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UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES – Campus Disciplina: Direito do Trabalho II Professora: Ana Carolina Shettini Aluno: Vitor Ribeiro De Freitas Semestre: 2018/01 Data: 21 de junho de 2018 Campus Jacarepaguá Direito do Trabalho II Ana Carolina Shettini Vitor Ribeiro De Freitas Turno: Noite 21 de junho de 2018 1 Aluno: Vitor Ribeiro de Freitas Diante do cenário apresentado nos casos, seguem os pareceres que atendemos adequados 1° Caso Quanto a “empregada A”: Para que a empregada faça jus a Licença Maternidade deve se observar se ocorreu efetivamente o parto, que é considerado o fato gerador do beneficio, ou se houve aborto. A doutrina define o aborto como sendo a interrupção da gravidez antes da viabilidade fetal, atualmente a Organização Mundial de Saúde considera inviáveis fetos com menos de 20 semanas de idade gestacional ou peso inferior a 500 gramas. Contudo o Direito Previdenciário definiu como parto o evento ocorrido a partir do 6º (sexto) mês, ou a 23ª semana de gestação. Ocorrendo o parto neste período, ele é considerado antecipado ou prematuro, sem a necessidade de avaliação médico-pericial. No caso em tela ao que parece não se trata de aborto, portanto esvazia-se a discussão quanto a definição de parto prematura para aborto. Desse modo indo ao pano de fundo do caso especifico, pouco importa para a concessão do beneficio da licença e estabilidade se a criança nasceu morta (natimorto) ou, ainda, que tenha nascido viva e tenha falecido em seguida. Em qualquer dessas hipóteses ocorreu o parto, ou seja, ocorreu o fato gerador. Isso por si só garante a concessão dos benefício, na sua integralidade, à empregada. Portanto direito à Licença Maternidade e estabilidade independem da condição da criança, mas sim se houve parto, ainda que prematuro, ou não. Pois a independente da condição da criança, ocorreu a gestação e essa por si só causa a mulher transtornos físicos e psíquicos, motivo pelo qual deve-se conceder tanto a licença quanto a estabilidade para que a empregada se recomponha as sua condição original antes da gestação. A questão é pacifica na doutrina e na jurisprudência, exemplificado o acima exposto segue dois julgados nesse sentido. “NATIMORTO. LICENÇA-MATERNIDADE. Não obstante a autora tenha dado à luz uma criança morta (conforme certidão de natimorto constante dos autos), houve o parto e este deve ser considerado o fato gerador para a licença-maternidade e estabilidade provisória da gestante. Não se aplica, no caso, o artigo 395 da CLT, uma vez que referido dispositivo legal refere -se a ‘aborto não criminoso’. Aplica-se o artigo 392, § 3º, da CLT, em consonância com o art. 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal e disposições da Convenção nº 103 da OIT, 2 referente à proteção da maternidade, ratificada pelo Brasil por meio do Decreto nº 58.820de 14 de Julho de 1966. Ademais, não há na legislação específica qualquer restrição em relação ao benefício salário maternidade ser devido apenas àquela mulher que deu à luz uma criança com vida. Faz jus à autora, portanto, à licença- maternidade e ao correspondente salário maternidade pleiteado. Recurso ordinário da autora a que se dá parcial provimento” (TRT-9 1352010654907 PR 135-2010-654-9-0-7, Relator: RICARDO TADEU MARQUES DA FONSECA, 2A. TURMA, Data de Publicação: 12/07/2011, grifouse). Ementa: TRT-PR-26-05-2009 ESTABILIDADE PROVISÓRIA. GESTANTE. NATIMORTO. A norma legal garante a estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, independentemente de ter a crinça nascido com vida ou não. Na hipótese presente, mesmo tratando-se de natimorto, houve o parto e este é o fato gerador da estabilidade, correspondendo à mesma situação da mãe que acabou de gerar seu filho com vida. Adotamos a lição da i. jurista Alice Monteiro de Barros ao afirmar que "que a licença tem como fato gerador não só o nascimento do filho, mas também a gestação, que, como é sabido, ocasiona à mulher transtornos físicos naturais e até psíquicos. Aliás, o próprio diploma internacional citado, isto é, a Convenção n. 103 da OIT (revista pela de n. 183) e ratificada pelo Brasil, em 1966, previu no art. 3º , 6, para a hipótese de doença decorrente do parto, uma prorrogação dessa licença, mas nunca substituição da licença-maternidade por doença, ainda que decorrente daquela"(Curso de Direito do Trabalho, Ed. LTr, 4ª ed., 2008, p. 1089).Exegese do artigo 10 , II, b, da CLT . 3 Quanto a “empregada B”: Com o advento na Lei LEI Nº 13.509, DE 22 DE NOVEMBRO DE 2017, ficou positivado na proria CLT, através da modificação do Art 392-A. O que já era o firme entendimento na doutrina e jurisprudência, ou seja, a empregada que adota uma criança OU ADOLESCENTE, importante frisar que agora não mais há de se especular que somente adoção de menores de 12 anos ensejariam o direito, uma vez que a citada lei incluiu o termo adolescente que segundo o ECA seria maiores de 12 ate 18 anos incompletos. Transcreve-se o texto do citado artigo, onde não há duvidas quanto a concessão da licença e por consequintew a estabilidade constitucional a ela associada Art. 392-A (CLT) À empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança ou adolescente será concedida licença- maternidade nos termos do art. 392 desta Lei. Como já mencionado a doutrina e jurisprudência antes mesmo da mudança legislativa já se apoiavam na consistente assertiva de que a adoção, principalmente tardia, requer esforço maior e assim mais tempo e dedicação dos que se propõem a adotar, de modo que sejam iniciado a relação afetiva e nutridos os laços familiares, sendo portanto a fase que mais precisa de dedicação dos adotantes. 2° e 3° Caso Devido a similaridade entre o 2° e 3° casos, sendo que a alteração entre um e outro é somente quanto ao gênero dos funcionário, opto-se por fazer um único parecer, visto que abrangerá ambos os casos. Com efeito segue o parecer: A Constituição Federal garante o direito a família de forma genérica, não fala em homem e mulher. Contudo nossa legislação ainda não contempla adequadamente a diversidade das possibilidades de famílias que podem se constituir na atualidade. Dessa forma, quando se discute a licença-maternidade para casais homossexuais não existe uma norma específica concessiva de licença-maternidade à mãe que não seja a 4 biológica ou a adotante. Nesse compasso o legislador de forma ainda incipiente através da Lei 12.873 de 24 de outubro de 2013, acrescentou o parágrafo 5° ao Art 392-A da CLT, inovando ao estipular, ainda que sem falar em união homoafetiva, que a adoção ou guarda judicial conjunta ense3jará licença maternidade a apenas um dos adotantes. Nesta mesma linha já vinha se observando na jurisprudência que são raras as decisões em prol da concessão da licença-maternidade a ambas os constituintes do mesmo núcleo familiar. PROCESSO CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. RELAÇÃO HOMOAFETIVA. LICENÇA MATERNIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO. 1. O intuito de se conferir a licença maternidade é possibilitar à servidora o apoio necessário para promover os cuidados de uma criança, em momentos extremamente delicados da vida, quais sejam o nascimento e a adoção. A condição de vulnerabilidade é presumida, o que acarreta o essencial amparo do Estado. 2. A extensão do auxílio maternidade, no período de 180 dias, à pessoa que não se encontra na condição de gestante ou adotante gera um descompasso inaceitável, eis que se estará concedendo um benefício a alguém pelo simples fato de ser mulher, mas que se subsume nos mesmos fundamentos lógicos e jurídicos atinentes à situação geradora da licençapaternidade.3. A criação de um novo tipo de benefício pelo Poder Judiciário, com prazo diferenciado, à mulher que não se enquadra nos ditames legais, ofende os princípios da legalidade, da isonomia e a tripartição de poderes. 4. Recurso desprovido. (TJ-DF – APC: 20130110227074 DF 0001203-20.2013.8.07.0018, Relator: MARIO BELMIRO, Data de Julgamento: 04/03/2015, 2ª Turma Cível) No caso concreto, considerando o acima exposto, e diante do silêncio legislativo sobre a definição a qual dos/das empregados(as) deve recair a licença maternidade. Bem como considerando também princípios constitucionais fundamentais, como a intimidade, orienta-se que a empresa somente conceda licença maternidade a um(a) dos/das empregados(as) cabendo a eles(as) por meio de declaração indicarem,em conjunto, por 5 critérios próprios e sem ter que apresentar nenhuma fundamentação a quem a empresa deve conceder a licença e estabilidade. Registrando-se que tanto neste caso como em outro, aplica-se o disposto no Art 392-B, que trata sobre a comutação da concessão do beneficio ao cônjuge ou companheiro sobrevivente em caso de falecimento do empregado que gozava ou iria gozar a referida licença. Quanto à concessão da licença-paternidade para a outra empregada, também não há norma expressa em relação ao assunto, sendo a jurisprudência favorável a extensão dos direitos jurídicos dos casais heterossexuais aos casais homoafetivos em atenção ao princípio da igualdade e proporcionalidade, bem como homenagem a nova tendência legislativa e ainda atendendo a critérios elementares de justiça e civilidade. Neste contexto ilustra-se tal entendimento com os julgados abaixo: CIVIL. RELAÇÃO HOMOSSEXUAL. UNIÃO ESTÁVEL. RECONHECIMENTO. EMPREGODA ANALOGIA. 1. “A regra do art. 226, § 3º da Constituição, que se refere ao reconhecimento da união estável entre homem e mulher, representou asuperação da distinção que se fazia anteriormente entre o casamento e as relações de companheirismo. Trata-se de norma inclusiva, de inspiração anti- discriminatória, que não deve ser interpretada como norma excludente e discriminatória, voltada a impedir a aplicação do regime da união estável às relações homoafetivas”. 2. É juridicamente possível pedido de reconhecimento de união estável de casal homossexual, uma vez que não há, no ordenamento jurídico brasileiro, vedação explícita ao ajuizamento de demanda com tal propósito. Competência do juízo da vara de família para julgar o pedido. 3. Os arts. 4º e 5º da Lei de Introdução do Código Civil autorizam o julgador a reconhecer a união estável entre pessoas de mesmo sexo. 4. A extensão, aos relacionamentos homoafetivos, dos efeitos jurídicos do regime de união estável aplicável aos casais heterossexuais traduz a corporificação dos princípios constitucionais da igualdade e da dignidade da pessoa humana. 5. A Lei Maria da Penha atribuiu às uniões homoafetivas o caráter de entidade familiar, ao prever, no seu 6 artigo 5º, parágrafo único, que as relações pessoais mencionadas naquele dispositivo independem de orientação sexual. 6. Recurso especial desprovido. (STJ – REsp: 827962 RS 2006/0057725-5, Relator: Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Data de Julgamento: 21/06/2011, T4 – QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 08/08/2011) AGRAVO DE INSTRUMENTO.AÇÃO DE RECONHECIMENTO E DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL HOMOAFETIVA. COMPETÊNCIA. 1. […] 2. “O direito não regula sentimentos, mas as uniões que associam afeto a interesses comuns, que, ao terem relevância jurídica, merecem proteção legal, independentemente da orientação sexual do par” (DIAS, Maria Berenice. União homossexual: o preconceito e a justiça. 2. ed. Porto Alegre: Do Advogado, 2001, p. 68). 3. “Não se permite mais o farisaísmo de desconhecer a existência de uniões entre pessoas do mesmo sexo e a produção de efeitos jurídicos derivados dessas relações homoafetivas. Embora permeadas de preconceitos, são realidades que o Judiciário não pode ignorar, mesmo em sua natural atividade retardatária. Nelas remanescem conseqüências semelhantes as que vigoram nas relações de afeto, buscando-se sempre a aplicação da analogia e dos princípios gerais do direito, relevado sempre os princípios constitucionais da dignidade humana e da igualdade.” (TJRS, Apelação Cível Nº 70001388982, Sétima Câmara Cível, rel. JOSÉ CARLOS TEIXEIRA GIORGIS, j. em 14.03.2001). 4. “O relacionamento regular homoafetivo, embora não configurando união estável, é análogo a esse instituto. Com efeito: duas pessoas com relacionamento estável, duradouro e afetivo, sendo homem e mulher formam união estável reconhecida pelo Direito. Entre pessoas do mesmo sexo, a relação homoafetiva é extremamente semelhante à união estável.” (STJ, Resp 238.715, Terceira Turma; Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS, j. em 07.03.2006). 5. Reconhecida a união homoafetiva como entidade familiar, centrada que é no afeto, a ela é possível atribuir, por analogia, e dependendo da prova, os reflexos jurídicos compatíveis da união estável 7 heterossexual, cenário que faz chamar a competência da vara especializada de família. (CC n. , de Lages, rel. Des. Henry Petry Junior). (TJ-SC – AI: 659471 SC 2010.065947-1, Relator: Sônia Maria Schmitz, Data de Julgamento: 06/02/2012, Quinta Câmara de Direito Civil, Data de Publicação: Agravo de Instrumento n. , da Capital) Vitor ribeiro de Freitas Aluno