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Campus Universitário Dr. Ulysses Guimarães - Rodovia Municipal Jacob Della Méa, km 5.6 – Parada Benito. CRUZ ALTA/RS - I UNICRUZ.EDU.BR VÍRUS DA LEUCEMIA FELINA WANDSCHEER, Luana¹ Palavras-chave: Vírus da leucemia felina. FeLV. Retrovírus. Felinos domésticos. 1 INTRODUÇÃO O vírus da leucemia felina (FeLV) é um retrovírus que afeta felinos, especialmente os domésticos, sendo um dos agentes infecciosos com maior importância na medicina felina. Com distribuição global, sua infecção está associada a uma ampla gama de manifestações clínicas, incluindo neoplasias, anemia, imunossupressão e doenças imunomediadas. Descoberto em 1964, o FeLV representa um desafio por ser altamente transmissível e ter impacto significativo na saúde dos felinos. O FeLV é transmitido predominantemente por saliva, mas também pode ser disseminado através de secreções corporais, como lágrimas, urina e leite, além de mordidas e contato íntimo entre gatos. Embora a transmissão horizontal seja a mais comum, pode ocorrer infecção transplacentária ou até iatrogênica. A instabilidade do vírus no ambiente reduz o risco de transmissão indireta, mas seu comportamento social e compartilhamento de utensílios, favorece a disseminação em colônias ou lares com múltiplos gatos. Devido à complexidade da sua patogênese, que envolve desde mutações no DNA do hospedeiro até alterações imunológicas, o FeLV continua sendo objeto de intensos estudos. Este trabalho revisa os principais aspectos relacionados à infecção pelo FeLV, incluindo patogênese, manifestações clínicas, diagnóstico e estratégias de controle, buscando proporcionar uma visão abrangente sobre o manejo desta enfermidade na prática veterinária. 2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A metodologia utilizada para o desenvolvimento deste trabalho baseou-se na coleta de dados provenientes de fontes bibliográficas disponíveis em meios físicos e digitais, com foco em periódicos nacionais. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES O vírus da leucemia felina (FeLV) é um retrovírus envelopado com RNA de fita simples, pertencente à subfamília Oncornavírus. Seus principais genes são o gag, que codifica proteínas como p10, p12, p15c e p27; o pol, que está relacionado à enzima transcriptase reversa; e o env, responsável pelos componentes do envelope viral, como a glicoproteína 70 e a proteína p15e. Campus Universitário Dr. Ulysses Guimarães - Rodovia Municipal Jacob Della Méa, km 5.6 – Parada Benito. CRUZ ALTA/RS - I UNICRUZ.EDU.BR Entre as proteínas do FeLV, destacam-se a p15e, presente no envelope viral; a p27, encontrada no núcleo, no sangue periférico, na saliva, nas lágrimas e no citoplasma das células infectadas, sendo usada como base para a maioria dos testes diagnósticos; e a glicoproteína 70, associada aos antígenos responsáveis pela infectividade e virulência do vírus (HARTMANN, 2006, apud ALVES et al., 2015). Este patógeno afeta principalmente gatos domésticos, embora estudos indiquem sua incidência em algumas espécies de felinos selvagens. O vírus possui quatro subtipos: A, B, C e T, sendo o subtipo A encontrado em todos os animais infectados pelo vírus; o subtipo B tem origem da integração do FeLV-A com o vírus endógeno (enFeLV) integrado no genoma do gato, esse não é transmitido de forma horizontal; O subtipo C acontece quando se tem a mutação do gene env do FeLV e o subtipo T é definido por seu tropismo por linfócitos T. Desde sua descoberta em 1964, é amplamente reconhecido como uma das principais causas de doenças infecciosas e neoplásicas em felinos, tendo distribuição mundial. A infecção pelo FeLV ocorre por meio de contato íntimo entre animais, sendo a saliva a principal fonte de transmissão, além de outras secreções corporais, como lágrimas, urina e leite. A transmissão também pode ocorrer via transplacentária ou de forma iatrogênica, através de instrumentos contaminados. O FeLV é relativamente instável no ambiente, sobrevivendo apenas por poucas horas fora do hospedeiro, sendo facilmente inativado por desinfetantes, sabão, calor e ressecção (Jericó, Neto e Kogika, 2015), mas seu comportamento social facilita a propagação, especialmente em colônias ou lares com múltiplos gatos. Após a entrada no organismo, o FeLV se replica inicialmente nos tecidos linfáticos locais, como faringe e tonsilas, antes de se disseminar para outros linfonodos, baço e medula óssea. O curso da infecção varia conforme a resposta imunológica do animal. A maioria dos gatos expostos, cerca de 70%, conseguem eliminar o vírus. Desses, 20 a 30% produzem anticorpos neutralizantes que eliminam o vírus antes que ocorra a viremia, enquanto 30 a 40% eliminam o vírus após uma viremia transitória (Jericó, Neto e Kogika, 2015). O FeLV pode resultar em quatro formas diferentes de infecção. Na infecção abortiva, a resposta imune eficaz elimina o vírus antes que ele atinja a circulação sanguínea, impedindo a viremia. Já na infecção regressiva, o FeLV persiste de forma latente no organismo, sem replicação ativa, o que impede a transmissão a outros gatos. A infecção progressiva é marcada por viremia persistente, com disseminação contínua do vírus por todo o corpo e alta carga viral, sendo esta forma frequentemente associada a doenças graves. Na infecção focal ou atípica, a replicação viral se limita a locais específicos, como glândulas mamárias ou o trato intestinal. Campus Universitário Dr. Ulysses Guimarães - Rodovia Municipal Jacob Della Méa, km 5.6 – Parada Benito. CRUZ ALTA/RS - I UNICRUZ.EDU.BR As manifestações clínicas da infecção pelo FeLV são bastante variáveis e dependem de fatores como a carga viral, o estado imunológico do gato e a presença de infecções secundárias. Muitos gatos podem permanecer assintomáticos por longos períodos, enquanto outros apresentam sinais inespecíficos como febre, perda de peso, apatia e linfadenopatia. Em casos mais graves, o FeLV pode levar ao desenvolvimento de anemia arregenerativa, linfomas, leucemias e doenças imunomediadas, como uveíte e glomerulonefrite. A imunossupressão induzida pelo vírus é um fator importante, pois predispõe os gatos a infecções secundárias oportunistas, incluindo sinusite, pneumonia e doenças gastrointestinais. O diagnóstico da infecção pelo FeLV é realizado principalmente por testes laboratoriais que detectam o antígeno viral p27 no sangue, saliva ou lágrimas, sendo o ELISA o método mais utilizado como triagem. Testes confirmatórios, como o ensaio de imunofluorescência (IFA), identificam o antígeno nas células infectadas. Para infecções latentes ou casos em que os testes de antígeno são negativos, a reação em cadeia da polimerase (PCR) pode ser usada para detectar o DNA proviral integrado ao genoma do hospedeiro. Essa abordagem diagnóstica multifacetada é crucial, pois a identificação precisa do estado da infecção permite o manejo clínico adequado. Apesar de não existir cura definitiva para o FeLV, os avanços no manejo clínico têm proporcionado uma maior qualidade de vida aos gatos infectados. São utilizados tratamentos paliativos e de suporte para mitigar os sintomas e tratar condições associadas. Por exemplo, transfusões de sangue podem ser realizadas em casos de anemia grave, e antibióticos são indicados para controlar infecções secundárias. O manejo também inclui a recomendação de evitar o uso de imunossupressores, uma vez que o vírus pode induzir a uma diminuição da resposta imunológica. Além disso, os tutores devem ser orientados a isolar os gatos positivos para evitar a transmissão e minimizar o estresse, que pode exacerbar a progressão da doença. A prevenção é a principal estratégia para o controle do FeLV. A vacinação, embora considerada opcional, é altamente recomendada, especialmente para gatos que apresentam risco de exposição ao vírus, como aqueles que têm acesso à rua ou vivem em ambientes com alta densidade populacional. Antes de vacinar um gato cujo estado infecciosoé desconhecido, principalmente se for um gato adulto jovem, é necessário realizar um teste de antigenemia. Esse teste detecta a proteína p27, componente estrutural do FeLV presente em alta quantidade no sangue de gatos infectados, especialmente na fase de viremia. Identificar a presença da p27 é fundamental, pois gatos previamente infectados podem desenvolver doenças relacionadas ao FeLV após a vacinação. Embora as vacinas disponíveis nos Estados Unidos e na Europa Campus Universitário Dr. Ulysses Guimarães - Rodovia Municipal Jacob Della Méa, km 5.6 – Parada Benito. CRUZ ALTA/RS - I UNICRUZ.EDU.BR utilizem vírus não infecciosos, no Brasil, atualmente, há apenas uma vacina disponível, produzida com vírus inativado. É importante ressaltar que a vacina contra o FeLV não oferece proteção completa contra a infecção, mas reduz significativamente o risco de desenvolvimento da forma progressiva da doença. Além disso, práticas rigorosas de higiene, como a desinfecção regular de utensílios e o descarte adequado de resíduos, ajudam a minimizar a disseminação do vírus. A testagem periódica dos animais, aliada ao isolamento de gatos infectados, tem sido eficaz na redução da prevalência do FeLV, especialmente em regiões onde campanhas educativas e de conscientização são promovidas. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O FeLV é um patógeno de grande relevância na medicina felina, sendo responsável por uma série de condições debilitantes e potencialmente fatais, especialmente para os felinos domésticos. Apesar de não haver cura, o diagnóstico precoce, combinado com intervenções terapêuticas e medidas preventivas, pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos gatos infectados e reduzir a disseminação do vírus na população felina. REFERÊNCIAS JERICÓ, Márcio Marques; NETO, João Pedro de Andrade; MORAES, Márcia Neri. Tratado de medicina interna de cães e gatos. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. SILVA, J. C. Métodos diagnósticos da leucemia viral felina. Revista Clínica Veterinária, São Paulo, v. 25, n. 151, p. 70-76, maio/jun. 2020. 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