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HISTÓRIA DA TEOLOGIA 
AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Roberto Luis Renner 
 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Nesta aula, dialogaremos sobre aspectos importantes que ocorreram 
entre os séculos XIV e XVI. Primeiramente, abordaremos alguns dos precursores 
da Reforma Protestante, como Guilherme de Ockham, João Wycliffe e Desidério 
Erasmo (Erasmo de Roterdã), personagens que tiveram uma influência relevante 
cada um em seu tempo. Foram pessoas que vieram antes de Martinho Lutero e 
tiveram um papel importante na história da Igreja. Muitas vezes, vemos as ações 
somente daqueles que estão em primeiro plano, mas existem pessoas que não 
são tão vistas, mas são fundamentais. 
Um personagem dos dias de Lutero foi Ulrico Zuínglio, que nasceu em 1º 
de janeiro 1484 na cidade de Glarus, na Suíça. Outro personagem relevante 
nesse período foi João Calvino, que nasceu no dia 10 de julho de 1509, na cidade 
de Noyon, no norte da França, vindo a falecer no dia 27 de março de 1564 em 
Genebra, na Suíça. 
Com respeito à Reforma Protestante, Martinho Lutero nasceu na cidade 
de Eisleben, Alemanha, em 10 de novembro de 1483, vindo a falecer em 18 de 
fevereiro de 1546. Esse personagem questionou com suas 95 teses a Igreja 
Católica Romana. 
Finalizando esta aula, abordaremos a Reforma da Igreja Católica, ou a 
Contrarreforma. A Igreja Católica se defendeu dos ataques dos reformadores e, 
ao mesmo tempo, se adequou a algumas de suas práticas. Essa postura da 
Igreja trouxe algumas contribuições positivas. Houve um olhar para dentro da 
própria Igreja, com o intuito de tentar resolver alguns problemas que estavam 
manchando seu nome e dar mais clareza àquilo no que pensavam estar correto, 
tomando assim uma posição diante de algumas temáticas. 
TEMA 1 – PRECURSORES DA REFORMA 
O descontentamento com a Igreja Católica e a não concordância com 
algumas atitudes tomadas era algo que vinha ocorrendo de longa data. Dessa 
maneira, sempre foram surgindo em diferentes lugares na Europa pessoas que 
queriam se separar da Igreja oficial. 
Três teólogos destacam-se nesse período transicional de 200 anos entre 
a Alta Idade Média e a Reforma. Dois deles na Inglaterra e um na Holanda. 
 
 
3 
Pessoas que de certa maneira contribuíram para que mais tarde a Reforma 
Protestante ocorresse. 
1.1 Guilherme de Ockham 
O primeiro personagem nasceu entre 1280 e 1290, na Inglaterra, e faleceu 
em 1347, em Munique, na Alemanha. Estudou na Universidade de Oxford e 
entrou na ordem franciscana muito jovem, sendo que ele foi educado em Londres 
e, depois Oxford, onde se tornou frade franciscano e ensinou Filosofia e Teologia 
até 1324. 
Foi teólogo e em suas obras trabalhou a ideia da separação entre a razão 
e a fé, filosofia e a teologia. A filosofia e a teologia de Ockham enfatizavam a 
vontade divina acima da natureza e da razão de Deus. Deus não ordena as 
coisas porque são boas; elas são boas simplesmente por que Deus as ordenou 
(Olson, 2001, p. 363-364). 
Ockham foi condenado como herege em 1326 e uma das razões que 
levou à sua condenação foi seu apoio ao grupo de franciscanos radicais. Morreu 
em 1349 acometido pela peste, e nunca se reconciliou com a Igreja. 
1.2 João Wycliffe 
O segundo personagem desse seleto grupo é João Wycliffe que nasceu 
em 1330, na Inglaterra, vindo a falecer em 1384, também na Inglaterra. Ele 
estudou teologia e filosofia em Oxford e mais tarde veio a se tornar mestre da 
Universidade de Oxford. Em 1363, termina seus estudos e recebe o título de 
bacharel em Teologia. Alguns anos depois, em 1372, recebe o título de doutor 
em teologia e com isso acabou lecionando em Oxford. 
João Wycliffe estava profundamente desiludido com o poder, as riquezas, 
a corrupção e os abusos de autoridade por parte dos líderes da Igreja e voltou 
sua atenção para o povo de Deus como a voz da vontade de Deus no governo 
eclesiástico (Olson, 2001, p. 368). Com tudo que vinha observando, ele se tornou 
um forte defensor da Reforma na Igreja. 
O principal trabalho de Wycliffe na teologia foi sua defesa da autoridade 
suprema das escrituras para tudo que tem relação com a fé e a vida. Essa 
maneira de enxergar estava em dissonância com a Igreja Católica, pois essa 
 
 
4 
chegou a considerar que a tradição tinha a mesma autoridade das escrituras. 
(Olson, 2001, p. 368). Ele não concordava com isso. 
Wycliffe antecipou os ataques de Lutero contra a corrupção da Igreja de 
forma mais veemente em sua crítica às indulgências. As indulgências eram 
documentos de absolvição do castigo temporal (com o purgatório) dos pecados 
vendidos por agentes dos papas. Wycliffe condenou severamente essa prática, 
assim com o Lutero o fez em seus dias. 
1.3 Desidério Erasmo (Erasmo de Roterdã) 
Dos três personagens que elencamos nesse grupo, Erasmo de Roterdã é 
o único que não é inglês e que em vida viu a Reforma ocorrer. Ele nasceu na 
Holanda em 28 de outubro de 1466, vindo a falecer na Suíça, em 12 de julho de 
1536, ou seja, quase 20 anos após a Reforma. 
Ele estudou na Holanda, em Paris e depois, em 1498, foi estudar grego 
na Universidade de Oxford, onde teve uma sólida formação acadêmica. Foi 
ordenado ao sacerdócio em 1492. Com sua formação acadêmica e sua grande 
capacidade intelectual, ele veio a escrever grande obras. 
A primeira obra foi Enchiridion, ou Manual do cristão militante, que 
escreveu em 1503. Nessa obra, Erasmo recomenda duas “armas na guerra 
espiritual” — a oração e o conhecimento —, e conclama o cristão a seguir Jesus 
Cristo em seu exemplo moral. 
A segunda obra escrita por ele é Elogio da loucura, que foi finalizada em 
1509. Nessa obra, ele critica todo o padrão católico romano de espiritualidade 
exterior, as peregrinações, as relíquias, os atos de penitência e a estrutura 
hierárquica da Igreja. Essa ideia de espiritualidade exterior condenada por 
Erasmo há mais de 500 anos parece atualmente ser algo que tem assolado a 
Igreja contemporânea. 
Quando Lutero iniciou a Reforma Protestante, que dividiu a Igreja na 
Europa em 1517, Erasmo era, sem dúvida, o estudioso mais influente no 
continente. Era muito requisitado para aconselhar reis e o imperador. As 
principais universidades sempre o queriam e os bispos e arcebispos tinham de 
respeitá-lo (Olson, 2001, p. 373). 
 
 
 
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TEMA 2 – ULRICO ZUÍNGLIO 
Ulrico Zuínglio nasceu em 1 de janeiro 1484 na cidade de Glarus, na 
Suíça, vindo a falecer em 11 de outubro de 1531, aos 47 anos de idade. Ele 
recebeu boa educação humanista, pois sua família era de classe média alta. 
Estudou na Universidade de Basileia (Suíça) e na Universidade de Viena e foi o 
principal líder da Reforma Protestante na Suíça. Segundo Olson (2001, p. 410), 
Zuínglio “recebeu o mestrado de teologia na Basiléia em 1506 e quase 
imediatamente comprou um pastorado em sua cidade natal”. 
Mesmo sendo um grande teólogo e pregador, Olson (2001, p. 409) ainda 
cita que “o verdadeiro pai da teologia protestante reformada é Ulrico Zuínglio. 
Infelizmente, para ele, seu colega franco-suíço mais jovem, João Calvino, 
ofuscou seu brilho na história”. 
Assim como Lutero, Zuínglio enfatizava fortemente o princípio das 
escrituras, de que a Bíblia é a autoridade final para a fé e a prática cristãs e que 
se encontra em posição totalmente superior a todas as tradições humanas, que 
por ela devem ser julgadas. “Com Zuínglio e com a teologia reformada, a Bíblia 
assumiu condição privilegiada que Lutero não lhe atribuía” (Olson, 2001, p. 411). 
Com respeito ao entendimento de Deus e sua soberania, Zuínglio e Lutero 
divergiam. 
Enquanto Lutero acreditava e ensinava que Deus é a realidade que a 
tudo determina, Zuínglio colocava a soberania de Deus em posição 
especial dentro da teologia cristã. Lutero tratava a soberania de Deus 
com a parte do evangelho da graça, embora também fosse influenciado 
pelo nominalismo. Zuínglio e, posteriormente, Calvino tratavam a 
soberaniade Deus com o princípio fundamental do pensamento cristão 
[…]. Para Zuínglio, Calvino e seus colegas reformadores, era a doutrina 
da soberania e do poder de Deus que a tudo determinam. (Olson, 2001, 
p. 411) 
Para Zuínglio, a soberania de Deus é princípio fundamental do 
pensamento cristão, sendo que a soberania e o poder divino que determinaria 
tudo. 
A respeito da salvação do homem, “Zuínglio concordava total e 
fervorosamente com Lutero no tocante à salvação pela graça mediante a fé 
somente”. O ser humano só poderia ser salvo pela graça de Deus. “Além disso, 
definia a fé de modo muito semelhante a Lutero e rejeitava qualquer ideia de que 
a condição correta da pessoa com Deus (a justificação) pudesse ser merecida 
por algum tipo de obra” (Olson, 2001, p. 414). Tanto Zuínglio como Lutero tinham 
 
 
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o entendimento que não são as obras humanas que conduzem o ser humano à 
salvação, mas sim Deus por meio de sua graça e misericórdia. Ou seja, não são 
as obras humanas que justificam a pessoa. 
Zuínglio tinha a ideia de que a Igreja precisava ser reformada por meio da 
pregação do Evangelho puro de Cristo. Assim, ele passou a pregar a palavra ao 
povo. “Ele estava não apenas pregando a Bíblia, mas também permitindo que a 
Bíblia falasse diretamente a ele e à sua congregação” (George, 1994, p. 127). 
A respeito da ceia do Senhor, Zuínglio e Lutero tinham divergências. 
Zuínglio, “[…], ensinava aos protestantes suíços que a ceia do Senhor 
é simplesmente uma comemoração da morte de Cristo e que nela não 
há nenhum a “presença real” do corpo de Cristo”. Entretanto o 
entendimento de Lutero era, “que, embora fosse antibíblica a doutrina 
católica romana da transubstanciação, as palavras de Cristo ‘este é o 
meu corpo’ na última refeição com os discípulos comprova que existe 
uma ‘presença real’ do corpo de Cristo nos elementos do pão e do 
vinho”. (Olson 2001, p. 404-405) 
Ele tinha por objetivo limpar a Igreja dos vestígios católicos — aspectos 
como missa, penitência, imagens, veneração de Maria, oração pelos mortos, 
entre outros. Nesse ponto, foi muito mais longe que Lutero (Olson, 2001, p. 410). 
Além da ideia de reformar a Igreja, ele pretendia promover a reforma da 
sociedade toda. Sendo assim, não separou a Igreja do Estado. Para ele “a lei do 
evangelho é igualmente lei. Não apenas lei, naturalmente, posto que também 
aceitou a doutrina luterana do perdão dos pecados, como todos os reformadores” 
(Tillich, 1999, p. 256). 
Ele queria que houvesse um Estado reformado e que, para isso, usaria 
armas para conseguir o seu intento. No entendimento, a lei de Cristo é lei para 
a política, para o Estado, ou seja, para a sociedade toda e não somente para os 
cristãos. 
Zuínglio tinha uma posição firme em suas convicções e desse modo não 
se limitava somente em falar na Igreja. 
Zuínglio foi escritor prolífico bem com o pregador e conferencista 
objetivo. Participou de debates públicos com seus oponentes católicos 
em Zurique e engajou-se em guerras de panfletos contra seus críticos 
católicos, anabatistas e luteranos. Além disso, escreveu declarações 
da doutrina reformada para o rei da França e para o imperador Carlos 
V. (Olson, 2001, p. 410) 
Fica evidente que sua preocupação também ultrapassava os muros da 
Igreja e se estendia às pessoas fora da Igreja e também aos líderes políticos. 
 
 
7 
TEMA 3 – JOÃO CALVINO 
João Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509, na cidade de Noyon, no 
norte da França, e morreu no dia 27 de março de 1564, em Genebra, na Suíça. 
Sua mãe veio a falecer quando ele tinha apena 6 anos de idade. Na 
adolescência, foi enviado para a Universidade de Paris, onde estudou teologia. 
Ele foi muito influenciado por Lutero e Zuínglio, sendo considerado da segunda 
geração de reformadores. Calvino estudava aqueles que tinham ideias 
teológicas formadas e solidificadas, mas com o passar do tempo, ele 
desenvolveu grandes reflexões que vieram a influenciar a Igreja. 
As contribuições de Calvino para a teologia foram muito relevantes, pois 
ele era “um sistematizador como seus antecessores não o foram — isso garantiu 
a sua fama, pois ele se baseou muito em Lutero e Zuínglio (Olson, 1999, p. 399). 
Uma postura firme por parte de Calvino foi que ele tirou todas as imagens 
da Igreja, pois se opunha muito fortemente contra a idolatria. Ele tinha a 
compreensão “que a mente humana é ‘fabricadora de ídolos’. É uma das mais 
profundas afirmações feitas sobre o nosso pensamento a respeito de Deus. Até 
mesmo a teologia mais ortodoxa não passa, muitas vezes, de mera idolatria” 
(Tillich, 1988, p. 240-41). Dessa forma, se as pessoas não tivessem nada para 
olhar ou admirar, elas levariam sua mente a Deus. 
A grande reputação de Calvino se deve ao seu entusiasmo, à sua 
liderança e à sua mente sistemática brilhante, representada em sua obra-prima 
A Instituição da Religião Cristã, publicada em várias edições no decurso de sua 
vida. Tornou-se o principal manual de referência para a teologia reformada e 
ainda hoje é publicado, analisado, interpretado e debatido. 
Calvino fundou sua academia no ano de 1559 com a preocupação de 
capacitar pastores para que estes se voltassem às necessidades da Igreja. O 
objetivo aqui não era formar teólogos ou estudiosos que ficam divagando sobre 
os diferentes problemas teológicos, mas sim pastores, líderes que se 
preocupariam com as necessidades dos seus rebanhos. 
Calvino aceitava a inspiração verbal das escrituras, pois isso era um dos 
pontos enfatizados por ele. A “lei cerimonial do Antigo Testamento foi abolida em 
Jesus, mas os preceitos morais ainda continuam. Desse modo, a Bíblia é a lei 
do cristão (Tillich, 1988, p. 250). Suas ideias teológicas foram desenvolvidas 
“dentro desses limites: a objetividade da revelação de Deus nas Escrituras 
 
 
8 
Sagradas e o testemunho confirmador e iluminador do Espírito Santo no cristão” 
(George, 1994, p. 197). 
Com respeito à sua compreensão, ele afirmava que “a Igreja é necessária 
para gerar e nutrir a fé da pessoa. Para aqueles para quem Deus é pai, a Igreja 
pode ser sua mãe” (Bromiley, 1978, p. 265). Desse modo, é na Igreja que o 
cristão deve encontrar a acolhida e a orientação para a sua nova caminhada, 
mas também correção quando for necessário. 
Na compreensão de Calvino, três eram os elementos centrais da Igreja: 
doutrina, sacramentos e disciplina (Tillich, 1988, p. 248). Desse modo, é 
importante que a palavra seja pregada, os sacramentos sejam corretamente 
administrados e a disciplina deve ser observada no cotidiano da Igreja. 
Para Calvino, como para Lutero, as marcas mais certas (certeoribus) 
permaneciam na palavra puramente pregada e nos sacramentos 
corretamente administrados. Entretanto, ele não depreciou, por essa 
razão, a importância da disciplina para o bem-estar da Igreja. Se a 
doutrina salvífica de Cristo era a alma da Igreja, então a disciplina 
servia de tendões (pro nervis), mediante os quais os membros do corpo 
eram mantidos juntos, cada um em seu lugar próprio. A disciplina, 
então, dizia respeito à constituição e à organização, se não à definição 
da congregação verdadeira. Pertencia ao âmbito da visibilidade, à 
medida que isso também era um critério de teste, tanto 
individualmente, no autoexame, quanto comparativamente nos 
procedimentos públicos da admoestação, censura e excomunhão. 
(George, 1993, p. 234) 
A observação dada aos três elementos naquele tempo é algo que a Igreja 
atualmente precisa considerar e observar. 
Uns dos temas que Calvino debateu foi sobre a predestinação. Para ele, 
os cristãos são chamados para promover a glória de Deus sobre a terra e se 
preocupar com o seu Reino. Tudo o que acontece está debaixo da soberania de 
Deus. O mal não acontece somente por permissão de Deus, mas pela vontade 
ativa de Deus que não conseguimos compreender. Desse modo, isso implica na 
predestinação, ou seja, uns criados para a salvação eterna e outrospara a 
condenação eterna. Deus não é a fonte do mal, mas o usa para alcançar os seus 
objetivos. Até a condenação dos infiéis vai resultar em glória a Deus. Aqueles 
que se decidem por Cristo, mostram que foram escolhidos por Deus, e os que 
recusam não são escolhidos. Isso não faz de Deus alguém injusto, pois a sua 
justiça é muito superior à nossa (Hägglund, 1989, p. 224-225). 
Ele se fundamentava em Agostinho: “Deus realiza sua vontade justa por 
meio da vontade má dos homens maus”. Para Calvino, os homens “maus 
seguem a vontade de Deus, embora não sigam os seus mandamentos. Ao seguir 
 
 
9 
a vontade de Deus, os maus desafiam os mandamentos de Deus e, assim, 
tornam-se culpados (Tillich, 1988, p. 242- 243). 
Para Calvino, havia uma diferença entre a vontade secreta e a vontade 
revelada de Deus. A vontade revelada de Deus oferece o perdão e a misericórdia 
a todos que se arrependem e pedem perdão. Entretanto, a vontade secreta 
predeterminou algumas pessoas para a perdição, pois vão pecar e nunca vão se 
arrepender (Olson, 2001, p. 411). Porém, quando questionado mais a fundo 
sobre a questão, disse: “embora o homem tenha sido criado pela providência 
eterna de Deus para sofrer a calamidade à qual está sujeito [a queda, o pecado, 
a morte]; ainda assim, a causa provém do próprio homem, e não de Deus, visto 
que a única razão de sua ruína é que, da pura criação divina, ele se degenerou 
para a perversidade viciosa e impura” (Olson, 2001, p. 421, 422). 
TEMA 4 – MARTINHO LUTERO 
Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, Alemanha, em 10 de 
novembro de 1483, vindo a falecer dia 18 de fevereiro de 1546. Seu pai queria 
que ele se tornasse advogado, e Lutero resolveu atender ao seu pedido quando 
entrou na Universidade de Erfurt. 
Segundo a autobiografia que escreveu já no fim da vida, Lutero quase 
morreu atingido por um raio certa tarde de verão enquanto andava 
sozinho pela estrada. O raio derrubou-o no chão e, cheio de medo, 
clamou à sua padroeira: “Santa Ana, ajude-me em e tornarei monge!”. 
Pouco depois, o jovem estudante universitário vendeu todos os livros 
de Direito e bateu à porta do mosteiro agostiniano em Erfurt. Quando 
era noviço e depois, ao tornar-se monge, Lutero experimentou crises 
do que chamava Anfechtungen — ansiedade espiritual aguda sobre o 
estado de sua alma. (Olson, 2001, p. 385) 
Esse foi o início de sua vida religiosa. Na universidade estudou filosofia, 
teologia e Bíblia. “Lutero obteve o doutorado em Teologia na Universidade de 
Wittenberg em 1512 e, na mesma época, começou a lecionar ali matérias 
bíblicas” (Olson, 2001, p. 387). 
Em 1511, foi a Roma a serviço da ordem agostiniana, o que seria a viagem 
de sua vida, mas somente encontrou corrupção, imoralidade e apatia espiritual, 
o que o decepcionou profundamente. Após essa viagem, voltou à Alemanha 
“decepcionado e aflito e, provavelmente, com alguma determinação interior no 
sentido de encontrar uma solução para a letargia espiritual e teológica que havia 
provocado essa condição abismal da cidade santa” (Olson, 2001, p. 387). 
 
 
10 
Decepção essa que provavelmente outros padres e freis enfrentaram, entretanto 
não tiveram a coragem e a determinação de Lutero em se colocar contra aquilo 
que vinha prejudicando a Igreja. 
A decepção de Lutero diante daquilo que havia visto o conduziu a se 
posicionar ao ponto de, em 31 de outubro de 1517, fixar na porta da capela de 
Wittenberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais 
versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. 
Durante alguns anos, debateu com os católicos, até ser excomungado em 1520 
depois que se recusou a se retratar. 
O que Lutero não compreendeu quando anunciou suas teses foi que 
ele estava pisando em alguns dedos poderosos, e que ele estava 
incitando descontentamentos que estavam esperando por um longo 
tempo para serem expressos. Sem o seu conhecimento, as 95 teses, 
originalmente escritas em Latim como um documento acadêmico, 
foram traduzidas para o alemão, impressas e amplamente distribuídas 
por todo o país. O papa Leão X, um dos homens mais indignos a 
ocupar o pontificado de Pedro em todos os tempos, não foi capaz de 
entender as profundas questões espirituais envolvidas na controvérsia, 
nem se importou em entendê-las. Ele simplesmente viu o monge 
alemão como um obstáculo para os seus planos e comissionou o 
general dos agostinianos para silenciá-lo. (Gonzalez, 2014, p. 36-37) 
Ele foi considerado fora da lei, mas protegido por Frederico, o sábio da 
Saxônia (Alemanha). Ele ficou escondido até 1521 até que pudesse sair do seu 
esconderijo com segurança. Além da excomunhão, ele veio a sofrer 
perseguição, e estava correndo risco de vida, pois era considerado uma ameaça 
devido ao seu conhecimento e à sua influência. 
Como Lutero definiu o significado das escrituras? A Bíblia é o único 
fundamento da Igreja. A tradição precisa ocupar segundo plano. Naquele 
momento, as tradições estavam ocupando o primeiro lugar, sendo que essas 
eram determinantes na condução da Igreja. Igreja não pode ser o árbitro sobre 
o significado da escritura, pois a palavra de Deus é que julga a Igreja. 
O conceito que Lutero adotava sobre Deus e a salvação foi revolucionado 
por sua nova interpretação da justiça de Deus e do evangelho da justificação 
pela graça mediante a fé somente (Olson, 2001, p. 387). O ser humano é salvo 
pela fé em Jesus Cristo, e não pelas obras. Conforme Efésios 2: 8-9, “porque 
pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. 
Não vem de obras, para ninguém se glorie”. 
Como Lutero via a justificação? A contribuição mais conhecida de Lutero 
à teologia é a doutrina da justiça ou da “justificação pela graça mediante a fé 
 
 
11 
somente”. A justificação é o ato pelo qual Deus declara que uma pessoa está em 
um relacionamento certo com ele, ou seja, justo (Olson, 2001, p. 387). 
Conforme Romanos 3: 24-28, 
24. Sendo justificados gratuitamente por sua graça, por meio da 
redenção que há em Cristo Jesus. 
25. Deus o ofereceu como sacrifício para propiciação mediante a fé, 
pelo seu sangue, demonstrando a sua justiça. Em sua tolerância, havia 
deixado impunes os pecados anteriormente cometidos; 
26. mas, no presente, demonstrou a sua justiça, a fim de ser justo e 
justificador daquele que tem fé em Jesus. 
27. Onde está, então, o motivo de vanglória? É excluído. Baseado em 
que princípio? No da obediência à Lei? Não, mas no princípio da fé. 
28. Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente 
da obediência à Lei. 
Após a leitura e compreensão do texto de Efésios 2: 8-9 e de Romanos 
3:24-28, Lutero não tinha mais dúvidas de que a salvação e a justificação eram 
só através de Cristo Jesus. Para ele, “justificação é, antes de tudo, o decreto de 
absolvição que Deus pronuncia sobre nós, declarando-nos justificados a 
despeito de nossa pecaminosidade” (Gonzalez, 2014, p. 57). 
Como Lutero entendeu o arrependimento e o perdão dos pecados? O 
arrependimento não é uma ação penitencial temporária, mas uma conversão 
para a vida inteira, em que morre o velho homem e a nova vida vem pela 
participação. Nessa nova vida, o que importava era o arrependimento sincero. 
Esse arrependimento iria mostrar como andava o relacionamento com Deus, e 
não simplesmente o cumprimento de algumas ações para pagar pelo pecado. O 
homem estava livre para confessar o seu pecado a Deus e não precisava da 
intermediação de um sacerdote (Tillich, 1988, p. 213-14). 
TEMA 5 – A REFORMA DA IGREJA CATÓLICA OU CONTRARREFORMA 
Havia muitas vozes pedindo pela Reforma da Igreja Católica, mesmo 
independente da Reforma Protestante. É difícil conseguirmos separar 
claramente entre a defesa e o ataque. A Igreja Católica se defendeu dos ataques 
e ao mesmo tempo reafirmou, mudou ou tentou se adequar algumas de suas 
práticas. Nesse período, foi realizado o Concíliode Trento (1545-1563). 
 
 
 
12 
A Reforma da Igreja Católica, ou Contrarreforma, é algo que merece 
nossa atenção, pois, para Gonzalez (2004, p. 199), 
Durante o século 16 e começo do 17, um movimento poderoso por uma 
reforma interna varreu a Igreja Católica Romana. Como este 
movimento foi em parte uma resposta à Reforma Protestante, ele é 
geralmente chamado de Contrarreforma. Há razão para esse nome, 
pois uma grande parte da teologia do período foi influenciada pelo 
movimento protestante, tentando refutá-lo ou assegurar que as 
acusações que os protestantes dirigiram contra a Igreja Católica seriam 
doravante injustificadas Mas, por outro lado, tentar descrever este 
vasto movimento simplesmente em termos de resposta à ameaça 
protestante é um erro de perspectiva, introduzido por historiadores para 
quem todo o mundo parece ter se limitado aos eventos que 
aconteceram na Alemanha, Suíça e Inglaterra. 
Corroborando com Gonzalez (2004), Tillich (2000, p. 210) afirma que a 
Contrarreforma não foi apenas uma reação, mas a verdadeira Reforma. A Igreja 
Romana, depois dela, já não era a mesma. Estava determinada a se afirmar 
contra o grande ataque da Reforma. Um dos resultados característicos desse 
fato foi o estreitamento da Igreja. A Igreja medieval estava aberta a todas as 
influências. Esse espírito desapareceu na Contrarreforma. 
A Reforma Católica é a reflexão sobre si mesma, realizada pela Igreja, 
tendo em vista o ideal de vida católica que pode ser alcançado através de uma 
renovação interna. Nesse sentido, a Reforma da Igreja Católica foi uma postura 
da Igreja em fazer algumas reflexões sobre como estava seu andar, mas também 
a “contrarreforma é a autoafirmação da Igreja na luta contra o protestantismo” 
(Reale; Antiseri, 1990, p. 121). 
A Igreja Católica se defendeu dos ataques e ao mesmo tempo reafirmou 
ou mudou (adequou) algumas de suas práticas. Ela tentou reconquistar o que 
tinha perdido. Houve a tentativa de consertar os problemas internos da Igreja 
que levaram à Reforma Protestante. Medidas foram tomadas para acabar com 
a corrupção interna e os abusos da Igreja (McGrath, 1998, p. 172-73). 
Algumas contribuições foram positivas com respeito a esse movimento. 
Houve um olhar para dentro da própria Igreja, de tentar resolver os podres, e em 
meio a controvérsias definir o que pensavam estar correto. Começou-se a ter 
uma união maior e definição mais clara da sua doutrina. Voltou-se a praticar a 
disciplina na Igreja, dando indicações sobre a formação e o comportamento do 
clero (Reale; Antiseri, 1990, p. 121-122). Começou-se a formar dentro da Igreja 
Católica um espírito missionário. Inácio de Loyola cria em 1534 a Companhia de 
Jesus, tendo uma influência muito forte no tempo dos grandes descobrimentos. 
 
 
13 
Os jesuítas estenderam o poder do papa até os confins da terra, levando o 
evangelho e as ideias católicas. 
NA PRÁTICA 
O que levou Martinho Lutero a tomar a decisão de ir contra algumas 
questões da Igreja Católica, que conduziu à Reforma? 
Lutero teve que ter coragem e ousadia para tomar as decisões que tomou. 
Como devemos agir quando vemos que as coisas não estão no caminho certo? 
FINALIZANDO 
Vimos nesta aula os precursores da Reforma. A filosofia e a teologia de 
Guilherme de Ockham enfatizavam a vontade divina acima da natureza e da 
razão de Deus. João Wycliffe sua teologia foi em defesa da autoridade suprema 
das escrituras. Desidério Erasmo seu sonho era reformar a Igreja Católica 
Romana sem destruí-la. 
Um grande teólogo do século XVI, Ulrico Zuínglio, nasceu em 1º de janeiro 
1484 na cidade de Glarus na Suíça. Ele recebeu boa educação humanista, pois 
sua família era de classe média alta. Estudou na Universidade de Basileia 
(Suíça) e na Universidade de Viena. Foi o principal líder da Reforma Protestante 
na Suíça. 
João Calvino nasceu no dia 10 de julho de 1509, na cidade de Noyon, no 
norte da França, vindo a falecer no dia 27 de março de 1564, em Genebra, na 
Suíça. Ele foi muito influenciado por Lutero e Zuínglio, sendo considerado da 
segunda geração de reformadores. No entendimento de Calvino, havia a 
vontade secreta e a vontade revelada de Deus. A vontade revelada de Deus 
oferece o perdão e a misericórdia a todos que se arrependem e pedem perdão, 
mas a vontade secreta mostra que algumas pessoas vão pecar e nunca irão se 
arrepender. 
Martinho Lutero nasceu na cidade de Eisleben, Alemanha, em 10 de 
novembro de 1483, vindo a falecer em 18 de fevereiro de 1546. Lutero tinha o 
entendimento de que “justificação pela graça mediante a fé somente”. Em 31 de 
outubro de 1517, ele fixou na porta da capela de Wittenberg 95 teses que 
gostaria de discutir com os teólogos católicos aspectos relentes a respeito da 
teologia. Para Lutero, o arrependimento não é uma ação penitencial temporária, 
 
 
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mas uma conversão para a vida inteira, momento em que morre o velho homem. 
O arrependimento dessa pessoa mostraria como andava o relacionamento dela 
com Deus, e não simplesmente o cumprimento de algumas ações para pagar 
pelo pecado. 
 A Contrarreforma, ou a Reforma Católica, é a reflexão sobre si mesma 
realizada pela Igreja, tendo em vista o ideal de vida católica que pode ser 
alcançado através de uma renovação interna. A Igreja Católica se defendeu dos 
ataques e ao mesmo tempo reafirmou algumas de suas práticas. Ela tentou 
reconquistar o que tinha perdido. Houve a tentativa de consertar os problemas 
internos da Igreja que levaram à Reforma Protestante. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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