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Conteudista: Prof.ª M.ª Marize Oliveira dos Reis Revisão Textual: Me. Luciano Vieira Francisco DESAF IO ATIVIDADE Material Teórico Material Complementar Situação-Problema 1 Situação-Problema 2 Situação-Problema 3 Problema em Foco Atividade de Entrega Projeto Integrador Transdisciplinar em Criminologia R EF ER ÊN CIAS Referências Olá, estudante! Vamos iniciar a disciplina abordando os conceitos necessários para que você possa realizar a atividade através das situações-problema mais à frente. O Governo e a Administração Pública Tratamos o tempo todo sobre o Estado, mas pouco realmente se sabe o que ele é e qual é a sua finalidade. O Estado é uma sociedade política, uma sociedade com poder decisório, que tem como finalidade primordial proporcionar a proteção, ordem, o bem-estar e progresso através da promoção da coexistência pacífica entre os indivíduos que o compõem e a ordem social, para que possam se desenvolver, proporcionando contentamento para toda a sociedade. 1 / 8 Material Teórico Atenção, estudante! Aqui, reforçamos o acesso ao conteúdo online para que você assista à videoaula. Será muito importante para o entendimento do conteúdo. Comumente nos reportamos aos membros do Governo como fossem o próprio Estado, mas na realidade estamos diante de coisas distintas. Em um primeiro momento podemos afirmar que o Estado é permanente, enquanto o Governo é transitório, o que fica ainda mais evidente em Estados democráticos – como o nosso, em que os ocupantes do Governo, os agentes políticos, possuem mandatos fixos e com limite de uma única recondução sequencial. Tais agentes são responsáveis pela atuação estatal, comando realizado através de um núcleo decisório, denominado Governo, sendo incumbidos da gestão do interesse público. O Governo é o conjunto de órgãos do Estado e de seus poderes, através dos quais são direcionadas as atuações do Estado, fixando os seus objetivos políticos. E a Administração Pública? Trata-se de um conjunto de entidades e órgãos comprometidos à realização da finalidade do Estado, interesse público e dos objetivos políticos do Governo. Para tal, é composta de instituições, órgãos e agentes comprometidos legalmente à consecução dos interesses coletivos, atuando através de função administrativa, concretizando a finalidade do Estado. Tendo em vista que o vocábulo administrar nos leva à ideia de prestar serviço, executar, determinar um programa de ação ou exercer uma vontade com a finalidade de alcançar um resultado útil e esperado, o melhor entendimento nos levaria à compreensão de que Administração Pública corresponderia ao conjunto de entidades, de órgãos e de atividades exercidas com o objetivo de alcançar a concretização do interesse coletivo, conforme a finalidade determinada pelo Estado e a direção indicada pelo Governo. Assim, nas palavras de Helly Lopes Meirelles (2009, p. 57): “O Governo comanda com responsabilidade constitucional e política, mas sem responsabilidade profissional pela execução; a Administração executa sem responsabilidade constitucional ou política, mas com responsabilidade técnica e legal pela execução. A Administração é o instrumental de que dispõe o Estado para por em prática as opções políticas do Governo. Isto não quer dizer que a Administração não Figura 1 – Serviço de monitoramento Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de duas pessoas, um homem e uma mulher, sentados diante de uma mesa, cada um com um computador à sua frente e observando diversas telas de monitoramento. Fim da descrição. tenha poder de decisão. Tem. Mas o tem somente na área de suas atribuições e nos limites legais de sua competência executiva, só podendo opinar e decidir sobre assuntos jurídicos, técnicos, financeiros ou de conveniência e oportunidade administrativas, sem qualquer faculdade de opção política sobre a matéria.” Atividade Administrativa A atuação da Administração Pública é melhor designada através do vocábulo função que, no viés administrativo, relaciona-se àquela atividade exercida por um agente público em prol do interesse público. A função administrativa é exercida por todos os poderes, órgãos estatais, mas é indubitavelmente uma função típica do Poder Executivo, exercido pelos demais como uma função atípica. Ainda, a atividade administrativa é exercida por todos os entes componentes do Estado, quais sejam, União, Estados, Municípios e Distrito Federal, importando nas denominadas quatro esferas político- administrativas: Administração Pública Federal, Administração Pública Estadual, Administração Pública Distrital e Administração Pública Municipal. Todas as atividades da Administração Pública, as funções administrativas, são dirigidas por princípios básicos, previstos na Constituição Federal e por princípios de Direito Administrativo, previstos na própria Constituição, nas leis esparsas – todos esses defendidos pela doutrina e reconhecidos pela jurisprudência. Glossário Função típica: é a tarefa primordial, predominante, de cada um dos poderes; Função atípica: é aquela exercida de forma secundária por um determinado poder. Figura 2 – Serviço prisional Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia com a imagem de uma cerca de proteção de uma prisão, destacando-se a composição de arame farpado. No fundo há um homem localizado em uma torre de vigilância, observando a área externa do local protegido. Fim da descrição. Organização da Administração Pública A Administração Pública é exercida, conforme já exposto, em quatro esferas (federal, estadual, distrital e municipal), através de um sistema centralizado ou descentralizado. A desconcentração é observada quando ocorre uma distribuição, organização da atividade administrativa, em diversos níveis dentro de uma estrutura administrativa pertencente a uma mesma entidade. A ideia é retirar funções administrativas que em primeiro momento estariam destinadas a um centro administrativo, repartindo-as entre órgãos de sua própria estrutura, sem uma ruptura hierárquica. Tal órgão corresponderia à parte da entidade, denominada repartição pública, identificando um núcleo de atribuições administrativas sem autonomia. A Administração Direta é aquela exercida pelo próprio Estado, através da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por meio da forma identificada como centralizada e desconcentrada, uma vez que a atividade administrativa é exercida por órgãos, com competências específicas, componentes das entidades estatais e a estes subordinados. No âmbito estadual, poderíamos exemplificar a atuação da Administração Direta da seguinte forma: Nesse raciocínio, os Estados brasileiros possuem várias competências, atribuições administrativas que são repartidas a cada um de seus órgãos, de forma escalonada e hierárquica, configurando a soma de suas atribuições à competência conferida ao próprio Estado-membro. Na descentralização, a Administração transfere, distribui ou desloca a prestação do serviço para a Administração Indireta. A Administração Indireta é aquela composta por pessoas jurídicas de direito público ou privado, que são criadas ou instituídas por lei específica, para a consecução de um interesse público. São exemplos de pessoas jurídicas componentes da Administração Indireta as autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de economia mista. A pessoa jurídica criada por um dos entes para a composição da Administração Indireta não ficará subordinada àquela que a criou, uma vez que não existe relação hierárquica. Entretanto, o ente que a criou manterá o controle e a fiscalização sobre o serviço descentralizado, confirmando a sua atuação em conformidade com as regras impostas pela lei instituidora. Governo do Estado;1 Secretaria de Segurança Pública;2 Departamento Penitenciário.3 A ideia de uma administração pública indireta despontou como uma solução estatal para o problema de incompetência, inabilidade na prestação de determinados serviços marcados pela essencialidadeao interesse coletivo e à impossibilidade de acessibilidade econômica a um segmento da sociedade ou que não despertava o interesse da iniciativa privada, diante do pouco lucro alcançado. Figura 3 – Serviço de proteção Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de um corredor de acesso às celas de uma prisão, com portas de um lado e do outro e uma parede com janelas. Fim da descrição. Os Princípios da Administração Pública Visando alcançar a finalidade do Estado, qual seja, a consecução do interesse público, oferece-se prerrogativas e impõe-se restrições ao administrador público através da aplicação do regime jurídico administrativo, que nada mais é do que um conjunto de princípios e normas para a atuação da Administração Pública. Diferentemente da atividade particular, de cada indivíduo, exercida com plena liberdade, nos limites da Lei, observando-se, via de regra, valores pessoais ou, no máximo, valores dos pequenos grupos aos quais pertencem, toda a atuação administrativa deve ser norteada, conduzida através de princípios que servem de vetores e parâmetros, com o objetivo de proteger o interesse público, evitando-se o seu desvio de finalidade e servindo como forma garantidora de coerência e harmonia da atividade pública em todas as esferas de atuação. Como a atuação da Administração Pública ocorre em diversas esferas (federal, estadual, municipal e distrital), para que exista harmonia e coerência na sua atuação, a Constituição Federal, norma máxima do Estado brasileiro, indica cinco princípios basilares da atividade administrativa: Desrespeitar qualquer um desses princípios é uma ofensa a todo um sistema, uma vez que a violação feriria o interesse público, desviando dos valores fundamentais do Estado na promoção do bem comum. Os princípios básicos são destinados a toda a Administração Pública, seja ela direta ou indireta, norteando a atividade administrativa nos seus atos internos ou externos, na promoção do interesse público e na gestão da coisa pública. - BRASIL, 1988, grifo nosso “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte:” Popularmente, os princípios básicos, relacionados no Caput do artigo 37 da Constituição Federal de 1988 são conhecidos como Limpe, como uma referência à primeira letra de cada um dos cinco princípios ali expressos, vejamos:. Legalidade Apenas pode ser realizado pelo administrador aquilo que está previsto na Lei, obedecendo-se também à forma prevista legalmente. O princípio da legalidade é identificado como uma das maiores garantias dos indivíduos contra o abuso por parte dos governantes, vinculando a atuação da Administração e, por conseguinte, do agente público, à forma e às condições previstas em Lei. “Para o particular, vigora o princípio da autonomia da vontade, já que este poderá fazer tudo que a Lei não proíba. Esse entendimento decorre do próprio texto constitucional: 'Art. 5.º, II, CF/1988: ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de Lei”. Com isso, percebe-se que tudo o que não for proibido por Lei será permitido ao particular. Por exemplo, poderá este escolher entre casar ou não, ter filhos ou não, residir na região Norte ou Sul do País e o Poder Público não poderá punir o indivíduo por suas escolhas. Contudo, se o particular resolver dirigir sem a devida licença, a Administração, usando de seu poder de polícia, sancionar-lhe-á por estar atuando de maneira contrária aos preceitos da Lei. Já para o administrador não existirá autonomia da vontade, pois este se encontra subordinado aos termos da Lei, apenas podendo agir se existir um permissivo legal para a sua atuação. Por exemplo, não poderá o Poder Executivo federal abrir novos concursos se não existir autorização na Lei Orçamentária. Impessoalidade A Administração Pública e os seus agentes devem atuar com foco no atendimento do interesse coletivo, geral, mesmo que indiretamente acabe por beneficiar algumas pessoas. A Administração Pública está proibida de utilizar a receita pública e os agentes públicos para proporcionar interesses próprios ou de terceiros, estando impedida de agir de forma a beneficiar determinada pessoa. A impessoalidade é determinada como princípio com o objetivo de aplicar a igualdade na atuação da Administração Pública, proibindo o favorecimento pessoal ou tratamento diferenciado aos que se encontrem na mesma situação. - CAMPOS, 2021, p. 28 Importante! Conforme destacado por Ana Cláudia Campos (2021, p. 32): Assim, percebe-se que a legalidade gera um efeito positivo ao administrador (autoriza-o a agir) e um efeito negativo ao particular (proíbe-o de agir). Logo, no caso de ausência de Lei (lacuna legislativa), o particular estará autorizado a agir e o administrador, a contrario sensu, estará com sua atuação vedada.” “Caso clássico de exemplo de impessoalidade em provas de concurso é a vedação ao nepotismo, estabelecida pela Súmula Vinculante 13 (STF): 'A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal. A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” Figura 4 – Tratamento desigual Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: fotografia de um homem vestindo um terno, o foco da imagem esta em suas mãos algemadas usando um smartphone, a sua frente há grades de uma prisão. Fim da descrição. Segundo a Lei 11.406/2007 (Lei de Execução Penal), é considerada falta grave ter, utilizar ou fornecer aparelho telefônico, de rádio ou similar, que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo. Assim, a permissão ou omissão estatal diante do porte e da utilização de aparelho celular por determinado preso configuraria atuação pessoal, conferindo privilégio a quem deveria ter o mesmo tratamento imposto pela Lei a todos que se enquadrem na mesma situação. Moralidade A atividade administrativa deve atender aos valores éticos, observando-se o que é compreendido pela sociedade como correto, obedecendo-se à Lei, moral e aos deveres da boa administração. Importante destacar que a moral aqui indicada não se relaciona à consciência do agente, mas sim à conduta que a Administração Pública deve seguir, sempre em conformidade com os princípios que norteiam a sua atuação. Publicidade Os atos da Administração Pública devem ser divulgados, com o objetivo de proporcionar o controle e possibilitar a fiscalização e execução do interesse público. É possível exceção ao princípio quando a publicação de ato administrativo colocar em risco a segurança do próprio Estado ou da sociedade. Assim, em situações excepcionais, poderá ser mantido sigilo sobre atuação administrativa, justificado em evitar prejuízo ao interesse público. Contudo, visualize o que ocorreria se todos os atos da Administração Pública fossem sigilosos. Será que muitos abusos e desvios seriam praticados? Será que se a contrataçãode uma empresa para fornecimento de alimentos a um sistema prisional seria realizada com lisura, com valores justos e em condições compatíveis com o determinado pelo Estado e pela dignidade humana? A Administração Pública tem como dever comunicar à coletividade a prática de seus atos, dando transparência à atuação estatal e garantindo o controle de seus atos. Eficiência O princípio tem como fundamento o desejo pela qualidade do serviço ofertado pela Administração Pública, que deve adotar critérios técnicos que assegurem o melhor resultado possível. A Administração Pública como um todo e, com nosso foco, especialmente a administração no sistema prisional, necessita de agentes eficientes, bem-preparados e aptos ao trabalho necessário. A atuação do servidor público deve ser profissional, buscando alcançar o melhor resultado possível, observando padrões modernos de prestação e gestão de serviços, com constante atualização e aperfeiçoamento, com o objetivo de proporcionar o exercício de direitos aos usuários, que diante de falhas e omissões, poderão, inclusive, responsabilizar a Administração Pública. Além dos princípios aqui discorridos e expressos na Constituição Federal de 1988, outros princípios são informados pela doutrina e jurisprudência, como vetores da atividade administrativa, destacando-se: Princípio do interesse público: indica que diante de um confronto entre o interesse público e o interesse do particular, prevalecerá o interesse público, onde se concentra o interesse da coletividade, sem, no entanto, serem desrespeitados os direitos individuais e os princípios da Administração Pública; Princípio da indisponibilidade: determina que os bens, direitos e interesses públicos são confiados ao administrador público apenas para a sua gestão, sem a liberdade para realizar transações sem autorização legal anterior; Princípio da continuidade: a atuação da Administração Pública é ininterrupta e os serviços públicos não devem sofrer paralizações; Princípio da autotutela: no âmbito da própria Administração Pública, os atos podem ser revistos quando se apresentarem ilegais, sendo anulados; ou inconvenientes, sendo revogados; Princípio da especialidade: a atuação da Administração Pública deve ser vinculada à finalidade para qual foi instituída, sendo proibida a alteração ou modificação de seus objetivos; Princípio da presunção de legitimidade: as decisões da Administração Pública são dotadas do atributo da presunção de legitimidade e de legalidade, conferindo o poder de execução direta, pela própria Administração, do conteúdo do ato ou da decisão administrativa, mesmo sem a concordância do particular; Princípio da razoabilidade: a Administração Pública deve atuar escolhendo a opção mais vantajosa à consecução do interesse público, observando valores comuns à coletividade, sendo impedida de, no uso da discricionariedade, tomar decisão sem equilíbrio ou distante da razão comum, segundo o entendimento do próprio agente; Princípio da proporcionalidade: obriga a permanente adequação entre os meios e fins, banindo-se medidas abusivas ou de qualquer modo com intensidade superior ao estritamente necessário. O administrador público deve sacrificar o mínimo possível para Os Agentes dos Serviços Penais Os agentes de atividades dos serviços penais caracterizam-se por serem grupos organizados hierarquicamente, de modo profissionalizado e especializado, desenvolvendo, de modo exclusivo, as funções de segurança pública diante de um público determinado e com atuação no âmbito interno, integrando a Administração Pública. preservar o máximo de direitos, obrigando-se à adequação entre os meios e fins, de forma a banir condutas abusivas ou mais intensas que o necessário; - CAMPOS, 2021, p. 47 Princípio da motivação: os atos praticados pela Administração Pública devem ser justificados, para que se conheça os motivos que ensejaram a sua prática e previsão legal em que se fundam, propiciando a identificação da compatibilidade entre o ocorrido e a medida adotada; Princípio da segurança jurídica: igualmente denominado princípio da estabilidade das relações jurídicas, tem como finalidade garantir um mínimo de segurança diante das mudanças inevitáveis da sociedade e do Direito, impedindo que novas orientações/interpretações produzam efeitos retroativos, garantindo previsibilidade e estabilidade nas atividades administrativas, para a segurança dos particulares. “Em outras palavras, esse princípio visa a coibir excessos, tanto no âmbito interno (poder disciplinar) quanto no âmbito externo (poder de polícia). Por exemplo, seria desproporcional a aplicação da punição de demissão a um servidor pelo simples fato de ele ter chegado atrasado ao seu local de trabalho.” A atividade desenvolvida pelo agente de serviços penais necessita de constante capacitação técnica para enfrentar comportamentos não convencionais, garantir o cumprimento da vontade estatal e o cumprimento de direitos fundamentais. Enquanto serviço público, as atividades de serviços penais são assim consideradas por pretenderem atender aos interesses públicos e por serem atividades realizadas pelo Estado, sendo classificadas quanto à essencialidade como um serviço de relevância pública, ou seja, pró-comunidade, e quanto ao destinatário, como um serviço geral, ou uti universi. A atividade de serviços penais consiste em uma atuação de competência comum entre os entes componentes do Estado (mais de um ente pode e deve exercê-la), cabendo ser praticada segundo os princípios básicos da Administração Pública, estes previstos na Constituição Federal, como também se subordina aos demais princípios de Direito Administrativo aqui expostos. Imagine a greve dos agentes que atuam nos serviços penais. Quais seriam os prejuízos à coletividade? Provavelmente teríamos prejuízos incalculáveis. Assim, trata-se de serviço essencial e imprescindível ao interesse público, não se admitindo a sua suspensão. A atuação do agente de serviços penais deve obediência irrestrita à Lei e aos princípios norteadores da atividade administrativa, garantindo-se o respeito à cidadania e à finalidade do Estado de proporcionar o bem comum. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta disciplina: SITE Laboratório de Gestão de Políticas Penais Site do Laboratório de Gestão de Políticas Penais, que integra o Departamento de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília, visando promover a produção e disseminação de conhecimento, formação acadêmica e profissional, extensão universitária, comunicação, formulação de políticas e implementação de propostas que possam contribuir na revisão, delimitação e estruturação da política penal com base no Estado Democrático de Direito e nos Direitos Humanos. https://bit.ly/3JSpz2J LEITURA A Inter-relação entre o Processo Administrativo Disciplinar e o Processo Criminal, Quanto aos Desvios de Conduta do Servidor Público. O artigo apresenta a correspondência entre o processo administrativo disciplinar e o processo penal para a apuração e aplicação de punição aos desvios de conduta do servidor público, especialmente observando-se as garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e, assim, da necessidade de justa causa para a instauração do processo administrativo em face 2 / 8 Material Complementar https://bit.ly/3JSpz2J do servidor. https://bit.ly/3XGmOaB Os Princípios Mais Relevantes do Direito Administrativo O artigo apresenta os princípios constitucionais básicos da Administração Pública e outros princípios à prestação de serviços públicos. https://bit.ly/44fPWrv O Princípio da Moralidade da Administração Pública O artigo discorre sobre o princípio da moralidade, destacando a sua importância anterior à própria Constituição Federal de 1988, sendo, inclusive, reconhecido pela jurisprudência e doutrina, como informador do princípio da legalidade. https://bit.ly/44fr3wn https://bit.ly/3XGmOaB https://bit.ly/44fPWrvhttps://bit.ly/44fr3wn Caro(a), estudante. Agora, vamos compreender o cenário que será abordado na primeira situação-problema da disciplina. Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade. Aplicação dos Princípios da Administração Pública nas Atividades do Agente dos Serviços Penais O diretor de divisão da Administração Penitenciária do Estado Alfa nomeou discricionariamente o seu filho, Gumercindo Todo Prosa, para o exercício de cargo público no mesmo órgão, cujo ingresso deveria ocorrer exclusivamente através de concurso público, conforme previsto em Lei. O secretário de Segurança Pública, em situação hierárquica superior a do diretor de divisão da Administração Penitenciária, tomou conhecimento do ato através da publicação realizada em Diário Oficial. 3 / 8 Situação-Problema 1 Neste caso, como deverá agir o secretário diante do ato de seu subordinado? Quais princípios constitucionais da Administração Pública foram desrespeitados pelo diretor de divisão da Administração Penitenciária do Estado Alfa? Justifique a sua resposta. Vamos compreender o cenário que será abordado na segunda situação-problema da disciplina. Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade. O Estado Alfa, vislumbrando a melhor prestação da atividade administrativa, criou a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária, órgão responsável pelo sistema carcerário e penitenciário do Estado. Diante do exposto, é possível à Administração repartir a sua atividade da forma proposta? Estamos diante de qual modelo de organização da Administração Pública? Justifique a sua resposta. 4 / 8 Situação-Problema 2 Por fim, vamos compreender o último cenário, abordado na terceira situação-problema da disciplina. Atente-se à situação profissional que você precisará entender para poder realizar a atividade. Gumercindo Todo Prosa foi aprovado em concurso público para o cargo de agente penitenciário, sendo nomeado. Tão logo ingressou no exercício da função administrativa, após uma análise mais detalhada da documentação apresentada por Gumercindo, a Administração Pública chegou à conclusão de que os documentos por ele apresentados são falsos e, desta forma, a sua aprovação e posterior nomeação tornaram-se sem efeito. Neste caso e tendo em vista a atuação da Administração Pública, estamos diante de qual princípio de Direito Administrativo? Explique como deve ser aplicado esse princípio pela Administração Pública. 5 / 8 Situação-Problema 3 Situação 1 Observe que o problema identifica a existência de uma norma, uma lei que determina regra à Administração Pública e, ao mesmo tempo, que a contratação beneficiou um familiar de gestor público, ferindo preceitos constitucionais basilares. Assim, caberá identificar o agir correto do gestor e os princípios que foram feridos. Situação 2 A Administração Pública pode agir através do próprio ente estatal, por meio de seus órgãos ou criar pessoas jurídicas especialmente para determinada prestação de serviço. Caberá, assim, analisar a questão da desconcentração e descentralização na Administração Pública. Situação 3 Deve-se observar que a Administração Pública possui o poder-dever de controlar os seus próprios atos, zelando pelo cumprimento da estrita legalidade administrativa, identificando o princípio que justifica o agir da autoridade. 6 / 8 Problema em Foco Muito bem, estudante. Agora que você já leu todas as situações-problema, você pode fazer o download deste arquivo para realizar a atividade de entrega. Caso prefira, o arquivo também se encontra no Ambiente Virtual de Aprendizagem. 7 / 8 Atividade de Entrega https://bb.cruzeirodosulvirtual.com.br/bbcswebdav/xid-135968949_1 CAMPOS, A. C. Direito Administrativo facilitado. 1. ed. São Paulo: Grupo GEN, 2021. (e-book) MAZA, A. Manual de Direito Administrativo. 1. ed. São Paulo: Saraiva, 2022. (e-book) MEIRELLES, H. L. Direito Administrativo Brasileiro. 35. ed. Rio de Janeiro: Malheiros, 2009. 8 / 8 Referências Muito bem, estudante! Você concluiu o material de estudos! Agora, volte ao Ambiente Virtual de Aprendizagem para realizar a Atividade.