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FUNDAÇÃO EDUCACIONAL MIGUEL MOFARREJ CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES INTEGRADAS OURINHOS CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA RELATÓRIO DE CASO CLÍNICO IDENTIFICAÇÃO Caso Clínico no 397/21 Espécie: felina Ano/semestre: 2024/2 Raça: SRD Sexo: femêa Idade: 04 anos Peso: 04kg Alunas: Ariany M. Costa, Gabriela Olívia, Julia Molero, Maria Eduarda Martins, Vitoria Aparecida. Médico Veterinário responsável: Breno Fernando. ANAMNESE A paciente felina em questão, de 4 anos de idade, foi levada à consulta veterinária com queixa principal de letargia e coceira intensa, sintomas que se iniciaram há cerca de três semanas. A tutora relatou um episódio anterior de alteração alimentar, quando a gata consumiu ração Whiskas e outros alimentos, mas sem histórico de internações ou cuidados adicionais. O início dos sintomas coincidiu com o uso de alimentos comerciais variados, e a paciente apresentou uma melhora temporária após a administração de Micogyn. Apesar de manter a ingestão alimentar normal e sem alterações urinárias, a gata passou a urinar fora da caixa de areia nas últimas duas semanas e parou de realizar sua higiene pessoal. Não há histórico de vômitos, espirros, ou convulsões. A paciente foi castrada três meses antes da consulta e, desde então, não apresentou sinais neurológicos preocupantes, como "head pressing" , além de não haver relatos de fraqueza muscular ou lesões de pele. A dieta da gata é composta por ração Special Cat e Whiskas, e as vacinas e vermifugações estavam desatualizadas, com o último ciclo realizado há quatro anos. O ambiente em que vive é controlado, sem acesso à rua e com convivência pacífica com um cão. A tutora nega a necessidade de alimentação assistida, e não houve relato de outros sinais clínicos relevantes, como desconforto respiratório ou alterações gastrointestinais. EXAME CLÍNICO · Dia 0. No exame clínico, a paciente felina apresentava temperatura retal de 37,2°C, frequência cardíaca de 240 bpm e frequência respiratória de 28 mpm. A hidratação foi avaliada em 8%, com tempo de preenchimento capilar normal. O pulso arterial era regular, as mucosas estavam rosadas, e a paciente estava alerta, com estado nutricional normal e comportamento dócil. Não foram observados ectoparasitas, e a postura e movimentação eram normais. Os sistemas respiratório, circulatório, digestório, urinário, genital, músculo-esquelético e nervoso estavam dentro da normalidade, com exceção de um linfonodo submandibular reativo. Além disso, a paciente apresentava uma cavidade oral sem anormalidades e não havia sinais de desconforto respiratório, lesões na pele ou secreções visíveis. A tutora relatou histórico de letargia e coceira intensa, mas durante o exame, a condição física geral da gata não indicava alterações graves em outros sistemas. Contudo, a paciente mostrava sinais de histórico clínico compatível com a queixa principal, incluindo irritação cutânea e desconforto. EXAMES COMPLEMENTARES · Hemograma (Dia 0). · ERITROGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Hemácias 5,20 X10¹²/ L 5,0 – 10,0 Hemoglobina 8,0 g/dl 8,0 – 15,0 Volume Globular 25 % 24 – 45 VCM 48,1 fL 39 – 55 CHCM 32,0 % 31 – 35 RDW 18,7 % 17 – 22 · Não foram observadas alterações nesse seguimento. · LEUCOGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Leucócitos totais 11,4 X109 /L 5,5 – 19,5 Mielócitos 0% 0 X106 /L 0 Metamielócitos 0% 0 X106 /L 0 Bastonetes 4% 456 X106 /L 0 – 300 Segmentados 81% 9.234 X106 /L 2.500 – 12.500 Linfócitos 11% 1.254 X106 /L 1.500 – 7.000 Monócitos 2% 228 X106 /L 0 – 850 Eosínofilos 2% 228 X106 /L 0 – 1.500 Basófilos 0% 0 X106 /L Raros Outros: 0% 0 X106 /L - Citologia: basofilia citoplásmatica 40% / corpúsculo de Dohle 10%. · Foi identificada a presença de neutrófilos tóxicos em 40% das células analisadas. · OUTROS VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Plaquetas automatizadas 538 X109 /L 300 – 800 Plaquetas microscopia 26 P/ CP/ 1.000X 15 – 40 PPT 9,4 G/DL 6,0 – 8,0 Índice ictérico 100 U 2 – 5 · Foi observada morfologia plaquetária com agregação e presença de macroplaquetas, a proteína plasmática total apresentando-se acima do V.R. e o índice ictérico elevado 95x acima do V.R. Tipo de exame Teste rápido para FIV (pesquisa de anticorpos) e FeLV (pesquisa de antígenos virais) Amostra Soro Resultado FIV: não reagente. FeLV: não reagente. · Ultrassonografia Abdominal Total (Dia 0). Bexiga: repleta com conteúdo anecogênico e discreta quantidade de sedimento ecogênico suspenso, normoespessa. Baço: tamanho normal, ecogenicidade preservada com parênquima homogêneo. Rins: tamanho normal, contornos regulares e relação corticomedular preservada bilateralmente. Fígado: tamanho normal, parênquima homogêneo e ecogenicidade preservada. Notou-se distensão e tortuosidade das vias biliares comuns, além de dilatação das vias biliares intra-hepáticas. A vesícula biliar estava distendida, com espessamento significativo da parede e presença de grande quantidade de sedimento hiperecogênico, preenchendo aproximadamente 70% do lúmen. Trato gastrointestinal: estômago com conteúdo gasoso e líquido, parede normoespessa com estratificação parietal mantida. Alças intestinais sem alterações. Pâncreas e adrenais: sem alterações visíveis. Cavidade abdominal: sem líquido livre. Sinopse Geral: Os órgãos mesentéricos, incluindo baço, pâncreas e glândulas adrenais, apresentam morfologia dentro dos padrões normais. Observou-se a ausência de líquidos livres na cavidade abdominal, indicando que, apesar das anormalidades previamente descritas, não existem evidências de derrame abdominal ou linfadenopatia significativa. Impressão Diagnóstica: Alterações em sistema hepatobiliar levantam a hipótese de colangiohepatite obstrutiva. Conclusão: Recomenda-se uma correlação clínica rigorosa por meio de exame físico detalhado, anamnese minuciosa e a realização de exames complementares, como hemograma e coprológico e balizar a abordagem terapêutica adequada. A intervenção antiparasitária e o manejo das afecções biliares devem ser considerados prioritariamente. URINÁLISE – DIA (01) Tipo de amostra: urina Tipo de colheita: cistocentese Relação proteína/creatina urinária (UPC): 1,040 Quimico urinário* VALORES REFERÊNCIAS Odor Sui generis Sui generis Ph 6,0 5,0 – 6,5 Leucócitos Negativo Negativo Nitrito Negativo Negativo Protéina 1+ Negativo Glicose Normal Normal Corpos cetônicos Negativo Negativo Urobilinogênio Normal Normal Bilirrubina 3+ Negativo Sangue oculto 1+ Negativo Sedimentoscopia* VALORES REFERÊNCIAS Hemácias 2 p/ cp/ 400x 0 – 5 Leucócitos Ausentes p/ cp/ 400x 0 – 5 Célula renal Ausentes p/ cp/ 400x 0 Célula da pelve renal Ausentes p/ cp/ 400x 0 – 5 Célula de transição 3 p/ cp/ 400x 0 – 5 Célula vaginal / prepusial Ausentes p/ cp/ 400x 0 – 5 Cilindro hialino Ausentes p/ cp/ 400x Ausentes Cilindro granuloso 3 p/ cp/ 400x Ausentes Espermatozóides Ausentes Ausentes Bactérias Ausentes Ausentes Cristais Cristais de bilirrubina (3+) · A combinação de protreinúria e bilirrubinúria dos resultados sugerem que a gata pode ter uma condição subjacente, provavelmente relacionada ao fígado e/ous rins. BIOQUÍMICA SANGUÍNEA Amostra: soro Presença de icterícia Dia (0) Anticoagulante: nenhum. VALORES UNIDADES REFERÊNCIAS ALT 382 UI/ L 6 – 83 Albumina 2,43 Gd/ L 2,1 – 3,3 Creatina 2,4 mg / dl 0,8 – 1,8 Fósforo total 11,6 mg / dl 4,5 – 8,1 GGT 38,00 UI/ L 1,3 – 5,1 Glicose 100,4 mg / dl 73 – 134 Globulinas 5,57 g / dl 2,6 – 5,1 Proteína total 8,0 g / dl 5,4 – 7,8 Ureia 77 mg / dl 42,7 – 64,1 · Observações: A análise bioquímica revelaalterações hepáticas significativas, como aumento expressivo da ALT e GGT, indicativas de colangiohepatite. Além disso, há evidência de disfunção renal com níveis elevados de creatinina e fósforo, sugerindo insuficiência renal. HEMOGRAMA – DIA (01) · ERITROGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Hemácias 3,47 X10¹²/ L 5,0 – 10,0 Hemoglobina 5,9 g/dl 8,0 – 15,0 Volume Globular 17 % 24 – 45 VCM 49,0 fL 39 – 55 CHCM 34,7 % 31 – 35 RDW 18,9 % 17 – 22 · Presença de 20 metarrubrócitos em 100 leucócitos. · LEUCOGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Leucócitos totais 34,0 X109 /L 5,5 – 19,5 Mielócitos 0% 0 X106 /L 0 Metamielócitos 2% 680 X106 /L 0 Bastonetes 24,5% 8.330 X106 /L 0 – 300 Segmentados 59% 20.060 X106 /L 2.500 – 12.500 Linfócitos 10,5% 3.570 X106 /L 1.500 – 7.000 Monócitos 2,5% 850 X106 /L 0 – 850 Eosínofilos 1,5% 510 X106 /L 0 – 1.500 Basófilos 0% 0 X106 /L Raros Outros: 0% 0 X106 /L - Citologia: basofilia citoplásmatica 60% / corpúsculo de Dohle 40%. · OUTROS VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Plaquetas automatizadas 447 X109 /L 300 – 800 Plaquetas microscopia 22 P/ CP/ 1.000X 15 – 40 PPT 5,4 G/DL 6,0 – 8,0 Índice ictérico 100 U 2 – 5 · Presença de macroplaquetas. · Foi repetido a dosagen de creatina – DIA (01) 2,0 mg/dl - valor de referência 0,8 a 1,8. · Esses achados sugerem um quadro clínico complexo que pode envolver tanto uma resposta inflamatória em decorrência de uma infecção ou uma patologia crônica como as doenças hepáticas ou renais. É fundamental uma avaliação clínica detalhada e exames complementares para determinar a causa exata da leucocitose e da anemia, bem como para guiar o tratamento adequado ao estado da paciente. Em resumo, a combinação de leucocitose e anemia moderada no hemograma não apenas indica uma resposta inflamatória, mas também aponta para a possibilidade de condições subjacentes que requerem uma investigação mais aprofundada. TRATAMENTO E EVOLUÇÃO • Consulta de revisão (Dia 1 - 30/04/2021) Após a consulta inicial e os exames realizados, a paciente foi internada devido à piora clínica, incluindo letargia, desidratação e a presença de sedimento significativo na vesícula biliar. Foi iniciada fluidoterapia para reidratação e reposição de volume, visando estabilizar a condição renal e hepática, com acompanhamento constante. O tratamento medicamentoso incluiu o uso de Mercepton (ácido ursodesoxicólico) para suporte hepático e medidas para o controle dos níveis de bilirrubina. O exame físico no dia 1 ainda revelou icterícia evidente, com creatinina elevada (2,0 mg/dL) e proteína total aumentada (8,0 g/dL), indicando possível progressão de colangiohepatite e sinais de insuficiência renal leve. EXAMES COMPLEMENTARES – DIA (05) · ERITROGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Hemácias 3,12 X10¹²/ L 5,0 – 10,0 Hemoglobina 5,0 g/dl 8,0 – 15,0 Volume Globular 15 % 24 – 45 VCM 48,1 fL 39 – 55 CHCM 33,3 % 31 – 35 RDW 20,6 % 17 – 22 · Citologia apresentando sinais de regeneração. · LEUCOGRAMA VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Leucócitos totais 24,6 X109 /L 5,5 – 19,5 Mielócitos 0% 0 X106 /L 0 Metamielócitos 0% 0 X106 /L 0 Bastonetes 8% 1,968 X106 /L 0 – 300 Segmentados 84% 20,664 X106 /L 2.500 – 12.500 Linfócitos 7,5% 1,845 X106 /L 1.500 – 7.000 Monócitos 0% 0 X106 /L 0 – 850 Eosínofilos 0,5% 123 X106 /L 0 – 1.500 Basófilos 0% 0 X106 /L Raros Outros: 0% 0 X106 /L - Citologia: Corpúsculo de Dohle 10% ; Contagem diferencial em 200 células. · OUTROS VALORES UNIDADE REFERÊNCIA Plaquetas automatizadas - X109 /L 300 – 800 Plaquetas microscopia 39 P/ CP/ 1.000X 15 – 40 PPT 5,4 G/DL 6,0 – 8,0 Índice ictérico 75 U 2 – 5 · Presença de agregação plaquetária e macroplaquetas. · Bioquímica sanguínea VALORES UNIDADES REFERÊNCIAS ALT 73 UI/ L 6 – 83 Albumina 1,24 Gd/ L 2,1 – 3,3 Creatina 1,9 mg / dl 0,8 – 1,8 GGT 22,50 UI/ L 1,3 – 5,1 Glicose 70 mg / dl 73 – 134 Globulinas 3,46 g / dl 2,6 – 5,1 Proteína total 4,7 g / dl 5,4 – 7,8 Ureia 46 mg / dl 42,7 – 64,1 Exame coproparasitológico Método de Ritchie: Positivo Platynosomum spp. · Consulta de revisão (Dia 16 - 16/05/2021) A tutora relatou que a paciente não apresentou melhoras significativas desde a última consulta. A alimentação e hidratação continuaram sendo forçadas, e a paciente permanecia apática. No exame físico, observou-se desidratação de 10-12%, caquexia e mucosas ictéricas. Foram mantidos os cuidados de suporte com fluidoterapia e suplementação nutricional, embora os sinais clínicos continuassem a indicar um prognóstico reservado. Conversou-se com a tutora sobre a possibilidade de eutanásia, devido à baixa qualidade de vida e à falta de resposta ao tratamento até o momento. DISCUSSÃO Análise Hematológica: O hemograma revelou uma leucocitose significativa (34,0 x 10⁹/L), com predominância de neutrófilos imaturos (bastonetes: 8.330/µL e segmentados: 20.060/µL), o que sugere um quadro inflamatório agudo (Rosen et al., 2020; Duffy et al., 2019). Essa resposta leucocitária é consistente com uma infecção ou inflamação associada a uma patologia hepática ou renal (Kumar et al., 2021). A presença de anemia leve e a diminuição da hemoglobina (5,9 g/dL) corroboram a hipótese de um processo crônico, onde a anemia pode ter múltiplas causas, incluindo hemorragia oculta ou hemólise secundária a doenças hepáticas. Avaliação Bioquímica Os resultados da bioquímica sanguínea são preocupantes, com elevações significativas da alanina aminotransferase (ALT) e gama-glutamil transferase (GGT), indicando dano hepático e sugerindo uma colangiohepatite obstrutiva (Schiodt et al., 1998). A creatinina elevada (2,4 mg/dL) e a ureia (77 mg/dL) refletem comprometimento renal significativo, com evidência de azotemia e possível insuficiência renal (K/DOQI, 2002; Murray et al., 2013). A presença de hiperfosfatemia é comum em casos de disfunção renal, mantendo a preocupação com a integridade dos rins e sua função excretora. Adicionalmente, a urina apresentou proteína (1+) e bilirrubina (3+), o que reforça a teoria de uma condição subjacente, possivelmente relacionada ao fígado ou rins, visto que a presença de bilirrubina na urina é um indicativo clássico de hepatopatia (Holt et al., 2005). A paciente foi internada devido à deterioração clínica, sendo iniciada a fluidoterapia e a administração de Mercepton (ácido ursodesoxicólico) para suporte hepático. Embora a terapêutica tenha sido estabelecida com base em uma abordagem multidisciplinar, a evolução subsequente não apresentou melhoras significativas, levando à consideração da eutanásia em função da baixa qualidade de vida da gata e à falta de resposta ao tratamento. A discussão sobre a eutanásia em animais com prognóstico reservado revela a necessidade de uma comunicação clara entre o veterinário e o tutor, levando em conta a perspectiva de qualidade de vida e o bem-estar animal (Mason et al., 2013). A consideração ética neste processo é fundamental, especialmente em casos complexos como o apresentado, onde a terapia intensiva pode não ser suficiente para reverter o estado clínico da paciente. CONCLUSÃO Uma paciente felina de 4 anos, diagnosticada com colangiohepatite obstrutiva e insuficiência renal, apresentou um quadro clínico complexo com sinais de letargia, icterícia e alterações urinárias. Os exames laboratoriais e de imagem realizados durante o tratamento confirmaram disfunções hepáticas e renais graves. A colangiohepatite foi associada a um espessamento significativo da vesícula biliar e presença de sedimento hiperecogênico, enquanto a insuficiência renal foi evidenciada por níveis elevados de creatinina, ureia e fósforo. Esses achados, juntamente com desidratação e anemia,indicaram um quadro sistêmico avançado com comprometimento de múltiplos órgãos. Os exames hematológicos e bioquímicos mostraram leucocitose significativa com neutrofilia, sugerindo um processo inflamatório ativo, e anemia normocítica normocrômica, típica de doenças crônicas como a insuficiência renal. O aumento dos níveis de ALT e GGT fortaleceu o diagnóstico de doença hepática, enquanto a hiperfosfatemia e os altos níveis de creatinina indicaram um declínio na função renal. A urinálise revelou alterações importantes, incluindo a presença de bilirrubina, cristais e densidade urinária reduzida, compatíveis com o estágio avançado da insuficiência renal. Além disso, os testes laboratoriais resultaram em um exame positivo para Platynosomum spp., sugerindo a presença de uma infecção parasitária que poderia agravar ainda mais o estado clínico da paciente. Diante deste cenário, o prognóstico foi considerado reservado, devido ao estado avançado das patologias hepática e renal, bem como à falta de resposta significativa ao tratamento instituído. Apesar das tentativas de estabilização, incluindo fluidoterapia e uso de medicamentos para suporte hepático e renal, a paciente continuou a deteriorar-se, levando à consideração da eutanásia, assim sendo realizada no dia 48 após conversa com a tutora. Este caso ressalta a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo em pacientes com doenças crônicas, visando retardar a progressão das patologias e melhorar a resposta ao tratamento, bem como a necessidade de se considerar diagnósticos adicionais, como a infecção por Platynosomum spp., que podem impactar significativamente o estado clínico do animal. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Becker, c., w. H., & neumann, r. (2020). *clinical pathology of the cat*. Vetclinpath, 49(4), 621-635. 2. Duffy, m. T., & donnellan, s. C. (2019). *understanding leukocytosis: clinical implications and diagnostic value*. Vetclinpath, 48(3), 461-472. 3. Holt, d. E., & et al. (2005). *urinalysis in cats: what every clinician should know*. Veterinary clinics of north america: small animal practice, 35(4), 743-754. 4. Jiang, h., lin, s.-y., & zhang, y. (2021). *anemia in cats: a retrospective analysis of 436 cases*. J vet intern med, 35(6), 2267-2280. 5. Kumar, a., & et al. (2021). *the clinical significance of neutrophil morphology in feline patients*. Veterinary journal, 270, 105619. 6. Mason, r., & et al. (2013). *quality of life and euthanasia: a survey of pet owners*. Animals, 3(4), 712-726. 7. Murray, w. J., & et al. (2013). *renal morphology and function in aging cats*. Journal of veterinary internal medicine, 27(4), 1025-1032. 8. Rosen, s. T., feldman, e. C., & et al. (2020). *clinical changes in the hemogram associated with therapy for feline diabetes mellitus*. Journal of feline medicine and surgery, 22(5), 418-425. 9. Schiodt, f. V., & et al. (1998). *markers of hepatocellular function in cats with liver disease*. Veterinary record, 142(24), 631-633. image1.png