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APOSTILA 7 – ESTADO, POLÍTICA E DIREITO FUNÇÕES ESSENCIAIS A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA - Arts. 127 a 135, CF Consoante se verifica da estrutura do poder judiciário, para a administração da justiça são indispensáveis determinadas funções, ditas essenciais à administração da justiça. A garantia dos direitos constitucionais não seria possível sem mecanismos que permitam ao cidadão o acesso ao Poder Judiciário em caso de violações. Para esse mister o legislador constituinte de 1988 elevou ao status de funções essenciais à Justiça o Ministério Público, a Advocacia Pública, a Defensoria Pública e a Advocacia Privada. O processo jurisdicional, individual ou coletivo, salvo excepcionalíssimas exceções, é instaurado por intermédio do advogado, do defensor público ou do Ministério Público. - A Advocacia Privada exerce a função da representação em juízo na generalidade dos casos; - Ao Ministério Público compete a defesa dos direitos individuais indisponíveis e dos interesses coletivos em juízo; - À Advocacia Pública é reservada a representação em juízo do Poder Público; - À Defensoria Pública, além de titularizar ações civis públicas, compete a defesa de necessitados (hipossuficientes) em juízo. MINISTÉRIO PÚBLICO Nos termos do art. 127, caput, da CF, "o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis". A CF/88 consagrou o Ministério Público separando-o dos Poderes. Foi elevado à categoria de instituição permanente. O Ministério Público é organizado em Ministério Público Estadual e da União, sendo que este último se divide em Ministério Público Federal, do Trabalho, Militar e do Distrito Federal e Territórios. O chefe do Ministério Público é o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente dentre os integrantes da carreira, maiores de 35 anos, após ter seu nome aprovado pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução ao cargo. A recondução é considerada nova nomeação e deverá passar pelo mesmo processo. O MP pode atuar como parte ou como fiscal da ordem jurídica (arts. 176 e 178 do CPC), em benefício da sociedade, não apenas das pessoas que participam do processo. Esse benefício decorre do fato de o Ministério Público atuar na defesa de um interesse público, acarretando a expansão do direito e da tutela jurisdicional a um grupo ou a uma coletividade de pessoas, ou mesmo a uma só pessoa, que necessita de amparo, como o incapaz, que não detém capacidade processual, que é de exercício, não compreendendo a dinâmica do processo. São princípios institucionais do Ministério Público: - a unidade - o MP possui um único Chefe e a divisão é apenas funcional; - a indivisibilidade - apenas um membro do MP poderá substituir outro, já que a instituição é considerada una e indivisível, e; - a independência funcional - os promotores não se submetem a qualquer poder hierárquico para atuar em seu mister. São garantias do Ministério Público a autonomia funcional, administrativa e financeira. CF, art. 128, § 5º: Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: I - as seguintes garantias: a) vitaliciedade, após dois anos de exercício, não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado; b) inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, mediante decisão do órgão colegiado competente do Ministério Público, pelo voto da maioria absoluta de seus membros, assegurada ampla defesa; c) irredutibilidade de subsídio, fixado na forma do art. 39, § 4º, e ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 150, II, 153, III, 153, § 2º, I; II - as seguintes vedações: a) receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais; b) exercer a advocacia; c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; d) exercer, ainda que em disponibilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de magistério; e) exercer atividade político-partidária; f) receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei. Quanto às funções, CF, art. 129: Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II - zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. § 1º - A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo o disposto nesta Constituição e na lei. § 2º As funções do Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira, que deverão residir na comarca da respectiva lotação, salvo autorização do chefe da instituição. § 3º O ingresso na carreira do Ministério Público far-se-á mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua realização, exigindo-se do bacharel em direito, no mínimo, três anos de atividade jurídica e observando-se, nas nomeações, a ordem de classificação. § 4º Aplica-se ao Ministério Público, no que couber, o disposto no art. 93. § 5º A distribuição de processos no Ministério Público será imediata. O Ministério Público como parte: A atuação como parte no processo ocorre nos casos em que, agindo autorizado por expressa determinação legal e nos limites de suas atribuições constitucionais (CF, art. 127 e 129), o Ministério Público está legitimado a requerer a prestação da tutela jurisdicional do Estado. Quando atua como autor (parte), o Ministério Público ajuíza a denominada ação civil pública, disciplinada pela Lei n. º 7.347/85, que se distingue das demais ações pelo fato: a) de não versar sobre direito individual, sendo proposta para a defesa de um direito difuso, coletivo ou individual homogêneo. b) de ser proposta perante o foro de ocorrência do dano. c) de os recursos serem como regra recebidos apenas no efeito devolutivo, embora o magistrado possa atribuir efeito suspensivo de forma excepcional. d) de a sentença poder produzir efeitos erga omnes, beneficiando pessoas que não participaram do processo. e) de não exigir a antecipação das custas e das despesas processuais (art. 1.007, § 1º). f) de o autor não estar obrigado a efetuar o pagamento dos honorários advocatícios, salvo quando comprovada a sua má-fé. As hipóteses de legitimação (extraordinária) do MP para propor ações na condição de parte também estão previstas em leis especiais, como: ações na defesa dos portadores de deficiência física, ações de investigação de paternidade e ações fundadasno CDC. Por meio da ação civil pública o MP atua como substituto processual (pleiteando em nome próprio o reconhecimento de direito alheio), na defesa do direito material de uma coletividade de pessoas, identificadas ou não, quantificadas ou não. Com a legitimidade conferida na condição de substituto processual, mesmo que as pessoas permaneçam inertes, podem ser beneficiadas pelos efeitos da sentença proferida em ação proposta pelo Ministério Público, já que o pronunciamento que julga a ação coletiva produz efeitos erga omnes (que vale contra todos), podendo beneficiar terceiros. O Ministério Público como fiscal da lei (custos legis) Conforme previsão legal, o Ministério Público deve ser intimado pessoalmente (art. 180) para, no prazo de 30 dias, atuar no processo civil na tarefa de fiscalizar o correto cumprimento da lei. Sua atuação se dá como interveniente (custos legis), obrigatoriamente, quando a ação versar interesses de incapazes, quando envolver interesse público ou social ou, ainda, em se tratando de litígio coletivo pela posse de propriedade rural ou urbana, além daquelas hipóteses expressamente previstas em lei ou na Constituição Federal. Exemplos: ação de interdição (art. 752, § 1.º, do CPC), procedimento de abertura, registro e cumprimento de testamento (art. 735, § 2.º, do CPC). Quando o Ministério Público intervém como fiscal da ordem jurídica em processos que envolvem interesse de incapazes, seja este autor ou réu, isso ocorre para que a relação processual seja equilibrada. A preocupação é com a pessoa que participa do processo, independentemente da natureza da relação jurídica e do objeto do processo. O direito à moradia apresenta repercussão social, assim justifica a intervenção do Ministério Público, de forma obrigatória, desse modo, as ações envolvendo litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana, exigem a presença do MP. Atuando como parte, não se pode falar em ausência do Ministério Público no processo. Já na qualidade de fiscal da ordem jurídica, caso o Ministério Público não seja intimado a intervir, poderá ser considerado nulo o processo (art. 279). Todavia, somente serão invalidados os atos praticados a partir do momento em que a intervenção deveria ocorrer e desde que o Ministério Público se manifeste sobre a real existência de prejuízo (art. 279, § 2º, CPC). Trata-se, na verdade, de se dar ao processo o máximo aproveitamento possível, observando-se o princípio da sanabilidade dos atos processuais, previsto no art. 277 do CPC. Agindo como custos legis (fiscal da lei), o Ministério Público tem direitos e deveres correlatos. Entre seus direitos estão os de ser intimado pessoalmente de todos os atos do processo (art. 179, I, e 180, caput, do CPC), de ter vista dos autos do processo, depois das partes (art. 179, I, do CPC), de produzir provas, de requerer as medidas processuais que entender necessárias e, inclusive, o de interpor recurso (art. 179, II, do CPC). Também quando atua como fiscal da lei, o MP tem em regra prazos em dobro (art. 180). Natureza jurídica do inquérito civil e suas finalidades O inquérito civil é procedimento administrativo, redundando na requisição de informações e/ou de documentos, com fixação de prazo, nunca inferior a 10 dias, para que a solicitação seja cumprida. O inquérito civil só pode ser instaurado por determinação do Ministério Público, constituindo-se em providência pré-processual e facultativa, o que significa dizer que não é condição para a propositura da ação. Assim, independentemente da instauração do inquérito civil, o Ministério Público não está obrigado a propor a ação civil pública, bastando que chegue à conclusão, em análise às informações e/ou aos documentos obtidos, de que não há fundamento jurídico-legal para a propositura da ação. Lei 8.625/93: Lei Orgânica do Ministério Público, dispõe sobre as normas dos MPs estaduais. Lei Complementar 75/93: Lei Orgânica do Ministério Público da União. ADVOCACIA PÚBLICA Nos termos do art. 131, da CF, "a Advocacia-Geral da União é a instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, cabendo-lhe, nos termos da lei complementar que dispuser sobre sua organização e funcionamento, as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo". Os arts. 131 e 132 da CF atribuem à Advocacia Geral da União, às Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal, e implicitamente à Advocacia Pública Municipal, a representação jurídica, a consultoria e o assessoramento do Poder Executivo. Tais funções são caracterizadas como preventivas (consultoria e assessoramento jurídico), e postulatórias (representação judicial). As primeiras visam orientar a atuação da Administração Pública, evitando ilegalidades; ao passo que as segundas funções visam ao cumprimento, junto ao Poder Judiciário, da defesa dos interesses entregues aos cuidados do Estado. As três grandes carreiras da Advocacia Pública de Estado no Brasil são a Advocacia Geral da União, e as Procuradorias dos Estados e do Município. Advocacia Geral da União (AGU) Em âmbito federal, as atividades típicas da Advocacia de Estado regem-se pela Lei Complementar n° 73 de 1993, e são exercidas pela Advocacia Geral da União. O órgão é dirigido pelo Advogado Geral da União, indicado pelo Presidente da República nos termos do art. 131, § 1° da CF, dentre cidadãos de 35 (trinta e cinco) anos e de reputação ilibada e notório saber jurídico, com tradicional status de Ministro de Estado. Nas classes iniciais, o ingresso ocorrerá mediante concurso público de provas e títulos. Ele exerce (art. 4° da LC 73/1993), dentre outras atribuições, a representação da União junto ao STF, defende, nas ações diretas de inconstitucionalidade, a norma legal ou ato normativo objeto de impugnação, e assessora o Presidente da República em assuntos de natureza jurídica, pela elaboração de pareceres e estudos ou propondo normas, medidas e diretrizes. As atribuições da Advocacia Geral da União estão disciplinadas, de forma genérica, no artigo 131 da CF. Em âmbito federal, estas atividades podem ser exercidas, por disposição constitucional, pela Advocacia Geral da União e por órgãos vinculados. Tal opção político-normativa, nos termos do art. 2° da LC 73/1993, estabelece uma divisão em três grandes procuradorias: a Procuradoria da União, Procuradoria da Fazenda Nacional e a Procuradoria Federal. A atividade consultiva desenvolvida pela Advocacia Pública Federal é capitaneada pela Consultoria Geral da União, instituída nos termos do art. 10 da LC 73/1993. O órgão é composto pela Consultoria da União, com direção do Consultor-Geral da União, cargo de livre nomeação pelo Presidente da República. Trata-se de órgão diretamente subordinado ao Advogado Geral da União, e tem por atribuição principal coadjuvá-lo no assessoramento jurídico prestado ao Presidente da República, pela via da produção de pareceres, informações e demais trabalhos jurídicos que lhes sejam atribuídos pelo chefe da instituição. Assume especial relevância, neste contexto, o potencial caráter normativo conferido pelo legislador às manifestações jurídicas firmadas pelo Advogado Geral da União. Nos termos do art. 40 da LC 73/1993, os pareceres vistados pelo AGU, quando aprovados pelo Presidente da República, vinculam órgãos e entidades da Administração Púbica Federal. 1. Procuradoria-Geral da União A Procuradoria-Geral da União, estabelecida no art. 9° da LC 73/1993, é órgão subordinado direta e imediatamente ao Advogado Geral da União. Tal órgão é chefiado pelo Procurador Geral da União, profissional nomeado pelo Presidente da República, após indicação do Advogado Geral da União, conforme o art. 49 da LC 73/1993. Este órgão tem por incumbência a representação judicial da União Federal, sendo visto como “o braço contencioso” da AGU. A sua competência é residual, sendo limitada pela atuação da Procuradoria da Fazenda Nacional, a quem cabe atuar nas causas de natureza tributária e fiscal. Tal atuação éfeita de maneira escalonada, nos termos do art. 9°, §§ 2° e 3° da LC 73/1993. Assim, a União Federal é representada, em primeira instância, pelas procuradorias organizadas nos Estados e no Distrito Federal, na segunda instância, pelas Procuradorias Regionais da União, e nos Tribunais Superiores pelo Procurador Geral da União. A Procuradoria-Geral da União não exerce atividade de consultoria jurídica. 2. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) restringe sua atuação a matérias fiscais e tributárias, como dispõe o art. 131, § 3° da CF. Dentre outras funções, cabe à PGFN apurar, nos termos do art. 12 da LC 73/1993, a liquidez e a certeza da dívida ativa da União de natureza tributária, inscrevendo-a para fins de cobrança, assim como representar privativamente a União na execução de sua dívida ativa de caráter tributário. Além disso, com o advento da Lei n° 11.457 de 2007, as dívidas ativas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) passaram a integrar a dívida ativa da União, de modo que passaram a ser executadas pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. O legislador também incumbiu à PGFN a representação judicial da União Federal nas causas de natureza fiscal, como as relativas a tributos de competência da União, infrações à legislação tributária, e benefícios e isenções fiscais, conforme o art. 12, caput e § único da LC 73/1993. A atuação contenciosa ocorre na Procuradoria da Fazenda Nacional de maneira escalonada. Cumpre às procuradorias organizadas nos Estados e no Distrito Federal a representação judicial de primeira instância, às Procuradorias Regionais a representação judicial de segunda instância, e ao Procurador Geral da Fazenda Nacional a representação nos Tribunais Superiores, conforme aplicação analógica dos §§ 1º, 2º, 3º e 4º do art. 9º da LC 73/1993. Também é conferido à Procuradoria-Geral da Fazenda nacional o exercício de atividade consultiva (art. 12, IV da LC 73), no que se refere a questões de negócios jurídicos que interessem ao Ministério da Fazenda, inclusive aqueles referentes à dívida pública externa. 3. Procuradoria-Geral Federal A Procuradoria-Geral Federal é órgão autônomo financeira e administrativamente, vinculado à AGU, e tem a função de atender às autarquias e fundações públicas federais nas atividades de contencioso judicial e de consultoria jurídica (art. 9° e 10 da Lei 10.480/2002. O órgão é composto pelos Procuradores Federais, e, conforme o art. 11, § 1° da Lei 10.480/2002, dirigido pelo Procurador Geral Federal. Ele é nomeado pelo Presidente da República, por indicação do Advogado Geral da União, entre bacharéis de direito de elevado saber jurídico e reconhecida idoneidade. A Procuradoria-Geral Federal possui a competência genérica de exercer a representação das autarquias e fundações públicas federais perante os Tribunais Superiores, sugerir ao Advogado Geral da União medidas de caráter jurídico de interesse das entidades autárquicas e fundacional de âmbito federal, bem como ceder, quando requisitados, Procuradores Federais para atuação em órgãos ou entidades federais, como preconiza o art. 11, § 2° da Lei n° 10.480 de 2002. A Procuradoria-Geral Federal atua também nas causas de natureza fiscal, desde que referente à defesa dos interesses das autarquias e fundações públicas federais. Já no que diz respeito à atividade consultiva, ela está submetida às mesmas regras que regem a atuação dos demais órgãos de consultoria da União, de onde se depreende um importante relacionamento com as chamadas procuradorias especializadas. Procuradorias Estaduais Composta por um único órgão jurídico, descrito pelo artigo 132 da CF como Procuradoria Geral do Estado ou do Distrito Federal. Existem tantas Procuradorias Gerais de Estado quantos forem os Estados que compõem a Federação, todas elas unas, e a serviço de seu ente federado. Procuradorias Municipais Ao contrário do que acontece com a Advocacia Geral da União e as Procuradorias dos Estados e do Distrito Federal, não há disposição no texto constitucional sobre a Advocacia Pública municipal. A ausência de previsão constitucional de órgãos de Advocacia de Estado no âmbito dos Municípios fez com que fossem adotadas as mais diversas estratégias para o exercício dessas atividades, tais como a criação de cargos comissionados de procuradores municipais ou a contratação de escritórios privados de advogados. Tal atribuição da atividade a profissionais sem vínculo efetivo com a Administração Pública tornam imprecisos os mecanismos de controle interno da juridicidade dos atos do administrador. Assim, como o exercício da consultoria jurídica e do controle judicial são meios necessários ao desenvolvimento dessa atividade de controle, é recomendável que tais funções sejam conferidas a servidores efetivos, que, dotados de independência técnico-funcional, podem opor-se à vontade pessoal de gestores públicos, de acordo com o compromisso jurídico decorrente da missão institucional da Advocacia de Estado. Código de Processo Civil: Art. 182. Incumbe à Advocacia Pública, na forma da lei, defender e promover os interesses públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por meio da representação judicial, em todos os âmbitos federativos, das pessoas jurídicas de direito público que integram a administração direta e indireta. Art. 183. A União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal. § 1o A intimação pessoal far-se-á por carga, remessa ou meio eletrônico. § 2o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o ente público. Art. 184. O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções. DEFENSORIA PÚBLICA Dispõe o art. 5º, LXXIV, da CF, que "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". O exercício desse direito é operacionalizado pela Defensoria Pública que, nos termos do art. 134, da CF, "é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º desta Constituição Federal." Compete à União, aos Estados e ao DF legislar concorrentemente sobre este assunto. A União legislará sobre normas gerais, enquanto os Estados por regras específicas. A EC 45/04 fortaleceu as Defensorias Estaduais ao constitucionalizar a autonomia funcional e administrativa e fixar competência para proposta orçamentária. A Defensoria Pública exerce funções que vão muito além da assistência judiciária. Esta é uma das espécies do gênero assistência jurídica. A redação do art. 134 da CF é clara ao afirmar que cabe à Defensoria Pública prestar orientação jurídica, assim como defender os direitos individuais e coletivos dos necessitados inclusive extrajudicialmente. Caberá à Defensoria Pública, nos termos de legislação específica, desempenhar o papel de curador especial, quando: (i) a parte incapaz não tiver representante o os interesses desse conflitarem, no caso litigioso, com os daquele; ou (ii) o réu for revel e estiver, por qualquer razão, preso ou tiver sido citado por edital ou hora certa - conforme prevê o art. 72. Hipóteses de atuação da Defensoria Pública: · A Defensoria Pública deve ser oficiada pelo juiz quando este se deparar com diversas demandas individuais sobre a mesma questão de direito, a fim de que seja promovida a propositura da ação coletiva respectiva (art. 139, X).· O defensor público pode representar ao juiz contra o serventuário que, de forma injustificada, exceder aos prazos previstos em lei (art. 233, § 2º). · A Defensoria Pública pode representar ao corregedor do tribunal ou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra juiz ou relator que injustificadamente exceda os prazos previstos em lei, regulamento ou regimento interno (art. 235). · A distribuição dos processos pode ser fiscalizada pela Defensoria Pública (art. 289), mesmo quando o defensor não atuar como procurador de uma das partes. · Nas ações possessórias em que figure no polo passivo grande número de litigantes em situação de hipossuficiência econômica, o juiz deverá determinar a intimação da Defensoria Pública para acompanhar o feito (art. 554, § 1º). Estabilidade: após 3 anos de exercício no cargo. Inamovibilidade: o defensor possui esta garantia. Remuneração: também obedece à irredutibilidade salarial. Código de Processo Civil: Art. 185. A Defensoria Pública exercerá a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, em todos os graus, de forma integral e gratuita. Art. 186. A Defensoria Pública gozará de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais. § 1o O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, nos termos do art. 183, § 1o. § 2o A requerimento da Defensoria Pública, o juiz determinará a intimação pessoal da parte patrocinada quando o ato processual depender de providência ou informação que somente por ela possa ser realizada ou prestada. § 3o O disposto no caput aplica-se aos escritórios de prática jurídica das faculdades de Direito reconhecidas na forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de convênios firmados com a Defensoria Pública. § 4o Não se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública. Art. 187. O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável quando agir com dolo ou fraude no exercício de suas funções. ADVOCACIA Dispõe o art. 133, da CF, que "o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei". Princípios informativos da advocacia: a indispensabilidade do advogado, que não é absoluta (v.g. habeas corpus, Justiça Trabalho etc.), e a imunidade do advogado, nos limites da lei (lei 8.906/94). A capacidade postulatória consiste na aptidão de praticar atos técnicos dentro do processo judicial (formular a peça inicial, contestação, recursos, petições em geral etc.) No Brasil, a função postulatória é detida primordialmente pelos advogados regularmente inscritos na OAB. Apenas excepcionalmente, a lei atribui a capacidade postulatória à própria parte, independentemente de ela ser advogado (ex.: processos nos Juizados Especiais Cíveis, nas causas de até determinado valor – Lei 9.099/1995, art. 9.º; habeas corpus - Lei 8.906, art. 1.º, § 1.º). O advogado não poderá atuar no processo, em nome da parte, se não estiver munido de uma procuração. Apenas excepcionalmente será admitida sua atuação judicial sem mandato, em situações urgentes, a fim de evitar a ocorrência de danos graves, impedir a perda de direitos por decurso de prazo etc. (CPC, art. 104, caput). Órgão de classe: Ordem dos advogados do Brasil (OAB) A OAB é o órgão incumbido da representação, regulação e controle da categoria dos advogados. Ela é dotada de personalidade jurídica própria e desempenha atividade legalmente qualificada como "serviço público", mas não se vincula funcional nem hierarquicamente ao Poder Público. É independente e autônoma. Atua sob forma federativa, ou seja, há um Conselho Federal, sediado em Brasília, que congrega as Seções estaduais e do Distrito Federal, que, por sua vez, reúnem subseções, formadas por um ou vários municípios. Seu regime está infraconstitucionalmente regulamentado pela Lei 8.906 (Estatuto da Advocacia), que estabelece direitos, deveres e responsabilidades dos advogados. Requisitos para inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil: a) ter capacidade civil; b) idoneidade moral; c) aprovação em Exame da Ordem; d) diploma ou certidão de conclusão de graduação em Direito, obtido em instituição de ensino autorizada e credenciada oficialmente; e) título de eleitor e quitação com o serviço militar, caso seja o candidato brasileiro; f) não exercer atividade incompatível com a advocacia; g) prestar compromisso perante o Conselho. 2 image1.png image2.png image3.png