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Universal e geral
REFORMAÇÃO
de todo o extenso mundo.
FAMA FRATERNITATIS
da louvável Ordem da Rosacruz/
dirigida a todos os sábios e
cabeças da Europa:
Também uma curta RÉPLICA,
posta pelo Senhor Haselmayer/ pela qual 
o mesmo foi encarcerado/ e 
aferrado em uma nau:
Agora publicamente acabado em impressão/
e comunicado a todos os
corações leais.
Impresso em Cassel / por Wilhelm Wessel /
Ano M DC XIV
– 2 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
São Tomás de Aquino
Aos Fratres e Sorores da Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, AMORC, 
Jurisdição de Língua Portuguesa.
Saudações em todas as pontas do nosso Sagrado Triângulo!
Enquanto a liturgia cristã comemora no dia 06 de janeiro a manifestação da Luz Divina 
sobre a Terra através da Festa da Epifania, nós, rosacruzes, reconhecemos esta comemo-
ração, mas temos outras razões para celebrar.
Nossa organização não é uma Ordem comum. Nossa Tradição tem significativo peso 
nos destinos das sociedades e, por consequência, na evolução da humanidade.
Na Europa da alta Idade Média (entre os séculos V e XV) o pensamento dominante 
era de caráter religioso, causado pela forte influência que o clero da época exercia na 
sociedade.
Iniciado no século I e recebendo forte 
influência da chamada Patrística a partir do 
século IV, a característica religiosa do pensa-
mento se acentuou nos dez séculos seguintes 
alcançando seu ápice no século XIII com seus 
ilustres doutores, como é o caso de São Tomás 
de Aquino durante a Escolástica. Neste pe-
ríodo, a Igreja Romana ungia e coroava reis, 
organizava Cruzadas à Terra Santa e criava, à 
volta das catedrais, o que hoje chamamos de 
universidades. Ou se aprendia nestes locais, 
ou nas escolas dos claustros. Neste período, a 
igreja centralizava o monopólio da cultura.
Não há adjetivo ou expressão mais ade-
quada para o cenário da época do que aquilo 
que costumamos chamar de medieval. 
As ideias de criação do mundo, de peca-
do original, de Deus como trindade una, de 
juízo final, de fim dos tempos e outras foram “transformadas” pela Igreja em verdades 
reveladas por Deus ou decretos divinos elevando-se ao status de dogmas. A partir daí, 
tornaram-se irrefutáveis e inquestionáveis. Estas imposições vieram gerar a grande dú-
vida que seria o assunto central durante séculos:
– ou a verdade vem por revelação e fé, e portanto de Deus,
– ou vem da razão, da mente, e portanto do homem.
A tentativa de conciliar razão e fé colocava Deus como centro das buscas do homem 
medieval. A influência do pensamento de Aristóteles e dos filósofos árabes Avicena 
e Averróis resgataram as características do período clássico recolocando a atenção de 
– 3 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
Cavaleiros das Cruzadas
Deus no homem e possibilitando o que alguns séculos mais tarde iria culminar com a 
Renascença, o pensamento moderno e o Iluminismo. 
A tônica medieval resumia-se ao “ora et labora”, que em tradução simples significa 
“reza e trabalha”. As mentes mais proeminentes da época, os rosacruzes, trabalhavam 
para alterar aquele estado de coisas. A proposta dos rosacruzes era o ideal do homem 
como artífice de seu próprio destino, tanto através dos conhecimentos (astrologia, ma-
gia e alquimia), quanto através da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, 
arquitetura, engenharia e navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura e teatro). 
Dentre essas mentes destacamos Dante Alighieri, Giordano Bruno, Tommaso Campa-
nella, Nicolau Maquiavel, Michel de Montaigne, Erasmo de Roterdam, Tomás Morus, 
Johannes Kepler e Nicolau de Cusa. 
Naquela fase, nossa Ordem trabalhou com tenacidade em vários países da Europa. 
Como sabemos, não se ousava propagar ideias novas que contrariassem o paradigma 
vigente. 
A despeito da medonha ação combativa a qualquer novo conhecimento, nossa frater-
nidade esteve ativa e atuante no pensamento e nas culturas da época.
Como sabemos, Sir Francis Bacon foi Imperator de nossa Ordem na Inglaterra do 
século XVII; contemporâneos de Bacon, tínhamos René Descartes na França, além de 
outros rosacruzes famosos em épocas próximas, como Blaise Pascal, Thomas Hobbes, 
Gottfried Wilhelm Leibniz, John Locke, George Berkeley e Isaac Newton. 
– 4 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
Ouve, fi lho meu, e recebe minhas palavras;
Assim, os anos de tua vida serão muitos.
Ensinei-te o caminho da sabedoria;
Conduze-te pelas veredas da retidão. 
Quando andares, teus passos não necessitarão
serem corrigidos; e quando correres, não
tropeçarás. Agarra a instrução; não a soltes:
guarda-a, pois ela é a tua vida. 
Prov. IV.v.10.
Mysterium Magnum
– 5 –
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 os
Manifestos
 Rosacruzes
Claudio Mazzuco,
Grande Mestre da Jurisdição de Língua Italina
Com a autorização do autor, Frater Claudio Mazzuco, Grande Mestre para a Jurisdição 
de Língua Italiana, incorporo o documento intitulado “Os Manifestos Rosacruzes” para 
ilustrar e reforçar o conteúdo deste opúsculo. Em plena concordância com ele reafirmo: 
buscamos utopias!
Na vida de um estudante rosacruz apare-
cem várias oportunidades de entrar em 
contato com o estudo dos Manifestos Rosa-
cruzes e através destes conhecer um pouco 
mais do período histórico relativo, chamado 
pela historiadora Francis Yates de “Ilumi-
nismo Rosacruz”.
Abordemos pois a história. Não como 
um elenco de datas ou nomes para serem 
estudados ou lembrados. Vamos analisar a 
história como uma harmonização. Através 
dos fatos aqui narrados, experimentare-
mos, com a nossa imaginação, uma harmo-
nização com um ideal ou, melhor ainda, 
com uma utopia. 
De fato, este é o termo que pode definir 
o pensamento filosófico que antecipou a 
publicação dos Manifestos Rosacruzes em 
1614, 1615 e 1616: uma utopia.
O dicionário filosófico define utopia 
como uma palavra que deriva do grego e é 
formada por “ou” (negação) e “topos” (lu-
gar): ou seja, o “lugar que não existe”.
Qual relação existe entre o Rosacru-
cianismo e a utopia, ou melhor, “o lugar 
que não existe”? É oportuno lembrar que 
no manifesto Positio Fraternitatis, recen-
temente publicado pela nossa Ordem, 
encontramos uma citação de um pensa-
mento de Platão que nos servirá de guia:
“A Utopia é a forma ideal de sociedade. 
Talvez nunca venha a se realizar na Terra, 
mas é nela que o sábio deve pôr todas as 
suas esperanças.”
Utopia
– 6 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
O período rosacruz que nos interessa 
aqui, em particular os séculos XVI e XVII, 
caracterizou-se pelo aparecimento das 
grandes utopias e do sonho de grandes 
pensadores em realizar uma reforma da 
humanidade. No Palatino, região da Ale-
manha, por pouco não se concretizou a 
Utopia Rosacruz. 
Sob a tutela de Frederico V, príncipe eleitor 
do Sagrado Império Romano, os rosacruzes 
tentaram realizar a cidade ideal. Como pode-
ríamos chamá-la? A Cidade do Sol? Cristianó-
polis? A Nova Jerusalém? A Nova Atlândida?
Não importa qual nome escolhamos, o 
que conta é que se tentou realizar na Terra 
um ideal de paz, fraternidade e tolerância 
entre os homens. Tentou-se realizar um 
ideal de convivência harmoniosa entre as 
diversidades para o crescimento e benefício 
de todos, concretizando assim um princípio 
hermético bem conhecido por todos nós. 
Tentou-se realizar na Terra a cidade ideal 
que os místicos constroem no próprio cora-
ção. Aquele lugar sagrado - aquele “lugar que 
não existe” porque não é visível - onde todas 
as diferenças podem ser diluídas com o sol-
vente alquímico universal: o amor.
Mas para entender melhor os aconteci-
mentos daquele período é necessário lem-
brar alguns 
fatos que 
funcionaram 
como precur-
sores de gran-
des eventos. 
Vejamos então 
brevemente e 
tentemos en-
tender como 
chegamos 
tão perto da 
concretização 
deste ideal e 
Frederico V
como as guerras de religião, em particular 
a Guerra dos Trinta Anos, destruíramtudo, 
deixando somente morte e miséria. Porque a 
guerra faz somente isso: substitui o que exis-
te com morte e miséria.
Começaremos com o fim do século XV, 
lembrando como o descobrimento das 
Américas em 1492 ampliou as fronteiras do 
homem, não somente do ponto de vista geo-
gráfico, mas sobretudo do ponto de vista dos 
limites impostos à consciência. Vale lembrar 
também que o termo “descobrimento das 
Américas” é posto em discussão pelos histo-
riadores, visto que não se entende que sig-
nificado pode ter “descobrir” um lugar onde 
já viviam populações. A expressão, como é 
usada, quase indica que antes que a Europa 
“descobrisse” a América, esta não existia.
Naquele período também começavam a cir-
cular documentos reproduzidos segundo uma 
técnica conhecida há algum tempo, mas aper-
feiçoada e aplicada por Gutemberg: a imprensa.
O descobrimento das Américas, todavia, 
deve ser lembrado em todos os seus aspectos 
porque foi marcado principalmente pela cul-
tura europeia dominante no período. O ge-
nocídio das populações americanas (índios), 
a destruição das civilizações Asteca e Inca 
e o saqueamento humano da África negra, 
fato pelo qual o Papa pediu perdão em uma 
recente visita à Angola, foram infelizmente 
graves consequências do descobrimento e 
representam fatos de extrema dramaticidade.
No século XV avança também uma cul-
tura que é definida como humanista por-
que, pela primeira vez depois de séculos, 
iniciava-se a recuperação da confiança no 
Homem, o qual começa a ser considerado o 
ponto de encontro entre o céu e a terra. 
Os intelectuais se reúnem em círculos ou 
“Academias” e dão início ao estudo crítico 
das Sagradas Escrituras, fato absolutamente 
inconcebível até aquele momento.
– 7 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
Este é o 
período de 
Marcílio
Ficino, gran-
de tradutor 
dos textos 
herméticos 
e da obra de 
Platão, e do 
seu impor-
tante discípu-
lo, Pico della 
Mirandola. A 
Ficino devemos atribuir a ideia ou conceito 
de tradição primordial. Foi ele o primeiro es-
tudioso que estabeleceu a existência de uma 
corrente que liga todos os grandes fi lósofos 
da humanidade, empenhados em transmitir 
uma forma de conhecimento que continha 
em si mesmo algo de sagrado. 
No Humanismo, já começa a se delinear 
aquela onda que leva a humanidade sempre 
a planos mais elevados de consciência. O sé-
culo XV é o século no qual são introduzidos 
em Florença, na Itália, os textos fi losófi cos 
gregos que serão fundamentais para o perío-
do da Renascença que veio a seguir.
O Século XVI
Este é o século em que se põe em discussão 
a teoria geocêntrica, que colocava a Terra no 
centro do universo e que era sustentada pela 
Igreja com base em uma interpretação do 
livro de Josué, no qual o profeta ordenava ao 
sol que parasse no céu.
O astrônomo polonês Nicolau Copér-
nico, com a sua “revolução”, muda total-
mente a posição do homem em relação ao 
Universo. Ele afi rma, recuperando antigas 
doutrinas pitagóricas, que é a Terra que gira 
ao redor do sol e não o contrário. Esta teoria 
é conhecida como teoria heliocêntrica. Não 
mais o Homem no centro do Universo, mas 
o homem como habitante de um pequeno 
planeta entre outros tantos. Não obstante “A 
Revolução do Mundo Celeste” tivesse sido 
dedicada ao Papa (por prudência!), a reação 
da Igreja não tardou e teve como objetivo 
impedir a difusão do texto. 
O Processo de Galileu
As vítimas mais ilustres foram Galileu 
Galilei, que havia confi rmado a teoria 
copernicana, observando o céu com o seu 
telescópio, e Giordano Bruno, que inspirado 
pelo heliocentrismo afi rmou a infi nidade do 
universo e a pluralidade dos mundos.
O século XVI será conhecido com o 
nome que o historiador Jules Michelet lhe 
deu: o Renascimento. De fato, este século 
testemunhará uma renovação total na vida, 
com a criação e a adoção de um conceito re-
volucionário sobre o Homem e o Universo. 
Este renascimento levou ao retorno do mun-
do clássico, aos textos e valores fundamentais 
da antiguidade grega e latina e à retomada de 
temas fi losófi cos herméticos e neoplatônicos.
Portanto, é o século da metafísica neo-
Revolução dos mundos Celestes – 1516
Marcílio Ficino
– 8 –
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platônica com uma fortíssima infl uência 
de alquimistas e pensadores hebreus, como 
Cordovero e Luria.
No campo da medicina encontramos 
Paracelso, que põe em dúvida os 
fundamentos da medicina até então 
praticada e que baseava-se no pensamento 
de Galeno (médico do séc. II d.c.).
Este fato é citado no Fama Fraternitatis. 
Paracelo introduz uma nova visão na medi-
cina segundo a qual o homem é visto como 
um microcosmo e a natureza como um livro 
que deve ser lido para conhecermos a nos-
sa verdadeira essência e encontrar assim as 
curas necessárias. Segundo o pensamento de 
Paracelso, o médico é um iniciado aos misté-
rios do homem e da natureza. Trata-se de uma 
revolução que, ao contrário daquela de Copér-
nico, poderíamos chamar de microcósmica. 
Como podemos ver, os eventos seguem 
em grande velocidade. Alguma coisa está 
fermentando e é espontâneo esperar alguma 
grande mudança. Aquilo no qual acreditou-
-se por séculos começa a desabar velozmen-
te como um castelo de areia.
O conhecimento que funcionava como 
alicerce e no qual baseavam-se todas as 
escolhas agora não funciona mais e é subs-
tituído. Vemos aparecer no cenário europeu 
estas mentes iluminadas que trazem a luz de 
um novo conhecimento. A imprensa acelera 
e amplifi ca de um modo impensável a co-
municação intelectual, assim como as desco-
bertas técnicas e a navegação.
Em 1517 acontece a mais profunda rachadura 
no mundo da religião: a Reforma Protestante. 
Este fato mudou completamente a face da 
Europa e foi motivo de guerras que mergulharam 
o velho continente na sua “noite negra”. 
Há muito tempo existia na Igreja Católica 
um forte impulso em direção a uma reforma 
espiritual. Muitos almejavam um retorno à 
“pureza evangélica” e à releitura dos textos sa-
grados. Já no século XIV, em Flandres, havia 
nascido um movimento chamado “Devotio 
Moderna”, que encontra difusão graças a um 
livro entitulado “De Imitatione Christi” (A 
Imitação de Cristo) de Th omas de Kempis. 
Este texto infl uenciou um outro grande uto-
pista da nossa história: Erasmo de Roterdam.
Erasmo tinha um espírito conciliador. Ele 
muda completamente o signifi cado comum 
da noção de 
heresia. Diz 
Erasmo: “a he-
resia doutrinal, 
a menos que 
não esteja em 
contradição 
completa e em 
modo fl agrante 
com as Sagra-
das Escrituras, 
pode ser con-
siderada uma 
opinião discu-
tível; aliás, a 
Paracelso Erasmo de Roterdam
– 9 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
discussão é auspiciosa na busca da verdade.” 
Lembrem-se que estamos em 1500! 
Em busca deste Cristianismo original, 
parte para Roma um monge dominicano 
de nome Martinho Lutero. A sua intenção 
é clara: levar à consideração do Papa a sua 
iniciativa de reforma para que possa ser 
adotada pela Igreja. Na mente de Lutero não 
existe a ideia de dividir a Igreja, mas somen-
te de reformá-la.
Lutero fica irremediavelmente chocado 
com a cidade que encontra. Roma, na sua 
mente, devia ser a cidade da máxima espiritu-
alidade cristã, mas aquilo que ele vê muito lhe 
recorda a presença dos mercadores no Templo. 
Encontra uma cidade corrupta e em-
pobrecida. Vê uma enorme igreja sendo 
construída com os fundos provindos da 
venda de indulgências. Como sabemos, as 
indulgências são, segundo a visão católica, 
formas de perdão especial pelos pecados, 
distribuídas em função de quanto a pessoa 
estava disposta a doar para poder ir para o 
paraíso ou para reduzir ao mínimo a per-
manência no purgatório.
Lutero vê um clero corrupto e não en-
contra o Cristianismo que tinha em mente. 
Quando volta para a Alemanha, publica as 
suas 95 teses com as quais contesta a vali-
dade da enésima indulgência proposta pelo 
bispo de sua cidade para arrecadar fundospara a compra de uma nova propriedade. 
O Papa tenta impedir que Lutero divulgue 
as teses, mas ele se recusa a obedecer. Tenta 
explicar que a reforma não é uma tentativa de 
dividir a Igreja, mas sim, como diz o nome, 
dar-lhe a forma que possuía no tempo dos 
Apóstolos. A excomunhão é a única solução 
encontrada pela Igreja para frear este “revolu-
cionário”. E o que faz Lutero? Queima o do-
cumento de excomunhão publicamente!
Quais são as ideias de Lutero? Vejamos 
as principais: 
 1. A reforma abre novas vias para o resgate 
do homem, satisfazendo as exigências de 
uma fé elementar e acessível a todos.
 2. Afirma a ideia de que a salvação se obtém 
através da fé, graças ao sacrifício do Cristo.
 3. Afirma que a verdade está nas escrituras 
reveladas por Deus e não na doutrina e 
nos dogmas elaborados pelos teólogos. 
 4. Reconhece como sacramentos somente 
aqueles introduzidos por Cristo, ou seja, o 
batismo e a eucaristia. 
 5.Contesta a missa afirmando que na euca-
ristia o homem não pode transformar o vi-
nho e o pão em sangue e corpo de Cristo. 
A eucaristia deve voltar a ser a ceia do Se-
nhor ou “um rito de comunhão com Deus” 
- uma comunhão muito mais íntima, pois 
não existe o sacerdote. Lutero sustenta a 
ideia de que cada cristão é um sacerdote 
que pode se comunicar diretamente com 
Deus. Desta forma, a igreja de Roma via 
minada a teocracia eclesiástica. 
 6. Exclui os santos e Maria da estrutura da 
Igreja, a qual deve se basear somente na 
comunidade dos crentes.
 7. Recusa o celibato eclesiástico.
O luteranismo propôs a leitura e a interpre-
tação das Escrituras aos fiéis, ao passo que an-
tes eram reservadas aos sacerdotes. Para isso, 
Lutero traduz a Bíblia para o alemão e promo-
ve a sua impressão. É curioso notar que desta 
forma o luteranismo favorece a alfabetização e 
a cultura para poder melhor difundir a doutri-
na cristã. Em pouco tempo o nível de alfabeti-
zação dos países do norte da Europa que ade-
riram às ideias de Lutero é muito maior que o 
nível dos países do sul da Europa, onde a Igreja 
de Roma mantém a sua influência.
A Reforma Protestante é o momento a 
partir do qual foram gerados os fatos que 
produziram os Manifestos Rosacruzes, pois 
estes são publicados no exato momento em 
que se tenta “recatolicizar” a Alemanha. 
– 10 –
F a m a F r a t e r n i t a t i s – 1 6 1 4 - 2 0 1 4
Não obstante o Rosacrucianismo não te-
nha um perfil religioso, no sentido comum 
do termo, é evidente que o ambiente protes-
tante favoreceu o movimento que propunha 
“A Nova Reforma” e que desejava a supe-
ração dos antagonismos dogmáticos entre 
católicos e protestantes, propondo uma “reli-
gião natural e universal” purificada dos dog-
mas e que tivesse como regra a tolerância e a 
liberdade de consciência.
Na verdade, com a “Grande Reforma Univer-
sal” o movimento rosacruz desejava a superação 
tanto do luteranismo como do calvinismo e do 
catolicismo, e esta é uma constante que ligava 
personagens como John Dee, Giordano Bruno, 
Valentin Andreae, Comenius, Hartlib, Tomás 
de Campanella e Francis Bacon, todos com as 
suas cidades ideais e utópicas. 
O historiador Eugênio Bonvicini afirma 
que, para alcançar este objetivo, “primeiro 
os rosacruzes imaginaram a criação das 
suas cidades ou ilhas utópicas, em seguida 
criaram a Fraternidade Rosacruz, depois as 
Uniões Cristãs, depois ainda as Academias 
e por fim a Royal Society e a moderna 
Maçonaria”. Nós diremos que como um 
potentíssimo instrumento da Tradição, o 
Rosacrucianismo influenciou e se encontra 
na origem de todas estas sociedades e ordens 
místico-esotéricas, as quais tiveram e têm 
ainda hoje o mesmo objetivo promulgado 
pelos Manifestos Rosacruzes: promover a 
busca do conhecimento para o benefício de 
toda a humanidade.
Século XVII
O ano 1600 inicia de modo dramático com a 
tortura e a morte de Giordano Bruno na foguei-
ra. A dimensão do pensamento deste grande 
filósofo é muito grande para ser tratada aqui. 
De qualquer forma, Giordano Bruno 
estava em contato com todos os sábios e 
filósofos do movimento rosacruz, contato 
facilitado pela língua em comum, o latim, 
e pelo recíproco conhecimento das línguas 
italiana, alemã, francesa, inglesa e espanho-
la. É impressionante verificar a intensidade 
dos intercâmbios culturais e místicos, além 
das publicações, que ocorrem entre todos 
estes personagens cultos da época.
Mas não podia deixar de ser assim: de fato, 
as ideias fundamentais da “união dos doutos”, 
do “peregrinar em todos os lugares”, com a 
finalidade de “conhecer”, para um verdadeiro 
“comércio das ideias”, da “busca da universa-
lidade” e o constante chamado em direção à 
ciência e à cultura, vistas como um meio de 
progresso e de realização do Homem, sempre 
foram uma constante no pensamento rosa-
cruz e as utopias assim o revelam.
Chegamos agora no período da publica-
ção dos manifestos ou pouco antes. Encon-
tramo-nos no Palatino, na Alemanha, mais 
precisamente na cidade de Heidelberg.
O príncipe Frederico V se casa com Eli-
sabeth Stuart, filha do rei da Inglaterra.
É um evento de dimensão histórica: 
um país forte como a Inglaterra que se une 
através deste casamento com uma parte da 
Alemanha, criando assim um eixo estável, 
mesmo militarmente, contra as potências 
ausbúrgicas e católicas. Frederico e Elisabeth. 
Dois jovens 
cultos que 
nutrem no 
próprio 
coração ideias 
às quais nós 
chamamos 
místicas. Um 
casamento que 
é considerado 
pelos 
principais 
sábios da 
Europa como 
Giordano Bruno
– 11 –
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uma esperança e uma ocasião únicas. As 
coisas parecem realmente promissoras, ainda 
mais pelo fato de que quando Frederico 
encontra Elisabeth os dois se apaixonam 
realmente. Nasce entre os dois um laço de 
amor e isto é interpretado como um bom 
auspício. Além disso, Elisabeth tem um irmão: 
Eduardo. Ele também é amante da cultura e 
possui uma mente aberta. Entre Frederico e 
Eduardo nasce logo uma forte simpatia.
Todavia, Eduardo morre alguns dias 
antes do casamento de maneira misteriosa; 
mas esta dor não impede que o casamento 
seja celebrado. Entre a Ingla-
terra e a Alemanha vemos um 
enorme fluxo de filósofos e 
místicos. Algo de grandioso 
está para se realizar. Nas ce-
lebrações que se seguem ao 
casamento, vemos a compa-
nhia de teatro de Shakespeare 
realizar vários espetáculos em 
honra do príncipe e da sua 
jovem esposa. 
Shakespeare e seu teatro são 
outro fato para se ter em mente, 
pois terão um papel muito importante na divul-
gação das ideias rosacruzes.
Com este casamento é vista a possibili-
dade concreta de realizar na terra a Utopia 
Rosacruz. No Palatino convivem místicos, 
cabalistas, protestantes, católicos, astrólogos, 
matemáticos e músicos, todos em grande 
harmonia e tolerância. A pesquisa é in-
centivada em todos os campos do saber. O 
Palatino prospera também em virtude das 
trocas comerciais e da grande liberdade de 
movimento para todos. 
Além disso, existe a certeza de se poder 
contar com a aliança com a Inglaterra em 
vista de uma possível reação do mundo ca-
tólico. Reação que não tardou a chegar. Com 
a morte do alquimista e filósofo Rodolfo II 
de Praga (católico do qual o rosacruz Mi-
chael Mayer era o médico), os súditos da 
Boêmia decidiram oferecer o trono a Frede-
rico, considerando-o um ótimo sucessor. E 
Frederico aceita a proposta.
Existem vários estudos hoje em dia que 
visam explicar o porquê de Frederico ter 
aceitado a oferta, sabendo que isto seria vis-
to como um reforço do mundo protestante 
e, portanto, uma ameaça ao mundo católico. 
A reação foi fatal para a Utopia Rosa-
cruz. Com a batalha chamada “da Monta-
nha Branca” e sem receber o apoio espera-
do da Inglaterra, Frederico 
é obrigado a abandonar o 
Palatino e refugiar-se na Ho-
landa. Heidelberg, com toda 
a sua riqueza cultural e eso-
térica, foi totalmente destruí-
da. Iniciou assim, em 1618, a 
Guerra dos Trinta Anos, que 
reduziu a população europeia 
a umterço e, como um Cava-
leiro do Apocalipse, destruiu 
todos os sonhos de tolerância 
e felicidade.
O movimento rosacruz retomou vigor vários 
anos depois na Holanda e na Inglaterra, sempre 
sob o impulso do Imperator Francis Bacon, 
mesmo este não estando mais presente.
Christian Rosenkreutz e a sua tumba 
foram encontrados outras vezes afirmando 
assim que o caminho do ser humano 
conduzirá sempre em direção a estes ideais.
Em 1692 partem para a América os 
primeiros rosacruzes que fundariam 
mais tarde a comunidade de Efrata e a 
cidade de Filadélfia.
Alimentemos nós também a nossa uto-
pia, o nosso ideal rosacruz de tolerância, co-
nhecimento e felicidade, pois esta é a nossa 
herança. Uma utopia? Talvez, mas para nós a 
única meta e esperança.
Shakespeare
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Historicamente, as contribuições culturais e intelectuais do século XVIII na Inglaterra, na 
França, na Alemanha e nos Estados Unidos foram conhecidas como Iluminismo. Cha-
mado por alguns de “século das luzes”, esse período é caracterizado pela libertação das con-
cepções medievais predominantes nas práticas religiosas. Nos séculos que se seguiram, uma 
vez mais os registros históricos comprovam a expressiva contribuição de nossa Ordem para a 
elevação do nível de consciência da humanidade. Significa, também, o advento da ciência que, 
tendo obtido êxito nas suas explicações sobre os fenômenos da natureza, contribui para a difu-
são de uma consciência crítica, liberta de preconceitos, convenções e, sobretudo, das supersti-
ções que sempre combatemos. A nova ciência experimental foi inaugurada por Francis Bacon, 
por Galileu Galilei e pelas descobertas de Nicolau Copérnico, Johannes Kepler e lsaac Newton. 
Observem que o cerne do pensamento iluminista é fundamental para o ponto que che-
gamos hoje, ou seja, manifesta sua crença no progresso posteriormente chamado de posi-
tivismo, e afirma que o ser humano pode aumentar seu conhecimento e melhorar sua vida 
dominando a natureza e modificando a sociedade.
A seguinte máxima kantiana, embora cunhada tempos mais tarde, pode ser usada como 
referência, pois ilustra um dos pilares do movimento:
“Homem, tem a coragem de servir-te de tua própria inteligência!”.
A saída era o conhecimento, o uso da inteligência, da mente e, sobretudo, da pro-
posta que apresentamos nos Manifestos, citados por alguns historiadores como “ver-
dadeiras tábuas para náufragos”. 
Quem? Que sociedade secreta divulgou em Paris o Manifesto que sabemos tratar-se do 
“Fama Fraternitatis”, o qual especialmente influenciou toda a Europa da época? 
Este Manifesto aparece no início do século XVII, mais exatamente em 1614. Era um tempo em 
que a Europa experimentava uma crise humana existencial, estava politicamente dividida e aviltada 
por interesses econômicos conflitantes. Guerras religiosas originaram desespero e infelicidade, mes-
mo dentro das famílias. A ciência se desenvolvia rapidamente e se inclinava para o materialismo. 
As condições de vida eram miseráveis para a maioria e apenas a elite podia ler e escrever. Então, os 
rosacruzes quebraram seu silêncio a fim de exigir mais humanismo e espiritualidade.
Então, a Europa foi despertada por uma Voz.
A Voz veio precisamente nestes momentos dramáticos para a Europa, mas também para 
o mundo.
Os Irmãos da Rosa+Cruz resolveram falar e o fizeram por meio de um Manifesto que en-
trou para a história profana e esotérica e cujo título era: “Reforma Universal e geral do mundo 
inteiro; com as notícias da Louvável Fraternidade da Rosa-Cruz, escrita a todos os eruditos e 
soberanos da Europa. (...) Hoje publicada e comunicada a todos os corações sinceros.” O texto 
central deste documento foi chamado de Fama Fraternitatis Rosae Crucis (Descoberta da 
Fraternidade dos Rosacruzes).
Representantes da seção ocidental da mística Fraternidade, aqueles Irmãos estavam ligados 
ao “Círculo de Tübingen”, um grupo de profundos místicos integrantes da Universidade de 
Tübingen, na Alemanha. Eles formavam uma Domus Sancti Spiritus (Casa do Espírito Santo), 
donde elaboraram e emitiram o Fama em 1614, através da gráfica de Cassel, também na 
Alemanha. Este manifesto foi dirigido aos governantes, religiosos e cientistas europeus. 
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Contrapondo-se ao paradigma então reinante, os rosacruzes invocaram uma reforma 
universal que possibilitasse ao homem uma vida mais plena, liberto dos dogmas religiosos e 
científicos já aludidos. Acusavam aqueles cuja missão era a de guiar os homens (os cientistas 
e religiosos) de cegá-los através de postulados não condizentes com a Verdade. Os rosacru-
zes, por outro lado, dispunham dos meios para se acessar esta Verdade através de um conhe-
cimento regenerador e convidavam todos os homens de boa vontade a se unirem a eles. Por 
isso apresentavam-se, a si e à sua Fraternidade, através da história simbólica de Christian 
Rosenkreutz, desde o périplo que o levara pelo mundo inteiro antes de dar vida à Ordem 
Rosacruz, até a descoberta do seu “túmulo”. 
Graças à imprensa, fortalecida pela máquina de tipos móveis de Gutenberg, o Fama 
circulou por toda a Europa e gerou reação imediata no continente. Centenas de panfletos, 
manuscritos e livros foram publicados, alguns para elogiá-lo, outros para criticá-lo. Como 
sublinharam historiadores, pensadores e filósofos contemporâneos, a publicação deste ma-
nifesto e de seus dois sucessores - Confessio Fraternitatis (1615) e Núpcias Alquímicas de 
Christian Rosenkreutz (1616) - foi significante e oportuna. As reflexões do Fama propiciaram 
e incentivaram os leitores a superar o paradigma dominante.
Fama Fraternitatis, 1614
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Em 1623, em um novo fôlego os rosacruzes se anunciam para a Reforma que se fa-
zia necessária.
Cartaz afixado nas ruas de Paris em 1623
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Ora, esse panorama parece se reproduzir nos dias de hoje, quando já avançamos mais de 
uma década século XXI adentro: a crise humana existencial se reproduz pelo questionamento 
e pela negação de valores que eram aparentemente incontestes e perenes. Os interesses políti-
cos saqueiam e aviltam populações inteiras em muitos países, privando-as inclusive de seus di-
reitos mais fundamentais. A intolerância religiosa aumenta e dá margem a excessos e ao terror 
imposto pelo fundamentalismo. A ciência nunca esteve tão avançada e, não obstante, ainda é 
incapaz de dar ao homem as respostas aos seus questionamentos existenciais mais profundos.
Ao que nos parece, o desenvolvimento tecnológico não está sendo acompanhado pelo 
nível de consciência ética que daria condição de uso da ciência com consciência.
Nessa linha de pensamento, o fato de rememorarmos o 400° aniversário da publicação 
do Fama Fraternitatis não é algo meramente alegórico ou unicamente simbólico e não deve 
ser tampouco tomado simplesmente como um balizador dos 400 anos de “vida pública” da 
Ordem Rosacruz. É necessário que os ideais clamados por esse Manifesto e ecoado no ano 
seguinte pelo Confessio Fraternitatis – documento dirigido a todos aqueles sequiosos de se 
devotar à felicidade da humanidade – ganhem vida a cada dia. 
Nesse particular, o fato de sermos rosacruzes, e portanto continuadores da Tradição, nos 
lega não apenas o privilégio como também a responsabilidade de mantermos viva a chama 
desses ideais. É pelas mãos de cada frater e de cada soror que os clamores para mais espiritua-
lidade e humanismo, renovados pelo Positio Fraternitatis na aurora de nosso século, ganharão 
corpo tangível e expressão viva. É pela conduta e pelo exemplo de cada rosacruz que a voz e os 
ideais de nossos Irmãos e Irmãs do passado não perecerão num momento tão crucial em que o 
misticismo rosacruz é tão necessário a uma humanidade carente de orientação e espiritualidade.
Mas os tempos são outros, embora em muitos aspectosa sociedade contemporânea se asse-
melhe muito àquela de outrora com relação à falta de espiritualidade, às noções erradas sobre a 
natureza e à relação do homem com Deus. O momento é de convivência pacífica e respeito com 
as religiões, a despeito das dificuldades para se cumprir a Missão de levar a cabo a Grande Obra.
No dia epifânico de 06 de Janeiro de 2014, a AMORC, no mundo todo, celebra os quatro 
séculos do lançamento do Fama Fraternitatis.
Espiritualidade, Humanismo e Ecologia são valores urgentes que ainda precisam florescer 
nos corações.
O movimento pela Ecologia Espiritual posto em marcha por nosso Imperator, o Frater 
Christian Bernard, durante a Convenção Mundial de 2011 e reforçado em rede nacional no 
Senado Federal contempla, pela sua amplitude, um convite a uma tomada de consciência 
quanto a estes aspectos, ou seja, a Espiritualidade, o Humanismo e, é claro, a Ecologia.
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Por tudo isso, a Antiga e Mística Ordem Rosae Crucis, outrora conhecida como 
“Os Irmãos da Cruz Rosada”, conclama os amados Fratres e Sorores da Jurisdição de 
Língua Portuguesa a reviverem em cada um, com toda a força, o espírito do Fama Fra-
ternitatis - o seu conselho, a sua instrução, o seu alerta e principalmente o seu apelo.
Proponho que se recolham em seus Sanctuns privados e se harmonizem por alguns 
minutos com os nossos Mestres do Passado - aqueles que emitiram e inspiraram o 
Fama Fraternitatis - na intenção de um mundo melhor. Coloquem-se em comunhão 
com a Domus Sancti Spiritus do século XVII, donde fluiu a mensagem do Fama, e 
peçam aos Mestres que os inspirem, a vocês, sucessores dos rosacruzes de outrora, na 
continuidade do cumprimento da Missão de nossa Ordem: iluminar as mentes e, por 
consequência, o planeta, em espírito de liberdade.
Em conclusão, reproduzimos as palavras de Jan Amos Comenius, que é conside-
rado hoje o pai espiritual da UNESCO e cujos ideais contribuíram para nortear os 
rosacruzes do século XVII. Essa humanidade visualizava algo utópico, é verdade, mas 
que com certeza é um sonho acalentado no coração de todo humanista, seu gérmen 
se encontrando nas potencialidades latentes que todos carregamos em nós enquanto 
centelhas da Unidade Divina: 
“Queremos que todos os seres humanos, juntos ou separados, jovens ou velhos, 
ricos ou pobres, nobres ou plebeus, homens ou mulheres, possam receber uma edu-
cação completa e se tornem pessoas bem sucedidas. Queremos que recebam ensina-
mentos perfeitos e que sejam treinados não apenas em um ou outro assunto, mas 
também em todas as leis que lhe permitem compreender sua essência, para apren-
der a verdade, para não serem enganados por pretensões, para amarem o bem, não 
serem tentados pelo mal, fazerem o que têm de fazer e distingui-los do que devem 
evitar, para falar com propriedade de causa sobre tudo com qualquer pessoa e 
finalmente a sempre tratar todas as coisas, humanos e Deus, com cuidado e não 
precipitadamente e para nunca se desviarem de sua meta de felicidade.”
Pelos rosacruzes de ontem e de hoje, sob a luz benfazeja de nossa Egrégora e na im-
portância do Fama Fraternitatis, nós dizemos:
 Assim Seja!
 Sincera e fraternalmente,
 AMORC/GLP 
 Hélio de Moraes e Marques
 GRANDE MESTRE
UTOPIA ROSACRUZ
Deus de todos os homens, Deus de toda vida, na humanidade com a qual sonhamos:
Os políticos são profundamente humanistas e trabalham a serviço do bem comum;
Os economistas gerem as finanças dos Estados com discernimento e segundo o interesse 
de todos;
Os sábios são espiritualistas e buscam sua inspiração no Livro da Natureza;
Os artistas são inspirados e exprimem em suas obras a beleza e a pureza do Plano divino;
Os médicos são animados pelo amor ao seu próximo e cuidam tão bem da alma quanto do 
corpo.
Não há mais miséria nem pobreza, porque cada qual tem aquilo do qual necessita para 
viver feliz. 
O trabalho não é vivido como uma coerção, mas sim como uma fonte de plenitude e bem-
-estar;
A natureza é considerada como o mais belo dos templos e os animais como nossos irmãos 
em via de evolução;
Existe um governo mundial formado pelos dirigentes de todas as nações, trabalhando para 
o interesse de toda a humanidade;
A espiritualidade é um ideal e um modo de vida que tem sua fonte numa Religião univer-
sal, baseada antes no conhecimento das leis divinas do que na crença em Deus.
As relações humanas são fundamentadas sobre o amor, a amizade e a fraternidade, de ma-
neira que o mundo inteiro viva na paz e na harmonia.
Que assim seja!
Reproduzimos a Utopia Rosacruz editada na aurora deste novo milênio e que indica onde 
devemos colocar as nossas esperanças:
Rua Nicarágua, 2620 – Bacacheri
82515-260 – Curitiba, PR – Brasil
Fone: (41) 3351-3000 / FAX: 3351-3065
www.amorc.org.br

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