Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Unidade 2
História da Música
Ocidental
Professor Conteudista
Thiago Camargo Rojo Silva
Mestrando
Minicurrículo do professor
Sou mestrando em Música pela Universidade Federal do Rio
Grande do Norte (UFRN), bacharel em Música pela Faculdade
Cantareira e pós-graduado em Música Popular pela FACCAMP.
Iniciei meus estudos no conservatório Davino Tardelli da Silva
(Piedade), onde estudei percussão sinfônica de 1997 a 1999. Em
2006, ingressei no curso superior de música da Faculdade
Cantareira. No mesmo ano, concluí o curso de Ritmos Latinos
ministrado pela professora Lílian Carmona na EMESP-SP.
No final de 2009, concluí o curso superior com título de Bacharel
em Música Popular sob a orientação do Prof. Mestre Bob Wyatt.
Ao final de 2013, finalizei o curso de Música da EMESP Tom Jobim,
onde tive aulas de bateria com o professor Realcino Lima Filho
“Nenê”. Em 2015 concluí o curso de pós-graduação em música
popular pela FACCAMP.
Sou docente no Centro Universitário Unisantanna, onde leciono
bateria e disciplinas teóricas (Presencial e EAD). Além das aulas,
atuo como baterista/performer em diferentes projetos, sobretudo
os ligados à música instrumental.
1
Unidade 2 – Renascimento, Barroco e Clássico
Introdução
Nesta unidade serão apresentados três períodos da história da música,
conhecidos como renascimento, barroco e clássico. Em cada período destacaremos
suas principais características musicais, obras e compositores, bem como uma
contextualização histórica.
Objetivos de Aprendizagem
- Características do período renascentista
- Características do período barroco
- Características do período clássico
Conteúdo da Unidade
Renascimento (1450-1600)
O renascimento na Europa Ocidental foi caracterizado principalmente pelo saber e a
cultura, sobretudo a dos gregos e romanos. Foi também a época das grandes
“descobertas”, como as empreendidas por Cabral, Colombo e Vasco da Gama, numa
época em que os avanços na ciência e astronomia foram notáveis (BENNET, 1989, p.23).
Foi também uma época marcada pelo questionamento e observação, onde o
homem passou a deduzir coisas por sua própria conta.
Para Grout e Palisca (2007, p.188) “o efeito mais importante que o humanismo teve
sobre a música foi o de a associar mais estreitamente às artes literárias”. A imagem do
poeta e do músico da antiguidade, unidos em uma só pessoa, convidava ambos, poetas
e compositores, a procurarem formas de expressão comuns.
2
Todos estes fatos relatados acima tiveram grande impacto sobre pintores,
escultores, arquitetos e músicos, bem como a obra que produziam.
No renascimento, apesar dos compositores passarem a ter maior interesse pela
música profana, escrevendo peças para instrumento, que a esta altura já não eram
utilizados somente para acompanhamento vocal, o maior tesouro musical do
renascimento foram compostas para a igreja em forma de polifonia coral. Nesta época a
missa e o moteto continuaram sendo as principais formas de música sacra, escritos pelo
menos para quatro vozes (BENNET, 1989, p.24).
No renascimento foram abandonadas as técnicas de composição medievais e a
principal técnica de composição passou a ser a imitação, onde um trecho melódico é
exposto e imediatamente repetido ou imitado por outra voz.
Compositores importantes:
● Josquin des Prez (Holanda, 1440-1521)
Ouvir o moteto: “Absalon fili mi” - https://youtu.be/Rm_ER8ICDDo
● Palestrina (Itália, 1525-1594)
Ouvia a missa “Papae Marcelli” - https://youtu.be/BRfF7W4El60
● John Dowland (Inglaterra, 1563-1626)
Ouvir "Lachrimae" - https://youtu.be/fZYzuIGDYGs
Principais características da música renascentista segundo Bennet (1989, p.33):
1. Música baseada em modos, porém com mais liberdade, na medida em que vão
sendo introduzidos mais “acidentes”.
2. Tessituras mais ricas escritas para pelo menos 4 vozes.
3. Na tessitura musical é utilizado mais combinação do que contraste.
4. Maior preocupação com o fluxo dos acordes (harmonia).
5. Música sacra: executadas a cappella, contrapontísticas, e com bastante imitação.
Existiam também outras músicas na igreja, acompanhadas por instrumentos,
como as peças policorais em estilo antifônico (“estéreo”). Ouvir: Giovani Gabrieli.
6. Música profana: grande variedade de músicas de dança, de canto e de peças
instrumentais, que por vezes copiavam o estilo vocal, mas também estavam
ligadas genuinamente só ao instrumento.
3
https://youtu.be/Rm_ER8ICDDo
https://youtu.be/BRfF7W4El60
https://youtu.be/fZYzuIGDYGs
Repertório sugerido:
Barroco (1600-1750)
A gênese da ópera, o florescimento da música instrumental, especialmente para
teclado e violino, assim como a expansão da orquestra, aconteceram durante o período
barroco. Apesar das modas advindas da Itália e dos músicos italianos tenham vigorado,
estilos com características nacionais evoluíram no fim deste período. Foi a época de
Shakespeare e Cervantes na literatura e de Newton e Galileu na ciência.
Originalmente, o termo “barroco” era utilizado de forma pejorativa para designar
um estilo de arte e arquitetura produzida entre o final do século XVI e meados do século
XVIII, caracterizado pelo emprego excessivo de ornamentos, mas quando foi adotado
pelos músicos já havia perdido grande parte de sua conotação negativa.
Durante o século XVII o sistema modal foi substituído pelo sistema tonal, baseado
no modo jônio e eólio (modo maior e modo menor). “Dai se desenvolveu o sistema tonal
maior-menor sobre o qual a harmonia iria basear-se nos dois séculos seguintes”
(BENNET, 1989, p.35). Durante este século também surgiu à ópera, a suíte, o oratório, a
fuga, o concerto e a sonata. Os dois grandes nomes do período são Bach e Haendel.
Neste período os músicos observaram que o elaborado estilo contrapontístico
empregado nas vozes “obscurecia” o sentido das palavras, que “deveriam ter sempre
mais importância do que a música, cuja função é exprimir-lhe o plano afetivo - as
emoções e o estado da alma”. Assim passaram a experimentar algo mais simples,
chegando na monodia, que era “uma única linha vocal, sustentada por uma linha de
4
baixo instrumental, sobre a qual os acordes eram construídos” (BENNET, 1989, p.36), esta
linha de baixo e acompanhamento recebeu o nome de baixo contínuo.
Ópera
Foi a monodia que tornou a ópera possível. Com este estilo de canto foi possível
transmitir o texto de forma clara através do canto de uma voz solista. A primeira ópera
de referência foi “Orfeo” (1607) de Monteverd.
Oratório
Similar à ópera, utilizava recitativos, árias e coros, porem os oratórios eram
baseados em histórias sacras, geralmente bíblicas.
Ouvir: “Israel in Egypt”, “Samson” e “Messiah” – Handel; Oratório de Natal e Paixão
segundo São Mateus – Bach.
Cantata
Obras para solista e coro, acompanhadas por orquestra e baixo contínuo, como
uma espécie de pequeno oratório. Bach compôs mais de 200 cantatas sacras.
Ouvir: Cantata nº 140 – Bach.
Música instrumental
No barroco a música instrumental passa a ter a mesma importância da música
vocal, destacando-se a fuga, a suíte, o preludio coral, o concerto e a sonata.
Ouvir:
● Fuga em Do menor (nº2 de o Cravo Bem Temperado) – Bach
● Prelúdio coral “Wachet auf” - Bach
● Sarabanda e Giga da suíte XI para cravo – Handel
● Sonata para violino nº1 em Sol – Bach
● Concerto de Natal – Corelli
● Concerto de Brandenburgo Nº2 – Bach
● Terceiro movimento do Outono da série As Quatro Estações, para quatro violinos
– Antonio Vivald
Principais características da música barroca, segundo Bennet (1989, p.43):
5
1. Retomada das tessituras homofônicas, com a melodia apoiada em acordes
simples. No entanto as tessituras polifônicas retornam.
2. O baixo contínuo ou baixo cifrado é a base de praticamente toda música barroca.
3. As violas são aos poucos substituídas pelos violinos, sendo as cordas o núcleo da
orquestra barroca.
4. Ao final do século XVII ocorre a substituição do sistema modal pelo tonal
(maior-menor).
5. Principais tipos de música: coral, ópera,recitativo e ária, cantata, oratório, tocata,
prelúdio coral, suíte de danças, sonata, concerto grosso e concerto solo.
6. Melodias ornamentadas, contrastes de timbres instrumentais e dinâmica.
Clássico (1750-1810)
O classicismo surge na metade do século 18, onde Haydn passa a usar formas
mais econômicas de expressão, Carl Philip Emanuel Bach (filho de Johann Sebastian)
depura a sinfonia dos maneirismos e Gluck impõe o primado da música orquestral sobre
as improvisações vocais da ópera napolitana. Essas inovações serviram de base para um
dos compositores mais importantes do período, Mozart, que levou a nova linguagem ao
extremo. O período foi marcado principalmente pelos compositores Mozart, Haydn e
Beethoven.
Com relação à tessitura, a música barroca foi principalmente polifônica, “com as
vozes do contraponto envolvidas em uma tessitura intrincada e quase sempre com um
cravo contínuo soando ao fundo”. Já a tessitura clássica tende a ser mais clara, “menos
complicada”, com as melodias soando sobre o acompanhamento de acordes (BENNET,
1989, p.46).
Ouvir: Quarteto de Cordas Op.64, nº5 - Haydn
6
A orquestra que começou a ganhar forma no barroco se amplia no período clássico,
onde ao final do século XVIII as madeiras se tornam uma seção independente dentro da
orquestra.
Comparar: a orquestra barroca e clássica ouvindo: “Suíte para Orquestra nº3 em Re” de
Bach, com “Sinfonia nº100” de Haydn.
No período clássico as peças instrumentais passam a ter mais importância do que
as peças vocais e muitas dessas obras foram compostas para piano.
Ouvir: Sonata em Fa maior (K.332) - Mozart
Tipos de composição:
● Sonata - obra com vários movimentos para dois instrumentos no máximo. Ex:
Sonata para piano e violino. Se a obra fosse para três instrumentos seria chamada
de trio, para quatro instrumentos de quarteto, e assim por diante.
● Sinfonia – É uma sonata para orquestra. Estrutura da sinfonia clássica:
7
Ouvir: Sinfonia nº94 em sol - Haydn
Forma sonata
Nas composições descritas acima, quase sempre o primeiro movimento é
desenvolvido sobre a chamada forma sonata, que é um tipo de forma utilizada para
compor um único movimento de uma obra musical.
● Exposição: é onde o compositor “expõe” seu material musical, dividido em dois
temas contrastantes (tonalidades diferentes). Sendo o primeiro tema na tônica e o
segundo geralmente na dominante.
● Desenvolvimento: é a seção onde o compositor desenvolve o material
apresentado na exposição.
● Recapitulação: os temas apresentados na exposição são retomados, porém com
algumas modificações. O primeiro e segundo temas são reapresentados na
tônica. A conclusão do movimento se da com uma coda.
8
Ouvir: o primeiro movimento de “Eine Kleine Nachtmusik” (desenvolvido sobre a forma
sonata) – Mozart. https://youtu.be/jfn34YQVZ08
Principais características da música do período clássico, segundo Bennet (1989, p.54-55):
1. Mais leve, de tessitura mais clara e menos complexa do que no barroco, sendo
principalmente homofônica.
2. Maior variedade e contrastes na peça: de tonalidades, ritmos, melodias e
dinâmica.
3. Melodias mais curtas que as barrocas, com frases bem delineadas e cadencias
definidas.
4. A orquestra é ampliada
5. O cravo é substituído pelo piano
6. A música instrumental ganha mais importância: sinfonia, serenata, concerto,
divertimento.
7. Forma sonata
Síntese da Unidade
Na presente unidade pudemos observar as principais características do período
renascentista, barroco e clássico. Vimos que no renascimento a música ainda era
baseada em modos, mas com mais liberdade, na medida em que foram sendo
introduzidos mais “acidentes”. Apesar dos compositores passarem a ter maior interesse
pela música profana, escrevendo peças para instrumento, que a esta altura já não eram
utilizados somente para acompanhamento vocal, o maior tesouro musical do
renascimento foram compostos para a igreja em forma de polifonia coral.
9
https://youtu.be/jfn34YQVZ08
No barroco destacamos a retomada das tessituras homofônicas, com a melodia
apoiada em acordes simples, no entanto as tessituras polifônicas retornam. O baixo
contínuo ou baixo cifrado foi a base de praticamente toda música barroca.
No período clássico a música é mais leve, de tessitura mais clara e menos
complexa do que no barroco, sendo principalmente homofônica. Tem uma maior
variedade e contrastes na peça: de tonalidades, ritmos, melodias e dinâmica. As
melodias são mais curtas que as barrocas, com frases bem delineadas e cadencias
definidas. A orquestra é ampliada e o cravo é substituído pelo piano e a música
instrumental ganha mais importância.
Vídeoaula
Unidade 2 – Renascimento, Barroco e Clássico.mp4
Indicações de Leitura
1. https://stringfixer.com/pt/Early_Renaissance_music
2. https://conhecimentocientifico.com/musica-barroca/
3. https://www.historiadasartes.com/som-camera-acao/musica/periodos-compositore
s-e-obras
Saiba Mais
Música no Renascimento
História da Música ELM |ELM-UNICAMP| - Resumo Aula 6 - Música no Renascimento
Música Barroca
2022 | Resumo da Aula | 2ª Série | Arte | Aula 09 - Música: Barroco I
Período Clássico
História da Música: Período Clássico #01 (Contextualização Histórica)
10
https://www.youtube.com/watch?v=WD_Ek5Tq4F0
https://www.youtube.com/watch?v=kOOvZQYCjg8
https://www.youtube.com/watch?v=zjTnu0ox_Ys
https://drive.google.com/file/d/1CtRHECGU1zogVQc610nDA9N4J2fAj1rc/view?usp=sharing
Exercícios de Fixação
1. No renascimento, apesar dos compositores passarem a ter maior interesse pela
música profana, escrevendo peças para instrumento, que a esta altura já não
eram utilizados somente para acompanhamento vocal, o maior tesouro musical do
renascimento foram compostas para a igreja. Em que forma foram compostas tais
músicas?
a) Forma de polifonia coral
b) Forma rondó
c) Forma binária
d) Forma ternária
e) Com a utilização do baixo contínuo
2. No barroco os músicos observaram que o elaborado estilo contrapontístico
empregado nas vozes “obscurecia” o sentido das palavras, que “deveriam ter
sempre mais importância do que a música, cuja função é exprimir-lhe o plano
afetivo - as emoções e o estado da alma”. Assim passaram a experimentar algo
mais simples, chegando na monodia, que era “uma única linha vocal, sustentada
por uma linha de baixo instrumental, sobre a qual os acordes eram construídos”.
Esta linha de baixo e acompanhamento era chamada de:
a) Baixo de Albert
b) Contraponto
c) Baixo contínuo
d) Polifonia coral
e) Walking bass
3. Qual a estrutura da forma sonata, amplamente utilizada durante o período
clássico?
a) Exposição – Recapitulação - Desenvolvimento
b) Exposição – Coda – Recapitulação
c) Exposição – Desenvolvimento – Coda
d) Exposição – Desenvolvimento – Recapitulação
e) Exposição e Desenvolvimento
11
Referências Bibliográficas
1. BENNET, Roy, Uma Breve História da Música, Rio de Janeiro, Zahar, 1989.
2. GROUT Donald J., PALISCA, Claude V. História da Música Ocidental. Lisboa:
Gradiva, 2007.
3. KINDERSLY, Dorling. Guia Ilustrado Zahar: Música Clássica, 5ª edição, Rio de
Janeiro, Zahar, 2013.
Gabarito das questões
Questão 1
Resposta correta: alternativa A
Feedback: No renascimento, apesar dos compositores passarem a ter maior interesse
pela música profana, escrevendo peças para instrumento, que a esta altura já não eram
utilizados somente para acompanhamento vocal, o maior tesouro musical do
renascimento foram compostas para a igreja em forma de polifonia coral. Nesta época a
missa e o moteto continuaram sendo as principais formas de música sacra, escritos pelo
menos para quatro vozes (BENNET, 1989, p.24).
Questão 2
Resposta correta: alternativa C
Feedback: Neste período os músicos observaram que o elaborado estilo
contrapontístico empregado nas vozes “obscurecia” o sentido das palavras, que
“deveriam ter sempre mais importância do que a música, cuja função é exprimir-lhe o
plano afetivo - as emoções e o estado da alma”. Assim passaram a experimentaralgo
mais simples, chegando na monodia, que era “uma única linha vocal, sustentada por
uma linha de baixo instrumental, sobre a qual os acordes eram construídos” (BENNET,
1989, p.36), esta linha de baixo e acompanhamento recebeu o nome de baixo contínuo.
12
Questão 3
Resposta correta: alternativa D
Feedback:
13

Mais conteúdos dessa disciplina