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SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ................................................................................................... 3 
1. SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO ...................................... 4 
2. SEGURIDADE SOCIAL: EVOLUÇÃO HISTÓRICA ............................. 5 
2.1 O Estado e a proteção social ao trabalhador ......................................... 9 
3. PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL .......................................... 10 
4. ESTRUTURA DA SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL. ........................................................................................... 13 
4.1 Saúde .................................................................................................. 16 
4.1.1 A execução dos serviços de saúde. O SUS. ....................................... 18 
4.1.2 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ............................. 20 
4.1.3 Objetivos e atribuições do SUS ........................................................... 21 
4.1.4 Sobre a vigilância sanitária e epidemiológica ...................................... 22 
4.1.5 Sobre a saúde do trabalhador e assistência terapêutica integral, inclusive 
farmacêutica ........................................................................................ 22 
4.1.6 Descentralização da gestão do SUS ................................................... 24 
4.2 Assistência social ................................................................................ 24 
4.2.1 Financiamento da assistência social ................................................... 26 
4.2.2 Princípios e diretrizes .......................................................................... 27 
4.2.3 Organização e gestão .......................................................................... 28 
4.2.4 Serviços........ ....................................................................................... 29 
 
 
 
 
4.2.5 Programas de assistência social e projetos de enfrentamento da 
pobreza.......... ...................................................................................... 29 
4.3 Previdência social ................................................................................ 30 
5. ORGANIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL .................................... 30 
5.1 Sistema nacional de seguridade social ................................................ 32 
6. FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL ................................. 38 
6.1 Sistema contributivo ............................................................................ 41 
6.2 Contribuições sociais ........................................................................... 42 
6.3 Características gerais .......................................................................... 44 
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................... 46 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Prezado aluno, 
 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é 
semelhante ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase 
improvável - um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao 
professor e fazer uma pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o 
tema tratado. O comum é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos 
ouvirem e todos ouvirão a resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não 
hesite em perguntar, as perguntas poderão ser direcionadas ao protocolo de 
atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da 
nossa disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à 
execução das avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da 
semana e a hora que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
 
 
Bons estudos! 
 
 
 
4 
 
 
1. SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO 
 
Para tratarmos da seguridade social iniciaremos com uma breve conceituação 
acerca dos direitos sociais. OLIVEIRA (2020) afirma que “os direitos sociais estão 
vinculados a realizações proporcionadas pelo Estado, sendo elas tratadas em normas 
constitucionais de forma direta ou indireta. Esses direitos tem por objetivo garantir 
melhores condições de vida aos mais fracos, na busca da igualdade é necessário por 
vezes dar tratamento diferenciado para que as diferenças sociais se equalizem. 
Os direitos sociais podem ser classificados em cinco classes: a) relativos ao 
trabalhador (arts. 7.º a 11 da CF/88); b) relativos à seguridade social (direito à saúde, 
à previdência e assistência social – arts. 194 a 204 da CF/88); c) relativos à educação 
e à cultura (arts. 205 a 217 da CF/88); d) relativos à família, à criança, ao adolescente 
e ao idoso (arts. 226 a 230 da CF/88); e) relativos ao meio ambiente (art. 225 da 
CF/88). ” É notório a importância dos direitos sociais, sua objetividade é garantir 
melhores condições aos mais necessitados e a busca da equidade, sendo a 
seguridade social um dos meios para garantir esses objetivos. Vejamos uma breve 
explicação doutrinária: 
 
Segundo bem esclarece o Relatório sobre a Seguridade Social de 2009, da 
Conferência Interamericana de Seguridade Social, os programas de 
benefícios “têm como objetivo prevenir que pessoas caiam na pobreza 
através de prover padrões de vida adequados”, protegendo os indivíduos 
trabalhadores e as pessoas que deles dependem. (CASTRO; LAZZARI, 
2020). 
 
Seguimos também com uma breve leitura do art. 194 da CF/88: 
 
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações 
de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar 
os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. 
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a 
seguridade social, com base nos seguintes objetivos: 
 
I - universalidade da cobertura e do atendimento; 
 
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações 
 
5 
 
urbanas e rurais; 
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; 
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; 
 
V - eqüidade na forma de participação no custeio; 
 
VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas 
contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas 
a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter 
contributivo da previdência social; 
 
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante 
gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, 
dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. (BRASIL, 1988.) 
 
2. SEGURIDADE SOCIAL: EVOLUÇÃO HISTÓRICA 
 
O dever do Estado em prover o direito à proteção social tem fundamento nas 
garantias fundamentais do ser humano. SANTOS (2020) afirma que “a evolução 
socioeconômica acentua desigualdades não só na comunidade local, mas também na 
comunidade internacional, sendo assim a pobreza não se trata de apenas um 
problema individual, mas, sim, social. A maior parte da renda ao se concentrar nas 
mãos de poucos, produz o efeito de levar uma grande maioria à miséria, a essa grande 
maioria é impedida de sobreviver com dignidade pois por vezes lhes falta os bens 
necessários. 
Ao homem sempre foi atribuída a preocupação de garantir seu sustento e o de 
sua família em situações de carência econômica, enfermidades, diminuição da 
capacidade de trabalho, redução ou perda de renda, com relação a essas situações é 
notório que o homem não consegue sair apenas com o seu esforço individual, 
necessitando de intervenção do Estado para o amparo e para prevenir e remediar 
suas necessidades. Os fatores apresentados levaram à busca de instrumentos de 
proteção contra as necessidades sociais, e consequentemente
6º da LOAS. A vigilância 
socioassistencial visa analisar territorialmente a capacidade protetiva das 
famílias e nela a ocorrência de vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações 
e danos. Neste aspecto, a lei indica que a atividade administrativa de 
desenvolvimento de projetos sociais deve ser fundada em levantamentos e 
estudos de bases territoriais, que propiciem o conhecimento das 
peculiaridades locais e das carências das respectivas comunidades. A defesa 
de direitos deve garantir o pleno acesso aos direitos no conjunto das 
provisões assistenciais. A atividade administrativa, para além da execução 
dos programas assistenciais, deve garantir que a comunidade carente tenha 
acesso a informações sobre os programas assistenciais disponíveis e, ainda, 
que seja assistida na defesa desses direitos. Parece-nos que o legislador quis 
enfatizar que há prestações assistenciais disponíveis, que não se limitam ao 
benefício de prestação continuada, no valor de um salário mínimo, e que 
podem ser instrumento de redução de desigualdades sociais. A Assistência 
Social, a nosso ver, é o instituto que melhor atende o preceito de redução das 
desigualdades sociais e regionais, porque se destina a combater a pobreza, 
a criar as condições para atender contingências sociais e à universalização 
dos direitos sociais. Para enfrentar a pobreza, a Assistência Social efetiva-se 
por meio de integração às políticas setoriais (art. 2º, parágrafo único). A LOAS 
está regulamentada pelo Decreto n. 6.214, de 26.09.2007, com sucessivas 
alterações. A comunidade participa por meio de entidades e organizações de 
assistência social, que surgem na sociedade atendendo demandas 
específicas da comunidade carente: são as Organizações Não 
Governamentais (ONGs). São definidas pelo art. 3º da LOAS como “aquelas 
sem fins lucrativos que, isolada ou cumulativamente, prestam atendimento e 
assessoramento aos beneficiários abrangidos por esta lei, bem como as que 
atuam na defesa e garantia de direitos”. (SANTOS, 2020). 
 
4.2.1 Financiamento da assistência social 
 
A assistência social utiliza dos recursos destinados a seguridade social pelo 
motivo de ser parte integrante dessa seguridade, vejamos um pouco mais bem 
distinguido sobre o financiamento: 
 
O financiamento da Assistência Social é feito com recursos do orçamento da 
seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes (art. 204 da 
 
27 
 
CF). O Decreto n. 91.970, de 22.11.1985, instituiu o Fundo Nacional de Ação 
Comunitária (FUNAC), transformado em Fundo Nacional de Assistência 
Social (FNAS) pela LOAS (art. 27). O FNAS foi regulamentado pelo Decreto 
n. 7.788, de 15.08.2012. O financiamento das prestações assistenciais é feito 
com recursos do FNAS, das contribuições previstas no art. 195 da CF, da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 28 da LOAS). 
Os recursos de responsabilidade da União são automaticamente repassados 
ao FNAS, na medida em que se forem realizando as receitas (art. 29). O 
Sistema Único de Assistência Social — SUAS é financiado pelos 3 entes 
federados, que devem dirigir os recursos dos fundos de assistência social 
para a operacionalização, prestação, aprimoramento e viabilização dos 
serviços, programas, projetos e benefícios do sistema. O repasse dos 
recursos aos Estados, aos Municípios e ao Distrito Federal só ocorre se cada 
uma dessas esferas de governo instituir Conselho de Assistência Social — 
com composição paritária entre governo e sociedade civil —, e Fundo de 
Assistência Social e Plano de Assistência Social — com orientação e controle 
do respectivo Conselho de Assistência Social. E, a partir de 1999, esses 
entes públicos devem comprovar a existência, nos respectivos orçamentos, 
de previsão dos recursos próprios destinados à Assistência Social, alocados 
em seus respectivos Fundos de Assistência Social (art. 30). O parágrafo 
único do art. 204 da CF, incluído pela EC n. 42, de 19.12.2003, facultou aos 
Estados e ao Distrito Federal vincular até cinco décimos por cento de sua 
receita tributária líquida a programa de apoio à inclusão e promoção social. 
Restou proibido que tais recursos sejam utilizados no pagamento de 
despesas com pessoal e encargos sociais, serviço da dívida e qualquer outra 
despesa corrente não vinculada diretamente aos investimentos e ações 
apoiados (SANTOS, 2020). 
 
 
4.2.2 Princípios e diretrizes 
 
Seguindo a doutrina SANTOS (2020) explica que “a assistência social se sujeita 
aos mesmos princípios que regem a seguridade social por ser um dos entes que a 
compõe, porém devem ser observadas algumas regras específicas, os arts. 203 e 
204, da Constituição, e o art. 4º, da LOAS, constituem regras que orientam as políticas 
públicas destinadas à cobertura pela assistência social, essas regras estão 
amparadas, pelo respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana. 
Para a efetiva concessão da cobertura assistencial, o respeito à dignidade do 
cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade são 
exigências da norma vigente.” 
 
 
 
 
 
28 
 
Insta salientar: 
 
A assistência social não pode ser imposta, mas, sim, prestada em razão da 
vontade manifestada do necessitado, quando suas condições pessoais o 
permitirem. Da assistência social não pode resultar discriminação de 
nenhuma espécie em relação à pessoa assistida. Não se pode perder de vista 
que se busca a justiça social, de modo que as ações assistenciais não podem 
acentuar desigualdades sociais, mas, sim, devem reduzi-las. Importante frisar 
que a lei proíbe qualquer comprovação vexatória de necessidade (art. 4º, III). 
A transparência da utilização dos recursos destinados ao financiamento da 
assistência social está prevista no inc. V, que impõe a ampla divulgação dos 
benefícios, serviços e projetos assistenciais e dos critérios para sua 
concessão. As diretrizes da organização da assistência social estão no art. 5º 
da LOAS: descentralização político-administrativa, participação da população 
e primazia da responsabilidade do Estado na condução da política de 
assistência social. (SANTOS, 2020). 
 
4.2.3 Organização e gestão 
 
Dando seguimento aos ensinamentos, vejamos a organização e gestão da 
assistência social: 
 
O sistema de Assistência Social é descentralizado e participativo, 
denominado Sistema Único de Assistência Social (SUAS) pela Lei n. 
12.435/2011, que alterou a organização e gestão do sistema. Com a criação 
do SUAS, de forma semelhante ao Sistema Único de Saúde (SUS), 
pretendeu a Lei n. 12.435/2011 aperfeiçoar o serviço de Assistência Social, 
integrando serviços públicos e privados, definindo com mais detalhes as 
responsabilidades das entidades participantes do sistema, de modo a tornar 
efetiva a proteção social garantida pelo art. 203 da Constituição. O SUAS é 
composto dos entes federativos — União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios, dos respectivos conselhos de assistência social e das 
organizações de assistência social. As entidades e organizações privadas 
vinculadas ao SUAS podem, assim como ocorre no SUS, celebrar convênios, 
contratos, acordos, ou ajustes com o Poder Público, com garantia de 
financiamento integral com recursos públicos, para execução das ações de 
assistência social. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate 
à Fome a coordenação da Política Nacional de Assistência Social. O SUAS 
tem umconjunto de instâncias deliberativas compostas dos diversos setores 
envolvidos na área. A descentralização obedece ao comando constitucional 
e foi definida pelo art. 11 da LOAS: as ações governamentais são articuladas, 
cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal. O s Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios, nas suas respectivas áreas, coordenam e 
executam os programas assistenciais. Os arts. 12 a 15 discriminaram as 
competências de cada uma das esferas de governo. As instâncias 
deliberativas do SUAS são: o Conselho Nacional de Assistência Social 
(CNAS),
os Conselhos Estaduais de Assistência Social (CEAS), o Conselho 
de Assistência Social do Distrito Federal (CASDF) e os Conselhos Municipais 
de Assistência Social (CMAS), todos com caráter permanente e composição 
paritária entre governo e sociedade civil (art. 16). O CNAS é vinculado ao 
 
29 
 
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. É o órgão superior 
de deliberação colegiada cuja composição está prevista no § 1º do art. 17: 18 
membros e respectivos suplentes, sendo 9 representantes governamentais e 
9 representantes da sociedade civil. São da competência do CNAS, dentre 
outras: aprovar a Política Nacional de Assistência Social, normatizar e regular 
a prestação de serviços de natureza pública e privada no campo da 
assistência social, acompanhar e fiscalizar o processo de certificação das 
entidades e organizações de assistência social no Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome e zelar pela efetivação do 
sistema descentralizado e participativo de assistência social (art. 18). 
(SANTOS, 2020). 
 
4.2.4 Serviços 
 
Em relação ao LOAS, os serviços previstos são socioassistenciais, e o artigo 
23 da lei de nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993, diz que estes são “as atividades 
continuadas que visem à melhoria de vida da população e cujas ações, voltadas para 
as necessidades básicas, observem os objetivos, princípios e diretrizes”. “A 
organização desses serviços deve voltar-se com prioridade à infância e à 
adolescência em situação de risco pessoal e social, e em situação de rua, para cumprir 
o disposto no art. 227 da CF e na Lei n. 8.069, de 13.07.1990 (Estatuto da Criança e 
do Adolescente).” (BRASIL, 1993) 
 
4.2.5 Programas de assistência social e projetos de enfrentamento da pobreza 
 
A assistência social tem grande relevância na busca pela erradicação da 
pobreza, vejamos acerca dos programas de assistência social: 
 
Os programas de assistência social compreendem ações integradas e 
complementares, cujos objetivos, tempo e área de abrangência devem ser 
definidos para qualificar, incentivar e melhorar os benefícios e serviços 
assistenciais (art. 24). Cabe aos respectivos CAS definir esses programas, 
com prioridade para a inserção profissional e social. Quando voltados para o 
idoso e a pessoa com deficiência, devem ser articulados com o BPC. São 
exemplos: Programa de Combate à Exploração Sexual de Crianças e 
Adolescentes, Programas de Atenção à Pessoa Idosa, Programa Agente 
Jovem de Desenvolvimento Social e Humano, Programa de 
Complementação ao Atendimento Educacional Especializado às Pessoas 
Portadoras de Deficiência (PAED). Os arts. 24-A, 24-B e 24-C da LOAS, 
incluídos pela Lei n. 12.435/2011, instituíram, respectivamente, o Serviço de 
Proteção e Atendimento Integral à Família — Paif, o Serviço de Proteção e 
Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos — Paefi e o Programa de 
Erradicação do Trabalho Infantil — Peti. Os projetos de enfrentamento da 
 
30 
 
pobreza, previstos nos arts. 25 e 26, compreendeminvestimento econômico-
social nos grupos populares; sua finalidade é subsidiar, financeira e 
tecnicamente, iniciativas que garantam meios, capacidade produtiva e de 
gestão para melhoria das condições gerais de subsistência, elevação do 
padrão de qualidade de vida, a preservação do meio ambiente e sua 
organização social. Para a realização desses projetos, haverá ação articulada 
e participação de diferentes áreas governamentais, com a cooperação entre 
organismos governamentais, ONGs e sociedade civil. São exemplos: 
Programa Bolsa Família, Programa Fome Zero, Programa de Atenção 
Integral à Família, Programa Dinheiro Direto na Escola, Programa Nacional 
de Alimentação Escolar (PNAE). (SANTOS, 2020). 
 
4.3 Previdência social 
 
 A Previdência Social, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, se 
consolidou como a única categoria de proteção social que requer contribuição dos 
segurados como condição para ampará-los. Cabe a União o dever de assegurar o 
Regime Geral de Previdência Social, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, 
cabendo a observação de critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial. 
Sobre o artigo 201 da CF vejamos um breve comentário: 
 
O art. 201 da CF traz as formas de atendimento da Previdência Social, quais 
sejam: a) cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente 
para o trabalho e idade avançada; b) salário-maternidade; c) proteção ao 
trabalhador em situação de desemprego involuntário; d) salário-família e 
auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; e e) 
pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou ao 
companheiro e aos seus dependentes, não inferior ao salário mínimo quando 
se tratar da única fonte de renda auferida pelo conjunto de dependentes. 
(AGOSTINHO, 2020). 
 
 A Previdência Social, de caráter contributivo, deve atender aos nela inscritos, 
concedendo diversos benefícios e não apenas aposentadoria, pois tem por objetivo 
também proporcionar meios indispensáveis de subsistência ao segurado e à sua 
família, quando ocorrerem certas contingências previstas em lei (AGOSTINHO, 2020). 
 
5. ORGANIZAÇÃO DA SEGURIDADE SOCIAL 
 
A seguridade social possui sua organização legislada na norma 8.212/1991, 
segue uma breve introdução doutrinária: 
 
31 
 
 
A Seguridade Social, segundo o conceito ditado pela ordem jurídica vigente, 
compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes 
públicos e da sociedade nas áreas da saúde, previdência e assistência social, 
conforme previsto no Capítulo II do Título VIII da Constituição Federal, sendo 
organizada em Sistema Nacional, que é composto por conselhos setoriais, 
com representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos 
Municípios e da sociedade civil. A Lei n. 8.212/1991 dispõe sobre a 
organização da Seguridade Social, mas, segundo Wladimir Novaes Martinez, 
“o legislador fica devendo as normas sobre a efetivação da seguridade social, 
por falta de definição política e reconhecida incapacidade de efetivamente 
atender as diretrizes constitucionais da ambiciosa matéria. Seguridade social 
é uma técnica de proteção social avançada em relação à Previdência Social, 
capaz de integrá-la com a assistência social e incorporar as ações de saúde. 
Mas, mais ainda, é um esforço nacional extraordinário no sentido de um 
amplo atendimento à população, obreira ou não, empenho cujos objetivos 
estão a distância”. (CASTRO; LAZZARI, Apud MARTINEZ, 2020) 
 
Podemos dizer, que a Seguridade Social se encontra na ordem jurídica vigente 
como um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da 
sociedade nas áreas da saúde, previdência e assistência social. 
Sobre a estrutura administrativa, sua atribuição é executar as políticas no 
âmbito da segurança social, incluída na estrutura do Poder Executivo. Com relação 
ao cumprimento das atribuições que competem à União em matéria de Seguridade 
Social, a responsabilidade para exercício desse dever é cabível aos Ministérios da 
área social. 
Há os Conselhos setoriais – de Previdência (CNP), da Saúde (CNS) e da 
Assistência Social (CNAS) –, que atendem ao objetivo da gestão quadripartite da 
Seguridade Social. 
Na estrutura do Ministério da Economia, vinculados a este, ainda há o INSS, 
como autarquia federal, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar 
– PREVIC, autarquia de natureza especial, e a DATAPREV, como empresa pública, 
responsável pela gestão dos bancos de dados informatizados. 
Insta salientar que a organização é de competência exclusiva do Poder Público 
e suas ações compõem uma sociedade de forma integrada. A Seguridade Social não 
está vinculada a um conjunto de ações independentes e estanques na área de saúde, 
previdência e assistência social, as suas diferentes áreas devem atuar de forma 
articulada e integrada, embora possuam autonomia e certas peculiaridades. 
Abordado acerca da organização
da seguridade social e a competência para 
 
32 
 
essa organização seguimos sobre os órgãos. 
 
5.1 Sistema nacional de seguridade social 
 
Atualmente, a legislação que trata sobre a organização da Seguridade Social, 
é a Lei n. 8.212/1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social, institui 
Plano de Custeio, e dá outras providências; e também a Instrução Normativa de nº 
128, publicada recentemente, em março de 2022, que disciplina as regras, 
procedimentos e rotinas necessárias à efetiva aplicação das normas de direito 
previdenciário. 
Na estrutura do Poder Executivo, o cumprimento das atribuições que competem 
à União em matéria de Seguridade Social são de responsabilidade dos ministérios da 
área social. Havendo ainda os Conselhos setoriais – de Previdência (CNP), da Saúde 
(CNS) e da Assistência Social (CNAS), que atendem ao objetivo da gestão 
quadripartite da Seguridade Social. 
Antes de prosseguirmos é importante ressaltar sobre a gestão da seguridade 
social que é feita de forma descentralizada. “A gestão da Seguridade Social está 
baseada em órgãos colegiados, em estrito cumprimento ao disposto no art. 194, 
parágrafo único, inciso VII, da Constituição Federal.” (CASTRO; LAZZARI. 2020) Esse 
artigo estabelece o “caráter democrático e descentralizado da administração, 
mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos 
empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados”. (BRASIL, 
1988). 
 Sobre a gestão da seguridade social é importante a observância de outras 
normas: 
 
As Leis n. os 8.212/1991 e 8.213/1991 foram as responsáveis pela instituição 
dos Conselhos de Seguridade Social e Previdência Social, respectivamente, 
órgãos de deliberação colegiada, com a participação da União, dos Estados, 
do Distrito Federal, dos Municípios e de representantes da sociedade civil, e 
a Lei n.º 8.742/1993, pelo Conselho Nacional de Assistência Social. 
Entretanto, parte dessa estrutura deixou de existir com a Medida Provisória 
n.º 1.799-5, de 13.05.1999, e suas reedições (atualmente, Medida Provisória 
n.º 2.216-37, de 31.08.2001, que se manterá vigente até deliberação do 
Congresso Nacional sobre a matéria, conforme disposto no art. 2.º da 
Emenda Constitucional n.º 32, de 2001), extinguindo-se o Conselho Nacional 
 
33 
 
de Seguridade Social e os Conselhos Estaduais, Distrital e Municipais de 
Previdência Social. Aos órgãos em questão foram ou são atribuídas funções 
importantes, delimitadas nas leis instituidoras e nos seus regimentos, como 
veremos a seguir. (CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
Seguimos com a doutrina para tratar em específico sobre os conselhos setoriais 
iniciando pelo CNAS: 
 
O CNAS, criado pela Lei n. 8.742/1993 como órgão superior de deliberação 
colegiada, é vinculado à estrutura da Administração Pública Federal 
responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social – 
atualmente, o Ministério do Desenvolvimento Social. As instâncias 
deliberativas do sistema descentralizado e participativo de Assistência Social 
são de caráter permanente e de composição paritária entre Governo e 
sociedade civil, as quais estão previstas na Lei Orgânica da Assistência 
Social (Lei n. 8.742/1993), da seguinte forma: o Conselho Nacional de 
Assistência Social; os Conselhos Estaduais de Assistência Social; o 
Conselho de Assistência Social do Distrito Federal; os Conselhos Municipais 
de Assistência Social. A instituição desses Conselhos é feita mediante lei 
específica a cargo desses entes federativos, sendo que muitos deles se 
encontram em funcionamento. O CNAS é o órgão da Administração Pública 
Federal responsável pela coordenação da Política Nacional da Assistência 
Social, composto por dezoito membros e respectivos suplentes, sendo: nove 
representantes governamentais, incluindo um representante dos Estados e 
um dos Municípios; nove representantes da sociedade civil, dentre 
representantes dos usuários ou de organizações de usuários, das entidades 
e organizações de assistência social e dos trabalhadores do setor, escolhidos 
em foro próprio sob fiscalização do Ministério Público Federal. A composição 
do CNAS está prevista no art. 17 da Lei n. 8.742/1993, sendo que seus 
membros são nomeados pelo Presidente da República, para um mandato de 
dois anos, permitida uma única recondução à função por igual período. Neste 
Conselho, mesmo os representantes do Governo são detentores de mandato. 
A presidência do Conselho é exercida por um de seus integrantes, eleito 
dentre seus membros, para mandato de um ano, permitida uma única 
recondução à Presidência, por igual período. O CNAS possui a seguinte 
competência: aprovar a Política Nacional de Assistência Social; normatizar 
as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública e privada no 
campo da assistência social; acompanhar e fiscalizar o processo de 
certificação das entidades e organizações de assistência social no Ministério 
do Desenvolvimento Social; apreciar relatório anual que conterá a relação de 
entidades e organizações de assistência social certificadas como 
beneficentes e encaminhá-lo para conhecimento dos Conselhos de 
Assistência Social dos Estados, Municípios e do Distrito Federal; zelar pela 
efetivação do sistema descentralizado e participativo de assistência social; 
convocar ordinariamente a cada quatro anos a Conferência Nacional de 
Assistência Social, que terá a atribuição de avaliar a situação da assistência 
social e propor diretrizes para o aperfeiçoamento do sistema; apreciar e 
aprovar a proposta orçamentária da Assistência Social a ser encaminhada 
pelo Ministério; aprovar critérios de transferência de recursos para os 
Estados, Municípios e Distrito Federal, considerando, para tanto, indicadores 
que informem sua regionalização mais equitativa, tais como: população, 
renda per capita, mortalidade infantil e concentração de renda, além de 
disciplinar os procedimentos de repasse de recursos para as entidades e 
organizações de assistência social, sem prejuízo das disposições da Lei de 
 
34 
 
Diretrizes Orçamentárias; acompanhar e avaliar a gestão dos recursos, bem 
como os ganhos sociais e o desempenho dos programas e projetos 
aprovados; estabelecer diretrizes, apreciar e aprovar os programas anuais e 
plurianuais do Fundo Nacional de Assistência Social – FNAS; indicar o 
representante do Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS junto ao 
Conselho Nacional de Seguridade Social – CNSS (sem eficácia a partir da 
edição da Medida Provisória n. 1.799-5, de 13.5.1999, e suas reedições, 
atualmente, Medida Provisória n. 2.216-37, de 31.8.2001, que se manterá 
vigente até deliberação do Congresso Nacional sobre a matéria, conforme 
disposto no art. 2º da Emenda Constitucional n. 32 de 2001, por ter sido 
extinto o CNSS); elaborar e aprovar seu regimento interno; divulgar, no Diário 
Oficial da União, todas as suas decisões, bem como as contas do Fundo 
Nacional de Assistência Social – FNAS e os respectivos pareceres emitidos. 
(CASTRO; LAZZARI, 2020) 
 
Sobre o CNP explica a doutrina: 
 
O CNP é órgão superior de deliberação colegiada, composto de 
representantes do Governo Federal e da sociedade civil, num total de quinze 
membros, conforme previsto no art. 3º da Lei n. 8.213/1991, dos quais seis 
representantes do Governo Federal e nove representantes da sociedade civil, 
sendo destes: três representantes dos aposentados e pensionistas, três 
representantes dos trabalhadores em atividade e três representantes dos 
empregadores. Cabe ao Presidente da República nomear os membros do 
Conselho Nacional de Previdência e seus respectivos suplentes, tendo os 
representantes titulares da sociedade civil mandato de dois anos, podendo 
ser reconduzidos, de imediato, uma única vez. Como ocorria no CNSS, os 
representantes do Governo não possuem mandato. A indicação dos 
representantes dos trabalhadores em atividade, dos aposentados, dos 
empregadores e seus respectivos suplentes é feita pelas
centrais sindicais e 
confederações nacionais – art. 3º, § 2º, da Lei n. 8.213/1991. Observe-se, por 
oportuno, que a Lei de Benefícios é o primeiro diploma legal a reconhecer as 
centrais sindicais como entidades legítimas para a representação da classe 
trabalhadora, paralelamente ao chamado sistema confederativo, criado com 
a Consolidação das Leis do Trabalho e mantido pelo texto constitucional 
vigente – art. 8º, IV. Compete ao CNP, segundo as disposições do art. 4º da 
Lei n. 8.213/1991 e do art. 296 do Decreto n. 3.048/1999: estabelecer 
diretrizes gerais e apreciar as decisões de políticas aplicáveis à Previdência 
Social; participar, acompanhar e avaliar, sistematicamente, a gestão 
previdenciária; apreciar e aprovar os planos e programas da Previdência 
Social; apreciar e aprovar as propostas orçamentárias da previdência social, 
antes de sua consolidação na proposta orçamentária da Seguridade Social; 
acompanhar e apreciar, mediante relatórios gerenciais por ele definidos, a 
execução dos planos, programas e orçamentos no âmbito da previdência 
social; acompanhar a aplicação da legislação pertinente à previdência social; 
apreciar a prestação de contas anual a ser remetida ao Tribunal de Contas 
da União, podendo, se for necessário, contratar auditoria externa; estabelecer 
os valores mínimos em litígio, acima dos quais será exigida a anuência prévia 
do Procurador-Geral ou do Presidente do Instituto Nacional do Seguro Social 
para formalização de desistência ou transigência judiciais, conforme o 
disposto no art. 353 do Decreto n. 3.048/1999; elaborar e aprovar seu 
regimento interno; aprovar os critérios de arrecadação e de pagamento dos 
benefícios por intermédio da rede bancária ou por outras formas; e 
acompanhar e avaliar os trabalhos de implantação e manutenção do 
 
35 
 
Cadastro Nacional de Informações Sociais. Competia, ainda, ao CNP a 
supervisão dos extintos Conselhos Estaduais e Municipais, órgãos de 
deliberação colegiada, subordinados ao CNPS, conforme previsto no art. 7º 
da Lei n. 8.213, de 24.7.1991. As reuniões do CNP se realizam, 
ordinariamente, uma vez por mês, por convocação de seu Presidente. É 
admitida a realização de reunião extraordinária mediante a convocação do 
Presidente do Conselho ou a requerimento de um terço de seus membros, 
conforme dispõe seu regimento interno e são iniciadas com a presença da 
maioria absoluta dos membros do Conselho, sendo exigida para deliberação 
a maioria simples de votos. As ausências ao trabalho dos representantes dos 
trabalhadores em atividade, decorrentes das atividades do CNP, serão 
abonadas, computando-se como jornada efetivamente trabalhada para todos 
os fins e efeitos legais. A lei prevê garantia do emprego para os 
representantes dos trabalhadores eleitos para o CNP, desde a nomeação até 
um ano após o término do mandato de representação, somente podendo ter 
o contrato de trabalho extinto pelo empregador por motivo de falta grave, 
regularmente comprovada mediante processo judicial – art. 3º, § 7º, da Lei n. 
8.213/1991. Trata-se, pois, de hipótese de estabilidade absoluta conferida ao 
trabalhador integrante do Conselho, de modo que, durante o exercício do 
mandato e até um ano após o término deste, o empregado só pode ser 
dispensado por justa causa, e, mesmo assim, após o ajuizamento, pelo 
empregador, da ação intitulada 9.5 inquérito para apuração de falta grave (art. 
494 da CLT), cujo prazo – decadencial, de trinta dias – e rito estão previstos 
nos arts. 853 a 855 da mesma Consolidação. Caso seja dispensado, sem 
justo motivo, o trabalhador terá direito à reintegração no emprego, com todas 
as vantagens do período de afastamento. Aos órgãos governamentais cabe 
prestar toda e qualquer informação necessária ao adequado cumprimento 
das competências do CNP, fornecendo inclusive estudos técnicos, e 
encaminhar ao CNP, com antecedência mínima de dois meses do seu envio 
ao Congresso Nacional, a proposta orçamentária da Previdência Social, 
devidamente detalhada. As decisões tomadas pelo CNP, no âmbito de suas 
atribuições, são baixadas por resoluções e publicadas no Diário Oficial da 
União. (CASTRO; LAZZARI. 2020) 
 
 O Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC é o atual órgão 
que possui como função regular o regime de previdência complementar administrado 
pelas entidades fechadas de Previdência Complementar, nova denominação do 
Conselho de Gestão da Previdência Complementar. ” Importante também tratar sobre 
sua criação: “Criado pelo Decreto n. 7.123/2010, juntamente com a Câmara de 
Recursos da Previdência Complementar – CRPC, para substituir o extinto Conselho 
de Gestão da Previdência Complementar – CGPC. ” (AGOSTINHO, 2020). 
Vejamos também a estrutura do CNPC: 
 
O CNPC é composto por seis representantes do setor público e três do setor 
privado, sendo o Ministro de Estado da Previdência Social o presidente 
(atualmente, a Previdência faz parte do Ministério Economia, motivo pelo qual 
o atual Presidente do CNPC é o Ministro da Economia). Os demais membros 
são compostos da seguinte forma: Representante da Superintendência 
Nacional de Previdência Complementar (Previc); Representante da Casa 
 
36 
 
Civil; Representante da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar 
(SPPC) do Ministério da Previdência; Representante do Ministério do 
Planejamento, Orçamento e Gestão; Representante da Secretaria Especial 
de Fazenda; Representante das Entidades Fechadas de Previdência 
Complementar; Representante dos Patrocinadores e Instituidores dos planos 
de benefícios das Entidades Fechadas de Previdência Complementar; 
Representante dos Participantes e Assistidos dos planos de benefícios das 
Entidades Fechadas de Previdência Complementar (AGOSTINHO, 2020). 
 
 Conselho Nacional de previdência Social: O Conselho nacional de 
previdência social pode ser compreendido como o órgão superior de deliberação 
colegiada, que tem como principal objetivo estabelecer o caráter democrático e 
descentralizado da administração, em cumprimento ao disposto no art. 194 da 
Constituição, com a redação dada pela EC n. 20/98, que preconiza uma gestão 
quadripartite, com a participação do Governo, dos trabalhadores em atividade, dos 
empregadores e dos aposentados. Criado pela Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991, 
o Conselho de Previdência vem, ao longo do tempo, aprimorando sua atuação no 
acompanhamento e na avaliação dos planos e programas que são realizados pela 
administração, na busca de melhor desempenho dos serviços prestados à clientela 
previdenciária. 
 
Sobre os membros que compõe o CNPS: 
 
Segundo a Lei n. 8.213/91, em seu art. 3º, o CNPS terá como membros os 
seguintes indivíduos: • Seis representantes do Governo Federal; • Nove 
representantes da sociedade civil, sendo: a) três representantes dos 
aposentados e pensionistas; b) três representantes dos trabalhadores em 
atividade; c) três representantes dos empregadores. (...). Os membros do 
CNPS e seus respectivos suplentes serão nomeados pelo Presidente da 
República, tendo os representantes titulares da sociedade civil mandato de 
dois anos, podendo ser reconduzidos, de imediato, uma única vez 
(AGOSTINHO, 2020). 
 
Conselho de recursos da previdência social – CRPS: 
 
O Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS é órgão colegiado 
instituído para exercer o controle jurisdicional das decisões do Instituto 
Nacional do Seguro Social – INSS nos processos de interesse dos 
beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e das empresas; e nos 
relacionados aos benefícios assistenciais de prestação continuada previstos 
no art. 20 da Lei n. 8.742/93. O CRPS desempenha uma função essencial 
perante a sociedade, em defesa do interesse público, visando à concessão 
 
37 
 
de benefícios àqueles beneficiários/recorrentes que detenham o direito 
postulado. Representa uma via importante para a solução de conflitos, 
considerandose a inexistência de custas processuais; o rito administrativo
mais célere, norteado especialmente pelos princípios da legalidade e da 
verdade material; a capilaridade do Órgão em todo o território nacional, e 
aplicação do sistema eletrônico como instrumento de transparência, maior 
controle, gestão e qualidade da prestação jurisdicional (AGOSTINHO, 2020). 
 
Acerca da composição do CRPS: “29 Juntas de Recursos, situadas nos 
Estados da Federação, para fins de julgar os recursos ordinários interpostos contra as 
decisões do INSS. “ (AGOSTINHO, 2020) Também integram a composição do CRPS: 
 
4 Câmaras de Julgamento, sediadas em Brasília-DF, para julgar os recursos 
especiais interpostos contra as decisões proferidas pelas Juntas de 
Recursos. Conselho Pleno, com competência para: I – uniformizar, em tese, 
a jurisprudência administrativa previdenciária e assistencial, mediante 
emissão de Enunciados (art. 3º, I, e arts. 61 e 62 do RI); II – uniformizar, no 
caso concreto, as divergências jurisprudenciais entre as Juntas de Recursos 
nas matérias de sua alçada; ou entre as Câmaras de julgamento, em sede de 
Recurso Especial, mediante a emissão de Resolução; e III – decidir, no caso 
concreto, as Reclamações ao Conselho Pleno, mediante a emissão de 
Resolução (art. 3º, II, e art. 63 do RI). (AGOSTINHO, 2020) 
 
 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF: O Conselho 
Administrativo de Recursos Fiscais – CARF foi criado pela MP n. 449/2008, convertida 
na Lei n. 11.941, de 27 de maio de 2009, e instalado mediante Portaria MF n. 41, de 
2009, cujo Regimento Interno foi aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22 de junho de 
2009. O objetivo do órgão é assegurar à sociedade imparcialidade e celeridade na 
solução dos litígios tributários. 
Por fim tratatermos da autarquia federal INSS: 
 
O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, autarquia federal, com sede e 
foro no Distrito Federal, foi instituído com base na Lei n. 8.029, de 12.4.1990, 
com as alterações promovidas pela Lei n.º 11.457, de 16.03.2007, tem por 
finalidade promover o reconhecimento de direito ao recebimento de 
benefícios administrados pela Previdência Social, assegurando agilidade, 
comodidade aos seus usuários e ampliação do controle social, cabendo-lhe: 
conceder e manter os benefícios e serviços previdenciários e o benefício de 
prestação continuada (BPC/LOAS); emitir certidões relativas a tempo de 
contribuição perante o Regime Geral de Previdência Social; gerir os recursos 
do Fundo do Regime Geral de Previdência Social; e calcular o montante das 
contribuições incidentes sobre a remuneração e demais rendimentos dos 
trabalhadores, devidas por estes, pelos empregadores domésticos e pelas 
empresas com vistas à concessão ou revisão de benefício requerido. Por 
força da Lei n. 11.457/2007, foi transferida do então Ministério da Previdência 
Social para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, órgão subordinado ao 
 
38 
 
Ministério da Fazenda, a competência para arrecadar, fiscalizar, lançar e 
normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, 
b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n. 8.212, de 24.7.1991, e das 
contribuições instituídas a título de substituição e, ainda, as contribuições 
devidas a terceiros, que antes eram arrecadadas pela Secretaria da Receita 
Previdenciária. A referida norma extinguiu a Secretaria da Receita 
Previdenciária, que era composta pelos Departamentos de Administração da 
Receita Previdenciária, de Fiscalização da Receita Previdenciária e de 
Informações Estratégicas. O INSS passou a se dedicar às atividades de 
prestação de serviços aos beneficiários da Previdência Social, concentrando 
sua atividade na concessão, manutenção e pagamento de benefícios. Com 
as mudanças na estrutura administrativa promovidas pelo governo do 
Presidente Michel Temer, em 2016 a Previdência Social perdeu o status de 
Ministério e o INSS passou a integrar o Ministério do Desenvolvimento Social 
(Lei n. 13.341, de 29.9.2016, e alterações posteriores). Foi criada ainda uma 
Secretaria de Previdência vinculada ao então denominado Ministério da 
Fazenda com a finalidade de promover uma grande reforma nas regras de 
concessão de benefícios do RGPS e dos RPPS. Atualmente, há uma 
Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, que integra o Ministério da 
Economia. O INSS, autarquia vinculada atualmente ao Ministério da 
Economia, é organizado na seguinte estrutura (Decreto n.º 9.746, de 
08.04.2019): I – órgãos de assistência direta e imediata ao Presidente do 
Instituto Nacional do Seguro Social: a) Gabinete; b) Assessoria de 
Comunicação Social; e c) Coordenação-Geral de Projetos Estratégicos e 
Inovação; II – órgãos seccionais: a) Procuradoria Federal Especializada; b) 
Auditoria-Geral; c) Corregedoria-Geral; d) Diretoria de Gestão de Pessoas e 
Administração; e) Diretoria de Tecnologia da Informação e Inovação; e f) 
Diretoria de Integridade, Governança e Gerenciamento de Riscos; III – órgãos 
específicos singulares: a) Diretoria de Benefícios; e b) Diretoria de 
Atendimento; e IV – unidades descentralizadas: Superintendências 
Regionais. 9.3 9.4 Entendemos que essa reorganização visa retirar o caráter 
“social” da Previdência para dar um perfil “econômico”, voltado mais a atender 
as exigências do “mercado financeiro” e cada vez menos as necessidades da 
população que necessita da proteção previdenciária. (CASTRO; LAZZARI, 
2020) . 
 
6. FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL 
 
O financiamento da seguridade social possui previsão no artigo 195 da CF/88, 
a redação do art. 195 da Constituição brasileira em seu caput estabelece que a 
seguridade social será custeada por toda a sociedade, sendo de modo indireto e 
direto, nos limites da lei, por meio de recursos advindos de orçamentos da União, dos 
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. AGOSTINHO (2020) ressalta que 
“acrescenta-se a essa forma de custeio conforme regulamentado pela Lei n. 8.212/91 
e pelo Decreto n. 3.048/99 as contribuições do empregador, da empresa e da entidade 
a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais 
rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que 
 
39 
 
lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; a receita ou o faturamento; o 
lucro; 
Também as contribuições do trabalhador e os outros segurados da previdência 
social, há a possibilidade de serem adotadas alíquotas progressivas de acordo com o 
valor do salário de contribuição, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e 
pensão concedidas pelo Regime Geral de Previdência Social; 
Outra contribuição é a receita de concursos de prognósticos; 
Por fim a contribuição do importador de bens ou serviços do exterior, ou 
também daquele que a lei equiparar. 
A lei complementar federal poderá instituir outros meios destinados a garantir 
a manutenção ou expansão da seguridade social, além das previstas diretamente na 
Constituição Federal. ” Segue ainda a doutrina: “De acordo com a Constituição, 
nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser criado, majorado ou 
estendido sem a correspondente fonte de custeio total ” (AGOSTINHO, 2020). 
 CASTRO e LAZZARI (2020) ao tratar sobre o financiamento da seguridade 
social explicam: “O orçamento da Seguridade Social tem receita própria, não se 
confundindo com a receita tributária federal. 
O orçamento da seguridade social se destina exclusivamente para as 
prestações da Seguridade nas áreas da Saúde Pública, Previdência Social e 
Assistência Social, obedecida a Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO. 
Para tanto, este deve ser objeto de deliberação conjunta entre os órgãos 
competentes – Conselho Nacional de Previdência Social, Conselho Nacional de 
Assistência Social e Conselho Nacional de Saúde –, e a gestão dos recursos é 
descentralizada por área de atuação. ” Sobre o financiamento da seguridade social 
seguimos para um estudo mais aprofundado produzido pela doutrina: 
 
Além das fontes de custeio previstas
no texto constitucional, este permite a 
criação de outras fontes, mediante lei complementar – consoante o art. 154, 
I, da Carta Magna –, seja para financiar novos benefícios e serviços, seja para 
manter os já existentes, sendo certo que é vedado ao legislador criar ou 
estender benefício ou serviço, ou aumentar seu valor, sem que, ao menos 
simultaneamente, institua fonte de custeio capaz de atender às despesas daí 
decorrentes. Com a Emenda Constitucional n. 20 foram incluídos no art. 195 
os §§ 9º, 10 e 11, e alterado o § 8º. E a Emenda Constitucional n. 103/2019 
alterou, novamente, os §§ 9 e 11 do mesmo artigo. As mudanças autorizam 
o legislador: a estabelecer alíquotas diferenciadas em razão da atividade 
 
40 
 
econômica, da utilização intensiva de mão de obra, do porte da empresa ou 
da condição estrutural do mercado de trabalho, sendo também autorizada a 
adoção de bases de cálculo diferenciadas apenas no caso das alíneas “b” e 
“c” do inciso I do caput; a evitar a “sangria” de recursos da Seguridade Social 
para o Sistema Único de Saúde – SUS e entidades beneficentes, em 
detrimento do pagamento de benefícios previdenciários; a conceder 
moratória e o parcelamento em prazo máximo de 60 meses, e, na forma de 
lei complementar, por outro lado, veda a remissão e a anistia das 
contribuições sociais de que tratam a alínea “a” do inciso I e o inciso II do 
caput. A alteração do § 8º visa adequar a legislação ordinária à norma 
constitucional, já que esta, até então, dizia ser o garimpeiro espécie de 
segurado especial, quando a lei, de há muito, o tratava como segurado 
equiparado a autônomo, hoje contribuinte individual. No que se refere às 
contribuições, a Emenda n. 20 alterou as incidências previstas no caput do 
art. 195 e seus incisos, para permitir a exação sobre todo e qualquer tipo de 
pagamento remuneratório a pessoa física, com vínculo de emprego ou não – 
a redação anterior se referia apenas à incidência sobre a “folha de salários” 
e também sobre a “receita ou o faturamento”, pondo fim às discussões sobre 
a constitucionalidade da cobrança de algumas contribuições – COFINS e PIS. 
De acordo com o art. 11 da Lei n. 8.212/1991, o orçamento da Seguridade 
Social, no âmbito federal, é composto de receitas provenientes: da União; das 
contribuições sociais; e de outras fontes. A Emenda Constitucional n. 42, de 
19.12.2003, denominada Reforma Tributária, promoveu novas alterações na 
redação do art. 195. Foi introduzido o inciso IV para permitir a instituição de 
contribuição social do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem 
a lei a ele equiparar. Pela inclusão dos §§ 12 e 13, ficou autorizado que lei 
ordinária poderá definir os setores da atividade econômica para as quais as 
contribuições incidentes sobre a receita, o faturamento e a importação de 
bens e serviços serão não cumulativas. Essa regra aplica-se inclusive na 
hipótese de substituição gradual, total ou parcial, da contribuição incidente 
sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho por aquela 
incidente sobre a receita ou o faturamento. O orçamento da Seguridade 
Social é autônomo, não se confundindo com o orçamento do Tesouro 
Nacional, conforme previsto no item III do § 5º do art. 165 da Constituição. 
Sendo assim, as contribuições arrecadadas com fundamento no art. 195 da 
Constituição ingressam diretamente nesse orçamento, não constituindo 
receita do Tesouro Nacional. Nesse sentido escreveu Hugo de Brito 
Machado: “As contribuições, com as quais os empregadores, os 
trabalhadores e os administradores de concurso de prognósticos financiam 
diretamente a seguridade social, não podem constituir receita do Tesouro 
Nacional precisamente porque devem ingressar diretamente no orçamento 
da seguridade social. Por isto mesmo, lei que institua contribuição social, com 
fundamento no art. 195, I, da Constituição Federal, indicando como sujeito 
ativo pessoa diversa da que administra a seguridade social, viola a 
Constituição”. A Emenda Constitucional n. 20 introduziu o inciso X no art. 167 
do texto constitucional, vedando a utilização dos recursos provenientes das 
contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de 
despesas distintas do pagamento de benefícios do Regime Geral de 
Previdência Social de que trata o art. 201 da Constituição. Essa medida é 
muito salutar para a Previdência Social, pois impede que o Poder Executivo 
destine recursos das contribuições sociais, incidentes sobre a folha de 
salários e sobre o rendimento do trabalho, para cobrir outras despesas que 
não os benefícios previdenciários. Por tal razão, a chamada Desvinculação 
de Receita da União – DRU (art. 76 do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias, com a redação da Emenda Constitucional n. 93/2016), que 
correspondia à destinação de 30% de toda e qualquer receita arrecadada 
pela União a despesas que fiquem a exclusivo critério do Poder Executivo, 
 
41 
 
não poderia incidir sobre tais contribuições. Em verdade, é nosso 
entendimento que a incidência da DRU sobre as outras contribuições à 
Seguridade Social – como a COFINS e a CSLL e as contribuições por adesão 
ao SIMPLES nacional – também tinha fortes indícios de inconstitucionalidade, 
já que afrontava, a nosso sentir, o comando constitucional originário de 
separação do orçamento da Seguridade Social, cujo sentido só poderia ser o 
de vincular tais receitas exclusivamente a gastos com Saúde, Assistência e 
Previdência, antes mesmo da promulgação da Emenda n. 20/1998. A EC n. 
103/2019, em seu art. 2º, acabou por revogar a desvinculação das receitas 
das contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social prevista 
no art. 76 do ADCT. Medida coerente com o discurso de existência de déficit 
do sistema, conforme apregoado pelo Governo (CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
6.1 Sistema contributivo 
 
 Na relação de custeio da Seguridade Social, aplica-se o princípio de que todos 
que integram a sociedade devem colaborar para a cobertura dos riscos que advém da 
perda ou redução da capacidade de trabalho ou dos meios de subsistência. 
É uma relação jurídica estatutária, e por isso é compulsória àqueles que a lei 
impõe, não cabe aqui ao contribuinte optar por não cumprir a obrigação de prestar a 
sua contribuição social. 
Há duas formas de obter-se o custeio, a primeira é pela receita tributária, 
unicamente, a que se chama de sistema não contributivo; A segunda, constitui a fonte 
principal de custeio são contribuições específicas, que são tributos vinculados para 
este fim, sistema então chamado de contributivo. 
No sistema não contributivo, os valores gastos com o custeio são retirados 
diretamente do orçamento do Estado, esses valores são obtidos pelo Estado por meio 
da arrecadação de tributos, entre outras fontes, sem que haja cobrança de 
contribuições sociais. 
Já o sistema contributivo, por sua vez, pode apresentar-se em duas espécies: 
uma, em que as contribuições individuais servirão somente para o pagamento de 
benefícios aos próprios segurados, sendo colocadas numa reserva ou conta 
individualizada (sistema adotado pelos planos de previdência complementar, privada), 
a que chamamos de sistema de capitalização; noutra, as contribuições são todas 
reunidas num fundo único, que serve para o pagamento das prestações no mesmo 
período, a quem delas necessite – é o sistema de repartição, hoje vigente em termos 
de Seguridade no Brasil. 
 
42 
 
6.2 Contribuições sociais 
 
Sobre as contribuições sociais iniciaremos com sua conceituação doutrinária: 
“espécie de tributo com finalidade constitucionalmente definida, a saber, intervenção 
no domínio econômico, interesse de categorias profissionais ou econômicas e 
seguridade social” (CASTRO; LAZZARI, Apud MACHADO. 2020). 
 
A contribuição para a Seguridade Social é uma espécie de contribuição 
social, cuja receita tem por finalidade o financiamento das ações nas áreas 
da saúde, previdência e assistência social. Constituem
contribuições sociais, 
as quais são exigidas com base nas leis que as instituíram, e que estão 
agrupadas no Regulamento da Previdência Social (parágrafo único do art. 
195 do Decreto n. 3.048, de 6.5.1999): as das empresas, incidentes sobre a 
remuneração paga, devida ou creditada aos segurados e demais pessoas 
físicas a seu serviço, mesmo sem vínculo empregatício; as dos 
empregadores domésticos, incidentes sobre o salário de contribuição dos 
empregados domésticos a seu serviço; as dos trabalhadores, incidentes 
sobre seu salário de contribuição; as das associações desportivas que 
mantêm equipe de futebol profissional, incidentes sobre a receita bruta 
decorrentes dos espetáculos desportivos de que participem em todo o 
território nacional em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos 
internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de 
marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos 
desportivos; as incidentes sobre a receita bruta proveniente da 
comercialização da produção rural; as das empresas, incidentes sobre a 
receita ou o faturamento e o lucro; as incidentes sobre a receita de concursos 
de prognósticos. Além das contribuições referidas, deve-se acrescentar a do 
importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar, 
acrescentada pela Emenda Constitucional n. 42/2003 e regulada pela Lei n. 
10.865/2004 e suas modificações. (CASTRO; LAZZARI, Apud MACHADO, 
2020). 
 
Ainda acerca das contribuições é importante: 
 
A Constituição Federal de 1988 tratou das contribuições sociais no capítulo 
reservado ao Sistema Tributário Nacional, estabelecendo no art. 149 normas 
gerais sobre a instituição, e, no art. 195, normas especiais em relação às 
contribuições para a Seguridade Social. Sobre a competência para instituição 
de contribuições previdenciárias temos a ressaltar que não é privativa da 
União, mas estende-se aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, 
para que instituam sistemas de previdência e assistência social próprios para 
seus servidores, não sendo possível a estes entes criarem regimes 
previdenciários para trabalhadores da iniciativa privada, cuja competência é 
exclusiva da União. Nesse sentido instrui Roque Antonio Carrazza: “Os 
Estados, os Municípios e o Distrito Federal, enquanto organizam o sistema 
de previdência e assistência social de seus servidores, estão autorizados a 
instituir e a cobrar-lhes contribuições previdenciárias. Sob a Constituição de 
1967/69, tal cobrança já se perfazia, mas enxameavam as divergências 
acerca de sua constitucionalidade. Agora inexistem dúvidas de que não só a 
 
43 
 
União como as demais pessoas políticas, para o custeio da previdência e 
assistência social de seus servidores, têm competência para criar suas 
próprias contribuições previdenciárias, obedecendo, mutatis mutandis, às 
diretrizes acima apontadas”. (CASTRO; LAZZARI, Apud CARRAZZA. 2020). 
 
Sobre sua natureza jurídica a doutrina explica: 
 
A identificação da natureza jurídica das contribuições para a Seguridade 
Social possui uma importância significativa, pois ajuda a compreender as 
regras que lhes são aplicáveis. Para Wladimir Novaes Martinez, “a natureza 
jurídica da exação previdenciária é área na qual o Direito Previdenciário mais 
se relaciona com o Direito Tributário. Sede de formidáveis divergências entre 
publicistas e uns poucos previdenciaristas, tem estimulado enormemente os 
estudiosos e propiciando respeitável contribuição doutrinária”. (...). A 
contribuição para a Seguridade Social teria a natureza da parafiscalidade, 
pois busca suprir os encargos do Estado, que não lhe sejam próprios, no 
caso, o pagamento de benefícios previdenciários. As receitas vão para um 
orçamento próprio, distinto do orçamento da União, e o destino dos recursos 
é o atendimento das necessidades econômicas e sociais de determinados 
grupos ou categorias profissionais e econômicas. Embora a exigência da 
contribuição seja compulsória, o regime especial de contabilização financeira 
afasta a natureza fiscal. Pela teoria da exação sui generis a contribuição à 
Seguridade Social nada tem a ver com o Direito Tributário, não possuindo 
natureza fiscal nem parafiscal. Trata-se de uma imposição estatal atípica, 
prevista na Constituição e na legislação ordinária, cuja natureza jurídica é 
especial. Roque Antonio Carrazza também defende a natureza tributária das 
contribuições à Seguridade Social: “(...) as ‘contribuições’ são, sem sombra 
de dúvida, tributos, uma vez que devem necessariamente obedecer ao 
regime jurídico tributário, isto é, aos princípios que informam a tributação, no 
Brasil. Estamos, portanto, que estas ‘contribuições sociais’ são verdadeiros 
tributos (embora qualificados pela finalidade que devem alcançar)”. Em nível 
jurisprudencial, destacamos a orientação firmada pelo Supremo Tribunal 
Federal no sentido de que a contribuição de seguridade social não só se 
qualifica como modalidade autônoma de tributo (RTJ 143/684), como também 
representa espécie tributária essencialmente vinculada ao financiamento da 
Seguridade Social, em função de específica destinação constitucional (ADC 
8-MC, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13.10.1999, DJ de 4.4.2003). 
Filiamo-nos à orientação que predominou na doutrina e na jurisprudência 
após a Constituição de 1988, de que as contribuições destinadas ao 
financiamento da Seguridade Social possuem natureza jurídica tributária, 
pois estão sujeitas ao regime constitucional peculiar aos tributos, ressalvada 
apenas a previsão do § 6º do art. 195 da Carta Magna. (CASTRO; LAZZARI, 
Apud MARTINEZ; CARRAZZA. 2020). 
 
 
 
 
 
 
 
 
44 
 
6.3 Características gerais 
 
Sobre as características gerais a doutrina pontua alguns assuntos relevantes: 
 
As características gerais das contribuições sociais estão previstas no art. 149 
da Constituição Federal, que estabelece para a instituição a observância das 
normas gerais do Direito Tributário e aos princípios da legalidade e da 
anterioridade, ressalvando, quanto a este último, a regra especial pertinente 
às contribuições para a Seguridade Social, cujo prazo de exigibilidade é de 
noventa dias após a publicação da lei que institui, modifica ou majora 
contribuição, de acordo com o previsto no art. 195, § 6º, da Constituição 
Federal. As normas gerais em matéria de legislação tributária, a que estão 
sujeitas as contribuições sociais, estão previstas no Código Tributário 
Nacional – Lei n. 5.172, de 25.10.1966, a qual foi recepcionada pela 
Constituição de 1988 com o status de lei complementar. A regulamentação 
das contribuições para a Seguridade Social prevista no art. 195 da 
Constituição Federal por meio de lei ordinária (Lei n. 8.212/1991) tem sido 
admitida, desde que não haja afronta às normas gerais definidas na 
Constituição e no Código Tributário Nacional. As contribuições destinadas ao 
financiamento da Seguridade Social previstas nos incisos I, II, III e IV, do art. 
195 da Constituição podem ser instituídas por lei ordinária. Nesse sentido, o 
STF ao julgar a Repercussão Geral – Tema 204, ratificou sua orientação 
jurisprudencial de que “a lei complementar para instituição de contribuição 
social é exigida para aqueles tributos não descritos no altiplano constitucional, 
conforme disposto no § 4º do artigo 195 da Constituição da República.” (RE 
598.572, Tribunal Pleno, Rel. Min. Edson Fachin, DJE 9.8.2016). Portanto, 
para a instituição de outras fontes de custeio, destinadas a garantir a 
manutenção ou expansão da Seguridade Social, estabeleceu o constituinte 
de 1988, no § 4º do art. 195, que deve ser obedecido o disposto no art. 154, 
I, que estabelece: “Art. 154. A União poderá instituir: I – mediante lei 
complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam 
não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos 
discriminados nesta Constituição”. Dessa disposição fica evidenciado, no 
tocante às contribuições sociais,
que a remissão trata, exclusivamente, da 
necessidade de lei complementar para a criação de nova contribuição, uma 
vez que as outras condições (não cumulatividade, fato gerador e base de 
cálculo inéditos) são específicas de espécie tributária, o imposto. 18.4 – 
Nesse contexto, o STF se manifestou no sentido de que para a criação de 
nova contribuição social basta a observância do pressuposto formal da lei 
complementar, o que pode ser examinado no julgamento da Ação Direta de 
Inconstitucionalidade n. 1.102-2, sendo Relator o Ministro Maurício Corrêa (in 
DJU, seção I, de 17.11.1995, p. 39.205). E, ao julgar o Recurso Extraordinário 
n. 138.284-8/CE, relator o Ministro Carlos Velloso, a Suprema Corte rejeitou 
o argumento de inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre o lucro 
das pessoas jurídicas, por incidir sobre a mesma base de cálculo do imposto 
de renda. O princípio da anterioridade previsto no art. 150, III, letra b, da 
Constituição veda a cobrança de tributo no mesmo exercício financeiro em 
que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou. O exercício 
financeiro começa no dia 1º de janeiro e se prolonga até o dia 31 de dezembro 
de cada ano. Para as contribuições à Seguridade Social, a Constituição 
estabeleceu a observância de uma norma de anterioridade especial prevista 
no art. 195, § 6º, no sentido de que só poderão ser exigidas após decorridos 
noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou 
modificado. Sendo assim, não se lhes aplica o disposto no art. 150, III, b, da 
 
45 
 
Constituição, podendo ser exigidas no mesmo exercício financeiro, desde que 
respeitada a anterioridade dos noventa dias. A respeito da contagem, o STF 
decidiu que o prazo nonagesimal (CF, art. 195, § 6º) é contado a partir da 
publicação da medida provisória que houver instituído ou modificado a 
contribuição (RE 453.490-AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJ de 
10.11.2006). (CASTRO; LAZZARI, 2020) 
 
Importante tratar também sobre outras fontes de receita da seguridade social: 
 
Constituem outras receitas da Seguridade Social, de acordo com o art. 27 da 
Lei n. 8.212/1991: as multas (moratórias e por descumprimento de obrigações 
acessórias), a atualização monetária e os juros moratórios; a remuneração 
recebida por serviços de arrecadação, fiscalização e cobrança prestados a 
terceiros – art. 274 do Decreto n. 3.048/1999; as receitas provenientes de 
prestação de outros serviços e de fornecimento ou arrendamento de bens; as 
demais receitas patrimoniais, industriais e financeiras; as doações, legados, 
subvenções e outras receitas eventuais; 50% dos valores obtidos e aplicados 
na forma do parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal; 40% do 
resultado dos leilões dos bens apreendidos pela Receita Federal; e outras 
receitas previstas em legislação específica. As companhias seguradoras que 
mantinham o seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos 
automotores de vias terrestres, de que tratava a Lei n. 6.194, de 1974, 
deveriam repassar à Seguridade Social 50% do valor total do prêmio 
recolhido, destinado ao Sistema Único de Saúde – SUS, para custeio da 
assistência médico-hospitalar dos segurados vitimados em acidentes de 
trânsito. No entanto, a MP n. 904/2019 extinguiu a cobrança do DPVAT, 
promovendo a revogação da Lei n. 6.194/1974 e do parágrafo único do art. 
27 da Lei n. 8.212/1991. Tais receitas não se constituem em contribuições 
sociais, pois não se revestem das características de tributos. As multas, 
exigidas por infração à legislação, são penalidades pecuniárias; os juros 
também se caracterizam como espécie de penalidade pelo inadimplemento; 
as demais verbas constantes do dispositivo se revelam como transferências 
de recursos públicos aos cofres da Seguridade Social. (CASTRO; LAZZARI, 
2020) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
46 
 
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
AGOSTINHO, Theodoro. Manual de direito previdenciário – São Paulo : Saraiva 
Educação, 2020. 
 
BRASIL. CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. 
Disponível em: . 
 
BRASIL. LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE 1990. Disponível em: 
 
CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de Direito 
Previdenciário. – 23. ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2020. 
 
OLIVEIRA, Erival da Silva. Constitucional - Prática Jurídica - 12. ed. – São Paulo : 
Saraiva Educação, 2020. 
 
SANTOS, Marisa Ferreira dos. Direito previdenciário esquematizado – Coleção 
esquematizado – 10. ed. – São Paulo : Saraiva Educação, 2020.
geraram reflexos na 
ordem jurídica. A doutrina dividiu a evolução histórica da proteção social em três 
etapas: assistência pública, seguro social e seguridade social. ” Conforme introduzido 
por SANTOS a seguridade social antes de ser consolidada passou por algumas 
etapas iniciando pela assistência pública, a qual veremos a doutrina: 
 
 
6 
 
A primeira etapa da proteção social foi a da assistência pública, fundada na 
caridade, no mais das vezes, conduzida pela Igreja e, mais tarde, por 
instituições públicas. O indivíduo em situação de necessidade — em casos 
de desemprego, doença e invalidez — socorria-se da caridade dos demais 
membros da comunidade. Nessa fase, não havia direito subjetivo do 
necessitado à proteção social, mas mera expectativa de direito, uma vez que 
o auxílio da comunidade ficava condicionado à existência de recursos 
destinados à caridade. A desvinculação entre o auxílio ao necessitado e a 
caridade começou na Inglaterra, em 1601, quando Isabel I editou o Act of 
Relief of the Poor— Lei dos Pobres. A lei reconheceu que cabia ao Estado 
amparar os comprovadamente necessitados. Surgiu, assim, a assistência 
pública ou assistência social. Cabia à Igreja a administração de um fundo, 
formado com a arrecadação de uma taxa obrigatória. “(...) o Poder Público 
tornava cogente o binômio igualdade-solidariedade”. A preocupação com o 
bem-estar de seus membros levou algumas categorias profissionais a 
constituírem caixas de auxílio, com caráter mutualista, que davam direito a 
prestações em caso de doença ou morte. Havia uma semelhança com os 
seguros de vida, feitos principalmente por armadores de navios. A assistência 
pública, no Brasil, foi prevista pela Constituição de 1824, cujo art. 179, § 31, 
garantia os socorros públicos. As desigualdades sociais marcantes, 
denunciadas pela Revolução Francesa, levaram à criação de outros 
mecanismos de proteção social contra os abusos e injustiças decorrentes do 
liberalismo (SANTOS, 2020). 
 
Seguindo a evolução surge o seguro social: 
 
Já não bastava a caridade para o socorro dos necessitados em razão de 
desemprego, doenças, orfandade, mutilações etc. Era necessário criar outros 
mecanismos de proteção, que não se baseassem na generosidade, e que 
não submetessem o indivíduo a comprovações vexatórias de suas 
necessidades. Na lição de Manuel Alonso Olea e José Luis Tortuero Plaza 
(traduzimos): “Dito de outra forma: amadurece historicamente a ideia de que 
se deve ter um direito à proteção, que as prestações previstas são 
‘juridicamente exigíveis’, direito que deriva da contraprestação prévia em 
forma de quotas pagas pelo beneficiário ou por um terceiro por conta 
daquele.” Surgiram as empresas seguradoras, com fins lucrativos e 
administração baseada em critérios econômicos, com saneamento 
financeiro. O seguro do Direito Civil forneceu as bases para a criação de um 
novo instrumento garantidor de proteção em situações de necessidade. A 
primeira forma de seguro surgiu no século XII: o seguro marítimo, 
reivindicação dos comerciantes italianos. Não eram, ainda, as bases técnicas 
e jurídicas do seguro contratual. O desenvolvimento do instituto do seguro fez 
surgir novas formas: seguro de vida, seguros contra invalidez, danos, 
doenças, acidentes etc. O seguro decorria do contrato, e era de natureza 
facultativa, isto é, dependia da manifestação da vontade do interessado. Mas 
a proteção securitária era privilégio de uma minoria que podia pagar o prêmio, 
deixando fora da proteção a grande massa assalariada. Era necessário, 
então, criar um seguro de natureza obrigatória, que protegesse os 
economicamente mais frágeis, aos quais o Estado deveria prestar 
assistência. (...) O final do século XIX marcou o surgimento de um novo tipo 
de seguro, cuja garantia de efetividade dependia da distribuição dos riscos 
por grupos numerosos de segurados. Para isso, era necessário que as 
entidades seguradoras assumissem a cobertura dos riscos, sem, contudo, 
selecionálos. Nasceu o seguro social, na Prússia, em 1883, com a Lei do 
 
7 
 
Seguro Doença, que criou o Seguro de Enfermidade, resultado da proposta 
de Bismarck para o programa social. A Lei do Seguro Doença é tida como o 
primeiro plano de Previdência Social de que se tem notícia. A partir de 
Bismarck e, principalmente, da Segunda Guerra Mundial, ganhou força a 
ideia de que o seguro social deveria ser obrigatório e não mais restrito aos 
trabalhadores da indústria, ao mesmo tempo em que a cobertura foi estendida 
a riscos como doença, acidente, invalidez, velhice, desemprego, orfandade e 
viuvez. (...). Ao se tornar obrigatório, o seguro social passou a conferir direito 
subjetivo ao trabalhador. O seguro social era organizado e administrado pelo 
Estado. O custeio era dos empregadores, dos empregados e do próprio 
Estado. Já não se cuidava da configuração civilista do seguro. O Estado 
liberal precisava de mecanismos que garantissem a redução das 
desigualdades sociais, e não apenas dos conflitos e prejuízos. O Estado 
liberal produzia cada vez mais e em maior quantidade. O seguro social 
atuava, então, como instrumento de redistribuição de renda, que permitia o 
consumo. A solidariedade ganhou contornos jurídicos, tornando-se o 
elemento fundamental do conceito de proteção social, que, cada vez mais, foi 
se afastando dos elementos conceituais do seguro civilista. A par da questão 
econômica caminhava, ainda, a luta pela garantia dos direitos sociais. O 
seguro social, na concepção bismarckiana, estendeu-se pela Europa até 
meados do século XX. Os sistemas de seguro social não resistiram às 
consequências da Primeira Guerra Mundial em razão da cobertura para o 
grande número de órfãos, viúvas e feridos que resultaram do combate, além 
da inflação galopante da época, problemas sentidos principalmente na 
Alemanha e na Áustria. A questão social teve, então, que ser equacionada. 
Em 1919, no Tratado de Versalhes, surgiu o primeiro compromisso de 
implantação de um regime universal de justiça social. Foi, então, fundado o 
Bureau International Du Travail (BIT) — Repartição Internacional do Trabalho 
— que realizou a 1ª Conferência Internacional do Trabalho, à qual se atribui 
o desenvolvimento da previdência social e sua implantação em todas as 
nações do mundo civilizado. Dessa conferência resultou a primeira 
Recomendação para o seguro-desemprego. A 3ª Conferência (1921) 
recomendou a extensão do seguro social aos trabalhadores da agricultura. A 
10ª Conferência (1927) estendeu as demais Convenções e Recomendações 
sobre oseguro-doença aos trabalhadores da indústria, do comércio e da 
agricultura. Outras Conferências foram feitas, sendo que a 17ª (1933) 
estendeu as Recomendações anteriores aos seguros por velhice, invalidez e 
morte. A 18ª Conferência (1934) regulou o seguro contra o desemprego. O 
BIT teve papel importante na expansão da previdência social pelo mundo. O 
seguro social é espécie do gênero seguro, que, embora com características 
próprias, ainda tinha muito do seguro privado. Assim como no seguro privado, 
o seguro social seleciona os riscos que terão cobertura pelo fundo. A álea 
(incerteza da ocorrência do sinistro) e a formação de um fundo comum, 
administrado de forma a garantir econômica e financeiramente o pagamento 
das indenizações, são características do seguro social e do seguro privado. 
Porém, a amplitude e a natureza obrigatória do seguro social o diferenciam 
do seguro privado, de natureza eminentemente facultativa. (SANTOS, Apud 
OLEA E PLAZA, 2020). 
 
Por fim a dutrina de SANTOS atinge a seguridade social: 
 
O seguro social nasceu da necessidade de amparar o trabalhador, protegê-
lo contra os riscos do trabalho. Era, então, necessário um sistema de 
proteção social que alcançasse todas as pessoas e as amparasse em todas 
 
8 
 
situações de necessidade, em qualquer momento de suas vidas. (...). Em 
junho de 1941, o governo inglês, empenhado na reconstrução do país, formou 
uma Comissão Interministerial para o estudo
dos planos de seguro social e 
serviços afins, então existentes, e nomeou para presidi-la Sir William 
Beveridge. A Comissão foi incumbida de, após estudos, fazer uma proposta 
para a melhoria do setor. O resultado dos trabalhos da Comissão — o Plano 
Beveridge — foi apresentado ao Parlamento em 1942. O Plano analisou o 
seguro social e os serviços conexos da Inglaterra pós-Segunda Guerra 
Mundial, análise que abrangeu as necessidades protegidas, os fundos e as 
provisões. Beveridge concluiu que o seguro social já não atendia às 
necessidades sociais, porque era limitado apenas aos trabalhadores 
vinculados por contrato de trabalho, com certa remuneração quando em 
serviços não manuais. Ficavam sem cobertura os trabalhadores “por conta 
própria”, isto é, sem vínculo de emprego, que constituíam a parcela da massa 
pobre da população, justamente a que mais precisava da proteção do Estado. 
Entendeu Beveridge, ainda, que o seguro social não levava em conta as 
responsabilidades com a família para os trabalhadores não manuais, e 
concedia benefícios diferentes em situações em que eram os mesmos os 
gastos necessários das pessoas doentes e das desempregadas. Quanto às 
contribuições, Beveridge entendeu que as distinções também não tinham 
lógica dentro do sistema. Beveridge percebeu que a principal conclusão de 
seu trabalho foi a de “que a abolição da miséria requer uma dupla 
redistribuição das rendas, pelo seguro social e pelas necessidades da 
família”. São suas palavras: “O seguro social, completamente desenvolvido, 
pode proporcionar a segurança dos rendimentos; é um combate à Miséria. 
Mas a Miséria é apenas um dos cinco gigantes, que se nos deparam na rota 
da reconstrução, e, sob vários aspectos, o mais fácil de combater. Os outros 
são a Doença, a Ignorância, a Imundície e a Preguiça.” Beveridge destacou 
o papel do Estado, por meio de políticas públicas que garantissem a proteção 
social em situações de necessidade. Influenciou muito a legislação social que 
se seguiu na Europa e na América, influência que atualmente ainda se faz 
presente nos sistemas de seguridade social. Em 1944, foi realizada a 
Conferência da OIT, em Filadélfia, resultando a Declaração de Filadélfia, que 
adotou orientação para unificação dos sistemas de seguro social, 
estendendo-se a proteção a todos os trabalhadores e suas famílias, 
abrangendo rurais e autônomos. A Declaração de Filadélfia deu um passo 
importante na internacionalização da seguridade social, porque ficou 
expresso que o êxito do sistema dependeria da cooperação internacional. A 
Declaração Universal dos Direitos do Homem (1948) prevê o direito à 
segurança, consagrando o reconhecimento da necessidade de existência de 
um sistema de seguridade social. Posteriormente, a 35ª Conferência 
Internacional do Trabalho, da OIT, em1952, aprovou a Convenção n. 102, à 
qual denominou “Norma Mínima em Matéria de Seguridade Social”. Como já 
tivemos oportunidade de escrever: “A Convenção n. 102 é o resultado de 
estudos de especialistas da OIT, que, de início, tiveram a incumbência de 
elaborar um convênio que tivesse duas secções: uma que estabelecesse uma 
norma mínima, um standard de seguridade social; e outra, uma norma 
superior, que desse proteção a todas as necessidades. O objetivo do 
estabelecimento desses dois tipos de normas era viabilizar a participação de 
um grande número de Estados, que ficariam comprometidos em implantar os 
padrões mínimos de seguridade social, sem, contudo, descuidarem-se de 
seguir o exemplo de países mais avançados no implemento de modernas 
técnicas de proteção social. Entretanto, a norma superior foi separada e sua 
aprovação ficou sem definição de prazo, restando aprovada a norma mínima 
pela Convenção n. 102.” Mas nem todas as Nações tinham condições 
econômicas de implantar a proteção mínima estabelecida pela Convenção n. 
102. Entretanto, o padrão mínimo ficou garantido ao menos a uma parcela da 
 
9 
 
população dos países signatários. O dinamismo social trouxe a tecnologia e 
a globalização, e os mínimos sociais acompanharam as modificações. Outros 
tratados internacionais foram celebrados, de modo que a passagem do 
seguro social para a seguridade social decorreu da intenção de libertar o 
indivíduo de todas as suas necessidades para fins de desfrutar de uma 
existência digna (SANTOS, 2020). 
 
2.1 O Estado e a proteção social ao trabalhador 
 
A doutrina de CASTRO e LAZZARI (2020), ressalta a importância da proteção 
social ao trabalhador “Em síntese que identifica como todos nós estamos ligados às 
políticas de proteção social, Fernando Mendes observa: “Quando nasce um ser 
humano, a segurança social logo vem compensar os encargos adicionais dos 
progenitores. Liberta pai e mãe da vida profissional para prestarem os primeiros 
cuidados ao recém-nascido, subsidiando-lhes licenças de maternidade e paternidade. 
Segue apoiando as famílias no esforço educativo posto em cada filho. Ajuda os 
adultos a enfrentar consequências da doença e do desemprego, fazendo as vezes do 
rendimento perdido, contribuindo para pagar cuidados de saúde ou subsidiando ações 
de valorização profissional. Na aposentação por velhice ou na invalidez, substitui-se 
definitivamente aos rendimentos do trabalho. E, na morte, sobrevive-nos, para apoiar 
os que ainda estejam a nosso cargo.” Aos Estados contemporâneos em regra 
possuem entre suas funções o dever de garantir a proteção social aos indivíduos que 
em relação a eventos que lhes possam causar a dificuldade ou até mesmo a 
impossibilidade de subsistência por conta própria através do exercício de atividade 
laborativa. Essa proteção tem formação introdutória no Estado Moderno, sendo 
consolidada nas políticas de Seguridade Social, dentre as quais se destaca, para os 
fins deste estudo, a Previdência Social. “ 
 
(...) Nos primórdios da relação de emprego moderna, o trabalho retribuído por 
salário, sem regulamentação alguma, era motivo de submissão de 
trabalhadores a condições análogas às dos escravos, não existindo, até 
então, nada que se pudesse comparar à proteção do indivíduo, seja em 
caráter de relação empregado empregador, seja na questão relativa aos 
riscos da atividade laborativa, no tocante à eventual perda ou redução da 
capacidade de trabalho. Vale dizer, os direitos dos trabalhadores eram 
aqueles assegurados pelos seus contratos, sem que houvesse qualquer 
intervenção estatal no sentido de estabelecer garantias mínimas. 
Começaram, então, a eclodir manifestações dos trabalhadores por melhores 
condições de trabalho e de subsistência, com greves e revoltas – 
 
10 
 
violentamente reprimidas pelo próprio Poder constituído. Surgiram daí as 
primeiras preocupações com a proteção previdenciária do trabalhador, ante 
a inquietação dos detentores do poder nos Estados com a insatisfação 
popular, o que acarretou a intervenção estatal no que diz respeito às relações 
de trabalho e segurança do indivíduo quanto a infortúnios. Como disse 
Bismarck, governante alemão daquela época, justificando a adoção das 
primeiras normas previdenciárias: “Por mais caro que pareça o seguro social, 
resulta menos gravoso que os riscos de uma revolução”. Nesse contexto, as 
revoltas operárias permaneceram por todo o século XIX, ocorrendo, de modo 
simultâneo e paulatino, um movimento de cada vez maior tolerância às 
causas operárias (cessação da proibição de coalizões entre trabalhadores, 
primeiras leis de proteção ao trabalhador), o que culminaria numa concepção 
diversa de Estado, a que se denominaria Estado Social, Estado de Bem 
Estar, ou ainda, Estado Contemporâneo. (CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
3. PRINCÍPIOS DA SEGURIDADE SOCIAL 
 
A seguridade social também é regida por princípios constitucionais 
estabelecidos na redação dos incisos do art. 194 da CF/88 já evidenciada logo no item 
1 da apostila, vejamos os comentários doutrinários acerca de cada um dos incisos: 
 
I – Universalidade da cobertura e do atendimento: 
 
Por universalidade da cobertura
entende-se que a proteção social deve 
alcançar todos os eventos cuja reparação seja premente, a fim de manter a 
subsistência de quem dela necessite. A universalidade do atendimento 
significa, por seu turno, a entrega das ações, prestações e serviços de 
seguridade social a todos os que necessitem, tanto em termos de previdência 
social – obedecido o princípio contributivo – como no caso da saúde e da 
assistência social. Conjuga-se a este princípio aquele que estabelece a 
 
filiação compulsória e automática de todo e qualquer indivíduo trabalhador no 
território nacional a um regime de previdência social, mesmo que “contra a 
sua vontade”, e independentemente de ter ou não vertido contribuições; a 
falta de recolhimento das contribuições não caracteriza ausência de filiação, 
mas inadimplência tributária, é dizer, diante do ideal de universalidade não 
merece prevalecer a interpretação de que, “ausente a contribuição, não há 
vinculação com a Previdência”. Como será visto adiante, a filiação decorre do 
exercício de atividade remunerada, e não do pagamento da contribuição 
(CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
II – Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações 
urbanas e rurais: 
 
O mesmo princípio já contemplado no art. 7º da Carta trata de conferir 
 
11 
 
tratamento uniforme a trabalhadores urbanos e rurais, havendo assim 
idênticos benefícios e serviços (uniformidade), para os mesmos eventos 
cobertos pelo sistema (equivalência). Tal princípio não significa, contudo, que 
haverá idêntico valor para os benefícios, já que equivalência não significa 
igualdade. Os critérios para concessão das prestações de seguridade social 
serão os mesmos; porém, tratando-se de previdência social, o valor de um 
benefício pode ser diferenciado – caso do salário-maternidade da 
trabalhadora rural enquadrada como segurada especial. (CASTRO; 
LAZZARI, 2020). 
 
III – Seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços: 
 
O princípio da seletividade pressupõe que os benefícios são concedidos a 
quem deles efetivamente necessite, razão pela qual a Seguridade Social 
deve apontar os requisitos para a concessão de benefícios e serviços. Vale 
dizer, para um trabalhador que não possua dependentes, o benefício salário-
família não será concedido; para aquele que se encontre incapaz 
temporariamente para o trabalho, por motivo de doença, não será concedida 
a aposentadoria por invalidez, mas o auxílio-doença. Não há um único 
benefício ou serviço, mas vários, que serão concedidos e mantidos de forma 
seletiva, conforme a necessidade da pessoa. Por distributividade, entende-se 
o caráter do regime por repartição, típico do sistema brasileiro, embora o 
princípio seja de seguridade, e não de previdência. O princípio da 
distributividade, inserido na ordem social, é de ser interpretado em seu 
sentido de distribuição de renda e bemestar social, ou seja, pela concessão 
de benefícios e serviços visa-se ao bem-estar e à justiça social (art. 193 da 
Carta Magna). Ao se conceder, por exemplo, o benefício assistencial da 
renda mensal vitalícia ao idoso ou ao deficiente sem meios de subsistência, 
distribui-se renda; ao se prestar os serviços básicos de saúde pública, 
distribui-se bem-estar social, etc. O segurado, ao contribuir, não tem certeza 
se perceberá em retorno a totalidade do que contribuiu, porque os recursos 
vão todos para o caixa único do sistema, ao contrário dos sistemas de 
capitalização, em que cada contribuinte teria uma conta individualizada (como 
ocorre com o FGTS). (CASTRO; LAZZARI, 2020) 
IV – Irredutibilidade do valor dos benefícios: 
 
Princípio equivalente ao da intangibilidade do salário dos empregados e dos 
vencimentos dos servidores, significa que o benefício legalmente concedido 
– pela Previdência Social ou pela Assistência Social – não pode ter seu valor 
nominal reduzido, não podendo ser objeto de desconto – salvo os 
determinados por lei ou ordem judicial –, nem de arresto, sequestro ou 
penhora. Dentro da mesma ideia, o art. 201, § 2º, estabelece o reajustamento 
periódico dos benefícios, para preservar-lhes, em caráter permanente, seu 
valor real. (CASTRO; LAZZARI. 2020. P. 166) 
 
V – Equidade na forma de participação no custeio: 
 
Trata-se de norma principiológica em sua essência, visto que a participação 
equitativa de trabalhadores, empregadores e Poder Público no custeio da 
seguridade social é meta, objetivo, e não regra concreta. Com a adoção deste 
 
12 
 
princípio, busca-se garantir que aos hipossuficientes seja garantida a 
proteção social, exigindo-se dos mesmos, quando possível, contribuição 
equivalente a seu poder aquisitivo, enquanto a contribuição empresarial tende 
a ter maior importância em termos de valores e percentuais na receita da 
seguridade social, por ter a classe empregadora maior capacidade 
contributiva, adotando-se, em termos, o princípio da progressividade, 
existente no Direito Tributário, no tocante ao Imposto sobre Renda e 
Proventos de Qualquer Natureza (art. 153, § 2º, da CF). Em razão disso, a 
empresa passou a contribuir sobre o seu faturamento mensal e o lucro 
líquido, além de verter contribuição incidente sobre a folha de pagamentos 
(CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
VI – Diversidade da base de financiamento: 
 
Estando a Seguridade Social brasileira no chamado ponto de hibridismo entre 
sistema contributivo e não contributivo, o constituinte quis estabelecer a 
possibilidade de que a receita da Seguridade Social possa ser arrecadada de 
várias fontes pagadoras, não ficando adstrita a trabalhadores, empregadores 
e Poder Público. Assim, com base nesse princípio, existe a contribuição social 
incidente sobre a receita de concursos de prognósticos, e a própria CPMF – 
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, enquanto foi 
cobrada. Com a adoção desse princípio, está prejudicada a possibilidade de 
estabelecer-se o sistema não contributivo, decorrente da cobrança de tributos 
não vinculados, visto que o financiamento deve ser feito por meio de diversas 
fontes e não de fonte única. Com o advento da EC 103/2019, foi dada nova 
redação a essa diretriz, qual seja: “VI – diversidade da base de financiamento, 
identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as 
receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e 
assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social”. 
Essa alteração visa a dar maior transparência ao orçamento da Seguridade 
Social para distinguir as receitas e despesas de cada área: saúde, 
previdência e assistência social (CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
VII – Caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão 
quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos 
aposentados e do Governo nos órgãos colegiados: 
 
A gestão dos recursos, programas, planos, serviços e ações nas três 
vertentes da Seguridade Social, em todas as esferas de poder, deve ser 
realizada mediante discussão com a sociedade. Para isso, foram criados 
órgãos colegiados de deliberação: o Conselho Nacional de Previdência Social 
– CNPS, criado pelo art. 3º da Lei n. 8.213/1991, que discute a gestão da 
Previdência Social; o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, 
criado pelo art. 17 da Lei n. 8.742/1993, que delibera sobre a política e ações 
nesta área; e o Conselho Nacional de Saúde – CNS, criado pela Lei n. 
8.080/1990, que discute a política de saúde. Todos estes conselhos têm 
composição paritária e são integrados por representantes do Governo, dos 
trabalhadores, dos empregadores e dos aposentados. (CASTRO; LAZZARI, 
2020). 
 
 
13 
 
A doutrina de AGOSTINHO aborda os princípios gerais da seguridade social: 
 
1) Princípio da solidariedade. Dividido em três vertentes: a) solidariedade na 
instituição da seguridade social: cujo objetivo é resguardar a população 
contra necessidades advindas de contingências sociais. A própria instituição 
da seguridade social já deriva de
um ato de solidariedade, diante do 
reconhecimento de que a ação individual não é suficiente para debelar as 
necessidades decorrentes das contingências sociais, razão da ação comum 
(solidária) de todos os membros da sociedade no intuito de efetivar a proteção 
social em face dessas necessidades. b) solidariedade na distribuição do ônus 
contributivo: é a equidade na forma de participação do custeio (quem detém 
maior capacidade, contribui com mais). c) solidariedade na prestação do 
amparo: as ações da seguridade social devem priorizar as pessoas mais 
necessitadas. 2) Princípio da obrigatoriedade: a participação dos membros 
da sociedade nas ações da seguridade social deve ser obrigatória. 3) 
Princípio da suficiência: os benefícios e serviços oferecidos pela seguridade 
social devem ser capazes de afastar a necessidade advinda de uma 
contingência social. 4) Princípio da subsidiariedade: a seguridade social 
intervém de forma subsidiária, ou seja, somente se o indivíduo não tem como 
prover à própria subsistência ou de tê-la provida por sua família. Essa 
proteção social deve ser ministrada até o ponto suficiente para afastar a 
necessidade (AGOSTINHO, 2020). 
 
4. ESTRUTURA DA SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 
 
Sobre a estruturação da seguridade social, AGOSTINHO (2020) explica que “a 
Seguridade Social teve seu sistema introduzido no ordenamento jurídico brasileiro 
pela Constituição Federal de 1988, sendo esse sistema composto pela Saúde; 
Previdência Social; e a Assistência Social. Conforme previsto na redação 
constitucional do art. 194, a seguridade social cotempla um conjunto integrado de 
ações sobre a iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, com o objetivo de 
assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. 
SANTOS, (2020) com relação a seguridade social aduz que “o art. 6º da CF 
que elenca os direitos sociais, disciplinados pela Ordem Social, tem por objetivo 
promover a redução das desigualdades sociais. Em meio aos direitos sociais está a 
seguridade social que por sua vez encontra-se positivada e nosso ordenamento 
jurídico no art. 194 da CF/88, e é composta pelo direito à saúde, pela assistência social 
e pela previdência social. A solidariedade é o fundamento da seguridade social.” 
 
 
 
14 
 
(...). Todos, ricos ou pobres, segurados da previdência ou não, têm o mesmo 
direito à saúde (art. 196). Portanto, todos os que vivem no território nacional, 
de alguma forma, estão ao abrigo do “grande guarda-chuva da seguridade 
social”, pois a seguridade social é direito social, cujo atributo principal é a 
universalidade, impondo que todos tenham direito a alguma forma de 
proteção, independentemente de sua condição socioeconômica. A 
seguridade social garante os mínimos necessários à sobrevivência. É 
instrumento de bem-estar e de justiça social, e redutor das desigualdades 
sociais, que se manifestam quando, por alguma razão, faltam ingressos 
financeiros no orçamento do indivíduo e de sua família. O direito subjetivo às 
prestações de seguridade social depende do preenchimento de requisitos 
específicos. Para ter direito subjetivo à proteção da previdência social, é 
necessário ser segurado, isto é, contribuir para o custeio do sistema porque, 
nessa parte, a seguridade social é semelhante ao antigo seguro social. O 
direito subjetivo à saúde é de todos, e independe de contribuição para o 
custeio. O direito subjetivo às prestações de assistência social, dado a quem 
dela necessitar, na forma da lei, também independe de contribuição para o 
custeio. Prestações de seguridade social é o gênero do qual benefícios e 
serviços são espécies. Os benefícios são as prestações pagas em dinheiro 
(SANTOS, 2020). 
 
 
 
Ainda sobre a Constituição de 1988 e seguridade social, CASTRO E LAZZARI 
(2020) comentam que “a Constituição Federal de 1988 determina ao Estado atuar nas 
áreas da saúde, assistência social e previdência social.” Com base nessa atribuição, 
as contribuições sociais passaram a custear as ações do Estado nas três áreas, não 
cabendo mais somente o custeio no campo da Previdência Social. 
Anteriormente já havia dispositivo legal que determinava a transferência de 
recursos da Previdência Social para o então Sistema Único Descentralizado de Saúde 
– SUDS, hoje Sistema Único de Saúde – SUS. 
O Regime Geral de Previdência Social – RGPS, que se encontra na redação 
do artigo 201 na atual Constituição, não abriga a totalidade da população 
economicamente ativa, mas somente aqueles que, mediante contribuição e nos 
termos da lei, fizerem jus aos benefícios, não sendo abrangidos por outros regimes 
específicos de seguro social. Do Regime Geral de Previdência excluem-se: os 
servidores públicos civis, regidos por sistema próprio de previdência; os militares; os 
membros do Poder Judiciário e do Ministério Público; e os membros do Tribunal de 
Contas da União, todos esses possuem regime previdenciário próprio; e aos que não 
contribuem para nenhum regime, por não exercerem qualquer atividade é garantido o 
benefício substitutivo do salário ou rendimento do trabalho e ele não será inferior ao 
 
15 
 
valor do salário mínimo conforme redação do art. 201, § 2º.” 
 
Os benefícios deverão, ainda, ser periodicamente reajustados, a fim de que 
seja preservado seu valor real, em caráter permanente, conforme critérios 
definidos na lei. Pelas ações na área de saúde, destinadas a oferecer uma 
política social com a finalidade de reduzir riscos de doenças e outros agravos, 
é responsável o SUS (art. 198 da Constituição), de caráter descentralizado. 
O direito à saúde, que deve ser entendido como direito à assistência e 
tratamento gratuitos no campo da Medicina, é assegurado a toda a 
população, independentemente de contribuição social, para que se preste o 
devido atendimento, tendo atribuições no âmbito da repressão e prevenção 
de doenças, produção de medicamentos e outros insumos básicos, bem 
como ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde, participar 
da política e execução das ações de saneamento básico, incrementar o 
desenvolvimento científico e tecnológico, exercer a vigilância sanitária e as 
políticas de saúde pública, além de auxiliar na proteção do meio ambiente 
(art. 200 da CF). Em termos de regramentos legais, ressalte-se a edição da 
Lei n. 8.689/1993, que extinguiu o INAMPS – autarquia federal, absorvida sua 
competência funcional pelo SUS (sem personalidade jurídica própria), este 
gerido pelo Conselho Nacional de Saúde, na órbita federal, e pelos 
colegiados criados junto às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, nas 
instâncias correspondentes. Cumpre ressaltar, ainda, que a Constituição 
prevê a prestação de serviços de saúde pela iniciativa privada, sem restrições 
(art. 199), podendo participar do SUS, de forma complementar, mediante 
contrato de direito público ou convênio (§ 1º), vedada a destinação de 
recursos públicos para auxílio ou subvenção de instituições privadas com fins 
lucrativos (§ 2º). No âmbito da Assistência Social, são assegurados, 
independentemente de contribuição à Seguridade Social, a proteção à 
família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; o amparo às 
crianças e aos adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado 
de trabalho; a habilitação e reabilitação profissional das pessoas portadoras 
de deficiência; e a renda mensal vitalícia – de um salário mínimo – à pessoa 
portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de 
subsistência, por si ou por sua família (art. 203). É prestada por entidades e 
organizações sem fins lucrativos, no atendimento e assessoramento aos 
beneficiários da Seguridade Social, bem como pelos que atuam na defesa e 
garantia de seus direitos, segundo as normas fixadas pelo Conselho Nacional 
de Assistência Social – CNAS. No âmbito federal, foram extintas a LBA e a 
CBIA (antiga FUNABEM), em 1995 (Medida Provisória n. 813, de 1.1.1995, 
convertida na
Lei n. 9.649/1998), ficando responsável pela política de 
Assistência Social o CNAS. A execução das ações na área da Assistência 
Social fica a encargo dos poderes públicos estaduais e municipais, entidades 
beneficentes e de assistência social (CF, art. 204, I). A habilitação e a 
reabilitação profissionais decorrentes da atividade laborativa são encargos da 
Previdência, ficando a cargo das entidades de assistência social a habilitação 
e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência congênita, ou não 
decorrente do trabalho (ex.: APAE, ABBR). Neste ponto, é de se frisar que a 
Assembleia Nacional Constituinte, ao dispor sobre a matéria em 1988, 
assegurou direitos até então não previstos, como por exemplo, a equiparação 
dos Direitos Sociais dos trabalhadores rurais com os dos trabalhadores 
urbanos, nivelando-os pelos últimos; a ampliação do período de licença-
maternidade para 120 dias, com consequente acréscimo de despesas no 
pagamento dos salários-maternidade, e a adoção do regime jurídico único 
para os servidores públicos da Administração Direta, autarquias e fundações 
públicas das esferas federal, estadual e municipal, unificando também, por 
 
16 
 
conseguinte, todos os servidores em termos de direito à aposentadoria, com 
proventos integrais, diferenciada do restante dos trabalhadores (vinculados 
ao Regime Geral), que tinham sua aposentadoria calculada pela média dos 
últimos 36 meses de remuneração. (CASTRO; LAZZARI, 2020). 
 
Conforme evidenciado, há requisitos a serem preenchidos para que seja 
amparado por algum dos institutos da seguridade social. Seguimos com a observância 
de cada instituto em específico. 
 
4.1 Saúde 
 
A saúde antes da CF/88 era associada ao Instituto de Assistência Médica da 
Previdência Social – INAMPS. AGOSTINHO explica brevemente que os serviços 
prestados eram disponibilizados apenas a quem contribuísse: “Os serviços prestados 
pelo INAMPS somente eram assegurados a quem contribuísse ativamente, ou seja, 
não era um direito universal, acessível a todo cidadão brasileiro.” (AGOSTINHO, 
2020). 
Com o advento da Constituição Federal de 1988 ficou atribuído ao Estado a 
obrigação de dispor a saúde, garantindo o direito a saúde como um direito universal e 
por isso independendo de contribuição efetiva. AGOSTINHO comenta “ser um direito 
social materializado por todos os entes da federação através de políticas sociais e 
econômicas que objetivam reduzir o risco de doença, assegurando o acesso universal 
e igualitário a todo cidadão brasileiro, conforme prevê a redação do art. 196 da CF: “A 
saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e 
econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso 
universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e 
recuperação. ” Após a promulgação da Constituição Federal de 1988 foi instituído o 
SUS - Sistema Único de Saúde: 
 
A Constituição Federal de 1988 também instituiu o Sistema Único de Saúde 
– SUS, órgão financiado com recursos do orçamento da Seguridade Social, 
da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. De acordo com 
o art. 198 da CF, o Sistema Único de Saúde possui as seguintes diretrizes: I 
– descentralização, com direção única em cada esfera de governo; II – 
atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem 
prejuízo dos serviços assistenciais; III – participação da comunidade. 
Ademais, as instituições privadas, preferencialmente as entidades 
 
17 
 
filantrópicas e as sem fins lucrativos, poderão participar de forma 
complementar do Sistema Único de Saúde, através de contrato de direito 
público ou de convênios (art. 199 da CF). (AGOSTINHO, 2020). 
 
Façamos também a leitura do art. 199 da CF/88: 
 
Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. 
§ 1º - As instituições privadas poderão participar de forma complementar do 
sistema único de saúde, segundo diretrizes deste, mediante contrato de 
 
direito público ou convênio, tendo preferência as entidades filantrópicas e as 
sem fins lucrativos. 
§ 2º É vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções 
às instituições privadas com fins lucrativos. 
§ 3º É vedada a participação direta ou indireta de empresas ou capitais 
estrangeiros na assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em 
lei. 
§ 4º A lei disporá sobre as condições e os requisitos que facilitem a remoção 
de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa 
e tratamento, bem como a coleta, processamento e transfusão de sangue e 
seus derivados, sendo vedado todo tipo de comercialização. (BRASIL, 1988) 
 
Acerca das entidades de iniciativa privada na área da saúde: 
 
Para as entidades da iniciativa privada é possível a atuação livre na área da 
saúde; no entanto, a Constituição Federal proíbe a destinação de recursos 
públicos para auxílios e subvenções às instituições privadas com fins 
lucrativos, permitindo apenas a participação de empresas ou capitais 
estrangeiros na assistência à saúde no Brasil nos casos previstos em lei 
(AGOSTINHO, 2020). 
 
Em relação à saúde, essa não exige contribuição prévia; suas prestações 
estendem-se a toda a população e não estão condicionadas ao cumprimento de 
obrigações precedentes. 
Seguimos com a conceituação dada pela doutrina de SANTOS referindo-se ao 
art. 196 da CF: 
 
O dispositivo atende ao princípio da universalidade, seja da cobertura, seja 
do atendimento. Da cobertura, porque se dirige a todas as etapas: promoção, 
proteção e recuperação. Do atendimento, porque garante a todos o direito e 
o acesso igualitário às ações e serviços de saúde. Trata-se de direito 
subjetivo de todos quantos vivem no território nacional, que tem o Estado 
(Poder Público) como sujeito passivo, eis que contempla todos os que tiverem 
a sua saúde afetada, independentemente de filiação e de contribuição para o 
financiamento da seguridade social. Mas não é só do Estado o dever de 
garantir o direito à saúde, uma vez que essa responsabilidade também é das 
 
18 
 
pessoas, da família, das empresas e da sociedade (Lei n. 8.080/90, art. 2º). 
O direito à saúde é amplo, a CF não fez distinções, daí se poder afirmar que 
abrange a saúde física e mental, tanto que o art. 3º, parágrafo único, da Lei 
n. 8.080/90 dispõe que dizem respeito também à saúde as ações que se 
destinam a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem estar 
físico, mental e social. Tão importante é o direito à saúde que o art. 3º da Lei 
n. 8.080/90, na redação dada pela Lei n. 12.864/2013, dispõe que: “Os níveis 
de saúde expressam a organização social e econômica do País”, indicando 
claramente que a ausência do Estado na efetivação desse direito apenas 
comprova o atraso no desenvolvimento econômico e social. A Lei n. 8.080, 
de 19.09.1990, dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e 
recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços 
correspondentes e dá outras providências. Regula, em todo o território 
nacional, as ações e serviços de saúde, executados isolada ou 
conjuntamente, em caráter permanente ou eventual, por pessoas naturais ou 
jurídicas de direito público ou privado (art. 1º). Atendendo uma vez mais ao 
princípio da universalidade, a Lei n. 9.836, de 23.09.1999, instituiu o 
Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. O art. 197 da CF deurelevância 
pública às ações e aos serviços de saúde. Cabe ao Estado, por meio de 
políticas econômicas e sociais, efetivar o direito à saúde de todos quantos se 
encontram no território nacional. O agir do Estado deve ser dirigido a reduzir 
o risco “doença” e outros agravos e garantir acesso universal e igualitário às 
ações e serviços de saúde, sempre com vista à sua promoção, proteção e 
recuperação (art. 196). A atuação estatal deve se voltar para todas as etapas 
da cobertura. Na etapa da promoção do direito à saúde, estão as ações de 
prevenção do risco doença
e outros agravos, de que são exemplos as 
campanhas para prevenção da contaminação pelo vírus HIV, de prevenção 
de doenças endêmicas, de vacinação etc. Na etapa da proteção, 
propriamente dita, estão o atendimento e o tratamento necessários. E na 
etapa da recuperação deve ser facilitado o acesso a próteses, órteses e 
demais equipamentos necessários ao retorno para a vida em comunidade. 
As políticas econômicas e sociais de proteção à saúde não se situam apenas 
no campo da medicina. O art. 3º da Lei n. 8.080/90 dispõe que são fatores 
condicionantes e determinantes da saúde a alimentação, a moradia, o 
saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, a 
atividade física, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços 
essenciais, entre outros. A Lei n. 12.864, de 24.09.2013, alterou o art. 3º, 
passando a dispor que “Os níveis de saúde expressam a organização social 
e econômica do País”, e acrescentou a atividade física como fator 
determinante e condicionante da saúde. O serviço de assistência à saúde é 
serviço público, quer seja prestado diretamente pelo Estado ou pela iniciativa 
privada. A falta ou deficiência do serviço, caso acarrete dano para o usuário, 
poderá dar origem à responsabilidade objetiva do Estado e, 
consequentemente, ao dever de indenizar. A relação jurídica entre o titular do 
direito e o Estado garante apenas prestação de serviços, uma vez que não 
há até o momento previsão legal de pagamento de benefícios. (SANTOS, 
2020). 
 
4.1.1 A execução dos serviços de saúde. O SUS. 
 
Acerca da execução dos serviços de saúde SANTOS aborda: 
 
O art. 198 da CF dispõe que as ações e serviços de saúde integram uma rede 
 
19 
 
regionalizada e hierarquizada e constituem um sistema único. O art. 4º da Lei 
n. 8.080/90 define o SUS como o conjunto de ações e serviços de saúde, 
prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, 
da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder 
 
Público. O § 1º inclui no SUS as instituições públicas federais, estaduais e 
municipais de controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos, 
medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos 
para saúde. A proteção à saúde é dada por meio da prestação de serviços 
públicos. Tais serviços podem ser executados diretamente pelo Poder 
Público, por intermédio de terceiros e por pessoas físicas ou jurídicas de 
direito privado. O art. 199 da CF autoriza que a iniciativa privada atue no setor 
de saúde. Entretanto, o legislador constituinte enfatizou que a atuação da 
iniciativa privada só pode ocorrer de forma complementar, impondo que o 
Poder Público continue a prestar diretamente o serviço. A disposição é 
repetida pelo § 2º do art. 4º da Lei n. 8.080/90. Os princípios e diretrizes 
constitucionais, explicitados na Lei n. 8.080/90,se aplicam não somente às 
instituições públicas que prestem serviços de saúde, mas também aos 
serviços privados contratados ou conveniados que integrem o SUS. O 
financiamento do SUS é feito com recursos do orçamento da seguridade 
social, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, além de 
outras fontes (art. 198, § 1º, da CF). (SANTOS, 2020. P. 120) 
 
Conforme tratado, a atuação na saúde feita através de iniciativa privada 
ocorrerá de forma complementa, não excluindo a atuação do poder público. A doutrina 
nos explica de forma mais detalhada: 
 
Sempre que a atuação do Poder Público se mostrar insuficiente para garantir 
cobertura assistencial à população de uma determinada área, os serviços 
privados de saúde podem participar do SUS, em caráter complementar. Essa 
participação será viabilizada por contrato ou convênio, que devem ser 
precedidos de licitação, na forma do art. 24 e parágrafo único da Lei n. 
8.080/90. A exigência do procedimento licitatório para a participação da 
iniciativa privada tem sido confirmada pelo STF, que afirmou, inclusive, ter o 
Ministério Público Federal legitimidade ativa para ajuizar ação civil pública 
nessa hipótese. A s entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos deverão 
ter preferência no processo licitatório para a participação complementar de 
particulares (art. 25). Tratando-se de contrato administrativo, deve ser 
preservado o equilíbrio econômico e financeiro, garantindo a efetiva 
qualidade da execução dos serviços. Para tanto, cabe ao Conselho Nacional 
de Saúde (CNS) aprovar os critérios e valores para a remuneração dos 
serviços e os parâmetros de cobertura assistencial fixados pela direção 
nacional do SUS (art. 26), fundamentandose em demonstrativo econômico-
financeiro. O objetivo de dar confiabilidade ao sistema faz com que o art. 26, 
§ 4º, da Lei n. 8.080/90 proíba os proprietários, administradores e dirigentes 
de entidades privadas que celebrarem contrato ou convênio de exercerem 
cargos de chefia ou função de confiança dentro do SUS. Trata-se de serviço 
público e a participação da iniciativa privada tem natureza de serviço público 
por delegação, razão pela qual as empresas e seus dirigentes estão sujeitos 
à Lei n. 8.429/92 (improbidade administrativa), que dispõe sobre as sanções 
aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no 
exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública 
 
20 
 
direta, indireta ou fundacional. Também para fins penais, os médicos e 
administradores de hospitais particulares participantes do SUS são 
considerados funcionários públicos por equiparação. Esse entendimento tem 
sido reiteradamente adotado pelo Superior Tribunal de Justiça. (SANTOS, 
2020). 
 
4.1.2 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) 
 
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é uma autarquia especial 
que está vinculada ao Ministério da saúde, surgiu através da Lei n. 9.961, de 
28.01.2000, cabe a ela as funções de: 
 
(Art. 1º) regular, normatizar e fiscalizar a atuação, em caráter suplementar, 
da iniciativa privada no setor de saúde. A ANS deve “promover a defesa do 
interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as 
operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com prestadores e 
consumidores, contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde no 
país” (art. 3º), submetendo-se às disposições da Lei n. 13.848, de 25.06.2019. 
As atribuições da ANS estão definidas no art. 4º da Lei n. 9.961/2000, das 
quais destacamos: propor políticas e diretrizes gerais ao Conselho Nacional 
de Saúde Suplementar para a regulação do setor de saúde suplementar; fixar 
critérios para os procedimentos de credenciamento e descredenciamento de 
prestadores de serviço às operadoras; estabelecer normas para 
ressarcimento ao SUS; estabelecer normas relativas à adoção e utilização, 
pelas operadoras de planos de assistência à saúde, de mecanismos de 
regulação do uso dos serviços de saúde; normatizar os conceitos de doença 
e lesão preexistentes; estabelecer critérios, responsabilidades, obrigações e 
normas de procedimento para garantia dos direitos assegurados nos arts. 30 
e 31 da Lei n. 9.656/98; estabelecer critérios gerais para o exercício de cargos 
diretivos das operadoras de planos privados de assistência à saúde; 
estabelecer critérios de aferição e controle da qualidade dos serviços 
oferecidos pelas operadoras de planos privados de assistência à saúde, 
sejam eles próprios, referenciados, contratados ou conveniados; estabelecer 
normas, rotinas e procedimentos para concessão, manutenção e 
cancelamento de registro dos produtos das operadoras de planos privados 
de assistência à saúde; autorizar reajustes e revisões das contraprestações 
pecuniárias dos planos privados de assistência à saúde, ouvido o Ministério 
da Fazenda; autorizar o registro dos planos privados de assistência à saúde; 
monitorar a evolução dos preços de planos de assistência à saúde, seus 
prestadores de serviços e respectivos componentes e insumos; fiscalizar as 
atividades das operadoras de planos privados de assistência
à saúde e zelar 
pelo cumprimento das normas atinentes ao seu funcionamento; exercer o 
controle e a avaliação dos aspectos concernentes à garantia de acesso, 
manutenção e qualidade dos serviços prestados, direta ou indiretamente, 
pelas operadoras de planos privados de assistência à saúde; aplicar as 
penalidades pelo descumprimento da Lei n. 9.656/98 e de sua 
regulamentação; proceder à liquidação extrajudicial e autorizar o liquidante a 
requerer a falência ou insolvência civil das operadoras de planos privados de 
assistência à saúde; articular-se com os órgãos de defesa do consumidor 
visando a eficácia da proteção e defesa do consumidor de serviços privados 
 
 
21 
 
de assistência à saúde, observado o disposto na Lei n. 8.078/90, e zelar pela 
qualidade dos serviços de assistência à saúde no âmbito da assistência à 
saúde suplementar. No exercício de sua atividade administrativa fiscalizatória 
do setor, a ANS, agência reguladora, deve respeitar os princípios da 
legalidade e do contraditório. O art. 18 da Lei n. 9.961/2000 instituiu a Taxa 
de Saúde Suplementar (TSS). A taxa é devida a partir de 1º.01.2000, e tem 
como fato gerador o exercício, pela ANS, do poder de polícia que lhe é 
legalmente atribuído. São sujeitos passivos da exação (art. 19): as pessoas 
jurídicas, condomínios ou consórcios constituídos sob a modalidade de 
sociedade civil ou comercial, cooperativa ou entidade de autogestão, que 
operem produto, serviço ou contrato com a finalidade de garantir a assistência 
à saúde visando a assistência médica, hospitalar ou odontológica. A TSS é 
recolhida em conta vinculada à ANS (art. 23). Em caso de inadimplemento, é 
apurada administrativamente e inscrita na dívida ativa da própria ANS, com o 
posterior ajuizamento de execução fiscal (art. 24) por sua Procuradoria (art. 
25) . (SANTOS, 2020). 
 
4.1.3 Objetivos e atribuições do SUS 
 
Ao SUS caberá a identificação de causas determinantes da saúde para que 
garanta o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde. 
 
Cabe ao SUS identificar e divulgar os fatores condicionantes e determinantes 
da saúde (art. 5º, I, Lei n. 8.080/90) para que, com vista ao acesso universal 
e igualitário às ações e aos serviços de saúde, possa formular a política de 
saúde, destinada a promover, nos campos econômico e social, a inclusão das 
pessoas, da família, das empresas e da sociedade nas atividades de 
prestação desses serviços (art. 5º, II). Há exemplos importantes de política 
nacional de saúde, dos quais destacamos a Lei n. 9.434, de 04.02.1997, que 
dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para 
fins de transplante e tratamento e dá outras providências, dando 
cumprimento, no particular, ao disposto no § 4º do art. 199 da CF. O art. 2º 
da referida lei dispõe que “a realização de transplante ou enxertos de tecidos, 
órgãos ou partes do corpo humano só poderá ser realizada por 
estabelecimento de saúde, público ou privado, e por equipes médico-
cirúrgicas de remoção e transplante previamente autorizados pelo órgão de 
gestão nacional do Sistema Único de Saúde”, impondo o controle 
governamental, exercido sempre com vista à redução do risco doença e 
outros agravos. Já no século XXI, doenças emocionais e psíquicas, como 
depressão, síndrome do pânico etc., acabaram por causar a elevação do 
número de suicídios em todo o planeta, impondo a adoção de políticas 
públicas de saúde. Foi, então, editada a Lei n. 13.819, de 26.04.2019, que 
institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio, a 
ser implementada pela União, em cooperação com os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios, impondo, ainda, às operadoras de planos de saúde, 
a inclusão de cobertura de atendimento à violência autoprovocada e às 
tentativas de suicídio (SANTOS, 2020). 
 
 
 
 
22 
 
 Os incisos I a XI do art. 6º da Lei n. 8.080/90 arrolam as atribuições do SUS 
das quais é importante evidenciar: execução de ações de vigilância sanitária, de 
vigilância epidemiológica, de saúde do trabalhador e de assistência terapêutica 
integral, inclusive farmacêutica, formulação da política de medicamentos, 
equipamentos, imunobiológicos e outros insumos que possuem relevância para a 
saúde e a participação na produção, formulação e execução da política de sangue e 
seus derivados. 
 
4.1.4 Sobre a vigilância sanitária e epidemiológica 
 
A vigilância sanitária possui sua previsão legal no § 1º do art. 6º da Lei n. 
8.080/90 e é definida como “um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou 
prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio 
ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse 
da saúde”. Abrange ainda “o controle de bens de consumo que, direta ou 
indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e 
processos, da produção a consumo” (§ 1º, I), e “o controle da prestação de serviços 
que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde” (§ 1º, II). ” Sobre a vigilância 
epidemiológica o § 2º do art. 6º diz que a vigilância epidemiológica é “um conjunto de 
ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer 
mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, 
com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das 
doenças ou agravos” (SANTOS, 2020). 
 
4.1.5 Sobre a saúde do trabalhador e assistência terapêutica integral, inclusive 
farmacêutica 
 
A norma nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 trata da saúde do trabalhador 
em seu art. 6º, § 3º: 
 
§ 3º Entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de 
atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e 
 
23 
 
vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, 
assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores 
submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, 
abrangendo: 
I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de 
doença profissional e do trabalho; 
II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde 
(SUS), em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos 
potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; 
III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde 
(SUS), da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, 
extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de 
substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam 
riscos à saúde do trabalhador; 
IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam à saúde; 
V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às 
empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do 
trabalho, bem como os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e 
exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os 
preceitos da ética profissional; 
VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de 
saúde do trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; 
VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo 
de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; 
e 
VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão 
competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente 
de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde 
dos trabalhadores. (BRASIL, 1990). 
 
SANTOS comenta sobre a assistência terapêutica integral, inclusive 
farmacêutica: 
 
O SUS deve executar ações de assistência terapêutica integral, inclusive 
farmacêutica (art. 6º, I, d). A dificuldade de delimitação, pela via da 
interpretação, do alcance da expressão “assistência terapêutica integral, 
inclusive farmacêutica” tem levado questionamentos ao Poder Judiciário, 
principalmente
em relação ao fornecimento gratuito de medicamentos e ao 
tratamento médico no exterior. Essa situação desembocou na edição da Lei 
n. 12.401, de 28.04.2011, que alterou a Lei n. 8.080/90, acrescentando alguns 
artigos ao seu texto original. O art. 19-M, acrescentado, definiu a assistência 
terapêutica integral como (I) a dispensação de medicamentos e produtos de 
interesse para a saúde, cuja prescrição esteja em conformidade com as 
diretrizes terapêuticas definidas em protocolo clínico para a doença ou o 
agravo à saúde a ser tratado ou, na falta do protocolo, em conformidade com 
o disposto no art. 19-P; (II) a oferta de procedimentos terapêuticos, em regime 
domiciliar, ambulatorial e hospitalar, constantes de tabelas elaboradas pelo 
gestor federal do SUS, realizados no território nacional por serviço próprio, 
conveniado ou contratado. No art. 19-N, I, está o conceito de produtos de 
interesse para a saúde: órteses, próteses, bolsas coletoras e equipamentos 
médicos. Protocolo clínico e diretriz terapêutica também estão definidos no 
novo art. 19-N: documento que estabelece critérios para o diagnóstico da 
doença ou do agravo à saúde; o tratamento prescrito, com os medicamentos 
e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias 
 
24 
 
recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e 
a verificação dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores 
do SUS (inciso II). (SANTOS, 2020) 
 
4.1.6 Descentralização da gestão do SUS 
 
Já foi evidenciado anteriormente a descentralização da administração, o que 
diz respeito a seguridade social. O SUS, como parte da seguridade social também 
possui essa característica, SANTOS leciona como se dá essa descentralização: 
 
Os serviços executados pelo SUS, diretamente ou com a participação 
complementar da iniciativa privada, serão organizados de forma 
regionalizada e hierarquizada em níveis de complexidade crescente (art. 8º 
da Lei n. 8.080/90). Há uma direção única do SUS dentro de cada uma das 
esferas de governo, na forma do disposto no art. 198 da CF e no art. 9º da 
Lei n. 8.080/90. No plano federal, o SUS é dirigido pelo Ministério da Saúde 
(art. 9º, I, da Lei n. 8.080/90). Nos Estados e no Distrito Federal, a direção 
compete à respectiva Secretaria de Saúde ou órgão equivalente (art. 9º, II). 
E, nos Municípios, a direção é feita pela Secretaria Municipal de Saúde ou 
órgão equivalente (art. 9º, III). Os Municípios podem desenvolver em conjunto 
suas respectivas ações e serviços de saúde. Para tanto, podem formar 
consórcios administrativos intermunicipais (art. 10). Os atos constitutivos do 
consórcio, nesse caso, devem disciplinar a forma como se desenvolverá a 
direção única (art. 10, § 1º). Cada esfera de governo tem duas instâncias 
colegiadas, que propiciam a participação da comunidade na gestão do SUS 
(Lei n. 8.142, de 28.12.1990): são a Conferência de Saúde e o Conselho de 
Saúde (art. 1º, I e II). A Conferência de Saúde, que se reúne a cada 4 anos, 
tem a representação de vários segmentos sociais. Reúne-se para avaliar a 
situação de saúde e propor diretrizes de políticas públicas (art. 1º, § 1º). O 
Conselho de Saúde tem caráter permanente e deliberativo. É órgão 
colegiado, composto por representantes do governo, prestadores de serviço, 
profissionais de saúde e usuários. Sua atuação é voltada para a formulação 
de estratégias e para o controle da execução da política de saúde na instância 
correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas 
decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em 
cada esfera de governo (art. 1º, § 2º). (SANTOS, 2020). 
 
4.2 Assistência social 
 
Em relação a assistência social, devemos sempre lembrar que “cabe ao Estado 
a prestação de assistência social às pessoas carentes, sem exigência de qualquer 
contribuição, visando assegurar o mínimo existencial, tendo em vista o princípio da 
dignidade da pessoa humana.” (AGOSTINHO, 2020) 
 Vale ressaltar ainda, que “a Lei n. 8.742/93 que legisla sobre a organização da 
 
25 
 
Assistência Social – LOAS, estabelece que é assegurado o benefício de prestação 
continuada que garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao 
idoso com 65 (sessenta e cinco) anos ou mais, que comprovem não possuir meios de 
prover a própria manutenção nem de tê-la provida por sua família. Esse benefício não 
pode ser acumulado com outro no âmbito da seguridade social, salvo algumas 
exceções previstas em lei. 
A assistência social é uma política social que tem por objetivo amparar às 
necessidades básicas em relação à família, à maternidade, à infância, à adolescência, 
à velhice e à pessoa portadora de deficiência, concedida aqueles que comprovarem 
a efetiva necessidade econômica e social, na forma da lei, independentemente de 
contribuição à Seguridade Social. 
A assistência social é prestada pelo Estado e tem por escopo garantir aos 
incapacitados condições mínimas de sobrevivência. Tanto na saúde quanto na 
assistência social, não é exigido aos seus beneficiários contribuição, sendo devidas 
suas prestações a todos aqueles que delas necessitarem, não sendo necessário que 
o beneficiário esteja filiado ao regime geral de previdência social, sendo qualquer 
pessoa necessitada por ela amparada, desde que cumpra os requisitos legais. 
 O artigo 203 da CF prescreve que a Assistência Social “será prestada a quem 
dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social”. As 
prestações de assistência social não dependem de contribuição para o custeio da 
seguridade social por parte do beneficiário. 
 
Os objetivos da Assistência Social estão enumerados no art. 203: a proteção 
à família, à maternidade, à adolescência e à velhice; o amparo às crianças e 
adolescentes carentes; a promoção da integração ao mercado de trabalho; a 
habilitação e a reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua 
integração à vida comunitária; a garantia de um salário mínimo mensal à 
pessoa com deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de 
prover à própria manutenção ou de tê-la provida por sua família, conforme 
dispuser a lei. Para a CF a Assistência Social é instrumento de transformação 
social, e não meramente assistencialista. As prestações de assistência social 
devem promover a integração e a inclusão do assistido na vida comunitária, 
fazer com que, a partir do recebimento das prestações assistenciais, seja 
“menos desigual” e possa exercer atividades que lhe garantam a 
subsistência.(...). A Lei n. 12.435/2011 alterou substancialmente diversas 
disposições da LOAS e, inclusive, adequou a terminologia original — pessoas 
portadoras de deficiência — para referir-se, agora, a pessoas com deficiência. 
Os objetivos da Assistência Social estão previstos no art. 2º da LOAS, que, 
na redação original, deles tratava de forma genérica. Aperfeiçoado 
 
26 
 
tecnicamente pela Lei n. 12.435/2011, o art. 2º divide os objetivos em: 
proteção social, com vistas à garantia da vida, à redução de danos e à 
prevenção da incidência de riscos; vigilância socioassistencial; e defesa de 
direitos. A proteção social visa garantir a vida, a redução de danos e a 
prevenção da incidência de riscos. Deve ser dirigida, especialmente, à 
família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; ao amparo às 
crianças e aos adolescentes carentes; à habilitação e reabilitação das 
pessoas com deficiência e à promoção de sua integração à vida comunitária; 
à garantia de um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso 
que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-
la provida por sua família. Note-se que a proteção social deve alcançar 
justamente os sujeitos mais frágeis das relações sociais: família, infância, 
adolescência, velhice e pessoas com deficiência. A proteção social é 
efetivada por meio das ações do Sistema Único de Assistência Social 
(SUAS), conforme prevê o § 1º do art.

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