Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

INTRODUÇÃO: texto fala a respeito da importância do livro "Sobrados e Mucambos" de Gilberto Freyre na historiografia brasileira. Destaca-se que o livro de Freyre realiza uma análise sobre a vida privada no Brasil e a sociedade do Império, considerando aspectos como a urbanização da família patriarcal rural. Além do mais, também discute a união entre os estudos de "vida privada" e "vida cotidiana" na história brasileira, com a tese de que ambos estabelecem uma relação de interdependência. Além disso, fala sobre o estudo de maneira regionalizada, dando atenção para as diferentes regiões do Império. Por fim, ressalta o uso de imagens e fotografias da época para criar uma compreensão mais próxima do passado brasileiro.
 BUROCRACIA DE ARRIBAÇÃO: Nesse trecho, o autor fala sobre a migração e a expansão da populacional na cidade do Rio de Janeiro durante o período em que a corte portuguesa se transferiu para o Brasil no início do século XIX. Neste viés, a transferência da corte não trouxe apenas a família real, mas também uma grande quantidade de funcionários públicos portugueses, totalizando cerca de 15 mil pessoas. Dessa forma, houve um aumento populacional significativo na região urbana da cidade, que passou de 43 mil para 79 mil habitantes entre 1799 e 1821. Além do mais, não vieram apenas portugueses, mas também administradores e colonos de outras partes do Império português, como Angola e Moçambique, também migraram para o Rio de Janeiro. Assim, a instabilidade política em Portugal manteve parte dos interesses lusitanos no Brasil. Além disso, alguns setores da monarquia espanhola fugiram dos países sul-americanos que estavam passando por revoluções republicanas e se refugiaram no Rio de Janeiro, que era o único local com um governo monárquico legítimo no Novo Mundo. Dessa forma, a chegada dessas pessoas gerou uma demanda por moradias, serviços e bens na cidade, atraindo também mercadorias e moradores locais, principalmente de Minas Gerais. Além disso, o Rio de Janeiro se tornou um importante centro de desembarque de africanos escravizados, com a baía de Guanabara se tornando o maior terminal negreiro da América. Como resultado, a população escravizada na cidade também aumentou, passando de 35% para 46% entre 1799 e 1821.
A RUPTURA DO CIRCUITO DE COMÉRCIO CONTINENTAL: Neste Trecho, fala-se sobre as principais mudanças geradas pela corte portuguesa no Brasil. Em primeira análise, Alencastro fala da importância do mercado do ouro nas regiões de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso no século XVIII, que abastecia toda a América Portuguesa atividade econômica essa, que criou uma grande rede de comunicações terrestres e fluviais e impulsionou o comércio continental. Entretanto, a produção de ouro começou a declinar a partir dos anos 1770, mas o crescimento da agricultura de exportação manteve as atividades costeiras e o comércio marítimo em alta. Devido a esse acontecimento, houve uma quebra no circuito de comércio continental, com algumas áreas de Minas Gerais voltando-se para a agricultura e fornecendo alimentos para o Rio de Janeiro, enquanto São Paulo, o Sul, o Norte e o Nordeste se desconectavam gradualmente do centro mineiro. Outro aspecto trabalhado é que a Independência do Brasil trouxe consigo a autonomia política para um território que havia sido afetado pela mudança no comércio, fazendo as câmaras municipais e os juizados municipais desempenharam um papel importante na defesa dos interesses locais contra as novas diretrizes do comércio brasileiro o que culminou em confrontos institucionais e em algumas revoluções regenciais. Ademais, O autor também destaca que por trás desses conflitos estava um debate central na história política das nações do Novo Mundo, semelhante à disputa entre Hamilton e Jefferson após a Revolução Americana, debate esse que envolvia questões sobre o alcance do poder das autoridades locais eleitas pelos proprietários rurais em comparação com o governo central. Além disso, havia diferentes concepções da liberdade individual e do pacto político no contexto do Estado constitucional moderno, especialmente em países americanos como os Estados Unidos e o Brasil, onde o sistema escravista coexistia com ideais liberais predominantes na Europa Ocidental.
O PRIVILÉGIO PRIVADO: Nessa parte, Luís destaca como a palavra "privilégio" (privilegium) evoluiu do latim e do direito romano para se relacionar com a escravidão no Brasil durante o Império. Assim, o direito de possuir escravos se tornou um "privilégio" que afetava a vida privada, confundindo-a com a vida familiar. Vale enfatiza que o direito desempenhou um papel fundamental na manutenção do sistema escravista e que a regulamentação legal era crucial para sua continuidade como ocorre quando a escravidão foi revogada abruptamente em 1888, destacando a importância do enquadramento legal. Por fim, conclui-se que o escravismo não era apenas uma herança colonial, mas também um compromisso para o futuro, já que o Império brasileiro reconstruiu a escravidão dentro de um quadro legal moderno após a independência.
A PRIVACIDADE E O PODER MUNICIPAL E PROVINCIAL: Aqui, fala-se como o Primeiro Reinado, pós a Independência do Brasil, buscou a limitar a autonomia das câmaras municipais, restringindo sua função a questões econômicas locais e proibindo a debates sobre temas políticos provinciais ou gerais, o que levou a uma regionalização, estabelecida pelo Ato Adicional de 1834, que criou Assembleias Provinciais, mas a tendência anti-municipalista continuou, fazendo o governo central enfraqueceu a autonomia dos municípios, principalmente a competência jurídica e policial dos juízes locais. Assim, surgiram conflitos e resistência, como a Revolta da Balaiada no Maranhão, representando a instabilidade social na região. Dessa forma, ao nomear autoridades regionais, o governo central representava uma ameaça à ordem privada, incluindo a vida familiar, transformando escravos domésticos em espiões. Ocorre assim, um enfraquecimento do Poder Municipal e a disputa de poder se deslocou para o nível regional, com a criação das Assembleias Provinciais. Além disso, o sistema eleitoral estava intrinsecamente ligado à vida privada, com senhores de terras mantendo uma base de votos por meio de agregados gerando conflitos como em Pernambuco, quando o governo regional manipulou os agregados para votar contra os proprietários de terras nas eleições levando a uma revolta, conhecida como a Revolta Praieira. No entanto, o governo conservador restaurou a influência das oligarquias locais, enfraquecendo ainda mais a autonomia municipal e consolidando a hegemonia do governo central no Segundo Reinado fazendo o Rio de Janeiro torna-se um ponto central das contradições no Império.
A HEGEMONIA FLUMINENSE: Neste tópico fala-se sobre o papel ímpar que o Império desempenhou na história brasileira e a importância central da cidade do Rio de Janeiro nesse contexto. O Rio de Janeiro se tornou a capital política, econômica e cultural do Brasil e monopolizou grande parte das atividades do país sendo um ponto de convergência, ligando fluxos regionais e acomodando os regionalismos em um quadro mais amplo, unificando o país, fazendo que em 1858, a renda tributária municipal do Rio de Janeiro superasse a renda municipal de todas as cidades de qualquer uma das vinte províncias do Império. Porém, o Rio de Janeiro também enfrentava desafios, como a alta concentração de escravos, que representavam de metade a dois quintos da população da cidade no século XIX o que criou um contraste entre a presença significativa de escravos na cidade e as pretensões de civilização da corte e da Coroa. Assim, a tensão racial permeava toda a sociedade, tornando o Brasil diferente de Cuba e dos Estados Unidos em relação à escravidão e assim, o tráfico negreiro foi legalmente proibido em 1850, mas o Brasil foi o último país independente a praticá-lo até então, o que gerou tensões internacionais, especialmente com o Reino Unido. Essas tensões também afetaram as relações internas, e a elite imperial estava cientedos perigos que o sistema escravista representava para a estabilidade da monarquia. Dessa forma, com o fim do tráfico de africanos em 1850, a cidade do Rio de Janeiro experimentou uma mudança demográfica significativa, com um aumento da imigração portuguesa e uma redução na proporção de escravos e africanos. Essa mudança foi acompanhada por uma diminuição na média de habitantes por domicílio, refletindo transformações na composição étnica e social da cidade. Assim, a história do Rio de Janeiro durante o Império é marcada por essas mudanças demográficas e sociais, além de desafios políticos e econômicos que moldaram o país ao longo do século XIX.
A SUPREMACIA DA FALA CARIOCA: Alencastro aborda as diferenças linguísticas e culturais entre o Brasil e Portugal durante o período do Império brasileiro mencionando como o poeta Gonçalves Dias, formado em Coimbra, considerava inadequado ajustar as rimas brasileiras à métrica da pronúncia portuguesa ilustrando a preocupação em preservar a língua portuguesa no Brasil, adaptando-a às particularidades locais. Além de observar que as diferenças linguísticas eram mútuas, com charges caricaturando essas distinções e anúncios de escravos fugidos destacavam a fala "aportuguesada" de alguns deles, devido serem criados por senhores portugueses. Além do mais, diferentes regiões do Brasil tinham seus próprios dialetos e sotaques e a imigração portuguesa agravou essas diferenças, com a chegada de muitos portugueses influenciando a fala local, principalmente no Rio de Janeiro. Assim, os discursos parlamentares foram transcritos e padronizados, o que contribuiu para a uniformização da linguagem nas classes dominantes do Segundo Reinado. Essa padronização refletia uma sensibilidade cultural mais ampla que influenciava as elites do Brasil imperial.
A BAÍA DE GUANABARA, O PÓRTICO DO IMPÉRIO: Neste trecho, o autor aborda a transformação cultural e econômica do Rio de Janeiro durante o Segundo Reinado do Brasil (1840-1889). Destacam-se as Influências Europeias com a presença da corte, embaixadas estrangeiras, comércio marítimo e a chegada de profissionais europeus contribuíram para um mercado de consumo com hábitos europeizados na cidade. O Fim do Tráfico Negreiro em 1850, o Brasil parou de importar africanos, liberando divisas antes usadas para a compra de escravos o que impulsionou a importação de bens de consumo, como cavalos europeus, joias, pianos e produtos duráveis. Navios a Vapor, a chegando da Inglaterra sincronizando o tempo no Rio com a modernidade europeia, permitindo a regularidade nas trocas comerciais. A Influência Francesa, a cultura, incluindo moda e representações de vida rural, exerceu forte influência nas elites brasileiras. E movimentos Sociais como o positivismo, kardecismo e homeopatia, influências francesas, moldaram o pensamento e prática sociais, com impacto na religião, ciência e medicina. Essas mudanças demonstram como o Rio de Janeiro se adaptou a novas realidades econômicas e culturais, misturando influências europeias com elementos locais.
IMPASSES DA MÚSICA IMPERIAL: Neste tópico se destaca o aumento das importações de pianos a partir do século XIX e sua adoção como um símbolo de prestígio nas residências imperiais que marcaram uma mudança significativa na música, cultura e vida social do Rio de Janeiro durante o Segundo Reinado.
BARRADOS NO BAILE: A PRIVATIZAÇÃO DO CARNAVAL: No geral, o período imperial viu uma transformação na música, dança e nas festividades, à medida que o país estava mais exposto à influência europeia, principalmente italiana, e as elites buscavam se distanciar das festas populares, como o entrudo, em favor de eventos mais sofisticados, como os bailes carnavalescos de salão.
DAR NOME AOS BRASILEIROS: JOAQUINS, LYCURGOS, ROSALINDAS, CAIOS, JEFFERSONS E BISMARCKS: Aqui o autor fala sobre como o período do Império no Brasil testemunhou mudanças significativas nas práticas de nomenclatura, com uma maior diversidade de nomes e sobrenomes adotados pelas pessoas, refletindo influências indígenas, europeias e sociais. Além disso, a laicização da vida privada desempenhou um papel importante nesse processo.
CACHIMBOS E CHARUTOS: Luís fala sobre as manifestações de nacionalismo que refletiam o orgulho e a identidade nacional em desenvolvimento no Brasil durante o período do Império. O uso de símbolos nacionais, como o charuto brasileiro, e a expressão através da aparência pessoal eram formas de afirmar a independência e a singularidade nacional.
DO MÉRITO DAS MUCAMAS: O autor discute as práticas de amamentação no Brasil durante o século XIX, destacando diferenças em relação à Europa e como essas práticas eram influenciadas pela escravidão, levando em conta que muitas mães brasileiras, especialmente das classes mais altas, não amamentavam diretamente seus filhos, optando por amas de leite, muitas delas escravas, para essa função. A partir dos anos 1850, houve uma mudança com a chegada de amas de leite brancas de Portugal levando um médico defender a prática das mucamas escravas, argumentando que elas eram motivadas pela esperança de liberdade. Além do mais, se destaca como algumas palavras africanas foram incorporadas à língua portuguesa no Brasil devido à influência dessas amas de leite. Assim, o texto analisa como as práticas de amamentação estavam interligadas com o sistema escravista e a cultura brasileira da época.
O PAVOR DO PARTO: Durante o século XIX, o Brasil enfrentou desafios de saúde devido ao ambiente tropical, incluindo doenças tropicais, falta de água potável e pragas gerando epidemias de febre amarela, cólera e varíola. Assim, medicina passou por mudanças, com médicos estrangeiros introduzindo novas práticas, como a homeopatia, além de ser influenciada pela escravidão, com médicos focados na saúde dos escravos para proteger o investimento dos proprietários. Dessa forma, o autor oferece uma visão das complexas questões de saúde e medicina no Brasil do século XIX, com ênfase nos desafios e mudanças desse período.
O SAPATO E O SANITARISMO IMPERIAL: Neste trecho, o autor trabalha sobre as relações de comercializações de escravos durante o período imperial destacando a questão de os negros livres usarem sapatos para se diferenciar dos escravos.
A SÍNDROME DE ESCRAVA ISAURA: Neste trecho, o autor aborda a questão da identidade racial no contexto de um país escravista no século XIX. Ele destaca a tensão social em relação à identidade racial, menciona o governo imperial tentando criar um registro civil nacional para dar cidadania aos não católicos e imigrantes protestantes, e como os párocos resistiram a essa ideia. Além disso, o trecho fala sobre a busca pela aparência branca e os padrões de beleza da época, incluindo o uso de perucas e produtos para clarear a pele. Também é mencionado um caso de um escravo branco que se apresenta em público pedindo ajuda para comprar sua liberdade, ilustrando as complexidades do sistema de escravidão e da identidade racial na sociedade brasileira da época.
OS LADINOS E O COLAPSO DA ORDEM PRIVADA ESCRAVISTA: Neste trecho, o autor aborda o debate sobre a abolição da escravidão no Brasil no século XIX. Ele compara a abordagem de Harriet Beecher-Stowe, autora de "A Cabana do Pai Tomás," que enfocou os sofrimentos dos escravos nos Estados Unidos, com a perspectiva de Joaquim Manuel de Macedo, um escritor brasileiro que argumentava que a escravidão estava transformando os escravos em criminosos. O autor também menciona casos reais de crimes cometidos por escravos no Brasil, destacando como esses incidentes minaram a estabilidade da escravidão e contribuíram para o apoio à abolição. Ele observa que a abolição estava ganhando força, especialmente nas áreas de expansão do café no Oeste paulista, onde escravos ladinos fugiam e se revoltavam, preocupando os proprietários de terras. Em resumo, o trecho enfoca o debate sobre a abolição da escravidão no Brasil, destacando as diferentes perspectivas e as tensões sociais que contribuíram para o fim desse sistema.
Parte superior do formulário
Parte superiordo formulário
Parte superior do formulário
Parte superior do formulário
Parte superior do formulário

Mais conteúdos dessa disciplina