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Vestibulares Modernismo - Primeira Fase L0169 - (Ufpr) “A ambição do grupo [modernista] era grande: educar o Brasil, curá-lo do analfabe�smo letrado, e, sobretudo, pesquisar uma maneira nova de expressão, compa�vel com o tempo do cinema, do telégrafo sem fio, das travessias aéreas intercon�nentais”. (Boaventura, M. E. A Semana de Arte Moderna e a Crí�ca Contemporânea: vanguarda e modernidade nas artes brasileiras. Conferência – IEL-Unicamp, 2005, p.5-6. Fonte: h�p://www.iar.unicamp.br/dap/vanguarda/ar�gos.html). Conforme o trecho acima e os conhecimentos sobre a Semana de Arte Moderna de 1922 e o modernismo brasileiro subsequente, é correto afirmar: a) A Semana de 1922 marcou o modernismo inspirado em vanguardas europeias, buscando uma nova arte com uma iden�dade brasileira experimental, miscigenada, antropofágica e cosmopolita. O movimento celebrava o progresso da nação, simbolizado pelo desenvolvimento da cidade de São Paulo. b) A Semana foi o grande marco da arte moderna brasileira, caracterizando-se pela busca por uma imitação do surrealismo e do cubismo, realizada por acadêmicos em constante contato com os ar�stas europeus. c) A Semana de 1922 somou-se ao regionalismo nordes�no para mostrar as raízes da cultura brasileira, recusando qualquer interferência da arte estrangeira. Os modernistas fizeram, com isso, uma forte crí�ca à modernização e à alfabe�zação brasileira. d) Monteiro Lobato e Mário de Andrade lideraram a Semana de 1922, que teve o intuito de aliar as produções mais recentes no campo da música, literatura e artes plás�cas futuristas com as obras tradicionalistas da arte brasileira. e) Os modernistas passaram a se organizar, depois da Semana de 1922, para efe�var uma arte revolucionária nos moldes do realismo sovié�co, pois acreditavam na conscien�zação da população para uma mudança no poder. L0165 - (Ifce) Os dois viajantes na Macacolândia Monteiro Lobato Dois viajantes, transviados no sertão, depois de muito andar, alcançam o reino dos macacos. Ai deles! Guardas surgem na fronteira, guardas ferozes que os prendem, que os amarram e os levam à presença de S. Majestade Simão III. El-rei examina-os de�damente, com macacal curiosidade, e em seguida os interroga: – Que tal acham isto por aqui? 1@professorferretto @prof_ferretto Um dos viajantes, diplomata de profissão, responde sem vacilar: – Acho que este reino é a oitava maravilha do mundo. Sou viajadíssimo, já andei por Seca e Meca, mas, palavra de honra! Nunca vi gente mais formosa, corte mais brilhante, nem rei de mais nobre porte do que Vossa Majestade. Simão lambeu-se todo de contentamento e disse para os guardas: – Soltem-no e deem-lhe um palácio para morar e a mais gen�l donzela para esposa. E lavrem incon�nen� o decreto de sua nomeação para cavaleiro da mui augusta Ordem da Banana de Ouro. Assim se fez e, enquanto o faziam, El-rei Simão, risonho ainda, dirigiu a palavra ao segundo viajante: – E você? Que acha do meu reino? Este segundo viajante era um homem neurastênico, azedo, amigo da verdade a todo o transe. Tão amigo da verdade que replicou sem demora: – O que acho? É boa! Acho o que é!… – E que é que é? – interpelou Simão, fechando o sobrecenho. – Não é nada. Uma macacalha… Macaco praqui, macaco prali, macaco no trono, macaco no pau… – Pau nele – berra furioso o rei, ges�culando como um possesso. Pau de rachar nesse miserável caluniador… E o viajante neurastênico, arrastado dali por cem munhecas, entrou numa roda de lenha que o deixou moído por uma semana. Sobre o autor do texto acima, é incorreto afirmar-se que a) apoiou a Semana de Arte Moderna de 1922. b) ficou popularmente conhecido pelo conjunto educa�vo de sua obra de livros infan�s. c) nasceu em Taubaté, São Paulo. d) escreveu Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939). e) deu vida a um de seus mais famosos personagens, o Jeca Tatu, que causou grande polêmica porque era símbolo do atraso e da miséria que representava o campo no Brasil. L0164 - (Ifpe) MACUNAÍMA Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d'água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d'água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, a água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo re�nta dos Tapanhumas. Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se a�rou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco a�rando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou: — Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz. Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifara toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. ANDRADE, Mário de. Macunaíma. 22. ed. Belo Horizonte: Ita�aia, 1986. Macunaíma é uma obra da primeira geração modernista, cujo autor, Mário de Andrade, foi um dos mentores da Semana de Arte Moderna, de 1922. A respeito da primeira fase do Modernismo, podemos afirmar que a) seus romances valorizaram a cultura brasileira através de forte regionalismo, com influência da psicanálise de Freud. b) buscou uma maior aproximação com a realidade ao descrever os costumes, as relações sociais e a crise das ins�tuições. c) propôs uma esté�ca poé�ca transgressora, que tentou romper com o tradicional, buscando a liberdade formal e a valorização do co�diano. d) apresentou influência do Parnasianismo e do Simbolismo, forte academicismo e passadismo. e) cultuou o obje�vismo e a linguagem culta e direta. L0333 - (Unicamp) Que dizer das personagens? Creio que têm a força e ao mesmo tempo a fraqueza da caricatura. Mas, pensando melhor, não poderemos também alegar em defesa do romancista que a caricatura é uma tendência reconhecida e aceita da arte moderna, principalmente da pintura? Não haverá muito de deformação na obra de grandes pintores como Por�nari, Di Cavalcante e Segall – todos eles inconformados com a sociedade em que vivem? (Adaptado de Erico Verissimo, Prefácio, em Caminhos Cruzados. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 20- 2@professorferretto @prof_ferretto 21.) A ideia de deformação aplica-se ao quadro de Tarsila e ao romance Caminhos cruzados, de Érico Veríssimo, porque tal procedimento ar�s�co acentua a) a crí�ca do modernismo à violência da escravidão e às desigualdades sociais, presentes no quadro e nas personagens do romance, respec�vamente. b) o imaginário da burguesia nacional, pois tanto as protagonistas do romance quanto a imagem da mulher negra retratam os traços caracterís�cos das reformas sociais do Estado Novo. c) os princípios esté�cos do movimento modernista, pois as duas expressões ar�s�cas apresentam-se como reflexo dos valores da elite cafeeira paulista. d) a moral implícita da modernidade, pois o narrador do livro e a representação do corpo negro cri�cam o comportamento social das personagens femininas no século XX. L0167 - (Ifpe) Texto 1 ENTENDA O MOVIMENTO LITERÁRIO QUE DEU ORIGEM A "MACUNAÍMA" "Macunaíma" é uma obra que atravessa tempos e lugares, raças e linguagens, cruzando as fronteiras entre o culto e o popular. O livro faz uma síntese do povo brasileiro que se mantém atual mesmo80 anos depois de seu lançamento. De acordo com Noemi Jaffe, autora do �tulo "Folha Explica - Macunaíma", da Publifolha, o caráter atual da obra se mantém por tratar de temas que ainda fazem parte do Brasil. "O nosso país ainda apresenta os mesmos problemas retratados em "Macunaíma": é economicamente dependente, desigual e apresenta dificuldades de reconhecimento da iden�dade". A obra "Macunaíma", de Mário de Andrade, foi escrita em 1927 e publicada em 1928. O livro pertence ao Modernismo, movimento literário que teve seu ápice em 1922, com a semana de Arte Moderna, que teve Mário de Andrade como um de seus mentores. "Seis anos depois, em 1928, ano em que “Macunaíma” foi lançado, o Modernismo já era um movimento literário mais consolidado; com nome, número, iden�dade e ideologia", afirma Noemi Jaffe. Em 1928, de acordo com Oscar Pilagallo, autor da série "Folha Explica - História" e outros livros da Publifolha, "o modernismo entrava em outra fase, marcado pelo Manifesto Antropófago de Oswald de Andrade, publicado em maio daquele ano, e pelo lançamento de “Macunaíma”, de Mário de Andrade. Foram duas vertentes importantes, ambas marcadas pelo nacionalismo. O folclorismo de Mário e a irreverência de Oswald". Disponível em: h�p://www1.folha.uol.com.br . (Publicado em 2008). Acesso em: 25ago.2013. Texto 2 3@professorferretto @prof_ferretto Texto 3 Os comentários que seguem têm por base os textos 1, 2 e 3. Avalie-os. I. Segundo retrata o texto 1, Oswald de Andrade propôs, em 1928, o Manifesto Antropófago. O texto 2 cons�tui, na pintura, um exemplar dessa proposta. II. O texto 2 é um dos principais quadros da Primeira Fase Modernista e traz uma intertextualidade explícita com duas outras telas: “A Negra” e “Abaporu”, também de Tarsila do Amaral. III. O autor do texto 3 faz uma crí�ca mordaz à jus�ça brasileira, ao chamá-la de “Macunaíma”, personagem cuja denominação dada por Andrade é “um herói sem nenhum caráter’. IV. É irônica a caracterização �sica da ‘Jus�ça Macunaíma’, uma vez que o personagem criado por Mário de Andrade é um indígena que, ao longo da obra, torna-se loiro. Não há alusão ao negro. V. A frase “Ai, que preguiça!” é uma referência a Macunaíma e é retomada na charge com o obje�vo de retratar a iden�dade do povo brasileiro atual, como sugere o primeiro parágrafo do texto 1. Estão corretos, apenas: a) I, II e III b) I e III c) II, IV e V d) II e V e) III e IV L0340 - (Unicamp) TEXTO 1 an�poema é preciso rasurar o cânone distorcer as regras as rimas as métricas o padrão a norma que prende a língua os milionários que se beneficiam do nosso silêncio do medo de se dizer poeta, só assim será livre a palavra. (Ma Njanu é idealizadora do “Clube de Leitoras” na periferia de Fortaleza e da “Pretarau, Sarau das Pretas”, cole�vo de ar�stas negras. Disponível em h�p://recantodasletras.com.br/poesias/6903974. Acessado em 20/05/2020.) TEXTO 2 “O povo não é estúpido quando diz ‘vou na escola’, ‘me deixe’, ‘carneirada’, ‘mapear’, ‘farra’, ‘vagão’, ‘futebol’. É antes inteligen�ssimo nessa aparente ignorância porque, sofrendo as influências da terra, do clima, das ligações e contatos com outras raças, das necessidades do momento e de adaptação, e da pronúncia, do caráter, da psicologia racial, modifica aos poucos uma língua que já não lhe serve de expressão porque não expressa ou sofre essas influências e a transformará afinal numa outra língua que se adapta a essas influências.” (Carta de Mário a Drummond, 18 de fevereiro de 1925, em Lélia Coelho Frota, Carlos e Mário: correspondência completa entre Carlos Drummond de Andrade e Mário de Andrade. Rio de Janeiro: Bem-Te-Vi, 2002, p. 101.) Apesar de passados quase 100 anos, a carta de Mário de Andrade ecoa no poema de Ma Njanu. Ambos os textos manifestam a) a ignorância ra�ficada do povo em sua luta para se expressar. b) a necessidade de diversificar a língua segundo outros costumes. c) a inteligência do povo e dos poetas livres de influências. d) a ingenuidade em se crer na possibilidade de escapar às regras. L0163 - (Ifpe) CERTAS PALAVRAS Certas palavras não podem ser ditas em qualquer lugar e hora qualquer. Estritamente reservadas 4@professorferretto @prof_ferretto para companheiros de confiança, devem ser sacralmente pronunciadas em tom muito especial lá onde a polícia dos adultos não adivinha nem alcança. Entretanto são palavras simples: definem partes do corpo, movimentos, atos do viver que só os grandes se permitem e a nós é defendido por sentença dos séculos. E tudo é proibido. Então, falamos. ANDRADE, Carlos Drummond de. Certas palavras. In: A palavra Mágica – POESIA. 10ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2003, p. 32. DIÁLOGO FINAL - É tudo que tem a me dizer? - perguntou ele. - É - respondeu ela. - Você disse tão pouco. - Disse o que �nha para dizer. - Sempre se pode dizer mais alguma coisa. - Que coisa? - Sei lá. Alguma coisa. - Você queria que eu repe�sse? - Não. Queria outra coisa. - Que coisa é outra coisa? - Não sei. Você que devia saber. (...) ANDRADE, Carlos Drummond de. Diálogo Final (trecho). In: Histórias para o Rei – CONTO. 4ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1999, p. 42-43. O Modernismo brasileiro foi um movimento cultural, ar�s�co e literário que teve seu início marcado pela Semana de Arte Moderna, em 1922, e que buscou examinar e desconstruir os sistemas esté�cos da arte tradicional. Com base na leitura dos textos acima e nos seus conhecimentos acerca das caracterís�cas das obras modernas, assinale a alterna�va CORRETA. a) Por fazer parte da segunda geração de modernistas, Drummond usufrui de uma liberdade ainda maior do que a imaginada pelos par�cipantes da Semana, o que o permite experimentar grande variedade temá�ca e es�lís�ca, conforme vemos nos textos apresentados. b) Embora seja modernista, o poema “Certas palavras” faz clara oposição aos ideais defendidos por esse movimento, em que a vontade de quebrar os paradigmas da literatura tradicional não permi�am a sobrevivência do eu lírico. c) A estrutura do conto “Diálogo final”, prosaica e com linguagem acessível, só foi possível a par�r da terceira geração do Modernismo brasileiro, quando os escritores conquistaram certa autonomia literária e construíram a iden�dade da literatura nacional. d) O poema “Certas palavras”, embora pareça um poema, está escrito em prosa, uma vez que o uso de sinais de pontuação é próprio de textos prosaicos. Em poemas, a organização dos versos e das estrofes dispensa o uso de sinais diacrí�cos, como a vírgula e os dois-pontos, por exemplo. e) Os textos, por romperem com ideais esté�cos da literatura tradicional, foram escritos em uma variedade mais formal da Língua Portuguesa, não havendo, em sua composição, trechos em desacordo com a norma culta. L0168 - (Ibmecrj) A Semana de Arte Moderna foi um movimento definidor da concepção contemporânea de “cultura brasileira”, quando foram propostas pela primeira vez muitas das ideias ainda correntes sobre a relação do país com a tradição nacional e as influências estrangeiras. Neste ano de 2012, esse movimento completa 90 anos. Da Semana par�ciparam jovens ar�stas como os escritores Oswald de Andrade, Anita Malfa�, Mario de Andrade e Manuel Bandeira, esses dois úl�mos autores dos poemas abaixo. Texto I VOU ME EMBORA Mario de Andrade (Fragmento) Vou-me embora, vou-me embora Vou-me embora pra Belém Vou colher cravos e rosas Volto a semana que vem (...) Vou-me embora paz na terra Paz na terra repar�da Uns têm terra, muita terra Outros nem pra uma dormida Não tenho onde cair morto 5@professorferretto @prof_ferretto Fiz gorar a inteligência Vou reentrar no meu povo Reprincipiar minha ciência (...) Texto II VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA Manuel Bandeira (Fragmento) Vou-me embora pra Pasárgada Lá sou amigo do rei Lá tenho a mulher que eu quero Na cama que escolherei Vou-me embora pra Pasárgada Vou-me embora pra Pasárgada Aqui não sou feliz (...) Expressões e palavras assumem diferentes significadosdependendo do contexto em que estão sendo u�lizadas. A expressão “Vou-me embora” assume, nos textos I e II,os seguintes sen�dos de busca, respec�vamente: a) da independência financeira e da liberdade condicional b) da expressão nacionalista e do paraíso perdido c) do conhecimento da pátria e da independência financeira d) do conhecimento do povo e da liberdade de expressão linguís�ca e) da felicidade e do conhecimento da cultura popular L0166 - (Mackenzie) A par�r dos três autores selecionados, considere as seguintes afirmações: I. Manuel Bandeira foi poeta determinante na idealização e na organização da Semana de Arte Moderna de 1922. II. Augusto dos Anjos, em função de sua perfeição métrica e rítmica, é considerado um dos expoentes da tríade parnasiana. III. Machado de Assis abandonou a prosa român�ca para desenvolver as digressões textuais, caracterís�ca fundadora da prosa realista. Assinale a alterna�va correta. a) Estão corretas as afirmações I e II. b) Estão corretas as afirmações II e III. c) Estão corretas as afirmações I e III. d) Todas as afirmações estão corretas. e) Nenhuma das afirmações está correta. L0448 - (Unesp) Leia alguns trechos do “Prefácio Interessan�ssimo” de Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade, obra considerada marco do Modernismo brasileiro e publicada originalmente em julho de 1922. Leitor: Está fundado o Desvairismo. Este prefácio, apesar de interessante, inú�l. Quando sinto a impulsão lírica escrevo sem pensar tudo o que meu inconsciente me grita. Penso depois: não só para corrigir, como para jus�ficar o que escrevi. Daí a razão deste Prefácio Interessan�ssimo. E desculpe-me por estar tão atrasado dos movimentos ar�s�cos atuais. Sou passadista, confesso. Ninguém pode se libertar duma só vez das teorias-avós que bebeu; e o autor deste livro seria hipócrita se pretendesse representar orientação moderna que ainda não compreende bem. Não sou futurista (de Marine�). Disse e repito-o. Tenho pontos de contato com o futurismo. Oswald de Andrade, chamando-me de futurista, errou. A culpa é minha. Sabia da existência do ar�go e deixei que saísse. Tal foi o escândalo, que desejei a morte do mundo. Era vaidoso. Quis sair da obscuridade. Hoje tenho orgulho. Não me pesaria reentrar na obscuridade. Pensei que se discu�riam minhas ideias (que nem são minhas): discu�ram minhas intenções. Um pouco de teoria? Acredito que o lirismo, nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada. (Mário de Andrade. Poesias completas, 2013.) Ao enfa�zar o papel do inconsciente na a�vidade cria�va, o “Prefácio Interessan�ssimo” expõe uma poé�ca que revela afinidades com a esté�ca a) cubista. b) futurista. c) impressionista. d) expressionista. e) surrealista. L0449 - (Unesp) 6@professorferretto @prof_ferretto Mário de Andrade recorre à metalinguagem no seguinte trecho: a) “Está fundado o Desvairismo.” b) “Não me pesaria reentrar na obscuridade.” c) “Este prefácio, apesar de interessante, inú�l.” d) “Sabia da existência do ar�go e deixei que saísse.” e) “Quis sair da obscuridade.” L0491 - (Unesp) Indo às consequências finais da posição de José de Alencar no Roman�smo, esse autor adotou como base da sua obra o esforço de escrever numa língua inspirada pela fala corrente e os modismos populares, não hesitando em usar formas consideradas incorretas, desde que legi�madas pelo uso brasileiro. Com isso, foi o maior demolidor da “pureza vernácula” e do “culto da forma”. (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) O texto refere-se a a) Olavo Bilac. b) Machado de Assis. c) Mário de Andrade. d) Aluísio Azevedo. e) Euclides da Cunha. L0523 - (Unesp) O quadro não se presta a uma leitura convencional, no sen�do de esmiuçar os detalhes da composição em busca de nuances visuais. Na tela, há apenas formas brutas, essenciais, as quais remetem ao estado natural, primi�vo. Os contornos inchados das plantas, os pés agigantados das figuras, o seio que atende ao inexorável apelo da gravidade: tudo é raiz. O embasamento que vem do fundo, do passado, daquilo que vegeta no substrato do ser. As cabecinhas, sem faces, servem apenas de contraponto. Estes não são seres pensantes, produtos da cultura e do refinamento. Tampouco são construídos; antes nascem, brotam como plantas, sorvendo a energia vital do sol de limão. À palheta nacionalista de verde planta, amarelo sol e azul e branco céu, a pintora acrescenta o ocre avermelhado de uma pele que mais parece argila. A mensagem é clara: essa é nossa essência brasileira – sol, terra, vegetação. É isto que somos, em cores vivas e sem a intervenção erudita das fórmulas pictóricas tradicionais. (Rafael Cardoso. A arte brasileira em 25 quadros, 2008. Adaptado.) Tal comentário aplica-se à seguinte obra de Tarsila do Amaral (1886-1973): a) b) c) d) e) 7@professorferretto @prof_ferretto L0554 - (Unesp) Duas fortes mo�vações converteram-se em molas de composição desta obra: a) por um lado, o desejo de contar e cantar episódios em torno de uma figura lendária que trazia em si os atributos do herói, entendido no senso mais lato possível de um ser entre humano e mí�co, que desempenha certos papéis, vai em busca de um bem essencial, arrosta perigos, sofre mudanças extraordinárias, enfim vence ou malogra...; b) por outro lado, o desejo não menos imperioso de pensar o povo brasileiro, nossa gente, percorrendo as trilhas cruzadas ou superpostas da sua existência selvagem, colonial e moderna, à procura de uma iden�dade que, de tão plural que é, beira a surpresa e a indeterminação. (Alfredo Bosi. Céu, inferno, 2003. Adaptado.) Tal comentário aplica-se à obra a) Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. b) Vidas secas, de Graciliano Ramos. c) Macunaíma, de Mário de Andrade. d) Os sertões, de Euclides da Cunha. e) Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. 8@professorferretto @prof_ferretto