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PROBABILIDADE
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Sumário
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Sumário
Sumário ----------------------------------------------------------------------------------------------------- 2
1 Conjuntos ---------------------------------------------------------------------------------------------- 5
2 Operações com Conjuntos ------------------------------------------------------------------------ 5
3 Aplicações Dos Diagramas de Venn ------------------------------------------------------------ 6
3.1 Propriedade Comutativa: --------------------------------------------------------------------------------------- 7
3.2 Propriedade Distributiva: --------------------------------------------------------------------------------------- 7
4 Fatorial ------------------------------------------------------------------------------------------------- 7
5 Princípio Fundamental da Contagem (Princípio Multiplicativo) ------------------------ 7
6 Permutações (Arranjos) ---------------------------------------------------------------------------- 8
7 Permutações (Arranjos) com Itens Duplicados ---------------------------------------------- 9
8 Permutações (Arranjos) Com Repetição ----------------------------------------------------- 10
9 Combinações ----------------------------------------------------------------------------------------- 11
10 O Teorema Binomial ---------------------------------------------------------------------------- 11
11 Probabilidade ------------------------------------------------------------------------------------- 13
12 Modelos -------------------------------------------------------------------------------------------- 14
12.1 Modelo Determinístico ---------------------------------------------------------------------------------------- 14
12.2 Modelo Não-Determinístico ou Probabilístico --------------------------------------------------------- 14
13 Experimento Aleatório (Não-Determinístico) -------------------------------------------- 14
13.1 Características dos Experimentos Aleatórios ----------------------------------------------------------- 15
13.2 O Espaço Amostral --------------------------------------------------------------------------------------------- 15
13.3 Classificação de Um Espaço Amostra ---------------------------------------------------------------------- 16
14 EVENTOS ------------------------------------------------------------------------------------------- 17
14.1 Combinação de Eventos --------------------------------------------------------------------------------------- 17
14.2 Eventos Mutuamente Excludentes------------------------------------------------------------------------- 18
15 Conceitos de Probabilidade ------------------------------------------------------------------- 18
15.1 Definição Clássica de Probabilidade ----------------------------------------------------------------------- 19
16 A Definição de Probabilidade Como Frequência Relativa ---------------------------- 19
17 Definição Axiomática de Probabilidade --------------------------------------------------- 21
18 Probabilidade Condicionada E Independência ------------------------------------------ 23
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Sumário
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19 Teorema da Multiplicação -------------------------------------------------------------------- 24
20 Independência de Dois Eventos -------------------------------------------------------------- 24
21 Teoremas da Probabilidade Total e de Bayes ------------------------------------------- 26
22 Teorema de Bayes ------------------------------------------------------------------------------- 28
23 Variáveis Aleatórias ---------------------------------------------------------------------------- 28
24 Variável Aleatória Discreta ------------------------------------------------------------------- 30
24.1 A Função de Probabilidade ----------------------------------------------------------------------------------- 30
24.2 Representação da Função de Probabilidade ------------------------------------------------------------ 31
25 A Função de Distribuição Acumulada ------------------------------------------------------ 32
26 Variável Aleatória Discreta (Caracterização) -------------------------------------------- 33
27 Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas ------------------------------------ 36
27.1 A Distribuição Binomial --------------------------------------------------------------------------------------- 36
27.2 Propriedades da Distribuição Binomial ------------------------------------------------------------------- 38
28 A Distribuição Hipergeométrica ------------------------------------------------------------- 40
29 Propriedades da Distribuição Hipergeométrica ----------------------------------------- 41
30 A Distribuição de Poisson --------------------------------------------------------------------- 43
31 Propriedades da Distribuição de Poisson ------------------------------------------------- 46
32 Relação Entre as Distribuições Binomial e Poisson ------------------------------------- 47
33 Cálculo de Probabilidade Com Uma Vac -------------------------------------------------- 48
34 A Função de Distribuição Acumulada ------------------------------------------------------ 50
35 Variável Aleatória Contínua (Caracterização) ------------------------------------------- 50
36 Distribuições Especiais de Probabilidade Contínuas ----------------------------------- 52
36.1 A Distribuição Uniforme -------------------------------------------------------------------------------------- 52
36.2 Propriedades da Distribuição Uniforme ------------------------------------------------------------------ 52
36.3 A Distribuição Exponencial ----------------------------------------------------------------------------------- 54
36.4 Propriedades da Distribuição Exponencial --------------------------------------------------------------- 55
36.5 A Distribuição Normal ----------------------------------------------------------------------------------------- 56
36.6 Propriedades da Distribuição Normal --------------------------------------------------------------------- 57
37 Tabelas --------------------------------------------------------------------------------------------- 59
38 Relação Entre as Distribuições Binomial e Normal ------------------------------------- 61
39 Propriedades da Média e Variância de Variáveis Aleatórias ------------------------ 63
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Sumário
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39.1 Média -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 63
39.2 A Mediana e a Moda ------------------------------------------------------------------------------------------- 64
40 Desigualdades de Tchebycheff e Camp-Meidell ---------------------------------------- 64
41 Referências ---------------------------------------------------------------------------------------- 66
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Conjuntos
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1 Conjuntos
As ideias básicas da teoria dos conjuntos foram desenvolvidas pelo Matemático
Alemão Georg Cantor (1845-1918) em 1875 mais ou menos.
A palavra conjunto é indefinida. Para escrever um conjunto usam-se chaves. Os
elementos de um conjunto são escritos separados por vírgula e a ordem em que são
escritos é irrelevante. Se o conjunto é infinito usa-se três pontos para indicar o fato. O
nome de um conjunto é escrito com letra maiúscula, enquanto os dos seus elementos
com letra minúscula. Alguns conjuntos têm representação especial como, por
exemplo, o conjunto dos números naturais: ℵ.
O número de elementos de um conjunto é denominado de númerocardinal ou
simplesmente cardinal do conjunto. Representa-se por n(A) e lê-se “ene de A”.
Em muitas situações existe a ideia declarada ou implícita de um universo de
discurso. Este universo inclui todas as coisas em discussão a um dado tempo. Com
conjuntos, o universo do discurso é denominado de conjunto universal ou conjunto
universo. Este conjunto é normalmente representado pela letra U. O conjunto universo
pode variar de situação para situação.
A ideia de conjunto universal foi dada pelo logicista John Venn (1834-1923) que
desenvolveu diagramas de conjuntos conhecidos como Diagramas de Venn. Venn
comparou o conjunto universo ao nosso campo de visão. Ele mantém as coisas que
focamos e ignora tudo o resto.
2 Operações com Conjuntos
O complemento de um conjunto A, representado por A ou A’, é o conjunto de
todos os elementos de U que não são elementos de A, ou
A’ = { x | x ∈ U e x ∉ A }
A interseção dos conjuntos A e B, representada por A∩B, é o conjunto formado
pelos elementos comuns a A e a B, ou
A∩B = { x | x ∈ A e x ∈ B }
Dois conjuntos A e B que não possuem elementos em comum, isto é, tais que
A∩B = ∅ são denominados conjuntos disjuntos.
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Aplicações Dos Diagramas de Venn
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A união de dois conjuntos A e B, representada por AUB, é o conjunto de todos
os elementos pertencentes tanto a A quanto a B, ou AUB = { x | x ∈ A ou x ∈ B }
A diferença entre os conjuntos A e B, escrita A - B, é o conjunto de todos os
elementos que pertencem ao conjunto A e não ao B, ou A - B = { x | x ∈ A e x ∉ B }
Observação: Ao escrever um conjunto que contém vários elementos, a ordem em
que os elementos aparecem não é relevante. Por exemplo, { 5, 1 } = { 1, 5 }. No entanto,
existem muitas situações na Matemática onde a ordem de dois ou mais objetos é
importante. Isto leva a ideia de par ordenado. Quando escrever um par ordenado use
parênteses ao invés de chaves que são reservadas para escrever conjuntos.
No par ordenado (a, b), “a” é denominado de primeira componente e “b” é
chamada de segunda componente. Em geral (a, b) ≠ (b, a). Assim AxB = { (a, b) | a ∈
A e b ∈ B }.
Note-se que AxB não é igual a BxA, embora a ordem em que os pares são escritos
dentro de cada conjunto não seja importante, o que importa é a ordem dentro do par
e não entre pares.
Se n(A) = a e n(B) = b então n(AxB) = ab.
3 Aplicações Dos Diagramas de Venn
Os diagramas de Venn podem ser usados para ilustrar propriedades das
operações entre conjuntos. Por exemplo, verificar que a operação entre conjuntos A -
B é igual a A∩B’. Outras propriedades que podem ser verificadas através dos
diagramas são:
As leis de De Morgan (em homenagem ao lógico Britânico Augustus de Morgan
(18051871)):
(A∩B)’ = A’UB’
(AUB)’ = A’∩B’
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Fatorial
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3.1 Propriedade Comutativa:
AUB = BUA A∩B = B∩A
Propriedade associativa:
(AUB)UC = AU(BUC)
(A∩B)∩C = A∩(B∩C)
3.2 Propriedade Distributiva:
A∩(BUC) = (A∩B)U(A∩C)
AU(B∩C) = (AUB) ∩(AUC)
Propriedades da identidade:
AU∅ = A
A∩U = A
4 Fatorial
Um professor comprou 5 novos livros e quer colocá-los lado a lado em uma
estante. Quantos maneiras diferentes existem de colocar os 5 livros?
Para o primeiro espaço, existem 5 escolhas possíveis, uma para cada livro. Uma
vez colocado o primeiro livro, restam 4 escolhas para o segundo espaço e assim por
diante. Então o número de escolhas diferentes é: 5.4.3.2.1 = 120. Este tipo especial de
multiplicação tem um símbolo próprio: 5!. De um modo geral se dispomos de um
número n, então o produto acima é representado por n! e é lido “ene fatorial”, isto é:
n! = n(n - 1)(n - 2) ... 3.2.1 e têm-se também que 0! = 1
A relação n! = n(n -1)! Poderá ser útil em algumas situações.
5 Princípio Fundamental da Contagem (Princípio
Multiplicativo)
Suponha que se possa fazer “n” escolhas independentes com:
U
A B
C
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Permutações (Arranjos)
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• m1 maneiras de fazer a escolha 1,
• m2 maneiras de fazer a escolha 2,
• mn maneiras de fazer a escolha n.
Então existem m1.m2...mn maneiras diferentes de fazer a sequência inteira de
escolhas.
Exemplo
Um antigo trabalho da filosofia chinesa conhecido como I Ching (Livro das
Mutações) é às vezes usada como um oráculo do qual as pessoas podem procurar e
obter conselhos. A filosofia descreve a dualidade do universo em termos de duas
forças primárias: yin (passiva, escura, receptiva) e yang (ativa, brilhante, criativa). A
energia yin é representada por uma linha pontilhada (---) e a yang por uma linha
sólida ( ). Estas linhas são escritas uma sobre as outras em grupos de três,
denominadas de triagramas. Por exemplo, o triagrama é chamado de Tui, o “Joyous”,
e é a imagem de um lago.
(a) Quantos triagramas diferentes existem?
(b) Os triagramas são agrupados juntos, um sobre o outro, em pares
conhecidos como, hexagramas. Cada hexagrama representa um aspecto da
filosofia I Ching. Quantos hexagramas existem?
Solução:
(a) A escolha reside entre duas linhas para cada uma das 3 posições
do triagrama. Existem duas escolhas para cada posição e como são 3 posições,
existem então: 2.2.2 = 8 triagramas diferentes.
(b) Para cada posição no hexagrama, existem 8 possíveis triagramas,
dando então: 8.8 = 64 hexagramas.
6 Permutações (Arranjos)
Uma permutação consiste no número de possíveis maneiras de arranjar, ou
ordenar, certos conjuntos de objetos. Embora o princípio fundamental da contagem
pode ser aplicado a questões de arranjar, é possível desenvolver uma abordagem mais
eficiente.
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Permutações (Arranjos) com Itens Duplicados
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O número de permutações de “n” objetos distintos tomados em grupos de “r”,
onde “r” é menor que “n” é representado por P(n, r). Aplicando o princípio
fundamental da contagem a agrupamentos deste tipo, tem-se:
P(n, r) = n(n - 1)(n - 2) ... [n - (r - 1)].
Simplificando o último fator acima vem:
O número de permutações, ou arranjos, de “n” objetos distintos,
tomados “r” a cada vez, onde r ≤ n, é dado por:
P(n, r) = n(n - 1)(n - 2) ... (n - r + 1).
Exemplo
Calcular cada permutação:
P(4, 2) = 4.3 = 12
P(7, 3) = 7.6.5 = 210
P(5, 5) = 5.4.3.2.1 = 120 = 5!
O número de permutações pode ser expresso em função do fatorial da
seguinte forma: P(n, r) = n! / (n - r)!
7 Permutações (Arranjos) com Itens Duplicados
Permutações também podem ser realizadas com itens duplicados. Por exemplo,
de quantas maneiras diferentes pode-se arranjar a palavra zoo? (A ideia aqui é que o
conjunto, das letras, da palavra zoo, contém dois elementos o indistinguível, não que
um único “o” é repetido. Desta forma, se está lidando com itens duplicados e não com
repetições. Uma vez que, dois “o” podem ser arranjados em 2! diferentes maneiras, o
número de arranjos diferentes (ou distinguíveis) é: 3! / 2! = 3 (zoo, ozo, ooz) Desta
forma, pode-se definir:
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Permutações (Arranjos) Com Repetição
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Se uma coleção de “n” objetos contém n1 que são idênticos, outros, n2
que são idênticos entre si, mas diferentes dos primeiros n1 e assim
sucessivamente, até nk, então o número de arranjos distinguíveis de todos
os “n” objetos é dado por:
n! / (n1!n2!...nk!)
Exemplo
Quantos arranjos distintos podem ser feitos com as letras da palavra “estatística”?
Solução:
Neste caso tem-se um total de 11 letras, das quais n1 = 2 (o “s” ocorre duas
vezes), n2 = 3 ( o “t” ocorre 3 vezes), n3 = 2 ( o “a” ocorre duas vezes) e n4 = 2 ( a letra
“i” ocorre duas vezes).
Então, existem:
11! / 2! 3! 2! 2! = 831 600 arranjos distintos de letras da palavra “estatística”.
8 Permutações(Arranjos) Com Repetição
Considere-se “n” elementos tomados “r” a “r”, onde são permitidas as repetições,
isto é, o mesmo elemento pode ocorrer mais de uma vez. Então o número de
permutações (arranjos), não necessariamente distintos, é dado por: nr, isto é:
P(n, r) = nr
Exemplo
Uma urna contém bolas vermelhas, brancas e pretas. Uma bola é extraída e após
anotada a sua cor volta para a urna. Então uma segunda bola é extraída e anotada
igualmente a cor. Quantas são as possíveis sequências de cores observadas?
Solução:
Como cada extração fornece uma cor entre { V, B, P } o número de sequências
possíveis é, pelo princípio fundamental da contagem: 3.3 = 32 = 9.
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Combinações
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9 Combinações
Existem certos arranjos onde a ordem entre os elementos não é importante, por
exemplo, para calcular a probabilidade de acertar a sena, a quina, etc. não é necessário
saber a ordem em que os números foram sorteados, mas apenas a combinação de
números. Permutações (arranjos) onde a ordem não interessa são denominadas de
combinações.
O número de combinações de “n” objetos tomados em grupos de “r” é
representado por C(n, r) ou por:(𝑛/𝑟).
O número de combinações, ou subconjuntos, de “n” objetos
tomados em grupos de “r”, onde r ≤ n é dado por:
C(n, r) = P(n, r) / r! = n! / r!(n - r)!
Exemplo
Uma forma comum de pôquer consiste em mãos (conjuntos) de cinco cartas
cada, retiradas de um baralho padrão de 52 cartas. Quantas mãos diferentes são
possíveis?
Solução:
Neste caso a ordem não é importante, pois uma dada mão de cartas depende
apenas das cartas que ela contém e não da ordem específica que elas foram dadas.
Neste caso, então, aplica-se o conceito de combinação:
Assim C(52, 5) = 52! / 5!.47! = 2 598 960.
10 O Teorema Binomial
Avaliar a expressão (x + y)n para vários valores de “n” fornece uma família de
expressões, denominadas de expansão binomial, que são importantes na Matemática,
principalmente na teoria probabilística. Algumas expansões de (x + y)n estão listadas
abaixo.
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O Teorema Binomial
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(x + y)1 = x + y
(x + y)2 = x2 + 2xy + y2
(x + y)3 = x3 + 3x2y + 3xy2 + y3
(x + y)4 = x4 + 4x3y + 6x2y2 + 4xy3 + y4
Examinando estas expressões pode-se identificar um padrão, que pode ser
escrito como:
Um outro método de encontrar os coeficientes dos termos da expansão binomial
é dado pelo triângulo de Pascal (ou Tartaglia, de acordo com NOG75), onde cada
número no triângulo pode ser encontrado somando-se os dois números
imediatamente superiores a ele. Veja-se o exemplo, abaixo, mostrando uma parte do
triângulo.
1
1 1
1 2 1
1 3 3 1
1 4 6 4 1
1 5 10 10 5 1
1 6 15 20 15 6 1
............................................
Pode-se observar que a soma de cada linha do triângulo acima é 2n onde n é o
número da linha. Assim para a primeira linha tem-se 1 = 20, para a segunda: 1 + 1 =
21, para a terceira 1 + 2 + 1 = 22 e assim por diante.
Este triângulo expresso como coeficientes fica:
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Probabilidade
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Note que a primeira linha do triângulo contém os coeficientes do
desenvolvimento de (x + a)0. A segunda linha do triângulo contém os coeficientes do
desenvolvimento de (x + a)1. A terceira linha do triângulo contém os coeficientes do
desenvolvimento de (x + a)2 e assim por diante.
Pelo triângulo fica fácil verificar a validade da relação de Stiefel:(
𝑛
𝑟
) = (
𝑛−1
𝑟
) +
(
𝑛−1
𝑟−1
), para n≥ 2
E também que: (
𝑛
𝑟
) = (
𝑛
𝑛−𝑟
)
A propriedade vista de que a soma das linhas é igual a 2n pode então ser expressa
como: ∑ (
𝑛
𝑟
)𝑛𝑟=0 =2
𝑛
11 Probabilidade
A ciência manteve-se até pouco tempo atrás, firmemente apegada à lei da “causa
e efeito”. Quando o efeito esperado não se concretizava, atribuía-se o fato ou a uma
falha na experiência ou a uma falha na identificação da causa. Não poderia haver
quebra da cadeia lógica. Segundo Laplace (Pierre Simon) uma vez conhecidas a
vizinhança, a velocidade e a direção de cada átomo no universo, poder-se-ia, a partir
de aí predizer com certeza, o futuro até a eternidade.
Sabe-se hoje, através do princípio da incerteza, que não é bem assim. Que não
existem meios que permitam determinar os movimentos dos elétrons individuais se
conhecido a sua velocidade, conforme o estabelecido em 1927, pelo físico alemão W.
Heinsenberg.
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Modelos
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12 Modelos
Conforme J. Neymann, toda a vez que se emprega matemática com a finalidade
de estudar algum fenômeno deve-se começar por construir um modelo matemático.
Este modelo pode ser: determinístico ou então probabilístico.
12.1 Modelo Determinístico
Neste modelo as condições sob as quais o experimento é executado, determinam
o resultado do experimento. Tome-se, por exemplo, a lei de Ohm, V = I.R. Se R e I
forem conhecidos, então V estará precisamente determinado.
12.2 Modelo Não-Determinístico ou Probabilístico
É um modelo em que de antemão não é possível explicitar ou definir um
resultado particular. Este modelo é especificado através de uma distribuição de
probabilidade. É utilizado quando se tem um grande número de variáveis
influenciando o resultado e estas variáveis não podem ser controladas. Tome-se por
exemplo, o lançamento de um dado onde se tenta prever o número da face que irá
sair, a retirada de uma carta de um baralho, etc.
O modelo estocástico é caracterizado como um modelo probabilístico que
depende ou varia com o tempo.
13 Experimento Aleatório (Não-Determinístico)
Não existe uma definição satisfatória de Experimento Aleatório. Por isto é
necessário ilustrar o conceito um grande número de vezes para que a ideia fique bem
clara. Convém lembrar que os exemplos dados são de fenômenos para os quais
modelos probabilísticos são adequados e que por simplicidade, são denominados de
experimentos aleatórios, quando, de fato, o que deveria ser dito é “modelo não-
determinístico aplicado a um experimento”.
Ao descrever um experimento aleatório deve-se especificar não somente que
operação ou procedimento deva ser realizado, mas também o que é que deverá ser
observado. Note-se a diferença entre E2 e E3.
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Experimento Aleatório (Não-Determinístico)
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E1: Joga-se um dado e observa-se o número obtido na face superior.
E2: Joga-se uma moeda 4 vezes e o observa-se o número de caras obtido.
E3: Joga-se uma moeda 4 vezes e observa-se a sequência de caras e coroas.
E4: Um lote de 10 peças contém 3 defeituosas. As peças são retiradas uma a
uma (sem reposição) até que a última defeituosa seja encontrada. Conta-se o
número de peças retiradas.
E5: Uma lâmpada nova é ligada e observa-se o tempo gasto até queimar.
E6: Lança-se uma moeda até que ocorra uma cara e conta-se então o número
de lançamentos necessários.
E7: Lançam-se dois dados e anota-se o total de pontos obtidos. E8: Lançam-
se dois dados e anota-se o par obtido.
13.1 Características dos Experimentos Aleatórios
Observando-se os exemplos acima pode-se destacar algumas características
comuns:
• Podem ser repetidos indefinidamente sob as mesmas condições.
• Não se pode adiantar um resultado particular, mas pode-se
descrever todos os resultados possíveis
• Se repetidos muitas vezes apresentarão uma regularidade em
termos de frequência de resultados.
13.2 O Espaço Amostral
É o conjunto de todos os resultados possíveis de um experimento aleatório.
Anota-se por S, E ou Ω.
Exemplo
Determinar o espaço amostra dos experimentos anteriores. Si refere-se ao
experimento Ei.
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Experimento Aleatório (Não-Determinístico)
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S1 = { 1, 2, 3,4, 5, 6 }
S2 = { 0, 1, 2, 3, 4 }
S3 = { cccc, ccck, cckc, ckcc, kccc, cckk, kkcc, ckck, kckc, kcck, ckkc, ckkk,
kckk, kkck, kkkc, kkkk }
S4 = { 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 , 10 }
S5 = { t ∈ℜ / t ≥ 0 }
S6 = { 1, 2, 3, 4, 5, ... }
S7 = { 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 }
S8 = { (1, 1), (1, 2), (1, 3), (1, 4), (1, 5), (1, 6)
(2, 1), (2, 2), (2, 3), (2, 4), (2, 5), (2, 6)
(3, 1), (3, 2), (3, 3), (3, 4), (3, 5), (3, 6)
(4, 1), (4, 2), (4, 3), (4, 4), (4, 5), (4, 6)
(5, 1), (5, 2), (5, 3), (5, 4), (5, 5), (5, 6)
(6, 1), (6, 2), (6, 3), (6, 4), (6, 5), (6, 6) }
Ao descrever um espaço amostra de um experimento, deve-se ficar atento para
o que se está observando ou mensurando. Deve-se falar em “um” espaço amostral
associado a um experimento e não de “o” espaço amostral. Deve-se observar ainda
que nem sempre os elementos de um espaço amostral são números.
13.3 Classificação de Um Espaço Amostra
Um espaço amostral, conforme exemplos anteriores pode ser classificado em:
(a)Finito. São os espaços: S1, S2, S3, S4, S7 e S8
(b) Infinitos. (i) Enumeráveis (ou contáveis): S6 (ii) Não-enumeráveis
(ou não contáveis): S5
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Eventos
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14 Eventos
Qualquer Subconjunto De Um Espaço Amostra S É Denominado Um Evento.
Assim tem-se que:
S é o evento certo;
{ a } é o evento elementar e
∅ é o evento impossível.
Convém observar que tecnicamente todo subconjunto de um espaço amostra é
um evento apenas quando ele for finito ou, então, infinito enumerável. Se o espaço
amostra é infinito não-enumerável é possível construir subconjuntos que não são
eventos. Se S é finito, isto é, #(S) = n então o número de eventos possíveis é #P(A) =
2n.
14.1 Combinação de Eventos
Pode-se realizar operações entre eventos da mesma forma que elas são
realizadas entre conjuntos. Antes de definir as operações é conveniente conceituar o
que se entende por ocorrência de um evento.
Seja E um experimento com um espaço amostra associado S. Seja A um evento
de S. É dito que o evento A ocorre se realizada a experiência, isto é, se executado E, o
resultado for um elemento de A.
Sejam A e B dois eventos de um mesmo espaço amostra S. Diz-se que ocorre o
evento:
1. A união B ou A soma B, anotado por A∪B, se e somente se A ocorre ou B
ocorre.
2. A produto B ou A interseção B, anotado por A∩B ou AB, se e somente A
ocorre e B ocorre.
A ∪ B
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Conceitos de Probabilidade
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A∩B
3. A menos B ou A diferença B, anota-se A - B, se e somente se A ocorre e B não
ocorre.
A-B
4.O complementar de A, anotado por 𝐴,̅ 𝐴𝐶 ou ainda A’ se e somente se A não
ocorre.
A’
14.2 Eventos Mutuamente Excludentes
Dois eventos A e B, são denominados mutuamente exclusivos ou excludentes, se
eles não puderem ocorrer juntos, isto é, se A∩B = ∅.
15 Conceitos de Probabilidade
Existem três formas de se definir probabilidade. A definição clássica, a definição
frequencial e a definição axiomática.
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A Definição de Probabilidade Como Frequência Relativa
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15.1 Definição Clássica de Probabilidade
Seja E um experimento aleatório e S um espaço amostra associado formado por
“n” resultados igualmente prováveis. Seja A ⊆ S um evento com “m” elementos. A
probabilidade de A, anotada por P(A), lê-se pe de A, é definida como sendo:
P(A) = m / n
Isto é, a probabilidade do evento A é o quociente entre o número “m” de casos
favoráveis e o número “n” de casos possíveis.
Exemplo
Calcular a probabilidade de no lançamento de um dado equilibrado obter-se:
a- Um resultado igual a 4.
b- Um resultado ímpar.
Solução:
S = { 1, 2, 3, 4, 5, 6 } n = #(S) = 6
A = { 4 } m = #(A) = 1 então P(A) = m / n = 1 / 6 = 16,67%
B = { 1, 3, 5 } m = #(B) = 3 então P(B) = m / n = 3 / 6 = 50%
Crítica à definição clássica
A definição clássica é dúbia, já que a ideia de “igualmente provável” é a mesma
de “com probabilidade igual”, isto é, a definição é circular, porque está definindo
essencialmente a probabilidade com seus próprios termos.
A definição não pode ser aplicada quando o espaço amostral é infinito.
16 A Definição de Probabilidade Como Frequência Relativa
Na prática acontece que nem sempre é possível determinar a probabilidade de
um evento. Neste caso é necessário ter um método de aproximação desta
probabilidade. Um dos métodos utilizados é a experimentação que objetiva estimar o
valor da probabilidade de um evento A com base em valores reais. A probabilidade
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A Definição de Probabilidade Como Frequência Relativa
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avaliada através deste processo é denominada de probabilidade empírica.
Frequência relativa de um evento
Seja E um experimento e A um evento de um espaço amostra associado ao
experimento E. Suponha-se que E seja repetido “n” vezes e seja “m” o número de vezes
que A ocorre nas “n” repetições de E. Então a frequência relativa do evento A, anotada
por frA, é o quociente:
frA = m / n = (número de vezes que A ocorre) / (número de vezes que E é
repetido)
Exemplo
Uma moeda foi lançada 200 vezes e forneceu 102 caras. Então a frequência
relativa de “caras” é: frA = 102 / 200 = 0,51 = 51%
Um dado foi lançado 100 vezes e a face 6 apareceu 18 vezes. Então a frequência
relativa do evento A = { face 6 } é:
frA = 18 / 100 = 0,18 = 18%
Propriedades da frequência relativa
Seja E um experimento e A e B dois eventos de um espaço amostra associado S.
Sejam frA e frB as frequências relativas de A e B respectivamente. Então.
0 ≤ frA ≤ 1, isto é, a frequência relativa do evento A é um número que varia
entre 0 e 1.
frA = 1 se e somente se, A ocorre em todas as “n” repetições de E.
frA = 0, se e somente se, A nunca ocorre nas “n” repetições de E.
frAUB = frA + frB se A e B forem eventos mutuamente excludentes.
Definição
Seja E um experimento e A um evento de um espaço amostra associado S.
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Definição Axiomática de Probabilidade
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Suponhamos que E é repetido “n” vezes e seja frA a frequência relativa do evento.
Então a probabilidade de A é definida como sendo o limite de frA quando “n” tende
ao infinito. Ou seja:
P(A) = lim frA n→∞
Deve-se notar que a frequência relativa do evento A é uma aproximação da
probabilidade de A. As duas se igualam apenas no limite. Em geral, para um valor de
n, razoavelmente grande a frA é uma boa aproximação de P(A).
Crítica à definição frequencial
Esta definição, embora útil na prática, apresenta dificuldades matemáticas, pois
o limite pode não existir. Em virtude dos problemas apresentados pela definição
clássica e pela definição frequencial, foi desenvolvida uma teoria moderna, na qual a
probabilidade é um conceito indefinido, como o ponto e a reta o são na geometria.
17 Definição Axiomática de Probabilidade
Seja E um experimento aleatório com um espaço amostra associado S. A cada
evento A ⊆ S associa-se um número real, representado por P(A) e denominado
“probabilidade de A”, que satisfaz as seguintes propriedades (axiomas):
(i) 0 ≤ P(A) ≤ 1; (ii) P(S) = 1;
P(AUB) = P(A) + P(B) se A e B forem eventos mutuamente excludentes.
Se A1, A2, ..., An, ..., forem, dois a dois, eventos mutuamente excludentes,
então:
Consequências dos axiomas (propriedades)
P(∅) = 0 Prova
Seja A ⊆ S então tem-se que A∩∅ = ∅, isto é, A e ∅ são mutuamente
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Definição Axiomática de Probabilidade
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excludentes. Então:
P(A) = P(A∪∅) = P(A) + P(∅), pela propriedade 3. Cancelando P(A) em ambos
os lados da igualdade segue que P(∅)= 0.
Se A e A são eventos complementares então:
P(A) + P( A ) = 1 ou P( A ) = 1 - P(A)
Tem-se que A∩ A = ∅ e A∪ A = S. Então:
1 = P(S) = P(A∪A ) = P(A) + P( A ), pela propriedade 3.
Se A ⊆ B então P(A) ≤ P(B)
Tem-se: B = A∪(B - A) e A∩(B - A) = ∅
Assim P(B) = P(A∪(B - A)) = P(A) + P(B - A) e como P(B - A) ≥ 0 segue que:
P(B) ≥ P(A)
Se A e B são dois eventos quaisquer então:
P(A - B) = P(A) - P(A∩B)
A = (A - B)∪(A∩B) e (A - B) ∩(A∩B) = ∅
Logo P(A) = P((A - B)∪(A∩B)) = P(A - B) + P(A∩B). Do que segue:
P(A - B ) = P(A) - P(A∩B).
Se A e B são dois eventos quaisquer de S, então:
P (A∪B) = P(A) + P(B) - P(A∩B)
A∪B = (A - B)∪B e (A - B)∩B= ∅ Tem-se então:
P(A∪B) = P((A - B)∪B) = P(A - B) + P(B) = P(A) + P(B) - P(A∩B), pela
propriedade (iv).
P(A∪B∪C) = P(A) + P(B) + P(C) - P(A∩B) - P(A∩C) - P(B∩C) + P(A∩B∩C)
Faz-se B∪C = D e aplica-se a propriedade (v) duas vezes.
Se A1, A2, ..., An são eventos de um espaço amostra S, então: P(A1∪A2∪...∪An)
=
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Probabilidade Condicionada E Independência
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18 Probabilidade Condicionada E Independência
Suponha-se que se quer extrair duas peças ao acaso de um lote que contém 100
peças das quais 80 peças são boas e 20 defeituosas, de acordo com os critérios (a)
com reposição e (b) sem reposição. Define-se os seguintes eventos:
A = { A primeira peça é defeituosa } e B = { A segunda peça é defeituosa }.
Então, se a extração for com reposição P(A) = P(B) = 20 / 100 = 1 / 5 = 20%,
porque existem 20 peças defeituosas num total de 100.
Agora se a extração for sem reposição tem-se ainda que P(A) = 20 / 100 = 20%,
mas o mesmo não é verdadeiro para P(B). Neste caso, é necessário conhecer a
composição do lote no momento da extração da segunda peça, isto é, é preciso saber
se a primeira peça retirada foi ou não defeituosa. Neste caso é necessário saber se A
ocorreu ou não. O que mostra a necessidade do conceito de probabilidade
condicionada.
Sejam A e B dois eventos de um espaço amostra S, associado a um experimento
E, onde P(A) > 0. A probabilidade de B ocorrer condicionada a A ter ocorrido, será
representada por P(B/A), e lida como: “probabilidade de B dado A” ou “probabilidade
de B condicionada a A”, e calculada por:
P(B/A) = P(A∩B) / P(A)
No exemplo acima, então P(B/A) = 19 / 99, pois se A ocorreu (isto é, se saiu peça
defeituosa na primeira retirada) existirão na urna apenas 99 peças das quais 19
defeituosas.
Sempre que se calcular P(B/A) está se calculando a probabilidade de ocorrência
do evento B em relação ao espaço amostra reduzido A, ao invés de fazê-lo em relação
ao espaço amostral original S.
Quando se calcula P(B) está se calculando a probabilidade de estar em B,
sabendo-se que se está em S, mas quando se calcula P(B/A) está calculando a
probabilidade de B, sabendo-se que se está em A agora e não mais em S, isto é, o
espaço amostra fica reduzido de S para A. É simples verificar as seguintes
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Teorema da Multiplicação
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propriedades de P(B/A) para A fixado:
0 ≤ P(B/A) ≤ 1,
P(S/A) = 1,
P(B1∪B2/A) = P(B1 / A) + P(B2 / A) se B1 ∩B2 = ∅
P(B1∪B2
..../A) = P(B1/A) + P(B2/A) + ... se Bi ∩Bj = ∅ para i ≠ j.
Observe-se que estas propriedades são idênticas aos axiomas de probabilidade.
Pode-se também comparar P(A/B) e P(A). Para tanto considere-se os quatro casos
ilustrados nos diagramas abaixo:
Tem-se:
P(A/B) = 0, porque A não poderá ocorrer se B tiver ocorrido.
P(A/B) = P(A∩B) / P(B) = [P(A) / P(B)] ≥ P(A), já que P(A) ≤ P(B), pois A ⊆ B.
P(A/B) = P(A∩B) / P(B) = [P(B) / P(B)] = 1 ≥ P(A).
Neste caso nada se pode afirmar sobre o relacionamento entre P(A/B) e P(A).
a) A∩B = ∅ (b) A ⊂ B (c) B ⊂ A (d) Caso geral
19 Teorema da Multiplicação
Com o conceito de probabilidade condicionada é possível apresentar uma
maneira de se calcular a probabilidade da interseção de dois eventos A e B em função
destes eventos. Esta expressão é denominada de teorema da multiplicação. P(A∩B) =
P(A).P(B/A) = P(A/B).P(B)
20 Independência de Dois Eventos
Sejam A e B dois eventos de um espaço amostra S. A e B são ditos
A B
B
A
A
B
A B
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Independência de Dois Eventos
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independentes se a probabilidade de um deles ocorrer não afetar a probabilidade do
outro ocorrer, isto é, se:
P(A/B) = P(A) ou
P(B/A) = P(B) ou ainda se
P(A∩B) = P(A).P(B)
Qualquer uma das 3 relações acima pode ser usada como definição de
independência.
Exemplo
[MEY78] Três componentes C1, C2, e C3, de um mecanismo são postos em série
(em linha reta). Suponha que esses componentes sejam dispostos em ordem aleatória.
Seja R o evento { C2 está à direita de C1 }, e seja S o evento { C3 está à direita de C1 }.
Os eventos R e S são independentes? Por quê?
Solução:
Para que R e S sejam independentes deve-se ter:
P(R∩S) = P(R).P(S).
O espaço amostra para este caso é:
S = { C1C2C3, C1C3C2, C2C1C3, C2C3C1, C3C1C2, C3C2C1 } As sequências em que C2
está à direita de C1 são:
R = { C1C2C3, C1C3C2, C3C1C2 }. Logo: P(R) = 3/6 = 50% As sequências
em que C3 está à direita de C1 são:
S = { C1C2C3, C1C3C2, C2C1C3 }. Logo
P(S) = 3/6 = 50%
As sequências em que C2 está à direita de C1 e C3 está também à direita de C1
são:
R∩S = { C1C2C3, C1C3C2 }. Logo
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Teoremas da Probabilidade Total e de Bayes
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P(R∩S ) = 2/6 = 1/3 = 33,33% ≠ P(R).P(S) = 0.5.0,5 = 0,25 = 25% Portanto os
eventos R e S não são independentes.
21 Teoremas da Probabilidade Total e de Bayes
O conceito de probabilidade condicionada pode ser utilizado para calcular a
probabilidade de um evento simples A ao invés da probabilidade da interseção de
dois eventos A e B. Para tanto é necessário o conceito de partição de um espaço
amostra.
Diz-se que os conjuntos A1, A2, ..., An eventos de um mesmo espaço amostra S,
formam uma partição deste espaço se:
Ai ∩Aj = ∅, para todo i ≠ j.
A1 ∪ A2 ... ∪ An = S
P(Ai) > 0, para todo i
Exemplo
Considere-se o espaço amostra obtido pelos números das faces no lançamento
de um dado equilibrado e sejam os eventos:
A1 = { 1, 2, 3 }, A2 = { 4, 5 } e A3 = { 6 }
Então, pode-se verificar facilmente que, os eventos acima formam um partição
do espaço amostra S = { 1, 2, 3, 4, 5, 6 }.
Teorema da probabilidade total
Considere-se um espaço amostra S e A1, A2, ..., An uma partição deste espaço
amostra. Seja B um evento de S. Então B, pode ser escrito como (A figura acima ilustra
a partição com n = 8):
B = (B ∩ A1) ∪ (B ∩ A2) ∪ ... ∪ (B ∩ An)
É claro que, alguns destes conjuntos B ∩ Aj, poderão ser vazios, mas isto não
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Teoremas da Probabilidade Total e de Bayes
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representa nenhum problema na decomposição de B. O importante é que todos os
conjuntos B ∩ A1, B ∩ A2, ..., B ∩ An são dois a dois mutuamente excludentes. E por
isto, pode-se aplicar a propriedade da adição de eventos mutuamente excludentes e
escrever.
P(B) = P[(B ∩ A1) ∪ (B ∩ A2) ∪ ... ∪ (B ∩ An)] = P(B ∩ A1) + P(B ∩ A2) + ... + P(B ∩
An) Mas cada um dos termos P(B ∩ Aj) pode ser escrito na forma:
P(B ∩ Aj) = P(Aj).P(B/Aj), pela definição de probabilidade condicionada, obtém-se
então o denominado teorema da probabilidade total:
P(B) = P(A1).P(B/A1) + P(A2).P(B/A2) + ... + P(An).P(B/An)
Exemplo
Uma determinada peça é manufaturada por 3 fábricas: A, B e C. Sabe-se que A
produz o dobro de peças que B e que B e C produzem o mesmo número de peças.
Sabe-se ainda que 2% das peças produzidas por A e por B são defeituosas, enquanto
que 4% das produzidas por Csão defeituosas. Todas as peças produzidas são
misturadas e colocadas em um depósito. Se do depósito for retirada uma peça ao
acaso, qual a probabilidade de que ela seja defeituosa?
Solução:
Considerem-se os seguintes eventos:
D = { A peça é defeituosa }, A = { A peça provém da fábrica A }, B = { A peça
provém da máquina B } e C = { A peça provém da máquina C }.
Tem-se então que: P(A) = 50%, P(B) = P(C) = 25%, uma vez que só existem as 3
fábricas e que A produz o dobro de B e esta por sua vez produz a mesma quantidade
que C. Sabe-se também que P(D/A) = P(D/B) = 2% e que P(D/C) = 4%.
Pelo teorema da probabilidade total pode-se escrever que:
P(D) = P(A).P(D/A) + P(B).P(D/B) + P(C).P(D/C) = 0,5.0,02 + 0,25.0,02 + 0,25.0,04
= 2,50%, pois A, B e C formam uma partição do espaço amostra S.
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Teorema de Bayes
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22 Teorema de Bayes
Suponha-se que no exemplo acima, uma peça é retirada do depósito e se verifica
que é defeituosa. Qual a probabilidade de que tenha sido produzida pela fábrica A?
ou B? ou ainda C?
Neste caso, o que se quer calcular é a probabilidade condicionada P(A/D).
Pela notação já vista acima, e generalizando a questão o que se está interessado
em obter é a probabilidade de ocorrência de um dos Ai dado que B ocorreu, isto é, o
que se quer é saber o valor de P(Ai / B), onde os eventos A1, A2, ..., An formam uma
partição de S e B é um evento qualquer de S.
Aplicando a definição de probabilidade condicionada segue que:
P(Ai / B) = P(Ai ∩ B) / P(B) = P(Ai).P(B / Ai) / P(B), onde P(B) é avaliado pelo teorema
da probabilidade total. Este resultado é conhecido como teorema de Bayes. Assim:
P(Ai / B) = P(Ai).P(B / Ai) / [P(A1).P(B/A1) + P(A2).P(B/A2) + ... +
P(An).P(B/An)]
Exemplo
Considerando a pergunta acima vem então:
P(A / D), isto é a probabilidade de ter sido produzida pela máquina A dado que
a peça é defeituosa é:
P(A / D) = P(A). P(D / A) / P(D) = 0,02.0,50 / (0,5.0,02 + 0,25.0,02 + 0,25.0,04) =
0,40 = 40%
23 Variáveis Aleatórias
Ao se descrever o espaço amostra de um experimento nota-se que os elementos
não são necessariamente números. Assim, por exemplo, no lançamento de duas
moedas pode-se ter o seguinte espaço amostra:
S = { cc, ck, kc, kk }
Contudo, na maior parte das vezes, se está interessado num resultado numérico,
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Variáveis Aleatórias
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isto é, deseja-se associar aos elementos do espaço amostra S um número real x = X(s).
Desta forma formula-se a definição:
Seja E um experimento com um espaço amostra associado S. Uma função X que
associe a cada elemento de S (s ∈ S) um número real x = X(s) é denominada variável
aleatória.
O conjunto formado por todos os valores “x”, isto é, a imagem da variável
aleatória X, é denominado de conjunto de valores de X e anotado por X(S). Desta
forma:
X(S) = { x ∈ ℜ / X(s) = x }
Exemplo
Seja S o espaço amostra formado pelas sequências obtidas no lançamento de 3
moedas equilibradas. Seja X a variável aleatória definida como sendo o número de
caras da sequência, isto é, X(s) = x = números de caras. O conjunto de valores da
variável X é X(S) = { 0, 1, 2, 3 }, pois, neste caso, tem-se:
X(ccc) = 0
X(ckk) = 1, etc. Ou então:
s kkk ckk, kck,
kkc
cck, ckc,
kcc
ccc
X(s) 0 1 2 3
Conforme o conjunto de valores uma variável aleatória poderá ser discreta ou
contínua.
Se o conjunto de valores for finito ou então infinito enumerável a variável é dita
discreta.
Se o conjunto de valores for infinito não enumerável então a variável é dita
contínua.
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Variável Aleatória Discreta
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24 Variável Aleatória Discreta
Uma variável aleatória X é dita discreta se o seu conjunto de valores X(S) é finito
ou então infinito contável ou enumerável.
24.1 A Função de Probabilidade
Seja X uma variável aleatória discreta (VAD), isto é, com X(S) finito ou infinito
enumerável, definida num espaço amostral S. A cada resultado xi de X(S) associa-se
um número f(xi) = P(X = xi) denominado probabilidade de xi e tal que satisfaz as
seguintes propriedades:
f(xi) ≥ 0, para todo “i”.
∑f(xi) = 1
A função “f” assim definida é denominada de função de probabilidade de
X
A coleção dos pares (xi, f(xi)) para i = 1, 2, 3, ... é denominada de
distribuição de probabilidade da VAD X.
Note-se que f(x) = P(X = x) = P({ s ∈ S / X(s) = x }) Desta forma quando se calcula
f(x) está se calculando, na realidade, a probabilidade do evento { s ∈ S / X(s) = x } ⊆ S.
Exemplo
Dois dados são lançados e observa-se o par obtido. O espaço amostra é formado
por 36 resultados equiprováveis. Sejam X e Y duas variáveis aleatórias definidas da
seguinte forma:
X = soma do par obtido Y = maior valor do par tem-se então:
X(S) = { 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 } Y(S) = { 1, 2, 3, 4, 5, 6 } Para X tem-se: f(2)
= P( X = 2) = P({ (1, 1) }) = 1/36 f(3) = P( X = 3) = P({ (2, 1), (1, 2) }) = 2/36 f(4) = P( X =
4) = P({ (1, 3), (2, 2), (3, 1) }) = 3/36 f(5) = P( X = 5) = P({ (1, 4), (2, 3), (3, 2), (4, 1) }) =
4/36 f(6) = P( X = 6) = P({ (1, 5), (2, 4), (3, 3), (4, 2), (5, 1) }) = 5/36 f(7) = P( X = 7) = P({
(1, 6), (2, 5), (3, 4), (4, 3), (5, 2), (6, 1) }) = 6/36 f(8) = P( X = 8) = P({ (2, 6), (3, 5), (4, 4),
(5, 3), (6, 2) }) = 5/36 f(9) = P( X = 9) = P({ (3, 6), (4, 5), (5, 4), (6, 3) }) = 4/36 f(10) = P(
X = 10) = P({ (4, 6), (5, 5), (6, 4) }) = 3/36 f(11) = P( X = 11) = P({ (5, 6), (6, 5) }) = 2/36
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Variável Aleatória Discreta
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f(12) = P( X = 12) = P({ (6, 6)}) = 1/36
Em resumo:
x 2 3 4 5 6 7 8 9 1
0
1
1
12
f(
x)
1
/36
2/
36
3
/36
4/
36
5
/36
6
/36
5
/36
4
/36
3
/36
2
/36
1/36
Para Y tem-se:
f(1) = P( Y = 1) = P({ (1, 1) }) = 1/36
f(2) = P( Y = 2) = P({ (2, 1), (2, 2), (1, 2) }) = 3/36
f(3) = P( Y = 3) = P({ (1, 3), (2, 3), (3, 3), (3,2), (3, 1) }) = 5/36
f(4) = P( Y = 4) = P({ (1, 4), (2, 4), (3, 4), (4, 4), (4, 3), (4, 2), (4, 1) }) = 7/36
f(5) = P( Y = 5) = P({ (1, 5), (2, 5), (3, 5), (4, 5), (5, 5), (5, 4), (5, 3), (5, 2), (5, 1) }) =
9/36 f(6) = P( Y = 6) = P({ (1, 6), (2, 6), (3, 6), (4, 6), (5, 6), (6, 6), (6, 5), (6, 4), (6, 3), (6, 2),
(6, 1 }) = 11/36
Em resumo:
x 1 2 3 4 5 6
f(x) 1/36 3/36 5/36 7/36 9/36 11/36
24.2 Representação da Função de Probabilidade
Existem três maneiras de representar a função de probabilidade de uma VAD X:
Através de uma tabela.
Através de uma expressão analítica para f(x) (fórmula).
Através de um diagrama, onde os valores da variável são registrados no
eixo das abscissas e as probabilidades no eixo das ordenadas.
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A Função de Distribuição Acumulada
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Exemplo
As duas tabelas acima.
Considere-se a variável Y, do exemplo acima, onde Y(S) = {1, 2, 3, 4, 5, 6}. Então:
f: Y(S) → ℜ y → (2y - 1)/36
Deste modo: f(1) = (2.1 - 1) / 36 = 1 / 36 f(6) = (6.2 - 1) / 36 = 11/ 36
Veja o diagrama abaixo.
25 A Função de Distribuição Acumulada
Seja X uma VAD com função densidade f(x). Então a função de distribuição
acumulada - FDA, ou simplesmente função de distribuição de X é a função F “em
escada” definida por:
F(x) = P(X ≤ x) = ∑f( )xi
xi≤x
Exemplo
Seja X uma VAD com a distribuição da tabela abaixo:
x -2 1 2 4
f(x) 1/4 1/8 1/2 1/8
,00% 0
10 ,00%
20 ,00%
30 ,00%
40 ,00%
2 3 4 5 6 1
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Variável Aleatória Discreta (Caracterização)
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Então a função de distribuição de X é dada por:
F(x)
=0 se x < -2
=1/4 se -2 ≤ x 1
=3/8 se 1 ≤ x ≤ 2
=7/8 se 2 ≤ x < 4
=1 se x≥ 4
26 Variável Aleatória Discreta (Caracterização)
Considere X uma variável aleatória discreta assumindo os valores: x1, x2, ..., xi, ...,
com probabilidades f(x1), f(x2), .... , f(xi), ....
Expectância, esperança, média ou valor esperado de X
A média, expectância, valor esperado ou esperança matemática da variável
aleatória X é representada por µ ou E(X) e calculada por:
µ = E(X) = x1f(x1) + x2f(x2) +... + xnf(xn) + ... = ∑x xi. (f i)
Exemplo
Calcular o número esperado de faces caras no lançamento de duas moedas
equilibradas.
Solução:
Seja X = Número de caras. Então a distribuição de X é dada por:
x 0 1 2
f(x) 1/4 2/4 1/4
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Variável Aleatória Discreta (Caracterização)
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Logo a média ou expectância de X será:
E(X) = 0.(1/4) + 1.(2/4) + 2.(1/4) = 1/2 + 1/2 = 1 cara.
A variância de X
Seja X uma variável aleatória discreta com média µ = E(X). Então a variância de X,
anotada por σ2 ou V(X) é definida por:
σ2 = V(X) = f(x1) (x1 - µ)
2 + f(x2) (x2 - µ)
2 + ... + f(xn) (xn - µ)
2 + ... =
∑f(xi)(xi−µ)
2
Pode-se demonstrar que a expressão da variância, acima, pode ser transformada
na seguinte expressão:
σ2 = V(X) = µ
2 = E(X2) - [E(X)]2 = E(X2) - µ2
Exemplo
Calcular a variância da distribuição do exemplo anterior.
Solução:
Tem-se que: E(X) = 1, então: σ2 = V(X) = ∑f(xi)(xi−µ)
2 = (1/4)(0 - 1)2 + (2/4)( 1 -
1)2 + (1/4)(2 - 1)2 = 1/2
Ou ainda:
E(X2) = (1/4).02 + (2/4).12 + (1/4).22 = 3/2 σ2 = V(X) = E(X2) - µ2 = 3/2 - 12 = 1/2
O desvio padrão
O desvio padrão da variável X, anotado por σ, é a raiz quadrada da variância.
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Variável Aleatória Discreta (Caracterização)
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A variância relativa e o coeficiente de variação
Seja X uma variável aleatória discreta com média
µ = E(X) e variância σ2 = V(X).
Então a variância relativa de X, anotada por: γ2, e definida por:
γ2 = σ2 / µ2
O coeficiente de variação de X é definido como a raiz quadrada da variância
relativa:
γ = σ / µ
Exemplo
Um vendedor recebe uma comissão de R$ 50,00 por uma venda. Baseado em
suas experiências anteriores ele calculou a distribuição de probabilidades das vendas
semanais:
x 0 1 2 3 4
f(x) 0,10 0,20 0,40 0,20 0,10
(a) Qual é o valor esperado de vendas por semana?
(b) Qual é a probabilidade de ganhar pelo menos R$ 150,00 por
semana?
(c) Qual o desvio padrão das vendas semanais?
(d) Qual o coeficiente de variação das vendas semanais?
Solução:
(a) E(X) = 0.0,10 + 1.0,20 + 2.0,40 + 3.0,20 + 4.0,10 = 2 vendas por semana.
Logo, como ele recebe R$ 50,00 por venda a renda esperada semanal é: R$ 100,00.
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Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas
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(b) Para ganhar pelo menos R$ 150,00 por semana ele deve realizar 3 ou 4
vendas por semana.
Esta probabilidade é: P(X ≥ 3) = 0,20 + 0,10 = 0,30 = 30%
(c) Deve-se inicialmente avaliar o valor da variância e para tanto calcula-se
antes a média dos quadrados: E(X2) = 02.0,10 + 12.0,20 + 22.0,40 + 32.0,20 + 42.0,10 =
5,20.
A variância é então:
V(X) = E(X2) - µ2 = 5,20 - 22 = 5,20 - 4 = 1,20
O desvio padrão será: σ = 1,20 = 1, 10
(d) O coeficiente de variação é o quociente entre o desvio padrão e a média, isto
é: γ = σ / µ = 1,10 / 2 = 0,55 = 55%
27 Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas
Existem algumas distribuições de probabilidade para variáveis discretas que pela
sua frequência de uso vale a pena estudar mais detalhadamente. Estas distribuições
apresentam expressões para o cálculo das probabilidades, isto é, as probabilidades
f(x) podem ser avaliadas através de um modelo matemático conhecido. Duas destas
distribuições são a Binomial e a distribuição de Poisson.
27.1 A Distribuição Binomial
Seja E um experimento aleatório e S um espaço amostra associado. Seja A ⊆ S
um evento de S. Seja “n” o número de vezes que o experimento E é repetido e seja
“p” a probabilidade de A ocorrer em cada uma das “n” repetições de E, de modo que,
“p“ permaneça constante durante as “n” repetições de E. Como existem apenas duas
situações: A ocorre ou A não ocorre, pode-se determinar a probabilidade de A não
ocorrer como sendo q = 1 - p. Em certas situações a probabilidade “p” é denominada
de probabilidade de “sucesso” e a probabilidade “q” de probabilidade de fracasso.
Definição:
Seja X uma VAD definida por X = número de vezes que A ocorreu nas “n”
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Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas
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repetições de E. A variável aleatória X é denominada de variável aleatória Binomial. O
conjunto de valores de X, isto é, X(S) é:
X(S) = { 0, 1, 2, 3, ..., n }
Se X é uma variável aleatória com um comportamento Binomial, então a
probabilidade de X assumir um dos valores do conjunto X(S) é calculada por:
f(x) = P(X = x) = (
𝒏
𝒙
) . 𝒑𝒙. 𝒒𝒏−𝒙, para x = 0, 1, 2, ..., n.
Demonstração:
Considere-se um elemento particular do espaço amostra S, satisfazendo à
condição X = x. Como todas as repetições são independentes a probabilidade desta
sequência particular é dada por: pk(1 - p)n - k, mas esta mesma probabilidade está
associada a qualquer outro resultado em que X = k. O número de resultados em que
isto ocorre é dado por (
𝑛
𝑘
), porque se deve escolher exatamente “k” casos dentre “n”
possibilidades para o evento A. Como estes resultados são todos mutuamente
excludentes, então o valor de P(X = k) é o da fórmula acima.
Representação:
Se X tem um comportamento Binomial de parâmetros “n” e “p” então representa-
se X por B(n, p).
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Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas
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Exemplo
Considerando X como sendo a VAD igual a “número de vezes que ocorre face
cara em 5 lançamentos de uma moeda equilibrada”, determinar a probabilidade de
ocorrer:
(a) Duas caras
(b) Quatro caras
(c) No máximo duas caras
Solução:
Neste caso, tem-se:
n = 5 = número de lançamentos.
X = número de caras nos 5 lançamentos ⇒ X(S) = { 0, 1, 2, 3, 4, 5 }
p = P(Cara em 1 lançamento ) = 0,50, pois a moeda é equilibrada. Logo q = 1 - p
= 0,50
Então: f(x) = P(X = x) = (
5
𝑥
).05,
x
.0 5,
5−x , para x = 0, 1, 2, 3, 4, 5
(a) P(X = 2) =(
5
2
). .05,
2
.05,
3 = 10.0,25.0,125 = 31,25%
(b) P(X = 4) = (
5
4
)..05,
4
.05,
1 = 5. 0,0625.0,5 = 15,62%
(c) P(X ≤ 2) = (
5
0
)..05,
0.05,
5 + (
5
1
). 05 1. 05 4 + (
5
2
). 05 2. 05 3 = 0,5 5 +
5.0,55 + 10.0,55 = 50%
27.2 Propriedades da Distribuição Binomial
A vantagem de se ter um modelo conhecido é que podemos determinar suas
características de um modo geral. Assim se X é uma VAD com uma distribuição
Binomial tem-se:
Média, expectância ou valor esperado
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Distribuições Especiais de Probabilidade Discretas
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µ = E(X) = ∑x f x). ( = ∑x. (
𝑛
𝑥
) . q
x. n - x = np, isto é, a média de uma variável
aleatória com distribuição binomial é igual ao produto dos parâmetros “n” e “p“.
Variância
σ2 = E(X2) - µ2 = ∑x
2
. (
𝑛
𝑥
). p
x
. q
n - x - (np)2 = npq, isto é, a variância de uma variável
aleatória com distribuição binomial é igual ao produto dos parâmetros “n” e “p” e
multiplicados ainda por “q”.
O desvio padrão σ =√npq
Exemplo
A probabilidade de um exemplar defeituoso com que opera certo processo
produtivo é de 10%. Considerando X a variável “número de unidades defeituosas em
uma amostra ocasional de 20 unidades, determinar:
(a) O número médio de item defeituosos na amostra.
(b) O desvio padrão do número de item defeituosos na amostra.
Solução:
(a) E(X) = np = 20.0,10 = 2 itens defeituosos
(b) σ =√npq= √20.0,10.0,90 = √1,80 = 1,34 itens defeituosos.
Exemplo
Num determinado processo de fabricação 10% das peças são consideradas
defeituosas. As peças são acondicionadas em caixas com 5 unidades cada uma.
(a) Qual a probabilidade de haver exatamente 3 peças defeituosas
numa caixa?
(b) Qual a probabilidade de haver duas ou mais peças defeituosas
numa caixa?
(c) Se a empresa paga uma multa de R$ 10,00 por caixa em que houver
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A Distribuição Hipergeométrica
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alguma peça defeituosa, qual o valor esperado da multa num total de 1000
caixas?
Solução:
(a) P(X = 3) =(
5
3
).(0,10)3. (0, 90)2 = 10.0,001.0,81 = 0,81%
(b) P(Duas ou mais defeituosas) = P(X = 2) + P(X = 3) + P(X = 4) + P(X
= 5). Ao invés de calcular desta forma é mais conveniente utilizar o
complementar. Assim:
P(X ≥ 2) = 1 - P(X ≤ 1) = 1 - [P(X = 0) + P(X = 1)] = 1 - (0,5905 + 0,3280] = 8,15%
(c) A probabilidade de uma caixa pagar multa é:
P(PM) = P(X ≥ 1) = 1 - P(X = 0) = 1 - 0,5905 = 40,95%
Neste caso tem-se uma nova Binomial com n = 1000 e p = 40,95%. O número
esperado de caixas que vão pagar multa, isto é, com uma ou mais peças defeituosas
será:
E(PM) = np = 1000.0,4095 = 409,5 caixas.
Como cada uma paga R$ 10,00 de multa, o valor total da multa será: PM = R$
10,00.409,5 = R$ 4 095,00
28 A Distribuição Hipergeométrica
Considere-se um conjunto de N elementos, r dos quais tem uma determinada
característica (r ≤ N) e N -r não tenham esta característica. Extraí-se n elementos (n ≤
N) sem reposição. Seja X a variável aleatória igual ao número de elementos que
possuem a característica entre os n retirados. X é denominada de variável aleatória
hipergeométrica.
As probabilidades de uma variável aleatória hipergeométrica podem ser
avaliadas por:
P(X = x) =
(
𝒓
𝒙
)(
𝑵−𝒓
𝒏−𝒙
)
(
𝑵
𝒏
)
com x = max{0, N - r - n}, ... , min(r, n).
Uma vez que X = x, se e somente se, forem retirados x elementos dentre os r que
possuem a característica e forem retirados n - x dentre os n - r que não possuem a
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Propriedades da Distribuição Hipergeométrica
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característica.
29 Propriedades da Distribuição Hipergeométrica
Fazendo p = r/N e q = (N - r) / N, tem-se:
Média, expectância ou valor esperado
µ = E(X) = ∑x.f(x) = ∑ x.
(
𝑟
𝑥
)(
𝑁−𝑟
𝑛−𝑥
)
(
𝑁
𝑛
)
= ... = (rn) / N = np.
Variância
𝜎2 = E(𝑋2) - µ2 = ∑𝑋2.
(
𝑟
𝑥
)(
𝑁−𝑟
𝑛−𝑥
)
(
𝑁
𝑛
)
- (np)2 = npq
𝑁−𝑛
𝑁−1
.
P(X = x) ≅ (
𝑛
𝑥
).𝒑𝒙 .𝒒𝒏−𝒙 para N grande.
Note-se que se as extrações fossem feitas com reposição, ter-se-ia uma
distribuição Binomial. A propriedade (c) afirma que para N suficientemente grande a
distribuição hipergeométrica pode ser aproximada pela distribuição Binomial. Em
geral, esta aproximação será boa se (n / N) ≤ 0,1.
A distribuição hipergeométrica será representada por H(r; n; N)
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Propriedades da Distribuição Hipergeométrica
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Exemplo
Uma caixa contém 12 lâmpadas das quais 5 estão queimadas. São escolhidas 6
lâmpadas ao acaso. Qual a probabilidade de que:
(a)Exatamente duas estejam queimadas?
(b) Pelo menos uma esteja boa?
(c) Pelo menos duas estejam queimadas?
(d) O número esperado de lâmpadas queimadas?
(e) A variância do número de lâmpadas queimadas?
Solução:
Tem-se N = 12, r = 5 e n = 6, então:
5 7
(a)P(X = 2) = 2 4 = 37,88%
12
6
(b) Se são retiradas 6 lâmpadas e somente 5 estão queimadas, então
necessariamente uma será
boa, portanto:
P(pelo menos uma boa) = 100%.
5 7 5 7
(c) P(X ≥ 2) = 1 - P(X < 2) = 1 - [P(X = 0) + P(X = 1)] = 1 - 0 6 - 1 5
= 87,88%.
12 12
6 6
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A Distribuição de Poisson
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(d) E(X) = (rn) / N = 5.6 / 12 = 30/12 = 5/2 = 2,50.
(e) V(X) = nr (N−r) (N−n) .= 5.7.6 = 210/1584 = 0,1326 =
0,13.
N N (N−1) 12.12.11
30 A Distribuição de Poisson
Na distribuição binomial, a variável de interesse era o número de sucessos
(ocorrências do evento A) em um intervalo discreto (n repetições do experimento E).
Muitas vezes, entretanto, o interesse reside no número de sucessos em um intervalo
contínuo, que pode ser de tempo, comprimento, superfície, etc. Para se caracterizar
uma distribuição que leve em conta o número de sucessos (valores) em um intervalo
contínuo, será suposto que:
• Eventos definidos em intervalos não sobrepostos são
independentes;
• Em intervalos de mesmo comprimento, são iguais as
probabilidades de ocorrência de um mesmo número de sucessos;
• Em intervalos muito pequenos, a probabilidade de mais de um
sucesso é desprezível;
• Em intervalos muito pequenos, a probabilidade de um sucesso é
proporcional ao comprimento do intervalo.
•
Se os valores de uma variável satisfazem as hipóteses (i) a (iv) acima se dirá que
ela segue um processo de Poisson.
Definição:
Seja X uma VAD definida por um processo de Poisson, assumindo os valores: 0,
1, ..., n, .., com taxa λ > 0.
Então:
f(x) = P(X = x) = e−λλx , para x = 0, 1, 2, 3, ... , onde x é o número de eventos que
ocorrem x!
em um intervalo sobre o qual se espera uma média λ de ocorrências.
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A Distribuição de Poisson
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Além disso, X pode ser definida como o número de eventos que ocorrem sobre
um período de tempo t, substituindo λ na equação acima por λt. Desta forma a
distribuição de Poisson pode ser escrita como:
A distribuição de Poisson será representada por P(λ).
Exemplo
Em um certo tipo de fabricação de fita magnética, ocorrem defeitos a uma taxa
de 1 a cada 2000 metros. Qual a probabilidade de que um rolo com 2000 metros de
fita magnética:
(a) Não tenha defeitos?
(b) Tenha no máximo dois defeitos?
(c) Tenha pelo menos dois defeitos?
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A Distribuição de Poisson
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Solução:
Neste caso, tem-se:
λ = Taxa de defeitos a cada 2000 metros.
X = número de defeitos a cada dois mil metros. x = 0, 1, 2, 3, ...
Então:
Exemplo
Um dado é formado por chapas de plástico de 10x10 cm. Em média aparecem
50 defeitos por metro quadrado de plástico, segundo uma distribuição de Poisson.
(a) Qual a probabilidade de uma determinada face apresentar
exatamente 2 defeitos?
(b) Qual a probabilidade de o dado apresentar no mínimo dois
defeitos?
(c) Qual a probabilidade de que pelo menos 5 faces sejam perfeitas?
Solução:
(a) Em média aparecem:
d = 50 defeitos/m2 = 50/10 000 defeitos/cm2
Como cada face tem a = 10cm x 10 cm = 100 cm2, tem-se então: λ = (50/10000)
defeitos/cm2 x 100 cm2 = 0,5 defeitos por face. A probabilidade de uma face
apresentar dois defeitos será:
Disciplina |
Propriedades da Distribuição de Poisson
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(b) No dado inteiro, a área total será a = 6x100 cm2 = 600 cm2 e o número médio
de defeitos será então:
λ = (50/10000) defeitos /cm2 x 600 cm2 = 3 defeitos
A probabilidade de o dado apresentar no mínimo dois defeitos será:
(c) A probabilidade de pelo menos 5 faces perfeitas é:
P(Y ≥ 5) = P(Y = 5) + P(Y = 6). A probabilidade de uma face ser perfeita é a
probabilidade de ela não apresentar defeitos, isto é:
Tem-se então uma binomial Y com n = 6 (número de faces do dado) e p = 60,65%
= probabilidade de uma face ser perfeita. Então a probabilidade de pelo menos 5
perfeitas, será:
31 Propriedades da Distribuição de Poisson
Se X for uma VAD com distribuição de Poisson, então:
Média, expectância ou valor esperado
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Relação Entre as Distribuições Binomial e Poisson
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Variância
O desvio padrão
σ = λ
32 Relação Entre asDistribuições Binomial e Poisson
Seja X uma variável aleatória discreta com distribuição Binomial de parâmetros
“n” e “p”. Isto é:
Admita-se que quando n → ∝, tenha-se np = α = constante, ou de uma forma
equivalente, quando n → ∝, p → 0, de modo que np → α. Nestas condições tem-se
então:
O teorema diz essencialmente, que é possível obter uma aproximação das
probabilidades binomiais com as probabilidades da distribuição de Poisson, toda vez
que “n” seja grande e “p” seja pequeno.
Exemplo
Uma amostra de 50 peças é retirada da produção de uma máquina que trabalha
com um índice de defeitos de 2%. Determinar a probabilidade de se encontrarem duas
peças defeituosas na amostra.
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Cálculo de Probabilidade Com Uma Vac
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Solução:
(a) Pela Binomial, tem-se:
Usando uma aproximação pela distribuição de Poisson de média µ = np =
50.0,02 = 1, tem-se:
VARIÁVEIS ALEATÓRIAS CONTÍNUAS
Seja E um experimento e S um espaço amostra associado. Se X é uma variável
aleatória definida em S tal que X(S) seja infinito não-enumerável, isto é, X(S) seja um
intervalo de números reais, então X é dita uma variável aleatória contínua.
Definição
Seja X uma variável aleatória contínua (VAC). A função f(x) que associa a cada x
∈ X(S) um número real que satisfaz as seguintes condições:
(a) f(x) ≥ 0, para todo x ∈ X(S) e
(b) ∫X(S)f(x)dx = 1
É denominada de função densidade de probabilidade (fdp) da variável aleatória
X.
Neste caso f(x) representa apenas a densidade no ponto x, ao contrário da
variável aleatória discreta, f(x) aqui não é a probabilidade de a variável assumir o valor
x.
33 Cálculo de Probabilidade Com Uma Vac
Seja X uma variável aleatória contínua com função densidade de probabilidade
f(x). Sejam a < b, dois números reais. Define-se:
Disciplina |
Cálculo de Probabilidade Com Uma Vac
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P(a < X < b) = ∫a
bf x( )dx, isto é, a probabilidade de que X assuma valores entre
os números “a” e “b” é a área sob o gráfico de f(x) entre os pontos x = a e x = b.
Neste caso, tem-se também:
(a) P(X = a) = 0, isto é, a probabilidade de que uma variável aleatória
contínua assuma um valor isolado é igual a zero. Para variáveis contínuas só faz
sentido falar em probabilidade em um intervalo, uma vez, que a probabilidade é
definida como sendo a área sob o gráfico. f(x) não representa nenhuma
probabilidade. Somente quando ela for integrada entre dois limites produzirá
uma probabilidade.
(b) Se a < b são dois números reais então:
P(a < X < b) = P(a ≤ X < b) = P(a < X ≤ b) = P(a ≤ X ≤ b) = ∫a
bf x( )dx,
(c) Se uma função f* satisfizer às condições f*(x) ≥ 0 para todo x e
f(x)dx = k, onde “k” é um número real positivo, mas não igual a 1, então f*(x) pode
ser transformada numa fdp mediante a seguinte transformação:
f(x) = f*(x) / k , para todo x.
Neste caso a f(x) será uma função densidade de probabilidade.
(d) Se X assumir valores apenas num intervalo finito [a; b], pode-se
simplesmente por f(x) = 0 para todo x ∉ [a; b]. como consequência a fdp ficará
definida para todos os valores reais de x e pode-se exigir que f(x)dx = 1. Assim,
sempre que a f(x) for especificada apenas num intervalo finito, deve-se supor que
seja zero para todos os demais valores não pertencentes ao intervalo.
Exemplo
Seja X uma VAC com fdp dada por:
f(x) = 2x se 0 < x < 1
= 0, para quaisquer outros valores. Determinar a P(X < 1/2)
Solução:
P(X <1/2) = x)dx = 1/4 = 25%
Disciplina |
A Função de Distribuição Acumulada
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34 A Função de Distribuição Acumulada
Seja X uma VAC com função densidade de probabilidade f(x). Então a função de
distribuição acumulada (FDA), ou simplesmente função de distribuição (FD) de X é
a função F definida por:
F(x) = P(X (u)du
Solução:
Suponha-se que X seja uma VAC com fdp dada por:
f(x) = 2x se 0 < x < 1 = 0, para quaisquer outros valores. Determinar a FD
de X
Solução:
A função de distribuição de X é a função F tal que:
35 Variável Aleatória Contínua (Caracterização)
Considere X uma variável aleatória contínua com função densidade de
probabilidade f(x).
Expectância, esperança, média ou valor esperado de X
A média, expectância, valor esperado ou esperança matemática da variável
aleatória contínua X, representada por µ ou E(X), é calculada por:
µ = E(X) = x.f(x)dx
Obs. Não é garantido que esta integral exista (convirja) sempre.
Disciplina |
Variável Aleatória Contínua (Caracterização)
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A variância de X
Seja X uma variável aleatória contínua com média µ = E(X). Então a variância de
X, anotada por σ2 ou V(X) é definida por:
σ2 = V(X) = . ( )dx = - µ2 = E(X2) - µ2
O desvio padrão
O desvio padrão da variável aleatória contínua X, anotado por σ, é a raiz quadrada
da variância.
A variância relativa e o coeficiente de variação
Seja X uma variável aleatória contínua com média µ = E(X) e variância σ2 = V(X).
Então a variância relativa de X, anotada por: γ2, é definida por:
γ2 = σ2 / µ2
O coeficiente de variação de X é definido como a raiz quadrada da variância
relativa:
γ = σ / µ
Exemplo
Determinar a expectância e a variância da VAC cuja fdp é dada por:
f(x) = 3x2 se -1 ≤ x ≤ 0 = 0
caso contrário
Solução:
Disciplina |
Distribuições Especiais de Probabilidade Contínuas
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36 Distribuições Especiais de Probabilidade Contínuas
Assim como ocorre com as variáveis discretas, existem algumas distribuições
especiais de probabilidade contínuas que por sua frequência de uso vale a pena
estudar mais detalhadamente. Entre elas vale destacar as distribuições: uniforme,
exponencial e normal.
36.1 A Distribuição Uniforme
Seja X uma VAC que pode tomar todos os valores num intervalo [a, b]. Se a
probabilidade de a variável assumir valores num subintervalo for a mesma que para
qualquer outro subintervalo de mesmo comprimento teremos então uma distribuição
uniforme. A função densidade de probabilidade de uma VAC deste tipo será:
f(x) = 1 / (b - a) para a ≤ x ≤ b
= 0 para qualquer outro valor.
36.2 Propriedades da Distribuição Uniforme
As principais medidas para a distribuição uniforme podem ser determinadas de
uma forma geral em termos dos extremos “a” e “b” do intervalo.
Média, expectância ou valor esperado
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Distribuições Especiais de Probabilidade Contínuas
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Variância
Desvio padrão
A FDA da distribuição uniforme
A FDA da distribuição uniforme, pode ser facilmente avaliada e, vale:
Exemplo
Seja X uma VAC com distribuição uniforme no intervalo [5, 10]. Determinar as
probabilidades:
(a) P(X < 7) (b) P(X > 8,5)
(c) P(8 < x < 9) (d) P(|x - 7,5| > 2)
Solução:
Utilizando a FDA da variável vem:
(a) P(X < 7) = F(7) = (7 - 5) / (10 - 5) = 2 / 5 = 40%
(b) P(X > 8,5) = 1 - P(X < 8,5) = 1 - F(8,5) = 1 - (8,5 - 5) / (10 - 5) = 1 -
3,5 / 5 = 1 - 0,70 = 30%
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Distribuições Especiais de Probabilidade Contínuas
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(c) P(8 < X < 9) = F(9) - F(8) = (9 - 5) / (10 - 5) - (8 - 5) / (10 - 5) = 4 /
5 - 3 / 5 = 1 / 5 = 20%
(d) P(|X - 7,5| > 2) = P(X - 7,5 > 2 ou X - 7,5 < -2) = P(X > 9,5 ou X <
5,5) = 1 - F(9,5) + F(5,5) = 20%
36.3 A Distribuição Exponencial
Uma variável aleatória contínua T tem uma distribuição exponencial de
parâmetro λ se sua função densidade de probabilidade f(t) for do tipo:
f(t) = λe-λt para t > 0
= 0 caso contrário
Figura – Exemplos de distribuições exponenciais:P(2), P(1,5) e P(0,6).
Exemplo
Suponha que um componente eletrônico tenha um tempo de vida T (em
unidades de 1000 horas) que segue uma distribuição exponencial de parâmetro λ =
1. Suponha que o custo de fabricação do item seja R$ 2,00 e que o preço de venda
seja R$ 5,00. O fabricante garante total devolução se t < 0,90.
Qual o lucro esperado por item?
Solução:
Neste caso, tem-se: f(t) = e-t para t > 0 A probabilidade de um componente
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durar menos de 900 horas é dada por:
P(T < 0,90) = t dt = = -e
-0,9 + e0 = 1 - 1/ e0,9 = 59,34%
Desta forma o lucro do fabricante será uma VAD X com a seguinte distribuição:
x -2 3
f(x) 0,5934 0,4066
Então o lucro esperado será:
E(X) = -2.0,5934 + 3.0,4066 = R$ 0,03
36.4 Propriedades da Distribuição Exponencial
Se T for uma VAC com distribuição Exponencial, então:
Média, expectância ou valor esperado
µ = E(X) = t.f(t)dt = t t dt = 1/λ
Variância
σ2 = E(X2) - t dx - λ
2 = 1/λ2
O desvio padrão
σ =
A FDA da distribuição Exponencial
A FDA da distribuição Exponencial é dada por:
1 1
2
λ λ
=
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Portanto P(X ≥ x) 1 - F(x) = 1 - [1 - e-λt] = e-λt
A distribuição Exponencial não tem memória
A distribuição Exponencial apresenta uma propriedade interessante que é
denominada de falta de memória, ou seja:
P(X ≥ s + t / X ≥ s) = P(X ≥ s + t ∩ X ≥ s) / P(X ≥ s) = P(X ≥ s + t) / P(X ≥ s) =e-
λ(s+t) / e-λs = e-λt
Portanto P(X ≥ s + t / X ≥ s) = P(X ≥ t)
Relação com a distribuição de Poisson
Deve-se observar inicialmente que fixado um tempo, a probabilidade de não
ocorrências de eventos neste intervalo é dado por:
f(0) = P(X = 0) = [(λt)0e-λt] / 0! = e-λt
Se a variável aleatória contínua T representar o tempo passado entre a ocorrência
de dois eventos de Poisson, então a probabilidade da não ocorrência no tempo “t” é
igual a probabilidade de que o tempo T entre ocorrências seja maior que “t”, isto é:
P(T > t) = e-λt Tem-se ainda que:
P(T ≤ t) = 1 - e-λt
Que conforme já visto é a função acumulada da variável aleatória exponencial de
parâmetro λ, isto é:
F(t) = P(T ≤ t) = 1 - e-λt
36.5 A Distribuição Normal
Um dos principais modelos de distribuição contínua é a curva normal ou de
Gauss. Sua importância para a Estatística (prática) reside no fato que muitas variáveis
encontradas na natureza se distribuem de acordo com o modelo normal. Este modelo
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também tem uma importância teórica devido ao fato de ser uma distribuição limite.
Uma variável aleatória contínua X tem uma distribuição normal (ou Gaussiana) se
sua função densidade de probabilidade for do tipo:
36.6 Propriedades da Distribuição Normal
Se X for uma VAC com distribuição Normal, então:
Média, expectância ou valor esperado
E(X) = µ, isto é, o parâmetro µ é a média da distribuição normal.
Variância
V(X) = σ2, isto é, a variância da distribuição normal é o parâmetro σ ao quadrado.
O desvio padrão
O desvio padrão da distribuição normal é o parâmetro σ.
FDA da distribuição Normal
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A função de distribuição (FDA) da normal reduzida é representada por:
Esta integral, e aliás como de qualquer outra normal, não pode ser avaliada pelo
método tradicional (teorema fundamental do cálculo). Ela só pode ser calculada por
métodos numéricos. E por isso ela é encontrada tabelada em qualquer livro texto de
Probabilidade ou Estatística.
Outras propriedades
(a) Transformação linear de uma variável aleatória normal
Se X tiver uma distribuição N(µ,σ) e se Y = aX + b, então Y terá a distribuição
N(aµ + b, aσ)
(b) Combinação linear de variáveis aleatórias normais independentes
A combinação linear de variáveis aleatórias normais independentes será uma
variável aleatória normalmente distribuída.
f(x) → 0 quando x → ∞ ou -∞.
µ - σ e µ + σ são os pontos de inflexão da função f(x), isto é, são os valores onde
o gráfico da função muda o sinal da curvatura.
x = µ é o ponto de máximo de f(x) e este máximo vale
1
√2𝜋
𝜎
f(x) é simétrica ao redor de x = µ , isto é: f(µ + x) = f(µ - x)
Se X tem uma distribuição normal de média µ e desvio padrão σ se escreverá: X
: N(µ, σ)
Quando µ = 0 e σ = 1, tem-se uma distribuição normal padrão ou normal
reduzida. A variável normal +padrão será anotada por Z. Então Z: N(0, 1). A função
densidade de probabilidade da variável aleatória Z será representada por:
ϕ(z) = e
−z2/2 , para -∞ ≤ z ≤ ∞
Se X é uma N(µ, σ), então Z = (X - µ) / σ é a normal padrão ou reduzida. Isto
significa que qualquer curva normal poderá ser padronizada, mediante esta
1
2 π
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Tabelas
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transformação.
37 Tabelas
A forma de se calcular probabilidade com qualquer distribuição normal é através
da tabela da normal padrão. Assim se X : N(µ, σ) então primeiro é necessário
padronizar X, isto é, fazer: Z = (X - µ) / σ.
Em seguida obter em uma tabela o valor da probabilidade, isto é, o valor:
P(Z ≤ z) = Φ(z)
Este valor Φ(z) pode ser lido como “valor tabelado de z” e significa a
probabilidade de a variável aleatória contínua Z = (X - µ) / σ assumir valores à esquerda
(abaixo de) do valor particular “z”.
Lembrar que qualquer tabela é construída fornecendo os valores da FDA de Z. A
maioria delas fornece as probabilidades de Z ≤ z para valores de z entre -3,09 e +3,09
e com aproximação centesimal.
Algumas fornecem valores de z entre 0 e 3,09
Assim o primeiro valor tabelado é em geral Φ(-3,09) = P(Z ≤ -3,09) que vale
0,0000, isto é, é zero com uma aproximação de 4 decimais. O valor seguinte seria Φ(-
3,08) = P(Z ≤ -3,08) = 0,0001.
O último valor tabelado é, em geral, Φ(3,09) = P(Z ≤ 3,09) = 1,000, pois é o valor
acumulado, isto quer dizer, que até este valor tem-se a totalidade da área útil sob a
curva avaliada com uma aproximação de 4 decimais.
Convém ressaltar que as tabelas sendo da FDA de Z fornecem a área à esquerda
de um valor qualquer “z”. No entanto, como a curva é simétrica, se quiséssemos, a
área à direita de “z”, basta observar que:
P(Z > z) = 1 - P(Z ≤ z) = 1 - Φ(z) = Φ(-z)
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Tabelas
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Exemplo
Seja Z uma N(0, 1). Determinar as seguintes probabilidades:
(a) P(Z < 2,23)
(b) P(Z > -1,45)
(c) P(-2 < Z ≤ 2)
(d) P(-1 ≤ Z ≤ 1)
Solução:
(a) P(Z < 2,23) = Φ(2,23) = 98,71%
(b) P(Z > -1,45) = 1 - P(Z ≤ -1,45) = 1 - Φ(-1,45) = 1 - 0,0735 = 92,65%
(c) P(-2 < Z ≤ 2) = Φ(2) - Φ(-2) = 0,9772 - 0,0228 = 95,44%
(d) P(-1 ≤ Z ≤ 1) = Φ(1) - Φ(-1) = 0,8413 - 0,1587 = 68,26%
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Relação Entre as Distribuições Binomial e Normal
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Exemplo
Seja X uma VAC com distribuição N(10, 2). Determinar:
(a) P(X < 10)
(b) P(X > 11,50)
(c) P(8 < Z ≤ 12)
(d) P(6,08 ≤ Z ≤ 13,92)
Solução:
Neste caso, antes de se poder procurar os valores na tabela é necessário
padronizar cada valor de X, através da expressão:
Z = (X - µ) / σ = (X - 10) / 2
(a) P(X < 10) = P((X - 10) / 2 < (10 - 10) / 2) = P(Z < 0) = Φ(0) = 50%
(b) P(X > 11,50) = P(Z > (11,50 - 10) / 2) = P(Z > 0,75) = 1 - Φ(0,75) =
22,66%
(c) P(8 < X ≤ 12) = P(-1 < Z ≤ 1) = Φ(1) - Φ(-1) = 0,8413 - 0,1587 =
68,26%
(d) P(6,08 ≤ X ≤ 13,92) = P(-1,96 < Z ≤ 1,96) = Φ(1,96) - Φ(-1,96) =
0,9750 - 0,0250= 95%
38 Relação Entre as Distribuições Binomial e Normal
Seja X uma variável aleatória distribuída binomialmente com parâmetros “n” e
“p”. Isto é:
Quando o número de provas “n” cresce (tende ao infinito) a distribuição binomial
tende a uma distribuição normal de média µ = np e desvio padrão σ = √npq
Em geral admite-se que para np ≥ 5 e nq ≥ 5, “n” já será suficientemente grande
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Relação Entre as Distribuições Binomial e Normal
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para se poder aproximar uma distribuição binomial pela normal.
No entanto, devido ao fato de se estar aproximando uma distribuição discreta,
através de uma contínua, recomenda-se para se obter maior precisão, realizar uma
correção de continuidade que consiste em transformar, por exemplo, P(X = x) no
intervalo P(x - 0,5 < X < x + 0,5) e o mesmo em qualquer outra situação.
Exemplo
No lançamento de 30 moedas honestas, qual a probabilidade de saírem:
(a) Exatamente 12 caras?
(b) Mais de 20 caras?
Solução:
(a) A probabilidade de saírem 12 caras é dada pela distribuição
binomial por:
Aproximando pela normal tem-se:
µ = np = 30.(1/2) = 15
Então P(X =12) calculado pela normal com utilização da correção de continuidade
será:
P(X =12) ≅ P(11,5 < X < 12,5) = P(-1,28 < Z < -0,91) = 0,3997 - 0,3186 = 8,11%,
que não é muito diferente do valor exato 8,06%.
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Propriedades da Média e Variância de Variáveis Aleatórias
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Aproximando pela normal, tem-se:
P(X > 20,5) = 0,5000 - 0,4778 = 2,22%
39 Propriedades da Média e Variância de Variáveis Aleatórias
39.1 Média
A média de uma constante é igual a própria constante. E(k) = k, onde k =
constante
Se multiplicarmos os valores de uma variável aleatória por uma constante, a
média fica multiplicada por esta constante.
E(kX) =k.E(X)
Se os valores de uma variável aleatória forem somados a uma constante a média
ficará igualmente somada dessa constante.
E(X ± k) = E(X) ± k
A média de uma soma ou diferença de duas variáveis aleatórias é igual a soma
ou diferença das médias dessas variáveis.
E(X ± Y) = E(X) ± E(Y)
A média do produto de duas variáveis aleatórias independentes é igual ao
produto das médias dessas variáveis.
E(X.Y) = E(X).E(Y)
Variância
A variância de uma constante é nula V(k) = 0
Se multiplicarmos os valores de uma variável aleatória por uma constante, a
variância fica multiplicada pelo quadrado da constante.
V(kX) = k2.V(X)
Se os valores de uma variável aleatória forem somados a uma constante a
variância não se altera. V(X ± k) = V(X)
A variância de uma soma ou diferença de duas variáveis aleatórias independentes
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Desigualdades de Tchebycheff e Camp-Meidell
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é igual a soma das variâncias dessas variáveis.
V(X ± Y) = V(X) + V(Y)
39.2 A Mediana e a Moda
A mediana de uma variável aleatória é o valor que divide a distribuição em duas
partes equiprováveis. Será representada por md. Então:
P(X < md) = P(X > md) = 0,50
Este ponto sempre existe se a variável é contínua, onde a mediana pode ser
definida como sendo o ponto tal que F(md) = 0,50. No caso discreto pode haver todo
um intervalo que satisfaz a relação acima, convenciona-se em geral adotar o ponto
médio deste intervalo. Pode-se ainda, neste caso, definir a mediana como sendo o
menor valor para o qual F(md) > 0,5.
A moda é o(s) ponto(s) de maior probabilidade, no caso discreto, ou maior
densidade de probabilidade no caso contínuo. É representada por mo.
40 Desigualdades de Tchebycheff e Camp-Meidell
Pode-se demonstrar que, para qualquer distribuição de probabilidade que
possua média µ e desvio padrão σ, tem-se, para qualquer número “k > 1”:
P(|X - µ| ≥ kσ) ≤ 1/k2 (Desigualdade de Tchebycheff, Tchebichev ou Chebyshev,
1821 1894), ou de forma equivalente P(|X - µ| < kσ) ≥ 1 - 1/k2
Se a distribuição for unimodal e simétrica, então:
P(|X - µ| ≥ kσ) ≤ 4/9k2 (Desigualdade de Camp-Meidell)
Estas desigualdades fornecem as probabilidades de que os valores de uma
variável aleatória (qualquer) esteja num intervalo simétrico em torno da média de
amplitude igual a 2k desvios padrões. Assim se k = 2, por exemplo, a desigualdade de
Tchebycheff estabelece que o percentual de valores da variável aleatória que está
compreendida no intervalo µ ± 2σ é de pelo menos 1 - 1/4 = 75%. Conforme visto
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Desigualdades de Tchebycheff e Camp-Meidell
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pela normal este percentual vale exatamente 95,44%. Mas como a normal é simétrica
e unimodal, neste caso, um resultado mais próximo é dado pela desigualdade de
CampMeidell, isto é, 1 - 4/9k2 = = 1 - 1/9 = 88,89%.
Exemplo
Compare o limite superior da probabilidade P[(X - µ| ≥ 2σ)], obtida pela
desigualdade de T-chebycheff, com a probabilidade exata se X for uniformemente
distribuída sobre (-1, 3).
Solução:
Para uma distribuição uniforme tem-se µ = (a + b) / 2 = (-1 + 3) / 2 = 1 e V(X)
= (b - a)2 / 12 = 4/3
Então: P(|X - µ| ≥ kσ) = P(|X - 1| ) = 0 é a probabilidade exata.
Por Tchebycheff, teríamos:
P(|X - µ| ≥ kσ) = P(|X - 1| ) = 1 / 4.
≥ 4
3
3
≥ 4
3
3
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Referências
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41 Referências
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