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Ciência Política - Aula 9
Estado, Nação e Território
Os fins do Estado
O Estado não dispõe de consciência e vontade própria, pois ele somente existe na consciência e na
vontade de seus integrantes, e nas suas interações recíprocas e que conformam a instituição estatal.
Tem-se que distinguir entre:
fim objetivo - incondicionado e absoluto
fim subjetivo - relativo e condicionado, voluntário
Desse modo, há um ou vários fins associados ao Estado que lhe são próprios, objetivos e necessários e
expressam sua razão de ser, e há outros fins que lhe são atribuídos pelos governantes ou os integrantes
da comunidade política, que são subjetivos, contingentes e que expressam os valores e propósitos
daqueles.
Aristóteles em sua obra Política afirma que a finalidade do Estado é a felicidade na vida.
''A cidade é uma reunião de famílias e pequenos burgos que se associam para desfrutarem juntos uma
existência inteiramente feliz e independente".
Num dos mais importantes documentos do processo constitucional norte-americano, The Federalist
papers, publicado em 1788, seus autores declaram que "a segurança e a felicidade da sociedade são os
fins a que aspiram todas a instituições políticas e aos quais estas instituições devem sacrificar-se".
Assim, "um bom governo implica duas coisas: primeiro, fidelidade a seu objeto, a felicidade do povo;
segundo, um conhecimento dos meios que permitam alcançar melhor este objeto".
O Estado possui, pelo menos, um fim jurídico bastante claro, que é garantir ou proteger o direito.
Kelsen, neste sentido, afirma que o Estado é que toma possível a "verdadeira liberdade".
“O Estado não somente trata de realizar esta liberdade, mas que ele é a liberdade, pois ele é a lei jurídica".
Podemos afirmar que o fim próprio, objetivo e necessário do Estado é o "bem comum". A elaboração do
conceito de "bem comum" tem origem na teologia católica, em particular com Santo Tomás de Aquino. Em
síntese, o "bem comum" não é o bem de todos - como se "todos" fosse urna unidade real -, mas o conjunto
de condições apropriadas para que todos - "grupos intermediários" e pessoas individuais -alcancem seu
"bem particular". Por isso, podemos afirmar que não há contradição entre o "bem comum" e os ''bens
particulares". O Estado constitui urna organização que busca impulsionar, desenvolver e coordenar as
atividades humanas para a obtenção do bem comum. Para atingir esse objetivo, o Estado deve atuar sobre
o fundamento do direito e na forma do direito. Para isso, é necessário que todos os cidadãos participem na
elaboração das leis, diretamente ou através dos representantes, segundo um sistema que leve em conta,
dentro do possível, a capacidade diversificada das pessoas, ficando claro que de nenhum modo, nem na
forma da lei, poderão ser abolidos os direitos essenciais da pessoa humana.
Direito a liberdade de consciência; ao exercício da fé religiosa; direito em relação à integridade física ou
moral (direito a honra); direito de reunião e de associação; direito à liberdade de expressão e de imprensa;
direito de desenvolver urna atividade produtiva (direito ao trabalho) e de gozar de seus frutos; direito a
propriedade legalmente adquirida; direito à liberdade de movimento e de imigração; direito de ingresso aos
postos públicos sem exclusões nem privilégios, segundo o critério do mérito pessoal. A estrutura do Estado
se compõe basicamente de três elementos essenciais de acordo com vários autores (Jellinek, Burdeau,
Heller, Fischbach): o território, o povo e o poder. O território e a população constituem a base material do
Estado. O território constitui um dos grandes fatores de unidade e sem ele não há Estado. Na base da
estrutura territorial do Estado estão o território, o povo e as instituições.
Território
Todo Estado exige um território como condição imprescindível de sua organização, das funções que deve
exercer e de sua competência para regularizar, coordenar e controlar sua ação político-jurídica-
administrativa. Para Fishbach, "o território é a porção limitada da superfície terrestre na qual se estende o
poder de domínio do Estado. O território de um Estado é urna porção da Terra demarcada nos limites
precisos de suas fronteiras e constitui urna unidade geográfica, ou seja, um complexo de natureza
geológica, fauna e flora, hidrografia, zonas agrícolas, centros industriais, quedas d'água, vias de
comunicação, cidades e populações etc.
1. Em primeiro lugar, como elemento essencial do Estado e parte constitutiva dele e causa de sua
impenetrabilidade subjetiva, no sentido de que em um mesmo território só um Estado exerce o poder com
exclusividade, de tal modo que o espaço terrestre toma-se soberania territorial.
2. Em segundo lugar, o território constitui o âmbito espacial do poder de império que o Estado exerce sobre
seus habitantes.
3. Urna terceira propriedade do território consiste em que é um meio de ação ado Estado quanto defesa
nacional, a exploração dos recursos naturais etc.
O território de um Estado um espaço tridimensional. Envolve não somente a superfície terrestre, como
também o mar territorial e o espaço aéreo. As fronteiras terrestres entre os Estados são estabelecidas
através de tratados especiais, ficando perfeitamente delimitado o território nacional.
a) Terras e águas interiores
b) Mar territorial
c) Plataforma continental
d) Espaço aéreo
Povo e População
O conceito de população do Estado faz referência a um aspecto quantitativo, ou seja, o número de
indivíduos que habitam seu território, sem que se leve em conta qual seja sua condição. Portanto, conceito
é fundamentalmente um termo demográfico. O conceito de povo, por outro lado, faz referência ao conjunto
de pessoas que formam um aglomerado único, diferenciado. O povo do Estado são aqueles indivíduos cuja
conduta está regulada por uma ordem jurídica nacional. Uma vez constituído o grupo, este assume como
suas as finalidades sociais de satisfação das necessidades coletivas, autodefesa, sobrevivência e a
adaptação constante ao meio.
O conceito de nação
De um ponto de vista sociológico, definimos povo como "agrupamentos humanos com cultura semelhante
-língua, religião, tradições etc. - implicando certa homogeneidade e desenvolvimento de fortes laços de
solidariedade entre si. Assim, podemos falar em povo judeu, cigano, armênio, curdo, xavante ou brasileiro".
E a Nação é a denominação de um povo ao se fixar numa determinada área geográfica e adquirir certo
grau de organização político-administrativa, mantendo-se unido por urna história e cultura comuns e pela
consciência de que constituem uma unidade cultural."
Do ponto de vista político, a nação não tem como fundamento necessário a existência de um grupo étnico.
Em determinado momento da história europeia, a nação surgiu como urna referência ideológica importante
para garantir o funcionamento do aparato estatal, agrupando os indivíduos que a integram no espaço
econômico, social e político ocupado pelo Estado.
As nações e o direito de autodeterminação
As bases históricas da ideia de autodeterminação apontam para a dimensão interna dos Estados nacionais,
e está ligada ao nascimento da ideia de governo representativo. O conceito de autodeterminação defende
que os cidadãos devem escolher seu governo de modo que este atue com base no seu consentimento,
pois os homens são livres e devem participar dele.
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Aula 8
Liberalismo clássico; Conservadorismo; Fascismo e Nazismo; Teorias políticas pós-Segunda
Guerra Mundial
Liberalismo
ORIGENS E DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO:
1.Século XVII-XVIII (Primórdios):
Surgimento durante o Iluminismo
Oposição ao absolutismo
Defesa de direitos naturais
PRINCIPAIS FUNDAMENTOS:
1.Direitos Individuais:
Liberdade individual
Propriedade privada
Igualdade perante a lei
Direito à vida
2.Economia: Livre mercado
Livre iniciativa
Não intervenção estatal
Livre concorrência
VERTENTES DO LIBERALISMO:
1.Liberalismo Clássico:
Estado mínimo
Direitos naturais
Livre mercado irrestrito
Individualismo metodológico
2.Liberalismo Social:
Preocupação com questões sociais
Estado como regulador
Igualdade de oportunidades
Políticas públicas básicas
3.Neoliberalismo:
Privatizações
Desregulamentação
Redução do Estado
Globalização econômica
PRINCIPAIS PENSADORES E CONTRIBUIÇÕES:
1.John Locke (1632-1704):
Direitos naturais
Contrato social
Propriedade privada
Estado limitado
2.Adam Smith (1723-1790):
Mão invisível do mercado
Divisão do trabalho
Livre comércio
Autorregulação econômica
3.Friedrich Hayek (1899-1992):
Crítica ao planejamento central
Defesa do livre mercado
Ordem espontânea
Conservadorismo
ORIGENS E DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO
1. Surgimento Formal:
Resposta à Revolução Francesa (1789)
Edmund Burke: “Reflexões sobre a Revolução na França” (1790)
Crítica às mudanças radicais.
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS:
1.Valores Centrais:
Tradição e continuidade histórica
Ordem social hierárquica
Religiosidade
Prudência nas mudanças
Valorização da família
Visão Social:
Sociedade orgânica
Hierarquia natural
Importância das instituições tradicionais
Ceticismo em relação ao progresso radical
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS:
Aspectos Políticos:
Defesa da ordem estabelecida
Mudanças graduais e controladas
Aspectos Sociais:
Família tradicional
Valores morais rígidos
Respeito à autoridade
Patriotismo
Aspectos Econômicos:
Propriedade privada
Livre mercado com regulação
Responsabilidade fiscal
Cautela com políticas redistributivas
VERTENTES DO CONSERVADORISMO:
Conservadorismo Tradicional:
Ênfase em valores religiosos
Hierarquia social natural
Tradições culturais
Autoridade moral
Conservadorismo Libertário:
Livre mercado
Estado limitado
Liberdades individuais
Tradicionalismo moral
Neoconservadorismo:
Política externa assertiva
Valores tradicionais
Capitalismo de mercado
Patriotismo forte
TEMAS CONTEMPORÂNEOS:
Debates Atuais:
Família e sexualidade
Imigração
Nacionalismo
Multiculturalismo
Papel do Estado
Desafios:
Globalização
Mudanças tecnológicas
Transformações sociais
Secularização
NAZISMO
ORIGEM E ASCENSÃO:
Contexto Histórico (1918-1933):
Derrota na Primeira Guerra Mundial
República de Weimar
Crise econômica
Tratado de Versalhes
Hiperinflação alemã
1.Partido Nazista (NSDAP):
Fundado em 1920
Adolf Hitler como líder
Putsch de Munique (1923)
Crescimento eleitoral
Chegada ao poder (1933)
Pilares Fundamentais:
1.Racismo e antissemitismo
2.Teoria da superioridade ariana
3.Espaço vital (Lebensraum) - O espaço vital seria o espaço necessário para a expansão territorial de um
povo, no caso, o povo alemão. Não apenas a restauração das fronteiras de 1914, mas também a conquista
da Europa Oriental, espaço onde as necessidades, relativas à dominação territorial e recursos minerais
desse povo seriam supridas.
4.Nacionalismo extremo
5.Antiliberalismo/anticomunismo
ESTRUTURA DO REGIME:
1.Estado:
Totalitarismo
Partido único
Culto à personalidade
Militarização
Controle social absoluto
2.Organizações:
SS (Schutzstaffel)
SA (Sturmabteilung)
Gestapo
Hitler Jugend (Juventude Hitlerista)
Wehrmacht (Forças Armadas)
POLÍTICAS PRINCIPAIS:
1.Raciais:
Leis de Nuremberg (1935)
Holocausto
Eugenia
Perseguição a minorias
Campos de concentração
Econômicas:
Autarquia
Indústria bélica
Trabalho forçado
Economia de guerra
Grandes obras públicas
Sociais:
Controle da educação
Propaganda massiva
Política populacional
Arianização
Militarização da sociedade
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Aula 7
SOCIALISMO
Karl Heinrich Marx (1818-1883)
Marx viveu durante um período de profundas transformações na Europa:
Revolução Industrial em pleno vapor
Ascensão do capitalismo industrial
Crescimento das cidades e do proletariado urbano
Revoluções políticas (1848, a "Primavera dos Povos")
Unificação da Alemanha
Expansão colonial europeia
Contextualização:
O marxismo surgiu no século XIX, em meio à Revolução Industrial e às transformações sociais
decorrentes do capitalismo emergente. Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895)
foram os principais formuladores desta teoria, que se propunha a analisar e criticar o sistema
capitalista, bem como propor uma alternativa revolucionária.
A principal contribuição de Karl Marx (1818-1883) a teoria política é a sua visão materialista da
história, que dá primazia ao econômico na explicação das Mudanças que ocorrem em outras
esferas, como a da cultura e da política. Análise política é superficial se não vem acompanhada
de urna abordagem sobre os determinantes histórico-econômicos, pois qualquer sistema de
produção que ocorreu na história apresenta relações sociais de produção específicas, e urna
determinada distribuição do produto econômico, e isto tende a explicar as Mudanças que possam
ocorrer tanto na política como na cultura.
Principais conceitos do pensamento marxista:
Materialismo histórico:
A história é impulsionada por forças materiais e econômicas
As mudanças nas relações de produção levam a transformações sociais e políticas
Luta de classes:
A sociedade é dividida em classes antagônicas (no capitalismo: burguesia e proletariado)
O conflito entre essas classes é o motor da história
Mais-valia:
Exploração do trabalhador através da apropriação do valor excedente de seu trabalho pelo
capitalista
Alienação:
Separação do trabalhador do produto de seu trabalho e de sua própria natureza humana
Ideologia:
Conjunto de ideias que refletem os interesses da classe dominante
Usado para justificar e manter o status quo
Ditadura do proletariado:
Fase transitória após a revolução socialista
Poder político nas mãos da classe trabalhadora
Comunismo:
Estágio final da evolução social
Sociedade sem classes, sem Estado e sem propriedade privada
Estado como instrumento de classe:
Na visão marxista, o governo ou Estado não é uma entidade neutra, mas um instrumento de
dominação de classe. Marx argumentava que, na sociedade capitalista, o Estado serve
principalmente aos interesses da classe dominante (a burguesia).
Principais pontos:
O Estado mantém a ordem social que beneficia a classe dominante
Usa a força (polícia, exército) e instituições (tribunais, escolas) para esse fim
As leis geralmente refletem e protegem os interesses dos proprietários dos meios de produção
Superestrutura e base econômica:
Marx via o governo como parte da "superestrutura" da sociedade, determinada pela "base"
econômica.
A forma de governo reflete as relações econômicas dominantes
Mudanças na base econômica eventualmente levam a mudanças na superestrutura política
Revolução e ditadura do proletariado:
Marx previa que a classe trabalhadora (proletariado) eventualmente derrubaria o governo burguês
através de uma revolução.
Fase inicial pós-revolução: "ditadura do proletariado"
Não uma ditadura no sentido moderno, mas controle do Estado pela classe trabalhadora
Usada para suprimir a resistência da antiga classe dominante e reorganizar a sociedade
Extinção do Estado:
No longo prazo, Marx previa que o Estado eventualmente se tornaria desnecessário e "definharia".
Numa sociedade comunista sem classes, não haveria necessidade de um aparato estatal
coercitivo
Administração das coisas substituiria o governo das pessoas
Crítica à democracia burguesa:
Marx criticava as formas de governo democrático de seu tempo como essencialmente limitadas e
servindo aos interesses capitalistas.
Sufrágio universal visto como insuficiente para verdadeira representação da classe trabalhadora
Democracia real só possível com igualdade econômica
Internacionalismo:
Marx via o proletariado como uma classe internacional, transcendendofronteiras nacionais.
Chamada para a união internacional dos trabalhadores ("Proletários de todos os países, uni-vos!")
Crítica ao nacionalismo como ferramenta da classe dominante
Transição socialista:
Nas fases iniciais do socialismo, Marx previa um governo forte para:
Centralizar os meios de produção nas mãos do Estado
Expandir a produção industrial
Implementar educação universal e gratuita
Abolir o trabalho infantil
Criar um sistema bancário estatal centralizado
Comunas e autogoverno:
Marx elogiou a Comuna de Paris de 1871 como um modelo potencial de governo proletário.
Ênfase no autogoverno local
Oficiais eleitos e sujeitos a recall
Salários de funcionários públicos equiparados aos dos trabalhadores
A Comuna de Paris foi um movimento popular ocorrido na capital francesa entre os dias 18 de
março e 21 de maio de 1871. Populares oriundos das camadas mais baixas de Paris se
organizaram politicamente para protestar contra a crise social e política vivida pela França naquele
período.
Marx elogiou a Comuna de Paris de 1871 como um modelo potencial de governo proletário.
Ênfase no autogoverno local
Oficiais eleitos e sujeitos a recall
Salários de funcionários públicos equiparados aos dos trabalhadores
A Comuna de Paris foi um movimento popular ocorrido na capital francesa entre os dias 18
de março e 21 de maio de 1871. Populares oriundos das camadas mais baixas de Paris se
organizaram politicamente para protestar contra a crise social e política vivida pela França naquele
período.