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MANEJO DO PACIENTE INFANTIL → É importante que o cirurgião dentista conheça o desenvolvimento psicológico da criança, pois só assim ele saberá lidar com as diversas faixas etárias e não ser um profissional a mais, que trata da criança sem nada, não conhece sobre seu universo e níveis de desenvolvimento mental e emocional. DESENVOLVIMENTO X CRESCIMENTO = O desenvolvimento é o processo de mudança onde a criança aprende a lidar com níveis complexos de movimentos, pensamentos, sentimentos e de relacionamento com os outros. Já o crescimento envolve um conceito quantitativo, cuja a avaliação se faz segundo o tamanho, a forma, o peso e a estatura do corpo. São varias as características do desenvolvimento das crianças, nas diversas faixas etárias, muito importante para o conhecimento da odontopediatria. → 1 ao 3º mês de vida: Possui sensibilidade tátil, olfativa e gustativa. O bebê é capaz de ouvir, emitir sons, gritos e balbucios, pedindo atenção. (Quando a amamentação é exclusiva não precisa higienizar, mas se usar fórmula precisa) → 2 a 9º mês de vida: Progridem as reações afetivas, ficando claro suas emoções e sentimentos. O bebê reage quando frustrado ou incompreendido. Ri e murmura aos conhecidos, reage aos estímulos ambientais. (Aparecimento dos dentes) → 9 ao 18º mês: ( 9 á 1 ano e 6 meses) Sorri quando vê a própria imagem, é possível estimular a fala e a linguagem da criança, que reage aos sons que ela produz, falando com ela enquanto esta cuidando dela, mantendo linguagem simples, cantando, ensinando o nome das coisas e das pessoas. → 18 ao 36º mês: (1 ano e 6 meses / 3 anos) Sentimentos, como receio, decepções, inveja, alegria, impaciência… O medo de pessoas estranhas, barulhos altos e movimentos bruscos ainda existe. Já pode expressar o cansaço. É um estágio semi-independente. Os procedimentos devem ser breves e com explicações de forma clara e concisa. Nessa faixa etária, as crianças sentem-se motivadas pelo elogio e por premiações → 3 anos á pré adolescência: — Inúmeras aptidões são adquiridas e ocorre a formação dos hábitos; a criança é egocêntrica e age por impulso. Inicia-se o primeiro sistema de controle interno, ligado ao desenvolvimento da consciência. Seus temores estão concentrados na punição e na perda do amor. → 10 á 12 anos de idade: Importante desenvolvimento do lado cognitivo e a criança aprende a utilizar o intelecto sobre a emoção; NÃO se deve tratar de maneira INFANTILIZADA, e sim explicar os procedimentos a serem realizados, reforçando e dialogando sobre as condutas inadequadas. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO: 1- Teoria da psicanalítica de Freud: “o comportamento é governado por processos inconscientes e conscientes” Baseadas nas fases de maturação de cada parte do corpo 2- Teoria cognitiva de Piaget: Baseada na influencia da sua experiência física e do ambiente social ( adaptação) 3- Estágios psicossociais de Erikson: Baseada nas adversidades e dilemas que a criança é submetida, determinando a identidade (nível de confiança, autonomia, iniciativa, culpa.) DESENVOLVIMENTO PSICOSEXUAL: Divisão em fases: conteúdo maturacional de cada parte do corpo em que a energia é mais focalizada. 1. Fase oral: (0 a 1 ano e 1/2); A boca é o órgão mais importante do corpo - é ao que faz a ligação com o mundo; — O ambiente (mãe) é o doador; — Sensação de segurança e satisfação; — Não há distinção entre o “eu”e mãe — Sucção fisiológica cessa entre 9 e 12 meses; — Necessidade de sucção psicológica; — morder e mastigar; ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO: — Dependência da mãe; — Choro e resistência; — Atendimento rápido; Atender no colo ou em dispositivo especiais para bebes (macro) ou posição joelho joelho. 1. Fase anal: 1º infância (1 1/2 a 3 anos); — Controle da bexiga urinaria e dos intestinos; — Sensações na região anal; — Período de autonomia e de desafios; — Comportamento: retenção e eliminação. ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO: — Criança fica sentada por 10 a 20 minutos; — Compreende explicações simples; — Realiza duas atividades ao mesmo tempo; — Cooperação variável; 1. Fase fálica: 2º infância — A organização da libido passa para a região genital; — Descobertas das diferenças entre meninos e meninas; — Fase edipiana: complexo de Édipo. ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO: — Consegue ficar sentada por ate meia hora; — Gosta de elogio sobre aparência; — Capaz de usar a imaginação e entender metáforas; 1. Fase de latência - pré escolar e escolar (5 a 12 anos); — Foco no contexto social; — Escola - sociabilidade; — Pais e escola transmitem conhecimento e treinam a criança para as adversidades; — Estabelecimento de diálogos; — Competição; ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO: — Amadurecuimento gradual das capacidades motoras; — Visão mais real do atendimento; — Fase de perguntas; 1. Fase genital: adolescência (13 a 16 anos) — Inicio da maturidade sexual; — Busca da identidade; — Experimentam o medo, a solidão e o vazio; — Andam em grupo; — Fase de conflito: criança x adulto. RELAÇÃO DENTISTA / PAIS / CRIANÇA: A partir das informações fornecidas pelos pais ao profissional é que se iniciará a relação criança / cirurgião dentista. O contexto na qual a criança esta inserida; as atitudes familiares influenciam a criança; tracar um perfil psicológico da criança ( família.) MANEJO DO COMPORTAMENTO: Conjunto de intervenções psicológicas que sigam construir novos padrões de enfrentamento em pacientes expostos a contextos de atendimento á saúde; A intervenção psicologias concomitante ao tratamento odontológico auxilia alguns pacientes e enfrentar rotinas odontológicas aversivas, reduzindo o nível de ansiedade manifestado por indivíduos com historia de medo ou de não colaboração em tratamento bucal. O sucesso do manejo do paciente pediátrico nao pode ser simplesmente medido pela conclusão de um procedimento odontológico especifico, mas pela frequência de comportamentos colaborativos que a criança apresenta ao longo das sessões de tratamento. PRINCIPAIS COMPORTAMENTOS DURANTE O ATENDIMENTO: 1- medo; Estado emocional diante do perigo - sensação psicológica — Quando relacionado a um instinto de salvação, um fator biológico de defesa e proteção, um medo natural e necessário é chamado de medo biológico. → Objetivo: por causa de experiências odontológicas desagradáveis anteriores e elaborado poema própria criança, associado á interferência da ansiedade da família. → Medo objetivo direto: experiencia anterior dolorosa, desagradável ou cansativa. → Medo objetivo indireto: experiencias negativas ocorreram em ambientes parecidos com o odontológico → Medo subjetivo: a partir de informações dadas por adultos ou crianças maiores Para dessensibilizar a criança medrosa, é necessário descobrir a fonte do seu medo; normalmente, o medo decorrente de suas limitações acaba com a maturidade. 2- Ansiedade; É um estado psíquico em que predominam sentimentos de caráter ameaçador desencadeados por estímulos internos/ ou externos, reais ou imaginários que estejam para acontecer; Quanto mais experiente o paciente torna-se em relação ás consultas odontológicas, menor sua ansiedade. ALGUMAS ORIGENS DAS ANSIEDADES: 1- Temor de ser abandonada; 2- Ansiedade devido á culpa ou negação de autonomia e posição, quando é impedida de realizar tarefas para as quais já esta prontas. 3- Atritos entre os pais; 4- Interferência com a atividade física; 5- Nascimento de um irmão; 6- Mortes de parentes; 7- Tratamento médicos ou odontológicos; 3- birra; Provocada pela frustração na obtenção de algo. Não cedendo e mostrando que a ama, ou que quer cuidar dela, estará ajudando a enfrentar e superar obstáculos. 4- choro; A função básica do choro no bebe, é assinalar uma necessidade; Raiva, mais alto e mais intenso; Dor, tem um inicio abrupto; fome ou sofrimento começa com choramingo e gemidos. CONDUTAS PSICOLÓGICAS NO ATENDIMENTO DA CRIANÇA: — Conhecimento prévio da criança; — Preparo da criança; — Orientações aos pais; — Primeira consulta; TÉCNICASPARA O CONTROLE DO COMPORTAMENTO: A opção pelas técnicas de abordagem do comportamento variara de acordo com o critério adotado pelo profissional, que e influenciado por fatores observados durante a anamnese, como idade, comportamento da criança e acessibilidade dos pais. → Técnicas não aversivas: 1- controle da voz; — Baseia-se na mudança súbita do volume e tom de voz, a fim de primeiramente obter a atenção e sua cooperação. Objetivos: Melhorar a efetividade de outras técnicas de abordagem baseadas na comunicação; obter e manter a atenção do paciente e do aompanhamento; 2- Dizer- mostrar e fazer; — Método utilizado para iniciar a criança no atendimento odontológico → Explicar os procedimentos ao paciente (dizer e falar), demonstrar o funcionamento dos objetos, em todas os seus aspectos, visual, auditivo e olfativo (mostrar) e finalmente realizá-los (fazer) Objetivo: lidar com o medo da criança frente a situações desconhecidas, ensinando-lhes aspectos importantes do tratamento odontológico e modelando suas respostas por meio da dessensibilização. - Familiarização dos elementos odontológicos antes da consulta ( tornar o ambiente conhecido e diminuir o medo e a ansiedade). 3- Reforço positivo; Objetivo: reforçar o comportamento adequado por parte da criança, através da modulação positiva da voz, expressão facial, elogios verbais, demonstrações física de afeto por todos os membros da equipe. Pode ser utilizado em qualquer faixa etária. 4- Modelagem; → Aprendizado pela observação, em que a criança apreensiva assiste outra criança já condicionada sendo tratada pelo profissional. → Por meio dessa técnica a criança pode adquirir novos padrões de comportamento e/ou reduzir os indesejáveis como o medo e a negação. 5- Distração; → É uma técnica usada para desviar a atenção da criança dos procedimentos desagradáveis por meio da diversão. Uso de musicas, historias e brinquedos.. → A musica é a mais importante para auxiliar no tratamento odontopediátrico, pois ela pode diminuir o nervosismo e aliviar os sons de alguns aparelhos; 6- Dessensibilização; 6- Dessensibilização ESTRATÉGIAS AVERSIVAS: → essas técnicas são recomendadas somente quando todas as outras tentativas foram frustradas, usada como ultimo recurso; → As estratégias aversivas necessitam de consentimento por escrito dos pais ou responsáveis legal para serem utilizadas; → Oferecer informações sobre a estratégia aos pais. 1- Estabilização protetora: Trata-se de uma técnica que conta com o manejo de restringir fisicamente os movimentos improprios do paciente infantil na intenção de viabilizar o tratamento odontológico; — Uso de diversos meios e aparatos como: mãos, cintos, fitas e envoltórios de tecidos. → A técnica em questão é uma das últimas opções de escolhas dos odontopiatras, pois não se aplica a todos os tipos de crianças. — Menores de 3 anos que nao cooperam; — imaturidade; — Problemas físicos e/ou mentais; — Fracasso de todas as outras técnicas de abordagem do comportamento — Quando houver risco de acidentes para o paciente e/ou profissional. A decisão de imobilizar o paciente deve considerar demais alternativas de manejo do comportamento, a necessidade e a qualidade do tratamento, o desenvolvimento emocional e as condições físicas do paciente. — Explicações sobre as tecnicas — Indicações; — Tempo de duração; — Riscos e benefícios; TÉCNICA MÃO SOBRE A BOCA: (Preconizada em 1925) Descrição: o profissional coloca a mão gentilmente sobre a boca do paciente, mas com firmeza, para cessar a explosão verbal (15s). A criança e1 avisada que se cooperar, a mão será retirada. O comportamento do paciente é reavaliado. A criança deve receber palavras de motivação quando retirar a mão sobre a boca. → EVITAR usar a técnica. Não esta indicado para pacientes com transtornos mentais, físicos ou emocionais. → Objetivo é ganhar a atenção, de forma que a comunicação possa ser estabelecida e a cooperação obtida. → É importante ressaltar que o tipo de condicionamento aversivo não é um método utilizado rotineiramente, mas apenas como um último recurso, geralmente em crianças de 3 a 6 anos de idade, que tenham capacidade de comunicação apropriada. PRINCÍPIOS DO CONTROLE DE COMPORTAMENTO — Abordagem positiva; — A atitude da equipe; — Organização; — Autenticidade; — Tolerância; — flexibilidade; CONSIDERAÇÕES FINAIS: 1- Usar frases no imperativo, exemplo: “abra a boca”. Ao invés de “você quer abrir a boca?” 2- Não mencionar a palavra dor, pode ser que o medo da criança seja ou retrô, deixando a criança ansiosa. Não ridicularizar o medo da criança e nao diminuir -lá, exemplo: “você já é grande para ter medo”