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Capítulo 5
Atividade agrícola
A atividade agrícola tem como base a terra. Como coloca o professor 
Roni Antônio Garcia da Silva (2013, p. 24), a terra é a “grande fábrica”, e 
por isso o custo de entrada em um empreendimento agrícola é, via de 
regra, bastante relevante. Terras não têm custos baixos, e o produtor 
agrícola (rural) precisa ter ciência de que questões de ordem biológica, 
química e física estão diretamente relacionadas com seu sucesso. 
O professor Silva (2013) menciona uma série de aspectos inerentes 
à atividade agrícola, entre os quais:
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 • a dependência do clima, que eleva significativamente os riscos 
do negócio, uma vez que fenômenos climáticos como geadas, 
chuvas intensas e secas prolongadas podem interferir muito na 
produção e rentabilidade do negócio; 
 • riscos associados a doenças e pragas;
 • a perecibilidade dos produtos agrícolas, que exigem, em alguns 
casos, rapidez na colheita e distribuição ou soluções de armaze-
namento de alto custo;
 • a dispersão e a exposição ao tempo do trabalhador agrícola, que 
reduzem naturalmente a produtividade;
 • as variações no tamanho e na qualidade da produção e colheita 
de um mesmo produto, já que nem sempre se consegue uniformi-
dade na produção agrícola;
 • e a dificuldade, por parte do produtor rural, de atribuir valor ao 
seu produto, já que essa produção é pulverizada entre milhares de 
produtores em um dado país, configurando-os como tomadores 
do preço.
1 Operações agrícolas
Antes de entrarmos propriamente neste tópico, cabe trazer à memó-
ria a diferença entre custos e despesas na atividade agrícola. Segundo 
Marion (2012):
Por convenção, e para facilitar a comunicação deste assunto, con-
sideram-se custos de cultura todos os gastos identificáveis direta 
ou indiretamente com a cultura (ou produto), como sementes, adu-
bos, mão de obra (direta ou indiretamente), combustível, deprecia-
ção de máquinas e equipamentos utilizados na cultura, serviços 
agronômicos e topográficos, etc. 
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Como despesas do período entendem-se todos os gastos não 
identificáveis com a cultura, não sendo, portanto, acumulados no 
estoque (culturas temporárias), mas apropriados como despesa 
do período. São as despesas de venda (propaganda, comissão de 
vendedores…), despesas administrativas (honorários dos diretores, 
pessoal de escritório…) e despesas financeiras (juros, taxas bancá-
rias…). (MARION, 2012, p. 17)
Também é importante compreender o conceito de perda. A perda 
normal faz parte do custo do produto agrícola, incluindo, por exemplo, 
o descarte de produtos com defeitos, amassados ou parcialmente co-
midos por animais. Esses valores não são sequer apurados e o custo 
da produção é atribuído à parcela considerada válida. Já o tratamento 
das perdas tidas como anormais é diferente. Segundo Santos, Marion 
e Segatti (2017, p. 28), “perda anormal é a perda identificada que não 
possui nenhum valor compensante” e que, portanto, deve ser lançada 
diretamente contra o resultado do período. 
1.1 Principais operações agrícolas
A atividade agrícola tem fases muito características, e entendê-las 
nos ajuda a compreender como alocar custos a cada uma das etapas. 
Santos, Marion e Segatti (2017), em seu livro Administração de custos 
na agropecuária, mencionam as principais operações agrícolas, que 
aqui apresentamos na forma de um diagrama (figura 1).
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Figura 1 – Operações agrícolas 
Ralear é reduzir o número de frutos 
para melhorar o desempenho 
dos demais, diminuindo a 
competição entre eles
Desbaste é a simples retirada 
de galhos e folhas para impedir 
quebras e melhorar as condições 
de luz, água, etc.
Colheita da produção até o ponto de 
embalagem e armazenamento
Preparo do solo 
Operações
agrícolas 
Correção do solo 
Adubação
Cultivo mecânico 
Raleação e
desbaste 
Colheita
Remoção de tocos, roça, limpeza, areação, 
gradeação, drenagem, conservação, 
subsolagem (trato mecânico do solo)
Calagem (aplicação de cálcio para 
corrigir pH), entre outras técnicas
De cova ou sulco
Cultivo químico Aplicação de herbicida
Controle de formigas, transporte de água 
Tratamento
fitossanitário 
Transporte de água e aguaçãoIrrigação 
Cultivo manual Uso de mão de obra para limpar, 
roçar, arar e gradear a terra 
Utilização de máquinas para 
limpar, arar e gradear a terra
Fonte: adaptado de Santos, Marion e Segatti (2017). 
2 Contabilização do plantio à colheita
A depender do tipo da cultura (temporária ou permanente), há dife-
renças na contabilização ou registro a partir do plantio, formação das 
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culturas e colheita. Relembrando, culturas temporárias são aquelas em 
que o fruto é arrancado na colheita e que depois são replantadas (ou 
dão espaço para o plantio de outra cultura mais apropriada ao enrique-
cimento do solo). Todos os gastos aplicados à formação dessa cultura 
são registrados em contas do ativo circulante. 
Já culturas permanentes apresentam duas fases distintas: a primeira 
refere-se à formação da planta portadora, isto é, da árvore que irá pro-
duzir o fruto; a segunda fase corresponde à criação do fruto a partir 
da planta portadora. Na fase de formação da árvore, os gastos devem 
ser registrados no ativo imobilizado, enquanto na fase de formação do 
fruto, eles devem ser registrados no ativo circulante. Sintetizamos na 
figura 2 os registros em ambos os tipos de culturas. 
Figura 2 – Contabilização das culturas
Contabilização
das culturas
Temporárias Cultura em formação 
Planta portadora 
Produto biológico 
Ativo não circulante 
(imobilizado)
Ativo circulante 
Ativo circulante 
Permanentes
Árvore 
Produto biológico 
2.1 Critérios de registro e avaliação de ativos e produtos 
biológicos
De acordo com o item 5 da NBC TG 29, “ativo biológico é um animal 
e/ou planta vivos” (CFC, 2015, p. 3). Ainda nesse item, temos a definição 
de planta portadora, isto é, uma planta viva que “é utilizada na produção 
ou fornecimento de produtos agrícolas e é cultivada para produzir frutos 
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por mais de um período” (CFC, 2015, p. 3). Cabe ressaltar que, conforme 
o item 5C dessa mesma norma, um produto em desenvolvimento de 
planta portadora é considerado um ativo biológico (CFC, 2015, p. 3). 
Nos itens 12 e 13 da NBC TG 29, temos a orientação sobre como 
mensurar ativos biológicos e produtos biológicos:
12. O ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo menos 
a despesa de venda no momento do reconhecimento inicial e no 
final de cada período de competência, exceto para os casos des-
critos no item 30, em que o valor justo não pode ser mensurado 
de forma confiável.
13. O produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade 
deve ser mensurado ao valor justo, menos a despesa de venda, no 
momento da colheita. O valor assim atribuído representa o custo, 
no momento da aplicação da NBC TG 16 – Estoques, ou outra nor-
ma aplicável. (CFC, 2015, p. 4-5)
Em outras palavras, o item 12 deixa claro que um ativo biológico (plan-
ta portadora e produto em formação) deve ser avaliado a valor justo tanto 
no reconhecimento inicial como no final de cada exercício. Se, pelo item 
5C, produtos em formação são ativos biológicos, eles têm de ser ava-
liados a valor justo antes da colheita. Já o item 13 define que o produto 
biológico colhido deve ser avaliado a valor justo no momento da colheita.
As contrapartidas das avaliações a valor justo desses ativos e pro-
dutos biológicos são uma conta de resultado, tal como descrito no item 
26 da NBC TG 29: 
26. O ganho ou a perda proveniente da mudança no valor justo me-
nos a despesa de venda de ativo biológico reconhecido no momen-
to inicial até o final de cada período deve ser incluído no resultado 
do exercício em que tiver origem. (CFC, 2015, p. 7)
A partir da formação do ativo biológico agrícola e do produto bioló-
gico agrícola, os valores justos devem ser considerados como custos 
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no reconhecimento do ativo biológico no ativo não circulante perma-
nente ou do produto biológico no ativo circulante. 
2.2 Contabilização e mensuração no plantio em culturas 
temporárias
Para compreender como registrar as aplicações de recursos em uma 
cultura temporária, avaliar a valor justo antes da colheita, no balanço e 
na colheita, vamos usar o exemplo de uma cultura temporária de milho.
Uma entidade do agronegócio de pequeno porte situada na região 
sudeste tem uma área de cultivo equivalente a 100 ha, dos quais 25% 
são utilizados para a produção de milho. A produtividade média dessa 
propriedade é de 120 sacas por hectare. O plantio teve início em outu-
bro de 2020 e foi concluído em dezembro do mesmo ano, enquanto a 
colheita ocorreu entre janeiro e junho de 2021. A cotação para uma saca 
de milho na bolsa de mercadorias no dia 31 de dezembro de 2020 era 
de R$ 95,00, e o milho foi todo negociado no dia 30 de junho de 2021, no 
final da colheita, pelo valor de R$ 110,00 cada saca, quando se consta-
tou que a colheita resultou em 3 mil sacas de milho. Os custos indiretos 
totais na propriedade agrícola que devem ser rateados entre as culturas 
de milho, soja, arroz e feijão equivalem a R$ 229.500,00, e são formados 
pelos fatores apresentados na tabela 1.
Tabela 1 – Discriminação dos custos indiretos da propriedade agrícola (out. 2020 a jun. 2021)
CUSTOS INDIRETOS VALOR MENSAL VALOR NO PERÍODO
Consultoria técnica de agrônomo R$ 2.000,00 R$ 18.000,00
Depreciação das máquinas R$ 3.000,00 R$ 27.000,00
Água (irrigação de toda a propriedade) R$ 1.000,00 R$ 9.000,00
Energia R$ 2.500,00 R$ 22.500,00
(cont.)
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CUSTOS INDIRETOS VALOR MENSAL VALOR NO PERÍODO
Combustível R$ 750,00 R$ 6.750,00
Seguro da produção R$ 1.250,00 R$ 11.250,00
Mão de obra indireta R$ 15.000,00 R$ 135.000,00
Total dos custos indiretos – R$ 229.500,00
Segundo o critério de rateio adotado pela propriedade, será atribuído 
à cultura do milho o correspondente a 20% do total dos custos indiretos, 
ou seja, R$ 45,900,00. Dos 100 ha, 25% foram utilizados para o cultivo do 
milho, o que equivale a 25 ha. Como a produtividade de cada hectare é 
de 120 sacas, a produção estimada é de 25 ha × 120 sacas = 3 mil sacas.
Vamos agora discriminar os custos diretos relativos ao plantio e à 
colheita da cultura do milho na tabela 2.
Tabela 2 – Custos diretos da cultura de milho (out. 2020 a jun. 2021)
CUSTOS DIRETOS (PLANTIO E COLHEITA) VALOR MENSAL VALOR NO PERÍODO
Mão de obra direta R$ 8.000,00 R$ 72.000,00
Sementes – R$ 5.000,00
Fertilizantes – R$ 30.000,00
Defensivos – R$ 25.000,00 
Total dos custos diretos – R$ 132.000,00
Na figura 3, apresentamos o registro, no ativo circulante, dos custos 
para a formação da cultura temporária de milho até o dia 31 de dezem-
bro de 2020, indicando inclusive a origem dos custos indiretos (ratea-
dos dos custos totais, equivalentes a R$ 229.500,00).
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Figura 3 – Registro dos custos para a formação da cultura de milho 
Cultura temporária em formação (milho) 
Ativo circulante (AC)
Total aplicado R$ 177.900
Mão de obra indireta – R$ 72.000 
Sementes – R$ 5.000
Fertilizantes – R$ 30.000
Defensivos – R$ 25.000
Custos indiretos – R$ 45.900
Custos diretos 
Matéria-prima direta (MPD)
Custos indiretos totais
R$ 229.500,00
No dia 31 de dezembro de 2020, independentemente da colheita, 
como o exercício precisa ser encerrado, deve ser feita a avaliação a 
valor justo da cultura de milho, considerando o valor justo líquido das 
despesas de venda. Supondo que estas correspondam a 10% e a cota-
ção de cada saca na bolsa de mercadorias seja de R$ 95,00 em 31 de 
dezembro de 2020, devemos realizar o ajuste a valor justo na estimativa 
de 3 mil sacas a serem colhidas. Na tabela 3, discriminamos o cálculo 
do valor justo líquido das despesas de venda. 
Tabela 3 – Cálculo do valor justo líquido da cultura de milho no balanço (31 dez. 2020)
CÁLCULO DO VALOR JUSTO VALOR MENSAL VALOR NO PERÍODO
Estimativa da colheita de 3 mil sacas R$ 95,00 R$ 285.000,00
Despesas de venda 10% (R$ 28.500,00)
Valor justo líquido das despesas de vendas R$ 256.500,00
Nos razonetes representados na figura 4, temos o registro do ajuste 
a valor justo. 
Figura 4 – Registro do ajuste a valor justo no balanço e na demonstração de resultado (DRE)
Ajuste a valor justo Ganho com ajuste a valor justo
Cultura em formação de milho (AC) (Outras receitas – DRE)
R$ 78.600,00 R$ 78.600,00
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2.2.1 Mensuração na colheita de culturas temporárias
A norma NBC TG 29 determina que o produto biológico colhido seja 
avaliado a valor justo na colheita (CFC, 2015). Em nosso exemplo ante-
rior, o valor negociado, isto é, o valor justo na colheita, foi deR$ 110,00 
por saca de milho. Devemos considerar ainda as despesas com a venda 
sobre a diferença entre a avaliação a valor justo feita na data do balanço 
(R$ 95,00) e a avaliação a valor justo feita na colheita e venda (R$ 110,00).
Apresentamos o cálculo desse novo ajuste na tabela 4. As 3 mil sa-
cas, avaliadas a R$ 110,00 cada, totalizam R$ 330 mil. Como já havía-
mos deduzido as despesas de venda sobre o valor justo anterior, agora 
basta deduzir as despesas de venda sobre a diferença entre R$ 330 mil 
e R$ 285 mil, isto é sobre R$ 45 mil. Assim, as despesas a serem dedu-
zidas correspondem a R$ 4.500,00.
Tabela 4 – Cálculo da diferença do valor justo na colheita (30 abr. 2021)
CÁLCULO DO VALOR JUSTO DA CULTURA DE MILHO VALOR MENSAL VALOR NO PERÍODO
Colheita de 3 mil sacas R$ 110,00 R$ 330.000,00
Despesas de venda [10% (R$ 330.000,00 – R$ 285.000,00)] (R$ 4.500,00)
Valor justo líquido das despesas de venda R$ 325.500,00
Diferença de ajuste a valor justo
(R$ 325.500,00 – R$ 256.500,00)
R$ 69.000,00
Nos razonetes da figura 5, apresentamos o registro da avaliação a 
valor justo na colheita com base nos cálculos da tabela 4.
Figura 5 – Avaliação a valor justo na colheita
Ajuste a valor justo
Cultura em formação de milho (AC)
R$ 78.600,00
R$ 69.000,002
R$ 69.000,002
Ganho com ajuste a valor justo
(Outras receitas – DRE) – 30/04/21
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Ao encerrar a colheita, os registros dos valores aplicados à formação 
da cultura de milho e das avaliações a valor justo devem ser transferidos 
para uma conta de estoque de milho no ativo circulante. Apresentamos 
essa transferência na figura 6. Note-se que o valor do custo de registro 
será a soma dos valores aplicados aos ajustes a valor justo feitos na 
data do balanço e na colheita.
 Figura 6 – Transferência de cultura em formação para estoque de milho 
Cultura temporária em formação (milho) 
Ativo circulante (AC)
Ajuste a valor justo
Cultura em formação de milho (AC)
Total aplicado R$ 177.900
R$ 78.600
R$ 69.0002
R$ 177.9001
R$ 147.6002
Estoque de milho (AC)
R$ 1177.900
R$ 2147.600
Custo total: R$ 325.500
Mão de obra indireta – R$ 72.000 
Sementes – R$ 5.000
Fertilizantes – R$ 30.000
Defensivos – R$ 25.000
Custos indiretos – R$ 45.900
2.3 Contabilização em culturas permanentes
Nesse tipo de cultura, em que temos duas fases bem definidas, to-
dos os gastos devem ser inicialmente apropriados a uma conta especí-
fica da cultura permanente em formação, e a floresta deve ser avaliada 
a valor justo ao final de cada exercício. 
A avaliação a valor justo de uma floresta permanente requer cui-
dados especiais, uma vez que não é possível vender a árvore isolada-
mente. Dessa forma, é necessário adotar, por exemplo, o critério de ge-
ração de caixa com a vida útil remanescente da floresta ou comparar o 
preço da terra nua com o preço da terra incluindo a floresta plantada na 
região da propriedade.
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2.3.1 Formação da planta portadora e avaliação a valor justo da 
floresta permanente
Os gastos com a formação de uma floresta permanente se asseme-
lham aos gastos de florestas ou culturas temporárias. A diferença é que, 
nesses casos, o registro é feito em uma conta do ativo não circulante 
imobilizado até o momento em que a árvore começa a produzir frutos. 
A partir daí, os gastos são apropriados a produtos em formação no ativo 
circulante e não mais no imobilizado.
Como exemplo, vamos supor que os gastos diretos e indiretos para 
a formação de uma floresta de café tenham sido de R$ 10 milhões até 
o momento exato em que a floresta começou a produzir os primeiros 
frutos. Consideremos ainda que o valor de mercado da terra nua, na 
região onde se encontra a cultura de café, seja de R$ 40 milhões, e que 
o valor de venda líquido das despesas de venda dessa propriedade, com 
a cultura de café no estágio em que se encontra, seja de R$ 65 milhões. 
A contabilidade deverá registrar a floresta de café, no ativo imobilizado, 
por R$ 25 milhões: R$ 10 milhões referem-se aos valores aplicados para 
a formação da floresta; os R$ 15 milhões restantes resultam da diferen-
ça entre o valor da propriedade adicionado aos gastos de R$ 10 milhões 
(R$ 50 milhões) e o valor de mercado líquido das despesas de venda de 
toda a propriedade (R$ 65 milhões). O cálculo do ajuste pode ser acom-
panhado na tabela 5.
Tabela 5 – Cálculo do ajuste a valor justo da floresta permanente de café
CÁLCULO DO AJUSTE A VALOR JUSTO VALOR
Valor da terra nua R$ 40.000.000,00
Valores gastos na formação da floresta R$ 10.000.000,00
Total dos gastos com a terra e a formação da floresta R$ 50.000.000,00
Valor de mercado da propriedade após a floresta formada R$ 65.000.000,00
Ajuste a valor justo R$ 15.000.000,00
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Na figura 7, temos a transferência dos valores para a conta do imo-
bilizado como planta portadora, incluindo os gastos com a formação da 
floresta e a avaliação a valor justo no momento em que se inicia a pro-
dução de frutos. A partir de então, a planta portadora deixa de ser ava-
liada a valor justo e passa a ser avaliada como um imobilizado, tendo 
seu valor alocado ao ativo permanente imobilizado (OLIVEIRA, 2010). 
Nessas circunstâncias, ela será depreciada e estará sujeita a análise 
de valor recuperável. O valor dos gastos somado às avaliações a valor 
justo passa a ser o custo do imobilizado. 
Figura 7 – Registro da planta portadora 
A depreciação, segundo Oliveira (2010), se aplica a toda cultura per-
manente, isto é, a itens tangíveis, já que esses itens se desgastam. A 
amortização se aplica a direitos que se extinguem, ou seja, correspon-
de à recuperação de capital aplicado na aquisição de direitos sobre 
propriedades de terceiros, e a exaustão se aplica a itens que acabam 
(OLIVEIRA, 2010). A figura 8 representa a técnica aplicável em função 
do tipo de ativo na agropecuária.
R$ 10.000.000,001
R$ 15.000.000,002
Total: R$ 25.000.000,00
R$ 325.000.000,00
Cultura permanente de café em formação 
Ativo não circulante (imobilizado)
Planta portadora (ativo biológico formado) 
Ativo não circulante (imobilizado)
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Figura 8 – Técnica de redução de valor em função do tipo de bem 
Bens tangíveis
Desgastam-se
Depreciação
Bens intangíveis
Extinguem-se
Amortização
Recursos naturais
Acabam Exaustão
No que diz respeito à aplicação de recursos em florestas, o regula-
mento do imposto de renda de 2018, em seu artigo 319, parágrafo 3º, 
define que cabe depreciação a florestas de frutos que sejam próprias. 
Nesses casos, a planta portadora tem vida útil claramente conhecida, e 
o valor apropriado como custo no imobilizado deve ser depreciado de 
forma linear aolongo da vida útil estimada da floresta ou em função da 
produção total estimada durante sua vida útil (BRASIL, 2018). 
Caso a entidade agrícola tenha contratado o direito para explorar 
uma floresta de fruto ou de corte, ela deverá amortizar o valor pago 
pelos direitos, tomando por base as orientações do artigo 334 do regu-
lamento do imposto de renda de 2018, isto é, em função do prazo do 
contrato (BRASIL, 2018). 
Caso se trate de uma floresta própria para corte (extração de 
madeira), deverão ser aplicadas quotas de exaustão em função do 
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prazo de exploração ou da capacidade estimada e da extração de cada 
período. Na figura 9, apresentamos essas três possibilidades para trata-
mento da redução de valor em recursos aplicados em florestas. 
Figura 9 – Redução de valor de recursos florestais 
Florestas de frutos próprias
Florestas de corte próprias
Florestas de frutos ou
corte de terceirosRecursos
florestais
Depreciação
Amortização
Exaustão
2.3.2 Formação da produção agrícola e mensuração após a colheita
A acumulação de custos referente à formação dos frutos em uma 
cultura permanente, como de maçãs, café, peras, mangas e cana-de-
-açúcar, se dá a partir do momento em que a planta portadora está 
formada e a primeira produção fica evidenciada. Daí em diante, todos 
os valores gastos com a floresta, sejam eles custos indiretos ou dire-
tos, devem ser apropriados à cultura em formação, exatamente como 
exemplificado no item 2.2 deste capítulo, inclusive no que diz respeito à 
mensuração na data do balanço e na colheita. 
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Considerações finais
O tratamento dos custos indiretos em um empreendimento agrícola 
é bastante similar ao tratamento dos custos indiretos em uma indústria: 
eles devem ser apropriados às culturas assim como são apropriados aos 
produtos em uma indústria. O critério de rateio deve ser adotado com 
prudência, dando preferência, quando possível, ao critério ABC, de modo 
que as arbitrariedades da apropriação dos indiretos sejam reduzidas.
Cabe ressaltar que tanto a planta portadora como o produto em for-
mação na planta portadora, bem como os produtos biológicos, devem 
ser avaliados a valor justo na data do balanço e na colheita. Por fim, 
após formada, a planta portadora deverá ser tratada como um ativo 
imobilizado, conforme a NBC TG 27 (CFC, 2017). 
Referências
BRASIL. Decreto nº 9.580, de 22 de novembro de 2018. Regulamenta a 
tributação, a fiscalização, a arrecadação e a administração do Imposto sobre 
a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Brasília, DF: Presidência da 
República, 2018. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2018/decreto/D9580.htm. Acesso em: 20 jun. 2022. 
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 27 (R4), de 24 de 
novembro de 2017. Altera a NBC TG 27 (R3), que dispõe sobre ativo imobilizado. 
Brasília: CFC, 2017. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/
NBCTG27(R4).pdf. Acesso em: 20 jun. 2022. 
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE (CFC). NBC TG 29 (R2), de 23 de 
outubro de 2015. Altera a NBC TG 29 (R1), que dispõe sobre ativo biológico e 
produto agrícola. Brasília: CFC, 2015. Disponível em: https://www1.cfc.org.br/
sisweb/SRE/docs/NBCTG29(R2).pdf. Acesso em: 20 jun. 2022. 
MARION, José Carlos. Contabilidade rural: contabilidade agrícola, contabilidade 
da pecuária e imposto de renda – pessoa jurídica. São Paulo: Atlas, 2012.
99Atividade agrícola
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OLIVEIRA, Neuza Corte de. Contabilidade do agronegócio: teoria e prática. 
Curitiba: Juruá, 2010.
SANTOS, Gilberto José; MARION, José Carlos; SEGATTI, Sonia. Administração 
de custos na agropecuária. São Paulo: Atlas, 2017.
SILVA, Roni Antônio Garcia da. Administração rural: teoria e prática. 3. ed. 
Curitiba: Juruá, 2013.

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