Prévia do material em texto
Disciplina: Criminologia Professor: Murillo Ribeiro Monitora: Thauana Aula: Criminologia Cultural - Década de 90 Criminologia Cultural Surgida nos EUA no final da década de 90 com Jeff Ferrel e desenvolvida pelo departamento de criminologia da Universidade de Kent, no Reino Unido, a vertente criminológica que se convencionou denominar de criminologia cultural busca entender a fascinação do público pela violência e pelo crime e sua adoção como prazer e espetáculo. Para esses criminólogos, todo crime é fundamentado na cultura e as práticas culturais são incorporadas nos processos dominantes de poder. A influência marxista permanece, no sentido de que os atos criminosos são atos de resistência contra a autoridade. O crime passa a ser analisado poe meio de suas representações simbólicas no meio social e cultural. A Criminologia Cultural busca romper com o monólogo racional, incluindo em seu pensar categorias antes rejeitadas pelo ideal da ciência moderna e vistas com suspeição, como sentimentos e angústias, fazendo com que, por exemplo, o tédio (FERREL, 2010), seja o elemento de análise para se compreender o crime. Com ela, é possível compreender um mundo contemporâneo no qual o crime e a imagem do crime seguem juntos; onde as emoções do crime são construídas a partir de intensidades de experiência imediata, mas também do incessante fluxo de filmes de crime e televisão criminal; onde a insegurança e o deslocamento definem tanto a vida pessoal quanto os contornos dos problemas sociais; onde as predações criminosas do capitalismo global e as imagens e informações que circulam na mídia digital também merecem um olhar criminológico. Fonte: https://canalcienciascriminais.com.br/instituto-brasileiro-de-criminologia-cultural/ Para Ferrel, a Criminologia cultural explora as diversas formas em que a dinâmica https://canalcienciascriminais.com.br/instituto-brasileiro-de-criminologia-cultural/ 2 cultural se entrelaça com as práticas do crime e controle da criminalidade na sociedade contemporânea. Hayward define Criminologia Cultural como uma abordagem teórica, metodológica e intervencionista para o estudo do crime, que coloca a criminalidade e o seu controle no contexto da cultura, ou seja, ela vê o crime e as agências e instituições de controle da criminalidade como produtos culturais – como construções criativas e, como tal, deve ser entendido em termos dos significados que carregam. Para o autor, a Criminologia Cultural procura destacar a interação entre dois elementos-chave: a relação entre construções ascendentes e construções descendentes. Sendo assim, o seu foco se assenta na geração contínua de significado em torno da interação, concretamente no concernente às regras quebradas, da interação constante de empreendedorismo, inovação moral política e transgressão. Sutherland e a Escola de Chicago já sinalizavam uma relação entre crime como produto cultural. - Crimes como produto da cultura americana: as falhas econômicas eram grande fonte de sentimento de inferioridade e ressentimento que levava os indivíduos ao crime, isso como resultado da natureza competitiva do sistema econômico americano; O submundo do crime (criminal underworld gang) depende do considerado mundo superior (uppeworld) de padrões considerados normais e, alguns dos seus valores, refletiam os valores aprovados no grupo social normal. Ex.: redes sociais. A criminologia cultural busca compreender a convergência entre a cultura e crime na vida contemporânea. - Usos de drogas e os desvios a ela relacionados. Se as drogas são substâncias químicas que a partir das condições ideais de um laboratório geram certo tipo de efeito, descritível e classificável no sujeito que a consome, por outro, são produtos culturais. Portanto, o sujeito que consome dada substância não consome apenas, certo arranjo químico, mas um produto cultural, que carrega toda carga de valores que lhe são próprias, cuja importância é fundamental no destino individual e social de cada prática tóxica. (Criminologia Cultural, Drogas e Rock and Roll, Marcelo Mayora). - Modernidade líquida e a sua relação com o consumo/consumismo: Consumo: necessidade básica 3 Consumismo: excede a funcionalidade material do objeto. Crimes aquisitivos: crimes que visam à acumulação material, em grande medida incentivada pelo capitalismo. Obs.: cerca de 90% dos presos no Brasil cometeram crimes aquisitivos (para Schecaira, a demonstração íntima entre crime e sociedade). Para Schecaira, a criminologia cultural não é uma nova teoria, uma vez que incorpora ampla gama de orientações teóricas - visões interacionistas, culturalistas, feministas, críticas em sentido amplo, subculturais – procurando encontrar uma confluência entre crime e cultura na sociedade líquida. Ponto de análise: representação que o crime tem na mídia, os desvios não criminalizados dos políticos e das elites financeiras, os desvios emocionais divulgados publicamente das vítimas de crime, etc. Para Salo de Carvalho, a Criminologia Cultural configura-se, portanto, como uma tendência do pensamento sociológico criminológico crítico que se preocupa com a análise dos processos de mercantilização do desvio e da violência, transformados, pelas agências configuradoras do sistema penal, notadamente a grande mídia, em ícones e símbolos da cultura contemporânea.