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O que é texto?
De acordo com Eni Orlandi (1983), um texto é uma “unidade complexa de sentido”. É visto 
como uma unidade porque todas as partes de um texto, verbal ou não verbal, precisam estar 
relacionados entre si. É o que torna obrigatório a presença de coesão e coerência em uma 
prática textual. Quando falamos ou escrevemos algo a alguém, essa outra pessoa não sabe 
nossas intenções e nossas ideias, a única materialidade que mostrará o que queremos a ela é o 
texto, por isso sua organização é importante.
O texto é definido pela autora (Orlandi, 1983) como algo complexo. Parece fácil escrever um 
texto, certo? Entretanto, apesar de, muitas vezes, fazermos isso de modo rápido, nossa 
consciência já considerou vários elementos para a seleção de tudo que foi posto no texto: 
objetivo, contexto, quem é o destinatário desse texto e linguagem adequada, entre outros 
fatores que são essenciais para consolidar nossa comunicação.
Por fim, a palavra “sentido” é basilar nessa reflexão: o texto só pode ser considerado texto se 
produzir sentido. 
A construção textual e a produção de sentidos
A produção de sentidos de um texto depende dos elementos que são utilizados em sua 
elaboração e, como em toda ciência, existem estudos linguísticos específicos que observam a 
produção de sentidos.
Uma delas, a chamada linguística textual, tem como principal objeto de estudo a análise da 
relação de coerência existente entre os enunciados e suas sequências, ou seja, aquilo que se 
pretende dizer com o que de fato é dito, verificando as estruturas presentes na comunicação e 
a maneira como elas aconteceram, isto é, se foram eficazes ou não.
A análise do discurso, estudada pela linguística textual, é que vai investigar como aconteceu a 
organização das sentenças para a construção de sentido, entendendo que palavras são 
ferramentas de algo a ser dito, mas não a essência. Claro que ao nos comunicarmos existe uma 
intenção, e acreditamos ser necessária a transmissão dessa mensagem, no entanto, o modo 
como ela será organizada e estruturada será decisivo para a aceitabilidade do receptor, fazendo
com que, de fato, o conteúdo ali enviado seja necessário.
A construção textual, por sua vez, deve ser entendida como um tecido, que tem como pano de 
fundo aspectos sociais que vão indicando os elementos textuais que devem ser utilizados 
naquela prática. Daí a importância de se conhecer o interlocutor e a situação da comunicação 
para se garantir a assertividade, pois se trata de uma atividade de interação. Além disso, como 
já vimos, é importante conhecer o contexto e o interlocutor e saber usar os diferentes canais 
comunicativos.
Fatores de textualidade
Para que a textualidade aconteça e, junto com ela, a clareza na compreensão, é preciso que os 
elementos que a compõem sejam empregados de maneira correta na estruturação do texto. 
Esses elementos são: clareza, expressividade e originalidade. O primeiro pode ser entendido 
como a capacidade de se fazer uma boa escolha vocabular e temática que permita que não 
haja dúvidas acerca do que se pretende dizer. O segundo tem relação com o modo como as 
palavras do vocabulário escolhido serão trabalhadas no texto para que ele tenha sentido. Por 
fim, o terceiro consiste na capacidade de mostrar a própria perspectiva a respeito do assunto.
Assim, compreendemos a textualidade como a junção desses três elementos, junto com os 
sete fatores que também são responsáveis por sua composição, cada qual com sua função, mas
sempre interligados para o sentido global daquilo que se pretende comunicar. Enquanto isso, 
podemos entender o texto como o produto que resulta da textualidade e que requer a 
compreensão do interlocutor (para quem produzimos o texto) durante a interação social de 
quem transmite a mensagem – ou seja, o texto é o produto final que resulta da plena harmonia
entre elementos e fatores da textualidade.
É preciso que os fatos do texto sejam articulados, cada qual em sua função, mas todos devem 
atuar juntos. Para melhor compreensão de como isso acontece, vamos entender cada um 
desses fatores, conforme apresentado a seguir:
Figura 1 | Fatores de textualidade
Como se pode perceber pelo infográfico apresentado, cada fator da textualidade tem seu papel
específico, entretanto, todos acabam tendo relações entre si, pois uma articulação bem 
realizada de cada uma dessas partes é o que garantirá a existência e a compreensão do sentido
presente no texto.
A assertividade na comunicação, seja por meio de linguagens verbais ou não verbais, requer 
atenção do produtor do texto para que sua mensagem contenha clareza. Devemos, ainda, levar
em consideração os infinitos discursos que os sujeitos trazem consigo, pois os sentidos podem 
ser compreendidos de várias formas, uma vez que cada indivíduo traz experiências, crenças, 
valores e percepções de mundo, o que está diretamente ligado à capacidade de compreender e
apreender uma mensagem.
Relembrando que o seu desafio era compreender o que é um texto e quais são os elementos 
necessários para que ele faça sentido, reflita: quais foram os elementos discutidos que auxiliam
nessa questão?
Com os estudos desta aula, compreendemos que um texto é uma unidade de sentido que 
precisa ter lógica e conexões. Para que um texto faça sentido, ele precisa ser coerente e coeso, 
ou seja, todas as suas partes devem estar relacionadas entre si e organizadas de forma lógica. 
Além disso, a construção de sentido em um texto depende de vários fatores de textualidade, 
que são:
1. Coerência: articulação e organização das ideias.
2. Coesão: ligação entre as partes do texto e relação dos elementos linguísticos.
3. Intencionalidade: objetivo da situação comunicativa e elementos que validem isso.
4. Aceitabilidade: o modo como o interlocutor vai compreender o texto.
5. Situacionalidade: contexto da situação comunicativa.
6. Informatividade: garantia de que haverá informação a respeito do assunto.
7. Intertextualidade: relação com outros textos. 
Lembre-se de que o mais importante é que o sentido seja construído e que o objetivo 
estabelecido para uma comunicação seja alcançado com elementos que façam parte do 
repertório do nosso interlocutor.

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