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Wagner Cardoso Cristiane Demartini Janete Aparecida Pereira Gestão de Processos e Operações Catalogação elaborada pelo Setor de Referência da Biblioteca Central Uniube Cardoso, Wagner. C179g Gestão de processos e operações / Wagner Cardoso, Cristiane Demartini, Janete Aparecida Pereira. – Uberaba: Universidade de Uberaba, 2019. 166 p. : il. Programa de Educação a Distância – Universidade de Uberaba. Inclui bibliografia. ISBN 978-85-7777-904-8 1. Administração. 2. Gestão de negócios. I. Demartini, Cristiane. II. Pereira, Janete Aparecida. III. Universidade de Uberaba. Programa de Educação a Distância. IV. Título. CDD 658 © 2019 by Universidade de Uberaba Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Universidade de Uberaba. Universidade de Uberaba Reitor Marcelo Palmério Pró-Reitor de Educação a Distância Fernando César Marra e Silva Coordenação de Graduação a Distância Sílvia Denise dos Santos Bisinotto Editoração e Arte Produção de Materiais Didáticos-Uniube Editoração Marco Antônio Escobar Revisão textual Erika Fabiana Mendes Salvador Diagramação Matheus Kaneko da Silva Ilustrações Rodrigo de Melo Rodovalho Projeto da capa Agência Experimental Portfólio Edição Universidade de Uberaba Av. Nenê Sabino, 1801 – Bairro Universitário Wagner Cardoso Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade de Araraquara (Uniara). Especialização em Docência Universitária pela Universidade de Uberaba (Uniube). Graduação em Engenharia de Produção pela Universidade de Araraquara (Uniara). Professor da Universidade de Uberaba (Uniube), nos cursos presenciais e a distância, nas seguintes disciplinas: Engenharia de Métodos e Produtividade, Planejamento e Controle da Produção (PCP), Controle e Confiabilidade do Processo, Sistemas de Produção, Projetos Integrados, Gestão da Produção, OSM, Gestão de Processos, Gestão Logística, Estudos Interdisciplinares e Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Experiência em Supervisão Industrial, Gerência Industrial e Gerência de Operações, além de atuar, desde 2006, como Consultor e Assessor Industrial objetivando a redução de custos, o aumento da produtividade e a implantação de Planejamento e Controle de Produção (PCP). Autor de dois livros publicados pela Editora Itacaiúnas: Engenharia de Métodos e Produtividade e Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) para Hospitais. Cristiane Demartini Graduação em Administração e em Engenheira de Produção pela Universidade de Uberaba (Uniube). Gerente de Processos e Operações da Pró-Reitoria de Educação a Distância da Universidade de Uberaba (PROED/Uniube). Janete Aparecida Pereira Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Especialista em Gerenciamento de Redes de Computadores pela Universidade de Uberaba (Uniube). Especialista em Tecnologias de Informação e Comunicação na Educação pela Pontifícia Universidade Sobre os autores Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Tecnóloga em Processamento de Dados pela Universidade de Uberaba (Uniube). Professora da Universidade de Uberaba (Uniube). Supervisora de Polos da Pró-Reitoria de Educação a Distância da Universidade de Uberaba (PROED/Uniube). Sumário Apresentação ......................................................................................VII Capítulo 1 As teorias clássicas da Administração e a relação com a Gestão de Processos – uma abordagem histórica ...............1 1.1 Antecedentes históricos da Administração ...............................................................2 1.2 As principais teorias da Administração .....................................................................6 1.2.1 Administração Científica e Taylor ....................................................................6 1.2.2 Teoria Clássica da Administração e Fayol ...................................................12 1.2.3 Teoria das Relações Humanas .....................................................................14 1.2.4 Teoria Neoclássica da Administração ...........................................................16 1.2.5 Administração por Objetivos (APO) .............................................................19 1.2.6 Teoria da Burocracia .....................................................................................21 1.2.7 Teoria Estruturalista da Administração ..........................................................24 1.2.8 Teoria Comportamental da Administração ...................................................26 1.2.9 Teoria do Desenvolvimento Organizacional ................................................29 1.2.10 Teoria Matemática da Administração ..........................................................32 1.2.11 Teoria da Contingência ...............................................................................34 1.3 Relação entre Administração e Gestão de Processos ..........................................36 1.4 Conclusão ..............................................................................................................37 Capítulo 2 O que é Gestão de Processos de Negócio? ..................... 41 2.1 Gestão de Processos de Negócio: origem .............................................................42 2.2 Ciclo de Vida de Processos ....................................................................................46 2.3 BPM para a atualidade ...........................................................................................48 2.4 Conclusão ...............................................................................................................54 Capítulo 3 Princípios fundamentais de Modelagem de Processos de negócio ................................................................................ 57 3.1 Modelagem de Processos de Negócio ...................................................................59 3.2 Informações a serem captadas ..............................................................................60 3.3 AS IS e TO BE ........................................................................................................65 3.4 Modelos de referência ............................................................................................66 3.5 Modelagem como ferramenta para atender a requisitos de conformidade ...........67 3.6 Conclusão ...............................................................................................................68 Capítulo 4 Melhoria contínua na Gestão de Processos e Operações ........................................................................... 71 4.1 Melhoria contínua ...................................................................................................72 4.1.1 Ferramenta PDCA .........................................................................................74 4.1.2 Método para Análise e Solução de Problemas – MASP ..............................75 4.1.3 Ferramenta DMAIC .......................................................................................78 4.1.4 Lean Seis Sigma ...........................................................................................81 4.1.5 Design Thinking.............................................................................................85 4.1.6 TQM ...............................................................................................................88 4.2 Conclusão ...............................................................................................................90trazendo redesenho da organização, mudanças na estrutura de trabalho; na tecnologia, com novos equipamentos, processos, layout; nos próprios produtos e serviços, novos produtos e serviços, novos clientes; na cultura organizacional, novas percepções, atitudes, expectativas, habilidades e resultados. O DO tem alguns valores organizacionais essenciais para que sua implantação e manutenção sejam efetivas, tais como: entendimento do homem como bom na essência; os indivíduos são seres humanos, passíveis de erros; visão do homem como um ser em constante crescimento; aceitação e uso das diferenças individuais; capacidade de usar eficazmente seus sentimentos; uso do comportamento espontâneo e autêntico; uso da sua posição para alcançar objetivos organizacionais; adoção da confiança nas pessoas; gosto pelos erros e os assume; adoção da postura de colaboração entre as pessoas. É importante ressaltar que o foco do DO é na mudança cultural das pessoas e das organizações, na qualidade das relações trabalhistas e no clima organizacional. O DO utiliza a administração participativa, em que a gestão tem papel participativo nas decisões não só de topo, e, sim, de base. Há a descentralização de diversas decisões, de acordo com as atribuições dos IMPORTANTE! UNIUBE 31 cargos e suas habilidades e competências. E há, ainda, o empoderamento da equipe de trabalho com foco no alcance e superação das metas e objetivos organizacionais. Os pressupostos que dão fundamento ao DO são: • Rápida e constante mudança do ambiente, pois o mundo vive constantes mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais, que precisam ser absorvidas pelas organizações inseridas neste contexto. • Contínua adaptação, pois as mudanças existem e cabe à organização e às pessoas se adaptarem, ou “morrerem”. • Interação entre pessoa e organização, na qual as metas das pessoas não se chocam, e, sim, se alinham com as metas da organização, promovendo, assim, um ambiente sadio, de interações e trocas positivas. • A mudança organizacional deve ser planejada e deve ser feita com comprometimento de todos, pois mudanças organizacionais envolvem todos os setores, logo estão todos diretamente envolvidos e ela é responsabilidade de todos. • Necessidade de participação e comprometimento, pois não haverá sucesso nas mudanças se nem todos estiverem comprometidos com a organização e com as mudanças. • Melhoria da eficácia organizacional gera melhoria no bem-estar da organização e de quem está nela, potencializando as contribuições geradas por todos os envolvidos na mudança. • O DO é uma resposta às mudanças, pois é um esforço educacional, de mudança de comportamento, processual, de valores, no qual sua melhor medida de desempenho é o quão rápida a organização é frente às mudanças nos ambientes externos e internos da organização. 32 UNIUBE 1.2.10 Teoria Matemática da Administração A Teoria Matemática surgiu a partir do livro sobre Teoria dos Jogos, de Neumann e Morgenstern (1947), utilizando estatística para o processo de tomada de decisões, e obteve suporte nos estudos de Herbert Simon sobre Teoria das Decisões. O advento do computador ajudou a propagação dessa teoria nas empresas, por meio, também, da utilização da Pesquisa Operacional (PO). A PO tem visão sistêmica dos problemas a serem resolvidos por ela por meio do uso do método científico e de técnicas de estatística, probabilidade e modelos matemáticos que colaboram para a tomada de decisões ao resolver os problemas. É importante ressaltar que a PO não se limita a analisar apenas o problema em si, mas, também, a analisar as operações de um sistema que envolvem o problema. Para isso, a PO usa: a probabilidade para decisões sob risco e incerteza; a estatística na sistematização e análise de dados para conseguir soluções e a matemática para a formulação de modelos quantitativos. A Pesquisa Operacional tem uma metodologia baseada em seis fases, a saber: I. Formulação do problema. II. Construção do modelo matemático que represente o sistema em análise. III. Dedução de uma solução ótima do modelo pelo processo analítico ou numérico. IV. Testa o modelo construído e a solução. V. Cria um controle sobre a solução que mantenha as relações entre as variáveis constantes. VI. Implementa a solução. UNIUBE 33 As principais técnicas da Pesquisa Operacional são: • Teoria dos jogos. • Teoria das filas. • Teoria dos grafos. • Teoria da decisão. • Programação linear. • Probabilidade e estatística matemática. • Programação dinâmica. É importante salientar que, na Teoria Matemática, é que ocorreu a criação, implantação e manutenção dos indicadores de desempenho financeiros e não financeiros, de forma estruturada e focada nos objetivos dos negócios. Os indicadores de desempenho foram criados para levar aos tomadores de decisão dados e fatos sobre a realidade dos problemas/atividades, para que, com base neles, as decisões sejam mais assertivas que antes, em que se usava muito o empirismo e a subjetividade. Podemos trazer aqui alguns exemplos de indicadores de desempenho, separados por área: • Organizacional: margem de contribuição, retorno sobre o investimento, lucratividade. • Marketing: participação de mercado, nível de satisfação dos clientes, volume geral de vendas. • Produção: níveis de produtividade setoriais e globais, índice de rejeitos e refugos, utilização da capacidade instalada. • Desenvolvimento: número de novos produtos lançados num período de tempo, nível de acerto dos projetos, nível de inovação. • Finanças: ganhos financeiros, ciclo financeiro, redução de custos fixos e variáveis. • Logística: nível de pontualidade, giro do inventário, nível de atendimento dos pedidos. 34 UNIUBE • Suprimentos: custo de aquisição das matérias-primas, custo de manutenção no estoque, nível de qualidade da matéria-prima. • Recursos humanos: nível de rotatividade, nível de absenteísmo, nível de satisfação dos funcionários. 1.2.11 Teoria da Contingência A Teoria da Contingência veio trazer ao campo da Administração uma relatividade que faltava às teorias, pois, para a Teoria da Contingência, nada é fixo, tudo depende do meio. Essa teoria mostrou que a estrutura e o funcionamento da organização dependem do relacionamento e interface com o ambiente. Não existe, então, uma única e melhor forma (the best way) de organizar. Houve diversas pesquisas acerca da Teoria da Contingência, sendo uma delas de grande vulto, a de Burns e Stalker, que classificaram as organizações em: mecanísticas, em que predomina a estrutura burocrática e excessiva divisão do trabalho, as decisões centralizadas, a hierarquia e o sistema de controle rígido, com ênfase nas regras e na Teoria Clássica; e em orgânicas, com estruturas mais flexíveis, interação entre os cargos e membros das equipes, decisões descentralizadas e delegadas, hierarquia e controles mais flexíveis, com ênfase na Teoria das Relações Humanas. Logo, os autores formularam a Teoria da Contingência, na qual a organização é sistêmica, um sistema aberto. As características organizacionais têm interação entre si e com o ambiente. Tanto o ambiente quanto a tecnologia são variáveis independentes que influenciam as características organizacionais, pois, além do impacto ambiental, existe o impacto tecnológico sobre as organizações. UNIUBE 35 Para enfrentar os desafios externos e internos, as organizações distinguem-se em três níveis organizacionais: • Nível estratégico: é o nível mais alto da hierarquia, em que ficam os diretores, superintendentes, acionistas, no qual as decisões organizacionais e estratégicas são tomadas, além de ser onde os objetivos e metas organizacionais são elaborados. Ressalta-se que, neste nível, há grande interação com o ambiente externo e há grandes incertezas, por estar ligado a fatores externos que fogem ao controle da organização. • Nível intermediário (tático): é o nível gerencial, que fica entre o estratégicoe o operacional, zelando pela interação e articulação entre estes dois níveis. É neste nível que se trabalha para transformar as estratégias formuladas no nível estratégico em programas de ação para serem executados pelo nível operacional. • Nível operacional: é a base da hierarquia, dominada por pessoal técnico, que executa os programas elaborados pelo nível tático, zelando pela produtividade, assertividade, melhorias processuais e cumprimento de metas. A Teoria Contingencial trouxe uma nova forma de pensar a estratégia em si, por meio de análises ambientais e comportamentais. É nessa teoria que foi criada a matriz SWOT (Strenghts, Weakness, Opportunities e Threats – Pontos Fortes, Fracos, Oportunidades e Ameaças). Agora, faça a leitura do livro do CHIAVENATO, Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. Ele está disponível na sua Biblioteca Virtual Pearson. Recomendo que o leia na totalidade, porém o principal capítulo para este momento é o 1. Boa leitura! AMPLIANDO O CONHECIMENTO 36 UNIUBE Agora, faça um exercício experimental: analise a administração de qualquer empresa que você tenha contato e defina qual(is) Teoria(s) da Administração está(ão) sendo utilizada(s). Utilize o Tira-dúvidas caso queira trocar ideia com seu professor a respeito disso. Este é o momento ideal de aprendizagem. AGORA É A SUA VEZ 1.3 Relação entre Administração e Gestão de Processos Processo é toda transformação de materiais ou informações em produtos ou serviços. Onde há uma entrada, uma transformação e uma saída, há um processo a ser projetado, implantado, gerido e controlado. Gerir o processo é fazer com que os processos, antes projetados e agora em execução, sejam realizados com sucesso, alcançando os objetivos organizacionais e metas setoriais e globais. E onde a Administração entra nessa história toda? Simples: em tudo! Não haveria Gestão de Processos se não houvesse toda essa construção histórica das teorias administrativas, vistas neste capítulo. As teorias administrativas foram, são e serão sempre muito importantes para a construção de qualquer nova evolução no âmbito gerencial e administrativo. Elas construíram, ao longo das décadas, maneiras mais adequadas e evolutivas de gerir processos e organizações como um todo. Foi por meio deste processo evolutivo que a literatura vem construindo as possibilidades e terias da Gestão de Processos de Negócios: uma nova abordagem gerencial que valoriza e preza pelo envolvimento, comprometimento, trabalho em equipe, sinergia e, principalmente, o ótimo global em detrimento do ótimo local. O ótimo local é típico das organizações hierarquizadas, clássicas, departamentalizadas, em que UNIUBE 37 o foco dos gestores de cada departamento é o desempenho excelente do seu setor e ponto. O ótimo local não se preocupa com o todo, com a organização como um sistema único, e, sim, somente com o seu setor, como se a empresa vivesse somente de vendas advindas do seu setor particular. Já o ótimo global visa à melhoria do desempenho e dos resultados da organização como um todo, pois quem é adepto do ótimo global sabe que a empresa vive de vendas de produtos/serviços acabados, e não partes deles, logo prioriza a melhoria contínua do desempenho de todos os setores, sem muros ou barreiras, de forma colaborativa e integrativa, com total sinergia. Logo, a Gestão de Processos veio como uma poderosa ferramenta de gestão para apoiar e suportar melhorias incrementais de resultados em todos os âmbitos administrativos. 1.4 Conclusão Este capítulo teve o intuito central de mostrar aos alunos as principais teorias administrativas, suas características principais, suas metodologias, seus envolvimentos com as empresas da época e seus relacionamentos com os administradores em si. Foi feito um passeio por todas as teorias administrativas mais importantes, de forma objetiva, coesa e de fácil leitura. Essas abordagens são essenciais para que o aluno construa seu pensamento evolutivo de forma eficaz, interligando e conectando as teorias e suas contribuições com a formação do pensamento administrativo atual. 38 UNIUBE Resumo O capítulo que foi apresentado aqui trouxe uma contextualização das principais abordagens teóricas administrativas. São elas: os primórdios da Administração, a Administração Científica de Taylor, a Clássica de Fayol, a Teoria das Relações Humanas, a Teoria Neoclássica, Administração por Objetivos (APO), Teoria da Burocracia, Teoria Estruturalista da Administração, Teoria Comportamental da Administração, Teoria do Desenvolvimento Organizacional, Teoria Matemática da Administração, Teoria da Contingência, Relação entre Administração e Gestão de Processos. Todas essas abordagens são cruciais para que o aluno construa seu pensamento administrativo, evolutivo e estratégico acerca do tema Teorias da Administração. O processo das teorias é evolutivo, pois foi sendo construído ao longo dos anos até chegar ao estágio atual. A partir desta construção, o aluno pode dar prosseguimento aos conceitos e técnicas de Gestão de Processos e Operações de forma mais eficiente e produtiva. Referências BARNES, R. M. Estudo de Movimentos e de Tempos: projeto e medida do trabalho. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. BOURNE, M.; MILLS, J.; WILCOX, M.; NEELY, A.; PLATTS, K. Designing, implementing and updating performance measurement systems. International Journal Of Operations & Production Management, [s.l.], v. 20, n. 7, p.754-771, jul. 2000. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina de trabalho do dia-a-dia. 8 ed. Nova Lima: INDG, 2004. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia-a-dia. Rio de Janeiro: Bhoch Editores S.A., 1994. CAMPOS, V. F. TQC Controle da Qualidade Total no Estilo Japonês. 9. ed. Nova Lima: Indg, 2014. UNIUBE 39 CAPOTE, G. BPM para todos: uma visão geral abrangente, objetiva e esclarecedora sobre gerenciamento de processos e negócio. 1. ed. Rio de Janeiro: Gart Capote, 2012. CARDOSO, W. Engenharia de Métodos e Produtividade: a teoria na prática. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CARDOSO, W. Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) para Hospitais. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. CONTADOR, J. C. Gestão de Operações: A Engenharia de Produção a Serviço da Modernização da Empresa. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2010. FORD, A. L.; WILLIAMS, J. A.; SPENCER, M.; McCAMMON, C.; KHOURY, N.; SAMPSON, T. R.; PANAGOS, P.; LEE, J. Reducing Door-to-Needle Times Using Toyota’s Lean Manufacturing Principles and Value Stream Analysis. Journal of the American Heart Association, p. 3395-3398, dez. 2012. FNQ - FUNDAÇÃO NACIONAL DA QUALIDADE (Brasil). 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Disponível em: . Acessado em: 05 set. 2016. Cristiane Demartini Introdução O que é Gestão de Processos de Negócio? Capítulo 2 As teorias da Administração surgiram no começo do século XX juntamente com a evolução da atividade industrial, do crescimento do número de organizações e, consequentemente, do aumento da concorrência. Embora, nessa fase, a Gestão de Processos de Negócios não tenha sido evidenciada, o estudo dessa disciplina sempre foi demandado por organizações e gestores. Inclusive, as próprias teorias da Administração Científica e Clássica desenvolveram o uso de técnicas e instrumentos para entender e melhorar processos, porém mais focados na produção industrial. Ainda que a Reengenharia – estratégia proposta por Davenport & Short e Hammer & Champy no início dos anos 90 do século XX – tenha surgido como técnica para repensar a forma como as organizações fazem o seu trabalho, com o objetivo de melhorar o valor percebido pelo cliente final e, neste sentido, tenha evidenciado vários conceitos relacionados a processos, muitos gestores e consultores deterioraram os conceitos da ferramenta ocasionando muitas dispensas injustificadas e, como consequência, inseguranças por parte dos colaboradores. Neste capítulo, buscaremos demonstrar em que contexto a disciplina Gestão de Processos de Negócios surgiu, como ela se diferencia da Reengenharia e como seus conceitos podem transformar a gestão, os gestores e as organizações. 42 UNIUBE Objetivos Esquema Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • Contextualizar a origem e os conceitos gerais sobre Gestão de Processos de Negócios. • Explicar a importância das áreas que compõem as práticas atuais sobre o assunto, em prol da melhoria contínua. • Estabelecer uma relação colaborativa com ferramentas da qualidade. 2.1 Gestão de Processos de Negócio: origem 2.2 Ciclo de Vida de Processos 2.3 BPM para a atualidade 2.4 Conclusão Gestão de Processos de Negócio: origem2.1 Em 2002, os autores Peter Fingar e Howard Smith lançaram o livro Business Process Management –The Third Wave (Gerenciamento de Processos de Negócio – A Terceira Onda). O material apresenta a Gestão da Qualidade Total (ou TQM – Total Quality Management) da década de 70 e a Reengenharia de Processos de Negócio (ou BPR – Business Process Reengineering) da década de 90, como a primeira e a segunda onda, respectivamente. A Gestão da Qualidade Total é focada na importância de gerenciar operações, com o objetivo de identificar e solucionar problemas específicos que, quando considerados em conjunto, geram impacto na organização como um todo. Nessa “onda”, qualquer sequência de UNIUBE 43 atividade ou trabalho é considerada um processo, e a melhoria, além do cliente final, também é voltada para clientes internos. Desenhos, fluxos e diagramas não eram utilizados como ferramentas primordiais para análise, esta era realizada a partir da observação da execução de uma operação. Por sua vez, a reengenharia traz uma definição de processos mais abrangente, priorizando uma visão ponta a ponta da organização. Neste caso, apertar um botão ou atender a uma requisição não são considerados processos. Seus fundamentos têm como premissa o desenho do processo partindo-se do zero - sem considerar a situação atual - e a implantação, em larga escala, de sistemas de informação. Por fim, Gerenciamento de Processos de Negócio, conhecido pela sigla BPM - Business Process Management, engloba identificar, desenhar, executar, documentar, controlar e melhorar processos de negócio (automatizados ou não) para alcançar resultados consistentes e alinhados com os objetivos organizacionais. As análises são focadas no detalhamento e entendimento da situação atual do processo, momento tecnicamente conhecido como “As Is”. Esse momento visa, principalmente, ao desenho do processo para implantação de melhorias, tecnicamente conhecido como “To Be”. A descrição e o desenho desses processos são realizados com uma linguagem específica (BPMN) que podem ser automatizados por ferramentas próprias (BPMS). Então, de forma mais detalhada, temos: BPMN - Business Process Model and Notation (Modelo e Notação de Processos de Negócio): é um tipo de notação. Por analogia, podemos dizer que a notação é o idioma utilizado na comunicação para elaboração da representações gráficas e diagramas que descrevem as etapas de um processo de negócio. Existem várias (EPC, CIPOC, fluxograma, etc) e não é possível identificar qual é a melhor, somente a mais amigável. Por consenso, os profissionais mais técnicos utilizam BPMN. 44 UNIUBE BPMS – Business Process Management Suites/System (Sistemas Gerenciamento de Processos de Negócio) – é quando um diagrama vai para a fase de automação, ou seja, vira um software. A descrição de cada uma das “ondas” possibilita a verificação de que BPM apresenta apenas uma evolução de conceitos que vêm sendo amadurecidos ao longo de vários anos, não se trata, portanto, de uma novidade ou de uma ferramenta que elimina outras diretrizes. A ABPMP – Association of Business Process Management Professionals vem contribuindo de forma significativa para este desenvolvimento. É uma organização profissional, sem fins lucrativos, independente de fornecedores, dedicada ao avanço dos conceitos de gestão de processos de negócios e suas práticas, fundada em 2003 nos Estados Unidos da América. Essa associação detém os direitos autorais do BPM CBOK 3.0, um Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio – Corpo comum de Conhecimento. Sendo este o documento mais utilizado para o assunto, inclusive internacionalmente, apresentamos a seguir o conceito de Gerenciamento de Processos de Negócio, segundo o BPM CBOK v3.0 da ABPMP (2013, p.40): ...é uma disciplina gerencial que integra estratégias e objetivos de uma organização com expectativas e necessidades de clientes, por meio do foco em processos ponta a ponta. BPM engloba estratégias, objetivos, cultura, estruturas organizacionais, papéis, políticas, métodos e tecnologias para analisar, desenhar, implementar, gerenciar desempenho, transformar e estabelecer a governança de processos. A partir da riqueza de todos os conceitos apresentados no guia, é possível entender o tema como um conjunto de valores, crenças, liderança e cultura (social e pessoal), que vai além de uma disciplina técnica ou de uma teoria relacionada à qualidade e à gestão. O objetivo é provocar uma UNIUBE 45 mudança no comportamento dos profissionais da área de gestão para que possam transformar a organização e, finalmente, conseguir melhorar – de forma sistemática – o valor percebido pelo cliente final. Além do próprio Gerenciamento de Processos, o BPM CBOK v3. (2013) apresenta outras8 áreas: • Modelagem de Processos: voltada para a representação, entendimento, registro da documentação, execução (automatização), simulação e gerenciamento de processos. • Análise de Processos: a análise vai além da produção do modelo, é focada em identificar os problemas (oportunidades de melhoria) com uma visão imparcial sobre a situação atual. • Desenho de Processos: trata a mudança, demonstra como o processo deverá ficar, considerando as oportunidades de melhoria identificadas. • Gerenciamento de Desempenho: voltada para o monitoramento de processos, determinando medidas, métricas e indicadores. • Transformação de Processos: é a área dedicada à aplicação do desenho, mas pode ir além da melhoria e representar um nível de disrupção quando se identifica a necessidade de redesenho e mudança de paradigmas para entregar valor ao cliente final. • Organização do Gerenciamento: a partir de um determinado nível de maturidade, a organização pode ser estruturada e gerenciada em torno dos seus processos. É a preparação para que uma organização possa deixar de fazer gerenciamento de processos e passar a fazer gerenciamento por processos. • Gerenciamento de Processos Corporativos: capacidade de gerenciar processos ponta a ponta. • Tecnologias de Gerenciamento de Processos: quando um processo de negócio é implementado por meio de um sistema de informação. A disciplina e seus conceitos específicos são relativamente novos, porém é provável que suas fases e áreas já se apresentem dissolvidas nos ciclos de gestão tradicionais das empresas. 46 UNIUBE Para iniciar um entendimento sobre como começar, o primeiro passo é dissociar elementos que possam nortear um ciclo de vida específico para o assunto. Ciclo de Vida de Processos2.2 Uma referência lógica, porém não engessada para determinar um Ciclo de Vida de um processo de negócio, apresenta os seguintes elementos: Planejamento e Estratégia, Análise de Processos, Desenho de Processos, Implantação de Processos, Monitoramento e Controle. Essa ordem não é óbvia nem previsível, é apenas uma referência de um ciclo de vida tradicional. As etapas descritas são consistentes e devem ser escolhidas de acordo com cada caso. Note que os elementos do ciclo de vida de um processo estão diretamente relacionados aos elementos do PDCA (Plan, Do, Check , Act) mas, neste caso, recebeu mais etapas para guiar melhor o trabalho, podendo as fases serem detalhadas da seguinte forma: PDCA Expressão formada pelas iniciais das palavras “Plan”, “Do”, “Check”, “Act”. Também conhecido como ciclo Deming, é uma ferramenta utilizada para melhoria contínua de processos. Etapas do Ciclo de Vida para Gestão de Processos Etapa Objetivos Primários Planejamento e Estratégia • Diretrizes para condução do projeto. • Identificação e priorização dos processos críticos. Tabela 1: Paridade de elementos PDCA e Etapas do Ciclo de Vida de um Processo UNIUBE 47 Etapas do Ciclo de Vida para Gestão de Processos Análise (Mapeamento – As Is) • Levantamento das informações do processo atual. • Diagramação do processo atual. • Definição e registro de regras de negócio. Desenho (To Be) • Identificação dos pontos de melhoria. • Análise para redesenho. • Definição do modelo de implantação. Fonte: Adaptado de CAVALCANTI, 2017 p. 19). A atenção correta a cada uma das fases é que vai proporcionar a melhoria contínua. A partir desses elementos, após o exercício de identificar o momento do ciclo de vida em que determinado processo está, já é possível verificar o quanto pode ser produzido antes mesmo de informatizar o processo. Isso quer dizer que, analisando o ciclo de vida dos processos e utilizando BPMN, é possível implementar melhorias antes mesmo de utilizar BPMS. Ficou confuso? Esse era o objetivo! Retome os conceitos destas siglas (BPMN e BPMS) e releia-os, isso vai ajudálo(a) a compreender e registrar os significados. RELEMBRANDO 48 UNIUBE BPM para a atualidade2.3 É importante ter em mente que, apesar de estarmos vivenciando a Quarta Revolução Industrial, que é marcada pela incorporação de tecnologias e automação em todos os segmentos, nem tudo precisa se transformar em algoritmo. Felizmente (ou não?), na maioria das empresas, a maturidade dos processos ainda está longe de apresentar análises e desenhos prontos para serem automatizados. Isso quer dizer que existe muita oportunidade de eliminação de desperdícios (leia-se tempo, principalmente) na jornada do cliente final. Nunca se falou tanto sobre a jornada do cliente (não desta forma) e é neste ponto que BPM pode contribuir bastante para a evolução das organizações – aquela que será verdadeiramente percebida pelo cliente final. De uma forma bem simples, antes mesmo de incorporar os conceitos, já é possível perceber o contexto de aplicação. Quando consideramos que “processo” pode ser definido como um conjunto de atividades feitas por pessoas ou máquinas para alcançar metas e objetivos, basta escolher 1 ou 2 processos do seu dia a dia e se perguntar: por que eu faço isso? Qual o prazo adequado para finalizar este trabalho? Não se surpreenda se não souber as respostas. É até bem provável que você não saiba, independentemente de qual nível hierárquico você ocupa, no caso de você ter pensado em situações de trabalho. Existem outras boas perguntas que podem ser feitas, mas somente estas já podem ajudá-lo(a) a identificar muitas oportunidades de melhoria e reflexão. Não se esqueça: você não precisa estar no trabalho dos seus sonhos para querer melhorar o que você faz, muito mais que melhorar a organização, o resultado dessa iniciativa pode ser a melhora do seu dia a dia e da sua qualidade de vida. PARADA PARA REFLEXÃO UNIUBE 49 Se você não trabalha, essa reflexão pode (e deve!) ser feita na sua vida pessoal, relacionada àquilo que você faz todo dia com uma frequência determinada e que você gostaria de mudar ou fazer melhor. Na impossibilidade de utilizar-se de uma situação real do dia a dia de uma empresa, é possível fazer esse exercício analisando um processo de sua vida. Partindo do conceito de “processos” e após o exercício proposto acima, que possibilita a reflexão acerca de uma situação, caminhando para o contexto de uma organização, chega-se ao assunto principal: Processos de Negócio. Estes são compostos por várias tarefas e atividades inter-relacionadas, para solucionar uma questão específica, referente a um fluxo - ponta a ponta - que entrega valor ao cliente final. Para isso tudo funcionar, é preciso haver uma lógica funcional que seja percebida por todas as áreas envolvidas. Do contrário, a lógica é ilusória. E o que determina esse entendimento? Primeiro o desapego às respostas certas predefinidas, pois certezas podem estar equivocadas. Uma mesma coisa pode gerar interpretações e, consequentemente, decisões distintas dependendo do ponto vista. 50 UNIUBE Quando áreas inter-relacionadas têm opiniões diferentes e não conseguem chegar a um acordo sobre o melhor fluxo para o atendimento de uma demanda, o critério de decisão deve ser sempre pelo fluxo que vai entregar maior valor ao cliente final, associado ao objetivo do processo e à estratégia da organização. Neste sentido, identificar o tipo do processo de negócio de cada área também é importante. São eles: • Primário – tem como gatilho uma participação do cliente final (inicia com) e entrega valor para o cliente final. É a razão de existir da organização. Sem cliente, sem problemas, sem processos, sem empresa! • Suporte – são processos “meio”, têm o objetivo de prover insumos (material ou informação) para os processos de negócio primários, geralmente não têm contato com o cliente final. • Gestão (ou gerencial) – são os processos de negócios que orientam a gestão do negócio como um todo. Não é controle (não deveria), está mais voltado a traçar tendências para melhorar o desempenho organizacional indo ao encontro da estratégia. Ao identificaro tipo da atividade, é possível chegar à conclusão que boa parte do trabalho não tem nada a ver com adição de valor ao cliente final e, sim, com garantia de controle (auditoria, obrigação legal, correção de erros). Isso deixa colaboradores cansados com a sensação de que trabalharam muito, mas não produziram nada. Um processo que deveria ter 20 atividades, apresenta 80 porque não confia nas outras 20. Isso destrói a velocidade e encarece o processo, tudo em nome da equivocada necessidade de controle da garantia da qualidade. É importante olhar para o processo e identificar somente o que deveria existir. O princípio da qualidade não dá espaço para conferências e retrabalhos. Por mais que eliminar as fases de conferência possa parecer UNIUBE 51 utópico, é com essa visão que devemos fazer análise e redesenho, sempre com foco nos processos primários e visando à: • Eficiência – está relacionada ao decorrer do processo (padronização, consistência e sistematização). É preciso tomar cuidado com a busca indiscriminada por eficiência, isso pode onerar o processo com controles e desperdícios. • Eficácia – está relacionada ao resultado com valor. Se o que está sendo entregue é o que o cliente pediu, então o processo é eficiente. Por mais paradoxal que isso possa parecer, para BPM, não importa o que é possível, agradável ou exigido por lei. Só importa o valor que o cliente vai receber. • Efetividade – está relacionada a equilíbrio e constância na execução do processo ponta a ponta, somando eficiência e eficácia. Para resumir, se a organização tem a capacidade de entregar todas as demandas no tempo requerido conforme o projetado, ela é efetiva, eficaz e eficiente. O BPM não substitui qualquer técnica de melhoria ou ferramenta da qualidade e não é a verdade absoluta na busca das características elencadas acima. Na verdade, a combinação disso tudo é que é muito poderosa. Porém, não há receita de bolo. O caminho é a experimentação aliada ao conhecimento das possibilidades e abrangência de cada uma. A realidade do século XXI é que os gestores identificam a validade dessas ferramentas para o “chão de fábrica”, quando as atividades podem ser medidas e controladas de uma forma exageradamente tangível. Quando “subimos” para o gerenciamento estratégico ou mesmo para organizações de prestação de serviços, o BPMN ajuda na visualização dos processos como se fosse uma linha de montagem e, a partir daí, fica muito mais fácil a aplicação das ferramentas de qualidade da administração tradicional, até mesmo pensando na segmentação por habilidades. 52 UNIUBE Um ponto importante para que esse tipo de iniciativa gere bons frutos é não se enveredar pelo caminho de tentar aplicar – ao mesmo tempo – os passos do BPM em todos os processos existentes na organização. Para quem está começando, tentar atacar todas as frentes pode levar muito tempo para iniciar a implantação das melhorias e, com a demora na visualização dos resultados, corre-se o risco de desmotivar os envolvidos e passar para a alta gestão uma sensação equivocada de que BPM não funciona. Outro erro comum é o de aquisição de softwares prontos sem a análise prévia de possibilidade de integração com os processos existentes. Se o software e os processos envolvidos não conversam, fatalmente o software será subutilizado. Outra questão é que não adianta investir apenas no esforço de documentar os processos (análise e desenho). O grande objetivo deve ser o de implementar a melhoria, vê-la acontecendo. É tornar as áreas autorreflexivas, em um contexto dinâmico de melhoria contínua, cada vez menos dependente de consultorias ou auditorias externas. IMPORTANTE! Para o bom relacionamento, comunicação e, principalmente, eficácia entre áreas que participam de um mesmo processo, é vital que alguns pontos estejam claros, são eles: 1. Qual o objetivo final deste processo? 2. Quais elementos esta área precisa receber para iniciar a sua parte? 3. Existe alguma condição capaz de interromper o processo nesta área? 4. O que esta área precisa entregar para que o fluxo do processo possa prosseguir? UNIUBE 53 5. Quais são as atividades e tarefas que esta área precisa fazer para entregar a sua parte? 6. Quais são as regras que esta área precisa considerar para executar as atividades e tarefas? 7. Quem são os responsáveis por cada atividade e tarefa? 8. A quem eu devo recorrer em caso de problemas do processo? 9. Quem são os impactados pelo processo? No momento da modelagem e da execução do projeto, seja para análise – seja para desenho – esses pontos recebem nomenclaturas mais técnicas e sintéticas: Objetivos, Eventos (inicial, intermediário e final), Atividades, Regras de negócios (pontos de decisão), Tarefas, Atores, Dono do Processo, Stakeholders (sofre ou gera impacto no processo), entrada (insumos) e saídas (produto). Se o objetivo não estiver claro, é possível começar de trás para a frente. Ao identificar que o processo está produzindo, qual o seu resultado, é possível clarear ou resgatar o objetivo de um processo de negócio. Vistos e esclarecidos os principais conceitos relacionados a BPM, podemos retomar com maior abrangência as principais áreas e nos preparar para aprofundar em cada uma delas. São elas: • Modelagem – formas de representar graficamente o processo. • Análise de processos – compreensão dos processos de negócio, incluindo eficiência e eficácia dos processos. Também chamado de “AS IS”: o processo ruim como ele é. • Desenho – porque o “AS IS” é ruim? Aborda conceitos e princípios para melhoria de processos. É o “TO BE". A dor que se sente não é equivalente ao diagnóstico. Análises e “exames” complementares são necessários. 54 UNIUBE • Gerenciamento de desempenho – monitoramento formal e planejado, rastreamento de resultados para determinar a eficiência e eficácia do processo. Indicadores. • Transformação – o quão impactante essa “melhoria” vai ser na cadeia de valor do cliente. • Organização do gerenciamento de processos – trata de papéis, responsabilidades e a estrutura para prover suporte a organizações orientadas por processos. A importância da governança do processo é explorada. Entra o conceito de processos enquanto orientador. • Gerenciamentos de Processos Corporativos – identifica métodos e ferramentas para avaliar os níveis de maturidade do gerenciamento de processos juntamente com as áreas requeridas de prática de BPM que podem melhorar as condições da organização. • Tecnologias de Gerenciamentos de Processos – ampla gama de tecnologias disponíveis para prover o suporte ao planejamento, análise, desenho, operação e monitoramento dos processos de negócios. A integração dessas áreas une todos os elementos necessários para uma ação conjunta com as conhecidas ferramentas de qualidade possibilitando uma alternativa (e porque não um avanço?) para a administração moderna. Para tanto, cada conceito precisa ser aprofundado para aplicação em conjunto ou isoladamente, dependendo sempre do objetivo. Conclusão2.4 A Gestão de Processos de Negócios, ou BPM, não é um conceito inteiramente novo que surgiu para eliminar as diretrizes já existentes. É uma evolução que utiliza uma visão mais abrangente dos processos aliada a uma abordagem que considera a situação atual deles, tornando mais fluida e dinâmica a implantação de melhorias contínuas para alcançar resultados consistentes e alinhados com os objetivos organizacionais. UNIUBE 55 O BPM visa fundamentalmente entregar valor ao cliente final, valendo- se para isso de várias tarefas e atividades inter-relacionadas que irão responder a questões e levar a processos otimizados. Apesar disso, não é uma fórmula mágica que traz soluções rápidas e certezas absolutas: trata-se de uma importante ferramenta que, se implantada da maneira correta, facilitará uma visão abrangente de processos aplicados nas mais diversas situações, identificando oportunidades e se tornando uma importantealiada na transformação da organização. Após a Gestão da Qualidade Total (nos anos 1970) e a Reengenharia de Processos de Negócio (nos anos 1990), a Gestão de Processos de Negócio - BPM - surgiu no início dos anos 2000 como uma evolução dos conceitos anteriores. Ela se diferencia dos conceitos anteriores não apenas por focar os processos de ponta a ponta, identificando, desenhando, executando, documentando, controlando e obtendo melhorias para alcançar resultados consistentes, mas também por utilizar análises baseadas na situação atual desses processos. As representações gráficas e os diagramas que descrevem as etapas de um processo de negócio são realizados por meio da BPMN, uma linguagem padrão entre os profissionais mais técnicos e, em seguida, podem ser transformados em ferramentas informatizadas (BPMS). BPM vai além de uma disciplina técnica ou de uma teoria relacionada à qualidade e à gestão. O objetivo é provocar uma mudança no comportamento dos gestores para que possam transformar a organização, resultando em melhoria contínua nos processos e ganho substancial no valor percebido pelo cliente final. Resumo 56 UNIUBE Por meio da integração de todas as suas áreas, cria-se o ambiente ideal para a modelagem e execução de projetos de melhoria contínua, focando o aproveitamento das forças existentes da organização e sensibilização de colaboradores em prol da transformação evolutiva da cultura organizacional. Referências ABPMP - BPM CBOK™ v3.0 - Business Process Management Common Body of Knowledge, 1. ed., 2013. Capote, Gart - Guia para Formação de Analistas de Processos, BPM – Volume 1 / Gart Capote de Brito. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Gart Capote, 2011. Smith, Howard; Fingar, Peter - Business Process Management: The Third Wave - 1 ed. - Florida: Meghan Kiffer Press, 2002. Hammer, M. e Champy, J. A. - Reengineering the Corporation: A Manifesto for Business Revolution - 1 ed - New York: Harper Business, 1993. Cavalcanti, Rubens – Modelagem de Processos de Negócios. 1. ed.– Rio de Janeiro: Brasport, 2017. Cristiane Demartini Introdução Princípios fundamentais de Modelagem de Processos de negócio Capítulo 3 Modelagem de processos constitui uma das áreas de conhecimento de BPM (Business Process Management/ Gerenciamento de Processos de Negócio) e caracteriza-se por ser a fase menos abstrada da prática, a que permite documentar o processo, executar treinamentos, facilitar a visualização para proposta de melhorias, para citar somente algumas das possibilidades. Por ser uma ferramenta que pode trazer vários benefícios, mesmo separada das demais áreas de conhecimento de BMP, é, provavelmente, a área que tem a maior quantidade de praticantes e softwares disponíveis, inclusive gratuitos. A modelagem é compreendida como parte fundamental para análise e otimização de processos de negócios, pois proporciona entendimento e oportuniza a reflexão de algo que, até então, era só executado. A execução sem o entendimento, por vezes, torna a prática tediosa. Diagramas, mapas e modelos são amplamente utilizados para facilitar o entendimento de algo: uma estrutura atômica, um DNA, um sistema de distribuição de águas, o projeto de uma casa e, neste caso, os processos de negócio. Ao transformar um processo em um objeto (um desenho que caiba no campo de visão), o 58 UNIUBE cérebro reconhece padrões e organiza informações de modo que façam sentido, evidenciando as possibilidades de intervenção. A modelagem voltada para processos de negócios, assim como para os outros exemplos citados, utiliza técnicas e metodologias específicas, sendo comum a representação textual associada à representação gráfica. Essas representações englobam a modelagem AS IS (estado atual) e a modelagem To Be (estado desejado) e estes exercícios, por si só, já representam uma grande oportunidade de compreensão da realidade para melhoria de produtividade e de qualidade. Esquema 3.1 Modelagem de Processos de Negócio 3.2 Informações a serem captadas 3.3 AS IS e TO BE 3.4 Modelos de Referência 3.5 Modelagem como ferramenta para atender a requisitos de conformidade 3.6 Conclusão Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • Explicar os princípios fundamentais de modelagem de processos de negócio. • Mostrar a importância da coleta de informações para modelagem e em que nível devem ser usadas. • Diferenciar modelagens AS IS e TO BE. • Orientar como buscar modelos de referência. • Explicar a importância da modelagem como ferramenta para atendimento de requisitos de conformidade. UNIUBE 59 Modelagem de Processos de Negócio3.1 A modelagem de processos de negócio pode ser entendida como um conjunto de ações para a elaboração de representações gráficas associadas a texto, de processos novos, existentes ou em planejamento. Essas representações devem proporcionar a visualização do processo de forma completa, ou de ponta a ponta. Deve, ainda, demonstrar a ordem das atividades, entradas, saídas, interfaces com outros processos e os responsáveis por cada atividade. É preciso considerar que nenhum modelo representará com clareza toda a complexidade do processo ou a realidade exata. Segundo Cavalcanti (2017), o propósito da modelagem é fornecer uma visão simplificada, porém integrada, dos processos da organização para uma finalidade específica e que é essa complexidade da realidade que torna importante a prática de apoiar-se em um modelo para este entendimento, mesmo que este apresente apenas uma parte da realidade. Essa complexidade é potencializada nos dias atuais em que tudo acontece muito rápido. As organizações e seus processos são um organismo vivo e em movimento, em que variáveis internas e externas não podem ser severamente controladas. Por este motivo, nem sempre será fácil levantar as informações necessárias para a modelagem. É esta perspectiva que torna este exercício tão importante e, neste sentido, alguns pontos devem ser observados: • É comum (e até esperado) haver alterações durante e/ou logo após a modelagem, em especial nos casos em que o processo nunca foi modelado. Isto porque mesmo uma pessoa experiente, especialista e competente apresentará dificuldades em passar as informações que descrevem o(s) processo(s) que executa. Natural! A possibilidade de refletir sobre o que faz é que possibilitará a identificação, de forma “surpreendente”, de falhas e possibilidades de melhoria. O modo automático do dia a dia, por vezes, produz vícios. 60 UNIUBE • A rotina e a sequência adequadas para o processo nem sempre estão padronizadas e o modelo produzido pode passar falsa sensação de que o que está sendo visualizado não se aproxima em nada da realidade enquanto, na verdade, só representa a primeira vez que o processo foi pensado em uma ordem lógica. • Um mesmo processo pode ser represetando de diferentes formas sem, necessariamente, significar maior ou menor eficiência, não há certo ou errado há uma modelagem que precisa ser colocada no papel que permita acompanhamento e alterações. Para diminuir esses impactos, é indicado que o nível de detalhes cresça com o tempo, pois a tentativa de se produzir um modelo completo logo de início trará mais desgaste e perda de tempo do que os resultados esperados. É como aquele primeiro dia de academia em que no sentimos prontos para “pegar pesado”, mas depois as dores não nos deixam fazer o mais importante, que é voltar em 2 dias e depois de novo e de novo. É preciso fortalecer os músculos aos poucos para atingir os resultados. Um processo, por menor que seja, pode produzir uma infinidade de informações, saber como e quando utilizá-las é a chave do sucesso e do crescimento consistente. Informações a serem captadas3.2 Várias são as informações possíveis de serem captadas na modelagem, mas o que, de fato, será levantado dependerá do propósito e da especificidade da aplicação. Uma boa prática é criar, primeiro, um diagrama, depois, ummapa e, por fim, um modelo do processo. Estes níveis de especificação são caracterizados da seguinte forma: Diagrama • Visualmente simples. • Não serve para diagnóstico. UNIUBE 61 • Não apresenta os atores responsáveis por cada atividade. • Serve para se ter uma noção geral da abrangência do processo. • Não considera exceções. • Evento de início, principais atividades e fim. Fonte: BLOG.IPROCESS, 2019. Imagem disponível em: http://blog.iprocess.com.br/wp-content/uploads/2014/02/modelo.jpg Modelo: • Fluxo completo e detalhado. • Possibilidade de simulação. • Custos. • Capacidade. Visualmente, um mapa pode ser igual a um modelo, o que vai diferenciar é a forma como o processo é montado no software . Se feito da forma correta, podemos gerar relatórios de custo e capacidade, bem como realizar uma simulação. O mesmo desenho apresentado anteriormente como exemplo de mapa, quando possui todas as informações cadastradas, pode gerar os seguintes relatórios: 62 UNIUBE Fonte: BLOG.IPROCESS, 2019. Imagem disponível em: http://blog.iprocess.com.br/wp-content/uploads/2014/02/modelo.jpg UNIUBE 63 Como podemos ver, cada tipo de nivelamento tem uma aplicação específica e atende a propósitos diferentes. Sua elaboração acontece em diferentes momentos e estágios de desenvolvimento e acesso à informação. Basicamente, entre a criação de um diagrama até a criação de um modelo, o que muda é a quantidade de informações disponíveis e a possibilidade de simulação (quando modelo), como ilustra o gráfico, a seguir: Fonte: Capote (2015). Segundo Capote (2015), os propósitos mais comuns que motivam a modelagem são: • Criar uma representação dos processos. • Descrevê-los suficientemente para análise. • Melhorar o entendimento do negócio. • Apoiar em treinamento de recursos. • Avaliar mudanças e melhorias em processos existentes. • Servir como base de comunicação. Fluxo do trabalho Principais atividades Atores, eventos, resultados Dados mais completos Fluxo da informação Capacidade de simulação Informação Mapa Modelo 64 UNIUBE De forma geral, os dados importantes a serem coletados para modelagem são: atividades, etapas das atividades, tarefas, recursos necessários, atores, entradas, saídas, custos, tempo das atividades, competência necessária para atividades, sistemas em uso, setores relacionados, itens de controle necessários para compor indicadores, entre outros. Fazer um formulário para ser preenchido com esses itens, logo no início, é um recurso simples e de grande ajuda. Como informado anteriormente, não é obrigatório que determinado nível de modelagem apresente sempre determinados itens de informação. O propósito é que vai nortear o que precisa ser explicitado. Foram relacionadas acima as informações mais comuns e necessárias para a modelagem, mas lavantá-las na totalidade não é uma regra e nem sempre todas as informações coletadas estarão explícitas na representação gráfica. Podemos pensar que os dados gerados pelo formulário de requisição representam um conjunto de ferramentas que podem ou não ser utilizadas na ocasião da modelagem. Para ilustrar, coloquemo-nos diante da situação em que há um vazamento no banheiro de casa e acionamos um encanador. Ele vai levar uma caixa de ferramentas que foi montada de forma a resolver as situações mais comuns de problemas, mas nem todas as vezes ele vai utilizar todas as ferramentas. Em algumas situações uma única ferramenta será o bastante, em outras, vão faltar recursos. Só será possível saber quando ele chegar ao local, visualizar e entender o problema. Os elementos básicos utilizados para modelagem em BPMN são: BPMN Conjunto de padrões gráficos que especificam símbolos usados em diagramas e modelos de processos. Busca uniformizar a terminologia e técnica de modelagem. (CBOK v3.0 da ABPMP, 2013, p. 416). UNIUBE 65 Fonte: OMG, 2019. Disponível em www.BPMN.org AS IS e TO BE3.3 A modelagem de processos, no geral, está dividida em duas grandes atividades: do estado atual (AS-IS) e do estado desejado (TO-BE). Por mais que seja complicado bloquear os julgamentos sobre como o processo deveria ser, que surgem quase que automaticamente no momento de modelar a situação atual, é preciso considerar que este momento tem como objetivo ratificar o entendimento e a qualidade da informação antes de pensar em melhorias. Qualquer tentativa de se pensar em melhorias antes disso está no campo da idealização e pode causar muita confusão. AS IS trata da documentação para análise do objeto a ser estudado e qualquer representação que não corresponda à realidade vigente deve ser mantida fora desta etapa. Além de apoiar treinamentos, esta documentação é a base para iniciar as conversas do estado desejado, TO BE, ou seja, a exceção das situações, em que a modelagem se 66 UNIUBE Modelos de referência3.4 A maioria das organizações, mesmo de diferentes segmentos, possuem processos de mesma natureza. Podemos dizer que as áreas de contabilidade e recursos humanos são as intersecções mais comuns e existe uma grande oferta de softwares com processos prontos destas áreas no mercado. Da mesma forma outros processos representam intersecções em segmentos com um grande número de empresas em funcionamento, como gestão de estoque, relacionamento com o cliente, etc. Quando o assunto são áreas “de uso comum” regidas por leis externas específicas (de legislação ou conformidade) e com estudos consolidados na literatura, a utilização dessas soluções prontas pode contribuir de forma significativa para a agilidade e qualidade na implantação de processos, mesmo considerando o custo de aquisição deles. Essas empresas de software ganham no volume tanto financeiramente quanto na colaboratividade mútua em prol da melhoria contínua. Conseguem oferecer preços muito atrativos em relação ao que poderia ser gasto no desenvolvimento de um processo do zero, pois tais processos já são amplamente utilizados por várias organizações e já há algum tempo passam por um intenso ciclo de estudo, análise e otimização. destina a um processo novo, que ainda não tenha entrado em prática; a modelagem AS IS é o primeiro passo. TO-BE trata de modelar o novo processo, ou o processo melhorado, tem por objetivo criar uma representação da sua projeção. É o estabelecimento dos conhecimentos, das modificações e da aplicação das melhorias propostas e sugeridas ao novo e/ou melhorado processo. Esta etapa deve garantir que o modelo projetado atenda às expectativas e necessidades da organização (Capote, 2017). UNIUBE 67 No entanto, é importante considerar que as organizações dessas empresas que vendem pacotes de processos prontos encontram dificuldades quando buscam implementações de necessidade particular, justamente pelo fato de a estrutura terceirizada não estar a serviço exclusivo de determinada organização. Além de softwares prontos do mercado, a procura por modelos de referência pode ser realizada por meio de benchmarking. Benchmarking Segundo Kotler, benchmarking é estudar as empresas com as melhores práticas, a fim de melhorar o próprio desempenho. 3.5 Modelagem como ferramenta para atender a requisitos de conformidade É certo que o ambiente de negócios será cada vez mais complexo e regulamentado. É a complexidade que gera a necessidade de regulamentação tanto para criar parâmetros de percepção de valor a investidores quanto para proteger o consumidor. Deste cenário, surgem requisitos regulatórios ou de conformidade que podem ser de qualidade, segurança ou legais. São exemplos de requisitos de conformidade: • ANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária - tem por finalidade promover a proteção da saúde da população, por intermédio do controle sanitário da produção e consumo de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados, bem como o controle de portos, aeroportos,fronteiras e recintos alfandegados. • ISO 9000: A ABNT NBR ISO 9001 é uma norma que define os requisitos para colocar um sistema de gestão da qualidade em vigor. Ela ajuda empresas a aumentar sua eficiência e a satisfação do cliente. • ISO 14001: A ABNT NBR ISO 14001 é uma norma aceita internacionalmente que define os requisitos para colocar um sistema da gestão ambiental em vigor. Ela ajuda a melhorar o desempenho das empresas por meio da utilização eficiente dos recursos e da 68 UNIUBE Conclusão3.6 A modelagem tem como propósito fornecer uma visão simplificada e integrada de processos existentes, novos, em construção ou como alguma necessidade de melhoria, tornando-se uma importante ferramenta de abrangência importante na gestão das organizações, com isso constitui um instrumento para propagar o conhecimento organizacional quando compreendido como meio de comunicação, de identificação de oportunidades de melhoria e de geração de vantagem competitiva. Resumo A modelagem de processos proporciona a visualização de processos de forma completa, ou de ponta a ponta e demonstra também a ordem das atividades, entradas, saídas, interfaces com outros processos e os responsáveis por cada atividade. redução da quantidade de resíduos, ganhando assim vantagem competitiva e confiança das partes interessadas. • ANS: A Agência Nacional de Saúde Suplementar é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil responsável pelo setor de planos de saúde. De forma geral, tais organismos são independentes de relação comercial e têm como finalidade atestar que determinado produto, processo ou serviço está em conformidade com requisitos pré-estabelecidos de qualidade e segurança ou legais (BALDAM; VALLE; ROZENFELD, 2014). A modelagem é parte indispensável para que as organizações consigam cumprir requisitos de conformidade, pois possibilita uma comparação dos requisitos existentes com os exigidos e, consequentemente, a construção de um plano de ação focado, além de demonstrar a preocupação com a melhoria contínua por meio de práticas de fácil comprovação. UNIUBE 69 Várias são as informações possíveis de serem captadas na modelagem, mas o que de fato será levantado dependerá do propósito e da especificidade da aplicação, podendo utilizá-las em maior ou menor quantidade em diferentes níveis: diagrama, mapa e modelo. Diagramas, mapas e modelos são amplamente utilizados para facilitar o entendimento de algo: uma estrutura atômica, um DNA, um sistema de distribuição de águas, o projeto de uma casa e, neste caso, os processos de negócio. Ao transformar um processo em um objeto (um desenho que caiba no campo de visão), o cérebro reconhece padrões e organiza informações de modo que façam sentido, evidenciando as possibilidades de intervenção. A modelagem de processos, no geral, está dividida em duas grandes atividades: do estado atual (AS IS) e do estado desejado (TO BE). Quando o assunto são áreas “de uso comum”, como contabilidade, recursos humanos e estoque, por exemplo, encontram-se no mercado soluções prontas de software que podem contribuir para a agilidade e qualidade na implantação de processos. Da mesma forma, a procura por modelos de referência pode ser realizada por meio de benchmarking. É certo que o ambiente de negócios será cada vez mais complexo e regulamentado. Essa complexidade gera a necessidade de regulamentação tanto para criar parâmetros de percepção de valor a investidores quanto para proteger o consumidor e a modelagem é parte indispensável para que as organizações consigam cumprir requisitos de conformidades. 70 UNIUBE Referências ABPMP - BPM CBOK™ v3.0 - Business Process Management Common Body of Knowledge. 1. ed. 2013. CAPOTE, Gart - Guia para Formação de Analistas de Processos, BPM. Volume 1, 1. ed. Rio de Janeiro: Gart Capote, 2011. CAVALCANTI, Rubens – Modelagem de Processos de Negócios.1. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2017. BALDAM, R.; VALLE, R.; ROZENFELD, H. Gerenciamento de Processos de Negócio BPM: uma referência para implantação prática. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. BLOG.IPROCESS. Processo de venda de veículos. 1 imagem. Disponível em: http://blog.iprocess.com.br/wp-content/uploads/2014/02/modelo.jpg. Acesso em: 23 ago. 2019. OMG. Business process model and notation. 1 imagem. Disponível em: https:// www.bpmn.org. Acesso em: 23 ago. 2019. Wagner Cardoso Introdução Melhoria contínua na Gestão de Processos e Operações Capítulo 4 Neste capítulo serão abordados temas importantes da melhoria contínua na Gestão de Processos e Operações, como a contextualização para a transformação, a evolução incremental de um processo utilizando a abordagem dos tópicos tratados em melhoria contínua, para assegurar que o processo continue atingindo seus objetivos ao longo do tempo. Serão vistas as ferramentas: PDCA, MASP, DMAIC, filosofia Lean Seis Sigma, Design Thinking e TQM. Todas estas ferramentas e metodologias são cruciais para a implementação de melhorias contínuas nos processos em que vocês, futuros gestores, irão atuar. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • Identificar a importância da melhoria contínua nos processos. • Reconhecer que todo processo é passível de melhorias. • Analisar criteriosa e criticamente todo processo produtivo, seja ele de bens ou serviços. • Conhecer as principais ferramentas e metodologias que, se bem utilizadas, proporcionam melhorias contínuas nos processos. 72 UNIUBE • Implantar melhorias contínuas em processos e operações sob sua gestão de forma eficaz, eficiente e com ótimo retorno sobre o investimento. Esquema 4.1 Melhoria Contínua 4.1.1 Ferramenta PDCA 4.1.2 Método para Análise e Solução de Problemas – MASP 4.1.3 Ferramenta DMAIC 4.1.4 Lean Seis Sigma 4.1.5 Design Thinking 4.1.6 TQM 4.2 Conclusão Melhoria contínua4.1 O termo melhoria contínua sempre existiu, desde que o mundo é mundo, porém era utilizado em todas as tarefas, ações e atividades do cotidiano dos povos. Claro que, em algumas regiões e em algumas épocas, havia menos preocupações em se fazer melhorias, pois havia certa estagnação e acomodação. Porém, é fato que todos entendiam que as melhorias deviam existir e que elas eram infinitas. É neste exato ponto, o infinito, que se alicerça todo o conceito de melhoria contínua. Todos precisam entender a importância da melhoria contínua e compreender que ela é infinita, pois não existe processo, tarefa ou ação perfeita, em que não caibam melhorias. Em todas as tarefas, cabem melhorias. Partindo desse pressuposto, fica mais fácil compreender que toda tarefa é passível de melhoria, seja ela de pequeno ou grande vulto, pois não é UNIUBE 73 o tamanho da melhoria que define sua importância. Pelo contrário, o que define sua importância é o quanto ela agrega valor ao processo, produto, empresa e/ou ao cliente. Por isso, é prioritário que as melhorias sejam executadas independentemente do seu tamanho e que sejam realizadas continuamente, sem fim. Mesmo nos processos mais avançados existem possibilidades de melhorias. Daí o nome melhoria contínua, relativo a melhorias que são executadas e implementadas continuamente nos processos. É preferível ter melhorias menores, mas em maior número (com maior frequência), do que grandes melhorias, porém esporádicas. Em substituição ao termo melhoria contínua, os japoneses convencionaram chamá-la de kaizen, que nada mais é que melhoria contínua em japonês. O processo de melhoria contínua se dá por meio de sugestões de todos os colaboradores envolvidos na tarefa, de forma direta e/ou indireta. Utilizam-se de reuniões do tipo brainstorming (turbilhão de ideias) com os envolvidos, para levantar o máximo de sugestões de melhorias. Existem outras técnicas usadas e não há demérito em nenhuma delas, a única exigência é que as melhorias sejam de fato contínuas e todos os envolvidos direta ou indiretamente no processoe problema em questão sejam ouvidos. Isso faz parte do aprimoramento das relações humanas dentro da empresa e, obviamente, serve como fator motivacional, pois os colaboradores se sentirão parte da empresa, e não mais apenas números. A seguir, serão tratadas algumas ferramentas e técnicas que colaboram para o desenvolvimento da cultura da melhoria contínua. 74 UNIUBE 4.1.1 Ferramenta PDCA A natureza do melhoramento contínuo e da solução de problemas pode ser tratada como ciclos de melhorias, representado por um processo sem fim de questionamentos e requestionamentos sobre as características do processo e do problema em si. O método mais generalista para o processo de melhoria contínua é o PDCA. PDCA são as iniciais das palavras inglesas Plan, Do, Check e Action. Em português, é Planejamento, Execução, Verificação e Ação Corretiva. A seguir, a explicação de cada uma das etapas. • Planejamento (P): criação e estabelecimento de metas, itens de controle e métodos para atingir a meta proposta. • Execução (D): nesta etapa, é feita a execução das ações previstas para correção do problema e coleta de dados para futura verificação do processo (cuidado na coleta de dados, pois dados equivocados ou errados não podem de forma alguma ser utilizados para execução do PDCA, sob pena de você ter contaminado todo o processo de melhoria). É nesta etapa que também ocorre o treinamento para a execução. • Verificação (C): etapa em que é feita a comparação dos resultados efetivamente atingidos com os resultados propostos na etapa de planejamento. É o comparativo do planejado versus o realizado. • Ação Corretiva (A): na qual é feita a atuação nos desvios encontrados visando fazer correções definitivas, para que eles não voltem a acontecer. Se necessário, faz-se replanejamento das ações de melhoria e se reinicia o ciclo PDCA, como ciclo de melhoria contínua que é. A Figura 1, a seguir, traz o ciclo PDCA e suas etapas. UNIUBE 75 Figura 1: Ciclo PDCA. 4.1.2 Método para Análise e Solução de Problemas – MASP O MASP é uma ferramenta completa de solução de problemas, em que o PDCA é usado como complemento de sua aplicação. O MASP é utilizado em larga escala nas empresas do século XXI, pois permite que a empresa se mantenha focada na busca pela melhoria contínua (do japonês kaizen), mantendo o foco na padronização e busca pelas causas reais dos problemas até que eles sejam solucionados. Ou seja, os problemas são enfrentados para que sejam resolvidos de uma vez por todas, e não com ações paliativas. Além disso, o MASP tem a capacidade de reunir diversas ferramentas para a priorização e solução de problemas. Ele é um método gerencial aplicado tanto na manutenção quanto na melhoria dos padrões estabelecidos. O método constitui-se em uma parte essencial para a manutenção, o controle e a melhoria da qualidade e deve ser conhecido por todos os P (PLAN) A (ACTION) ATUAR CORRETIVAMENTE VERIFICAR OS RESULTADOS DA TAREFA EXECUTADA EDUCAR E TREINAR EXECUTAR A TAREFA (COLETAR DADOS) DEFINIR AS METAS DEFINIR OS MÉTODOS QUE PERMITIRÃO ATINGIR AS METAS PROPOSTAS C (CHECK) D (DO) 76 UNIUBE colaboradores da empresa, da diretoria ao pessoal operacional. O MASP tem duas grandes vantagens: 1ª) promove a solução dos problemas de maneira científica e efetiva; 2ª) permite que cada pessoa da organização se capacite para resolver os problemas específicos de sua responsabilidade. O método de análise e solução de problemas utiliza-se do ciclo PDCA e das ferramentas da qualidade para construir a identificação, análise e solução de possíveis problemas. A metodologia MASP é estruturada em oito etapas, a saber: • Etapa 1 - Identificação do problema: é a primeira e uma das mais importantes etapas do MASP, pois, se o problema for identificado de forma aberta e certeira, facilita o desenvolvimento do restante do trabalho. Identificar o problema tem como objetivos principais: escolher um problema entre os vários plausíveis a fim de concentrar esforços para obter o melhor resultado possível e usar critérios a fim de que o problema a ser resolvido mereça a atenção da aplicação do método. • Etapa 2 – Observação: consiste em investigar e apurar de que forma os problemas ocorrem e quais as suas características sobre vários pontos de vista. Nesta etapa, a coleta de informações é de vital importância para colaborar para o processo de análise (etapa 3). Esta etapa pode ser comparada a uma investigação criminal, na qual os detetives vão ao local do crime a fim de, meticulosamente, procurar evidências do autor do crime, da mesma forma como os membros que utilizam o método MASP devem ir ao local de trabalho a fim de buscar a solução do problema. • Etapa 3 – Análise: considerada a mais importante etapa do método MASP, a análise visa determinar as principais causas do problema. Por isso, a identificação das causas do problema deve ser feita de maneira científica, utilizando ferramentas da qualidade, dados, fatos UNIUBE 77 e informações reais que permitam fornecer ao processo uma atitude prática e transformadora. • Etapa 4 – Plano de ação: após analisar as causas fundamentais do problema, ações precisam ser tomadas a fim de eliminá-las. Nessa etapa, é necessário definir estratégias para eliminar as causas fundamentais e então aplicá-las. • Etapa 5 – Ação: esta etapa consiste na aplicação das ações definidas na etapa anterior, isto é, no plano de ação. Começa-se, então, com a divulgação das ações a serem realizadas às pessoas envolvidas direta e indiretamente com o problema em si. Depois, passa-se à realização do plano terminando com o acompanhamento, a fim de verificar se a execução das ações foi feita conforme planejado. • Etapa 6 – Verificação: feitas as ações definidas na etapa anterior, é vital verificar se elas surtiram o efeito esperado, ou seja, se as expectativas foram atendidas, pois, ao solucionar problemas, o indivíduo tem um aumento da autoestima e crescimento pessoal. Essa verificação deve, se possível, ser mensurada em termos numéricos e com apoio de ferramentas da qualidade. Caso a verificação da ação tomada considerar que ela não atingiu seu objetivo, é necessário voltar à etapa 2 (observação) e analisar o motivo. • Etapa 7 – Padronização: verificada a eficiência da ação tomada, é necessário padronizá-la e difundi-la a fim de ser incorporada à cultura organizacional e à forma de trabalho. Padronizar a ação tem como objetivo evitar que o problema retorne acarretando a sua reincidência. Essa padronização não deve ser realizada apenas nos documentos, mas sim deve ser incorporada à rotina das atividades e à cultura da organização, o que é alcançado por meio de instrução e treinamentos. • Etapa 8 – Conclusão: a última etapa da metodologia MASP tem como objetivo avaliar todas as etapas anteriores realizadas a fim de obter conhecimento e aprendizado como forma de lições aprendidas e com elas aplicar melhor a metodologia em trabalhos futuros. A figura 3, a seguir, traz as 8 etapas do MASP no contexto da metodologia do PDCA, já que as duas são complementares: 78 UNIUBE Figura 3: Etapas do MASP. 4.1.3 Ferramenta DMAIC DMAIC é a junção das siglas que dão nome à ferramenta, significando: D – Define (definir); M – Measure (medir); A – Analyse (Analisar); I – Improve (melhorar); C – Control (controlar). DMAIC é uma ferramenta do Lean Seis Sigma que visa melhorar o processo por meio da seleção correta dos projetos, além de possuir uma sequência de etapas ou passos que colaboram para o desenvolvimento e solução do problema. Você quer saber mais sobre este sistema – Lean Seis Sigma ou Lean Six Sigma? Mais adiante, iremos nos ocupar dele de forma mais detalhada. O DMAIC é focado em dados, pois utiliza as ferramentas estatísticas da qualidade para a solução dos diversos problemas encontrados no processo. As siglas, que compõem as etapas de implantação do DMAIC, tem as seguintes características:UNIUBE 79 I. Definir: é a primeira etapa do DMAIC e consiste em identificar o problema a ser tratado, desenvolver o Termo de Abertura do Projeto (também chamado de Minuta ou Project Charter) e criar e treinar a equipe. O Termo de Abertura do Projeto é um documento que formaliza a abertura do projeto e evidencia os requisitos básicos do projeto como o problema central, os objetivos, o impacto econômico, as limitações, as responsabilidades, o cronograma (primordial), entre outros. Outra técnica usada nessa etapa do DMAIC é a Voz do Cliente (VOC), que objetiva descobrir o que os clientes externos e internos esperam dos seus fornecedores, medindo as necessidades dos clientes com foco nas características críticas de qualidade que são encontradas por meio de entrevistas, questionários e pesquisas de satisfação. Uma terceira e última ferramenta utilizada nesta etapa do DMAIC é o SIPOC – Suppliers (fornecedores), Inputs (entradas), Process (processo), Outputs (saídas) e Consumers (consumidores), que visa mapear o processo de forma macro para facilitar a visualização das tarefas executadas. II. Medir: medir é a segunda etapa do DMAIC e visa levantar dados confiáveis sobre o problema a ser resolvido, avaliar o sistema de medição, garantir clareza na investigação dos dados e criar indicadores para medir o desempenho. É de extrema importância que os envolvidos tomem cuidado quando forem levantar os dados, pois dados incorretos desmerecem e inutilizam o DMAIC para seu respectivo problema. Logo, após decidir se serão utilizados dados históricos ou se coletarão novos dados, é preciso validá-los, conferindo qualidade a eles. Nesta fase, podem ser utilizados diversos gráficos para prover informações sobre o problema, tais como gráfico de Pareto, Boxplot e gráfico de sequência. III. Analisar: nesta terceira etapa do DMAIC deve-se achar as causas e avaliar as variáveis que têm relação direta com o problema. É preciso analisar o fluxo de valor para encontrar as divergências entre o desempenho desejado e o atual, além de analisar as causas das variações. Algumas ferramentas de análise do problema e do processo podem ser usadas, como fluxograma, 80 UNIUBE mapeamento do fluxo de valor, FMEA, Pareto, etc. Após, o foco se volta para os problemas que causam maior impacto no processo, priorizando e analisando as causas com o apoio de ferramentas estatísticas da qualidade. IV. Melhorar: nesta quarta etapa do DMAIC é a hora de utilizarmos o brainstorming novamente, mas com a criatividade a todo vapor. É o momento de propor soluções com base nos dados levantados na etapa anterior. Se houver mais de uma proposta, é preciso utilizar ferramentas de priorizações, como a ferramenta GUT (gravidade, urgência, tendência), sempre focando a satisfação do cliente e melhoria dos resultados operacionais e processuais. É importante ressaltar que a sinergia da equipe de melhoria é um fator crucial para o sucesso das propostas. O trabalho deve, de fato, ser executado por meio de trabalho em equipe, que utilizará ferramentas para a implementação das melhorias do plano de ação, como o 5W2H (ferramenta que define, por meio de perguntas simples, como executar o plano de ação, respondendo a sete perguntas: What? – O que será feito?; When? – Quando as ações serão concluídas?; Who? – Quem são os responsáveis?; Where? – Onde serão implantadas?; Why? – Por que serão feitas?; How? – Como serão feitas?; How much? – Quanto vai custar?). V. Controlar: nesta quinta e última etapa do DMAIC, o foco é em validar estatisticamente se o projeto atende aos benefícios propostos no início, implementar um plano de controle para o novo processo e documentar as etapas e lições aprendidas. Aqui é analisado também se as metas foram atingidas e, se não foram, volta-se à etapa Medir. Mas se foram atingidas, passa-se à fase de padronizar as metas e procedimentos e treinar todos sobre o novo método. A padronização é importante porque evita que desvios positivos e negativos ocorram sem conhecimento dos gestores. Desvio positivo é bem-vindo, pois é relativo a novas formas de executar as tarefas que tragam benefícios à empresa, mas desde que documentado e alinhado com os membros da organização. Desvio negativo não é bem-vindo, pois são alterações no processo que não agregam valor e levam a desperdícios, logo devem ser UNIUBE 81 evitados. Após a padronização, é necessário implementar planos de controle e acompanhamento das métricas de desempenho para que não se permitam desvios, ou que se eles ocorrerem que sejam enfrentados antes de provocarem maiores prejuízos ao sistema e aos clientes. Aqui podem ser usadas cartas de controle, folhas de verificação, auditorias, etc. É salutar que a implantação da ferramenta DMAIC elevará os processos da empresa a níveis maiores de precisão e confiabilidade. Logo, esta ferramenta é cíclica, de melhoria contínua, e não pode ser engavetada e esquecida. Deve sofrer, periodicamente, retroalimentação e feedback dos diversos setores envolvidos. Assim se constrói uma filosofia de melhoria contínua de fato. 4.1.4 Lean Seis Sigma Antes de definirmos Lean Seis Sigma, ou Lean Six Sigma, é importante dizer que este novo sistema de produção não foi criado a partir do nada, partindo somente da criatividade dos seus criadores. Foi criado através de um processo evolutivo, que começou lá na Revolução Industrial, no século XVIII, e, depois, com o advento da Administração Científica criado por Taylor. Este organizou os sistemas produtivos, criou regras e procedimentos, padronizou processos, instaurou o estudo de tempos e movimentos, tudo com o intuito de organizar os ambientes fabris, que eram desorganizados, reduzir custos, agilizar a produção e, obviamente, sem escravizar os funcionários, porque ele sabia que funcionário cansado, estressado e fadigado é funcionário desmotivado, e funcionário desmotivado é funcionário improdutivo. Esse tipo de visão sobre os sistemas de produção do passado é importante, pois dá os créditos a quem é de direito. Há muitos escritores que relatam hoje, de forma errônea e até difamatória, que Taylor e Ford (Ford foi precursor do sistema de produção em massa, onde sua maior contribuição foi a linha de montagem e a criação das 82 UNIUBE peças intercambiáveis) eram escravistas, que exigiam muito além das capacidades dos seus funcionários, o que não é totalmente verdade. Inclusive, Taylor se aliou ao casal Gilbreth para elaborarem estudos de fadiga humana e levantar as tolerâncias necessárias aos funcionários e às máquinas, chamando-as de tolerâncias pessoais, de fadiga e de máquina. Dito isso, após o desenvolvimento desses sistemas de produção, Taiichi Ohno visualizou que eles eram passíveis de melhorias, pois não contemplavam conceitos mercadológicos, de expectativa dos clientes. Ford teve seu declínio atribuído, basicamente, à insistência dele em não diversificar seus produtos e não atender às novas exigências do mercado. O mercado queria carros, mas não mais só carros pretos. Isso abriu brecha no mercado para outras montadoras oferecerem produtos que atendiam melhor aos anseios do mercado. Além deste fato mercadológico, Ohno, declaradamente um fã de Ford, aproveitou o momento pós-guerra que vivia o Japão, com escassez de recursos, para criar um novo sistema de produção que visava à redução de desperdícios de materiais, de horas-homens e de dinheiro de forma geral. Aí surgiu, na fábrica da Toyota, o Sistema Toyota de Produção (STP), ou Toyotismo. Logo após, o STP foi chamado mundo afora de Lean Manufacturing, uma alusão àquilo que ele se propõe de fato: uma produção enxuta. O Lean visa produzir de forma rápida, sem desperdícios e com flexibilidade os produtos desejados pelo mercado no momento que o mercado deseja. Houve uma tentativa de se chamar esse sistema de Just In Time, que seria produzir só no momento em que houver demanda, mas essa obrigação de produzir só no tempo não seCapítulo 5 Gerenciamento de desempenho e indicadores ................ 95 5.1 Motivos para implantar indicadores de desempenho.............................................96 5.2 O que são indicadores de desempenho? ...............................................................98 5.3 Key Performance Indicator - KPI ..........................................................................103 5.4 Sistemas de Medição de Desempenho (SMD) ....................................................104 5.5 Considerações finais.............................................................................................112 Capítulo 6 As pessoas na Gestão de Processos ...............................115 6.1 Gestão de Pessoas...............................................................................................116 6.2 Liderança transformadora .....................................................................................120 6.3 O papel das pessoas na Gestão de Processos ...................................................123 6.4 Modelo de Excelência da Gestão .........................................................................125 6.4.1 Os 13 fundamentos da excelência e os 8 critérios da excelência .............126 6.4.2 Integração dos fundamentos e dos critérios ...............................................129 6.5 Mudança cultural ...................................................................................................130 6.6 Empoderamento das pessoas ..............................................................................133 6.7 Foco no cliente ......................................................................................................135 6.8 Conclusão .............................................................................................................137 Capítulo 7 Gestão por processos com o foco do cliente .................. 143 7.1 Foco “no” cliente x foco “do” cliente......................................................................145 7.2 Jornada e experiência do cliente ..........................................................................147 7.3 Gestão “de” Processos x Gestão “por” Processos ...............................................149 7.4 Escritórios de processos .......................................................................................150 7.5 Gestão ágil e outside in ........................................................................................152 7.6 Conclusão .............................................................................................................153 Prezado(a) aluno(a), é um prazer tê-lo(a) conosco. Apresentamos a você o livro-texto que servirá de base para a disciplina Gestão de Processos e Operações. Esta disciplina tem a grande responsabilidade de sintetizar as principais e mais atuais metodologias e ferramentas para promover a melhoria contínua e transformação, visando à otimização de processos (tempo, custo, capacidade e qualidade) com o foco na satisfação de clientes. Mesmo em tempos de quarta revolução industrial, os precursores da Administração Científica e Clássica, Taylor e Fayol, precisam ser contextualizados, entendidos e estudados, pois utilizaram as tecnologias disponíveis na época para sistematizar processos fabris de uma forma jamais pensada até então. Muitos de seus registros continuam mais atuais do que nunca. Não é fascinante imaginar o que fariam nos dias de hoje? A gestão por processos de negócio, temática com uma discussão mais recente na literatura, será apresentada por meio de suas nove áreas, com um capítulo inteiro voltado para mapeamento e modelagem de processos e outro para indicadores de desempenho. A promoção de melhoria contínua e a importância das pessoas nesse contexto também serão abordadas e compõem a base teórica para a execução da gestão por processos com o foco do cliente. Este livro consta de sete capítulos, os quais abordam aspectos importantes da Administração e também desta em sua relação com a Apresentação VIII UNIUBE Gestão de Processos e Operações. Para que você tenha uma visão ampla do conteúdo nele contido, fizemos um breve resumo do que irá encontrar nestes capítulos. No capítulo 1, intitulado “As Teorias Clássicas da Administração e a relação com a Gestão de Processos”, serão abordados temas importantes da história da Administração e suas principais teorias, formando, assim, um embasamento teórico, objetivo, coeso e coerente com a proposta de Gestão de Processos. Serão explicados, a seguir, os primórdios da Administração, a Administração Científica de Taylor, a Teoria Clássica de Fayol, a Teoria das Relações Humanas, a Neoclássica, a Administração por Objetivos (APO), a Teoria da Burocracia, a Estruturalista, a Comportamental, a do Desenvolvimento Organizacional, a Matemática (sim, a Matemática), a de Sistemas, a da Contingência e, por fim, realizaremos um paralelo relacional entre a Administração e a Gestão de Processos de Negócio. “O que é Gestão de Processos de Negócio?” é o nome do segundo capítulo. Nele, apresentaremos as definições de Gestão de Processos dentro do contexto dos negócios. Após a Gestão da Qualidade Total (nos anos 1970) e a Reengenharia de Processos de Negócio (nos anos 1990), a Gestão de Processos de Negócio - BPM (Business Process Management) surgiu no início dos anos 2000 como uma evolução dos conceitos anteriores. No capítulo 3, “Princípios fundamentais de modelagem de processos de negócio”, serão abordados os princípios fundamentais de uma modelagem de processos de negócio eficiente e eficaz. Modelagem de processos constitui uma das áreas de conhecimento de BPM (Business Process Management / Gerenciamento de Processos de Negócio) e caracteriza-se por ser a fase menos abstrata da prática, a que permite documentar o processo, executar treinamentos, facilitar a UNIUBE IX visualização para proposta de melhorias, para citar somente algumas das possibilidades. O capítulo 4 volta-se para a melhoria contínua na Gestão de Processos e Operações. Nele, será abordado, com a profundidade merecida, o tema Melhoria Contínua no contexto da Gestão de Processos e Operações, passando por ferramentas e metodologias vitais à correta e eficiente implantação e execução das melhorias. Nesse capítulo, você terá em seu poder a maioria das ferramentas mais usadas para promover melhorias contínuas em suas organizações. Logo, espera-se que as coloque em prática e aprimore, assim, seu conhecimento. No capítulo 5, “Gerenciamento de Desempenho e Indicadores”, pretendemos apresentar conceitos fundamentais sobre o gerenciamento de desempenho e indicadores a fim de que compreenda a importância da busca pela melhoria contínua dos processos, tendo por objetivo utilizar-se das ferramentas de monitoramento e de avaliação para fornecimento de informações confiáveis sobre o desempenho desses mesmos processos. O capítulo 6, “As Pessoas na Gestão de Processos”, procura apresentar um enfoque mais humano, processual sim, porém humano. Justificando: não haverá mudança sem o comprometimento das pessoas envolvidas. Logo, este capítulo abordará a questão da Gestão de Pessoas com enfoque evolutivo para Gestão de Talentos Humanos, sob os aspectos mais relevantes para a Gestão de Processos e Operações, não objetivando esgotar o assunto, mas, sim, provocar uma certa inquietude no leitor para que ele internalize, de uma vez por todas, que nada é fixo, tudo é mutável, como dizia o filósofo Heráclito. Por fim, no capítulo 7, “Gestão por processos com o foco do cliente”, você irá entrar em contato com novas perspectivas sobre como as organizações veem o cliente em seus processos internos, por exemplo, X UNIUBE a análise da jornada e a importância que se dá ao sentimento deixado por uma experiência que envolveu a empresa, sendo a gestão por processos uma aliada decisiva nesse contexto. A gestão por processos de negócio, por meio de suas nove áreas, integra estratégiasfirmou no ocidente, jogando-o por terra e firmando de vez o termo Lean como a alusão preferida e aplicável do STP. O Lean prega que, quando você elimina os desperdícios ao longo da cadeia de valor, os produtos e serviços tendem a fluir de forma mais UNIUBE 83 rápida e cadenciada, trazendo retornos financeiros mais rápidos e menos capital imobilizado em ativos. Ohno, quando ainda na Toyota, identificou os sete desperdícios do Lean que ocorrem com frequência em praticamente todos os sistemas produtivos. São eles: 1. Desperdício de superprodução: consiste em produzir mais que o necessário. 2. Desperdício por espera: consiste em se esperar por materiais, pessoas e equipamentos, fazendo com que haja ociosidade no processo. 3. Desperdício de transporte: consiste em se perder tempo transportando materiais entre as etapas, pois transporte dentro de fábrica não agrega valor. 4. Desperdício de processamento desnecessário: consiste em executar operações que não agregam valor ao produto e que deveriam ser eliminadas, pois não trazem benefício algum. 5. Desperdício de estoque: consiste em se manter materiais ou produtos acabados parados em estoques aguardando operações ou entregas. Estoque é dinheiro parado. Os produtos, logo que produzidos, devem ser entregues ao mercado para que as retiradas do caixa em forma de compras e custos fixos se transformem em faturamento. 6. Desperdício de movimentação: consiste em se perder tempo com movimentos de funcionários que não agregam valor. Os funcionários estão ali para operar, produzir, agregar valor, e não para se movimentarem pela empresa em busca de algo ou alguém. Eles precisam ser alimentados com tudo que precisam para produzirem com qualidade e agilidade sem que tenham que saírem de seus postos de trabalho. 7. Desperdício com defeitos: consiste em se perder tempo reprocessando, retrabalhando ou refugando peças que deveriam ter sido produzidas corretamente da primeira vez. 84 UNIUBE A filosofia Lean funde-se à metodologia Seis Sigma, pois as duas em conjunto acabam tendo a mesma finalidade central: eliminar desperdícios. A metodologia Seis Sigma foi criada na década de 80 pelo CEO da Motorola, Bob Galvin, após uma análise de benchmarking dos seus principais concorrentes com foco em observar os melhores processos deles e melhorar assim o seu processo, para que as vendas fossem alavancadas por demandas que buscavam melhores produtos, mais ágeis e mais confiáveis. A metodologia Seis Sigma visa reduzir a variabilidade dos processos por meio da produção com maior qualidade, reduzindo custos e agilizando as entregas. Com isso, a satisfação do cliente também seria aumentada, fidelizando-o à empresa. Para se ter uma ideia dessa confiabilidade, o Seis Sigma preconiza que seu processo somente produza 3 ou 4 defeitos a cada um milhão de peças fabricadas (3,4 ppm). É um nível de confiabilidade jamais visto antes da década de 80, por isso revolucionou os ambientes fabris e continua revolucionando. A Tabela 1, a seguir, traz os níveis sigma de qualidade e seus respectivos defeitos por milhão (ppm). Nível de qualidade Defeitos por milhão (ppm) Custo de não qualidade 2 Sigma 308.537 Não se aplica 3 Sigma 66.807 25 - 40% 4 Sigma 6.210 15 - 20% 5 Sigma 233 5 - 15% 6 Sigma 3,4em blocos, por meio de regras, procedimentos e fórmulas. Ou seja, fomos “desensinados” a pensar criativamente. O design thinking retoma este conceito para mostrar aos envolvidos que é importante pensar como designers, ou seja, de forma abdutiva, criativa. O raciocínio abdutivo é o único raciocínio que produz a criatividade e a inovação, por ser a única lógica que incrementa uma nova ideia. A distinção entre a lógica dedutiva, indutiva e abdutiva é singular. A dedutiva parte do geral, das teorias, para o mais específico, a aplicação. A indutiva parte de observações para generalizações, teorias. E a abdutiva incentiva o uso da intuição e da criatividade na resolução de questões práticas. Logo, para que se desenvolvam boas respostas a partir da ferramenta do design thinking, é vital que o pensamento que prevaleça seja o abdutivo, criativo, inovativo. E qualquer pessoa pode pensar assim, não precisa de dons ou talentos pré-existentes. Basta treinar e agir fora da caixa, fora do quadrado em que fomos colocados pela educação formal. Para pensar como um designer, a pessoa envolvida precisa adquirir certas características, tais como: visão holística, foco nas pessoas, curiosidade 88 UNIUBE e observância aos comportamentos e detalhes, integrador e associativo, capacidade de improvisar, visão compartilhada, autoconfiante, prático, proativo e autossuficiente. 4.1.6 TQM Antes de entrarmos em TQM, de fato, é preciso definir qualidade. Qualidade é adequação ao uso, às necessidades e aos desejos dos clientes. Ou seja, quem determina se um produto ou serviço tem qualidade é seu potencial cliente. As características de qualidade também são determinadas por ele, mesmo que algumas sejam regidas por regras ou leis. Se uma característica de qualidade entendida pela empresa como importante não o é por parte do cliente, investir na melhoria dessa característica é desperdiçar tempo e dinheiro. É possível separarmos Gestão da Qualidade em quatro fases evolutivas: fase da inspeção, em que o foco era não deixar que produtos defeituosos chegassem ao mercado por meio da inspeção 100% como ferramenta única; fase do controle estatístico da qualidade, em que eram retiradas amostras representativas do universo com a finalidade de diminuir custos com a qualidade e agilizar o processo, que agora era monitorado dentro de limites de qualidade; fase da garantia da qualidade, em que era criado o controle total da qualidade por Feigenbaum na década de 50 do século XX, que visa aumentar a responsabilidade de todos os envolvidos, direta e indiretamente, com a produção dos produtos e serviços sobre as operações executadas, garantindo que fossem feitas com qualidade, atribuindo maior comprometimento à equipe; e fase da gestão estratégica da qualidade, em que a qualidade toma importância estratégica para a empresa, com a criação de políticas de qualidade e metas de qualidade, mudando a cultura das organizações, deixando de serem empresas reativas, que agiam após o problema de qualidade, passando a serem empresas proativas, que agiam antes do UNIUBE 89 problema ocorrer, de forma preventiva e estratégica, focada nos anseios do mercado. O foco estratégico da qualidade foi possível graças ao acirramento das disputas das empresas pelos mercados, principalmente com a entrada na década de 80 do século passado de empresas japonesas, e a atribuição nos EUA de leis que obrigavam as empresas a se responsabilizarem pelos produtos e serviços de má qualidade. Dito isto, surgiu o termo TQM, em 1985, para descrever a abordagem japonesa de melhoria da qualidade. TQM é Total Quality Management, ou Gestão da Qualidade Total. O TQM enfatiza a melhoria contínua dos processos por meio da gestão eficiente da força de trabalho. O TQM é uma ferramenta de gestão que visa à satisfação do cliente em longo prazo, com a participação de todos da organização na melhoria dos processos, produtos, serviços e cultura dela. Para que o TQM tenha sucesso, os mais diversos autores criaram princípios do TQM. A seguir, relacionamos sete dos mais citados por eles: • Apoio da alta administração: sem o apoio da alta administração nem precisa iniciar o processo de implantação do TQM. É dela a maior responsabilidade pelo sucesso da ferramenta. Ela precisa estar presente nas aplicações, nos projetos, na manutenção da ferramenta, motivando sempre. • Foco no cliente: o cliente é o rei, logo todos os esforços são para que os requisitos e desejos dos clientes sejam atendidos. • Relacionamento com fornecedores: o fator decisivo para escolha de determinado fornecedor não deve ser preço, e, sim, qualidade e confiabilidade, para que se possa construir um relacionamento duradouro e estratégico. • Gestão de recursos humanos: os colaboradores precisam ser treinados, empoderados, capacitados, motivados, bem selecionados 90 UNIUBE e se sentirem parte da equipe, e não somente um número em meio aos interesses empresariais. • Cultura organizacional: as organizações devem estimular atitudes positivas e proativas no ambiente de trabalho, para fomentar o comprometimento e desenvolvimento. • Gestão de processos: o foco é reduzir ou eliminar as falhas do processo, lançando mão de ferramentas de melhoria. • Relatórios e dados da qualidade: informações precisas, verídicas e sempre disponíveis aos tomadores de decisão são primordiais, sem as quais o sucesso do TQM fica comprometido. Além destes sete princípios, é vital que o gestor também saiba que melhoria contínua, do japonês kaizen, é parte crucial do TQM. Sem o pensamento evolutivo, de que o processo, o produto, as pessoas e a cultura precisam melhorar continuamente, não há sucesso do TQM. Envolvimento, comprometimento e engajamento são palavras-chave neste processo de sucesso do TQM. Conclusão4.2 Este capítulo tem como intuito central trazer a você uma contextualização mais ampla, mostrando que a Gestão de Processos e Operações pode e deve sofrer melhorias incrementais, quebrando paradigmas e dogmas empresariais enraizados nas organizações mais tradicionais. Só haverá evolução e melhoria se transformações forem executadas. As ferramentas e metodologias mais utilizadas para promover essa melhoria contínua nos processos e operações foram apresentadas neste capítulo. Espera-se que você faça bom uso delas, e coloque, em prática, pois de nada serve a teoria se não for para ser aplicada na prática e transformar o meio em que vivemos. Recomenda-se, fortemente, que você continue se aprimorando, aprofundando-se e se especializando no tema melhoria contínua, UNIUBE 91 estratégico que é este tema para qualquer organização. Mesmo num ambiente moderno, automatizado, na era da 4ª Revolução Industrial e da Internet das Coisas, as melhorias existirão e são essenciais ao negócio e seu sucesso. Por isso, foco nas melhorias para obter ganhos e resultados reais. Resumo Este capítulo aborda com a profundidade merecida o tema Melhoria Contínua no contexto da Gestão de Processos e Operações, passando por ferramentas e metodologias vitais à correta e eficiente implantação e execução das melhorias. Neste capítulo, você terá em seu poder a maioria das ferramentas mais usadas para promover melhorias contínuas em suas organizações. Logo, espera-se que você as coloque em prática e aprimore, assim, seu conhecimento. Com a correta leitura e interpretação destes textos, você será capaz de promover mudanças de paradigmas e melhorias contínuas em suas organizações, de tal forma que elas sejam sustentáveis e não perenes. O foco aqui é que as melhorias sejam feitas em pequenos degraus, de preferência diariamente, e que sejam sustentáveis ao longo do tempo, além de motivadoras para que os demais colegas de equipe também consigam promover suas melhorias contínuas. Quando menos esperar, esse conceito e prática da melhoria contínua estará disseminado em toda a sua empresa, criando um ambiente propício à evolução e geração de resultados. Recomendofortemente que você faça a leitura do livro Gestão de Processos e Técnicas de Produção Enxuta, dos autores Marcos Ronaldo Albertin e Heráclito Lopes Jaguaribe Pontes, 2016. Este livro encontra-se disponível na sua biblioteca virtual Pearson. Eu poderia recomendar que você lesse o capítulo 1 apenas, mas o livro todo é essencial para uma ótima formação do AMPLIANDO O CONHECIMENTO 92 UNIUBE gestor de processos e operações. Ele encontra-se em sua biblioteca virtual. Logo, recomendo a leitura do livro no todo. Boa leitura! Faça um exercício comigo: elabore um estudo de caso, levante dados numa empresa real e analise como está a gestão de processos nesta empresa. Após o levantamento e diagnóstico da situação atual da empresa, realizado por meio de entrevistas informais e observações, elabore um breve plano de ação em que conste, na sua opinião, o que a empresa em questão precisa fazer para melhorar continuamente seus processos e operações, focando o sucesso e o aumento da produtividade e competitividade da empresa. Envie para o seu professor caso tenha dúvidas. Essa atividade não é pontuada, mas é riquíssima para a construção do seu conhecimento e perfil profissional. Conte conosco! AGORA É A SUA VEZ Referências ALBERTIN, M. R.; PONTES, H. L. J. Gestão de Processos e técnicas de produção enxuta. Curitiba: Intersaberes: 2016. BARNES, R. M. Estudo de Movimentos e de Tempos: projeto e medida do trabalho. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina de trabalho do dia-a-dia. 8 ed. Nova Lima: INDG, 2004. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da Rotina do Trabalho do dia-a-dia. Rio de Janeiro: Bhoch Editores S.A., 1994. CAMPOS, V. F. TQC Controle da Qualidade Total no Estilo Japonês. 9. ed. Nova Lima: Indg, 2014. UNIUBE 93 CAPOTE, G. BPM para todos: uma visão geral abrangente, objetiva e esclarecedora sobre gerenciamento de processos e negócio. 1. ed. Rio de Janeiro: Gart Capote, 2012. CARDOSO, W. Engenharia de Métodos e Produtividade: a teoria na prática. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CARDOSO, W. Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) para Hospitais. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CONTADOR, J. C. Gestão de Operações: A Engenharia de Produção a Serviço da Modernização da Empresa. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2010. FORD, A. L.; WILLIAMS, J. A.; SPENCER, M.; McCAMMON, C.; KHOURY, N.; SAMPSON, T. R.; PANAGOS, P.; LEE, J. Reducing Door-to-Needle Times Using Toyota’s Lean Manufacturing Principles and Value Stream Analysis. Journal of the American Heart Association, p. 3395-3398, dez. 2012. GAITHER, N.; FRAZIER, G. Administração da Produção e Operações. 8. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. GOLDRATT, E. M. A meta: um processo de aprimoramento contínuo. São Paulo: Educator, 2003. JURAN, J. M. A Qualidade desde o projeto. São Paulo: Cengage Learning, 2009. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: Balanced Scorecard. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1997. KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. Kaplan e Norton na Prática. Rio de Janeiro: Campus, 2004. OHNO, T. O Sistema Toyota de Produção: além da produção em larga escala. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 1997. 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Janete Aparecida Pereira Melo Introdução Gerenciamento de desempenho e indicadores Capítulo 5 Este capítulo pretende apresentar conceitos fundamentais sobre o gerenciamento de desempenho e indicadores a fim de que compreenda a importância da busca pela melhoria contínua dos processos tendo por objetivo utilizar-se das ferramentas de monitoramento e de avalição para fornecimento de informações confiáveis sobre o desempenho desses mesmos processos. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • identificar as situações e/ou motivos que propiciam a aplicação de indicadores de desempenho; • explicar os aspectos essenciais do gerenciamento de desempenho e dos indicadores; • explicar os tipos de indicadores; • explicar os Sistemas de Medição de Desempenho (SMD). 96 UNIUBE Esquema 5.1 Motivos para implantar indicadores de desempenho. 5.2 O que são indicadores de desempenho? 5.4 Sistemas de Medição de Desempenho (SMD) 5.5 Considerações finais Motivos para implantar indicadores de desempenho5.1 Ao longo dos nossos estudos, pudemos conhecer sobre as teorias clássicas da administração e suas relações com a gestão de processos; compreendemos sobre a gestão de processos de negócios, além dos princípios fundamentais de modelagem e da melhoria contínua. Agora, chegamos ao gerenciamento de desempenho e indicadores. Mas, afinal, de onde surgiu a necessidade de gerenciar desempenho e indicadores? A busca por melhoria da qualidade de processos, operações e produtos foi intensificada a partir dos anos 80 com clientes cada vez mais exigentes e críticos. Desta forma, foi necessário que as organizações desenvolvessem em suas atividades os conceitos de qualidade e de desempenho em suas operações. E não seria possível sem que houvesse um instrumento para avaliar o desempenho a partir do qual as melhorias adequadas podem ser propostas. Ao longo desta trajetória em busca pela melhoria contínua, tornou-se consenso entre os pesquisadores a perspectiva de que “[...] você é o que você mensura” (HAUSER, 1999, p. 516) e, a partir dessa necessidade de medição, é necessário definir o problema a ser resolvido para que seja estabelecido o seu respectivo plano de ação. UNIUBE 97 Vamos analisar melhor essas proposições, pois concentram aspectos essenciais para que seja compreendida a necessidade de implantação de indicadores de desempenho. É ponto pacífico que a mensuração é essencial para que uma organização consiga evoluir. Entretanto, é, também, essencial a definição acerca de qual é o problema sobre o qual iremos realizar essa medição. E uma vez definido esse problema é imprescindível a elaboração e execução de um plano de ação. A simples mensuração não trará nenhum resultado! Desta forma, é importante que empresas consigam quantificar o desempenho dos seus processos a fim de estabelecer as relações necessárias para promover a melhoria contínua. Neste contexto, podemos elencar os seguintes benefícios para implantação de indicadores: Benefícios Características Controle da empresa Coletar dados de uma variável previamente escolhida por meio de sensores posicionados adequadamente. Analisar os dados e detectar desvios em relação a um valor ideal ou planejado. Colocar uma ação corretiva que diminua o gap ou desvio em relação ao valor ideal. Comunicação de objetivos Definição de objetivos e comunicação clara traduzida por indicadores de desempenho. Quadro 1: Benefícios de implantação de um sistema de indicadores 98 UNIUBE Benefícios Características Motivação dos funcionários Fazer com que os funcionários movam-se, compreendendo os ganhos com a adoção da prática. Direcionamento de melhorias na empresa Detectar os aumentos de expectativas dos clientes, comparar a atuação da empresa com seus concorrentes e com os benchmarks em processos essenciais da empresa. Fonte: Adaptadode Francischini (2017, p. 3-4). Ao apresentarmos estes benefícios, podemos identificar o ecossistema que envolve os indicadores. Ao prover controle da empresa, ou seja, instrumentalizar os gestores com informações relevantes para a definição dos caminhos a serem seguidos pela organização, a definição de objetivos torna-se clara. Em contrapartida, essa clareza e objetividade sobre a realidade da empresa e seus objetivos fortalecem a motivação dos colaboradores e direcionam, de forma sistemática, as melhorias da empresa. Toda essa articulação movimenta a organização para a promoção da melhoria contínua! Além disso, os indicadores oferecem informações mais precisas melhorando a precisão para tomada de decisões gerenciais e agregando velocidade e visibilidade. É importante destacar, entretanto, que não haverá nenhum benefício caso o indicador não seja definido a partir de um objetivo claro e de um problema a ser vencido. O que são indicadores de desempenho?5.2 Agora que conhecemos os benefícios da adoção de um sistema de indicadores, vamos compreender o que de fato são indicadores e como é entendida a questão do desempenho nas organizações. UNIUBE 99 De forma sintética podemos definir um indicador, considerando o exposto por Francischini (2017, p. 6) Figura 1: Conceito de indicadores de desempenho. Fonte: Francischini (2017, p. 6) Ou seja, um indicador permite a obtenção de informações sobre uma dada realidade e, desta forma, mostra o estado da operação, processo ou sistema. A partir do momento que o indicador passa a realizar uma comparação entre a expectativa e o que foi realizado, ele passa a ser um indicador de desempenho. Assim, o objetivo do indicador [...] é o de agregar e quantificar informações de uma maneira que sua significância fique mais aparente. Os indicadores simplificam as informações sobre fenômenos complexos tentando melhorar com isso o processo de comunicação (VAN BELLEN, 2002, p. 5) Observamos, como Nascimento (2011, p. 376), que [...] é possível identificar, na visão de cada pesquisador, as características, os critérios e as propriedades que devem ser observados na construção de indicadores de desempenho. Percebe-se que os cuidados na construção de indicadores de desempenho são 100 UNIUBE complementares e contribuem para que esses indicadores sejam construídos pela observação das características, critérios e propriedades apresentados, pois sua construção é parte importante do processo de avaliação de desempenho organizacional. E, também, elenca essas características, critérios e propriedades de forma sintética, conforme imagem, a seguir. Figura 1: Visão geral dos autores sobre características, critérios e propriedades necessários para a confecção dos indicadores de desempenho. Fonte: Nascimento (2011, p. 376). Embora os diversos tipos de indicadores estejam sempre vinculados a números, quantificações, parâmetros, hora/colaborador, hora/máquina, custo, orçamento e uma série de “valores” que façam com que esse processo pareça um auditor frio e distante das pessoas, o verdadeiro potencial desta ferramenta é o de medir valor, ou seja, entender a razão de se fazer determinado trabalho, quais os resultados esperados dele, se estes resultados estão sendo atingidos e garantir que este trabalho será eliminado imediatamente após a identificação de seus resultados, sso tudo deixou de entregar valor. Esta deve ser a maior motivação para o acompanhamento de indicadores: proporcionar a mudança e o direcionamento de recursos para os processos que estejam gerando valor percebido. Isto porque o valor percebido muda com uma velocidade assustadora e só é possível garantir um direcionamento correto, fazendo medições constantes e com parâmetros assertivos. UNIUBE 101 Para ilustrar a importância de um direcionamento a partir da percepção de valor pelo cliente, apresentamos, a seguir, um trecho extraído de uma matéria publicada pela revista Época, em 2013, que conta, de forma resumida, a história do fundador da empresa Avon: “David H. McConnel nunca teve a intenção de criar uma companhia de produtos de beleza. Ele era, na verdade, um vendedor de livros que viajava oferecendo seus produtos de porta em porta. Quando fechava uma venda para uma mulher, ele costumava entregar um pequeno frasco de perfume como brinde. Com o tempo, ele reparou que sua clientela feminina estava mais interessada no ‘mimo’ que recebia do que nos livros. Com essa percepção, ele fundou a Avon, em 1886. Na época, a empresa se chamava The California Perfume Company e só vendia perfumes.” Há de se considerar, também, que o comprador fiel do modelo mais atualizado de um aparelho celular da marca Apple (que tem até nome próprio - iPhone e custa significativamente mais), certamente, procura algo diferente do comprador de aparelhos de outras marcas. Existem diversos aparelhos que vão apresentar as mesmas funções, mas há diferenças enormes entre eles: preço e fidelização proporcionada pela experiência do cliente quanto à forma de distribuição e comunicação de cada marca. É neste mundo, o de entender para onde devemos nos direcionar e focar esforços, que os indicadores podem ajudar as empresas. Podemos classificar os indicadores em dois tipos, seguindo o estabelecido por Capote (2013), os processuais, ou seja, de negócio, e os funcionais. Enquanto os indicadores processuais sustentam as decisões dos líderes com informações quanto aos recursos logísticos (humano e máquina/ 102 UNIUBE equipamento) das organizações, os indicadores funcionais tratam do cumprimento das metas alinhadas aos objetivos estratégicos das organizações. Em contrapartida, destaca-se que um índice apenas fornece uma informação sobre um fenômeno e não incorpora as outras características de um indicador. Por exemplo: o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que analisa comparativamente o desempenho de determinadas empresas. Entretanto, devemos observar que a determinação de indicadores não garante o sucesso da organização visto que, sem o acompanhamento necessário e a definição clara de objetivos, não há funcionalidade para eles. A definição de objetivos pressupõe todo e qualquer estabelecimento de indicadores. Não adianta medir sem ter os motivos para a referida aferição! Esses indicadores pressupõem a determinação de objetivos e metas. Outros aspectos essenciais são a compreensão da proposta dos indicadores pelos gestores e sua efetiva análise tendo em vista a ação. Falta de compreensão e de ações, após o estabelecimento de indicadores, não resulta em melhorias nos processos. Assim, poderemos analisar o desempenho obtido, ou seja, comparar a relação entre o previsto e o realizado em relação à expectativa do cliente ou do gestor da área. UNIUBE 103 Key Performance Indicator - KPI5.3 No âmbito das organizações, poderemos definir vários indicadores. Entretanto, é sabido que um número grande deles inviabilizaria o seu efetivo acompanhamento e a execução das ações necessárias, recomendando que um gestor deva monitorar menos de sete indicadores. Da priorização desses indicadores surge o conceito de Key Performance Indicator (KPI). O KPI, também chamado indicador-chave de desempenho, é uma ferramenta que tem por missão auferir o nível de desempenho relativo a uma meta específica ou geral e contribuir para o acompanhamento sistemático dos objetivos de uma unidade ou empresa. Assim, para sua definição, é necessário ter claro os objetivos e expectativas da área de gestão, suas variáveis e os indicadores. Os objetivos dos KPIs devem ser precisos e indicamos que, para a sua construção, seja adotada a metodologia SMART (SMART – specific, measurable, attainable, relevant e time-bound) para sua definição. Specific (Específica) Measurable (Mensurável) Achievable (Atingível) Realistic (Realista) Timebound (Tempo determinado) Tenha um objetivo claro. Determine o tempo e linha de chegada Meça o progresso. Tenhaobjetivos atingíveis. Defina metas realizáveis. Figura 2: Características SMART. 104 UNIUBE Percebam como é importante a clareza e a coerência na definição dos seus objetivos e metas. Além disso, [...] para a elaboração dos KPI’s, é necessário ter claro: (a) quais são as expectativas ou objetivos do gestor; (b) quais são as variáveis mais importantes que mostram os objetivos; (c) elaborar os indicadores de desempenho que mensuram as variáveis. (FRANCISCHINI, 2017, p. 55) Além disso, um indicador de desempenho só traz significado com a comparação. Um indicador isolado trata somente de uma informação. E como medir o desempenho? Temos dois modos básicos: a medição quantitativa e a medição qualitativa. A medição quantitativa é baseada nos KPI’s enquanto a qualitativa é realizada por texto ou locução, ou seja, baseada no discurso. Uma vez definido o objetivo, podemos usar modelos para elaboração de indicadores de desempenho como a ferramenta denominada Critérios Relevantes de Interpretação. Essa ferramenta consiste, basicamente, em três etapas: a) definição de objetivos pela gestão; b) definição de critérios relevantes para a interpretação e, finalmente, a estruturação das métricas para definição dos critérios relevantes de interpretação para os KPI’s. Sistemas de Medição de Desempenho (SMD)5.4 Um Sistema de Medição de Desempenho (SMD) pode ser definido como […] sistema de indicadores que, em curto e longo prazo, fornece à corporação informações necessárias para dar suporte à gestão, ao controle, ao planejamento e ao desempenho das suas atividades econômicas, ambientais e sociais (SEARCY, 2012, p. 240). E, também, como nos diz Francischini (2017, p. 111) [...] conjunto de indicadores de desempenho organizados em rede que mantêm uma relação válida UNIUBE 105 de causa e efeito entre si. As relações de causa e efeito entre os indicadores são guiadas por necessidades específicas dos gestores que, necessariamente, estão alinhadas aos objetivos a serem atingidos. Percebam que, mais uma vez, é destacada a necessidade de que haja objetivos definidos! Uma estrutura padrão de SMD é composta de alguns tipos de indicadores que podem ser classificados de acordo com a abrangência ( globais ou parciais), a dependência (resultado ou de meios), a controlabilidade (controláveis ou não controláveis) e a composição (médios e de limites). Ao revisarmos a literatura sobre os tipos de sistemas de medição de desempenho (SMD), podemos citar levantamentos realizados por Serson (1996), Barbaran (2001), Padolfi (2005) e Franschini (2017). Esses levantamentos apontam vinte e sete modelos, a saber: • OPTIM – Operating Profit Through Time and Investmente Management. • Modelo para Medição do Desempenho. • Modelo de Desempenho Integral de Manufatura. • Matriz de Medição de Desempenho. • SMART – Performance Pyramid. • Sistema de Medição de Desempenho para Competição Baseada no Tempo. • Sistema de Feedback de Gestão de Desempenho; • Balanced Scorecard (BSC). • Modelo para Medição do Valor Adicional. • Estruturas de Indicadores de Gestão. • Sete Critérios de Desempenho. • Medição do Progresso da TQM. • Matriz do Objetivo de Desempenho. 106 UNIUBE • Desempenho Quantum. • Performance Measurement Questionnaire (PMQ). • Modelo de Medição de Desempenho para Manufatura Classe Mundial. • Sistema de Avaliação do Desempenho do Negócio. • Modelo de Medição de Desempenho. • Integrated Dynamic Performance Measurement System. • Prêmio da Qualidade “Malcolm Balddrige”. • Medição de Desempenho para Gestão de Processos. • Sistema de Medição de Desempenho Proativo. • Sistema de Medição de Desempenho Integrado e Dinâmico. • Accountability Scorecard. • Strategic Scorecard. • Performance Prism. • Sistema de Medição de Desempenho Global. Um dos métodos mais utilizados para construção de um SMD é o Balanced Scorecard (BSC). Este foi criado por Norton e Kaplan (1997) em 1990 e define cinco princípios gerenciais para que uma organização esteja orientada para a estratégia, a saber: • tradução da estratégia em termos operacionais; • alinhamento da organização em relação à estratégia; • transformação da estratégia em tarefa de todos; • conversão da estratégia em processo contínuo; • mobilização da mudança por meio da liderança executiva. Sendo uma “[...] ferramenta para traduzir a visão e a estratégia da empresa em um conjunto abrangente de medidas de desempenho que servem de base para a elaboração de um sistema de medição e gestão UNIUBE 107 estratégica” (FRANSCHINI, 2017, p. 167). O modelo Balanced Scorecard descreve estratégias para criação de valor a partir de elementos importantes: o desempenho financeiro, indicador de resultado (lag indicator); o sucesso com os clientes-alvo; os processos internos; ativos intangíveis e objetivos das quatro perspectivas. Visualize essa articulação na figura abaixo: Organizações do setor privado “Se formos bem-sucedidos, como seremos percebidos pelos nossos acionistas?” “Se formos bem-sucedidos, como cuidaremos dos contribuintes (ou doadores)?” “Para satisfazer nossos clientes e doadores, em que processos de negócios devemos ser excelentes?” “Para realizar nossa visão, como a organização deve aprender e melhorar?” “Para realizar nossa visão, como devemos cuidar de nossos clientes?” “Para realizar a visão, como devemos cuidar de nossos clientes?” “Para satisfazer os clientes, em que processos devemos ser excelentes?” “Para realizar nossa visão, como a organização deve aprender a melhorar?” Estratégia Missão Perspectiva financeira Perspectiva fiduciária Perspectiva do cliente Perspectiva do cliente Perspectiva interna Perspectiva interna Perspectiva de aprendizado e crescimento Perspectiva de aprendizado e crescimento Organizações do setor público e entidades sem fins lucrativos Figura 2: Mapas estratégicos: o modelo simples de criação de valor. Fonte: Kaplan e Norton (2018, p. 8). 108 UNIUBE Desenvolvido sobre quatro perspectivas: a financeira, a de mercado, a de processos internos e a de aprendizado. Para utilização deste método, faz-se necessário alinharmos alguns conceitos fundamentais quanto ao planejamento estratégico, ou seja: • missão: “[...] declaração concisa, com foco interno, da razão de ser da organização, do propósito básico para o qual se direcionam suas atividades e dos valores que orientam as atividades dos empregados.”, Kaplan e Norton ( 2018, p. 36); • visão : “Declaração concisa que define as metas a médio e a longo prazos da organização.”, Kaplan e Norton ( 2018, p. 37); • estratégias: “Realizações operacionais necessárias para atingir a Visão”, (FRANSCHINI, 2017, p. 167). A seguir, apresentamos uma visão geral das etapas do BSC: Planejamento estratégico Processo utilizado pelas organizações para elaborar, definir e implementar estratégias para sua atuação. UNIUBE 109 Figura 3: Balanced Scorecard. Fonte: Kaplan e Norton (2018, p. 35). Missão Valores Visão Estratégia Mapa estratégico Balanced scorecard Metas e iniciativas Objetivos pessoais Resultado estratégicos Por que existimos? O que é importante para nós? O que queremos? Nosso plano de jogo ou plano de voo Traduz a estratégia Mensuração e foco O que precisamos fazer? O que preciso fazer? Acionistas satisfeitos Clientes encantados Colaboradores motivado e preparados Processos eficientes e eficazes Certamente, você deve estar achando que lhe apresentamos um excesso de conceitos. Pois bem, vamos fazer uma pequena parada e aproveitar para conhecer o Balanced Scorecard na prática. 110 UNIUBE Conheça o caso da Natura, assistindo ao vídeo disponibilizado no endereço: https://slideplayer.com.br/slide/382135/ AMPLIANDO O CONHECIMENTO Após a definição desses elementos, o mapa estratégico irá descrever a lógica da estratégia a ser adotada além da apresentação clara dos objetivos internos críticos e dos ativos intangíveis. E, finalmente, noBSC ocorre a tradução dos objetivos definidos no mapa estratégico em indicadores e mapas. Essa linguagem visual facilita a comunicação. Conheça alguns exemplos de mapas estratégicos acessando os seguintes endereços: • Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) - http://www.dnit.gov.br/acesso-a-informacao/planejamento-estrategico/ mapa-estrategico • Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços - http://www. sempe.mdic.gov.br/index.php/institucional/mapa-estrategico • Ministério Público do Estado de Rondônia - https://www.mpro.mp.br/ web/coplan/mapa-estrategico EXEMPLIFICANDO! Desta forma, O mapa estratégico fornece a representação visual para a integração dos objetivos da organização nas quatro perspectivas do Balanced Scorecard. Ilustra as relações de causa e efeito que conectam os resultados almejados na perspectiva do cliente e na perspectiva financeira ao desempenho notável nos processos internos críticos – gestão de operações, UNIUBE 111 gestão de clientes, inovação e processos regulatórios e sociais. Esses processos críticos criam e cumprem a proposição de valor da organização para os clientes- alvo e também promovem os objetivos de produtividade da organização na perspectiva financeira. Além disso, o mapa estratégico identifica as competências específicas dos ativos intangíveis da organização – capital humano, capital da informação e capital organizacional – necessários para o desempenho excepcional nos processos internos críticos. (KAPLAN e NORTON, 2018, p. 58) O processo de criação de valor envolve os seguintes processos: gestão operacional, gestão de clientes, inovação e regulatórios e sociais. Os processos de gestão operacional são responsáveis pela produção e fornecimento dos produtos e serviços da organização. O processo de gestão de clientes fornece recursos para que seja possível o aumento do volume de negócios com os clientes-alvo sob a perspectiva interna do mapa estratégico. Já o processo de inovação garante a vantagem competitiva da organização, identificando oportunidades de novos produtos e serviços, gerenciando o portfólio de pesquisa e de desenvolvimento, projetando e desenvolvendo novos produtos e serviços e seus respectivos lançamentos. Finalmente, os processos regulatórios e sociais que “[...] reconhecem que a excelência nas práticas referentes a meio ambiente, segurança, saúde, emprego e comunidade é um dos componentes da estratégia de criação de valor duradouro” (KAPLAN e NORTAN, 2018, p. 195). Assim, poderemos promover o ajustamento do mapa estratégico à estratégia da organização e lanejamento da campanha. Este mapa estratégico e BSC devem demonstrar os elementos que diferenciem a organização dos seus concorrentes e devem ser utilizados como 112 UNIUBE ferramenta gerencial dinâmica, exercitando um processo dialógico contínuo que busca a identificação de lacunas e promoção da melhoria de forma articulada à história, aos objetivos e às metas organizacionais. Considerações finais5.5 Neste capítulo, foram apresentados conceitos essenciais sobre o gerenciamento de desempenho e seus indicadores. Destaca-se a importância do estabelecimento de objetivos para implantação de qualquer sistema, além da exigência da questão da definição de métricas e aferição do desempenho. Trata-se de uma área em franca expansão tanto em termos de estudos quanto em termos de implantação e desenvolvimento nas organizações. Resumo O capítulo “Gerenciamento de Desempenho e Indicadores” apresenta elementos essenciais para conhecer os aspectos essenciais sobre o gerenciamento de desempenho e a utilização dos indicadores. Foram apresentados os motivos para implantar indicadores de desempenho, os conceitos de indicadores e de desempenho e citados alguns dos Sistemas de Medição de Desempenho (SMD). UNIUBE 113 Referências BARBARÁN, Gabriela María Cabel; SANTORO, Luiz Henrique. A melhoria dos processos de desenvolvimento como a principal estratégia competitiva na indústria de software. Anais... Salvador: FTC, 2001. CAPOTE, G. Medição de Valor de Processos para BPM. 1ed. Rio de Janeiro: Bookess, 2013. Cinco histórias que você não conhece de grandes empresas. Revista Época: Negócios, São Paulo, 29/07/2013.Disponível em: https://epocanegocios. globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2013/07/cinco-historias-que-voce- nao-conhece-de-grandes-empresas.html. Acesso em: 17 set 2019. 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Sistemas de medição e avaliação de desempenho organizacional: contribuição para gestão de metas globais a partir de performances individuais.Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005. SEARCY, C. Corporate sustainability performance measurement systems: a 114 UNIUBE review and research agenda. Journal of Business Ethics, 107(3), 239-253.2012. Disponível em: . Acesso em: 01 set. 2019. SERSON, S. M. Fábrica veloz: um modelo para competir com base no tempo. 1996. 159 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção)_Universidade de São Paulo, 1996. VAN BELLEN, Hans Michael. Indicadores de desenvolvimento sustentável – um levantamento dos principais sistemas de avaliação. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 26., 2002, Salvador. Anais... Bahia: Anpad, 2002. CD-ROM. Wagner Cardoso Introdução As pessoas na Gestão de Processos Capítulo 6 Este capítulo apresenta um enfoque mais humano, processual sim, porém humano. Justifico: não haverá mudança sem o comprometimento das pessoas envolvidas. Logo, este capítulo abordará a questão da Gestão de Pessoas com enfoque evolutivo para Gestão de Talentos Humanos, sob os aspectos mais relevantes para a Gestão de Processos e Operações, não objetivando esgotar o assunto, mas, sim, provocar uma certa inquietude no leitor para que ele internalize de uma vez por todas que nada é fixo, tudo é mutável, como dizia o filósofo Heráclito. Objetivos Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • Identificar adequadamente o papel crucial e estratégico da Gestão de Pessoas no contexto da Gestão de Processos e Operações. • Demonstrar a importância do trabalho em equipe, do empoderamento das pessoas e da responsabilidade devidamente atribuida e, consequentemente, do desempenho dos atores envolvidos com o sucesso do negócio. 116 UNIUBE • Explicar como se estabelece um vínculo produtivo e eficaz entre a liderança transformadora e a mudança cultural empresarial. • Explicar o significado e as etapas de construção do Modelo de Excelência da Gestão. • Explicar por que uma equipe deve ter foco total no cliente. Esquema 6.1 Gestão de Pessoas 6.2 Liderança transformadora 6.3 O papel das pessoas na Gestão de Processos 6.4 Modelo de Excelência da Gestão 6.4.1 Os 13 fundamentos da excelência e os 8 critérios de excelência 6.4.2Integração dos fundamentos e dos critérios 6.5 Mudança cultural 6.6 Empoderamento das pessoas 6.7 Foco no cliente 6.8 Conclusão Gestão de Pessoas6.1 Hoje, no século XXI, é de conhecimento de todos que as pessoas são o cerne de toda empresa. Sem as pessoas nenhuma mudança ocorrerá, nenhum processo e produto/serviço será entregue. Logo, o foco, hoje, é gerir adequadamente os talentos humanos para que eles tenham liberdade e autonomia para produzir o melhor de si, dar o melhor de si, utilizando sua potencialidade para beneficiar os clientes, que são, na verdade, a razão de existir das empresas. UNIUBE 117 Mas antes de chegarmos a este nível de maturidade conceitual, em que tratamos as pessoas como talentos humanos, ocorreu todo um processo evolutivo. Desde que o mundo é mundo houve interações e negociações entre humanos. Mas só com a primeira revolução industrial, no início do século XX, que os recursos humanos são tratados como o são hoje. Foi nesta época que surgiram os países desenvolvidos e industrializados, em que as indústrias começaram a adotar as organizações burocráticas, as estruturas hierárquicas centralizadas e piramidais, com enfoque na departamentalização funcional e na centralização de poder decisório. Na era da Revolução Industrial, objetivava-se que as tarefas fossem eficientes e de baixo custo, logo prezava-se pela especialização excessiva da função, pois acreditava-se, como de fato o foi, que quanto mais especialista numa tarefa o funcionário era, maior era sua produtividade. Essa visão mudou, mas foi importante que todo esse processo tenha ocorrido para que fosse, então, construído sobre alicerces firmes um modelo mais moderno, valorizando o talento humano em primeiro lugar. Surgiu, na era da Revolução Industrial, o conceito de Administração de Recursos Humanos, entendido como recurso que era importante para a produção e que deveria ser racionalizado, pois representava um custo. Aos poucos este pensamento evoluiu, principalmente entre as décadas de 1950 e 1990, dando maior ênfase aos antes chamados de recursos humanos, focando agora o fator humano, não o vendo somente como um custo ou insumo para a produção, e, sim, um ser pensante, que, se motivado adequadamente, será ainda mais produtivo. Assim, o RH foi visto como o fator principal para o sucesso empresarial. Após a década de 1990, até os anos 2010 aproximadamente, ocorre a Era da Informação, que veio para revolucionar a questão mercadológica e de potencial de alcance das empresas, por meio de relações comerciais 118 UNIUBE com o mundo todo, em que diversas culturas e conhecimentos eram trocados numa velocidade imensa. Tão rápido foi, como tudo é nessa era, que durou menos de 20 anos. A Tecnologia da Informação (TI) teve peso importante nessa evolução, sem a qual não seriam possíveis tantas trocas e avanços. É ainda nessa Era da Informação que o capital financeiro deixou de ser o capital mais importante para as organizações, cedendo lugar ao capital intelectual, pois com este é possível diversificar estrategicamente seus investimentos de forma a produzir maiores rendimentos. Aí começa a Era do Conhecimento. Essa se inicia por volta do ano de 2010, talvez de forma mesclada com a Era da Informação, e vem para dar ênfase ao capital intelectual, no conhecimento e na geração ne renda e riqueza por meio ao conhecimento, e não mais somente através dos meios de transformação como era feito na Revolução Industrial. Observam-se algumas características novas que compõem as empresas na Era do Conhecimento, tais como: melhoria contínua; empoderamento; liderança de todos; empresas virtuais, flexíveis e ágeis; controladas por meio da missão, visão e valores delas; as informações são compartilhadas mundo afora; há grande foco na criatividade e potencial inovador; preferem-se perfis proativos e empreendedores, com sentimento preeminente de dono; orientados para resultados; forte aliança estratégica com outros atores; grande foco na competição e no cliente como dono do negócio de fato. Podemos dizer que houve sim uma grande evolução do primeiro modelo até o de hoje, pois antes as pessoas eram passivas da organização, vistos como recursos, tratados como números, e hoje são vistas como humanos pensantes, criativos, empreendedores, proativos, transformadores, inquietos e, principalmente, que, se motivados UNIUBE 119 adequadamente, revolucionam os processos. É uma evolução enorme, tanto do ponto de vista processual quanto dos resultados que agora eles produzem para as organizações, além do grande impacto positivo que a liberdade e autonomia dadas a eles agregou tanto para empresas quanto para clientes. Hoje se sabe que as organizações que sabem trabalhar com suas pessoas têm uma vantagem competitiva perante a concorrência. A Gestão de Pessoas agora faz uma eficiente gestão de talentos humanos. Os talentos humanos, se bem geridos e motivados, produzem efeitos positivos por todo o processo e a cadeia de valor, impactando enormemente o nível de satisfação dos clientes finais. Mas, para gerir talentos humanos, é preciso definir o que é talento. Talento é algo inerente à pessoa, que a torna especial, diferente, acima da média, ou seja, algo que realmente agrega valor e lhe dá uma vantagem competitiva perante seus concorrentes. Quem tem talento tem: • Conhecimento: é o saber, o know-how, o saber aprender continuamente, pois hoje a moeda mais valiosa é o conhecimento. • Habilidade: é o saber fazer, é saber transformar conhecimento em solução, resultado. • Julgamento: é o saber analítico contextual, saber coletar e categorizar dados, discernir, criticar, ponderar e priorizar. • Atitude: é o saber fazer acontecer, é ser agente de mudanças transformadoras impactantes, agir de forma empreendedora em prol dos resultados reais da organização. Dito isso, é o momento de aprofundar conteúdos e conceitos relativos à gestão estratégica das pessoas, técnicas e ferramentas que dão apoio ao alcance e superação dos resultados organizacionais. 120 UNIUBE Liderança transformadora6.2 Liderar é despertar no outro a vontade de fazer, é inspirar, é persuadir, é empoderar, é cativar, é arrebanhar, é motivar, é encantar. Líder difere de chefe, justamente no conceito, pois o chefe não tem capacidade de atuar sobre o outro da forma descrita anteriormente. O chefe sabe impor, cobrar, delegar (às vezes, de forma equivocada, somente com intuito de passar a batata quente), ou seja, sabe mandar, mas motivar não. A diferença entre os dois é nítida, porém é sabido que líderes de fato não são tão fáceis de serem encontrados e, quando o são, têm seu valor reconhecido, ou pelo menos deveria ter. Na Era do Conhecimento, a qual estamos vivenciando hoje (século XXI), não basta ser líder, precisa ser líder transformador. Mas o que seria um líder transformador? Antes de responder a essa pergunta, é importante contextualizar o tema. Um líder não age isoladamente, mas sempre em equipe e após analisar meticulosamente a cultura organizacional na qual ele se inseriu. Essa análise cultural é crucial para o sucesso da liderança, pois existem fatores que alavancam ou emperram o processo transformacional. Os fatores mais comuns são: poder e limites, em que o líder analisa até onde vai seu alcance e sua autonomia para atuação; disputas, em que ele analisa se há excesso de departamentalização, disputas internas, interesses conflitantes entre os atores; identidade, em que ele analisa qual o foco, a essência, do negócio (se são as pessoas, as vendas, o atendimento, a qualidade, etc); e o aprendizado, em que o líder analisa o quão capaz de aprender e reaprender a organização é, se ela é aberta e se fomenta novos aprendizados nos mais diferentes setores internos, com foco na melhoria dos resultados. Após essa análise cultural, o líder precisa estar, então, alinhado com a missão, visão, valores da empresa, além dos principais indicadores UNIUBE121 de desempenho, seus objetivos e metas e seu foco estratégico. É de interesse da organização em questão que o líder que quiser promover a mudança, ou seja, um líder transformador, tome algumas iniciativas estratégicas conjunturais e estruturais, propondo alterações e mudanças por meio de reengenharia de processos; reestruturação de custos; adequação do modelo de negócio; redesenho de sistemas de informática; alianças estratégicas; alterações da tecnologia empregada atualmente e redesenho do modelo operacional como um todo ou em partes. Outras iniciativas podem ser tomadas, do ponto de vista da cultura organizacional, tais como: desenhar e comunicar a nova visão da empresa; treinar e desenvolver líderes; treinar equipes executivas de alto desempenho; elaborar um meticuloso diagnóstico organizacional; trabalhar as habilidades interpessoais; treinar todos sobre diversidade e trabalho em equipe e implantar a Gestão da Qualidade Total (TQM). O líder transformador é incorporado pela organização, é empoderado, tem autonomia e liberdade para atuar e provocar as mudanças que tanto necessita. Porém, a transformação somente acontecerá num ambiente propício para tal, no qual os funcionários possam agir livremente, ser eles mesmos, sem máscaras, ou seja, é importante que eles tenham autonomia para agir livremente. É importante salientar que o líder transformador de fato precisa ser alguém que conquistou seu posto por mérito, alguém que tenha conteúdo e seja admirado pelos seus seguidores. Ou seja, ele precisa definitivamente ser um exemplo. Não super-herói, ou alguém inabalável e inatingível. É um ser humano como outro, porém com habilidades e competências que o colocam em posição de destaque, reconhecimento e competência para tal ocupação. Além disso, o líder transformador é um modelo de integridade, ética e justiça; define metas e objetivos claros; almeja enormes expectativas 122 UNIUBE para si e sua equipe; dá apoio, incentiva e reconhece o trabalho dos seus pares; inspira as pessoas a olhar além dos problemas e a ultrapassarem seus próprios limites. Porém, é salutar dizer que um líder transformador, antes de provocar a mudança nos outros e na organização como um todo, precisa se conhecer, saber seus limites, suas capacidades e suas deficiências. Isso é importante para que ele se sinta seguro em suas tomadas de decisões e para que ele saiba onde precisa crescer e melhorar. Um líder transformador não vê problemas em identificar suas falhas, porque sabe que o crescimento e a melhoria devem ser contínuos e que a confiança virá com o autoconhecimento. Este líder carismático tem foco na equipe, em como ela o enxerga, no espírito de equipe e na sinergia existente entre eles. Uma ferramenta bastante utilizada para este conhecimento entre ambas as partes é o feedback, que, se executado corretamente, tende a gerar frutos do autoconhecimento para ambos. Também é importante para o líder transformador que ele seja carismático, saiba arrebanhar seguidores, mas não seguidores cegos, e, sim, seguidores conscientes de seu papel na organização, responsáveis, eficientes e seguidores por admiração. O líder transformador não vê problemas em transmitir ensinamentos, pois vê o seu subordinado não como um subalterno, e, sim, como um potencial líder do seu próprio trabalho. Pode-se dizer, de forma resumida, que, para que um líder seja considerado líder transformador, ele precisa ter quatro características principais: I. Carisma: este é o fator-chave, a característica mais importante em qualquer líder transformador, pois ele terá que mobilizar e motivar pessoas que, muitas vezes, não querem mudar, e ele só conseguirá a mudança se conseguir, pelo carisma, inspirá-los a mudar. UNIUBE 123 II. Inspiração: um líder transformador sabe como mexer com as emoções dos seus subordinados, geralmente por meio de comunicações repletas de emoção e carga sentimental. III. Estimulação intelectual: o líder transformador consegue despertar em seus seguidores o espírito da mudança, de pensar fora da caixa, do pensar diferente e de não aceitar os velhos problemas como insolúveis ou naturais do processo. Ele estimula- os a pensarem na resolução dos problemas e na melhoria contínua dos processos e operações. IV. Consideração individualizada: o líder transformador sabe reconhecer as habilidades e competências e, principalmente, onde os seus subordinados precisam melhorar. De posse desse conhecimento, ele então delega funções e tarefas, de acordo com as competências de seus subordinados, logo, obvio e evidente, haverá melhoria dos resultados e das devolutivas, pois agora os subordinados executarão atividades mais alinhadas com suas competências. O papel das pessoas na Gestão de Processos6.3 Não há mudanças sem as pessoas. Grave essa frase, ela foi ou será discutida em todo este livro. Como já discutido neste capítulo, as pessoas hoje, no século XXI, são o cerne de qualquer organização, pois é sabido que, sem elas, não haverá crescimento, mudança, evolução e alcance dos resultados. Obviamente, todos os líderes (aqueles que, de fato, são líderes, e não chefes) reconhecem as pessoas que trabalham com eles e sabem que, sem elas, não haverá evolução. Dito isso, fica mais clara a importância das pessoas na gestão de processos. Elas são elemento-chave nos processos, são elas que executam as funções, tarefas, atividades. São elas as geradoras de soluções, caso comprometidas com o sucesso da organização. Por isso, é importante que o líder tenha potencial transformador, pois motivar 124 UNIUBE as pessoas, fazer com que se tornem comprometidas, não é tarefa simples. Somente um líder com potencial transformador conseguirá executar tal feito. Com pessoas motivadas e comprometidas, a organização tende a diminuir consideravelmente as falhas nos processos que geram desperdícios. Desperdícios estes que podem ser de diversos tipos, tais como: desperdícios por superprodução; desperdícios por movimentação; desperdícios de execução de tarefa desnecessária; desperdícios de manutenção corretiva; desperdícios de materiais e pessoas parados; desperdícios por estratégias erradas de gestão; desperdícios por liderança ineficiente; entre tantos outros que podem afligir as organizações nos mais diversos setores, desde os técnicos, produtivos, até os administrativos e comerciais. Então, as pessoas são os veículos que transportarão toda a transformação desejada pela organização e pela liderança. Por isso, elas precisam estar e se sentirem motivadas, treinadas, qualificadas, valorizadas, inspiradas, respeitadas, reconhecidas, compreendidas. Elas precisam se sentir parte do todo, parte da solução, e não somente parte do problema, como é visto em muitas organizações geridas de forma arcaica e retrógrada. Logo, as pessoas, que são o cerne de qualquer processo, só produzirão os resultados almejados pela liderança se forem produtivas. E, para serem produtivas, elas precisam se sentir motivadas. Colaborador motivado é colaborador produtivo. E como motivá-las? Simples, colocando em prática técnicas de gestão de pessoas que objetivem a motivação, o reconhecimento e a inspiração das pessoas. Dê poder a elas, autonomia e, juntamente, dê responsabilidades. Elas se sentirão motivadas por terem autonomia e compreenderão que a responsabilidade é consequência natural da autonomia. O problema é quando a empresa dá somente responsabilidades e nenhuma ou quase nenhuma autonomia e liberdade de atuação. Dessa forma, não há como motivar colaboradores, nem com incremento salarial. UNIUBE 125 Modelo de Excelência da Gestão6.4 O Modelo de Excelência da Gestão (MEG) foi criado pela Fundação Nacional da Qualidade, que foi criada em 1991 por um grupo de empresários que diagnosticaram a falta de parâmetros para avaliar a gestão, de forma a criar mais competitividade e qualidade para as empresas. A criação do MEG ocorreu a partir da utilização de outrasmetodologias internacionais baseadas no modelo americano da Fundação Baldridge da Gestão da Qualidade Total. Tais metodologias foram utilizadas até o ano de 2000 quando foi criado o MEG. Desde então, o modelo vem sendo desenvolvido, por meio da FNQ, com o auxílio do Núcleo Técnico Critérios de Excelência, voluntários como examinadores e usuários do modelo. Portanto, a seguir, a Evolução do MEG, observada na figura, a seguir. Figura 1: Evolução do MEG. Fonte: FNQ (2015). 1992 Globalização Uniformização Tecnológica Gestão da Qualidade Total Expansão das Comunicações 2012 Insustentabilidade Escassez de Recursos Crise de Ética e Corrupção Força das Redes 1992-1996 Baldrige EUA Gestão pela Qualidade Total 1997-2000 Baldrige EUA Business Excellence Model 2001-2002 Controle & Aprendizado Proc. Gerenciais 2003-2012 Sustentabilidade Integração de Processos Gerenciais 2013 Sustentabilidade Flexibilidade Evolução do MEG Responsabilidade Social Logística como Diferencial Poder da Distribuição Cadeira de Valor Linear Migração de Capitais Velocidade Conectividade Volatilidade Financeira Imprevisibilidade Complexidade 126 UNIUBE O MEG é composto, basicamente, pelos 13 fundamentos e 8 critérios de excelência e pelo sistema de pontuação que retorna para a empresa um diagnóstico da gestão da qualidade em seu sistema. 6.4.1 Os 13 fundamentos da excelência e os 8 critérios da excelência A metodologia utilizada tem como base primordial os Fundamentos da Excelência em Gestão, que foram reunidos por meio de pesquisas e observação de quais são os processos gerenciais e fatores de desempenho de organizações multinacionais. 1.Pensamento sistêmico Compreensão e tratamento das relações de interdependência e seus efeitos entre os componentes que formam a organização, bem como entre eles e o ambiente no qual interagem. 2. Atuação em rede Desenvolvimento de relações e atividades em cooperação entre organizações com interesses comuns e competências complementares. 3. Aprendizado organizacional Busca de maior eficácia e eficiência dos processos da organização e alcance de um novo patamar de competência, por meio da percepção, reflexão, avaliação e compartilhamento de conhecimento e experiências. 4. Inovação Promoção de um ambiente favorável à criatividade, experimentação e implementação de novas ideias capazes de gerar ganhos de competitividade com desenvolvimento sustentável. 5. Agilidade Flexibilidade e rapidez de adaptação a novas demandas das partes interessadas e mudanças do ambiente, considerando a velocidade de assimilação e o tempo de ciclo dos processos. Quadro: Os 13 fundamentos da excelência UNIUBE 127 6. Liderança transformadora Atuação dos líderes de forma inspiradora, exemplar, realizadora e com constância de propósito, estimulando as pessoas em torno de valores, princípios e objetivos da organização, explorando as potencialidades das culturas presentes, preparando líderes e interagindo com as partes interessadas. 7. Olhar para o futuro Projeção e compreensão de cenários e tendências prováveis do ambiente e dos possíveis efeitos sobre a organização, no curto e longo prazo, avaliando alternativas e adotando estratégias mais apropriadas. 8. Conhecimento sobre clientes e mercados Interação com clientes e mercados e entendimento de suas necessidades, expectativas e comportamentos, explícitos e potenciais, criando valor de forma sustentável. 9. Responsabilidade social Dever da organização de responder pelos impactos de suas decisões e atividades, na sociedade e no meio ambiente, e de contribuir para a melhoria das condições de vida, por meio de um comportamento ético e transparente, visando ao desenvolvimento sustentável. 10. Valorização das pessoas e da cultura Criação de condições favoráveis e seguras para as pessoas se desenvolverem integralmente, com ênfase na maximização do desempenho, na diversidade e no fortalecimento de crenças, costumes e comportamentos favoráveis à excelência. 11. Decisões fundamentadas Deliberações sobre direções a seguir e ações a executar, utilizando o conhecimento gerado a partir do tratamento de informações obtidas em medições, avaliações e análises de desempenho, de riscos, de retroalimentações e de experiências. 12. Orientação por processos Busca de eficiência e eficácia nos conjuntos de atividades que formam a cadeia de agregação de valor para os clientes e demais partes interessadas. 13. Geração de valor Alcance de resultados econômicos, sociais e ambientais, bem como de resultados dos processos que os potencializam, em níveis de excelência e que atendam às necessidades das partes interessadas. Fonte: FNQ (2015). 128 UNIUBE Além dos Fundamentos, foram criados os Critérios de Excelência da Gestão, que demonstram como colocar em prática os Fundamentos. São oito critérios: 1. Liderança Aborda os processos gerenciais relativos à orientação filosófica da organização e controle externo sobre sua direção; ao engajamento, pelas lideranças, das pessoas e partes interessadas na sua causa e ao controle de resultados pela direção. 2. Estratégias e planos Aborda os processos gerenciais relativos à concepção e à execução das estratégias, inclusive aqueles referentes ao estabelecimento de metas, à definição e ao acompanhamento de planos necessários para o êxito das estratégias. 3. Clientes Aborda os processos gerenciais relativos ao tratamento de informações de clientes e mercado e à comunicação com o mercado e clientes atuais e potenciais. 4. Sociedade Aborda os processos gerenciais relativos ao respeito e tratamento das demandas da sociedade e do meio ambiente e ao desenvolvimento social das comunidades mais influenciadas pela organização. 5. Informações e conhecimento Aborda os processos gerenciais relativos ao tratamento organizado da demanda por informações na organização e ao desenvolvimento controlado dos ativos intangíveis geradores de diferenciais competitivos, especialmente os de conhecimento. 6. Pessoas Aborda os processos gerenciais relativos à configuração de equipes de alto desempenho, ao desenvolvimento de competências das pessoas e à manutenção do seu bem-estar. 7. Processos Aborda os processos gerenciais relativos aos processos principais do negócio e aos de apoio, tratando separadamente os relativos a fornecedores e os econômico-financeiros. Quadro: Os 8 critérios da excelência da gestão UNIUBE 129 8. Resultados Aborda os resultados da organização na forma de séries históricas e acompanhados de referenciais comparativos pertinentes, para avaliar o nível alcançado, e de níveis de desempenho associados aos principais requisitos de partes interessadas, para verificar o atendimento. Fonte: FNQ (2015). 6.4.2 Integração dos fundamentos e dos critérios A integração dos fundamentos e dos critérios é feita por meio de uma mandala, que mostra como são relacionados para se obter uma visão sistêmica da gestão organizacional. Observe-a: Figura: Mandala. Fonte: FNQ (2015). 130 UNIUBE Com o objetivo de atender às necessidades e expectativas dos clientes e assegurar uma atuação responsável junto à sociedade, a liderança cria as estratégias e planos. As pessoas executam os processos e concretizam as ações que transformam os objetivos e as metas da empresa em resultados. Os resultados em forma de informações e conhecimento são utilizados como base de dados para que a organização aprenda com os acertos e erros cometidos e inicie novamente o planejamento, recomeçando o ciclo. O MEG não é um modelo prescritivo, ou seja, não são indicadas ferramentas específicas para realizar as condições descritas pelos 8 critérios e os 13 fundamentos. Portanto, pode-se utilizar qualquer ferramenta, não importando à qual ciência ela tenha sido vinculada. Mudança cultural6.5 Não há mudanças sem as pessoas. Começo novamente este tópico com a mesma frase usada no tópico anterior, tamanha é a importância daspessoas também na mudança cultural. A implantação da ferramenta Modelo de Excelência da Gestão (MEG) traz para a empresa uma significativa mudança cultural, pelo fato de aliar fatores que são diferenciais encontrados na gestão de uma empresa. Isso significa ótimos resultados advindos da qualidade da gestão. Porém, é uma nova forma de lidar com o modo como uma organização funciona, o que faz com que seja necessário mudar os hábitos diários das pessoas sobre tal fenômeno. Para que as pessoas que estão envolvidas nas atividades da organização estejam preparadas para realizar suas tarefas, sem deixar de seguir os preceitos e padrões que são acrescentados com o MEG, é necessário gerir as pessoas de forma estratégica para que a implantação do modelo não seja dificultada ou prejudicada. UNIUBE 131 A cultura organizacional é relacionada a um sistema de valores disseminado pelos membros de uma organização que a diferencia das demais. Para determinar a essência da cultura de uma organização, existem características que permitem a observação do grau em que cada uma se encontra na empresa. São elas: inovação, atenção aos detalhes, orientação para os resultados, foco na pessoa, foco na equipe, agressividade e estabilidade. Então, a combinação destas características forma a cultura de uma empresa. A cultura dentro de uma organização desempenha várias funções, incluindo: criar diferenciações entre organizações; criar uma identidade aos membros que dela fazem parte; facilitar o comprometimento dos colaboradores com interesses da empresa; estimular a estabilidade do sistema social; e de forma mais prática direcionar e orientar a formação das atitudes e comportamento dos funcionários. Alguns autores defendem a tese de que existam oito táticas que podem ajudar os agentes de mudança a lidar com resistências à mudança. São elas: I. a educação e a comunicação, que se referem a comunicar a lógica da mudança ou sua necessidade e motivação; II. a participação, que trata da cocriação, chamar os funcionários para auxiliar nas decisões de mudança e colaborar para o processo de mudança; III. o apoio e o comprometimento, ou seja, oferecer treinamentos em novas habilidades e aconselhamentos para que o funcionário se comprometa com a causa; IV. desenvolver relações positivas, em que as pessoas se dispõem mais a aceitar as mudanças somente se confiam nos gerentes que as implementam; V. implementar mudanças de forma justa, é importante que os funcionários vejam a razão para a mudança e interpretem-na como coerente e justa; VI. manipulação e cooptação, que são formas de manipulação das 132 UNIUBE pessoas por meio de distorção de fatos, para torná-los mais atraentes, e de influência disfarçada, para obter seu apoio; VII. selecionando pessoas que aceitem mudanças, nas quais existe uma maior facilidade em aceitar positivamente as mudanças; VIII. coerção, que assim como a manipulação e a cooptação, também tem suas desvantagens por se tratar de uso de ameaças diretas como perda de promoções, avaliações negativas de desempenho e cartas de recomendação desabonadoras. A integração interdepartamental é um fator crucial no processo de mudança a adaptações da cultura organizacional, pois a interação entre setores promove, consequentemente, o compartilhamento de ideias, objetivos e, principalmente, necessita de líderes bem envolvidos, conscientes, responsáveis, comunicativos e capazes de passar à sua equipe a ideia e a convicção de como as mudanças culturais que ocorrem são para o benefício de todos os envolvidos. No entanto, a resistência a mudanças sempre existirá. Cabe ao líder saber lidar e superar, unindo todos em torno de um objetivo comum, e, também, saber utilizar as oito táticas citadas na seção anterior. É de conhecimento público que a mente humana precisa de estabilidade, segurança, por isso qualquer desafio que interrogue sua essência básica resultará em resistência. Não podemos nos esquecer de que a mudança cultural só ocorrerá se tivermos pessoas motivadas, comprometidas com o sucesso da organização, e que saibam que o sucesso da organização depende delas, assim como o sucesso delas depende do sucesso da organização como um todo. E o líder transformador é o mais indicado, é quem conseguirá internalizar esses quesitos em seus colaboradores. UNIUBE 133 Empoderamento das pessoas6.6 O termo empoderamento foi criado como neologismo adaptado do termo inglês empowerment, e, sim, ele foi criado a princípio para movimentos sociais, como empoderamento feminino ou movimento negro. Porém, este importante termo não poderia ficar marcado para sempre como analogia a movimentos sociais, somente. Ele não se limita somente a isto (não desmerecendo de forma alguma os movimentos sociais, importantes que são para a evolução sociocultural de qualquer nação). Na essência, o verbo empoderar significa dar poder, autoridade. No contexto administrativo e gerencial, empoderar é compartilhar informação, recompensas e dar poder e autonomia aos seus colaboradores para que executem suas funções com sentimento de dono, claro, lembrando que toda liberdade ocasiona aumento de responsabilidades. A questão do sentimento de dono, termo em alta nos artigos sobre gestão empresarial e de processos, é internalizar nos funcionários um sentimento de que a empresa é sua por isso ele teria autonomia para tomar decisões rápidas e eficientes com intuito central de reduzir desperdícios e melhorar os resultados positivos. Obviamente, não basta dar autonomia sem dar as ferramentas necessárias para as correções das falhas. Por isso, empoderar não é somente dar poder, é dar poder e suporte para que os colaboradores possam executar as melhorias de forma eficiente e eficaz, pois sem o suporte eles não conseguiriam alcançar melhorias almejadas e se sentiriam frustrados, gerando um efeito extremamente negativo do ponto de vista motivacional. O empoderamento pressupõe alguns pré-requisitos, tais como: • Dar dignidade e importância às pessoas, fazendo com que elas se sintam valiosas para a empresa, necessárias, fortalecidas, recompensadas, respeitadas, aceitas e imprescindíveis. 134 UNIUBE • Orientar as pessoas, colaborando para que elas consigam atingir melhores resultados. • Desenvolver continuamente as pessoas, dando-lhes treinamento, orientações, educação, para que elas possam evoluir técnica e profissionalmente, para, adicionalmente, serem multiplicadoras do conhecimento adquirido. • Definir os objetivos e as metas em comum acordo com sua equipe, as pessoas terão poder e autonomia para opinar, alterar e melhorar fatos e metas que afetarão diretamente o desempenho de suas funções diárias. É o trabalhar junto, o trabalho em equipe de fato, em que o funcionário se sentirá valorizado, pois ele o verá não mais somente como um número, uma extensão das operações, e, sim, como elemento crucial para o sucesso da organização. É possível ainda definir os sete passos para o funcionamento eficiente do empoderamento, a saber: 1. Iniciativa: fomentar o potencial de iniciativa dos colaboradores, por meio de técnicas que abordem a questão do trabalho em equipe e da autonomia para atuação profissional. 2. Desenvolver a confiança: para que haja o empoderamento é preciso ter funcionários confiáveis e que confiem nos seus líderes, é uma via de mão dupla, em que não seria possível desenvolver bom trabalho de empoderamento com pessoas em que não há confiança mútua. 3. Visão: o empoderamento é aliado a projeções de curto, médio e longo prazo. Para que seja possível obter resultados palpáveis a longo prazo, é preciso despertar a capacidade dos funcionários em serem visionários, enxergando além do horizonte, dos muros da empresa. 4. Fixação de metas: como já dito, é importante que as metas sejam estabelecidas em comum acordo com quem será cobrado por elas, assim se sentirão parte do processo. 5. Avaliação: após essas etapas, é o momento dee objetivos de uma organização com expectativas e necessidades de clientes, por meio do foco em processos ponta a ponta, e considera o conhecimento da realidade uma premissa para projetar melhorias e transformações. Nesse contexto, os indicadores de desempenho são indispensáveis, pois é preciso monitorar constantemente os trabalhos, seus resultados, as falhas e as exceções para definir planos de ação. Não obstante, é preciso ter em mente que nenhuma ferramenta, metodologia ou teoria faz sentido sem pessoas com habilidades e perfil adequados. Embora o fim de determinadas profissões em função da robotização e evolução de tecnologias seja um assunto em alta, pessoas nunca foram tão importantes. Isso porque somos seres sociáveis, que precisam e prezam o contato com outros seres humanos, desde que, é claro, esse contato nos faça sentir bem e deixe uma boa impressão, que forneça uma boa experiência. Por isso, é preciso ter em mente que o foco DO cliente e a gestão POR processos podem ser grandes aliados, pois nos ajudam a identificar pontos fracos em processos que ficam escondidos na burocracia repetitiva das atividades do dia a dia. Como você pode ver, trata-se de um livro de conteúdo denso, mas tratado de forma a torná-lo acessível. O importante é que contém as noções indispensáveis, relativamente, aos temas abordados, que, uma vez assimiladas de forma conveniente, irão fornecer a você a base teórica e a segurança necessárias ao seu exercício profissional. Esperamos que você saiba aproveitá-lo. Bons estudos! Wagner Cardoso Introdução Objetivos As teorias clássicas da Administração e a relação com a Gestão de Processos – uma abordagem histórica Capítulo 1 Neste capítulo, serão abordados temas importantes da história da Administração e suas principais teorias, formando, assim, um embasamento teórico objetivo, coeso e coerente com a proposta de Gestão de Processos. Serão explicados, a seguir, os primórdios da Administração, a Administração Científica de Taylor, a Clássica de Fayol, a Teoria das Relações Humanas, a Neoclássica, a Administração por Objetivos (APO), a Teoria da Burocracia, a Estruturalista, a Comportamental, a do Desenvolvimento Organizacional, a Matemática (sim, a Matemática), a de Sistemas, a da Contingência e, por fim, realizaremos um paralelo relacional entre a Administração e a Gestão de Processos de Negócio. Após o estudo deste capítulo, esperamos que você seja capaz de: • identificar os primórdios históricos das teorias administrativas; • reconhecer a importância de cada fase abordada nas principais teorias da Administração; • conhecer a profundidade abordada em cada teoria administrativa; • descobrir a inter-relação de cada abordagem teórica da Administração com suas teorias correlatas e discrepantes; 2 UNIUBE • possibilitar ao estudante que aprenda a pensar de forma crítica e construtiva, evolutiva; • conceber um arcabouço histórico coeso, objetivo, enxuto e, ao mesmo tempo, eficiente a respeito das mais importantes teorias administrativas. Esquema 1.1 Antecedentes históricos da Administração 1.2 As principais teorias da Administração 1.2.1 Administração Científica e Taylor 1.2.2 Teoria Clássica da Administração e Fayol 1.2.3 Teoria das Relações Humanas 1.2.4 Teoria Neoclássica da Administração 1.2.5 Administração por Objetivos (APO) 1.2.6 Teoria da Burocracia 1.2.7 Teoria Estruturalista da Administração 1.2.8 Teoria Comportamental da Administração 1.2.9 Teoria do Desenvolvimento Organizacional 1.2.10 Teoria Matemática da Administração 1.2.11 Teoria da Contingência 1.3 Relação entre Administração e Gestão de Processos 1.4 Conclusão Antecedentes históricos da Administração1.1 A Administração existe desde que o mundo é mundo. A forma como era executada é que sofreu grandes alterações. A Administração recebeu influência da Filosofia, por meio de Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros filósofos da Antiguidade. Na época, UNIUBE 3 Aristóteles distinguiu três formas de Administração: monarquia ou governo de um só, aristocracia ou governo de uma elite e democracia ou governo do povo. De lá até a Idade Média, a filosofia separou-se da Administração. René Descartes (1596-1650), filósofo moderno, criou o método cartesiano, muito importante e muito influente na Administração do século XX. O método cartesiano tem, basicamente, quatro princípios, a saber: • Princípio da dúvida: não aceitar nada como verdade absoluta enquanto não houver evidência de que aquilo é de fato verdadeiro. • Princípio da análise: dividir o problema em partes necessárias para a sua solução e resolver uma de cada vez. • Princípio da síntese: ordenar o pensamento e o raciocínio, iniciando pelos temas mais fáceis até se alcançar os mais difíceis. • Princípio da enumeração: verificar e rever tudo para que se tenha certeza de não se ter omitido nada. É preciso lembrar que as organizações militares influenciaram as teorias da Administração. Sun Tzu, um general e filósofo chinês, há mais de 2500 anos já falava em táticas, liderança, planos, manobras, conhecer o terreno e pontos fortes e fracos. Até hoje seus pensamentos e ensinamentos inspiram milhares de administradores. A escala hierárquica nasceu das organizações militares, juntamente com o princípio de direção, em que cada membro da hierarquia precisa saber o que se espera dele e o que ele tem que fazer, suas funções. Napoleão (1769-1821) costumava dizer que a obediência cega nunca leva à execução inteligente, por isso ele sempre deixava todas as suas ordens muito bem explicadas e claras. Uma nova era na Administração se iniciaria com a 1ª Revolução Industrial, que surgiu com a criação da máquina a vapor por James Watt (1736-1819) e sua aplicação aos ambientes fabris daquela época. A máquina a vapor mudou totalmente as relações de trabalho e comerciais da época, dando origem a revoluções de cunho econômico, político e social. 4 UNIUBE A 1ª Revolução Industrial (1780-1860) veio com a utilização da máquina a vapor, do carvão e do ferro, e a 2ª Revolução Industrial (1860-1914) veio com a utilização do aço e da eletricidade nas fábricas da época. Com o advento dessas duas revoluções, a produção ficou mais ágil, os produtos mais baratos e acessíveis à maior parcela da população, o que revolucionou os meios econômicos e sociais, que precisaram se adaptar à nova realidade capitalista de consumo. Precisamos lembrá-lo(a) também que os economistas liberais tiveram papel importante na construção das teorias da Administração. Eles pregavam ideias liberais, em que a ordem natural é a ordem perfeita, e a livre concorrência é o postulado principal do liberalismo econômico. Os mercados devem funcionar livremente, sem a mão do Estado ditando regras e ordens, a não ser onde não existe concorrência. Eles trabalhavam, e muitos ainda trabalham, com a ideia de que existe uma mão invisível que comanda o mercado, fruto da livre concorrência. Adam Smith (1723-1790) foi um dos precursores do liberalismo econômico e reforçava sempre a importância do planejamento e organização para uma administração eficiente. Na contramão dos liberais, vieram Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engel (1820-1895), pregando que o capitalismo que surgiu no liberalismo econômico é transitório, cíclico, com períodos de crise. Em 1848 eles publicaram o Manifesto Comunista, em que afirmam que a luta de classes é o motor da história e que o futuro é o modo de produção socialista/ comunista, no qual a classe operária deveria implementar a ditadura do proletariado. Posteriormente, Marx publica O Capital e suas teorias a respeito da mais-valia. Mais-valia Karl Marx caracterizou a classe dominante opressora de burguesa e a classe dominada e oprimida de proletária. Ele afirmava que a grande maioria composta por proletários é dominada e explorada pelos burgueses que pagam muito menos do que merecem os proletários, sendo este excedente que sobra da produçãoavaliar o desempenho dos colaboradores perante as metas estabelecidas e corrigir desvios negativos que, porventura, surjam. Importante UNIUBE 135 ressaltar o papel do líder transformador em motivar seus liderados a melhorarem seus indicadores e nunca jamais puni-los ou cobrá-los em demasia, sob pena de perder todo o processo de implantação de empoderamento. 6. Motivação: funcionário motivado é funcionário produtivo. Por isso, o líder utilizará das mais diversas técnicas e ferramentas da gestão de pessoas para alcançar níveis de motivação nunca antes alcançados na empresa. A meta é se superar a cada dia. 7. Tolerância a erros: o líder precisa, inevitavelmente, ter paciência e tolerância para com seus liderados, sem cobrar demais ou punir por erros que possam vir a ocorrer. Todo processo de mudança necessita de um tempo de aprendizado e como todo processo de aprendizado a paciência é fator central. Por fim, e não menos importante, é imprescindível tratar do tema inteligência emocional. Para que todo este processo de empoderamento tenha sucesso, também é vital que o líder trabalhe sua inteligência emocional, demonstrando empatia com seus pares, certa compaixão, compreensão para com os pontos em que alguns funcionários não conseguem atingir suas metas e, de acordo com suas potencialidades, mudá-los de área ou setor, até que se alcance o encaixe perfeito de habilidades e competências com operacionalização das tarefas. É a pessoa certa no lugar certo. Isso que queremos ao final. Além, claro, de equipes motivadas, progressistas, engajadas, comprometidas, enfim, equipes de alto desempenho. Foco no cliente6.7 O cliente é o rei! Quem nunca ouviu essa afirmação, de forma até enfática e pragmática? Creio que todos que estão envolvidos direta ou indiretamente com gestão de processos e operações já a ouviram. Não há dúvidas, ou pelo menos não deveria haver, que quem “manda” na empresa é o cliente. Ele é o rei, pois é ele quem determina o que é 136 UNIUBE qualidade, quais as características de qualidade a serem analisadas e o que deve ser controlado pela empresa. É pelo cliente e para o cliente que as empresas trabalham. E é ele quem traz faturamento à empresa. Logo, sem ele, não há razão de existir para a empresa. Creio que isso mais que justifica a frase “O cliente é o rei”. Porém, para que o foco total seja no cliente, todos os processos devem focar os desejos e as expectativas do cliente. Desde o projeto do produto e/ou serviço, em que as características técnicas são determinadas seguindo os anseios do cliente, passando pela produção de produtos e serviços com qualidade, preço justo e prazo curto (sim, o cliente quer que o produto ou serviço esteja disponível mais rapidamente a cada dia que passa, pois a moeda mais cara neste século XXI é o tempo), até a distribuição e entrega dos produtos de forma eficiente, ágil e com qualidade. Algumas técnicas ajudam as empresas a desenvolverem o pensamento do foco no cliente. Da engenharia, podemos trazer a engenharia reversa e a engenharia simultânea. Engenharia reversa é quando projetamos os produtos/serviços de trás para frente, ou seja, partindo dos desejos e anseios dos clientes para dentro da empresa, etapa a etapa, até chegar, por fim, ao projeto do produto em si. Já a Engenharia simultânea é quando projetamos e desenvolvemos os produtos/serviços simultaneamente com os clientes, de forma colaborativa, etapa a etapa, em que só se avança para a próxima etapa após a concordância total entre equipe de pesquisa e desenvolvimento do produto (P&D) e os clientes. É obvio e evidente que não é possível levar todos os clientes para este processo de construção criativa dos produtos/serviços, por isso é importante que se escolha uma amostra de clientes realmente potenciais que sejam participativos, proativos e críticos e que estejam dispostos a ajudar de forma assertiva na construção do produto/serviço. UNIUBE 137 Já do ponto de vista administrativo e de gestão de processos, podemos citar aqui as técnicas de empoderamento dos colaboradores e de sentimento de dono, para que eles comecem a analisar os processos, desde o mais simplista até o mais complexo, sob a ótica do cliente. O intuito é que, por meio destas duas técnicas, os colaboradores possam focar seus esforços em ações que, de fato, agregam valor para o cliente. Atividades que não agregam valor devem ser eliminadas e atividades que agregam devem ser multiplicadas e melhoradas. Quanto mais agregação de valor houver, maior vantagem competitiva a empresa terá sobre a concorrência. E este é o foco: alavancar a vantagem competitiva, com colaboradores motivados, empoderados, qualificados, se sentindo mais que importantes, sentindo-se donos do negócio. Conclusão6.8 Este capítulo veio com intuito central de trazer ao aluno uma contextualização mais ampla, mostrando a ele que a Gestão de Processos e Operações só será completa se as pessoas forem consideradas como elementos principais no âmbito empresarial. Por isso, recomenda-se fortemente que você continue se aprimorando, aprofundando-se e especializando-se no tema Gestão de Pessoas, estratégico que é este tema para qualquer organização. Mesmo num ambiente moderno, automatizado, na era da 4ª Revolução Industrial e da Internet das Coisas, as pessoas são essenciais ao negócio e seu sucesso. Sem as pessoas não há processo a gerir, não há produtos e serviços para vender e não há organização empresarial que se sustente. 138 UNIUBE Resumo Este capítulo abordou com a profundidade merecida o tema Gestão de Pessoas no contexto da Gestão de Processos e Operações, passando por temas vitais como Liderança Transformadora, Modelo de Excelência Gerencial, Mudança Cultural, entre tantos outros. Espera-se que, ao final do capítulo, o aluno tenha conhecimento suficiente para gerir processos e operações de forma mais humana, mais atenta aos comportamentos, mais antenada ao que as pessoas não dizem, e, sim, demonstram. Um gestor de processos competitivo é aquele que sabe valorizar e reconhecer sua equipe, além, obviamente, de saber liderar de forma a transformar as pessoas em pessoas melhores, mais unidas, eficientes, produtivas, com grande potencial sinergético. O clima organizacional fica melhor, as pessoas tendem a ser mais produtivas, felizes e motivadas. Recomendo fortemente que você faça a leitura do livro Liderando para a Alta Performance, do autor Pedro Mandelli, 2017. Este livro encontra-se disponível na sua biblioteca virtual Pearson. Eu poderia recomendar que você lesse o capítulo 1 apenas, mas o livro todo é essencial para uma ótima formação do gestor de processos e operações. Logo, recomendo a leitura do livro na sua totalidade. Boa leitura! AMPLIANDO O CONHECIMENTO Faça o seguinte exercício: elabore um estudo de caso, levante dados numa empresa real e analise como está a gestão de pessoas nessa empresa e o clima organizacional. Após o levantamento, feito por meio de entrevistas informais e observações, elabore um breve plano de ação em que conste, na sua opinião, o que a empresa em questão precisa fazer para mudar a AGORA É A SUA VEZ UNIUBE 139 cultura atual dela, focando o sucesso e o aumento da competitividade da empresa. Envie para o seu professor, caso tenha dúvidas. Essa atividade não é pontuada, mas é riquíssima para a construção do seu conhecimento e perfil profissional. Conte conosco! Referências BARNES, R. M. Estudo de Movimentos e de Tempos: projeto e medida do trabalho. São Paulo: Edgard Blücher, 2004. BOURNE, M.; MILLS, J.; WILCOX, M.; NEELY, A.; PLATTS, K. Designing, implementing and updating performance measurement systems. International Journal Of Operations & Production Management, [s.l.], v. 20, n. 7, p.754-771, jul. 2000. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina de trabalho do dia a dia. 8 ed. Nova Lima: INDG, 2004. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. Rio de Janeiro: BhochEditores S.A., 1994. CAMPOS, V. F. TQC Controle da Qualidade Total no Estilo Japonês. 9. ed. Nova Lima: Indg, 2014. CAPOTE, G. BPM para todos: uma visão geral abrangente, objetiva e esclarecedora sobre gerenciamento de processos e negócio. 1. ed. Rio de Janeiro: Gart Capote, 2012. CARDOSO, W. Engenharia de Métodos e Produtividade: a teoria na prática. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CARDOSO, W. Planejamento de Vendas e Operações (S&OP) para Hospitais. 1. ed. Ananindeua: Itacaiúnas, 2018. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. CONTADOR, J. C. Gestão de Operações: A Engenharia de Produção a Serviço da Modernização da Empresa. 3. ed. São Paulo: Blucher, 2010. 140 UNIUBE FORD, A. L.; WILLIAMS, J. A.; SPENCER, M.; McCAMMON, C.; KHOURY, N.; SAMPSON, T. R.; PANAGOS, P.; LEE, J. Reducing Door-to-Needle Times Using Toyota’s Lean Manufacturing Principles and Value Stream Analysis. 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Na outra ponta, estão os clientes que têm se confrontado com produtos que não funcionam, atendimentos mal feitos e serviços precários. Quando a realidade da experiência proporcionada pelo produto ou serviço não está à altura das expectativas criadas pelo consumidor, o resultado não tem como ser diferente: a sensação é de irritação, frustração e tédio. Mas, se organizações demonstram estar focadas no cliente por que, então, é comum vê-lo insatisfeito? Se esta dinâmica acontece desde sempre, por que se preocupar com isso nos 144 UNIUBE dias de hoje? E como a Gestão por Processos pode contribuir para este contexto? Parece desafiador, mas uma simples mudança de perspectiva, aliada a ferramentas eficientes, vai ajudar a responder e entender essas questões. É este o caminho que os assuntos a serem trabalhados neste capítulo vão percorrer. Aproveite! Objetivos Ao final deste capítulo, você deverá ser capaz de: • Explicar a necessidade de mudança de perspectiva para melhorar a relação entre organizações e clientes. • Evidenciar a diferença entre “foco no cliente” e “foco do cliente”. • Indicar as metodologias e ferramentas que podem contribuir para essa mudança de perspectiva. • Explicar a diferença entre “Gestão de Processos” e “Gestão por Processos”. • Explicar o que são escritórios de processos. • Aponte algumas razões por que os métodos de gestão ágil (Outside in) são preferidos hoje. Esquema 7.1 Foco “no” cliente x foco “do” cliente 7.2 Jornada e experiência do cliente 7.3 Gestão “de” Processos x Gestão “por” Processos 7.4 Escritórios de Processos 7.5 Gestão ágil e Outside in 7.6 Conclusão UNIUBE 145 Foco “no” cliente x foco “do” cliente7.1 Iniciando o trabalho de mudança de perspectiva, serão conceituadas, a seguir, duas expressões que, em sua nomenclatura, só podem ser diferenciadas pela preposição, mas, na prática, podem representar um divisor de águas no dia a dia de uma organização. Então: • Foco no cliente: quando um projeto ou planejamento empresarial, a partir de impressões internas, tentam projetar ou deduzir o que acreditam que o cliente está buscando. Quando um produto ou serviço é lançado, é o cliente que se adapta às opções disponíveis no mercado. Não há preocupação com a experiência do cliente. • Foco do cliente: quando um projeto ou planejamento empresarial prioriza a adoção de um ponto de vista de análise, desenho e gerenciamento de desempenho com a visão do cliente, isso quer dizer “de fora para dentro”. Existe a preocupação com a experiência do cliente quanto ao uso do produto ou serviço. Para isso, é preciso se colocar no lugar dele e trilhar a sua jornada, buscando entender o que ele sente, desde o gatilho inicial (desejo de ter) até o cumprimento de suas expectativas. Enquanto “foco no cliente” (ou Inside Out) modela seus processos a partir de um problema identificado, deduzindo ser uma necessidade de clientes existentes ou potenciais, o “foco do cliente” (ou Outside In) está focado em modelar processos cuja entrega final gere um valor percebido pelo cliente. A segunda abordagem pretende identificar as reais necessidades de clientes potenciais e oferecer produtos ou serviços que possam resolvê- las. A partir daí, é possível identificar o perfil do cliente ideal e construir uma relação positiva com um nicho específico. Neste ponto, passa a ser possível desenvolver um trabalho contínuo de busca de feedback para desenvolvimento constante do produto ou serviço. Um produto validado e com boa tração é a base para conquistar novos clientes. 146 UNIUBE Vejamos, a seguir, um exemplo para ilustrar a diferença entre umae outra abordagem: Um empresa do ramo do varejo, que trabalha com carnes nobres, tem produtos de diferentes faixas de preço. Com o objetivo de aumentar o ticket médio das vendas, deduziu que se possibilitasse a seus clientes a degustação de produtos de linha superior, na própria loja, que possui um lindo espaço para esse tipo de ação, eles poderiam avaliar a qualidade do produto e verificar que o valor maior é justo, considerando qualidade e sabor, o que poderia influenciar futuras decisões de compra. Escolheu um dia de grande movimento para realizar a ação e para comunicar a equipe que utiliza com facilidade um aplicativo de mensagens instantâneas, enviou uma mensagem por esse aplicativo, convidando seus melhores clientes para comparecerem na loja, no dia e horário indicados. No dia do evento, os empreendedores tiveram uma surpresa negativa. O movimento foi muito maior que o esperado, embora poucos clientes tenham comparecido. Muitas pessoas que participaram da degustação eram da vizinhança, não representavam um cliente potencial e foram embora sem comprar nada. Resolveram, então, tentar entender o acontecido e entraram em contato com os clientes que haviam sido convidados. O que conseguiram levantar foi: • muitos receberam o convite, mas não o abriram, porque costumam deletar “propagandas”; • alguns abriram a mensagem e compartilharam com seus contatos, de forma geral; EXEMPLIFICANDO! UNIUBE 147 • os lojistas do bairro, que também foram convidados, política de boa vizinhança, compartilharam o convite com seus respectivos clientes; • alguns clientes foram até a loja, mas resolveram não entrar devido à quantidade de pessoas que ocupava o local; • outros clientes reclamaram porque não ficaram sabendo da ação (esses são de um nicho específico que não utiliza aplicativos de mensagem como principal meio de comunicação). E qual a conclusão? A ação foi pensada internamente, sem a preocupação de simular a jornada que o cliente percorreria para participar da ação. Essa jornada é importante, pois, cada contato com a empresa, pode gerar um sentimento negativo, indiferente ou positivo. Esse sentimento pode ser calculado: positivo, se o contato real com a ação tiver superado as expectativas geradas; negativo, se o contato tiver sido aquém das expectativas, e, indiferente, se expectativa e realidade forem iguais. Experiência tem a ver com o sentimento que algo produz ou proporciona ao cliente, não está, portanto, restrita a pequenos pontos de contato com o produto em si. No exemplo supracitado, que é hipotético, a organização entendeu que poderia gerar uma boa experiência considerando apenas o contato com sabor e qualidade do produto. Jornada e experiência do cliente7.2 O mundo mudou. Antes da internet, que trouxe aplicativos e recursos específicos para levantamento de informações prévias que possilitam comparações dos mais diversos tipos, um consumidor não tinha como prever como seria sua experiência e isso contribuía para a geração de expectativas menores. É por isso que estratégias do passado já não surtem efeitos nos dias de hoje. Ao passo que a interatividade fica, 148 UNIUBE cada vez mais, favorecida neste contexto, clientes potenciais têm mais informações sobre a experiência de outros consumidores. As organizações deparam com uma necessidade de superar as expectativas e isso só pode ser feito a partir do mapemento e entendimento da jornada que ele percorre. Para isso, é importante entender a relação entre jornada e experiência do cliente. A jornada deve retratar, inclusive visualmente, a série de interações que clientes têm com a empresa por meio dos pontos de contato disponíveis (material promocional, loja física, website, telefone, e-mail, redes sociais, produtos, serviços, etc), o que eles fazem e como se sentem em cada uma dessas interações. Experiência do cliente é a impressão final sobre uma ou mais jornadas, permitindo estabelecer uma avaliação geral da organização, seus produtos e serviços. Essa avaliação gera um sentimento e possibilita uma relação com a empresa. Essa relação está ligada exclusivamente ao valor percebido, e não ao valor absoluto. Nesse caso, deduções internas não têm validade nenhuma para planos de ação. Empatia é o segredo da vez. No dicionário, quer dizer: tendência para sentir o que sentiria se estivesse em situação vivida por outra pessoa. Ainda há muito a ser aperfeiçoado nos métodos e ferramentas atuais utilizados para chegar a conclusões confiáveis relacionadas à jornada e à experiência do consumidor, mas, principalmente, relacionadas à experiência. Segundo Chetochine (2006), os métodos atuais possibilitam a coleta e exploração de dados, o que permite analisar tendências profundas da evolução da atividade econômica, porém se apoiam apenas no passado UNIUBE 149 ou, na melhor das hipóteses, no presente imediato, mas, por falta de um método melhor, ainda continuamos a imaginar o futuro do consumidor a partir da análise do presente e do passado como se as coisas devessem se inscrever em uma espécie de ciclo pré-programado linear e constante. Não se trata de prever o futuro, mas de entender que a experiência do cliente pode ser a mesma em um hotel de luxo ou em um hotel econômico, o que vai diferenciar é a expectativa que ele cria em torno disso. A conta da felicidade pode ser simples, ou igual à expectativa – realidade. É preciso trabalhar no entendimento dessa expectativa e isso tem tudo ver com a integridade da empresa. Será que o marketing está vendendo a realidade? Gestão “de” Processos x Gestão “por” Processos7.3 A diferença entre gestão DE processos e gestão POR processos é que a primeira indica que o objetivo da gestão é o processo isolado e, geralmente, departamentalizado: cada entrega por departamento é considerada um processo e este é gerido de forma individual. Já a gestão por processos separa os processos a partir de entregas que agreguem valor ao cliente final e as entregas de cada departamento durante o processo são consideradas apenas instâncias. Nesses grandes processos, existem as instâncias que suportam e gerenciam os processos primários, mas é por meio desses que os objetivos organizacionais serão alcançados e onde a geração de valor para o cliente será realizada. Tendo BPM a premissa fundamental em sua implementação de entregar valor para o cliente, BPM Essa expressão já apareceu em capítulos anteriores. Só para recordar: trata-se do Gerenciamento de Processos de Negócio ou Gestão de Processos de Negócio (em inglês: Business Process Management ou BPM). É um conceito que une gestão de negócios e tecnologia da informação com foco na otimização dos resultados das organizações por meio da melhoria dos processos de negócio. 150 UNIUBE a adoção desta disciplina para as empresas pode representar uma vantagem competitiva diante do mercado, isso porque os chamados “Momentos da verdade” são conhecidos. A visão organizada desses momentos, de forma gráfica e cronológica, nada mais é que a identificação da jornada do ciente. O CBOK 3.0, que é um guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio – corpo comum de conhecimento – referência internacional da disciplina BPM, trata desse assunto por meio de uma figura que ilustra bem a importância da experiência do cliente, como se pode ver a seguir. Fonte: CBOK, 2013 (p. 44) Escritórios de processos7.4 A otimização e melhoria contínua de processos deve ser um trabalho contínuo com acompanhamento, monitoramento e avaliação constante sobre o funcionamento. Quando a estrutura funcional de governança está voltada para a gestão por processos, o trabalho para promover atitudes orientadas à saúde dos processos perpassa as lideranças de departamentos – que precisam fazer a gestão específica de suas instâncias – e passa a ser tarefa de uma área específica, geralmente denominada escritório de processos. UNIUBE 151 Para Cavalcanti (2017), essaárea deve buscar analisar, operacionalizar e gerir a lógica por processos e criar uma visão sistêmica internalizada na estrutura do negócio de forma a utilizar essas análises na busca de resultados organizacionais concretos, por meio da criação de um espaço comum, com visão compartilhada dos processos, capaz de apoiar cada uma das partes. Essa estrutura proporciona agilidade na tomada de decisões e facilita processos de mudança e, para garantir resultados, não pode ser centralizadora e fechada nas discussões e análises, é imprescindível que envolva colaboradores de áreas e níveis hierárquicos diversos bem como os clientes . É importante que não haja confusão entre a função de um escritório de projetos e um escritório de processos. Estas são áreas distintas. Enquanto um projeto tem começo, meio e fim bem definidos, processos envolvem um ciclo permanente de mudanças baseadas no mercado e na própria organização. IMPORTANTE! A implantação de mudanças identificadas e mapeadas pelo escritório de processos pode virar um projeto que será acompanhado por esta outra área, por isso é comum haver profissionais da área de gestão de projetos dentro do escritório de processos. Algumas empresas apresentam em sua estrutura as duas áreas. Uma área bem estruturada de processos dentro da empresa se enquadra perfeitamente nessa necessidade de entender o cliente e promover mudanças que agreguem valor percebido. Isso porque, independentemente da questão departamental, este setor deve ser detentor do mapeamento de todos os fluxos e, ao focar esforços de forma sistemática, é possível alcançar objetivos e resultados com maior segurança e agilidade. 152 UNIUBE Gestão ágil e outside in7.5 Os métodos ágeis surgiram na área de tecnologia, mais especificamente em desenvolvimento de softwares e sistemas, para resolver problemas de tempo e eficiência. Falhas de comunicação entre área de negócios e os responsáveis pelo desenvolvimento, associadas a etapas muito longas de entregas, resultavam em projetos que demoravam muito para serem concluídos, conforme ilustra a imagem a seguir: Métodos ágeis trouxeram a proposta de iterações (que antes eram chamadas de etapas) bem mais curtas que possibilitam validações prévias e particionadas, antes da entrega final do projeto. A capacidade de responder de forma rápida a mudanças passou a ser mais importante do que seguir um plano, proporcionando adaptabilidade e flexibilidade. Iterações Uma iteração é um ciclo ou uma etapa de uma rotina maior. Não confundir com interativo, que se refere a relacionamento, comunicação. Uma interação é uma ação mútua, uma entidade agindo sobre a outra ou vice-versa. UNIUBE 153 Entre os principais tipos de metodologias ágeis estão: scrum, lean, kanban e Smart. Conforme as vantagens foram sendo percebidas pelas áreas de TI e de projetos, em pouco tempo, essas novas metodologias passaram a ser amplamente adotadas nas mais diversas áreas administrativas das empresas. Metodologias ágeis apoiadas pela gestão eficiente por processos possibilitam o acesso a informações mais confiáveis e completas sobre o cliente (persona) e sua jornada. Segundo Capote (2019), em seu artigo para o linkedin, sob o título “O Analista de Processos na Gestão Ágil”, essa riqueza de detalhes e precisão é fundamental para orientar e aprovar histórias de usuário e definir roteiros e iterações mais poderosas. Indo ao encontro do que propõe a disciplina BPM, as metodologias ágeis mantêm o foco na melhoria contínua dos processos e alinhamento da equipe, a novidade vem pela dinâmica de ciclos de desenvolvimento curtos, com entregas bem definidas e mais rápidas. Conclusão7.6 Neste capítulo, foram apresentadas e desenvolvidas questões a respeito do desafio de se conseguir clientes nos dias atuais em que é possível perceber a importância de gerar uma boa experiência de compra para promover a fidelização de clientes bem como o papel da gestão por processos neste contexto. Trata-se de uma área em franca expansão tanto em termos de estudos quanto em termos de implantação e desenvolvimento nas organizações. 154 UNIUBE Resumo O capítulo “Gestão por Processos com o foco do cliente” apresenta novas perspectivas acerca de como as organizações veem o cliente em seus processos internos, como a análise da jornada e a importância que dá ao sentimento deixado por uma experiência que envolveu a empresa, sendo a gestão por processos aliada de destaque neste contexto. Referências CHETOCHINE, Georges – O blues do consumidor: por que seu cliente não está satisfeito? 2. Ed. – São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2006. ABPMP - BPM CBOK™ v3.0 - Business Process Management Common Body of Knowledge, 1. ed., 2013. CAVALCANTI, Rubens – Modelagem de Processos de Negócios.1. ed. – Rio de Janeiro: Brasport, 2017. CAPOTE, Gart. O Analista de Processos na Gestão Ágil. Disponível em: https:// www.linkedin.com/pulse/o-analista-de-processos-na-gestão-ágil-gart-capote-cbpp/. Acesso em: 11 nov. 2019. Anotações _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ __________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________ _________________________________________________________e que fica com a burguesia chamado de mais-valia. UNIUBE 5 Big data Termo que se refere ao ato ou efeito de coletar e armazenar grande quantidade de informações para futuras e eventuais análises e tomada de decisão. São dados gerados em grandes volumes, enorme velocidade de aquisição e processamento, ampla variedade de formatos e tipos. O que ficou evidenciado no século XX é que, com a força dos sindicatos e a pressão exercida pelos operários sobre as empresas, estas se viram forçadas a ajustar as jornadas de trabalho e remuneração às exigências dos sindicatos e, consequentemente, quanto mais pressão sofriam mais investiam em avanços tecnológicos e modernização dos parques fabris, com intuito claro e óbvio de diminuir, gradativamente, a dependência da força de trabalho humana. Voltando ao século XIX, viu-se o surgimento de grandes conglomerados empresariais, que demandaram estruturas administrativas mais robustas e eficientes que as usadas até então. Para a Administração, este século foi um marco histórico, devido à importância que as teorias administrativas e os profissionais da área tiveram nas empresas. Por volta de 1880, as empresas já tinham departamentos distintos e específicos de produção, vendas, engenharia e financeiro, que buscavam reduzir custos, aumentar vendas e melhorar as margens de lucro. No século XX, os grandes impérios industriais entraram em declínio e deram lugar a organizações focadas na competição, no livre comércio, no desenvolvimento tecnológico, na ruptura de barreiras geográficas e tecnológicas, na rapidez das mudanças, na redução constante de custo, na melhoria contínua e no crescimento dos negócios. É nesse século que de fato se consolida a teoria administrativa. A 3ª Revolução Industrial ocorreu em 1969, com o advento da automação e da tecnologia da informação nas empresas, agilizando o processo e a tomada de decisões administrativas. Já a 4ª Revolução Industrial começou nos anos 2000 e é caracterizada, principalmente, pela robótica, inteligência artificial, Big data, internet das coisas e muitas outras tecnologias que 6 UNIUBE colaboram melhorando a qualidade das informações e dados coletados para tomadas de decisões mais assertivas e, obviamente, mais ágeis que antes. As principais teorias da Administração1.2 Após este rápido histórico, vamos conhecer, em detalhe, as principais teorias da Administração, desde as origens até a atualidade, destacando seus propugnadores e suas principais contribuições para o desenvolvimento deste importante setor. 1.2.1 Administração Científica e Taylor A abordagem da Escola da Administração Científica teve início no começo do século XX, com Frederick Winslow Taylor, considerado o pai da administração científica, justamente por ser o pioneiro na aplicação de conceitos e técnicas da engenharia industrial na administração das indústrias da época. Ele utilizou conceitos e teorias embasadas na ciência para reduzir custos, melhorar a produtividade e alavancar os resultados das empresas da época. 1.2.1.1 A importância da obra de Taylor Taylor (1856-1915) nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, numa família rígida, e foi criado seguindo os princípios da disciplina e aprendendo a dar valor ao dinheiro por meio do trabalho. Começou sua carreira de baixo, como operário, na Midvale Steel Co., logo sendo promovido a contramestre e, após se formar em engenharia, foi promovido a engenheiro. Quando engenheiro, escreveu um livro chamado Administração de Oficinas (Shop Management), em 1903, em que defende que a administração da empresa precisa delegar aos seus funcionários a carga de trabalho adequada, sem sobrecarga nem subcarga, e que essa UNIUBE 7 carga de trabalho fosse encontrada de forma científica, basicamente com técnicas, como a que se conhece pelo nome de “Estudos de Tempos e Movimentos”, que encontra o tempo padrão para execução das tarefas por operários treinados e qualificados para tal. Por meio do estudo de tempos, era determinado um tempo padrão para que cada operador pudesse executar suas tarefas nesse tempo e ainda pudesse ser capaz de produzir mais que o padronizado, logo motivando-o a aumentar cada vez mais sua produtividade, pois Taylor também defendia que o operário deveria ganhar uma quantidade justa e de acordo com o montante produzido. Taylor, com isso, levou ciência às teorias administrativas existentes até então, retirando bastante subjetividade delas e adicionando dados e números reais que embasavam de forma coerente e objetiva os estudos nas fábricas. Em 1911, Taylor escreveu o livro Princípios da Administração Científica, dando nome à abordagem de “Administração Científica”. Nele, Taylor reforçou a importância das empresas utilizarem a ciência como apoio na administração, transformando profundamente as relações de trabalho e os negócios das empresas. Sai de cena o empirismo e entra a cientificidade. Sai de cena também a subjetividade para dar lugar às técnicas de engenharia industrial. O que havia antes de Taylor era desorganização, má distribuição da carga de trabalho, má divisão dos cargos e, consequentemente, custos errados e perda de lucros. A Administração Científica de Taylor veio para diminuir a vadiagem sistemática de funcionários que não tinham a carga de trabalho adequada ou, pior, que queriam sabotar o sistema por acharem que este os sabotava diariamente (existe um fundo de verdade nisso pela própria má divisão das tarefas feita pela direção da empresa); Empirismo Ato ou efeito de julgar sem conhecimento científico. Ou seja, analisar e julgar por meio do achismo, sem embasamento teórico algum. 8 UNIUBE implantar tempos padrão para execução das tarefas, suportando, assim, uma melhor divisão das tarefas e diminuir a subjetividade e a falta de uniformidade na distribuição de cargos e tarefas. 1.2.1.2 A Organização Racional do Trabalho (ORT) A Organização Racional do Trabalho (ORT) recebeu este nome porque foi criada com intuito de substituir o empirismo e a subjetividade na execução das tarefas por técnicas e métodos, previa e detalhadamente estudados com apoio do estudo de movimentos e de tempos. Antes da ORT, cada funcionário executava a tarefa como queria, aprendendo com seu colega do lado, que também aprendeu com alguém, sem nenhum tipo de padrão estabelecido. Taylor viu que a falta de padronização nas tarefas e nos processos levava a prejuízos enormes, por isso investiu boa parte de sua carreira na investigação, criação, implantação e treinamento sobre estudos de tempos e movimentos aliados à ORT. Os pilares da ORT são: • Estudo de movimentos e de tempos: antes de mais nada, estudam-se os métodos de trabalho utilizados, encontra-se o melhor método e padroniza-o. Após sua padronização, é possível elaborar o estudo de tempos para determinação dos tempos padrão para cada tarefa e, assim, dividir de forma mais justa a carga de tarefa. • Estudo da fadiga humana: neste ponto, Taylor teve ajuda do casal Gilbreth, que, então, investiu bom tempo no estudo das atividades que causavam fadiga humana e não geravam valor algum para o produto, processo e cliente. Logo, o estudo da fadiga humana visou reduzir ou eliminar atividades desnecessárias, que não agregavam valor e só serviam para levar os funcionários à exaustão e pouco ou nada rendiam por causa delas. Eram atividades inúteis, que deveriam ser eliminadas. • Divisão do trabalho e especialização do operário: Taylor observou UNIUBE 9 que, nas fábricas da época, existia injustiça nas divisões das tarefas por desconhecimento da real capacidade produtiva de cada operário em seu posto de trabalho e, com o aporte do estudo de movimentos e de tempos, foi possível distribuir melhor a carga de trabalho e dar ao operário melhores condições para que alcançasse e ultrapassasse as metas estabelecidas, agora de forma justa. Além disso, Taylor criou a especialização do operário, em que este ficariafocado numa só atividade, especializando-se ao extremo nela, e, com isso, o tempo de processamento obviamente seria menor. Esse ponto choca com o funcionário multifuncional que vemos hoje, no século XXI. Mas é importante ressaltar que, com a especialização do trabalho, Taylor conseguiu organizar as fábricas e ganhar tempo de produção, reduzindo custos drasticamente. Ou seja, o que havia antes de Taylor era desorganização e ele cumpriu com maestria o propósito a que veio: organizou o que era para ser organizado. Posteriormente, como em todo processo evolutivo, num novo ambiente, novos tempos, novas culturas, ganha espaço, até por necessidade, a multifuncionalidade dos funcionários. É inadmissível que algum cientista da administração ou da engenharia industrial menospreze os trabalhos de Taylor, taxando-os de ultrapassados ou arcaicos. Taylor foi único, criou um divisor de águas, existe o antes e depois de Taylor para as teorias administrativas. Não haveria multifuncionalidade, polivalência, just in time, manufatura enxuta, se não houvesse Taylor. • Desenho de cargos e tarefas: Taylor, pioneiro também no desenho de cargos e tarefas, observou que havia necessidade de padronizar as tarefas que cada cargo poderia executar, para que assim fosse possível elaborar estudos de tempos coerentes com a realidade de cada tarefa. Além desse objetivo central do desenho de cargos, a padronização gerou ganhos nos tempos de treinamento, na facilidade de supervisão e melhoria na eficiência dos trabalhadores, pois executavam tarefas agora claras, objetivas e padronizadas. Just in time Tradução literal do inglês: “na hora certa”, ou seja, produzir somente o que o cliente deseja e no momento que ele deseja, sem estoques ou desperdícios. 10 UNIUBE • Incentivos salariais e prêmios por produção: Taylor concluiu que, mesmo após padronizado o trabalho, dada a carga de trabalho adequada, o operário ainda poderia ser improdutivo, pois o operário com baixa produtividade ganhava o mesmo que um eficiente, logo, para o eficiente, não havia motivação alguma em produzir mais. Por isso, ele substituiu o salário fixo igualitário por pagamento por produção, em que quem mais produzisse mais ganharia. Quando o funcionário ganha por produção, ele mesmo buscará eliminar os problemas que ocorrem nas tarefas que são de responsabilidade dele e as que não são, por exemplo, parada por manutenção, em que o operário fará o que estiver ao seu alcance para não deixar a máquina parar e, se ela parar, ele fará o máximo para que o conserto seja executado o mais breve possível. Alia-se a isso o conceito de homo economicus, que diz que o homem trabalha porque precisa de dinheiro, e não por prazer. • Condições de trabalho: Taylor preocupou-se com o conforto e a redução de fadiga dos funcionários quando visou adequar as ferramentas e equipamentos aos seus funcionários, cuidar da disponibilidade delas no tempo que os funcionários necessitem, cuidar dos postos de trabalho para que não gerem fadiga, estresse ou monotonia em excesso. Até ruídos, calor e má iluminação Taylor melhorou. Tudo com intuito de fornecer aos operários um ambiente de trabalho propício ao aumento e melhoria constante da produtividade. • Padronização: quando o trabalho é padronizado, ou seja, segue uma sequência lógica e imutável, a produtividade tende a ser maior e os custos tendem a ser menores, pois não há grandes possibilidades de desvios do método de trabalho. • Supervisão funcional: aqui Taylor impôs aos operários a supervisão especializada de um chefe com conhecimento de causa em uma só área ou função. Por exemplo, havia o supervisor de tornearia, o supervisor de pintura, etc. 1.2.1.3 Princípios da Administração Científica Os princípios são criados para servirem de padrão a ser seguido sob circunstâncias diversas. Aqui, trataremos dos princípios, segundo Taylor e Ford, pela importância que os dois tiveram na criação e implantação da Administração Científica. UNIUBE 11 • Princípios da Administração Científica segundo Taylor: princípio de planejamento, em que o empirismo dá lugar à cientificidade, ao que foi planejado; princípio de preparo, em que o foco é o preparo tanto dos funcionários por meio de corretos treinamentos nos métodos padronizados quanto o preparo das máquinas para execução correta das tarefas; princípio do controle: visa controlar e acompanhar as tarefas para verificar se estão sendo executadas conforme o estabelecido no estudo de movimentos e de tempos e princípio da execução: visa a correta distribuição das tarefas para que o operário possa executá-las de acordo com suas competências, minimizando os desvios. • Princípios de Ford: Ford foi o criador da linha de produção em massa e sua maior contribuição foi a intercambialidade de peças, ou seja, peças que servem em produtos diferentes. Para que isso fosse possível, ele trabalhou três princípios básicos: princípio da intensificação, no qual o foco era diminuir o tempo de produção para colocar o produto rapidamente no mercado; princípio de economicidade, em que o foco era a redução drástica de estoques em processo para que os materiais fossem transformados em produtos acabados e entregues ao cliente de forma rápida, antes do vencimento das obrigações financeiras da empresa; e o princípio de produtividade, no qual o foco é o aumento da produção por unidade de tempo do operário, retribuindo-o financeiramente por meio do pagamento por peça produzida, dessa forma Ford concordava com Taylor que funcionário motivado é funcionário produtivo e empresa saudável financeiramente. Finalizando, é importante ressaltar que críticas relacionadas a Taylor, acusando-o de escravista, de autoritário e de mecanicista, à primeira vista, parecem ter fundamento. A única delas que, hoje, no século XXI, tem um certo fundamento é a de que sua teoria era mecanicista, pois, realmente, hoje não se vê mais aplicação prática desse tipo de trabalho mecânico, e, sim, multifuncional, como já discutido. Porém as outras críticas são infundadas, pois o que existia antes de Taylor era desorganização, até certa anarquia nas fábricas. Logo, para organizar a casa, ele precisou criar regras, estabelecer parâmetros, criar métodos e 12 UNIUBE padronizar trabalhos. Isso não é escravização, é disciplina e ordenação, para que a produção tivesse melhores resultados e, de fato, ela os obteve. Taylor obteve grande êxito com a implantação de suas teorias, por isso até hoje ele é reconhecido como o pai da Administração Científica. 1.2.2 Teoria Clássica da Administração e Fayol Enquanto a Administração Científica surgia nos EUA, a Teoria Clássica surgia em 1916 na França e se disseminava pela Europa. Enquanto a primeira tinha ênfase na tarefa executada pelo operário, a segunda tinha ênfase na estrutura organizacional. Digamos que uma complementava a outra e nunca se pode afirmar que eram concorrentes. Henri Fayol (1841-1925), o fundador da Teoria Clássica da Administração, nasceu em Constantinopla e morreu em Paris. Formou-se também em engenharia e expôs sua teoria no livro Administration Industrielle et Générale, publicado em 1916. Fayol separou as funções básicas das empresas em seis: • Funções técnicas, ligadas à produção de bens e/ou serviços. • Funções comerciais, ligadas à compra, venda e troca. • Funções financeiras, ligadas à busca e gestão de capitais. • Funções de segurança, ligadas à proteção e conservação dos bens e das pessoas. • Funções contábeis, ligadas a inventários, balanços, registros, custos e estatísticas. • Funções administrativas, ligadas à coordenação e sincronização das cinco funções anteriores. Fayol, na criação da sua teoria, definiu que o ato ou efeito de administrar envolve diretamente prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. UNIUBE 13 Logo estas diretrizes estão diretamente ligadas às funções do administrador, que são: • Prever: ter uma visão de futuro e, a partirdaí, elaborar planos de ação. • Organizar: construir o duplo organismo da empresa, social e material. • Comandar: dirigir e comandar os funcionários. • Coordenar: unir e sincronizar os esforços individuais e coletivos em prol dos resultados da empresa. • Controlar: averiguar se tudo mais ocorre conforme as regras e métodos estabelecidos. Assim como Taylor fez na Administração Científica, Fayol também o fez na Teoria Clássica, criando 14 princípios gerais da Administração: 1. Divisão do trabalho: igual ao de Taylor, consiste na especialização das tarefas e das pessoas para melhorar a eficiência. 2. Autoridade e responsabilidade: autoridade para dar ordens e responsabilidade para cumpri-las de acordo com o que foi solicitado. 3. Disciplina: obediência aos acordos estabelecidos, com responsabilidade. 4. Unidade de comando: princípio da autoridade única, em que cada empregado deve ser subordinado somente a um superior. 5. Unidade de direção: um único plano para objetivos comuns. 6. Subordinação dos interesses individuais aos gerais: os interesses da empresa são maiores e mais importantes que os interesses de cada indivíduo. 7. Remuneração do pessoal: a remuneração deve ser justa tanto para funcionários quanto para empresa. 8. Centralização: uma única unidade de comando geral no topo da pirâmide hierárquica da empresa. 9. Cadeia escalar: é a linha de comando que parte do escalão mais alto e desce aos níveis mais baixos na hierarquia. 14 UNIUBE 10. Ordem: é a ordenação de funcionários e materiais em que cada um fica num lugar predeterminado. 11. Equidade: tratar com igualdade e justiça todos os envolvidos no processo organizacional para alcançar a sua lealdade. 12. Estabilidade do pessoal: zelar para que haja pouca rotatividade de pessoal, pois quanto mais tempo no cargo melhor para a empresa. 13. Iniciativa: atribui a cada membro da organização o poder de iniciativa quando ele visualizar uma melhoria, para que, assim, possa implantá-la e acompanhá-la. 14. Espírito de equipe: objetiva trabalhar a harmonia entre os setores e os indivíduos dentro da organização para que as metas sejam alcançadas. 1.2.3 Teoria das Relações Humanas A Teoria das Relações Humanas se iniciou porque havia uma crescente necessidade de se humanizar e democratizar a Administração, levando em consideração o lado humano e psicossocial dos trabalhadores das fábricas, que, até então, viam-se pouco representados e valorizados como seres humanos. Com isso, a psicologia começou a ter mais importância no meio industrial e suas técnicas começaram a ser aplicadas naquele ambiente. As ideias da filosofia pragmática de John Dewey e da psicologia dinâmica de Kurt Lewin foram cruciais para o humanismo na Administração. Entre 1927 e 1932 foi realizada a experiência de Hawthorne, na fábrica de Hawthorne da Western Eletric Company, em Chicago, EUA, com intuito de avaliar a correlação entre iluminação e eficiência dos funcionários. A coordenação dessa experiência foi de Elton Mayo, que decidiu estender a pesquisa à fadiga, acidentes de trabalho e rotatividade no trabalho e aos efeitos das condições em geral de trabalho relacionadas à produtividade. A experiência de Hawthorne trouxe à luz da ciência a Escola das Relações Humanas, que afirmou: UNIUBE 15 • Em contradição à Teoria Clássica da Administração, a Teoria Humana, baseada na experiência de Hawthorne, concluiu que a produtividade e a eficiência dos operários estão ligadas à sua integração social e às suas relações humanas no ambiente de trabalho. • O comportamento do operário individualmente não determina o seu desempenho, mas seu comportamento no grupo sim, de forma que os grupos têm suas próprias regras grupais, e o indivíduo que descumpre alguma dessas regras sofre punição. • Nesta experiência constatou-se que os funcionários que produziam acima ou abaixo da norma socialmente estipulada (sim, para a Teoria das Relações Humanas, quem determina os níveis de produtividade são os operários de um grupo social, e não a empresa) sofriam sanções do grupo, como perca de respeito e consideração. • Os humanistas, autores e pesquisadores representantes e defensores da Teoria das Relações Humanas focavam seus esforços em pesquisar as relações informais, em grupos, suas crenças, expectativas e motivações. • As relações humanas são valorizadas, as interações, os comportamentos e o modo como os funcionários se relacionam definem como os grupos sociais funcionam e seus valores e crenças também podem ser facilmente identificados se observados os comportamentos e interações entre os membros. • Os funcionários nem sempre obedecem à hierarquia estipulada pela empresa, criando, às vezes, suas próprias hierarquias e subordinações, além de modificarem a divisão do trabalho também estipulada pela empresa, de forma a diminuir suas fadigas e estresses. • Além disso, é dada ênfase aos aspectos emocionais, à importância dos funcionários em se sentirem aceitos pelo grupo e à motivação deles. Concluindo, os humanistas afirmaram que o trabalho e a eficiência dos operários estão muito mais ligados à interação e a seus comportamentos dentro dos grupos do que propriamente às metas e divisão de cargos estabelecidas pela empresa. Afirmaram também que os operários reagem 16 UNIUBE como membros de um grupo e não como indivíduos isolados; a função da Administração é formar chefes, líderes e diretores capazes de se comunicar e compreender as relações humanas, com olhar humanista e não mecanicista; e o funcionário é motivado pela necessidade de ser reconhecido e valorizado, por isso valoriza as relações em grupo mais que aportes financeiros. 1.2.4 Teoria Neoclássica da Administração A Teoria Neoclássica da Administração, de forma resumida, é a renovação e adaptação da Teoria Clássica às demais teorias administrativas e ao contexto vivido pelas empresas após a década de 1950. Suas principais características são: • Ênfase à prática da administração: a Teoria Neoclássica representa o pragmatismo americano, em que a teoria só tem utilização se aplicada na prática, trazendo resultados reais e factíveis. • Reafirmação relativa dos postulados clássicos: os neoclássicos não seguem a teoria dos humanistas, preferem seguir a Teoria Clássica e adaptá-la às condições atuais. • Ênfase aos princípios gerais da Administração: os neoclassistas seguem os princípios da Teoria Clássica, mas não à risca, e, sim, de forma flexível e adaptativa, porém sempre tratam da importância de se planejar, organizar, dirigir e controlar as operações e da importância da figura do administrador bem formado e capaz de aplicar estes princípios gerais. • Ênfase aos objetivos e resultados: na Teoria Neoclássica, é dada grande ênfase aos objetivos organizacionais e ao alcance dos resultados esperados como forma de sobrevivência das empresas, pois afirmam os neoclassistas que toda empresa/organização só existe por causa dos objetivos e resultados e que se espera que estes sejam alcançados, sob pena de terem frustrados os seus esforços. • Ecletismo da Teoria Neoclássica: todas as outras teorias são absorvidas de forma natural pelos autores neoclássicos, dando sobrevida à Teoria Clássica. UNIUBE 17 Posto isto, os neoclássicos acrescentam ao conceito de organização formal alguns princípios, a saber: • Divisão do trabalho: foi criada com intuito de que o operário, especialista em determinada função, produzisse o máximo possível, levando em consideração a fadiga e as tolerâncias para necessidades especiais. • Especialização: a divisão do trabalho permite aos operários aumentar seu ritmo de trabalho por especialização na tarefa. Não somente pessoas, mas também departamentos precisam ser especialistas para gerarem mais resultados em menos tempo e com qualidade. • Hierarquia: a divisão do trabalho e a especialização levaram à necessidade de criação de hierarquias com divisões de responsabilidades e alocações de funçõessegundo suas responsabilidades, objetivando o princípio escalar. Em toda hierarquia, existe: (a) autoridade, poder formal e direito de dar ordens, comandar, que é alocada em posições das organizações e não em pessoas, deve ser aceita pelos seus subordinados e flui para baixo na hierarquia verticalizada; (b) responsabilidade, delegada ao subordinado por meio da autoridade atribuída a seu superior; e (c) delegação, ato de distribuir autoridade, responsabilidade e tarefas aos níveis mais baixos da hierarquia, em que se pode delegar a atividade inteira, desde que para a pessoa certa, ou delegar autoridade e responsabilidade, proporcionando sempre informação adequada, mantendo o feedback ativo e avaliando e recompensando o desempenho. • Amplitude administrativa: é o número de subordinados que um administrador pode dirigir. A Teoria Neoclássica trabalha com o conceito de centralização versus descentralização. Enquanto a centralização reúne nos níveis mais altos o poder decisório da organização, a descentralização delega e compartilha as decisões com os níveis mais baixos como uma forma de dividir tarefas e responsabilidades e motivar os funcionários dos níveis mais baixos da hierarquia. 18 UNIUBE Porém existem vantagens e desvantagens para ambas as estratégias. São elas para a centralização: • Vantagens: as decisões são tomadas por administradores que têm, em teoria, visão global do negócio; os administradores do topo da hierarquia são mais capacitados para tal; as decisões são mais alinhadas com os objetivos e metas organizacionais; esforços duplicados de diferentes administradores acerca de um tema só são minimizados; algumas funções específicas são mais eficientes se as decisões são centralizadas nelas. • Desvantagens: decisões tomadas na alta cúpula podem estar longe dos fatos reais; os administradores do topo têm pouco ou nenhum contato com os funcionários envolvidos nas questões; a comunicação flui até bem de cima para baixo, mas de baixo para cima não; existência de muitos níveis hierárquicos, o que dificulta a comunicação por interferência e ruídos. Para a descentralização, as vantagens e desvantagens são: • Vantagens: os administradores estão mais próximos da realidade onde acontecem os fatos; melhora da motivação e eficiência dos envolvidos, devido ao princípio da responsabilidade e autoridade agindo na mesma pessoa; tende a melhorar a qualidade das decisões pela proximidade do tomador de decisão com o fato real; agilidade na tomada de decisões pela proximidade do tomador com o fato em si; permite a formação de ótimos administradores de nível médio da hierarquia, com conhecimento tanto gerencial quanto especialista. • Desvantagens: existe maior falta de uniformidade de decisões, pois as decisões que antes eram centralizadas e tinham uma linha de comando só agora são descentralizadas e diversos administradores tomam decisões de maneiras diferentes, a seus modos; aumento nos custos de contratação e treinamento, pois serão mais administradores em níveis médios a serem contratados e treinados; pode haver situações do tipo “vestir a camisa do setor” quando da resolução de problemas e tomada de decisão, ou seja, pode haver mais visão local que global, em prol do setor no qual o administrador está lotado em detrimento dos objetivos organizacionais. UNIUBE 19 É importante também tratar do processo administrativo, que tem quatro funções básicas, a saber: • Planejar: é a primeira função da organização e do administrador, pois todas as demais se baseiam nela para criar suas estratégias. Planejar é identificar quais os objetivos a serem atingidos e como fazer para atingi-los. O planejamento pode ser feito em três níveis diferentes: estratégico, em que o horizonte é longo, maior que um ano, as decisões envolvem a empresa como um todo, elaborado pela alta administração; tático, em que o horizonte é médio prazo, geralmente de seis meses a um ano, elaborado em níveis departamentais, por isso visa a objetivos departamentais; e operacional, em que o horizonte de planejamento é curto, podendo ser para o dia ou até seis meses, nunca maior que isso, e as decisões envolvem as tarefas em nível operacional. • Organizar: ato ou efeito de estruturar e integrar os recursos, departamentos e funções com intuito de formar o processo administrativo e alcançar os objetivos planejados. Também visa alocar as funções corretas às pessoas específicas. • Dirigir: ato ou efeito de fazer acontecer, agir. Conduzir as pessoas em suas funções, motivá-las, para que produzam os resultados esperados pela organização. Dirigir está diretamente ligado à capacidade de liderança e motivação do administrador, além de ser função básica de qualquer um que almeje administrar em qualquer nível hierárquico. • Controle: ato ou efeito de verificar se o que foi planeado, organizado e dirigido está sendo executado como esperado. É na fase do controle que são definidos os padrões de desempenho, que eles são monitorados e tomadas ações corretivas com intuito de assegurar que os objetivos organizacionais sejam alcançados. 1.2.5 Administração por Objetivos (APO) A Administração por Objetivos (APO) nasceu em 1954 quando Peter Drucker, o pai da APO, publicou um livro sobre o tema. Na APO, o foco todo é o atingimento dos objetivos e resultados organizacionais e as 20 UNIUBE metas são determinadas em conjunto pela gerência e subordinados, pois, assim, eles são integrados ao processo de criação de indicadores de desempenho e saberão corretamente onde e como serão avaliados. A Administração por Objetivos, ou Administração por Resultados, atua na seguinte sequência: gerência e subordinados definem em conjunto os objetivos de desempenho do subordinado; na sequência o gerente se compromete a fornecer todo subsídio que o subordinado precisa para cumprir os objetivos e, assim, pode cobrar o subordinado os resultados; o subordinado, então, trabalha para cumprir metas e objetivos; corriqueiramente, subordinado e gerente se reúnem para nivelarem as métricas de desempenho e corrigirem distorções de rota. A APO tem as seguintes características principais: criação dos objetivos e metas em conjunto entre subordinado e gerente; criação de objetivos diferentes para cada departamento e/ou cargo; promoção da interligação entre os diversos objetivos departamentais; foco nas métricas e controle dos resultados; avaliação contínua e revisão dos planos; gerência atuante e apoio do staff. Na APO há que se ter extremo cuidado na definição e escolha dos objetivos, que serão alvo de métricas e controles. Se bem definidos, servem como norteamento para novos planejamentos, melhorias nos processos e nas operações e permitem melhor visibilidade do futuro. Os objetivos mais comuns são: inovação, criatividade, produtividade, confiabilidade, eficiência, qualidade, posição competitiva, rentabilidade dos recursos, retorno sobre o investimento, satisfação do cliente, entre outros. É importante ressaltar que a APO se baseia no planejamento estratégico da empresa e nos planos táticos dos departamentos. O planejamento estratégico tem cinco estágios: UNIUBE 21 I. Formulação dos objetivos organizacionais: escolha e definição dos objetivos globais a serem perseguidos no longo prazo. II. Análise externa do ambiente: analisar e mapear as condições externas da organização com foco no futuro, para que planos sejam traçados hoje com intuito de melhorar os resultados frente à concorrência; prever e preparar. III. Análise interna das forças e fraquezas da empresa: são analisados os pontos fortes (forças motrizes da empresa, vantagens competitivas) e os pontos fracos (pontos que precisam ser melhorados para que os objetivos sejam alcançados). IV. Formulação da estratégia: criação das alternativas estratégicas que permitirão que os objetivos organizacionais sejam alcançados, com base nos pontos fortes e fracos analisados. V. Desenvolvimento de planos táticose operacionalização da estratégia: a partir do planejamento estratégico cria-se o conjunto de planos táticos em níveis departamentais. Na sequência, os planos táticos são desdobrados em planos operacionais para cada tarefa/setor. O planejamento estratégico deve denominar aonde a empresa quer chegar num futuro próximo e de que maneira ela construirá os caminhos para chegar lá. 1.2.6 Teoria da Burocracia A Teoria da Burocracia surgiu na década de 1940, com bastante influência de Max Weber, economista e sociólogo já falecido na época. O conceito de burocracia para Weber é a organização eficiente por excelência, pois, para alcançar a excelência, a burocracia detalha minuciosamente como as coisas deverão ser feitas. Segundo Weber, a burocracia pode ter as seguintes características: • Caráter legal das normas e regulamentos: as normas e os regulamentos são criados para cobrir todos os departamentos e áreas da organização, precisão quanto a prever todo tipo de 22 UNIUBE ocorrência e normatizar tudo em esquemas reguladores que cubram todos os fatos possíveis. • Caráter formal das comunicações: a burocracia usa artefatos que minimizem os ruídos nas comunicações empresariais, logo usa rotinas e formulários que facilitam e asseguram uma correta e eficiente comunicação. • Caráter racional e divisão do trabalho: a divisão do trabalho e do poder cria atribuições para cada participante da organização, de forma racional e objetiva, em que cada participante tem seu cargo específico bem definido, juntamente com suas atribuições. • Impessoalidade nas relações: a administração da burocracia não considera as pessoas, e sim os cargos e as funções desempenhados por elas, por isso o caráter de impessoalidade nas relações. Daí também vem a impessoalidade na obediência à hierarquia, porque as pessoas vêm e vão, os cargos ficam. • Hierarquia da autoridade: na burocracia nenhum cargo fica sem supervisão, e a autoridade é exercida sobre os cargos, e não sobre as pessoas, logo a hierarquia é uma estrutura social hierarquicamente organizada. • Rotinas e procedimentos padronizados: as regras e normas criadas regem o trabalho das pessoas para que as operações e tarefas sejam sempre padronizadas, uniformes e controláveis. • Competência técnica e meritocracia: na burocracia as pessoas são escolhidas por mérito, competência, e não por preferências ou gostos pessoais. • Especialização da administração: na burocracia os proprietários do negócio não são os seus administradores. Há a distinção clara entre administrador, especialista em gerir, funcionário da empresa, e o proprietário, capitalista, motivado a diversificar seus investimentos em vez de ficar preso à gestão de um único negócio. • Profissionalização dos participantes: cada membro funcionário da burocracia é um profissional especialista, assalariado, ocupante de um cargo em particular, nomeado por seu superior imediato na hierarquia, tem tempo de permanência no cargo por prazo UNIUBE 23 determinado, pode fazer carreira na empresa, não detém a propriedade dos meios de produção e gestão, deve ser fiel ao cargo e à empresa e tende a controlar as burocracias da organização. • Previsibilidade do comportamento: como tudo na burocracia é criado de modo a padronizar as tarefas e ações, a previsibilidade do comportamento é natural. Ainda segundo Weber, a burocracia tem algumas vantagens, tais como: racionalidade com relação ao atingimento dos objetivos; precisão na definição dos cargos; agilidade nas decisões por causa da clara distinção de funções; informação discreta e somente fornecida a quem é de direito; uniformidade de rotinas e procedimentos; as pessoas são substituíveis, os cargos e funções continuam a existir; redução de atrito entre as pessoas porque os funcionários conhecem o que se espera deles; constância natural da burocracia; confiabilidade por causa das regras estabelecidas; capacidade de encarreiramento pelo treinamento e mérito de cada um. Porém, na Teoria da Burocracia, não existem somente vantagens. Merton levantou anomalias de funcionamento da burocracia, estudando o outro lado dela, o lado das disfunções. De acordo com ele, as disfunções mais comuns da burocracia são: internalização das normas e apego aos regulamentos, em que os funcionários perdem a flexibilidade por apego às regras; excesso de formalismo e papelada, no qual há a ilusão de que tudo precisa ser formalizado e impresso; resistência a mudanças, pois os funcionários sentem segurança no seguimento total das normas, e mudanças dão a sensação de insegurança; impessoalidade nas relações de trabalho, pois, na burocracia, o foco é o cargo, e não a pessoa; exclusividade de tomada de decisões pelos níveis mais altos da hierarquia, independentemente do conhecimento sobre determinado assunto; conformismo em demasia relacionado às rotinas e procedimentos; como a burocracia valoriza a hierarquia da autoridade, existe o exibicionismo e a segregação para mostrar a autoridade do cargo; 24 UNIUBE na burocracia o funcionário está muito mais envolvido e comprometido com as normas e procedimentos que com a satisfação do cliente, logo insatisfações são normais. 1.2.7 Teoria Estruturalista da Administração O estruturalismo está ligado ao todo e ao relacionamento entre as partes para a construção do todo. Também está ligado ao relacionamento entre as organizações e suas partes. As organizações fazem parte da sociedade moderna, interagindo e colaborando para a sua construção. A Teoria Estruturalista foca seus estudos nas organizações, suas estruturas internas e suas interações com as outras organizações. Justamente por causa destas interações surge o homem estruturalista, aquele que não desempenha mais um único cargo em uma única organização, e sim múltiplas relações e interações entre as organizações em que ele atua. Nesse novo contexto, o homem estruturalista precisa ser flexível por causa das constantes mudanças, tolerante aos dissabores que existirão por conta de conflitos de interesses, ter capacidade de adiar as recompensas e priorizar o trabalho em detrimento das preferências pessoais e, por fim, ele precisa ter desejo constante de realização para, assim, alcançar as recompensas dadas pelas organizações a quem atinge os objetivos. A análise das organizações é feita por meio de uma abordagem múltipla, pois a Teoria das Organizações pretende conciliar a Teoria Clássica com a Teoria das Relações Humanas com base na Teoria da Burocracia. Logo, a Teoria Estruturalista da Administração visa também à análise das relações interorganizacionais, a organização funciona na base de relações com outras organizações, sejam elas relações internas ou externas. UNIUBE 25 Nenhuma organização é igual à outra, todas têm suas peculiaridades. Mas, algumas características podem ser comuns, permitindo a classificação delas. Etzioni classifica as organizações em: coercitivas, com poder do tipo coercitivo, em que o controle utilizado são prêmios e punições, os participantes ingressam e se mantêm pela coação, imposição, força, ameaça e medo, o envolvimento do pessoal é alienativo, na base do medo, como exemplo disso podemos citar os presídios; normativas, com poder do tipo normativo, em que o controle utilizado é moral e ético, os participantes ingressam e se mantêm pela convicção e fé, o envolvimento do pessoal é moral e motivacional, como exemplo podemos citar as igrejas e universidades; e utilitárias, com poder do tipo remunerativo, em que o controle utilizado são os incentivos econômicos, os participantes ingressam e se mantêm pela vantagem percebida, o envolvimento do pessoal é em busca de vantagens, como exemplo podemos citar as empresas em geral. Já na tipologia de Blau e Scott, as organizações são classificadas em função do seu beneficiário principal, tais como: quando o beneficiário principal são os próprios membros da organização, o que ocorre nas organizações de associação debeneficiários mútuos, como exemplo podemos citar entidades de classe, sindicatos, cooperativas; quando o beneficiário principal são os proprietários ou acionistas da organização, o que ocorre nas organizações de interesses comerciais, como exemplo podemos citar sociedades anônimas e empresas familiares; quando o beneficiário principal são os clientes, o que ocorre nas organizações de serviços, como exemplo podemos citar hospitais, universidades, igrejas; quando o beneficiário principal é o público em geral, o que ocorre nas organizações de Estado, como exemplo podemos citar organizações militares, segurança pública, organizações jurídicas. Para os autores estruturalistas, as estratégias são divididas em estratégias de competição, em que há a disputa por recursos (clientes) e os objetivos são controlados pelo ambiente, e estratégias 26 UNIUBE de cooperação, em que a negociação entre as organizações com intuito de trocar bens ou serviços é natural e a coalizão entre duas ou mais organizações ocorre de forma produtiva para o alcance dos objetivos comuns. Os estruturalistas ainda defendiam que os conflitos são naturais e elementos criadores de mudanças e inovação nas organizações. Algumas situações são fontes geradoras de conflitos nas organizações, como: conflito entre a autoridade do especialista (que detém conhecimento de causa) e a autoridade hierárquica e conflitos entre linha e assessoria. Sempre lembrando que conflitos não são bem-vindos à Teoria Estruturalista, porém, nela, estes conflitos são encarados como naturais e, se bem geridos e resolvidos, servem para promover mudanças e inovações nas organizações. 1.2.8 Teoria Comportamental da Administração A Teoria Comportamental, ou Teoria Behaviorista, veio para trazer foco nas pessoas e não nos processos, sendo mais burocrática ou simplesmente humanista. Ou seja, a Teoria Comportamental abandonou as Teorias Clássica, Humanista e Burocrática para adotar uma posição mais prescritiva e explicativa. Também temos que adicionar que a Teoria Comportamental tem foco nas pessoas dentro das organizações, mas sem o viés romântico e ingênuo da Teoria Humanista. Essa teoria surgiu no final da década de 1940. A Teoria Comportamental traz à tona a necessidade de o administrador compreender a importância da motivação humana para o bom desempenho dos funcionários e o atingimento das metas e objetivos organizacionais. Um dos maiores estudiosos na área da motivação UNIUBE 27 humana foi Maslow, que criou uma teoria de motivação humana baseada na hierarquia da importância dos fatores para os funcionários, em forma de pirâmide, como mostra a Figura 1 a seguir. Autorrealização Estima Social Segurança Fisiológicas Figura 1: Hierarquia das necessidades segundo Maslow. Fonte: Acervo Uniube. Note que, na base, estão as necessidades básicas e, no topo, as de autorrealização. São elas: • Necessidades fisiológicas: aqui estão as necessidades básicas do ser humano, como alimentação, repouso, abrigo, desejo sexual, entre outros, ligadas à sobrevivência e preservação da espécie. • Necessidades de segurança: quando as necessidades fisiológicas estão satisfeitas, entra em ação as necessidades de segurança, que visam à proteção e fuga do perigo. • Necessidades sociais: surgem quando as duas necessidades primárias anteriores estão supridas e têm como foco a interação e a socialização. Quando a pessoa não está inteirada e socializada, ela tende a retrair e a se isolar, não contribuindo para o meio. • Necessidades de estima: aqui o ser humano necessita de aprovação, autoconfiança, status e prestígio. Têm grande potencial de alavancagem da capacidade de produzir resultados dos funcionários. Quanto mais se sentirem autoconfiantes, melhor eles produzirão. 28 UNIUBE • Necessidades de autorrealização: relacionadas diretamente à realização do próprio potencial e do autodesenvolvimento, melhorando continuamente as próprias potencialidades. Óbvio que nem todos se comportam da mesma maneira, suprindo e se satisfazendo com as necessidades, nível a nível. Algumas pessoas estacionam num dos níveis por comodidade, medo, ou outros motivos. Outras já alcançam o topo da pirâmide, perdem alguma de suas necessidades de base e voltam à base para reconquistá-las. Porém, esta teoria da motivação de Maslow contribuiu e contribui bastante para a compreensão dos fatores que realmente merecem atenção dos administradores que desejam ter suas equipes motivadas e engajadas. A Administração tem estilos diversos, baseados em teorias diversas, a serem escolhidas pelos administradores de forma que se enquadrem, da melhor maneira possível, na organização em que atuam. McGregor fez um comparativo de duas teorias: a X e a Y. Na X, as pessoas são preguiçosas, evitam o trabalho e a responsabilidade para se sentirem mais seguras, precisam ser controladas e dirigidas e são ingênuas e sem iniciativa. Já na teoria Y, as pessoas são esforçadas e gostam de trabalhar, aceitam o trabalho como algo natural, aceitam e até procuram responsabilidades e desafios, podem ser automotivadas e autodirigidas, além de serem criativas e competentes. Além dos estilos diversos, os sistemas de Administração podem ser classificados, segundo Likert, de acordo com quatro variáveis: processo decisorial, sistema de comunicação, relacionamento interpessoal e sistema de punição e recompensa. O Quadro 1 a seguir traz os quatro sistemas administrativos conforme Likert. UNIUBE 29 SISTEMAS ADMINISTRATIVOS 1 2 3 4 PRINCIPAIS VARIÁVEIS AUTORITÁRIO - COERCITIVO AUTORITÁRIO - BENEVOLENTE CONSULTIVO PARTICIPATIVO Processo decisorial Centralizado no topo da organização. Centralizado no topo, mas aceita delegação não estratégica. Consulta aos níveis inferiores com participação e delegação. Descentralizado, com políticas definidas pela cúpula que controla resultados. Sistema de comunicações Deficiente, a comunicação só flui de cima para baixo. Ainda deficiente, em que predomina a fluidez de cima para baixo. O topo da pirâmide costuma facilitar o fluxo descendente e ascendente. A eficiência dos sistemas de comunicações é primordial para o sucesso da organização. Relações interpessoais Há muita desconfiança, e os cargos aprisionam as pessoas. São aceitas com ressalvas e desconfiança. Há organização informal, e há alguma confiança nas pessoas. Há trabalho em equipe, confiança mútua e envolvimento do grupo. Sistemas de punições e recompensas Obediência às regras, existência de punições e raras recompensas. Obediência às regras, existência de punições em menor proporção, recompensas salariais, raras recompensas sociais. Existem recompensas salariais, raras recompensas sociais e raras punições. Há recompensas materiais e sociais, raras punições e, se existirem, são definidas pela equipe. Quadro 1: Os quatro sistemas administrativos conforme Likert 1.2.9 Teoria do Desenvolvimento Organizacional A Teoria do Desenvolvimento Organizacional (DO) surgiu em 1962 como um desdobramento prático e operacional da Teoria Comportamental, com foco no desenvolvimento das organizações. O DO trata as pessoas como contribuintes das organizações, em vez de estarem elas próprias incluídas nas organizações. O desenvolvimento dos funcionários está ligado ao sistema de recompensas. 30 UNIUBE O DO atua sob a forma de sistema orgânico, com as seguintes características: foco nos relacionamentos interpessoais; interdependência e responsabilidade compartilhada; confiança recíproca; responsabilidade e participação grupal; tomada de decisões descentralizadas; responsabilidade e controle compartilhados; conflitos solucionados por negociações. Mudança é a transição de uma situação atual que não satisfaz mais a organização para uma nova situação, uma nova realidade, e o DO é parte central disso. As mudanças podem ser na estrutura organizacional,