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5.1. PARTILHA AMIGÁVEL
A partilha amigável está prevista no art. 2.015 do CC/02, que dispõe: “Se os herdeiros forem capazes, poderão fazer partilha amigável, por escritura pública, termo nos autos do inventário, ou escrito particular, homologado pelo juiz”.
Cuida-se de negócio jurídico plurilateral, oriundo da vontade de todos os herdeiros que se expressam a favor da divisão do espólio da forma que está determinada no instrumento. Trata-se de negócio solene, efetivado apenas após a morte do autor da herança, eis que conforme previsão do art. 426 do CC/02 não há eficácia em contrato com objeto a herança de pessoa viva (GONÇALVES, 2017).
A lei assevera três formas para realização da partilha: i. por escritura pública; ii. por terno nos autos do inventário; e iii. por instrumento particular a ser homologado pelo juiz. Da mesma forma que no inventário extrajudicial, os herdeiros só podem optar pela partilha amigável se forem maiores e capazes. Se algum deles for incapaz, a partilha judicial será obrigatória. 
5.2. PARTILHA JUDICIAL
Dispõe o art. 2.016 do CC, in verbis: “Será sempre judicial a partilha, se os herdeiros divergirem, assim como se algum deles for incapaz”. A partilha judicial será aquela de caráter obrigatório quando houver divergência entre os herdeiros ou na hipótese de algum deles ser incapaz. 
Nesse sentido, dispõe o art. 647 do CPC:
Art. 647. Cumprido o disposto no art. 642, § 3o, o juiz facultará às partes que, no prazo comum de 15 (quinze) dias, formulem o pedido de quinhão e, em seguida, proferirá a decisão de deliberação da partilha, resolvendo os pedidos das partes e designando os bens que devam constituir quinhão de cada herdeiro e legatário.
Parágrafo único. O juiz poderá, em decisão fundamentada, deferir antecipadamente a qualquer dos herdeiros o exercício dos direitos de usar e de fruir de determinado bem, com a condição de que, ao término do inventário, tal bem integre a cota desse herdeiro, cabendo a este, desde o deferimento, todos os ônus e bônus decorrentes do exercício daqueles direitos.
Em suma o dispositivo prevê que quando separados os bens para pagamento de dívidas aos credores, caberá ao magistrado facultar às partes que elaborem pedido de quinhão. Após, o juiz proferirá a decisão acerca da partilha, solucionando os pedidos e determinando os bens que irão compor o quinhão de cada herdeiro e legatário. Nota-se que o dispositivo alterado pela legislação de 2015 não traz mais prazo para decisão do juiz e substituiu o pronunciamento de despacho por decisão (TARTUCE, 2017). 
O partidor responsável por elaborar o esboço de partilha conforme deliberação do magistrado acima mencionada, se atentando no pagamento a seguinte ordem: i. dividas atendidas; ii. meação do conjugue; iii. meação disponível; iv. quinhões hereditários (GONÇALVES, 2017).
Após tais observações, há de se destacar as previsões do art. 648 do CPC/15. Para Flávio Tartuce (2017) a norma impõe algumas regras de interpretação. A primeira seria a de máxima igualdade possível no momento da divisão, seja quanto ao valor ou seja quanto a qualidade e natureza dos bens. Tal premissa é também estabelecida no art. 2.017 do CC/02 que determina: “No partilhar os bens, observar-se-á, quanto ao seu valor, natureza e qualidade, a maior igualdade possível”. Cuida-se do princípio da igualdade da partilha.
A segunda regra é a de prevenção de litígios futuros, busca-se aqui a diminuição de possíveis conflitos e uso da mediação e conciliação para facilitação da partilha. Já a terceira regra fixa a comodidade dos coerdeiros do conjugue ou do companheiro. Na linha da terceira regra, o art. 649 do CPC estabelece que: 
Art. 649. Os bens insuscetíveis de divisão cômoda que não couberem na parte do cônjuge ou companheiro supérstite ou no quinhão de um só herdeiro serão licitados entre os interessados ou vendidos judicialmente, partilhando-se o valor apurado, salvo se houver acordo para que sejam adjudicados a todos.
Logo, a norma visa afastar um não desejado condomínio entre os herdeiros, previsão já trazida através do art. 2.019 do CC/02, que preleciona:
Art. 2.019. Os bens insuscetíveis de divisão cômoda, que não couberem na meação do cônjuge sobrevivente ou no quinhão de um só herdeiro, serão vendidos judicialmente, partilhando-se o valor apurado, a não ser que haja acordo para serem adjudicados a todos.
§ 1o Não se fará a venda judicial se o cônjuge sobrevivente ou um ou mais herdeiros requererem lhes seja adjudicado o bem, repondo aos outros, em dinheiro, a diferença, após avaliação atualizada.
§ 2o Se a adjudicação for requerida por mais de um herdeiro, observar-se-á o processo da licitação.
O art. 650 do CPC trata do quinhão do nascituro, assegurado até o seu nascimento, dispondo que: “Se um dos interessados for nascituro, o quinhão que lhe caberá será reservado em poder do inventariante até o seu nascimento”.
Retornando ao procedimento, ocorrendo à deliberação, instituída a figura do partidor, e realizado o esboço da partilha, as partes serão intimadas a se manifestarem, podendo, ainda, impugnar o ato nos termos do art. 652 do CPC. Resolvidas às reclamações, a partilha será lançada nos autos judiciais. 
A partilha constará de auto de lançamento e de folha de pagamento, conforme previsto no art. 653 do CPC. Em seguida, deverá ser demonstrado o pagamento do imposto de transmissão, para o juiz julgar por sentença a partilha. 
Assim prevê o art. 654 do CPC:
Art. 654. Pago o imposto de transmissão a título de morte e juntada aos autos certidão ou informação negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha.
Parágrafo único. A existência de dívida para com a Fazenda Pública não impedirá o julgamento da partilha, desde que o seu pagamento esteja devidamente garantido.
Após o trânsito em julgado da sentença, o herdeiro receberá os bens que lhe couberem e o formal de partilha, sendo este imprescindível para o registro da aquisição da propriedade imóvel. Destaca-se que a partilha, mesmo após o trânsito em julgado poderá ser alterada para emendar nos mesmos autos do inventário, nos casos em que há erro de fato na descrição dos bens (v. art. 656 do CPC). 
Ressalta-se que o art. 657 do CPC diferencia tal previsão na hipótese da partilha amigável, uma vez que para questionar o ato será necessário intentar ação anulatória. Se já houver ocorrido o julgamento pelo juiz da partilha, haverá a possibilidade de rescisão (v. art. 658). 
Pode haver hipóteses nas quais é necessário realizar a sobrepartilha, conforme preleciona o art. 669 do CPC, podendo esta ser inclusive extrajudicial, vide o Enunciado 35 do CJF. São os casos dos bens sonegados - ocultados maliciosamente durante o inventário e que ficaram de fora da partilha -, os bens da herança descobertos após a partilha, os litigiosos e os situados em lugar remoto da sede de juízo onde se processa o inventário.

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