Prévia do material em texto
FARMACOLOGIA FARMACOLOGIA DE ANSIOLÍTICOS E HIPNÓTICOS Introdução Os ansiolíticos e hipnóticos são classes de medicamentos amplamente utilizados no tratamento de transtornos de ansiedade e distúrbios do sono, respectivamente. A seguir, apresento uma análise detalhada sobre essas classes farmacológicas, incluindo suas indicações, mecanismos de ação, efeitos colaterais, dosagens e considerações clínicas. Ansiedade normal e Ansiedade patológica Alterações fisiológicas Tipos de transtornos de ansiedade 1. Transtornos com situação de pânico: ↘ - s/ agorafobia: ataques de pânico, recorrentes e inesperados. ↘ - c/ agorafobia: medo ou esquiva de situações onde a fuga ou o socorro são difíceis. Pânico= subitamente, forte preocupação, medo ou terror por catástrofe iminente. 2. Agorafobia sem ataques de pânico 3. Fobias: angústia incontrolável com forte e persistente esquiva de objetos ou situações que são presentes, imaginados ou mencionados. - simples= medo intenso de objetos ou situações ⇒ esquiva (ex: claustrofobia, acrofobia, eritrofobia etc). - social= medo de certas situações sociais ou de desempenho (ex: falar em público). 0. Transtornos obsessivo-compulsivos (TOC): - Preocupações constantes e recorrentes (obsessões) - Desconforto e ansiedade ⇒ estereotipia e rituais para ↓ ansiedade 0. Transtornos de estresse pós-traumático: - Lembrança de traumas (acidentes, calamidades, agressões etc) -Vigilância extrema e esquiva de qualquer situação associável 6. Transtornos de estresse agudo: - Semelhantes ao pós-traumático só que ocorrem imediatamente após o trauma 7. Transtornos de ansiedade induzidos por situações diversas: - Preocupação excessiva e persistente com fatos do cotidiano ou aqueles abst às drogas 8. Não especificados Ansiolíticos 1. Mecanismo de Ação Os ansiolíticos atuam principalmente como moduladores alostéricos positivos do receptor GABA-A, aumentando a frequência de abertura dos canais de cloro, resultando em um efeito inibitório no sistema nervoso central (SNC). Isso leva à redução da excitabilidade neuronal e, consequentemente, à diminuição da ansiedade. 2. Principais Classes e Exemplos - Benzodiazepínicos - Diazepam Dosagem: 2-10 mg, 2-4 vezes ao dia. - Lorazepam Dosagem: 0,5-2 mg, 2-3 vezes ao dia. - Alprazolam Dosagem: 0,25-0,5 mg, 2-3 vezes ao dia. - Buspirona Mecanismo: Agonista parcial dos receptores de serotonina (5-HT1A). Dosagem: 15-60 mg/dia, dividida em 2-3 doses. 3. Efeitos Colaterais - Sedação - Amnésia anterógrada - Dependência e abstinência (especialmente com benzodiazepínicos) - Tontura e confusão Hipnóticos 1. Mecanismo de Ação Os hipnóticos também atuam nos receptores GABA-A, mas são mais específicos para induzir o sono. Eles podem ter diferentes perfis de duração de ação, influenciando sua utilização clínica. 2. Principais Classes e Exemplos - Benzodiazepínicos (também usados como hipnóticos) - Temazepam Dosagem: 15-30 mg antes de dormir. - Z-Drugs (não-benzodiazepínicos) - Zolpidem Dosagem: 5-10 mg antes de dormir. - Zaleplona Dosagem: 5-20 mg antes de dormir. - Eszopiclona Dosagem: 1-3 mg antes de dormir. 3. Efeitos Colaterais - Sonolência diurna - Alterações cognitivas - Dependência (particularmente com uso prolongado) - Comportamentos complexos durante o sono (ex.: sonambulismo) Considerações Clínicas - Indicações: Os ansiolíticos são indicados para transtornos de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, fobias e outros distúrbios relacionados. Os hipnóticos são utilizados para insônia e distúrbios do sono. - Contraindicações: Uso concomitante com álcool ou outras substâncias depressoras do SNC, histórico de dependência química, gravidez e lactação (dependendo do fármaco). - Monitoramento: Avaliação regular da eficácia e dos efeitos adversos, especialmente em pacientes em uso crônico. Conclusão A escolha entre ansiolíticos e hipnóticos deve ser baseada na avaliação clínica individualizada, considerando a gravidade dos sintomas, a presença de comorbidades e o potencial de dependência. O uso deve ser sempre acompanhado por um profissional de saúde qualificado para minimizar riscos e maximizar benefícios terapêuticos. Referências 1. Muench, J., & Hamer, A. M. Benzodiazepine use in the elderly: a review of the literature. *American Journal of Geriatric Psychiatry*. 2010;18(1):1-12. 2. Olfson, M., Blanco, C., Wang, S., Laje, G., & Wang, P. National trends in the mental health care of children, adolescents, and adults by office-based physicians. *JAMA psychiatry*. 2014;71(1):81-90. 3. Schutte-Rodin, S., et al. Clinical guidelines for the evaluation and management of chronic insomnia in adults. *Journal of Clinical Sleep Medicine*. 2008;4(5):487-504. Hellen Campos Página 2 image3.png image4.png image5.png image1.jpg image2.png