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Experimento A7: Dinâmica de Rotação e Momento de Inércia Hiago Fernando Vagmaker Gonçalves, Hugo Dutra de Araújo Curso de Engenharia Civil, Departamento de Física, Universidade Federal do Espírito Santo, Caixa Postal 9011, Vitória, Espírito Santo, 29060-970, Brasil e-mail: hiago.goncalves@edu.ufes.br, hugo.d.araujo@ufes.edu.br Código da Disciplina: FIS09057 Resumo. O Momento de Inércia e torque são importantes assuntos da física que se relacionam com o movimento de rotação, assim, buscar entender a dinâmica e os conceitos acerca desses assuntos são de grande relevância para o domínio coeso da temática. O experimento presente nesse relatório, utilizando como ferramenta um giroscópio, visa demonstrar pragmaticamente o cálculo do Momento de Inércia, através da obtenção de alturas medidas por sensores e tempos de queda, obteve-se o resultado de (6,22±0,06)x10-3 Kg.m² para o Momento de Inércia em questão. Palavras chave: Momento de Inércia, Torque, Giroscópio. Introdução O movimento de rotação é caracterizado por possuir um eixo de rotação, que se mantém fixo durante o movimento e todos os outros pontos que rodam ao redor dele. A fim de entender o movimento em questão, o passo inicial é entender o que é momento de inércia. Pragmaticamente, o Movimento de Inércia refere-se a “rigidez a rotação” de um objeto. Quanto maior o momento de inércia, mais difícil é fazer determinado objeto girar ou parar quando já estiver girando. Para fins didáticos, o experimento utilizou-se de um giroscópio com o intuito de estudar a dinâmica de rotação e o Momento de Inércia. Assim, foi proposto o cálculo do Momento de Inércia do objeto, tendo um disco maior de raio R, uma massa m, e tambor de raio r. O disco maior fará um movimento de rotação após liberação do experimentador a partir do repouso, tendo a massa m presa na extremidade do fio enrolado no tambor. Na situação em questão, ocorrerá um torque devido à força externa aplicada, que será dada por: 𝜏 = 𝐼𝑅𝛼 = 𝐹𝑟 Visto que 𝐼𝑅 é o Momento de Inércia do disco maior e 𝛼 é a aceleração angular. Conhecendo a relação entre aceleração angular e a aceleração linear, 𝛼= 𝑎 𝑟 e considerando que o corpo de massa 𝑚 desce de uma altura 𝐻, pode-se dizer que o tempo de queda, 𝑡𝐻, é dado por: 𝑡𝐻 2 = 2𝐼𝑅+2𝑚𝑟2 𝑚𝑔𝑟² 𝐻 (Equação 01) Assim, é possível obter o tempo de queda do corpo de massa m considerando alturas diversas até que a massa alcance o solo. Procedimento Experimental Para a execução do experimento descrito nesse relatório, utilizou-se em laboratório os seguintes matérias e equipamentos. (i) Giroscópio; (ii) Massas com suportes acopláveis; (iii) Tripé; (iv) Sensores fotoelétricos; (v) Multicronômetro. (vi) Régua milimetrada; (vii) Paquímetro; (viii) Cordão. Utilizando os equipamentos citados acima, procedeu-se com o experimento. (i) Primeiramente, como o tripé previamente montado pela responsável técnica do laboratório, posicionou-se os cinco sensores fotoelétricos espaçados de 15 em 15 centímetros; (ii) Com os sensores corretamente posicionados, configurou-se o multicronômetro na função adequada; (iii) Posteriormente, posicionou-se o tripé abaixo do giroscópio de forma que a massa acoplada ao cordão, ao ser solta, passe por todos os cinco sensores; (iv) Posicionou-se a passa acoplada ao cordão à aproximadamente 1 milímetro do sensor 𝑆0; (v) Com tudo pronto, soltou-se a massa acoplada. O tempo gasto pela massa acoplada em seu trajeto passando pelos sensores foi armazenado pelo multicronômetro e posteriormente coletado. Os procedimentos descritos nos itens (i) a (v) acima foram repetidos por cinco vezes. Ao fim das repetições, pesou-se a massa acoplada (𝑚) ao giroscópio e mediu-se o raio do tambor (𝑟), do disco (𝑅) e a espessura do disco de raio R (𝑒). Resultados e Discussão Após a realização correta dos procedimentos experimentais necessários, obteve-se os resultados necessários para o cálculo do momento de inércia do disco, que é o objetivo do experimento. Os resultados da pesagem da massa acoplada (𝑚) e das medições do raio do tambor (𝑟), do disco (𝑅) e a espessura do disco de raio R (𝑒), seguem apresentados, juntamente com suas respectivas incertezas. 𝑚 = (56,88 ± 0,01) 𝑔 𝑟 = (21,90 ± 0,05) 𝑚𝑚 𝑅 = (73,60 ± 0,05) 𝑚𝑚 𝑒 = (12,30 ± 0,05) 𝑚𝑚 Apresenta-se na Tabela 1 também os tempos de passagem da massa acoplada pelos sensores fotoelétricos, armazenados pelo multicronômetro e posteriormente coletados. Tabela 1. Tempos coletados entre os sensores e cálculos de tH e tH² A coluna 𝑡𝐻 e 𝑡𝐻² representa, respectivamente, o cálculo da média de tempo de passagem da massa acoplada (𝑚) entre os sensores nas cinco repetições e esse valor médio elevado ao quadrado, bem como suas respectivas incertezas. As incertezas dos valores de 𝑡𝐻 são referentes ao desvio padrão dos valores. A partir desses dados, plota-se o gráfico 𝑡𝐻² × 𝐻, onde o eixo das abcissas 𝐻 representa as distâncias entre os sensores fotoelétricos. O gráfico segue apresentado Figura 1 Figura 1. Gráfico tH² em função da altura H A partir do gráfico apresentado na Figura 1, é possível calcular, utilizando o método dos mínimos quadrados, os coeficientes angular e linear, bem com suas respectivas incertezas. Coeficiente angular: 𝑎 = (0,46723 ± 0,19582)𝑠2/𝑐𝑚 ∴ 𝑎 = (0,47 ± 0,20) 𝑠2/𝑐𝑚 Coeficiente linear: 𝑏 = (−1,46483 ± 0,00477) ∙ 10−1 Tempo 1 (s) Tempo 2 (s) Tempo 3 (s) Tempo 4 (s) Tempo 5 (s) S0 - S1 15,00 ± 0,05 2,42545 2,34170 2,40425 2,35705 2,36690 2,38 ± 0,03 5,66 ± 0,17 S0 - S2 30,00 ± 0,05 3,56960 3,49890 3,55355 3,49285 3,51210 3,53 ± 0,03 12,43 ± 0,24 S0 - S3 45,00 ± 0,05 4,45500 4,37455 4,44665 4,37735 4,40235 4,41 ± 0,04 19,46 ± 0,33 S0 - S4 60,00 ± 0,05 5,20600 5,13085 5,19360 5,13395 5,16100 5,17 ± 0,03 26,68 ± 0,35 tH (s) tH² (s²) Distância entre os sensores (cm) 𝑏 = (−14,65 ± 0,05) ∙ 10−1 𝑠2 Os valores calculados utilizando-se o método dos mínimos quadrados são condizentes com a equação da reta apresentada pelo software Excel, utilizado para plotar o gráfico da Figura 1. Analisando a Equação 01 apresentada na Introdução, nota-se a semelhança da mesma com a equação de uma reta, como visto abaixo. 𝑦 = 𝑎𝑥 + 𝑏 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 𝑑𝑎 𝑟𝑒𝑡𝑎 ↔ 𝑡𝐻 2 = 2𝐼𝑅 + 2𝑚𝑟² 𝑚𝑔𝑟² 𝐻 𝐸𝑞𝑢𝑎çã𝑜 01 Considerando 𝑦 = 𝑡𝐻 2 e 𝑥 = 𝐻, tira-se que o coeficiente angular 𝑎, já calculado anteriormente, representa toda a equação que multiplica 𝐻 na Equação 01. Desta forma, faz-se: 𝑎 = 2𝐼𝑅 + 2𝑚𝑟² 𝑚𝑔𝑟² Sendo: 𝐼𝑅 é momento de inércia do disco; 𝑚 é a massa acoplada (g); 𝑟 é o raio do menor; 𝑔 é a gravidade (9,81 m/s²). A partir desses dados, calcula-se. 𝑎 = 2𝐼𝑅 + 2𝑚𝑟2 𝑚𝑔𝑟2 ↔ 𝐼𝑅 = 𝑎 ∙ 𝑚 ∙ 𝑔 ∙ 𝑟2 − 2 ∙ 𝑚 ∙ 𝑟2 2 ↔ 𝐼𝑅 = 0,46723 ∙ 56,88 ∙ (9,81 ∙ 100) ∙ ( 21,90 10 ) 2 − 2 ∙ 56,88 ∙ ( 21,90 10 ) 2 2 ∴ 𝐼𝑅 = 62246,99342 𝑔. 𝑐𝑚2 = 0,00622470 𝐾𝑔 ∙ 𝑚² Após o cálculo da incerteza, o resultado final do momento de inércia do giroscópio é dado por. 𝐼𝑅 = (6,22 ± 0,06) × 10−3𝐾𝑔. 𝑚² Outra maneira de calcular o momento de inércia de um disco, é utilizando a equação apresentada no roteiro. 𝐼𝑅 = 1 2 𝑀𝑅² Onde: 𝑀 é a massa do disco; 𝑅 é o seu raio. Dado o inicio do procedimento, foi fornecido aos alunos a densidade do aço que foi utilizado na confecção do disco usado no experimento. A partir da densidade e de suas dimensões, torna-se possível calcular a sua massa para utilizar na equação apresentada anteriormente. Sendo a densidade dos materiais dada pela equação a seguir, tem-se. 𝜌 = 𝑀 𝑉 ∴ 𝑀 = 𝜌 ∙ 𝑉 = 𝜌 ∙ 𝜋 ∙ 𝑅² ∙ 𝑒 Onde: 𝜌 é a densidade do material [𝜌𝑎ç𝑜 = (7,85 ± 0,01) 𝑔/𝑐𝑚³]; M é a massa do disco; V é o volumedo disco; 𝑅 é o raio do disco; 𝑒 é a espessura do disco. Substituindo a equação descrita acima na equação do momento de inércia, tem-se. 𝐼𝑅 = 1 2 𝑀𝑅2 = 1 2 ∙ 𝜌 ∙ 𝜋 ∙ 𝑅² ∙ 𝑒 ∙ 𝑅2 ∴ 𝐼𝑅 = 1 2 ∙ 7,85 ∙ 𝜋 ∙ ( 73,60 10 ) 2 ∙ ( 12,30 10 ) ∙ ( 73,60 10 ) 2 ∴ 𝐼𝑅 = 44504,7025 𝑔 ∙ 𝑐𝑚2 = 0,004450 𝐾𝑔 ∙ 𝑚² Após o cálculo da incerteza, o resultado final do momento de inércia do giroscópio é dado por. 𝐼𝑅 = (4,45 ± 0,01) × 10−3𝐾𝑔. 𝑚² Comparando-se os dois valores calculados para a inércia do giroscópio, percebe-se que a diferença é significativa. Tal fato pode ser explicados por alguns motivos. O primeiro deles são erros durante o procedimento experimental. Ao realizar as medições no disco, percebeu-se o quão difícil seria determinar o seu volume, já que o disco possuía detalhes que impossibilitavam a determinação do seu volume só sabendo seu raio e espessura. Além disso, o segundo momento de inércia calculado leva em conta somente o maior disco, visto que o cálculo de volume só leva o mesmo em conta. Sabendo que o disco maior trabalha em conjunto com o disco de menor raio, é um erro crasso considerar somente o disco de maior raio para os cálculos. Conclusão Por fim, esse experimento teve grande relevância uma vez que novamente permite aplicar conhecimentos ministrados pelo professor, como por exemplo a manipulação de números com incertezas, arredondamento e a elaboração de gráficos. Não obstante, obteve-se com êxito o Momento de Inércia requisitado no roteiro do experimento para o giroscópio e sua respectiva incerteza (6,22±0,06)x10-3 Kg.m². Ademais, verificou-se o dinamismo envolvendo o movimento de rotação possibilitando maior ampliação quanto a percepção dos alunos referente ao assunto através do empirismo recorrente da disciplina de física experimental. Referências [1] HALLIDAY, RESNICK & WALKER, Fundamentos de Física, Vol. 1, 10 a edição, LTC.