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1 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 2 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 3 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Núcleo de Educação a Distância GRUPO PROMINAS DE EDUCAÇÃO Diagramação: Rhanya Vitória M. R. Cupertino Revisão Ortográfica: Águyda Beatriz Teles PRESIDENTE: Valdir Valério, Diretor Executivo: Dr. Willian Ferreira. O Grupo Educacional Prominas é uma referência no cenário educacional e com ações voltadas para a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado de trabalho. O Grupo Prominas investe em tecnologia, inovação e conhecimento. Tudo isso é responsável por fomentar a expansão e consolidar a responsabilidade de promover a aprendizagem. 4 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Prezado(a) Pós-Graduando(a), Seja muito bem-vindo(a) ao nosso Grupo Educacional! Inicialmente, gostaríamos de agradecê-lo(a) pela confiança em nós depositada. Temos a convicção absoluta que você não irá se decepcionar pela sua escolha, pois nos comprometemos a superar as suas expectativas. A educação deve ser sempre o pilar para consolidação de uma nação soberana, democrática, crítica, reflexiva, acolhedora e integra- dora. Além disso, a educação é a maneira mais nobre de promover a ascensão social e econômica da população de um país. Durante o seu curso de graduação você teve a oportunida- de de conhecer e estudar uma grande diversidade de conteúdos. Foi um momento de consolidação e amadurecimento de suas escolhas pessoais e profissionais. Agora, na Pós-Graduação, as expectativas e objetivos são outros. É o momento de você complementar a sua formação acadêmi- ca, se atualizar, incorporar novas competências e técnicas, desenvolver um novo perfil profissional, objetivando o aprimoramento para sua atu- ação no concorrido mercado do trabalho. E, certamente, será um passo importante para quem deseja ingressar como docente no ensino supe- rior e se qualificar ainda mais para o magistério nos demais níveis de ensino. E o propósito do nosso Grupo Educacional é ajudá-lo(a) nessa jornada! Conte conosco, pois nós acreditamos em seu potencial. Vamos juntos nessa maravilhosa viagem que é a construção de novos conhecimentos. Um abraço, Grupo Prominas - Educação e Tecnologia 5 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 6 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Olá, acadêmico(a) do ensino a distância do Grupo Prominas! É um prazer tê-lo em nossa instituição! Saiba que sua escolha é sinal de prestígio e consideração. Quero lhe parabenizar pela dispo- sição ao aprendizado e autodesenvolvimento. No ensino a distância é você quem administra o tempo de estudo. Por isso, ele exige perseve- rança, disciplina e organização. Este material, bem como as outras ferramentas do curso (como as aulas em vídeo, atividades, fóruns, etc.), foi projetado visando a sua preparação nessa jornada rumo ao sucesso profissional. Todo conteúdo foi elaborado para auxiliá-lo nessa tarefa, proporcionado um estudo de qualidade e com foco nas exigências do mercado de trabalho. Estude bastante e um grande abraço! Professora: Laís Macedo Dantas 7 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S O texto abaixo das tags são informações de apoio para você ao longo dos seus estudos. Cada conteúdo é preprarado focando em téc- nicas de aprendizagem que contribuem no seu processo de busca pela conhecimento. Cada uma dessas tags, é focada especificadamente em partes importantes dos materiais aqui apresentados. Lembre-se que, cada in- formação obtida atráves do seu curso, será o ponto de partida rumo ao seu sucesso profisisional. 8 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Esta unidade analisará os princípios dos projetos de pavimen- tação e sua normatização foram enfocados vários assuntos referentes ao tema e que servem de base para que essa atividade seja executa- da adequadamente. Dimensionar pavimentos é uma tarefa complexa e requer a observância de uma série de questões como as caracte- rísticas dos veículos, o tráfego, os tipos de pavimentos, entre outras coisas. Ao longo da apostila você irá estudar esse e outros tópicos que irão contribuir para a sua formação acadêmica e profissional. As- sim, fique atento aos conceitos apresentados ao longo desta Unidade, pois são indispensáveis para o correto projeto e dimensionamento de pavimentos. Consulte também as normas apresentadas no final da apostila, pois apresentam parâmetros importantes para a realização dessa atividade. Projeto de Pavimentos. Pavimentos Rígidos. Pavimentos Flexíveis. 9 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 01 PROJETOS DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO I Apresentação do Módulo ______________________________________ 11 12 32 16 Considerações sobre Veículos e Tráfegos ________________________ Superestrutura Rodoviária _____________________________________ Estudos de Compactação na Pavimentação Asfáltica _____________ CAPÍTULO 02 PROJETOS DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO II Dimensionamento de Pavimentos Flexíveis: Parâmetros de Pro- jetos e Critérios de Ruptura ____________________________________ 30 26Recapitulando ________________________________________________ Características dos Veículos ____________________________________ 36 21Projeto e Execução de Pavimentos Rígidos e Flexíveis ___________ 33Tipos de Pavimentos ___________________________________________ Cargas aplicadas aos Pavimentos _______________________________ 39 Avaliação e Reabilitação de Pavimentos Flexíveis e Rígidos ______ 42 41Características dos Materiais para Pavimentação _______________ Recapitulando _________________________________________________ 46 10 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 PROJETOS DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO III Pavimentos com Blocos ______________________________________ 50 Projetos de Engenharia Viária __________________________________ 53 Etapas de um Projeto de Pavimentação Rodoviária ____________ 54 Projeto de Pavimentação Urbana _______________________________ 56 Normas Técnicas Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ________________________________________________________ 58 Normas da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocom- bustíveis (ANP) ________________________________________________ 60 Normas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Trans- portes (DNIT) _________________________________________________ 62 Recapitulando _________________________________________________ 66 Fechando a Unidade __________________________________________ 70 Referências ____________________________________________________ 73 11 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S No setor de engenharia civil, mais especificamente na execução de obras de ruas, aeroportos, rodovias e outros tipos de empreendimen- tos tem-se uma superestrutura na qual circulam pessoas, automóveis e outros elementos. É importante mencionar que essas superestruturas são construídas com um sistema dotado de camadas que apresentam espes- suras finitas e devidamente assentadas sobre o terreno de fundação que é denominado como sendo um semiespaço infinito intitulado subleito. Diante disso, emergem os pavimentos que são estruturas cons- truídas na região superficial e devidamente obtidas através de uma série de procedimentos3 aponta um breve resumo acerca do tipo de ativi- dade que pode ser feita para resolver os problemas, bem como impedir seu agravo, que pode culminar na ruptura de um pavimento de concreto antes da sua vida útil. Quadro 3 – Medidas para reabilitar pavimentos de concreto Fonte: Adaptado de Pinto e Pinto (2015) Avaliar e reabilitar pavimentos é uma tarefa complexa, re- quer a observância de uma série de questões para aprender mais 45 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S sobre o tema acesse a dissertação intitulada “Seleção de estraté- gias de manutenção e reabilitação de pavimentos urbanos baseada na análise do custo do ciclo de vida”, disponível em: https://www. udesc.br/arquivos/cct/id_cpmenu/706/2019_09_23_Tamires_Karni- kowski_15801382834453_706.pdf 46 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Ano: 2019 Banca: IBADE Órgão: Prefeitura de Seringueiras - RO Prova: Fiscal de Obras Além de rígidos, os tipos de pavimentos existentes são: a) semirrígidos e duráveis. b) semirrígidos e semiflexíveis. c) muito rígidos e flexíveis. d) semirrígidos e flexíveis. e) semirrígidos e inflexíveis. QUESTÃO 2 Prova: FUNDATEC - 2019 - Prefeitura de Gramado - RS - Fiscal de Engenharia e Liderança O dimensionamento de pavimentos urbanos e rodoviários leva em consideração a ação de carga de cada roda do veículo e as ações do tempo (variação térmica e higrométrica), sendo que eles podem ser formados por várias camadas, como: o revestimento, base, sub-base e reforço de subleito. Qual tipo de pavimento NÃO se enquadra como subdivisão de um revestimento asfáltico? a) Pavimento semirrígido. b) “Deep-strenght”. c) Pavimento invertido. d) Pavimento flexível. e) Pavimento rígido. QUESTÃO 3 Prova: CONSULPAM - 2019 - Prefeitura de Viana - ES - Auditor de Controle Interno - Engenharia Civil O pavimento é constituído de diversas camadas de espessuras fini- tas, assentadas sobre uma infraestrutura teoricamente infinita, cha- mada de subleito. Sobre pavimento, marque o item INCORRETO: a) Os pavimentos flexíveis, em geral, associados aos pavimentos as- fálticos, são compostos por camada superficial asfáltica (revestimento), apoiada sobre camadas de base, de sub-base e de reforço do subleito, constituídas por materiais granulares, solos ou misturas de solos, sem adição de agentes cimentantes. b) Os revestimentos das estruturas de pavimento em geral são subme- tidos a esforços de compressão e de tração devidos à flexão, ficando as demais camadas submetidas principalmente à compressão. c) A engenharia rodoviária subdivide as estruturas de pavimentos se- 47 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S gundo a rigidez do conjunto: em um extremo, têm-se as estruturas rígi- das e, no outro, as flexíveis. d) Os pavimentos podem ser rígidos, semi-rígidos e flexíveis, sendo que no pavimento rígido a camada de rolamento funciona também como estrutura, redistribuindo os esforços e aumentando a tensão imposta à fundação. QUESTÃO 4 Ano: 2019 Banca: OBJETIVA Órgão: Prefeitura de Pinto Bandeira - RS Prova: Engenheiro Civil Assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETA- MENTE: No dimensionamento de pavimentos rígidos, a resistência à _______________ é o fator principal a ser considerado. Ade- mais, esse tipo de pavimento tem ________ ductibilidade e _______________ grandes flexões. a) tração - alta - não suporta b) compressão - alta - não suporta c) tração - baixa - não suporta d) compressão - baixa – suporta QUESTÃO 5 Ano: 2019 Banca: IBFC Órgão: Prefeitura de Cuiabá - MT Prova: Engenheiros e Arquitetos - Engenheiro Civil As bases e sub-bases de pavimentações podem ser rígidas ou fle- xíveis. Quanto aos exemplos do tipo flexível, assinale a alternativa incorreta. a) Granulares ou solo estabilizado: constituídas por camadas de solos, seixos, areias, pedregulhos, escória, britas de rochas ou pela mistura de dois, ou mais desses materiais. b) Macadame hidráulico e a seco: formado por uma camada de pedra britada e graduada que, após a sua compactação, é preenchida com pó de pedra por irrigação ou varredura. Quando não se utiliza água para o preenchimento dos vazios, tem-se o macadame a seco. c) Bases e sub-bases por aproveitamento: quando se utilizam revesti- mentos poliédricos, paralelepípedos e outros. São muito difundidas em repavimentação urbana ou restauração rodoviária. d) Solo – cimento: quando o solo recebe uma mistura de cimento com a intenção de melhorar as suas características físicas QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE Do ponto de vista estrutural os pavimentos rodoviários são compostos majoritariamente por duas estruturas, defina e discorra sobre as princi- 48 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S pais características e particularidades de cada um desses elementos. TREINO INÉDITO Existem inúmeros tipos de materiais empregados para a constru- ção de pavimentos, diante disso, assinale a opção que apresenta um que é reutilizável/reciclável. a) concreto rolado. b) solo natural. c) escória de alto-forno. d) macadame. e) brita corrida. NA MÍDIA PROJETO INÉDITO NO DISTRITO FEDERAL SUBSTITUI ASFALTO POR PAVIMENTO RÍGIDO A modernização da via Estrutural, em Brasília, marca a execução de um projeto inédito no Distrito Federal. A pista, com cerca de 13 km, terá o seu asfalto completamente substituído por pavimento rígido, ou seja, toda a superfície que interliga Águas Lindas de Goiás e o Plano Piloto receberá revestimento em concreto de cimento Portland até o final des- te ano. Com investimentos de R$ 55 milhões, a obra já tem um trecho de 1 km com os serviços concluídos. “O andamento dos trabalhos vem superando as nossas expectativas. Mesmo nesse período mais chuvoso, estamos conseguindo avançar cerca de 100 m diariamente”, afirma Cristiano Cavalcante, superinten- dente de Obras do Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Quando a estação mais seca chegar, a expectativa é que a produtivi- dade chegue a 300 m por dia. Neste momento inicial, a concretagem acontece em duas faixas de rolamento da pista. Fonte: AEC web Data: 13 jan. 2023. Leia a notícia na íntegra: https://www.aecweb.com.br/revista/noticias/projeto-inedito-no-distrito- -federal-substitui-asfalto-por-pavimento-rigido/24294 NA PRÁTICA Resíduos de demolição e construção são comumente gerados em larga escala ao redor de todo o mundo, concomitantemente a isso tem-se au- mentado a conscientização acerca do desenvolvimento sustentável da humanidade. Frente a tal evento, uma alternativa para esses materiais gerados na construção civil é empregá-los em camadas de pavimentação depois do processo de reciclagem. Utilizar agregados reciclados na pavi- 49 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S mentação urbana tem se tornado algo popular devido às suas vantagens. É possível empregar os resíduos de demolição e construção tanto na fração graúda como na miúda, contribuindo assim para a difusão da reciclagem e da diminuição dos custos com a execução do pavimento. Além disso, consegue-se minimizar os gastos públicos com a destina- ção de resíduos e a disposição desses elementos, potencializando a durabilidade dos aterros, bem como coibindo o descarte clandestino em vias públicas, entre outras coisas. PARA SABER MAIS Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=B0H678-r3y0 50 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S PAVIMENTOS COM BLOCOS Ao se tratar da pavimentação com blocos vale destacar os do tipo intertravado, que surgiu a cerca de 5 mil anos antes de Cristo con- siderando os pavimentos revestidos com pedra na Mesopotâmia. Um exemplo de aplicação dessecomponente é na Via Ápia, um caminho famoso com cerca de 660 quilômetros de extensão que interliga o mu- nicípio de Brindizi até a capital da Itália (Roma). Inicialmente tal pavimento era executado com pedras talhadas, culminando nos chamados pavimentos denominados paralelepípedos. No entanto, esse material teve seu uso diminuído por causa da dificulda- de no processo de fabricação, que era artesanal, bem como a ausência do conforto no rolamento. Com isso emergiu as Peças de Concreto Pré- PROJETOS DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO III N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 50 51 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S -Fabricadas (PCP) no fim do século XIX, mas que se tornou popular ape- nas com a reconstrução das cidades após a Segunda Guerra Mundial. No Brasil o emprego desse recurso na pavimentação se iniciou nos anos de 1970 em que se produziam os blocos de forma artesanal. Pouco tempo depois é que se começou a automatizar seu processo de fabricação, culminando na inserção de máquinas de alta tecnologia e com alto nível de sofisticação, permitindo a obtenção de peças de ex- celente qualidade, com cores e formas variáveis, fazendo com que seu uso seja mais atrativo. Os pavimentos por blocos intertravados são muito utilizados no Brasil, um exemplo são os caminhos de Peabiru de São Tomé, que são várias trilhas indígenas responsáveis por promover a interligação de aldeias indígenas situadas no sul do país com outras localizadas no Peru e na Bolívia. Existem inúmeros locais que se utilizam desse recur- so em solo brasileiro, inclusive, existem ruas inteiras construídas com pavimento intertravado que é o caso da rua 15 de novembro localizada no município de Blumenau-SC. Diante disso, a figura 12 mostra um pa- vimento de blocos em um pátio de estacionamento. Figura 12 – Pavimento de blocos Fonte: Baule (2018) Posto isto, é necessário mencionar que os pavimentos de blo- cos intertravados são denominados flexíveis, apresentando uma cons- tituição multicamadas. As camadas requeridas em sua execução são: • Reforço de subleito, que é opcional. • Sub-base e base, formadas por material granular. • Assentamento, composto por um material granular que tem como principal objetivo promover a acomodação das peças de concreto. • Revestimento que consiste nas peças justapostas revestidas 52 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S com o material de rejuntamento. Nesse processo, a camada de assentamento e o revestimento são contidos em sua lateral através de elementos como meios-fios. Des- taca-se que os materiais empregados nas camadas de assentamento e de rejuntamento são variáveis, requerendo assim que se um dimen- sionamento adequado, escolhendo as melhores opções de acordo com a necessidade do local. Diante disso, a figura 13 mostra uma estrutura comum nos pavimentos intertravados. Figura 13 – Estrutura típica de pavimentos intertravados Fonte: Dias et al. (2016) O intertravamento consiste na capacidade que os blocos têm de resistir a possíveis movimentos de deslocamento individual, sejam eles de rotação ou movimentação horizontal e/ou vertical em compara- ção à sua adjacência. Para que ocorra o intertravamento é necessário que se tenha a contenção lateral a fim de impedir que haja o desloca- mento lateral dos blocos na camada de rolamento. Concomitantemente a isso deve-se preencher as juntas com areia visando propiciar a trans- ferência dos esforços entre os componentes, contribuindo para que se tenha uma resistência efetiva das cargas solicitadas. Esses tipos de pavimento têm grande usabilidade devido às suas características funcionais que propiciam processos de controle e de construção mais simples. Além disso há a homogeneidade, a facili- dade de estocagem e a versatilidade dos materiais, portanto, esse tipo de calçada deve ser projetado contemplando fatores como intempéries, tráfego de veículos, entre outras coisas. 53 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S A execução do pavimento de blocos engloba uma série de atividades, tipos de materiais, entre outras coisas, para saber mais sobre esse tema acesse os trabalhos abaixo: O trabalho de conclusão de curso intitulado “Avaliação do uso de blocos de concreto para emprego em pavimentação intertravada: análise da fabricação, execução e dimensionamen- to”, disponível em: https://repositorio.ufsc.br/bitstream/hand- le/123456789/192203/TCC%20-%20Sofia%20de%20Souza%20 Baul%C3%A9.pdf?sequence=1&isAllowed=y A dissertação “Pavimento permeável com superfície em blocos de concreto de alta porosidade” disponível em: https:// core.ac.uk/download/pdf/30373213.pdf A dissertação “Análise do desempenho estrutural e hidráu- lico de um pavimento permeável com revestimento de blocos de concreto unidirecionalmente articulados”, disponível em: https:// www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3138/tde-22052018-150543/ publico/BrunoWatanabeOnoOrig18.pdf PROJETOS DE ENGENHARIA VIÁRIA Com a evolução dos veículos tem-se aumentado as exigências acerca dos projetos de Engenharia Viária em que se busca incorporar a preocupação com várias questões como as ambientais, as sociais, as de segurança, entre outras. Diante disso, destaca-se que as rodovias começaram a adquirir outra conotação, deixando de lado a tradicional visão de que tem apenas o papel de interligar as cidades para e garantir o fluxo de tráfego entre elas. Os profissionais que atuam na área passaram a requerer estru- turas e traçados que apresentam a capacidade de garantir o conforto e a segurança aos motoristas ao mesmo tempo, em que se tem um baixo impacto ambiental e uma boa relação custo versus benefício. Posto isto, nas etapas de planejamento, de execução e de manutenção das vias é necessário levar em conta quatro fatores essenciais: 1) A capacidade de ser flexível na atividade de planejamento das novas vias. 2) A inserção de elementos de segurança no projeto das novas vias. 54 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 3) A otimização das condições das estradas que já existem. 4) A implantação de melhorias para corrigir locais que apresen- tam um elevado risco de acidente. Considerando que cada um dos projetos de transportes é único, o tempo despendido para finalizá-los varia em função de vários fatores como a disponibilidade dos recursos, a complexidade e a dimensão. Para exemplificar isso vale mencionar que um simples projeto de melhoria ou a realização de manutenção preventiva pode demorar até um ano, sendo que os de reconstrução que necessitam de desapropriação podem ser concluídos com prazos superiores a cinco anos. Por isso desenvolver um projeto viário é algo complexo e relativamente lento, uma vez que está intimamente associado à segurança dos cidadãos e aos órgãos públicos. Com isso, emerge um grande desafio que é criar projetos que atendam aos requisitos técnicos dentro dos recursos financeiros que estão disponíveis. Os requisitos técnicos podem ser expressos em in- tervalos de valores ou valores mínimos para diversos parâmetros como aponta as diretrizes contidas em vários manuais que tratam do projeto geométrico das estradas. Os critérios de projeto constituem a base técnica que atua como um elemento responsável por direcionar as atividades durante o desenvol- vimento das propostas. Tais critérios têm como principal finalidade produzir projetos que estejam dentro dos padrões ou dos níveis aceitáveis. Conco- mitantemente a isso é necessário garantir uma boa relação custo versus benefício no que tange ao desempenho, à segurança, às atividades de construção, entre outras coisas. É importante mencionar que quando as vias se encontram em conformidade com os critérios de projeto,reduz-se consideravelmente as chances de que problemas operacionais ocorram. Porém, atingir o equilíbrio não é fácil, nem viável por causa do elevado nível de condições existentes no ambiente e que inserem vá- rias dificuldades ao longo do processo. Com isso, a solução necessária e adequada tende a apontar para uma dimensão ou valor do projeto que se encontra fora dos limites das faixas normais observadas nos manuais de projeto. Nesse cenário os valores a serem adotados e as decisões a serem tomadas precisam ser ponderadas com cautela a fim de que se encontre uma solução coerente com os requisitos do projeto e as limitações econômicas e físicas encontradas. ETAPAS DE UM PROJETO DE PAVIMENTAÇÃO RODOVIÁRIA No projeto de pavimentação há algumas fases essenciais que devem ser seguidas, contemplando a parte de estudos iniciais como o 55 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S levantamento do terreno e a sondagem até a etapa de construção e ma- nutenção. As fases que devem ser realizadas nos projetos de pavimen- tação rodoviária englobam os estudos preliminares, o projeto básico e o projeto executivo que são explicadas com mais detalhes a seguir. Estudos Preliminares Para qualquer projeto de engenharia a ser realizado, indepen- dentemente da área, é preciso desenvolver um estudo preliminar que tem como finalidade básica analisar as alternativas e os custos para uma determinada obra a fim de apontar sua viabilidade. Em alguns em- preendimentos de pavimentação existem opções do que se deve fazer em cada situação como na manutenção de um pavimento no qual tal estrutura se encontra em um nível que necessita da reconstrução local e também quando não existe uma pavimentação, requerendo a execu- ção de uma obra para a construção dos pavimentos. Nos estudos preliminares são realizados estudos gerais acerca do pavimento considerando a experiência profissional, as observações de campo, dados em cadastros (locais e regionais) a fim de que se possa ter uma previsão acerca dos custos e da estrutura do pavimento. É importante ter o contato direto com as condições físicas do ambien- te por meio de um reconhecimento inicial, para tal deve-se empregar quaisquer documentos de apoio que estejam disponíveis como dados históricos de tráfego, mapas geológicos e projetos semelhantes no es- paço de realização do empreendimento. Analisar esses dados contribui para o processo de previsão de investigações básicas que ocorre na etapa seguinte (projeto bási- co). Portanto, os estudos preliminares precisam conter um memorial descritivo indicando quais são as alternativas das estruturas dos pavi- mentos, o pré-dimensionamento estrutural partindo da melhor solução considerando estudos econômicos e técnicos simplificados, o orçamen- to preliminar, os quantitativos dos serviços requeridos e o desenho do tipo-seção do pavimento. Projeto Básico O projeto básico é feito com os dados coletados in loco partindo da finalidade do pavimento que será executado, bem como a solicitação local. Caso o pavimento seja reconstruído as etapas do projeto básico são distintas, no entanto, os objetivos são os mesmos. Nesta etapa são 56 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S obtidos vários elementos que apresentam um nível de detalhamento ade- quado para que se possa realizar comparações a fim de apontar com precisão as melhores soluções econômicas e técnicas para o empreendi- mento. Entre os parâmetros obtidos destacam-se, principalmente: • Projetos de drenagem. • Projetos geométricos. • Investigações geotécnicas/geológicas. • Topografia. O projeto básico precisa ser composto por um memorial de cálculo contendo as análises geotécnicas/geológicas, o número N de solicitações em eixos de simples padrão com rodas duplas de 80 quilo- newtons, pesquisa de tráfego, planilha com o orçamento e a quantidade de serviços de pavimentação, a planta com a localização dos tipos de pavimentos, os desenhos do tipo-seção transversal do pavimento e o dimensionamento da estrutura do pavimento com verificação. Projeto Executivo Os projetos executivos são aqueles que contém todas as fases que serão realizadas ao longo da obra de pavimentação, com isso, docu- mentos relacionados à sondagem, à limpeza, entre outros irão integrá-lo. É importante mencionar que aqui ocorre o detalhamento da solução definida no projeto básico, para tal, deve-se considerar as informações atualizadas de campo como o projeto de drenagem, o projeto geométrico, investiga- ções geotécnicas/geológicas complementares, topografia, entre outras. Além disso, o projeto executivo deve apresentar em sua cons- tituição um memorial de cálculo contendo as análises geotécnicas/ge- ológicas, o número N de solicitações em eixos de simples padrão com rodas duplas de 80 quilonewtons, pesquisa de tráfego, planilha com o orçamento e a quantidade de serviços de pavimentação, a planta con- tendo a localização dos tipos de pavimentos, os desenhos do tipo-seção transversal do pavimento e o dimensionamento da estrutura do pavi- mento com verificação. PROJETO DE PAVIMENTAÇÃO URBANA As vias urbanas têm como principal finalidade suprir as deman- das do tráfego local, bem como garantir maior fluidez no uso do solo, no deslocamento de uma atividade, entre outras coisas. Posto isto é necessário classificar as vias, que podem ser divididas em: 57 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S - Vias locais em que se tem os ambientes residenciais com pre- domínio de um trânsito local bem como a ligação na escala da unidade da vizinhança. - As vias coletoras, estratificadas em primárias e secundárias apresentam uma ligação na escala de bairros, nesses casos o trânsito é considerado como sendo de passagem local equilibrado. - As vias arteriais são classificadas em primárias e secundá- rias, nesses casos existe o trânsito de passagem permanente, além de ligações em escala de zonas e metropolitanas. - As vias expressas são divididas em primárias e secundárias e promovem ligações rápidas em uma escala metropolitana, vale apontar que aqui existe o trânsito de passagem exclusivo. Para a execução de um pavimento urbano é necessário se- guir algumas etapas, a primeira delas é a regularização do subleito. Essa atividade é realizada depois da camada final do processo de ter- raplanagem a fim de promover a conformação do leito da estrada no sentido longitudinal e transversal. Isso é feito para que essa região fi- que compatível com as exigências geométricas das camadas que serão construídas acima. A regularização é feita basicamente com a execução de aterros e/ou cortes seguidos da compactação de para se ter uma densificação homogênea nos 20 centímetros finais da compactação. As principais atividades realizadas aqui são: - A escavação. - O processo de carregamento e transporte de material para o bota-fora. - A regularização e a compactação do subleito. A segunda etapa consiste na locação de serviços para a pavi- mentação, com isso estipula-se o método e as condições executivas das atividades topográficas para a locação da rede de pavimentação. É ne- cessário que a locação geral do empreendimento seja realizada por pro- fissionais capacitados na área e devidamente acompanhada por algum profissional habilitado legalmente. Com isso, realiza-se a indicação no projeto das referências de nível e o eixo longitudinal utilizando materiais como piquetes, balizas e marcas para apontar o local correto da via. A terceira fase pode ser a reestruturação dos pavimentos com isso, executam-se algumas atividades como: - A aplicação da camada de base utilizando brita graduada. - A realização dos drenos subsuperficiais de bordo, ou seja, a execução de drenos superficiais nas regiões apontadas a fim de ga- rantir que se preserve o pavimento. Os drenos contribuem ainda paragarantir que a captação e a condução da água ocorram, evitando danos à base e à sub-base (o desgaste precoce). 58 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S - A fresagem da base ou do revestimento ou, do pavimento consiste em cortar as camadas por meio de um movimento rotativo con- tínuo com o auxílio de uma máquina dotada de cortador giratório. No processo de revestimento do pavimento utilizando Concre- to Betuminoso Usinado à Quente (CBUQ), por exemplo, executam-se tarefas como: - A imprimação que é a aplicação de uma camada de um mate- rial asfáltico na superfície constituída por brita graduada (procedimento realizado antes de se executar qualquer tipo de pavimento asfáltico). A camada depositada atua elevando a coesão na região superficial da base, tal processo ocorre devido à penetração do material asfáltico que promove maior aderência entre o revestimento e a base. - A pintura de ligação é um procedimento que consiste na apli- cação de uma camada desse componente com a emulsão asfáltica RR- -2C o que torna mais fácil a execução do revestimento. - O processo de revestimento com CBUQ em que se realiza, com o auxílio de máquinas e mão de obra especializada, as camadas desse elemento seguindo rigidamente o controle de qualidade. - O processo de revestimento com as camadas de Pré-Mistu- rados à Quente (PMQ) se dá por meio da usinagem e da aplicação dos materiais na pista com o auxílio de equipamentos especiais. Por fim, executa-se o meio fio, para isso, utiliza-se, normalmen- te, elementos pré-moldados. Vale apontar que esse componente atua oferecendo uma solução para a descontinuidade entre o acostamento da via pública ou o passeio e a pista de rolamento. É importante men- cionar que nesse processo podem ser realizadas o reaproveitamento desses componentes que já existem no local, com isso, a atividade de remoção e reassentamento deve ser feita para garantir que esse dispo- sitivo cumpra adequadamente o seu papel. NORMAS TÉCNICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) As normas são essenciais para assegurar que uma atividade seja executada de acordo com um padrão, permitindo sua reprodução ao mesmo tempo em que se garante a qualidade. Diante disso, na pa- vimentação existem algumas normas que tratam do tema e auxiliam na melhoria do setor, a seguir são apresentadas as principais normas da ABNT que discorrem sobre o assunto: - ABNT NBR 15953 que trata da execução de pavimentos inter- travados utilizando peças de concreto para o trânsito de veículos com 59 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S pneumáticos, de pedestre e de locais de armazenamento de produtos. - ABNT NBR 11798 que aponta os requisitos mínimos para os materiais empregados no processo executivo das camadas de base dos pavimentos de solo-cimento. - ABNT NBR 11803 indica os requisitos mínimos para os compo- nentes empregados na execução das camadas de base e sub-base para pavimentos dotados de brita graduada devidamente tratada com cimento. - ABNT NBR 15115 que regulamenta os procedimentos para se executar as camadas de base, sub-base, reforço e o revestimento pri- mário utilizando os agregados reciclados provenientes de resíduos só- lidos da construção civil (também chamados de agregados reciclados). - ABNT NBR 6576 que apresenta os métodos para se deter- minar a penetração nos materiais betuminosos semissólidos e sólidos. - ABNT NBR 15184 que aponta os requisitos mínimos para o apontamento da viscosidade aparente de asfalto em temperaturas va- riando entre 38 e 260ºC com um viscosímetro rotacional. - ABNT NBR 16364 que determina as condições mínimas para o processo de execução de bases e sub-bases estabilizadas granulo- metricamente por meio de agregados siderúrgicos visando a pavimen- tação rodoviária. - ABNT NBR 9457 indica quais são os métodos e os requisitos necessários para que ladrilhos hidráulicos sejam aceitos no processo de pavimentação. - ABNT NBR 9781 determina os métodos e os requisitos bá- sicos para que peças de concreto sejam aceitas para a execução de pavimentos intertravados para o trânsito de veículos com pneumáticos, de pedestre e de locais de armazenamento de produtos. - ABNT NBR 15116 aponta os requisitos mínimos exigidos para a utilização dos agregados reciclados provenientes dos resíduos sóli- dos de construção civil. - ABNT NBR 12261 indica os procedimentos técnicos na ativi- dade de dosagem das britas graduadas que são tratadas com cimento para serem usadas na pavimentação. - ABNT NBR ISO 15643 aponta quais são as terminologias a serem adotadas para espargidores/distribuidores dos ligantes betumi- nosos empregados nos trabalhos de pavimentação e na construção de rodovias. Aqui determinam-se as nomenclaturas para os equipamentos e seus acessórios, bem como as definições dos parâmetros e principais operações realizadas. - ABNT NBR ISO 16039 é responsável por indicar conteúdos da literatura, terminologias e definições de especificações comerciais para as máquinas que são empregadas nas atividades de acabamen- 60 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S to e colocação do concreto de cimento (tradicionalmente conhecidas como pavimentadoras de concreto). Por meio dessa norma aponta-se a configuração geral do dispositivo usado em casos específicos como estruturas de segurança para rodovias, rodovias de concreto, estrutura de drenagem, pavimentação dos aeroportos, entre outras coisas. - ABNT NBR 16504 indica os procedimentos para o processo de determinação da profundidade média na macro textura superficial para pavimentos asfálticos através de espalhamento dos volumes de um dado material granular padrão, bem como o cálculo de tal profundidade. - ABNT NBR 12949 discorre sobre as condições mínimas ne- cessárias para o processo executivo do concreto betuminoso usinado à quente. - ABNT NBR 12947 aponta as condições requeridas para que se possa executar a base ou sub-base de macadame betuminoso por penetração. - ABNT NBR 12948 determina quais são as condições básicas para que um material seja empregado na execução de uma camada de concreto betuminoso usinado à quente. - ABNT NBR 12950 aborda as condições requeridas para que se execute a imprimação dos impermeabilizantes. Acima mencionou-se algumas das muitas normas que tra- tam da pavimentação, para conhecê-las com mais detalhes é pre- ciso entrar no site da ABNT, além disso, é importante compreender as demais que estão no site. NORMAS DA AGÊNCIA NACIONAL DE PETRÓLEO, GÁS NATURAL E BIOCOMBUSTÍVEIS (ANP) Vale apontar que a distribuição do asfalto é devidamente regu- lamentada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocom- bustíveis (ANP) e engloba todas as entidades devidamente autorizadas a realizar o controle de qualidade do produto, misturar, comercializar, prestar assistência técnica, industrializar, aditivar, armazenar e adquirir esses produtos. Além disso, determina-se a obrigatoriedade da emissão do certificado de qualidade para os asfaltos que são modificados com borracha moída de pneus e os asfaltos polímeros. 61 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Vale apontar que existem regulamentos na ANP que apontam as características e as propriedades mínimas requeridas pelos asfaltos que são modificados com borracha moída de pneus e os asfaltos polí- meros como mostra as tabelas 2 e 3, respectivamente. Tabela 3 – Requisitos mínimos para os asfaltos modificados com borracha moída de pneus Fonte: ANP (2008) Tabela 4 – Requisitos mínimos para os asfaltos polímeros 62 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Fonte: ANP (2007) Com exemplo desses instrumentos vale mencionar a resolu- ção n. 36 de 13 de novembrode 2012 que determina quais são as especificações mínimas das emulsões asfálticas no processo de pavi- mentação, bem como as emulsões asfálticas que são modificadas com elastômeros. Outro exemplo é a nota técnica n. 86 de 2012 que trata do processo de revisão de especificações das resoluções contidas na re- solução n. 1 da CNP de 1973, além da portaria 16 de 1991 do Ministério da Infraestrutura e da inclusão do regulamento técnico n. 5 de 2009 que integrava a resolução n. 32 de 2009 da ANP. NORMAS DO DEPARTAMENTO NACIONAL DE INFRAESTRUTURA DE TRANSPORTES (DNIT) O método de dimensionamento de pavimentos flexíveis mais utilizado até pouco tempo era o DNER e a análise mecanicista, no en- tanto, o primeiro é mais utilizado no Brasil, sendo que este será apre- sentado a seguir. O método DNER foi elaborado tomando como base a pesquisa intitulada Design of Flexible Pavements Considering Mixed Loads and Traffic Volume publicado pelo Corpo de Engenheiros do Exército Americano ou United States of America Corps of Engeneers (USACE). As conclusões desse estudo foram conseguidas na pista ex- perimental pertencente à Associação Americana de Rodovias do Esta- do e Funcionários de Transporte (AASHTO). O método tem como base os coeficientes de equivalência estrutu- ral, também determinados na AASHTO por meio de alterações necessárias para atender à realidade local. Com isso, as camadas de pavimento flexível são devidamente dimensionadas de acordo com o material que a integra, bem como a capacidade de suporte de tal camada e do subleito. É necessário apontar que a capacidade de suporte dos mate- 63 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S riais e dos subleitos se dão por meio da realização do ensaio ISC que é devidamente regulamentado através do método de ensaio número 172 de 2016. Com isso, moldam-se corpos de prova no laboratório para as condições de umidade e massa específica aparente que é devidamente especificada para a atividade a ser desempenhada. É importante que os materiais sejam compactados de acordo com os valores estabelecidos nas especificações gerais, recomenda-se que em nenhuma situação o nível de compactação seja menor do que 100% do valor especificado. Através desse método permite-se que se possa utilizar os solos granulares que apresentam granulação grossei- ra, nesses casos é necessário que se aplique uma energia de compres- são que equivale ao Proctor Modificado. Os materiais empregados nas camadas precisam atender a al- gumas especificações como: • O subleito deve ter uma expansão menor ou igual a 2% e o ISC deve ser maior ou igual a 2%. • O reforço do subleito deve apresentar uma expansão igual ou menor a 1% e o ISC deve ser maior do que o do subleito. • A sub-base deve ter uma expansão menor ou igual a 1% e o ISC deve ser maior ou igual a 20%. • A base precisa ter um índice de plasticidade menor ou igual a 6%, o limite de liquidez menor ou igual a 25%, a expansão menor ou igual a 5% e o ISC maior ou igual a 80% quando o N é maior do que 5x106. Se o N for menor ou igual a 5x106 as faixas granulométricas devem ser maiores do que E e F e o ISC maior ou igual a 60%. Ao se dimensionar os pavimentos, além dos materiais, é pre- ciso considerar os impactos originários do tráfego que corresponde ao número equivalente das operações para um eixo padrão no intervalo determinado. Após obter as informações acima deve-se apontar os co- eficientes de equivalência estrutural nas camadas distintas que consti- tuirão o pavimento. Com isso determina-se o coeficiente K para o reves- timento, a base, a sub-base e o reforço. Em seguida escolhe-se o melhor tipo de revestimento que está intimamente associado com o esforço imposto pelo tráfego e indicado pelo número N. Por fim, determina-se a espessura do pavimento, vale mencionar que as normas apontam quais são as espessuras a serem adotadas, devendo variar entre 10 e 20 centímetros. Acima apresenta- ram-se as principais etapas do processo executivo de um pavimento de acordo com a norma do DNIT, para compreender melhor todas as etapas, acesse o link disponível nas indicações bibliográficas. Um novo método começou a ser utilizado pelo DNIT, de acordo com DNIT (2020): 64 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) iniciou a adoção de procedimentos para transição do método de dimensionamento de pavimentos através da implementação de conceitos da mecânica dos pa- vimentos. O Método de Dimensionamento Nacional (MeDiNa) irá substituir o método empírico atualmente vigente no DNIT. Com a implementação do MeDiNa, busca-se uma maior vida útil do pavimento e, consequentemente, redução nos custos de manutenção. Esse novo método originou-se em 2014 com o Termo de Execução Descen- tralizada (TED) realizado entre o Instituto de Pesquisas Rodoviárias do DNIT (IPR/DNIT) e a COPPE, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A sigla MeDiNa, escrita com as letras iniciais que definem o seu significado, foi também escolhida para homenagear o professor Jacques de Medina, grande precursor da Mecânica dos Pavimentos no Brasil. A nova metodologia represen- ta um avanço tecnológico em relação ao método atual, que é baseado no CBR. Vale mencionar que o Medina consiste em um instrumento de dimensionamento computacional de pavimentos asfálticos que adota a metodologia mecanicista. Com isso emerge uma nova maneira de se projetar os pavimentos flexíveis no Brasil. Através de rotinas específicas realizam-se cálculos para simular as ações advindas de vários fatores dentro das camadas de pavimentos, concomitantemente a isso desen- volve-se também modelos para avaliar o desempenho. O Medina adota a metodologia mecanicista empírica que leva em conta a avaliação estrutural considerando o equilíbrio entre os esforços atuantes impostos pelo carregamento, bem como a resposta dos materiais utilizados na construção. Diante disso a figura 14 mostra o esquema de dimensionamento de pavimentos flexíveis ao se adotar tal metodologia. Figura 14 – Densímetro (a) eletromagnético e (b) de fonte radioativa 65 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Fonte: Medina e Motta (2005) Destaca-se que para dimensionar ou avaliar adequadamente a estrutura de um pavimento é necessário que se tenham dados preci- sos. Isso significa que é essencial ter informações acerca do subleito e das outras camadas que integram o pavimento, porém esses parâme- tros podem ser facilmente obtidos através de testes laboratoriais. Outro ponto que o Medina leva em conta são as informações relacionadas ao tráfego, bem como as tecnologias mais avançadas como os asfaltos modificados com polímeros e os de borracha. Considera-se também a possibilidade de trincas e rachaduras, eventos que não eram contem- plados anteriormente pelo método DNER. Existem várias normas do DNIT que tratam da pavimenta- ção, para conhecê-las acesse a publicação “Relação de normas vi- gentes e normas substituídas”, disponível em: https://www.gov.br/ dnit/pt-br/assuntos/planejamento-e-pesquisa/ipr/coletanea-de-nor- mas/coletanea-de-normas/normas_e_manuais_vigentes_x_substi- tuidos_-_site_ipr-revisado-20-08-2020.pdf 66 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Prova: FUNDATEC - 2022 - AGERGS - Técnico Superior Engenheiro Civil Sobre a execução de sub-base e base estabilizadas granulometri- camente com agregado siderúrgico para pavimentação rodoviária (ABNT NBR 16364:2015), analise as assertivas abaixo: I. A execução da base e sub-base compreende as operações de mistura, umedecimento ou secagem dos materiais, realizada na pista, no canteiro de obras ou em central de mistura, bem como o espalhamento, a compactação eo acabamento na pista, devida- mente preparada na largura desejada, nas quantidades que permi- tam, após a compactação, atingir a espessura projetada. II. Não é recomendado que a mistura, após processada, seja arma- zenada por um período superior a cinco dias, para evitar aglomera- ção e enrijecimento. III. A base imprimada deve ficar exposta até que haja a absorção de material asfáltico utilizado na imprimação. Caso ocorra o apareci- mento de trincas, estas devem ser seladas antes da colocação do revestimento. Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas I e III. d) Apenas II e III. e) I, II e III. QUESTÃO 2 Prova: IBADE - 2020 - Prefeitura de Santa Luzia D`Oeste - RO - En- genheiro Civil Uma etapa importante nas obras rodoviárias é a compactação das ca- madas do pavimento. Assinale abaixo o equipamento mais adequado para executar este serviço em uma camada de material argiloso. a) Rolo Liso b) Rolo Pneumático c) Motoniveladora d) Rolo Pé de Carneiro e) Compactador à Percussão (Sapo) QUESTÃO 3 Ano: 2020 Banca: FUNDATEC Órgão: Prefeitura de Santiago do Sul 67 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S - SC Prova: Engenheiro Civil Em relação aos Estudos e Projetos de Estradas, conforme Manual Técnico para Conservação e Recuperação de Estradas Vicinais de Terra do IPT, Manual de projeto geométrico de Travessias Urbanas e Manual de Pavimentação do DNIT, assinale a alternativa correta. a) Os problemas mais comuns observados em estradas vicinais não pavimentadas são causados pela falta de capacidade de suporte do subleito, desempenho baixo da superfície de rolamento e deficiência no sistema de drenagem. b) Velocidade diretriz, no projeto geométrico de estradas, representa a velocidade média de utilização de um trecho viário com segurança e em condições aceitáveis de conforto, mesmo com pavimento molhado, quando o veículo estiver submetido apenas às limitações impostas pe- las características geométricas, sem influência do tráfego. c) A pavimentação de ruas pode ser classificada em dois tipos: do tipo rígido, como alvenaria poliédrica, ou flexível, com materiais betuminosos. d) Entende-se por sistema de drenagem do pavimento de uma rodovia o conjunto de dispositivos, tanto de natureza superficial como de natureza subsuperficial ou profunda, construídos com a finalidade de acumular a água de sua plataforma. e) Os estudos geométricos para o Projeto de Pavimentação compreen- dem estudos do subleito e estudos de ocorrências de materiais para pavimentação. QUESTÃO 4 Prova: VUNESP - 2019 - Prefeitura de Campinas - SP - Engenheiro Civil Na execução de sub-base e base estabilizadas granulometrica- mente com agregado siderúrgico para pavimentação rodoviária, quando houver necessidade de executar uma camada de espes- sura final superior a 20 cm, esta deve ser subdividida em camadas parciais. A espessura mínima de qualquer camada, após a compac- tação, deverá ser de a) 5 cm. b) 3 cm. c) 10 cm. d) 15 cm. e) 12 cm. QUESTÃO 5 Prova: CESPE - 2019 - MPC-PA - Analista Ministerial - Engenharia Civil 68 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S A figura a seguir ilustra a seção transversal de um trecho de rodo- via, que faz parte do projeto de pavimento de estrada de rodagem, com elementos numerados de I a VI. Assinale a opção que mostra a denominação correta dos elemen- tos destacados na figura. a) I = regularização; II = reforço do subleito; III = sub-base; IV = base; V = talude de aterro; VI = revestimento. b) I = reforço do subleito; II = regularização; III = sub-base; IV = base; V = talude de aterro; VI = revestimento. c) I = revestimento; II = sub-base; III = base; IV = reforço do subleito; V = talude de aterro; VI = regularização. d) I = base; II = sub-base; III = reforço do subleito; IV = regularização; V = talude de aterro; VI = revestimento. e) I = sub-base; II = reforço do subleito; III = revestimento; IV = base; V = regularização; VI = talude de aterro. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE A pavimentação por blocos, especialmente os intertravados se tornou muito popular no Brasil diante da sua versatilidade, custo relativamente baixo, entre outras coisas. Atualmente existem ruas inteiras construídas utilizando esse recurso, evidenciando assim sua boa usabilidade, frente ao exposto, discorra sobre os pavimentos flexíveis. TREINO INÉDITO Assinale a opção que não apresenta um elemento constituinte da pavimentação por blocos. a) areia de assentamento. b) peças pré-moldadas de concreto. c) asfalto. d) contenção lateral. e) areia de rejuntamento. NA MÍDIA COM MELHOR CUSTO-BENEFÍCIO, PISO INTERTRAVADO SERÁ 69 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S DIFUNDIDO NA PERIFERIA DE FORTALEZA Mais de mil ruas da cidade da Fortaleza passarão por mudanças na pavimentação durante os próximos dois anos. Neste mês de novembro, o Secretário de Infraestrutura de Fortaleza, Samuel Dias, anunciou que "Fortaleza não usará asfalto em novas vias, só piso intertravado". Por possuir um trabalho mais manual, tanto na implementação quanto na manutenção, o piso intertravado também tende a ofertar mais em- pregos. A expectativa é de que 12 mil oportunidades sejam geradas durante os próximos dois anos. Fonte: OPovo Data: 22 nov. 2022. Leia a notícia na íntegra: https://www.opovo.com.br/noticias/fortale- za/2022/11/22/com-melhor-custo-beneficio-piso-intertravado-sera-di- fundido-na-periferia-de-fortaleza.html NA PRÁTICA A humanidade tem buscado se desenvolver de forma sustentável, sen- do que isso é fruto da exploração desenfreada dos recursos naturais pelo ser humano. E uma forma de se fazer isso, especialmente no se- tor da construção civil é utilizando a pavimentação permeável que tem conquistado espaço em todo o mundo, sendo executado tanto em em- preendimentos residenciais como em comerciais. Esse tipo de pavimento tem se mostrado uma boa alternativa em centros urbanos que sofrem com problemas como enchentes constantes e ilhas de calor, principalmente em períodos chuvosos. Utilizar pavimentos permeá- veis tende a diminuir significativamente tais problemas, além de agregar vários benefícios para a população local. Através desses elementos dimi- nui-se os impactos ambientais ao mesmo tempo, em que se permite o con- forto térmico, a minimização dos ruídos e a drenagem da água das chuvas. PARA SABER MAIS Acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=A1GFdASLGD8 70 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S GABARITOS CAPÍTULO 01 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA A compactação é um processo importante na pavimentação asfáltica, através dela consegue-se atingir inúmeros benefícios que asseguram a qualidade e a segurança dos pavimentos. Entre os benefícios mais comuns destacam-se o aumento na estabilidade da mistura asfáltica, a redução da quantidade de vazios, a melhora na suavidade superficial e a elevação da vida útil. Vale apontar que a compactação pode ser feita por rolagem, com isso empregam-se rolos do tipo tandem liso estático ou compactadores vi- bratórios para o início da atividade, depois disso são utilizados os rolos de pneus. É preciso mencionar que de acordo com o empreendimen- to começa-se o processo utilizando os rolos de pneus. Um ponto que merece atenção é que o total de rolos a serem empregados deve estar em consonância com o nível de compactação desejado, além disso, é importante garantir que a mistura asfáltica esteja dentro da faixa de tra- balho a fim de evitar problemas futuros na pavimentação. Ao se tratar de misturas que apresentam em sua composição agrega- dos com granulometria descontínua se faz necessário realizar a rola- gem somente utilizando o rolo tandem liso estático. A razão disso é quetal dispositivo impede que haja a segregação durante a compactação, o que tende a afetar negativamente a resistência da pavimentação. TREINO INÉDITO Gabarito: C 71 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 02 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Em termos estruturais e de modo genérico as rodovias podem ser dividi- das em duas classes principais, as infraestruturas e as superestruturas. Cada um desses elementos é composto por vários sistemas distintos que apresentam uma função, posto isto, destaca-se que nas obras de infraestrutura os sistemas existentes são os para drenagem e proteção, as obras de artes especiais e as plataformas terraplanadas. As obras de artes contemplam viadutos, pontes e túneis, que são impres- cindíveis para a continuidade do trecho em construção, vale mencionar que esses elementos precisam de projetos específicos para a sua conclusão. Os sistemas de drenagem e de proteção, por sua vez se ligam aos com- ponentes responsáveis por preservar e melhorar a durabilidade das vias. Outro item que integra as rodovias são as superestruturas, formadas pe- los pavimentos (camada de rolamento) que se ligam diretamente ao trá- fego de veículos. Há ainda as sinalizações e as obras complementares que buscam melhorar o conforto e a segurança da via para os usuários. TREINO INÉDITO Gabarito: C 72 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S CAPÍTULO 03 QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE – PADRÃO DE RESPOSTA Nos pavimentos por blocos, especialmente os intertravados é necessá- rio que tanto a camada de revestimento como a de assentamento sejam contidas lateralmente por meio de elementos como os meios-fios. Pode- -se apontar ainda que os elementos que constituem o rejuntamento e o assentamento variam, requerendo assim que se projete adequadamen- te esses elementos a fim de atender as características do local, bem como para evitar o surgimento de patologias. Com isso, destaca-se que o intertravamento é algo importante, uma vez que impede que se tenha o deslocamento individual das peças em rela- ção aos seus vizinhos. Como citado anteriormente, a contenção lateral é indispensável para que se tenha o intertravamento, somente assim é que se impede que se tenha o deslocamento lateral de blocos na camada de rolamento. Durante a execução é preciso rejuntar as juntas com areia para assegurar que ocorra a transferência de carga entre os componentes. Assim, os pavimentos intertravados são amplamente utilizados, pois apresentam um bom controle durante a construção, fazendo com que se tenham processos mais simples. No entanto, para que se tenha boa durabilidade é necessário considerar várias questões como o tráfego de veículos, as intempéries, entre outras coisas. TREINO INÉDITO Gabarito: C 73 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND (ABCP). Ma- nual de Pavimento Intertravado: Passeio Público. São Paulo, Brasil 2010. BALBO, J. T. Pavimentação asfáltica: materiais, projeto e restauração. 1. Ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2007. BAULE, S. S. Avaliação do uso de blocos de concreto para emprego em pavimentação intertravada: análise da fabricação, execução e dimen- sionamento. 2018. 114 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Engenharia Civil) – Universidade Federal de Santa Catarina, Floria- nópolis, 2018. BERNUCCI, L. B. et al. Pavimentação Asfáltica: formação básica para engenheiros. 3. Ed. Rio de Janeiro: Imprinta, 2010. BOSSO, M. Uso da tecnologia weigh-in-motion para a caracterização do tráfego rodoviário e de excesso de carga em veículos comerciais. 2018. 150 f. Dissertação (Mestrado em Ciências) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018. BRANCO, F. et al. Pavimentos Rodoviários. 1. Ed. São Paulo: Almedina, 2006. DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS DE RODAGEM (DNER). 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Além disso, busca-se melhorar as con- dições de rolamento no que se refere à segurança e à comodidade, bem como fazer com que os pavimentos distribuam ao subleito e resistam a todos os esforços verticais gerados com o tráfego. Frente ao exposto, executar um projeto de pavimentação as- fáltica é algo que necessita da observância de uma série de elementos, bem como de normas. Posto isto, é necessário que os projetistas levem em consideração fatores como o tráfego, a compactação das camadas, o tipo de pavimento, as cargas aplicadas, as características dos veícu- los que trafegarão no local, entre outras coisas. Assim, para projetar adequadamente um pavimento, de acordo com as especificações, as normas e os custos estipulados, é indispen- sável realizar vários estudos. Para que isso ocorra é importante que você aprofunde seus conhecimentos, não fique preso apenas nessa apostila. Ao longo do trabalho foram recomendados textos auxiliares, leia-os e também busque informações em outras fontes, dessa maneira você contribuirá para o seu crescimento pessoal e o desenvolvimento da construção civil. Bons estudos. 12 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S CONSIDERAÇÕES SOBRE VEÍCULOS E TRÁFEGOS Ao se tratar de veículos e tráfegos é importante mencionar que por meio desses elementos consegue-se obter informações relevantes para projetos de pavimentação, bem como operação e planejamento de transportes. A obtenção desses dados se dá por meio de órgãos rodovi- ários que os coletam através de programas de monitoramento. A impor- tância disso diz respeito à alocação de recursos financeiros empregados para a execução de pavimentos, bem como a otimização da infraestrutu- ra de rodovias. Diante disso emergem três parâmetros básicos: 1) O volume de tráfego, que se divide em Volume da hora de pico (Vhp), Volume Horário de Projeto (VHP) e Volume Horário (VH) e Volume Médio Diário (VMD). PROJETO DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO I N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 12 13 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 2) Composição de tráfego. 3) Fator da hora de pico. A seguir esses elementos são descritos com mais detalhes. Volume de Tráfego O volume de tráfego consiste na quantidade de veículos que transitam em uma dada faixa ou em uma determinada seção da via em um período de tempo estipulado previamente. Usualmente esse parâ- metro é expresso em Veículos por hora (Vph) ou em Veículos por dia (Vpd). Através desse conceito emergem outros comumente adotados nos estudos de tráfego que, em sua maioria, fazem alusão a um in- tervalo de tempo. É importante destacar que de acordo com o tipo de análise o volume engloba todos os veículos que trafegam somente em um sentido, isto é, o sentido de análise ou pode ser nos dois. A intensidade do tráfego varia durante o dia, por isso é neces- sário determinar qual o período no qual a rodovia tem uma solicitação mais elevada, com isso emerge o Vhp. Mesmo o volume da hora de pico tendo uma definição parecida com o volume de horário de projeto, há uma diferenciação, pois o primeiro equivale à hora que apresenta a maior solicitação em um dia, sendo que em determinados casos consi- dera-se ainda a relação em um dado mês. Diante disso, durante o ano há vários Vhp distintos, portanto, a determinação desse parâmetro é relevante tanto para analisar o tráfego em uma rodovia existente como para o projeto de uma nova. Desse modo, tal volume é empregado para a escolha do nível de serviço, bem como para a verificação de que se é preciso aumentar a capacidade da via ou não. Vale apontar que para a determinação do fluxo de tráfego ao longo do dia pode-se ainda utilizar a hora como sendo a unidade básica do tempo, além do volume médio diário horário, que se dá através de contagens em alguns períodos durante o dia. Com isso emerge o termo VH que consiste na quantidade total veículos que transitam no local no intervalo de uma hora. Com o conceito apresentado anteriormente estabelece-se o VHP que corresponde ao número de veículos por hora ou o fluxo de veículos a serem atendidos em perfeitas condições de conforto e segurança pelo projeto da via em estudo. Posto isto, é preciso mencionar que no Brasil considera-se como satisfatório o volume da quinquagésima hora de maior volume durante o ano como sendo um VHP satisfatório, enquanto que nos Estados Unidos da América (EUA) adota-se o volume da trigésima hora. O VMD corresponde à quantidade total de veículos que trafe- 14 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S gam em um intervalo da via em um período de vinte e quatro horas. É importante destacar que quando o período analisado não é mencionado parte-se do pressuposto que este equivale a um ano. Vale citar que pode ser referente aos seguintes períodos de tempo: - Volume Médio Diário horário (VMDh) que é igual à quantidade total de veículos que transitam em um dado trecho da via em um inter- valo da via por vinte e quatro horas, sendo que nesse caso divide-se o valor por vinte e quatro. - Volume Médio Diário em um determinado dia da semana (VMDd) corresponde ao total de veículos que transitam no ponto de interesse em um dia da semana, sendo importante se referir a ele apon- tando o mês e o dia da semana. - Volume Médio Diário semanal (VMDs) que equivale ao número total de veículos que transitam em uma semana, sendo que nessa situação divide-se o valor por sete dias (é necessário indicar o mês de referência). - Volume Médio Diário mensal (VMDm) se refere à quantidade total de veículos que transitam em um determinado dia do mês pelo total de dias que existem no mês, sendo usual fazer isso com o acompanha- mento do nome do mês adotado. - Volume Médio Diário anual (VMDa) se liga ao número total de veículos que transitam ao longo de um ano, nesse caso, divide-se por trezentos e sessenta e cinco. Fator Hora de Pico Como o tráfego é algo heterogêneo no que tange à sua compo- sição seu volume varia de acordo com o período do dia para uma deter- minada seção da via. Esse evento significa que é preciso compreender o intervalo do dia no qual o tráfego é mais intenso, isto é, a hora de pico. Além disso, há a variação da quantidade de tráfego durante uma hora de análise, que é o que ocorre durante no intervalo de pico. Tal variação tende a ser significativa, culminando na distorção das análises que não levam em consideração essa oscilação. Diante disso é possível mensurar a flutuação existente no tráfego durante o período de maior movimento através da equação 1, que é o FHP. Em que: • Vhp é o volume da hora de pico. • V15MAX corresponde ao intervalo dos 15 minutos que apre- 15 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S sentam o volume mais elevado na hora de pico. Caso não existam dados locais é possível adotar alguns valores para o FHP, que é 0,92 para regiões urbanas e 0,88 para espaços rurais. Composição de Tráfego O tráfego é constituído por vários tipos de veículos no que tange à função na qual se destinam, ao peso, à velocidade e ao tamanho. Por isso,é necessário compreender sua composição na região de interesse a fim de que as correções necessárias sejam aplicadas como a conversão dos veículos de recreação e dos pesados para veículos leves. Através do procedimento mencionado acima consegue-se ter amostras mais homogêneas e que podem ser aplicadas para retratar os métodos de estudo de tráfego, representando assim a realidade local. Frente ao exposto a tabela 1 aponta os valores médios de composição de tráfego para rodovias federais rurais. Tabela 1 – Tráfego em rodovias Fonte: DNER (1999) Mesmo os valores descritos acima estando defasados, estes contribuem para a realização de estimativas mais aproximadas quando as contagens ainda não estão disponíveis. 16 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S ESTUDOS DE COMPACTAÇÃO NA PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA O processo de compactação em uma camada asfáltica de reves- timento traz inúmeros benefícios como o aumento da vida útil, o desempe- namento e a suavidade da superfície, a diminuição do índice de vazios e o incremento na estabilidade da mistura asfáltica. No Brasil a espessura de mistura asfáltica compactada máxima é de 100 milímetros e está direta- mente associada à eficiência da compactação das máquinas e equipamen- tos disponíveis para realizar o serviço. Normalmente, as espessuras em camada única de compactação não ultrapassam os 80 milímetros. Duas condições básicas devem existir para que a compactação seja executada adequadamente, a primeira é o confinamento no que se refere ao compactar e a segunda consiste na temperatura correta de mistura asfáltica. O confinamento correto se dá quando a mistura a ser compactada está contida em todas as direções de forma que possa ser comprimida, diminuindo o índice de vazios e estruturando os agregados. Comumente, as excelentes condições de confinamento se dão em laboratório quando se compacta a mistura asfáltica dentro do molde. O compactador e o molde são responsáveis por confinar a mistura em todas as direções, sendo que esta é compactada, pois não consegue escapar dos esforços presentes no processo. Já em campo assegurar que essa tarefa ocorra de forma adequada não é algo simples, com isso quando há a compactação de uma camada asfáltica é necessário ter a estabilidade das camadas subjacentes. Na região superficial do pavimento o confinamento ocorre atra- vés de equipamentos especiais da compactação que atuam durante o processo executivo. O confinamento lateral, por sua vez é interno, sendo oriundo da compactação da mistura asfáltica circundante. Nesse processo é imprescindível que a mistura apresente boa resistência ao escorregamento e à fluência. As misturas asfálticas dotadas de temperatura elevada tendem a se deformar e fluir por causa da menor ligação que ocorre pelo ligante as- fáltico que se encontra com aquecimento em excesso e também pela lubri- ficação mais elevada. Porém, se a temperatura foi demasiadamente baixa o ligante asfáltico passa a ser pegajoso e plástico, tornando mais difícil a obtenção de um estado mais denso e também a compressão da mistura. Posto isto, cada mistura asfáltica apresenta uma faixa de tempe- ratura de composição adequada que é caracterizada por vários fatores, especialmente o tipo de ligante asfáltico empregado. Normalmente, há um limite mínimo e máximo de trabalho, sendo que atuar próximo à re- gião superior da faixa tende a apresentar resultados mais satisfatórios. 17 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Após a execução do ensaio realiza-se uma verificação a fim de constatar se a compactação foi feita de maneira adequada por meio de ensaios que mensuram o grau de compactação – relação entre as massas específicas aparentes da mistura compactada em campo e a de projeto. Além disso, estuda-se a suavidade e a homogeneidade superfi- cial da camada compactada. Existem duas formas de se determinar a massa específica, a pri- meira delas é com o uso de densímetros dotados de fontes eletromagné- ticas ou radioativas como mostra a figura 1. A segunda forma é através da remoção de amostras da camada compactada, seguida de uma análise posterior em laboratório. É importante destacar que os densímetros são posicionados na superfície da camada de interesse, com isso obtêm-se em pouco tempo e de modo automático a densidade que equivale à mas- sa específica do local. Já a homogeneidade e a regularidade superficial são verificadas através de equipamento perfilômetros ou por réguas. Figura 1 – Densímetro (a) eletromagnético e (b) de fonte radioativa Fonte: Balbo (2007) Vale apontar que a execução das camadas asfálticas é com- preendida por duas etapas básicas, a rolagem de compactação e a de acabamento. Na primeira é que se alcança a impermeabilidade, a den- sidade e a maior parte da suavidade na superfície. Já na rolagem de acabamento corrige-se as marcas que foram deixadas na região super- ficial da camada no processo anterior. Padrão de Rolagem Para que a compactação ocorra de forma eficiente é neces- sário adotar um padrão de rolagem adequado como mostra a figura 18 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 2. Nessa imagem é possível observar uma sequência de seis passos partindo de uma borda externa. A execução desses elementos assegu- ra que se tenha a eficiência e a uniformidade adequada para atingir a suavidade e a densidade superficial correta partindo do volume e das especificações de projeto. Figura 2 – Um tipo de padrão de rolagem Fonte: Balbo (2007) Para determinar o melhor padrão é preciso que se execute uma pista de testes, nesse processo realiza-se o monitoramento da densida- de com o auxílio de densímetros. Com isso é possível determinar quatro parâmetros básicos: 1) A temperatura adequada para a aplicação e a rolagem. 2) A velocidade da rolagem. 3) A quantidade de repetições requeridas para atingir o nível de compactação do projeto. 4) O total de passagens necessárias para que se obtenha a cobertura total da pista ou da faixa. A determinação do número total de passagens requeridas para a cobertura da largura de uma pista requer a comparação desse parâmetro com a largura do rolo compactador. Vale apontar que nessas situações permite-se que haja uma sobreposição de cerca de 15 centímetros, indo até a metade da largura do equipamento utilizado, como mostra a figura 3. 19 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Figura 3 – Determinação do padrão de rolagem Fonte: Balbo (2007) Caso haja alteração na inclinação transversal da pista em um eixo longitudinal é preciso modificar o padrão apresentado na figura 2. A razão disso é a necessidade de se ter a mesma quantidade de passa- gens em cada um dos tramos inclinados como aponta a figura 4. Figura 4 – Padrão de rolagem em uma pista dotada de inclinação transversal em um eixo longitudinal Fonte: Balbo (2007) Se a camada da compactação for espessa e não houver confina- mento lateral é preciso que se ajuste as passagens a fim de que a primeira seja posicionada nas proximidades da extremidade, no entanto, deve estar a cerca de 30 centímetros para garantir o confinamento. Porém, é preciso destacar que esse procedimento é feito a fim de impedir que ocorra o es- corregamento lateral da mistura asfáltica na região perto do limite da cama- 20 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S da. Esse procedimento é mostrado com mais detalhes na figura 5. Figura 5 – Padrão de rolagem para as pistas dotadas de extremidade descon- finada Fonte: Balbo (2007) Para que a compactação seja eficiente é importante que a lar- gura da pista, seja totalmente coberta pelo rolo compactador, sendo necessário ainda realizar esse processo a quantidade de vezes neces-sárias para se atingir o nível de compactação desejado. A temperatura da mistura asfáltica aqui precisa se manter dentro da faixa de trabalho, requerendo assim que se trabalhe bem próximo da vibroacabadora. Existem diversos eventos que impactam a temperatura da mistura e estipulam o tempo requerido para a rolagem como mostra o quadro 1. Quadro 1 – Eventos que afetam a rolagem Fonte: Adaptado de Pinto e Pinto (2015) O processo de rolagem de compactação pode começar tanto com rolos tandem lisos estáticos como com rolos compactadores vibra- tórios, sendo que após isso empregam-se os rolos de pneus. Em deter- minados tipos de empreendimento começa-se as atividades diretamen- te com os rolos de pneus. É importante mencionar que a quantidade de 21 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S rolos que precisam ser empregados deve ser suficiente para se atingir o nível de compactação requerido ao mesmo tempo em que se mantém a mistura asfáltica dentro da faixa de trabalho adequada. Na realização das camadas com as misturas asfálticas dotadas de agregados com granulometria descontínua promove-se a rolagem apenas com o rolo tandem liso estático, uma vez que é imprescindível impedir que ocorra o fenômeno da segregação ao longo do processo. Além disso, com esse procedimento consegue-se assegurar a estrutura pétrea requerida na camada que é compactada. PROJETO E EXECUÇÃO DE PAVIMENTOS RÍGIDOS E FLEXÍVEIS É importante mencionar que as etapas do projeto de pavimento rígido e flexível são parecidas em muitos pontos, mas cada uma apre- senta suas particularidades em função do tipo de projeto a ser execu- tado. Diante disso, a seguir apresentam-se as fases essenciais para o projeto, destaca-se que os projetos de engenharia, normalmente, são denominados Projetos Executivos em sua versão final, sendo que atra- vés deles é possível realizar diversas atividades como: - Acompanhar a obra. - Aceitar e examinar o empreendimento. - Acompanhar a criação. - Visualizar a obra. - Executar adequadamente o empreendimento. Frente ao exposto os projetos de engenharia contemplam três fases que caracterizadas em função do nível de precisão, com isso têm- -se os estudos preliminares, o anteprojeto e o projeto executivo. Nos estudo preliminares determina-se, através de um levantamento expe- dito, quais são as condicionantes de projeto, bem como as linhas de investigação que devem ser estudadas com mais detalhes a fim de se determinar o melhor traçado. Vale apontar que esses estudos precisam ser subsidiados por meio de indicações de mapeamentos, reconheci- mentos, planos diretores, entre outros documentos existentes. O anteprojeto é responsável por determinar quais são as alter- nativas, com mais precisão, que contribuem para a escolha do traçado a ser executado, bem como estimar os custos associados ao empreendi- mento. Aqui, atua-se elaborando diversos estudos, sendo os principais: - Os Geotécnicos. - Os Hidrológicos. - Os Topográficos. - Os Geológicos. 22 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S - Os de Tráfego. Já o projeto executivo contempla o detalhamento do anteproje- to de forma a se ter uma representação precisa do empreendimento a ser construído, requerendo assim que se definam quais são os serviços que devem ser feitos. Vale apontar que esses serviços precisam estar vinculados diretamente às especificações particulares, complementares ou gerais, bem como serem orçados e quantificados, de acordo com a metodologia previamente determinada para estimar os custos unitários. É importante ainda que se tenha a relação dos materiais a serem com- prados, mão de obra a ser contratada, equipamentos a serem alugados, entre outras coisas que precisam estar diretamente relacionados com os cronogramas financeiros e físicos. Assim, pode-se mencionar que nas fases de projeto engloba- -se a realização de estudos, bem como o desenvolvimento de projetos. Com isso, executam-se os projetos de desapropriação, de obras com- plementares (defensas, cercas, sinalização, entre outros elementos), de interseções, de obras de artes especiais, de drenagem, de terraplana- gem e geométrico. É preciso reforçar que o projeto para os pavimentos rígidos e flexíveis são semelhantes, no entanto, a execução é diferente, diante disso, a seguir aborda-se o processo executivo dos pavimentos rígidos e flexíveis com mais detalhes. Execução de Pavimentos Rígidos Existem vários tipos de pavimentos como os rolados, com fibra de polipropileno, entre outros. Para escolher o melhor tipo é importante que você analise as características desejadas, os recursos disponíveis, entre outras coisas. Posto isto, a seguir apresentam-se as principais práticas para a execução de um pavimento de concreto simples do tipo Portland. Esse processo é constituído de doze etapas, sendo elas: - A preparação do subleito que consiste em operações em que se realiza a preparação da fundação, nesse caso se promove a troca de materiais indesejados (raízes, pedras e outros tipos de materiais pu- trescíveis), a remoção dos solos inadequados, a regularização, a com- pactação e os testes através das provas de carga, imprescindíveis para definir qual o coeficiente de recalque (k). - O preparo de sub-base visa promover a uniformização do su- porte à camada superior ao mesmo tempo em que realiza sua proteção contra o bombeamento do material fino de solo. Com isso regulariza-se a camada final a fim de que as cotas estejam em consonância com as diretrizes estipuladas nos projetos da via. 23 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S - A produção e o transporte de concreto são requeridos para que se definam quais são os processos necessários para a fabricação de concreto. Uma alternativa é o emprego de misturadores e usinas dosadoras em regiões próximas ao local do empreendimento, sendo que o transporte da mistura, nesses casos, pode ser feito por meio da utilização de caminhões basculantes. - A fixação de barras de transferência. - O lançamento de concreto é uma etapa que deve ocorrer so- mente depois que o controle tecnológico aprovar o material fabricado, sendo que tal atividade é feita usando ou não máquinas, mas lançan- do-se de modo contínuo. É importante mencionar que o tempo máximo entre o lançamento e a adição de água é de uma hora quando se tem concretos fabricados sem o retardador de pega. - O espalhamento precisa ter a capacidade de assegurar que a espessura mínima apontada em projeto seja cumprida ao mesmo tem- po em que se garante a existência de uma camada com altura constan- te, homogênea e contínua ao longo da largura de toda a faixa. - O adensamento se dá através do processo de vibração su- perficial, para isso adotam-se vibradores de imersão sempre que se observar que a vibração superficial for insuficiente. - O nivelamento e o acabamento são as fases executadas logo depois do adensamento do concreto. Com isso, o equipamento vibro-a- cabador precisa passar por uma região a quantidade de vezes requeri- das a fim de assegurar que o perfil e o greide do projeto sejam atendi- dos. É necessário que o dispositivo se desloque de modo contínuo pela superfície, além disso, requer-se que haja a correção das depressões ainda quando o concreto se encontra no estado fresco. - A texturização é o processo no qual se realizam ranhuras na região superficial do pavimento a fim de que se eleve o atrito entre o pavimento e o pneu, promove-se ainda a microdrenagem. A microdre- nagem é uma tarefa que pode ser realizada de modo manual com o em- prego de fios metálicos ou de náilon, ou ainda com o emprego de vas- souras de piaçava. A atividade pode ser executada também de forma automática com o uso de sensores de nivelamento ou com fios duros. - A execução da junta consiste na implantação de juntas trans- versais e longitudinais,sendo que estas precisam estar posicionadas adequadamente como especificado em projeto (são tolerados desvios admissíveis máximos de 0,5 centímetros). Para a realização desses componentes adotam-se equipamentos como a serra de disco diaman- tado (é importante que após o processo as juntas sejam limpas). - A cura deve ser realizada de forma a não possibilitar que a umidade seja perdida rapidamente. Destaca-se que o tempo total da 24 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S cura é de 28 dias, englobando o período inicial que é de 72 horas depois do acabamento superficial e o período final, depois de 72 horas até os 28 dias. No processo de controle de cura do concreto recomenda-se o emprego de compostos químicos, geotêxteis, mantas, lençóis e tecidos de juta, desde que tenham a capacidade de formar películas plásticas. - Por fim há a selagem das juntas que ocorre por meio da ve- dação em que se posiciona um material de enchimento já com as juntas que se encontram limpas e secas. Execução de Pavimentos Flexíveis Depois da terraplanagem do ambiente constrói-se acima do subleito as camadas que integrarão a estrutura de pavimento e que va- riam em função do tráfego. É importante mencionar que os esforços que atingem o subleito são dispersos ao longo do primeiro metro da profun- didade. Diante disso, é necessário que se tenha uma atenção mais ele- vada no que se refere ao projeto e execução das camadas superiores, uma vez que essa é a região em que se tem um maior carregamento. Dessa forma o subleito pode ser composto por material transportado (para aterros) ou natural, que são posteriormente compactados e con- solidados. Os subleitos devem ter as seguintes características: - Expandir no máximo 2%. - Caso se tenham solos granulares ou finos lateríticos o grau de compactação deve ser 100% Proctor Intermediário, ou ainda 100% mínimo do Proctor Normal. - O Índice de Suporte Califórnia (ISC) de no máximo 2%. Se as estruturas de pavimentação forem implantadas nas estru- turas existentes é necessário umedecer, escarificar e compactar o sublei- to em uma profundidade de 20 centímetros abaixo do greide. Caso sejam observados solos com ISC menor do que 2% é importante realizar a re- visão geotécnica na espessura de camada e uma substituição posterior seguindo os critérios determinados em projeto. A execução de um pavi- mento flexível contempla a realização de algumas camadas, sendo elas: - O subleito. - A sub-base. - A base. - O revestimento. Para a execução do subleito a primeira coisa a se fazer é a regu- larização, que é realizada com o corte do leito implementado ou então na sua sobreposição. O objetivo dessa etapa é assegurar que a superfície apresente as características geométricas necessárias como as rampas e 25 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S a inclinação transversal que contribuirá para o pavimento acabado. Depois da regularização ocorre a avaliação do esforço e do solo que será solicitado a fim de que se defina com precisão qual o melhor tipo de reforço a ser implementado. Essa camada é construída acima da regularização e apresenta uma espessura constante, além de complementar a sub-base. Dessa forma o reforço é um elemento que contribui para que se tenha a distribuição de esforços verticais, bem como a otimização da resistência, ao mesmo tempo em que se permite que a absorção dos esforços seja pelo subleito propriamente dito. É importante mencionar que a construção do reforço não é obri- gatória, pois ao se elevar a espessura das camadas acima consegue- -se atingir o mesmo objetivo. No entanto, devido a fatores econômicos, sempre que possível executa-se tal recurso com solos dotados de ISC maior que o do subleito e que apresentam a expansão máxima de 1% A sub-base é uma camada que complementa a base, sendo reco- mendado construí-la apenas quando não se pode executar a base sobre a regularização do subleito ou o reforço. Os materiais usados nessa região precisam apresentar características e propriedades maiores do que o refor- ço, mas menores do que o material da base. Os solos, independentemente se são estabilizados quimicamente, se são pétreos ou se são misturas, devem ter um ISC maior ou igual a 30%, além de uma expansão de até 1%. A base se situa abaixo do revestimento, sendo esta a principal e mais importante camada estrutural que integra um pavimento. A razão disso é que através dela consegue-se minimizar a intensidade das car- gas a serem dissipadas nas demais camadas. Por isso, sua execução necessita de materiais de boa qualidade, sendo que se isso não ocorrer inúmeros problemas serão observados nos pavimentos. Para eviden- ciar a relevância desse elemento é possível construir o pavimento so- mente com o revestimento e a base, sendo que a segunda pode ser ou não complementada por reforço de subleito e por sub-base. Destaca-se que os materiais utilizados na camada de base do pavimento precisam ter um ISC maior ou igual a 80% e uma expansão máxima de 1%. O revestimento, por sua vez é a camada responsável por rece- ber de modo direto as cargas provenientes da estrutura, além disso, essa é a última camada da estrutura. Sua espessura oscila em função da resis- tência do subleito, destaca-se ainda que para a sua construção é preciso usar materiais de excelente qualidade, pois esta região deve propiciar o bom rolamento da pista, além de resistir aos esforços. Os custos aqui são mais elevados quando comparado com as outras camadas, requerendo assim que se dimensione adequadamente sua espessura. É importante ainda que tal elemento seja impermeável, que garanta a segurança da estrutura, que seja durável e que permita o conforto estrutural. 26 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S QUESTÕES DE CONCURSOS QUESTÃO 1 Prova: COTEC - 2020 - Prefeitura de São Francisco - MG - Enge- nheiro Civil Para execução da pavimentação de uma rodovia, são preparados diversos tipos de camadas, cada uma, com seu propósito especí- fico. Associe a primeira coluna à segunda, com a descrição que melhor representa a camada citada. I - Base. II - Reforço do Subleito. III - Regularização do Subleito. IV - Revestimento. V - Sub-Base VI - Subleito. ( ) É uma camada de espessura constante, posta por circunstân- cias técnico-econômicas, acima da regularização, com caracterís- ticas geotécnicas inferiores ao material usado na camada que lhe for superior, porém melhor que o material do subleito. ( ) É a camada complementar à base, quando, por circunstâncias técnicas e econômicas, não for aconselhável construir a base dire- tamente sobre a regularização ou reforço do subleito. ( ) Camada destinada a resistir e distribuir ao subleito, os esforços oriundos do tráfego e sobre a qual se construirá o revestimento. ( ) É o terreno de fundação onde será apoiado todo o pavimen- to. Deve ser considerado e estudado até as profundidades em que atuam significativamente as cargas impostas pelo tráfego. ( ) É a camada superior destinada a resistir diretamente às ações do tráfego e transmiti-las de forma atenuada às camadas inferio- res, impermeabilizar o pavimento, além de melhorar as condições de rolamento. ( ) É a operação destinada a conformar o leito, transversal e longitudi- nalmente. Poderá ou não existir, dependendo das condições do leito. Assinale a alternativa que contém a alternativa CORRETA, de cima para baixo. a) VI, V, II, I, IV, III. b) II, V, I, VI, IV, III. c) IV, I, V, III, II, VI. d) III, V, VI, I, IV, II. e) V, IV, II, I, VI, III. QUESTÃO 2 Prova: Avança SP - 2023 - Prefeitura de Americana - SP - Técnico em Edificações Na construção civil, o sub-leito refere-se ao terreno de fundação onde será apoiado(a): 27 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S a) Todoo pavimento. b) 30% do pavimento. c) 50% do pavimento. d) Parte do pavimento, em que o restante se apoiará na estrutura rígida do solo. e) Parte do pavimento, em que o restante se apoiará na estrutura da sub-base do solo. QUESTÃO 3 Prova: IDECAN - 2021 - PEFOCE - Perito Criminal - Engenharia Civil Com relação a pavimentos de estradas de rodagem, estabeleça a correspondência entre as colunas I e II. Coluna I 1 – Leito 2 – Regularização do subleito (nivelamento) 3 – Sub-base 4 – Revestimento 5 – Acostament Coluna II A – Camada complementar à base. Deve ser usada quando não for aconselhável executar a base diretamente sobre o leito regulari- zado ou sobre o reforço, por circunstâncias técnico-econômicas. Pode ser usado para regularizar a espessura da base. B – É a superfície do subleito (em área) obtida pela terraplanagem ou obra de arte e conformada ao greide e seção transversal. C – É a camada, tanto quanto possível impermeável, que recebe diretamente a ação do rolamento dos veículos. D – É a operação destinada a conformar o leito, transversal e lon- gitudinalmente. Poderá ou não existir, dependendo das condições do leito. Compreende cortes ou aterros até 20cm de espessura. E – Parte da plataforma contígua à pista de rolamentos, destinado ao estacionamento de veículos, ao trânsito em caso de emergência e ao suporte lateral do pavimento. Assinale a alternativa que apresente a correspondência correta. a) 1D – 2A – 3B – 4C – 5E b) 1B – 2A – 3C – 4D – 5E c) 1B – 2C – 3A – 4D – 5E d) 1B – 2D – 3A – 4C – 5E e) 1A – 2C – 3D – 4B – 5E QUESTÃO 4 Prova: UPENET/IAUPE - 2019 - Prefeitura de Petrolina - PE - Fiscal 28 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S de Obras O equipamento específico de terraplenagem, que tem a função de cortar ou aterrar subleitos, sub-bases e bases, de acordo com as estacas de marcação topográfica, é denominado de a) Retroescavadeira. b) Escavadeira hidráulica. c) Pá-carregadeira. d) Motoniveladora. e) Rolo compactador. QUESTÃO 5 Prova: FUNDATEC - 2019 - Prefeitura de Novo Horizonte - SP - En- genheiro Civil Recentemente a Câmara Municipal de Vereadores de Novo Hori- zonte/SP aprovou projetos para obras de pavimentação asfáltica, recape, construção de guias, sarjetas e de galerias em diversas vias públicas da cidade. Considerando que, para a execução dos futuros serviços, em determinado trecho a ser pavimentado, seja necessária a adoção de todas as camadas típicas de um pavimento asfáltico flexível, assinale a alternativa que apresenta a ordem cor- reta dessas camadas a partir do subleito (solo). a) Sub-base, reforço de sub-base, base e revestimento. b) Reforço de subleito, sub-base, base e revestimento. c) Sub-base, base e pista de rolamento. d) Reforço de subleito, base, reforço de sub-base e pista de rolamento. e) Reforço de subleito, sub-base, reforço de sub-base, base e revesti- mento. QUESTÃO DISSERTATIVA – DISSERTANDO A UNIDADE A compactação é um procedimento realizado sob uma camada asfáltica para atingir alguns objetivos. Vale mencionar que no Brasil é possível compactar uma espessura máxima de 100 milímetros, sendo que isso varia de acordo com os recursos disponíveis para a execução. É impor- tante destacar ainda que ao se tratar de camada única a espessura de compactação é de, no máximo, 80 milímetros. Posto isto, aponte quais são os benefícios propiciados com a compactação, bem como os equi- pamentos empregados no processo de rolagem. TREINO INÉDITO É uma etapa da execução do pavimento flexível: a) promover a cura do revestimento. b) fixar barras de transferência. 29 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S c) construir o revestimento. d) adensar o revestimento. e) instalar as juntas flexíveis. NA MÍDIA PROGRAMA MÃO NA MASSA TREINA EQUIPE DE SAMAMBAIA PARA MANUTENÇÃO DE VIAS Tapa buraco, chove, abre buraco. Esse é o problema que a Novacap vem so- lucionando, por meio do treinamento de manutenção e conservação de vias urbanas no DF, para melhorar a qualidade das entregas para a população. O programa Mão na Massa, lançado em 2022, vem capacitando as equi- pes de recuperação de vias das administrações regionais, com o forneci- mento de maquinário, massa asfáltica e treinamento técnico da Divisão de Manutenção e Conservação de Vias (Dimav). Formado por três equipes, o Mão na Massa atua com 30 profissionais da Novacap, que orientam sobre o processo de compactação do asfalto ao buraco, evitando trincas, fissu- ras, erupções e surgimento de novos buracos na mesma área recuperada. Fonte: Agência Brasília Data: 21 de fevereiro de 2023. Leia a notícia na íntegra: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2023/02/21/programa-mao-na- -massa-treina-equipe-de-samambaia-para-manutencaodevias/ NA PRÁTICA A pavimentação asfáltica de qualidade necessita que se tenham alguns cuidados específicos durante a execução, analisando vários fatores, es- pecialmente na fase de compactação. A razão disso é que possíveis ne- gligências nessa fase tendem a impactar negativamente todas as outras que foram executadas anteriormente. Diante disso, é necessário tomar cuidado desde o processo de escolha do equipamento para impedir a ocorrência de problemas. Portanto, na escolha de rolos compactadores é importante considerar fatores como capacidade de execução, tamanho do projeto e o tipo de obra. Posto isto, destaca-se que os rolos compactadores têm como principal objetivo atingir os níveis de densidade que constam no projeto. Tal requisito é alcançado com máquinas do modelo tandem e também com rolos metálicos em ambos os eixos do equipamento, combinando assim vibração e peso. PARA SABER MAIS Acesse os links: http://youtube.com/watch?v=YPB-QjiMgyE e https:// www.youtube.com/watch?v=vBbn8e76oHo 30 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S DIMENSIONAMENTO DE PAVIMENTOS FLEXÍVEIS: PARÂMETROS DE PROJETOS E CRITÉRIOS DE RUPTURA Dimensionar pavimentos flexíveis é uma tarefa em que se de- termina a espessura de cada camada que constitui o pavimento a fim de que se atenda o número N, que será explicado com mais detalhes ainda nessa seção. Ainda no dimensionamento é imprescindível realizar o ensaio denominado Índice de Suporte Califórnia (ISC). É importante mencionar que no Brasil, o método mais utilizado para o dimensionamento de pavimentos flexíveis foi criado nos anos de 1970 pelo engenheiro Murilo Lopes de Souza, sendo denominado Método do DNERO ou Método CBR, do Departamento Nacional de Es- tradas de Rodagem (DNER). O Método CBR utiliza ábacos que permite PROJETOS DE PAVIMENTAÇÃO E SUA NORMATIZAÇÃO II N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S 30 31 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S relacionar os valores ligados ao tráfego com as informações referentes aos materiais de subleito em cada tipo de pavimento. DNER foi um órgão que funcionou entre os anos de 1937 e 2001, estando diretamente vinculado ao Ministério dos Transpor- tes, suas principais atribuições eram promover a coordenação e a gestão de todo o sistema rodoviário nacional. Com a extinção do departamento suas competências foram divididas entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Na- cional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Determinar o ISC é um dos principais elementos no dimensio- namento dos pavimentos, através deles consegue-se projetar adequada- mente esse tipo de infraestrutura. No Brasil, existe a norma DNIT 172/2016 – ME que estabelece as diretrizes para a realização deste ensaio. Outro ponto importante é determinar o número equivalente ou número N de operações em um eixo que é tomado como sendo padrão no período de projeto que foi escolhido. Para isso, leva-se em conta fatorescomo: - A quantidade média de veículos que irão transitar pela via. - As cargas no eixo em cada tipo de veículo. - O tipo de veículo que irá trafegar pela via. - A duração estimada para o pavimento. Já o coeficiente de equivalência (k) é uma constante estipulada em função de cada camada do pavimento, sendo que tal parâmetro é determinado para cada uma das camadas do pavimento, variando de acordo com a camada e o tipo de material empregado. A tabela 2 mostra os valores sugeridos pelo método do DNER/DNIT. Tabela 1 – Valores do coeficiente k, conforme método do DNER/DNIT 32 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Fonte: DNIT (2006) Vale apontar que somente depois de se determinar o coeficiente k é que se inicia o processo de dimensionamento das camadas de fato. Calcular o Índice de Suporte Califórnia, o número N e o co- eficiente de equivalência é uma tarefa complexa, para saber mais sobre os temas acesse: a) Dissertação “Respostas estruturais em pavimentos fle- xíveis via utilização de equações de módulos de resiliência de so- los de subleito e da camada de reforço” que trata da determinação do ISC”, disponível em: locus.ufv.br/bitstream/123456789/3745/1/ texto%20completo.pdf. b) Artigo “Efeito do tráfego no dimensionamento de pa- vimentos asfálticos utilizando dados de pedágio”, disponível em: http://146.164.5.73:30080/tempsite/anais/documentos/2018/Infra- estrutura/Dimensionamento,%20Avaliacao%20e%20Gestao%20 de%20Pavimentos%20I/6_367_AC.pdf. c) Dissertação “Análise comparativa técnico-econômica en- tre os pavimentos de concreto asfáltico e blocos intertravados de concreto”, disponível em: http://www.repositorio.jesuita.org.br/bits- tream/handle/UNISINOS/7422/Cinara+Souza+de+Oliveira_.pdf;jses- sionid=114351D60D443F3954E04A00D7F78EAB?sequence=1. SUPERESTRUTURA RODOVIÁRIA Os pavimentos rodoviários consistem em uma superestrutura composta de camadas com espessuras finitas que são assentadas em um semiespaço denominado teoricamente como sendo infinito, sendo este o terreno da fundação ou a infraestrutura (subleito). O subleito precisa ser 33 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S considerado e estudado até a profundidade na qual atuam, por isso, é im- portante levar em conta as cargas que são impostas pelo tráfego no dimen- sionamento da estrutura. Do ponto de vista prático a profundidade precisa estar compreendida em uma faixa que varia entre 0,60 e 1,00 metros. Vale apontar que devido a injunções de origem econômicas e téc- nicas os pavimentos consistem em uma estrutura multicamadas nas quais os materiais empregados, dotados de deformabilidade e de resistência dis- tinta são posicionados em contato direto entre si. Assim, tem-se um nível de complexidade elevado no que tange ao cálculo de deformações e tensões atuantes (esses elementos são oriundos das cargas advindas do tráfego). Genericamente e em termos estruturais as rodovias podem ser estratificadas em dois tipos, as infraestruturas e as superestruturas. As infraestruturas rodoviárias são formadas por uma série de sistemas em que cada um apresenta sua função. Os principais sistemas existentes na infraestrutura rodoviária são: • As obras de arte especiais que englobam estruturas como túneis, viadutos ou pontes necessárias para a completa implantação das vias e, que devido às suas características e proporções requerem a elaboração de projetos específicos. • Os sistemas de drenagem e de proteção que integram de modo abrangente os itens responsáveis pela durabilidade e pela pre- servação da via. • As plataformas devidamente terraplanadas com seus atribu- tos e requisitos específicos. Já a superestrutura rodoviária também é formada por uma sé- rie de sistemas como: • Os elementos de obras complementares e de sinalização que tem como principal finalidade assegurar a segurança de tráfego ao usuário. • Os pavimentos que devido ao seu pacote estrutural, princi- palmente a camada de rolamento (revestimento betuminoso), interage intimamente com o trânsito de veículos. Assim, implementar uma rodovia é algo que contempla a cons- trução da infraestrutura e da superestrutura viária, indo desde a realiza- ção de serviços preliminares até a implantação da sinalização. TIPOS DE PAVIMENTOS Os pavimentos são quaisquer estruturas existentes em ruas nas quais os indivíduos transitam, independentemente da forma (a pé, de bicicleta, de caminhão, de ônibus, de carro, entre outras coisas). Em todos os espaços em que se tem a locomoção de veículos e pessoas 34 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S existe um esforço vertical imposto pelo peso desses agentes, sendo isso denominado solicitação. As solicitações variam em função do local, em algumas regiões tem-se um esforço maior, enquanto que em outros isso é desprezível. Vale apontar que as solicitações são passadas para os pavimentos, que preci- sam ter a capacidade de redistribuir e resistir a esses esforços, especial- mente a estrutura que os compõem, independentemente da intensidade. É necessário ainda que os pavimentos tenham a capacidade de resistir aos esforços horizontais atuantes. Para que isso ocorra é preciso realizar um estudo acerca das solicitações e do solo a fim de que se dimensione adequadamente a obra para resistir aos esforços nos quais serão submetidas. Observando esses eventos consegue-se elevar a durabilidade dessas estruturas, o que beneficia diretamente a sociedade, pois é possível reduzir os acidentes de trânsito relacionados à má qualidade, bem como elevar o conforto durante o deslocamento. Posto isto, existem três tipos de pavimento, os flexíveis, os rí- gidos e os semirrígidos. A principal diferença entre esses dispositivos está intimamente relacionada com o modo no qual irão distribuir a carga é recebida (advinda do trânsito) para o subleito. A seguir, os tipos de pavimentos são apresentados com mais detalhes. Pavimentos Flexíveis Os pavimentos flexíveis são aquelas estruturas em camadas constituídas por uma camada fina de revestimento de asfalto. Devido ao terreno natural (subleito) e o tráfego, pode haver ainda nesses elementos outros elementos como o reforço do subleito, a sub-base e a base. A fi- gura 6 mostra o esquema de um pavimento flexível e seus componentes. Figura 6 – Pavimento flexível Fonte: Bernucci et al. (2010) 35 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S A pavimentação flexível é executada preferencialmente com material asfáltico na camada de revestimento, sendo esse o motivo no qual a sua resistência varia consideravelmente (a resistência oscila em função da espessura da camada). Nesse componente a absorção dos esforços é dividida entre as mais variadas camadas, sendo que as ten- sões verticais são encontradas nas regiões inferiores, situadas em um local perto de onde se aplica a carga. Vale apontar ainda que os pavimentos flexíveis são aqueles nos quais todas as camadas se deformam significativamente do ponto de vista elástico quando submetidos a um carregamento. Como resul- tado da deformação observa-se uma distribuição semelhante entre os elementos que o constitui. Pavimentos Rígidos Os pavimentos rígidos são os executados utilizando cimento Portland, por exemplo, sua principal característica é a alta resistência, especialmente em comparação com os flexíveis. Esse tipo de pavimen- to pode ter ou não uma camada para a sub-base situada entre o subleito e o revestimento, sendo que isso é determinado pelas características e qualidade do material que constitui o subleito. Diante disso, a figura 7 mostra o pavimento rígido, bem como as camadas que o integram. Figura 7 – Pavimento rígido Fonte: Bernucci et al. (2010) Diante disso, os pavimentos rígidos são formados por uma camada que tem a atribuiçãode absorver a maior parte dos esforços horizontais atuantes, transmitindo pressões verticais bem distribuídas e 36 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S brandas para as camadas inferiores. Outro ponto que merece atenção é que o revestimento apresenta uma rigidez mais alta em comparação com as camadas que se encontram abaixo, isso faz com que haja uma maior absorção de todo o carregamento ao qual é submetido. Pavimentos Semirrígidos O pavimento semirrígido, por sua vez, é um intermediário e se concentra entre o rígido e o flexível. Esse elemento é constituído por vá- rias camadas, sendo que a camada superior é construída utilizando re- vestimento asfáltico com uma sub-base ou base que apresenta cimento de alta rigidez, excluído qualquer tipo de concreto. É preciso apontar que os pavimentos semirrígidos são formados por uma base cimentada contendo um tipo específico de aglutinante dotado de propriedades ci- mentícias. Diante disso, a figura 8 mostra um pavimento semirrígido e as camadas que o integram. Figura 8 – Pavimento semirrígido Fonte: Bernucci et al. (2010) CARACTERÍSTICAS DOS VEÍCULOS Os pavimentos rodoviários têm como principal objetivo assegu- rar a estabilidade na camada superficial de rolamento da via. Para que isso ocorra é necessário que tal estrutura tenha a capacidade de resistir aos esforços que atuam na estrutura, suportando o tráfego projetado para o local. É importante mencionar que a principal ação da solicitação de pavimento rodoviário é advinda das forças impostas por veículos comerciais, com isso é comum que se despreze as cargas oriundas de veículos leves ou de passeio. 37 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Com as rodas pneumáticas consegue-se transmitir as cargas para o pavimento, portanto o dimensionamento do pavimento necessita de uma análise acerca do tráfego de veículos comerciais como ônibus e caminhões. Porém, para a criação de um projeto geométrico da via é imprescindível levar em conta o tráfego de veículos de passeio, bem como os de veículos comerciais. Vale frisar que por meio das rodas dos veículos exerce-se pres- são no pavimento, com isso, através da configuração do arranjo desses elementos há eixos distintos em caminhões. Com esses eixos geram- -se solicitações variáveis que atuam de modo variável nos pavimentos, diante disso, a figura 9 mostra os principais tipos de eixos existentes em caminhões. Figura 9 – Principais tipos de eixos de caminhões Fonte: Bosso (2018) Os veículos são estratificados em três classes principais, sendo: 1) Veículos de cargas, contemplando combinações de veículos de cargas, reboques, semirreboques, caminhões rígidos, dotados de uma capacidade de carga maior do que 3 toneladas. 2) Veículos coletivos como ônibus de quatro eixos, coletivos especiais de três eixos ou tribos, micro-ônibus e ônibus de turismo, in- terestaduais e intermunicipais com dois eixos e ônibus urbanos dotados de dois eixos. 3) Veículos leves englobando utilitários como furgões, vans, caminhonetes e outros modelos que apresentam uma capacidade de carga de até 3 toneladas, os veículos de passeio como automóveis grandes, médios e pequenos e, por fim, as motos como motocicletas, motociclos e demais tipos. Por meio dos estudos de tráfego consegue-se determinar com boa precisão o total de veículos que transitam em uma via por um perí- 38 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S odo estipulado. Através disso, estabelece-se quantitativamente a capa- cidade de carga mínima da via, além de se permitir definir previamente uma alternativa de solução construtiva requerida para o processo exe- cutivo ou então para otimizar os projetos de pavimentação. É necessário mencionar que a composição de tráfego adotada no processo de dimensionamento de um pavimento é pautada na quan- tidade média diária de veículos de período do projeto somada a um per- centual de aumento do tráfego. O volume diário médio consiste no total de veículos que transitam nas estradas no intervalo de um ano dividido pelo número de dias existentes em um ano. O percentual de cresci- mento tem como base o histórico do crescimento do fluxo de veículos que trafegam na região ou no trecho de interesse (quanto não existem dados sobre isso, recomenda-se adotar uma taxa de 5% ao ano). Frente ao exposto, os projetos de pavimentos rodoviários são feitos partindo do período de tempo de interesse, comumente chamado de período P, expresso em anos. No começo do período, adota-se a ideia de que existe um volume de veículos inicial chamado de V1. Po- rém, durante o uso da rodovia, admite-se que o número de automóveis irá aumentar. Ao final do intervalo estudado a quantidade de veículos final é denominada tráfego total ou tráfego final, sendo chamado de Vt. Desse modo, nota-se que existe uma grande diferença entre o tráfego final e o tráfego inicial, requerendo assim que se considere uma parcela que contemple a elevação desse fluxo. Para que isso ocorra é necessário determinar o crescimento de tráfego partindo de uma taxa de aumento que, diante das situações apresentadas, pode ter um comporta- mento aritmético ou linear, crescimento exponencial ou geométrico. Considerando uma taxa de crescimento t que se encontra em progressão linear ou aritmética, determina-se o volume médio de tráfe- go diário com o auxílio da equação 1. Em que: • Vm corresponde ao volume final diário médio do tráfego so- mente em um único sentido. • V1 é o volume inicial diário médio do tráfego somente em um único sentido. • P equivale ao total de anos no período. • t é igual à taxa de crescimento. O volume final do tráfego em um dado período ou volume de tráfego total em uma taxa de crescimento t que está em progressão ex- ponencial e em um intervalo P é calculado por meio das equações 2 e 3. 39 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Em que: • Vt é a quantidade total de tráfego no período de estudo, so- mente em um único sentido. CARGAS APLICADAS AOS PAVIMENTOS Ao se solicitar um pavimento por meio de uma carga Q impos- ta pelo veículo que transita sobre o pavimento em uma velocidade V, este passa a ser submetido a uma tensão normal que atua na direção vertical de compressão σo e uma tensão de cisalhamento que atua na direção horizontal, denominada τ0 como aponta a figura 10. Figura 10 – Cargas em um pavimento Fonte: Santana (1993) Frente ao exposto, as camadas distintas de componentes es- 40 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S truturais têm como principal objetivo distribuir a tensão vertical que é aplicada na superfície a fim de que o subleito receba uma solicitação mais baixa da tensão vertical. É preciso mencionar que a tensão hori- zontal aplicada na camada superficial requer que o revestimento apre- sente uma coesão mínima de modo a suportar eficientemente a parcela do esforço de cisalhamento atuante. Vale apontar ainda que a distribuição das cargas provenientes dos automóveis é distribuída pelo pavimento por meio das rodas como mostra a figura 11. Figura 10 – Cargas em um pavimento Fonte: ABCP (2010) A literatura técnica adota, de forma geral, que a angulação do bulbo em tensões é na ordem de 45º no que se refere ao efeito de propa- gação dos esforços oriundos dos carregamentos solicitantes nas estru- turas do pavimento. Porém, é necessário apontar que é preciso estudar cada caso individualmente, uma vez que cada solução apresenta suas próprias características. Ao se falar de pavimentos intertravados, por exemplo, destaca-se que a dimensão pequena dos blocos de concreto constitui uma série de juntas menores, requerendo uma análise mais es- pecífica dos modos de transmissão de tensões emcamadas subjacentes. Nas situações nas quais as cargas solicitadas são aplicadas pelos eixos tandem se torna imprescindível avaliar a superposição dos efeitos, pois o valor da carga que é aplicada ao subleito é mais alta, re- sultando em deformações grandes caso haja ruptura. Frente às incerte- zas quanto a dinâmica da propagação de tensões é importante realizar estudos voltados à modelagem computacional a fim de compreender adequadamente como tais eventos ocorrem. 41 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Vale apontar ainda que à medida que a profundidade aumenta, diminui-se a magnitude da carga, ou seja, as camadas que se encon- tram nas regiões superiores são submetidas a tensões mais elevadas. Com isso, requer-se que as pressões atuantes na interface entre o su- bleito e o pavimento sejam adequadas e estejam em consonância com o suporte do subleito. CARACTERÍSTICAS DOS MATERIAIS PARA PAVIMENTAÇÃO Nos materiais de reforço do subleito, de sub-base e de base é importante adotar métodos específicos para selecioná-los, especialmente considerando suas propriedades. A atividade de seleção consiste em uma fase preliminar em que se torna possível averiguar quais são os componen- tes disponíveis partindo das suas características de natureza a fim de que seja possível utilizá-los para o desenvolvimento estrutural dos pavimentos. De forma geral é importante que os materiais usados na pavi- mentação, após serem compactados tenham baixa deformabilidade, alta resistência, além de ter permeabilidade compatível com a função na qual irão atuar. Posto isto, os materiais empregados para tal atividade são nor- malmente compostos por solos, agregados e, em alguns casos, adotam- -se aditivos como emulsões asfálticas, cal, cimento, entre outros tipos. O processo de seleção e de caracterização dos agregados par- te das tecnologias tradicionais baseadas nos critérios de resistência e distribuição granulométrica. Ao se tratar dos materiais compostos majo- ritariamente de agregados miúdos e agregados graúdos o que prevale- ce são as propriedades das frações granulares. Vale mencionar que os métodos construtivos e as especifici- dades de cada material precisam ser pesquisados em normas da Asso- ciação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e em normas rodoviárias nacionais. Outro ponto que merece atenção é que os elementos que constituem o reforço do subleito, a sub-base e a base podem ser classi- ficados ainda de acordo com o seu comportamento diante dos esforços, recebendo nomes como solos e granulares, materiais asfálticos e mate- riais cimentados ou estabilizados quimicamente. Os materiais granulares são os que não apresentam coesão, salvo a aparente por sucção, além de não resistirem ao esforço de tra- ção, atuando de modo eminente em esforços compressivos. É necessá- rio apontar que os solos coesivos têm uma boa resistência à compres- são, bem como uma resistência à tração mais baixa devido à coesão propiciada pela fração fina. Já os materiais cimentados são os solos ou componentes gra- 42 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S nulares que tem em sua composição elementos como cal, cimento e outros tipos de aditivo. Esses elementos são adicionados a fim de se elevar a resistência à tração e à compressão, melhorando a rigidez na- tural. O solo asfalto e as misturas asfálticas são empregadas para a construção da camada de base, devidamente classificada pela sua coe- sividade. Nessas situações as ligações existentes entre as partículas ou os agregados se dão por meio dos ligantes asfálticos. Destaca-se que se consegue atingir uma resistência à tração mais elevada em compa- ração com os solos argilosos, sendo este o motivo no qual são classifi- cados em classes distintas de material cimentado e de solo. Para pavimentar os elementos de classes granulares e de so- los utilizam-se materiais como: a) Solo melhorado com cal ou cimento. b) Solo natural. c) Solo-agregado. d) Misturas estabilizadas do ponto de granulométrico (associa- ção de materiais para suprir determinadas propriedades). e) Macadame a seco. f) Macadame hidráulico. g) Brita corrida ou bica e brita graduada simples. Outros tipos de materiais têm sido utilizados constantemente na pavimentação, sendo estes provenientes da reciclagem e da reutilização. Entre os mais comuns destacam-se misturas asfálticas fresadas, rejeitos oriundos da extração de rochas ornamentais, agregados reciclados vindos de demolições e da construção civil, escória de alto-forno, entre outros. Os materiais cimentados mais empregados são concretos ro- lado, solo-cimento-cal, cal-solo, cimento-solo, brita graduada e tratada com cimento. Por fim, as misturas asfálticas comumente utilizadas são as bases asfálticas dotadas de módulo elevado, macadame betumino- so, emulsão-solo e asfalto-solo. AVALIAÇÃO E REABILITAÇÃO DE PAVIMENTOS FLEXÍVEIS E RÍ- GIDOS No processo de avaliação dos pavimentos é importante consi- derar as normas técnicas dos órgãos responsáveis, bem como as neces- sidades dos usuários da rodovia e o padrão da via. A razão disso é que existem inúmeras diferenças entre os pavimentos de uma rodovia vicinal e a autoestrada, requerendo assim a compreensão das categorias dos automóveis que transitam na rodovia, bem como a sua classificação. Um elemento importante a ser levado em conta na avaliação 43 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S são as condições funcionais que precisam ser analisadas por meio de procedimentos coerentes com as vias em estudo, adotando métodos que contribuem para a identificação de defeitos que emergem na região superficial do pavimento. Deve-se considerar também os elementos que resultam nos defeitos como o processo construtivo, as característi- cas dos materiais usados na pavimentação, as solicitações de tráfego e o clima, que atuam de modo simultâneo ou isolado. Destaca-se que as metodologias têm como finalidade: a) Caracterizar e descrever quais são os defeitos, identificando a densidade, a severidade e o tipo. b) Apontar, através de medições quais são os elementos que resultaram nos defeitos superficiais. c) Criar um inventário que contempla as principais ocorrências existentes devido à presença dos defeitos na região superficial de pavi- mentos asfálticos. d) Apontar quais são as condições superficiais de pavimento referentes à segurança e ao conforto. Nesse sentido, pode-se apontar que a degradação superficial é um evento classificado de maneira subjetiva ou objetiva. Os eventos subjetivos contemplam as inspeções visuais feitas por colaboradores capacitados, enquanto que os objetivos se dão por meio de definições dos principais tipos de defeitos encontrados na região superficial. Desse modo, pode-se mencionar que a reabilitação de um pa- vimento está intimamente relacionada com a sua manutenção, uma vez que se desenvolvem várias operações. Tais operações buscam elevar ou manter as características homogêneas e o desempenho a níveis adequa- dos levando em conta todos os elementos que integram os pavimentos. É preciso mencionar que os materiais de construção, ao longo da sua vida útil em serviço tendem a se deteriorar e a se danificar. Isso é um evento inevitável e que afeta diretamente nas propriedades mecâni- cas, devido à ação de ações ambientais como umidade e temperatura, produtos químicos, cargas de veículos, entre outras coisas. O quadro 2 aponta um breve resumo acerca do tipo de ativi- dade que pode ser feita para resolver os problemas, bem como impedir seu agravo, que pode culminar na ruptura de um pavimento asfáltico antes da sua vida útil. 44 N O R M A S E P R O JE TO S D E P A V IM E N TA Ç Ã O - G R U P O P R O M IN A S Quadro 2 – Medidas para reabilitar pavimentos asfálticos Fonte: Adaptado de Pinto e Pinto (2015) O quadro