sciences- SPSS versão 26. Na caracterização da amostra, foram 
verificadas as frequências relativa e absoluta, e o intervalo de confiança para 
a frequência relativa para as variáveis qualitativas ou categóricas. Para os 
dados quantitativos ou numéricos, foram utilizados média, desvio padrão e 
intervalo de confiança de 95% para a média.
Para a análise de normalidade das variáveis, foi utilizada do teste Sha-
piro-Wilk. A comparação dos valores iniciais e finais dos sinais vitais foi 
usado o teste de Wilcoxon. Para comparar a mudança ou permanência dos 
comportamentos não verbais efetivos ou ineficazes analisados antes e durante 
a intervenção foi usado o teste de McNemar.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 59
No desenvolvimento deste estudo, foram seguidas todas as recomenda-
ções vigentes de ética e pesquisa com seres humanos trazidos pela Resolução 
466/2012, vigente no país, bem como as recomendações de segurança contra 
a covid-19. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade Federal do Piauí, Campus Senador Helvídio Nunes de Barros, 
com parecer de número 3.916.609.
Todas as informações pessoais dos participantes coletadas no decorrer 
da pesquisa foram preservadas no anonimato e mantidas em sigilo. A parti-
cipação da criança ocorreu mediante autorização dos pais ou responsáveis 
legais por meio da assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido 
autorizando a participação da criança. Às crianças maiores que aceitaram par-
ticipar da pesquisa, foi solicitada a assinatura do termo de assentimento livre 
e esclarecido (TALE), nos quais constavam os objetivos, os procedimentos 
para obtenção dos dados, os riscos e benefícios da pesquisa, assim como a 
garantia do sigilo das informações coletadas.
Durante todo o período de coleta de dados os pesquisadores adotaram 
medidas de proteção contra a covid-19tais como uso dos EPI gorro, máscara 
N95, capote cirúrgico, luvas e propés. Nos momentos de aferição dos sinais 
vitais e de brincadeiras com as crianças era disponibilizado álcool em gel 
à 70% para higienização das mãos e dos materiais utilizados. Os materiais 
utilizados nas brincadeiras não eram compartilhados entre as crianças.
Resultados
Participaram do estudo 21 crianças internadas em um hospital público 
de médio porte localizado em um município do interior do Piauí. Houve 
um predomínio de crianças do sexo feminino (66,7%). A idade média dos 
participantes foi de 6,33 anos (desvio padrão de 2,73), diagnosticadas com 
problemas diversos, tais como fraturas, problemas respiratórios, alérgicos, 
renais e gastrintestinais e tempo médio de internação de 2,62 dias (desvio 
padrão de 2,73).
Tabela 1 – Caracterização do perfil social das crianças internadas em um 
hospital público de um município do interior do Piauí – 2021. N=21
N (%) IC-95% Média ± Dp IC-95%
Sexo
Masculino 7(33.3) (16.32-54.59)
Feminino 14(66.7) (45.40-83.67)
Idade 6.33±2.73 (5.09-7.57)
Tempo de internação 2.62±2.73 (1.38-3.86)
Fonte: Autor�
60
A Tabela 2, evidencia a análise de simetria das variáveis clínicas, percep-
ção de dor e avaliação não verbal. Com base no teste de normalidade Shapiro 
Wilk, somente a pressão média (Pré), possui comportamento simétrico, as 
demais variáveis não seguem distribuição normal (assimétrico).
Tabela 2 – Análise de normalidade das variáveis clínicas, percepção 
de dor e avaliação não verbal das crianças internadas em um hospital 
público de um município do interior do Piauí -2021. N=21
Estatística gl P-valor¹
Temperatura antes da intervenção 0.775 21consenso que existe uma relação complexa 
entre o comportamento associado à emoção e o sistema cardiovascular humano 
(MILLER; FRY, 2009), e que o estresse mental, ao contrário da alegria, é 
um fator importante que contribui para os mecanismos reconhecidos como 
nocivos aos eventos cardiovasculares (TODA; NAKANISHI-TODA, 2011).
A relação entre a terapia do riso e a percepção de diminuição 
da dor está bem descrita na literatura (LOPES-JÚNIOR et al., 2020; 
KURUDIREK; ARIKAN, 2020; OSORIO-SANDOVAL et al., 2019; 
LAPIERRE; BAKER; TANAKA, 2019; KRISTENSEN et al., 2019). A risote-
rapia aplicada por palhaços tem se mostrado uma importante ferramenta para 
a minimização da percepção de dor em crianças hospitalizadas em situações 
de procedimentos médicos dolorosos, como indução da anestesia na sala 
pré-operatória (LOPES-JÚNIOR et al., 2020) ou a quimioterapia intratecal 
em crianças com leucemia (KURUDIREK; ARIKAN, 2020).
Efeitos positivos do riso também foram demonstrados em outras situações 
dolorosas, exercendo impacto equivalente ao obtido com terapia medicamen-
tosa, como demonstrado em estudo realizado com 32 crianças para avaliar 
o efeito da risoterapia no manejo da dor em pós-operatório de apendicecto-
mia versus pacientes em tratamento farmacológico, utilizando a Escala Visual 
Analógica e aferição dos sinais vitais, antes e após a intervenção. O estudo 
em questão evidenciou que a diminuição da dor através da terapia do riso é 
eficaz, apresentando um impacto equitativo à administração de medicamentos 
analgésicos, contribuindo também para a diminuição da frequência respirató-
ria e aumento da saturação de oxigênio dos pacientes, o que não ocorre com 
o fármaco (OSORIO-SANDOVAL et al., 2019).
Para verificar os efeitos do riso na tolerância à dor muscular provo-
cada intencionalmente, um estudo expôs 40 jovens saudáveis a sessões de 
30 minutos de vídeos de comédia que provocava risos intercalados com um 
64
documentário desinteressante após serem submetidos a dor muscular provo-
cada por exercício excêntrico. Os resultados, obtidos a partir da utilização 
de uma escala visual analógica, demonstraram que a sessão de riso influen-
ciou favoravelmente a tolerância à dor muscular, enquanto o mesmo não 
aconteceu quando da exposição à sessão do documentário desinteressante 
(LAPIERRE; BAKER; TANAKA, 2019).
Além dos efeitos do riso, pesquisadores investigaram também os efeitos 
do cuidado psicossocial promovido pelo palhaço em crianças submetidas a 
situações dolorosas. Em um estudo etnográfico com 38 crianças com idades 
entre quatro e 15 anos submetidas a punção venosa na unidade de admissão 
aguda de um hospital, palhaços entravam em cena apoiando as crianças com 
uma frase para cada etapa, antes, durante e após o procedimento, “Como 
fazemos isso juntos?”; “Estamos juntos”; e “Eu / NÓS conseguimos!”. Os 
resultados deste estudo apontaram que a interação positiva entre a criança e 
o palhaço desde o primeiro encontro até a avaliação final fortaleceu a compe-
tência da mesma no manejo da dor e na capacidade de enfrentá-la, construindo 
assim competência para futuras punções venosas (KRISTENSEN et al., 2019).
A mudança na capacidade de enfrentar a dor pode estar relacionada a 
uma alteração na emoção desencadeada pelo evento adverso, no caso a hospi-
talização e às perspectivas de vivência de experiências negativas ou positivas 
neste ambiente. Sabe-se que o processo de hospitalização na maioria das 
vezes é considerado uma experiência dolorosa e desagradável que ocasiona 
a perda da autonomia da pessoa hospitalizada, em especial da criança, cuja 
vulnerabilidade inerente a sua classificação etária interfere em seu processo 
de desenvolvimento, desencadeando uma adaptação conturbada devido a uma 
rotina diferente do habitual (GOANA; ORDOÑEZ; GUTIÉRREZ, 2018).
No contexto de hospitalização, o medo, emoção básica caracterizada 
pela resposta adequada a uma situação de perigo e essencial à preservação e 
sobrevivência da espécie (GOANA; ORDOÑEZ; GUTIÉRREZ, 2018), pode 
dar origem a sentimentos negativos como ansiedade, nervosismo, inquieta-
ção, temor, desespero, horror e terror, incidindo sobre a forma de agir diante 
das situações ou estímulos que desencadeiam esta emoção. A forma de agir 
neste caso, pode ser expressa verbalmente ou por comportamentos de parali-
sação, preocupação, mudanças na entonação da voz e evitação, por exemplo 
(ROCHA et al., 2021).
Entre os modos de amenizar o medo e o estresse decorrente, melhorar 
o vínculo e entender a criança em sua totalidade, as intervenções lúdicas 
configuram-se, como evidenciado neste estudo, estratégias efetivas, tendo em 
vista os efeitos benéficos constatados igualmente em outros estudos, como a 
melhora do quadro clínico e do humor da criança e a diminuição da ansiedade 
e do estresse enfrentado durante o período de hospitalização. Neste contexto, 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 65
o lúdico configura-se como ferramenta importante para ajudá-la a lidar com a 
rotina do hospital, expressar melhor seus sentimentos, e interagir mais facil-
mente com os profissionais de saúde (ALCÂNTARA et al., 2016).
No tocante a interação, esta resulta do processo de comunicação no qual 
se compartilha mensagens, ideias, sentimentos e emoções, que por sua vez 
exercem influência sobre o comportamento das pessoas, que reagem a partir 
de suas crenças, valores, história de vida e cultura (SILVA et al., 2017). A 
comunicação ocorre verbalmente por meio de mensagens faladas ou escri-
tas e de forma não verbal, através do comportamento mediado por gestos, 
expressões faciais, postura corporal, aproximação ou distanciamento entre as 
pessoas, entre outros, de forma a confirmar ou negar a mensagem transmitida 
verbalmente (MANTONVANI; RIBEIRO, 2018).
Nesta pesquisa, a interação lúdica com palhaços demonstrou interferir 
positivamente na comunicação não verbal da criança. Resultados semelhan-
tes foram evidenciados em uma pesquisa realizada em Jundiaí (São Paulo), 
em que foram verificadas alterações nos comportamentos não verbais antes 
e durante a intervenção lúdica por meio de truques de mágica, malabarismo, 
encenação cômica, bolhas de sabão e canto com 41 crianças internadas na 
unidade pediátrica de um hospital público universitário. Nesse estudo, com-
portamentos relacionados à postura, ao contato com os olhos, ao uso de móveis 
na interação, à expressão facial, ao nível de energia e postura corporal modifi-
caram-se passando de rígidos antes da interação lúdica para relaxados durante 
a intervenção, demonstrando que a intervenção foi capaz de modificar de 
maneira positiva o contexto inicial (ALCÂNTARA et al., 2016).
As mudanças de comportamento expressas por meio da comunicação 
não verbal observadas a partir da atividade lúdica com palhaços revelam que 
o riso tem capacidade de trazer inúmeros benefícios às crianças hospitaliza-
das, entre eles a melhora no seu quadro clínico e emocional, na interação e 
socialização com seus familiares, outras crianças e profissionais de saúde, 
melhoria da capacidade de enfrentamento durante o período de internação, 
além de momentos de lazer e descontração também aos acompanhantes e 
novos significados ao cuidar para os profissionais (MATABUENA-GÓME-
Z-LIMÓN et al., 2020).
Apesar das evidências científicas sobre os efeitos positivos da terapia do 
riso nos sinais vitais, diminuição da percepção da dor e melhora da comuni-
cação da criança serem pouco difundidas especialmente quanto a resultados 
de estudos experimentais ou quase experimentais, tais efeitos são bem aceitos 
por enfermeiros e outros profissionais da saúde, contribuindo para o fortale-
cimento do vínculo entre a equipe, ampliando as terapêuticas, a eficiência e 
a efetividade da assistência (SILVA et al., 2020).
66
Como limitações, o estudo utilizou uma pequena amostra de participan-
tes, realizada por conveniência devido às limitações de acesso ao serviço em 
decorrência do cumprimento dasnormas de segurança para evitar a contami-
nação pela covid-19. Ainda quanto à amostragem, destaca-se que o número 
de internações do referido hospital apresentou uma queda em comparação a 
períodos anteriores à pandemia. Assim, sugere-se que novos estudos sejam 
realizados em um período maior, de forma a alcançar um maior número 
de participantes.
Conclusões e contribuições para a prática clínica e científica
A terapia do riso contribuiu para a diminuição da pressão arterial média, 
para o alívio da sensação de dor, e para o desenvolvimento de um compor-
tamento mais efetivo da criança em relação a aceitação dos procedimentos 
e interação com a equipe de saúde, conforme avaliação da sua comunicação 
não verbal. As variáveis temperatura, pulso e frequência respiratória, apesar 
de terem sofrido um leve aumento, não apresentaram alterações estatistica-
mente significativas. Alterações nos níveis de dor ausente, leve e moderada 
não foram estatisticamente significativas.
Os resultados do estudo apontam possibilidades para a prática clínica e 
científica, a saber:
1. A terapia do riso tem implicações positivas sobre a saúde da 
criança hospitalizada.
2. A terapia do riso contribui para a promoção do cuidado psicossocial 
de crianças hospitalizadas submetidas a procedimentos dolorosos 
e seus familiares.
3. Existe viabilidade de implementar a terapia do riso em serviços 
que prestam cuidados hospitalares a crianças, visto que o estabele-
cimento desse tipo de estratégia de cuidado é capaz de promover a 
saúde e a diminuição da dor.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 67
REFERÊNCIAS
ALCÂNTARA, P. L. et al. Efeito da interação com palhaços nos sinais vitais 
e na comunicação não verbal de crianças hospitalizadas. Revista Paulista de 
Pediatria, v. 34, n. 4, p. 432-438, 2016.
ALMEIDA, F. A.; SOUZA, D. F.; MIRANDA, C. B. A experiência contada 
pela criança que vive em abrigo pelo meio do brinquedo terapêutico. Ciência 
& Saúde Coletiva, v. 26, p. 435-444, 2021. Disponível: https://www.scielo.
br/j/csc/a/MdVQkDX5cdsqGXmHXJFkQHC/?format=pdf&lang=pt. Acesso 
em: 2 mar. 2022.
CATAPAN, S. C.; OLIVEIRA, W. F.; ROTTA, T. M. Palhaçoterapia em 
ambiente hospitalar: uma revisão de literatura. Ciência & Saúde Coletiva, 
v. 24, p. 3417-3429, 2019.
GAONA, J. L. V.; ORDOÑEZ, C. E. G.; GUTIÉRREZ, Z. A. C. Risoterapia: 
una terapia complementaria a la medicina occidental. Revista Med., v. 26, 
n. 2, p. 36-43, 2018. Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?s-
cript=sci_arttext&pid=S0121-52562018000200036. Acesso em: 2 mar. 2022.
GARCIA, A.; CAREMO, M. L. do. O benefício da risoterapia durante a hos-
pitalização. Revista InterSaúde, v. 1, n. 3, p. 17-24, 2020. Disponível em: 
http://revista.fundacaojau.edu.br:8078/journal/index.php/revista_intersaude/
article/view/144. Acesso em: 22 set. 2021.
KRISTENSEN, H. N. et al. “WE do it together!” An ethnographic study of 
the alliance between child and hospital clown during venipunctures. Journal 
of Pediatric Nursing, v. 46, p. e77-e85, 2019.
KURUDIREK, F.; ARIKAN, D. Efeitos da palhaçaria terapêutica na dor e 
ansiedade durante a quimioterapia intratecal na Turquia. Revista de Enfer-
magem Pediátrica, v. 53, p. e6-e13, 2020.
LAPIERRE, S. S.; BAKER, B. D.; TANAKA, H. Efeitos do riso alegre na 
tolerância à dor: uma investigação controlada randomizada. Journal of Body-
work and Movement Therapies, v. 23, n. 4, p. 733-738, 2019.
68
LOPES-JÚNIOR, L. C. et al. Efetividade de palhaços hospitalares no manejo 
de sintomas em pediatria: revisão sistemática de ensaios controlados rando-
mizados e não randomizados. BMJ, v. 371, 2020.
LUCHESI, A.; CARDOSO, F. S. Terapia do Riso: um relato de experiência. 
2012. 10 p. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Enfermagem) 
– Faculdade Evangélica do Paraná, Curitiba, 2012. v. 2 n. 1. Disponível em: 
http://www.fepar.edu.br/revistaeletronica/index.php/revfepar/article/view-
File/36/46. Acesso em: 22 set. 2021.
MANTOVANI, M. S.; RIBEIRO, M. C. P. A influência da comunicação não 
verbal na interação humana. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, 
v. 16, n. 2, 2018.
MATABUENA-GOMEZ-LIMON, M. R.; et al. Efeitos fisiológicos e psi-
cológicos da terapia do riso na população pediátrica: uma revisão sistemá-
tica. Atual. Med., v. 105, n. 810, p. 114-119, 2020.
MILLER, M.; FRY, W. F. The effect of mirthful laughter on the human car-
diovascular system. Medical hypotheses, v. 73, n. 5, p. 636-639, 2009.
MION, J. D. et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira 
de Hipertensão, Sociedade Brasileira de Nefrologia. V Diretrizes brasileiras 
de hipertensão arterial. Arq. Bras. Cardiol., v. 89, n. 3, p. e24-e79, 2007.
OLIVEIRA, J. T. de. As dimensões da linguagem e da comunicação: neuro-
ciência da linguagem corporal. Research, Society and Development, v. 9, 
n. 7, p. e872974011-e872974011, 2020. Disponível em: https://rsdjournal.
org/index.php/rsd/article/view/4011. Acesso em: 2 mar. 2022.
OSORIO-SANDOVAL, J. A. et al. Eficácia da risaterapia no manejo da dor 
em pacientes pediátricos pós-operatórios de apendicectomia. Journal Health 
Npeps, v. 4, n. 2, p. 44-57, 2019.
SANTOS, T. L. et al. Os benefícios do brinquedo terapêutico no cuidado às 
crianças: os benefícios do brincar terapêutico no cuidado infantil. Estudos 
em Ciências da Saúde, v. 2, n. 3, p. 70-81, 2021. Disponível em: https://
studiespublicacoes.com.br/ojs/index.php/shs/article/view/67. Acesso em: 2 
mar. 2022.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 69
SILVA, C. da. et al. O enfermeiro e a criança: a prática do brincar e do brin-
quedo terapêutico durante a hospitalização. Semina: Ciências Biológicas e 
da Saúde, v. 41, n. 1, p. 95-106, 2020. Disponível em: https://www.uel.br/
revistas/uel/index.php/seminabio/article/view/36359. Acesso em: 2 mar. 2022.
SILVA, R. D. M. et al. Therapeutic play to prepare children for invasive 
procedures: a systematic review. Jornal de Pediatria, v. 93, p. 6-16, 2017.
SOSSELA, C. R.; SAGER, F. A criança e o brinquedo no contexto hospitalar. 
Revista da SBPH, v. 20, n. 1, p. 17-31, 2017.
TAKAHAGUI, F. M. et al. MadAlegria: estudantes de medicina atuando como 
doutores-palhaços: estratégia útil para humanizaçãodo ensino médico? Revista 
Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 38, n. 1, p. 120-126, 
2014. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbem/v38n1/16.pdf. Acesso 
em: 23 set. 2021.
TODA, N.; NAKANISHI-TODA, M. How mental stress affects endothelial 
function. Pflügers Archiv-European Journal of Physiology, v. 462, n. 6, 
p. 779-794, 2011.
WALTER, M. O. et al. O palhaço como força inspiradora no enfrentamento 
do processo de hospitalização em pediatria e hebiatria. Research, Society and 
Development, v. 10, n. 1, p. e43010111894-e43010111894, 2021.
ESTRATÉGIAS PARA ENVOLVER 
O PAI NO CUIDADO À CRIANÇA 
COM DOENÇA CRÔNICA
Willyane de Andrade Alvarenga
Rosa Maria de Oliveira Sampaio
Elizangela da Silva Nunes
Silvana Santiago da Rocha
Doi: 10.24824/978652513115.3.71-82
As doenças crônicas não têm etiologia única, não têm origem infecciosa e 
são marcadas por múltiplos fatores de risco, longos períodos de latência 
e curso prolongado – associados a deficiências e incapacidades fun-
cionais (WHO, 2005). O número de crianças com doenças crônicas é crescente 
mundialmente (RAMOS et al., 2017). Estudos evidenciam que nos Estados 
Unidos a taxa da população infantil com necessidades especiais de saúde é de 
19,3%, sendo que 12% dos custos em saúde são relacionados às doenças crônicas 
na infância (SOUSA, 2020). No Brasil, há 9,1% crianças de zero a cinco anos 
com doenças crônicas e 9,7% são escolares de seis a 13 anos, e os adolescentes 
de 14 a 19 anos são 11% do total geral da população (SOUSA, 2020).
A doença crônica na infância causa grande impacto na família e na pró-
pria criança (WEST et al., 2020). Por ter como características o desenvolvi-
mento vagaroso e prolongado, por vezes sem cura e quedemanda um cuidado 
ininterrupto, a doença crônica representa uma mudança abrupta na vida e nos 
hábitos diários da criança e de toda a família (CARDOSO et al., 2021). Com 
isso o cuidado não deve ser centrado apenas na doença, mas na unidade fami-
liar, com acolhimento e escuta qualificada (AZEVEDO; LANÇONI JUNIOR; 
CREPALDI, 2017).
Geralmente, é a mãe a primeira escolha para o papel de cuidador da 
criança adoecida (BERNADI, 2017). As demandas da prestação do cuidado, 
juntamente com a ausência do pai no cuidado podem levar a sobrecarga 
materna (SILVA et al., 2012). Dependendo da cultura e da etnia, o pai pode 
assumir papeis de sucessor, de orientador moral, de provedor do sustento e 
de apoiador conjugal e nutricional (LAMB, 2000). Diante da demanda de 
cuidados da criança com doença crônica e da necessidade de organização da 
família, é fundamental o envolvimento paterno no cuidado e o enfermeiro 
pode ajudar nesse processo (WEST, 2020).
Estudos apontam dificuldade paterna para o cuidado da criança com doença 
crônica, insegurança, falta de paciência, falta de tempo e dificuldade em conciliar 
72
o trabalho com as demandas de cuidado de seus filhos com doença crônica estão 
entre as principais razões; além da relutância de enfermeiros em considerar o 
pai como acompanhante e cuidador (OLIVEIRA et al., 2020; SANTOS et al., 
2018; POLITA et al., 2018). A implementação do cuidado direcionado a família, 
em especial ao pai da criança com doença crônica, tem resultados promissores 
como a minimização de estresse emocional, tranquilização, conforto e satisfação 
nas demandas de cuidado (MANNING, 2012). Entretanto, como promover a 
paternidade participativa ainda é desafio entre profissionais de saúde.
Segundo Ramos et al., (2017) a paternidade participativa é caracteri-
zada pelo envolvimento diário em atividades pertinentes à educação, higiene, 
alimentação, cuidados e lazer do pai com os filhos. Diante disso, estratégias 
podem auxiliar profissionais e gestores da saúde para envolver o pai no cuidar 
e promover um olhar empático e menos preconceito no acompanhamento 
paterno da criança com doença crônica. Assim, formulou-se a questão de 
pesquisa: Quais estratégias os enfermeiros podem utilizar para envolver o pai 
no cuidado da criança com doença crônica? O objetivo desta revisão é mapear 
as evidências científicas sobre as estratégias utilizadas pelos enfermeiros para 
promover o envolvimento do pai no cuidado da criança com doença crônica.
Método
O presente estudo é uma revisão de escopo, ou scoping review, que per-
correu as seis etapas: 1. Identificação do tema e seleção da questão de pequisa 
(“Quais estratégias os enfermeiros utilizam para envolver o pai no cuidado 
da criança com doença crônica?”); 2. Identificação de estudos relevantes; 
3. Seleção de estudos; 4. Categorização dos estudos selecionados; 5. Aná-
lise e interpretação dos resultados; e 6. Apresentação da revisão/síntese do 
conhecimento (ARKSEY; O’MALLEY, 2005). O Preferred Reporting Items 
for Systematic Reviews and Meta-Analyzes extensions for Scoping Reviews 
(PRISMA-ScR) foi usado para guiar e reportar os itens essenciais desta revisão 
(TRICCO et al., 2018).
Os estudos incluídos abordavam estratégias para envolver o pai no cui-
dado aos filhos com doença crônica, seja no contexto hospitalar, domiciliar 
ou comunitário. Os estudos publicados em inglês, espanhol, e português, nos 
últimos 10 anos (01/01/2011 a 31/12/2020), independente de tempo e região 
geográfica, foram incluídos. Foram excluídos estudos mistos ou multimétodos, 
editoriais, relatos de experiência, dissertações, teses e resumos de anais de 
congressos; estudos com outros participantes (familiares da criança ou outros 
profissionais de saúde) e aqueles com amostras mistas, em que não estejam 
claras nos resultados ou que não se refere ao enfermeiro.
Foram realizadas buscas nas bases de dados eletrônicas National Library 
of medicine (PubMed), Cumulative index to Nursing and Allied Health 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 73
Literature (CINAHL) e Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciên-
cias da Saúde (LILACS) e identificado artigos por meio de busca manual, 
ou seja, busca na lista de referência dos artigos. Foi utilizada a estratégia 
de busca PCC para elaboração da questão de pesquisa e estratégia de busca 
(ARKSEY; O’MALLEY, 2005), sendo P: População, enfermeiro, C: Conceito, 
paternidade e C: Contexto, doença crônica (Quadro 1).
Quadro 1 – Exemplo de estratégia de busca com os 
termos que foram utilizados na PubMed
PCC DESCRIÇÃO TERMOS DE BUSCA
P: 
População
Enfermeiro(a) "Nurses"[Mesh] OR “Nurse” OR “Nursing”
C: 
Conceito
Envolvimento 
paterno
"Paternity"[Mesh] OR "Fatherhood" OR "Fathering" OR "Paternity" OR "Paternities" OR 
"Paternal Role" OR " OR "Paternal Attitudes" OR "Father-Child Relations"[Mesh] OR "Father-
Child Relations" OR "Father Child Relations" OR "Father-Child Relation" OR "Relation, 
Father-Child" OR "Relations, Father-Child" OR "Father-Child Relationship" OR "Father 
Child Relationship" OR "Father-Child Relationships" OR "Relationship, Father-Child" OR 
"Relationships, Father-Child"
C: 
Contexto
Doença 
crônica na 
infância
“Chronic Disease"[Mesh] OR (Chronic Diseases) OR (Disease, Chronic) OR (Diseases, 
Chronic) OR (Chronic Illness) OR (Chronic Illnesses) OR (Illness, Chronic) OR (Illnesses, 
Chronic) OR (Chronically Ill) OR (Chronic health condition) OR "Diabetes Mellitus, Type 
1"[Mesh] OR (Diabetes Mellitus, Type I) OR (Type 1 Diabetes Mellitus) OR (Diabetes Mellitus, 
Insulin-Dependent, 1) OR (Insulin-Dependent Diabetes Mellitus 1) OR (Insulin Dependent 
Diabetes Mellitus 1) OR (Type 1 Diabetes) OR (Diabetes, Type 1) OR (Diabetes Mellitus, 
Insulin-Dependent) OR (Diabetes Mellitus, Insulin Dependent) OR (Insulin-Dependent 
Diabetes Mellitus) OR "Neoplasms"[Mesh] OR (Neoplasia) OR (Neoplasias) OR (Neoplasm) 
OR (Tumors) OR (Tumor) OR (Cancer) OR (Cancers) OR (Malignant Neoplasms) OR 
(Malignant Neoplasm) OR (Neoplasm, Malignant) OR (Neoplasms, Malignant) OR 
(Malignancy) OR (Malignancies) OR "Asthma"[Mesh] OR (Asthmas) OR (Bronchial 
Asthma) OR (Asthma, Bronchial) OR "Renal Insufficiency, Chronic"[Mesh] OR (Chronic 
Renal Insufficiencies) OR (Renal Insufficiencies, Chronic) OR (Chronic Renal Insufficiency) 
OR (Kidney Insufficiency, Chronic) OR (Chronic Kidney Insufficiency) OR (Chronic Kidney 
Insufficiencies) OR (Kidney Insufficiencies, Chronic) OR (Chronic Kidney Diseases) OR 
(Chronic Kidney Disease) OR (Disease, Chronic Kidney) OR (Diseases, Chronic Kidney) 
OR (Kidney Disease, Chronic) OR (Kidney Diseases, Chronic) OR (Chronic Renal Diseases) 
OR (Chronic Renal Disease) OR (Disease, Chronic Renal) OR (Diseases, Chronic Renal) 
OR (Renal Disease, Chronic) OR (Renal Diseases, Chronic) OR "Cystic Fibrosis"[Mesh] 
OR (Fibrosis, Cystic) OR (Mucoviscidosis) OR (Pulmonary Cystic Fibrosis) OR (Cystic 
Fibrosis, Pulmonary) OR (Pancreatic Cystic Fibrosis) OR (Cystic Fibrosis, Pancreatic) 
OR (Fibrocystic Disease of Pancreas) OR (Pancreas Fibrocystic Disease) OR (Pancreas 
Fibrocystic Diseases) OR (Cystic Fibrosis of Pancreas) OR "Gastrointestinal Diseases"[Mesh] 
OR (Disease, Gastrointestinal) OR (Diseases, Gastrointestinal) OR (Gastrointestinal Disease) 
OR (Functional Gastrointestinal Disorders) OR (Disorder, Functional Gastrointestinal) OR 
(Disorders, Functional Gastrointestinal) OR (Functional Gastrointestinal Disorder) OR 
(Gastrointestinal Disorder, Functional) OR (Gastrointestinal Disorders, Functional) OR "Heart 
Diseases"[Mesh] OR (Disease, Heart) OR (Diseases, Heart) OR (Heart Disease) OR (Cardiac 
Diseases) OR (Cardiac Disease) OR (Disease, Cardiac) OR (Diseases, Cardiac).
Fonte: Elaborado pelas autoras (2022)�
74
As revisoras, independentes, identificaram os artigos nas bases de 
dados, que foram importados para o software Rayyan (OUZZANI et al., 
2016), que removeu os duplicados. Os artigos selecionados com base nos 
critérios de elegibilidadeSoares
Mirelle Lopes Ferreira
Grazielle Roberta Freitas da Silva
Doi: 10.24824/978652513115.3.137-148 
FATORES RELACIONADOS AO DIAGNÓSTICO AMAMENTAÇÃO 
INEFICAZ: revisão integrativa da literatura �������������������������������������������������� 149
Dayse Anne dos Santos Ribeiro
Gislanny Mikaelly da Silva Santos
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.149-162 
PERCEPÇÕES DE NUTRIZES SOBRE USO DE TECNOLOGIAS 
D E I N F O R M A Ç Ã O E C O M U N I C A Ç Ã O N O A P O I O A O 
ALEITAMENTO MATERNO ������������������������������������������������������������������������163
Maria Aparecida Coutinho da Silva
Maria da Conceição Coutinho da Silva
Isaura Danielli Borges de Sousa
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.163-176 
ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PARA PROMOÇÃO DE 
HÁBITOS ALIMENTARES SAUDÁVEIS DO ESCOLAR �������������������������� 177
Katharine Bezerra Dantas
Lourival Gomes dos Santos Júnior
Államy Danilo Moura e Silva
Debora Marques da Silva
Ana Christina de Sousa Baldoino
Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle
Doi: 10.24824/978652513115.3.177-190 
ASSISTÊNCIA DO ENFERMEIRO EM PUERICULTURA NO CONTEXTO 
DA PANDEMIA DO COVID-19: relato de experiência ��������������������������������� 191
Ana Cláudia Silva Brito
Duiliane Coêlho e Silva
Eduarda Siqueira Camêlo
Francisca Daniele Almeida da Costa
Francisca Maria Fontenele
Iris Gabriela Ribeiro de Negreiros
Morgana Laís Santos da Silva
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.191-204 
IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19 SOBRE A COBERTURA 
VACINAL DE UM MUNICÍPIO PIAUIENSE ����������������������������������������������� 205
Nadja Janayra Moraes Monte
Maria Karolayne de Araujo Pereira
Mayara Águida Porfírio Moura
Rosana dos Santos Costa
Doi: 10.24824/978652513115.3.205-214
PERCEPÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM SOBRE AS 
INFECÇÕES RESPIRATÓRIAS EM CRIANÇAS APÓS A PANDEMIA 
PELA COVID-19 �������������������������������������������������������������������������������������������215
Keliane Cunha Silva
Mayara Águida Porfírio Moura
Doi: 10.24824/978652513115.3.215-230
FATORES DE AGRAVAMENTO E ÓBITO POR COVID-19 EM CRIANÇAS: 
uma revisão de escopo ��������������������������������������������������������������������������������������231
Lana Karyna de Sousa Sales
Rosana dos Santos Costa
Mayara Águida Porfírio Moura
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Doi: 10.24824/978652513115.3.231-244
ÍNDICE REMISSIVO �����������������������������������������������������������������������������������245
SOBRE OS AUTORES ��������������������������������������������������������������������������������249
PREFÁCIO
Silvana Santiago da Rocha1
É uma grande satisfação apresentar a obra Saberes e Práticas do Enfer-
meiro no Cuidado à Criança e ao Adolescente, organizada pelos pro-
fessores Amanda Lúcia Barreto Dantas, Igho Leonardo do Nascimento 
Carvalho, Maria Augusta Rocha Bezerra e Mayara Águida Porfírio Moura, 
que contém 17 trabalhos muito bem escritos por enfermeiros, na sua maioria, 
mas também por bióloga, estatístico, médica e estudante de enfermagem, todos 
com interesses na saúde do neonato, da criança e do adolescente.
É uma obra que, pela sua relevância e abrangência, preenche os requisi-
tos para um maior aprofundamento no direcionamento do cuidado à criança 
e ao adolescente. Contempla temas como: desenvolvimento neuromotor, 
vacinação infantil, dor, a criança na Unidade de Terapia Intensiva, com 
doença crônica, hospitalizada, o sono, a educação sexual na adolescência, 
aleitamento materno, alimentação do escolar e não poderia deixar de con-
templar a criança e a covid-19, que tantos impactos trouxe para a saúde 
pública mundial.
Falar da obra me impulsiona a mencionar a alegria de me sentir próxima 
de profissionais de grande responsabilidade social com a causa da saúde do 
neonato, da criança e do adolescente. Sei do empenho dos autores em se 
dedicarem ao cuidado desses seres que demandam especial atenção por se 
tratar de grupos vulneráveis que requerem atenção redobrada, muito estudo 
e sensibilidade somado ao fato de vivermos momentos complexos frente à 
disseminação do Sars-CoV-2.
Neste espaço, registramos o dedicado e incansável trabalho dos orga-
nizadores da obra, à frente que estão do ensino da enfermagem. Tarefa 
árdua quando se trata não apenas de conduzir aulas teóricas, mas sobretudo 
práticas do cuidado junto ao recém-nascido, a criança em suas diferentes 
faixas etárias e ao adolescente. Merecendo destaque, ainda, a necessidade 
de se desenvolver o espírito de equipe e de divulgar por meio de obras 
impressas ou on-line os trabalhos que desenvolvem, objetivando estimular 
mais enfermeiros e demais profissionais da saúde para assumirem o cuidado 
e a proteção de nossas crianças e adolescentes.
1 Doutora e professora titular da Universidade Federal do Piauí. Líder do Grupo de Pesquisa Atenção à saúde 
do recém-nascido, criança e adolescente.
Somos, portanto, ao lermos todos esses trabalhos aqui apresentados, 
convidados a direcionarmos o olhar para o cuidado humano. E que esse 
cuidado seja sensível, criativo, dialogado e inspirador para a ampliação 
desse zelo que devemos ter por nossas crianças, quer sejam recém-nascidos, 
escolares ou adolescentes. São todas especiais! 
Teresina, 25 de julho de 2022.
DESENVOLVIMENTO 
NEUROPSICOMOTOR DE RECÉM-
NASCIDOS PREMATUROS: 
revisão integrativa
Tatiana Maria Melo Guimarães
Caroline Neves de Sá
Thaynah Suellen da Conceição Lima
Maria Augusta Rocha Bezerra
Luara Freitas Fonseca Ventura
Marcelo Victor Freitas Nascimento
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Doi: 10.24824/978652513115.3.15-26
A idade gestacional (IG) e o peso ao nascer são determinados como as 
principais variáveis associadas ao risco para o crescimento e desen-
volvimento saudável do lactente. Devido os avanços tecnológicos, as 
taxas de sobrevivência dos bebês prematuros aumentaram, porém não descarta 
os riscos que ainda correm pelos problemas sensoriais, motores, cognitivos 
que podem o acometer (FORMIGA et al., 2017).
A prematuridade é considerada de grande relevância em saúde pública, 
tanto no ambiente hospitalar quanto extra hospitalar. Os recém-nascidos pré-
-termos são classificados de acordo com a idade gestacional (abaixo de 37 
semanas) e tem um risco aumentado a desenvolver infecções e problemas no 
desenvolvimento. O número de consultas do pré-natal e até mesmo o tipo de 
parto tem relações diretas com a prematuridade, onde a mulher que realiza as 
suas consultas de acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde, dimi-
nuem o risco de parto prematuro (GUIMARÃES et al., 2017).
O ambiente uterino proporciona estímulos para o bom desenvolvimento 
sensorial fetal, principalmente no terceiro trimestre da gestação, portanto quando 
acontece o parto prematuro, o bebê acaba perdendo essa etapa e sendo exposto 
a estímulos em excesso, que podem ser danosos, como: ruídos em demasia, 
manuseio, variações de temperatura, dor e todos esses acometimentos podem 
causar danos ao desenvolvimento neuropsicomotor (GOMES et al., 2015).
Nas linhas de cuidado que se referem à saúde da criança, onde está 
incluso o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, é proposto 
pelas políticas públicas de saúde no Brasil, que abrange diversos aspectos: 
afetivos, sociais, biológicos e psíquicos. Há várias condições de risco para o 
desenvolvimento motor atípico de uma criança, que incluem: risco biológico, 
16
que são relacionados aos acontecimentos pré, peri e pós-natais, que pode 
aumentar os riscos no prejuízo do desenvolvimento, e um ambiente de conví-
vio com recursos escassos e vínculo inadequados (BRASIL, 2012; BARBOSA 
et al., 2017).
Os estímulos, o ambiente propício e a condição biológica da criança 
colaboram para o desenvolvimento das áreas cognitiva, motora,lidos na íntegra por duas revisoras teve a fina-
lidade de selecionar a amostra final da revisão. O fluxograma PRISMA 
foi preenchido após finalizada a seleção dos estudos (PAGE et al., 2021). 
Foi utilizado um formulário para a extração das informações dos estudos: 
primeiro autor, ano de publicação, país no qual o estudo foi desenvolvido, 
objetivo, tipo do estudo, técnica de coleta e análise de dados, amostra/
participantes, características do pai e da criança e principais resultados. 
Os dados foram analisados descritivamente e reportados com o auxílio de 
quadros e tabelas.
Resultados e discussão
Foram encontrados 330 estudos no total, em que 326 foram encontra-
dos a partir das bases de dados e 4 pela busca manual (Figura 1). Foram 
excluídos 3 artigos por estarem duplicados, restando 327 artigos, que 
tiveram seus títulos e resumos analisados com base nos critérios de ele-
gibilidade. Foram excluídos mais 289 artigos, sendo incluídos 38 estudos 
para leitura na íntegra por dois revisores independentes, observando os 
critérios de inclusão e exclusão. Diante disso, 17 estudos foram incluídos 
na amostra final.
Os artigos são oriundos de 10 países distintos: Estados Unidos (n=05), 
Jordânia (n=02), Irã (n=02), Coreia (n=01), China (n=01), Taiaw (n=01), 
Líbanos (n=01), Inglaterra (n=01), Noruega (n=01), Brasil (n=01) e Aus-
trália (n=01). Cinco dos estudos incluídos eram revisões de literatura, do 
tipo revisão de escopo, metassíntese, revisão sistemática e revisão inte-
grativa; nove eram estudos de abordagem quantitativa, do tipo transversal 
descritivo (n=6) e exploratório descritivo (n=03); e três de abordagem 
qualitativa, que usou análise de conteúdo indutivo (n=01), interpreta-
ção heideggeriana (n=01) e fenomenologia (n=01). Os estudos primários 
incluíram amostras mistas de pais e mães (n=5), apenas pais (n=5), bem 
como pais e equipe de saúde (n=2). A doença crônica das crianças era 
câncer (n=6), diabetes tipo 1 (n=3), asma (n=2), cardiopatia (n=1), recém-
-nascidos ou crianças com uma doença crônica internados em unidade de 
terapia intensiva neonatal (n=3) e inespecífica (n=2). Os estudos contem-
plam uma amostra total de 1.272 participantes, com o número máximo de 
242 e o mínimo de 9 participantes.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 75
Figura 1 – Fluxograma Prisma sobre o processo de seleção dos estudos
Relatórios procurados para 
recuperação
(n = 3) 
Registros não recuperados
(n = 3)
Registros avaliados para 
elegibilidade
(n = 35) 
Registros excluídos:
Não envolve enfermeiro (n = 07)
Não enfoca estratégias (n =11)
Estudos incluídos na revisão
(n = 17)
Identi�cação dos estudos nas bases de dados e registros
Registros identi�cados em:
Busca manual (n = 4)
LILACS (n=0)
CINAHL (n=12)
PUBMED (n=314)
Base de dados (n = 326)
Registros removidos
Registros duplicados
antes da triagem:
removidos (n = 3)
Registros triados
(n = 327)
Id
en
ti�
ca
çã
o
Tr
ia
ge
m
In
cl
uí
do
Registros excluídos
(n = 289)
Fonte: Adaptado de PAGE et al. (2021)�
Várias estratégias foram citadas nos artigos para envolver o pai no cui-
dado do filho com doença crônica, tais como: comunicação contínua, com-
preensível e sem jargões; permitir a presença ilimitada do pai junto à criança; 
orientação para o cuidado da criança e tomada de decisão; políticas de apoio 
aos direitos e empoderamento dos pais e apoio psicoespiritual (Quadro 2).
Quadro 2 – Estratégias para envolver o pai no 
cuidado do filho com doença crônica
Estratégias para envolver o 
pai no cuidado do filho
Referências Bibliográficas
Comunicação contínua, 
compreensível e sem jargões
QI-YUAN LYU (2018); IVERSEN (2018); IRANMANESH (2015); BROGER (2011); 
ABUQAMAR (2015); LAWS (2018).
Permitir a presença ilimitada 
do pai junto à criança
MANNING (2012); LAWS (2018); ABUQAMAR (2015).
continua...
76
Estratégias para envolver o 
pai no cuidado do filho
Referências Bibliográficas
Orientação para o cuidado da 
criança e tomada de decisão
MANNING (2012); CLEVELAND (2008); LAWS (2018).
Políticas de apoio aos direitos 
e empoderamento dos pais
GAMA, LONG, SHEHADEH (2019); HWANG, (2020); SMAIDENE (2011); MOGHADDASI 
(2018); CHEN (2020).
Apoio psicoespiritual
IVERSEN (2018); SMAIDENE (2011); KHOUR (2013); IRANMANESH (2015); 
BROGER (2011).
Fonte: Elaborado pelas autoras (2022)�
Comunicação contínua, compreensível e sem jargões
A comunicação entre enfermeiros e pais deve ser contínua, clara, pre-
cisa e sem uso de jargões para que os pais possam entender (QI-YUAN, 
2018; IVERSEN, 2018). O pai deve receber informações verbais e escritas 
sobre os cuidados com a criança, seu estado de saúde, os efeitos colaterais 
do tratamento e receber respostas precisas a quaisquer perguntas que possa 
ter (BROGER, 2011; ABUQAMAR, 2015). Assim, estabelecer uma comu-
nicação aberta com profissionais de saúde no momento do diagnóstico pode 
levar a uma adaptação positiva e enfrentamento eficaz por parte dos pais 
(BROGER, 2011).
Essa comunicação pode ser também a chave para a construção de um 
relacionamento de confiança que aumenta a satisfação dos pais (ABUQAMAR, 
2015). Para isso, será necessário ouvir as demandas dos pais com atenção e sem 
pressa, olhar nos olhos quando estiverem falando, sendo solidário e caloroso, 
deixando-os falar no tempo deles e colocando-se à disposição para respon-
der suas dúvidas, incentivando os pais a fazerem perguntas e se expressarem 
(QI-YUAN, 2018; IVERSEN, 2018; IRANMANESH, 2015; LAWS, 2018).
Permitir a presença ilimitada do pai junto à criança
Permitir a presença ilimitada dos pais junto à criança durante a hospitali-
zação transmite tranquilidade e melhor adesão ao tratamento, além de ajudar 
na aproximação e no envolvimento do pai no cuidado com o filho (MAN-
NING, 2012; LAWS, 2018). Ter horário de visita amplo e aberto pode ofertar 
alívio aos pais e apoiar a sua presença continuamente, o que pode aumentar 
a sua participação no cuidado do filho (ABUQAMAR, 2015).
Orientação para o cuidado da criança e tomada de decisão
O cuidado centrado na família é uma estratégia de fácil implementação 
e muito eficaz, na qual o pai é incluído no cuidado, abrangendo a educação 
continuação
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 77
continuada aos pais, apoio emocional, encorajamento do pai a participar 
do cuidado e a encontrar tempo para ficar com o filho com doença crônica 
(MANNING, 2012). Promover a educação continuada do pai até a alta da 
criança para que os cuidados sejam contínuos deve envolver a orientação do 
pai sobre como prestar cuidado, apoio ao pai no planejamento do cuidado 
e na tomada de decisão, o cuidado individualizado, além de tranquilizá-lo e 
envolvê-lo num relacionamento terapêutico com a equipe de enfermagem. 
Assim, a equipe prestadora de cuidado deve olhar positivamente a presença 
do pai no contexto da hospitalização e estabelecer a educação em saúde para 
o desenvolvimento de habilidades para o cuidar, que deve acontecer a partir 
do estímulo ao envolvimento ativo do pai no cuidado ainda na hospitalização 
(CLEVELANDO, 2008; LAWS, 2018).
Políticas de apoio aos direitos e empoderamento dos pais
Fornecer um ambiente terapêutico e infraestrutura adequada para a per-
manência do pai junto a mãe e criança no hospital e dar suporte emocional 
ao pai são centrais para o apoio (GAMA; LONG; SHEHADEH, 2019), bem 
como estimular o pai a formas de interagir com seus filhos, ainda que com 
as limitações quanto à estabilidade da criança (HWANG, 2020). Garantir a 
presença do pai, enfatizando seu papel contínuo como cuidador da criança 
com condição crônica é outra maneira para o envolvimento do pai no cuidado 
(SMAIDENE, 2011). Diante do importante papel do pai de ser o provedor da 
família, utilizar as redes sociais como um importante meio para apoio finan-
ceiro do tratamento da criança pode minimizar preocupações com a despesa 
do tratamento e favorecer bem-estar espiritual (MOGHADDASI, 2018). Aautonomia emocional dos pais deve ser avaliada para fornecer ajuda apropriada 
para minimizar qualquer efeito negativo no autogerenciamento do filho com 
doença crônica. Além disso, uma estratégia indispensável para aperfeiçoar 
o autocuidado é o enfermeiro ser capacitado na resolução de problemas, um 
fator certamente associado ao autogerenciamento (CHEN, 2020).
Apoio psicoespiritual
Existem grupos de apoio sociais que são utilizados para diminuir os sen-
timentos de solidão dos pais, mas a maioria dos pais não tem uma boa visão 
desses grupos devido a abordagem ser voltada para a mãe. Existe, também, 
sites para os pais com um mentor treinado para acompanhar, informar, apoiar 
e compartilhar experiências pessoais (SMAIDENE, 2011), além de grupos 
de discussões sobre o assunto para criar e fortalecer uma relação de cuidado 
duradouro e de confiança para os pais (IRANMANESH, 2015).
78
O profissional enfermeiro deve atentar-se e observar as reações emocio-
nais dos pais para apoiá-los contribuindo para uma aproximação e laço de con-
fiança (IVERSEN, 2018). A comunicação de sentimentos entre o enfermeiro 
e os pais é uma boa oportunidade para oferecer apoio emocional e examinar 
as possibilidades de formar uma parceria entre profissional e pai durante o 
percurso desafiador da doença crônica do filho (KHOUR, 2013; IVERSEN, 
2018). Propiciar um local tranquilo para os pais expressarem suas crenças 
de base espiritual, religiosa por meio de oração, permitindo e apoiando-os 
em seus métodos de enfrentamento deve melhorar seu bem-estar que será 
refletido na criança. Incentivá-los a utilizar os sistemas de apoio e sempre 
responder precisamente qualquer dúvida com uma comunicação que leva ao 
enfrentamento, adaptação positiva e eficaz aos pais (BROGER, 2011).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Profissionais de saúde devem refletir e analisar sua atuação para planejar, 
implementar e avaliar ações direcionadas ao preparo da família para o cuidado 
da criança com doença crônica, que envolva o pai, superando a sua invisibi-
lidade no cuidado e permanência na hospitalização da criança. Essa revisão 
de escopo propiciou uma síntese das estratégias utilizadas pelos enfermeiros 
para envolver o pai no cuidado à criança com doença crônica, levando em 
consideração a quantidade de crianças portadoras de doenças crônicas que 
é crescente e a necessidade das famílias de se organizarem funcionalmente 
para lidar com as demandas de cuidado.
Quanto às considerações para a prática clínica cabe destacar que há 
várias estratégias possíveis de serem utilizadas pelos enfermeiros ou equipe de 
saúde para promover o envolvimento do pai no cuidado do filho com doença 
crônica, dentre elas:
• Comunicação continua e compreensível, sem a utilização de termos 
técnicos, sobre o ambiente onde o filho se encontra hospitalizado, 
o tratamento, o prognóstico, os efeitos colaterais do tratamento e 
demandas de cuidado.
• Criar oportunidades para o desenvolvimento de habilidades e com-
petências do pai para o cuidado, a partir do ensino e capacitação 
do pai durante o processo de hospitalização da criança ou visita 
domiciliar pelas equipes de Estratégia Saúde da Família.
• Garantir a presença ilimitada do pai junto à criança nos casos de 
hospitalização, favorecendo a criação de vínculo, tomada de decisão, 
apoio, autonomia e encorajamento do pai para o cuidado.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 79
• Estabelecer o apoio psicoespiritual, que promova a expressão de 
emoções e a prática religiosa.
Mais estudos são necessários para orientar a inserção do homem/pai no 
cuidado ao filho enfermo, desmistificando a ideia e cultura do pai ser exclusi-
vamente provedor das necessidades materiais e do sustento, fazendo com que 
este se sinta parte integrante do processo de cuidado da criança com doença 
crônica. Diante disso, este tema é de grande relevância e relativamente pouco 
abordado na literatura, demonstrando a necessidade de mais pesquisas para a 
promoção da paternidade participativa no contexto da cronicidade na infância.
Agradecimentos à Agência de Fomento e/ou grupo de pesquisa
O presente trabalho foi realizado com apoio de bolsa de estágio Pós-dou-
toral do Programa Nacional de Pós-Doutorado/Capes (PNPD) da Coordenação 
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (Capes).
80
REFERÊNCIAS
ABUQAMA, M. et al. Parents’ Perceived Satisfaction of Care, Communi-
cation and Environment of the Pediatric Intensive Care Units at a Tertiary 
children’s Hospital. Journal of Pediatric Nursing, 2015. DOI: http://dx.doi.
org/10.1016/j.pedn.2015.12.009.
ARKSEY, H.; O’MALLEY, L. Scoping studies: towards a methodological 
framework. International Journal of Social Research Methodology, v. 8, 
n. 1, p. 19-32, 2005. DOI:10.1080/1364557032000119616.
AZEVEDO, A. V. S.; LANÇONE JUNIOR, A. C.; CREPALDE, M. A. Inte-
gração equipe de enfermagem, família e criança hospitalizada. Ciência Saúde 
Colet, v. 22 n. 11, 2017. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/
csc/2017.v22n11/3653-3666 Acesso em: 5 maio 2021.
BERNARDI, D. Paternidade e cuidado: “novos conceitos”, velhos discursos. 
Psicologia Revista, v. 26, n. 1, p. 59-80, 2017.
BROGER, B.; ZENIR, M. B. Related to Parenting a Chronically ill Child: 
Implications of Advanced Practice Nursing. Journal of Pediatric Health 
Care, v. 25, n. 2, mar./abr. 2011. DOI: 10.1016/j.pedhc.2009.09.004.
CARDOSO, E. L. S.; et al. Fatores associados a qualidade de vida de cuida-
dores de crianças e adolescentes com condições crônicas. Revista Gaúcha 
de Enfermagem, v. 42, 2021.
CHEN, C.-Y. F.-S. Lo and R.-H. Wang, Roles of emotional autonomy, problem-
-solving ability and parent-adolescent relationships on self-man..., Journal 
of Pediatric Nursing, s.d. DOI. https://doi.org/10.1016/j.pedn.2020.05.013.
CLEVELAND, L. M. Parenting in the Neonatal Intensive Care Unit. Jour-
nal of Obstetric. Gynecologic &Neonatal Nursing, v. 37, n. 6, 2008. DOI: 
10.1111/j.1552-6909.2008.00288.x.
GAMA, A. L.; LONG, T.; SHEHADEH, J. Heath Satisfaction and Family 
impacto of parentes of Children with Cancer: a descriptive cross-sectional 
study. Scandinavian Journal of coring Sciences, v. 33, n. 4, p. 815-823, dez. 
2019. DOI:10.1111/scs.12677.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 81
HWANG, J. H.; CHAE, S. M. Experiences of Fathers of Young children 
with Severe Congenital Heart Defects in Korea: A qualitative Descriptive 
study. Journal of pediatric Nursing, v. 53, issue, p. e108-e113, 2020. DOI: 
10.1016/j.pedin.2020.02.040.
IRANMANESH, S. et al. Post- traumatic Stress Symptams among Iranian 
Parents of Children during Cancer Treatment. Issues in Mental Helth Nur-
sing, v. 36, p. 279-285, 2015. DOI: 10.3109/01612840.2014.983622.
IVERSEN, A. S.; et al. Being mothers and fathers of a child whith type 1 
diabetes aged 1 to 7 years: a phenamenological study of parents’ experiences. 
International jornal of qualitative studies on health and well, Being, v. 13, 
issue1, p. 14877582018.12.01. DOI:10.1080/17482631.2018.1487758.
KHOURY, M. N.; HUIJER, H. A. S.; DOUMIT, M. A. A. Lebanese Parents’Ex-
periences With a Child With Cancer. European Journal of Oncology Nur-
sing, v. 17, p. 16-21, 2013. DOI: 10.1016/j.ejon.2012.02005.
LAMB, M. E. The History of Research on Father Involvente marriag et 
Family. Review, v. 29, n. 2-3, p. 23-42, 2000. DOI: 10.1300/j002v29n02_03.
LAWS, T. Supporting Fathers who want to be in volved in providing health-
care for their child. Enf. Criança e jovens, v. 30, n. 5, set. 2018. DOI:10.7748/
ncyp. 2018.e1069.
MANNING, A. N. The NICU Experience How Does it Affect the Parents’ 
Relationship? J. Perinat Neonat Nurs, v. 26, n. 4, p. 353-357, 2012. 
DOI:10.1097/jpn 0b013e3182710002.
MOGHADOASI, J. et al. Family Interaction in Childhood Leukemia: an 
exploratory descriptive study. Supportive Care in Cancer, v. 26, n. 12, 
p. 4161-4168, dez. 2018. DOI:10.1007/s00520-018-4289-8OLIVEIRA, A. D. L. et al. Participação do pai no cuidar da criança com doença 
crônica. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, v. 24, n. 3, p. 415-482, 2020.
OUZZANI, M.; HAMMADY, H.; FEDOROWICZ, Z. et al. Rayan web and 
mobile app for systematic reviews. Syst Rev., v. 5, n. 210, p. 1-10, 2016. DOI: 
https://doi.org/10.1186/s13643-016-0384-4.
PAGE, M. J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for repor-
ting systematic reviews. BMJ, v. 372, n. 71, p. 1-9, 2021. DOI: 10.1136/bmj.n71
82
POLITA, N. B. et al. Care provided by the father to the child with can-
cer under the influence of masculinitus: meta-synthesis. Rev. Bras. 
Enferm., [internet], v. 71, n. 1, p. 185-94, 2018. DOI: http://dx.doi.
org/10.1590/0034-7167-2016-0671.
QI-Y. L. et al. Unmet Family Needs Concerning Healthcare Services in the 
Selting of Childhood, Hospitalization for Cancer Treatment in Mainland 
China: A qualitative Study. Journal of Pediatric Nursing, v. 44, e66-71, 
2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.pedn.2018.11.0030882-5963/2018.
RAMOS, R. M. et al. Cuidado paterno à criança e ao adolescente com doença 
crônica: percepção materna. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 38, n. 3, 2017.
SANTOS, R. N. C. et al. Lugares do Homem no Cuidado Familiar no adoe-
cimento crônica. Rev. Esc. Enferm., USP, v. 52, e 03398, 2018.
SILVA, T. P. et al. Cuidado do enfermeiro à criança com condição crônica: 
Revelando significados. Cienc. Cuid. Saúde, v. 11, n. 2, p. 376-383, abr./jun. 
2012. DOI: 10.4025/ciencuidsaude.v11i2.13162.
SMALDONE, A.; RITHLZ, M. D. Perceptions of parenting children with 
type1 diabetes diagnosed in Early childhood. Jornal of Pediatric Health 
Care, v. 25, n. 2, mar./abr. 2011.
SOUZA, M. H. N.; NÓBREGA, V. M.; COLLET, N. Rede social de crianças 
com doença crônica: conhecimento e prática de enfermeiros. Revista Brasi-
leira de Enfermagem, v. 73, n. 2, 2020.
TRICCO, A. C et al. Prisma Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): 
Checklist and Explanation. Ann Intern. Med., v. 169, n. 7, p. 467, 2018. 
Disponível em: http://www.prisma-statement.org/Extensions/ScopingReviews. 
Acesso em: 4 maio 2021.
WEST, M. G. L. N. et al. Demandas de cuidados vivenciadas por cuidadores 
familiares de crianças com Imunodeficiência Primária. Revista Brasileira 
de Enfermagem, v. 73, 2020.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Prevenção de doenças crô-
nicas: um investimento vital [Internet], p. 30, 2005. Disponível em: https://
www.who.int/chp/chronic_disease_report/contents/en/
ANÁLISE DA QUALIDADE DO SONO 
ENTRE CRIANÇAS PRÉ-ESCOLARES 
A PARTIR DA PERCEPÇÃO MATERNA
Luara Freitas Fonseca Ventura
Caroline Neves de Sá
Tatiana Maria Melo Guimarães
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.83-96 
O sono é um processo fisiológico ativo e complexo que sofre influência 
de fatores comportamentais e ambientais. Ele desempenha funções 
importantes no organismo e, na fase infantil, é necessário em quan-
tidade significativa (ARAÚJO; PACHECO, 2018). A maturação pós-natal 
das estruturas neurológicas responsáveis pelo sono acontece nos primeiros 
meses e anos de vida, destacando-se como marco importante no processo de 
crescimento e desenvolvimento infantil (PARUTHI et al., 2016).
Para as crianças, o sono é essencial para aprendizagem, processos de 
memória, desempenho escolar e bem-estar geral (OPHOFF et al., 2018). 
No entanto, as influências da vida moderna, com exposição cada vez mais 
precoce e frequente à tecnologia, alimentação inadequada e desorganização 
dos ritmos naturais, têm interferido na qualidade e ocasionado distúrbios do 
sono (ANDRADE; CARMO, 2019).
Estudos transversais estimam que 20% a 30% das crianças têm problemas 
de sono ou despertares noturnos que podem estar relacionados aos hábitos 
familiares e culturais e às exigências sociais (NUNES; BRUNI, 2015). Na 
idade pré-escolar, de 15% a 30% das crianças apresentam despertares noturnos 
e resistência em adormecer (ALLEN et al., 2016).
O sono de qualidade é relevante para saúde física e cognitiva das crianças 
(OPHOFF et al., 2018) e dos cuidadores (COVINGTON; ARMSTRONG; 
BLACK, 2018). A escassez dessa característica se associa ao risco elevado de 
alterações comportamentais e cognitivas, como dificuldade de atenção, mau 
desempenho escolar, ansiedade e depressão, além de conferir maior risco de 
desenvolvimento de sobrepeso e obesidade (HALAL; NUNES, 2018). Posto 
isso, a qualidade do sono é reconhecida como fator relevante em saúde pública.
84
A escolha do tema está relacionada à importância de conhecer e analisar 
a qualidade do sono infantil, ao ponderar o aumento de fatores que causam 
dificuldades para os pais em conduzir hábitos e rotinas saudáveis de sono 
dos filhos. Por esse motivo, faz-se necessário estudos que avaliem o sono e o 
comportamento das crianças por meio de informantes, como os pais (RAFIHI-
-FERREIRA et al., 2016).
Ao considerar que os distúrbios do sono em crianças são comuns e com 
possibilidade de difícil diagnóstico, salienta-se a importância desta pesquisa 
(OPHOFF et al., 2018). Diante do contexto apresentado, questionou-se: qual 
a qualidade do sono entre crianças pré-escolares que frequentam uma creche 
da rede particular de ensino do município de Teresina, Piauí, Brasil? Delimi-
tou-se como objetivo analisar a qualidade do sono entre crianças pré-escolares 
a partir da percepção materna.
Método
Trata-se de estudo transversal e descritivo, realizado de abril a 
maio de 2021, em uma creche da rede particular de ensino do muni-
cípio de Teresina, Piauí, Brasil. A população da pesquisa foi composta 
por 50 mães de crianças em idade pré-escolar (entre três e cinco anos, 
11 meses e 29 dias). A amostra foi selecionada por conveniência, cons-
tituída por mães que atenderam aos critérios de inclusão: idade igual 
ou superior a 18 anos; ter filho(a) na idade entre três e cinco anos, 11 
meses e 29 dias, regularmente matriculado(a) na instituição onde o estudo 
foi desenvolvido.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista presencial, em 
sala cedida pela direção da creche, ou por meio de plataforma virtual, a 
critério da participante. Para tanto, utilizou-se de instrumento elaborado 
pelas autoras, contendo variáveis socioeconômicas e relacionadas à rotina 
do sono da criança. Para avaliação do sono do pré-escolar, aplicou-se o 
instrumento Pittsburgh Sleep Quality Index (PSQI), que avalia a qua-
lidade do sono e os distúrbios durante o período de um mês (BUYSSE 
et al., 1989).
Em 2010, esse instrumento foi validado para língua portuguesa (PSQI-
-BR) e mostrou-se confiável para avaliação da qualidade do sono, sendo 
equivalente à versão original, quando aplicada a indivíduos que falam portu-
guês do Brasil (BERTOLAZI et al., 2011). A avaliação da qualidade do sono 
ocorre pelo cálculo do PSQI, que avalia sete componentes, graduados em 
escores de zero (nenhuma dificuldade) a três (dificuldade grave) (ARAÚJO; 
PACHECO, 2018).
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 85
A análise dos dados foi desenvolvida de modo inicial, a partir da inser-
ção das informações apreendidas pelos instrumentos de coleta, em planilha 
do programa Microsoft Excel. Em seguida, esses dados foram exportados 
para o software estatístico SPSS – International Business Machines Statistics 
Package Social Science versão 18.0 (IBM SPSS Statistics 18). Realizaram-se 
estatística descritiva, médias e desvio padrão das variáveis. As médias das 
variáveis categóricas foram analisadas estatisticamente pelo teste t de Student 
e ANOVA a um fator. Para as análises estatísticas, considerou-se o nível de 
confiança de 95% (pda pesquisa 50 mães com filhos em idade pré-escolar. Cons-
tatou-se que 80% das crianças foram consideradas boas dormidoras, ou seja, 
apresentaram PSQI igual ou inferior a 5. Esse resultado é semelhante ao 
encontrado em outro estudo (SILVA et al., 2018) sobre a percepção parental 
acerca dos hábitos em crianças pré-escolares, que identificou 64,8% de crian-
ças consideradas boas dormidoras.
Para análise da qualidade do sono dos pré-escolares, realizou-se 
verificação individualizada dos sete componentes, com objetivo de iden-
tificar as áreas com maior possibilidade de interferência no valor final 
do escore. Os componentes (C) são, respectivamente, C1 (qualidade sub-
jetiva do sono, tendo como opções de resposta: muito boa, boa, ruim e 
muito ruim), C2 (latência para o sono: tempo em minutos que leva para 
dormir), C3 (duração do sono: número de horas dormidas por noite), C4 
(eficiência habitual do sono: quantidade de horas entre deitar e levan-
tar), C5 (distúrbios do sono: são problemas para dormir, no total de nove 
questões, listados na Tabela 1), C6 (uso de medicamentos para dormir) 
e C7 (disfunção diurna: entusiasmo para dormir durante o dia) (LIMA 
et al., 2019).
Identificou-se, de acordo com a Tabela 1, que a maioria das mães 
considerou boa ou muito boa a qualidade do sono dos pré-escolares, 58% 
e 30%, respectivamente. Esse dado constitui fator positivo, uma vez que há 
consenso de que a qualidade e a duração do sono das crianças são impor-
tantes para o desenvolvimento geral, saúde e bem-estar (HOLZHAUSEN 
et al., 2021).
86
Tabela 1 – Componentes do Índice da Qualidade do Sono 
de Pittsburgh e a sua relação com a qualidade do sono no 
último mês das crianças pré-escolares investigadas
Características do Padrão do Sono N % PSQI (DP) p-valor
Qualidade Subjetiva 0,000†
Muito boa 15 30,0 (2,60 ±1,50)
Boa 29 58,0 (3,97±1,56)
Ruim 6 12,0 (7,00±167)
Muito ruim – – –
Latência do sono (minutos) 0,000†
60 1 2,0 (5,0± -)
Distúrbio do sono 0,001†
Nenhuma vez 3 6,0 (1,33±1,52)
Menos de 1 vez por semana 37 74,0 (3,65±1,73)
1 a 2 vezes por semana 10 15,4 (5,70±1,82)
3 vezes por semana – –
Uso de medicação para dormir 0,010†
Nenhuma vez 47 94,0 (3,77±1,86)
Menos de 1 vez por semana 1 2,0 (3,00± -)
1 a 2 vezes por semana 2 4,0 (8,00±1,41)
3 vezes por semana – –
Sonolência diurna e distúrbio durante o dia 0,000
Nenhuma 29 58,0 (2,79±1,32)
Pequena 13 26,0 (5,15±1,81)
Moderada 5 10,0 (5,2±1,09)
Muita 3 6,0 (7,33±1,52)
Duração do sono (horas) –
> 7 50 100 –
1-7 – –
Eficiência habitual do sono (%) 0,122†
> 85 49 98 (3,86±1,97)
75-84 1 2,0 (7,0± -)
65-74 – –
(42%) apresentaram alguma sonolência ao longo 
do dia. De acordo com os relatos maternos, as crianças apresentavam relutância 
em executar tarefas, problemas de concentração nas brincadeiras, necessidade 
de alta estimulação e dificuldades de relaxar. Nota-se que as reduções da dura-
ção de sono têm consequências ao longo do dia, trazendo sonolência, problemas 
comportamentais, déficits cognitivos, queda no desempenho escolar, inflamação 
e disfunção metabólica (MOREIRA; PRADELLA-HALLINAN, 2017).
Averiguou-se predominância total de seis componentes referentes à boa 
qualidade do sono. Quatro apresentaram resultados com significância estatís-
tica: qualidade subjetiva (p = 0,000); latência do sono (p = 0,000); distúrbio 
do sono (p = 0,001); e sonolência diurna e distúrbio durante o dia (p = 0,000).
Ao analisar a qualidade do sono dos pré-escolares, conforme escores do 
PSQI, em relação à caracterização socioeconômica das mães participantes, con-
forme Tabela 2, verificou-se que a média do PSQI foi superior (pior qualidade 
do sono) entre crianças cujas mães apresentaram maior faixa etária – entre 35 
e 42 anos (média = 4,38 pontos) e etnia parda/negra (média = 4,16 pontos).
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 89
Tabela 2 – Caracterização socioeconômica das mães 
participantes do estudo, segundo a média PSQI
Característica da mãe N % PSQI Média (DP) p-valor‡
Idade da mãe (anos) 0,560
22 – 34 26 52,0 3,50 (1,72)
35 – 42 24 48,0 4,38 (2,22)
Etnia 0,272
Branca 18 36,0 3,50 (1,58)
Pardos/ Negros 32 49,2 4,16 (2,20)
Escolaridade 0,419
Ens. Fundamental/ Médio 3 6,0 3,00 (2,00)
Ens. Superior Incompleto/ Completo 47 94,0 3,98 (2,01)
Estado Civil 0,995
Solteira/ Divorciada 12 24,0 3,92 (2,10)
Casada 38 76,0 3,92 (2,00)
Renda Familiar 0,025
2.000 – 15.000 36 72,0 3,53 (1,74)
16.000 – 35.000 14 28,0 4,93 (2,33)
Realização de atividade Remunerada 0,299
Não 9 18,0 4,56 (2,60)
Sim 41 82,0 3,78 (1,86)
‡ = Teste t de Student
Fonte: Dados da pesquisa� Teresina-Piauí (2021)�
Esses dados convergem com estudo de coorte prospectivo que recrutou 
mulheres durante o início da gravidez da Harvard Vanguard Medical Asso-
ciates, com objetivo de examinar a associação entre raça/etnia e redução do 
sono desde a primeira infância até a metade da infância, o qual constatou que, 
comparativamente, idade materna igual ou superior a 35 anos e as minorias 
étnicas (negras, hispânicas e asiáticas) apresentam piores escores de avalia-
ção do sono. De acordo com os autores, é possível que mulheres mais jovens 
apresentem maior propensão a ser mães pela primeira vez ou ter menos filhos, 
o que pode influenciar positivamente a parentalidade em torno das práticas 
de sono e do ambiente familiar da criança (PEÑA et al., 2016).
Também foi mais elevada no caso das mães com renda familiar de alto 
poder aquisitivo, entre R$ 16.000 e R$ 35.000 mensais (média = 4,93 pontos), 
e que não realizavam atividade remunerada (média = 4,56 pontos). Constatou-
-se que o nível de escolaridade materna e estado civil apresentaram pequena 
variação na média do escore PSQI e, deste modo, não pareceram influenciar a 
qualidade do sono das crianças. Enfatiza-se que nenhuma média superou 5,00 
pontos e, portanto, estabeleceu-se boa qualidade do sono entre os filhos das 
90
participantes e que, apesar da diferença estabelecida, apenas a renda familiar 
apresentou significância estatística (p = 0,025).
As participantes da pesquisa apresentaram poder aquisitivo alto, com 
média de R$ 14.000,00 (12,7 salários-mínimos), significativamente superior 
ao salário médio mensal que era de 2,7 salários-mínimos, no ano de 2019, em 
Teresina-PI (IBGE, 2019). Evidenciou-se que quanto mais elevada a renda 
familiar, pior é a qualidade do sono infantil, indicando que níveis socioeconô-
micos altos podem ocasionar menor duração do sono, devido ao atraso na hora 
de dormir, relacionado ao uso prolongado de tecnologias digitais. Ademais, 
outro aspecto que pode estar relacionado é a frequência com que a criança 
acorda cedo, devido aos pais precisarem sair para trabalhar (LÉLIS et al., 2014)
No tocante à atividade remunerada, quantidade significativa das mães 
entrevistadas estavam profissionalmente ativas e, portanto, precisavam sair 
de casa e deixar os filhos em creches ou escolas e sob cuidados de outras 
pessoas. Existem cada vez mais mães com horários distintos que influenciam 
a qualidade de sono dos filhos, pois, geralmente, essas crianças ficam sob os 
cuidados de terceiros, o que acaba implicando na rotina de vida (SIMÕES, 
2016). As influências do contexto familiar contribuem para qualidade de sono 
das crianças, uma vez que padrões/ rotina de cada família influenciam os 
hábitos das crianças (LÉLIS et al., 2014).
Ao analisar o sono dos pré-escolares, segundo o PSQI, em relação às 
variáveis de caracterização do sono, de acordo com a Tabela 3, identificou-se 
que a média do PSQI foi maior entre crianças que realizavam sonecas durante 
o dia (média = 4,65 pontos), não possuíam rotina para o sono/higiene do 
sono (média = 5,00 pontos), dormiam em cama compartilhada (média = 4,30 
pontos), e que despertavam entre duas e quatro vezes na noite (média = 4,80). 
Diferentemente, pré-escolares que não dormiam em quarto escuro e que não 
acordavam durante a noite, apresentaram menores pontuações no escore PSQI, 
média de 3,17 e 2,94, respectivamente. No entanto, enfatiza-se que nenhuma 
média superou 5,00 pontos e, portanto, estabeleceu-se boa qualidade do sono.
Ao analisar a qualidade do sono no último mês (escore PSQI) dos pré-es-
colares em relação às características do sono relatadas pelas mães, conforme a 
Tabela 3, verificou-se que uma pior qualidade do sono, identificada por scores 
PSQI mais elevados, estava associada a realização de sonecas durante o dia (p = 
0,006), ausência de rotina do sono (p = 0,031) e acordar durante a noite (p = 0,009).
Tabela 3 – Caracterização relacionada à rotina do sono
Características do sono N % PSQI Média (DP) p-valor ‡
Sonecas dia 0,006
Sim 26 52,0 4,65 (2,03)
Não 24 48,0 3,13 (1,67)
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 91
Características do sono N % PSQI Média (DP) p-valor ‡
Rotina do sono 0,031
Sim 38 76,0 3,58 (1,86)
Não 12 24,0 5,00 (2,13)
Onde o filho dorme 0,509
Berço/ Cama 40 80,0 3,83 (1,79)
Cama Compartilhada 10 20,0 4,30 (2,79)
Quarto fica escuro no sono da noite 0,138
Sim 38 76,0 4,16 (2,16)
Não 12 24,0 3,17 (1,19)
Filho acorda durante a noite 0,009
Sim 32 64,0 4,47 (2,01)
Não 18 36,0 2,94 (1,62)
Número de despertares 0,122
0 ou 1 40 80,0 3,70 (1,97)
2 a 4 10 20,0 4,80 (1,98)
‡ = Teste t de Student�
Fonte: Dados da pesquisa� Teresina-PI (2021)�
Evidenciou-se que as crianças em idade pré-escolar costumavam fazer 
sonecas no turno da tarde, com duração, segundo o relato das mães, entre 
uma e três horas de sono. Nesses casos, o PSQI mostrou-se mais elevado e 
apresentou associação estatística (p = 0,006), indicando que a realização de 
sonecas diurnas está relacionada à pior qualidade do sono.
Esse resultado também foi identificado em pesquisa realizada nos EUA que 
objetivou compreender o impacto de um período de cinco dias de restrição da 
soneca sobre os padrões de sono e a função cognitiva em pré-escolares com desen-
volvimento típico, a qual concluiu que em crianças que costumam realizar soneca, 
a restrição do sono diurno de curto prazo está associada ao aumento do sono 
noturno e pode contribuir para melhorar a função atencional (LAM et al., 2019).
As crianças relacionadas ao estudo apresentaram rotina de sono, fator 
essencial para boa higiene de sono, considerando horários previsíveis e rotinas 
para adormecer (BATHORY; TOMOPOULOS, 2017). Das crianças avalia-
das, 24% não exibiam higiene de sono, hábito que apresentou o maior índice 
PSQI (5,00 – DP ±2,13) e associação estatística (p = 0,031), ratificando que 
essa prática é importante para estimular o sono de qualidadena infância. O 
principal desafio na implementação dessas medidas é que as mudanças de 
hábitos não se limitam à criança e envolvem mudanças na rotina e nos hábitos 
de toda a família (HALAL; NUNES, 2018).
No que se refere ao local do sono, constatou-se que a maior parte dos 
pré-escolares dormiam sozinhos, na própria cama ou berço, dado semelhante 
ao identificado em estudo realizado em Portugal, com objetivo de caracterizar 
continuação
92
os hábitos e a qualidade de sono percebidos pelos pais das crianças em idade 
pré-escolar (SIMÕES, 2016). Em relação à utilização de cama compartilhada, 
que correspondeu a 20% da amostra do estudo, com escore PSQI mais ele-
vado (4,30 – DP ±2,79), é um hábito avaliado sob diferentes perspectivas, de 
acordo com a cultura e o meio em que cada indivíduo está inserido (RANGEL; 
BAPTISTA; ANJO, 2015). Entretanto, identifica-se ocorrência mais frequente 
de problemas de sono entre pré-escolares que dormem junto aos pais, em 
comparação a crianças que dormem sozinhas (LEE et al., 2019).
Verificou-se que a maioria dos pré-escolares dormia em quarto escuro 
no sono da noite. Apesar disso, observou-se que esse grupo apresentou esco-
res mais elevados do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (4,16 – DP 
±2,16). Infere-se que a necessidade das crianças de perceber uma luz acesa 
no quarto, para que retornem ao sono, relaciona-se ao medo do escuro, pois, 
no desenvolvimento infantil, esse sentimento é algo comum e inato à vida das 
crianças (CATARINA, 2020). Por esse motivo, é importante possibilitar aos 
pais o acesso a essa informação, esclarecendo que o ideal nessa circunstância é 
a presença de luzes com tons quentes, como o vermelho, que apresentam menor 
interferência na melatonina, ao contrário das lâmpadas de led (MOURA, 2020).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Constatou-se que a qualidade de sono dos pré-escolares investigados foi 
satisfatória, sendo classificados como bons dormidores. No entanto, fatores 
como realização de sonecas excessivas durante o dia, ausência de rotina do 
sono e despertares noturnos podem comprometer a qualidade e, consequen-
temente, implicar no desenvolvimento biopsicossocial infantil.
No que concerne às possibilidades para a prática clínica, a partir deste 
estudo, estabelece-se que:
1. Os resultados encontrados serão importantes para novas pesquisas 
e podem incentivar os enfermeiros na implementação de programas 
e intervenções na prevenção da saúde do sono em crianças pré-es-
colares, como também compreender a importância e os benefícios 
em todas as fases do desenvolvimento infantil;
2. Mais estudos que explorem os mecanismos causais da qualidade 
do sono em crianças, bem como estudos de intervenção que visem 
melhorar o sono, por meio de modalidades comportamentais e inte-
grativas, são necessários;
3. A busca dos problemas de sono deveria ser implementada de forma 
estruturada e consistente nas consultas de saúde infantil, com ins-
trumentos validados, o que permite melhor acompanhamento da 
evolução de saúde da criança e situação clínica.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 93
REFERÊNCIAS
ALLEN, S. L. et al. ABCs of Sleeping: A review of the evidence behind 
pediatric sleep practice recommendations. Sleep Med. Rev., v. 29, p. 1-14, 
2016. DOI: 10.1016/j.smrv.2015.08.006. Disponível em: https://pubmed.ncbi.
nlm.nih.gov/26551999/. Acesso em: 13 out. 2021.
ALMEIDA, G. M. F. Avaliação das características do sono e prevalên-
cia de distúrbios em crianças e adolescentes brasileiros: estudo de base 
populacional. 2017. Tese (Doutorado em Medicina) – Pontifícia Universidade 
Católica do Rio Grande do Sul, 2017. Disponível em: http://tede2.pucrs.br/
tede2/handle/tede/8805. Acesso em: 18 out. 2021.
ANDRADE, L. P. C.; CARMO, C. F. Distúrbios do sono na criança e sua 
relação com o processo de aprendizagem. Rev. Interd. Pens. Cient., v. 5, 
n. 5, p. 981-994, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.20951/2446-6778/v5n5a78. 
Disponível em: http://reinpeconline.com.br/index.php/reinpec/article/
view/441/362. Acesso em: 14 nov. 2021.
ARAÚJO, M. T. M.; PACHECO, M. C. T. Distúrbios respiratórios na infân-
cia: da respiração oral à apneia obstrutiva do sono. Vitória: UFES, 2018. 
97 p. Disponível em: https://odontologia.ufes.br/sites/odontologia.ufes.br/
files/field/anexo/livro_disturbios_respiratorios_na_infancia_-_mestrado.pdf. 
Acesso em: 12 dez. 2021.
BATHORY, E.; TOMOPOULOS, S. Sleep regulation, physiology and deve-
lopment, sleep duration and patterns, and sleep hygiene in infants, toddlers, 
and preschool-age children. Curr. Probl. Pediatr. Adolesc. Health Care., 
v. 47, n. 2, p. 29-42, 2017. DOI: 10.1016/j.cppeds.2016.12.001. Disponível 
em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28117135/. Acesso em: 21 dez. 2021.
BERTOLAZI, N. A. et al. Validation of the brazilian portuguese version of 
the pittsburgh sleep quality index. Sleep Med., v. 12, n. 1, p. 70-75, 2011. 
DOI: 10.1016/j.sleep.2010.04.020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.
nih.gov/21145786/. Acesso em: 14 out. 2021.
BUYSSE, D. J. et al. The pittsburgh sleep quality index: a new instrument 
for psychiatric practice and research. Psychiatry Res., v. 28, n. 2, p. 193-213, 
1989. DOI: 10.1016/0165-1781(89)90047-4. Disponível em: https://pubmed.
ncbi.nlm.nih.gov/2748771/. Acesso em: 17 dez. 2021.
94
CATARINA, C. S. et al. A importância de estudar o medo no desenvolvimento 
infantil. Anuário Pesquisa e Extensão Unoesc São Miguel do Oeste, v. 5, 
e23922, 2020. Disponível em: https://unoesc.emnuvens.com.br. Acesso em: 
20 nov. 2021.
COVINGTON, L. B.; ARMSTRONG, B.; BLACK, M. M. perceived tod-
dler sleep problems, co-sleeping, and maternal sleep and mental health. 
J. Dev. Behav. Pediatr., v. 39, n. 3, p. 238-245, 2018. DOI: 10.1097/
DBP.0000000000000535. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/29570568/. Acesso em: 3 jan. 2022.
HALAL, C. S.; NUNES, M. L. Organização e higiene do sono na infância 
e adolescência. Rev. Residência Pediátr., v. 8, n. 1, 2018. DOI: https://doi.
org/10.25060/residpediatr. Disponível em: http://residenciapediatrica.com.
br/detalhes/341/organizacao%20e%20higiene%20do%20sono%20na%20
infancia%20e%20adolescencia. Acesso em: 20 jun. 2021.
HIRSHKOWITZ, M. et al. National sleep foundation’s sleep time duration 
recommendations: methodology and results summary. Sleep Health., v. 1, 
n. 1, p. 40-43, 2015. DOI: 10.1016/j.sleh.2014.12.010. Disponível em: https://
pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29073412/. Acesso em: 3 out. 2021.
HOLZHAUSEN, E. A. et al. A comparison of self- and proxy-reported sub-
jective sleep durations with objective actigraphy measurements in a survey of 
wisconsin children 6-17 years of age. Am J. Epidemiol., v. 190, n. 5, p. 755-
765, 2021. DOI: 10.1093/aje/kwaa254. Disponível em: https://pubmed.ncbi.
nlm.nih.gov/33226072/. Acesso em: 11 out. 2021.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. 
Censo Demográfico 2019. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisti-
cas/sociais/populacao/25844-desigualdades-sociais-por-cor-ou-raca.html?=&-
t=sobre. Acesso em: 21 jun. 2021.
LALANNE, S. et al. Melatonin: from pharmacokinetics to clinical use 
in autism spectrum disorder. Int. J. Mol. Sci., v. 22, n. 3, p. 1490, 2021. 
DOI: 10.3390/ijms22031490. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/33540815/. Acesso em: 14 dez. 2021
LAM, J. C. et al. Does increased consolidated nighttime sleep facilitate attentio-
nal control? A pilot study of nap restriction in preschoolers. J. Atten. Disord., 
v. 23, n. 4, p. 333-340, 2019. DOI: 10.1177/1087054715569281. Disponível 
em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25646024/. Acesso em: 13 nov. 2021.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 95
LEE, S. et al. Effect of sleep environment of preschool children on children’s sleep 
problems and mothers’ mental health. European Psychiatry., v. 7, p. 277-285, 
2019. DOI: https://doi.org/10.1016/j.eurpsy.2017.01.1697. Disponível em:https://
www.cambridge.org/core/journals/european-psychiatry/article/sleep-environmen-
t-of-preschool-children-effects-on-childrens-sleep-disorder-and-parents-mental-
-health/9FD970C7FA4EE72B6D98A0E05D1EB72F. Acesso em: 12 dez. 2021.
LÉLIS, A. et al. Influência do contexto familiar sobre os transtornos do sono 
em crianças. Rev. Rene, v. 15, n. 2, p. 343-353, 2014. DOI: 10.15253/2175-
6783.2014000200020. Disponível em: http://periodicos.ufc.br/rene/article/
view/3165/2428. Acesso em: 15 dez. 2021.
LIMA, A. A. et al. Qualidade do sono das crianças internadas com síndrome do 
respirador bucal. Av. Enferm., v. 37, n. 2, p. 149-157, 2019. DOI: https://doi.
org/10.15446/av.enferm.v37n2.74705. Disponível em: http://www.scielo.org.
co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0121=45002019000200149-::::text-
Os%20achados%20deste%20estudo%20mostraram,com%20os%20crit%-
C3%A9rios%20do%20IQSP. Acesso em: 22 dez. 2021.
MOREIRA, G. A.; PRADELLA-HALLINAN, M. Sleepiness in chil-
dren: an update. Sleep Med. Clin., v. 12, n. 3, p. 407-413, 2017. DOI: 
10.1016/j.jsmc.2017.03.013. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.
nih.gov/28778238/::::text=The%20prevalence%20of%20sleepiness%20
in,%2C%20inflammation%2C%20and%20metabolic%20dysfunction. Acesso 
em: 20 nov. 2021.
MOURA, J. Além do sono: uma visão integrativa para voltar às nossas ori-
gens, e transformar relacionamentos e as noites de sono infantil e familiar. 
São Paulo: Integrative Publishing Company, 2020. p. 300.
NUNES, M. L.; BRUNI, O. Insomnia in childhood and adolescence: clinical 
aspects, diagnosis, and therapeutic approach. J. Pediatr., Rio de Janeiro, v. 91, 
p. 26-35, 2015. DOI: 10.1016/j.jpe d. 2015.08.006. Disponível em: https://
pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26392218/. Acesso em: 13 dez. 2021.
OPHOFF, D. et al. Sleep disorders during childhood: a practical review. Eur. J. 
Pediatr., v. 177, n. 5, p. 641-648, 2018. DOI: 10.1007/s00431-018-3116-z. Dispo-
nível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29502303/. Acesso em: 26 out. 2021.
PARUTHI, S. et al. Recommended amount of sleep for pediatric popula-
tions: a consensus statement of the american academy of sleep medicine. J. 
Clin. Sleep Med., v. 12, n. 6, p. 785-786, 2016. DOI: https://doi.org/10.5664/
96
jcsm.5866. Disponível em: https://jcsm.aasm.org/doi/10.5664/jcsm.5866. 
Acesso em: 20 out. 2021.
PEÑA, M. M. et al. Racial/ethnic and socio-contextual correlates of chro-
nic sleep curtailment in childhood. Sleep, v. 39, n. 9, p. 1653-1661, 2016. 
DOI: 10.5665/sleep.6086. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/27306269/. Acesso em: 14 nov. 2021.
RAFIHI-FERREIRA, R. et al. Sono e comportamento em crianças atendi-
das em um serviço de psicologia. Psic.: Teor e Pesq., v. 18, n. 2, p. 159-172, 
2016. DOI: http://dx.doi.org/10.15348/1980-6906/psicologia.v18n2p159-172. 
Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S1516-36872016000200012. Acesso em: 12 dez. 2021.
RANGEL, M. A. et al. Qualidade do sono e prevalência das perturbações do 
sono em crianças saudáveis em Gaia: um estudo transversal. Rev. Port. Med. 
Geral Fam., v. 31, n. 4, p. 256-264, 2015. DOI: https://doi.org/10.32385/
rpmgf.v31i4.11553. Disponível em: https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/
rpmgf/article/view/11553. Acesso em: 12 dez. 2021.
RZEPKA-MIGUT, B.; PAPROCKA, J. Efficacy and safety of melatonin 
treatment in children with autism spectrum disorder and attention-deficit/
hyperactivity disorder-a review of the literature. Brain Sci., v. 10, n. 4, p. 219, 
2020. DOI: 10.3390/brainsci10040219. Disponível em: https://pubmed.ncbi.
nlm.nih.gov/32272607/. Acesso em: 12 nov. 2021.
SILVA, E. M. B. et al. Percepção parental sobre hábitos e qualidade do sono das 
crianças em idade pré-escolar. Revista de Enfermagem Referência, v. 4, n. 17, 
p. 63-71, 2018. DOI: https://doi.org/10.12707/RIV17103. Disponível em: https://
www.redalyc.org/journal/3882/388256983007/html/. Acesso em: 14 nov. 2021.
SIMÕES, P. A. D. Qualidade de sono em pré-escolares: contextos e deter-
minantes. 2016. Dissertação (Mestrado em Saúde) – Escola Superior de 
Saúde de Viseu, Portugal, 2016. Disponível em: https://repositorio.ipv.pt/han-
dle/10400.19/4503::::text=Resultados%3A%20O%20padr%C3%A3o%20
de%20sono,e%20sem%20perturba%C3%A7%C3%B5es%20do%20sono. 
Acesso em: 14 dez. 2021.
WANG, L. et al. Sleep and body mass index in infancy and early childhood 
(6-36 mo): a longitudinal study. Pediatr. Obes., v. 14, n. 6, e12506, 2019. 
DOI: 10.1111/ijpo.12506. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/30659783/. Acesso em: 13 dez. 2021.
EDUCAÇÃO SEXUAL NA 
ADOLESCÊNCIA: visão dos pais 
e adolescentes e papel da escola
Elaide Silva Santos
Jaqueline Maria de Sousa
Maria Nauside Pessoa da Silva
Danieles Guimarães Oliveira
Flávia Dayana Ribeiro da Silveira
Lindia Kalliana da Costa Araújo Alves Carvalho
Layana Pachêco de Araújo Albuquerque
Doi: 10.24824/978652513115.3.97-110
A adolescência compreende um período de transição entre a infância e 
a idade adulta, cujos indícios de desenvolvimento são caracterizados 
por alterações biológicas, hormonais, físicas e mentais, assim como 
pela expressão da sexualidade, considerada uma necessidade básica capaz 
de influenciar pensamentos, sentimentos, ações e interações relacionadas à 
identidade de gênero e à busca por orientação, prazer, intimidade e reprodução 
(SLUIS et al., 2016).
Na concepção de Sehnem et al., (2018) essa é uma fase de experimen-
tações e suas experiências sofrem influências positivas e negativas do meio 
que vivem, repercutindo diretamente no processo de amadurecimento e matu-
ração. Nessa perspectiva, Silva et al., (2019) consideram que a expressão da 
sexualidade na adolescência constitui um fenômeno complexo, acompanhada 
por dúvidas, medos, insegurança e preconceito, que podem elevar o grau de 
exposição a riscos e contribuir para maior vulnerabilidade dessa população à 
gravidez indesejada e as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
No Brasil, apesar da estruturação de políticas públicas e de linhas inte-
grais de cuidados voltados para a saúde sexual e reprodutiva, os indicadores 
de incidência das ISTs e de gravidez na adolescência são crescentes, con-
figurando-os como problema de grande magnitude capazes de despertar a 
necessidade de novos estudos e da restruturação do atendimento em diferentes 
contextos e níveis de atenção, sejam eles no ambiente escolar, social, familiar 
ou de saúde (SILVA et al., 2015; SILVA et al., 2019).
Ainda, Cunha et al., (2015) consideram que possuir um programa nacio-
nal direcionado às ISTs de forma organizada está atrelada aos aspectos eco-
nômicos, sociais, culturais e políticos vivenciados pela comunidade. Dessa 
forma, identifica-se maior concentração de casos em países subdesenvolvidos, 
98
indicando a necessidade de analisar as contribuições dos determinantes eco-
nômicos e da desinformação para o desenvolvimento dessas infecções.
Cordeiro et al., (2017) corroboram quando descrevem que apesar do 
investimento em campanhas para prevenção da ISTs, principalmente em rela-
ção ao uso do preservativo masculino, são comuns lacunas no conhecimento, 
e o quanto a educação sexual nos moldes praticados contemporaneamente 
atingem de maneira positiva a população adolescente.
Em meio a isso, destaca-se a didática sexual que se apresenta com o 
ofício de enaltecer as bases de conhecimentos sobre sexualidade para esse 
público, priorizando a orientação, a análise de riscos, a prevenção de agravos 
e à implementação de estratégias voltados para a vida sexual de forma segura 
(ALMEIDA et al., 2017).
Para a Unesco, a educação sexual possui papel central para proteção de 
jovens, resultando na redução expressiva dos indicadores das vulnerabilida-
des que possam comprometer o estado de saúde, o bem-estar físico, mental 
e social, e a qualidade de vida dessa população (BARBOSA et al., 2020).
Dada a importância desta abordagem, este estudo tem como objetivo 
analisar na literatura a visão dos pais e adolescentes, assim como opapel da 
escola sobre a educação sexual na adolescência.
Metodologia
Revisão integrativa da literatura estruturada em seis etapas de investi-
gação: identificação do tema e formulação da questão norteadora; busca na 
literatura e amostragem; extração de dados; avaliação crítica dos resultados 
incluídos; análise e síntese das evidências; e apresentação da revisão (WHIT-
TEMORE; KNAFL, 2005).
Considerado um dos principais recursos para efetivação da prática 
baseada em evidências, a revisão integrativa constitui um método amplo, 
que permite inclusão de diferentes abordagens metodológicas, resultando na 
síntese e análise do conhecimento produzido, assim como em intervenções 
efetivas e com melhor custo-benefício (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
Esta investigação foi conduzida pela seguinte questão de pesquisa: 
Quais as evidências científicas relacionadas à educação sexual na adoles-
cência, bem como ao autocuidado com o corpo, as diferenças de gênero, a 
diversidade cultural, a gravidez na adolescência e o risco da infecção sexual-
mente transmissível?
A busca e seleção dos manuscritos a serem incluídos nesta revisão foi rea-
lizada após consulta às bases eletrônicas de dados: Biblioteca Virtual em Saúde 
(BVS), Google Acadêmico e Scientific Eletronic Library Online (SCIELO). 
Para tanto, foram utilizados os termos “Sexualidade”, “Adolescentes”, “Enfer-
magem” e “Educação sexual”, assim como os termos correspondentes no 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 99
idioma inglês “Sexuality”, “Adolescent”, “Nursing” e “Sex Education” inde-
xados no vocabulário Descritores em Ciências da Saúde (DeCS).
A amostra foi constituída por 11 produções que responderam à ques-
tão proposta para este estudo, publicados nos idiomas português, inglês e 
espanhol, entre os anos de 2015 e 2020. A exclusão foi condicionada aos 
capítulos de livros, enunciados, resenhas, notícias e materiais não científicos, 
assim como aos estudos que não apresentaram propostas de educação sexual 
na adolescência.
Os dados foram coletados por meio de um instrumento próprio, sendo 
priorizadas as seguintes variáveis de interesse: identificação do estudo 
(título, autor referencial, periódico e ano de publicação) objetivos e princi-
pais resultados.
Os procedimentos para síntese e análise ocorreram de forma descritiva, 
mediante a classificação e categorização das evidências. Assim, os artigos 
foram selecionados e analisados na íntegra, visando extrair as informações 
relevantes aos objetivos do estudo.
Resultados e discussão
A síntese das evidências incluídas e analisados na íntegra (n=11) estão 
apresentadas no Quadro 1, que apresenta o registro em ordem cronológica 
dos aspectos referenciais, assim como dos principais resultados encontrados.
Quadro 1 – Síntese das produções incluídas
Autor/Ano Título Periódico Resultados
Gonzalez et 
al. (2015)
Características de la educación 
sexual escolar recebida y su 
asociación con la edad de inicio 
sexual y uso de anticonceptivos en 
adolescentes chilenas sexualmen-
tes activas.
Revista chilena 
de obstetricia y 
ginecologia
A educação sexual viabiliza às crianças e 
adolescentes alicerces, aptidões e valores.
Rogers et 
al. (2015)
Quality of parent–adolescent 
conversations about sex and 
adolescent sexual behavior: an 
observational study.
Journal of Ado-
lescent Health
A interação e o diálogo entre pais e filhos 
proporcionam confianças para ambos
Queirós et 
al.
(2016)
Educação sexual para adolescen-
tes por docentes de um centro de 
educação comunitária
Revista Online 
de Pesqu isa 
C u i d a d o é 
Fundamental
A influência familiar tem um impacto direto na 
compreensão e construção da sexualidade do 
adolescente.
Queiróz; 
Almeida.
(2017)
Sexualidade na adolescência: 
potencialidades e dificuldades dos 
professores de ensino médio de 
uma escola estadual de Sorocaba
Revista da Fa-
culdade de Ciên-
cias Médicas de 
Sorocaba
Orientar para a educação sexual no âmbito escolar 
se torna poderoso para que o juvenil desperte o 
sentimento de ser importante enquanto pessoa.
continua...
100
Autor/Ano Título Periódico Resultados
Jesus et al.
(2018)
Educação sexual com adolescen-
tes: promovendo saúde e sociali-
zando boas práticas nas relações 
sociais Santa Maria/RS
Repositório do 
Centro Universi-
tário Franciscano, 
Santa Maria.
É necessário inserir-se o profissional da enfermagem 
interagindo juntamente com a família meios 
que promovam o acesso às informações sobre 
sexualidade.
Campos et 
al.
2018
Diálogos com adolescentes so-
bre direitos sexuais na escola 
pública: intervenções educativas 
emancipatórias!
Revista Pesqui-
sas e Práticas 
Psicossociais
Apesar das perspectivas sexuais e reprodutivas 
apresentarem avanços na legislação internacional e 
nacional e serem reconhecidas como direitos humanos 
fundamentais na adolescência, é notável a deficiência 
e a falta de que o adolescente, os profissionais da 
educação e da saúde detém sobre o tema.
Oliveira et 
al.
(2019)
“Corpo de homem com (tre) jeitos 
de mulher?”: imagem da travesti 
por enfermeiras
Interface Comu-
nicação, Saúde, 
Educação
Descreve o ser manifesto e diverso de atributos 
lúbr icos encar r i lhado com est i lo feminal 
acompanhando a conformação colateral mediante 
homossexualidade.
Bielenki et 
al.
(2019)
Sexualidade na adolescência em 
tempos de Aids: um estudo com 
escolares.
Aletheia
A adolescência é marcada pelo início da vida sexual 
ativa, fator que contribui para maior vulnerabilidade ao 
vírus HIV. Assim, os adolescentes tornam-se um público 
prioritário para a educação em saúde, já que possuem 
uma maior flexibilidade para adoção e aprendizagem de 
comportamentos conscientes e responsáveis.
Brasil, 
Cardoso, 
Silva.
(2019)
Conhecimento de escolares sobre 
infecções sexualmente transmis-
síveis e métodos contraceptivos.
Rev. enfer m. 
UFPE online
É de grande valia o preparo desses púberes no 
educandário, minimizando riscos por meio dos 
métodos de prevenção.
Silva; 
Rocha.
(2019)
Gênero e diversidade sexual na 
escola: apresentação do dossiê.
Educação, Ciên-
cia e Cultura.
A concepção sobre gênero, diversidade sexual e 
educação adquiriu proporções que vão além do 
espaço familiar, ganhando contextos diversificados 
dentro das escolas.
Barbosa et 
al.
(2020)
Dúvidas e medos de adolescen-
tes acerca da sexualidade e a 
importância da educação sexual 
nas escolas
Rev is ta E le -
trônica Acervo 
Saúde.
Os adolescentes ainda têm muitas dúvidas sobre 
sexualidade principalmente no que concerne às 
doenças e à gravidez, evidenciando baixo acesso 
às informações seguras.
Fonte: Google Acadêmico; BVS; ScIELO� Teresina-Piauí (2022)�
Educação sexual na adolescência: visão dos pais e dos adolescentes
Ao interpelar sobre sexualidade com adolescentes acentua-se uma infini-
dade de ideias, inquietações, expectativas e dúvidas reveladas ao longo desta 
fase da vida. É exatamente nessa etapa que a educação sexual começa a ser 
praticada, não de forma desimportante e insegura, mas de maneira condizente 
e saudável (MAIA et al., 2016).
Nessa perspectiva, observa-se que a adolescência é acompanhada por 
inúmeras mudanças e que no contexto familiar se busca uma ressignificação 
continuação
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 101
para o modelo de educação, visando a implementação de práticas e compor-
tamentos seguros (FERREIRA; PIAZZA; SOUZA, 2019).
Os estudos incluídos nesta categoria evidenciam que algumas famílias 
privam seus filhos da educação sexual livre, seja pela amplitude negativa atri-
buída à sexualidade ou por presumirem que os filhos são indivíduos assexuados 
e que o diálogo poderá antecipar a prática sexual, levando ao constrangimento 
por tratarem de um assunto que não vivenciaram quando se encontravam na 
mesma etapa de vida (GONZALEZ; MOLINA; LUTTGES, 2015).
No entanto, Rogers et al., (2015) abordam em sua investigação a con-
fiança entre pais e filhos, especialmenteem relação ao fenômeno da sexuali-
dade, que deve ser dialogada de maneira clara, aberta, sem preconceitos ou 
constrangimentos, dado que, garantirão a orientação adequada para as suas 
concepções, que carregam muitas dúvidas e nem sempre sabe como esclare-
cê-las de maneira adequada.
Coelho e Soares (2019) referem-se à educação sexual como uma imposi-
ção, ou seja, tem-se um bloqueio por parte da família ao mencionar o tema com 
os filhos, porém é notável que embora não se tenha esse tipo de informação 
concreta no convívio familiar esses adolescentes buscam meios alternativos 
para informação.
O modo como os pais foram educados sexualmente, e a supressão de 
preparo são fatores que dificultam a abordagem do tema no contexto familiar, 
o que leva a certificar que o diálogo entre os pais e filhos, na maioria das vezes, 
seja limitado. Na mesma perspectiva, Maia et al., (2016) apresentam a reflexão 
de que talvez pais e responsáveis deixem de conversar sobre sexualidade com 
seus filhos, não por acharem desnecessário, mas por não saberem como abordar 
o tema de maneira natural e qual o momento em que se deve iniciar o assunto.
Carvalho et al., (2019) ressaltam que apesar de considerarem propiciar 
uma boa educação sexual em casa, muitos pais dialogam de forma superficial 
sobre a sexualidade, o que acaba revelando dificuldades na comunicação. 
Assim, estratégias para educação sexual clara, aberta, sem preconceitos ou 
constrangimentos são necessárias.
Apesar disso, é notável a mudança de comportamento dos adolescentes 
quando estes recebem informações pertinentes dentro do contexto familiar, 
contribuindo para que adiem o início de seu vigor lascivo, assim como bus-
quem aderir às práticas seguras (CARVALHO et al., 2019).
Para Dourado et al., (2018), o baixo envolvimento e estruturação familiar 
associado às condições socioeconômicas, à troca de parceiros e à prática sexual 
desprotegida revela outra problemática que expressa o crescimento das taxas 
de ISTs. Assim, Oliveira et al., (2017) mencionam o papel familiar frente à 
educação sexual dos filhos, alertando-os para a construção de alicerces que 
lhes permitam dialogar abertamente, sanando as dúvidas quanto à sexualidade 
e ensinando-os a lidar com os riscos da prática.
102
Campos et al., (2018) trazem a interação sobre os direitos do adolescente 
preconizado por lei, ressaltando também fatores relacionados a disponibiliza-
ção de informação sobre sexualidade ser insuficiente para mover-se de forma 
cabal no julgamento dos púberes.
Segundo Queiróz e Almeida (2017), a educação e saúde na formação e 
desenvolvimento dos saberes sexuais pode ser reputado e assistido por dife-
rentes cuidadores, incluindo tanto familiares quanto a escola. Apesar disso, 
cabe a família abrir espaço, ter mais flexibilidade diante desse processo de 
evolução, visto que é uma fase marcada por alterações físicas, psicológicas 
e emocionais, além de se caracterizar pela busca de identidade e processo de 
transição para a vida adulta (BARBOSA et al., 2020).
Educação sexual no contexto escolar
Considerando a ampla abordagem do fenômeno educação sexual na ado-
lescência, Lourinho et al., (2017) apontam que nesse transcurso incessante de 
erguer uma identidade, entra o contexto escolar e o educador como um dos 
indivíduos favoráveis à promoção da educação sexual.
Resende, Beirante e Gouveia (2018) mencionam à escola como ambiente 
onde adolescentes podem obter a educação sexual, embora seja uma temática 
discutida de forma delicada, mas que pais e familiares se mostram flexíveis 
quanto a esse nível de educação, constituindo referências e alternativas con-
venientes que disponibilizam e informam sobre a proteção de jovens.
No entanto, Savegnag e Arpini (2018) destacam que os papéis atribuídos aos 
setores educacionais devem passar por preparo adicional para abordagem ade-
quada do tema, e que o âmbito familiar deve se apresentar como suporte emocio-
nal ao adolescente em fase de aprendizado das práticas seguras e livres de risco.
Nesse sentido, Moíses (2018) diz ser visível que o ofício do educandário 
é fundamental para essa construção de conhecimento, logo, Angelin et al., 
(2016) evidenciam a conjuntura que dialoga com as vertentes do convívio do 
adolescente, tendo em vista que eleva o nível de esclarecimento em virtude 
do cenário o qual está inserido, logo prega-se que ensinar para prevenir, parte 
dessas vertentes para que o adolescente construa o seu conhecimento acerca 
da própria sexualidade.
Por fim, Santos e Sabóia (2017) constataram ser apreciável a valorização 
da educação e saúde no âmbito escolar, observado que eles tendem a ignorar 
os fatos a eles ofertados. Nesse contexto, Ribeiro et al., (2019) mencionam 
o fato de que os adolescentes, apesar de obterem muita informação sobre 
sexualidade, ainda acreditam estar imunes aos riscos os quais se expõem e 
que a escola apresenta papel fundamental no esclarecimento de riscos.
Assim, é observado que a contextualização da sexualidade preconizada 
pelos adolescentes atrelados à educação em saúde expande a definição e faz 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 103
a reformulação de ideias a respeito do que é a sexualidade saudável como 
também os fatores que geram doenças, destacando ainda o trabalho operante 
da enfermagem frente a situação e atuante como mediadora de informação 
para esse público e sua família (ROCHA et al., 2019).
A sexualidade e as diferenças de gênero
A sexualidade é um constituinte emblemático na ideação da paridade dos 
adolescentes, que se comprova por profusas modalidades, puramente, atendendo 
a recordação corporal, da apreciação do outro como expedientes de amor, desejo, 
aspiração, da apreciação de si e das afinidades familiares (TORQUATO et al., 
2017). Nesse sentido, Barbosa et al., (2020) consideram que esse é o ápice em 
que o adolescente busca novas experiências, aferir seus limites e confirmar sua 
identidade, mediante indagações sobre seus valores e propósitos.
Os adolescentes descobrem nesta fase, a sexualidade, sua relação com 
a identidade e orientação sexual. É uma etapa desafiadora, cheia de dúvidas, 
curiosidades e novas vivências que podem influenciar e repercutir em toda a 
vida do indivíduo. Nesta idade, o exercício da sexualidade ganha um impor-
tante espaço, pelas intensas mudanças hormonais, corporais e comportamentais 
(AMARAL et al., 2017; LINS et al., 2017).
Logo, de modo geral, Maia (2014) pontua a sexualidade como particula-
ridades da vida do sujeito que agrupa várias opiniões relacionadas ao próprio 
corpo existentes na pessoa humana, abrangendo problemas emocionais. Da 
mesma forma, Brancaleoni, Oliveira e Silva (2018) descrevem que sexualidade 
abrange diversas teorias que perpassam dados acerca do contexto relativo ao 
sexo, a reprodutividade, sendo vinculado à orientação sexual, a diferença de 
gênero e a diversidade cultural, no tocante ressalta o quão frágil se torna o 
indivíduo frente às situações de risco.
Todavia, a preparação da sociedade sobre a diversidade e a sexualidade 
ainda se encontra desestruturada, especificamente em relação à construção do 
conhecimento baseado na igualdade de gênero conforme descrito por Carva-
lho e Melo (2019). Uma das evidências foi descrita no estudo conduzido por 
Oliveira et al., (2019) em que a homossexualidade, além de ser considerada 
condição de vulnerabilidade, leva consigo o estereótipo motivado por into-
lerância e marginalização.
Para Ferreira, Piazza e Souza (2019), a sexualidade baseia-se no que é 
íntimo do indivíduo, reunindo características biopsicossociais e conhecimento 
adquirido ao longo da trajetória de vida. Ferreira et al., (2019) além de tra-
zerem discussões que elevam as competências sobre sexualidade dentro do 
contexto prevenção e promoção da saúde do adolescente, fortalece e facilita o 
conhecimento dos juvenis frente ao ensaio coletivo e educacional que remete 
ao prazer e a qualidade de vida.
104
Na mesma perspectiva, Valiattiet al., (2018) citam também o fato de que 
essa prematuridade da vida sexual pode estar relacionada com a diversidade 
de comportamentos, crenças e demais manifestações culturais.
Infecção sexualmente transmissível e à gravidez na adolescência
A sexualidade e sua complexidade compreendida por alguns aportes, 
ainda anunciam que existem diferenças explícitas entre adolescentes do sexo 
masculino e do sexo feminino, bem como, em relação à natureza do seu diálogo 
com os pais. Desse modo, percebe-se a necessidade de entender os fatores e 
valores envolvidos na dinâmica da educação sexual (CARVALHO et al., 2019).
Para Villas Boas et al., (2017) dentro da tese sexualidade na adolescência, 
frisa a magnitude das atuações e técnicas direcionadas aos adolescentes, principal-
mente por conta do início da vida sexual muito precoce e da gravidez que acaba 
gerando mudanças e ocasionando reviravoltas nos planos de vida desse indivíduo.
Outro aspecto importante é o das ISTs, que para Jesus (2018) tem-se 
elevado as taxas de crescimento no número de casos e ressalta a preocupa-
ção quanto aos programas e estratégias direcionadas aos jovens para suprir a 
necessidade de elucidação deles. Acentua ainda sobre predisposição sexual 
dos púberes que por sua vez é tida em circunstâncias muitas vezes de vulga-
rização e preconceito.
A contextualização da sexualidade vivida na adolescência ainda traz 
algumas incógnitas ao assunto, que para Valiatti et al., (2018) não é diferente, 
pois atrelado o início da vida sexual antecipada desencadeia uma série de 
impactos na saúde e na qualidade de vida dos adolescentes.
Em razão do início cada vez mais precoce da vida sexual, os adolescentes 
passam a se expor com frequência aos riscos de se aventurar nas relações sem 
proteção. Dada essas circunstâncias, destaca-se que o adolescente é vulnerá-
vel a diversos riscos eminentes tanto a sua saúde física quanto mental, logo 
se destaca o quão necessário é transmitir conhecimento aos jovens acerca da 
prevenção nas relações sexuais (BRASIL; CARDOSO; SILVA, 2019).
Além da alta prevalência das ISTs nessa população, a gravidez na adoles-
cência ganha destaque, ao ponto que surge de maneira prematura e ocasiona 
mudanças abruptas na vida tanto do adolescente quanto da família, embora se 
tenha um impasse quanto a ser ou não um fator negativo, porém volta-se ao 
ponto que a parceria família e escola tem papel fundamental no crescimento 
e desenvolvimento da educação sexual desses indivíduos (RODRIGUES; 
SILVA; GOMES, 2019).
Portanto, fomenta-se que procedimentos educativos com ferramentas 
eficientes para os adolescentes, cercando-os de conhecimento e informações 
seguras, as quais corroboram positivamente para reduzir as dúvidas e, de 
modo consequente, os medos versados constantemente por estes. Enfim, é 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 105
necessário reflexionar que o contexto familiar tem a obrigatoriedade de con-
tribuir na educação sexual dos adolescentes, principalmente sobre ISTs e 
gravidez precoce (BRASIL; CARDOSO; SILVA, 2019).
Considerações finais e considerações para a prática clínica e científica
Nesta revisão, constatou-se que a abordagem da educação sexual para 
o público adolescente em diferentes cenários como o familiar, escolar ou de 
saúde ainda é limitada, sendo marcada por constrangimento, desconhecimento 
e desinformação. Embora seja uma passagem expressa por dúvidas e desco-
bertas, encontram-se muitas dúvidas sobre a temática, nessa circunstância, é 
evidenciada a busca por informações pertinentes ao contexto.
A assistência ao adolescente foi apontada como necessária ao enfren-
tamento de barreiras pelos jovens no que diz respeito ao conhecimento e 
esclarecimentos sobre a dinâmica que envolve cada etapa da vida do ser 
humano, além dos princípios previstos com o escopo de intensificar e facili-
tar o entendimento frente às experiências sociais e culturais que incumbe à 
satisfação e ao bem-estar.
Também foram elencadas informações relevantes almejando não só aos 
adolescentes, como também pais e familiares quanto à educação sexual, riscos 
e meios preventivos ao ponto que se faz refletir sobre o autocuidado, respeito 
quanto as diferenças de gênero e a diversidade cultural bem como explicitar 
os riscos de contrair uma IST e a gravidez na adolescência.
Assim, identificaram-se inúmeros desafios capazes de comprometer essas 
atividades educacionais, que envolveram, em sua maioria, baixo conheci-
mento sobre a temática e insuficiente participação familiar nesse processo. 
Novos estudos são necessários visando a valorização do ensino e da educação 
sexual, e que potencializem as relações entre as políticas públicas de saúde 
e o contexto escolar para orientação de práticas e comportamentos seguros 
entre os adolescentes.
A revisão integrativa da literatura realizada permitiu estabelecer as 
seguintes considerações para prática clínica e científica:
• Aponta-se a necessidade de que ações educativas sejam construídas 
e implementadas em conjunto com professores, familiares e profis-
sionais de saúde, visando que a sexualidade na adolescência seja 
abordada em todos os seus aspectos.
• Destaca-se que os profissionais, sejam eles, da educação ou da 
saúde, busquem desenvolver de maneira articulada ações educativas 
para compreensão da sexualidade como parte integral da natureza 
humana, sendo abordada da perspectiva cultural, social, afetiva 
e comportamental.
106
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, R. A. A. S. et al. Knowledge of adolescents regarding sexually 
transmitted infections and pregnancy. Revista brasileira de enfermagem, 
v. 70, n. 5, p. 10331039, 2017.
AMARAL, R. S. et al. Soropositividade para HIV/AIDS e características 
sociocomportamentais em adolescentes e adultos jovens. Rev. Pesq. saúde, 
v. 18, n. 2, p. 108-113, 2017.
ANGELIM, R. C. M. et al. Atividades educativas sobre práticas de riscos 
para estudantes: relato de experiência. Revista de enfermagem da UFPI, 
v. 5, n. 1, p. 96100, 2016.
BARBOSA, L. U. et al. Dúvidas e medos de adolescentes acerca da sexua-
lidade e a importância da educação sexual na escola. Revista Eletrônica 
Acervo Saúde, v. 12, n. 4, p. 2921-2921, 2020.
BARBOSA, L. U.; FOLMER, V. Facilidades e dificuldades da educação 
sexual na escola: percepções de professores da educação básica. Revista de 
Educação da Universidade Federal do Vale do São Francisco, v. 9, n. 19, 
p. 221-243, 2019.
BIELENKI, C. R. Z. et al. Sexualidade na adolescência em tempos de Aids: 
um estudo com escolares. Aletheia, v. 52, n. 2, p. 135-146, 2019.
BOAS, J. B. R. V. et al. Percepção dos pais de gestantes adolescentes sobre 
a educação sexual. Revista de Atenção à Saúde, v. 15, n. 53, p. 37-43, 2017.
BRANCALEONI, A. P. L.; DE OLIVEIRA, R. R.; DA SILVA, C. S. F. Edu-
cação sexual e universidade: compreensões de graduandos sobre sexualidade 
e gênero. Revista Brasileira de Ensino Superior, v. 4, n. 4, p. 25-42, 2018.
BRASIL, M. E.; CARDOSO, F. B.; SILVA, L. M. Conhecimento de escolares 
sobre infecções sexualmente transmissíveis e métodos contraceptivos. Rev. 
enferm. UFPE on-line, v. 13, p. 1-8, 2019.
CAMPOS, H. M. et al. Diálogos com adolescentes sobre direitos sexuais na 
escola pública: intervenções educativas emancipatórias! Revista Pesquisas 
e Práticas Psicossociais, v. 13, n. 3, p. 1-16, 2018.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 107
CAMPOS, H. M. et al. Direitos humanos, cidadania sexual e promoção de 
saúde: diálogos e saberes entre pesquisadores adolescentes. Revista saúde 
debate, v. 41, n. 113, p. 658-669, 2017.
CARVALHO, C. P. et al. Perspectivas dos pais portugueses sobre a educação 
sexual em casa e na escola: implicações para a intervenção. Perspectivas em 
Diálogo: revista de educação e sociedade, v. 6, n. 11, p. 5-40, 2019.
CARVALHO, J. B.; MELO, M. C. A família e os papeis de gênero na adoles-
cência. Psicologia & Sociedade, v. 31, p. e168505, 2019.
COELHO, C. P.; SOARES, R. G. Percepçõessensorial 
e comportamental. Entende-se como um ambiente adequado aquele que é 
harmonioso, acolhedor e rico em experiências que incentivam as crianças a 
explorar, experimentar, aprender e se desenvolver (MIRANDA, 2012).
As habilidades funcionais são aquelas que permitem a execução das 
atividades de vida diária próprias de cada idade, na medida em que evoluem, 
vão provocando independência, autonomia e melhor exploração do ambiente. 
O ambiente em que vive a criança assume um papel essencial em sua vida, de 
modo que as oportunidades presentes no domicílio possam beneficiar ou não 
a construção de habilidades funcionais necessárias à adaptação e exploração 
do meio (SILVA et al., 2015).
A estimulação precoce pode proporcionar a essas crianças novas expe-
riências, assim como trazer aos pais novas vivências frente aos avanços do 
desenvolvimento neuropsicomotor e social, que vai gerar melhoras expressi-
vas e garantir-lhes uma melhor qualidade de vida. Esta estimulação precoce 
deve ser realizada quando for identificado risco ou atraso no desenvolvimento 
neuropsicomotor, buscando evitá-lo ou minimizá-lo, possibilitando um desen-
volvimento adequado para a faixa etária (VASCONCELOS et al., 2019).
Diante do exposto, este estudo integrativo tem como objetivo descrever 
e analisar a produção científica sobre os aspectos mais relevantes do desen-
volvimento neuropsicomotor do bebê prematuro.
Método
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura que tem como objetivo 
descrever e analisar a produção científica sobre os aspectos mais relevantes 
do desenvolvimento neuropsicomotor do bebê prematuro. Essa revisão utiliza 
informações bibliográficas eletrônicas nas bases de dados, com finalidade 
de obter resultados e sistematizá-los para atender os objetivos e fundamen-
tar cientificamente o assunto a ser estudado (ERCOLE; MELO; ALCOFO-
RADO, 2014).
Para elaboração da pergunta norteadora foi utilizado a estratégia PICo, 
sendo P (população): recém-nascidos; I (Interesse): desenvolvimento neu-
ropsicomotor e Co(Contexto): prematuridade. O levantamento dos dados da 
pesquisa bibliográfica se deu cinco através dos indexadores de pesquisa nas 
bases de dados eletrônicos relevantes: Latin American and Caribbean Health 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 17
Science Literature (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), 
Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Foram 
usados os seguintes descritores: “estimulação precoce” “Recém-nascido pre-
maturo” e “desenvolvimento infantil”. Como ferramenta de busca foi reali-
zado a junção dos descritores com o operador boleano “AND”: “estimulação 
precoce AND recém-nascido prematuro”; “desenvolvimento infantil AND 
recém-nascido prematuro”.
Como critérios de inclusão foram selecionados artigos dos últimos quatro 
anos (2018-2021), que possuem a literatura mais recente acerca do tema, inde-
xados em periódicos nacionais e internacionais, disponibilizados na íntegra 
(texto completo) em língua portuguesa, inglesa e espanhola. Foram usados 
como critérios de exclusão os artigos que não atendiam ao período abrangido 
no estudo, revisão bibliográfica, artigos não originais, artigos duplicados e os 
que não se adequaram aos critérios propostos.
Após a busca dos artigos nas bases de dados, foram obtidos um total de 
3.931 estudos, sendo n = 387 na base de dados LILACS, n = 81 na SciELO e 
n = 3463 na MEDLINE, onde 3.815 foram excluídos pelo filtro de data, logo 
após foram realizados a leitura dos resumos dos 116 artigos, na qual foram 
excluídos os artigos que não se adequavam ao assunto ou se repetiam nas dife-
rentes bases. Posteriormente foram escolhidos 24 artigos para a leitura com-
pleta e excluídos 12 artigos que não se adequavam para a metodologia usada. 
Após essa etapa, foram escolhidos 12 artigos para análise e categorização.
Resultados
Quadro 1 – Distribuição dos estudos, de acordo com 
título, objetivos e principais evidências
Número Título Objetivos Evidência
1
Análise do desenvolvi-
mento Neuropsicomotor 
de pré-termos em ambu-
latório multidisciplinar: um 
olhar da fisioterapia.
Analisar sob a ótica do fisiote-
rapeuta o desenvolvimento neu-
ropsicomotor de pré-termos em 
ambulatório multidisciplinar de 
um hospital público.
O perfil familiar identificado nesta pesquisa 
somada às implicações clínicas relacionadas 
à abordagem multiprofissional e cartilhas 
de orientações para desenvolvimento motor 
elaboradas pela equipe fisioterapêutica 
possam ter favorecido o desenvolvimento 
neuropsicomotor dos bebês prematuros com 
até 12 meses de idade corrigida.
2
Influence of type of birth 
on child development: a 
comparison by Bayley – 
III Scale.
Investigar o desenvolvimento 
de crianças brasileiras segundo 
a via de parto e a idade gesta-
cional nos domínios cognitivo, 
linguagem, motor, socioemocio-
nal e comportamento adaptativo.
Este estudo evidencia o aumento de riscos 
psicológicos em crianças nascidas via cesárea 
eletiva quando comparadas com as nascidas 
por parto vaginal nos aspectos relacionados 
ao processamento sensorial, motricidade 
fina, linguagem expressiva e emissão de 
comportamentos adaptativos.
continua...
18
Número Título Objetivos Evidência
3
Experiências das mães 
no cuidado ao recém-
nascido prematuro no 
método canguru.
Descrever experiências das mães 
no cuidado ao recém-nascido pre-
maturo no método canguru.
A vivência no método canguru possibilita 
a construção do vínculo afetivo, favorece o 
crescimento e desenvolvimento do bebê, 
proporciona segurança e autonomia à mãe 
na consolidação do cuidado. No entanto, as 
mães apontaram dificuldades relacionadas aos 
cuidados com o recém-nascido.
4
Associações entre res-
ponsividade materna em 
função da prole e desen-
volvimento motor.
Verificar associações entre a res-
ponsividade materna em função 
do tamanho da prole e o desen-
volvimento motor de prematuros.
Evidenciam que a qualidade da responsividade 
materna em função do tamanho da prole 
associa-se com o desenvolvimento motor fino 
e grosseiro dos prematuros.
5
The vulnerabilities of 
premature children: home 
and institutional contexts.
Analisar situações vulneráveis 
para crianças prematuras em 
cuidado domiciliar nos primeiros 
seis meses após a alta.
Há circunstâncias vulneráveis da prematuridade 
que reafirmam dimensões individuais, sociais 
e institucionais interligadas. Impor tante 
destacar que a dimensão institucional envolve 
a responsabilidade dos profissionais de saúde 
em não ampliar as vulnerabilidades individuais 
e sociais, e sim promover o cuidado e buscar 
reduzir situações que geram ameaças, 
incertezas, preocupações e danos.
6
Estratégias metodológicas 
para elaboração de mate-
rial educativo: em foco a 
promoção do desenvolvi-
mento de prematuros.
Descrever e analisar o processo 
de elaboração de um material 
educativo para a promoção do 
desenvolvimento da criança 
nascida prematura.
O modelo teórico do desenvolvimento da 
criança nascida prematura e a sistematização 
e organização dos dados propiciou a elaboração 
de um material educativo interativo, uma 
tecnologia em formato de livro destinada à 
família.
7
Fatores materno-infantis 
associados ao desenvol-
vimento de bebês prema-
turos e a termo.
Comparar variáveis sociodemo-
gráficas e de desenvolvimento 
de bebês a termo e prematu-
ros aos três meses de idade e 
identificar a influência de fatores 
materno-infantis associados ao 
desenvolvimento de bebês a 
termo e prematuros.
Os resultados indicaram que há diferenças 
significativas entre a termo e prematuros em 
relação à escolaridade materna, presença de 
irmãos e não planejamento materno da gravidez. 
Prematuros apresentaram maiores atrasos no 
desenvolvimento cognitivo, em linguagem 
expressiva, motor fino e motor amplo.
8
Desenvolvimento neurop-
sicomotor em crianças 
nascidas pré-termo aos 
6 e 12 meses de idade 
gestacional corrigida.
Conhecer a incidência de atraso 
dede Estudantes dos Anos Finais 
do Ensino Fundamental Sobre Sexualidade/Educação Sexual em uma Escola 
do RS. Revista de Ensino, Educação e Ciências Humanas, v. 20, n. 4, 
p. 452-456, 2019.
CORDEIRO, J. K. R. et al. Adolescentes escolares acerca das DST/AIDS: 
quando o conhecimento não acompanha as práticas seguras. Rev. enferm. 
UFPE on-line, p. 2888-2896, 2017.
CUNHA, G. H. et al. Qualidade de vida de homens com AIDS e o modelo da 
determinação social da saúde. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 
v. 23, n. 2, p. 183-191, 2015.
DOURADO, J. V. L. et al. Educação sexual com adolescentes escolares: rela-
tos de experiência/ Sexual education with school adolescents: and experience 
reported. Revista Ciência, Cuidado e Saúde, v. 17, n. 1, p. 1-6, 2018.
FERREIRA, E. et al. Sexuality in The Perception of Adolescents Sudents Of 
The Public School: Contribution To The Care. Revista de Pesquisa: Cuidado 
e Fundamental, v. 11, n. 5, p. 1207-1212, 2019.
FERREIRA, I. G.; PIAZZA, M.; SOUZA, D. Oficina de saúde e sexualidade: 
Residentes de saúde promovendo educação sexual entre adolescentes de escola 
pública. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, v. 14, 
n. 41, p. 1788, 2019.
GONZÁLEZ, E.; MOLINA, T.; LUTTGES, C. Características de la educación 
sexual escolar recibida y su asociación con la edad de inicio sexual y uso de 
anticonceptivos en adolescentes chilenas sexualmente activas. Revista chilena 
de obstetricia y ginecología, v. 80, n. 1, p. 24-32, 2015.
108
JESUS, M. I. A. Educação sexual com adolescentes: promovendo saúde e 
socializando boas práticas nas relações sociais Santa Maria/RS – Brasil 2018. 
2018. 68 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Saúde Materno Infantil) – 
Centro Universitário Franciscano, Santa Maria – RS, 2018.
LINS, L. S. et al. Análise do comportamento sexual de adolescentes. Revista 
Brasileira em Promoção da Saúde, v. 30, n. 1, p. 47-56, 2017.
LOURINHO, L. A. et al. Educação sexual em discurso: percepções de profes-
sores e alunos. Revista Fragmentos de Cultura – Revista Interdisciplinar 
de Ciências Humanas, Goiânia, v. 27, n. 2, p. 225-233, 2017.
MAIA, A.C. B. Sexualidade e Educação. Acervo digital Unesp, v. 10, 2014.
MAIA, T. Q. et al. Educação para sexualidade de adolescentes: experiência de 
graduandas. Nexus - Revista de Extensão do IFAM, v. 2, n. 2, p. 71-78, 2016.
MOISÉS, I. J. I. Influência da família e da escola na educação sexual dos 
alunos. Revista Órbita Pedagógica, v. 6, n. 1, p. 43-50, 2019.
OLIVEIRA, E. M. et al. “Corpo de homem com (tre)jeitos de mulher?”: ima-
gem da travesti por enfermeiras. Interface-Comunicação, Saúde, Educação, 
v. 23, p. e170562, 2019.
OLIVEIRA, P. W. L.; JÚNIOR, F. F. L.; NASCIMENTO, F. A. Adolescência 
e família: desafios para uma educação sexual dos/as filhos/as. Revista Café 
com Sociologia, v. 6, n. 2, p. 229-249, 2017.
QUEIROZ, A. et al. Educação sexual para adolescentes por docentes de um 
centro de educação comunitária. Revista Online de Pesquisa Cuidado é 
Fundamental, v. 8, n. 4, p. 5120-5125, 2016.
QUEIRÓZ, V. R.; ALMEIDA, J. M.; Sexualidade na adolescência: potenciali-
dades e dificuldades dos professores de ensino médio de uma escola estadual 
de Sorocaba. Revista da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba, 
v. 19, n. 4, p. 209-214, 2017.
RESENDE, J. M.; BEIRANTE, D.; GOUVEIA, L.; Educação sexual entre a 
escola e a família: afinidades difíceis de afinar. Revista de sociologia de la 
educacion, v. 11, n. 1, p. 101-115, 2018.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 109
RIBEIRO, W. A. et al. A gravidez na adolescência e os métodos contracepti-
vos: a gestação e o impacto do conhecimento. Revista Nursing, v. 22, n. 253, 
p. 29902994, 2019.
ROCHA, C. A. et al. Educação em saúde: autocuidado relacionado a sexua-
lidade em adolescentes na educação básica. Interfaces Revista de extensão 
da UFMG, v. 7, n. 1, p. 435-444, 2019.
RODRIGUES, L. S.; SILVA, M. V. O.; GOMES, M. A. V. Gravidez na ado-
lescência: suas implicações na adolescência, na família e na escola. Revista 
educação e emancipação, v. 12, n. 2, p. 228-252, 2019.
ROGERS, A. A. et al. Quality of parent–adolescent conversations about sex 
and adolescent sexual behavior: an observational study. Journal of Adolescent 
Health, v. 57, n. 2, p. 174-178, 2015.
SANTOS, C. L.; SABÓIA, V. M. Sexualidade e saúde na adolescência: 
relato de experiência. Academus Revista Científica da Saúde, v. 2, n. 1, 
p. 1-9, 2017.
SAVEGNAGO, S. D. O.; ARPINI, D. M. Olhares de mães de grupos populares 
sobre a educação sexual de filhotes adolescentes. Estudos e Pesquisas em 
Psicologia, v. 18, n. 1, p. 8-29, 2018.
SEHNEM, G. D. et al. Sexualidade de adolescentes que vivem com HIV/
aids: fontes de informação delimitando aprendizados. Escola Anna Nery, 
v. 22, n. 1, p. e20170120, 2018.
SILVA, A. S. N. et al. Início da vida sexual em adolescentes escolares: um 
estudo transversal sobre comportamento sexual de risco em Abaetetuba, 
Estado do Pará, Brasil. Rev. Pan-Amaz Saúde, v. 6, n. 3, p. 27-34, 2015.
SILVA, D. R. Q.; ROCHA, C. M. F. Gênero e diversidade sexual na 
escola: apresentação do dossiê. Educação, Ciência e Cultura, v. 24, n. 3, 
p. 11-17, 2019.
SILVA, T. R. F. et al. Representações dos estudantes de enfermagem sobre 
sexualidade: entre estereótipos e tabus. Revista trabalho, educação e saúde, 
v. 17, n. 2, p. e0020233, 2019.
110
SILVA, Y. S. et al. Educação sexual para adolescentes: estratégias desenvol-
vidas por acadêmicos de enfermagem no âmbito escolar. Revista Gep News, 
v. 2, n. 2, p. 90-121, 2019.
SLUIS, W. B, V. et al. Long-term follow-up of transgender women after 
secondary intestinal vaginoplasty. J. SexMed., v. 13, n. 4, p. 702-710, 2016.
TORQUATO, B. G. S. et al. O saber sexual na adolescência. Revista Ciência 
em Extensão, v. 13, n. 3, p. 54-63, 2017.
VALIATTI, T. B. et al. Sexualidade na adolescência: uma abordagem no 
contexto escolar. Revista Saúde e Desenvolvimento, v. 12, n. 11, p. 277-
293, 2018.
WHITTEMORE, R.; KNAFL, K. The integrative review: updated methodo-
logy. J. Adv. Nurs, v. 52, n. 5, p. 546-53, 2005.
CONTRIBUIÇÕES DA REDE DE 
APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO: 
uma revisão integrativa da literatura
Maryanna Tallyta Silva Barreto
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Silvana Santiago da Rocha
Marcelo Vitor Freitas Nascimento
Artemizia Francisca de Sousa
Tamires Ferreira Mendes
Roseanne de Sousa Nobre
Doi: 10.24824/978652513115.3.111-124
A gestação e os dois primeiros anos de vida do ser humano são impor-
tantes para seu crescimento e desenvolvimento integral, assim como 
para a sua saúde atual e futura. As oportunidades e decisões tomadas 
a respeito do cuidado à saúde e da alimentação neste momento repercutirão 
por toda vida. Criar uma criança, alimentá-la e orientá-la não são trabalhos 
de uma única pessoa, mas tarefa de todos que estão ligados, direta ou indire-
tamente a ela (BRASIL, 2019).
Amamentar é um processo biopsicossocial e gera saúde para o binômio 
mãe/filho. É o primeiro contato de alimentação que uma pessoa tem na vida, 
desencadeando nutrição e vínculos afetivos. O leite materno (LM) é único 
e inigualável, pois é produzido naturalmente pelo corpo da mulher, contém 
anticorpos e outras substâncias que protegem a criança de infecções. Diversos 
caminhos ainda devem ser alcançados para a obtenção da meta de 50% de 
amamentação exclusiva (AMEX) nos seis primeiros meses de vida até 2025, 
preconizado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial 
da Saúde (OPAS/OMS) (WABA, 2021).
A América Latina e o Caribe estão entre as regiões com as médias globais 
de aleitamento materno (ALM) mais altas. Na região das Américas apenas 
38% dos bebês são alimentados exclusivamente com LM até os seis meses 
e só 32% continuam amamentando até os 24 meses. O ALM é vital para a 
saúde e desenvolvimentos das crianças e reduz os custos para os sistemas de 
saúde, famílias e governos (BRASIL, 2018).
Apesar das recomendações da Organização Mundial de Saúde(OMS) e 
dos benefícios do ALM, as dificuldades no início da amamentação são comuns, 
representando um risco para o desmame precoce. Muitas apresentam obstácu-
los físicos, emocionais e ainda encontram barreiras sociais, culturais, políticas 
durante todo o ciclo gravídico puerperal, prejudicando seu início e continuidade, 
112
impedindo ALM pleno, eficaz, sendo imprescindível a presença de uma rede 
de apoio (RP) nesse período (CARREIRO et al., 2018; MORAIS et al., 2020).
A RP é formada a partir de relações sociais, e é constituída por pessoas 
imprescindíveis para o estabelecimento e manutenção do aleitamento materno. 
Pode ser classificada em primária (mãe, companheiro, familiares e pessoas pró-
ximas do convívio da mulher) e secundária (profissionais da saúde). Esses atores, 
durante o processo do aleitamento materno, podem oferecer cinco tipos de apoio:
a) emocional, que se refere à expressão de empatia, carinho e preocu-
pação com a pessoa, valorização positiva, encorajamento, concor-
dância com ideias e sentimentos;
b) instrumental, por meio do qual a pessoa recebe ajuda de natu-
reza prática;
c) informativo, que diz respeito a conselhos, direções, sugestões ou 
retorno de como a pessoa está se saindo;
d) presencial, sendo a disponibilidade para passar certo tempo 
com a pessoa;
e) autoapoio, quando a própria pessoa se apoia (MOREIRA 
et al., 2017).
A RP surge como um conjunto de relações e intercâmbios entre indi-
víduos, grupos ou organizações que partilham de interesses comuns, à vista 
disso entende-se que ela pode influenciar positivamente ou negativamente na 
prática da amamentação (NÓBREGA et al., 2019).
A falta de uma rede de apoio estruturada pode contribuir para o desmame 
precoce. Nas primeiras semanas após a alta hospitalar, quando a puérpera 
retorna ao seu domicílio, ocorrem as maiores dificuldades, principalmente 
para as primíparas. Diante disso, surgem alguns problemas relacionados ao 
ALM e seu manejo, como a dificuldade e o desconhecimento da prática de 
amamentar. Assim, o apoio e aconselhamento sobre cuidados gerais com 
o bebê dada pela rede de apoio, facilita a efetividade do AMEX até os seis 
meses e complementado até os dois anos de idade. O meio que o binômio mãe 
e filho está influencia diretamente na decisão e no sucesso da amamentação 
(SCORUPSKI et al., 2020).
A partir dessas considerações, tem-se como objetivo identificar por meio 
da literatura científica a rede de apoio social para mães durante o processo de 
aleitamento materno.
Método
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. A estratégia utilizada 
para elaboração da questão problema foi a PICo: P: População, paciente ou 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 113
problema (Família); I: Fenômeno de interesse (Rede Social); Co: Contexto 
(Aleitamento Materno).
As bases de dados selecionadas para a busca foram a National Library 
of Medicine (MEDLINE/PubMed), Scientific Electronic Library Online 
(SciELO), Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde 
(LILACS) e Biblioteca de Dados de Enfermagem (BDENF), enfatizando-se 
que as bases de dados da BDENF e LILACS foram analisadas via Biblioteca 
Virtual em Saúde: (BVS / BIREME).
Para assegurar uma busca criteriosa dos estudos, definiram-se os descri-
tores em ciências da saúde de acordo com o banco de dados do DeCS/MeSH. 
Sendo estes: Aleitamento Materno; Rede Social; Família (Breast Feeding; 
Social Networking; Family). Os operadores booleanos escolhidos para o cru-
zamento dos descritores foram AND e OR.
Para melhor organização e entendimento, os estudos foram escolhidos 
de acordo com o fluxograma apresentado na Figura 1.
Figura 1 – Diagrama de fluxo de seleção das publicações com base 
no PRISMA (Principais Itens para Relatar Revisões sistemáticas e 
Meta-análises) (2020) (PRISMA, 2020). Teresina-Piauí (2021)
Documentos excluídos (n = 15):
Identi�cação de estudos por meio das bases de dados
Registros identi�cados nas bases
de dados (n = 37)
Pubmed (n = 23)
BDENF (n = 2)
Lilacs (n = 5)
Scielo (n = 7)
Registros removidos antes
da triagem: (n = 11)
Registros removidos por outras
razões (n = 9)
Registros marcados como
inelegíveis por ferramentas de
automatização (n = 0)
Registros duplicados removidos
(n = 2)
Registros triados
(n = 26)
Registros excluídos
(n = 0)
(PAGE, et al., 2020).
Documentos recuperados
(n = 26)
Documentos não recuperados
(n = 0)
Documentos acessados por
elegibilidade
(n = 26)
Estudos incluídos na revisão
(n = 11)
- Não focavam no trabalho
- Títulos e resumos não
relacionados ao tema (n = 3)
(n = 12)
Id
en
ti
�c
aç
ão
Tr
ia
ge
m
In
cl
uí
do
114
As buscas dos estudos foram realizadas no período de agosto a setembro 
de 2021, utilizando-se estratégias de busca especificamente desenvolvidas e 
adaptadas a cada base de dados. Foram empregados como filtros, idiomas: 
inglês, português e espanhol; texto completo; e período de publicação de 2011 
a 2021, na qual após a avaliação dos artigos foram utilizadas publicações entre 
os anos de 2014 e 2021.
A seleção dos estudos foi feita por dois pesquisadores, em duas etapas, 
primeiro examinando títulos e resumos e depois procedendo à leitura do texto 
completo para aplicação dos critérios de inclusão (estudos relacionados ao 
tema, de natureza primária, nos idiomas inglês, português e espanhol) e exclu-
são (pesquisas avaliativas com enfoque diferente da implementação de ações; 
revisões integrativas, narrativas, escopo e sistemáticas; literaturas cinzentas, 
relatos de experiência ou casos clínicos e ainda, cartas editoriais, resumos de 
congressos, capítulo de livros, website, estudos duplicados, permanecendo 
apenas uma versão).
Os dados foram submetidos à análise descritiva do conteúdo, a partir de 
quadros analíticos que sintetizaram as informações chave dos estudos, inter-
pretando e comparando as produções, para descrever as evidências disponíveis 
que responderam à questão norteadora: Qual a influência da rede social de 
apoio no aleitamento materno?
Os dados relevantes foram extraídos para um formulário eletrônico 
construído em planilha do software Excel®, contemplando as seguintes 
informações: Número do artigo; Base de dados de indexação; Periódico; 
Autor(es); País de origem/Idioma de publicação; Ano de publicação; Título 
do artigo; Objetivos do estudo; Abordagem metodológica/Tipo de estudo; 
Principais resultados.
Por tratar-se de um estudo de revisão, são garantidas a confiabilidade 
e a fidelidade das informações contidas nas publicações selecionadas. Esses 
aspectos são assegurados por meio da adequada referenciação e do rigor no 
tratamento e apresentação dos dados.
Resultados e discussão
Foram identificados 37 artigos nas bases de dados utilizadas, sendo 23 
no Medline/PubMed, 7 na SciELO, 5 na LILACS e 2 na BDENF. Após uti-
lização dos filtros restaram 28 artigos, destes 2 eram duplicados. Nos 26 
artigos filtrados foram lidos os títulos e resumos, dos quais 14 artigos foram 
selecionados para a leitura na íntegra, permanecendo um total de 11 artigos 
para análise na revisão. Os artigos inclusos foram publicados de 2014 a 2021, 
sendo 2019 o ano com mais publicações (5), seguido de 2014 com 3, 2016 
com 2, 2020, 2018 e 2015 com apenas 1.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 115
Observou-se ainda que os estudos de uma forma geral trazem a importân-
cia das redes sociais de apoio primárias e secundárias no ALM, tendo signifi-
cativo impacto na ajuda ou prejuízo dessa prática. Dessa forma, foi possível 
identificar e sintetizar as principais contribuições das pesquisas relacionadas 
às redes de apoio e de que formas estas podem contribuir para o fortalecimento 
do ALM, como pode ser visto no Quadro 1.
Quadro 1 – Contribuições das redes de apoio às mães que amamentam
Categorização 
por tipo de 
rede de apoio
Redes de 
apoio
Contribuições
Primária
Pai
– Com panhia (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016)
– Apoio ao aleitamento materno(ALVES, Y. R. et al., 2020; SOUZA; NEPOLI; 
ZEITOUNE, 2016)
Avó do bebê 
(materna e 
paterna)
– Passagem de conhecimentos através de experiencias anteriores (NGUYEN et al., 
2019; SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016; PRATES et al., 2015; MAZZA et al., 2014)
– Apoio e encorajamento (ALVES et al., 2020; CARLIN et al., 2019;
– Auxílio com as atividades domésticas (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016; MAZZA 
et al., 2014)
– Cuidados com o bebê (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016; MAZZA et al., 2014)
Tias – Vivências com aleitamento (ALVES et al., 2020; SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016)
Vizinhas, 
amigas e 
cunhada
– Apoio e encorajamento (ALVES et al., 2020; CARLIN et al., 2019; PRATES et al., 2015)
– Vivencias com aleitamento (ALVES et al. , 2020; SOUZA; NEPOLI; 
ZEITOUNE,  2016)
– Compartilhar conhecimentos, experiências, hábitos e condutas (SOUZA; NEPOLI; 
ZEITOUNE, 2016)
– Com panhia (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016)
– Auxílio com as atividades domésticas (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016; MAZZA 
et al., 2014)
Secundária
Enfermeiras 
e equipe 
de saúde 
da Atenção 
Primária em 
Saúde
– Fornecer aconselhamento em aleitamento (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016)
– Prestar esclarecimentos e fornecer opiniões pertinentes (NGUYEN et al., 2019; 
SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016)
– Auxiliar nas dificuldades enfrentadas durante o aleitamento (MAZZA et al., 2014)
– Educação em saúde (MAZZA et al., 2014)
– Estímulo à continuidade do aleitamento materno (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016; 
MAZZA et al., 2014)
Tecnologias 
digitais
– Aproximação entre pessoas (LEBRON et al., 2019; NÓBREGA et al., 2019; ROBINSON 
et al., 2019; PIÑERO et al., 2018; HAUCK et al., 2016)
– Socialização de dúvidas e experiências Mediadas por profissionais capacitados 
(LEBRON et al., 2019; NÓBREGA et al., 2019; ROBINSON et al., 2019; HAUCK et 
al., 2016)
Fonte: Pesquisa direta nas bases de dados� Teresina-PI (2021)�
116
As redes sociais de apoio no fortalecimento do aleitamento materno
A rede social de apoio mais citada é a primaria que é composta pelos 
familiares e pessoas próximas do binômio mãe-bebê, onde as mães das lactan-
tes foram as mais mencionadas, seguidas das irmãs, sogras, avós, tias, amigas 
e companheiro. Ressalta-se também que a rede de apoio em sua maioria era 
composta por mulheres próximas nos cuidados com o recém-nascido que já 
tiverem experiencias anteriores em amamentar e cuidar de bebês. Destaca-se 
ainda as contribuições referentes ao auxílio com as atividades de vida diárias, 
nos cuidados com a casa e com o bebê, o que acaba por reduzir a sobrecarga 
de atividades para a mãe e que pode potencialmente contribuir para que esta 
se sinta mais estimulada a amamentar. A rede de apoio possui papel funda-
mental no fortalecimento do ALM, como ajuda prática, fonte de informações, 
vivências e entendimentos que ao serem compartilhados permitem o estímulo 
positivo no fortalecimento dessa prática.
Percebeu-se de acordo com as pesquisas que as mulheres que estavam 
amamentando e tiveram apoio de rede social primária e/ou secundária ama-
mentaram por períodos maiores (MAZZA et al., 2014; PIÑERO et al., 2018; 
CARLIN et al., 2019; ALVES et al., 2020). A presença de familiares com 
experiência em amamentar contribuiu positivamente para uma amamentação 
mais eficaz e prolongada.
As redes sociais de apoio das nutrizes contribuem como fatores de for-
talecimento ao ALM ao proporcionar as seguintes funções: apoio material e 
serviços (cuidar de outros filhos, ajudar nas tarefas domésticas e na amamen-
tação, prestados principalmente pelo pai e avó materna da criança); orientação 
e aconselhamento cognitivo (oferecido por enfermeiras e demais profissionais 
de saúde); companheirismo social (por meio da presença, apoio emocional e 
incentivo) (WAGNER et al., 2020).
Cabe ressaltar a importância mencionada dos enfermeiros dos serviços 
de atenção primária em saúde e como estes profissionais podem contribuir 
nas práticas de aconselhamento, através das ações de educação em saúde, 
como forma de sensibilizar as mulheres, seus companheiros e demais fami-
liares para a prática do aleitamento materno. Justamente na rede secundária, 
caracterizada principalmente por profissionais de saúde, veri ficou-se que 
os enfermeiros foram citados como aqueles mais envolvidos com a mulher 
durante o processo de amamentar (SOUZA; NEPOLI; ZEITOUNE, 2016). O 
profissional de saúde deve ser um incentivador e um facilitador da prática da 
amamentação, valendo-se de informações adequadas e acessíveis as nutrizes. 
Cabe ao profissional de saúde possuir conhecimento, atitudes adequadas e 
habilidades específicas de reconhecer as principais dificuldades enfrentadas 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 117
pelas puérperas, ofertar apoio emocional, oportunidade de diálogo, corres-
ponsabilidade, acolhimento e criação de vínculo de confiança, garantindo o 
sucesso do ALM (ZARDO; RANGEL; BARBOSA, 2020).
Uma outra forma de comunicação que não apenas a direta, mas que 
esteve presente nos resultados das pesquisas foi a possibilidade da existência 
de rede de apoio através de grupos virtuais, redes sociais, entre outros. Com 
a tecnologia avançando a distância não é mais um problema, possibilitando 
que puérperas, familiares e profissionais de saúde desenvolvam a rede social 
de apoio via internet, através de WebChat, fóruns online, WhatsApp®, Face-
book ® (HAUCK et al., 2016; ROBINSON et al., 2019; NÓBREGA et al., 
2019; LEBRON et al., 2019). As tecnologias móveis de saúde oportunizam 
informações e recursos de monitoramento que servem para aperfeiçoar os 
resultados e aumentar a adesão ao autocuidado de seus usuários. A internet é 
uma área com grande potencial para o desenvolvimento de ações de educação 
em saúde e promoção do aleitamento materno, sendo a mais nova ferramenta 
no desenvolvimento de educação em saúde e apoio de grupos (DALMOSO; 
BONOMIGO, 2019).
Evidencia-se a importância das tecnologias móveis e sua aplicação na 
saúde tanto de indivíduos, sociedade em geral quanto de profissionais, pois 
estas aproximam cada vez mais os usuários, permitem a troca e aquisição de 
conhecimentos e o alcance de informações valiosas à promoção da saúde como 
um todo, inclusive o fortalecimento do aleitamento materno. Outro aspecto 
que chama a atenção nos resultados evidenciados pela literatura é como as 
redes sociais também podem influenciar negativamente o fortalecimento do 
aleitamento materno.
As redes sociais de apoio e seu impacto negativo na manutenção 
do aleitamento materno
As pesquisas abordam como as redes sociais podem enfraquecer ao 
não incentivarem o desejo das mães em permanecerem no AMEX. Crenças 
errôneas por parte de quaisquer membros da rede assim como a ausência do 
companheiro nesse momento em que muitas mães se sentem fragilizadas, 
isoladas, temerosas e receosas sobre a permanência ou não na prática da 
amamentação acabam por serem decisivas nesse abandono, refletindo nega-
tivamente no ALM.
Em alguns relatos as lactentes não tiveram o apoio do companheiro, 
que as vezes não ajudavam ou mesmo se opuseram à amamentação, prejudi-
cando a continuidade da prática (PRATES et al., 2015; CARLIN et al., 2019; 
ALVES et al., 2020). Nesse sentido, emerge a necessidade de o profissional 
118
de saúde incluir em sua gama de ações de estímulo ao aleitamento materno 
a figura paterna. Quando se analisa o processo gravídico puerperal eviden-
cia-se que a realização do pré-natal com a presença do pai favorece sua 
participação no processo de amamentação. Assim, cabe aos enfermeiros 
da Estratégia Saúde da Família incentivar a inserção do pai nas atividades 
educativas durante o pré-natal e puerpério, tendo em vista que os cuidados 
a serem realizados com o bebê são de responsabilidade de ambos (LIMA; 
CAZOLA; PÍCOLI, 2017).
Outro aspecto obtido na pesquisa foi a pressão da família para que as 
nutrizes amamentassem seus filhos, responsabilizando-as por esta prática 
(NÓBREGA et al., 2019). Para as mães, principalmenteas primíparas, o pro-
cesso de amamentação pode se apresentar como algo extremamente difícil e 
alguns fatores podem influenciar na interrupção precoce da amamentação: a 
falta de experiência, dor, pouco leite, bico invertido, falta de apoio, críticas, 
pressão social, dificuldade na técnica de sucção do bebê, falta de informa-
ção e preparo, estado emocional, ansiedade, entre outros, confirmando mais 
uma vez a importância da compreensão, calma e apoio das redes sociais pri-
márias e secundárias para efetividade do aleitamento materno (PALHETA; 
AGUIAR, 2021).
As dificuldades vivenciadas durante a amamentação fazem desse período 
um momento desafiador na vida da mulher, isso contribuiu para que o aleita-
mento deixe de ser uma fase prazerosa, gerando o sentimento de obrigação 
em amamentar. É importante ressaltar que o sucesso da amamentação não é 
apenas responsabilidade da mulher, uma vez que a promoção do aleitamento 
transcorre pela responsabilidade da sociedade como um todo (CABRAL 
et al., 2020).
As redes de apoio primárias em alguns momentos repassam informa-
ções repletas de mitos e crenças dentro do contexto do ALM, que destoam 
das preconizações atuais e conceitos científicos, tendo o poder de atrapalhar 
na prática da amamentação (MAZZA et al., 2014; NÓBREGA et al., 2019; 
CARLIN et al., 2019). As gestantes e lactantes têm consciência de que o leite 
materno é o melhor e o mais completo alimento para o bebê. No entanto, pode-
-se verificar que ainda prevalecem alguns mitos relacionados ao aleitamento 
materno, como o leite insuficiente e/ou fraco, pega incorreta, necessidade de 
complementação do leite materno antes dos seis meses de vida, entre outros 
(OLIVEIRA; VIEIRA, 2021).
A rede social secundaria é vista como importante por muitas mães, sendo 
o apoio dos profissionais de saúde no aleitamento materno indispensável, 
porém alguns estudos trouxeram que o apoio profissional foi significativo 
na decisão de amamentar e dar continuidade e em outros estudos as mães 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 119
relataram que o apoio foi insuficiente, o que demonstra a lacuna ainda exis-
tente na assistência, por não ter clareza e objetividade nas orientações sobre 
o aleitamento materno, havendo a necessidade de dar atenção para as dúvidas 
e dificuldades que podem estar presentes entre as mães durante esse período 
(MAZZA et al., 2014; PRATES et al., 2015; PIÑERO et al., 2018; NÓBREGA 
et al., 2019; NGUYEN et al., 2019; ALVES et al., 2020).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Permitiu-se identificar nessa revisão integrativa que as redes de apoio 
ao aleitamento materno são muito importantes e conseguem influenciar posi-
tivamente ou negativamente as gestantes, puérperas e nutrizes na decisão de 
amamentar e seguir com essa prática de forma eficiente e prazerosa. Eviden-
ciou-se ainda que as redes primárias, constituídas pelos companheiros, mães 
das nutrizes e demais familiares são as que mais influenciam o fortalecimento 
do aleitamento materno, por meio de sua presença, apoio nas atividades coti-
dianas e de cuidados com os bebês, bem como através de orientações de acordo 
com suas vivencias ou mesmo pelos estudos sobre o tema. Da mesma forma 
eles podem influenciar negativamente ao abandonarem as nutrizes ou mesmo 
por fornecerem orientações errôneas ou em desacordo com o preconizado 
pela literatura.
Quanto às redes secundárias, verificou-se a relevância do trabalho desen-
volvido por enfermeiros no processo de esclarecimentos e fortalecimento da 
amamentação, cuja presença contribui positivamente. No entanto, estudos 
apontaram que as informações muitas vezes podem ser insuficientes e con-
tribuírem para fragilizar a manutenção do aleitamento materno. Dessa forma, 
a utilização de estratégias de comunicação mais efetivas pode contribuir para 
que o aleitamento materno possa ser mantido de forma efetiva e pelo maior 
tempo de vida do bebê. Destaca-se ainda nos resultados encontrados a impor-
tância das tecnologias móveis na aproximação entre os pares, profissionais 
de saúde e destes com os pacientes, permitindo a troca de informações mais 
efetivas, claras e objetivas. O desenvolvimento de tecnologias móveis sobre 
o aleitamento materno é uma possibilidade, em especial quando voltado para 
os enfermeiros como forma de contribuir para aquisição de conhecimentos e 
consequente melhoria das práticas assistenciais.
O estudo traz como fatores limitadores a escassez de pesquisas nacionais 
atualizadas sobre as redes sociais de apoio ao aleitamento materno, obser-
vando-se maior quantidade de estudos internacionais. Assim espera-se que 
estes achados sirvam como incentivo para a realização de novos estudos que 
abordem essa temática. Destacando-se a necessidade de investir em mais 
120
pesquisas de grupos virtuais no apoio ao aleitamento materno, que na realidade 
internacional tem grande expressão e tem contribuído para práticas exitosas.
Quanto às considerações para a prática clínica cabe destacar:
• A importância da utilização de mecanismos que permitam a comu-
nicação efetiva e estabelecimento de vínculos entre os profissionais 
de saúde, em especial, os enfermeiros, como forma de fortalecer a 
manutenção do aleitamento materno pelo máximo de tempo possível.
• A necessidade de capacitação constante da equipe de enfermagem 
para que sejam utilizadas estratégias de vinculação de responsabi-
lidades compartilhadas entre familiares, pais e criança no sentido 
de incentivar o aleitamento materno.
• A inclusão, durante as consultas de pré-natal, dos familiares das 
gestantes como forma de sensibilização para a prática do aleitamento 
materno, bem como criação de laços de corresponsabilidade entre 
os mesmos.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 121
REFERÊNCIAS
ALVES, Y. R. et al.; Breastfeeding under the umbrella of support networks: 
a facilitative strategy. Escola Anna Nery, v. 24, e. 1, 2020. Disponível em: 
https://www-webofscience.ez17.periodicos.capes.gov.br/wos/scielo/full-re-
cord/SCIELO:S1414-81452020000100208. Acesso em: 20 set. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Aleitamento materno nos primeiros anos de 
vida salvaria mais de 820 mil crianças menores de cinco anos em todo o 
mundo. OPAS/OMS Brasil, 2018. Disponível em: https://www.paho.org/
bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5729:aleitamento-ma-
terno-nos-primeiros-anos-de-vida-salvaria-mais-de-820-mil-criancas-meno-
res-de-cinco-anos-em-todo-o-mundo&Itemid=820. Acesso em: 21 jan. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde. Depar-
tamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras 
menores de 2 anos. Brasília: 2019.
CABRAL, C. S. et al. Inclusion of a virtual group in a social support network 
to exclusive breastfeeding after hospital discharge. Interface, Botucatu, v. 24, 
2020. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/icse/2020.v24/e190688/
pt. Acesso em: 26 set. 2021.
CARLIN, R. F. et al.; The Influence of Social Networks and Norms on Breast-
feeding in African American and Caucasian Mothers: a Qualitative Study. 
Breas-tfeeding medicine, v. 14, n. 9, 2019. Disponível em: www-liebertpub-
-com.ez17.periodicos.capes.gov.br/doi/10.1089/bfm.2019.0044?url_ver=Z39.
88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_dat=cr_pub%20%200pubmed. 
Acesso em: 19 set. 2021.
CARREIRO, J. A. et al. Dificuldades relacionadas ao aleitamento materno: 
análise de um serviço especializado em amamentação. Acta Paul Enferm., 
v. 31, n. 4, p. 430-438, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/ape/
v31n4/1982-0194-ape-31-04-0430.pdf Acesso em: 14 jan. 2021.
DALMOSO, M. S.; BONOMIGO, A. W.; Online breastfeeding research: 
between a common sense and the WHO in the digital age. Reciis – Rev. 
Eletron Comum. Inf. Inov. Saúde, v. 13, n. 4, p. 911-921, 2019. Dispo-
nível em: file:///D:/UFPI%20e%20UESPI/3%20-%20P%C3%93S%20
GRADUA%C3%87%C3%83O%20DE%20ENFERMAGEM%20EM%20122
NEONATOLOGIA%20E%20PEDIATRIA/10-%20TCC%20TRABA-
LHO%20DE%20CONCLUS%C3%83O%20DE%20CURSO/ARTIGO/
Nova%20pasta/1635-7650-2-PB.pdf. Acesso em: 26 set. 2021.
DINIZ, C. M. M. et al.; Contribuições dos aplicativos móveis para a prática 
do aleitamento materno: revisão integrativa. Acta Paul Enferm., v. 32, n. 5, 
p. 571-577, 2019.
HAUCK, Y. L. et al.; Australian, Irish and Swedish women’s perceptions of 
what assisted them to breastfeed for six months: exploratory design using 
critical incident technique. BMC Public Health, v. 16, 2016. Disponível 
em: https://www-ncbi-nlm-nih.ez17.periodicos.capes.gov.br/pmc/articles/
PMC5057437/. Acesso em: 20 set. 2021.
LEBRON, C. N. et al.; “Am I doing this wrong?” Breastfeeding mothers’ 
use of na online fórum. Maternal & Child Nutrition., v. 16, n. 1, 2019. 
Disponível em: https://www-ncbi-nlm-nih.ez17.periodicos.capes.gov.br/pmc/
articles/PMC6937377/. Acesso em: 20 set. 2021.
LIMA, J. P.; CAZOLA, L. H. O.; PÍCOLI, R. P. A participação do pai no 
processo de amamentação. Cogitare Enferm., v. 22, n. 1, p. 1-07, 2017.
MAZZA, V. A. et al.; Influência das redes sociais de apoio para nutrizes 
adolescentes no processo de amamentação*. Cogitare Enferm., n. 19, e. 2, 
p. 254-260, 2014. Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?scrip-
t=sci_arttext&pid=S1414-85362014000200007. Acesso em: 20 set. 2021.
MORAIS, I. C. et al.; Percepção sobre a importância do aleitamento materno 
pelas mães e dificuldades enfrentadas no processo de amamentação. Revista 
de Enfermagem Referência, n. 2, e. 19065, 2020. Série. Disponível em: 
http://www.scielo.mec.pt/pdf/ref/vserVn2/vserVn2a09.pdf Acesso em: 14 
jan. 2021.
MOREIRA, L. A. et al.; Apoios à mulher/nutriz nas peças publicitárias da 
Semana Mundial da Amamentação. Rev. Bras. Enferm. [Internet], v. 70, 
n. 1, p. 61-70, 2017. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/reben/v70n1/
0034-7167-reben-70-01-0061.pdf. Acesso em: 21 jan. 2021.
NGUYEN, P. H. et al.; Information Diffusion and Social Norms Are Asso-
ciated with Infant and Young Child Feeding Practices in Bangladesh. JN 
The of Nutrition, v. 149, n. 11, p. 2034-2045, 2019. Disponível em: https://
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 123
www-ncbi-nlm-nih.ez17.periodicos.capes.gov.br/pmc/articles/PMC6825823/. 
Acesso em: 19 set. 2021.
NÓBREGA, V. C. F. et al.; As redes sociais de apoio para o Aleitamento 
Materno: uma pesquisa-ação. Saúde Debate, v. 43, n. 121, p. 429-440, 2019. 
Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi-
d=S0103-11042019000200429. Acesso em: 12 jan. 2021.
OLIVEIRA, A. C.; VIEIRA, V. B. R. Aleitamento materno: mitos e cren-
ças. Open Journal Systems, v. 1, n. 1, 2021. Disponível em: http://revistas.
unilago.edu.br/index.php/revista-científica/article/view/297. Acesso em: 26 
set. 2021.
PAGE, M. J. et al. The Prisma 2020 statement: an updated guideline for 
reporting systematic reviews. The BMJ, v. 372, n. 71, 2021. Disponível em: 
https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71 Acesso em: 28 set. 2021.
PALHETA, Q. A. F.; AGUIAR, M. F. R. Importância da assistência de enfer-
magem para a promoção do aleitamento materno. REAEnf/EJNC, v. 8, 2021. 
Disponível em: file:///D:/UFPI%20e%20UESPI/3%20%20P%C3%93S%20
GRADUA%C3%87%C3%83O%20DE%20ENFERMAGEM%20EM%-
20NEONATOLOGIA%20E%20PEDIATRIA/10%20TCC%20TRABA-
LHO%20DE%20CONCLUS%C3%83O%20DE%20CURSO/ARTIGO/
Nova%20pasta/5926-Artigo-65377-1-10-20210126.pdf. Acesso em: 26 
set. 2021.
PIÑERO, I. B. et al.; Impact of support networks for breastfeeding: A multi-
centre study. Elsevier / Women and Birth, v. 31, n. 4, 2018. Disponível em: 
https://www-sciencedirect.ez17.periodicos.capes.gov.br/science/article/pii/
S1871519217302779?via%3Dihub. Acesso em: 20 set. 2021.
PRATES, L. A.; SCHMALFUSS, J. M.; LIPINKI, J. M. Social support net-
work of post-partum mothers in the practice of breastfeeding. Escola Anna 
Nery, v. 19, n. 2, 2015. Disponível em: www.scielo.br/j/ean/a/mK9rgcT-
D9PbtsDWHNqVTJJC/?lang=en. Acesso em: 20 set. 2021.
ROBINSON, A. et al. It Takes an E-Village: Supporting African American 
Mothers in Sustaining Breastfeeding Through Facebook Communities. Jour-
nal of Human Lactation, v. 35, n. 3, p. 569- 582, 2019. Disponível em: 
https://journals-sagepub-com.ez17.periodicos.capes.gov.br/doi/10.1177/08
124
90334419831652?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori:rid:crossref.org&rfr_
dat=cr_pub%20%200pubmed. Acesso em: 20 set. 2021.
SCORUPSKI, R. M. et al. Breastfeeding Support Network: puerperal per-
ceptions. Braz. J. of Develop., v. 6, n. 10, p. 77654-77669, 2020. Dispo-
nível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/
view/18173/14681. Acesso em: 29 ago. 2021.
SOUZA, M. H. N.; NEPOLI, A.; ZEITOUNE, R. C. G. Influence of the social 
network on the breastfeeding process: a phenomenological study. Escola 
Anna Nery, v. 20, n. 4, 2016. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/
p6DQ8cDDxk5dGdhxFqdvbJB/?lang=en. Acesso em: 20 set. 2021.
WABA. Proteger a Amamentação: uma responsabilidade de todo. Semana 
Mundial de Aleitamento Materno 2021. Disponível em: https://worldbreast-
feedingweek.org/action-folder/ Acesso em: 29 set. 2021.
WAGNER, L. P. B. et al.; Fatores de fortalecimento e fragilização para a ama-
mentação na perspectiva da nutriz e sua família. Rev. esc. enferm., USP, v. 54, 
2020. Disponível em: http://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttex-
t&pid=S0080-62342020000100419. Acesso em: 27 set. 2021.
ZARDO, C. G.; RANGEL, C. B. F.; BARBOSA, D. J. Factors that inter-
fer in breastfeeding: Implications for nursing. Revista Pró-univerSUS, 
v. 11, n. 2, p. 129-140, 2020. Disponível em: file:///D:/UFPI%20e%20
UESPI/3%20-%20P%C3%93S%20GRADUA%C3%87%C3%83O%20
DE%20ENFERMAGEM%20EM%20NEONATOLOGIA%20E%20
PEDIATRIA/10-%20TCC%20TRABALHO%20DE%20CONCLUS-
%C3%83O%20DE%20CURSO/ARTIGO/Nova%20pasta/2457-Texto%20
do%20artigo-11497-1-10-20201211.pdf. Acesso em: 26 set. 2021.
ALEITAMENTO MATERNO 
NA CULTURA INDÍGENA: 
revisão integrativa de literatura
Dannyel Rogger Almeida Teixeira
Amanda Lúcia Barreto Dantas
Ozirina Maria da Costa
Nara Silva Soares
Doi: 10.24824/978652513115.3.125-136
O ato de amamentar está muito além de somente saciar a fome da 
criança, mas também envolve o afeto, o carinho, os laços que são 
gerados entre a mãe e o filho, assim como melhorias no desenvol-
vimento cognitivo e intelectual do bebê (BRASIL, 2015). As mudanças no 
contexto sociocultural e familiar interferem diretamente na oferta do leite 
materno. No Brasil a população indígena é afetada pela dicotomia no acesso 
aos serviços de saúde e consequentemente na participação de atividades de 
educação em saúde, acabando interferindo na realização da prática correta de 
amamentar, mesmo que as lactantes recebem apoio social e familiar, o que é 
considerado importante nesse processo (MACIEL et al., 2016).
O manejo do leite materno está associado com aspectos comportamentais, 
socioeconômicos e na qualidade dos serviços materno-infantil, o que inclui 
atendimento de pré-natal de qualidade, no parto e no pós-parto, diante disso, 
destaca-se que a baixa prevalência do aleitamento materno se remete a uma 
má saúde infantil (YADANAR; MYA; WITVORAPONG, 2020).
De acordo com censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia 
e Estatística – IBGE de 2010, o Brasil possui cerca de 817.963 indígenas, 
sendo que a representatividade no país vem tendo um decréscimo com passar 
dos anos. Na Região Norte, a área urbana apresentou crescimento da ordem 
de 2,9% ao ano. Nas áreas rurais, exceto a Região Sudeste, o crescimento foi 
significativo, com destaque para a Região Nordeste, que teve o maior ritmo 
de crescimento, de 4,7% ao ano (BRASIL, 2012).
Há grande diversidade cultural no Brasil e os povos indígenas fazem parte 
e agregam valores, costumes e crenças que divergem entre as suas comunidades. 
No que concerne à prática do aleitamento materno, na sua realidade tem ocorrido 
mudanças tanto pelo contato com mulheres não indígenas como por adequaçõesdos seus costumes que são passados de geração a geração, o que pode acarretar 
uma amamentação complementada e muitas vezes no desmame precoce.
126
Estudos dessa natureza poderão permitir a compreensão dos desafios 
que podem ser encontrados na vivência desses povos e quais posturas adotam 
diante das diferentes situações, bem como as práticas utilizadas para o manejo 
do aleitamento materno. Dessa forma, se torna imprescindível à compreensão 
acerca do aleitamento materno na cultura indígena, como forma de entender 
as particularidades entre estes sobre o tema.
Método
Constitui-se em uma revisão integrativa da literatura, que teve início a 
partir de uma consulta aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do 
Medical Subject Headings (MeSH) da National Library, para melhor com-
preensão dos descritores universais, bem como descritores não controlados 
(palavras-chaves). Considerando que a composição da amostra foi realizada 
por meio de buscas nas seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde 
(BVS), Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) 
Scientific Eletronic Library Online (Scielo), Literatura Latino-Americana e 
do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis 
and Retrieval System Online (MEDLINE/PUBMED).
A busca foi orientada utilizando- se o acrônimo PICo, que representa P: 
paciente ou participante, I: Interesse, Co: contexto. Nesse sentido, o acrônimo 
selecionado para este estudo foi: P – Indigenous Peoples; I – Breast Feeding; 
Co- Culture. As buscas foram direcionadas por descritores controlados com-
binados com operadores booleanos: AND e OR. Forma incluídos na pesquisa 
estudos realizados com população indígena em qualquer região do mundo, 
com texto completo nos idiomas português e inglês. Foram excluídos estudos 
que apresentassem fuga do tema e estudos duplicados, sendo excluída uma 
ou mais versões repetidas. A estratégia de buscas se encontra descrita no 
quadro a seguir:
Quadro 1 – Mecanismo de busca e publicações encontradas nas bases de dados
B a s e d e 
dados
( To t a l d e 
Publicações 
encontradas)
Estratégia de buscas
Publicações 
selecionadas
LILACS
(0)
Indigenous Peoples or Indigenous People and Breast Feeding or Breastfed or 
Breastfeeding and Breast Feeding or Breastfed or Breastfeeding
Indigenous Peoples or indigenous people and breast feeding or breastfed or breastfeeding 
and indigenous culture
Indigenous Peoples or Indigenous People and Breast Feeding or Breastfed or 
Breastfeeding and indigenous culture
0
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 127
B a s e d e 
dados
( To t a l d e 
Publicações 
encontradas)
Estratégia de buscas
Publicações 
selecionadas
SCIELO
(226)
(povos indígenas) OR (comunidades indígenas) OR (indígenas) AND ((aleitamento 
materno) OR (aleitamento) OR (alimentado ao peito)
(povos indígenas) OR (comunidades indígenas) OR (indígenas) AND ((cultura indígena) 
OR (cultura das populações indígenas) OR (cultura dos povos indígenas)
(aleitamento materno) OR (aleitamento) OR (alimentado ao peito) AND (cultura indígena) 
OR (cultura das populações indígenas) OR (cultura dos povos indígenas)
2
MEDLINE
(57)
AND (((("indigenous peoples"[MeSH Terms]) OR ("indigenous people"[All Fields])) /OR 
("indigenous"[All Fields]))) AND ((((breast feeding [MeSH Terms]) OR ("breastfed"[All 
Fields])) OR ("breastfeeding"[All Fields])) OR (Breast Fed))
4
BVS
(5.844)
(povos indígenas) OR (comunidades indígenas) OR (indígenas) AND (aleitamento 
materno) OR (aleitamento) OR (alimentando ao peito)
(aleitamento materno) OR (aleitamento) OR (alimentando ao peito) AND 
((cultura indígena) OR (cultura das populações indígenas) OR (cultura dos 
povos indígenas)
(povos indígenas) OR (comunidades indígenas) OR (indígenas)) AND ((cultura indígena) 
OR (cultura das populações indígenas) OR (cultura dos povos indígenas)
2
CINAHL
(0)
AND ((MH "Indigenous Peoples") OR "Indigenous Peoples" OR "Indigenous People") 
AND ((MH "Breast Feeding") OR "Breast Feeding" OR "Breastfed" OR "Breastfeeding" 
OR "Breast Fed")
0
Total 8
Fonte: Elaboração própria� Teresina-PI (2021)�
Após a etapa de coleta, realizou-se a análise descritiva das publicações 
incluídas na revisão com base nas seguintes informações: periódico, ano, 
região do país, título da produção, tipo de estudo, principais resultados. Em 
seguida, identificaram-se as principais contribuições para a temática. Devido 
à natureza do estudo, não se fez necessária a apreciação por Comitê de Ética 
em Pesquisa.
Resultados e discussão
Foram identificados os artigos com base na estratégia de buscas e seleção 
dos artigos científicos. Destes, 1 artigo era da SCIELO, 4 da MEDLINE e 3 
da BVS. Nas bases de dados da CINAHL e LILACS não foram encontrados 
estudos sobre o tema. O planejamento do estudo seguiu orientação do instru-
mento PRISMA (PAGE et al., 2020).
continuação
128
Figura 1 – Fluxograma das etapas 
de elegibilidade dos artigos pesquisados 
utilizados para os resultados
Id
en
ti
�c
aç
ão
Tr
ia
ge
m
In
cl
uí
do
Identi�cação de estudos por meio das bases de dados
(PAGE, et al., 2020).
Documentos excluídos (n = 82):
Registros identi�cados nas bases
de dados (n = 6117)
Medline (n = 57)
BVS (n = 5.844)
CINAHL (n = 0)
Lilacs (n = 0)
Scielo (n = 216)
Registros removidos antes
da triagem:
Registros removidos por outras
razões (n = 10)
Registros marcados como
inelegíveis por ferramentas de
automatização (n = 0)
Registros duplicados removidos
Registros triados Registros excluídos
Documentos recuperados
(n = 108)
Documentos não recuperados
Documentos acessados por
elegibilidade
(n = 90)
Estudos incluídos na revisão
(n = 08)
- Não focavam no trabalho
- Títulos e resumos não
relacionados ao tema (n = 65)
(n = 17)
(n = 108) (n = 6.009)
(n = 3)
(n = 0)
Fonte: Dados da Pesquisa (2021)�
Foram realizadas as leituras dos oito artigos selecionados de forma cri-
teriosa, com base nos critérios de inclusão e exclusão. Foram classificados 
no Quadro 2 a seguir os artigos de acordo com os autores, ano, país e base 
de dados de cada estudo selecionado, seus respectivos objetivos e princi-
pais resultados para se observar com maior clareza os achados evidenciados 
pelas pesquisas.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 129
Quadro 2 – Principais características das publicações 
encontradas nas bases de dados
Autor/Ano/País/
Base de dados
Objetivo(s) Principais Resultados
SÍRIO et al./ 2015/ 
Brasil/ Scielo
Estimar a duração mediana do 
aleitamento materno na Terra 
Indígena Xakriabá e identificar 
fatores que se relacionaram 
ao tempo de amamentação 
nessa população.
A maioria das crianças era do sexo masculino (52,0%), 1º, 
2º ou 3º filho (53,6%) e teve o leite materno como primeiro 
alimento (94,6%). A duração mediana do aleitamento 
materno exclusivo e do aleitamento materno foi de 11,73 
meses e 7,27 dias, respectivamente, sendo os meninos 
e as crianças nascidas na 4ª ordem ou adiante os mais 
vulneráveis ao desmame.
KAPOOR et al./ 
2017/ Estados 
Unidos/ BVS
O estudo investigou a associação 
entre a amamentação na infância 
e o IMC em índios americanos e 
adolescentes e adultos jovens, nativos 
do Alasca e brancos não hispânicos.
A duração da amamentação foi inversamente associada ao 
IMC em ambas as populações. Índios americanos e nativos do 
Alasca que foram amamentados por 6 a 12 meses ou por mais 
de 12 meses tiveram um IMC médio de 2,69, já os brancos 
não hispânicos que foram amamentados por 3 a 6 meses, 6 
a 12 meses ou mais de 12 meses tiveram um IMC médio de 
0,71. A correlação entre o tempo de amamentação e o IMC 
variou de acordo com a raça.
Cartas et al. 2019. 
Equador/ BVS
Determinar os pontos for tes e 
fracos que afetam a implementação 
do AM exclusivo nas mães 
indígenas pertencentes à província 
de Chimborazo
A significância do aleitamento materno exclusivo garantiu 
prevenção das doenças e desnutrição emmais de 80% 
dos casos, além de garantir prevenção de doenças na mãe. 
Destacando-se que mais da metade das mulheres mantiveram 
o leite materno como único alimento até os seis meses de idade.
Favoreceu uma melhor relação afetiva entre mãe e filho, 
relacionado diretamente ao um bom aconselhamento 
profissional, apoio familiar e apoio do marido.
SILVA et al./ 2019/ 
Brasil/ BVS
Contribuir para a promoção da 
saúde com foco no fortalecimento 
da assistência à mulher e à 
criança nas redes de serviços de 
cuidados integrais à segurança 
alimentar e nutricional.
O conhecimento tradicional das comunidades indígenas 
tem sido influenciado e modificado, decorrente do consumo 
frequente de produtos industrializados. A amamentação 
nos primeiros três meses de vida teve efeito protetor para 
diarreia, sabendo-se que as crianças da região vivem em sob 
condições de higiene precária, facilitando a contaminação dos 
alimentos ingeridos.
AZAD et al./ 2020/ 
Canada/ Medline
Identificar e discutir as prioridades 
de pesquisa e avanços antecipados 
em aleitamento materno ou 
pesquisas sobre leite humano, 
discutir as barreiras e os desafios 
percebidos e traçar um plano de 
ação para apoiar e maximizar a 
futura amamentação.
É necessário, para que haja melhorias sobre a saúde da 
criança na oferta do leite materno e leite humano, que sejam 
desenvolvidas estratégias interdisciplinares, relacionadas 
não somente a disseminar informações para mães e para 
comunidade, mas também em enfatizar a importância 
do apoio da família e da sociedade, sendo visto como 
responsabilidade de todos aqueles dispostos a terem 
resultados com amamentação.
continua...
130
Autor/Ano/País/
Base de dados
Objetivo(s) Principais Resultados
Chakona/
2020/ South África/ 
Medline
Explorar a diversidade da dieta 
materna, compor tamento de 
amamentação, práticas e fatores 
que influenciam as mães.
Mais da metade das crianças eram do sexo feminino, de uma 
forma geral 21% das crianças nunca forma amamentadas. 
Aleitamento materno exclusivo raramente era praticado. A 
maioria das mulheres tinha insegurança alimentar, pois suas 
dietas eram deficientes. Conflitos entre as mães jovens e 
as avós, a respeito da oferta de alimentos modernos e a 
falta de interesse na introdução de alimentos tradicionais.
LEYVA et al. / 
2021/ Canada/ 
Medline
Determinar se a microbiota do leite 
foi modificada pela idade materna, 
IMC, paridade, estágio de lactação, 
mastite subclínica (SCM) e práticas 
de amamentação nos primeiros 
6 meses de lactação em uma 
população indígena de Guatemala.
Streptococcus foi o gênero mais abundante (33,8%), 
acompanhado por Pseudomonas (18,7%) e Sphingobium 
(10,7%), Os Lactobacillus e Streptococcus eram mais 
abundantes no início da lactação, streptococcus,lactobacillus, 
lactococcus, tiveram uma percentual maior em mães 
multíparas do que em primíparas e uma microbiota mais 
diversa caracterizada por uma maior abundância de 
bactérias de ácido láctico foram encontrados em mães 
com IMC saudável.
MONTEITH, 
G A L LOWAY e 
HANLEY/ 2021/ 
Canada/ Medline
Resumir a literatura disponível até o 
momento que incorpora abordagens 
para descrever a amamentação e 
outras experiências de alimentação 
de mulheres indígenas residentes 
em nações desenvo l v i das 
impactadas pela colonização.
É necessário explorar e compreender a literatura relacionada 
às experiências dos povos indígenas com as práticas de 
alimentação infantil como nenhuma revisão existe até o 
momento. Sendo valido destacar o papel significativo que 
a alimentação infantil desempenha na saúde e bem-estar 
indígena e na doença e prevenção.
Fonte: Pesquisa direta nas bases de dados� Teresina-PI (2021)�
Foi possível perceber, a partir da leitura dos artigos que, ao mesmo tempo 
em que existem semelhanças, há também diferenças entre as culturas e cren-
ças de cada uma das comunidades indígenas, sendo respectivamente notadas 
que em sua maioria as nutrizes não tinham o apoio direto, dos familiares e 
do companheiro, mulheres que não valorizam os estudos, muitas preferem 
os afazeres agrícolas, o que compromete diretamente na amamentação do 
bebê, pela falta de informação e interesse ao não considerarem o aleitamento 
materno como principal fonte nutritiva.
Na maioria dos estudos ficou evidente que o alimento essencial que é 
oferecido para os bebês tem base nos costumes, hábitos culturais e crenças dos 
povos indígenas e da sua alimentação tradicional (mingau de milho, raízes, 
mandioca, macaxeira, entre outros), feita pelas mulheres experientes, que 
repassam seus conhecimentos para as mães mais novas. Destaca-se também 
a importância do apoio familiar e do companheiro com a lactante, visto como 
fundamental para manutenção do aleitamento materno, pois a mulher se sente 
acolhida e incentivada, favorecendo o vínculo afetivo mãe e filho.
Existem culturas, como a Isixhosa, localizada na África do Sul em que as 
lactantes não poderiam estar com o marido por até três meses, pois tornaria o leite 
continuação
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 131
impuro, sendo impedida de ter relações sexuais, enquanto que outras culturas 
como do estado da Amazônia incentivam o apoio e a presença do parceiro e dos 
familiares. Outro ponto a ser destacado é quanto à substituição do leite materno por 
alimentos industrializados, pela falta de tempo para amamentar muitas mães recor-
rem à comida pronta ou de fácil preparo, relatando que não veem diferenças em 
ofertar só o leite materno e dar outros alimentos, pois não afetava a saúde do bebê.
A partir da leitura dos estudos foi possível destacar as principais crenças 
associadas entre a cultura indígena e o aleitamento materno.
Quadro 3 – Distribuição das pesquisas em relação à cultura 
indígena e suas crenças sobre o aleitamento materno
Cultura indígena/localidade Crenças sobre o aleitamento materno
Isixhosa/ South África
Mingau como comida saudável
Relação sexual torna o leite impuro
Cantões de Penipe, Guamote e Colta/ Equador Machica (farinha de cevada torrada)
Indígenas Riberinhos/ Amazônia Mingaus de frutas, beijús, peixes e caças.
Fonte: Pesquisa direta nas bases de dados� Teresina-PI (2021)�
As mulheres da cultura Isixhosa introduzem alimentos modernos para 
seus filhos menores de seis meses, consideram o mingau como uma comida 
saudável, não influenciando no crescimento e desenvolvimento do bebê, muito 
dessas posturas eram influenciadas pela sua baixa renda financeira, não tendo 
condições de oferecer alimentos saudáveis, visto que culturalmente o preparo 
de alimentos tradicionais, como mingau de milho é o que garantiria saúde a 
criança, segundo relatos das avós, além da oferta do leite materno, mas muitas 
praticavam o desmame logo no início, pois não abdicavam passar três meses 
sem tem relações sexuais com seus parceiros, que caso tivessem, tornaria o 
leite impuro e prejudicaria a saúde do lactente (CHAKONA, 2020).
Para Cartas et al. (2019), o aleitamento materno exclusivo assume papel 
protetor do sistema imunológico infantil, no entanto a população indígena 
devido suas crenças ancestrais e costumes atribuem à machica (farinha de 
cevada torrada) e demais alimentos, a função de serem fontes nutritivas supe-
riores ao leite materno, não valorizado na maioria das vezes a prática da ama-
mentação, dando mais atenção a tarefas relacionadas à agricultura, deixando 
de lado a escola, que por consequência, além da falta de tempo ocasionada 
pela ocupação, interfere diretamente na amamentação.
As lactantes indígenas ribeirinhas do estado da Amazônia têm introduzido 
alimentos complementares e consequentemente levado ao desmame precoce 
de seus bebês pela necessidade de aumentar a família, entendendo que o aleita-
mento materno exclusivo estaria tardando o prolongamento de novas gestações, 
isso tem trazido consequências diretas as crianças menores de cinco anos, como 
o atraso na estatura, deficiência de ferro, vitamina A e zinco (SILVA et al., 2019).
132Azad et al. (2020) apresentam que um dos fatores que implicam na falta 
de interesse para a prática da amamentação está ligado à falta de educação for-
mal tanto para mãe quanto para os profissionais de saúde, além das desigual-
dades na amamentação e a discriminação contra comunidades marginalizadas.
Monteith, Galloway e Hanley (2021) destacam para que se tenham bons 
resultados nas condições de saúde e bem-estar de bebês e crianças indígenas, 
estes devem ser tratados como prioridade, enfatizando ainda que o início e a 
duração da amamentação têm significantes efeitos de proteção sobre o risco 
de diabetes mellitus tipo 2 e adiposidade, além disso evidenciaram que as 
taxas de amamentação se apresentam mais baixas entre as mães indígenas 
de países desenvolvidos em comparação com os países em desenvolvimento.
Já Leyva et al., (2021) pontuam que a Guatemala possui uma das maiores 
taxas de aleitamento materno exclusivo no mundo, mais de 70%, sendo que 
dentro dessa porcentagem encontra-se uma amostra significativa de mulheres 
indígenas, com realização de uma prática alimentar segura e duradoura, des-
taca ainda e corroborando o que Monteith, Galloway e Hanley (2021) dizem 
que altas taxas de amamentação exclusiva estão mais presentes em países em 
desenvolvimento do que países desenvolvidos.
As crianças indígenas estão mais suscetíveis que as não indígenas a 
apresentarem anemia, desnutrição crônica, entre outras complicações, devido 
à desigualdade no acesso aos serviços de saúde, aos fatores econômicos e 
sociais, o que reflete diretamente em ações que levam ao desmame precoce, 
sendo a representatividade da média de aleitamento materno exclusivo entre 
os povos indígenas consideradas baixas em relação às recomendações pelo 
Ministério da Saúde, que deve ser exclusivo até os seis meses e complemen-
tado pelos menos até os dois anos de vida (SÍRIO et al., 2015).
Kapoor et al. (2017) evidenciam em sua pesquisa que a amamentação na 
infância de índios americanos e nativos da Alasca está diretamente associada 
a um índice de massa corporal (IMC) médio mais baixo, sendo um dos fatores 
determinantes da raça desses povos.
O leite materno é um alimento essencial e fundamental para o cres-
cimento e desenvolvimento do bebê, visto que contém todos os nutrientes 
necessários para a manutenção da saúde dessa criança e para que isso trans-
corra da melhor maneira possível deve se observar a interação entre a mãe e 
o lactente, onde os dois mantém o contato físico e visual (BRASIL, 2019).
A criança que é amamentada exclusivamente até os seis meses de vida 
e posteriormente de forma complementar até os dois anos de idade, tem um 
bom estado nutricional, isso se deve ao fato de que na composição do leite 
materno existem proteínas, carboidratos, lipídeos, vitaminas, minerais, subs-
tâncias imunocompetentes (imunoglobulina A, enzimas), entre outras que 
permitem o adequado desenvolvimento do ser humano com perfil nutricional 
saudável (SILVA, 2018).
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 133
Há vantagens para o bebê que é amamentado exclusivamente, podendo 
ter melhorias a curto e longo prazo e entre os principais benefícios encontra-se 
a prevenção de doenças respiratórias, alérgicas, diarreias, diabetes mellitus, 
redução da morbimortalidade infantil, aumento no número de anticorpos, 
ganho de peso, dentre outros (BRAGA; GONÇALVES; AUGUSTO, 2020).
Pode-se ainda mencionar que a lactante ao amamentar garante benefícios 
à sua saúde física e mental, tendo influência direta na redução do sangramento, 
involução do útero, diminuição do peso corporal, estresse, previne a depres-
são pós-parto, câncer de mama, de ovário, doenças cardíacas (CIAMPO; 
CIAMPO, 2018).
A prática do aleitamento materno sofre diversas mudanças associadas aos 
costumes culturais e aos hábitos que são repassados de geração a geração e que 
são aplicados pelas novas lactantes indígenas, isso implica diretamente na manu-
tenção do aleitamento materno exclusivo (AME), o que acarreta aumento das 
complicações para criança e da morbimortalidade infantil. O Brasil encontra-se 
entre as piores posições se equiparado com os países vizinhos, apresentando uma 
taxa de 41% do AME, muito abaixo do que é recomendado pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS) que é de 50% e o Nordeste está com 37%, sendo o 
estado com a menor prevalência do AME (MARTINS et al., 2020).
Percebe-se de que forma a cultura contribui significativamente para mudan-
ças de comportamento, assim é na cultura indígena, na qual os conhecimentos 
são repassados de geração em geração e que tanto podem trazer benefícios 
quanto malefícios. Diante dos resultados fica claro o quanto as mulheres indí-
genas se encontram numa situação de fragilidade, por terem que ser ensinadas 
desde muito cedo a partilharem seus hábitos e condutas pela crença de estarem 
fazendo o correto, diante dos ensinamentos repassados pelos mais velhos.
Interferir nesses hábitos pode trazer benefícios, em especial às crianças 
indígenas, com a garantia de crescimento e desenvolvimento saudável. No 
entanto, é preciso cautela antes de adentrar na cultura dessas comunidades 
com o propósito de realizar mudanças nesta sendo a intenção maior a de 
apresentar a priori possibilidades de melhorias, deixando a mulher à vontade 
na escolha da melhor opção para seu filho e para ela mesma.
É preciso que o enfermeiro conheça a experiência dessa lactante com 
amamentação, as crenças, seus costumes, o seu cotidiano no meio social e 
familiar, para que com isso desenvolva práticas de ensino em saúde, infor-
mando sobre a técnica, a posição e pega correta, sobre os cuidados que deve 
ter com as mamas, destacando que a estimulação e produção do leite materno 
são feitas pelo bebê, quanto mais ele mamar maior será a produção do leite e 
lembrando que amamentação deve ser prazerosa para os dois (FASSARELLA 
et al., 2018; LUSTOSA; LIMA, 2020).
É preciso dar a oportunidade para que as mulheres conheçam aos poucos 
a cultura e conhecimentos com base científica que permeiam a amamentação 
134
e que possam escolher de forma livre e sem pressões, dando a oportunidade 
de adquirirem novos conhecimentos sobre o aleitamento materno.
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Diante dos estudos analisados, notou-se que a fragilidade encontrada nas 
diferentes comunidades indígenas destacadas na pesquisa está diretamente 
relacionada à falta de informação e orientação das mães, como também dos 
familiares e do cônjuge. Uma vez que estes últimos fazem parte da rede de 
apoio para o fortalecimento do aleitamento materno, sua falta de conhecimento 
contribui para que a inserção de outros alimentos de forma precoce acon-
teça. Outro ponto importante diz respeito à inexistência, nas bases de dados 
pesquisadas, de estudos que apresentem estratégias de sensibilização e cons-
cientização das mulheres indígenas sobre o aleitamento materno exclusivo.
Estudos dessa natureza permitem a compreensão acerca de quais ações e 
estratégias podem ser utilizadas para garantir a manutenção e a continuidade do 
aleitamento materno das mulheres indígenas, visto que existem fatores sociais, 
familiares, ambientais, culturais e econômicos que interferem diretamente no 
desenvolvimento dessa prática bem como a sua permanência, em especial a 
cultura que pode condicionar ou não a adoção de medidas diferenciadas na 
postura das mulheres diante das possíveis dificuldades no aleitamento.
Observou-se a baixa quantidade de estudos nessa linha de pesquisa, sendo 
fundamental a construção de evidências científicas atualizadas e que demons-
trem resultados positivos voltados para assistência à mulher e à criança indígena.
Quanto às considerações para a prática clínica cabe destacar:
• Para obter resultados positivos, podem ser desenvolvidas estratégias 
interdisciplinares dentro dessas comunidades para se alcançar cuida-
dos inclusivos e benefícios na saúde de curto e longo prazo para as 
mães e bebês,chamando a atenção para a atuação do enfermeiro que 
geralmente permanece em contato mais contínuo com a comunidade.
• A atuação do enfermeiro na implementação de políticas públicas 
de saúde indígena ganha papel importante, na função de gestor de 
estratégias de educação em saúde, no planejamento, atendimento e 
orientação das indígenas desde o planejamento familiar, o pré-natal 
e o pós-parto, com acompanhamento contínuo e que permita direcio-
nar o atendimento das dúvidas e dificuldades que as mães possam 
vir a apresentar, no intuito de fortalecer o aleitamento materno.
• Incentivar na formação dos enfermeiros que haja abordagens dife-
renciadas para o lidar com as comunidades indígenas, sensibilizando 
os profissionais para esse cuidado diferenciado e ímpar em muitas 
regiões do país.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 135
REFERÊNCIAS
AZAD, M. B. et al. Breastfeeding and the origins of heath: interdisciplinar pers-
pectives and priorities. Maternal Child Nutrition, Canadá, v. 17, p. 1-15, 2020.
BRAGA, S. M.; GONÇALVES, S. M.; AUGUSTO, R. C. Os benefícios do 
aleitamento materno para o desenvolvimento infantil. Braz. J. of Develop, 
Curitiba, v. 6, n. 9, p. 70250-70260, 2020.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação 
complementar. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde Depar-
tamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras 
menores de 2 anos. Brasília, 2019.
BRASIL. Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão Instituto Brasi-
leiro de Geografia e Estatística. Os indígenas no Censo Demográfico 2010: 
primeiras considerações com base no quesito cor ou raça. Rio de Janeiro: 
IBGE: Diretoria de Pesquisas, 2012.
CARTAS, U. S. et al. Fortalezas y debilidades en el uso de la lactancia materna 
exclusiva un madres indígenas de la cuidad de Riobamba in Ecuador. Rev. 
Cubana de Medicina Militar, Equador, v. 48, n. 4, p. 736-751, 2019.
CHAKONA, G. Social circumstances and cultural beliefs influence maternl 
nutrition breastfeeding and child feeding practices in South Africa. Nutrition 
Journal, South África, v. 19, n. 47, p. 2-15, 2020.
CIAMPO, D. L. R. I.; CIAMPO, D. A. L. Breastfeeding and the benefits of 
lactation for women’s health. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., São Paulo, v. 40, 
p. 354-359, 2018.
FASSARELLA, A. P. B. et al., Percepção da equipe de enfermagem frente 
ao aleitamento materno: conhecimento à implementação. Revista Nursing, 
Rio de Janeiro, v. 21, n. 246, p. 2489-2493, 2018.
KAPOOR, A. Z. et al. Breastfeeding in infancy is associated with body mass 
index in adolescence: a retrospective cohort study comparing american indians/
alaska natives and non-hispanic whites. Elsevier, v. 117, p. 1049-1056, 2017.
136
LEYVA, L. L. et al. Human milk microbiota in an indigenous population is 
associated with maternal factors, stage of lactation, and breastfeeding pratices. 
Current Developments in Nutrition, Canadá, p. 1-15, 2021.
LUSTOSA, E.; LIMA, N. R. Importância da enfermagem frente à assistência 
primária ao aleitamento materno exclusivo na atenção básica. ReBIS, Brasília, 
v. 2, n. 2, p. 93-97, 2020.
MACIEL, S. B. V. et al. Aleitamento materno em crianças indígenas de dois 
municípios da Amazônia ocidental brasileira. Act Paulista de Enfermagem, 
São Paulo, v. 29, n. 4, p. 469-475, 2016.
MARTINS, A, L.et al. Prática do aleitamento materno em comunidades 
quilombolas à luz da teoria transcultural. Rev. Bras. Enferm., Bahia, v. 4, 
p. 1-9, 2020.
MONTEITH, H. GALLOWAY, T. HANLEY, A. J. Protocol for scoping review 
of the qualitative literature on indigenous infant feeding experiences. BMJ 
Open, Canadá, v. 11, p. 1-5, 2021.
PAGE, M. J. et al. The Prisma 2020 statement: an updated guideline for 
reporting systematic reviews. The BMJ, v. 372, n. 71, 2021. Disponível em: 
https://www.bmj.com/content/372/bmj.n71. Acesso em: 28 set. 2021.
SILVA, A. B. et al. Cultura dos povos originários da floresta amazônica na 
gestação e no puerpério: uma revisão de escopo sob ponto de vista da segu-
rança alimentar e nutricional. Saúde Debate, Rio de Janeiro, v. 43, n. 123, 
p. 1219-1239, 2019.
SILVA, L. M. Leila. Determinante associados à composição nutricional 
do leite materno. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2018. p. 1-89.
SÍRIO, O. A. M.et al. Tempo de aleitamento entre indígenas xabriabá aldea-
dos em Minas Gerais, sudeste do Brasil. Revista nutrição, Campinas, v. 28, 
n. 3, p. 241-252, 2015.
YADANAR.; MYA, S. K.; WITVORAPONG, N. Determinants of breastfee-
ding practices in Myanmar: results from the latest nationally representative 
survey. 15. ed. United States: Tulane University School of Public Health and 
Tropical Medicine, 2020.
FATORES RELACIONADOS À 
DURAÇÃO DO ALEITAMENTO 
MATERNO EXCLUSIVO DO BINÔMIO 
MÃE-FILHO: estudo longitudinal
Lorena Sousa Soares
Mirelle Lopes Ferreira
Grazielle Roberta Freitas da Silva
Doi: 10.24824/978652513115.3.137-148
A prática do aleitamento materno exclusivo (AME) constitui principal 
fator de promoção da nutrição, desenvolvimento e fortalecimento do 
vínculo afetivo do binômio mãe-filho. Por conta dos benefícios com-
provados dessa prática, a Organização Mundial da Saúde – OMS (WHO, 2003) 
recomenda globalmente que a prática de amamentação por livre demanda 
deve ser exclusiva durante os primeiros seis meses de vida, para que a criança 
alcance índices ideais de crescimento, desenvolvimento e saúde, e que seja 
complementar a outros alimentos até os dois ou mais anos, objetivando atender 
suas necessidades nutricionais de crescimento.
Os benefícios a curto prazo do AME incluem diminuição da mortalidade 
infantil por diarreia e pneumonia, diminuição do risco de se desenvolver 
alguma doença respiratória além de um melhor desenvolvimento neuropsico-
motor. Os benefícios a longo prazo apontam para evidências de que a prática 
do aleitamento pode fornecer algum grau de proteção contra a obesidade ou 
sobrepeso, além de uma forte relação de efeito causal da amamentação no QI 
(quociente de inteligência) maior (WHO, 2013).
Segundo a II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capi-
tais Brasileiras e Distrito Federal (BRASIL, 2009), a prevalência do AME no 
Brasil em menores de seis meses foi de 41%, enquanto a sua duração mediana 
foi de 54,1 dias (no Nordeste, 34,9 dias), e a duração mediana da amamen-
tação, de 341,6 dias (11,2 meses). A pesquisa ainda relatou que a introdução 
precoce de água na alimentação da criança menor de um mês de vida ocorreu 
em 13,8% da população analisada, de chás em 15,3% da população com menos 
de um mês de vida, e de outros leites em 17,8%.
É sugerido que o desmame precoce esteja relacionado principalmente 
com a baixa faixa etária e a baixa escolaridade da mãe, baixa renda, a falta 
de conhecimento adequado acerca do processo de amamentação, a apresen-
tação de intercorrências e o uso de chupeta (CAVALCANTE et al., 2021; 
RODRIGUES et al., 2021).
138
Ainda de acordo com a II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento 
Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal (BRASIL, 2009), que 
coletou dados de 862 crianças em Teresina (Piauí), houve a prevalência do 
AME entre 43,7% dos menores de seis meses. Assim, de acordo com a clas-
sificação da OMS proposta em 2003 (WHO, 2003) e que ainda se encontra 
em vigor, a taxa do AME no Piauí pode ser conceituada como “razoável” e 
para que alcance o conceito “bom”, deve estar entre 50 e 89%.
A OMS recomenda que os países monitorem regularmente o desempenho 
de seus programas e políticas de incentivo à amamentação, objetivando ras-
trear as tendências nacionais e direcionar recursos para áreas mais necessitadas 
(WHO, 2017). Assim, conhecer a realidade da população materno-infantil e 
compreender as peculiaridades que influenciam o desmame precoce e a con-
tinuação do AME em uma determinada região podedesempenhar importante 
papel no desenvolvimento e adaptação de ações de promoção e incentivo 
ao aleitamento materno, objetivando a ampliação do número de indivíduos 
beneficiados por tal prática.
Sabe-se da influência que a alimentação adequada, desde os primeiros 
meses de vida, tem na constituição do sujeito até a vida adulta; reside aí então 
a importância da divulgação e estímulo ao AME na prática clínica desde 
o pré-natal, até acompanhamento posterior ao parto. Para que essa prática 
clínica seja efetiva, no entanto, é necessário que o profissional conheça as 
peculiaridades da população local (o público-alvo da intervenção clínica). 
Assim, a coleta e posterior análise de dados referentes à adesão do AME em 
uma região, que foi o proposto por esse trabalho, é uma forma de avaliar se 
as políticas públicas que visam propagar essa prática têm realmente atingido 
seus objetivos, e se não, quais os fatores relacionados a essa quebra, criando 
assim, um panorama da realidade da comunidade local, facilitando interven-
ções futuras, conforme sugestões do estudo do Ministério da Saúde brasileiro 
(BRASIL, 2009).
Diante disso, objetivou-se, com esse estudo, descrever os fatores rela-
cionados à duração do AME do binômio mãe-filho internado no alojamento 
conjunto de um hospital público da cidade de Parnaíba (PI).
Método
Tratou-se de um estudo observacional, longitudinal do tipo prospectivo e 
descritivo, de abordagem quantitativa, com coleta dos dados realizada durante 
o mês de outubro do ano de 2018, com seguimento até o mês de fevereiro de 
2019 (quatro meses de pós-parto), realizado no alojamento conjunto de um 
hospital público em Parnaíba-PI.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 139
A população foram os binômios mãe-bebê que se encontravam inter-
nados no alojamento conjunto neste hospital durante todo o mês de outubro 
de 2018. Segundo informações colhidas no livro de parto do hospital, entre 
os meses de janeiro até julho de 2018, foram contabilizados 1.234 partos 
realizados naquele local, ou seja, a população de parâmetro deste estudo foi 
de 176 binômios, a média mensal no ano de 2018.
Para definição da amostra (n), que totalizou 120 binômios, foi realizada 
amostragem probabilística aleatória simples. Os critérios de inclusão foram:
• Primíparas que já estivessem amamentando o bebê, e/ou multípa-
ras que estivessem amamentando ou que tenham tido experiência 
anterior com amamentação;
• Mães de recém-nascidos (RN) vivos independentemente do tipo 
de parto, da idade materna, e de ser gestação múltipla ou não, que 
se encontrassem internadas no alojamento conjunto do hospital.
Excluíram-se mães com RN internados na UTI ou UCI. Estabeleceu-se 
como critério de descontinuidade: mães que foram definidas como ilocalizá-
veis, após três ligações não atendidas em dias distintos durante o seguimento.
Foram utilizados dois instrumentos de coleta: A “Breastfeeding Self-
-Efficacy Scale – Short Form” (BSES-SF), além de informações coletadas 
no prontuário e da caderneta da gestante, dispostas em um cabeçalho no 
instrumento de coleta; e um questionário preenchido via telefone que versou 
acerca da situação atual da amamentação do bebê da participante, e o motivo 
da quebra do AME (nos casos em que foi descontinuado). Os motivos da 
quebra do AME assinalados no instrumento de pesquisa foram elencados pela 
pesquisadora a partir das variáveis apresentadas em um estudo de prevalência 
de aleitamento materno e fatores associados com a sua duração, publicado na 
revista Anales de Pediatría (RAMIRO GONZÁLEZ et al., 2018).
No que diz respeito à escala BSES-SF, que foi traduzida, adaptada cultu-
ralmente e validada no Brasil (DODT, 2008), é um instrumento autoaplicável 
que pode ser usado como uma ferramenta de reconhecimento daquelas mães 
com maior probabilidade de serem bem sucedidas no ato de amamentar, bem 
como daquelas que podem apresentar algum grau de dificuldade, além de 
avaliar comportamentos e cognições que tangem o processo de amamenta-
ção, podendo ser usado tanto em adultas quanto em adolescentes (DENNIS; 
HEAMAN; MOSSMAN, 2011).
Os itens da BSES-SF se distribuem em dois domínios: o técnico e o de 
pensamentos intrapessoais. O domínio técnico analisa os aspectos técnicos e 
ações físicas concernentes ao ato de amamentar, já o domínio dos pensamentos 
intrapessoais leva em consideração as percepções e a subjetividade materna 
140
relacionadas à amamentação. A escala é composta de catorze itens avaliados 
segundo uma escala likert com a seguinte pontuação:
1. discordo totalmente;
2. discordo;
3. às vezes concordo;
4. concordo; e,
5. concordo totalmente.
Os itens são apresentados de forma afirmativa e produzem escores que, 
quando somados, variam de catorze a setenta, onde valores mais altos indi-
cam maior autoeficácia no ato de amamentar (DENNIS; HEAMAN; MOS-
SMAN, 2011).
Nos 120 dias seguintes à alta das participantes, elas foram contatadas 
uma vez por mês via telefone pessoal de uma das pesquisadoras envolvidas 
no projeto (recursos próprios), durante horário comercial, diretamente de um 
ambiente reservado e que não teve a interferência de ruídos externos, onde 
foram feitas as seguintes perguntas: “Está sendo oferecido ao bebê apenas 
leite materno?”; “Houve a introdução de água, algum tipo de chá, suco, papi-
nha, ou outro leite que não seja o materno?”. Havendo resposta afirmativa a 
alguma dessas perguntas, pediu-se que fosse indicado qual alimento/bebida 
foi inserido, a idade da introdução do alimento complementar e qual o motivo 
da quebra do AME. Cada contato telefônico durou em torno de cinco minutos.
Os escores obtidos com a escala BSES-SF, referentes à autoeficácia 
da amamentação, foram categorizados em: baixa eficácia (14 a 32 pontos), 
média eficácia (33 a 51 pontos) e alta eficácia (52 a 70 pontos) (DODT, 2008), 
com posterior verificação da taxa de abandono do AME em cada uma dessas 
categorias. Após isso, foi calculada a prevalência do AME nos meses 1, 2, 3 
e 4, com posterior cálculo da média de duração do aleitamento; esses dados 
foram, então, correlacionados com os motivos indicados pelas mães para a 
interrupção do AME.
Objetivando encontrar fatores que influenciam positivamente a conti-
nuação do AME, foi feita a comparação entre as variáveis sociodemográficas 
obtidas durante a coleta de dados e a duração do AME. Essas variáveis foram: 
faixa etária; tipo de parto; o surgimento ou não de intercorrência durante o 
parto; idade gestacional; gestações anteriores; número de consultas de pré-na-
tal realizadas; consumo de álcool, drogas ou medicações; se o recém-nascido 
(RN) mamou durante a primeira hora de vida; escolaridade materna; renda 
familiar mensal; vínculo empregatício e hábito tabágico.
Para realização da estatística descritiva simples (frequências absoluta e 
relativa, média e desvio-padrão), foi utilizado o programa Microsoft Office 
Excel 2010.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 141
Esta pesquisa foi desenvolvida em conformidade com as normas vigen-
tes expressas na Resolução nº 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, 
assim, para manutenção da eticidade da pesquisa e para garantia do sigilo e da 
privacidade das participantes, os dados coletados foram mantidos sob guarda 
das duas pesquisadoras principais, bem como, os contatos telefônicos foram 
realizados em ambiente privativo e reservado.
O projeto foi submetido à análise do Comitê de Ética em Pesquisa da 
Universidade Federal do Piauí, tendo o parecer número 2.883.409. Todas 
as participantes desta pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre 
e Esclarecido (TCLE) ou o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido 
(TALE), no caso daquelas com idade menor que 18 anos (com autorização 
do responsável).
Resultados e discussão
A amostra total obtida foi de 132 binômios mãe-filho, com idade média de 
23,7 anos (DP= 6,1). Cerca de 64,4% (85) das participantes eram procedentes 
da área da planíciedesenvolvimento Neuropsico-
motor de crianças nascidas com 
idade gestacional menor ou igual 
a 32 semanas aos 6 e 12 meses 
de idade gestacional corrigida.
Atraso nos desenvolvimentos cognitivo e motor 
foi significativo, com maior incidência aos 12 
meses. O escore motor composto apresentou a 
maior incidência de atraso de desenvolvimento.
continuação
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 19
Número Título Objetivos Evidência
9
Práticas e crenças ma-
ternas sobre cuidado e 
estimulação de bebês 
prematuros e a termo.
Descrever e comparar práticas 
parentais e crenças sobre 
desenvolvimento de 23 mães de 
bebês nascidos prematuros de 
muito baixo peso e de 23 mães 
de bebês nascidos a termo.
Para a dimensão estimulação, as mães 
de bebês prematuros a realizam em maior 
frequência do que as mães dos bebês a termo, 
mas acham menos importante fazê-las. Ou seja, 
mostram-se informadas a respeito de cuidado e 
estimulação e como fazê-la, entretanto, parece 
que não entenderam a sua importância. Os 
dados sugerem que no serviço de intervenção 
precoce aprendem a estimular seu bebê, mas 
não porque fazê-lo.
10
Short-time effect of the 
kangarooposition on elec-
tromyographic activity of 
premature infants: a ran-
domized clinical trial
Verificar a influência de curto 
prazo da posição Canguru (PC) 
sobre a atividade eletromiográfica 
de recém-nascidos prematuros.
A posição canguru aumenta a atividade 
eletromiográfica de curto prazo dos músculos 
bíceps braquiais e isquitobiais.
11
Intervenção precoce no 
desenvolvimento neuro-
motor de lactentes pre-
maturos de risco
Verificar o efeito da intervenção 
precoce no desenvolvimento 
neuromotor de lac tentes 
prematuros durante follow-up de 
um ano.
Os lactentes acompanhados obtiveram 
evolução motora satisfatória, reforçando que a 
intervenção precoce ainda é o melhor caminho 
para estimular prematuros de risco.
12
Habilidade motora grossa 
em Lactentes prematuros 
segundo a Alberta Infant 
Motor Scale
Avaliar a habilidade motora 
grossa em lactentes prematuros, 
segundo a Alberta Infant Motor 
Scale (AIMS).
Os resultados mostraram aumento gradual da 
presença de alterações do desenvolvimento 
motor dos lactentes com o passar dos meses.
Fonte: Pesquisa direta em base de dados� Teresina-PI (2021)�
No Quadro 2 foram organizados os estudos de acordo com o assunto 
principal destacado em seus conteúdos mais relevantes após leitura criteriosa.
Quadro 2 – Organização dos estudos de acordo com o foco nos aspectos mais 
importantes para o desenvolvimento neuropsicomotor do prematuro
ARTIGOS ASPECTOS RELEVANTES
4,5,7,9 Contextos familiares
1,6,12 Aspectos socioeducativos
11,2 Aspectos fisiológicos
10,3,8 Aspectos hospitalares
Fonte: Pesquisa direta em base de dados� Teresina (2021)�
De acordo com os artigos estudados e sintetizados, encontraram-se pontos 
relevantes acerca do tema que devem ser amplamente discutidos. Diversos 
aspectos se demonstraram ser mais relevantes ao se falar do desenvolvimento 
neuropsicomotor de recém-nascidos prematuros, como os contextos familiares, 
aspectos socioeducativos, fisiológicos e hospitalares.
continuação
20
Discussão
Contextos familiares
A responsividade materna pode ser um fator negativo quando a atenção 
de qualidade dada ao filho muda de acordo com foco da atenção materno, ou 
seja, se é exclusivo ao seu bebê ou se é dividida com as demais atividades do 
cotidiano, na qual a mãe com mais filhos acaba por reduzir o investimento 
interação com o seu bebê recém-chegado, podendo trazer atraso no seu desen-
volvimento motor (MESQUITA et al., 2020).
Outro artigo pontua que as mães se sentem vulneráveis para exercer o 
cuidado dado ao filho devido à fragilidade do bebê, dificultando a estimula-
ção e a interação que pode acarretar a desorganização de suas características 
comportamentais e no desenvolvimento infantil. Equivocadamente algumas 
mães relatam que quando o bebê está “esperto” ele não necessita de estímulos, 
já outras não sabem como estimular, ou reclamam do desinteresse do profis-
sional de saúde de ensinar acerca desses estímulos, portanto a vulnerabilidade 
da mãe acaba por prejudicar o desenvolvimento e comportamento infantil, 
principalmente na área cognitiva (SILVA et al., 2020).
Os atrasos no desenvolvimento motor fino e desenvolvimento motor 
amplo está associado com a prematuridade. O prematuro de baixo peso tem 
mais chances de apresentar atrasos no desenvolvimento cognitivo aos três 
meses de vida. Os pesquisadores fazem uma referência ao fator de risco para 
o atraso do desenvolvimento neuropsicomotor que é o fato da criança nascer 
prematura, apesar disso, fatores externos também podem atrasar o processo, 
sendo eles maternos ou não. Um deles é a baixa escolaridade da mãe, que 
influencia diretamente nas desvantagens sociais, que podem afetar na quali-
dade de vida e na perspectiva futura dessa criança. Mães com maior escola-
ridade tem maior probabilidade de organização do ambiente, com materiais 
para estimulação cognitiva e estimulação diária variada, portanto o ambiente 
familiar com cuidadores bem orientados é uma das principais contribuições 
para o desenvolvimento infantil saudável (SCHIAVO et al., 2021).
Ainda na perspectiva materna, sob um outro olhar, artigo refere que as 
mães de bebês prematuros dão pouca importância aos estímulos dos seus 
bebês e essa deficiência no estímulo é mostrada nos dados da sua pesquisa, 
que tem como hipótese de que a maneira que essa informação chega pode 
ser a responsável pelo atraso nos estímulos. Ao analisar o ponto de vista da 
pesquisa, podemos afirmar que uma cartilha informativa bem estruturada 
acerca dos cuidados dos recém-nascidos prematuros e principalmente sobre 
desenvolvimento infantil em cada fase seria de suma importância para que 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 21
os cuidadores se sentissem mais preparados para lidar com as dificuldades 
(RODRIGUES et al., 2019).
Aspectos socioeducativos
Contextualiza-se acerca do suporte educacional dos pais sobre o desen-
volvimento do recém-nascido prematuro, principalmente quando a família 
vai de alta para sua residência, essa comunicação pode ser feita através de 
uma instrumentalização dos responsáveis através de uma cartilha explicativa 
com orientações de que forma a criança deve ser estimulada ao longo do seu 
desenvolvimento. Outro ponto abordado de caráter negativo sobre o desen-
volvimento neuropsicomotor é a falta de rede apoio no âmbito familiar e a 
baixa escolaridade que são fatores que podem atrasar o desenvolvimento do 
recém-nascido (ALMEIDA et al., 2021).
Dada a importância de um material educativo para esses cuidadores, 
estudo aborda sobre estratégias para laboração de um material educativo de 
qualidade e com utilidade voltado à educação popular e com a metodologia 
participativa. A pesquisa delimita os fatores de influência positiva sobre o 
desenvolvimento de crianças prematuras tais como, estímulo de habilidades, 
ouvir a voz materna, brincadeiras, brinquedos, conversas, afeto, interação e 
presença dos cuidadores de forma afetiva, porém alguns fatores, podem ser 
considerados negativos, como a superproteção, cuidado restritivo (ser frágil) 
comparação com desenvolvimento de outras crianças, e os fatores psíquicos 
dos próprios criadores. O material media uma concepção de problematizar 
juntamente com os cuidadores dos recém-nascidos prematuros, para uma 
promoção do desenvolvimento saudável (LEMOS; VERÍSSIMO; 2020).
É importante acompanhamento integral dos bebês pré-termos, pois possui 
uma maior predisposição de alteração do funcionamento do sistema neuropsi-
comotor, devido a isso é importantíssimo que essa criança seja acompanhada, 
tanto sua saúde física e mental nos primeiros anos de vida por uma equipe 
multiprofissional afim de detectar o mais precocemente qualquer alteração 
no desenvolvimento (SANTOS et al., 2021).
Aspectos fisiológicoslitorânea (que compreende as cidades de Bom Princípio 
do Piauí, Buriti dos Lopes, Cajueiro da Praia, Caraúbas do Piauí, Caxingó, 
Cocal, Cocal dos Alves, Ilha Grande, Luís Correia, Murici dos Portelas e 
Parnaíba), 21,2% (28) de outras cidades do Piauí e 14,4% (19) advinham 
do estado do Maranhão. A idade máxima das puérperas foi de 39 anos, e a 
mínima, de 13 anos.
Cerca de 52,2% (69) das mulheres eram primíparas, e quanto ao tipo de 
parto, aproximadamente 50,7% (67) das mães tiveram parto por via vaginal. 
Do total de participantes, 11,3% (15) tiveram algum tipo de intercorrência 
durante o parto, sendo a pré-eclâmpsia a mais comum (60%). A idade gesta-
cional média em que as mulheres pariram foi em torno de 38 semanas (DP: 
2,2). Cerca de 59,8% (79) das puérperas amamentaram seus bebês na primeira 
hora de vida.
Aproximadamente 16,7% (22) das puérperas tinham algum tipo de vín-
culo empregatício, sendo que, 64,3% (85) tinham renda familiar mensal menor 
ou igual a um salário-mínimo, 32,5% (43) tinham renda maior que um salário, 
e 3,2% (4) das puérperas se recusaram a responder a essa pergunta. Cerca de 
79,5% das entrevistadas não possuíam escolaridade superior ao ensino médio 
completo, 6,1% haviam terminado o ensino superior, e 9,1% não responderam 
à pergunta.
Das 132 participantes, 14 (10,6%) faziam uso de álcool, drogas ou eram 
tabagistas; tem-se ainda que 9 (6,8%) faziam uso contínuo de alguma medi-
cação, especialmente para controle da elevação da pressão arterial.
142
Quanto às respostas à BSES-SF, 22,7% (30) das entrevistadas foram clas-
sificadas como média eficácia, 77,3% como alta eficácia (102), e nenhuma foi 
classificada como tendo baixa eficácia no ato de amamentação. A pontuação 
média dessas puérperas foi de cerca de 57,1 pontos (DP: 7,7), com pontuação 
máxima de 70 pontos e mínima de 33 pontos.
No primeiro mês durante o período de acompanhamento pela via telefô-
nica, foram excluídas 34,1% (45) das entrevistadas, tanto por serem definidas 
como ilocalizáveis (três ligações não atendidas em dias distintos durante o 
seguimento), quanto por não fornecerem ou não possuírem telefone para con-
tato. Houve uma perda referente ao óbito de um dos recém-nascidos acompa-
nhados na pesquisa, por causa não revelada pela participante. Dentre as ainda 
participantes (87), 59,7% (52) já haviam introduzido algum outro alimento 
que não o leite materno na dieta do recém-nascido, sendo que destas, 59,6% 
(31) inseriram alguma fórmula infantil apropriada para a idade, 34,6% (18) 
inseriram água, chá ou suco, e 5,8% (3) inseriram mingau com leite derivado 
de vaca, sendo que a idade média da introdução alimentar foi de 2,2 semanas 
(DP: 1,3). A justificativa mais comum, em 23,1% (12) das vezes para a intro-
dução alimentar nesse período foi a de que o bebê estava com algum problema 
de saúde, seguida pela opção “leite insuficiente”, em 19,3% (10) das vezes.
No segundo contato de seguimento (no 2º mês) 6 entrevistadas foram 
definidas como ilocalizáveis. Das 29 participantes restantes que estavam man-
tendo o AME, 20,6% (6) realizaram inserção alimentar durante o segundo 
mês, e 79,4% (23) mantiveram o aleitamento materno exclusivo. 50% (3) 
das participantes inseriram fórmula infantil adequada para idade e 50% (3) 
inseriram chá, água ou suco. A justificativa mais comum (50% das vezes) foi 
a de que a mãe não estava produzindo a quantidade de leite adequada para 
suprir o lactente (“leite insuficiente”). A idade média de introdução alimentar 
nesse período foi de 6,5 semanas (DP: 1,2).
No terceiro contato de seguimento (no 3º mês), 4 participantes foram 
definidas como ilocalizáveis. Das 19 entrevistadas, 36,8% (7) fizeram intro-
dução alimentar nesse período, sendo que dessas, 71,4% (5) inseriram chá, 
água ou suco na dieta do bebê, 14,3% (1) de fórmula adequada para a idade e 
14,3% (1) de mingau com leite derivado de vaca. A idade média de introdução 
alimentar foi de aproximadamente 11,1 semanas (DP: 1,9), sendo que, 14,3% 
(1) aventou a quantidade de leite do peito ser insuficiente (“leite insuficiente”), 
14,3% justificaram com a volta ao trabalho, e o restante foi assinalado como 
outras justificativas (sensação de que o lactente estava com sede, testar ali-
mentos, por exemplo).
No último contato de seguimento (no 4º mês), restaram 12 participan-
tes. Destas, 83,3% (10) mantiveram o aleitamento materno exclusivo até o 
quarto mês da criança, e 16,7% (2) introduziram algum alimento. Ambas as 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 143
participantes introduziram fórmula adequada para idade, tendo as respectivas 
justificativas: volta ao trabalho e decisão materna. A idade média de introdução 
foi de 14,5 semanas (DP: 0,7).
Ao excluírem-se as participantes definidas como ilocalizáveis, durante 
todo o período do estudo (4 meses, aproximadamente), foi possível fazer o 
acompanhamento de 77 binômios. Aproximadamente 13% (10) mantiveram o 
aleitamento materno exclusivo. A Tabela 1 traz uma comparação das variáveis 
pesquisadas entre o grupo que amamentou exclusivamente até o quarto mês 
de vida da criança e o grupo que introduziu algum outro alimento.
Tabela 1 – Comparação entre variáveis entre o grupo 
que introduziu outro alimento (LA) e o que amamentou 
exclusivamente até os 4 meses (LM). Parnaíba-PI (2019)
Variável LA LM
Idade materna média 24,2 24,7
Primiparidade 61,1% (41) 40% (4)
Idade gestacional média 38,8 38,9
Número médio de consultas de pré-natal 7,6 9
BSES-SF (alta eficácia) 73,1% (49) 90% (9)
BSES-SF (média eficácia) 26,9% (18) 10% (1)
Parto via vaginal 43,3% (29) 40% (4)
Parto via cesárea 56,7% (38) 60% (6)
Intercorrência durante o parto 11.9% (8) 10% (1)
Consumo de álcool, drogas ou hábito tabágico 11,9% (8) 0
Renda familiar ≤1 salário-mínimo 68,7% (46) 50% (5)
Vínculo empregatício 14,9% (10) 20% (2)
RN mamou na primeira hora de vida 52,2% (35) 80% (8)
Ensino fundamental incompleto 29,8% (20) 30% (3)
Ensino fundamental completo 1,5% (1) 0
Ensino Médio incompleto 25,4% (17) 10% (1)
Ensino Médio completo 23,9% (16) 30% (3)
Ensino superior incompleto 7,5% (5) 0
Ensino Superior completo 8,9% (6) 20% (2)
Sem escolaridade/ não responderam 3% (2) 10% (1)
Analisando as porcentagens de prevalência do aleitamento materno 
exclusivo, é possível inferir que há um abandono significativo do AME na 
população pesquisada. Pode-se afirmar isso ao comparar dados previamente 
expostos (BRASIL, 2009), pois no presente estudo, tal prevalência alcançou 
aproximadamente 13%.
De acordo com a classificação da OMS proposta em 2003 (WHO, 2003) 
e que ainda se encontra em vigor, a taxa de prevalência do AME encontrada 
144
no presente estudo ainda pode ser conceituada como “razoável” (entre 12 
e 49%), porém, para alcançar o conceito “bom”, precisa chegar a índices 
maiores ou iguais a 50%.
A Figura 1 traz uma comparação de algumas das variáveis estudadas 
entre o grupo de mulheres que manteve o AME até o quarto mês, e as que 
introduziram algum outro tipo de alimento. Não foi observada grande dife-
rença entre as médias de idade das mães que amamentaram exclusivamente 
em relação àquelas que não o fizeram (24,7 e 24,2, respectivamente). Bem 
como não foi observado distanciamento entre as idades gestacionais médias 
de tais grupos, sendo de 38,9 e 38,8 semanas, respectivamente.
Cerca de 61,1% (41) dos binômios que não mantiveram o AME pelos 
quatro meses da pesquisa eram primíparas, contrastando com cerca de 40% 
(4) das que não introduziram outro alimento além do leite materno. Esse 
resultado corrobora com o encontrado por Rodrigues et al. (2021) e outros 
pesquisadores (PINTO et al., 2021), relacionando a primiparidade como fator 
de risco para interrupção do AME.
Quanto às intercorrências durante o parto entre o grupo que posterior-
mente praticou o desmame e o grupo que não o praticou, a diferença percen-
tual não foi de grande monta, sendo de respectivamente 11,9% (8) e 10% (1); 
apesar de pequena, tal diferençapode corroborar com o encontrado em estudo 
realizado em 2018 (TENÓRIO et al., 2018), que demonstrou a associação 
desfavorável entre intercorrências na gravidez e aleitamento materno.
Santos et al. (2021) apontam que baixa renda familiar mensal e baixo 
nível de escolaridade podem influenciar negativamente no período de dura-
ção do AME. A população do presente estudo era composta em sua maioria 
(64,3%; 85 participantes) por pessoas com renda familiar mensal menor ou 
igual a um salário e de pessoas com escolaridade inferior ou igual ao ensino 
médio completo (79,5%; 105 participantes).
Cerca de 50% (5) das mulheres que mantiveram o AME tinham nível 
de escolaridade maior ou igual ao ensino médio completo, contrastando com 
40,3% (27) das que praticaram o desmame. Tais diferenças relativas podem 
indicar algum fator de proteção que essas variáveis têm na manutenção do 
AME. Tais dados corroboram com os encontrados na literatura, associando 
baixa renda familiar e baixa escolaridade à interrupção precoce do AME 
(SANTOS et al., 2021).
Como grande parte das participantes foram categorizadas como tendo 
alta eficácia no ato de amamentar (77,3%; 102 participantes), com pontua-
ção média de 57,1 pontos (máximo: 70 pontos), esperava-se que o índice de 
prevalência do AME ao término dos quatro meses de pesquisa fosse substan-
cialmente maior, já que tal escala é um instrumento de facilitação no reco-
nhecimento daquelas mães com maior probabilidade de serem bem sucedidas 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 145
no ato de amamentar, e pressupõe-se que mães que estivessem sendo bem 
sucedidas durante o aleitamento prolongassem sua prática.
Entretanto, 90% (9) dos binômios que mantiveram o AME foram cate-
gorizadas como tendo alta eficácia, contrastando com 73,1% (49) dos que 
praticaram o desmame. Isso foi também evidenciado em outros estudos, que 
encontraram associação positiva entre alta eficácia de acordo com a BSES-SF 
e maior duração da amamentação exclusiva (ROCHA et al., 2018; PINTO 
et al., 2021). A autopercepção de amamentação eficaz pode significar maior 
satisfação, segurança, vontade e experiência técnica no ato de aleitar, que são 
alguns domínios avaliados por essa escala.
É possível notar que a maior parte (59,7%; 52 participantes) das intro-
duções alimentares ocorreu por volta do primeiro mês de vida do bebê, carac-
terizando esse período como crucial na manutenção do AME. A maior parte 
das justificativas apontadas relativas ao desmame nesse período referem-se 
a “problemas de saúde do recém-nascido”. Seria necessária maior investiga-
ção para identificação desses problemas, e se houve ou não a recomendação 
médica e nutricional quanto à introdução de fórmula infantil adequada para 
a idade, já que a maioria desses bebês (55,2%; 37) foram apresentados a esse 
tipo de alimentação.
O desmame precoce pode implicar em aumento da morbidade da popu-
lação, já que a prática inadequada da amamentação pode ser responsável por 
cerca de metade dos episódios de diarreia e de um terço dos casos de infecção 
respiratória, além do aleitamento materno estar associado com redução na 
probabilidade de desenvolvimento de sobrepeso, obesidade e incidência de 
diabetes mellitus tipo 2 em crianças e adolescentes e cânceres de mama e de 
ovário nas mulheres (WHO, 2003).
Conclusão
O objetivo principal do estudo (descrever os fatores relacionados à dura-
ção do aleitamento materno exclusivo do binômio mãe-filho) foi alcançado. 
Apesar disso, os dados aqui expostos refletem a realidade de um único hospital 
da cidade de Parnaíba, que ainda que atenda a uma população com múltiplas 
procedências, pode não conter variabilidade populacional suficiente para servir 
de parâmetro para a realidade estadual.
Assim, pode-se inferir que a prevalência do AME, nos moldes preconi-
zados pelo Ministério da Saúde e organizações mundiais, entre as mulheres 
que pariram no referido local do estudo está muito aquém do que preconiza 
a OMS. São necessários, portanto, maiores estudos que estabeleçam uma 
relação causal direta no desmame precoce para que sejam executadas políti-
cas públicas “individualizadas” para a realidade da população local. Através 
146
dessas políticas, deve ocorrer incentivo à divulgação e estímulo ao AME 
desde o pré-natal, até acompanhamento posterior ao parto, durante consultas 
de puericultura ou em ambulatórios voltados à amamentação.
Considerações para a prática clínica e científica
• Implantação de um Banco de Leite Humano no referido local do 
estudo, com atuação de equipe multiprofissional, pois os Bancos de 
Leite Humano são referência para assistência ao binômio, especial-
mente no manejo de intercorrências relacionadas à amamentação
• Organização e implantação da linha do cuidado para o binômio 
mãe-filho para assistência puerperal e de puericultura, especial-
mente quanto à amamentação e introdução alimentar adequada, 
com atuação de diversos serviços em rede e de equipe multiprofis-
sional especializada;
• Organização e implantação de ambulatório de amamentação para 
assistência aos casos mais complexos de intercorrências na ama-
mentação, com inserção na linha do cuidado estabelecida e atuação 
de equipe multiprofissional especializada.
Agradecimento ao grupo de pesquisa
Este capítulo é oriundo de um Trabalho de Conclusão de Curso que fez 
parte dos trabalhos e ações desenvolvidas pelo projeto de extensão “Promoção 
e incentivo ao aleitamento materno: compartilhando saberes e práticas”, sob 
coordenação da Profa. Dra. Lorena Sousa Soares da Universidade Federal 
do Delta do Parnaíba.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 147
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento 
de Ações Programáticas e Estratégicas. II PESQUISA DE PREVALÊNCIA 
DE ALEITAMENTO MATERNO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS E DIS-
TRITO FEDERAL. Anais [...]. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009.
CAVALCANTE, V. O. et al. Consequences of using artificial nipples in exclu-
sive breastfeeding: an integrative review. Aquichan, v. 21, n. 3, p. e2132, 
2021. DOI: https://doi.org/10.5294/aqui.2021.21.3.2.
DENNIS, C.; HEAMAN, M.; MOSSMAN, M. Psychometric Testing of the 
Breastfeeding Self-Efficacy Scale-Short Form Among Adolescents. Journal 
of Adolescent Health, v. 49, n. 3, p. 265-271, 2011. Disponível em: https://
pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21856518/. Acesso em: 18 abr. 2018.
DODT, R. C. M. Aplicação e validação da Breastfeeding Self-Efficacy Scale 
– Short Form (BSES-SF) em puérperas. Rev RENE, v. 9, n. 2, p. 165-167, 
2008. Disponível em: http://www.periodicos.ufc.br/rene/article/view/5058. 
Acesso em: 18 abr. 2018.
PINTO, S. L. et al. Evaluation of breastfeeding self-effectiveness and its 
associated factors in puerperal women assisted at a public health system in 
Brazil. Rev. Bras. Saúde Mater. Infant., v. 21, n. 1, 2021. Disponível em: 
https://doi.org/10.1590/1806-93042021000100005. Acesso em: 4 jan. 2022.
RAMIRO GONZÁLEZ, M. et al. Prevalencia de la lactancia materna y facto-
res asociados con el inicio y la duración de la lactancia materna exclusiva en 
la Comunidad de Madrid entre los participantes en el estudio ELOIN. Anales 
de Pediatría, v. 89, n. 1, p. 32-43, 2018. Disponível em: https://www.science-
direct.com/science/article/pii/S1695403317303144. Acesso em: 20 nov. 2019.
ROCHA, I. S. et al. Influência da autoconfiança materna sobre o aleitamento 
materno exclusivo aos seis meses de idade: uma revisão sistemática. Ciência 
& Saúde Coletiva [on-line], v. 23, n. 11, p. 3609-3619, 2018. Disponível 
em: https://doi.org/10.1590/1413-812320182311.20132016. Acesso em: 20 
nov. 2019.
RODRIGUES, G. M. M. et al. Desafios apresentados por primíparas frente 
ao processo de amamentação. Revista Nursing, v. 24, n. 281, p. 6271-6275, 
148
2021. Disponível: http://revistas.mpmcomunicacao.com.br/index.php/revis-
tanursing/article/view/1965/2387. Acesso em: 4 jan. 2022.
SANTOS, V. L.et al. Sociodemographic and obstetric factors associated with 
the interruption of breastfeeding within 45 days postpartum – Maternar Cohort 
Study. Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, v. 21, n. 2, 
2021. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1806-93042021000200013. 
Acesso em: 4 jan. 2022.
TENÓRIO, M. C. S.; MELLO, C. S.; OLIVEIRA, A. C. M. Fatores associados 
à ausência de aleitamento materno na alta hospitalar em uma maternidade 
pública de Maceió, Alagoas, Brasil. Ciência & Saúde Coletiva [on-line], 
v. 23, n. 11, p. 3547-3556, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-
812320182311.25542016. Acesso em: 20 nov. 2019.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global Breastfeeding Score-
card: Tracking Progress for Breastfeeding Policies and Programmes. Geneva, 
2017. Disponível em: https://www.who.int/nutrition/publications/infantfee-
ding/global-bf-scorecard-2017-summary.pdf?ua=1. Acesso em: 21 set. 2018.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Infant and Young Child 
Feeding: a tool for assessing national practices, policies and programmes. 
Geneva, 2003. Disponível em: https://apps.who.int/iris/handle/10665/42794. 
Acesso em: 27 set. 2018.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Long-term effects of breast-
feeding: a systematic review. Geneva, 2013. Disponível em: https://apps.who.
int/iris/handle/10665/79198. Acesso em: 27 set. 2018.
FATORES RELACIONADOS AO 
DIAGNÓSTICO AMAMENTAÇÃO 
INEFICAZ: revisão integrativa da literatura
Dayse Anne dos Santos Ribeiro
Gislanny Mikaelly da Silva Santos
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.149-162 
O leite materno é o alimento projetado pela natureza para o recém-nas-
cido (RN) e a criança (BRAHM; VALDÉS, 2017), cuja oferta envolve 
processo natural e fisiológico que vem sofrendo mudanças, influências 
e alterações ao longo do tempo (HERNANDEZ; VÍCTORA, 2017). A World 
Health Organization (WHO) preconiza que o Aleitamento Materno Exclusivo 
(AME) seja realizado até os seis primeiros meses de vida, por possuir todas as 
propriedades capazes de proteger o RN das infecções, o que contribui, também, 
para atingir crescimento, desenvolvimento e saúde ideais (WHO, 2019).
Ao seguir esse direcionamento, é possível afirmar que o aleitamento 
materno é fator protetor para várias doenças infecciosas, atópicas e cardio-
vasculares, bem como para leucemia, enterocolite necrosante, doença celíaca 
e doença inflamatória intestinal. Também tem impacto positivo no neurode-
senvolvimento, melhorando o Quociente de Inteligência (QI) e reduzindo 
o risco de transtorno de déficit de atenção e transtornos generalizados de 
desenvolvimento e comportamento (BRAHM; VALDÉS, 2017). O aleitamento 
materno ainda traz benefícios para nutrizes, como redução do sangramento 
pós-parto; contracepção natural; diminuição do câncer de mama e ovário, 
além do fortalecimento do binômio mãe-RN (PAIM et al., 2018).
Apesar da comprovação dos benefícios do leite materno, a prevalência de 
amamentação ineficaz pode variar entre 30% e 70% na Dinamarca, no Brasil, 
no Nepal, na Índia, Líbia e Etiópia. Esses dados indicam situação preocupante, 
ao considerar que a amamentação ineficaz resulta em baixo ganho de peso, 
retardo de crescimento e redução da imunidade, além de aumento do risco de 
problemas mamários pós-parto (YILAK et al., 2020).
Nessa conjuntura, destaca-se a importância da consulta de enfermagem, 
na qual é possível realizar o diagnóstico amamentação ineficaz e elaborar 
150
intervenções. Na classificação de 1996 e na atual de 2018-2020, a North American 
Nursing Diagnosis Association (NANDA) classifica o diagnóstico amamentação 
ineficaz e o define como a dificuldade para oferecer o leite das mamas, o que pode 
comprometer o estado nutricional do lactente ou da criança (NANDA, 2018). 
Para identificação, são relacionados fatores que incluem etiologias, circunstân-
cias, fatos ou influências que têm certo tipo de relação com o diagnóstico de 
enfermagem (por exemplo: causa, fator contribuinte) (NOGUEIRA et al., 2020).
De acordo com a NANDA, os fatores relacionados à amamentação 
ineficaz são:
1) alimentações suplementares com bico artificial; 2) amamentação 
interrompida; 3) ambivalência materna; 4) anomalia da mama materna; 
5) ansiedade materna; 6) apoio familiar insuficiente; 7) atraso do estágio II 
da lactogênese; 8) conhecimento insuficiente dos pais sobre a importância 
da amamentação; 9) conhecimento insuficiente dos pais sobre técnicas 
de amamentação; 10) dor materna; 11) fadiga materna; 12) obesidade 
materna; 13) oportunidade insuficiente de sugar a mama; 14) reflexo de 
sucção do lactente insatisfatório; 15) suprimento de leite inadequado; e 
16) uso da chupeta (NANDA, 2018).
Enfatiza-se que a utilização de diagnósticos de enfermagem com ele-
mentos precisos facilita o raciocínio clínico e favorece o desenvolvimento de 
um plano de cuidados adequado (DINIZ et al., 2020).
Assim, ao considerar a importância da identificação dos fatores relacio-
nados do diagnóstico amamentação ineficaz para elaboração de intervenções, 
a alta prevalência desse diagnóstico e os prejuízos à criança e sociedade, 
objetivou-se identificar na literatura nacional e internacional os fatores rela-
cionados ao diagnóstico de enfermagem amamentação ineficaz.
Método
Trata-se de Revisão Integrativa da Literatura (RIL), em artigos científi-
cos disponibilizados em periódicos nacionais e internacionais, realizada de 
acordo com as seguintes etapas: identificação/formulação do problema; busca 
na literatura/realização da coleta de dados; avaliação dos dados; análise dos 
achados dos artigos incluídos na revisão; e apresentação e interpretação dos 
resultados (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
Na etapa inicial, agregaram-se os conhecimentos disponíveis sobre o 
diagnóstico amamentação ineficaz. Deste modo, este estudo foi guiado pela 
questão de pesquisa: quais os fatores relacionados ao diagnóstico de enferma-
gem amamentação ineficaz destacados na literatura nacional e internacional?
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 151
Para elaboração, adotou-se a estratégia PICo, em que o P corresponde 
ao Problema; I, ao fenômeno de Interesse; e Co, ao Contexto de estudo 
(KARINO; FELLI, 2012). Para sistematizar a coleta da amostra, utilizaram-se 
dos operadores booleanos “OR” e “AND”. Posteriormente, estabeleceram-se 
os descritores controlados e não controlados, selecionados a partir de consulta 
aos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), Medical Subject Headings 
(MeSH) e List of Headings do CINAHL Information Systems, apresentados 
no Quadro 1.
Quadro 1 – Estratificação da pergunta de pesquisa, 
conforme a estratégia PICo. Teresina-PI (2021)
Descrição PICo Componentes Descritores Descritor não controlado Tipos
Problema P
Amamentação 
ineficaz
“Aleitamento Materno”
“Breast Feeding”
“Amamentação ineficaz”
“Ineffective breastfeeding”
DeCS
MeSH
Títulos CINAHL
Fenômeno 
de Interesse
I
Diagnóstico de 
enfermagem
“Diagnóstico de enfermagem”
“Nursing Diagnosis”
–
DeCS
MeSH
Títulos CINAHL
Contexto Co Enfermagem
Enfermagem
Nursing
–
DeCS
MeSH
Títulos CINAHL
A busca foi realizada nas bases de dados Index to Nursing and Allied 
Health Literature (CINAHL), Literatura Latina Americana e do Caribe em 
Ciências da Saúde (LILACS), Índice Bibliográfico Espanhol em Ciências 
da Saúde (IBECS) e Base de Dados de Enfermagem (BDENF), via Biblio-
teca Virtual em Saúde (BVS); Literatura Internacional em Ciências da Saúde 
(MEDLINE), via National Library of Medicine (PUBMED); e SCOPUS, 
nos idiomas português, inglês e espanhol. O acesso ocorreu via Portal Capes 
(Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), pela Uni-
versidade Federal do Piauí (UFPI).
Utilizou-se de roteiro proposto na metodologia do Preferred Reporting 
Itens for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) (MOHER et al., 
2009). Os dados foram coletadosentre julho e agosto de 2021, por duas pes-
quisadoras independentes, sem o estabelecimento de filtros temporais, por se 
pretender análise integral da literatura sobre o tema.
Estabeleceram-se como critérios de inclusão: estudos primários que con-
tivessem os fatores relacionados ao diagnóstico de enfermagem amamentação 
ineficaz. Excluíram-se: revisão narrativa de literatura/revisão tradicional, 
sistemática ou integrativa; notas, editoriais, relatórios, dissertações e teses; 
estudos que não abordavam o tema amamentação ineficaz, diagnóstico de 
enfermagem e estudos que não respondessem ao questionamento da pesquisa.
152
A seleção dos estudos foi realizada, inicialmente, pela leitura dos títulos 
e resumos, com base nos critérios de inclusão. Identificaram-se 110 artigos 
potencialmente relevantes para a revisão: MEDLINE, via PUBMED n= 28; 
LILACS/ IBECS/ BDENF, via BVS n = 22; CINAHL n= 24; SCOPUS n= 36. 
Destes, 40 artigos foram selecionados para leitura na íntegra, permanecendo 
14 artigos que preencheram os critérios de inclusão e foram selecionados 
para compor a amostra, a qual seguiu as recomendações PRISMA (MOHER 
et al., 2009).
Realizou-se a leitura integral dos artigos selecionados e extraíram-se os 
dados utilizando-se de formulário de coleta de dados adaptado (URSI; GAL-
VÃO, 2006). Os dados obtidos mediante análise dos objetivos, resultados e 
conclusão de cada estudo foram agrupados por semelhança. A análise dos 
dados consistiu na codificação, categorização minuciosa e imparcial, bem 
como na interpretação e síntese dos dados, com objetivo de elevar o rigor, 
a fim de entender o fenômeno estudado (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
Resultados e discussão
Apresenta-se no Quadro 2 a caracterização dos estudos incluídos na 
revisão. Os anos de publicação dos artigos variaram entre 1993 e 2020, sendo 
que a maior parte foi publicada a partir de 2010 (64,3% – n = 9). Em relação 
à localização dos estudos, quase a totalidade (93% – n = 13) é proveniente do 
Brasil e apenas 7,14% (n = 1) é da Espanha. No que concerne ao delineamento 
dos estudos, identificaram-se 64,3% (n = 9) estudos descritivos, 14,3% (n = 
2) transversais, 14,3% (n = 2) estudos de caso, e 7,1% (n = 1) metodológicos.
Quadro 2 – Caracterização dos estudos selecionados em ordem cronológica, 
segundo código, título, país, ano, delineamento do estudo e fatores relacionados
Códigos Títulos
Países/
Anos
Delineamentos do estudo/ 
número de participantes
Fatores relacionados ao diagnóstico 
amamentação ineficaz identificados
A1
Validation of the 
nurs ing diagno-
sis of ineffective 
breastfeeding
País 
/1993
Estudo metodológico/
N=400
– Alimentações suplementares com bico artificial; 
– Amamentação interrompida; 
– Ambivalência materna; 
– Anomalia da mama materna;
– Ansiedade materna; 
– Apoio familiar insuficiente;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação; 
 – Fadiga materna; 
 – Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Suprimento de leite inadequado. 
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 153
Códigos Títulos
Países/
Anos
Delineamentos do estudo/ 
número de participantes
Fatores relacionados ao diagnóstico 
amamentação ineficaz identificados
A2
Utilization of nursing 
diagnosis according 
to NANDA’s classi-
fication in order to 
systematize nursing 
care in breastfeeding
Brasil 
/1997
Estudo descritivo /N= 12
– Alimentações suplementares com bico artificial;
– Anomalia da mama materna.
A3
Nursing diagnoses 
from NANDA’s tax-
onomy in women 
with hospitalized 
premature child and 
King’s conceptual 
system
Brasil 
/2000
Estudo de caso/N= 35
– Alimentações suplementares com bico artificial; 
– Anomalia da mama materna; 
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre a 
importância da amamentação; 
 – Oportunidade insuficiente de sugar a mama. 
A4
Risk of inffective 
breast– feeding: a 
nursing diagnosis
Brasil 
/2004
Estudo de caso/N=35
– Dor materna;
– Ansiedade materna;
– Anomalia da mama materna;
– Suprimento de leite inadequado;
– Oportunidade insuficiente de sugar a mama;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação.
A5
Diagnós t i co de 
enfermagem ama-
mentação ineficaz 
– estudo de identi-
ficação e validação 
clínica
Brasil 
/2005
E s t u d o d e s c r i t i v o 
analítico/N=124
– Dor materna;
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório.
A6
Nursing Diagnosis 
NANDA in Puerpe-
rium at the immedi-
ate and late
Brasil 
/2010
Estudo descritivo/N=40
– Alimentações suplementares com bico artificial; 
– Amamentação interrompida; 
–Conhecimento insuficiente dos pais sobre a 
importância da amamentação;
– Uso da chupeta.
A7
Nursing diagnoses 
related to breastfeed-
ing in the immediate 
postpartum period
Brasil 
/2011
Estudo pesquisa quan-
t i t a t iva , desc r i t i va , 
transversal/N=30
– Dor materna;
– Anomalia da mama materna; 
– Ansiedade materna; 
– Apoio familiar insuficiente;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre a 
importância da amamentação.
A8
Health promotion of 
the triad mother-child 
and family and the 
nursing diagnosis of 
ineffective breast-
feeding in childcare 
consultation
Brasil 
/2011
Estudo descritivo/N=7
– Anomalia da mama materna; 
– Alimentações suplementares com bico artificial; 
– Ansiedade materna; 
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação; 
– Ambivalência materna;
– Apoio familiar insuficiente;
– Suprimento de leite inadequado.
continua...
continuação
154
Códigos Títulos
Países/
Anos
Delineamentos do estudo/ 
número de participantes
Fatores relacionados ao diagnóstico 
amamentação ineficaz identificados
A9
Nursing diagnosis 
in newborns with 
glycemic alterations 
Brasil / 
2013
Estudo Quanti ta t ivo, 
descritivo, documental/
N=30
– Anomalia da mama materna;
– Amamentação interrompida;
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação.
A10
Ineffective breast-
feeding among nurs-
ing mothers assisted 
at basic health units 
Brasil / 
2014
Estudo t ransversa l , 
descritivo/N=95
– Ansiedade materna 
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Suprimento de leite inadequado; 
– Fadiga materna; 
– Anomalia da mama materna. 
A11
Cri t ical def ining 
characteristics for 
nursing diagnosis 
about inef fective 
breastfeeding
Brasil / 
2018
Estudo transversal/N= 73
– Amamentação interrompida;
– Ansiedade materna;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação; 
– Oportunidade insuficiente de sugar a mama; 
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Suprimento de leite inadequado. 
A12
Sequência de Robin 
isolado: Diagnósti-
cos de Enfermagem
Brasil / 
2018
Estudo descritivo/ N=20 – Reflexo de sucção do lactente insatisfatório.
A13
Evaluación del diag-
nóstico de actância 
actância ineficaz 
em puérperas
Espanha 
/ 2020
Estudo transversal/ N=30
– Alimentações suplementares com bico artificial;
– Amamentação interrompida;
– Anomalia da mama materna;
– Ansiedade materna;
– Apoio familiar insuficiente;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre a 
importância da amamentação;
– Conhecimento insuficiente dos pais sobre 
técnicas de amamentação;
– Fadiga materna;
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório. 
A14
Nursing diagnostics 
related to breast-
feeding in nursing 
mothers accom-
panied in primary 
health care
Brasil / 
2020
Estudo descritivo, quanti-
tativo/ N=135
– Amamentação interrompida;
– Reflexo de sucção do lactente insatisfatório;
– Suprimento de leite inadequado.
Fonte: Autoria Própria Teresina-PI (2021)�
A prevalência de pesquisas realizadas no Brasil sobre aleitamento 
materno demonstra a importância do tema no decorrer dos anos. Entretanto, 
apesar de apresentar número significativo de pesquisas sendo realizadas no 
contexto brasileiro, não é possível observar a diversificação do assunto sendo 
abordado por todocontinente, revelando lacuna significativa na literatura de 
continuação
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 155
enfermagem sobre diagnósticos de enfermagem relacionados à amamentação 
(ALVARENGA, 2018).
Evidencia-se que o diagnóstico de enfermagem amamentação ineficaz, 
estabelecido pela NANDA 1, embora de origem Norte Americana, está sendo 
difundido no Brasil ao longo dos anos, em especial por ser um dos mais frequen-
tes encontrados nas puérperas, o que implica necessidade de realização de estudos 
acerca do tema, a fim de explanar os fenômenos presentes e, assim, buscar meios 
que contribuam para prevenção e resolução do problema (MORAIS et al., 2020).
No que diz respeito aos fatores relacionados, identificaram-se na literatura 
selecionada 14 dos 16 fatores presentes no diagnóstico de enfermagem ama-
mentação ineficaz. Dentre eles, a anomalia da mama materna e o reflexo de 
sucção do lactente insatisfatório foram os fatores relacionados mais frequente-
mente identificados, sendo observados em 64,3% (n = 9) dos estudos. A Tabela 
1 descreve a distribuição dos fatores relacionados nos estudos encontrados.
Tabela 1 – Identificação dos fatores relacionados ao 
diagnóstico de enfermagem Amamentação Ineficaz
Fatores relacionados Estudos
Total
N %
Anomalia da mama materna A1; A2; A3; A4; A7; A8; A9; A10; A13 9 64,3
Reflexo de sucção do lactente insatisfatório A1; A3; A8; A9; A10; A11; A12; A13; A14 9 64,3
Ansiedade materna A1; A4; A7; A8; A10; A11; A13 7 50
Conhecimento insuficiente dos pais sobre técnicas de 
amamentação
A1; A3; A4; A8; A9; A11; A13 7 50
Alimentações suplementares com bico artificial A1; A2; A3; A6; A8; A13 6 42,9
Amamentação interrompida A1; A6; A9; A11; A13; A14 6 42,9
Suprimento de leite inadequado A1; A4; A8; A10; A11; A14 6 42,9
Apoio familiar insuficiente A1; A7; A8; A13 4 28,6
Conhecimento insuficiente dos pais sobre a importância da 
amamentação
A3; A6; A7; A13 4 28,6
Dor materna A4; A5; A7 3 21,4
Fadiga materna A1; A10; A13 3 21,4
Oportunidade insuficiente de sugar a mama A3; A4; A11 3 21,4
Ambivalência materna A1; A8 2 14,3
Uso da chupeta A6 1 7,1
Fonte: Autoria Própria� Teresina-PI (2021)�
O fator relacionado anomalia da mama materna faz parte de um dos fato-
res biológicos relacionados ao insucesso do AME. Inclui, com maior destaque, 
o mamilo invertido, considerado problema que atinge número significativo de 
mulheres (OLIVAS-MENAYO; BERNIZ, 2021) e que pode afetar a aparência 
das mamas e a amamentação (FENG et al., 2019).
156
Essa condição apresenta três graus de classificação, de acordo com o 
nível de fibrose, a facilidade de manipulação e a extensão do dano sofrido 
pelos ductos lactíferos. Para as mulheres enquadradas na classificação mamilo 
invertido de grau três, a fibrose observada é notável, há deficiência severa de 
tecidos moles, os mamilos não podem ser puxados para fora e, muitas vezes, 
exigem correção cirúrgica. Nesses casos, amamentar é quase impossível, 
com risco para desenvolvimento de mamilos doloridos e mastites recorrentes 
(RAO; WINTERS, 2020).
Nesse contexto, evidencia-se que mamilos invertidos se apresentam como 
anomalia da mama materna desafiadora a ser manejada, uma vez que mulhe-
res com essa condição enfrentam dificuldades que as forçam a interromper a 
amamentação prematuramente (NABULSI et al., 2019).
O fator relacionado reflexo de sucção do lactente insatisfatório também 
foi prevalente nos estudos analisados e diz respeito à dificuldade de o recém-
-nascido estabelecer a sucção para extração efetiva do leite materno. Esse é 
um dos fatores essenciais para o sucesso da amamentação relacionados ao 
bebê, os quais também incluem pega adequada, estado de alerta do bebê e 
reflexo de procura (KALARIKKAL; PFLEGHAAR, 2020).
A ansiedade pré-natal e pós-parto também é fator relacionado ao diag-
nóstico amamentação ineficaz, capaz de prejudicar o funcionamento materno 
e perturbar os comportamentos mãe-bebê, incluindo a amamentação. Estudo 
de revisão narrativa realizado com objetivo de examinar a associação entre 
a ansiedade materna desde a gravidez até 12 meses após o parto e o início, 
duração e exclusividade da amamentação, determinou consistência na associa-
ção entre ansiedade materna e resultados da amamentação, sugerindo relação 
inversa entre ambos (HOFF et al., 2019). Assim, verifica-se que ansiedade 
materna impacta negativamente nas práticas de amamentação, sendo indis-
pensável a identificação precoce desse fator relacionado durante o período 
perinatal para promover o bem-estar emocional materno e prevenir dificul-
dades para amamentar (COO et al., 2020).
O fator relacionado conhecimento insuficiente dos pais sobre técnicas 
de amamentação, também, identificado com significativa frequência entre os 
estudos da amostra, está relacionado diretamente à assistência prestada pela 
equipe de saúde. Por esse motivo, orientações e intervenções de saúde pública 
integradas acerca das técnicas envolvidas no processo de amamentação dire-
cionadas aos pais e à comunidade precisam ser desenvolvidas para reduzir 
os índices de desmame precoce e, em última análise, contribuir para redução 
da mortalidade infantil (ZAKAR et al., 2018).
Ainda com destaque em relação à frequência de aparições nos artigos 
analisados, os fatores relacionados alimentações suplementares com bico 
artificial (n=6; 42,9%), amamentação interrompida (n=6; 42,9%) e suprimento 
de leite inadequado (n=6; 42,9%) apresentam correlação, sendo capazes de 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 157
influenciar as ocorrências. A literatura aponta que o uso de bicos artificiais 
pode gerar menor quantidade de mamadas por parte da criança e interromper 
a amamentação, o que acarreta menor quantidade de leite produzido, devido à 
baixa frequência da amamentação (LAGO et al., 2020; EMIDIO et al., 2020).
A identificação dos fatores relacionados ao diagnóstico amamentação 
ineficaz poderá contribuir para subsidiar intervenções de enfermagem de 
forma direcionada. Deste modo, o cuidado ao binômio mãe-filho requer efe-
tiva participação do enfermeiro, com vistas a proporcionar mais autonomia, 
empoderamento e segurança à mãe, por meio de orientações precisas sobre 
as etapas do aleitamento materno, dificuldades e benefícios que envolvem 
esta prática. O enfermeiro deve respeitar as crenças, culturas, experiências, 
medos e anseios da puérpera, de modo a estabelecer relação terapêutica e 
um cuidado satisfatório, holístico, individualizado, de qualidade e resolutivo 
(MORAIS et al., 2020).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
A presente revisão identificou os fatores relacionados ao diagnóstico 
de enfermagem amamentação ineficaz, destacando-se a anomalia da mama 
materna, o reflexo de sucção do lactente insatisfatório, a ansiedade materna, 
o conhecimento insuficiente dos pais sobre técnicas de amamentação, as ali-
mentações suplementares com bico artificial, a amamentação interrompida e 
o suprimento de leite inadequado. A análise dos resultados estabelece que a 
maioria dos fatores relacionados identificados é evitável, a partir do estabele-
cimento de conduta adequada e educação em saúde por parte dos profissionais.
Nesse direcionamento, os resultados deste estudo indicam como possi-
bilidades para prática clínica e científica:
• A Enfermagem apresenta importante atuação e destaque no contexto 
da identificação e manejo de problemas relacionados à amamenta-
ção, em especial a partir da aplicação do processo de enfermagem;
• A Enfermagem tem significativa responsabilidade na identificação 
do diagnóstico Amamentação Ineficaz e dos fatores relacionados 
como medida para reconhecer um padrão ineficaz e risco para o 
desmame precoce, bem como desenvolver atividades de promoção 
da saúde e prevenção de complicações, baseadas frequentemente 
na redução ou eliminação desses fatores;
• Melhora da assistência ao binômio mãe-filho no processo de ama-mentação, em maior observância dos fatores modificáveis por inter-
venções de enfermagem independentes e direcionadas, assim como 
para estabelecer o diagnóstico precoce.
158
REFERÊNCIAS
ALVARENGA, S. C. et al. Critical defining characteristics for nursing diag-
nosis about ineffective breastfeeding. Revista brasileira de enfermagem, 
v. 71, p. 314-321, 2018. DOI: https://doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0549. 
Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/sX55rZTsYfFynSLjwbJXR-
6t/?lang=en&format=html. Acesso em: 6 ago. 2021.
BRAHM, P.; VALDÉS, V. The benefits of breastfeeding and associated risks 
of replacement with baby formulas. Revista chilena de pediatria, v. 88, n. 1, 
p. 7-14, 2017. DOI: http://dx.doi.org/10.4067/S0370-41062017000100001. 
Disponível em: https://europepmc.org/article/med/28288222. Acesso em: 10 
fev. 2021.
COO, S. et al. The role of perinatal anxiety and depression in breastfee-
ding practices. Breastfeeding Medicine, v. 15, n. 8, p. 495-500, 2020. DOI: 
10.1089/bfm.2020.0091. Disponível em: https://www.liebertpub.com/doi/
abs/10.1089/bfm.2020.0091. Acesso em: 15 ago. 2021.
DINIZ, C. M. et al. A content analysis of clinical indicators and etiological 
factors of ineffective infant feeding patterns. Journal of pediatric nursing, 
v. 52, p. e70-e76, 2020. DOI: 10.1016/j.pedn.2020.01.007. Disponível em: 
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0882596319305895. 
Acesso em: 14 jan. 2021.
EMIDIO, S. C. D. et al. Revisão dos indicadores para os Resultados de Enfer-
magem relacionados ao estabelecimento da amamentação. Revista Eletrônica 
de Enfermagem, v. 22, 2020. DOI: https://doi.org/10.5216/ree.v22.56792. 
Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/article/view/56792. Acesso em: 14 
jan. 2021.
FENG, R. et al. A modified inverted nipple correction technique that preser-
ves breastfeeding. Aesthetic surgery journal, v. 39, n. 6, 2019, p. 165-175. 
DOI: https://doi.org/10.1093/asj/sjy119. Disponível em: https://academic.oup.
com/asj/article/39/6/NP165/4995049?login=true. Acesso em: 15 ago. 2021.
HERNANDEZ, A. R.; VÍCTORA, C. G. Biopolíticas do aleitamento materno: 
uma análise dos movimentos global e local e suas articulações com os discur-
sos do desenvolvimento social. Cadernos de Saúde Pública, v. 34, 2018, p. 
e00155117. DOI: https://doi.org/10.1590/0102-311X00155117. Disponível 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 159
em: https://www.scielosp.org/article/csp/2018.v34n9/e00155117/. Acesso 
em: 16 jan. 2021.
HOFF, C. E. et al. Impact of maternal anxiety on breastfeeding outcomes: 
a systematic review. Advances in Nutrition, v. 10, n. 5, p. 816-826, 2019. 
DOI: 10.1093/advances/nmy132. Disponível em: https://academic.oup.com/
advances/article/10/5/816/5488462?login=true. Acesso em: 15 set. 2021.
KALARIKKAL, S. M.; PFLEGHAAR, J. L. Breastfeeding. StatPearls 
Publishing, 2020. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/
NBK534767/. Acesso em: 15 set. 2021.
KARINO, M. E.; FELLI, V. E. A. Enfermagem baseada em evidências: avan-
ços e inovações em revisões sistemáticas. Cienc. Cuidado Saúde, v. 11, 
2012, p. 11-15. DOI: https://doi.org/10.4025/cienccuidsaude.v11i5.17048. 
Disponível em: https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/CiencCuidSaude/
article/view/17048. Acesso em: 15 set. 2021.
LAGO, I. D. et al. Fatores de risco para o desmame precoce no período 
neonatal: uma revisão integrativa da literatura. Saúde Coletiva, v. 10, 
n. 57, 2020, p. 3621-3636. DOI: https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.
2020v10i57p3621-3636. Disponível em: http://revistas.mpmcomunicacao.
com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/952. Acesso em: 16 set. 2021.
MOHER, D. et al. Preferred reporting items for systematic review sand meta-
-analyses: the Prisma statement. Ann Intern. Med., v. 151, p. 264-269, 2009. 
DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pmed.1000097. Disponível em: https://
systematicreviewsjournal.biomedcentral.com/articles/10.1186/2046-4053-4-1. 
Acesso em: 16 set. 2021.
MORAIS, E. P. A. M. et al. Avaliação do diagnóstico de enfermagem ama-
mentação ineficaz em puérperas. Revista Cubana de Enfermería, v. 36, n. 1, 
2020. Disponível em: http://www.revenfermeria.sld.cu/index.php/enf/article/
view/3112/533. Acesso em: 15 out. 2021.
NABULSI, M. et al. Breastfeeding success with the use of the inverted syringe 
technique for management of inverted nipples in lactating women: a study 
protocol for a randomized controlled trial. Trials, v. 20, n. 1, p. 1-6, 2019. 
DOI: 10.1186/s13063-019-3880-8. Disponível em: https://trialsjournal.biome-
dcentral.com/articles/10.1186/s13063-019-3880-8. Acesso em: 16 set. 2021.
160
NANDA-INTERNACIONAL: Definições e classificação 2018-2020. 11. ed. 
Porto Alegre: Artmed; 2018. 1187p.
NOGUEIRA, J. R. H. et al. Características definidoras e fatores relacionados 
ao diagnóstico de enfermagem na amamentação ineficaz. Saúde Coletiva 
(Barueri), v. 10, n. 56, p. 3282-3291, 2020. DOI: https://doi.org/10.36489/
saudecoletiva.2020v10i56p3282-3291. Disponível em: http://www.revistas.
mpmcomunicacao.com.br/index.php/saudecoletiva/article/view/912. Acesso 
em: 6 fev. 2021.
OLIVAS-MENAYO, J.; BERNIZ, C. Inverted nipple correction techniques: 
an algorithm based on scientific evidence, patients’ expectations and poten-
tial complications. Aesthetic Plastic Surgery, v. 45, n. 2, p. 472-480, 2021. 
DOI: 10.1007/s00266-020-01909-6. Disponível em: https://link.springer.com/
article/10.1007/s00266-020-01909-6. Acesso em: 15 de set. 2021.
PAIM, J. S. L.; BOAINI, M. B.; FREITAS, T. S. Fatores associados a prática 
e a duração do aleitamento materno no Brasil contemporâneo. Investiga-
ção, v. 17, n. 3, 2018, p. 66-74. DOI: https://doi.org/10.26843/investigacao-
v1732018p%25p. Disponível em: http://publicacoes.unifran.br/index.php/
investigacao/article/view/2422. Acesso em: 12 jan. 2021.
RAO, D. N.; WINTERS, R. Inverted Nipple. StatPearls Publishing, 2020. 
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK563190/. Acesso 
em: 15 set. 2021.
URSI, E. S.; GALVÃO, C. Perioperative prevention of skin injury: an integra-
tive literature review. Revista latino-americana de enfermagem, v. 14, n. 1, 
p. 124-131, 2006. DOI: 10.1590/s0104-11692006000100017. Disponível em: 
https://www.revistas.usp.br/rlae/article/view/2217. Acesso em: 16 set. 2021.
WHITTEMORE, R.; KNAFL, K. The integrative review: updated metho-
dology. J. Adv. Nurs., v. 52, n. 5, p. 546-553, 2005. DOI:10.1111/j.
1365-2648.2005.03621.x. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/16268861/. Acesso em: 18 jan. 2021.
WHO – WORLD HEALTH ORGANIZATION. Exclusive breastfeeding 
for optimal growth, development and health of infants. Disponível em: 
https://www.who.int/elena/titles/exclusive_breastfeeding/en/. Acesso em: 18 
jan. 2021.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 161
YILAK, G. et al. Prevalence of ineffective breastfeeding technique and asso-
ciated factors among lactating mothers attending public health facilities of 
South Ari district, Southern Ethiopia. PloS one, v. 15, n. 2, p. e0228863, 2020. 
DOI: 10.1371/journal.pone.0228863. Disponível em: https://journals.plos.org/
plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0228863. Acesso em: 13 jan. 2021.
ZAKAR, R. et al. Exploring parental perceptions and knowledge regarding 
breastfeeding practices in Rajanpur, Punjab Province, Pakistan. International 
breastfeeding journal, v. 13, n. 1, p. 1-12, 2018. DOI: 10.1186/s13006-018-
0171-z. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1186/s13006-018-
0171-z. Acesso em: 16 set. 2021.
Apoio financeiro 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 
Brasil, processo nº 420768/2018-1, concedido a professora Maria Augusta 
Rocha Bezerra.
PERCEPÇÕES DE NUTRIZES 
SOBRE USO DE TECNOLOGIAS DE 
INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO 
APOIO AO ALEITAMENTO MATERNO
Maria Aparecida Coutinho da Silva
Maria da Conceição Coutinho da Silva
Isaura Danielli Borges de Sousa
Cristianne TeixeiraCarneiro
Ruth Cardoso Rocha
Mychelangela de Assis Brito
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Doi: 10.24824/978652513115.3.163-176
O leite materno é o melhor alimento para a criança, uma vez que possui 
os nutrientes indispensáveis para sobrevida dela e é capaz de suprir 
todas as necessidades alimentares nos primeiros seis meses de vida. 
Embora exista a oferta de outros leites pelas indústrias, o leite materno é único, 
porque possui propriedades características que não podem ser encontradas em 
outros alimentos. É produzido de forma natural pelo corpo da mulher, possui 
anticorpos e outras substâncias que garantem a proteção da criança contra 
várias infecções (BRASIL, 2019).
Estudos demonstram que nutrizes iniciam o processo de aleitar sem 
ter recebido nenhum tipo de orientação no pré-natal (ROCHA et al., 2018; 
SILVA et al., 2018). Mesmo aquelas que afirmam ter sido orientadas, apre-
sentam dúvidas e dificuldades durante a prática de amamentação (SILVA 
et al., 2017). Esse fato é importante, pois, ainda que seja um processo natural 
e pareça simples, é necessário que as mães e os respectivos familiares obte-
nham informações e orientações adequadas para que o ato de amamentar 
aconteça de maneira tranquila e não aumente o risco do desmame precoce 
(NASCIMENTO et al., 2019).
Nesse contexto, a educação em saúde é essencial para as gestantes, visto 
que, após atingirem o conhecimento necessário, essas mulheres terão maior 
possibilidade de desenvolver a amamentação satisfatória (ROCHA et al., 
2018). Portanto, é imprescindível que o Aleitamento Materno (AM) seja 
reconhecido como prática que ocorre em um processo contínuo, iniciando 
no pré-natal e perpassando o puerpério. Assim, as informações devem ser 
164
apresentadas na gestação, de forma precisa e com potência para mudar a 
realidade da nutriz e do(a) filho(a) (FRANCO et al., 2019).
Todavia, quando não conseguem obter informações satisfatórias por 
intermédio do cuidado de um profissional da saúde, muitas mulheres recor-
rem às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), para sanar dúvidas 
(SKELTON et al., 2018). As TIC são ferramentas importantes na promoção 
da saúde, cuja utilização repercute em mudanças comportamentais. Por meio 
delas, é possível o acesso às redes sociais, como WhatsApp Messenger®, 
Instagram®, Facebook®, em que, por exemplo, são encontrados textos, fotos, 
imagens, vídeos, que podem funcionar como fonte de informações sobre o 
AM. Destaca-se que nem todas as mulheres conseguem selecionar conteúdos 
com respaldo científico nessas mídias, sendo necessário o acompanhamento 
de profissionais de saúde (THOMAS; FONTANA, 2020).
A pesquisa se justifica pela possibilidade de compreender como as nutri-
zes usam as TIC no suporte ao AM, uma vez que os resultados do estudo 
poderão ser agregados ao planejamento dos profissionais de enfermagem, 
para atenção às gestantes e nutrizes. Com isso, a elaboração de estratégias 
de apoio ao AM poderá considerar a utilização dos elementos positivos das 
TIC, bem como os impactos negativos ocasionados pela ausência de indicação 
sobre fontes com respaldo científico (REGAN; BROWN, 2019). Logo, esta 
pesquisa objetivou compreender as percepções de nutrizes sobre o uso de 
tecnologias de informação e comunicação no suporte ao aleitamento materno.
Método
Trata-se de estudo de abordagem qualitativa, de caráter descritivo e 
exploratório, realizado em Unidade de Atenção Primária à Saúde (UAPS) do 
município de Teresina, Piauí, Brasil, após autorização institucional e contato 
prévio com a coordenação da unidade. Nesse estabelecimento não estava 
ocorrendo atendimento a pacientes com coronavirus desease (covid-19).
As participantes da pesquisa foram mães de crianças menores de um ano 
de idade, que receberam atendimento no referido local. Para selecionar as 
participantes, adotaram-se os seguintes critérios de inclusão: mulheres acima 
de 18 anos que estivessem amamentando, residentes na área urbana do muni-
cípio onde foi realizado o estudo. Excluíram-se nutrizes que afirmaram não 
ter acesso à internet e/ou não fazer uso de aparelhos celulares/ smartphone; 
computadores e/ou notebooks.
A coleta de dados foi realizada de junho a julho de 2021, por meio de 
entrevista semiestruturada, audiogravada, com duração entre 30 e 40 minutos, 
enquanto as mães aguardavam por atendimento, abrangendo os seguintes 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 165
itens: características socioeconômicas, demográficas, culturais e obstétricas; 
e questão norteadora da pesquisa. As entrevistas ocorreram em sala cedida 
pela instituição, sendo ambiente confortável que possibilitou a privacidade 
e confidencialidade das participantes, e foram norteadas por meio de roteiro 
com a seguinte questão norteadora: “Como você utilizou as tecnologias de 
informação e comunicação (celular/smartphone, computador/notebook), bem 
como as redes sociais (Facebook®; Instagram®; WhatsApp®; Twitter®; Outros) 
durante o processo de aleitamento materno?”. Outras questões empáticas tam-
bém foram empregadas quando foi necessário esclarecer elementos presentes 
nos relatos das participantes, sempre atentando-se para não induzir as falas.
Os dados do estudo foram submetidos à Análise de Conteúdo de Bardin 
(2011), desenvolvida em três etapas:
1. pré-análise, realizada por meio da leitura flutuante do material;
2. exploração do material, a fim de determinar as categorias; e,
3. condensação das informações para interpretação reflexiva e crí-
tica (inferência).
A pré-análise, fase de organização, ocorreu em cinco etapas: leitura flu-
tuante; organização do material, de forma a responder aos critérios de exaus-
tividade, representatividade, homogeneidade e pertinência; formulação de 
hipóteses e objetivos ou de pressupostos iniciais flexíveis que permitiram o 
surgimento de hipóteses, a partir de procedimentos exploratórios; referencia-
ção dos índices e elaboração dos indicadores que foram adotados na análise; 
e preparação do material (BARDIN, 2011).
A fase de exploração do material, também chamada análise propriamente 
dita, incluiu a aplicação sistemática das decisões tomadas. Envolveu operações 
de codificação, decomposição ou enumeração, em função de regras previamente 
formuladas. Na última etapa, realizou-se a categorização dos dados, por meio do 
tratamento dos resultados obtidos e das interpretações, quando ocorreu a trans-
formação dos resultados brutos em significativos e válidos (BRADIN, 2011).
Com relação aos aspectos éticos e legais da pesquisa, a coleta dos dados 
ocorreu mediante aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Campus 
Amílcar Ferreira Sobral, da Universidade Federal do Piauí, conforme Pare-
cer nº 4.633.929, de modo a atender às exigências do Conselho Nacional 
de Saúde, ao observar atentamente os critérios para execução de pesquisas 
com seres humanos, nomeados pelas Resoluções nº 466/12 e nº 510/2016. O 
estudo foi realizado mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido (TCLE), em que foram explicados os objetivos, a metodologia e 
os critérios de inclusão anteriormente citados. Para garantir o anonimato, as 
166
participantes foram identificadas por código nos textos escritos, constituído 
pela letra N (Nutriz), seguida pelo número arábico corresponde à ordem de 
realização da entrevista (N1, N2, N3... N8).
Durante a etapa de campo, implementaram-se as normas do Ministério 
da Saúde de proteção e prevenção à covid-19, como utilização de máscara, 
durante o momento da entrevista, tanto pela participante como pela pesquisa-
dora; higienização das mãos com álcool em gel a 70%; assim como a manu-
tenção do distanciamento de dois metros.
Resultados e discussão
Participaram da pesquisa oito mães de crianças menores de um ano de 
idade, na faixa etária de 18 a 35 anos, que estavam amamentando e, em algum 
momento, utilizaram as TIC para obter informações sobre amamentação. As 
participantes eram procedentesdo município de Teresina, Piauí, Brasil, se 
autodeclararam pardas ou pretas e referiram escolaridade de nível fundamental 
ou médio. Quanto ao estado civil, seis eram casadas. Todas afirmaram não 
realizar atividade remunerada e possuir renda familiar de até um salário-mí-
nimo. A maior parte referiu ser católica e ter dois filhos.
No que diz respeito aos aspectos relacionados ao processo de amamen-
tação, observou-se que a maioria das mães amamentaram anteriormente pelo 
menos dois filhos, durante seis meses a um ano. A maior parte afirmou que 
realizou consulta de pré-natal, que os filhos tinham idade inferior a seis meses, 
e que pretendia amamentá-lo por período superior a um ano de idade. Além 
disso, as participantes referiram que tiveram dificuldades na amamentação 
atual. Quanto ao uso das TIC relacionado ao processo de amamentação, a 
maioria afirmou que utilizava o celular/smartphone e buscava informações 
sobre AM no Google® e Instagram®. Por fim, parte significativa das entre-
vistadas afirmou que recebeu orientação acerca do AM durante a gestação, e 
que os profissionais responsáveis por abordar essa temática, na maioria dos 
casos, foram médico e enfermeiro.
A partir da análise dos dados, emergiram três categorias:
1. Tecnologias de Informação e Comunicação como meio para melho-
rar problemas/dificuldades da amamentação;
2. Percepções das Tecnologias de Informação e Comunicação como 
método confiável/não confiável para apoio/suporte no processo 
de amamentação;
3. Influências para obtenção de informações sobre o processo de amamen-
tação por meio do uso de Tecnologias de Informação e Comunicação.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 167
Desta forma, consolidou-se um sistema de categorias resultante da clas-
sificação analógica e progressiva dos elementos, cujos títulos apresentados 
foram definidos apenas no final da operação, conforme orientado por Bar-
din (2011).
Tecnologias de Informação e Comunicação como meio para 
melhorar problemas/dificuldades da amamentação
Nesta categoria, as mães demonstraram como percebiam as TIC no coti-
diano, em relação à amamentação. As participantes apontaram o uso em decor-
rência do surgimento das dificuldades ou complicações durante esse processo.
[...] eu tive muita dificuldade de amamentar, meu peito feriu bastante, e, 
aí, eu fui pegando explicação no Instagram® até conseguir dar de mamar, 
conseguir sarar o peito (N1).
[...] eu tive bastante dificuldade. Mas eles explicaram no YouTube® como 
é que era a orientação, massagear, fazer coisa no peito para poder sair 
o leite melhor, porque eu tinha dificuldade para sair leite, achei que tinha 
pouco leite (N2).
[...] quando feriu, eu não sabia muito o que fazer, eu descobri vendo no 
celular que com o próprio leite materno a gente consegue sarar aquele 
ferimento, só tirar o leite, colocar em cima, que rapidinho, uma semana, 
já está com os ferimentos tudo cicatrizados (N6).
Quando eu estava com dificuldade de amamentar, eu pesquisava no You-
Tube®. [...] pesquisava o meu problema, minha situação [...]. Eu estava 
com dificuldade, meu leite empedrou e eu não tinha muitas informações 
de ninguém, então, o YouTube® me ajudou muito que pesquisei lá como 
que ia fazer para desempedrar tudo, e quando eu pesquisei, deu certo, e 
questão também do peito que rachou (N8).
Para as nutrizes do estudo, as TIC estavam inseridas no dia a dia e eram 
vistas como instrumentos capazes de auxiliá-las no processo de AM. Resul-
tados semelhantes foram encontrados no estudo desenvolvido na Nigéria, 
com objetivo de conhecer a percepção das mulheres sobre o impacto das 
tecnologias de informação e comunicação no acesso à informação sobre 
saúde materno-infantil, o qual revelou que as mulheres percebem que essas 
tecnologias têm impacto positivo no acesso às informações de saúde mater-
no-infantil, e que também teve como principais recursos tecnológicos usados 
pelas entrevistadas no acesso às informações os telefones celulares (UKA-
CHI; ANASI, 2019).
168
Desvelou-se que, embora essas mulheres empreguem essas tecnologias 
na perspectiva de obter sucesso na amamentação, existem limitações relativas 
ao momento do uso, e à segurança e confiabilidade das informações acessadas.
No que diz respeito à primeira limitação, identificou-se que as nutrizes 
mencionaram utilização das TIC diante de problemas da amamentação ins-
talados. Ao relatarem as dificuldades encontradas no decorrer da amamenta-
ção, as participantes referiram as TIC como meio facilitador para auxiliar na 
resolução. Diante do fácil acesso às tecnologias e ao quantitativo significativo 
de informações disponibilizadas, as nutrizes conseguem esclarecer dúvidas, 
adquirir novos aprendizados, bem como orientações para uma amamentação 
tranquila. Ademais, observou-se busca pelo acompanhamento de páginas 
gerenciadas por profissionais de saúde que são também influenciadores digi-
tais, com a finalidade de conhecer novas experiências, dirimir dúvidas, cor-
rigir/manejar complicações do processo de amamentação e tornar-se capaz 
de aleitar o(a) filho(a).
A literatura aponta a eficácia de estratégias de apoio/suporte ao processo 
de amamentação que se mostram viáveis de implementação por meio das 
TIC, ampliando o acesso a informações e cuidados em período decisivo da 
díade mãe-bebê (ALIANMOGHADDAM; PHIBBS; BENN, 2019; TANG 
et al., 2019; ALMOHANNA; WIN; MEEDYA, 2020; SANTOS; BORGES; 
AZAMBUJA, 2020). No entanto, desvela-se que essa busca por informações 
nas TIC, na maioria das situações, ocorreu durante a vivência da complicação 
associada ao processo de amamentação, com objetivo principal de manejá-las, 
destacando-se fissuras mamilares e ingurgitamento mamário.
Enfatiza-se que esses problemas poderiam ter sido reduzidos ou, até 
mesmo, evitados com orientação e suporte adequado apresentados preco-
cemente, de preferência por meio de apoio clínico e abrangente perinatal, 
começando no período pré-natal e continuando durante os períodos intra-
parto, pós-parto e de acompanhamento (MEEK et al., 2017; YEH; YANG; 
LEE, 2020). Nesse contexto de possíveis limitações, destacam-se as mídias 
sociais on-line que se mostram viáveis e aceitáveis por mulheres perinatais 
(MARTÍNEZ-BORBA; SUSO-RIBERA OSMA, 2019), devido à capacidade 
de obter informações de forma instantânea e fácil (HUGHSON et al., 2018).
Desse modo, é possível afirmar que as TIC influenciam a manutenção 
do AM, por meio dos conhecimentos que são adquiridos pelas nutrizes ao 
fazer uso de sites, blogs e aplicativos, bem como das relações com outros 
profissionais de saúde que não prestam assistência direta à mulher. Com isso, 
as tecnologias emergem como ferramentas promotoras do AM, possibili-
tando mudança de comportamento na realidade materno-infantil (SILVA et al., 
2019), mas, ainda, com emprego limitado à correção de problemas.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 169
Percepções das Tecnologias de Informação e Comunicação como 
método confiável/não confiável para apoio/suporte no processo 
de amamentação
Nesta categoria, observou-se que muitas mães confiavam nas informa-
ções disponibilizadas pelas TIC, pois, na maioria das vezes, acreditavam ter 
encontrado soluções para os problemas que surgiram.
[a TIC] me ajudou bastante, me ensinou e eu pratiquei, entendeu? Então, 
para mim, sim [...]. Peguei informação de como amamentar [...] a posição 
correta de dá amamentação, quanto tempo duraria para ele arrotar, se 
ele não arrotasse, o que poderia acontecer [...] (N4).
Sim, por conta que eu vejo que muitas informações que tem lá e os médicos 
também quando eu venho eles repetem as mesmas coisas que eu já vi na 
internet [...] Estava pesquisando como amamentar para não ter nenhuma 
fissura no meu peito e lá aparecia muitos posts, falando como era o alei-
tamento materno, sobre a pega e muitas outras coisas que lá falava nos 
posts do Instagram® [...] Muitas coisas que eu via lá, ouvia aqui no pos-tinho também, no post que cola na parede os papéis de informação (N7).
Apesar de algumas participantes terem referido o uso das TIC como método 
confiável para apoio/suporte no processo de amamentação, outras refletiram 
que consideravam, em algumas situações, essas tecnologias duvidosas para 
esclarecimento acerca do processo de amamentação, em especial devido ao 
quantitativo significativo de informações falsas (Fake News). Ademais, surge 
a insegurança ao fazer uso das TIC com informações que, muitas vezes, podem 
não trazer benefícios, ou até mesmo aumentar o problema que a mulher vivencia.
Porque às vezes [a informação na internet] acaba sendo Fake News [...] 
eu fico em dúvida (N1).
[...] dar chá, essas coisas, leite industrial, sem ser leite do peito, eu acho 
que foi isso [que vi na internet] (N2).
Não confiava muito não, porque um dizia uma coisa, outro dizia outra 
[...]não faça isso, faça aquilo, um dizia que não é para amamentar [...]. 
Muitas das vezes têm aquele tal de Fake [News], uns fala que têm menti-
ras, têm mitos, aí, a gente fica naquela dúvida de acreditar ou não [...]. A 
gente nunca deve acreditar tanto na internet, porque ali vai fazer ao pé 
da letra, aí, uma hora dá errado (N3).
[...] às vezes, a gente pesquisa [na internet] umas coisas que são mentiras, 
mas outras são verdade, porque você pesquisa uma coisa, você vai ver 
170
a médica fala outra [...]. Pede muito para colocar pomadazinha e não 
é muito recomendado colocar pomada para poder sarar as lesões que 
deixa na mama (N6).
Saber onde buscar as informações pode ser um diferencial, em decorrên-
cia do risco de acesso a propagandas enganosas e falsas promessas feitas por 
profissionais mal-intencionados que não buscam colaborar, mas prejudicar 
ou ainda se beneficiar financeiramente. As informações falsas, negativas ou 
excessivas podem dificultar o processo de amamentação, desencorajar a nutriz a 
amamentar e antecipar a oferta de suplementos alimentares (LIMA et al., 2020).
Por esse motivo, observou-se preocupação das participantes ao utiliza-
rem as TIC, visto que em muitas situações não tinham total esclarecimento, 
permeando, assim, as dúvidas. Compreende-se que algumas dessas mulheres 
são capazes de identificar quando uma informação auxilia ou obstaculiza a 
amamentação, o que se configura fator positivo. Apesar disso, é preciso refletir 
que poderão existir casos em que essa identificação pode não ocorrer e trazer 
prejuízos ao binômio mãe-filho. Portanto, é indispensável que os profissio-
nais de saúde busquem combater a desinformação tão vigorosamente quanto 
propagam a informação (PERSHAD et al., 2018).
Reflete-se que apenas o acesso às informações, muitas vezes, não é sufi-
ciente para que a nutriz mantenha o AM, é preciso que os subsídios sejam de 
qualidade e promovam conhecimento fidedigno sobre o ato de amamentar. 
É necessário, ainda, conhecer a fonte do conteúdo exposto e se, de fato, ele 
está vinculado a um profissional capacitado que utiliza pesquisas qualificadas, 
identificando que o conteúdo foi solidificado e comprovado cientificamente 
(DINIZ et al., 2019).
Influências para obtenção de informações sobre o processo de 
amamentação por meio do uso de Tecnologias de Informação 
e Comunicação
Nesta categoria, percebeu-se que o ambiente social, em que a nutriz se 
encontra inserida, também, é fator influenciador para a busca das TIC como 
meio de acesso à informação sobre a amamentação. Familiares que presen-
ciaram situações na amamentação podem conduzir a mulher a ter comporta-
mento semelhante ao de outras mães que apresentaram alguma dificuldade 
em amamentar. As indicações de redes sociais ou perfis de influenciadores 
que discorrem sobre amamentação permitem à nutriz o acesso a informações 
de forma rápida, com conhecimento prévio sobre aquilo que ela deseja obter.
É uma amiga minha me indicou, ela estava acompanhando no Instagram® 
uma pediatra e ela falava sobre amamentação (N1).
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 171
Sim, a enfermeira ela pediu para eu pesquisar na internet, aí, eu pesqui-
sava para ficar mais fácil, que eu já tinha esquecido. Aí, ela me disse que 
era bom pesquisar (N2).
Eu tinha muitas recomendações dessa profissional que tinha uma página 
no Instagram®, aí, eu comecei a seguir também (N7).
Quando buscam as TIC para adquirir informações, muitas mulheres pro-
curam ter referências de pessoas próximas, para se certificar que irá obter êxito 
naquilo que procura. Essas mães desejam encontrar ajuda de alguma forma 
para conseguir enfrentar o momento desafiador do processo de amamentação. 
Compreende-se que há alto nível de aceitação das ferramentas de TIC para 
promoção do aleitamento materno, as quais podem contribuir para aumentar 
a autoeficácia da amamentação. Com isso, as nutrizes almejam obter infor-
mações que sejam confiáveis ao utilizar as tecnologias disponíveis.
A significativa aceitação das TIC como ferramentas facilitadoras no pro-
cesso ensino-aprendizagem, na educação em saúde acerca da temática aleita-
mento materno, indica a potencialidade de contribuir para autonomia de nutrizes 
no contexto de adesão e manutenção dessa prática (SCORUPSK et al., 2020).
Entende-se, a partir das falas, que muitas mães buscavam referência 
de amigos ou familiares para acessar algum site ou aplicativo, atestando 
a validação do conhecimento a ser obtido. Essa confiança é conquistada 
a partir dos relatos de casos que obtiveram êxito, evidenciando o benefí-
cio alcançado. Considerando que a nutriz dispõe de algum conhecimento a 
respeito da amamentação, a ajuda que busca é, muitas vezes, para facilitar 
o processo, aumentando a capacidade e diminuindo algumas crenças limi-
tantes que traz consigo. Portanto, acessar as tecnologias, seja por intuição 
ou indicação, deve ocorrer de forma ponderada, procurando sempre fontes 
autênticas (FRANCO et al., 2018).
Por conseguinte, emerge a necessidade de que enfermeiros e demais 
profissionais de saúde sejam capacitados para acompanhar o desenvolvimento 
tecnológico e socializar informações científicas e atualizadas através das TIC 
(THOMAS; FONTANA, 2020), por compreender que a promoção do sucesso 
do AM requer intervenções multiestratégicas para superar as diferenças indi-
viduais (YEH et al., 2020), com essas tecnologias apresentando nesse âmbito, 
indubitavelmente, não apenas resultados positivos, como também subsídios 
para novas iniciativas (SANTOS; BORGES; AZAMBUJA, 2020).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Observou-se, a partir desta pesquisa, que as Tecnologias de Informação 
e Comunicação constituem ferramentas capazes de transformar o percurso da 
172
amamentação, visto que auxiliam e orientam as nutrizes, de modo a ampliar 
o conhecimento delas. Assim, essas tecnologias emergem como alternativa 
de apoio e suporte ao aleitamento materno, pois tem o poder de influenciar 
a mãe, aumentando a confiança ao amamentar, esclarecendo dúvidas, apro-
ximando-a de profissionais de saúde que, geograficamente, estão distantes.
Desvelou-se, ainda, que o uso dessas tecnologias, ainda, é limitado, 
uma vez que é, em muitos casos, iniciado a partir do surgimento de com-
plicações relacionadas ao processo de amamentação, e devido à carência de 
consenso quanto à segurança e confiabilidade das informações acessadas nas 
mídias digitais.
Assim, para o uso efetivo de tecnologias digitais, como smartphones e 
mídias sociais, é urgente que medidas sejam tomadas pelas autoridades, no 
sentido de garantir que esses recursos sejam adequados à finalidade, com 
segurança de que as informações que estão sendo divulgadas e impactam 
inúmeras vidas sejam baseadas em evidências científicas atualizadas. Soma-se 
a isso a necessidade de maior envolvimento dos profissionais de saúde no 
desenvolvimento e supervisão dos recursos de suporte à amamentação que 
são disseminados em diferentes ambientes digitais, uma vez que o acesso a 
conteúdo não confiável e imprecisoé potencialmente grave, em especial para 
grupos de alto risco, como adolescentes e primíparas.
O emprego de apenas uma técnica de produção de dados pode configurar-
-se em possível limitação deste estudo, já que estratégias coletivas, como no 
caso do grupo focal, poderiam fomentar reflexões que a entrevista individual 
não despertou. No entanto, a utilização de entrevistas face a face, de modo 
aprofundado, e os recursos de análise seguidos possibilitaram o alcance do 
objetivo, bem como a compreensão sobre o fenômeno explorado.
No que concerne às possibilidades para a prática clínica e científica, a 
partir deste estudo, estabeleceram-se:
1. As tecnologias de informação e comunicação e mídias sociais como 
ferramentas e ambientes de educação em saúde, respectivamente, 
são identificadas pelas nutrizes como facilitadoras do processo de 
amamentação e manejo de complicações associadas;
2. Para consolidar a aplicabilidade efetiva das tecnologias de informa-
ção e comunicação e mídias sociais pelas nutrizes, essas ferramentas 
precisam incluir informações fidedignas endossadas pelos serviços 
e profissionais de saúde de referência;
3. Estudos que explorem a eficácia e legibilidade de diferentes interfa-
ces, como uso de figuras, mensagens de áudio e/ou de texto, vídeos, 
entre outros, precisam ser desenvolvidos para abranger lacunas de 
conhecimento nesta área e ampliar a usabilidade dos recursos.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 173
REFERÊNCIAS
ALIANMOGHADDAM, N.; PHIBBS, S.; BENN, C. “I did a lot of Goo-
gling”: A qualitative study of exclusive breastfeeding support through social 
media. Women Birth, New York, v. 32, n. 2, p. 147-156, 2019.
ALMOHANNA, A. A.; WIN, K. T.; MEEDYA, S. Effectiveness of inter-
net-based electronic technology interventions on breastfeeding outcomes: 
systematic review. J. Med. Int. Res., Canadá, v. 22, n. 5, p. e17361, 2020.
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Depar-
tamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras 
menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
BRASIL. Resolução nº 580, de 22 de março de 2018. Resolve regulamentar 
o disposto no item XII I. 4 da Resolução CNS nº 466, de 12 de dezembro 
de 2012, que estabelece normativas relativas às especificidades éticas das 
pesquisas de interesse estratégico para o Sistema Único de Saúde (SUS), a 
serem contempladas em resolução específica, e dá outras providências. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, n. 135, 16 jul. 2018, Seção 1, p. 55.
CASILANG, C. G. et al. Perceptions and Attitudes Toward Mobile Health in 
Development of an Exclusive Breastfeeding Tool: Focus Group Study With 
Caregivers and Health Promoters in the Dominican Republic. JMIR Pediatr. 
Parent., Canadá, v. 3, n. 2, e20312, 2020.
DINIZ, C. M. M. et al. Contribuições dos aplicativos móveis para prática 
do aleitamento materno: revisão integrativa. Acta Paul Enferm., São Paulo, 
v. 32 n. 5, p. 571-577, 2019.
FRANCO, M. S. et al. Tecnologia educacional para empoderamento materno 
na autoeficácia em amamentar. Rev. Enferm. UFPE on-line, Recife, v. 13, 
e240857, 2019.
HUGHSON, J. P. et al. The rise of pregnancy apps and the implications for 
culturally and linguistically diverse women: narrative review. JMIR mHealth 
uHealth, Canadá, v. 6, n. 11, e9119, 2018.
174
LIMA, A. C. M. A. C. C. et al. Consultoria em amamentação durante a pan-
demia covid-19: relato de experiência. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 24, 
n. esp., e20200350, 2020.
MARTÍNEZ-BORBA, V.; SUSO-RIBERA, C.; OSMA, J. Usability, accep-
tability, and feasibility of two technology-based devices for mental health 
screening in perinatal care: A comparison of web versus app. International 
Symposium on Pervasive Computing Paradigms for Mental Health. Springer, 
Cham, p. 176-189, 2019.
MEEK, J. Y. et al. The breastfeeding-friendly pediatric office practice. Pedia-
trics, Estados Unidos, v. 139, n. 5, e20170647, 2017.
NASCIMENTO, A. M. R. et al. Atuação do enfermeiro da estratégia saúde 
da família no incentivo ao aleitamento materno durante o período pré-na-
tal. Revista Eletrônica Acervo Saúde, São Paulo, n. 21, p. e667-e667, 2019.
PERSHAD, Y. et al. Social medicine: Twitter in healthcare. J. Clin. Med., 
Switzerland, v. 7, n. 6, p. 121, 2018.
ROCHA, F. N. P. S. et al. Caracterização do conhecimento das puérperas 
acerca do aleitamento materno. Rev. enferm. UFPE on-line, Recife, v. 12, 
n. 9, p. 2386-2392, 2018.
SANTANA, S. C. G.; MENDONÇA, A. C. R.; CHAVES, J. N. O. Orientação 
profissional quanto ao aleitamento materno: o olhar das puérperas em uma 
maternidade de alto risco no estado de Sergipe. Enferm. Foco, Sergipe, v. 10, 
n. 1, p. 134-139, 2019.
SANTOS, L. F.; BORGES, R. F.; AZAMBUJA, D. A. Telehealth and breast-
feeding: an integrative review. Telemed J E Health, Estados Unidos, v. 26, 
n. 7, p. 837-846, 2020.
SCORUPSKI, R. M. et al. Vídeos educativos sobre aleitamento materno: 
educação em saúde online. Rev. Extensão em Foco, Palotina, n. 21, p. 127-
143, 2020.
SILVA, D. D. et al. Promoção do aleitamento materno no pré-natal: discurso 
das gestantes e dos profissionais de saúde. REME – Rev. Min. Enferm., 
Belo Horizonte, n. 22, e-1103, 2018.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 175
SILVA, N. V. N. et al. Tecnologias em saúde e suas contribuições para a 
promoção do aleitamento materno: revisão integrativa da literatura. Ciênc. 
Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 24, p. 589-602, 2019.
SILVA, R. S. et al. Conhecimentos e orientações recebidas no pré-natal, parto 
e puerpério acerca do aleitamento materno e as dificuldades apresentadas 
durante a prática da amamentação. Jornal de Ciências Biomédicas e Saúde, 
São Paulo, v. 2, n. 3, p. 3, 2017.
SKELTON, K. R. et al. Exploring social media group use among breastfee-
ding mothers: qualitative analysis. JMIR Pediatr. Parent., Canadá, v. 1, 
n. 2, e11344, 2018.
TANG, K. et al. Information and communication systems to tackle barriers 
to breastfeeding: systematic search and review. J. Med. Int. Res., Canadá, 
v. 21, n. 9, e13947, 2019.
THOMAS, L. S.; FONTANA, R. T. Uso de tecnologias de informação e 
comunicação como meio educacional na saúde: revisão integrativa. Res. Soc. 
Dev., São Paulo, v. 9, n. 10, p. 1-18, 2020.
TORQUATO, R. C. et al. Perfil de nutrizes e lactentes atendidos na Unidade 
de Atenção Primária em Saúde. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 22 n. 1, 
p. 1-6, 2018.
UKACHI, N. B.; ANASI, S. N. Information and communication technolo-
gies and access to maternal and child health information: Implications for 
sustainable development. Inform. Dev., [S.l.], v. 35, n. 4, p. 524-534, 2019.
YEH, C.-H.; NG YANG, Y.-P.; LEE, B.-O. The effects of a hospital-based 
perinatal breastfeeding program on exclusive breastfeeding in Taiwan: a quasi-
-experimental study. Aust. J. Adv. Nurs., Australia, v. 37, n. 3, p. 20-28, 2020.
Apoio financeiro 
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), 
Brasil, processo nº 420768/2018-1, concedido a professora Maria Augusta 
Rocha Bezerra.
ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS 
DE SAÚDE PARA PROMOÇÃO 
DE HÁBITOS ALIMENTARES 
SAUDÁVEIS DO ESCOLAR
Katharine Bezerra Dantas
Lourival Gomes dos Santos Júnior
Államy Danilo Moura e Silva
Debora Marques da Silva
Ana Christina de Sousa Baldoino
Andréia Rodrigues Moura da Costa Valle
Doi: 10.24824/978652513115.3.177-190 
A ingestão de nutrientes a partir de uma alimentação adequada é de 
grande importância para a manutenção de um bom estado de saúde, 
garantindo ao corpo a oferta de nutrientes necessários para o bom fun-
cionamento do mesmo. Atualmente pode ser visto que os padrões alimentares 
estão sendo modificados rapidamente, principalmente em países economica-
mente emergentes, como o Brasil, onde se evidencia uma mudança relacionada 
à substituição do consumo de alimentos in natura ou poucoAlguns fatores fisiológicos podem ter relação com desenvolvimento 
neuropsicomotor das crianças prematuras. No bebê prematuro, a mielinização 
e as conexões neuronais estão em formação e isso faz com que dificulte os 
estímulos e reflexos primitivos, portanto uma intervenção precoce pode evitar 
ou minimizar prejuízos no desenvolvimento do bebê. Mudanças positivas 
foram notadas como a intervenção tanto no campo sensorial tátil e perceptiva 
(ISRAEL et al., 2020).
22
Além disso, outro estudo refere que a cesárea eletiva e a idade gestacional 
ao nascer são fatores de risco que podem impactar diretamente no desenvol-
vimento infantil. 12% das crianças pré-termos, nascidos via cesárea eletiva 
obteve prejuízo no processamento sensorial, que é um mecanismo neurofi-
siológico que garante a interpretação, organização e filtragem de estímulos 
recebidos do ambiente, sendo uma habilidade do sistema nervoso central que 
permite a criança ter uma percepção do entorno (CAVAGGIONI; MARTINS; 
BENINCASA, 2020).
Aspectos hospitalares
No contexto hospitalar, a posição canguru permite o contato pele a pele, 
mas além disso proporciona vários estímulos sensoriais e contribui também 
para o ajuste tônico-postural trazendo um impacto para o seu desenvolvimento 
motor, mesmo que este seja um curto período, fazendo, relação a estudo que 
relata a importância do vínculo afetivo do método mãe canguru no recém-
-nascido prematuro, onde promove desenvolvimento físico e físico afetivo 
(DINIZ et al., 2020; CANTANHEDE et al., 2020).
As pesquisas falam da importância do método canguru no contexto hos-
pitalar, método esse que é bem trabalhado através das políticas de saúde 
pública que envolvem os recém-nascidos prematuros, seja ele na Unidade de 
Terapia Intensiva Neonatal – UTIN quando o quadro clínico do recém-nascido 
favorece a prática, quanto na enfermaria antes da alta para casa (DINIZ et al., 
2020; CANTANHEDE et al., 2020).
Recém-nascidos prematuros ao realizarem a posição canguru tem uma 
elevação das concentrações de ocitocina, que influencia diretamente na plas-
ticidade sináptica trazendo um favorecimento ao crescimento do cérebro. 
Portanto a intervenção precoce pode trazer benefícios cognitivos e motores 
durante a infância da criança, minimizando os riscos de atrasos no desenvol-
vimento, isso é tão importante quanto como em todo o seu acompanhamento 
multiprofissional após a alta (FREITAS et al., 2020).
Conclusão
Em grande parte dos estudos observou-se vários fatores que podem ser 
benéficos e maléficos ao desenvolvimento neuropsicomotor dos recém-nasci-
dos prematuros, sejam eles maternos, fisiológicos, hospitalares e ambientais. 
Acerca dos fatores que contribuem para um bom desenvolvimento o que mais 
se destacou foram os fatores familiares no qual o vínculo e contato pele a pele 
são extremamente importantes e insubstituíveis no cuidado do bebê.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 23
Dentro dessa perspectiva materna temos como fator negativo os senti-
mentos como medo, insegurança, afazeres domésticos, criação dos demais 
filhos e falta de rede de apoio. Devido a esse destaque na maior parte dos 
estudos, os fatores familiares em suas diversas vertentes, são dos principais 
responsáveis pelo desenvolvimento neuropsicomotor saudável da criança 
nascida prematura desde o momento da sua hospitalização até a sua ida para 
casa, dando continuidade no cuidado dessa criança durante todas as suas fases 
da vida, com estímulos de acordo com sua idade, com uma boa estrutura fami-
liar e acompanhamento profissional regular a esta criança em todas as fases.
Existem estudos recentes nessa temática, que demonstram a importância 
da parentalidade, estímulos, boa estrutura familiar e com o desenvolvimento 
infantil mais bem explorado, onde há cada vez mais novos temas na área de 
a serem mais exploradas, portanto ficam abertas novas perspectivas a serem 
exploradas. Entretanto estudos nessa temática são cada vez mais comuns, dado 
o aumento da sua importância no âmbito científico e prático a fim de fortalecer 
as estratégias na criação parental e um desenvolvimento infantil saudável.
Crianças pré-termos com uma estrutura familiar adequada, que são bem 
acompanhadas por uma equipe multiprofissional do seu nascimento até sua 
alta para casa, na atenção básica e nas diversas fases da sua infância possuem 
grande probabilidade de sucesso no seu desenvolvimento neuropsicomotor, 
portanto quanto mais estudos associando a prematuridade ao desenvolvi-
mento infantil, mais intervenções serão realizadas para se evitar o retrocesso 
no desenvolvimento.
Considerações para a prática clínica e científica
1. A vida após nascimento prematuro já inicia cheia de estímulos e 
muitos deles podendo ser maléficos ao desenvolvimento neurop-
sicomotor do bebê. Um dos primeiros locais que o recém-nascido 
prematuro é estimulado é ainda na sala de parto onde diversos pro-
cedimentos são realizados para a manutenção da sua vida.
2. A UTI neonatal é o local no qual os profissionais deverão estar 
preparados para receber esse bebê pré-termo e trazer o máximo de 
benefícios para o seu desenvolvimento pois o ambiente está direta-
mente ligado com a melhora do seu quadro clínico, sendo livre de 
ruídos indesejados, temperatura adequada e evitar procedimentos 
desnecessários, pois todo e qualquer manuseio inadequado pode 
trazer malefícios ao seu desenvolvimento.
3. Após a alta da UTI, as famílias ficam mais diretamente ligadas 
no cuidado do seu bebê prematuro, onde são acompanhadas pelos 
24
profissionais assistenciais, onde se sentem mais seguras para prestar 
o cuidado necessário a suas crianças. Ao chegar ao domicílio muitos 
pais se sentem impotentes no cuidado do seu filho pois a realidade 
é bem diferente do ambiente hospitalar. Muitas vezes no momento 
da alta devido ansiedade do retorno ao lar e ao mesmo tempo a 
insegurança de cuidar de um ser tão frágil e pequeno, espectadores 
não consegue absorver todas as informações que lhe são repassadas.
4. A atuação profissional no desenvolvimento neuropsicomotor do 
recém-nascido pré-termo percorre todos os níveis de atenção à 
saúde; desde o seu nascimento, atendimento hospitalar, ambulato-
rial e na atenção básica a saúde. Com isso, faz-se necessário que 
os profissionais se apoderem desta temática para poder prestar uma 
assistência de qualidade em qualquer nível de atenção à saúde que o 
mesmo atue. Ademais, o profissional deve compreender o contexto 
e os possíveis fatores biopsicossociais que podem interferir posi-
tivamente ou negativamente no desenvolvimento infantil saudável 
para poder traçar estratégias mais assertivas. Paralelo a isso, torna-se 
relevante mais produções científicas.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 25
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, N et al. Análise do desenvolvimento neuropsicomotor de pré-ter-
mos em ambulatório multidisciplinar: um olhar da fisioterapia. Rev. Pesqui. 
Fisioter, [S.l.], v. 11, n. 1, p. 106-15, 2021.
BARBOSA, E. et al. Avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor por meio 
de escala motora infantil aberta e a sua importância na intervenção precoce: uma 
revisão de literatura. Revista Pesquisa e Ação, [S.l.], v. 3, n. 2, p. 36-45, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvi-
mento. Cadernos de Atenção Básica, Brasília, n. 33, 2012.
CANTANHEDE, E. S. et al. Experiências das mães no cuidado ao recém-
-nascido prematuro no método canguru. Cogitare Enferm, [S.l.], v. 25, 2020.
CAVAGGIONI, A. P. M.; MARTINS, M. C. F.; BENINCASA, M. B. Influence 
of type of birth on child development: a comparison by Bayley- III Scale. J. 
Hum. Growth Dev., [S.l.], v. 30, n. 2, p. 301-10, 2020.
DINIZ, K. T. et al. Short-time effect of the kangaroo position onelectromyo-
graphic activity of premature infants: a randomized clinical trial. Jornal de 
Pediatria, Rio de Janeiro, v. 96, p. 741-7, 2020.
ERCOLE, F. F.; MELO, L. S.; ALCOFORADO, C. L.processados, por 
alimentações baseadas em produtos industrializados (BRASIL, 2020).
Frente a essa realidade, é importante que os cuidados relacionados com 
uma alimentação adequada iniciem desde a infância, visto que é nessa época 
da vida em que ocorrem mudanças que interferem na formação dos hábitos 
alimentares, iniciando-se comportamentos relacionados com a alimentação 
e possíveis erros alimentares (BRASIL, 2020). A adoção de bons hábitos 
alimentares desde a infância pode minimizar a associação genética com o 
ganho de peso, podendo levar à diminuição dos casos de obesidade, sendo 
essa realidade muito vista atualmente (WANG et al., 2018).
O estímulo à adoção de hábitos saudáveis pelas crianças deve ser esti-
mulado em diversos âmbitos, sendo o ambiente escolar oportuno para a dis-
cussão dessa temática. Reconhecendo essa necessidade, o Programa Saúde na 
Escola (PSE) aborda como estratégia para a promoção da saúde e prevenção 
de doenças do escolar a discussão em creches e escolas acerca da temática 
promoção da segurança alimentar e da alimentação saudável (BRASIL, 2015).
Nesse contexto, é importante que aconteçam ações intersetoriais, em 
que os setores da educação e da saúde possam realizar estratégias em con-
junto. Para isso, é importante que o profissional da saúde esteja capacitado 
178
para realizar ações que possibilitem a discussão acerca da adoção de hábitos 
alimentares saudáveis (BOFF; BERNARD; CARVALHO, 2021).
Nesse ínterim, reforça-se a importância da atuação dos profissionais da 
área da saúde para promoção de hábitos alimentares saudáveis do escolar, 
contribuindo para a adoção de um estilo de vida saudável e de manutenção 
de um bom estado de saúde (FERREIRA, 2018).
As atividades educativas promotoras de saúde na escola, em particular 
a promoção da alimentação saudável, representam possibilidade concreta de 
produção de impacto sobre a saúde, a autoestima, os comportamentos e o 
desenvolvimento de habilidades para a vida de todos os membros da comu-
nidade escolar (VASCONCELOS et al., 2018).
Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar as evidências dis-
poníveis na literatura em relação à atuação dos profissionais da saúde na 
promoção da adoção de hábitos alimentares saudáveis do escolar.
Metodologia
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa, sendo um método 
de estudo muito utilizado entre os trabalhos desenvolvidos na área da saúde e 
que possibilita realizar a síntese de diversos estudos relevantes que discutem 
uma determinada temática (POLIT; BECK, 2019). Esse tipo de estudo per-
mite a análise de pesquisas que dão embasamento para a tomada de decisão 
e para que a prática clínica possa ser melhorada (MENDES; SILVEIRA; 
GALVÃO, 2019).
O desenho do estudo fundamentou-se em seis etapas distintas: elaboração 
da questão de pesquisa; busca por pares e seleção da amostra; definição das 
informações a serem extraídas dos artigos selecionados; análise das informa-
ções; interpretação dos resultados e apresentação da síntese do conhecimento 
(MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2019).
Seguindo as etapas propostas e baseados na estratégia PICO (WHITTE-
MORE et al., 2014) determinando como população do estudo (P) os “esco-
lares”; Intervenção (I) as “estratégias de promoção para adoção de hábitos 
alimentares saudáveis” e contexto (Co) “a melhoria do conhecimento dos 
escolares e adoção de hábitos alimentares saudáveis”, elaborou-se a seguinte 
pergunta norteadora para início da pesquisa: Qual a produção científica sobre 
a atuação do profissional da saúde na promoção da adoção de hábitos alimen-
tares saudáveis do escolar?
Para que se pudesse encontrar as pesquisas que se adequassem ao tema 
proposto foram consultadas as terminologias de saúde no Medical Sub-
ject Headings – MeSH e no Descritores em Ciências da Saúde – DeCS, 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 179
identificando-se os seguintes descritores nas línguas portuguesa e inglesa, 
respectivamente: ‘nutrição da criança’, ‘child nutrition’, tecnologia educa-
cional’, ‘educational technology’, ‘dieta saudável’, ‘healthy diet’, ‘educação 
em saúde’, ‘health education’. Os descritores foram associados a cada dois 
ou três utilizando-se o operador booleano ‘and’.
Para a seleção dos estudos foram utilizadas três bases dados, sendo elas: 
PUBMED (National Library of Medicine), COCHRANE library e Web of 
Science. Na base de dados PubMed utilizou-se os seguintes descritores contro-
lados: child nutrition’, ‘educational technology’, ‘healthy diet’. Os descritores 
controlados empregados na base de dados COCHRANE foram: ‘child nutri-
tion’. ‘health education’. Na Web of Science adotou-se os seguintes descritores 
controlados: child nutrition’, ‘educational technology’. Os descritores foram 
associados utilizando-se o operador booleano ‘and’.
Desse modo, para a busca dos estudos foi utilizado o formulário de 
busca avançada, cujos descritores, bem como suas combinações e sequência 
de cruzamentos, estão descritos no Quadro 1.
Quadro 1 – Cruzamento de descritores controlados e não controlados nas bases 
de dados para seleção dos artigos incluídos na revisão. Teresina-PI (2022)
PUBMED
‘child nutrition’ AND ‘educational technology’ AND ‘healthy diet’
WEB OF SCIENCE
‘child nutrition’ AND ‘educational technology’
COCHRANE
‘child nutrition’ AND ‘health education’
Foram estabelecidos alguns critérios de inclusão dos artigos na presente 
revisão integrativa, os quais foram: artigos científicos que retratem a atua-
ção de profissional da saúde na adoção de hábitos alimentares saudáveis do 
escolar; artigos científicos indexados nas bases de dados PUBMED, Web of 
Science e COCHRANE; artigos científicos publicados nos últimos 10 anos 
(2010 a 2019), nos idiomas inglês, português e espanhol. Como critérios de 
exclusão adotaram-se: relatos de casos informais, capítulos de livros, disser-
tações, teses, reportagens em jornais de notícias, editoriais, revisões, textos 
não científicos e artigos científicos sem disponibilidade do texto na íntegra 
de forma On-line.
Após o estabelecimento da pergunta norteadora e dos critérios de inclusão 
e exclusão, iniciou-se a busca por estudos que atendessem rigorosamente à 
proposta do estudo. Inicialmente foi realizada a leitura exaustiva do título e 
do resumo de cada artigo científico, para que assim pudesse ser comprovada 
sua adequação para o presente estudo, ou seja, que ele respondia à questão 
norteadora utilizada.
180
A partir do cruzamento entre os descritores escolhidos, obteve-se um total 
de 99 artigos. Inicialmente, foram lidos os títulos e resumos e avaliados con-
forme os critérios de inclusão e exclusão, selecionando-se 12 artigos a serem 
lidos na íntegra; destes, sete artigos foram selecionados para avaliação final, 
visto que apenas estes retratavam o objetivo principal da pesquisa (Figura 1).
Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção de artigos 
inclusos na revisão integrativa. Teresina-PI (2022)
99 artigos nas bases de dados
PubMed, Web of science, Cochrane 
87 artigos excluídos
(por título e resumo)
12 artigos completos analisados
PubMed, Web of science, Cochrane
5 artigos excluídos
(por não atender aos critérios de elegibilidade)
Total de 7 artigos incluídos
PubMed, Web of science, Cochrane
Dos 99 artigos, sete compuseram a amostra do estudo, contemplando aos 
critérios de inclusão. Os estudos foram publicados entre os anos de 2012 e 
2017, com mais estudos publicados em 2014 (28,5%) e 2017 (28,5%). Dentre 
os sete artigos analisados, quatro foram realizados nos Estados Unidos da 
América (57,1%), um na Austrália (14,3%), um na Nova Zelândia (14,3%) 
e um no Brasil (14,3%). Em relação ao idioma, seis artigos estavam escritos 
em inglês (85,7%) e somente um em português (14,3%).
Resultados e discussão
Todos os artigos selecionados realizaram intervenções que tinham como 
foco a promoção de hábitos alimentares saudáveis em escolares. No Quadro 
2 são apresentadas as principais informaçõesG. C. Revisão integra-
tiva versus revisão sistemática. Rev REME, [S.l.], v. 18, n. 1, 2014.
FORMIGA, C. K. M. R et al. Predictive models of early motor development 
in preterm infants: a longitudinal-prospective study. J. Hum. Growth Dev., 
[S.l.], v. 27, n. 2, p. 189-197, 2017.
FREITAS, N. F. et al. Desenvolvimento neuropsicomotor em crianças nas-
cidas pré-termo aos 6 e 12 meses de idade gestacional corrigida. Rev. Paul 
Pediatr., Minas Gerais, v. 40, ed. e2020199, 2020.
GOMES, E. L. F. D. et al. Desenvolvimento motor em RN prematuros. Pediatr. 
Mod., [S.l.], v. 51, n. 5, p. 168-72, 2015.
GUIMARÃES, E. A. A. et al. Prevalência e fatores associados à prema-
turidade em Divinópolis, Minas Gerais, 2008-2011: análise do Sistema de 
Informações sobre Nascidos Vivos. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 26, 
n. 1, p. 91-98, 2017.
26
ISRAEL, M. A. R. D. et al. Intervenção precoce no desenvolvimento neuro-
motor de lactentes prematuros de risco. FisiSenectus, [S.l.], v. 8, p. 1-18, 2020.
LEMOS, R. A.; VERÍSSIMO, M. L. O. R. Estratégias metodológicas para 
elaboração de material educativo: em foco a promoção do desenvolvimento de 
prematuros. Ciência & Saúde Coletiva, [S.l.], v. 25, n. 2, p. 506-518, 2020.
MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão inte-
grativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na 
enfermagem. Texto Contexto Enferm., [S.l.], v. 17, n. 4, p. 758-64, 2008.
MESQUITA, P. C. S. et al. Associations between maternal responsiveness 
due to the number of offspring and motor development. Revista Psicologia: 
teoria e prática, [S.l.], v. 22, n. 1, p. 144-160, 2020.
MIRANDA, L Intervenção precoce: novos tempos. Desenvolvimento da 
criança em risco neuropsicomotor: prevenção, avaliação, intervenção e edu-
cação. Expressão Gráfica NUTEP, Fortaleza, 2012.
RODRIGUES, O. M. P. R. et al. Práticas e crenças maternas sobre cuidado 
e estimulação de bebês prematuros e a termo. Mudanças – Psicologia da 
Saúde, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 1-7, 2019.
SANTOS, J. S. et al. Habilidade motora grossa em lactentes prematuros 
segundo a Alberta Infant Motor Scale. Fisioterapia Brasil, Bahia, v. 22, 
n. 1, p. 10-24, 2021.
SCHIAVO, R. A. et al. Fatores materno-infantis associados ao desenvolvi-
mento de bebês prematuros e a termo. Revista Psicologia e Saúde, Campo 
Grande, v. 12, n. 4, p. 141-157, 2020.
SILVA, J. et al. Oportunidades de estimulação no domicílio e habilidade fun-
cional de crianças com potenciais alterações no desenvolvimento. Rev. Bras. 
Crescimento Desenv. Hum., [S.l.], v. 1, n. 25, p. 19-26, 2015.
SILVA, R. M. M. et al. The vulnerabilities of premature children: home and 
institutional contexts. Rev. Bras. Enferm., ed. 4, p. 1-9, 2020.
VASCONCELOS, L. T. S. et al. Estimulação precoce multiprofissional em 
crianças com defasagem no desenvolvimento neuropsicomotor: revisão inte-
grativa. Rev. Pesqui. Fisioter., [S.l.], v. 9, n. 2, p. 284-292, 2019.
PRINCIPAIS EVENTOS ADVERSOS NA 
UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA 
NEONATAL: revisão integrativa
Hiêza Magalhões Araújo
Cristianne Teixeira Carneiro
Ruth Cardoso Rocha
Karla Nayalle de Souza Rocha
Maria Augusta Rocha Bezerra
Mychelangela de Assis Brito
Doi: 10.24824/978652513115.3.27-42 
As Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) atendem a pacientes 
recém-nascidos (RN), ou seja, que se encontram na faixa etária de 
zero a 28 dias de vida (BRASIL, 1998). Esse período é considerado 
o mais frágil da infância, uma vez que diz respeito, na maioria dos casos, a 
RN prematuros ou que se encontram em condições críticas, mas que possuem 
chances de sobrevida (SILVA et al., 2017). Os principais motivos de internação 
de RN admitidos em uma UTIN são: prematuridade, desconforto respiratório, 
baixo peso, distúrbios hematológicos, distúrbios intestinais e neurológicos 
(NASCIMENTO et al., 2020).
Os RN estão mais suscetíveis a riscos devido às características, como 
fragilidade fisiológica e sistemas ainda imaturos e em desenvolvimento. Com 
isso, os cuidados prestados precisam ser específicos para manter a segurança 
(TOMAZONI et al., 2017), principalmente quando se trata do manuseio 
realizado, frequentemente, por vários profissionais, o que pode aumentar as 
chances de erros e, consequentemente, ocasionar danos à integridade física do 
RN. Esses danos causados por erros profissionais recebem o nome de Eventos 
Adversos (EA) (BRASIL, 2016).
Esclarece-se que os EA são problemas indesejáveis, resultantes dos cui-
dados prestados, que poderiam ser evitados, todavia, acabam impactando 
na segurança do paciente, causando sequelas ou até a morte. Desta forma, 
a prevenção dos EA está relacionada à qualidade do cuidado de saúde e à 
segurança do paciente (SOUSA et al., 2016).
Estudos epidemiológicos demonstram que, em pacientes hospitaliza-
dos, a prevalência de EA varia de 20% a 46%. Estima-se que das admissões 
realizadas nas UTIN, 15% são seguidas de EA. Como consequências para o 
RN, ocorrem alterações nas estruturas e funções do corpo ou qualquer efeito 
danoso resultante, incluindo lesão, doença, incapacidade, sofrimento e morte. 
28
Assim, a ocorrência de EA na UTIN suscita o problema da baixa qualidade na 
assistência, que tem ainda como consequência o aumento dos custos monetá-
rios e sociais causadores de sofrimento ao paciente, à família e ao profissional 
envolvido (SILVA et al., 2017; LANZILLOTTI et al., 2015).
Estudo realizado na Unidade Neonatal do Instituto de Medicina Integral 
Prof. Fernando Nogueira, em Recife-PE, com 218 RN, detectou que os EA 
mais frequentes foram distúrbios de termorregulação (29,0%), de glicemia 
(17,1%) e infecções relacionadas à assistência hospitalar (13,5%) (VENTURA 
et al., 2012). Outra pesquisa identificou que a maior incidência de EA foi 
relacionada à dosagem incorreta de medicação, perda acidental de cateter 
intravascular, lesão cutânea e infecção relacionada à assistência (LANZIL-
LOTTI et al., 2015).
Diante do crescimento significativo da frequência de EA, que causam 
aumento da morbimortalidade, prolongam o tempo de internação e elevam os 
custos de tratamento, pesquisas acerca dessa temática tornam-se necessárias 
(DE PAULA et al., 2018), com vistas a possibilitar conhecimento imprescin-
dível que poderá ser utilizado na prática clínica, para o planejamento de ações 
direcionadas à prevenção dos EA e à segurança do paciente. Diante deste 
contexto, objetivou-se identificar os principais eventos adversos que acometem 
os recém-nascidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, encontrados 
em evidências científicas da literatura nacional e internacional.
Método
Adotou-se o referencial metodológico de revisão integrativa da literatura. 
Para o desenvolvimento desta pesquisa, seguiram-se cinco etapas: identifica-
ção do tema e seleção da questão de pesquisa; critérios de inclusão e exclusão 
dos estudos; categorização dos estudos; avaliação dos estudos incluídos; e 
síntese do conhecimento (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).
Elaborou-se a questão norteadora: quais os principais eventos adversos 
que acometem os recém-nascidos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal 
encontrados em evidências científicas da literatura nacional e internacional? 
A questão foi desenvolvida a partir da estratégia PICo (acrônimo em que 
P=população, I=intervenção/ área de interesse, Co=contexto). Utilizaram-se 
os seguintes descritores: P – Recém-nascido; I – Eventos adversos e Co – 
Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (KARINO; FELLI, 2012).
A busca foi realizada entre abril e maio de 2021, via Portal Capes (Coor-
denação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), com acesso pela 
Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio de consultas eletrônicas às 
seguintes bases de dados: Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciên-
cias da Saúde (LILACS); Índice Bibliográfico Espanhol em Ciências da Saúde 
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 29
(IBECS), via Biblioteca Virtual de Saúde (BVS); Medical Literature Analysisand Retrieval System Online (MEDLINE), via PUBMED; Scopus; Cumulative 
Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL); Web of Science; e 
Science Direct. Utilizaram-se dos descritores controlados selecionados no site 
dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Heading 
(MeSH): “infant newborn”, “adverse events” e “intensive care units, neonatal”.
Os critérios de inclusão consistiram em estudos que abordasse o tema 
proposto, nos idiomas inglês, espanhol e português, disponíveis na íntegra e 
publicados no ano de 2016 a 2021. Justifica-se a adoção do referido período 
de publicações em razão da existência de uma revisão sistemática (SOUSA 
et al., 2016), publicada em 2016, que analisou os principais eventos adver-
sos na UTIN, utilizando textos publicados entre 2006 e 2015. Excluíram-se 
relatos de experiência, artigos de revisão, monografias, teses, dissertações e 
publicações que estivessem repetidas nas bases de dados.
Durante o levantamento das publicações, a partir das combinações dos 
descritores nas bases de dados, encontraram-se 4.649 artigos. Obtiveram-se 
1.874 publicações nas bases de dados da BVS; 172 na CINAHL; 632 na 
MEDLINE/PUBMED; 1.805 na Scopus; 133 na Science Direct; e 33 na Web 
of Science. Elegeram-se os artigos em que os títulos e os resumos estavam 
relacionados a EA na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal, considerando 
os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Nesta etapa, 35 publicações 
foram eleitas e lidas na íntegra. Após esta análise, 22 estudos foram excluídos, 
permanecendo o quantitativo de 13, sendo sete na MEDLINE/PUBMED, três 
na CINAHL, um na Scopus e dois no Science Direct.
Destaca-se que a busca para seleção dos artigos que foram incluídos na 
revisão, consideraram-se as recomendações do Preferred Reprting Items for 
Sustematic Reviews and Meta- Analyses – PRISMA (MOHER et al., 2018).
Posteriormente, para análise, categorização e síntese das publicações 
incluídas, os artigos científicos foram revisados, por meio da aplicação de 
instrumento, adaptado de Ursi (2005), que abrange dados de identificação do 
artigo original, objetivos, características metodológicas do estudo e principais 
resultados/desfechos. Classificaram-se os níveis de evidência inerentes a cada 
artigo pelos critérios de classificação de Melnik e Fineout-Overholt (2005).
A pesquisa foi realizada por dois revisores de forma independente, de 
modo a garantir o rigor metodológico e a fidedignidade dos resultados, com 
intuito de minimizar prováveis erros sistemáticos ou viés de aferição dos estu-
dos, por falhas na interpretação dos resultados, bem como do delineamento.
Resultados e discussão
A partir da análise das 13 publicações incluídas na amostra, os resultados 
foram categorizados em dois tópicos: caracterização da amostra selecionada, 
30
que aborda informações pertinentes ao título, aos autores, ao periódico, à 
base de dados e ao ano de publicação; e eventos adversos na Unidade de 
Terapia Intensiva Neonatal, que aponta a respectiva amostra/sujeito e os 
EA encontrados.
Caracterização da amostra selecionada
O Quadro 1, apresentado a seguir, expõe informações relacionadas à 
identificação das publicações selecionadas, como título, autores, país, idioma, 
periódico, base de dados e ano de publicação.
Quadro 1 – Caracterização dos artigos, quanto ao título, aos autores, 
ao idioma, ao periódico, à base de dados e ao ano de publicação
Nº Títulos
Autores/Ano/
Pais
Idiomas Periódicos Bases de Dados
1
Interventions to Improve Patient Safety During 
Intubation in the Neonatal Intensive Care Unit
H a t c h e t a l . 
(2016)
EUA
Inglês
The journal 
of pediatrics
MEDLINE/
PubMed
2
Association between video laryngoscopy and 
adverse tracheal intubation-associated events 
in the neonatal intensive care unit
Pouppir t et al. 
(2018)
EUA
Inglês
The journal 
of pediatrics
MEDLINE/
PubMed
3
Neonatal intubation practice and outcomes: an 
international registry study
Fo g l i a e t a l . 
(2019)
EUA
Inglês Pediatrics Cinahl
4
Adverse events and unsuccessful intubation 
attempts are frequent during neonatal 
nasotracheal intubations
Tippmann et al. 
(2021)
Alemanha
Inglês
Frontiers in 
Pediatrics
Science
Direct
5
Voluntary and anonymous repor ting of 
medication errors in patients admitted to the 
Department of Pediatrics
Cernadas et al. 
(2019)
Argentina
Inglês
Archivos 
argentinos 
de pediatria
MEDLINE/
PubMed
6
Los errores de tratamiento en una unidad 
neonatal, uno de los principales acontecimientos 
adversos
Ruiz et al. (2016)
Espanha
Espanhol
Anales de 
Pediatría
MEDLINE/
PubMed
7
Mejorando la seguridad del paciente: utilidad de 
las listas de verificación de seguridad en una 
unidad neonatal
Redondo et al. 
(2017)
Espanha
Espanhol
Anales de 
pediatria
Science
Direct
8
Associação entre condições de trabalho da 
enfermagem e ocorrência de eventos adversos 
em Unidades Intensivas neopediátricas
Maziero et al. 
(2020)
Brasil
Português
Revista da 
Escola de 
Enfermagem 
da USP
CINAHL
9
The prevalence and diagnostic criteria of 
health-care associated infections in neonatal 
intensive care units in Turkey: A multicenter 
point- prevalence study
Demirdağ et al. 
(2021)
Turquia
Inglês
Pediatrics 
and 
Neonatology
MEDLINE/
PubMed
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 31
Nº Títulos
Autores/Ano/
Pais
Idiomas Periódicos Bases de Dados
10
Anonymous reporting of medical errors from 
The Egyptian Neonatal Safety Training Network
E l m e n e z a e 
Abushady (2020)
Egito
Inglês
Pediatrics 
and 
Neonatology
MEDLINE/
PubMed
11
Aprendendo com os erros: análise dos incidentes 
em uma unidade de cuidados neonatais
Hoffmeister, 
Moura e Macedo 
(2019)
Brasil
Português
Rev. 
Latino-Am. 
Enfermagem
SCOPUS
12
A utilização de cateteres venosos centrais de 
inserção periférica na Unidade Intensiva Neonatal
F e r r e i r a   e t 
al. (2020)
Brasil
Português
Revista 
Eletrônica de 
Enfermagem
CINAHL
13
Variáveis associadas a eventos adversos em 
neonatos com cateter central de inserção periférica
P ra d o e t a l . 
(2020)
Brasil
Português
Enfermería 
Global
MEDLINE/
PubMed
Fonte: Autor proponente do estudo� Floriano, Piauí (2021)�
Verificou-se que a maioria (n=06; 46,1%) dos estudos se concentrou em 
revistas da área de pediatria, destacando-se The jornal of pediatrics, Pediatric 
and neonatology (PEDN) e Anales de Pediatria, as quais publicaram dois 
artigos cada (n=02; 15,3%). A base de dados com maior número de artigos 
selecionados foi a MEDLINE/PUBMED (n=07; 53,8%). A maioria dos artigos 
foi publicada em revistas internacionais (n=07; 53,8%) e na língua inglesa (n= 
06; 46,1%). Em relação ao país, a maior parte das pesquisas foi desenvolvida 
no Brasil (n=04; 30,7%).
A predominância de publicações em revistas da área de pediatria pode 
estar relacionada ao fato de que essa área é dedicada à assistência a recém-
-nascidos, crianças e adolescentes, nos diversos aspectos, sejam preventivos 
ou curativos. Com relação à internacionalização das bases e do idioma, com 
destaque para o inglês, infere-se que se relaciona ao fato da MEDLINE/PUB-
MED ser base de significativo impacto internacional, que inclui as áreas de 
biomedicina e saúde, ciências da vida, ciências do comportamento, ciências 
químicas e bioengenharia, necessárias para profissionais de saúde e outros 
envolvidos em pesquisa básica e atendimento clínico, de saúde pública, dentre 
outros (NLM, 2021).
Quanto ao predomínio de estudos realizados no Brasil, deve-se ao fato 
do aumento do interesse de pesquisadores brasileiros sobre a segurança do 
paciente de pacientes pediátricos, apesar da escassez de recursos para finan-
ciamento de pesquisas em pediatria e formação de novos pesquisadores (OLI-
VEIRA et al., 2015).
O Quadro 2 expõe informações relacionadas ao tipo de estudo e aos 
níveis de evidência.
continuação
32
Quadro 2 – Caracterização dos artigos quanto à amostra-
tipo de estudoe aos níveis de evidência
Nº TIPOS DE ESTUDO NÍVEIS DE EVIDÊNCIA
1 Observacional prospectivo VI
2 Coorte retrospectivo IV
3 Multicêntrico e prospectivo VI
4 Observacional prospectivo VI
5 Observacional prospectivo VI
6 Observacional prospectivo VI
7 Prospectivo quase experimental VI
8 Avaliativa e documental de delineamento transversal VI
9 Multicêntrico e prospectivo VI
10 Estudo prognostico VI
11 Quantitativo, transversal e retrospectivo VI
12 Descritiva, quantitativa, retrospectiva VI
13 Transversal, com abordagem quantitativa VI
Fonte: Autor proponente do estudo Floriano, Piauí (2021)�
No que diz respeito ao tipo de abordagem dos artigos apresentados, 
identificou-se predomínio de estudos observacionais prospectivos (n=04; 
30,7%), enquadrados em dois níveis de evidência: IV e VI. Verificou-se que 
o nível de evidência predominante foi o VI, com 12 artigos (n= 12; 92,3%). 
Neste nível estão inclusos os artigos com evidências derivadas de um único 
estudo descritivo ou qualitativo (MELNIK; FINEOUT, 2005).
Eventos adversos na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal
O Quadro 3 apresenta informações relacionadas aos objetivos e eventos 
adversos encontrados nas publicações selecionadas.
Quadro 3 – Caracterização dos artigos quanto ao(s) 
objetivo(s) e eventos adversos encontrados
Nº OBJETIVOS PRINCIPAIS RESULTADOS
1
Determinar a taxa de even-
tos adversos associados à 
intubação endotraqueal em 
recém-nascidos e fatores mo-
dificáveis que contribuem para 
esses eventos.
– Intubação esofágica com reconhecimento imediato (21,4%); Sangramento oral/ 
das vias aéreas (9,5%); ventilação com bolsa-máscara difícil (7,3%); intubação 
brônquica de tronco (7,0%); emese (2,2%); rigidez da parede torácica (1,1%); 
hipotensão recebendo tratamento (3,7%); transição para emergente (3,3%); com-
pressões torácicas (2,9%); medicamentos codificados (0,7%); pneumotórax (0,4%); 
trauma direto das vias aéreas (0,4%); morte (0,4%)
continua...
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 33
Nº OBJETIVOS PRINCIPAIS RESULTADOS
2
Examinar a diminuição nos 
eventos adversos durante a in-
tubação traqueal neonatal com 
o uso da videolaringoscopia.
– Intubação esofágica, reconhecimento imediato (10,0%); disritmia (inclui frequência 
cardíacaflebite e deslocamento do cateter (3,6%); sangramento abundante 
(3,6%); exteriorização do cateter (3,6%); infecção de corrente sanguínea associada 
ao cateter (3,6%).
13
Identificar os fatores associa-
dos à ocorrência de eventos 
adversos por cateter central 
de inserção periférica em 
recém-nascidos.
– Oclusão (31,8%); infiltração (19,3%); flebite (17,0%); resistência (9,0%); rup-
tura (9,0%); exteriorização (9,0%); suspeita de infecção (2,2%); maceração da 
pele (2,2%).
Fonte: Autor proponente do estudo� Floriano, Piauí (2021)�
Observou-se que cinco (n=05; 38,4%) tratavam de EA relacionados à 
assistência em geral; cinco (n=05; 38,4%) que abordavam EA envolvendo 
erros de medicação; quatro artigos (n=04; 30,7%) tratavam da intubação endo-
traqueal; e três artigos (n=3; 23%) que relatavam EA relacionados ao Cateter 
Central de Inserção Periférica (PICC). Enfatiza-se que ocorreram casos de o 
mesmo artigo abordar diferentes EA.
Os eventos adversos relacionados à assistência de modo geral mais 
prevalentes foram infecção (n=3; 23%) e retirada de tubo acidental (n=2; 
15,3%) (MAZIERO et al., 2020; REDONDO et al., 2017; HOFFMEISTER; 
continuação
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 35
MOURA; MACEDO, 2019; ELMENEZA; ABUSHADY, 2020; DEMIRDAğ 
et al., 2021).
Esses achados são semelhantes aos encontrados em estudo que objetivou 
identificar e analisar os eventos adversos ocorridos em UTIN, com base na fer-
ramenta Trigger, que encontrou os seguintes EA: hipotermia (26%); infecção 
relacionada à assistência à saúde (16,4%); hipertermia (13%), hipoglicemia 
(9%); terapia respiratória (6,9%); hiperglicemia (6,6%), complicações rela-
cionadas ao cateter central (5,6%); lesão de pele (5,4%); convulsões (3,3%); 
lesões do septo nasal (1,8%) (OLIVEIRA, 2015).
Observa-se que a complexidade das condições clínicas dos pacientes 
internados na UTIN, bem como o quantitativo de procedimentos realizados, 
tem dificultado a diminuição das taxas de EA neste setor. Embora crescente 
corpo de literatura tenha demonstrado reduções substanciais em certos tipos de 
EA em hospitais, parece que esforços adicionais são necessários para alcançar 
melhorias na segurança dos cuidados a crianças hospitalizadas (HERRICK 
et al., 2020).
Os principais eventos adversos na UTIN relacionados a erros de medi-
cação foram identificados em cinco artigos (n=5; 38,4%). A maioria dos erros 
de medicação foram associados a erros de prescrição (n=4; 30,7%) e erros de 
administração (n=4; 30,7%) (CERNADAS et al., 2019; RUIZ et al., 2016; 
REDONDO et al., 2017; HOFFMEISTER; MOURA; MACEDO, 2019; 
ELMENEZA; ABUSHADY, 2020).
Esses dados convergem com revisão sistemática da literatura que obje-
tivou identificar a ocorrência dos incidentes com e sem lesão ocorridos em 
UTIN, em que se constatou que os episódios de eventos adversos relacionados 
a erros de medicação na UTIN ocorreram principalmente por programação 
inadequada de bombas infusoras, falha de prescrição, imprecisão de dose, 
erros de administração e de omissão (LANZILLOTTI et al., 2017).
Quanto à intubação endotraqueal, os principais eventos adversos pre-
sentes na UTIN foram: intubação esofágica (n=4; 30,7%); intubação de 
tronco principal (n=2; 15,3%) e disritmia (n=2; 15,3%) (HATCH et al., 2016; 
FOGLIA et al., 2019; TIPPMANN et al., 2021; POUPPIRT et al., 2018). 
Esses achados corroboram pesquisa que objetivou determinar a incidência 
de eventos adversos na intubação traqueal, posto que os resultados mais evi-
dentes foram intubação esofágica, seguida da intubação do tronco principal 
(FOGLIA et al., 2015).
A frequência de eventos adversos associados à intubação foi de 57,4% em 
um dos artigos selecionados (TIPPMANN et al., 2021), sendo maior quando 
comparada aos relatórios de intubação orotraqueal de outros autores da revisão 
que relataram taxas de EA relacionados a esse procedimento entre 15% e 40% 
(HATCH et al., 2016; POUPPIT et al., 2018; e FOGLIA et al., 2019). Fatores 
modificáveis que influenciam essas discrepâncias podem estar relacionados 
36
aos níveis de experiência da equipe e ao uso de dispositivos facilitadores de 
intubação traqueal que podem variar de acordo com a estrutura organizacional 
do hospital e os sistemas de treinamento (FOGLIA et al., 2018).
No que diz respeito aos eventos adversos relacionados à PICC, os mais 
prevalentes neste estudo foram: obstrução de cateter (n=3; 23%); flebite (n=2; 
15,3%) e ruptura de cateter (n=2; 15,3%) (FERREIRA et al., 2020, PRADO 
et al., 2020; MAZIERO et al., 2020).
Esses resultados são equivalentes aos encontrados em estudo brasileiro 
que, ao identificar eventos adversos relacionados ao uso de Cateteres Venosos 
Centrais (CVC), em recém-nascidos internados em unidade neonatal, encon-
traram como EA mais prevalentes: obstrução de cateter (19,4%), seguido de 
ruptura de cateter (8,8%) (FRANCESCHI; CUNHA, 2010).
Mesmo com a ocorrência de eventos adversos, o uso de dispositivos 
venosos é fundamental para melhora do quadro clínico do RN internado em 
UTIN. Por esse motivo, enfermeiros precisam ser qualificados para inserção e 
manutenção do PICC em neonatos, de modo a reduzir o número de dissecções 
venosas nas UTIN. Acredita-se que a inserção do PICC por enfermeiros qua-
lificados gere maiores benefícios para os pacientes graves que se encontram 
sob assistência nas UTIN (PEREIRA, 2020).
Conclusão e considerações para a prática clínica e científica
Por meio deste estudo, identificaram-se os eventos adversos associados ao 
cuidado na UTIN, em que os mais evidentes foram relacionados à intubação 
endotraqueal; à assistência em geral; aos erros de medicação; e ao Cateter 
Central de Inserção Periférica. Esse fato reflete uma cultura de segurança do 
paciente frágil, uma vez que os eventos adversos com e sem dano que ocor-
reram, estiveram relacionados majoritariamente a problemas no manejo e na 
qualidade de alguns equipamentos e recursos humanos utilizados.
No que concerne às possibilidades para a prática clínica, a partir deste 
estudo, estabelecem-se:
1. A urgência do desenvolvimento de estudos de intervenção que 
abordem os eventos adversos existentes na Unidade de Terapia 
Intensiva Neonatal, especialmente com relação às medidas de pre-
venção, com intuito de qualificar os serviços de saúde prestados 
aos recém-nascidos.
2. A necessidade de investimentos na educação continuada e capacitação 
da equipe, fornecimento adequado de materiais, equipamentos e recur-
sos humanos suficientes e especializados, comunicação efetiva entre 
os profissionais, adequada notificação de EA e cultura de segurança 
não punitiva, para que o atendimento em saúde ocorra com qualidade.
SABERES E PRÁTICAS DO ENFERMEIRO NO 
CUIDADO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE 37
REFERÊNCIAS
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Gerência de 
Vigilância e Monitoramento em Serviços de Saúde (GVIMS). Implantação 
do Núcleo de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde. Brasília, 2016. 
Série Segurança do Paciente e Qualidade em Serviços de Saúde.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 3432, de 12 de agosto de 1998. 
Estabelece critérios de classificação para as unidades de tratamento intensivo 
– UTI. Diário Oficial da União, Brasília, 13 ago. 1998. Seção 1, p. 108-
10. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/1998/
prt3432_12_08_1998.html. Acesso em: 7 fev. 2021.
CERNADAS, J. M. C. et al. Voluntary and anonymous reporting of medi-
cation errors in patients admitted to the Department of Pediatrics. Archivos 
Argentinos de Pediatria, [S.l.], v. 117, n. 6, p. 592-597, 1º dez. 2019. DOI: 
10.5546/aap.2019.eng.e592. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.
gov/31758886/. Acesso em: 21 fev. 2021.
DE PAULA, B. M. et al. Perfil clínico epidemiológico das internações em 
uma uti neonatal no período de 2016 a 2017. Anápolis-GO, 2018. Disponível 
em: http://repositorio.aee.edu.br/handle/aee/973. Acesso em: 21 fev. 2021.
DEMIRDAğ, T. B. et al. The prevalence and

Mais conteúdos dessa disciplina