Prévia do material em texto
UNIP – UNIVERSIDADE PAULISTA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CURSO: PEDAGOGIA BRUNA AMANTE DEPAULI RA: 2010251 ELAINE BRANDÃO DE OLIVEIRA ALBERNAZ RA: 2011417 MELISSA DINIZ RA: 2007577 VANESSA PRIANTI BARBOSA DE SOUZA RA: 2005326 WANESSA PALACIO RA: 203595 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) CAÇAPAVA -SP 2022 BRUNA AMANTE DEPAULI RA: 2010251 ELAINE BRANDÃO DE OLIVEIRA ALBERNAZ RA: 2011417 MELISSA DINIZ RA: 2007577 VANESSA PRIANTI BARBOSA DE SOUZA RA: 2005326 WANESSA PALACIO RA: 203595 EDUCAÇÃO INCLUSIVA: ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO (AEE) Trabalho de conclusão de curso apresentado para o curso de Pedagogia da Universidade Paulista –UNIP, como requisito parcial para a obtenção do título de licenciado em pedagogia. Orientador Prof. Dra. Lisienne Navarro CAÇAPAVA -SP 2022 AGRADECIMENTOS Agradeço a todos os professores por me proporcionar o conhecimento não apenas racional, mas a manifestação do caráter e afetividade da educação no processo de formação profissional, por tanto que se dedicaram a mim, não somente por terem me ensinado, mas por terem me feito aprender. А palavra mestre, nunca fará justiça aos professores dedicados aos quais sem nominar terão os meus eternos agradecimentos. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho primeiramente a Deus, pois sem ele eu não teria capacidade de enfrentar tantos momentos difíceis e também aos meus pais pois é graças ao seu esforço deles que hoje posso concluir mais esta etapa. EPÍGRAFE “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” (Paulo Freire) RESUMO A presente pesquisa possui por tema a educação inclusiva, pautando-se no atendimento educacional especializado, é de suma relevância trazer discussões a respeito dos avanços da educação inclusiva, e também os devidos entraves para a sua efetividade nas escolas de ensino regular, vez que, em uma sociedade pautada pela dignidade humana, a inclusão se torna essencial, principalmente no âmbito educacional. O objetivo geral aqui traçado é discutir a respeito da educação inclusiva e o atendimento educacional especializado, trazendo em perspectiva alguns entraves para a efetividade desse atendimento. Nestes parâmetros, a pesquisa se pauta em uma revisão de literatura, realizada por meio de livros, artigos científicos, teses e dissertações que abordam o assunto, para complementar a discussão aqui traçada, os bancos de dados utilizados foram: Scielo, Capes e Google acadêmico. Palavras-chave: Inclusão; Educação; Atendimento Especializado. ABSTRACT The present education that has education to educate itself also promotes education that promotes regular education, and also promotes education education to educate itself in attendance, educate parents to educate in schools that take care of regular education, a society guided by the essential human, inclusion becomes mainly non- educational. The general education objective included here is defined and the specialized one, aiming to meet a care perspective with respect to traditional education. In these articles in a review were published, the research is carried out through scientific books, theses and dissertations that address the subject, to complement the research outlined here, the databases used, the cables: Scielo and scientific literature, scientific investigation. Keywords: Inclusion; Education; Specialized Service. LISTA DE ABREVEATURAS APAE- Associação de Pais e Amigos de Excepcionais CENESP- Centro Nacional de Educação Especial ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente IFPB- Instituto Federal da Paraíba LDB- Lei de Diretrizes e Bases Educacionais LDBEN- Lei de Diretrizes e Fundamentos da Educação Nacional MEC- Ministério da Educação PNEE- Política Nacional de Educação Especial UFC- Universidade Federal do Ceará SUMÁRIO INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 10 CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM PERSPECTIVA ........................... 11 2.1 Historicidade da educação inclusiva no Brasil 11 2.2 Conceito de inclusão 19 CAPÍTULO II ATENDIMENTO ............................................................................. 22 2.1 Conceito 22 2.2 A quem se direciona o AEE ............................................................................ 24 CAPÍTULO III O PROFESSOR NO ESTABELECIMENTO DO AEE NO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PPP .......................................................................... 25 3.1 Diretrizes e leis .............................................................................................. 27 CAPÍTULO IV A DIFICULDADE DE EFETIVAR A IDEOLOGIA DA ESCOLA PARA TODOS ................................................................................................................ 29 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 35 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 38 10 INTRODUÇÃO O presente artigo tem como temática a educação inclusiva sobre o viés do atendimento educacional especializado. A inclusão de alunos com deficiência na educação não é um fato recente, ao contrário, decorre de uma luta histórica que se consolidou inequivocamente como um movimento social de renome mundial por meio da Declaração Mundial sobre Educação para Todos. Este tema envolve propostas de novas políticas para inclusão de alunos com deficiência na escola regular, trazendo múltiplas perspectivas e conceitos que ajudam a compreender a complexidade dos cenários e o processo de inserção deles. A proposta de inclusão como sistema que recomenda que o aparelho de ensino seja responsável por criar as condições que promovam uma educação de qualidade para todos adequando-se as necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência. Ressalta-se a relevância em trazer discussões a respeito dos avanços da educação inclusiva, e também os devidos entraves para a sua efetividade nas escolas de ensino regular, uma vez que, em uma sociedade pautada pela dignidade humana, a inclusão torna-se primordial, especialmente no âmbito educacional. O objetivo geral é discutir a respeito da educação inclusiva e o atendimento educacional especializado, trazendo em perspectiva alguns entraves para a efetividade desse atendimento. Desta forma, a pesquisa será realizada por meio da revisão de literatura, concretizada por meio de livros, artigos científicos, teses e dissertações que abordam o assunto, para complementar a discussão aqui traçada, os bancos de dados utilizados foram: Scielo, Capes e Google acadêmico. 11 CAPÍTULO I A EDUCAÇÃO INCLUSIVA EM PERSPECTIVA A inclusão escolar é um tema amplo e complexo. Em sua abrangência não se limita a incluir alunos apenas com deficiências físicas, mas também as visuais, auditivas, intelectuais, psicossociais e a deficiências múltiplas, se estendendo a todos os indivíduos no processo educacional. Para abordar a educação inclusiva em perspectiva, traçar-se-á alguns aspectos históricos e conceituais sobre a inclusão. 2.1 Historicidade da educação inclusiva no Brasil Embora atualmente a inclusão, na medida do possível, esteja inclusa na educação brasileira, o tema envolve a identificação de barreiras que os alunos enfrentam e tentar oportunizar uma educação de qualidade que extirpa a exclusão. O tema percorre a históriaAcesso em: 05 out.2022. GONCALVES, Marcelo Coelho. Exclusão digital na era da inclusão digital, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/bitstream/1843/BUBD- 9E9EHC/1/monografia_exclusao_digital_na_era_da_inclusao_digital_ufmg.pdf. Acesso em: 05 out.2022. 40 IFPB. Instituto Federal da Paraíba. Alguns conceitos ligados à inclusão, 2021. LIMA, Maria Cristina de Brito. A educação como direito fundamental. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2003. MANTOAN, Maria Tereza Egler. A integração de pessoas com deficiência. São Paulo: Memnon, 1997. Disponível em: https://ria.ufrn.br/jspui/handle/1/314. Acesso em 17 out. 2022. MANTOAN, Maria Tereza Egler. INCLUSÃO ESCOLAR O que é? Por quê? Como fazer?, 2003. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/211/o/INCLUS%C3%83O-ESCOLARMaria- Teresa-Egl%C3%A9r-Mantoan-Inclus%C3%A3o-Escolar.pdf. Acesso em: 17 out. 2022. MAZZOTTA Marcos. Educação especial no Brasil: história e políticas públicas. São Paulo: Cortez; 1999. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. Parâmetros Curriculares Nacionais/ Adaptações Curriculares. Brasília: MEC, 1997. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf. Acesso em: 17 out. 2022. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Diretrizes operacionais da educação especial para o atendimento educacional especializado na educação básica, 2016. Disponível em: https://gestaoescolar.org.br/conteudo/2204/atendimento-educacional-especializado- o-que-e-para-quem-e-e-como-deve-ser-feito. Acesso em: 17 out.2022. OLIVEIRA, Maria da Luz dos Santos. Formação docente e inclusão de alunos com transtorno do espectro autista: algumas reflexões, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/1971/1/MLSO13092016. Acesso em: 03 out. 2022. PINHEIRO, Roberta de Fátima Alves. A prioridade absoluta na Constituição Federal de 1988: cognição do art. 227 como princípio-garantia dos direitos fundamentais da criança e do adolescente. 2006. Dissertação (Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2006. PORTAL DO MEC. Diretrizes curriculares nacionais gerais para a educação básica. Brasília: MEC/ Secretaria de Educação Especial, 2010. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_10.pdf. Acesso em: 17 out.2022. RAPOLI, Edilene Aparecida; MANTOAN, Maria Teresa Eglér; SANTOS, Maria Terezinha da Consolação Teixeira dos; MACHADO, Rosângela. A educação especial na perspectiva da inclusão escolar: a escola comum inclusiva. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2010. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/43213. Acesso em: 17 out. 2022. SARTORETTO, Mara Lúcia; SARTORETTO Rui. ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO E LABORATÓRIOS DE APRENDIZAGEM: O QUE SÃO E A 41 QUEM SE DESTINAM, 2010. Disponível em: https://assistiva.com.br/AEE_Laborat%C3%B3rios.pdf. Acesso em: 17 out. 2022. SASSAKI, Romeu Kasume. Inclusão: construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro: WVA, 1997. SASSAKI, Romeu Kazumi. Terminologia sobre deficiência na era da inclusão,2003. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/211/o/TERMINOLOGIA_SOBRE_DEFICIENCIA _NA_ERA_DA.pdf. Acesso em: 04 out.2022. SEED. Secretária da Educação do Paraná. Inclusão Educacional, 2020. Disponível em: http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteu do=282#:~:text=A%20inclus%C3%A3o%20educacional%20constitui%20a,conviv%C 3%AAncia%20dentro%20da%20diversidade%20humana.. Acesso em: 12 out.2022. TPE. Todos Pela Educação. Educação Inclusiva: conheça o histórico da legislação sobre inclusão,2020. Disponível em: https://todospelaeducacao.org.br/noticias/conheca-o-historico-da-legislacao-sobre- educacaoinclusiva/#:~:text=O%20texto%20disp%C3%B5e%20sobre%20a,em%20es tabelecimento%20p%C3%BAblico%20de%20ensino.Acesso em: 02 out. 2022. UFC. Universidade Federal do Ceará. Conceito de Acessibilidade, 2020. Disponível em: https://www.ufc.br/acessibilidade/conceito-de- acessibilidade#:~:text=A%20acessibilidade%20%C3%A9%2C%20portanto%2C%20 condi%C3%A7%C3%A3o,lingu%C3%ADstica%20e%20pedag%C3%B3gica%2C%2 0dentre%20outras. Acesso em: 04 out. 2022. VIANA, Mozart. Democrática: Constituição Federal de 1988 foi construída pela sociedade, 2018.Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/constituicao-30- anos/textos/democratica-constituicao-federal-de-1988-foi-construida-pela-sociedade. Acesso em: 01 out. 2022. VIANNA, Carlos Eduardo Souza. Educação inclusiva na Constituição Federal de 1988: Uma questão ética e jurídica.2007. 155 f.Dissertação (Programa de Mestrado em Direito das Relações Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2007. VIEIRA, ARI. O atendimento educacional especializado para o aluno com deficiência intelectual, 2011. Disponível em: http://arivieiracet.blogspot.com/2011/02/o- atendimento-educacional-especializado.html. Acesso em: 17 out. 2022. VOLKMAR, Fred; WIESNER, Lisa A. Autismo: guia essencial para a compreensão e o tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2019brasileira, e nem sempre constou expressamente nos documentos legais. Assim, o presente capítulo busca traçar uma linha histórica do tema no ordenamento brasileiro. O Ministério da Educação (MEC) afirma que a educação inclusiva no Brasil é registrada desde os primórdios do Império, quando duas instituições foram criadas para esse fim no Rio de Janeiro: a Academia em 1854 e o Instituto dos Surdos Mudos chamado Instituto Nacional de Educação de Surdos, 1857 (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020). Todavia, em 1600, a Santa Casa de Misericórdia trabalhava com questões relacionadas a deficiência física. Nos começo do século XX, especificamente 1926, foi criado o Instituto Pestalozzi, instituição dedicada a ajudar pessoas com deficiência mental (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020). A escolarização para pessoas com necessidades especiais começou efetivamente no ano de 1930. E em 1940, o Instituto Benjamin Constance emergindo inovadoramente, criou a Revista Brasileira para Cegos em Braille, a primeira do gênero no Brasil. Alguns anos depois, em 1945, Helena Antipoff criou o primeiro serviço educacional dedicado aos superdotados (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020). Já em meados de 1954, foi formada a primeira Associação de Pais e Amigos Especiais (APAE), difundidas pelo país, pois as escolas existentes não tinham a menor condição de lidar com aspectos da deficiência. Por volta de 1958, o Centro 12 Educacional Guaíra, localizado na capital do Paraná, abriu uma clínica para analisar as crianças com dificuldades na aprendizagem (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020). Em 1961 emergiu a primeira legislação de diretrizes e bases, a Lei Nº 4.024 que tratava das diretrizes e fundamentos da educação nacional conhecida pela sigla LDBEN, que permitia o ensino experimental e o ensino religioso opcional. E de acordo com o nível de escolaridade e matrícula obrigatória dos alunos de quatro anos do ensino fundamental, os requisitos mínimos de formação para os professores são obrigatórios (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020). Uma de suas previsões inovava a leitura dada a inclusão na educação, prevendo em seu artigo 1º os seguintes termos: Art. 1º A educação nacional, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por fim: [...] a condenação a qualquer tratamento desigual por motivo de convicção filosófica, política ou religiosa, bem como a quaisquer preconceitos de classe ou de raça. (BRASIL, 1961) Em 1963, a Secretaria de Educação e Cultura criou o serviço educacional para pessoas com deficiências. No entanto, a educação inclusiva tomou forma no começo dos anos 70, o que levou a algumas escolas a permitir que alunos com deficiências pudessem frequentar as aulas regulares. Ainda na mesma época, surgiu o Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) para ser o responsável pela educação especial no Brasil e promover a integração dos alunos com alguma deficiência. (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020) Em 1971, dez anos após o surgimento da primeira legislação de diretrizes e bases educacionais, emerge a Lei nº 5.692 substituindo a criada em 1961. (TODOS PELA EDUCAÇÃO, 2020) Ressalta-se que a nova legislação foi editada sob a égide da ditatura militar fixando as diretrizes e bases para o ensino de 1° e 2º graus dentre as suas previsões, no art. 9º constava que: Os alunos que apresentem deficiências físicas ou mentais, os que se encontrem em atraso considerável quanto à idade regular de matrícula e os superdotados deverão receber tratamento especial, de acordo com as normas fixadas pelos competentes Conselhos de Educação.(BRASIL, 1971) No ano de 1977, sob a direção do Ministério da Educação (MEC), foi formulada a Política de Educação Especial, que engendrou as classes e escolas especiais A partir dos anos 80, acelerou-se a criação de instituições, sobretudo no 13 campo da deficiência intelectual que sem dúvidas decorrente da internacionalização das Associações de Pais e Amigos Especiais (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2020). Não há como falar em inclusão sem entender os motivos pelos quais a historicidade no Brasil ocorreu de maneira lenta e lastreada por lutas sociais, assim, na década de 80 emerge a Constituição Federal de 1988 , no contexto de redemocratização do Brasil e marcando o fim da ditadura militar acendendo o debate da importância dos direitos fundamentais para os cidadãos, e representando o princípio da Nova República. A formação da constituição de 1988 foi lastreada pela ampla participação da população, além de ser considerada a mais democrática na história brasileira. Nesse sentido, Mozart Viana para o site oficial do governo brasileiro, contextualiza que o surgimento da novel constituição reside em um momento de transição de um governo autoritário para um democrático, uma vez que a ditadura militar foi marcada por reiteradas violações, assim, a constituição cidadã, buscava resgatar a normalidade, por um processo de redemocratização, nas palavras do autor: Sob o regime militar, o Brasil teve muitas manifestações e passeatas com reivindicações norteadas pelo desejo de mudança provocado pelos tempos de ditadura. Entre os apelos, a necessidade de convocação de uma Assembleia Constituinte livre e soberana, com objetivo de que fosse adotada uma nova Constituição, o que significaria mudanças de hábitos, costumes e vivências. Outro clamor era pelas Diretas Já.(VIANA, 2018) O art. 5º da Constituição Federal apresenta direitos auferidos por todos, dentre os quais está a igualdade. Sob essa ótica, Roberta de Fátima Alves Pinheiro aponta que o direito à igualdade se baseia no princípio da igualdade perante a lei, uma vez que todos são livres e auferem os mesmos direitos e deveres com o Estado. O axioma da igualdade foi um dos ideais da Revolução Francesa, que aboliu os antigos privilégios da nobreza e do clero.(PINHEIRO, 2006) Maria Cristina de Brito Lima explica que o princípio da igualdade está umbilicalmente ligado a educação inclusão , porquanto proporcionar condições iguais de tratamento aos com e sem deficiente é máxima para fomentar o nivelamento educacional no Brasil. Outrossim, conferir ao aluno da rede pública a oportunidade de competir com seus pares, adequando-se, a posteriori, às mesmas 14 regras impostas a todos os alunos, quer provenientes da rede pública, quer da rede particular (LIMA, 2003). A Constituição Federal de 1988 trouxe a educação como obrigação do Estado e da família, uma vez que representa um mecanismo de desenvolvimento pessoal individual, bem como da própria sociedade onde o indivíduo encontra-se inserido. E enuncia como direito de todos, e abrangendo a educação como direito social, observe: Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.(BRASIL, 1988) Além de prever no art. 22 XXIV que a união é privativamente competente para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional, como também no art.23 XXIV a competência comum entre União, Estados, Municípios e Distrito Federal para “proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação.” (BRASIL, 1988) Ademais, o art. 30 apresenta a competência municipal em “ manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e de ensino fundamental.” (BRASIL, 1988) Tamanha importância da educação, que, a supramencionada constituição dedicou um capítulo exclusivo para tratar da temática. Dentre tantos dispositivos, destaca-se o art. 205 e 206, que preceituam respectivamente, a educação como direito de todos e uma obrigação do Estado, e estimulada com cooperação de todos, com a finalidade de desenvolver e possibilitar a cidadania, como também a compleição de princípios irradiandosua axiologia, a saber: igualdade, liberdade, respeito as múltiplas ideias, gratuidade da educação pública, enaltecimento dos professores, administração democrática e garantia do direito à educação e à aprendizagem por toda a vida (BRASIL, 1988). Nota-se o art 227, caput e § 1º II que apresenta preceitos importantíssimas considerações, como o dever do Estado, dos familiares e da coletividade garantir a criança e ao adolescente, com máxima atenção, dos seguintes direitos e proibições: o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma 15 de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.(BRASIL, 1988) Bem como, a promoção de programas de atenção e atendimento individualizado para pessoas portadoras de deficiências, bem como sua integração social “ mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.” (BRASIL, 1988) Posteriormente fruto da axiologia emanada pela novel Constituição, surge a Lei 7.853 de 1989 que monta a respeito do adesão, coerência social e a tutela nacional sobre a integração dos deficientes. Por exemplo, no campo da educação, exige a integração das escolas especiais privadas e públicas no sistema de ensino e a oferta de educação especial obrigatória e gratuita nas instituições públicas de ensino. Também estipula que o governo deve ser responsável pela inscrição obrigatória em instituições públicas e privadas para pessoas com deficiência que estejam aptas a integrar o sistema formal de educação. (BRASIL, 1989) Outrossim, também apresenta o art. 208 que trata da educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos, e obriga o Estado a garantir serviços educativos especializados para pessoas com deficiência de preferência no sistema escolar regular (BRASIL, 1988). Deste modo, o modelo educacional inclusivo, busca dentre outras coisas, o ascensão e constância à educação e escolarização por qualquer pessoa sem distinção. Na educação inclusiva, o princípio da igualdade refere-se não só a uma abordagem igualitária da educação, mas a dar a cada um o que necessita de acordo com a sua individualidade e necessidade, que é o desafio atual para os educadores. Em 1990, surge o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no contexto de pós criação da Constituição Federal de 1988, a exposição de motivos preceitua que este nasce devido a mobilização da sociedade durante o processo da redemocratização e tem como premissa: o abandono do referencial sociojurídico da situação irregular e pela adoção da teoria da proteção integral, garantidora da prioridade absoluta das crianças e adolescentes no âmbito do Estado, da família e da sociedade. Após 14 anos, o ECA tornou-se um instrumento essencial para a cidadania, convertendo-se numa referência internacional de respeitabilidade dos direitos humanos de um grupo vulnerável: as crianças e os adolescentes. 16 O ECA prescreve no art. 11 que é assegurada a integralidade aos cuidados voltados aos deficientes que deverão ser atendidos “sem discriminação ou segregação, em suas necessidades gerais de saúde e específicas de habilitação e reabilitação.” Ademais, o art. 54 reforça o já previsto na Constituição Federal, no sentido de prestar atendimento da educação aos deficientes em ensino, à priori, no sistema regular de ensino ( ECA, 1990). Nessa perspectiva, Marcos J S Mazzotta articula que alunos com e sem deficiência necessitam coexistir nas mesmas escolas e salas de aula, instruir-se com suas diferenças e ajudar uns aos outros a realizar seu potencial. As escolas precisam reverenciar as individualidades e promover alternativas de ensino que acolham às distinções individuais e conjuntas para buscar a plena efetivação da aprendizagem (MAZZOTTA, 1999). Em 1994 surge a Política Nacional de Educação Especial, que dentre outras, previa a chamada “conexão instrucional” que para Maria Cristina de Brito Lima, é atraso, pois um processo que permita o ingresso de apenas alunos deficientes que possam acompanhar aos ditos “normais” segrega e exclui.(LIMA, 2003) Importante consignar, que no âmbito internacional, ainda no mesmo ano, fruto do resultado da Conferência Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais, emergiu a Declaração de Salamanca realizada na Espanha em 10 de junho de 1994, que dentre as questões, abordava princípios, políticas e práticas da educação especial, afirmando que as escolas são o meio mais eficaz de combater a exclusão e as atitudes discriminatórias na educação. Ressalta-se que a questão da inclusão não inclui apenas aos deficientes, mas também aqueles que determinados fatores são excluídos socialmente. Nesse contexto, André Viana Custódio aponta que: A educação inclusiva está articulada a movimentos sociais mais abrangentes, que exigem maior igualdade e mecanismos mais justos no acesso a bens e serviços. Estando relacionada a sociedades democrática que estão baseadas no mérito individual e na igualdade de oportunidades a todos cidadãos, a inclusão sugere a desigualdade de tratamento na finalidade de restituir uma igualdade que foi rompida por formas segregadoras de ensino especial e regular.(CUSTÓDIO, 2009) Dois anos após, surge a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394 de 1996 conhecida como LDBEN, dispunha que a educação inclui a vida familiar, a convivência humana, o trabalho, as instituições de ensino e 17 pesquisa, os movimentos sociais e as organizações da sociedade civil bem como as formações de expressões culturais, apontando que a educação se desenvolve por meio de instituições próprias e vinculada ao trabalho e a prática social. (BRASIL, 1996) Infere-se que a educação é um sistema composto pelos Estados e as famílias, que devem agir simultaneamente para contribuir para o desenvolvimento integral dos alunos. A educação deve ser entendida como um processo de formação humano que coexiste na sociedade. Em 1999 por meio do Decreto nº 3.298 foi regulamentada a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência consolidando algumas normas, por previsão legal a finalidade de sua criação foi garantir a plena integração das pessoas com deficiência no conjunto social econômico e cultural do país. No que se refere ao acesso à educação, o documento assevera que a educação especial é um modelo horizontal de educação em todos os níveis e modelos, e ressalta que complementa a educação regular (BRASIL, 1999). Nesse sentido, as questões relacionadas à educação inclusiva, como os serviços de educação profissional, ainda carecem de esclarecimento. É importante notar que as pessoas com necessidades educacionais nem sempre são deficientes. A exclusão escolar não é apenas porque algumas pessoas têm deficiências, mas não apenas deficiências físicas ( VIANA, 2007). Ressalta-se que em 2002 foi instituída a linguagem brasileira de sinais de libras por meio da Lei 10.436 de 2002 e em 2005 o Decreto de nº 5.626 que regulamentou a supramencionada lei, que, em seu art. 1º dispunha que é “reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.”(BRASIL, 2002) Em 2008 surgiu o Decreto nº 6.571 que tratou dos atendimentos de educação especializado (AEE) no ensino fundamental. O definindo como um conjunto institucionalmente organizado de atividades, acessibilidade e recursos didáticos oferecidos de contorno integrante à formação dos alunos do ensino regular. Um dos pontos principais é que exigiu que a União forneça apoio técnico e financeiro ao sistema público de educaçãopara fornecer essa abordagem. Além disso, destaca a necessidade de integrar o AEE nos programas de ensino das escolas.(BRASIL, 2008) 18 Depois, em 2011 o Decreto nº 7.611 que definiu novas diretrizes na educação especial, que dentre outras coisas, determinou que o sistema educacional fosse inclusivo em todos os níveis, que o aprendizado seja ao longo da vida e a proibição da exclusão do sistema educacional sob o argumento de que o aluno é deficiente. Ademais, também pôs que a educação básica é gratuita e obrigatória, e garantiu que sejam feitos ajustes razoáveis às necessidades individuais, e a implementação de medidas de apoio individualizadas e efetivas em um ambiente que maximize o desenvolvimento acadêmico e social em linha com o objetivo de inclusão total no ensino regular (BRASIL, 2011). Observa-se que em 2012 foi sancionada por Dilma Rousseff, a Presidenta à época, a Lei Nº 12.764 conhecida como Lei Berenice Piana, tratando das Políticas Nacionais de Proteção aos Direitos das Pessoas com autismo. (BRASIL, 2012) Maria da Luz dos Santos Oliveira, explica sob a ótica da lei, que os indivíduos diagnosticados com o espectro do autismo são considerados deficientes para todos efeitos legais. As pessoas com TEA (incluídas no currículo geral do ensino geral) terão direito a acompanhamento especializado em casos de comprovada necessidade (OLIVEIRA, 2016). Especialistas apontam que a lei como mais uma força na luta pela inclusão. O texto afirma que as pessoas com autismo têm direito a frequentar a escola regular, seja na educação básica ou profissional, podendo solicitar acompanhamento especializado se necessário. De acordo com o objetivo da inclusão total, um ambiente que maximize o desenvolvimento acadêmico e social, e expresse que a oferta de educação especial é melhor realizada dentro de uma rede regular de ensino (VOLKMAR; WIESNER, 2019). Em 2019, o Decreto 9.465 criou secretarias especialistas de educação, abolindo a secretarias Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI). Por fim, em 2020 foi criada a Politica Nacional de Educação Especial, por meio do Decreto nº10.502. Quanto a esta última normatização, especialistas apontam que a referida lei tende a ter um anacrônica, uma vez que incentiva a matricula de alunos portadores de deficiência em escolas especiais, os afastando do convívio com os demais alunos (BRITO, 2021). Portanto, embora a história remonte um amplo cabedal de legislações, efetivamente, precisa-se de um Estado que forneça elementos aptos a unificar e 19 promover que o progresso do aprendizado desses alunos, não importando se os alunos possuam ou não alguma deficiência. 2.2 Conceito de inclusão Nos últimos anos, ocorreram grandes mudanças na forma como a sociedade observa a diversidade humana. Nesse sentido, a crise de padrões afeta diretamente a educação, questionando valores e práticas, desconstruindo-os por um lado, e propondo novos conceitos e práticas por outro. A inclusão, linhas gerais, é a exteriorização da convivência com a diversidade, considerando que a humanidade possui suas singularidades e distinções. Assim, é um processo concebido para apoiar a educação de todos. Na definição de (MEL AINSCOW E WINDYZ FERREIRA, 2003) a inclusão é uma dinâmica sociopolítica que acastela o direito de participação global de todos indivíduos na sociedade, não considerando os aspectos de etnia, classe social ou limitações. O fato é, que, muitas condições sociais têm sido observadas e consideradas anômalas refletindo em julgamento social que, em diferentes circunstâncias, melhora à medida que a sociedade funciona tecnicamente em função de valores e atitudes multiculturais. Ressalta-se que o tema inclusão pode ser observado por diferentes óticas, uma vez que pode existir outras como a social ou digital. Nesse sentido, o pesquisador Romeu Kasumi Sassaki conceitua a inclusão social como o processo de adaptação social para poder incluir as pessoas em diferentes circunstâncias em seu sistema social universal (SASSAKI, 2003). Em contrapartida, a inclusão digital é caracterizada como a democratização da tecnologia, de modo a torná-la afetiva a toda sociedade. Para conceituar esse fenômeno de inclusão digital, Marcelo Coelho Goncalves enfatiza: Inclusão Digital ou infoinclusão é a democratização do acesso às tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação e é também simplificar sua rotina diária, maximizar o tempo e as suas potencialidades. Um incluído digitalmente não é aquele que apenas utiliza essa nova linguagem, que é o mundo digital, para trocar e-mails, mas aquele que usufrui desse suporte para melhorar as suas condições de vida. Em termos concretos, incluir digitalmente não é apenas 20 “alfabetizar” a pessoa em informática, mas também melhorar os quadros sociais a partir do manuseio dos computadores.(GONCALVES, 2013, p.26) Direcionada ao âmbito educacional, é a garantia de todos os alunos evoluírem e consolidarem seus potenciais, como o exercício da cidadania por meio de políticas públicas que propiciem a efetivação do direito a educação (AINSCOW; FERREIRA,2003). Segundo Paulo Freire essa ruptura se baseia na ideologia de igualdade, não importando se o aluno possui ou não alguma deficiência e nas suas palavras: [...] é sempre processo, e sempre devir, passa pela ruptura das amarras reais, concretas, de ordem econômica, política, social, ideológica etc., que nos estão condenando à desumanização. O sonho é assim uma exigência ou uma condição que se vem fazendo permanente na história que fazemos e que nos faz e refaz.(FREIRE, 2001,p.99) Segundo a Secretaria da Educação do Estado do Paraná, o tema inclusão na educação é novo e conceitua-se como um processo de democratização norteado por princípios que auferem a aquiescência das distinções individuais. Ainda complementa que o papel da escola é encorajar cada pessoa a ser livre, levando a concluir que o conceito de inclusão abrange também aqueles que de alguma forma foram excluídos da sociedade, não apenas os alunos com deficiência. (SEED, 2020) O Instituto Federal da Paraíba(IFPB) define a inclusão dos deficientes como: Em linhas muito gerais, no contexto das pessoas com deficiência, pode-se dizer que inclusão é um paradigma, uma concepção de sociedade e de ações, que busca abolir a segregação de pessoas que tem alguma deficiência, as quais, por muito tempo, tiveram a vida social restrita aos próprios lares, a espaços hospitalares ou, quando muito, a instituições especializadas. A inclusão afirma a plenitude da condição humana das pessoas com deficiência e o seu pleno direito a viver em sociedade, juntamente com as demais pessoas. ( IFPB, 2021, p. 01) O Instituto Federal da Paraíba também pontua que a inclusão pressupõe uma transformação da sociedade como um todo, nas suas atitudes, na organização e estrutura dos espaços e recursos, na forma de prestação de serviços, etc. Com atendimento e assistência médica, a pessoa com deficiência uma vez que ela é cidadã e deve ter seu direito de participação na sociedade garantido ( IFPB, 2021) Umas das questões apontadas pela IFPB é a questão da acessibilidade dentro da inclusão, uma vez que é umas das formas de promovê-la. ( IFPB, 2021) O que na ótica da Universidade Federal do Ceará( UFC) são conceitos intrinsecamente 21 ligados. No senso comum, a acessibilidade parece destacar aspectos relacionados ao uso do espaço físico. Em um sentido mais amplo, no entanto, a acessibilidade é uma condição possível que pode dificultar a participação efetiva em todas as áreas da vida social. Para UFC acessibilidade liga-se a inclusão, pois: A acessibilidade é, portanto, condição fundamental e imprescindível a todo e qualquer processo de inclusão, e se apresenta em múltiplas dimensões, incluindoaquelas de natureza atitudinal, física, tecnológica, informacional, comunicacional, linguística e pedagógica, dentre outras.(UFC, 2021) As leis são um meio que ajuda a conquistar direitos, que, no entanto, ocorre gradativamente ao longo da história da sociedade, porém, mais do que leis, são necessárias mudanças nas atitudes em relação às pessoas com deficiência. Portanto, promover a acessibilidade requer identificar e remover os diferentes tipos de barreiras que impedem o funcionamento e o funcionamento do ser humano nas sociedades em que vive, em condições semelhantes às de outros indivíduos (UFC, 2021). Notavelmente, as escolas devem encontrar maneiras de remover as barreiras existentes para fornecer o acesso necessário. O texto do Decreto Lei nº 5.296 de 2004 exterioriza que: Os estabelecimentos de ensino de qualquer nível, etapa ou modalidade, públicos ou privados, proporcionarão condições de acesso e utilização de todos os seus ambientes ou compartimentos para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, inclusive salas de aula, bibliotecas, auditórios, ginásios e instalações desportivas, laboratórios, áreas de lazer e sanitários. (BRASIL, 2004) Acessibilidade refere-se à facilidade com que ambientes, produtos e serviços podem ser acessados e utilizados por qualquer pessoa em diferentes contextos. Assim, os conceitos de inclusão e acessibilidade na educação refere-se à promoção de formas, entenda-se os meios, da efetivação da realidade inclusiva. 22 CAPÍTULO II ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO 2.1 Conceito 22 O atendimento educacional especializado conhecido pela sigla AEE que em sua essência a capacidade do atendimento ao aluno de identificar, desenvolver e organizar recursos instrucionais e de acessibilidade que removem barreiras ao envolvimento total do aluno, levando em consideração suas necessidades específicas.(MEC, 2016) O Ministério da Educação considera o AEE: A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis, etapas e modalidades, realiza o atendimento educacional especializado, disponibiliza os recursos e serviços e orienta quanto a sua utilização no processo de ensino e aprendizagem nas turmas comuns do ensino regular. [...] O atendimento educacional especializado - AEE tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos alunos, considerando suas necessidades específicas. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela. Consideram-se serviços e recursos da educação especial àqueles que asseguram condições de acesso ao currículo por meio da promoção da acessibilidade aos materiais didáticos, aos espaços e equipamentos, aos sistemas de comunicação e informação e ao conjunto das atividades escolares. Para o atendimento às necessidades específicas relacionadas às altas habilidades/superdotação são desenvolvidas atividades de enriquecimento curricular nas escolas de ensino regular em articulação com as instituições de educação superior, profissional e tecnológica, de pesquisa, de artes, de esportes, entre outros.(MEC, 2016) Sob a mesma linha de pensamento, Sartoretto e Sartoretto(2010) consideram como que a AEE é um modelo de ensino que permeia todos os níveis, séries e etapas da trajetória escolar e que tem como objetivo identificar as necessidades e possibilidades dos alunos com deficiência, desenvolver um plano de atendimento voltado ao acesso regular e à participação no processo de escolarização e atender os alunos com deficiência no preenchimento e vão para a sala comum, produzir e/ou instruir materiais e recursos didáticos que garantam o acesso ao conteúdo do curso para alunos com deficiência, monitorar o uso desses recursos em sala de aula, verificar sua funcionalidade, adequação e eventual adequação necessidades e instruir as famílias Converse com os professores sobre os recursos que os alunos usam. 23 Com fulcro na AEE é importante ao professor que facilite o processo de ensino, para isso, que, sejam dinâmicos e criativos - o aprendizado do aluno deve ser individualizado em todo o processo de escolarização e, o mais importante, o atendimento deve ser integrado à coeducação, manter a comunicação e, em conjunto desenvolver estratégias de desenvolvimento do aluno. As autoras supracitadas ainda consideram que os Serviços De Educação Profissional devem fornecer instruções de evolução curricular em alta habilidade, fluxogramas específicos de idioma e códigos de comunicação e sinalização, assistência técnica e recursos de tecnologia assistiva. Este serviço deve ser combinado com aconselhamento pedagógico coeducativo durante todo o processo de escolarização (SARTORETTO; SARTORETTO,2010). Nesse sentido, a LDB (1996), assegura que a educação especial no modelo de escolarização especializado é um processo educacional definido por recomendações instrucionais que assegura a oferta de recursos e serviços educacionais individualizados destinados a garantir e promover o sucesso educacional de alunos com necessidades educacionais especiais. Por isso, não satisfaz abarcar esse aluno especial na sala de aula. Além da adaptação física, as escolas também precisam oferecer serviços paralelos às turmas normais, para que as crianças possam realmente desenvolver seu potencial e garantir sua integração dentro e fora da escola. Sassaki (1997) define o atendimento educacional especializado como aquel que fornece a todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências graves, uma oportunidade equitativa de receber serviços educacionais eficazes em classes de idade apropriada nas escolas do bairro, e os serviços complementares de assistência e apoio necessários para torná-los ricos. membro pleno da sociedade. Dessa forma, sabendo das particularidades que definem as pessoas com deficiência e qual o modo que o AEE deve ter seus processos de aprendizagem infere-se que os profissionais que atuam nessas disciplinas precisam empenhar-se com muita dedicação e formação continuada. Por isso, no próximo tópico, veremos como refletir e analisar a formação de professores e os recursos didáticos que podem contribuir para esse desenvolvimento. 24 2.2 A quem se direciona o AEE De acordo com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), é estabelecido o objetivo de salvaguardar os direitos e o acesso à educação formal de alunos com deficiência, alunos com deficiência global do desenvolvimento e alunos com altas habilidades ou superdotados. Essas metas garantem a oferta de serviços educacionais profissionais, formação adequada de professores, participação da família e da comunidade no processo e interface com as políticas públicas. Com base no Manual de Instruções da Sala de Recursos Multiuso e Plano de Implementação, para os alunos que são o público-alvo do AEE, os alunos com deficiência são aqueles com deficiências físicas, intelectuais, mentais ou sensoriais de longa data que interagem com várias barreiras que podem impedi-los de participar plena e efetivamente na escola e na sociedade (MEC,2010). Os alunos com deficiências globais do desenvolvimento são aqueles que apresentam alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, relações sociais prejudicadas, comunicação ou estereótipos motores (MEC,2010). Estas definições incluem alunos com autismo, síndrome do espectro autista e psicose infantil. Finalmente, estudantes de alta habilidade ou talento são definidos como aqueles que demonstram alto potencial e substancial envolvimento em áreas do conhecimento humano, tanto isoladas quanto combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, espiritual, artística e criativa (MEC,2010). Para salvaguardar os plenos direitos dos alunoscom deficiência, alunos com deficiência global de desenvolvimento e alunos de alta capacidade ou superdotados, acredita que é necessário institucionalizar o AEE nas escolas comuns, organizar esse ambiente e fornecer os recursos necessários para um serviço eficaz para incluir os objetivos do público AEE. Isso é crucial no processo de aprendizagem de alunos com deficiência intelectual. 25 CAPÍTULO III O PROFESSOR NO ESTABELECIMENTO DO AEE NO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO PPP Avaliando os serviços de educação especializada implementados no Brasil, os professores de educação especial deixaram de ser especialistas em áreas específicas. Na concepção de um atendimento especializado em face dos deficientes, deve-se provocar a inovação dos conteúdos específicos dos serviços educacionais especializados necessários à participação em cursos de educação continuada, aperfeiçoamento ou especialização (RAPOLI et al., 2010). O professor de AEE desempenha um papel necessário na prestação desse serviço ao público-alvo da educação especial, pois é responsável por elaborar, executar e avaliar os planos de AEE dos alunos, bem como organizar as estratégias instrucionais, identificar e produzir recursos acessíveis. Adicionalmente, os professores de AEE dedicam-se a ensinar e desenvolver atividades de AEE como: libra, braile, orientação e mobilidade, português para surdos, computação acessível, comunicação alternativa e aumentada, desenvolvimento de competências mentais superiores e atividades de enriquecimento curricular; monitorização da funcionalidade e disponibilidade de recursos de tecnologia assistiva em salas de aula e ambientes escolares em geral (OLIVEIRA, 2016). Destarte, a prática docente dos professores do serviço de educação especializada é um trabalho complexo e desafiador. No que se refere à formação docente, observou-se a necessidade de se considerar a especificidade, ressaltando a necessidade de que os docentes tenham um conhecimento aprofundado da assessoria, da prática docente e das possibilidades dos alunos para a manutenção do lugar (BATISTA, 2011). A gestão do processo de aprendizagem inclui a organização da aprendizagem no espaço da sala de recursos polivalentes, bem como conversas com professores do ensino geral. A atuação do professor na sala de recursos polivalentes deve focar em aspectos que promovam o desenvolvimento e a aprendizagem de um aluno com deficiência, ao mesmo tempo em que visa remover barreiras à aprendizagem desse aluno (BATISTA, 2011). 26 Nessa perspectiva, Vieira (2011) explica que para facilitar o desenvolvimento e a aprendizagem de alunos com deficiência intelectual, os professores poderão utilizar recursos de baixa e alta tecnologia, selecionando e elaborando materiais. Os professores do AEE obtêm informações sobre a frequência, persistência e engajamento dos alunos em sala de aula quando interagem com os professores do ensino regular. Os alunos com deficiência intelectual, como sujeito social, beneficiam-se das inúmeras mediações das relações sociais e interpessoais estabelecidas nos espaços escolares, que também se caracterizam por conflitos e contradições na vida social (VIEIRA, 2011). Nos serviços de educação especializados, as avaliações são realizadas através de estudos de caso que visam construir perfis de alunos para desenvolver planos de intervenção em AEE um estudo de caso é feito por meio de uma abordagem de resolução de problemas, que identifica sua natureza e busca uma solução. O estudo de caso deve ser conduzido pelo professor do AEE em colaboração com os professores da escola geral e outros profissionais que trabalham com o aluno dentro da escola (VIEIRA, 2011). As avaliações abrangem três ambientes principais do aluno: sala de recursos multiuso, sala de aula e casa. Nas escolas, as avaliações devem ocorrer em diferentes ambientes e em diferentes momentos. Por exemplo, os professores do AEE devem observar a organização e gestão das aulas, recreio, jogos, atividades na biblioteca e laboratório de informática (VIEIRA, 2011). As avaliações em salas de recursos polivalentes, salas de aula e em casa são projetadas para coletar informações sobre os alunos, levando em consideração seis áreas principais: desenvolvimento intelectual e funcionamento cognitivo; expressão verbal; ambiente; aprendizagem escolar; desenvolvimento emocional-social e interação social; estudar comportamentos e atitudes no desenvolvimento situacional e psicomotor (VIEIRA, 2011). Com base nas informações obtidas nos três cenários de avaliação, os professores do AEE constroem o perfil do aluno e determinam a natureza do problema que motivou o encaminhamento do aluno para a sala de recursos especializada. Assim sendo, é infere-se que os professores de AEE devam apoiar a 27 aprendizagem de alunos com deficiência intelectual organizando situações que estimulem o desenvolvimento cognitivo da aprendizagem. A organização é baseada no ensino e na produção de materiais didáticos destinados a atender esses alunos com as necessidades específicas da sala de aula do ensino regular (VIEIRA, 2011). Os professores do AEE fazem o acompanhamento em dois espaços: a sala de recursos polivalentes e a sala geral. Esse acompanhamento na sala de recursos polivalentes inclui o momento em que o aluno participa de uma atividade desenvolvida pelo professor, a partir de informações sobre seu problema obtidas por meio de estudos de caso (FIGUEIREDO, et al, 2010). Desta feita, os professores podem selecionar recursos de alta ou baixa tecnologia e elaborar situações-problema para desenvolver o pensamento abstrato dos alunos e sugerir atividades que facilitem a conexão dos alunos com o sucesso. outro aspecto importante da monitoria na sala de recursos polivalentes tem a ver com a organização da linguagem falada, que deve ser motivada pelo professor do AEE no âmbito da sensibilização dos alunos para as diferentes características presentes na linguagem falada e escrita. 3.1 Diretrizes e leis Com base no arcabouço legal e nos princípios pedagógicos da participação igualitária em um sistema de educação inclusivo, a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) define educação especial como a Educação que fornece recursos e serviços e serviços especializados, complementares ou assistência educacional suplementar para alunos com deficiência na educação geral, alunos com deficiências globais de desenvolvimento e alunos com altas habilidades ou superdotados (PNE, 2008). Outro marco relevante no processo de inclusão educacional foi a promulgação do Decreto nº 6.571, de 2008, que garante que os alunos que são o público-alvo da educação especial sejam contabilizados no âmbito do fundo de manutenção e desenvolvimento da educação básica e o valor dos profissionais da educação (FUNDEB) das matrículas, uma nas classes regulares da rede pública de ensino e outra nos serviços de educação profissional (AEE). Conforme definido na 28 Lei, uma sala de recursos multiuso é um ambiente equipado com equipamentos, móveis e materiais didáticos e instrucionais para fornecer serviços educacionais profissionais (BRASIL, 2008). O Conselho Nacional de Educação, através da Resolução CNE/CEB nº 4/2009, desenvolveu as Diretrizes Operacionais para a Assistência Educacional Profissional na Educação Básica, que define: Art. 5º O AEE é realizado, prioritariamente, nas salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em outra de ensino regular, no turno inverso da escolarização, não sendo substitutivo às classes comuns, podendo ser realizado, em centro de atendimento educacional especializado de instituição especializada da rede pública ou de instituição especializada comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com a secretaria de educaçãoou órgão equivalente dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios (BRASIL, 2009). Abarcar a educação inclusiva é um processo complexo, pois políticas que mudem a estrutura do sistema de ensino na organização escolar devem ser priorizadas para superar o modelo de integração entre escolas e classes especiais. A função social da escola é criar um programa de ensino que valorize as diferenças, proporcione educação nas turmas do ensino geral e atenda às necessidades específicas dos alunos. Esse conceito está consubstanciado nas Diretrizes Nacionais da Educação Básica, elaboradas pela resolução CNE/CEB nº 4/2010, conforme consta em seu art. 1º que o sistema de ensino deve matricular alunos com deficiência, deficiência global do desenvolvimento e alunos de alta capacidade/superdotados em classes de educação formal e serviços de educação profissional (AEE), além ou complementar à escolaridade fornecida por salas de recursos multifuncionais ou centros de AEE. Uma rede pública ou comunidade sem fins lucrativos, denominação ou caridade. (Brasil, 2010) A sala de recursos multiuso cumpre o propósito de organizar espaços dentro da própria escola geral com equipamentos, recursos acessíveis e materiais didáticos que auxiliam a facilitar a escolarização, removem barreiras que impedem os alunos de se envolverem plenamente com o público-alvo da educação especial e tornam efetiva a inclusão escolar . 29 CAPÍTULO IV A DIFICULDADE DE EFETIVAR A IDEOLOGIA DA ESCOLA PARA TODOS Embora exista legislação que garanta o desenvolvimento integral dos alunos especiais nas escolas regulares, isso nem sempre acontece, ou pode acontecer de forma precária. Isso porque há desafios que precisam ser superados para que a educação inclusiva seja de qualidade e realmente desenvolva os alunos da forma mais completa possível, sejam eles especiais ou não. Diversos documentos publicados por instituições brasileiras e internacionais defendem os princípios fundamentais da educação gratuita e de qualidade para todos, argumentando que a escola comum é o meio mais eficaz para reduzir ou corrigir a discriminação e o preconceito. A título de exemplo a Secretaria de Educação Especial e Cultura diz que as escolas devem acolher todas as crianças, independentemente das suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Eles devem acomodar crianças com deficiência e crianças superdotadas; crianças de rua e trabalhadoras; crianças de populações remotas ou nômades; crianças de minorias linguísticas, raciais ou culturais e crianças de outros grupos e áreas desfavorecidas ou marginalizadas (BRASIL, 1997). Existem muitas disposições legais para garantir que pessoas com deficiência tenham contato com crianças ou adolescentes não deficientes , mas na prática vários fatores impossibilitam ou dificultam esse contato, principalmente no que diz respeito à deficiência intelectual (MANTOAN, 1997). Esse tipo de deficiência apresenta um desafio para as escolas regulares atingirem seus objetivos instrucionais para que os alunos aprendam o conteúdo curricular, pois os alunos com essa deficiência se relacionam com o conhecimento de maneiras diferentes. Alunos que não conseguem aprender o conteúdo da escola podem ser admitidos com alunos sem ou com outras deficiências, mas as deficiências intelectuais condenam a escola por não atingir seus objetivos (MANTOAN, 1997). Um dos pontos que também interfere diretamente é a falta de apoio financeiro do governo. Os alunos com necessidades especiais têm direito o legalmente à educação integral e à matrícula em escolas regulares. Esses cursos devem ser 30 ministrados por professores regulares, que precisam adaptar algumas atividades comuns a todos os alunos e estimular seu desenvolvimento integral (FREITAS et al, 2021). As discussões sobre educação inclusiva geralmente são realizadas em nível educacional e jurídico, mas deve-se considerar que tipo de sociedade inclusiva deve ser construída. Porque no Brasil, essa escola foi pensada e criada para atender aqueles que têm mais poder ou são mais capazes e mais propensos a aprender. Demudar a escola de hoje em uma escola inclusiva requer mais do que práticas de ensino efetivas ou leis para garantir que todos tenham acesso à rede educacional e exista em perpetuidade. As escolas inclusivas têm como premissa o reconhecimento e o respeito pela individualidade da disciplina. Mudar as estruturas já enraizadas na sociedade requer mais do que leis e métodos. Desde o início, o objetivo da inclusão foi não manter ninguém fora do sistema escolar, que deve acomodar as particularidades de todos os alunos (...) educação geral e educação especial, em um único sistema de ensino, estamos caminhando para uma reforma educacional mais ampla em que as necessidades educacionais de todos os alunos começam a ser atendidas na educação geral. (MANTOAN, 1997) No entanto, a legislação também garante que o Estado deve dar apoio aos alunos excepcionais por meio de auxílio técnico e financeiro. Dependendo da particularidade ou deficiência do aluno, o governo deve contratar um especialista que acompanhe de perto o desempenho escolar do aluno, como um intérprete de língua de sinais, que consegue transmitir o que o professor diz ao aluno e aos demais alunos. Esse profissional será uma espécie de cuidador de alunos com necessidades especiais e deverá participar das reuniões escolares e se envolver no planejamento escolar, mas ainda faltam especialistas, o que afeta o desenvolvimento global dos alunos que necessitam de cuidados e atenção especiais (FREITAS, et al, 2021). Além disso, os profissionais podem se sentir sobrecarregados, pois precisam desempenhar o papel de tradutores ou mesmo professores regulares que não são treinados para lidar com alunos especiais. Outro ponto, é o ajuste da infraestrutura escolar no ensino público, diferindo- se do ensino privado, visto que as escolas particulares existem recursos suficientes para atender a demanda dos alunos deficientes. O desenvolvimento integral de 31 alunos com alguma deficiência não pode ser proporcionado sem a infraestrutura adequada. A ausência de capacitação dos professores e dos demais funcionários é outra questão. O Brasil não possui a cultura de inclusão claramente definida, por isso não é incomum que apenas pessoas com certa peculiaridade, como surdos ou cegos, possam fazer um determinado curso. Um dos mais expressivos desafios no fortalecimento das escolas inclusivas é a formação de professores. A percepção dos professores sobre sua importância como parte integrante do processo educacional torna-se um dos meios pelos quais eles dimensionam seu trabalho dentro das escolas, resgatam sua prática docente e a ressignificam. Muitas vezes, na ausência de uma formação continuada significativa, os professores não se autoavaliam permanentemente, muitas vezes buscando a responsabilidade pelo fracasso escolar na família, no sistema e no próprio aluno. Essa situação é agravada pela presença de alunos com deficiência mental nas aulas regulares. De acordo com Mantoan (2003), os professores estão acostumados a desenvolver sempre o mesmo trabalho e, quando são impactados por inovações educacionais (como a inclusão de pessoas com deficiência), tendem a rejeitá-lo porque o novo programa de trabalho é diferente do seu Os planos de trabalho reais existentes variam. Aprendeu a aplicar em suas aulas. Eles se justificam em argumentar que não estão preparados para trabalhar com tais alunos. Os professores aprendem de forma fragmentada em sua formação inicial e, quando colocam em prática o que aprenderam, não conseguem romper com essa forma de ensinar. Então, ao procurar por cursos de formação que trabalhem com inclusão, eles querem aprender a lidar com alunos que possuem algum tipo de deficiênciaou que são mais difíceis de aprender, planos instrucionais pré-fabricados são colocados em prática em sala de aula, outros em a formação do curso apenas demonstra Credenciais na sua capacidade de se tornar um professor qualificado para o trabalho inclusivo ( MANTOAN, 2003). A educação inclusiva é uma área do mercado de trabalho educacional que ainda carece de especialistas. Por isso, procure uma formação continuada nesta 32 área que abra caminhos profissionais ao mesmo tempo em que desenvolve mais profundamente a empatia. Isso é extremamente prejudicial para as interações entre diferentes grupos, afinal, nem todos possuem as mesmas características e facilidades. A ideia é que cada vez mais os professores façam cursos e treinamentos próprios, como aprender a falar a língua de sinais, para que grupos cada vez mais diversos possam interagir e se comunicar, independentemente de suas diferenças. Vale ressaltar que, à medida que a discussão sobre educação se intensifica, deve-se dar igual importância ao papel transformador do professor e, sendo o ele o responsável pela formação do cidadão, precisa ser treinado. Nesse entendimento, Mantoan diz que: No caso de uma formação inicial e continuada direcionada à inclusão escolar, estamos diante de uma proposta de trabalho que não se encaixa em uma especialização, extensão ou atualização de conhecimentos pedagógicos. Ensinar, na perspectiva inclusiva, significa ressignificar o papel do professor, da escola, da educação e de práticas pedagógicas que são usuais no contexto excludente do nosso ensino, em todos os seus níveis. Como já nos referimos anteriormente, a inclusão escolar não cabe em um paradigma tradicional de educação e, assim sendo, uma preparação do professor nessa direção requer um design diferente das propostas de profissionalização existentes e de uma formação em serviço que também muda, porque as escolas não serão mais as mesmas, se abraçarem esse novo projeto educacional. (MANTOAN, 2003) Dito isso, vale destacar que o processo inclusivo proposto pela legislação deve, na verdade, ter como premissa mudanças na educação atual, pois não garante ou oferece condições aceitáveis para ser considerado verdadeiramente inclusivo. Considere não apenas as limitações da formação de professores, mas também o grande número de alunos em cada turma e os problemas de instalações inadequadas e instáveis. Portanto, é preciso buscar alternativas e formas de diferenciação para ver e pensar de novas formas as escolas e os profissionais que nelas atuam. O preconceito sofrido pelos alunos especiais na escola também é uma realidade e faz parte do desafio de se integrar ao cotidiano de uma escola normal. Isso se deve em grande parte à falta de compreensão da especificidade e à falta de coexistência entre os diferentes grupos. Nesse sentido, o Instituto NeuroSaber, apresenta algumas barreiras para implementação da escola para todos, observe: 33 Crenças: as normas sociais geralmente são a maior barreira para a inclusão. As crenças sobre deficiências existem e é preciso promover a informação. Os preconceitos com os diferentes podem levar à discriminação, o que inibe o processo educacional. Barreiras físicas: muitas escolas não têm instalações seguras para acomodar os alunos com necessidades especiais. As barreiras ambientais podem incluir portas, passagens, escadas e rampas que impossibilita até mesmo a entrada de alguns alunos com deficiência. Currículo: um currículo rígido que não permite a experimentação ou o uso de diferentes métodos de ensino pode ser uma enorme barreira à inclusão. Planos de estudo que não reconhecem diferentes estilos de aprendizagem dificultam a experiência escolar de todos os alunos, mesmo aqueles que não apresentam deficiências. Professores: professores que não são treinados ou que não querem ou não têm entusiasmo para trabalhar com alunos com deficiência podem ser uma barreira para a inclusão escolar. A capacitação profissional e apoio da escola são fundamentais para formação dos professores. Fatores socioeconômicos: muitas escolas não têm recursos financeiros e com isso, instalações e serviços precários. Alguns fatores sociais criam barreiras para todos os alunos e apresentam desafios que tornam a inclusão quase impossível. Organização do sistema educacional: os sistemas educacionais centralizados raramente conduzem a mudanças e iniciativas positivas. As decisões vêm das autoridades que têm pouca ou nenhuma ideia sobre a realidade que os professores enfrentam no dia a dia. Políticas como barreiras: Muitos políticos não entendem ou não acreditam na educação inclusiva e podem atrapalhar os esforços para tornar as políticas públicas de educação mais inclusivas. (NEUROSABER, 2021) A educação inclusiva continua a ser um desafio. Os desafios só podem ser superados através do debate. É normal que surjam problemas quando medidas e práticas inclusivas são implementadas, afinal, essa é a nova prática na educação. A superação das barreiras e desafios da inclusão escolar de alunos com deficiência requer esforço constante, aprendizado e trabalho multidisciplinar. Além disso, para mudar ideias antigas e eliminar preconceitos. É importante que as famílias dos alunos com deficiência e os profissionais que os apoiam fora da escola sejam envolvidos no desenvolvimento de estratégias educativas. No Brasil, a visibilidade das populações especiais é baixa, o que contribui para a prática do preconceito. Infelizmente, ainda hoje é raro ver pessoas com deficiência em altos cargos, aparecendo na mídia consumida pela grande maioria das pessoas, como jornais, novelas, etc., o que torna essas pessoas invisíveis para a sociedade. Para abordar possíveis questões e desafios, toda a comunidade escolar deve ser envolvida no debate. Quando nos referimos à comunidade como um todo, queremos dizer diretores, pais, alunos sem necessidades especiais, alunos com 34 necessidades especiais, educadores e coordenadores, que devem compartilhar suas experiências. Só então a educação pode ser verdadeiramente inclusiva quando todos são ouvidos e suas necessidades são adequadamente atendidas. A única maneira de superar o preconceito é aproximar-se de pessoas diferentes e desenvolver o respeito, aplicando habilidades sociais e emocionais no cotidiano escolar. 35 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho de conclusão de curso teve como tema a educação inclusiva, pautando-se no atendimento educacional especializado. Ao final da pesquisa foi possível verificar diversas nuances, como a discrepância no que a lei estabelece sobre a inclusão e o que realmente é efetivado. A legislação relacionada à educação especial tenta garantir que as crianças com necessidades especiais estejam em um sistema educacional inclusivo com base na Declaração, na Constituição de 1988, no Estatuto da Criança e do Adolescente e nos estatutos que regulamentam abordagens de educação especial, como a acessibilidade escolar. Em resumo, é indispensável que a escola faça todas as adaptações no ambiente escolar para que a criança possa ficar e conviver com outras pessoas. Nas escolas inclusivas, os alunos têm potencial para conviver de forma diferente com todos, construir respeito, além de garantir a integração na escola pública, e ampliar a conscientização desde a educação infantil até a convivência com todos para alcançar o crescimento pessoal. Em conjunto, pode-se concluir que, desde o surgimento do paradigma da inclusão e da intervenção, houve um movimento de debates interessantes sobre se a inclusão supõe uma ruptura com a hipótese da integração escolar, ou se pode ser feita uma conexão permanente entre elas. paradigmas de intervenção. A inclusão decorre do movimento das escolas se integrarem para o avanço da educação inclusiva e é necessária em todos os cenários do nosso século. Há uma lutapara respeitar as diferenças, ainda que não da forma pretendida, ou seja, para respeitar plenamente a Singularidade, como as diversas leis que buscam o amparo às pessoas com deficiência. De um modo geral, se as pessoas se recusam a exercer esses direitos na prática, não importa que as pessoas saibam que os reconheceram. Ressaltamos aqui que a luta pela educação inclusiva não pode parar, a luta pela educação diversificada tem um longo caminho a percorrer. Além do mais que o ideal de escolas de qualidade para todos é a aspiração de todos, e embora as políticas educacionais garantam a matrícula e permanência 36 de alunos com necessidades especiais, poucos alunos carentes ainda conseguem frequentar a escola. A prática do dia a dia da educação infantil inclusiva é, sem dúvida, repleta de dificuldades e desafios, não devendo de forma alguma ignorar a rica herança histórica que carregamos. Esse legado vem tanto da exclusão daqueles percebidos como incompetentes e cronicamente privados de oportunidades de aprendizagem, quanto da noção de infância – ainda enraizada na prática de muitos – de que as crianças são meros recipientes de aprendizado e informação . Conclui-se que os desafios estabelecidos no processo de inclusão são muitos, e a maioria dos profissionais ainda não estão capazes de lidar com as tarefas de inclusão que exigem total comprometimento. A educação permanente será uma das possibilidades fundamentais para ampliar e aprimorar a abordagem da inclusão, proporcionando desenvolvimento profissional para lidar com a diversidade. Por fim, nota-se que não basta o papel dos professores, é preciso também um esforço docente coletivo, abrangendo todo o grupo escolar, baseado em um projeto de ensino político efetivo, aberto à diferença e ao trabalho prático. É preciso ver as populações "especiais" como pessoas que enfrentam enormes desafios todos os dias, e a sociedade precisa estar plenamente engajada e interessada no processo de inclusão. Afinal, a educação é um ato que nos torna os agentes da mudança possível, tornando-nos mais humanos e socialmente conscientes. A relação casa-escola é muito importante para os esforços de inclusão, pois a qualidade da inclusão pode ser aprimorada por meio dessa relação, uma vez que a comunicação casa-escola só contribui para os processos sociais nos dois ambientes juntos. Incluindo não apenas os “sujeitos internos” da escola, mas também toda a sociedade em que a escola está inserida, e a tomada de decisão deve levar em conta as realidades locais. Pois, a única forma de superar as barreiras é por meio do desenvolvimento dos aspectos educacionais e sociais, uma vez que ambos estão completamente interligados, uma vez que a superação das barreiras e desafios da inclusão escolar 37 de alunos com deficiência requer esforço constante, aprendizado e trabalho multidisciplinar. Além disso, para mudar ideias antigas e eliminar preconceitos. É importante que as famílias dos alunos com deficiência e os profissionais que os apoiam fora da escola estejam envolvidos no desenvolvimento de estratégias educativas. 38 CONSIDERAÇÕES FINAIS AINSCOW, Mel; FERREIRA, Windyz. Compreendendo a educação inclusiva: algumas reflexões sobre experiências internacionais. In D. Rodrigues (Ed.), Perspectivas sobre inclusão: da educação à sociedade (pp. 103-116). Porto: Porto Editora,2003. BATISTA, Cristina Abranches Mota. Atendimento Educacional Especializado para pessoas com deficiência mental. Petrópolis: Vozes, 2011. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 01 out.2022. BRASIL. Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010. Disponível em: http://www.prograd.ufu.br/sites/prograd.ufu.br/files/media/documento/resolucao_cnec eb_no_4_de_13_de_julho_de_2010.pdf. Acesso em: 17 out.2022. BRASIL. Decreto nº 6571, de 17 de setembro de 2008. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2008/decreto-6571-17-setembro-2008- 580775-publicacaooriginal-103645-pe.html. Acesso em: 17 out.2022. BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 03 out.2022. BRASIL. Lei nº 12764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12764.htm. Acesso em: 04 out.2022. BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2021/Lei/L14254.htm. Acesso em: 01 out.2022. BRASIL. Lei nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/decreto/d5296.htm. Acesso em: 04 out.2022. BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm. Acesso em: 02 out.2022. 39 BRASIL. Lei nº 7.6122, de 17 de novembro de 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2011/decreto/d7611.htm. Acesso em: 04 out.2022. BRASIL. Lei nº 8.069, de 12 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 03 out. 2022. BRASIL. Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 03 out.2022. BRITO, Luan. Especialistas são contra a nova Política Nacional de Educação Especial, 2021. Disponível em: https://diversa.org.br/especialistas-sao-contra-a- nova-politica-nacional-de-educacao-especial/. Acesso em: 04 out. 2022. CASA CIVIL. Subchefia de assuntos parlamentares. EM Nº GM/SEDH n° 02. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/projetos/EXPMOTIV/SEDH/EM2- 2005.htm. Acesso em: 03 out. 2022. CUSTÓDIO, André Viana. Direito da criança e do adolescente. Criciúma: UNESC, 2009. Declaração Mundial de Educação para Todos e Plano de Ação para Satisfazer as Necessidades Básicas de Aprendizagem. Conferência Mundial sobre Educação para Necessidades Especiais, 1994, Salamanca (Espanha). Genebra: UNESCO, 1994. Disponível em: https://www.ifpb.edu.br/assuntos/fique-por-dentro/alguns-conceitos- ligados-a-inclusao. Acesso em: 03 out. 2022. FIGUEIREDO, Rita Vieira de; POULIN, Jean Robert; GOMES, Adriana Leite Limaverde; Atendimento educacional especializado do aluno com deficiência intelectual. São Paulo: Moderna, 2010. FREIRE, Paulo. Algumas reflexões em torno da utopia. In: FREIRE, Ana Maria de Araújo (org.). Pedagogia dos Sonhos Possíveis. São Paulo: UNESP, 2001. FREITAS, Lêda Gonçalves de. Práticas pedagógicas na educação inclusiva: revisão sistemática, 2021.Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas- unimep/index.php/comunicacoes/article/view/4690/2534. Acesso em:17 out. 2022. GODINHO, Franscisco. Conceito de Acessibilidade,2010 Disponível em: https://www.creago.org.br/pagina/view/32.