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DEPENDÊNCIA
QUÍMICA
Prof Vilciele Damasceno
▶ DROGA: “Qualquer substância não
produzida pelo organismo que tem a
propriedade de atuar sobre um ou mais
de seus sistemas, produzindo alterações
funcionamento. As drogasem seu 
capazes 
cerebral,
de alterar o funcionamento 
causando modificações no
estado mental, isto é, no psiquismo, são
denominadas drogas psicotrópicas ou
substâncias psicoativas (SPA)”.
▶Bicca, Pereira & Gambarini (2011), 
definem SPA como toda e qualquer 
substância que, independente da 
via de administração, por ação no 
SNC, altera o humor, a 
consciência, a cognição e a função 
cerebral de uma pessoa.
▶ A dependência química ou adição às 
drogas é marcada pela diferença entre 
o uso ocasional ou limitado para o uso 
compulsivo e repetitivo.
▶ A adição às drogas refere-se mais ao 
aspecto comportamental que fisiológico: 
que importância a SPA (álcool) ou um 
comportamento (uso de computador) 
tem na vida da pessoa – uma simples 
exposição ou o uso compulsivo.
▶ O comportamento aditivo inclui: 
preocupação com aquisição da droga, 
comportamento compulsivo, maior 
propensão à recaída, tolerância, perda do 
controle, negação e dependência.
▶ A compulsão é o desejo de satisfação 
imediata. Fissura é a tradução de 
craving, que quer dizer desejo ardente 
de repetir a experiência dos efeitos da 
droga.
▶ As drogas mais aditivas são os opioides, 
cocaína, anfetaminas, álcool e nicotina.
▶ Elas ativam o sistema de recompensa 
cerebral, responsável por atribuir prazer a 
um comportamento. Este sistema é ativado 
cada vez que o cérebro percebe algo vital 
para a sobrevivência (comida, água, sexo, 
convívio social); memoriza os estímulos 
associados a este evento e deseja repetir 
tal comportamento sucessivamente. (BICCA, 
PEREIRA & GAMBARINI, 2011).
▶ O sistema de recompensa cerebral é formado pela área
tegumentar ventral (ATV), pelo núcleo accumbens (NA)
e pelo córtex pré-frontal. A área tegumentar ventral
manda aferências dopaminérgicas para o núcleo
accumbens (via mesolímbica) e córtex pré-frontal.
▶ Quando ocorre o estímulo recompensador, há
liberação de dopamina duas a dez vezes maior
que qualquer estímulo de recompensa natural.
Assim a pessoa passa mais tempo procurando o
prazer das drogas aditivas que qualquer outra
forma de prazer, e desenvolve dependência.
(ALVARENGA, ANDRADE & NEGRÃO, 2008).
▶ A adição às drogas modifica o funcionamento do
cérebro e a capacidade de decisão da pessoa.
Ocorre escravidão química: só a droga é capaz
de fornecer prazer; outros estímulos passam a
ser incapazes de fazê-lo.
▶ DEPENDÊNCIA: Estado mental e físico,
decorrentes da interação entre um organismo
vivo e uma SPA. Inclui compulsão de usar a droga
para experimentar seu efeito psíquico ou evitar o
desconforto provocado por sua ausência.
▶ Dependência física: manifestação física quando o
uso da droga é interrompido ou seu consumo
diminuído. É síndrome de abstinência.
▶ Dependência psíquica: compulsão ao uso para
obtenção de prazer ou diminuição do desconforto
caracterizado por ansiedade, sensação de vazio,
dificuldade de concentração, raiva, insônia, etc.
▶ Pelo DSM 5, os transtornos relacionados
ao uso de substâncias são definidos
como padrão mal adaptativo do uso
destas substâncias, que leva a um
prejuízo ou sofrimento significativo,
manifestado por dois ou mais dos
seguintes critérios ocorridos no período
de doze meses:
1. Uso recorrente de substância
resultando em falha no cumprimento de
obrigações no trabalho, escola ou em
casa.
2. Uso recorrente em situações em que
isso pode ser fisicamente perigoso.
3. Uso continuado da substância apesar de
problemas recorrentes e persistentes
nas esferas social ou interpessoal
causados ou exacerbados pelos efeitos
4. Tolerância, definida por qualquer um dos
seguintes aspectos:
a) Necessidade de quantidades progressivamente
maiores da substância para adquirir a intoxicação
ou efeito desejado.
b) Acentuada redução do efeito com o uso
continuado da mesma quantidade de substância.
(Não é considerado tolerância o uso de
medicações sob supervisão e prescrição médica,
como analgésicos, antidepressivos, ansiolíticos ou
betabloqueadores).
5. Abstinência, manifestada por qualquer dos
seguintes aspectos:
a) Síndrome de abstinência característica para a
substância, isto é, presença de sinais e sintomas
decorrentes da suspensão do uso ou diminuição da
dose habitualmente utilizada,
b) A mesma substância (ou uma substância
estreitamente relacionada) é consumida para
aliviar ou evitar sintomas de abstinência.
6. A substância é frequentemente consumida em
maiores quantidades ou por um período mais longo
do que o pretendido.
7. Existe um desejo persistente ou esforços
mal sucedidos no sentido de reduzir ou
controlar o uso da substância.
8. Muito tempo é gasto em atividades
necessárias para a obtenção da substância, na
utilização da substância ou na recuperação de
seus efeitos.
9. Importantes atividades sociais, ocupacionais
ou recreativas são abandonadas ou reduzidas
em virtude do uso da substância.
10. O uso da substância continua apesar da
consciência de ter um problema físico ou
psicológico persistente ou recorrente que
tende a ser causado ou exacerbado pela
substância.
11. Fissura ou craving – um forte desejo ou
urgência de usar uma substância
específica.
▶ TIPOS DE DEPENDÊNCIA (DSM 5)
▶ Dependência leve: presença de dois ou
três dos onze critérios por um período
de um ano.
▶ Dependência moderada: presença de
quatro ou cinco dos onze critérios por
um período de um ano.
▶ Dependência grave: presença de mais de
seis dos onze critérios por um período
de um ano. (AMADERA, 2013)
Fatores que influenciam no desenvolvimento 
da dependência de drogas
TIPOS DE USUÁRIOS (MS)
▶Experimentador.
▶Ocasional.
▶Habitual.
▶Dependente ou toxicômano.
CLASSIFICAÇÃO:
▶ Ação no SNC: depressoras, 
estimulantes, perturbadoras.
▶ Drogas leves e drogas pesadas.
▶ Drogas seguras e inofensivas.
▶ Drogas legais e ilegais.
▶ Drogas naturais e drogas químicas.
Drogas Depressoras: diminuem a 
atividade mental.
▶ Ansiolíticos ou tranquilizantes.
▶ Álcool etílico
▶ Inalantes ou solventes
▶ Narcóticos (ópio e seus derivados: 
heroína, morfina e codeína )
Possíveis efeitos
▶ Alívio da tensão e ansiedade, 
relaxamento muscular, sonolência, fala 
pastosa, incoordenação motora, dispneia.
▶ Em pequenas doses: desinibição, euforia, 
perda da capacidade crítica.
▶ Em doses maiores: sensação de 
anestesia, sonolência, sedação.
Consequências
▶ Doses altas - queda PA, bradipneia e bradicardia.
▶ Associadas ao álcool: aumentam os efeitos, podendo levar
ao coma.
▶ Em grávidas podem causar má formação fetal. (SFA)
▶ Náuseas, vômitos, tremores, sudorese, cefaleia, tontura,
diminuição da atenção, da concentração, e dos reflexos, o
que aumenta o risco de acidentes.
▶ O uso continuado pode causar problemas nos rins e
destruição dos neurônios, podendo levar à atrofia
cerebral.
▶ O uso prolongado está frequentemente associado a
tentativas de suicídio.
Abstinência:
▶ Ansiedade, dispneia, midríase,
lacrimejo, calafrios, "pele de galinha",
tremores, convulsões, hipertensão,
diarreia e vômitos com desidratação,
abundante, dores
febre, delírios, coriza, suor
musculares e
abdominais, em casos raros pode levar 
ao coma.
Como o álcool age no SNC:
Primeiro momento: (doses baixas ou início 
do efeito de doses altas): ação estimulante: 
euforia, desinibição, mais sociabilidade, 
sensação de prazer e alegria.
Segundo momento: ação depressora: reduz 
a ansiedade, prejudica a coordenação 
motora, diminui autocrítica, fala pastosa, 
reflexos lentos, sonolência, baixa 
capacidade de raciocínio e concentração.
Em doses altas, a visão fica "dupla" ou 
borrada, prejuízo da memória e
concentração, diminuição de resposta 
a estímulos, sonolência, vômitos,
insuficiência respiratória, podendo
chegarà anestesia, coma e morte. É a 
intoxicação alcoólica.
▶ O álcool tem, então, efeito bifásico no 
organismo.
CONSEQUÊNCIAS CLÍNICAS DO USO 
DO ÁLCOOL
OUTRAS CONSEQUÊNCIAS DO USO DO 
ÁLCOOL
Síndrome de abstinência alcoólica: por
diminuição ou cessação do uso do álcool: 
tremores (de mãos, língua e pálpebras), 
náusea, vômitos, mal-estar ou fraqueza, 
hiperatividade autonômica (taquicardia, 
sudorese, aumento da PA), humor 
deprimido ou irritabilidade, insônia, 
hipotensão ortostática, convulsão.
Delirium de abstinência alcoólica (delirium tremens)-
forma grave da síndrome de abstinência: 
rebaixamento do nível de consciência, sintomas 
produtivos (alucinações visuais, auditivas e táteis; 
delírios), hiperatividade autonômica, agitação, febre 
e crises convulsivas. Quadro grave que pode levar à 
morte. HV com suporte vitamínico, sedação com 
benzodiazepínico (VO a cada 30 minutos até 
sedação).
Alucinose alcoólica: Síndrome alucinatória 
(alucinações auditivas ou visuais), sem prejuízo do 
nível de consciência, que aparece na abstinência.
Pode haver remissão dos sintomas, mas pode 
evoluir para a forma crônica. Como o paciente não 
tem crítica do seu estado, pode haver conduta 
inadequada (agressividade). Pode ocorrer o ciúme 
patológico. Se necessário tratar com 
antipsicótico.
Síndrome amnéstica alcoólica (Síndrome de 
Wernicke-Korsakoff): A deficiência
vitamínica (tiamina) pode levar a encefalopatia 
alcoólica aguda (Síndrome de Wernicke): 
ataxia, oftalmoplegia, nistagmo e 
rebaixamento do nível de consciência. O 
quadro é reversível, se tratado com tiamina.
Se não for tratada, a Síndrome de 
Wernicke evolui para um transtorno 
amnéstico (Síndrome de Korsakoff): grave 
distúrbio da memória de fixação, com 
confabulações para preencher as lacunas 
mnêmicas. Não há prejuízo da consciência. 
É um quadro irreversível.
DROGAS ESTIMULANTES DA 
ATIVIDADE DO SNC:
▶2) Drogas que aumentam a atividade 
do cérebro.
Tabaco, Cocaína, crack, anfetaminas, 
êxtase.
Possíveis efeitos
▶ Estimulam atividade física e mental,
inibição do sono e diminuição do cansaço e
da fome.
▶Sensação de poder, excitação e euforia.
Estimulam a atividade física e mental.
▶ Estimulante, sensação de prazer.
Possíveis consequências
▶ Taquicardia, aumento da PA, insônia, ansiedade e
agressividade, pupilas dilatadas, suor excessivo, sensação
de medo ou pânico, irritabilidade e agressividade, reduz o
apetite, podendo levar a estados crônicos de anemia
▶ Em doses altas podem aparecer distúrbios graves como
paranóia e alucinações. Alguns evoluem para complicações
cardíacas e circulatórias (AVC e IAM), convulsões e coma.
O uso prolongado pode levar à destruição de tecido
cerebral.
▶ O uso prolongado causa problemas
circulatórios, cardíacos e pulmonares.
▶ Está associado a câncer de pulmão, bexiga e
próstata, entre outros.
▶ Aumenta o risco de aborto e de parto
prematuro. Mulheres que fumam durante a
gravidez têm, em geral, filhos com peso
abaixo do normal.
Abstinência:
▶Depressão (por vezes grave, com risco de
suicídio), apatia, sonolência, dores 
musculares, irritabilidade, nervosismo, 
ansiedade, 
constipação
entorpecimento intelectual,
cefaleias, secura da boca,
intestinal.
DROGAS PERTURBADORAS DA 
ATIVIDADE DO SNC:
Agem modificando qualitativamente a 
atividade do cérebro, que passa a 
funcionar fora do normal e a atividade 
cerebral fica perturbada:
Maconha (tetrahidrocanabinol), 
Alucinógenos sintéticos, Alucinógenos 
naturais, Anticolinérgicos, 
Ecstasy(metileno-dióxi-metanfetamina)
Possíveis efeitos
▶ Excitação seguida de relaxamento, euforia, problemas
com o tempo e o espaço, falar em demasia e fome
intensa. Palidez, taquicardia, olhos avermelhados,
pupilas dilatadas e boca seca.
▶ Alucinações, delírios, percepção deformada de sons,
imagens e do tato.
▶ Sensação de bem-estar, plenitude e leveza.
Aguçamento dos sentidos.
▶ Aumento da disposição e resistência física, podendo 
levar à exaustão.
Possíveis consequências
▶ Prejuízo da atenção e da memória para fatos
recentes; algumas pessoas podem apresentar
alucinações, sobretudo visuais.
▶ Diminuição dos reflexos, aumentando o risco de
acidentes.
▶ Em altas doses, pode haver ansiedade intensa;
pânico; quadros psicológicos graves (paranóia).
▶ O uso contínuo prolongado pode levar a uma
síndrome amotivacional (desânimo generalizado).
▶ Podem ocorrer "más viagens", com ansiedade, pânico ou
delírios.
▶ Alucinações, percepção distorcida de sons e imagens.
▶ Aumento de temperatura e desidratação, podendo levar à
morte.
▶ Com o uso repetido, tendem a desaparecer as sensações
agradáveis, que podem ser substituídas por ansiedade,
sensação de medo, pânico e delírios.
Abstinência:
▶ ansiedade,
▶ insônia,
▶ anorexia,
▶ tremores
▶ sudorese.
▶ Zaleski (2007) define comorbidade como a presença 
de duas entidades diagnósticas na mesma pessoa, e, 
no que diz respeito à comorbidade psiquiátrica na 
dependência química, a incidência tem tido um 
aumento significativo. Provavelmente, segundo o 
autor, pela disponibilidade de álcool e drogas na 
população geral. As prevalências de comorbidade 
entre os adultos tem sido de 0,5 a 75% e entre os 
adolescentes entre 40 a 80%.
▶ Os transtornos mais comuns incluem os transtornos do 
humor (depressão, TAB); de ansiedade; de déficit de 
atenção e hiperatividade; de personalidade; alimentares e 
psicoses.
▶ As prevalências das comorbidades psiquiátricas entre os 
usuários de drogas são as seguintes:
- Humor em 26% dos usuários de álcool.
- Ansiedade em 25% em usuários de álcool.
- Déficit de atenção e hiperatividade (adultos e 
adolescentes): 33% têm dependência de álcool e 20% usam 
outras drogas.
- Esquizofrenia é 3,4 vezes maior em indivíduos que usam 
álcool e 5,9 vezes pelo uso de outras drogas do que na 
população em geral.
-Personalidade dos tipos antissocial e boderline são mais
frequentes em dependência ao álcool e outras drogas na
população adulta.
-Alimentares são presentes principalmente em 
adolescentes do sexo feminino que têm dependência de 
álcool além da presença de outra comorbidade, como os 
transtornos de humor e o transtornos de estresse pós-
traumático.

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