Prévia do material em texto
Questão 15 (Enem 2020 / Aplicação Digital) Porta dos Fundos: contrato vitalício Diretor: Ian SBF; Tempo: 1 h 46 min; Brasil, 2016. O primeiro filme do grupo humorístico Porta dos Fundos, conhecido por seus mais de 12 milhões de assinantes no YouTube, estreou para o público brasileiro que curte as esquetes na internet. O desafio do grupo foi transformar os vídeos curtos em um longa para o cinema, que, apesar de grande investimento do elenco e dos produtores, não empolga tanto. O enredo conta com a dupla Rodrigo (F. Porchat) e Miguel (G. Duvivier), que, vencedores em Cannes, no auge de suas carreiras, decidem assinar um contrato vitalício em que o ator Rodrigo deverá participar de todos os filmes do produtor Miguel. A produção do filme maluco conta com o ótimo elenco do Porta dos Fundos: uma famosa blogueira, um jornalista de fofoca, um agente de celebridades, uma diretora de elenco radical, um detetive, um ajudante e atores. O ponto forte do filme é satirizar justamente o mundo das celebridades da internet e do cinema, ou seja, eles mesmos neste momento. Disponível em: . Acesso em: 12 dez. 2017 (adaptado). Nesse texto, um trecho que traz uma marca linguística da função avaliativa da resenha é a) “Porta dos Fundos: contrato vitalício; Diretor: Ian SBF; Tempo: 1 h 46 min; Brasil, 2016.” b) “O primeiro filme do grupo humorístico Porta dos Fundos [...] estreou para o público brasileiro que curte as esquetes na internet.” c) “O enredo conta com a dupla Rodrigo (F. Porchat) e Miguel (G. Duvivier) [...]”. d) “[...] o ator Rodrigo deverá participar de todos os filmes do produtor Miguel.” e) “A produção do filme maluco conta com o ótimo elenco do Porta dos Fundos [...]”. Ver resposta Resposta Letra E. Em “A produção do filme maluco conta com o ótimo elenco do Porta dos Fundos [...]”, há juízo de valor quando se caracteriza o elenco que compõe o filme (é ótimo). Considerando a resenha um texto descritivo e opinativo, é a partir dessa marca de pessoalidade que se percebe, entre outros excertos predominantemente informativos, uma característica avaliativa do gênero entre as alternativas. Questão 16 Considere o texto a seguir: Erico, meu querido: Ainda no belíssimo cartão que você me deu aqui estou para cobrar-lhe o material para nosso Museu da Literatura Brasileira: fotos (antigas, modernas, você com Mafalda, com os filhos, com os amigos), textos, manuscritos, caricaturas, cartas que escritores famosos lhe escreveram – enfim, todas as marcas de sua passagem quente. Seremos de agora em diante verdadeiramente imortais. É verdade que ninguém quer saber de museu, mas José Geraldo Nogueira Moutinho e eu bolaremos uma ala erótica, só para iniciados. Vai ser estimulante. Meu querido, lembra? Eu te disse um dia que meu pai tinha algo do seu. Aí vai a prova. Beijo carinhoso, Lygia Ah! Por favor, estenda o pedido ao Mario Quintana, sim? O M. Rosenblatt também deve ter bom material. 12/9/75 Disponível em: . Acesso em 24 jul. 2021. Nessa carta destinada ao escritor brasileiro Erico Verissimo, Lygia Fagundes Telles convoca-o a doar fotografias e manuscritos ao novo Museu da Literatura Brasileira, bem como a estender o convite aos seus conhecidos. Considerando as características do gênero textual apresentado, esse texto evidencia uma situação de comunicação a) informal, marcada pela presença de marcas de oralidade e a presença de um apelo emocional ao pedido feito pela autora brasileira. b) pedante, considerando-se que a autora se expressa ostentando cultura e erudição. c) íntima, percebida pelo comentário final feito pela autora acerca de um fato antecedente, ressaltando a aproximação entre os interlocutores. d) difusa, visto que há um longo discurso com explicações supérfluas. e) formal, motivada pelo distanciamento entre os interlocutores e o intento argumentativo manifestado pela remetente. Ver resposta Resposta Letra C. O texto escrito por Lygia Fagundes Telles caracteriza-se como uma carta pessoal, na qual o tom de intimidade é percebido, entre outros aspectos, pela forma de tratamento (“meu querido”) e pelo relato de experiências vividas em conjunto pelos escritores, ressaltadas na última linha, em que Lygia cobra uma lembrança de seu interlocutor. Questão 17 (Enem 2019 / 1ª Aplicação) Disponível em: www.essl.pt. Acesso em: 9 maio 2019 (adaptado). Essa campanha se destaca pela maneira como utiliza a linguagem para conscientizar a sociedade da necessidade de se acabar com o bullying. Tal estratégia está centrada no(a) a) chamamento de diferentes atores sociais pelo uso recorrente de estruturas injuntivas. b) variedade linguística caracterizadora do português europeu. c) restrição a um grupo específico de vítimas ao apresentar marcas gráficas de identificação de gênero como “o(a)”. d) combinação do significado de palavras escritas em línguas inglesa e portuguesa. e) enunciado de cunho esperançoso “passe à história” no título do cartaz. Ver resposta Resposta Letra A. O cartaz utiliza sequências injuntivas, com verbos conjugados no imperativo, em segunda pessoa, com a intenção de mobilizar leitores em torno da problemática do bullying. Por não ser comum, na maior parte do Brasil, o emprego da forma imperativa em relação ao “tu”, o candidato pode confundir-se com a alternativa que faz referência à variedade linguística do português europeu, mas não se deve considerar essa uma estratégia de conscientização da sociedade. É a mobilização dos agentes de atuação, a partir da enumeração de ações que devem ser tomadas, que leva o leitor à persuasão. Questão 18 SINOPSE: As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky Elogiado pela crítica e adorado pelos leitores, As vantagens de ser invisível – que foi adaptado para os cinemas com Emma Watson, a Hermione de Harry Potter, e Logan Lerman, de Percy Jackson, no elenco – acaba de ganhar nova reimpressão pela Rocco. Livro de estreia do roteirista Stephen Chbosky, o romance, que vendeu mais de 700 mil exemplares nos EUA desde o lançamento, está de volta ao topo do ranking do The New York Times impulsionado pela adaptação para a telona. Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, As vantagens de ser invisível reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe – a não ser pelo que ele conta nessas correspondências –, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário. Disponível em: . Acesso em 23 jul. 2021. Tendo como base a sinopse acima, é correto afirmar que esse gênero textual apresenta muitas semelhanças temáticas e estruturais com a) a crônica, tendo em vista que é um texto curto, produzido essencialmente para ser veiculado na imprensa, que aborda aspectos do cotidiano. b) a resenha, considerando-se que o autor vale-se de juízo de valor ao promover o objeto cultural sobre o qual se fala no texto. c) o artigo de opinião, já que ressai a opinião pessoal do autor da sinopse sobre determinado assunto em prol da iminente persuasão dos interlocutores. d) o resumo, pois contém uma descrição dos principais aspectos de outro texto de forma encurtada e informativa. e) a notícia, haja vista a impessoalidade com que se aborda determinado evento, bem como o veículo de comunicação de caráter jornalístico comum aos dois gêneros. Ver resposta Resposta Letra D. A sinopse constitui-se como uma espécie deresumo, pois consiste em uma síntese dos aspectos gerais da obra, de maneira a convidar possíveis leitores a adquirir o objeto cultural. Não se pode afirmar que há juízo de valor ou avaliações pessoais do autor, como na resenha e no artigo de opinião, nem que se restrinja a um texto de caráter jornalístico, pela informatividade, como a notícia. Questão 19 (Enem 2019 / 1ª Aplicação) Blues da piedade Vamos pedir piedade Senhor, piedade Pra essa gente careta e covarde Vamos pedir piedade Senhor, piedade Lhes dê grandeza e um pouco de coragem CAZUZA. Cazuza: o poeta não morreu. Rio de Janeiro: Universal Music, 2000 (fragmento). Todo gênero apresenta elementos constitutivos que condicionam seu uso em sociedade. A letra de canção identifica-se com o gênero ladainha, essencialmente, pela utilização da sequência textual a) expositiva, por discorrer sobre um dado tema. b) narrativa, por apresentar uma cadeia de ações. c) injuntiva, por chamar o interlocutor à participação. d) descritiva, por enumerar características de um personagem. e) argumentativa, por incitar o leitor a uma tomada de atitude. Ver resposta Resposta Letra C. Ainda que não se conheça as características do gênero ladainha (forma de oração dialogada em que os fiéis se ocupam das respostas), é possível constatar a existência de sequências injuntivas a partir das formas verbais imperativas, na primeira pessoa do plural, que confirmam o chamamento dos interlocutores, como em “vamos pedir piedade”. Questão 20 Entrevista com Ana Maria Machado Uma das maiores autoras infantojuvenis do Brasil fala da importância da escola na formação das futuras gerações de leitores A senhora criou um curso na Casa da Leitura, no Rio de Janeiro, para ensinar professores a trabalhar com literatura. Na sua opinião, quais são as principais falhas de formação que eles têm? Ana Maria Machado Na faculdade, eles aprendem muito sobre pedagogia e psicologia, mas pouco sobre arte. Têm pouco contato com as obras. Acabam entrando no magistério sem instrumentos para distinguir arte de não arte, textos bons de ruins. O objetivo do curso é suprir essa falha, tornando-os capazes de reconhecer, sozinhos e com segurança, a boa literatura. E isso só é possível com interesse e muita leitura. Nossos docentes leem pouco? Ana Maria Muito pouco, porque a formação que recebem não dá ênfase a isso. É uma situação completamente contraditória. Ninguém contrata um instrutor de natação que não sabe nadar. No entanto, as salas de aula brasileiras estão cheias de gente que, apesar de não ler, tenta ensinar. Como esperar que os alunos se interessem? Isso quer dizer que a literatura não está sendo bem trabalhada nas escolas. Ana Maria Não só a literatura. A arte em geral, toda a cultura criadora e questionadora. Nas minhas viagens pelo interior do Brasil tenho conhecido algumas experiências individuais surpreendentes. Mas elas ainda são mais exceção do que regra dentro do sistema educacional. Esbarram na burocracia, no currículo, no horário que não reserva um espaço para que as crianças leiam. O texto corresponde a uma entrevista feita pelo portal educativo Nova Escola com uma das maiores autoras infantojuvenis do Brasil. A característica que evidencia o texto lido como pertencente ao gênero discursivo “entrevista” é a) o tom de conversa íntima entre dois interlocutores, marcado pela dinâmica de perguntas e respostas completas. b) o discurso direto, que reproduz integralmente a fala de um dos interlocutores com a intenção de reunir informações sobre determinado tema. c) a oralidade, percebida pela utilização de sinais de pontuação que reproduzem aspectos do entrevistado, como emoção, riso etc. d) a temática formal, que visa a transmissão de conhecimento sobre determinado assunto a partir de uma voz de autoridade. e) a descrição detalhada dos fatos, considerando a importância do registro das experiências vividas pelo entrevistado a fim de validar sua autoridade sobre o assunto. Ver resposta Resposta Letra B. A entrevista caracteriza-se por uma dinâmica de perguntas e respostas entre os interlocutores (não necessariamente uma conversa íntima), em que se reproduz a fala do entrevistado de modo a reunir informações e opiniões sobre determinado tema. Não se pode afirmar que há, nesse gênero, marcas de oralidade comuns da fala – que se distingue da escrita –, bem como uma temática formal obrigatoriamente abordada. Embora a descrição possa estar presente no discurso do entrevistado, não é o detalhamento dos fatos que valida a entrevista, mas a contribuição teórica e opinativa do emissor a respeito do tema. image1.jpeg