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1. “Diz-se que um Estado foi instituído quando uma multidão de homens concordam e pactuam, cada um com cada um dos outros, que a qualquer homem ou assembleia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoas de todos eles (ou seja, de ser se representante), todos sem exceção, tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele, deverão autorizar todos os atos e decisões, a fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos dos restantes homens”. Fonte: HOBBES, Thomas. Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de Um Estado Eclesiástico e Civil. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. Editora Nova Cultural Ltda, 2000, São Paulo – SP, p. 145. Levando em conta os preceitos contratualistas de Hobbes, verifique as afirmações a seguir e assinale a única alternativa correta: ( ) De acordo com o autor, a necessidade de um pacto social visa a autopreservação do indivíduo e a possibilidade de uma vida em sociedade viável. ( ) Para o autor, o poder cedido do povo para o soberano pode ser restituído aos indivíduos quando necessário. ( ) O contratualismo indispensável no pensamento hobbesiano. ( ) Podemos afirmar que há uma plena continuidade e concordância entre os pressupostos de Hobbes e os de Rousseau, no que concerne à noção soberana que exerce poder absoluto perante a população de um Estado. a. V, V, F, F. b. V, F, F, V. c. F, F, F, F. d. F, V, V, F. e. V, F, V, F. 2. Pois bem, se sabes ou acreditas que Deus é bom — e não nos é permitido pensar de outro modo —, Deus não pode praticar o mal. Por outro lado, se proclamamos ser ele justo — e negá-lo seria blasfêmia —, Deus deve distribuir recompensas aos bons, assim como castigos aos maus. E por certo, tais castigos parecem males àqueles que os padecem. É porque, visto ninguém ser punido injustamente — como devemos acreditar, já que, de acordo com a nossa fé, é a divina Providência que dirige o universo —, Deus de modo algum será o autor daquele primeiro género de males a que nos referimos, só do segundo”. Fonte: AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio). Tradução de Nair Assis de Oliveira. São Paulo - SP, Editora Paulus, 1995, p. 25. De acordo com o posicionamento do autor, avalie as alternativas abaixo e assinale a asserção correta: a. A fundamentação da noção de liberdade e de livre-arbítrio é mobilizada pelo autor para poder contornar o problema da existência do mal, decorrente do maniqueísmo. b. Maldade e bondade não existem para Agostinho. c. É possível que se possa conceber a existência do mal a partir de um ser perfeito como Deus, pelos menos no argumento agostiniano. d. O problema do mal para o autor é em realidade uma questão secundária que surge a partir da noção de liberdade. e. De acordo com Agostinho, Deus é o criador, pelos menos virtualmente, do mal. 3. “[...] como vimos ao longo de todo este capítulo, se a ciência parte do conhecimento da qualidade dos sujeitos genéricos cujas propriedades deduz, todo o discurso demonstrativo a que entender-se, também, como um desvelamento da mesma natureza dos atributos demonstrados pela explicitação das relações causais que os engendram e, por conseguinte, como um processo indireto – mas nem por isso menos necessário – da manifestação de suas qualidades ou essências. Sob esse prisma, a ciência é sempre conhecimento de essências, eis a última lição do filósofo”. Fonte: PORCHAT, Oswaldo. Ciência e Dialética em Aristóteles. São Paulo, Fundação Editora Unesp, 2000, p. 330. Como Porchat aponta, o conhecimento para Aristóteles o conhecimento só se valida pela demonstração daquilo que se investiga, cuja finalidade é verificar a veracidade e o grau de validade que um tal gênero de conhecimento pode alcançar. Nessa concepção, faz-se necessário para Aristóteles postular regras para que a ciência possa proceder de maneira causal, o que é bem trabalhado nos Primeiros e Segundo Analíticos. Diante de tais concepções, avalie as alternativas abaixo e depois assinale a alternativa correta: I – Para o desenvolvimento das demonstrações nas ciências, o modelo silogístico adequando é o dialético. II – Aristóteles concebeu uma nova visão de realidade, de caráter mais imanentista e naturalista que a de Platão. III – Para o pensador grego, o conhecimento é alcançado pela reminiscência, tal como seu mestre (Platão) concebia. IV – Toda ciência, ou gênero científico, tende a investigar a essência de seu respectivo sujeito de estudo, ou seja, propõe-se a trabalhar com o conhecimento do universal. a. Apenas as afirmações II e IV estão corretas. b. As alternativas I e IV estão corretas. c. As afirmações III, II e IV estão corretas. d. I, II, III e IV estão corretas. e. Apenas a alternativa II é correta. 4. Bem, na filosofia de Platão a alma já é concebida como imortal. Dentro dessa narrativa haveria então dois mundos, o inteligível e o sensível. O mundo inteligível seria carregado de toda a verdade (ideias como justiça, beleza, bondade, etc...), está que se encontra em formas ou ideias puras que podem ser contempladas pela alma desencarnada. Platão também parte do pressuposto dos mitos órficos, onde estes afirmavam que a alma sofria uma transmigração, ou seja, após passar um tempo no mundo inteligível a alma retornaria a um corpo diferente, e depois da morte voltaria ao mundo das ideias. Frente a tal concepção, verifique as asserções seguintes: 1) Desse modo, o que apreendemos no mundo sensível não é devidamente verdadeiro, pois só conhecemos a mesma em outro plano. O Mundo sensível seria uma cópia do mundo inteligível. Além disso, o corpo seria um túmulo para alma, pois atrapalha o pleno uso do logos e do nous com suas necessidades fisiológicas e com as tentações e prazeres carnais. LOGO 2) De acordo com o Platão, o corpo é um impedimento para a alma pelo fato de nos proporcionar, através dos sentidos, informações enganosas e ambíguas, sendo que só podemos pensar a verdade ignorando-as aos nos concentrarmos apenas na razão. Essas questões são melhores representadas nos diálogos Fédon, O Banquete, Fedro e no livro V d’ A República. a. As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma justificativa correta da primeira. b. A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma proposição verdadeira. c. As duas asserções são proposições falsas. d. As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda não é uma justificativa correta da primeira. e. A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma proposição falsa. 5. “[...] os que se interessam pela boa legislação indagam acerca das virtudes e dos vícios políticos. A conclusão clara é de que a cidade, e não apenas a de nome, deve preocupar-se com a virtude. Se assim não fosse, a comunidade política decairia numa aliança que apenas se distingue pela contiguidade local de outras alianças, em que os membros vivem a uma certa distância uns dos outros. E a lei também tornar-se-ia um simples convênio – ou na frase do sofista Licofronte ‘uma garantia de direito dos homens’ – mas incapaz de tornar bons e justos os cidadãos”. Fonte: ARISTÓTELES. A Política. Lisboa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1998. Coleção Vega, Universidade de Ciências Sociais e Política. Edição bilíngue, tradução de Antônio Campelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes, 1280 b 5 – 12. Seguindo os elementos expostos por Aristóteles na passagem anterior, verifique as alternativas abaixo e assinale a alternativa correta: a. Para o autor, a política não é um atributo inerente ou natural ao ser humano. b. O logos não tem um papel essencial para o fazer político em Aristóteles. c. Aristóteles utiliza dois critérios para criar sua teoria das formas de governo, o de qualidade (se o governo é correto ou corrupto) e o de quantidade (número de pessoas no poder). d. Aristóteles considera que qualquer comunidade pode ser considerada um regime político. e. O pensador representa apenas quatro formas de governo: tirania, aristocracia, democracia e oligarquia. 6. “Durante toda a Idade Média, manteve-se a preocupaçãoem estudar e copiar os textos identificados como clássicos. O Renascimento introduz uma leitura crítica desses textos através da atenção que é dada à crítica de autoria e ao conteúdo original, na busca da pureza do escrito. Entretanto, isso só foi possível porque houve na Idade Média a manutenção dos estudos sobre os textos da Antiguidade. O caminho aberto para os intelectuais da Renascença foi mais significativo a partir dos séculos XII e XIII, período do renascimento carolíngio” Fonte: FALCON, Francisco José Calazans e RODRIGUES, Antonio Edmilson Martins. A Formação do Mundo Moderno. Páginas 69 - 70. Elsevier Editora Ltda, 2006, Rio de Janeiro – RJ. Acerca do conteúdo que verificamos anteriormente sobre a filosofia na Idade Moderna, é correto afirmar que: a. Maquiavel foi conhecido como um autor que apresentou uma nova perspectiva no campo da filosofia política. Principalmente com sua noção de que o regime político deveria cumprir um papel moralizador. b. O Renascimento assim foi denominado por ser um movimento teórico que visava unicamente a valorização do modelo de ensino vigente na época, conhecido como Escolástica. c. As reformas protestantes foram movimentos sociais caracterizados exclusivamente pelas pautas da emergente classe burguesa, estabelecida pelo modelo capitalista mercantil das grandes navegações. d. Maquiavel foi muito conhecido por sua posição amoralista dentro do debate da teoria política de sua época, defendendo a manutenção do poder do regime, ao invés do mero agrado aos preceitos éticos e religiosos. e. Maquiavel foi um teólogo que buscou revisar a visão cristã de seu período histórico, para isso ele lançou mão dos preceitos escolásticos e ignorou os estudos das línguas clássicas (latim, hebraico e grego antigo). 7. “É verdade que não vemos demolirem-se todas as casas de uma cidade só com o propósito de refazê-las de outra forma e de tornar as ruas mais belas, mas não é incomum vermos muitos mandarem derrubar as suas para reconstruí-las, e até por vezes, a isso são obrigados quando elas correm risco de cair por si mesmas e os alicerces não estão muito firmes. Com esse exemplo me persuadi de que não teria cabimento um particular propor-se a reformar um Estado mudando-lhe tudo desde os alicerces e derrubando-o para reerguê-lo; nem mesmo, também, a reformar o corpo das ciências ou a ordem estabelecida nas escolas para as ensinar; mas, quanto às opiniões que até então eu aceitara, o melhor que podia fazer era suprimi-las de uma vez por todas, a fim de substituí-las depois, ou por outras melhores, ou então pelas mesmas, quando eu as tivesse ajustado ao nível da razão”. Fonte: DESCARTES, René. Meditações Metafísicas. Tradução de Maria Ermantina de Almeida Prado Galvão. Editora Martins Fontes, 2a edição, 2005, São Paulo – SP, p. 17 – 18. Seguindo a linha de argumentação do autor, considere qual das opções abaixo se encaixa como correta, no que concerne ao recurso da dúvida metódica: ( ) A utilização da dúvida metódica visa, na concepção cartesiana, a constatação da supremacia das ideias sensíveis perante as ideias inatas. ( ) O método pirronista de Descartes, utilizado n’ As Meditações Metafísicas, tinha como base os descredenciamento total de qualquer ideia, inclusive da certeza da existência do “eu”. ( ) Após a derrubada do edifício de conhecimento, Descartes assume ser impossível sua restauração. ( ) O argumento cartesiano defende a noção de que as ideias advindas apenas da razão são mais claras, distintas e exatas do que as ideias provenientes dos sentidos. a. F, F, V, F. b. F, F, F, V. c. V, F, V, V. d. V, V, F, F. e. F, V, V, V. 8. Reconhecerás também, espero, que na lei temporal dos homens nada existe de justo e legítimo que não tenha sido tirado da lei eterna. Assim, no mencionado exemplo do povo que, às vezes, tem justamente o direito de eleger seus magistrados e, às vezes, não menos justamente, não goza mais desse direito, a justiça dessas diversidades temporais procede da lei eterna, conforme a qual é sempre justo que um povo sensato eleja seus governantes e que um povo irresponsável não o possa”. Fonte: AGOSTINHO. O Livre-Arbítrio (De Libero Arbitrio). Tradução de Nair Assis de Oliveira. São Paulo - SP, Editora Paulus, 1995, p. 25. De acordo com o posicionamento do autor, avalie as alternativas abaixo e assinale a asserção correta: ( ) A lei temporal deve ser preservada, independentemente da lei eterna. ( ) Os preceitos que constituem a lei eterna são o único modo de se garantir a beatitude pelo exercício livre da vontade. ( ) A lei temporal deve ditar a lei divina. ( ) A questão da liberdade não é pertinente ao debate da lei eterna e da lei temporal. a. V, F, F, F. b. F, F, V, F. c. F, F, V, V. d. F, V, F, V. e. F, V, V, F. 9. “Teremos ganho muito a favor da ciência estética se chegarmos não apenas à intelecção lógica mas à certeza imediata da introvisão [Anschauung] de que o contínuo desenvolvimento da arte está ligado à duplicidade do apolíneo e do dionisíaco, da mesma maneira como a procriação depende da dualidade dos sexos, em que a luta é incessante e onde intervêm periódicas reconciliações. Tomamos estas denominações dos gregos, que tornam perceptíveis à mente perspicaz os profundos ensinamentos secretos de sua visão de artes, não, a bem dizer, por meio de conceitos, mas nas figuras penetrantemente claras de seu mundo dos deuses”. Fonte: NIETZSCHE, Friedrich. O Nascimento da Tragédia. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo, Companhia das Letras, 2007, São Paulo – SP, p. 24. Acerca das noções de apolíneo e dionisíaco que estudamos nesta unidade, verifique as alternativas abaixo e assinale a alternativa correta: a. Tanto Apolo quanto Dionísio são divindades oriundas da tradição olímpica, retratada por Homero. b. Para Nietzsche a figura dionisíaca representava o princípio de individuação para os gregos na antiguidade. c. De acordo com o autor, a tradição apolínea é ligada à poesia épica homérica, já a tradição dionisíaca é relacionada às obras de Arquíloco. d. Segundo Nietzsche, Apolo é a divindade que representava o Uno-primordial. e. Na concepção do autor, Apolo e Dionísio representam princípios da natureza inconciliáveis. 10. “A concepção científica do mundo não se caracteriza tanto por teses próprias, porém, muito mais, por sua atitude fundamental, seus pontos de vista e sua orientação de pesquisa. Tem por objetivo a ciência unificada [...] Daí se origina a busca de um sistema de fórmulas neutro, um simbolismo liberto das impurezas das linguagens históricas, bem como a busca de um sistema total de conceitos. Aspira-se à limpeza e à clareza, recusam-se distâncias obscuras e profundezas insondáveis [...] Tudo é acessível ao homem; e o homem é a medida de todas as coisas [...] A tarefa do trabalho filosófico consiste neste esclarecimento de problemas e enunciados, não, porém, em propor enunciados ‘filosóficos’ próprios”. Fonte: HANS, NEURATH, CARNP. A Concepção Científica do Mundo – O Círculo de Viena. Cadernos de História e Filosofia da Ciência I0, 1986, 1986, p. 10. Na primeira metade do século XX alguns pensadores começaram a pensar os problemas da filosofia a partir da perspectiva da lógica formal, podemos incluir nesse movimento os filósofos analíticos e o positivismo lógico, por exemplo. Acerca das críticas que os pensadores do Círculo de Viena fizeram a metafísica, assinale a alternativa correta: a. A recusa do positivismo lógico não atingia autores do idealismo alemão, tal como Hegel. b. Os problemas metafísicos são resolvidos, pela filosofia da linguagem, a partir de sua ambiguidade semântica. c. A formalização lógica do conhecimento é um dos principais pilares do conhecimento científico no positivismo lógico e na filosofia da linguagem. d. Heidegger é tido como um dos maiores nomes da filosofia analítica. e. Wittgenstein foi um crítico ferrenho ao projeto de uma filosofia da linguagem como alternativa ao conhecimento metafísico.