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PSICOLOGIA 
Temos que considerar a realidade: se já é difícil alfabetizar crianças que não apresentam problemas de 
aprendizagem, o que dizer a respeito daqueles alunos que trazem consigo algumas complicações que podem 
dificultar o processo de aprender? Não temos sequer leis que reconheçam, por exemplo, a existência de 
alterações neuro funcionais e que definam políticas de inclusão para essa parcela importante de escolares. Por 
outro lado, essa omissão histórica de nossas autoridades frente ao perfil dos problemas de aprendizagem, 
não impede que apontemos alguns caminhos a serem seguidos. 
Para responder à questão dos desafios para alfabetizar crianças com problemas de aprendizagem, faz-se 
necessário, inicialmente, admitir que problemas existem e que eles podem ser identificados o mais cedo pos- 
sível. Temos que criar e aplicar protocolos, desde o ensino infantil, que permitam identificar crianças de risco 
para a aprendizagem, quer já tenham algum diagnóstico ou não. Como existe uma diversidade de problemas 
que podem dificultar a aprendizagem, deve-se buscar compreender os vários perfis de alterações que são 
encontrados mais comumente, configurando pontos fortes e fracos desses alunos. 
Estamos partindo do princípio de que os problemas de aprendizagem fazem parte do contexto do ensino, 
ou seja, são inerentes ao processo educacional. Por essa razão, as escolas devem desenvolver programas ou 
intervenções, internamente, que permitam que esses alunos possam aprender, dentro das possiblidades e 
dos perfis que apresentam. Problemas de aprendizagem não significam impossibilidade de aprender. Como 
estamos falando de crianças com transtornos, é natural que muitas necessitem de acompanhamentos ex- 
ternos, como fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos médicos e outros profissionais. Porém, isso não 
exclui a responsabilidade, e a obrigatoriedade legal, que as escolas devem ter em relação ao ajuste de suas 
propostas educacionais às necessidades que esses alunos apresentam. 
Tendo em vista melhorar as condições de atendimento educacional dessas crianças temos, em síntese, 
que trabalhar no sentido de: 
1. Identificar, desde o infantil, crianças com risco de aprendizagem; 
2. Caracterizar as dificuldades de aprendizagem mais comumente presentes e o perfil dos alunos; 
3. Desenvolver programas de intervenção dentro das escolas, com professores devidamente prepara- 
dos; 
4. Desenvolver métodos de ensino tendo como base evidências científicas seguras; 
5. Desenvolver programas de capacitação permanente dos professores; 
6. Promover adaptações curriculares de acordo com os perfis de aprendizagem dos alunos; 
7. Estabelecer, com clareza, objetivos de curto, médio e longo prazo no processo de aprendizagem. Que 
competências desenvolver a cada momento da escolaridade. 
8. Considerar a diversidade; 
9. Envolver a família no processo de ensino e aprendizagem. 
 
EXISTEM DIFERENÇAS ENTRE FALAR E ESCREVER? COMO ESSES PROCESSOS OCORREM NO CÉREBRO? 
Aprecio muito a afirmação “nascemos para falar”. Neste pequeno enunciado de três simples palavras está 
contida a ideia de uma capacidade inata, talvez a mais importante da espécie humana. Ela está contida em 
nosso código genético e nos permite adquirir a linguagem falada. Qualquer criança, em qualquer parte do 
mundo e, independentemente do idioma, irá aprender a língua à qual está exposta. Basta, para isso aconte- 
cer, que a criança conviva com pessoas que se comuniquem verbalmente com ela. Interagindo com as pes- 
soas, em situações naturais de comunicação, encontramos as condições ideais para que a criança, progressi- 
vamente, se aproprie da língua, ou línguas, às quais está exposta. Obviamente, podemos encontrar exceções 
nessa regra em razão de déficits sensoriais (como as perdas auditivas), motores, intelectuais, pragmáticos, ou 
de base predominantemente linguística, como é o caso dos transtornos do desenvolvimento da linguagem.

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