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Edilson Coellho Sampaio
Elson Ferreira Costa
 Organizadores
PSICOLOGIA
UM OLHAR DO MUNDO REAL
VOLUME 1
1ª Edição
2020
Copyright© 2020 por Editora Científica Digital 
Copyright da Edição © 2020 Editora Científica Digital
Copyright do Texto © 2020 Os Autores
EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL
Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade 
são de responsabilidade exclusiva dos autores. Permitido o download e 
compartilhamento desde que os créditos sejam atribuídos aos autores, mas sem 
a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
Todo o conteúdo deste livro está licenciado sob uma Licença de 
Atribuição Creative Commons. Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG)
P974 Psicologia [recurso eletrônico] : um olhar do mundo real: volume 
1 / Organizadores Edilson Coellho Sampaio, Elson Ferreira 
Costa. – Guarujá, SP: Editora Científica Digital, 2020.
188 p.
Formato: PDF
Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader
Modo de acesso: World Wide Web
Inclui bibliografia
ISBN: 978-65-87196-14-5
DOI: 10.37885/978-65-87196-14-5
1. Psicologia. I. Sampaio, Edilson Coelho. II. Costa, Elson Ferreira. 
III. Série.
CDD 150 
Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422
CORPO EDITORIAL
 
Editor Chefe: Reinaldo Cardoso
Editor Executivo: João Batista Quintela
Assistentes Editoriais: Elielson Ramos Jr. 
Érica Braga Freire
Erick Braga Freire
Bibliotecário: Maurício Amormino Júnior
Conselho Editorial
Profº. Dr. Robson José de Oliveira - Universidade Federal do Piauí
Prof. Dr. Carlos Alberto Martins Cordeiro - Universidade Federal do Pará
Prof. Dr. Rogério de Melo Grillo - Universidade Estadual de Campinas
Profª. Drª. Eloisa Rosotti Navarro - Universidade Federal de São Carlos
Prof. Me. Ernane Rosa Martins - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás
Prof. Dr. Rossano Sartori Dal Molin - Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Prof. Dr. Carlos Alexandre Oelke - Universidade Federal do Pampa
Prof. Me. Domingos Bombo Damião - Universidade Agostinho Neto, Angola
Prof. Dr. Edilson Coelho Sampaio - Universidade da Amazônia
Prof. Dr. Elson Ferreira Costa - Universidade do Estado Do Pará
Prof. Me. Reinaldo Eduardo da Silva Sale - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará
Prof. Me. Patrício Francisco da Silva - Faculdade Pitágoras de Imperatriz
Profª. Me. Auristela Correa Castro - Universidade Federal do Oeste do Pará
EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL
Guarujá - São Paulo - Brasil
www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org
SUMÁRIO
CAPÍTULO 16 .......................................................................................................................... 132
O USO DE TÉCNICAS ANALÍTICO-COMPORTAMENTAIS NA TERAPIA FAMILIAR SISTÊMICA 
Luiz Eduardo de Castro Nascimento ; Luiz Carlos Rodrigues de Matos Souza Sobrinho; Anchielle C. 
Henrique Silva
CAPÍTULO 17 .......................................................................................................................... 136
OLHARES SOBRE O ENTORNO ESCOLAR EM BUSCA DA CONSTRUÇÃO DE 
PLANEJAMENTOS SIGNIFICATIVOS 
Jéssica Maís Antunes
CAPÍTULO 18 .......................................................................................................................... 141
ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL - UM ENCONTRO ENTRE O COACHING E A AVALIAÇÃO 
PSICOLÓGICA
Maria Elisa Lacerda Faria; Thamyres Ribeiro Pereira; Sylvio Tutya; Lidia Carolina Balabuch
CAPÍTULO 19 .......................................................................................................................... 147
PROCESSOS DE ESCRITA NA ADOLESCÊNCIA: UM ENFOQUE NARRATIVO
Luana Moletta de Carvalho; Thalia Vielmo Bianchini
CAPÍTULO 20 .......................................................................................................................... 153
SÍNDROME DE BURNOUT, PSICOLOGIA E DIREITO À SAÚDE
Karina Pregnolato Reis; Márcia Villar Franco; Marcelito Lopes Fialho
CAPÍTULO 21 .......................................................................................................................... 160
SÍNDROME DE BURNOUT: UM ESTUDO ASSOCIADO AO TRABALHO DOCENTE E A 
VIVÊNCIA DE TRABALHADORES QUE SOFREM DESSE TRANSTORNO
Simone Campos Prefeito; Dalva Alves Vicente; Ruth Vieira Nunes
CAPÍTULO 22 .......................................................................................................................... 165
TRAUMAS DA INFÂNCIA E O TRANSTORNO DO PÂNICO
Andréia Camargo
CAPÍTULO 23 .......................................................................................................................... 175
UM PANORAMA DA GESTÃO DE PESSOAS NO CORPO DE BOMBEIROS DA POLÍCIA 
MILITAR DO PARANÁ
Luís Henrique Alves
CAPÍTULO 
 20
SÍNDROME DE BURNOUT, PSICOLOGIA E DIREITO À SAÚDE
10.37885/200500321
Palavras-chave: A síndrome de Burnout; Estresse Ocupacional; Patologia 
Laboral; Problemas relacionados ao emprego e ao desemprego; Psicologia 
e Direito à Saúde.
RESUMO
A Síndrome de Burnout foi considerada doença resultante de estresse 
crônico e relacionado ao meio ambiente laboral. Como consequência, foi 
classificada pela CID-11 como “problemas relacionados ao emprego e 
ao desemprego”, não sendo tratada no capítulo de “transtornos mentais, 
comportamentais e de neurodesenvolvimento”. Assim, necessária se torna 
a análise do tema sob o prisma da Organização Mundial da Saúde (OMS) 
e à luz das pesquisas científicas realizadas historicamente. Objetiva a 
investigação alcançar o conceito para a referida síndrome, de modo que 
se possam discutir as extensões de seu enquadramento como doença do 
trabalho, à luz da Psicologia e do Direito à Saúde. Para tanto, pautou-se 
a pesquisa no uso dos métodos de abordagem sistêmico e hermenêutico, 
no método de coleta bibliográfico e documental, bem como no método 
procedimental de análise qualitativa com emprego de análise do discurso. 
Como resultados, encontrou-se a descrição da Síndrome de Burnout no ano 
de 1953, a partir do estudo do caso conhecido como Miss Jones; e que tal 
síndrome implica em danos causados à saúde, decorrentes das condições 
laborais inadequadas, pelas excessivas pressões físicas e psicológicas 
suportadas pelo trabalhador contemporâneo; sendo o surgimento da 
patologia como fenômeno psicossocial, em razão de sofrimentos e 
desgastes advindos do ambiente de trabalho. Finalmente, importa dizer 
que o estudo da Síndrome de Burnout se traduz em relevante temática 
que permite a intersecção entre a Psicologia e o Direito à Saúde, de modo 
a se conseguir uma complementaridade, sem o esgotamento do assunto.
Karina Pregnolato 
Reis
UNISANTA
Márcia Villar Franco
UNISANTA
Marcelito Lopes 
Fialho
UNISANTA
Psicologia: Um Olhar Do Mundo Real - Volume 1154
1. INTRODUÇÃO
O presente estudo se destina à abordagem de 
tema de discussão atual, observado por um olhar 
sobre o mundo real hodierno, advindo das relações 
humanas no ambiente de trabalho.
Notadamente, no que concerne à saúde e à quali-
dade de vida do trabalhador, com destaque ao diag-
nóstico e ao manejo do estresse ocupacional, campo 
que interessa de forma concomitante à Psicologia e 
ao Direito à Saúde.
Trata-se da Síndrome de Burnout, considerada do-
ença resultante de estresse crônico e relacionado 
ao meio ambiente laboral.
Classificada pela CID-11 como “problemas relacio-
nados ao emprego e ao desemprego” e não tra-
tada no capítulo de “transtornos mentais, compor-
tamentais e de neurodesenvolvimento”, carece de 
ser analisada sob o prisma da Organização Mundial 
da Saúde (OMS) e à luz das pesquisas científicas 
realizadas historicamente.
Isto porque, estudada desde 1953 com esta nomen-
clatura de “Síndrome de Burnout”, originou-se de um 
estudo de caso, o qual foi denominado como Miss 
Jones e se pautava na desilusão enfrentadapor uma 
enfermeira psiquiátrica em relação a seu trabalho, 
com seu adoecimento psíquico.
Propõe-se a pesquisa a alcançar o conceito para a 
referida síndrome, de modo que se possam discutir 
as extensões de seu enquadramento como doença 
do trabalho, à luz da Psicologia e do Direito à Saúde.
A metodologia utilizada para a investigação científica 
se pautou, basicamente, no uso dos métodos de 
abordagem sistêmico e hermenêutico, no método 
de coleta bibliográfico e documental, bem como no 
método procedimental de análise qualitativa com 
emprego de análise do discurso.
2. ORIGEM E CONCEITUAÇÃO DA SÍN-
DROME
Desde o ano de 1953, o termo Burnout passou a 
ser utilizado devido a uma publicação de Schwartz e 
Will, a partir de um estudo de caso que ficou conhe-
cido como Miss Jones. Em seu trabalho, os autores 
descreveram os problemas suportados por uma en-
fermeira psiquiátrica desiludida com seu trabalho. 
Na década de 60, surgiu outra publicação, desta vez 
intitulada como A burn Out Case, de Graham Gre-
ene. Nesta, houve o relato do caso de um arquiteto 
que abandou sua profissão, devido a sentimentos 
de desilusão para com a mesma.
Entretanto, um dos primeiros e principais estudos 
científicos sobre Burnout também são creditados 
ao psicólogo Herbert J. Freudenberger. Em seu ar-
tigo denominado Staff Burn-Out, datado de 1974, 
definiu o termo como sendo um “incêndio interno”, 
decorrente de um excessivo desgaste emocional e 
de recursos que afetam de forma direta e negativa-
mente a relação do indivíduo com o trabalho. 
A terminologia da palavra Burnout, significa em tra-
dução direta livre “burn = queimar, out = fora/apa-
gado”. Vieira (2010, p. 01) assim registra:
O termo burnout significa “queima” ou 
“combustão total”. Faz parte do vocabulário 
coloquial em países de língua inglesa e 
costuma ser empregado para denotar 
um estado de esgotamento completo da 
energia individual associado a uma intensa 
frustração com o trabalho (MASLACH; 
SCHAUFELI; LEITER, 2001). 
Segundo Franco et. al. (2019, p. 03), a pesquisadora 
Christina Maslach é considerada autoridade mundial 
quanto ao tema do estresse e especialista sobre 
Burnout, assim conceituando a síndrome:
(...) um fenômeno psicossocial que ocorre 
como resposta crônica aos estressores 
interpessoais advindos da situação laboral, 
uma vez que o ambiente de trabalho e sua 
organização podem ser responsáveis pelo 
sofrimento e desgaste que acometem os 
trabalhadores.
Ademais, encontra-se a caracterização da síndrome 
em três dimensões ou subescalas estabelecidas por 
Christina Maslach (FRANCO et. al., 2019, p. 03):
(i) Exaustão Emocional (EE) - quando o 
profissional experimenta sentimentos de 
esgotamento ou esgotamento de energia; 
(ii) Despersonalização (DE) - quando ocorre 
o aumento da distância mental do emprego, 
ou sentimentos de negativismo ou cinismo 
relacionados ao trabalho de alguém; 
(iii) reduzida Realização Profissional (rRP) 
- resultante da baixa redução da eficácia 
profissional.
Por sua vez, Carvalho (2019, p. 15) disserta a res-
peito da Síndrome de Burnout:
A Síndrome de Burnout ou síndrome do 
esgotamento profissional constitui um dos 
danos laborais de caráter psicossocial mais 
Psicologia: Um Olhar Do Mundo Real - Volume 1 155
importante da sociedade atual e que tem 
sido qualificada por pesquisadores como 
“a praga do Século XXI”. Decorre de um 
estresse laboral crônico, e está relacionada 
a desordens emocionais, físicas e mentais, 
e tem como fator de risco a organização 
do trabalho. 
A dedicação exagerada à atividade 
profissional é uma característica marcante 
de burnout, mas não a única. O desejo de 
ser o melhor e sempre demonstrar alto grau 
de desempenho é outra fase importante da 
síndrome: o portador de burnout mede a 
autoestima pela capacidade de realização 
e sucesso profissional. 
Em função do estilo de trabalho que se 
desempenha no contexto atual, ou seja, de 
extrema competitividade e exigências cada 
vez maiores, surge como consequência 
à vida cotidiana das pessoas uma carga 
enorme de empenho e dedicação. Esse 
nível de exigência está desumanizando 
os trabalhadores em geral fazendo com 
que eles atinjam patamares de estresse, 
esgotamento físico, mental e emocional 
superiores às suas capacidades potenciais.
Evidente o chamamento adicional de “Síndrome 
do Esgotamento Profissional”, em razão de ser um 
adoecimento específico do trabalhador. Inclusive, 
quanto à sua classificação como “praga do Século 
XXI”, decorrente do estresse crônico laboral.
Pode-se inferir, por conseguinte, que o trabalhador 
acometido pela Síndrome de Burnout possui menos 
interesse em práticas inovadoras, apresenta des-
gaste físico e psicológico quando lhe são exigidos 
criatividade e comprometimento com o trabalho, 
além de experimentar a sensação de contrariar os 
próprios valores para obter êxito na carreira. 
Explicam Carlotto et. al. (2013) que a Síndrome de 
Burnout se manifesta de forma lenta e progressiva, 
sendo acrescida de vários sintomas que na maioria 
dos casos não se desenvolvem ao mesmo tempo 
o que torna difícil o diagnóstico inicial da doença.
Configura-se pela falta de energia, pelo aumento da 
distância mental para com o serviço desenvolvido, 
o negativismo do indivíduo com relação ao trabalho 
e a redução da eficiência profissional. 
Outrossim, existem outros diversos sintomas que 
são decorrentes da síndrome, como depressão, 
desesperança, solidão, irritabilidade, impaciência, 
raiva, tensão, diminuição da empatia, cefaleias, 
náuseas, tensão muscular, dor lombar ou cervical 
e distúrbios do sono. 
Conforme escrevem Trigo et. al. (2007, p. 225), os 
sintomas mais explícitos da Síndrome de Burnout 
se traduzem na exaustão emocional e no distancia-
mento afetivo, os quais abrangem:
(...) sentimentos de desesperança, 
solidão, depressão, raiva, impaciência, 
irritabilidade, tensão, diminuição de empatia; 
aumento da suscetibilidade para doenças, 
cefaléia, náuseas, tensão muscular, dor 
lombar ou cervical, distúrbios do sono. O 
distanciamento afetivo provoca a sensação 
de alienação em relação aos outros, sendo a 
presença deste muitas vezes desagradável 
e não desejada. 
Aflige a saúde física, mental e o nível socioeconô-
mico do indivíduo, causando-lhe consequências 
negativas como pontua Vieira (2010, p. 02, grifos 
da autora):
(...). O burnout está ainda associado a 
consequências negativas, dentre as quais:
• No nível socioeconômico: absenteísmo, 
queda de produtividade (PARKER; KULIK, 
1995) e aposentadoria precoce (WEBER; 
WELTLE; LEDERER, 2005);
• Para a saúde física: aumento do 
risco cardiovascular (HONKONEN et 
al., 2006; MELAMED et al., 2006a), 
alterações fisiológicas e metabólicas 
como desregulação do eixo hipotálamo-
hipófise-adrenais (GROSSI et al., 2005), 
diabetes tipo 2 (MELAMED et al., 2006a), 
elevação de lipídios séricos (SHIROM et 
al., 1997) e alterações do sistema imune 
(LEHRMAN et al., 1999), além de distúrbios 
musculoesqueléticos (HONKONEN et al., 
2006);
• Para a saúde mental: associação com 
ansiedade e, em especial, depressão 
(MASLACH; SCHAUFELI; LEITER, 2001; 
AHOLA et al., 2005), além de abuso de 
álcool (AHOLA et al., 2006b).
Noutras palavras, os autores Trigo et. al. (2007, p. 
230) esclarecem que:
(...) os indivíduos que estão neste 
processo de desgaste estão sujeitos a 
largar o emprego, tanto psicológica quanto 
fisicamente. Eles investem menos tempo 
e energia no trabalho fazendo somente o 
que é absolutamente necessário e faltam 
com mais frequência. Além de trabalharem 
Psicologia: Um Olhar Do Mundo Real - Volume 1156
menos, não trabalham tão bem. Trabalho 
de alta qualidade requer tempo e esforço, 
compromisso e criatividade, mas o 
indivíduo desgastado já não está disposto 
a oferecer isso espontaneamente. A queda 
na qualidade e quantidade de trabalho 
produzido é o resultado profissional do 
desgaste.
Mais um aspecto de suma importância foi aborda-
do pela psicóloga Ana Maria Rossi, presidente do 
ISMA (InternationalStress Management Association) 
– Brasil: o portador da Síndrome de Burnout além 
de desenvolver as características retro menciona-
das, comumente vivenciam uma “sensação de que 
é preciso contrariar os próprios valores para se dar 
bem na carreira” (FRANCO, 2019, p. 04).
3. ANÁLISE DE ALGUMAS PESQUISAS 
INTERNACIONAIS
Franco et. al. (2019, p. 05) citam uma interessante 
pesquisa feita pela International Stress Management 
Association - ISMA-BR no ano de 2016 e que contou 
com a participação de mil profissionais de diversas 
áreas das cidades de Porto Alegre (RS) e São Paulo 
(SP), constatou que 72% (setenta e dois por cento) 
dos pesquisados disseram estar frequentemente 
estressados e 32% (trinta e dois por cento) destes 
apresentavam sintomas da Síndrome de Burnout. 
Nota-se que, mediante o emprego de regra de três 
simples, os trinta e dois por cento de indivíduos 
portadores de sintomas da síndrome representam 
mais de 40% (quarenta e quatro por cento), isto 
é, 44,44% do universo de indivíduos pesquisados. 
Em números, significa dizer que pelo menos 444 
(quatrocentos e quarenta e quatro) dentre mil se en-
contravam não apenas estressados, como também 
tinham sintomas da síndrome.
Ainda em Franco et. al. (2019, p. 05), pode-se extrair 
que dos trabalhadores diagnosticados com Burnout, 
92% (noventa e dois por cento) se sentiam incapa-
citados; 90% (noventa por cento) praticavam o pre-
senteísmo; 49% (quarenta e nove por cento) deles 
apresentavam depressão; 97% (noventa e sete) re-
lataram ter exaustão, sem condições físicas e emo-
cionais para fazer qualquer coisa; e 91% (noventa e 
um por cento) sofriam com desesperança, solidão, 
raiva e impaciência. 
Os percentuais, obviamente, são elevadíssimos. 
Mas, Franco op. cit., relata que: 
Quando considerada a área profissional, 
a pesquisa apura que os profissionais 
que atuam no setor da segurança pública 
tiveram maior incidência da Síndrome 
de Burnout, seguidos dos motoristas de 
ônibus urbano e controladores de voo. 
Os profissionais da saúde, principalmente 
enfermeiros e médicos, junto com os 
bancários, atendentes de telemarketing 
e executivos (gestores), se encontram na 
terceira colocação. 
Na área na saúde, destaca-se o relatório 
elaborado pelo Medscape Physician 
Lifestyle Report em 2015, com base em 
20 mil entrevistas, no qual foi apurado que 
46% dos médicos dos Estados Unidos 
sofrem da Síndrome de Burnout, sendo as 
mulheres mais atingidas devido à dupla ou 
tripla jornada de trabalho, bem como pela 
necessidade de trabalharem mais para 
se mostrarem tão competentes quanto os 
homens que exercem a mesma atividade.
Há, iniludivelmente, áreas de atuação profissional 
que são mais atingidas se comparadas a outras. 
Percebe-se que áreas de extremada importância 
para a sociedade, como a área da segurança pública 
e da saúde são responsáveis por colocarem seus 
profissionais em primeiro e terceiro lugares, respec-
tivamente, no ranking das áreas mais acometidas 
pela síndrome.
Outro ponto a se destacar é a reluzente e expres-
siva acentuação da síndrome em mulheres. Isto 
porque, segundo se observa, as mulheres acabam 
desempenhando dupla ou tripla jornada, além de 
precisarem provar sua competência para o merca-
do de trabalho, quando comparadas a homens que 
exerçam a mesma atividade.
Todos os fatores que importem em exposição do 
trabalhador a níveis elevados de estresse, em suma, 
podem conduzi-lo ao desenvolvimento da Síndrome 
de Burnout.
4. INTERSECÇÕES ENTRE PSICOLO-
GIA E DIREITO À SAÚDE
Para se estabelecerem as intersecções entre a Psi-
cologia e o Direito à Saúde, traga-se à baila a reca-
pitulação de que a Síndrome de Burnout se inicia 
por um estresse crônico; portanto, uma condição de 
adoecimento psicológico do trabalhador, que pode 
chegar a níveis físicos e socioeconômicos.
Não raras vezes, diga-se, o ambiente do trabalho 
adoece o indivíduo. Seja por fatores inerentes à 
própria profissão exercida, seja pelas relações in-
terpessoais e/ou chefias psicopatas.
Psicologia: Um Olhar Do Mundo Real - Volume 1 157
Sob este prisma, Demolinari (2010, p. 32-36), as-
severa a respeito da psicopatia e da violência veri-
ficada nas Organizações:
É crescente o número de empregados 
que sofrem ações abusivas intencionais, 
fruto da psicopatia de chefes ou mesmo 
de colegas de trabalho, que normalmente 
se manifestam através de humilhações, 
ul t ra jes, menosprezos, causando 
constrangimentos e sofrimentos a quem 
os recebe. Pode-se considerar uma 
vítima aquele que sofreu exposição a 
situações constrangedoras, conduta 
negativa e antiética de forma repetitiva e 
prolongada dentro de uma organização. O 
empregado que sofre esse tipo de violência 
psicológica pode apresentar danos em sua 
identidade, dignidade e relações afetivas e 
sociais, ocasionando problemas na saúde 
física e mental que podem evoluir para a 
incapacidade laborativa, o desemprego, até 
a morte. Isso se constitui como um risco 
invisível, porém concreto, que impõe aos 
trabalhadores um sofrimento perverso.
(...). Os casos de abuso de poder de 
chefes sobre subordinados dentro das 
organizações têm tomado maiores 
proporções, fazendo com que a população 
mundial se volte mais para esse problema. 
Atualmente, discute-se muito sobre 
mobbing, expressão técnica utilizada 
para definir um abuso emocional no local 
de trabalho, também conhecido como: 
massacre emocional, terror psicológico, 
assédio moral, traumatização, agressão 
psicológica e tortura emocional. Vítimas 
de mobbing estão sujeitas a problemas 
de saúde tanto de ordem física quanto 
psicológica. Além de desenvolverem uma 
irritabilidade acima da média, tornam-se 
pessoas ansiosas e, por vezes, deprimidas. 
Por estarem emocionalmente afetadas e 
com a auto-estima prejudicada, algumas 
vítimas sentem muitas dificuldades de 
se desvencilhar daquela situação de 
sofrimento, mantendo-se naquela tortura 
por anos. (Piñuel y Zabala, 2003) Apesar 
da Psicopatia variar de muitas formas e 
sentido no plano individual e organizacional, 
o problema é factual e institucionalizado 
tanto nas empresas públicas quanto nas 
privadas. Entretanto, identificou-se que as 
administrações e o setor públicos são os 
lugares que oferecem as características 
mais idôneas para que se esse tipo de 
comportamento que favorece os psicopatas 
organizacionais se desenvolva. Um regime 
sancionador lento e burocrático garante 
a impunidade para suas condutas. Nas 
organizações privadas, normalmente 
o problema é resolvido quando aquele 
que não suporta mais ser torturado ou 
coagido pede demissão, interrompendo 
o sofrimento. Contudo, o chefe pode 
continuar exercendo sua psicopatia com 
outra vítima. (Piñuel y Zabala, 2003).
Piñuel (2003) defende que a psicopatia, 
de fato, afeta as pessoas que chegam 
a cargos de chefia. Ele analisa os 
papéis organizacionais como potentes 
mecanismos modificadores da psicologia 
dos indivíduos e estratégias de alguns 
para escalar o poder mediante todo tipo 
de manipulações, mentiras e chantagens.
(...). Os psicopatas organizacionais, além 
de manipularem e seduzirem vítimas, 
igualmente sentem prazer em provocar 
humilhações em seus subordinados 
ou mesmo em colegas de igual nível 
hierárquico - o fazem por furor instintivo, 
mas também para demonstrar prestígio 
e poder. Pelo fato de não entenderem os 
sentimentos dos outros e não sentirem 
culpa ou remorso por fazerem algum 
mal, os psicopatas podem racionalizar 
com facilidade a sua violência ou 
comportamento, tornando-os aceitável.
o se reportar ao brilhante autor e sociólogo Iñaki 
Piñuel, a autora Demolinari (2010, p. 34) denuncia 
uma realidade para muitos desconhecida e inima-
ginável: o adoecimento de profissionais em virtude 
da tirania de chefias psicopáticas que, por vezes, 
apresentam-se ao público como demasiado simpá-
ticas e envolventes.
Como ensina o sociólogo Piñuel (2008) na primeira 
obra em língua espanhola a tratar sobre mobbing, 
os chefes psicopatas costumam ser pessoas en-
cantadoras, sedutorase manipuladoras. Humilham 
seus subordinados ou seus pares por mero prazer e 
instinto, sem sentirem remorso, culpa ou empatia, de 
modo que aceitam seu próprio comportamento (vio-
lento) em busca de prestígio e exercício de poder.
Pois, ao contrário da concepção popular de psicopa-
tas, nem todos eles cometerão crimes bárbaros ou 
publicamente noticiados. A maioria passará quase 
que desapercebida, investida em cargos de chefia e 
direção, em especial nas instituições públicas.
Psicologia: Um Olhar Do Mundo Real - Volume 1158
Neste passo, tem-se a confirmação da intersecção: 
a violência psicológica, que conduz ao adoecimento 
psicológico e, em casos mais severos, o adoecimen-
to físico e a incapacitação para o trabalho; além dos 
riscos do desenvolvimento de quadros profundos 
de depressão, ansiedade, síndrome do pânicos e 
tentativas de suicídio.
Contudo, a saúde é direito constitucionalmente as-
segurada pelos Artigo 7º, Inciso XXII, e 200, Incisos 
II e VIII. O meio ambiente do trabalho importa para 
a preservação deste direito, sendo certo que em 
uma concepção mais atual, Fiorillo (2005, p. 22-23) 
especifica o meio ambiente do trabalho como sendo 
o local onde as pessoas realizam suas atividades, 
sejam estas remuneradas ou não. Para tanto, o local 
deve ser salubre e sem a presença de agentes que 
comprometam a incolumidade física e mental dos 
trabalhadores.
De forma complementar, Melo (2010, p. 31), sus-
tenta que o meio ambiente do trabalho não pode se 
restringir ao local de trabalho do empregado. Deste 
modo, deve contemplar o local, os instrumentos, o 
modo de execução das tarefas e a forma como o 
trabalhador é tratado pelo empregador e pelos ou-
tros indivíduos no trabalho. Franco et. al. (2019, p. 
11) afirmam que:
Diante dessa perspectiva, não basta que 
o empregador ofereça somente condições 
de trabalho físicas adequadas e salubres 
ao trabalhador, é essencial a adoção de 
medidas de proteção à saúde mental do 
obreiro como forma harmônica de um meio 
ambiente do trabalho equilibrado. 
As questões psicológicas dos trabalhadores 
são elementos formadores do meio 
ambiente laboral e um espaço de trabalho 
que provoque danos à integridade psíquica 
do obreiro, não mantém a devida qualidade 
ambiental, na medida em que não garante 
o bem-estar e a saúde da população, nos 
termos do artigo 3º, inciso III, alínea “a” da 
Lei n. 6.938/1991.
Diante dessa realidade, a Organização 
Mundial de Saúde (OMS), organismo 
sanitário internacional integrante da 
Organização das Nações Unidas (ONU), 
fundada em 07 de abril de 1948, conceitua 
a saúde como “[...] um estado de completo 
bem-estar físico, mental e social, e não 
consiste apenas na ausência de doença ou 
de enfermidade”. 
Com o passar do tempo, por obvio, tal 
definição resta incompleta e o conceito de 
saúde se afasta do individual e passa a ser 
visto em sentido coletivo ao meio ambiente 
e às interações sociais, se tornando 
reconhecido como fundamental aos seres 
humanos.
Com isso, avizinha-se que a intencionalidade da 
legislação pátria é salvaguardar a saúde (física e 
mental) do trabalhador.
Inspirada nos ditames internacionais, indubitavelmen-
te, a definição de saúde perpassa a esfera individual, 
para atingir patamares coletivos, pautando-se no res-
guardo dos indivíduos, do meio ambiente e das rela-
ções interpessoais, com o escopo de que se verifique 
não apenas a ausência de doenças nos indivíduos, 
mas também um bem-estar individual e coletivo em 
suas três dimensões: físico, mental e social.
5.CONSIDERAÇÕES FINAIS
Foram analisados os conceitos e característi-
cas da Síndrome de Burnout e os danos causados à 
saúde do trabalhador decorrentes das inadequadas 
condições laborais. A realização da pesquisa retor-
nou alguns resultados de cunho relevante.
Encontrou-se, essencialmente, a descrição da Sín-
drome de Burnout no ano de 1953, a partir do es-
tudo do caso conhecido como Miss Jones; e que 
tal síndrome implica em danos causados à saúde, 
decorrentes das condições laborais inadequadas, 
pelas excessivas pressões físicas e psicológicas 
suportadas pelo trabalhador contemporâneo; sendo 
o surgimento da patologia como fenômeno psicosso-
cial, em razão de sofrimentos e desgastes advindos 
do ambiente de trabalho.
Recebeu classificação pela CID-11 como “problemas 
relacionados ao emprego e ao desemprego”, não 
sendo elencada no rol do capítulo de “transtornos 
mentais, comportamentais e de neurodesenvolvi-
mento”.
A violação ao meio ambiente do trabalho é circuns-
tância gravosa que implica em desrespeito à saúde 
e à vida do trabalhador, cuja lesão não pode ser 
aceita diante da evolução alcançada pela eficácia 
dos direitos fundamentais nas últimas décadas. 
Finalmente, importa dizer que o estudo da Síndrome 
de Burnout se traduz em relevante temática que 
permite a intersecção entre a Psicologia e o Direito 
à Saúde, de modo a se conseguir uma complemen-
taridade, bem como permitir novas abordagens sob 
outras perspectivas.
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