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AULA 02 – DIREITO CIVIL IV (CONTRATOS)
Prof.ª Esp. Ariana Andrade de Carvalho
EMENTA
Conceito
Natureza Jurídica
Elementos
Princípios dos Contratos
Formação dos Contratos
Classificação dos Contratos
Estipulação em Favor de Terceiro
Promessa de Fato de Terceiro
Vícios Redibitórios e Evicção
Contratos Aleatórios
Contrato Preliminar
Contrato com Pessoa a Declarar
Extinção do Contrato
Contratos em espécies 
CONCEITO
O CONTRATO é uma espécie de negócio jurídico que depende, para a sua formação, da participação de pelo menos duas partes. É, portanto, NEGÓCIO JURÍDICO BILATERAL OU PLURILATERAL. 
Carlos Roberto Gonçalves
CONTRATO é um acordo de vontades, na conformidade da lei, e com a finalidade de adquirir, resguardar, transferir, conservar, modificar ou extinguir direitos. 
Caio Mario
CONCEITO
Atenção!!
É a mais importante fonte de obrigações!
Sempre, pois, que o negócio jurídico resultar de um MÚTUO CONSENSO, de um encontro de duas vontades, estaremos diante de um CONTRATO. Essa constatação comprova que o contrato não se restringe ao direito das obrigações, estendendo-se a outros ramos do DIREITO PRIVADO (o casamento, p. ex., é considerado um contrato especial, um contrato do direito de família) e também ao DIREITO PÚBLICO (são em grande número os contratos celebrados pela Administração Pública, com características próprias), bem como a toda espécie de convenção de vontades..
NATUREZA JURÍDICA
 É um negócio jurídico.
elementos
Para que o negócio jurídico PRODUZA EFEITOS, possibilitando a AQUISIÇÃO, MODIFICAÇÃO OU EXTINÇÃO DE DIREITOS, deve preencher certos requisitos, apresentados como os de sua validade. Se os possui, é válido e dele decorrem os mencionados efeitos, almejados pelo agente. Se, porém, falta-lhe um desses requisitos, o negócio é inválido, não produz o efeito jurídico em questão e é nulo ou anulável. 
Os requisitos ou condições de validade dos contratos são de duas espécies: 
A) DE ORDEM GERAL, comuns a todos os atos e negócios jurídicos, como a capacidade do agente, o objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e a forma prescrita ou não defesa em lei (CC, art. 104); 
B) DE ORDEM ESPECIAL, específico dos contratos: o consentimento recíproco ou acordo de vontades. 
Os requisitos de validade do contrato podem, assim, ser distribuídos em três grupos: SUBJETIVOS, OBJETIVOS E FORMAIS.
REQUISITOS SUBJETIVOS
Os requisitos subjetivos consistem: 
A) NA MANIFESTAÇÃO DE DUAS OU MAIS VONTADES E CAPACIDADE GENÉRICA DOS CONTRAENTES: Estes serão nulos ou anuláveis, se a incapacidade, absoluta ou relativa, não for suprida pela representação ou pela assistência.
B) NA APTIDÃO ESPECÍFICA PARA CONTRATAR: Além da capacidade geral, exige a lei a especial para contratar. Algumas vezes, para celebrar certos contratos, requer-se uma capacidade especial, mais intensa que a normal, como ocorre na doação, na transação, na alienação onerosa, que exigem a capacidade ou poder de disposição das coisas ou dos direitos que são objeto do contrato. Outras vezes, embora o agente não seja um incapaz, genericamente, deve exibir a outorga uxória ou marital.
C) NO CONSENTIMENTO: O requisito de ordem especial, próprio dos contratos, é o consentimento recíproco ou acordo de vontades. Deve abranger os seus três aspectos: 
c1) acordo sobre a existência e natureza do contrato (se um dos contratantes quer aceitar uma doação e o outro quer vender, contrato não há); 
c2) acordo sobre o objeto do contrato; e 
c3) acordo sobre as cláusulas que o compõem (se a divergência recai sobre ponto substancial, não poderá ter eficácia o contrato)
REQUISITOS OBJETIVOS
Os requisitos objetivos dizem respeito ao OBJETO DO CONTRATO, que deve ser: 
A) LÍCITO: Objeto lícito é o que não atenta contra a lei, a moral ou os bons costumes. Objeto imediato do negócio é sempre uma conduta humana e se denomina prestação: dar, fazer ou não fazer. Objeto mediato são os bens ou prestações sobre os quais incide a relação jurídica obrigacional. 
B) POSSÍVEL: O objeto deve ser, também, possível. Quando impossível, o negócio é NULO. A impossibilidade do objeto pode ser física ou jurídica. Impossibilidade física é a que emana das leis físicas ou naturais. Deve ser absoluta, isto é, alcançar a todos, indistintamente, como, por exemplo, a que impede o cumprimento da obrigação de tocar a Lua com a ponta dos dedos, sem tirar os pés da Terra. A relativa, que atinge o devedor mas não outras pessoas, não constitui obstáculo ao negócio jurídico, como, por exemplo, a impossibilidade de ser feito inventário de pessoa viva.
C) DETERMINADO OU DETERMINÁVEL: O objeto do negócio jurídico deve ser, igualmente, determinado ou determinável (indeterminado relativamente ou suscetível de determinação no momento da execução). Admite-se, assim, a venda de coisa incerta, indicada ao menos pelo gênero e pela quantidade.
REQUISITOS FORMAIS
O terceiro requisito de validade do negócio jurídico é a forma, que é o meio de revelação da vontade. Deve ser A PRESCRITA OU NÃO DEFESA EM LEI. 
Há dois sistemas no que tange à forma como requisito de validade do negócio jurídico: o CONSENSUALISMO, da liberdade de forma, e o FORMALISMO ou da forma obrigatória.
No direito brasileiro A FORMA É, EM REGRA, LIVRE. As partes podem celebrar o contrato por escrito, público ou particular, ou verbalmente, a não ser nos casos em que a lei, para dar maior segurança e seriedade ao negócio, exija a forma escrita, pública ou particular. O CONSENSUALISMO, PORTANTO, É A REGRA, E O FORMALISMO, A EXCEÇÃO.
“Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir.”
FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
A concepção social do contrato apresenta-se, modernamente, como um dos pilares da teoria contratual. 
A função social do contrato nos demonstra que há bens maiores que devem ser observados ao se realizar um contrato, sob pena de este ser invalidado ou nulo. Bens que a sociedade protege, como o meio ambiente, a vida, o trabalho, a segurança, bem como todos os direitos e garantias individuais garantidos pela Constituição.
 A função social do contrato deve ser vista em duas vertentes, que é a individual, e a coletiva.
 Fonte de equilíbrio social, que significa distribuição justa de riquezas.
Art. 421 CC/02.  A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.
FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
 A lei da liberdade econômica acrescenta ao art. 421 do CC/02, o § único, que acende novas discussões acerca do princípio da função social do contrato e o dirigismo estatal.
Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a excepcionalidade da revisão contratual.
FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO
 Atenção!! Art. 2.035 CC/02: “Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos”.
CONTRATO NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
Partindo da premissa básica de que o consumidor é a parte vulnerável das relações de consumo, o CDC pretende restabelecer o equilíbrio entre os protagonistas de tais relações.
O Código de Defesa do Consumidor retirou da legislação civil, bem como de outras áreas do direito, a regulamentação das atividades humanas relacionadas com o consumo, criando uma série de princípios e regras em que se sobressai não mais a igualdade formal das partes, mas a vulnerabilidade do consumidor, que deve ser protegido.
Dialogo entra as fontes.
Art. 5. CF/88 
(...)
XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor;
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DA VONTADE
Tradicionalmente, desde o direito romano, as pessoas são livres para contratar. Essa liberdade abrange o direito de contratar se quiserem, com quem quiserem e sobre o que quiserem, ou seja, o direito de contratar e de não contratar, de escolher a pessoa com quem fazê-lo e de estabelecer o conteúdo do contrato.
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA ORDEMPÚBLICA
O princípio da autonomia da vontade não é absoluto. É limitado pelo princípio da supremacia da ordem pública, que resultou da constatação, feita no início do século passado e em face da crescente industrialização, de que a ampla liberdade de contratar provocava desequilíbrios e a exploração do economicamente mais fraco. Percebeu-se que o interesse da sociedade deve prevalecer quando colide com o interesse individual. 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PRINCÍPIO DO CONSENSUALISMO
De acordo com o princípio do consensualismo, basta, para o aperfeiçoamento do contrato, o acordo de vontades, contrapondo-se ao formalismo e ao simbolismo que vigoravam em tempos primitivos. Decorre ele da moderna concepção de que o contrato resulta do consenso, do acordo de vontades, independentemente da entrega da coisa. 
Os contratos são, pois, em regra, consensuais. Alguns poucos, no entanto, SÃO REAIS (do latim res: coisa), porque somente se aperfeiçoam com a entrega do objeto, subsequente ao acordo de vontades. Este, por si, não basta. O contrato de depósito, por exemplo, só se aperfeiçoa depois do consenso e da entrega do bem ao depositário. Enquadram-se nessa classificação, também, dentre outros, os contratos de comodato e mútuo.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PRINCÍPIO DA RELATIVIDADE DOS EFEITOS DO CONTRATO
O princípio se baseia na ideia de que os efeitos do contrato SÓ SE PRODUZEM EM RELAÇÃO ÀS PARTES, àqueles que manifestaram a sua vontade, vinculando-os ao seu conteúdo, não afetando terceiros nem seu patrimônio.
PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE DOS CONTRATOS (pacta sunt servanda)
Tem por fundamentos: 
A NECESSIDADE DE SEGURANÇA NOS NEGÓCIOS, que deixaria de existir se os contratantes pudessem não cumprir a palavra empenhada, gerando a balbúrdia e o caos; 
A INTANGIBILIDADE OU IMUTABILIDADE DO CONTRATO, decorrente da convicção de que o acordo de vontades faz lei entre as partes, personificada pela máxima pacta sunt servanda (os pactos devem ser cumpridos), não podendo ser alterado nem pelo juiz. Qualquer modificação ou revogação terá de ser, também, bilateral. O seu inadimplemento confere à parte lesada o direito de fazer uso dos instrumentos judiciários para obrigar a outra a cumpri-lo, ou a indenizar pelas perdas e danos, sob pena de execução patrimonial.
Exceção => Art. 393, § único, CC/02 (caso fortuito ou força maior)
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PRINCÍPIO DA REVISÃO DOS CONTRATOS OU DA ONEROSIDADE EXCESSIVA (rebus sic stantibus)
Opõe-se tal princípio ao da obrigatoriedade, pois permite aos contraentes recorrerem ao Judiciário, para obterem alteração da convenção e condições mais humanas, em determinadas situações.
A teoria da imprevisão ou rebus sic stantibus consiste na possibilidade de desfazimento ou revisão forçada do contrato quando, por eventos imprevisíveis e extraordinários, a prestação de uma das partes tornar-se exageradamente onerosa.
Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida, se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação. 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PRINCÍPIO DA BOA-FÉ E DA PROBIDADE
O princípio da boa-fé exige que as partes se comportem de forma correta não só durante as tratativas, como também durante a formação e o cumprimento do contrato.
A probidade, mencionada no art. 422 do Código Civil, nada mais é senão um dos aspectos objetivos do princípio da boa-fé, podendo ser entendida como A HONESTIDADE DE PROCEDER OU A MANEIRA CRITERIOSA DE CUMPRIR TODOS OS DEVERES, que são atribuídos ou cometidos à pessoa. Ao que se percebe, ao mencioná-la teve o legislador mais a intenção de reforçar a necessidade de atender ao aspecto objetivo da boa-fé do que estabelecer um novo conceito.
Art. 422. CC/02 Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
 DEVERES ANEXOS
 Colaboração
Informação
Proteção
Confiança
I Jornada de Direito Civil (STJ-CJF): “Em virtude do princípio da boa-fé objetiva, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa”.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
BOA-FÉ SUBJETIVA E BOA-FÉ OBJETIVA
A expressão “boa-fé subjetiva” denota estado de consciência, ou convencimento individual da parte ao agir em conformidade ao direito, sendo aplicável, em regra, ao campo dos direitos reais, especialmente em matéria possessória. Diz-se “subjetiva” justamente porque, para a sua aplicação, deve o intérprete considerar a INTENÇÃO DO SUJEITO DA RELAÇÃO JURÍDICA, o seu estado psicológico ou íntima convicção.
a boa-fé objetiva constitui em uma norma jurídica fundada em um princípio geral do direito, segundo o qual TODOS DEVEM COMPORTAR-SE DE BOA-FÉ NAS SUAS RELAÇÕES RECÍPROCAS. Classifica-se, assim, como regra de conduta.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
PROIBIÇÃO DE “VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM”
A expressão "venire contra factum proprium" significa VEDAÇÃO DO COMPORTAMENTO CONTRADITÓRIO, baseando-se na regra da pacta sunt servanda. Encontra respaldo nas situações em que uma pessoa, por um certo período de tempo, comporta-se de determinada maneira, gerando expectativas em outra de que seu comportamento permanecerá inalterado. Em vista desse comportamento, existe um investimento, a confiança de que a conduta será a adotada anteriormente, mas depois de referido lapso temporal, é alterada por comportamento contrário ao inicial, quebrando dessa forma a boa-fé objetiva (confiança).
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
“SUPRESSIO, SURRECTIO” E “TU QUOQUE”
SUPRESSIO consiste em um retardamento desleal no exercício do direito, que, caso exercitado, geraria uma situação de desequilíbrio inadmissível entre as partes, pois a abstenção na realização do negócio cria na contraparte a representação de que esse direito não mais será atuado.
SURRECTIO é o oposto da supressio, pois consiste no nascimento de um direito/obrigação exigível decorrente da continuada e sucessiva prática de certos atos e ações. Conjecturando a situação de que o credor, ao aceitar que o pagamento do contrato ocorresse em lugar ou período diverso do convencionado, por conta da incidência do instituto da surrectio, poderá o devedor estabelecer que o contrato seja, agora, adimplido no novo lugar ou tempo consentido.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
No TU QUOQUE, quem não cumpriu o contratado, ou a lei, não pode exigir o cumprimento de um ou outro”. Ou seja, o tu quoque veda que alguém faça contra o outro o que não faria contra si mesmo. O condômino que viola a regra do condomínio e deposita móveis em área de uso comum, ou a destina para uso próprio, não pode exigir de terceiro comportamento obediente.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
 O Duty to mitigate the loss ou “mitigação do prejuízo”.
 Enunciado 169 da III Jornada de Direito Civil (STJ-CJF), nestes termos: “O princípio da boa-fé objetiva deve levar o credor a evitar o agravamento do próprio prejuízo”.
 Exemplo: “art. 760 do aludido diploma que “O segurado é obrigado a comunicar ao segurador, logo que saiba, todo incidente suscetível de agravar consideravelmente o risco coberto, sob pena de perder o direito à garantia, se provar que silenciou de má-fé”. 
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
** Novos princípios contratuais (lei da liberdade econômica)
 Princípio da Simetria
 Os contraentes estão em igualdade de poder de negociação.
 Art. 421 – A CC/02.
 Princípio da Paridade
 O conteúdo do contrato é determinado por todos os contratantes.
Art. 421 – A CC/02.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO CONTRATUAL
 Princípio da intervenção mínima
 O dirigismo contratualdo Estado deve ser o mínimo necessário.
 Deve prevalecer a autonomia das partes em quase tudo.
 O Estado só deve intervir quando os valores dos seres humanos estiveres ameaçados.
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS
Nem sempre o contrato traduz a exata vontade das partes. Muitas vezes a redação mostra-se obscura e ambígua, não tendo o cuidado quanto à clareza e precisão demonstrado pela pessoa encarregada dessa tarefa, em virtude da complexidade do negócio e das dificuldades próprias do vernáculo. Por essa razão NÃO SÓ A LEI DEVE SER INTERPRETADA, MAS TAMBÉM OS NEGÓCIOS JURÍDICOS EM GERAL. A execução de um contrato exige a correta compreensão da intenção das partes. Esta exterioriza-se por meio de sinais ou símbolos, dentre os quais as palavras.
INTERPRETAR O NEGÓCIO JURÍDICO é, portanto, precisar o sentido e alcance do conteúdo da declaração de vontade. Busca-se apurar a vontade concreta das partes, não a vontade interna, psicológica, mas a vontade objetiva, o conteúdo, as normas que nascem da sua declaração
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS
Existem dois tipos de interpretação dos contratos: 
a) DECLARATÓRIA: quando tem como único objetivo a descoberta da intenção comum dos contratantes no momento da celebração do contrato; 
b) CONSTRUTIVA OU INTEGRATIVA: quando objetiva o aproveitamento do contrato, mediante o suprimento das lacunas e pontos omissos deixados pelas partes. 
Art. 112. CC/02 Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem.
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS
Dois princípios devem ser sempre observados, na interpretação do contrato: 
BOA-FÉ: deve o intérprete presumir que os contratantes procedem com lealdade e que tanto a proposta como a aceitação foram formuladas dentro do que podiam e deviam eles entender razoavelmente, segundo a regra da boa-fé
CONSERVAÇÃO DO CONTRATO: se uma cláusula contratual permitir duas interpretações diferentes, prevalecerá a que possa produzir algum efeito, pois não se deve supor que os contratantes tenham celebrado um contrato carecedor de qualquer utilidade.
INTERPRETAÇÃO DOS CONTRATOS
Algumas regras práticas podem ser observadas no tocante à interpretação dos contratos: 
a melhor maneira de apurar a intenção dos contratantes é verificar o modo pelo qual o vinham executando, de comum acordo; 
deve-se interpretar o contrato, na dúvida, da maneira menos onerosa para o devedor (in dubiis quod minimum est sequimur); 
as cláusulas contratuais não devem ser interpretadas isoladamente, mas em conjunto com as demais; 
qualquer obscuridade é imputada a quem redigiu a estipulação, pois, podendo ser claro, não o foi;
na cláusula suscetível de dois significados, interpretar-se-á em atenção ao que pode ser executado.
BIBLIOGRAFIA
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro. Obrigações . Vol.3. São Paulo: Saraiva, 2020
TARTUCE, Flávio. Direito Civil - Vol. 3 – Contratos. Rio de Janeiro: Forense, 2020.
GAGLIANO, Pablo Stolze. Novo Curso De Direito Civil: Contratos. 21° Ed. Vol. 4. São Paulo: Saraiva, 2019.
MENSAGEM FINAL
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