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LEUCEMIAS AGUDAS 1 🩸 LEUCEMIAS AGUDAS As leucemias agudas são neoplasias malignas agressivas originadas de células hematopoiéticas imaturas (blastos) na medula óssea. Essas células perdem a capacidade de maturação normal, se acumulam e substituem as células normais da medula, comprometendo a hematopoese. Isso resulta em pancitopenia (anemia, neutropenia e trombocitopenia) e na proliferação desordenada de blastos. FATOR DE RISCO � Exposição a benzenos � Exposição a radiação ionizante � Pesticidas e herbicidas FISIOPATOLOGIA Envolve a transformação maligna das células hematopoiéticas 1. Alterações Genéticas e Epigenéticas Mutação gênica: Inclui mutações em genes que regulam a proliferação, diferenciação e apoptose celular. Exemplos: mutações no FLT3, NPM1, ou translocações cromossômicas como t(15;17 na leucemia promielocítica aguda. Translocações cromossômicas: Alteram a regulação gênica, resultando na expressão de proteínas oncogênicas (ex. BCRABL1 na leucemia linfoblástica aguda). Mutações epigenéticas: Modificam a expressão gênica sem alterar a sequência de DNA (ex.: metilação de promotores de genes supressores tumorais). � Acúmulo de Blastos e Falência Medular Diferenciação bloqueada: LEUCEMIAS AGUDAS 2 Os blastos permanecem imaturos e se acumulam na medula óssea, substituindo células hematopoiéticas normais por células malignas. Falência hematopoiética: Resulta em anemia (redução de eritrócitos), neutropenia (diminuição de leucócitos funcionais) e trombocitopenia (queda de plaquetas), com sintomas como fadiga, infecções e sangramentos. 3. Disseminação Sistêmica Os blastos podem invadir o sangue periférico e infiltrar tecidos extramedulares, como: Linfonodos, fígado, baço e sistema nervoso central SNC. Na leucemia linfoblástica aguda LLA, a infiltração no SNC e nos testículos é mais comum. 5. Mecanismos Imunológicos e Inflamatórios Produção de citocinas inflamatórias pelos blastos contribui para febre e sintomas constitucionais. Imunossupressão, facilitada pela neutropenia e pelo comprometimento imunológico associado às células leucêmicas, predispõe a infecções. CLASSIFICAÇÃO Leucemia Mielóide Aguda LMA → originada da proliferação de mieloblastos imaturos da linhagem mieloide. Subtipo: leucemia promielocítica aguda LPA M3 LEUCEMIAS AGUDAS 3 Hemorragia translocação t(15;17 associada à fusão PMLRARA. Tratamento: suporte transfusional agressivo, ácido transretinóico ATRA vai induzir a M3 a maturação. Epidemiologia: Mais comum em adultos, especialmente após os 60 anos 65 70 anos). Manifestações clínicas: Fadiga, astenia, febre, palidez, CIVD, hemorragias, espleno/hepatomegalia Infiltração dos tecidos M4 e M5 como gengival ou cloroma Pode ter síndrome de leucostase (hiperleucocitose): alteração visual, cefaléia, dispneia, convulsões, rebaixamento do nível de consciência. Trata com leucoaferese e pode tentar baixar com hidroxiureia (que um dos papéis é fazer citopenias) Manifestações laboratoriais: � Anemia normo/normo � Trombocitopenia (plaquetopenia) � Leucocitose ou leucopenia � Blastos com bastonetes de Auer (patognomônico de LMA � Mielograma com 20% de blastos � Imunofenotipagem com citometria de fluxo LEUCEMIAS AGUDAS 4 � Citogenética → classificação, prognóstico e tratamento Tratamento: Suporte transfusional Prevenção da Síndrome de lise tumoral Poliquimioterapia: indução (zerar os blastos), consolidação (manter a remissão) e manutenção → ex.: esquema “73ˮ – citarabina e antraciclina. Terapias alvo para subtipos específicos (ex.: ácido trans-retinoico para LMA promielocítica). Leucemia Linfoblástica Aguda LLA Proliferação descontrolada de linfoblastos (linhagem linfoide). Epidemiologia: É a leucemia mais comum em crianças, com pico entre 37 anos, mas também pode ocorrer em adultos. Classificação: linhagens T e B LLA de células B precursoras Subtipo mais comum. Pode apresentar rearranjos genéticos específicos, como: t(9;22) Translocação BCRABL (filadélfia). t(12;21 Rearranjo ETV6RUNX1 (bom prognóstico). LLA de células T precursoras Frequentemente associada a massas mediastinais. Mais comum em adolescentes Manifestações clínicas: � Dor óssea � Adenomegalias � Espleno/hepatomegalia � Síndrome meníngea Manifestações laboratoriais: � Anemia normo/normo LEUCEMIAS AGUDAS 5 � Trombocitopenia � Leucócitos variados (pode vir leucocitose a custas de blastos linfoides ou leucopenia) � Mielograma: presença de blastos 20% � Imunofenotipagem por citometria de fluxo LLAB marcadores são CD19,CD20 e CD22 LLAT marcadores são CD3, CD4, CD7 e CD8. � Exames de imagem - melhor localizar as lesões Tratamento: Poliquimioterapia em múltiplas fases (indução, consolidação e manutenção). Terapia dirigida (ex.: imunoterapia com blinatumomabe ou inibidores de TKI para pacientes com mutação BCRABL. Transplante de medula óssea para casos de alto risco.