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A PRODUÇÃO HISTÓRICA DO ENSINO DA GEORAFIA NO BRASIL Francisco Cláudio Soares Júnior Universidade Federal do Rio Grande do Norte A construção do corpus teórico da Geografia sofre contínuas transformações que expressam as mudanças que se operam nos sistemas de organização social. Estas transformações provocam modificações nas formas de transmissão/apropriação dos conhecimentos produzidos nesse campo específico do saber. Nas primeiras décadas do século XIX, com a expansão das relações capitalistas de produção, o ensino da Geografia, assim como das demais ciências, começa a vivenciar um intenso processo de desenvolvimento. Segundo Moraes (1987, p.40-41): Ao início do século XIX, a malha dos pressupostos históricos da sistematização da Geografia já estava suficientemente tecida. A terra estava toda conhecida. A Europa articulava um espaço de relações econômicas mundializado, o desenvolvimento do comércio punha em contato os lugares mais distantes. O colonizador europeu detinha informações dos pontos mais variados da superfície terrestre. As representações do Globo estavam desenvolvidas e difundidas pelo uso cada vez maior dos mapas, que se multiplicavam. A fé na razão humana, posta pela Filosofia, abria a possibilidade de uma explicação racional para qualquer fenômeno da realidade. As bases da ciência moderna já estavam assentadas. As ciências naturais haviam constituído um cabedal de conceitos e teorias, do qual a Geografia lançaria mão, para formular seu método. E, principalmente, os temas geográficos estavam legitimados como questões relevantes, sobre as quais cabia dirigir indagações científicas. Todavia, a Geografia Escolar foi introduzida como disciplina obrigatória nos currículos escolares, nos fins do século XIX na Alemanha - Estado que se encontrava numa condição de atraso face às demais nações européias, não sendo uma nação moderna – com o objetivo de inculcar nos indivíduos uma ideologia nacionalista e patriótica através do ideário natural e eterno da formação do Estado-Nação ou país. Nessa perspectiva nos diz Pereira )1999, p.28): ... A Geografia é incluída nos currículos por razões geopolíticas enquanto não só marca a naturalidade do homem no espaço, mas também sustenta que o homem só é humano porque está incluído num espaço politizado, nacional. Em decorrência dessa situação mais geral, no início do século XX, predomina no Brasil, o ensino da Geografia descritiva, cujo conteúdo privilegia a memorização de informações por parte do aluno. Desse modo, a função do professor de Geografia é reduzida a informações memorizadas dos manuais didáticos. Nesse período inexiste no Brasil a preocupação em formar profissionais para atuarem em áreas especializadas. Lecionam Geografia e demais disciplinas: advogados, engenheiros, médicos, seminaristas, entre outros. Por outro lado, os estudos existentes nessa área são particularizados e estanques nos Estados sem uma relação com a totalidade do território brasileiro. É a partir dos anos 30 que o ensino de Geografia começa a assumir uma postura científica quando são fundadas as primeiras Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras (Universidade de São Paulo – 1934, Universidade do Distrito Federal – 1935 – atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), o I.B.G.E (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – 1937) e a A.G.B (Associação dos Geógrafos Brasileiros – 1934). Portanto, o seu desenvolvimento sistemático ocorre através do surgimento dessas instituições que foram influenciadas de forma marcante por teóricos franceses no Possibilismo Geográfico. Concepção geográfica elaborada por Paul Vidal de La Blache (1845-1918), onde o autor defende que o homem é um elemento ativo do meio natural. Para La Blache (1954), o homem é capaz de reagir contra determinadas influências do meio, modificando-o e adaptando-o à suas necessidades. Dessa forma, os propósitos da escola francesa de Geografia penetram nos estabelecimentos brasileiros de ensino através da produção teórica realizada nas universidades e posta em prática pelos licenciados que, ao se apropriarem do conteúdo dos manuais didáticos elaborados pelos seus professores, reproduziam os fundamentos dessa escola. Segundo Andrade (a987) na década de 1930, surgem coleções de livros didáticos escritos por Delgado de Carvalho e Aroldo de Azevedo, que são fiéis aos princípios do Possibilismo Geográfico, adaptando-os ao ensino da Geografia no Brasil. Assim, são esses livros didáticos que guiam a produção do saber geográfico. Nesse momento, o ensino da Geografia está ancorado nos pressupostos a Geografia Tradicional cujas teses se assentam num empirismo acirrado e apresentam um conteúdo preso aos fatos empíricos isolados que impossibilita a compreensão do movimento global da sociedade. Nestes pressupostos, não há lugar para as discussões de questões sociais, pois restringem-se ao que é descritível, palpável e mensurável. Em virtude da divulgação do ideal pragmático da educação norte-americana no Brasil, ocorrem, no início dos anos 1930, as primeiras tentativas de implantação do ensino dos Estudos Sociais, que têm sua origem nos Estados Unidos por volta do século XIX e cuja expressão foi utilizada pela primeira vez em 1883 no Report of the Committee of tem of the National Education Association. Os Estudos Sociais surgem como conseqüência dos projetos feitos pelos norte- americanos que têm como objetivo implícito repassar uma concepção de sociedade harmônica e sem contradições sociais. Neste sentido, proclamam como meta a formação da cidadania para a vida numa “sociedade democrática”. Segundo Nadai (1988), os conteúdos enfocados nesses projetos enfatizam: a divulgação do conhecimento das diversas ciências humanas, a solução de problemas direcionados por uma visão pragmática e a formação da cidadania. Os Estudos Sociais desenvolve-se mais intensamente com o projeto político “New Dew” de F.D. Roosevelt (1932) que objetiva preservar e ampliar as idéias democráticas, desenvolver o espírito cívico e político dos cidadãos ajustados à sociedade, privilegiar a história nacional e os americanos ilustres considerando-os como modelos a serem seguidos para a formação do futuro cidadão. A esse respeito Nadai (1988, p.2) acrescenta: Realmente, foi no bojo do projeto político do New Dew, instituído por Franklin D. Roosevelt, democrata vencedor das eleições de 1932, que tinha por objetivo fundamental a recuperação e reforma do país, após a grande depressão que colocara em choque o capitalismo norte-americano que os Estudos Sociais ganham maior alento. A partir daí, pode-se reconhecer a existência de um projeto dominante de Estudos Sociais para as escolas norte-americanas, sem perda, entretanto, de na prática pedagógica, surgirem temas e objetivos não coincidentes aparentando divergências de natureza. Assim, o ensino de Estudos Sociais expressa uma “salada de conteúdos vazios” ao estabelecer os conhecimentos específicos de diversas ciências numa única disciplina, fragmentando-a e negando a relação natureza e sociedade como elementos fundamentais para a compreensão do saber geográfico. Este é abordado numa perspectiva linear e sem uma especificidade própria de estudo. No território brasileiro o ideário básico da proposta de ensino americano de Estudos Sociais é introduzido na escola elementar por Anísio Teixeira, refletindo assim sua articulação ideológica com os princípios da Escola Nova. De acordo com Nadai (1988, p.4): No Brasil, os Estudos Sociais aparecem, pela primeira vez, no bojo do movimento de renovação educacional que, segundo Fernando de Azevedo, caracterizou a década de 20 e início da década seguinte e foi expressão das novas condições sociais caracterizadas pela industrialização e urbanização que se intensificaram com o término da Primeira Guerra Mundial. Este movimento que se definiu por uma renovaçãometodológica e pragmática inspirou-se em traços alienígenas, sobretudo dos Estados Unidos e dos países mais desenvolvidos da Europa Ocidental. O instrumental metodológico escolanovista e o ensino dos Estudos Sociais, foram diretamente postos em ação nas escolas brasileiras, com o intuito de repassar para a maioria das crianças e jovens um ideal de “convivência harmoniosa entre os indivíduos em sociedade”. Posteriormente, em 1942, alguns ramos do ensino brasileiro são reformulados através de iniciativas tomadas pelo Ministro Gustavo Capanema (Governo Vargas), que exigia reformas integrais para a educação. Tais reformas receberam a denominação de Leis Orgânicas do Ensino. Essas reformas abrangem vários ramos de ensino sendo decretadas entre os anos de 1942 a 1946. No entanto, nem todas são realizadas no Estado Novo. É o caso da Lei Orgânica do Ensino Primário que foi instituída após a queda de Vargas e durante o Governo Provisório de José Linhares, sendo então Ministro da Educação Raul Leitão da Cunha. Desse modo, o ensino das séries iniciais da escola fundamental no Brasil (antigo primário) é oficialmente promulgado em 2 de janeiro de 1946, quando a nível nacional, o Estado passa a estabelecer pela primeira vez diretrizes para esse grau de ensino. Este encontrava-se vinculado a administração dos Estados que, por sua vez, implementavam sua própria política de educação. Segundo Romanelli (1984) a institucionalização do ensino de 1º grau a nível nacional surge no bojo da crise política causada pela queda do Estado Novo e pelo início de um período de certa “normalidade democrática”. Oficialmente, o ensino da Geografia passa a fazer parte do currículo escolar nos cursos primário elementar (4 anos de duração), primário complementar (1 ano de duração) e no primário supletivo (2 anos de duração). Os dois primeiros cursos são destinados às crianças de 7 a 12 anos e o terceiro a adolescentes e adultos que não tiveram acesso a educação formal em idade adequada. Conforme Romanelli (1984, p. 161) os princípios estabelecidos pelo “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova”1 postulavam como deveria ser realizada a atividade educativa da escola primária brasileira. Ei-los tal como foram declarados: a) desenvolver-se de modo sistemáticos e graduado, segundo os interesses da infância; b) ter como fundamento didático as atividades dos próprios discípulos; c) apoiar-se nas realidades do ambiente em que se exerça, para que sirva à sua melhor compreensão e mais proveitosa utilização; d) desenvolver o espírito de cooperação e o sentimento de solidariedade social; e) revelar as tendências e aptidões dos alunos, cooperando para o seu melhor aproveitamento no sentido do bem-estar individual e coletivo; f) inspirar-se, em todos os momentos, no sentimento de unidade nacional e fraternidade humana. Assim, o desenvolvimento do ensino da Geografia ocorre através da influência do Movimento Renovador (1932) e dos postulados da escola francesa de Geografia. Nos anos 1950 e 1960, surgem as primeiras inovações pedagógicas na rede oficial de ensino brasileiro, devido a promulgação da Lei de diretrizes e Bases nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Em tais décadas acentua-se o papel ideológico do ensino dos Estudos Sociais que prega a produção de uma sociedade harmoniosa e equilibrada, sem conflitos e antagonismos sociais, constituindo-se assim num dos mediadores para a concretização do projeto social do Estado populista e do Estado ditatorial. Segundo Nadai (1988) o golpe militar de 1964 substituiu o modelo político liderado pela burguesia industrial pela tecnoburocracia militar e civil aliada ao capital multinacional, que se torna o bloco hegemônico no poder. Daí se gestar no processo produtivo do país a institucionalização do capital monopolista e a internacionalização de sua economia. É neste contexto que nos anos 1970, ocorrem diferentes reformas dentre as quais destacam-se – a salarial, a fiscal, a agrícola, a sanitária e a educacional. 1 Documento que contém as principais teses dos educadores adeptos do Movimento Escola Nova no Brasil. Essas teses, defendem que a educação deve ser essencialmente pública e que o ensino elementar deve ser ativo, gratuito, obrigatório e centrado nos interesses da criança. Publicado em 1932 e assinado por Fernando de Azevedo (redator), Anísio Teixeira, Lourenço Filho e outros. Desse modo, institui-se no bojo do sistema educacional reformas que abrangem todos os graus de ensino: profissionalização do ensino de 2º grau, nova estruturação para o ensino de 1º grau (interação dos antigos ensinos primário e ginasial), reorganização da estrutura universitária, introdução dos cursos de licenciatura de curta duração (2 anos), e disseminação dos Estudos Sociais como parte fundamental do Núcleo comum da escola de 1º e 2º graus, válido para todas as instituições escolares do país. Os Estudos Sociais passam a ser parte integrante e obrigatória do currículo escolar, congregando numa única disciplina os conhecimentos de Geografia História e Organização Social e Política Brasileira. Em conseqüência das transformações político-econômicas ocorridas no país, o discurso da disciplina Estudos Sociais deixa de acentuar idéias acerca de uma formação social harmoniosa e passa a privilegiar princípios que pregam o preparo e o exercício consciente para a formação da cidadania. Nos anos 1980 e 190 surgem movimentos reivindicatórios que lutam pela extinção das licenciaturas curtas e plenas em Estudos Sociais elo retorno da Geografia e Historia aos currículos de 1º grau em todos os estados do país e pela redistribuição dos conteúdos e da carga horária de Organização Social e Política Brasileira e Educação Moral e Cívica entre as disciplinas de História e Geografia. No entanto, ao mesmo tempo em que as sociedades científicas (Associação dos Geógrafos Brasileiros - A.G.B, Associação Nacional dos professores Universitários de História – ANPUH, e Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC) se mobilizam na luta por um novo projeto de ensino, aparecem núcleos de resistência, formados por educadores que defendem a institucionalização dos Estudos Sociais nas universidades oficiais do Brasil. Todavia, grupos de professores de Geografia e História promovem debates e intensos movimentos de mobilização a favor do resgate da identidade dos conhecimentos geográficos e históricos. Esses grupos descartam totalmente a permanência da disciplina Estudos Sociais nos currículos escolares, elo fato dos seus conteúdos contribuírem para a formação de indivíduos dóceis, acríticos e adaptados a lógica produtiva do modo de produção capitalista. Uma conquista significativa desse movimento verifica-se quando ocorre a extinção das disciplinas Organização Social e Política Brasileira (O.S.P.B), educação Moral e Cívica (E.M.C.), e Estudos dos Problemas Brasileiros (E.P.B) através do Decreto-lei nº 8.673 de 04 de junho de 1993. No entanto, o ensino da Geografia, ainda caracteriza-se pela transmissão de conteúdos superficiais, repassados elos professores de forma descritiva com base na memorização de fatos isolados que não explicitaram a compreensão do movimento do real escamoteando as múltiplas determinações que regem os fenômenos sociais. Na atualidade, o ensino da Geografia nas escolas brasileiras norteia-se pelos Parâmetros Curriculares Nacionais, produzidos no contexto da reforma do sistema educacional da década de 1990, que se situam como ponto de referência para a elaboração do currículo das Secretarias de Educação e das Escolas. No documento específico dos conhecimentos geográficos, a organização do processo de ensino-aprendizagem encontra-se estruturada em duas partes. A primeira parte, contém um breve estudo da evolução histórica da Geografia enquanto ciência e disciplinaescolar. São ressaltadas suas características e importância social, como também, o significado do aprender e do ensinar. Essa parte discute ainda os objetivos gerais, critérios de seleção e organização dos conteúdos, ou seja, os conceitos os procedimentos e as atitudes a serem ensinadas no espaço escolar. A segunda parte, aborda de forma descritiva a metodologia de trabalho que pode ser desenvolvida nessa disciplina, evidenciando objetivos, conteúdos e critérios de avaliação para os dois primeiros ciclos do ensino fundamental. O documento ainda contempla um bloco de sugestões de organização do trabalho escolar no plano didático. Neste, são expressos os princípios e os procedimentos da Geografia como recursos a serem utilizados pelos docentes no planejamento de suas aulas e na seleção das atividades a serem propostas às crianças. Na análise reflexiva da proposta constatamos que essa organização curricular assegura avanços qualitativos no seu conteúdo e recuos na sua forma de discutir a produção do saber geográfico. A estruturação dos conteúdos é proposta numa perspectiva que apresenta a dinâmica dos fenômenos da realidade num movimento local/global e vice-versa, a partir do ensino- aprendizagem das noções geográficas - Lugar, Paisagem, Território e Espaço – como conceitos fundamentais da Geografia. No entanto, a discussão desses conceitos não evidencia como ocorre o processo de elaboração conceitual das crianças em idade escolar e nem faz referência a uma teoria do processo de formação e desenvolvimento de conceitos. O referencial teórico-metodológico que direciona as discussões acerca dos conhecimentos geográficos assenta-se nos postulados da fenomenologia e do existencialismo. Nesse sentido, a construção do saber geográfico e a formação da cidadania das crianças estão atreladas apenas aos planos das suas subjetividades, das suas experiências, dos seus sentimentos e dos simbolismos que produzem para explicar a realidade. O texto faz reflexões sobre a construção do espaço e dos diferentes tipos de paisagens e territórios a partir das percepções que os homens têm do lugar nos quais encontram inseridos. O documento critica as tendências tradicionais e renovadas da Geografia e faz uma apologia aos princípios da tendência humanística. Esta, proclama o homem como sujeito construtor do espaço geográfico, através da percepção espacial que marca os seus laços afetivos e as suas referências socioculturais, no âmbito da apreensão do espaço vivido e do espaço percebido pelos indivíduos, grupos e sociedades, numa visão subjetivista. De acordo com o referido documento, ... as percepções, as vivências e a memória dos indivíduos e dos grupos sociais são, portanto, elementos importantes na constituição do saber geográfico (PCNs – História e Geografia, 2001, p.110). Apesar de considerar esses elementos como necessários a elaboração do conhecimento geográfico, o texto não analisa as inúmeras relações que materializam a produção/reprodução do espaço geográfico. Essas evidencias acentuam a necessidade de leituras acuradas desses Parâmetros pelos professores, para que realizem reflexões críticas sobre os seus fundamentos teórico- metodológicos, vinculados aos interesses das políticas neoliberais implementadas para justificar os interesses das classes dominantes do cenário nacional e internacional, a fim de redimensionarem a prática pedagógica da Geografia Escolar. Nesse sentido, o ensino da Geografia assim configurado, caracteriza-se pela transmissão de conteúdos superficiais, descritivos isolados da natureza, sociedade, que na maioria das vezes se restringe a denúncia de acontecimentos que envolvem a relação homem/meio ambiente, sem desenvolver na criança a apreensão dos atributos e relações essenciais inerentes aos conceitos geográficos. Dessa forma, no cotidiano escolar, a criança é negada como indivíduo concreto, real/histórico e a prática dos professores limita-se a analisar a realidade espacial através de sua aparência imediata. Esse modelo de ensino, ainda privilegia experiências que priorizam o uso de informações meramente descritivas, as quais se restringem ao desenvolvimento de uma única função mental – a memória. Na educação escolar, o processo e aprendizagem de uma disciplina formal, não deve se restringir ao exercício de processos elementares. Faz-se necessário o desempenho de uma ação educativa intencional que propicie o desenvolvimento das funções psíquicas superiores dos educandos no interior das inter-relações complexas das díspares disciplinas escolares. Tais constatações apontam a necessidade de intervir, no interior do espaço escolar, para produzir rupturas significativas na forma como se processa o ensino-aprendizagem dos conhecimentos geográficos, em particular, nos dois primeiros ciclos do ensino fundamental. Em suma, o ensino da Geografia ainda encontra-se vinculado à descrição dos aspectos físicos, dados estatísticos da população e da economia de uma determinada especialidade, como elementos fixos/imóveis. Os conteúdos continuam sendo transmitidos de forma fragmentada e mecanicista, impossibilitando assim, a apreensão das múltiplas determinações que regem a realidade social na qual o educando encontra-se inserido. Na Geografia há uma relação recíproca entre o conhecimento empírico e o conhecimento teórico. No entanto, devemos ultrapassar a mera descrição dos dados perceptíveis da paisagem que nos cerca, a fim de contemplá-los para além de suas aparências, detectadas nas relações imediatas do visível. Sob esta ótica, a produção dos conhecimentos geográficos se estrutura a partir de fenômenos da natureza/sociedade, dos quais se abstrai as relações que compõem o espaço geográfico. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia, ciência da sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1987. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História e Geografia. 3 ed. Brasília, 2001. LA BLACHE, Paul Vidal de. Princípios de Geografia humana. Edições Cosmos. Lisboa. 1954. MORAES, Antônio Carlos Robert de. Geografia: pequena história crítica. 6.ed. São Paulo: Hucitec 1987. NADAI, Elza. Estudos Sociais no primeiro grau. Em Aberto. Brasília, v.7. n.37, jan./mar. 1988. P.1-16. PEREIRA, Raquel Maria Fontes do Amaral. Da Geografia que se ensina à gênese da Geografia moderna. 3.ed (ver.) Florianópolis: ed. Da UFSC, 1999. RAMANELLI, Otaíza de Oliveira. História da educação no Brasil. 6.ed. 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