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Patologia e Recuperação de Estruturas
Prof. Dr. Esequiel Fernandes Teixeira Mesquita
Fevereiro, 2020
1
Aula 06 – Danos causados por umidade e sais em 
paredes e fachadas
Patologia e Recuperação de Estruturas 2
Como consequências da
atuação da umidade e sais,
podem ocorrer diferentes
danos, quais sejam:
• danos materiais à
edificação: Deterioração de
pinturas, rebocos e alvenarias;
• danos de insalubridade
aos usuários: Alta umidade
ambiental, cheiro desagradável,
ataque biológico por fungos e
algas.
1. Introdução
Patologia e Recuperação de Estruturas 3
Extensão das anomalias em paredes com deterioração por umidade e sais.
Patologia e Recuperação de Estruturas 4
Extensão das anomalias em paredes com deterioração por umidade e sais.
Patologia e Recuperação de Estruturas 5
Ilustração de fachadas severamente deterioradas.
Patologia e Recuperação de Estruturas 6
Embora existam manifestações típicas, é
necessário alertar que a classificação das
anomalias é difícil, pois:
- existem anomalias com origens diferentes,
mas com as mesmas manifestações;
- uma mesma anomalia pode se apresentar com
manifestações diferentes;
- devem ser avaliados o grau e a intensidade de
cada anomalia.
Por isto, não se deve fazer uso de
classificações teóricas, mas utilizar as
manifestações ou os sintomas para descrever as
anomalias.
Patologia e Recuperação de Estruturas 7
Em função do grau de deterioração, as
anomalias podem ser descritas nos seguintes
tipos:
- desbotamentos e manchamentos;
- deposição de materiais: poeiras, sais,
bolor e e e formação de infestações
(ataque biológico e / ou biogênico);
- descolamentos: por pulverulência
(esboroamentos), lascas ou
descascamentos;
- deterioração generalizada: fissuras, perda
de material e de capacidade de
resistência.
Patologia e Recuperação de Estruturas 8
Ataque microrgânico
Perda de materialDescolamento
ExpansãoLixiviação por água
Afrouxamento de 
vínculosPulverulênciaSujeirasManchas úmidas
DescascamentosBolhas ou formação 
de ondasDescoloraçãoMarcas de água
FissurasDesgasteFormação de 
manchas
Coloração escura
Alterações da 
microestrutura
Alterações 
superficiaisAlterações de corManchas de 
umidade
Ataque microrgânico
Perda de materialDescolamento
ExpansãoLixiviação por água
Afrouxamento de 
vínculosPulverulênciaSujeirasManchas úmidas
DescascamentosBolhas ou formação 
de ondasDescoloraçãoMarcas de água
FissurasDesgasteFormação de 
manchas
Coloração escura
Alterações da 
microestrutura
Alterações 
superficiaisAlterações de corManchas de 
umidade
Ataque biológico
Manchas Alterações
Se consideradas pela aparência visual, os danos podem ainda ser
classificadas de forma alternativa, conforme Tabela abaixo.
Patologia e Recuperação de Estruturas 9
2. Origem da umidade em vedações verticais
- umidade de obra – é a inicialmente presente nos materiais de construção de uma obra recém
concluída, em decorrência das técnicas e dos materiais empregados utilizarem a água de
forma intensa e ser necessário um prazo mínimo para a sua eliminação através de evaporação
para o ambiente;
- umidade ascendente – em geral, dita umidade capilar do solo, ou umidade de absorção
capilar ou umidade de absorção e capilaridade, é aquela decorrente de falhas do sistema de
impermeabilização das fundações e paredes em contato com o solo úmido;
- umidade de infiltração – também dita de umidade de fluxo superficial decorrente da
penetração de água de chuva pelo envoltório da edificação, incluídos os elementos e
componentes como portas e janelas etc.;
Patologia e Recuperação de Estruturas 10
- umidade higroscópica – também dita umidade de
absorção higroscópica, a qual é decorrente do equilíbrio
autógeno de umidade dos materiais de construção
porosos com a umidade relativa do ambiente
circundante;
- umidade de condensação – também dita umidade de
condensação capilar, ocorre no interior ou na superfície
dos elementos construtivos, em decorrência do
fenômeno de condensação do ar, seja por variações de
temperatura ou variações de umidade do ar ambiente;
- umidade acidental – decorrente de vazamentos nas
instalações prediais de coleta ou distribuição de água.
Patologia e Recuperação de Estruturas 11
Água de respingos
Água superficial
Água de infiltração
Difusão de vapor
Água de condensação
Umidade do
solo
Água do lençol
freático
Nível do solo
Classificação das fontes de umidade em função da sua origem.
Patologia e Recuperação de Estruturas 12
3. Origem dos sais solúveis 
Com a absorção de água pelo material constituinte, ocorre também a absorção e
dissolução de sais presentes. Quanto aos danos causados, os sais são mais problemáticos
que a umidade. Os sais mais nocivos e agressivos às edificações são os cloretos, os
sulfatos e os nitratos.
A maior parte dos danos em ornamentos, rebocos, alvenarias é proveniente dos sais
e sua cristalização e não só da umidade.
Patologia e Recuperação de Estruturas 13
• Ocorrem devido à solubilidade do hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) na presença de
umidade.
• Manchas ocasionadas pela precipitação de carbonato de cálcio (CaCO3 ) na superfície
do concreto, devido à evaporação da água que contém o hidróxido dissolvido.
• Ocorrem em concreto com alta permeabilidade ou fissurados. Encontrada
frequentemente em lajes e vigas
Patologia e Recuperação de Estruturas 14
- matérias-primas ou processo de fabricação, que
dão origem a sais constituintes dos materiais de
construção;
- produtos químicos de formulação inadequada,
contendo sais ou formando sais, misturados ou
aplicados impropriamente aos materiais de
construção durante a construção ou o uso do
edifício, incluindo-se aqui os produtos de limpeza;
- sais oriundos ou formados por ação de agentes
do meio-ambiente externo ou de agentes
específicos da ocupação da edificação.
As fontes típicas de sais solúveis e nocivos podem ser intrínsecas aos materiais
da edificação ou provir de fontes externas, sendo identificadas as seguintes:
Patologia e Recuperação de Estruturas 15
Em algumas países europeus e/ou
regiões por exemplo, os tijolos recebiam
adições de sal (cloreto de sódio) para
aumentar a sua resistência mecânica,
tradição que também foi introduzida no Brasil
pelos imigrantes.
Hoje essa prática foi abandonada em
virtude das anomalias causadas pelo cloreto
de sódio.
Em regiões litorâneas, encontram-se
argamassas feitas com a utilização de areias
de jazidas próximas ao mar e não
suficientemente lavadas.
FATOMITO
Patologia e Recuperação de Estruturas 16
 
Origem da 
contaminação 
Sulfatos Cloretos Nitratos 
Umidade do 
solo 
Gesso agrícola Regiões marítimas Fertilizantes, 
adubos 
Água de 
superficie 
Chuva ácida Sais de degelo Dejetos fecais 
Ar atmosférico Resíduos de 
combustão 
(fuligem) 
Névoa marítima Canais não 
estanques 
Uso Gases de 
combustão 
Mistura de cloreto 
de sódio com salitre 
para conservação 
de carnes 
Salitre, 
canalizações não 
estanques 
Produtos de 
recuperação 
Cimento Do próprio material Do próprio 
material 
Componentes 
dos materiais 
de construção 
 Água de 
amassamento 
utilizada 
Água de 
amassamento 
utilizada 
 
Sais solúveis mais nocivos aos materiais de construção e suas origens:
Patologia e Recuperação de Estruturas 17
Os agentes e os mecanismos principais
Agentes mais comuns de deterioração de 
paredes 
Mecanismos de deterioração relacionados 
(alterações na microestrutura)
UMIDADE
• Água de chuva
• Umidade higroscópica (elevação da 
umidade de equilíbrio)
• Água de respingos
• Umidade de condensação
• Água de ascensão capilar
• Condensação superficial
• Absorção capilar de água
• Absorção higroscópica de água
• Reações químicas nos materiais 
constituintes (formação de sais, 
alterações de pH)
SAIS
• Solo
• Materiais constituintes
• Cristalização
• Hidratação
• Efeitos higroscópicos
AGENTES BIOLÓGICOS
• Plantas
• Fungos
• Bactérias
• Algas 
• Biodeterioração
• Alterações de pH
Patologia e Recuperaçãode Estruturas 18
4. Umidade
A umidade que incide sobre as edificações tem
diferentes fontes ou origens, como:
•de água sob pressão ou represada (do solo);
•de precipitação, de infiltração ou de fluxo
superficial (água de chuva);
•de respingos (em sócolos);
•de ascensão capilar (do solo);
•de respingos internos, uso do ambiente;
•de condensação superficial;
•acidental (vazamentos de tubulações,
drenagem, etc);
•absorção higroscópica da umidade do ar .
Patologia e Recuperação de Estruturas 19
Manchas por anomalias provenientes de 
ascensão capilar
Se a evaporação das paredes for inibida por
rebocos ou pinturas, a altura do horizonte de
umidade irá aumentar.
Se a entrada de água for inibida por
impermeabilização horizontal, a altura do horizonte
de umidade da parede irá diminuir.
Patologia e Recuperação de Estruturas 20
Infiltração nas fachadas
Uma parcela das águas de chuva pode ser absorvida
pelas fachadas das edificações na forma de umidade de
infiltração. Isto ocorre superficialmente e a água é absorvida
não só pela camada externa da parede, composta de
revestimentos de rochas naturais, tijolos aparentes ou
pinturas, mas também, e principalmente, por trincas e fissuras.
Não obstante, existem nos países europeus valores
normatizados, para limitar o coeficiente de absorção de água
capilar máximo (w), em materiais de revestimento porosos,
para uma proteção mais eficiente de fachadas, e são eles:
w ≤ 2,0 kg/m2.h0,5 em material com restrição de
exposição à água;
w ≤ 0,5 kg/m2.h0,5 em material hidrorepelente.
Patologia e Recuperação de Estruturas
Patologia e Recuperação de Estruturas 22
5. Ação simultânea de umidade e sais 
Os danos típicos oriundos da salinização estão presentes na Figura 1 - 8 e podem ser os
seguintes:
• coloração esbranquiçada;
• eflorescências;
• alteração superficial no material;
• descolamento em forma de filme em pinturas;
• descolamento de argamassas;
• deterioração superficial de tijolos, pedras;
• lascamento de materiais sinterizados: os sais se depositam abaixo da superfície e após
cristalizar aumentam de volume e causam danos em forma de lascas;
• umidificação total do material por higroscopicidade: aparecimento de manchas de
umidade.
Patologia e Recuperação de Estruturas 23
6. Mecanismos das anomalias e danos por água e sais
6.1 Pressão de cristalização dos sais
Com a água são transportados, até a superfície dos
componentes construtivos, sais solúveis, os quais pela
evaporação do líquido, cristalizam. Este fenômeno –
desconsiderando o aspecto visual – não é prejudicial.
Uma parte dos sais, no entanto, se deposita nos poros dos
materiais. O surgimento de pressões de cristalização e
hidratação pode causar desagregação da superfície externa das
paredes.
Se houver concentração de sais, por exemplo, na interface
de materiais com diferentes graus de permeabilidade (tijolos e
juntas de alvenaria, pinturas formando filmes impermeáveis,
produtos para tratamento químico de pedras naturais, etc.)
surgem rupturas superficiais (descolamentos) ou bolhas na
camada de pintura.
Video: https://www.youtube.com/watch?v=ZTG8FCJZL3M&t=80s
Patologia e Recuperação de Estruturas 25
6.2 Danos mecânicos causados pela água (erosão, desagregação)
Patologia e Recuperação de Estruturas 26
6.2 Biodeterioração
A água é essencial para a existência de
organismos vivos; e os mais conhecidos
exemplos de danos por biodeterioração são
decorrentes de fungos, algas e líquens, que
pelo menos para o seu surgimento
necessitam de um determinado teor de
umidade ambiental.
A água também favorece o ataque de
organismos de origem animal, sendo que os
materiais orgânicos, como as madeiras, são
os mais prejudicados. Pode também ocorrer
ataque orgânico a materiais inorgânicos.
Patologia e Recuperação de Estruturas 27
7. FUNDAMENTOS ENVOLVIDOS NA FORMAÇÃO DAS ANOMALIAS
Conceitos básicos sobre a ocorrência de vapor de água 
em edificações:
O vapor de água se forma à temperatura 
de 100°C à pressão normal ou por 
evaporação natural.
 
 
Origem (fonte) Exemplo Quantidade em 
gramas/hora 
Atividade leve 30 - 60 
Atividade média 120 - 200 
Ser humano 
Atividade pesada 200 - 300 
Banho em banheira Aprox. 700 Banheiro 
Ducha Aprox. 260 
Cozinhar e preparar 600 - 150 Cozinha 
Média diária 100 
Flores no 
ambiente 
Violetas 5 - 10 
Samambaia 7 - 15 
Seringueira 10 - 20 
Plantas aquáticas 6 - 8 
Plantas em vasos 
Superficie de água Aprox. 40g/m2.h 
Árvores de 
pequeno porte 
Arbustos 2 - 4 kg/hora 
Roupa centrifugada 50 - 200 Secagem de 
roupas Roupa molhada 100 - 500 
 
Patologia e Recuperação de Estruturas 28
 
0 
5 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
45 
50 
55 
-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 
Temperatura do ar (°C) 
Va
po
r 
no
 a
r (
g/
m
3 ) 
Variação da quantidade de vapor de água em 
função da temperatura do ar. 
Patologia e Recuperação de Estruturas 29
7.1 Umidade relativa do ar
Em função da temperatura, o ar irá conter uma certa quantidade máxima de vapor de água. Essa
quantidade máxima, expressa na forma de pressão, é denominada de pressão de saturação de vapor de
água (ps).
Se o ar não estiver saturado de vapor de água, a pressão é denominada de pressão parcial de vapor
de água (pd).
A umidade relativa do ar, φ, é a relação entre a pressão parcial de vapor de água, pd, e a pressão de
saturação de vapor de água, ps, ambas a mesma temperatura, conforme a Equação 1.
φ = pd / ps , Equação 1
Esta grandeza indica qual a porcentagem do volume do ar está saturada por vapor de água. Exemplo:
pd =702 Pa a 20°C;
ps = 2340 Pa a 20°C;
φ = pd/ ps = 702/2340 = 30 %.
Se a umidade relativa do ar for conhecida, pode-se determinar o valor de pd pela Equação 2, ou pelo
uso de tabelas ou gráficos como na Figura 2 - 2:
pd = φ . ps, Equação 2
Patologia e Recuperação de Estruturas 30
0
500
1000
1500
2000
2500
3000
3500
4000
4500
5000
5500
6000
6500
7000
7500
8000
-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40
PR
ES
SÃ
O 
DE
 S
AT
UR
AÇ
ÃO
 D
E 
 V
AP
OR
 D
E 
AG
UA
TEMPERATURA °C
2340 Pa
Pressão de saturação de vapor de água no ar, 
em função da temperatura.
Patologia e Recuperação de Estruturas 31
Pressões parciais e de saturação do ar por vapor
de água, em função da temperatura e umidade
relativa.
ü para a curva de UR igual a 80 % e à
temperatura de 30 o C, a pressão parcial de
vapor de água pd é igual a 3395,2 Pa;
ü para a curva de UR igual a 60 % e à
temperatura de 10 o C, a pressão parcial de
vapor de água pd é igual a 736,8 Pa.
Patologia e Recuperação de Estruturas 32
7.2 Umidade absoluta do ar
 
0 
5 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
45 
50 
55 
-20 -15 -10 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40 
Temperatura do ar (°C) 
Te
or
 d
e 
aq
ua
 (g
/m
3 ) 
 
100% 
 
 
80% 
 
 
60% 
 
 
40% 
 
 
20% 
A umidade absoluta, também chamada
de teor absoluto de água no ar, indica, a uma
determinada temperatura e umidade relativa
do ar, a quantidade de vapor de água presente
em um metro cúbico de ar.
Normalmente é expressa em g/m3, e o
seguinte exemplo pode ser dado a partir da
Figura 2 - 4:
O ar a uma temperatura de 20°C e com
30% de umidade relativa contém uma
quantidade de água de 5,2 g/m3 (umidade
absoluta).
Variação do teor de água no ar, em função da
temperatura, correspondente à umidade absoluta.
Temperatura
U
m
idade absoluta
Patologia e Recuperação de Estruturas 33
7.3 Temperatura do ponto de orvalho e 
condensação 
Pela queda de temperatura (resfriamento do ar),
sem entrada ou saída de vapor de água, aumenta a
umidade relativa. O ar saturado de vapor de água
possui uma umidade relativa de 100%. Se o
resfriamento continuar, o ar não mais tem condições
de “reter“ o vapor de água presente; o vapor de
água se condensa em névoa ou se deposita nas
superfícies em forma de orvalho
 
0 
5 
10 
15 
20 
25 
30 
35 
40 
40 50 60 70 80 90 100 
Umidade relativa do ar (%) 
Te
m
pe
ra
tu
ra
 d
o 
po
nt
o 
de
 orv
al
ho
 (°
C
) 40°
C
15°
30°
35°
25°
20°
Temperatura do ar
Patologia e Recuperação de Estruturas 34
Um
ida
de
 re
lat
iva
 do
 ar
 = 
10
0%
-6
-4
-2
 0
 2
 4
 6
 8
10
12
14
16
18
20
22
24
26
28
30
-10 -5 0 5 10 15 20 25 30 35 40
90
%
80
%
70
%
60
%
50
%
40
%
30
%
Diagrama para determinação da
 temperatura de condensação
Te
mp
er
atu
ra
 de
 co
nd
en
sa
çã
o (
ºC
)
Temperatura do ar (ºC)
Patologia e Recuperação de Estruturas 35
D
en
si
da
de
 d
o 
flu
xo
 d
e 
m
as
sa
 c
on
de
ns
ad
a
Temperatura da superfície da parede
Patologia e Recuperação de Estruturas 36
8. Introdução aos mecanismos de transporte de massa 
8.1 Infiltração
A maneira mais comum de ocorrer o transporte de
água é por infiltração, ou seja, pela penetração de água sob
ação da gravidade ou sob pressão. Se houver contato de
materiais porosos diretamente com a água na forma líquida,
por exemplo em fundações, pelo efeito da pressão
hidrostática a água penetra nos poros, desde que o tamanho
dos mesmos seja por volta ou menor do que 1 mm.
Patologia e Recuperação de Estruturas 37
8.2 Capilaridade
Os materiais e componentes de construção usados em
paredes em geral, são materiais cerâmicos (de cerâmica
vermelha, de cimento Portland, de silício-calcário ou
celulares) e como característica possuem poros de
diferentes tipos e tamanhos, interligados ou não, formando
uma rede capilar. Como as moléculas de água são de menor
dimensão do que os capilares, ocorre o transporte de água
por absorção capilar. A força motriz é a capilaridade.
8.3 Evaporação
A evaporação é um mecanismo de transporte que
ocorre em sentido contrário à absorção capilar. Em função
de sua intensidade pode-se alcançar um equilíbrio na
parede, dependente do material constituinte e da incidência
de água.
Patologia e Recuperação de Estruturas 38
8.4 Difusão
Entre regiões com diferentes teores de umidade do ar,
e portanto, com diferentes pressões parciais de vapor de
água, ocorre uma difusão do vapor de água, até o
estabelecimento do equilíbrio de pressões.
8.5 Convecção
Uma corrente de vapor de água, de determinado
volume, movimenta-se através de aberturas de ventilação
natural (janelas, portas ou juntas) ou também, através de
equipamentos de ventilação artificial, de um ambiente para
outro ou para o exterior (ou interior). A taxa de renovação
de ar significa em quanto tempo se procede à completa
substituição do volume de ar de um compartimento. Em
habitações de países frios, onde há em geral isolamento
térmico nos ambientes, a renovação normal de ar é de 0,8 a
1 vez por hora.
Patologia e Recuperação de Estruturas 39
8.6 Migração ou cinética elétrica
Outro mecanismo para o transporte da água é a
migração ou cinética elétrica. Se um capilar estiver
preenchido com água, normalmente ocorre uma separação
por pólos elétricos: as paredes dos capilares apresentam
normalmente uma carga negativa; esta carga fica então
compensada com a carga positiva do líquido. Assim, é criada
uma diferença de potencial, chamada de “potencial zeta”.
Não só a quantidade de cargas é função do tipo de poros e
da composição química da água dos capilares, mas também
a polaridade.
Patologia e Recuperação de Estruturas 40
8.7 Porosidade dos materiais de construção
A porosidade é conceituada como sendo a relação
porcentual entre o volume total de poros de um
sólido e o seu volume aparente. Assim, a
caracterização do volume total de poros ou
porosidade é dada pela Equação 3:
P = Vp / Vs, Equação 3
Onde:
P = porosidade do material
Vp = volume total de poros
Vs = volume aparente do material poroso
Patologia e Recuperação de Estruturas 41
- Macroporos ou Mesoporos: de raio acima de 0,1
mm (10-4 m), com absorção de água especialmente
por efeito de pressão (infiltração). Nestes poros o
movimento de água capilar é interrompido. Eles
são, portanto, “bloquedores“ da capilaridade;
- - Poros capilares: com raio entre 100 nm (10-7m) e
0,1 mm (10-4 m), com absorção capilar de água na
forma líquida e em forma de vapor. A absorção de
água em forma líquida só ocorre em poros nessa
faixa, por causa das forças capilares, determinadas
pela microestrutura do material constituinte.
- Microporos: com raio abaixo de 100 nm (10-7 m),
com absorção de água só em forma de vapor.
Patologia e Recuperação de Estruturas 42
M a c r o p o r o s
 fluxo
P o r o s c a p i l a r e s
t r a n s p o r t e c a p i l a r
M i c r o p o r o s
condensação capilar
D i f u s ã o d e v a p o r d e á g u a
Patologia e Recuperação de Estruturas 43
8.8 Conceitos sobre umidade dos materiais de construção
Material
Densidade de 
massa aparente
Porosidade 
aparente
Absorção de 
água máxima
kg/m3 % vol. % vol.
Tijolos maciços 1610 40 21
Blocos cerâmicos 930 52 24
Blocos sílico-calcários 1750 34 25
Concreto leve 1950 26 22
Concreto celular 610 69 39
Granito 2620-2850 0,4-1,5 0,4-1,4
Arenito 2640-2720 0,5-25 0,5-24
Mármore 2700-2900 0,5-2,0 0,4-1,8
Patologia e Recuperação de Estruturas 44
um = mh (M. - %)
ms
Equação 4
uv = um . rm (Vol. - %)
rh
Equação 5
A umidade do material indica a quantidade de água presente e é dada em percentual de
massa, ou também em percentual de volume. Este número indica quantas gramas de água
líquida estão presentes numa determinada quantidade de massa ou de volume do material. A
Equação 4 e a Equação 5, a seguir, representam e relacionam esses conceitos:
Onde:
um = umidade do material em massa, em %;
mh = massa de água no material, em g;
ms = massa seca do material, em g;
uv = umidade do material em volume, em %;
rm = densidade de massa do material seco;
rh = densidade de massa da água.
Patologia e Recuperação de Estruturas 45
Material Umidade normal em obra
(Vol%)
Umidade máxima em 
obra (Vol.%)
Umidade de 
saturação(Vol. %)
Tijolo
Concreto celular
Concreto 
normal 
1
3...4
Aprox.5
10....12
Aprox..30
Aprox..10
20
80
20
Patologia e Recuperação de Estruturas 46
9. Transporte de água por absorção capilar 
Como capilaridade se entende o somatório dos
fenômenos físicos que atuam em líquidos sujeitos a
tensões em sua superfície (tensão da interface ar-
líquido, tensão superficial),
Patologia e Recuperação de Estruturas 47
Velocidade de absorção capilar
A velocidade de absorção capilar, no início do processo, é diretamente proporcional ao raio dos capilares. Ou
seja, a velocidade de absorção é muito maior em um material com poros capilares grandes do que em um material
com poros capilares pequenos, em função do menor atrito no transporte.
Elevação capilar
A altura de umidade atingida por ascensão capilar é inversamente proporcional ao raio dos capilares: ou seja,
quanto menor o raio do capilar maior a altura alcançada. No entanto, poros pequenos, em virtude da maior
resistência ao transporte (atrito), apresentam velocidade de absorção menor, retardando a elevação capilar.
Dimensão dos poros
Para as duas variáveis anteriores descritas podem ser indicados os seguintes limites, como ordem de grandeza:
- Em poros com raio inferior a 0,1 µm (isto é, em microporos segundo a Fig. 2 - 9), a velocidade de absorção de
água capilar tende a zero;
- Em poros com raio superior a 100 µm (isto é, em macroporos segundo a Fig. 2 - 9), a elevação capilar tende a
zero.
Patologia e Recuperação de Estruturas 48
Coeficiente de absorção capilar de água
O coeficiente de absorção capilar de água caracteriza a absorção de água dos materiais de
construção em contato com água no estado líquido e, portanto, o seu comportamento com relação à
capilaridade.
O valor de w expressa a quantidade de água absorvida em 1 hora por unidade de superfície do
material e a raiz quadrada do tempo.
Conforme ilustra a Figura 2 - 12, o valor do coeficiente de absorção de água w indica a quantidade
de água absorvida pela superfície, no tempo de 1 hora, pela Equação 7:
m = w . √t, Equação 7
Onde:
m = quantidade de água absorvida, em kg/m2
w = coeficiente deabsorção capilar de água, em kg/(m2.h0,5)
t = tempo, em horas.
 
Patologia e Recuperação de Estruturas 49
Em função da capacidade de absorção capilar de água, os materiais de construção podem ser
divididos em 4 grupos:
- absorventes: w > 2,0 kg / (m2.h0,5)
Exemplo: reboco de argamassa de cal, concreto celular ;
- resistentes: w 5
5
0,5 - 2
0,01 - 7
Patologia e Recuperação de Estruturas 51
Transporte por difusão
A difusão de vapor de água ocorre quando
moléculas de vapor de água se deslocam no ar
ambiente. A movimentação das moléculas ocorre
das regiões de maior concentração de vapor de água
para as de menor concentração. Casos típicos podem
ocorrer em ambientes com elevada geração de
vapor, como cozinhas industriais, saunas e outros.
Patologia e Recuperação de Estruturas 52
A resistência à difusão é mais
facilmente avaliada por camada de ar com
difusão equivalente com espessura sd, e
essa propriedade esta exemplificada para
alguns materiais na Tabela 2 - 5. O valor é
calculado pela equação 8:
sd = m. s
Equação 8
Onde:
s = espessura da camada do material
em m
m = coeficiente de resistência à
difusão de vapor
Tipo de reboco
(espessura)
Sd (m) Tipo de pintura
(espessura)
Sd (m)
Argamassa de cal 0,15 Tinta a base de cal 0,03
Argamassa de cal 
hidráulica
0,20 Tinta a bse de silicatos 0,01
Argamassa de cimento 0,30 Tinta a base de 
dispersões de silicatos
0,02
Gesso e argamassa de 
gesso e cal
0,10 Tinta a base de 
dispersões
0,04
Argamassa de silicatos 
e dispersão
0,15 Tinta a base de cola 0,03
Argamassa de resina 
sintética
0,50 Tinta a base de emulsões 
de silicone
0,05
Argamassa de 
recuperação
0,12 Verniz a base de resinas 
sintéticas
0,20
Patologia e Recuperação de Estruturas 53
3Aprox. 30Espessura 10cmMateriais isolantes térmicos
200Aprox. 
2.000 000
Espessura 100 mLâmina de alumínio
Placas de gesso acartonado
0,8-2Aprox. 40Espessura 2cmMadeira
30100Concreto armado
4,515Blocos sílico-calcáreos
310Blocos vazados cerâmicos
310Tijolos maciçosPedras e concreto
(sd-Valor para 30cm espessura)
0,45Aprox. 
4500
Tintas acrílicas
0,05Aprox. 260Tintas a base de resinas 
silicone
Tintas a base de colas
0,04Aprox. 330Tintas de dispersão
0,03Aprox. 200Tintas de dispersão de 
silicatos
0,03Aprox. 200Tintas de silicatos
0,03-Tintas a calPinturas
(sd-valor para 150 m espessura)
0,10Rebocos de recuperação
0,50Argamassas de resinas 
sintéticas
0,15Argamassas de dispersão de 
silicatos
0,10Argamassas de gesso e de 
gesso-cal
0,3050Argamassas de cimento
0,20Argamassas de cal hidráulica
0,1520Argamassas de calRebocos e argamassas
(sd-valor para 10mm espessura)
sd-Valor 
em m
-ValorMaterial
Grupo de materiais
3Aprox. 30Espessura 10cmMateriais isolantes térmicos
200Aprox. 
2.000 000
Espessura 100 mLâmina de alumínio
Placas de gesso acartonado
0,8-2Aprox. 40Espessura 2cmMadeira
30100Concreto armado
4,515Blocos sílico-calcáreos
310Blocos vazados cerâmicos
310Tijolos maciçosPedras e concreto
(sd-Valor para 30cm espessura)
0,45Aprox. 
4500
Tintas acrílicas
0,05Aprox. 260Tintas a base de resinas 
silicone
Tintas a base de colas
0,04Aprox. 330Tintas de dispersão
0,03Aprox. 200Tintas de dispersão de 
silicatos
0,03Aprox. 200Tintas de silicatos
0,03-Tintas a calPinturas
(sd-valor para 150 m espessura)
0,10Rebocos de recuperação
0,50Argamassas de resinas 
sintéticas
0,15Argamassas de dispersão de 
silicatos
0,10Argamassas de gesso e de 
gesso-cal
0,3050Argamassas de cimento
0,20Argamassas de cal hidráulica
0,1520Argamassas de calRebocos e argamassas
(sd-valor para 10mm espessura)
sd-Valor 
em m
-ValorMaterial
Grupo de materiais
Patologia e Recuperação de Estruturas 54
Transporte por sorção e dessorção higroscópica 
Materiais porosos têm a tendência ao equilíbrio da umidade com o ambiente envolvente, é a chamada
umidade de equilíbrio ou umidade higroscópica, e sendo que o transporte se dá por sorção e dessorção
higroscópica. Em função da umidade relativa do ar, são adsorvidas moléculas de água nas paredes dos poros
internos dos materiais ou disponibilizadas moléculas de água, para evaporação.
Material Umidade Higroscópica de equilíbrio em % ( umidade relativa 
do ar correspondente)
Tijolos antigosde Estruturas 60
10. Transporte de sais pelos materiais de construção 
Tipos de sais envolvidos nos mecanismos de deterioração 
A indicação de “salitre” é muitas vezes utilizada para o diagnóstico de eflorescências em alvenarias,
mas é genérica e muitas vezes incorreta. A denominação “salitre” identifica corretamente apenas o nitrato
de cálcio (Ca (NO3)2 . 4H2O).
Ao lado de nitratos aparecem os sulfatos e cloretos como sais responsáveis por anomalias e danos 
nas edificações em serviço. 
Do ponto de vista do comportamento patológico dos sais, as seguintes características são
importantes:
- Solubilidade;
- Pressão de cristalização;
- Pressão de hidratação;
- Higroscopicidade;
- Osmose.
Patologia e Recuperação de Estruturas 61
3 CaO.Al2O3
.3CaSO4
.32H2OEtringita
K2SO4Sulfato de potassio
Na2SO4...10H2OMirabilit, Glaubersalz
NH4NO3Ammonsalpet
er
Na2SO4Sulfato de natrio
NaNO3NitronatritMgSO4...7H2O Epsomit
Mg(NO3)2
. 6H2ONitromagnesitMgSO4...6H2O Hexahydrit
Mg(NO3)2Nitrato de 
magnesio
MgSO4
. H2OKieserit
KNO3NitrokalitMgSO4Sulfato de magnesio
5Ca(NO3)2..4NH4NO
.10H2O
Salitre de 
calcio
CaSO4
. 2 H2OSulfato de calcio, Gesso
Ca(NO3)2...4H2ONitrato de 
calcio (Salitre)
CaSO4
. 1/2H2OBasanita
Ca(NO3)2Nitrato de 
calcio
Nitratos
CaSO4Sulfato de calcio
Sulfatos
K2CO3
. 2H2OCarbonato de potassio
K2CO3Carbonato de potassio
MgCl2 . 6H2OMagnesiumchl
orid, Bischofit
KHCO3Calcinita
MgCl2Cloreto de 
magnesio
Na2CO3
. H2OThermonatrit
CaCl2 . 6H2OAntracitaNa2CO3
. 10H2OCarbonato deNatrio, 
Soda
CaCl2Cloreto de 
calcio
MgCO3Carbonato de magnesio 
Magnesita
KClCloreto de 
potassio
CaMg(CO3)2Dolomita
NaClCloreto de 
natrio Halita
Cloretos
CaCO3Calcita
Carbonatos
Formula quimicaDenominacaoGrupoFormula quimicaDenominacaoGrupos
3 CaO.Al2O3
.3CaSO4
.32H2OEtringita
K2SO4Sulfato de potassio
Na2SO4...10H2OMirabilit, Glaubersalz
NH4NO3Ammonsalpet
er
Na2SO4Sulfato de natrio
NaNO3NitronatritMgSO4...7H2O Epsomit
Mg(NO3)2
. 6H2ONitromagnesitMgSO4...6H2O Hexahydrit
Mg(NO3)2Nitrato de 
magnesio
MgSO4
. H2OKieserit
KNO3NitrokalitMgSO4Sulfato de magnesio
5Ca(NO3)2..4NH4NO
.10H2O
Salitre de 
calcio
CaSO4
. 2 H2OSulfato de calcio, Gesso
Ca(NO3)2...4H2ONitrato de 
calcio (Salitre)
CaSO4
. 1/2H2OBasanita
Ca(NO3)2Nitrato de 
calcio
Nitratos
CaSO4Sulfato de calcio
Sulfatos
K2CO3
. 2H2OCarbonato de potassio
K2CO3Carbonato de potassio
MgCl2 . 6H2OMagnesiumchl
orid, Bischofit
KHCO3Calcinita
MgCl2Cloreto de 
magnesio
Na2CO3
. H2OThermonatrit
CaCl2 . 6H2OAntracitaNa2CO3
. 10H2OCarbonato deNatrio, 
Soda
CaCl2Cloreto de 
calcio
MgCO3Carbonato de magnesio 
Magnesita
KClCloreto de 
potassio
CaMg(CO3)2Dolomita
NaClCloreto de 
natrio Halita
Cloretos
CaCO3Calcita
Carbonatos
Formula quimicaDenominacaoGrupoFormula quimicaDenominacaoGrupos
Patologia e Recuperação de Estruturas 62
Características dos sais 
Solubilidade
Os sais prejudiciais à durabilidade das
edificações são em princípio aqueles facilmente
solúveis em água. Esta característica faz com que
possam ser transportados e distribuídos pelos
movimentos da água, em todos os materiais
porosos. A altura de ascensão capilar dos sais é
função do seu grau de solubilidade.
REBOCO
ALTA EFLORECÊNCIA
CLORETO E NITRATO
PISO
SULFATO
PRECIPITAÇÃO
NIVEL DO SOLO
UMIDADE ASCENDENTE COM IONS DISSOLVIDOS
DE : Na, K, Ca, Mg, SO4, CO3, Cl, NO3
PAREDE
Patologia e Recuperação de Estruturas 63
Sal Denominação Solubilidade
CaCl2 Cloreto de cálcio 42,5
Ca(NO3)2 Nitrato de cálcio 56,0
Ca(NO3)2..4H2O Nitrato de cálcio "salitre" 266,00
CaCO3 Carbonato de cálcio 0,0015
CaSO4 Sulfato de cálcio 0,199
CaSO4..2H2O Sulfato de cálcio "gesso" 0,24
KCl Cloreto de potássio 25,5
K2CO3 Carbonato de potássio 52,5
KNO3 Nitrato de potássio 24,0
K2SO4 Sulfato de potássio 10,0
MgCl2 Cloreto de magnésio 35,2
Mg(NO3)2 Nitrato de magnésio 41,5
MgCO3 Carbonato de magnésio 0,0034
MgSO4 Sulfato de magnésio 25,8
MgSO4..2H2O Sulfato de magnésio (sal amargo) 71,0
Na2SO4..10H2O Sulfato de sódio 11,0
Na2CO3..10H2O Carbonato de Sódio 21,0
NaCl Cloreto de sódio 26,5
NaNO3 Nitrato de sódio 46,4
NaSO4 Sulfato de sódio 16,2
Solubilidade de sais mais comuns em deterioração de materiais 
de construção (g de sal/100 g de água, a 20 oC). 
Patologia e Recuperação de Estruturas 64
Pressão de cristalização
Se os capilares de um material contiverem soluções super
saturadas de sais, ocorrerá um aumento de volume na passagem
do estado líquido ao cristalino. Isto significa que a solução
supersaturada apresenta volume menor do que o somatório dos
cristais constituintes da solução. Se a solução supersaturada
preencher totalmente os poros e capilares, por ocasião da
secagem e conseqüente cristalização dos sais, ocorrerá uma
pressão hidrostática nas paredes dos poros, a chamada pressão
de cristalização. Esta pressão depende, entre outras, do grau de
super saturação de uma solução salina e das condições de
temperatura. Existem dois tipos de cristalização:
- cristalização por evaporação da solução, por exemplo, por
mudanças na umidade do ar;
- cristalização por reações químicas.
Patologia e Recuperação de Estruturas 65
Fórmula química Volume Molar Pressão de cristalização (N/mm 2)
C / Cs = 2 C / Cs = 10
0 ºC 50 ºC 0 ºC 50 ºC
CaSO4 . 1/2H2O 46 33,5 39,8 112,0 132,5
CaSO4 . 2H2O 55 28,2 33,4 93,8 111,0
MgSO4 . 7H2O 147 10,5 12,5 35,0 41,5
MgSO4 . 6H2O 130 11,8 14,1 39,5 49,5
MgSO4 . 1H2O 57 27,2 32,4 91,0 107,9
Na2SO4 . 10H2O 220 7,2 8,3 23,4 27,7
Na2SO4 53 29,2 34,5 97,0 115,0
NaCl 28 55,4 65,4 184,5 219,0
Na2CO3 . 10H2O 199 7,8 9,2 25,9 30,8
Na2CO3 . 7H2O 154 10,0 11,9 33,4 36,5
Na2CO3 . 1H2O 55 28,0 33,3 93,5 110,9
Pressão de cristalização a 0 oC e a 50 oC, para soluções supersaturadas em 2 e 10 vezes o 
limite de solubilidade
Patologia e Recuperação de Estruturas 66
Pressão de hidratação
Diversos sais apresentam, na fase de cristalização ou em determinadas temperaturas, a
propriedade de armazenar água em sua estrutura cristalográfica, sendo essa a origem do
aumento de volume.
Para que ocorra a pressão de hidratação são necessários diversos requisitos:
- o sal deve ser passível de cristalização com diferentes teores de água;
- a entrada de água deve ser possível;
- condições de pressão e temperatura ambiente que levem à ultrapassagem do ponto de
transformação da fase anidra ou semi-hidratada para a fase rica em água;
- geometria dos poros específica como obstáculo para a cristalização dos sais na fase rica em
água.
Patologia e Recuperação de Estruturas 67
Transformação 
mineral Reacão química 
Fator de 
incremento de 
volume 
Bassanita para gipsita CaSO4 
. 1/2H2O + 1,5 H2O ® CaSO4 . 2 H2O 1,4 
Sulfato de magnésio 
hidratado para 
Epsomita 
MgSO4.
..6H2O + H2O ® MgSO4.
..7H2O 1,1 
Sulfato de magnésio 
hidratado para 
Hexadrita 
MgSO4 . H2O + 5 H2O ® MgSO4...6H2O 2,3 
Tenardita para 
Mirabilita 
 
Na2SO4 + 10 H2O ® Na2SO4...10H2O 4,2 
Thermonatrit para 
Soda 
Na2CO3 
. H2O + 9 H2O ® Na2CO3 . 10H2O 3,6 
 
Exemplos de reações de hidratação e pressão de hidratação 
correspondentes
Patologia e Recuperação de Estruturas 68
Obrigado pela atenção!
emesquita@ufc.br

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