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MANEJO DE FERIDAS A cicatrização é um processo biológico onde há a restauração do tecido lesionado. E é divida em quatro fases, a inflamatória, a de debridamento, de reparo e maturação. Fase inflamatória A fase inflamatória se dá pela resposta protetora do tecido, é caracterizada pela presença de células inflamatórias e tem duração de aproximadamente 5 dias após a produção da ferida. Os 4 sinais da inflamação são calor e rubor que são responsáveis por alterações vasculares que determinam um acúmulo sanguíneo no local da lesão. O edema que se deve à exsudação dos fluídos e a dor que é produzida pela atuação de determinados mediadores sobre as terminações nervosas. Fase de Granulação Se inicia já no segundo dia após o ocorrido da lesão, e pode se prolongar até o 14º dia. Ela é responsável pela reparação de tecido conjuntivo e do epitélio (ocorre formação de tecidos de granulação com proliferação de endotélios) Fibroplastia: origina-se a partir dos fibroblastos, que constituem as células mais importantes na produção da matriz dérmica; Neovascularização: fornece metabólicos e oxigênio para nutrir o tecido de reparação; Fase de Reparo É a ultima fase da cicatrização e sua duração pode chegar a meses e é responsável pelo aumento da força de tensão pela diminuição da cicatriz. Durante a remodelagem ocorre a diminuição da atividade celular e do número dos vasos sanguíneos, além da perda de número de fibroblastos, levando à maturação cicatricial. Ao final do processo a atividade celular diminui, o tecido conjuntivo cicatricial se torna rico em colágeno, porém pobre em células e vasos, sem folículos pilosos e sem glândulas sudoríparas ou sebáceas. Fundamentos dos Tratamentos Cobrir temporariamente a ferida; Avaliar o animal traumatizado; Estabilizar sua condição; Depilar e preparar assepticamente a área ao redor do ferimento; Tratar o ferimento; Debridar o tecido morto e remover debris estranhos do ferimento; Lavar completamente a ferida; Fornecer drenagem a ferida; Promover a cicatrização ao estabilizar e proteger a ferida limpa; Realizar o fechamento adequado da ferida. Desbridamento É a parte de remoção do tecido morto da ferida, é importante o desbridamento, pois o tecido necrótico pode retardar a cicatrização. O desbridamento envolve a remoção do tecido morto ou danificado, remoção de corpos estranhos, remoção de microrganismos. O objetivo é obter margens e leito limpos e frescos no ferimento para o fechamento primário ou atrasado. A extensão do tecido desvitalizado normalmente é óbvia dentro de 48 horas após a lesão. O tecido desvitalizado é removido pela excisão cirúrgica, mecanismos autolíticos, enzimas, bandagens secas-úmidas, biocirúrgicos. Desbridamento cirúrgicos É realizado incisões cirúrgicas por camadas e pode ser realizada por dissecção aguda, eletrocirurgia ou lesar. Deve-se averiguar se os ossos, tendões, nervos e vasos estão preservados e somente depois realizar o desbridamento da musculatura, tecido subcutâneo e adiposo. Deve-se tomar cuidado para não remover uma quantidade excessiva do tecido possivelmente viável, mas também pode-se ser necessário aumentar o ferimento para avaliação da extensão da lesão e permitir o desbridamento (desbridamento cirúrgico + autolítico) Após o desbridamento cirúrgico será realizado o tratamento do ferimento aberto com curativos hidrófilos e bandagens, fornecimento de uma drenagem adequada e um leito vascular viável. E o ferimento deve ser fechado quando parecer saudável, ou quando o tecido de granulação saudável se formou. Desbridamento Autolítico É realizado por meio da criação de um ambiente úmido do ferimento, permitindo que enzimas endógenas dissolvam o tecido inviável. É altamente seletivo para o tecido desvitalizado e acentuadamente menos doloroso que os outros métodos de desbridamento, porém é lento. É preferível ao desbridamento cirúrgico ou de bandagem. As bandagens hidrófilas, que podem ser oclusivas ou semioclusivas, mas é necessário que fluido do ferimento permaneça em contato com o tecido inviável. Desbridamento Mecânico São curativos que são deixados para secar no ferimento, podem ser bandagens úmidas-secas ou secas-secas. Se aderem à superfície do ferimento puxando os detritos e assim removem as camadas superficiais do leito do ferimento quando removidos. Esses curativos são mais eficientes nas primeiras fases da cicatrização do ferimento ou no controla da infecção. No entanto o desbridamento é doloroso e não é seletivo, porque o tecido saudável ou que está cicatrizando pode ser traumatizado. Desbridamento Enzimático São utilizados como auxílio para a lavagem e o desbridamento cirúrgico do ferimento. São benéficos para os pacientes de alto risco anestésico e quando o desbridamento cirúrgico pode danificar os tecidos saudáveis. Eles decompõem o tecido necrótico e liquefazem o coagulo e a biopelícula bacteriana, não danificam os tecidos vivos. Desbridamento Biocirúrgico Terapia com larvas varejeiras, onde elas debridam o tecido à medida que as larvas excretam enzimas para o ferimento. As larvas são estéreis, criadas exclusivamente para criocirurgias, uma única larva pode consumir até 75mg de tecido necrótico por dia. Porém precisam de temperatura ideal, suprimento de oxigênio e ferimento úmido. 1) removem o tecido necrótico 2) desinfetam o ferimento 3) promovem a formação de tecido de granulação. Estimuladores de cicatrização O mel promove o desbridamento do ferimento, reduz o edema e inflamação, forma tecido de granulação e da reepitelização, melhora a nutrição do ferimento e tem efeito antibacteriano. O açúcar atraí macrófagos, acelera a descamação do tecido desvitalizado, fornece fonte de energia celular e promove a formação de um leito de granulação saudável. Limpeza de Ferida Clorexidine é uma solução antisséptica preferível para a lavagem do ferimento. Tem atividade bacteriana na presença de sangue e outros detritos orgânicos. Contém mínima toxicidade e absorção sistêmica. 1. Lavagem com clorexidine degermante; 2. Solução fisiológica (equipo, torneira de 3 vias, mandril de cateter); Bandagens Consiste em aplicar localmente varias camadas de bandagens de tecido para auxiliar na imobilização da articulação, manter um curativo e exercer compressão sobre uma parte do corpo. O grande desafio são as diferenças anatômicas de cada animal, tipo da ferida, localização, quantidade de material e tempo de permanência. Funções das bandagens: Posição do curativo; Apoiar ou imobilizar; Promover a limpeza; Proteção da ferida; Obliterar espaço morto; Preservar hemostasia; Reduzir a dor; Caracterização das secreções Manter a temperatura Auxiliar na cicatrização. Tratamento de Feridas Sem Aplicação da Bandagem Desbridamento e descontaminação Desidratação Proliferação do tecido de granulação Dificulta a cicatrização Fechamento por segunda intenção Contaminação Tipos de bandagens: Circulares; Robert Jones; Tei-over; Extremidades. Regiões de aplicação: Torácica; Abdominal; Pélvica. Bandagens Absorventes Utilizada na primeira semana de tratamento, alto volume de exsudato e transudato, e a fluido liberada é controlada ou retido. O material é hidrofílico. Bandagens Aderentes É utilizada no início do tratamento de feridas. Desbridamento mecânico não seletivo do tecido necrosado e de materiais estranhos. Material normalmente utilizado é gaze. Categoria dos curativos: Úmido a secos: utilizado na medicina veterinária, na fase inflamatória da cicatrização, gaze umedecida com solução fisiológica ou ringer lactato. Hidrata, dilui as secreções e adere. Úmido a úmido; Seco a seco, Bandagens de BaixaFlapes e retalhos Flapes de Avanço Flapes Rotacionais Flapes de padrão axial Enxertos TEcnicas cirurgicas do sistema reprodutivo Orquiectomia Pré-operatório Orquiectomia pré-escrotal aberta. Orquiectomia Escrotal Aberta Orquiectomia Fechada Pós-operatório Complicações Ovariohisterectomia Pré-operatório (1) Procedimento Abdominorrafia Pós-operatório (1) Complicações (1) Mastectomia Pré-operatório (2) Procedimento (1) Pós-operatório (2) Complicações (2) cirurgias do sistema digestório Esofagotomia Cervical Pré-operatório Técnica Pós-operatório Complicações Gastrotomia Pré-operatório (1) Técnica (1) Pós-operatório (1) Complicações (1) Enterotomia Pré-operatório (2) Técnica (2) Pós-operatório (2) Complicações (2) Enterectomia com Enteroanastomose Pré-operatório (3) Técnica (3) Pós-operatório (3) Complicações (3) Tecnicas cirurgicas de hernias Composição das Hérnias Classificação das Hérnias Tipos de tecido herniado Hérnia Umbilical Hérnia Inguinal Hernia Escrotal Hernia Femoral Hérnia Perineal celiotomia exploratória esplenectomia total/pacial Pré-operatório Espenectomia parcial Esplenectomia total Rafia abdominal Pós-operatório Complicações Cistotomia Pré-operatório Tecnica Pós-operatório Complicações principios da cirurgia recontrutiva Alívio de Tensão Flapes ou Retalho Flapes subdérmicos Flapes de avanço Flapes rotacionais Flapes de transposição Flapes de padrão axial castração de garanhão e touro CIRURGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO DE EQUINOS Esôfagotomia Celiotomia – acesso a cavidade abdominal Laparotomia pelo flanco Intussuscepção Síndrome da Dilatação Vólvulo-Gástrica Síndrome das vias aéreas braquicefalicas Enucleação Laceração Palpebral Massa Palpebral Neoplásica Entrópio e ectrópio Prolapso da glândula da terceira pálpebra (olho de cereja)Aderência Empregada em feridas com tecido de granulação e enxertos de pele saudável. Os materiais utilizados são parafina, petrolato e óleo ozonizado. Bandagens Oclusivas Uso de material impermeável, com a primeira camada de hidrocoloides e a terceira camada de fita adesiva. Eles retêm o fluido da ferida e a umidade natural do corpo prevenindo a necrose e infecção. A vantagem é que acelera a velocidade e qualidade da cicatrização. Bandagens Tie-Over É utilizada para a proteção do enxerto ou retalho e tem a função de aumentar a pressão sob a ferida, ter menor dano linfático e vascular e prolongar o tempo transoperatório. São aplicadas onde as técnicas convencionais não podem ser realizadas. Bandagens estabilizadoras Conhecidas como Robert Jones, são cilíndricas e acolchoadas. Realizam a função de suporte e imobilização, auxiliando na prevenção, redução do edema e a formação de hematomas. Outra indicação é após a exérese cirúrgica de uma neoplasma próxima a articulações e após o uso de cirurgias reconstrutoras, como os enxertos. Composição das Bandagens Camada Primária: Contato direto com o ferimento ou incisão; Curativos tópicos; Não há um curativo ideal: trocar de acordo com a progressão da cicatrização. Camada Secundária: Maior camada Volume ou espessura variável → reter fluídos; Boa capilaridade → facilitar absorção; Circunferencial. Cuidado com a pressão empregada Materiais empregados: algodão hidrofílico, gaze em rolo, fraldas descartáveis, absorventes íntimos, compressas cirúrgicas. Camada Terciária: Função de apoio e pressão Segurança e proteção Porosas x não porosas. Os princípios de aplicação da camada terciária da bandagem: o Semelhantes à acamada secundária (circunferencial) o Excessiva pressão o Pressão insuficiente Imobilização: o Hastes de suporte. CIRURGIAS RECONTRUTIVAS São indicadas para pacientes com trauma, lesões congênitas, neoplasias e estética. A técnica será escolhida de acordo com a localização do defeito, a elasticidade dos tecidos adjacentes, o suprimento sanguíneo do local, a classificação da ferida, geometria da ferida, da raça ou espécie, além do comportamento do animal. Flapes e retalhos Retalhos de tecidos que são parcialmente desinseridos do leito doador e transferidos para cobrir o defeito (leito receptor) É classificada pela localização, suprimento sanguíneo e estruturas componentes. Flapes de padrão subdérmico: Apresentam suprimento vascular fornecido pelo plexo dérmico; Pele adjacente a ferida; Capacidade limitada de cobertura; Facilidade no seu uso; Flapes mais utilizados. Suprimento sanguíneo: o Pouco confiável o Flaps com bases largas; o Relação 2:1 (comprimento: largura) Escolha do leito doador: o Linhas de tensão; o Ampla pele disponível para elevar um flap sem criar um defeito secundário de difícil síntese; o Movimentação. Flapes de Avanço Avanço da pele em direção reta ao defeito (leito doador); Únicos, bipediculados (H-plastias) e suas variações (V-Y, Z plastia); Não cria um defeito doador; Respeitando as linhas de tensão Indicações: defeitos ovalados, retangulares e quadrados. Flapes Rotacionais Flaps semicircular que irá rodar para o leito receptor adjacente; Indicação: defeitos triangulares (mais comum) Incisão semicircular partindo da base do triângulo até que se tenha pele suficiente para o fechamento do defeito (mais ou menos 4x o comprimento da margem do defeito) Flapes de padrão axial São flapes pediculados que incorporam uma artéria e veia direta na sua base; Melhor perfusão tecidual: 2x maior que flaps subdérmico Retangulares geralmente; Necessitam de planejamento. Enxertos São retalhos distantes, de áreas distintas da ferida. É utilizado em grandes perdas de pele, principalmente de extremidades. O leito receptor deve ser isento de corpo estranho, de margens epitelizadas, tecido necrótico, tecido de granulação antigo e de infecção. Deve ser aplicado em tecidos de granulação saudáveis e evitados em locais com movimentos excessivos. A cicatrização é imediata após a aplicação, mas lembre-se que o retalho irá se apresentar pálido, devido a deficiência de elementos hemáticos. Durante os próximos 3 dias ele aparecerá preto/azulado. A vascularização demora de 2 a 3 dias para iniciar. Entre o 7º e 8º dia inicia o retorno da coloração rosada, decorrente do restabelecimento circulatório normal. E a coloração normal deve retornar por volta do 14º dia. TECNICAS CIRURGICAS DO SISTEMA REPRODUTIVO Orquiectomia Indicações: controle populacional, controle de comportamentos errantes e agressivos, prevenção de doenças relacionadas aos andrógenos (prostatopatas, adenomas perianais, hérnias perineais), correção/controle de anormalidades congênitas, excisão de neoplasias testiculares, escrotais ou abscessos, excisão durante uretrostomia escrotal, controle de epilepsia, controle de anormalidades endócrinas (diabetes). Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo (FC, FR, temp., mucosa, hidratação) Exames pré-operatórios (hemograma e bioquímico) Jejum alimentar de 12 horas; Tricotomia: testículos, abdômen caudal, face medial dos membros posteriores; Decúbito dorsal; Antibioticoterapia; Antissepsia prévia; Antissepsia cirúrgica; Delimitar o campo cirúrgico com panos e compressas. Orquiectomia pré-escrotal aberta. Pressionar a bolsa escrotal e avançar o testículo para região pré-escrotal. Incisar a pele e subcutâneo na linha media da rafe sobre o testículo deslocado. Aprofunde a incisão, incise a túnica vaginal e exteriorize o testículo. Não excisar a túnica albugínea (parênquima testicular) e com leve pressão expor o testículo através da incisão. Identificar o plexo pampiniforme, ducto deferente e ligamento testicular. Com isso incise o ligamento com a tesoura, rebata a túnica vaginal, pince o plexo pampiniforme e o ducto deferente com três pinças hemostáticas e excisar o testículo por meio da secção abaixo da pinça mais distal. Faça a transfixação do pedículo abaixo da pinça mais proximal, afrouxando a pinça proximal no momento de cerrar o nó, solte a pinça restante e inspecione o cordão quanto a hemorragia e somente então seccione o fio de sutura. Rafia da túnica vaginal com mesmo fio (simples interrompido, U horizontal ou sultan). Rafia subcutânea no padrão zigue-zague e fio absorvível, e a pele no padrão simples interrompido e fio não absorvível. Orquiectomia Escrotal Aberta Indicada para felinos, ou para cães com patologia testicular. Individualize o testículo na bolsa escrotal, incise pele e subcutâneo da bolsa escrotal sobre o testículo isolado. Aprofunde a incisão até a túnica vaginal e incise a túnica vaginal parietal sobre o testículo, sem excisar a túnica albugínea, e com leve pressão expor o testículo através da incisão. Identificar o plexo pampiniforme, ducto deferente e ligamento testicular. Com isso incise o ligamento com a tesoura, rebata a túnica vaginal, pince o plexo pampiniforme e o ducto deferente com três pinças hemostáticas e excisar o testículo por meio da secção abaixo da pinça mais distal. Faça a transfixação do pedículo abaixo da pinça mais proximal, afrouxando a pinça proximal no momento de cerrar o nó, solte a pinça restante e inspecione o cordão quanto a hemorragia e somente então seccione o fio de sutura. Rafia da túnica vaginal com mesmo fio (simples interrompido, U horizontal ou sultan). Rafia subcutânea no padrão zigue-zague e fio absorvível, e a pele no padrão simples interrompido e fio não absorvível. Orquiectomia Fechada Realiza-se a exteriorização dos testículos ainda recobertos pelas túnicas, não é feita a abertura das túnicas e realiza-se a transfixaçãoe ligadura de todo o funículo em conjunto (testículo coberto e cordão espermático coberto). As vantagens da orquiectomia fecha é um procedimento mais seguro, não havendo comunicação direta com o abdômen. Porém na orquiectomia aberta há menor probabilidade de provocar hemorragias. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar protetor; Repouso; AINEs; Analgésico. Complicações Hemorragia do pedículo; Evisceração; Infecção; Deiscência da sutura. Ovariohisterectomia Indicado para controle populacional, prevenção de neoplasias (uterinas, ovarianas, vaginais e mamárias), anomalias congênitas, prevenção de piometra e metrite, prevenção de cistos, traumatismos, torção uterina, prolapso uterino, prolapso vaginal, hiperplasia vaginal, controle de anormalidades endócrinas (diabetes, epilepsia) e controle de dermatoses. Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo (FC, FR, temp., mucosa, hidratação) Exames pré-operatórios (hemograma e bioquímico) Jejum alimentar de 12 horas; Tricotomia: testículos, abdômen caudal, face medial dos membros posteriores; Decúbito dorsal; Antibioticoterapia; Antissepsia prévia; Antissepsia cirúrgica; Delimitar o campo cirúrgico com panos e compressas. Procedimento Acesso retro-umbilical, incisando a pele e subcutâneo, aprofundar até a localização da linha alba. Pinçar a região lateral à linha alba com pinças Allis e elevar a região, punço incisão na linha alba e ampliar cranialmente e caudalmente com tesoura Mayo. Realizar o afastamento da musculatura. Localizar o corno uterino esquerdo e realizar a individualização com compressas úmidas, mas cuidado para não romper o ligamento suspensor do ovário. Fazer a hemostasia prévia da artéria e veia ovariana com três pinças hemostáticas e seccionar logo abaixo da pinça mais próxima ao ovário. Fazer a transfixação do pedículo ovariano utilizando fio absorvível ou inabsorvível de tamanho apropriado. Transfixar em forma de 8 e ao cerrar o nó a pinça mais próxima deve ser solta pelo auxiliar. Verifique a necessidade de nova transfixação, romper o ligamento largo com auxílio de uma tesoura ou com os dedos para liberar o corno uterino. Realizar o mesmo processo no lado direito. Em seguida localize o corpo uterino e as artérias e veias médias, realizar hemostasia previa com 3 pinças hemostáticas acima da cérvix e excisar o útero seccionando entre as pinças mais distantes do corpo uterino. Fazer a transfixação do corpo uterino em forma de 8 e soltar a pinça mais próxima a sutura antes de cerrar o nó. Verifique a necessidade de uma nova transfixação. Em casos de piometra, antes de retirar a última pinça, realize a sutura Parker-Kerr. Pode-se omentalizar o coto. Abdominorrafia Musculatura com padrão interrompido e fio absorvível; Subcutâneo com padrão contínuo e fio absorvível; Pele com padrão interrompido e fio não absorvível. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar protetor; Repouso; AINEs Antibioticoterapia; Analgésico. Complicações Hemorragia do pedículo ovariano ou coto uterino; Ligadura do ureter; Granuloma/piometra de coto; Cio remanescentes; Incontinência urinária. Mastectomia As cadelas contêm 5 pares de cadeias mamárias, sendo dividas em duas torácicas (cranial e caudal), duas abdominais (cranial e caudal) e uma inguinal. Enquanto as gatas contêm 4 pares de cadeias mamárias, sendo divididas em duas torácicas (cranial e caudal) e duas abdominais (cranial e caudal). A irrigação sanguínea se deve pelas veias e artérias epigástricas cranial e caudal, e a drenagem linfática são realizadas pelos linfonodos axilares e inguinais. Isso é importante para o planejamento cirúrgico, acompanhamento clínico e técnicas de detecção de linfonodos sentinelas ( que é o primeiro linfonodo que recebe drenagem linfática proveniente de câncer mamário) Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo (FC, FR, temp, mucosa, hidratação) Exames pré-operatórios (hemograma, bioquímico e citologia) Jejum alimentar de 12 horas; Tricotomia: todo tórax caudal, abdômen ventral e da face medial dos membros posteriores; Decúbito dorsal; Antibioticoterapia; Antissepsia prévia; Antissepsia cirúrgica; Delimitar o campo cirúrgico com panos e compressas; Palpação das cadeias mamárias, com fim de localizar e mapear as massas; Marcar os nódulos com canetas de pele para o planejamento cirúrgico. Procedimento Incisão elíptica das mamas acometidas com no mínimo 1 cm ao redor do tumor. Incisar subcutâneo até a fáscia da parede abdominal externa. Realizar a divulção do tecido, evitando cortar o tecido mamário. Controlar hemorragias com eletrocoagulação, pinças hemostáticas e ligaduras. Use a tração sobre a pele (elevação) para facilitar a dissecção. Retire a placa de gordura inguinal e linfonodos inguinais, juntamente com a glândula mamaria inguinal. Retirar a fáscia se o tumor estiver invadido o tecido subcutâneo e musculatura. Dissecar o tecido até que os vasos sejam identificados (epigástrica superficial cranial e caudal). Isolar e ligar os vasos e em seguida remover o tecido. Lavar a ferida, inspecionar se há algum outro tecido anormal, divulsionar a pele das bordas da ferida e avançar em direção ao centro do defeito e realizar sutura móveis (Walking). O uso de drenos pode auxiliar a sucção de fluidos em espaço morto extenso. A rafia deve ser feita aproximando as extremidades com suturas subcutânea e hipodérmica e em seguida a rafia da pele. Quando há difícil aproximação da pele utilizar prega axilar e prega inguinal para a correção do defeito. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar/roupinha; Repouso; AINEs; Antibiótico; Analgésico; Bandagem compressiva. Complicações Dores; Inflamação; Hemorragia; Ceroma; Necrose/deiscência; Edema de membros; Reincidência tumoral. CIRURGIAS DO SISTEMA DIGESTÓRIO Esofagotomia Cervical Órgão tubular com função de transportar o alimento da faringe ao estomago, cranialmente é limitado pelo esfíncter esofágico cranial e caudalmente pelo esfíncter esofágico caudal. O esôfago é divido em porções cervical, torácico e abdominal e possuí 4 camadas distintas, a mucosa, submucosa, muscular e adventícia. Os sinais clinicos mais comuns para pacientes com algum problema relacionado ao esôfago são vômitos, regurgitação, disfagia, salivação, anorexia, apetite voraz, tosse, dispneia (falsa via) e emagrecimento. Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Jejum alimentar de 12 horas e 2 horas de jejum hídrico; Tricotomia de toda a região cervical ventral; Antissepsia prévia; Antibioticoterapia; Decúbito dorsal com membros torácicos posicionados caudalmente; Antissepsia cirúrgica Técnica Delimitar o campo cirúrgico com panos e compressas, em seguida incisar a pele médio-ventral cervical iniciando da faringe até a entrada do tórax. Incise o subcutâneo e faça sua retração, separe os músculos esteno-hioideos (divulsão) e identifique a traqueia. Isole a traqueia à direita e visualizar a esquerda carótida, jugular e nervo vago. Isole as estruturas adjacentes com compressas úmidas com solução fisiológica. Introduza uma sonda esofágica para melhor identificação do esôfago e assim isole o órgão. Ordenhe com os dedos ou clamps a área a ser incisada e realize uma incisão longitudinal através as camas submucosa, muscular e adventícia. Na camada mucosa realizar a punço-incisão e amplie com tesoura Metzembaum cranial e caudalmente e assim explore a luz do órgão. A síntese deve ser realizada em 2 planos, sendo o primeiro a mucosa e submucosa no pardrão Swift, com fio absorvívelmonofilamentoso preferencialmente, e o segundo plano com padrão simples interrompido do mesmo fio pegando as camadas muscular e adventícia. Lavar o campo com solução fisiológica estéril e reposicionar as estruturas anatomicamente. Sutura de Swift, é uma sutura coaptante, contaminante e basicamente usada para o esôfago. Inicia a sutura internamente pela luz o órgão e término também se da internamente ao mesmo, ficando os nós voltados para o lúmen. A musculatura esterno-hioideo deve ser feita com padrão simples contínuo e fio absorvível. O subcutâneo no padrão zigue-zague fio absorvível e a pele simples interrompido de fio não absorvível. Pós-operatório Jejum total de 12 horas; Iniciar com administração de agua; Dieta liquida durante os 3 primeiros dias; Pastosa por 7 dias; Curativo; Atibioticoterapia; AINEs e analgésicos; Repouso. Complicações Fistulação; Estenosamento; Deiscência de pontos; Infecção. Gastrotomia O estomago possuí 4 camadas distintas, a mucosa, submucosa, muscular e serosa. Os sinais clínicos mais comuns para pacientes com algum problema relacionado ao esôfago são vômitos, náusea, sialorreia, dor abdominal, desidratação, anorexia, melena, hematêmese. Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Jejum alimentar de 12 horas e 2 horas de jejum hídrico (quando possível); Tricotomia tórax ventral, todo o abdômen ventral e da face medial dos membros posteriores; Antissepsia prévia; Antibioticoterapia; Decúbito dorsal com membros torácicos posicionados caudalmente; Antissepsia cirúrgica Técnica Delimite o campo cirúrgico com duas camadas, uma de panos de campo e outra de compressas. O acesso ao abdômen se da atrves de celiotomia exploratória, com incisão pré- umbilical. Localize o estomago e inspecione externamente, exponha o estomago para a individualização, proteja a cavidade com compressas umidecidas com solução fisiológica e individualize a região hipovascularizada entre a curvatura maior e a menor. Realize dois pontos de reparo (atravessando as 3 primeiras camadas). Faça uma incisão longitudinal nas 3 primeiras camadas, entre a curvatura maior e menor, na camada mucosa realize a punço incisão e amplie cranial e caudalmente com a tesoura Metzembaum, e assim inspecione a luz do órgão. Importante troque o material (instrumental, compressas, luvas) e lave o abdômen. Realizar síntese com padrões contínuos (simples, Cushing, Lembert) em 2 planos, no primeiro suturando apenas a camada mucosa, e no segundo plano as outras 3 camadas. Se quiser pode omentalizar. Na parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. Pós-operatório Protetores gástricos/antieméticos (sucralfato e omeprazol); Curativos tópicos; Colar protetor; Jejum total de 12 horas; Iniciar com administração de água; Dieta liquida durante os 3 primeiros dias; Pastosa por 7 dias; Atibioticoterapia; AINEs e analgésicos; Repouso. Complicações Deiscência de pontos; Vômitos; Peritonite; Gastrite/úlceras gástricas. Enterotomia Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Jejum alimentar de 12 horas e 2 horas de jejum hídrico (quando possível); Tricotomia tórax ventral, todo abdômen ventral e face medial dos membros posteriores; Antissepsia prévia; Antibioticoterapia; Decúbito dorsal com membros torácicos posicionados caudalmente; Antissepsia cirúrgica. Técnica Delimitar o campo cirúrgico com panos de campo e compressas. O acesso ao abdômen dever ser feito através de celiotomia exploratória com incisão pré-retro-umbilical. Localize e individualize o segmento intestinal acometido e delimite o segmento com compressas cirúrgicas umedecidas com solução fisiológica. Desloque o conteúdo intestinal cuidadosamente do lúmen na porção a ser incisada e sem seguida ocluir o lúmen com os dedos em forma de tesoura ou pinças atraumaticas para intestinos. Incise as 3 primeiras camadas do segmento na borda anti-mesentérica, na mucosa realize a punço incisão e amplie com tesoura Metzembaum cranial e caudalmente. Importante troque o material (instrumental, compressas, luvas) e lave o abdômen. Sintese com fios absorvíveis sintéticos monofilamentosos, padrão simples separado atravessando todas as camadas e uma distância de mais ou menos 2mm, verifique se há extravasamento, pode omentalizar. Na parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar protetor; Jejum total de 12 horas; Iniciar com administração de água; Dieta liquida durante os 3 primeiros dias; Monitorar defecação Pastosa por 7 dias; Atibioticoterapia; AINEs e analgésicos; Repouso. Complicações Deiscência de pontos; Estenose intestinal; Peritonite; Aderências; Obstrução intestinal. Enterectomia com Enteroanastomose Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Jejum alimentar de 12 horas e 2 horas de jejum hídrico (quando possível); Tricotomia tórax ventral, todo abdômen ventral e face medial dos membros posteriores; Antissepsia prévia; Antibioticoterapia; Decúbito dorsal com membros torácicos posicionados caudalmente; Antissepsia cirúrgica. Técnica Delimitar o campo cirúrgico com panos de campo e compressas. O acesso ao abdômen dever ser feito através de celiotomia exploratória com incisão pré-retro-umbilical. Localize e individualize o segmento intestinal acometido e delimite o segmento com compressas cirúrgicas umedecidas com solução fisiológica. Avalie a viabilidade intestinal e determine a quantidade de intestino que será necessário a ressecção, e delicadamente retire o conteúdo intestinal da área a ser removida e sem seguida oclua o lúmen com os dedos em forma de tesoura e pinças atraumaticas para intestinos, com as pinças posicionadas em cada extremidade do segmento intestinal doente. Transeccionar o intestino pelo lado de fora da pinça com lâmina de bisturi ou tesoura Metzeenbaum, e a incisão pode ser obliqua como se a borda antimesentérica fosse mais curta do que a borda mesentérica. Aspire as extremidades intestinal, remova quaisquer debris grudas nas margens do corte e incisar a mucosa evertida com tesoura Metzembaum. Na síntese utilizaremos fios absorvíveis sintéticos e monofilamentosos, padrão simples interrompido atravessando todas as camadas com distância de 2mm cada um, os nós posicionados extraluminalmente. 1) sutura borda mesentérica; 2) borda antimesentérica; 3) bordas laterais. Sempre suturando de forma espelhada. Verificar se há extravasamento, fechar o defeito mesentérico com padrão contínuo ou interrompido simples usando fio absorvível de monofilamento 4-0. CUIDADO NÃO PENETRAR OU TRAUMATIZAR VASOS ARCADIAIS PERTO DO DEFEITO. Lavar o intestino isolado e o abdome, e enrolar o local da anastomose com omento. Na parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar protetor; Jejum total de 12 horas; Iniciar com administração de água; Dieta liquida durante os 3 primeiros dias; Monitorar defecação Pastosa por 7 dias; Atibioticoterapia; AINEs e analgésicos; Repouso. Complicações Deiscência de pontos; Estenose intestinal; Obstrução intestinal Peritonite; Aderências. TECNICAS CIRURGICAS DE HERNIAS Hernias são protrusão de um órgão ou parte dele através de um defeito na parede da cavidade, que pode ser congênito ou adquirido. Eventração: ampla abertura traumática da parede abdominal com a saída de vísceras, permanecendo recobertas pela pele, mas sem o peritônio; Evisceração: exposição das vísceras por meio de uma solução de continuidade da parede abdominal, devido a deiscência de sutura ou por uma ferida penetrante no abdome; Prolapso: saída de vísceras de sua cavidade, através de aberturas naturais, e acompanhadas de eversão. Composição das Hérnias Anel herniário é o limite anatomia do defeito da parede. Temos as hernias verdadeiras, que são aberturas normais da parede abdominal e as falsas hernias que são em outras áreas e adquiridas. Saco herniário pode estar presente ou não; Conteúdo herniado. Classificação das Hérnias Tipo de tecido herniado: redutível, irredutível (encarcerada), estrangulada; Localização anatômica: Abdominais (umbilical, inguinal, femoral e escrotal), perineais, diafragmática; Origem: adquirida e congênita. Tipos de tecido herniado Redutível: o conteúdo herniário pode ser reposto para a cavidade de origem, mediante a compressão, requerendo a intervenção cirúrgica apenas para o fechamento definitivo do anel herniário; Irredutível ou encarcerada: se formam aderências entre o conteúdo e o tecido circundante; Hérnia estrangulada: o anel herniário atua como cinta compressora, comprometendo a irrigação do conteúdo herniado. Hérnia Umbilical Tipo de hernia mais comum em cães e gatos; Massas macias circulares na região da cicatriz umbilical; Hipoplasia do musculo reto abdominal ou por incisão abdominal adquirida; Obstrução: massas firmes irredutíveis e dolorosas; Castrar animal acometido: genético; Diagnóstico diferenciais: abscessos, hematomas, seroma, neoplasia; Diagnóstico: histórico e achados no exame físico; Exames complementares pertinentes; Filhotes: pode ocorrer o fechamento espontâneo até 6 meses A cirurgia é realizada em outros procedimentos como castração; Técnica: incisar a pele, reduzir o conteúdo herinário (se for irredutível fazer incisão de relaxamento do anel) reavivar as bordas do anel, sutura com fio não absorvível. Hérnia Inguinal Anormalidade no anel inguinal Congênita (rara) Traumática ou atraumatica (adquirida), por fragilidade congênita da musculatura ou do anel inguinal; Causa desconhecida Uni ou bilateral (mais comum unilaterado do lado esquerdo); Conteudo herniado: intestino, útero e bexiga; Acomete femeas de meia idade ou machos jovens Sinais clinicos: aumento de volume em região inguinal, sem dor, macio ou flutuante, sinais sistêmicos, encarceramento ou estrangulamento; Diagnóstico diferencial: neoplasia mamaria, hematoma, lipoma, obesidade, abscesso Diagnóstico: exame físico e complementares; Tratamento o Estabilizar o paciente se necessário o Cirurgico: redução do conteúdo, castração e herniorragia. Celiotomia acima do aumento de volume. Hernia Escrotal Raras; Geralmente unilaterais; Estrangulamento comum; Causa desconhecida; Aumento da incidência em tumores testiculares; Hernia Femoral Protusão de conteúdos abdominais ou gordura pelo canal femoral; Raras em cães e gatos; Facilmente confundidas com hernia inguinal; Após trauma (geralmente) Avulsão do ligamento púbico cranial; Hérnia Perineal Protusão do conteúdo retal, pélvico ou abdominal através da musculatura da região perineal; Pode ser uni ou bilateral; Conteúdo herniado: gordura pélvica ou retroperitoneal, fluido, reto, divertículo retal, próstata, bexiga e intestino; Maior incidência entre 7 e 9 anos de idade; Cães machos intactos são mais acometidos do que fêmeas; Lado direito tem mais incidência do que o esquerdo no cão; Gatos machos é bilateral, porém rara. Incapacidade da musculatura pélvica em sustentar a parede retal; Atrofia muscular neurogênica ou senil; Alterações hormonais; Causas: o Prostatite, cistite, obstrução trato urinário; o Obstrução colo-retal; o Divertículo retal; o Saculite; o Diarreia; o Contipação. Elevador do anus, obturador interno e esfíncter anal externo (hérnica caudal); Ligamento sacrotuberoso e coccígeo (hérnia ciática); Elevador do ânus e coccígeo (hérnia dorsal); Isquiouretral, bulbocavernoso e musculo isquiocarvernoso (hérnia ventral); Sinais Clínicos: o Aumento perineal lateral ao ânus; o Fezes impactadas; o Musculo perineal afastados; o Órgão com conteúdo herniário; o Sinais sistêmicos; o Choque. Tratamento clínico: o Evitar o estrangulamento dos órgãos; o Melhorar o estado feral do paciente; o Laxantes/amolecedores fecais o Enema; o Alterações dietéticas; o Cateterizar ou centese da bexiga. Tratamento cirúrgico: o Orquiectomia; o Verificar organomegalia; o Herniorragia; Herniorrafia o Reconstrução da musculatura perineal o Não indicado para hernias ventrais o Transposição do musculo obturador interno o Colocação de membranas CELIOTOMIA EXPLORATÓRIA Incisão cirúrgica a fim de explorar a cavidade abdominal. Sinônimo de laparotomia exploratória Acesso pré-retro-umbilical, com uma incisão única incise a pele e o subcutâneo do processo xifóide ao púbis, e aprofunde até a localização da linha alba. Pince a região lateral à linha alba com pinças Allis e fazer a elevação da musculatura abdominal, realize a punço-incisão na linha alba e amplie cranial e caudalmente com tesoura Mayo e faça o afastamento da musculatura com afastador Farabeulf ou afatador auto-estático. Explore os órgãos sistematicamente: diafragma, vesícula bilizar, estomago, piloro, duodeno proximal, baço, pâncreas, veia porta, artérias hepáticas, veia cava caudal, cólon descendente, bexiga, uretra, próstata, cornos uterinos, anéis inguinais, trato intestinal, rins, adrenais, ureteres, ovários. Na rafia da parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. ESPLENECTOMIA TOTAL/PACIAL Remoção parcial ou total do baço, é indicada em casos de torção esplênica, dilatação volvo gástrica, processos neoplásicos, ruptura. Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Tricotomia tórax ventral, todo o abdômen ventral e da face medial dos membros posteriores (processo xifoide até o púbis); Decúbito dorçao; Antissepsia prévia; Atibioticoterapia profilática; Jejum alimentar de 12 horas (quando possível) Espenectomia parcial Abordagem por celiotomia, evidencie e tracione o baco delicadamente para fora da cavidade abdominal, individualize com compressas úmidas, defina a área a ser removida e faça a ligadura dos vasos espenicos que suprem o parênquima da área determinada. Faça uma leve compressão da área com os dedos e coloque clamps delimitando a área a ser removida. Suture a borda esplênica com padrão continuo e fio absorvível. Esplenectomia total Tracione o baço para fora da cavidade abdominal e individualize com pressas úmidas. Ligue e tracione todos os vasos do hilo esplênico com fio absorvível e excise o órgão. Rafia abdominal Na parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. Pós-operatório Curativos tópicos; Colar; Repouso; Antibiótico; AINEs; Histopatologia. Complicações Hemorragia; Absecedação; Pancreatite traumática e isquêmica; Fistulação gástrica isquêmica. CISTOTOMIA Abertura da bexiga para remoção de cálculos vesicais e uretrais, biopsias, reparo de ureteres ectópicos, diagnóstico de infecções do trato urinário resistentes. Pré-operatório Anamnese detalhada; Exame físico completo; Exames pré-operatórios pertinentes; Tricotomia tórax ventral, todo o abdômen ventral e da face medial dos membros posteriores (processo xifoide até o púbis); Decúbito dorçal; Antissepsia prévia; Atibioticoterapia profilática; Jejum alimentar de 12 horas (quando possível); Esvazie a bexiga com sonda ou cateterismo. Tecnica Abordagem retro-umbilical, localize a bexiga e faça a individualização com compressas. Faça as suturas de reparo (igual da gastrotomia) e faça a incisão na face ventral ou dorsal da bexiga com bisturi, em todas as camadas exceto a mucosa. Na mucosa realiza a punço incisão e amplie a incisão cranial e dorsalmente com tesoura Metzembaum, examine a muscosa quanto a defeitos e inspecione o lumém. Retire um fragmento para biópsia/cultura e verifique obstrução uretral. Importante troque o material (instrumental, compressas, luvas) e lave o abdômen. Na parede abdominal a musculatura pode ser com padrão simples interrompido e fio absorvível, o subcutâneo com padrão simples e fio absorvível e na pele padrão simples interrompido com fio inabsorvível. Pós-operatório Curativo; Repouso; Colar; Medicações; Controle da micção (sondagem); Eviar cálculos para análise. Complicações Uroabdomen; Cálculos recidivantes; Exposição intraluminal do fio; Peritonite; Hematúria PRINCIPIOS DA CIRURGIA RECONTRUTIVA Técnica empregada para o fechamento de defeitos de pele, quando a sutura sozinha não é o suficiente. São indicadas para traumas, lesões congênitas, neoplasias, estética. Deve-se levar em consideração a localização, a elasticidade dos tecidos vizinhos, o suprimento sanguíneo local, a classificação da ferida, geometria da ferida, espécie e o comportamento do animal. A tensão da pele é atribuída as fibras elásticas da derme. As linhas de tensão são influenciadas pelo movimento da região anatômica e incisões paralelas as linhas de tensão se dilatam em menor grau. Incisões obliquas geram defeitos curvilíneos. Incisões perpendiculares geram maiores tensões. A pele possui a capacidade de esticar acima de seus limites de extensibilidade quando colada sob carga/tensão constante. Possui capacidade de relaxamento após um tempo sob tensão, o que justifica o alívio de tensão na sutura após algumas horas. Porém o excesso de tensão na linha de sutura prejudica a irrigação sanguínea nas bordas da ferida, resultando em isquemia e deiscência. Alívio de Tensão Suturas subcutâneas o Reduzem a tensão, facilitam a aproximação da pele e aposição; o Fios absorvíveis. Suturas móveis (walking) o Deslocamento da pele em direção ao centro da ferida; o Redução da tensão; o Diminuição do espaço morto; o Fios absorvíveis. Flapes ou Retalho Retalhos pediculados de qualquer técnica que envolva a elevação de uma área de pele que, de alguma maneira, permanece ligada a seu leito vascular. Flapes subdérmicos O suprimento vascular fornecido pelo plexo subdérmico; Capacidade limitada de cobertura; Utilização de pele adjacente a ferida e mobilização dos tecidos adjacentes; Suprimento sanguíneo pequeno, utilizar sempre bases largas (2:1). Flapes de avanço Avanço da pele em direção reta ao defeito; Único ou bipediculados; Não cria defeito no leito doador; Respeita as linhas de tensão Indicado para defeitos ovalados, retangulares e quadrados. Flapes rotacionais Triângulos grandes; Flape semicircular que rodeia o leito doador para o leito receptor; Sem defeitos secundários; Flapes de transposição Flapes retangulares; Transposição de pele de uma área adjacente ao defeito; Comprimento do flape. Flapes de padrão axial Flapes pediculados com uma artéria e veia incorporada na base; Perfusão tecidual melhor; Necessita de planejamento. CASTRAÇÃO DE GARANHÃO E TOURO Melhor quando efetuada após 18 meses; Verificar com antecedência o estado geral do paciente; Verificar se ambos os testículos estão descendentes. A castração pode ser realizada com o equino em estação, decúbito lateral ou decúbito dorsal Técnica aberta: incisão de pele, tecido subcutâneo e túnica dartos, dissecação do tecido subcutâneo com gaze. Incisão da túnica vaginal, separação do mesórquio para individualizar o cordão vascular espermático e com o emasculador, comprimir o cordão espermático, espere alguns minutos e realize a transfixação. NÃO FECHA AS TUNICAS, DEIXA TUDO ABERTO. Técnica fechada emascula o animal e retira a bolsa escrotal junta. CIRURGIA DO APARELHO DIGESTÓRIO DE EQUINOS Esôfagotomia Incisão de 6-10 cm ventral e paralela a veia jugular. Dissecção romba, rebater a veia jugular e musculo braquiocefálico proximalmente. Incisão longitudinal do esôfago. Síntese mucosa, sutura simples continua, fio absorvível monofilamentar 2-0 Camada muscular, sutura simples interrompida, fio absorvível monofilamentar 2-0 Celiotomia – acesso a cavidade abdominal Pode ser acessada de forma mediana, paramediana, inguinal, parainguinal, paraprepucial, paraescrotal. É indicada para Síndrome cólica Cesariana Ovariectomia Ruptura de bexiga Urolitiases Persistecia de úraco Criptorquidismo. Laparotomia mediana tem melhor exposição e menores complicações Decúbito dorsal e tricotomia do púbis até a região xifoide, 30 cm lateral a linha mediana. Particularidades: utilização de campos plásticos e aventais impermeáveis e sondagem nasogástrica. Técnica: o incisão pré-umbilical (30-40cm) de pele e tecido subcutâneo. o Incisão da linha alba, de caudal para cranial o Visualização do tecido adiposo retroperitoneal e ligamento redondo do fígado, demarcando a linha mediana do peritônio. Exame sistemático o Ceco – posição ventral ao lado direito da linha mediana o Prega ceco cólica o Colón ventral direito; o Flexura esternal o Colón ventral direito; o Flexura pélvica; o Colón dorsal esquerdo; o Flexura diafragmática; o Colón dorsal direito o Colón transverso; o Colón menor o Íleo; o Jejuno o Duodeno o Forame epiplóico o Estomago o Baço o Anéis inguinais internos no macho; o Útero e ovários na fêmea Complicações: o Aderências; o Infecções incisionais; o Deiscências incisionais o Hernias incisionais; o Íleo adinâmico; o Peritonite. Laparotomia pelo flanco Laparotomia exploratória Cesarianas Torção uterina Ovariectomia Orquiectomia de criptorquidas Sedação e anestesia local Aventais impermeáveis Técnica: o Incisão de pele de 20cm na linha média entre a tuberosidade coxal e a última costa; o Visualização e incisão vertical do musculo obliquo abdominal externo; o Visualização e separação romba das fibras do músculo obliquo abdominal interno; o Visualização e incisão do musculo transverso o Tecido adiposo retroperintoneal e peritônio. Síntese o Peritônio e musculo abdominal transverso o Musculo obliquo abdominal interno o Musculo obliquo abdominal externo o Subcutâneo o Pele o Uso de dreno ou ancoragem entre os planos para redução de espaço morto. Intussuscepção Caracterizada pela invaginação de um segmento intestinal em outro, ocorrendo no sentido do peristaltismo. Podem ser múltiplas (em vários segmentos), compostas (onde uma instussuscepção serve de ninho de fixação para outra) ou recorrentes. Podem ser causadas por qualquer patologia quecause uma inflamação intestinal, como vírus, parasitas, CE, massas neoplásicas e não neoplásicas. Há relatos de ocorrência de intussuscepção pós cirurgia intestinal, quando esta causa adesão ou má formação anastomótica. Pode ocorrer tanto em região gastroesofágica, quanto em regiões gastrointestinais. Sinais clínicos de vômitos, diarreias, anorexia, letargia, hematoquezia e dores abdominais. Em casos crônicos, sinais de diarreia intratável e irregular, e hipoalbuminemia. O diagnóstico com anamnese, exame físico, raio-x e USG, sendo o USG mais sensível e específico. O tratamento cirúrgico consiste em laparotomia e redução manual, em casos crônicos e aderidos, pode ser necessário a ressecção e anastomose, a enteropexia pode ajudar a evitar recidivas. Síndrome da Dilatação Vólvulo-Gástrica 1º o estoma se enche excessivamente de gás ocasionando uma dilatação; 2º rotação do estomago sobre seu eixo mesentérico Pode acometer qualquer cão de raça grande ou gigante com tórax profundo com uma incidência de 6%. A ingestão de grande quantidade de alimento ou água, esvazio gástrico tardio e atividade pós-prandial excessiva são fatores predisponentes. Com a distensão progressiva do estomago, há o aumento da pressão intra-abdominal, que irá comprimir os vasos sanguíneos, principalmente da veia cava caudal e veia porta, causando um declínio do retorno venoso, que irá levar o paciente a um choque hipovolêmico. Pode acometer vários sistemas, como o gastrointestinal, com a perfusão diminuída pode ocasionar uma necrose isquêmica do estomago. Já no sistema hemolinfatico, há lesão esplênica, com a avulsão dos vasos gástricos curtos, pode ocorrer uma torção ou infarto do baço, onde muitas vezes o paciente pode necessitar de uma esplenectomia. E no sistema cardiovascular, a hipovolemia vai causar uma redução do debito cardíaco e arritmias cardíacas. Achados de anamnese: vomito, comportamento ansioso, distensão e dor abdominal, colapso, ptialismo, depressão. Achados de exame físico: taquicardia, taquipneia ou dispneia, pulso fraco, som timpânico na percussão abdominal, mucosas pálidas, tempo de preenchimento capilar prolongado. Diagnóstico: Hemograma: leucograma de estresse, hemoconcentração, trombocitopenia. Bioquímica: Concentração plasmática de lactato, um marcador útil para necrose gástrica e prognóstico (necrose 6,6 mmol/L; sem necrose 3,3 mmol/L) Raio-x: após estabilização, projeções lateral direita e dorsoventral. Ultrassonografia: presença de muito gás Conduta pré-operatória: acesso venoso em ambas as veias cefálicas, reposição volêmica e eletrólitos, principalmente potássio, oxigenioterapia, antibioticoterapia, descompressão gástrica com trocanterização do estomago (guiado por USG) ou entubação orogastrica,. Técnica cirúrgica: laparotomia exploratória, localizando o estomago na região epigástrica, rotacionar o estomago em seu eixo longitudinal, impondo a torção do duodeno e o piloro sobre o esôfago e o cardia. Após realizar a trocanterização intra-abdominal e realizar o reposicionamento do estomago e avaliar a necessidade de uma gastrectomia parcial em áreas de necrose. Alguns pacientes necessitam de esplenectomia se o baço for torcido. Gastrostomia para colocação de um sonda de foley, e a gastropexia para fixar o estomago e evitar recidivas. Síndrome das vias aéreas braquicefalicas 3 principais alterações: Estenose de narina: rinoplastia Prolongamento de palato: estafilectomia Hipoplasia de traqueia Rinotomia: se trata da abertura da cavidade nasal para o tratamento de neoplasias intranasais. 3 tipos de abordagem: Ventral: exploração da região dos turbinados etimoidais Lateral: lesões de face rostral da cavidade nasal Dorsal: exploração da região dorsal, incluindo septo nasal e conchas nasais Traqueostomia: Indicações: situações que comprometem a vida do paciente, como disfunção de laringe, massa em trato respiratório superior, colapso proximal da traqueia. Temporária: realizado uma incisão entre os anéis traqueais e colocação de um tubo endotraqueal, realizado em urgências quando há obstrução temporária das vias aéreas. Permanente: secção de um segmento da traqueia, com utilização de tubos específicos, o grande problema são as infecções recorrentes e o manejo e manipulação são difíceis. Lobectomia pulmonar: Parcial: remoção de lesões focais, localizadas na metado ou nos dois terços periféricos do lobo pulmonar, e para coleta de amostras. Total: em casos de enfisema pulmonar, ruptura traumática, nódulos, torção pulmonar, infecções. Ruptura diafragmática É uma emergência clínica, podendo ser congênita ou traumática. Achados de anamnese: intolerância ao exercício, dor, vomito e diarreia, colapso respiratório, choque. Achados de exame físico: dispneia, taquipneia, abafamento dos sons cardíacos, abdômen vazio. Raio-x e USG torácicos: silhueta diafragmática não distinta, efusão pleural, deslocamento dorsal de pulmão, presença de alças intestinais com gases, não evidência da silhueta cardíaca. Tratamento: estabilização do paciente, o procedimento consiste em acesso abdominal e redução do conteúdo herniado, síntese das bordas (lembrar de avaliar eficácia da sutura) e reestabelecer pressão negativa. Hernia peritônio-pericárdica: forma congênita mais comum em cães, consiste em uma comunicação entre o saco pericárdico e o abdômen, normalmente é diagnóstico quando o animal é adulto, uma vez que eles se adaptam bem a essa condição. Enucleação A enucleação é a remoção do olho e dos tecidos produtores de lágrimas a seu redor (glândulas lacrimais e da terceira pálpebra, fórnix conjuntival e margens palpebrais com glândulas acinotarsais). Além do glaucoma terminal, a enucleação também pode ser realizada em casos com lesão não passível de reparo na córnea ou no interior do olho, neoplasia, proptose grave e uveíte crônica que causa cegueira. Os proprietários podem resistir a esta cirurgia mesmo que possa melhorar a qualidade de vida do animal. As técnicas transconjuntival, transpalpebral e de enucleação lateral são as mais utilizadas. Em todas elas, a tração excessiva no globo e no nervo óptico deve ser evitada (principalmente em gatos) porque o estiramento do nervo e do quiasma óptico pode cegar o olho remanescente. O globo não deve ser incisado ou drenado devido ao risco de disseminação local da doença e formação de artefatos em tecidos submetidos à histopatologia. A avaliação histopatológica do globo e de qualquer outro tecido de interesse removido deve sempre ser realizada. Enucleação Transconjuntival A técnica de enucleação transconjuntival é comumente utilizada. As vantagens dessa abordagem são a menor perda de tecido da órbita (redução orbitária pós-operatória) e o menor sangramento intraoperatório. No entanto, esta técnica não é preferida em olhos com úlceras ou perfurações de córnea infectadas. O sítio cirúrgico estéril é exposto a uma superfície ocular contaminada, permitindo a possível disseminação de agentes infecciosos para a órbita. Esta situação é agravada pela ruptura da córnea, já que a pressão intraoperatória no globo ocular pode expulsar o material infectado do olho. Nestes casos, a enucleação transpalpebral é uma escolha melhor, especialmente em cães. Enucleação Transpalpebral Na técnica de enucleação transpalpebral, a dissecção é um pouco mais externa ao globo. A principal vantagem desta técnica em comparação aos outros métodos de enucleação é o confinamento superior da superfície ocular do sítio cirúrgico; isto é muito importante em caso de infecção ou neoplasia na superfície do olho. As desvantagens são o aumento do sangramento e da tração no nervo óptico, uma preocupação em todos os gatos e em cães com órbitas profundas. Enucleação Lateral As vantagens da abordagem lateral são a melhor visualização dos tecidos retrobulbaresantes da remoção do globo, principalmente em indivíduos com órbitas profundas, o melhor confinamento da superfície ocular no sítio cirúrgico estéril e a maior retenção de tecido orbital em comparação à técnica transpalpebral. As desvantagens em comparação à técnica transconjunctival são a maior perda de tecido da órbita e o possível aumento das hemorragias (já que a maior parte da dissecção é mais superficial em relação ao espaço subtenoniano). Exenteração Remoção extensa de todo tecido envolta a orbita ocular até chegar ao osso, é necessário uma cirurgia reconstrutiva para fechamento, e é utilizada em casos de neoplasias ou infecções extremamente extensas. Complicações Como qualquer cirurgia de tecido mole, as enucleações podem ter complicações, como infecção e deiscência de incisão. Uma complicação mais significativa é a secreção crônica, flutuação ou edema da órbita após a cirurgia. Em caso de aumento intermitente da quantidade de ar ou fluido na órbita, existe algum caminho para esta estrutura que pode ser uma via de entrada da infecção. A persistência de qualquer tecido produtor de fluido (glândula lacrimal, glândula da terceira pálpebra, tecido do fórnix conjuntival ou glândulas acinotarsais) faz com que haja líquido na órbita, o que pode causar infecção orbital. Se o sítio de enucleação apresentar drenagem crônica, formação de cistos orbitais ou acúmulo intermitente de ar ou fluido, deve ser submetido a uma nova cirurgia para remoção de quaisquer tecidos produtores de fluido, cistos, tecidos dos cantos mediais/laterais e/ou das aberturas do ducto nasolacrimal. Laceração Palpebral São resultados de traumas como mordeduras ou contato com objetos pontiagudos, exigindo reparo imediato para proteger a córnea e preservar a função de piscar. A cicatrização por segunda intenção pode levar à fibrose e distorção palpebral, causando cicatrizes na córnea, dor e exposição. A aposição direta é indicada quando a laceração envolve um terço ou menos da margem palpebral. Lesões extensas requerem retalhos de avanço ou enxertos, priorizando a preservação da margem palpebral para manter sua função. Mesmo retalhos estreitos devem ser substituídos se viáveis, evitando a excisão. Reconstrução da margem palpebral pode ser necessária em perdas superiores a um terço da estrutura. Na técnica cirúrgica, após a tricotomia, irrigue e limpe delicadamente a laceração palpebral com iodopovidona a 5%. Identifique a margem palpebral, aberturas das glândulas acinotarsais e conjuntiva palpebral. Em casos de lacerações mais antigas, desbride as bordas para revitalizá-las. Alinhe e feche a margem palpebral, usando suturas ao longo da abertura das glândulas acinotarsais. Utilize poliglactina 910 5-0 ou 4-0 em padrão cruzado simples ou oito modificado. Suture a pele em espessura parcial, a 3-5mm de distância, direcionando pontos e extremidades para longe da córnea. Ao final, evite suturas visíveis no interior da pálpebra para permitir a cicatrização conjuntival natural. A tarsorrafia temporária completa pode ser recomendada para proteger a córnea após o reparo de lesões palpebrais extensas, quando a função palpebral e o reflexo de piscar estão comprometidos. A sutura deve ser avaliada novamente com o paciente acordado e em intervalos regulares pós-cirúrgicos para garantir que não haja contato com a córnea. Complicações cirúrgicas incluem necrose do tecido palpebral e possibilidade de doença da córnea em casos de má conformação palpebral. Suturas podem ser removidas após 14 dias. O prognóstico a longo prazo é excelente em lacerações reparadas imediatamente com boa restauração da margem palpebral e mínimo dano tecidual. Em lacerações crônicas ou extensas, o prognóstico pode ser reservado a bom. Massa Palpebral Neoplásica As massas palpebrais, mesmo benignas, podem causar trauma contínuo na córnea, exigindo remoção cirúrgica. Elas têm o potencial de provocar desconforto, interferir na função palpebral e desencadear ceratite. Em casos crônicos, especialmente se o crescimento for lento ou as massas forem pequenas, a urgência pode ser menor. Em cães, as neoplasias palpebrais, frequentemente associadas às glândulas acinotarsais, são em sua maioria benignas (70% a 80%), destacando-se adenomas e epiteliomas sebáceos como os mais comuns, podendo crescer rapidamente. Tumores malignos, como carcinoma espinocelular, adenocarcinoma sebáceo, carcinoma basocelular e fibrossarcoma, são menos frequentes. Aproximadamente 60% dos melanomas palpebrais em cães são benignos, enquanto 40% são malignos. Em gatos, as neoplasias palpebrais tendem a ser malignas, sendo os carcinomas espinocelulares os mais comuns (cerca de 60%). Outras neoplasias incluem fibrossarcoma, adenocarcinoma, carcinoma basocelular, melanoma e hemangiossarcoma. Remoção da Massa Primária e Fechamento: A remoção completa de massas palpebrais geralmente requer excisões palpebrais de espessura total. Estabilize a pálpebra com uma placa palpebral, pinça de calázio ou abaixador de língua estéril. Realize uma incisão em V ou em formato de casa ao redor da massa, mantendo 1 a 2 mm de margem visível. Seccione a conjuntiva para remover completamente a massa, controlando a hemorragia. Feche a margem palpebral e a pele com suturas cruzadas modificadas em oito ou pontos simples separados de poliglactina 910 5-0, garantindo alinhamento perfeito. Evite suturas visíveis no interior da pálpebra. Para massas conjuntivais pequenas, utilize anestésico tópico. Massas mais extensas requerem anestesia geral. Exponha e excise massas conjuntivais por eversão da pálpebra, deixando o defeito cicatrizar por segunda intenção. Massas que afetam mais de um terço da margem palpebral necessitam de retalhos de avanço ou encaminhamento para oftalmologista veterinário. Se o encaminhamento não for possível, considere H-plastia com avanço de pele ou enxerto semicircular para reconstrução da pálpebra após remoção de mais de um terço. Retalho Pediculado de Avanço em H-plastia: O retalho de avanço em H-plastia é indicado exclusivamente para a pálpebra inferior, especialmente em massas afastadas dos cantos. Após a ressecção da massa com incisões perpendiculares à margem palpebral, crie um retalho de avanço pedicular único, estendendo essas incisões para longe da margem palpebral. O comprimento do retalho deve ser 1 a 2 mm maior que o defeito resultante. Excise pequenas secções triangulares de pele nas extremidades da incisão distal. Avance o retalho para a margem palpebral, alinhando-o cuidadosamente e suturando-o com poliglactina 910 5-0 em padrão de oito na margem palpebral. Suture o restante do enxerto cutâneo na pele adjacente com poliglactina 910 absorvível 4-0 a 5-0. Remova a derme pilosa externa da borda distal do enxerto para criar uma área glabra próxima à córnea. Este procedimento é mais adequado para a pálpebra inferior e em casos de massas afastadas dos cantos. Retalho Semicircular: Uma incisão semicircular no canto lateral é apropriada para avançar a pele em defeitos nas pálpebras superior ou inferior, sendo mais adequada para lesões extensas e localizadas lateralmente. Após a excisão da massa palpebral, faça uma incisão semicircular na pele seguindo a curvatura da pálpebra lateral, com o dobro do comprimento da área excisada, centrando o ponto máximo/mínimo na incisão. Remova uma área triangular de pele na incisão lateral para evitar a formação de uma "orelha de cão". Deslize o enxerto de pele medialmente para o defeito palpebral, alinhando a margem palpebral com o enxerto usando sutura cruzada modificada em oito. Alinhe o ponto máximo/mínimo do enxerto ao canto lateral com outra sutura cruzada modificada em oito. Feche a pele com pontos simples separados (poliglactina 910 absorvível 4-0 a 5-0). Na margem lateral do enxerto, remova uma estreita faixa de 2 a 3 mm da derme pilosa superficial para criar uma margem cutâneaglabra, visando reduzir a triquíase. Este método é mais indicado para lesões extensas e laterais nas pálpebras. Após procedimentos palpebrais, o edema é comum e deve resolver-se em 2 a 4 semanas. Inicie com compressas frias e, posteriormente, quentes para reduzir o inchaço e promover a circulação após reconstruções ou enxertos extensos. Reavalie o reparo após 2 a 4 semanas, removendo as suturas quando a pele estiver cicatrizada, geralmente após 14 dias. Recomenda-se o uso de um colar elizabetano por 2 a 3 dias após a remoção das suturas para evitar coçar. Deiscência pós-reparo pode ocorrer devido à tensão excessiva ou infecção. Recidiva tumoral é possível se as margens cirúrgicas ainda contiverem células neoplásicas. Triquíase é comum em cirurgias sem manutenção ou recriação da margem palpebral, causando desconforto e complicações como ulceração da córnea. O prognóstico depende do tipo e comportamento biológico do tumor, bem como das margens alcançadas. Entrópio e ectrópio O entrópio e o ectrópio geralmente têm origens hereditárias ou podem resultar de uma cicatrização inadequada após uma laceração palpebral. O entrópio primário é mais comum em cães adultos jovens de raças predispostas e pode se agravar ao longo do tempo, manifestando-se tardiamente. Em algumas raças, como Buldogue inglês e Cocker spaniel, o comprimento excessivo da pálpebra pode causar tanto entrópio quanto ectrópio na mesma pálpebra. Em gatos, o entrópio pode estar associado à conjuntivite crônica, perda de peso, úlcera de córnea e idade, frequentemente causada por herpesvírus felino 1, clamídia e micoplasma. O entrópio crônico em gatos pode resultar na formação de sequestro de córnea. O ectrópio grave pode levar à exposição excessiva e doença da córnea. O procedimento de Hotz-Celsus, com várias adaptações, permite a correção cirúrgica definitiva do entrópio. Em casos graves, especialmente com fissura macropalpebral ou distiquíase, é recomendável encaminhar o animal para um oftalmologista veterinário. Começando 3 a 5 mm da margem palpebral, calcula-se o tamanho da pele em forma de crescente a ser removida, pregueando-a com uma pinça curva. Uma placa Jaeger ou abaixador de língua é utilizada para estabilizar a pálpebra. A incisão é realizada em espessura parcial e paralelamente à margem palpebral, a 3 a 5 mm da mesma. Uma segunda incisão em formato de crescente é feita no outro lado da pele pregueada, removendo uma tira de tecido. O músculo orbicular pode ser removido para uma correção mais segura do entrópio. A hemorragia é controlada com pressão direta, sem incisão na conjuntiva palpebral. Os pontos são aplicados para justapor a pele e a incisão é estendida em torno do canto lateral do olho, combinada às excisões das pálpebras superior e inferior. A ressecção em forma de U e orientação horizontal no canto lateral do olho é realizada com uma incisão elíptica a 3 a 5 mm da margem palpebral. O procedimento é concluído com a aplicação de pontos apropriados. Complicações do procedimento incluem correção insuficiente ou excessiva do entrópio ou ectrópio. Incisões muito distantes da margem palpebral podem não corrigir efetivamente o entrópio, enquanto aquelas muito próximas podem resultar em correção excessiva. Desalinhamento das margens palpebrais pode levar ao agravamento do entrópio da pálpebra superior após a correção do inferior, especialmente em raças gravemente afetadas. Pontas de sutura longas ou suturas na espessura total da pálpebra podem causar contato com a córnea e resultar em úlcera. A correção em casos graves, como em Shar-peis, deve ser realizada por um oftalmologista experiente. Infecção e deiscência da incisão por autotraumatismo são complicações tratáveis de maneira conservadora ou cirúrgica. A cirurgia palpebral pode alterar a aparência facial. O prognóstico é geralmente bom para conforto e visão se a correção cirúrgica resolver adequadamente o problema. Prolapso da glândula da terceira pálpebra (olho de cereja) O prolapso e a protrusão da glândula da terceira pálpebra são provavelmente causados por lassidão dos anexos entre a terceira glândula e a periórbita. O prolapso da glândula da terceira pálpebra geralmente ocorre nos primeiros anos de vida como uma doença primária com fatores genéticos de risco. Traumas também podem causar um prolapso da glândula da terceira pálpebra. Fatores contribuintes incomuns podem ser adenite primária ou secundária, anomalias nos anexos fasciais relacionadas com raça, ou patógenos específicos que acometem as glândulas. A doença geralmente não é causada por inflamação primária, neoplasia ou hiperplasia. A ocorrência de KCS após a protrusão (algumas vezes, anos depois) sugere acometimento concomitante da glândula lacrimal e da glândula da terceira pálpebra. A glândula hipertrofiada e saliente, que se estende além da borda anterior da terceira pálpebra, pode ficar escoriada e seca, o que causa inflamação secundária e aumento de volume. A protrusão pode ser unilateral, mas tende a ser bilateral. O exame histológico revela a adenite. O reposicionamento, não a remoção, da glândula prolapsada é o padrão terapêutico e é recomendado para reduzir a incidência posterior de KCS. Os objetivos do tratamento cirúrgico são a recolocação da glândula saliente em sua posição anatômica normal na terceira pálpebra bulbar com manutenção da mobilidade desta estrutura e preservação do tecido glandular e dos ductos excretores. As técnicas descritas incluem a criação de um envelope ou bolso na conjuntiva adjacente e a sua cobertura, com ou sem escarificação da superfície da glândula. Além dos procedimentos de bolso, a ancoragem da terceira pálpebra à base de sua cartilagem,8 músculos extraoculares,9 esclera, fáscia periorbital ou borda óssea periorbital10 foi descrita. Os procedimentos de ancoragem interferem com a mobilidade da terceira pálpebra, enquanto os procedimentos de bolso podem danificar os ductos excretores. Os procedimentos combinados de bolso e pregueamento podem ser mais bem-sucedidos em protrusões maiores e mais crônicas do que os procedimentos de bolso sozinhos. Os procedimentos de bolso sem pregueamento podem ser mais eficazes em animais jovens e naqueles com protrusões brandas. Use um colar elizabetano rígido que se estenda um pouco além do focinho quando a cabeça e o pescoço estiverem estendidos, como já discutido. Administre um antibiótico tópico (p. ex., neomicina, polimixina, bacitracina) quatro vezes ao dia até a cicatrização da conjuntiva, em 10 a 14 dias. Evite o uso de corticosteroides tópicos por várias semanas após a cirurgia, porque influenciam negativamente a cicatrização. As glândulas inchadas podem levar várias semanas para retornar ao tamanho normal. As complicações são a exposição da sutura à superfície da córnea, causando ulceração, e deiscência da incisão ou formação de orifícios no bolso conjuntival, o que permite o prolapso repetido da glândula da terceira pálpebra. O prognóstico da recolocação da glândula com o procedimento de bolso pode ser bom. A deformação da margem da terceira pálpebra e o espessamento tecidual visível na base da glândula podem ocorrer após a cirurgia, especialmente se a glândula for muito grande. O desenvolvimento de KCS é muito mais provável em caso de remoção parcial ou completa da glândula. A recidiva pode exigir outra cirurgia para tentativa de reposicionamento da glândula. MANEJO DE FERIDAS Fase inflamatória Fase de Granulação Fase de Reparo Fundamentos dos Tratamentos Desbridamento Desbridamento cirúrgicos Desbridamento Autolítico Desbridamento Mecânico Desbridamento Enzimático Desbridamento Biocirúrgico Estimuladores de cicatrização Limpeza de Ferida Bandagens Bandagens Absorventes Bandagens Aderentes Bandagens de Baixa Aderência Bandagens Oclusivas Bandagens Tie-Over Bandagens estabilizadoras Composição das Bandagens Cirurgias recontrutivas