Prévia do material em texto
Ministério da Educação Universidade Federal de São Paulo Campus Baixada Santista CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA STEPHANY GABRIELE MORAES FONSECA EFEITOS DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL EM DOENÇAS CARDIOVASCULARES E INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA: REVISÃO INTEGRATIVA SANTOS 2022 Ministério da Educação Universidade Federal de São Paulo Campus Baixada Santista CURSO DE GRADUAÇÃO EM FISIOTERAPIA STEPHANY GABRIELE MORAES FONSECA EFEITOS DA DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL EM DOENÇAS CARDIOVASCULARES E INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA: REVISÃO INTEGRATIVA Trabalho de conclusão de curso apresentado a Universidade Federal de São Paulo como parte dos requisitos para obtenção do título de bacharel em Fisioterapia. Orientadora: Profª Dra. Mariana Chaves Aveiro. SANTOS 2022 AGRADECIMENTOS Ao longo da minha caminhada para a formação em fisioterapia pela Universidade Federal de São Paulo, e isso inclui o desenvolvimento desse trabalho de conclusão, diversas pessoas foram essenciais para trilhar esse caminho. Primeiramente, gostaria de agradecer à Deus pela sua providência divina em minha vida. À UNIFESP, essencial no meu processo de formação profissional e pessoal, pela dedicação, e por tudo o que aprendi ao longo dos anos do curso. À professora Mariana Chaves Aveiro por ter sido minha orientadora e ter desempenhado tal função com dedicação e amizade. Aos meus pais e avós que sempre me deram suporte e foram minha base. Ao meu companheiro de estrada, Victor, fundamental para que mesmo longe me sentisse em casa. Aos amigos e colegas com quem convivi ao longo desses anos de curso, que me incentivaram e que certamente tiveram impacto na minha formação acadêmica e história. RESUMO A maior longevidade e a adoção de modos de vida com maior exposição a fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) e/ou Insuficiência Venosa Crônica (IVC), são consideradas as principais razões do aumento da incidência dessas doenças. Os portadores de problemas cardíacos sofrem modificação em seu padrão de vida normal, em virtude da incapacidade para executar determinadas tarefas cotidianas, decorrente dos sinais e sintomas (dor ou desconforto precordial, dispneia, ortopneia, palpitação, síncope, fadiga, edema, úlceras, outros). Esses influenciam também os aspectos psicossociais e espirituais do paciente, interferindo na sua qualidade de vida (QV) e bem-estar. O uso da Drenagem Linfática Manual (DLM) para o tratamento de edema em pacientes com problemas cardíacos é uma contraindicação relativa no meio clínico, já que há uma escassez de estudos que demonstrem segurança e eficácia para esses pacientes. O objetivo dessa revisão foi reunir com base na literatura estudos que avaliassem a eficácia da DLM no tratamento do edema ou linfedema em pessoas com doenças cardiovasculares ou insuficiência venosa crônica. O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa. A busca foi realizada nas bases Pubmed, PEDro e Lilacs. Foi considerado o período de 2006 a 2021. Foram incluídos homens e mulheres com idade média entre 25 e 75 anos que possuíam diagnóstico de DCV ou IVC. Foram incluídos estudos de caso, série de casos, estudos controlados, estudos controlados randomizados, clínicos cruzados e que apresentaram a DLM como tratamento e a avaliação do edema como desfecho. Foram encontrados 123 de estudos em todas as bases, no entanto baseados nos critérios de inclusão e exclusão foram incluídos um estudo sobre DCV e cinco sobre IVC. Em todos os estudos foi evidenciado melhora significativa do quadro clínico das pacientes após os atendimentos de DLM, demonstrada por resultados estatísticos satisfatórios. Entretanto, os estudos apresentaram alguns vieses. Apesar disso, a drenagem linfática manual mostra ser uma técnica promissora e segura para o tratamento de edema em pacientes com DCV e IVC. Palavras-chave: Doenças cardiovasculares. Insuficiência Venosa Crônica. Edema. Linfedema. Drenagem Linfática Manual. ABSTRACT Greater longevity and the adoption of lifestyles with greater exposure to risk factors for cardiovascular diseases (CVD) and/or Chronic Venous Insufficiency (CVI) are considered the main reasons for the increase in the incidence of these diseases. Patients with heart problems undergo changes in their normal standard of living, due to the inability to perform certain daily tasks, due to signs and symptoms (chest pain or discomfort, dyspnea, orthopnea, palpitation, syncope, fatigue, edema, ulcers, others). These also influence the psychosocial and spiritual aspects of the patient, interfering with their quality of life (QoL) and well- being. The use of Manual Lymphatic Drainage (MLD) for the treatment of edema in patients with heart problems is a relative contraindication in the clinical setting, as there is a lack of studies demonstrating safety and efficacy for these patients. The objective of this review was to gather, based on the literature, studies that evaluated the effectiveness of MLD in the treatment of edema or lymphedema in people with cardiovascular diseases or chronic venous insufficiency. The present study is an integrative review. The search was performed in Pubmed, PEDro and Lilacs databases. The period from 2006 to 2021 was considered. Men and women with a mean age between 25 and 75 years who had a diagnosis of CVD or CVI were included. Case studies, case series, controlled studies, randomized controlled studies, clinical crossovers and that presented MLD as a treatment and the assessment of edema as an outcome were included. 123 studies were found in all databases, however, based on the inclusion and exclusion criteria, one study on CVD and five on CVI were included. In all studies, a significant improvement in the clinical condition of the patients was evidenced after the MLD treatment, demonstrated by satisfactory statistical results. However, the studies showed some biases, despite this, manual lymphatic drainage shows to be a promising and safe technique for the treatment of edema in patients with CVD and CVI. Keywords: Cardiovascular diseases. Chronic Venous Insufficiency. Edema. Lymphedema. Manual lymphatic drainage. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO: 6 2. JUSTIFICATIVA: 9 3. OBJETIVO: 10 4. REVISÃO DE LITERATURA 10 5.1 Sistema linfático 10 4.2 Drenagem linfática manual 14 4.3 Indicações e contraindicações da DLM 16 5. METODOLOGIA 17 6. RESULTADOS 18 7. DISCUSSÃO 25 8. CONCLUSÃO 29 9. REFERÊNCIAS 30 ANEXO 1 33 ANEXO 2 33 6 1. INTRODUÇÃO: O crescente envelhecimento populacional e a alta expectativa de vida vem favorecendo o aumento do número de pessoas com doenças cardiovasculares (DCV), entre elas a insuficiência cardíaca (IC), via final da maioria das cardiopatias. (SOARES et al. 2008) Outra doença que aumenta a prevalência com aumento da expectativa de vida, é a insuficiência venosa crônica (IVC). Essa é definida como uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso que pode afetar o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos. Para muitos pacientes, a doença venosa significa dor, perda de mobilidade funcional e piora da qualidade de vida. (FRANÇA; TAVARES, 2003) Os portadores de problemas cardíacos sofrem modificação em seu padrão de vida normal, em virtude da incapacidade para executar determinadas tarefas cotidianas, decorrente dossinais e sintomas da IC (dor ou desconforto precordial, dispneia, ortopnéia, palpitação, síncope, fadiga e edema) e da IVC (sensação de peso e dor em membros inferiores, principalmente no final do dia, e alguns pacientes referem prurido associado). Esses sinais e sintomas influenciam não somente os aspectos biológicos, mas também os aspectos sociais, psicológicos e espirituais, interferindo na sua qualidade de vida (QV) e bem-estar de forma sistêmica. (SOARES et al., 2008; PAZ et al. 2019; FRANÇA, TAVARES, 2003) Em relação aos tratamentos conservadores que melhoram a qualidade de vida dos pacientes com DCV e/ou IVC, principalmente o sintoma de edema temos: a Drenagem linfática manual (DLM), terapia pneumática sequencial intermitente (TPSI) , bandagens multicamadas (BM), e roupas de compressão que são as principais técnicas de tratamento conservador dos membros periféricos. Desde 1990, tem sido pensado que TPSI aplicada aos membros inferiores simultaneamente não deve ser usada para pacientes com insuficiência cardíaca por causa do átrio direito, artéria pulmonar e veia pulmonar pois as pressões podem aumentar até um ponto crítico. Em 2005, esses mesmos 7 resultados foram observados em pacientes com insuficiência cardíaca usando MLB. Para essas razões, TPSI e BM foram contraindicados durante o tratamento do linfedema em pacientes cardíacos. (LEDUC, O. et al. 2011). O uso da DLM para o tratamento de edema em pacientes com problemas cardíacos é uma indicação relativa ainda não difundida totalmente no meio clínico, pois é uma área pobre em estudos que comprovem segurança e eficácia para esses pacientes. As DCV são, atualmente, as causas mais comuns de morbidade e a principal causa de mortalidade em todo o mundo. Anualmente a cardiopatia isquêmica, acidentes vasculares cerebrais, hipertensão arterial e outras cardiopatias são responsáveis por 15,9 milhões de óbitos (RIBEIRO, COTTA, RIBEIRO, 2012). Segundo Ribeiro (2012), esse aumento dos óbitos causados por doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), como a DCV e IVC, devem-se a associação de fatores multivariáveis e dizem a respeito a doenças presentes no cotidiano dos indivíduos, por provocarem alterações em seu dia a dia e por serem, consequentemente, responsáveis por mudanças de comportamento. Os principais fatores ambientais modificáveis das DCV são os hábitos alimentares inadequados, o sedentarismo e a obesidade, associados às mudanças no estilo de vida como a cessação do tabagismo e o controle do estresse psicoemocional. (RIBEIRO, COTTA, RIBEIRO, 2012). A maioria das doenças cardiovasculares, especialmente a insuficiência cardíaca, causam a redução do débito cardíaco (DC). Com essa redução, a liberação para os tecidos de oxigênio é mantida pelo aumento da extração de oxigênio do sangue e, às vezes, pelo deslocamento da curva de dissociação de oxihemoglobina para a direita a fim de favorecer a liberação de oxigênio. (SHAH,2017) Essa redução do DC pode gerar inúmeras alterações, principalmente na pressão arterial, devido ao coração trabalhar superiormente ao normal, tornando-se pouco a pouco insuficiente, caminhando para a descompensação e reduzindo a função renal (LIMA et al, 2006). O sistema renina-angiotensina- aldosterona regula a pressão arterial e também o equilíbrio da homeostase de água e sal, mantendo a pressão arterial através de um hormônio secretado pelos 8 rins, desempenhando funções em órgãos-alvo distantes do local de sua produção (IRIGOYEN, CONSOLIM-COLOMBO, KRIEGER, 2001). De acordo com Bonfim Silva e Rios (2012), quando a pressão está abaixo dos níveis normais, os rins secretam renina no sangue, que atua convertendo angiotensinogênio em angiotensina I que é convertida em angiotensina II pela enzima conversora de angiotensina (ECA). Esse hormônio provoca uma vasoconstrição das arteríolas, e também estimula as glândulas suprarrenais a secretar aldosterona, diminuindo a excreção de água e sódio na urina. Com isso, água e sódio vão para o sangue e através desses mecanismos a pressão aumenta até os níveis normais. Qualquer distúrbio nesse processo causa uma desregulação aumentando a síntese dos hormônios, fazendo com que a pressão arterial aumente além dos níveis normais. (SILVA, RIOS, 2012) Outras respostas reflexas do sistema simpático e parassimpático causam ajustes no débito cardíaco e na resistência vascular periférica, realizando assim uma estabilização e manutenção da pressão arterial no organismo (ANGELIS, SANTOS, IRIGOYEN, 2004). Essa estabilização é realizada a partir do aumento do tônus simpático e diminuição do tônus parassimpático. Como resultado, desenvolvem-se aumento da frequência cardíaca e contratilidade miocárdica, constrição de arteríolas de leitos vasculares selecionados, constrição venosa e retenção de sódio e água. Tais alterações compensam a redução do desempenho ventricular e ajudam a manter a homeostase hemodinâmica nos estágios iniciais da insuficiência cardíaca. No entanto, essas alterações compensatórias aumentam o trabalho cardíaco, pré e pós-carga (pré carga é a quantidade de sangue que retorna ao ventrículo e pós carga é definida como força que se opõe a contração do ventrículo), reduzem a perfusão coronariana e renal, provocam acúmulo de líquido que acarreta congestão, aumentam a excreção de potássio e podem causar necrose dos cardiomiócitos (fibra muscular cardíaca) e arritmias. (HOWLETT, 2020; MONTERA, 2011; ALVES, 2017). As alterações compensatórias estão envolvidas com a instalação do edema devido ao acúmulo de líquido que posteriormente causa a congestão. A causa desse edema pode estar associada às lesões de órgãos-alvo, como a insuficiência renal crônica ou a insuficiência cardíaca congestiva, a inadequação 9 dietética e aos efeitos colaterais de medicamentos (GELEILETE, NOBRE, COELHO. 2008). Existem vários mecanismos de regulação do volume de água e da composição eletrolítica, ou seja, do equilíbrio hidroeletrolítico. O balanço de líquidos é dado pela quantidade de água que é ingerida e a quantidade eliminada pela transpiração e urina. Esses mecanismos são essenciais para o funcionamento celular e para a manutenção da pressão sanguínea (CAMARGO, 2015). No coração, o estiramento dos cardiomiócitos pelo aumento do retorno venoso, promove a liberação do peptídeo natriurético atrial (ANP), induzindo maior excreção urinária de sódio e potencializando o aumento da diurese conforme mencionado acima (McKINLEY; JOHNSON, 2004; MORO et al., 2004). Nesse contexto a técnica terapêutica da DLM apresenta indicações como auxiliar na remoção do excesso de líquido da substância fundamental amorfa, promover a desintoxicação do tecido intersticial, melhorar a oxigenação e nutrição celular e proporcionar melhor circulação sanguínea venosa (AMARAL, 2004) A DLM promove aumento do débito linfático decorrente do aumento da formação da linfa. A DLM faz com que o líquido tissular, nos canais tissulares conjuntivos pré-linfáticos, seja impulsionado com maior intensidade para os vasos linfáticos iniciais. Além disso, a DLM aumenta a motricidade do linfangion (FOLDI, 2012). 2. JUSTIFICATIVA: As doenças cardiovasculares (DCV) representam a primeira causa de morte no Brasil. Apesar da tendência de redução dos riscos de mortalidade por DCV no País e no mundo, algumas projeções indicam o aumento de sua importância relativa em países de baixa e média renda. A maior longevidade, associada ao possível aumento da incidência das DCV por adoção dos modos de vida com maior exposição a fatores de risco, são consideradas as principais razões deste incremento. Como fatores de risco estão o tabagismo e inatividade física, além 10 de dieta rica em gorduras saturadas, com consequente aumento dos níveis de colesterol e hipertensão (ISHITANI et al. 2006) Pessoascom IVC relatam sensação de peso e dor em membros, principalmente no final do dia que influenciam não somente os aspectos físicos, mas também aspectos sociais, psicológicos e espirituais, interferindo na sua qualidade de vida (QV) e bem-estar (SOARES et al., 2008; PAZ et al. 2019; FRANÇA, TAVARES, 2003) Na perspectiva da prevenção de doenças e agravos, tornam-se fundamentais ações que criem ambientes favoráveis à saúde e favoreçam escolhas saudáveis, uma vez que a DCV é responsável pela alta de frequência de internações no Sistema Único de Saúde (SUS). (RIBEIRO; COTTA; RIBEIRO. 2012) Apesar da importância crescente das DCV estar entre as primeiras nos acometimentos de saúde no país e no mundo, e do comprometimento da qualidade de vida entre as pessoas que sofrem de DCV e IVC são poucos os estudos que investigam as aplicações das técnicas fisioterapêuticas, como a drenagem linfática manual, nas alterações associadas ao quadro clínico, principalmente ao edema. 3. OBJETIVO: Verificar e reunir a partir da literatura cientifica estudos que avaliam a eficácia da Drenagem Linfática Manual no tratamento do edema ou linfedema em pessoas com doenças cardiovasculares e/ou insuficiência venosa crônica. 4. REVISÃO DE LITERATURA 5.1 Sistema linfático O sistema linfático é composto pelo sistema vascular linfático e órgãos linfáticos, são exemplos o timo, baço, tonsilas palatinas. O sistema vascular linfático, especialmente estimulado pela drenagem linfática manual (DLM), é um 11 sistema de drenagem. Sua principal função é transportar a linfa da periferia para a circulação venosa. Assim como nas veias, existem vasos linfáticos maiores, nos quais as válvulas asseguram um fluxo de líquido orientado. (FOLDI,2012) O sistema vascular linfático se divide em quatro trechos. Estes se diferenciam pelo tamanho dos vasos e por sua função: os capilares linfáticos servem para a drenagem do líquido tissular (formação da linfa) e não possuem válvulas, de modo que a linfa pode fluir em todas as direções e, por isso, possibilita que o terapeuta desloque o excesso de líquido na direção desejada por meio de drenagem linfática manual. Os coletores são os verdadeiros vasos de transporte de linfa e apresentam válvulas em suas paredes internas, essas estão dispostas aos pares e funcionam de modo completamente passivo. Elas impedem o refluxo da linfa e garantem um fluxo linfático em direção ao centro. O trecho entre as duas válvulas é denominado linfangion, por meio da contração desse trecho, a linfa é impulsionada para a frente. E ainda, conta com os pré-coletores que assumem uma posição funcionalmente intermediária entre os capilares e coletores. (FOLDI, 2012) Além disso, esse sistema vascular linfático conta com os troncos linfáticos, que são os maiores vasos linfáticos e realizam transporte ativo. Esses vasos linfáticos centrais recebem a linfa dos órgãos internos, das extremidades e das porções correspondentes do tronco coração. (FOLDI, 2012) A linfa da metade inferior do corpo e dos quadrantes correspondentes do tronco, assim como da maioria dos órgãos pélvicos, é captada pelo tronco lombar direito e pelo tronco lombar esquerdo. Esses dois troncos linfáticos lombares mais o torácico se unem formando o ducto torácico. Ao final desse tubo a linfa, já filtrada, retorna para a circulação venosa na confluência das veias jugular com a subclávia. A linfa da metade superior do corpo é captada por três troncos linfáticos centrais situados à direita e à esquerda: o tronco jugular (drena os linfonodos da região da cabeça e do pescoço), o tronco subclávio (drena os linfonodos axilares em movimentos leves, lentos e rítmicos sobre os trajetos linfáticos, favorece a circulação linfática, drenando os líquidos excedentes e as proteínas plasmáticas do interstício, mantendo desta forma, o equilíbrio hidroeletrolítico e auxiliando na eliminação dos resíduos provenientes do metabolismo celular (CAMARGO, 2015; LUCIRIO, 2018). 12 Segundo Oliveira (2018), os linfonodos, também presentes no sistema linfático, têm entre 2 e 30 mm de diâmetro e têm uma irrigação arterial e uma venosa, assim como representa a Figura 1. Além disso, o ser humano possui de 600 a 700 linfonodos com um peso total de aproximadamente 100 g. Os linfonodos funcionam como filtros; estão interconectados no sistema vascular linfático como “estações de limpeza” - onde a linfa é purificada pelos macrófagos que tem capacidade de fagocitose - aparecem em grupos ou como cadeias nodulares ao longo dos vasos sanguíneos. Além disso, na região da cabeça e do pescoço são encontrados muitos linfonodos, os quais recebem o nome de acordo com a região que é encontrado na maioria das vezes, como os linfonodos submentonianos, submandibulares, occipitais, retro auriculares, pré auriculares, parotídeo, cervicais superiores e inferiores. E ainda, há linfonodos presentes nos membros superiores, como os axilares, cubitais e paraesternais, e nas porções inferiores do corpo, como os linfonodos lombares, ilíacos externos e internos, ilíacos comuns, inguinais superficiais, inguinais profundos e poplíteos. (FOLDI, p.6 a 14. 2012; GUSMÃO, 2010) Figura 1 – Estrutura de um linfonodo Fonte: Adaptada de Designua/Shutterstock.com. 13 Os linfonodos normalmente são dispostos em grupos e estão presentes em todo o corpo — porém é na região da cabeça onde se encontra o maior número deles. (Figura 2 e Figura 3) (OLIVEIRA, 2018). Figura 2 – Linfonodos do corpo Figura 3 – Linfonodos da cabeça Fonte: Adaptada de Julia-art/Shutterstock.com. 14 4.2 Drenagem linfática manual A drenagem linfática manual (DLM) é uma terapia especializada aplicada, de forma leve, por meio de uma distinta e específica técnica desenvolvida por Vodder em 1936. Essa técnica consiste em drenar o excesso de líquido de uma área estagnada, por intermédio de manobras rítmicas, lentas e suaves, no sentido dos vasos linfáticos e linfonodos. Atualmente, a DLM é um dos recursos de grande destaque no tratamento de edemas, linfedemas e condições inestéticas. (TACANI; TACANI.; LIEBANO, 2011; BRANDÃO et al., 2010). Os objetivos da drenagem são: melhorar a circulação linfática, reduzir edemas, eliminar resíduos, promover a desintoxicação do tecido intersticial, melhorar a oxigenação e nutrição celular e proporcionar melhor circulação sanguínea venosa. Segundo Foldi (2012) durante a movimentação com os círculos fixos da DLM, o débito linfático aumenta muito. Esse aumento do débito linfático sob efeito da DLM é decorrente do aumento da formação da linfa. A DLM faz com que o líquido tissular, nos canais tissulares -conjuntivos pré-linfáticos, seja impulsionado com maior intensidade para os vasos linfáticos iniciais. Além de sua influência sobre a formação da linfa, a DLM também aumenta a motricidade do linfangion. O aumento da produção de linfa faz com que se eleve a quantidade de linfa dentro dos linfangions. A DLM está representada principalmente por três técnicas: Leduc, Vodder. Foldi e Godoy. Todas são baseadas nos trajetos dos coletores linfáticos e linfonodos. A técnica de Vodder preconiza a utilização de uma pressão suave, lenta e repetitiva, em que não há deslizamento do tecido que está sendo tratado, no entanto, ação de empurrar e relaxar. Tem como pilar as seguintes palavras: “Suavidade, harmonia, ritmo e flexibilidade na munheca” e se baseia nas manobras básicas de círculo fixo, manobra de rotação, manobra de bombeamento e manobra da mão em cunha. As manobras são divididas em fase de bombeamento, na qual empurra o líquido na direção de escoamento da linfa exercendo um suave estímulo circular de alongamento sobre a pele. Esse estímulo de alongamento é transmitido principalmente aos capilares linfáticos, 15 levando a um aumento da motricidadedo linfangion, o aumento rítmico da pressão tissular favorece a formação da linfa. E na fase de relaxamento, na qual somente o contato cutâneo é mantido para que os vasos possam se encher novamente a partir da região distal (efeito de sucção). (FOLDI, 2012; OLIVEIRA, 2018) O sentido da drenagem segue o sentido do fluxo linfático no tecido e as fases de bombeamento e de relaxamento não se alteram bruscamente e sim, aparecem uma após a outra de modo uniforme, seguindo um ritmo de um segundo com 5 a 7 repetições no mesmo local. Na técnica de Vodder, a massagem sempre se inicia distalmente ao segmento a ser drenado (BORGES, 2006; FOLDI, 2012) A manobra de círculos fixos, é realizada com a mão espalmada sobre a pele, os dedos realizam movimentos contínuos em forma de círculos ou espirais. A pressão deve ser realizada apenas na primeira metade do círculo. Na segunda metade, existe o contato, porém, sem a pressão, possibilitando o retorno do tecido ao local de origem. (SANTOS, 2013). Movimentos de bombeamento nesta manobra, o polegar e os dedos movem-se na mesma direção em sentido circular. As pontas dos dedos não são utilizadas, sendo o controle do movimento realizado pelo punho do terapeuta. (SANTOS, 2013). O método Leduc apresenta três fases em sua realização. A primeira fase é a Estimulação dos linfonodos, na qual é realizada a estimulação dos Gânglios das regiões Inguinais e Região Poplítea para MMII e região Axilar e Cisterna do Quilo para MMSS através de movimentos de depressão e estiramento no sentido proximal para que o líquido seja drenado. (LEDUC, 2000) A segunda fase é chamada de Demanda, na qual é feita a manobra de evacuação, assim como a de Vodder, é realizada no sentido distal para o proximal para produzir uma aspiração e uma pressão da linfa situada nos coletores. Os movimentos são realizados com suavidade, semelhante a um tateamento discretamente apoiado, as mãos ficam em contato com a pele pela borda radial do indicador e os dedos se movimentam do indicador até o anular, tendo contato com a pele que é estirada no sentido proximal. A terceira fase é chamada de Reabsorção na qual é realizada a recaptação dos capilares linfáticos. A manobra consiste nas mãos em contato com a pele pela borda ulnar 16 do quinto dedo, imprimindo sucessivamente uma pressão, sendo levados por movimentos circulares de punho que geram aumento da pressão tissular e a orientação da pressão promove a reabsorção. (LEDUC, 2000 pg.33) Segundo Oliveira (2018), a técnica de drenagem linfática de Godoy e Godoy, muitas vezes também chamada de terapia linfática manual, é baseada no conceito de hidrodinâmica do deslocamento dos fluidos corporais. O método preconiza o deslocamento correto das mãos, que devem manter uma compressão constante até chegarem aos linfonodos correspondentes, para assim evitar o refluxo. Para a execução dessa técnica, é preciso promover três situações fisiológicas: estimular a formação da linfa, estimular a passagem do fluido intersticial para o interior dos capilares e drenar a linfa já formada. O grande diferencial da drenagem segundo Godoy em relação aos outros métodos de DLM é a aplicação de movimentos lineares e de pressão intermitente, no lugar de movimentos circulares e semicirculares. Movimentos respiratórios e compressão abdominal também auxiliam na manipulação do sistema linfático profundo. No entanto, a sequência utilizada pela técnica de Godoy se assemelha à sequência utilizada pela técnica de Vodder em um ponto ambas vão drenando as regiões de proximal a distal. Além disso, a técnica de Godoy permite a utilização de acessórios, rolete de espuma, para a aplicação da técnica principalmente tratando de auto drenagem. (OLIVEIRA, 2018; SANTOS; MEJIA) 4.3 Indicações e contraindicações da DLM Segundo Gusmão (2010) a DLM é indicada para o alívio de dor, problemas de circulação sanguínea de retorno comprometido, edema no período gestacional e tensão-menstrual, edema e linfedema de membro superior pós tratamento do câncer de mama, edemas de cicatriz pós histerectomias e cesáreas e edemas no geral; já no ramo da estética as indicações são cicatrizes hipertróficas e queloideanas, fibroedema gelóide (FEG), tratamento de acne, tratamento de dermatites (com acompanhamento de dermatologista), rejuvenescimento, tratamentos pré e pós cirurgia plástica, pós lipoaspiração e 17 relaxamento. Além dessas indicações, Sanches e Elwing (2014) aponta que a drenagem também é indicada em transtornos neurovegetativos (como o stress e insônia) e também nos transtornos osteomusculares e do tecido conjuntivo (como, por exemplo, doenças reumáticas e Artropatia). (OLIVEIRA, 2018). Já as contraindicações envolvem câncer diagnosticado e não tratado, pré canceroses de pele, inflamações crônicas e agudas, trombose e tromboflebite, hipertireoidismo, insuficiência cardíaca congestiva e hipotensão arterial importante. (GUSMÃO, 2010 p. 27) Sendo assim, alguns autores trazem em suas pesquisas os resultados da DLM aplicada em diversas situações e patologias. Neste estudo iremos enfatizar e analisar com base nas pesquisas encontradas na literatura as aplicações e resultados da DLM em distúrbios cardiovasculares. 5. METODOLOGIA O levantamento bibliográfico foi feito nas bases Pubmed (www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/), PEDro (https://search.pedro.org.au/search) e Lilacs (https://lilacs.bvsalud.org/). Nessas bases, as pesquisas foram feitas a partir dos descritores e suas associações, sendo eles “lymphatic manual drainage, rehabilitation, Cardiovascular Diseases, physical therapy specialty e chronic venous insufficiency” assim como seus sinônimos: “Drenaje Linfático Manual, Drainage lymphatique manuel, Drenagem Manual da Linfa, Rehabilitación, Réadaptation, Doenças Cardiovasculares, Enfermidades Cardiovasculares, Maladies cardiovasculaires, insuficiência venosa crônica, insuficiência venosa crónica”. Para a base do Lilacs também foram utilizados os códigos hierárquicos. Foi considerado o período de 2006 a 2021. Os estudos foram selecionados respectivamente pelo título, resumo, leitura do texto completo. Foram incluídos homens e mulheres com idade média entre 25 e 75 anos que possuam diagnóstico de Insuficiência Venosa crônica ou de doença cardiovascular, ou seja, doenças que alteram o funcionamento do sistema circulatório, formado pelo coração, vasos sanguíneos (veias artérias e capilares) e vasos linfáticos (XAVIER,R. 2008). Essas de acordo com a 18 Organização Pan-Americana da saúde- OPAS (2021) englobam doenças coronariana, cerebrovascular, arterial periférica, cardíaca reumática, cardiopatia congênita, trombose venosa profunda e embolia pulmonar e eventos agudos. Foram incluídos estudos de caso, série de casos, estudos controlados, estudos controlados randomizados, clínicos cruzados e que apresentem a drenagem linfática manual como tratamento desse quadro de edema. Os estudos possuem como desfecho a avaliação do edema, seja por perimetria, volumetria, doppler ou outras formas. Os critérios de exclusão foram: idade dos participantes maior que 75 anos, ausência da avaliação do edema no desfecho, não utilização da DLM para tratamento do edema e estudos que não estivessem no período de 2006 a 2021. Os estudos incluídos randomizados controlados foram avaliados de acordo com a escala PEDro traduzida para o português (anexo 1), a qual tem como objetivo classificar baseado na lista de Delphi a qualidade metodológica heterogênea e assim, auxiliar na seleção das melhores evidências para embasar a sua conduta terapêutica. (SHIWA et al. 2011; ESCALA PEDRO 2009) Essa revisão integrativa possui uma declaração de responsabilidade (anexo 2) com comprometimento de cumprir as normas legais relacionadas as proteções intelectuais, boas práticas e ética em pesquisa. 6. RESULTADOSNa base de dados do Pubmed a partir da pesquisa de “lymphatic manual drainage AND rehabilitation AND Cardiovascular Diseases”. Foram encontrados 15 estudos dos quais 5 foram selecionados de acordo com os critérios de inclusão, respectivamente pelo título, ano de publicação, resumo e leitura do texto completo. Foram excluídos 5 estudos devido ao ano de publicação e 5 estudos por não se enquadrarem no quadro de doenças cardiovasculares. Nos dados da base Lilacs a partir da pesquisa do único descritor “lymphatic manual drainage”, pois a associação de mais descritores não resultava em nenhum estudo. Sendo assim, foram encontrados 41 estudos, os quais foram analisados e 39 estudos foram excluídos baseado no título do estudo, 2 estudos foram incluídos a partir do título e resumo, no entanto, um dos estudos foi excluído na leitura completa do estudo por não apresentar em seu desfecho 19 final a avaliação do edema pré e pós aplicação da técnica de DLM. Apenas um dos estudos encontrados, foi incluído nessa revisão a partir da leitura do título, resumo e texto completo respectivamente. E ainda, na base da PEDro a partir do descritor “Lymphatic Manual Drainage” foram encontrados 67 estudos, no entanto 66 estudos foram excluídos baseado no título do estudo. Apenas um estudo encontrado foi incluído, no entanto, também foi incluído na busca na base de dados PubMed. Os resultados encontrados nas bases de dados estão descritos no fluxograma com as diferentes fases da busca baseado na recomendação PRISMA (Figura 3). Os estudos de insuficiência venosa crônica incluídos nesta revisão foram encontrados nas bases de dados a partir dos descritores acima juntamente com os estudos de doenças cardiovasculares. Quando utilizado para busca a associação dos descritores “lymphatic manual drainage AND rehabilitation AND chronic venous insufficiency" os resultados foram repetidos ou não se enquadram no tema do presente estudo. Sendo assim, foram incluídos nesta revisão integrativa o total de seis estudos a partir das bases de dados pesquisadas (Tabela 1). Desses seis estudos incluídos, três foram classificados pela metodologia como estudos randomizados controlados, esses foram descritos na tabela 2 e seus desfechos e resultados detalhados na tabela 2.1. Três estudos tiveram diferentes metodologias e a amostra selecionada por conveniência, esses foram descritos de detalhes na tabela 3 e os desfechos e resultados podem ser observados na tabela 3.1. 20 Figura 3 – Fluxo da informação com as diferentes fases da busca baseado na recomendação PRISMA (Page et al., 2021). Tabela 1 – Estudos incluídos na revisão integrativa de acordo com título, ano de publicação e classificação do estudo Molski, P. et al 2009 Patients with venous disease benefit from manual lymphatic drainage Estudo controlado randomizado 21 Leduc, O. et al 2011 Impact of manual lymphatic drainage on hemodynamic parameters in patients with heart failure and lower limb edema Estudo não apresenta essa classificação Crisóstomo, R.S.S. et al 2014 Influence of manual lymphatic drainage on health-related quality of life and symptoms of chronic venous insufficiency: a randomized controlled trial Estudo controlado randomizado Leal, F.J et al 2015 Fisioterapia vascular no tratamento da doença venosa crônica Estudo-piloto prospectivo longitudinal Crisóstomo, R.S.S et al 2015 Influence of manual lymphatic drainage on health-related quality of life and symptoms of chronic venous insufficiency: a randomized controlled trial Ensaio clínico randomizado simples- cego. Crisóstomo, R.S.S, Candeias, M.S Armada- da-Silva, P.A.S. 2017 Venous flow during manual lymphatic drainage applied to different regions of the lower extremity in people with and without chronic venous insufficiency: a cross-sectional study Estudo transversal Tabela 2- Síntese dos ensaios clínicos controlados e randomizados, a partir da amostra, objetivo, participantes, intervenção, conclusão e nota da Escala PEDro. 22 Tabela 2.1 – Desfecho avaliado e resultados numéricos e estatísticos dos estudos controlados randomizados IDENTIFICAÇÃO DO ESTUDO DESFECHO AVALIADO RESULTADOS Molski, P. et al 2009 A evolução da DCV foi avaliado por: HADs (escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão), classificação CEAP ( classificação clínica da Valores de referência grupo controle (antes/após a cirurgia): Ansiedade (10,95/3,45), Depressão (7,55 / 2,20), VRI (0,30 / 0,10), CEAP (3,55 / 1,80). Valores médios no grupo DLM (antes do tratamento / após DLM/ após a cirurgia): IDENTIFICAÇÃO DO ESTUDO AMOSTRA OBJETIVO PARTICIPANTES/ INTERVENÇÃO CONCLUSÃO NOTA PEDRO Molski, P. et al 2009 N=20 Determinar o efeito da DLM em pacientes com DCV candidatos à cirurgia venosa. Indivíduos com DCV no pré cirúrgico foram randomizados aleatoriamente em 2 grupos. o grupo experimental foi submetido a DLM 3 vezes por semana enquanto o grupo controle não foi submetido a nenhuma intervenção. Foi realizada avaliação para o desfecho no dia da seleção e 25 dias após a cirurgia. Após a cirurgia, o grupo DLM teve resultados melhores comparado ao grupo controle. A DLM pode ser uma alternativa ou um procedimento complementar para pacientes tratados cirurgicamente 6/10 Crisóstomo, R.S.S. et al 2014 N=41 Comparar o efeito das manobras de DLM sobre o fluxo sanguíneo em pacientes com DCV e controles saudáveis. Os grupos eram compostos por 23 indivídos com DVC e 18 saudáveis. Manobras de DLM foram realizadas na face medial da coxa e foi analizado o comportamento das veias Safena Magna e Veia Femoral através do ultrassom Duplex. A DLM pode ser uma estratégia alternativa para o tratamento e prevenção das complicações da estase venosa na doença venosa crônica. 5/10 Crisóstomo, R.S.S et al 2015 N=41 Avaliar a eficácia da DLM na melhoria da qualidade de vida em pacientes com IVC Os grupos eram compostos por pacientes com IVC. O grupo experimental realizou 10 sessões de DLM em MMII durante 4 semanas e uma sessão educacional. Enquanto o grupo controle realizou apenas a sessão educacional. Os grupos foram avaliados em três momentos para o desfecho. O tratamento de DLM em curto prazo melhora a gravidade da IVC. Também melhora o edema, os sintomas e a qualidade de vida relacionados à dor em pacientes com IVC. 6/10 23 doença venosa) e Índice de Refluxo Venoso (VRI). Ansiedade (12,85 / 8,85 / 4,95), Depressão (9,40 / 6,30 / 3,00), VRI (0,39 / 0,25 / 0,17), CEAP (3,60 / 2,95 / 1,55). No grupo MLD houve melhora da QV (PO grupo experimental melhorando de t0 para t1 e t0 para t2 em qualidade de vida, gravidade clínica, fadiga e peso. Nenhum efeito do tratamento de DLM foi encontrado para a força muscular do tornozelo, a ADM do tornozelo e o volume da perna. Os valores são DP médio. Significativamente diferente de t0 (Pe feminino com idade média de 43 anos e que foram avaliados em um serviço de atendimento comunitário de saúde. Os resultados obtidos da intervenção por ultrassom duplex avaliaram os efeitos da DLM na face medial e lateral da perna e foram comparados entre os dois grupos. Esse estudo sugere em sua conclusão que a DLM aumenta o fluxo sanguíneo nas veias profundas e superficiais e deve ser aplicada ao longo da rota dos vasos venosos para melhorar o retorno venoso. No estudo de Leal et al. (2015) a amostra foi composta por participantes do sexo feminino com idade média de 43 anos e diagnostico de doença venosa crônica (DVC) selecionadas por conveniência. Trata-se de um estudo piloto prospectivo longitudinal. As participantes foram submetidas a avaliação através de questionários relacionados a qualidade de vida, da pletismografia a água e goniometria dos MMII. A avaliação realizou a análise dos resultados da intervenção de exercícios terapêuticos, sendo esses exercícios resistidos e aeróbicos, proporcionando melhora na ejeção do volume venoso e no aumento da resistência muscular da panturrilha, e DLM. Foram mensurados antes do início do tratamento e após a finalização das dez sessões de intervenção. A comparação dos resultados para a conclusão foi baseada nos resultados pré e pós tratamento de cada participante. A pesquisa demonstra em seus resultados melhora dos pacientes. Nas avaliações, foi possível observar melhora significativa no quadro clínico, como a eliminação das queixas de cansaço e dores, redução de edemas, aumento da amplitude de movimento de tornozelo e, consequentemente, a QV dos mesmos. Além disso, o estudo de Leal et al. (2015) apresenta um viés relacionado aos resultados obtidos, uma vez que o estudo avalia a fisioterapia vascular, isso inclui DLM e exercícios terapêuticos. Embora os métodos de avaliação de cada intervenção sejam individuais, o resultado final da melhora dos pacientes é um conjunto das duas ações. Sendo assim, esse pode não representar fielmente os benefícios individuais de cada terapia principalmente os resultados individuais da DLM que é o foco dessa pesquisa. 28 No estudo de Leduc et al. (2011) a amostra foi composta por 9 participantes, sendo 3 homens e 6 mulheres com idade média de 72 anos. Os quais estavam internados na Unidade de Cardiologia e possuíam Insuficiência cardíaca III ou IV de acordo com a Classificação funcional da New York Heart Association (NYHA). Os indivíduos da amostra possuíam edema de MMII localizados nas pernas e nos pés e foram submetidos a intervenção de DLM com técnica de Leduc nos MMII durante 15 minutos. Os parâmetros hemodinâmicos eram medidos com duplex à esquerda e à direita do coração nos tempos de controle e experimental T1 (após 5 minutos de MLD) e T2 (após conclusão do MLD). O eletrocardiograma foi usado para monitorar a frequência cardíaca e como um ponto de referência para medições Doppler e também foi utilizado a perimetria para mensurar o edema antes e após o tratamento. Os resultados encontrados antes do início do tratamento (T0) foram utilizados para comparar com os valores de T1 e T2 e serem analisados para o desfecho. E ainda, o estudo de Leduc et al. (2011) é o único estudo desta revisão que aborda e analisa a insuficiência cardíaca e o edema de membros inferiores ocasionados pela IC ou por outra disfunção no sistema linfático. Além disso, ele é o único estudo presente nessa revisão que apresenta em sua metodologia a técnica de DLM utilizada, sendo essa uma informação importante que foi oculta nos outros estudos para a execução da técnica adequada no meio clínico. No entanto, o desenho do estudo não favorece uma alta evidência sobre os resultados encontrados. A descrição do estudo tem falhas, por exemplo os autores não apresentam a classificação do estudo, logo uma parte da perspectiva do que se espera é perdida. Os desfechos avaliados em todos os estudos presentes nesta revisão integrativa revelam que os parâmetros hemodinâmicos avaliados e comparados tiveram melhora significativa em relação a melhora e aumento do fluxo sanguíneo principalmente nas grandes veias como a Femoral, veia Safena Magna e veia Safena Parva como demonstram os estudos de Crisóstomo et al (2017) e Crisóstomo et al (2014). Embora os parâmetros hemodinâmicos tenham mudado, o estudo de Leduc et al. (2011) revela que não houve mudança significativa da frequência cardíaca, apresentando valores ainda menores após 29 a aplicação da DLM. E ainda, os estudos revelam que a aplicação da DLM apresenta diminuição do edema de membros inferiores seja em DCV, IC ou IVC. Além dos benefícios psicossociais como a melhora na qualidade de vida, a qual foi avaliada nos estudos de Leal et al. (2015) e Moski et al. (2009) e melhora nos quadros de ansiedade e depressão dos pacientes, principalmente dos pacientes candidatos à cirurgia venosa. Todos os estudos incluídos nesta revisão apresentam alto viés relacionado à eficácia e segurança da DLM, principalmente em relação a homogeneidade dos estudos, seleção e aleatorização dos grupos e caracterização dos participantes presente em apenas um estudo. Essas informações da caracterização além da idade, como IMC, predomínio da postura física como fator de risco para a IVC são importantes para diminuir os vieses uma vez que atividades que exigem do indivíduo permanência, por longos períodos em pé ou sentado, favorecem significativamente o desenvolvimento e a manutenção da doença. Além disso, em indivíduos obesos quanto naqueles com sobrepeso, ocorre maior compressão das veias abdominais pelo aumento do volume abdominal, e ainda hábitos de vida sedentários, que podem estar correlacionados com o agravamento das varizes nos MMII, por comprometimento da bomba muscular da panturrilha. (LEAL et al, 2015) 8. CONCLUSÃO A drenagem linfática manual mostra ser uma técnica promissora com grande potencial para o tratamento de edema em pacientes com DCV e IVC, entretanto houve dificuldade em encontrar na literatura estudos em que avaliassem apenas a DLM como método de tratamento de pacientes com distúrbios cardiovasculares e insuficiência venosa crônica, revelando ser esta uma área pouco explorada. Além disso, grande parte dos estudos não trazem a descrição da técnica de DLM utilizada em suas intervenções, sendo essa uma informação importante para a validação e aplicação no meio clínico. 30 Sendo assim, a área necessita de investimento científico visando melhor embasamento para a aplicação dessa técnica da fisioterapia no tratamento dessas comorbidades. 9. REFERÊNCIAS ALVES, R.O. Sistema Cardiovascular. Cercomp. UFG. Goiás. 2017. Disponível em: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/66/o/ICC.pdf. Acesso em Fevereiro 2022. ARAUJO, A. A; NOBREGA, M.M. L; GARCIA, T.R. Diagnósticos e intervenciones de enfermería para pacientes portadores de insuficiencia cardíaca congestiva utilizando la CIP. Rev Esc Enferm USP 2013; 47(2):385-92. São Paulo. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reeusp/a/pyFqL75rsL6NZVBspdstGys/?format=pdf&lang =pt. Acesso em Abril 2021 BRANDÃO, D.S.M. et al. Avaliação da técnica de drenagem linfática manual no tratamento do fibro edema geloide em mulheres. ConScientiae Saúde, vol. 9, núm. 4, 2010, pp. 618-624. Universidade Nove de Julho. São Paulo, Brasil. Cashin AG, et al. Clinimetrics: Physiotherapy Evidence Database (PEDro) Scale. J Physiother 2020;66(1):59 CRISÓSTOMO RS, CANDEIAS MS, ARMADA DA SILVA PA. Venous flow during manual lymphatic drainage applied to different regions of the lower extremity in people with and without chronic venous insufficiency: a cross- sectional study. Physiotherapy. 2017 Mar;103(1):81-89. doi: 10.1016/j.physio.2015.12.005.Epub 2016 Feb 1. PMID: 27083323. DOS SANTOS CRISÓSTOMO RS et al. Manual lymphatic drainage in chronic venousdisease: a duplex ultrasound study. Phlebology. 2014 Dec;29(10):667- 76. doi: 10.1177/0268355513502787. Epub 2013 Aug 29. PMID:23989970. DOS SANTOS CRISÓSTOMO RS et al. Influence of manual lymphatic drainage on health-related quality of life and symptoms of chronic venous insufficiency: a randomized controlled trial. Arch Phys Med Rehabil. 2015. Feb;96(2):283-91. doi: 10.1016/j.apmr.2014.09.020. Epub 2014 Oct 13. PMID: 25308883. FOLDI, Michael. Princípios de drenagem linfática. 4ª edição, São Paulo: Manole, 2012 FRANÇA, L.H.G; TAVARES, V. Insuficiência venosa crônica. Uma atualização.J Vasc Br 2003, Vol. 2, Nº4. Disponível em: https://app.periodikos.com.br/article/5e209cc90e88257d7a939fde/pdf/jvb-2-4- 318.pdf. Acesso em: 24 Agosto. 31 HOWLETT, J.G. Insuficiência cardíaca congestiva. Libin Cardiovascular Institute of Alberta. 2020. ISHITANI, L.H et al. Desigualdade social e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares no Brasil. Rev Saúde Pública 2006;40(4):684-91 p 685. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/rsp/2006.v40n4/684-691/pt/. Acesso em: 12/03/2021 LEAL, Flávia de Jesus et al .Fisioterapia vascular no tratamento da doença venosa crônica. J. vasc. bras., Porto Alegre , v. 14, n. 3, p.224-230, Sept. 20- +15 . Available from. access on 09 Dec. 2020. https://doi.org/10.1590/1677-5449.0029. LEDUC, A;LEDUC, O. Drenagem Linfática Teoria e Prática.2 ed. rev. e atual. SP: Ed Manole, 2000. 73p. LEDUC, O et al. Impact of manual lymphatic drainage on hemodynamic parameters in patients with heart failure and lower limb edema. Haute Ecole P.H. Spaak, Lympho-Phlebology Unit. Bruxelas.2011. MOLSKI, P, OSSOWKI R, HAGNER W, MOLSKI S. Patients with venous disease benefit from manual lymphatic drainage. Int Angiol. 2009 Apr;28(2):151-5. PMID: 19367246. MONTERA, M.W. et al.II Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca Aguda Arq. Bras. Cardiol. 93 (3 suppl 3).2009. https://doi.org/10.1590/S0066- 782X2009001900001 OPAS - Organização Pan-Americana da Saúde.Doenças Cardiovasculares. Brasília (DF); 2003 ORRINGER, J.; DOVER, J.S.; ALAM, M.Moldando o corpo: pele, gordura, celulite. Rio de Janeiro: GEN Guanabara. Koogan, 2016. (E-book) 1 recurso online (Procedimentos em dermatologia cosmética). ISBN 9788595155206. PAJE, M.J. et al. The PRISMA 2020 statement: an updated guideline for reporting systematic review. BMJ 2021; 372:n71. doi: 10.1136/bmj.n71 PAZ, Larissa Ferreira de Araújo et al . Qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes com insuficiência cardíaca. Rev. Bras. Enferm., Brasília , v. 72, supl. 2, p. 140-146, 2019 . Available from .access on 18 Apr. 2021. Epub Dec 05, 2019.http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0368. PEREZ, E. Técnicas estéticas corporais. São Paulo: Erica, 2014. (E-book) 1 recurso online.ISBN 9788536521442. https://www.scielosp.org/article/rsp/2006.v40n4/684-691/pt/ https://www.scielosp.org/article/rsp/2006.v40n4/684-691/pt/ https://doi.org/10.1590/S0066-782X2009001900001 https://doi.org/10.1590/S0066-782X2009001900001 32 RAMOS, Plínio dos Santos et al . Acute cardiovascular responses to a session of Manual Lymphatic Drainage. Fisioter. mov. Curitiba , v. 28, n. 1, p.41-48, Mar. 2015 . Available from . access on 14 Dec. 2020. https://doi.org/10.1590/0103-5150.028.001.AO04. RIBEIRO, A.G, COTTA, R.M.M,RIBEIRO, S.M.R. A promoção da saúde e a prevenção integrada dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Departamento deNutrição e Saúde. Universidade Federal de Viçosa. Viçosa MG. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2012.v17n1/7-17/. Acesso: Abril 2021. SHIWA, S.R et al. PEDro: a base de dados de evidências em fisioterapia. Fisioter. mov. 24 (3). Paraná, PR. Set 2011. https://doi.org/10.1590/S0103- 51502011000300017 SIMÃO, D. et al.Massoterapia estética e relaxante. Porto Alegre: SAGAH, 2019. (E-book) 1recurso online ISBN 9788533500334. SOARES, Djanira Alzira et al .Qualidade de vida de portadores de insuficiência cardíaca. Acta paul. enferm., São Paulo , v. 21, n. 2, p. 243-248, 2008 . Available from .access on 18 Apr. 2021.http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002008000200002. STAMM, L.N. Estética aplicada à cirurgia plástica. Porto Alegre: SER – SAGAH, 2019. (E-book) TACANI, R. E.; TACANI, P. M.i; LIEBANO, R. E. Intervenção fisioterapêutica nas sequelas de drenagem linfática manual iatrogênica: relato de caso. Fisioter. Pesqui., São Paulo , v. 18, n. 2, p.188-194, June 2011 . Available from . access on 12 Mar. 2021. https://doi.org/10.1590/S1809-29502011000200015. VASCONCELOS, M.G. Princípios de drenagem linfática. São Paulo: Erica, 2015. (E-book) 1 recurso online ISBN 9788536521244. https://doi.org/10.1590/0103-5150.028.001.AO04 https://doi.org/10.1590/0103-5150.028.001.AO04 https://www.scielosp.org/article/csc/2012.v17n1/7-17/ https://www.scielosp.org/article/csc/2012.v17n1/7-17/ https://doi.org/10.1590/S1809-29502011000200015 33 ANEXO 1 ANEXO 2