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Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ Ginecologi�: Miomat�� Uterin� ◀ Mioma: São tumores benignos formados por fibras musculares lisas com estroma de tecido conjun�vo em proporções variáveis — correspondem a 95% dos tumores benignos do trato genital feminino; ➔ É uma das principais causas de sangramento uterino anormal (SUA) ; ➔ 20 a 50% das mulheres entre 35 a 50 anos; ➔ Pode ser assintomá�co, oligossintomá�co ou sintomá�co; ➽ O mioma vive de estrogênio (valores altos levam ao mioma, pólipo, adenomiose, doenças malignas…), progesterona e sangue, além disso o hormônio do crescimento pode estar associado ao crescimento do mioma; ➧ 17-OH-Desidrogenase deficiente ⇒ predomina estrogênio, levando à maiores es�mulos de crescimento ➧ Aromatase ⇒ converte o androgênio em estrogênio, então também pode estar aumentada ➧ Aumento de receptores de progesterona no tecido uterino ➧ A progesterona só protege o endométrio contra o male�cio do estrogênio, todavia quanto ao mioma, a progesterona e o estrogênio ocasionam o mioma ◀ Patologia : podem ser únicos, múl�plos, de volumes variáveis, que podem aumentar o útero ou distorcer seu contorno, mas também podem ser circunscritos, bem delimitados, de localização variável, sendo no corpo uterino mais comum. Apresentam-se como pediculados ou sésseis ; ➔ Histologicamente: Fibras musculares lisas dispostas de forma espiralar (turbilhonares) e tecido conjun�vo de permeio ➔ Leiomioma Benigno Metasta�zante: raro, pode a�ngir linfonodos, pulmão, coração e cérebro ➔ Degenerações secundárias: se o mioma for restrito de fluxo sanguíneo, ele pode degenerar, como: ★ Hialina = mais comum , deficiência de fluxo sanguíneo; ★ Rubra Vermelha ou Carnosa = ocorre na gravidez , por obstrução venosa por rápido crescimento; ★ Sarcomatosa = é mais comum do climatério , diferenciar de câncer ⧪ Tipos de Mioma _____ I. Submucoso II. Subseroso III. Intraligamentar IV. Intramural V. Cervical VI. Parido ◀ Formas Principais _____ ⥹ Subseroso: cresce pra fora ⥹ Intramural: cresce para dentro do osso ⥹ Submucoso: cresce para dentro da cavidade ⦽ Subseroso: muito pobre em sintomas (apenas se crescer muito); ■ Se crescer muito irá para fora, já se crescer para o lado é capaz de comprimir o ureter e ocasionar síndrome nefró�ca, já se crescer para frente pode ocluir a bexiga e ocasionar problemas urinários, e por fim, se crescer para trás pode prender o intes�no; sintomas obstrutivos/compressivos quanto ao lado que cresce infecta/torce se pediculado pode causar dip grave Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ⦽ Intramural: Pode evoluir, à medida que cresce, para subseroso ou submucoso. Rico em sangramento e dor, ocasiona hipermenorreia (durante período menstrual) ⦽ Submucoso: É o que mais provoca sangramento ( hipermenorreia ) e metrorragia (sangra fora do período menstrual. É considerado o pior; ■ Pode ocasionar o mioma parido (pedunculado que atravessa a parede extensa cervical); ⦽ Cervical/Colo: Pode causar infer�lidade por impedir a saída do bebê; __________________________ — Manifestações Clínicas — ________________ ________ ➽ Mais de 50% são assintomá�cos — sua presença não exige re�rada, e sim acompanhamento; ➥ SUA (sangramento uterino anormal) : Hipermenorreia, metrorragia, menometrorragia e dor; ➥ Dor Pélvica Crônica e Dispareuni a: Geralmente por mioma subseroso que comprimiu estruturas, mas não são sintomas específicos de mioma, podendo haver diagnós�co diferencial à outras doenças ★ Anemia, perda de peso, diminuição da qualidade de vida, faltas ao trabalho; ➥ Aumento do volume abdominal ⇛ Compressão genito-urinária: polaciúria por compressão vesical ou de ureter com hidronefrose; ⇛ Corrimento: encarceramento, necrose, etc; ⇛ Infer�lidade compressão das tubas uterinas ou alteração endometrial por crescimento e/ou abaulamento interno; ⇛ Cons�pação ou Obstrução intes�nal: compressão do reto ou sigmoide; ⇛ Mioma parido ⇛ Estase venosa MMII e tromboflebite por compressão dos vasos pélvicos ➤ Mioma e Gravidez : tendência ao crescimento pelo maior aporte de sangue e hormônios; ➢ Infer�lidade: pode atrapalhar gestação antes de acontecer (cervical, parido e os que comprimem os cornos, os quais podem gerar gravidez ectópica); ➢ Aborto ➢ Prematuridade e amniorrexe prematura ➢ Distocia de trajeto ➢ Encarceramento e/ou acre�smo placentário (placenta não sai) ➢ Hemorragias no 4ºP do parto levado à hipotonia uterina (histerectomia) ➢ Discinesia levando ao parto distócico ★ Não é recomendado terapia medicamentosa na gravidez, exceto em caso de degeneração rubra/carnosa ou torção do mioma pediculado acompanhada de abdome agudo Medicamento na Gravidez: Apenas se degeneração rubra/carnosa ou torção do pediculado + abdome agudo Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ______________ — Diagnóstico — ________ ___ ➤ Anamnese: idade, sinais, sintomas, doenças anteriores, caracterís�cas da dor e sangramento, infer�lidade, outras doenças estrogênio dependentes; ➤ Exame �sico (especular, toque bimanual): com aumento do volume uterino, super�cie irregular, alteração da forma, dor à mobilização, diminuição da mobilidade); ★ Aumento do volume abdominal ★ USG via vaginal: suficiente para o diagnós�co!!!!!!] ➧ Histerossalpingografia : não mais como 1ª opção, u�lizado para avaliar permeabilidade das tubas uterinas quando as pacientes possuem infer�lidade; ➧ Histeroscopia : avaliação da SUA, bom para cirurgia do submucoso, pode iden�ficar nódulos submucosos ou diferenciá-los de pólipos, hiperplasia, câncer, etc; ➧ Videolaparoscopia : não é feita de ro�na para diagnós�co e sim para miomectomia (subseroso ) , modelação e/ou histerectomia. Usado mais para endometriose; ➧ TC pélvica : não é feito de ro�na, mas é ú�l para planejar o tratamento e na suspeita de degeneração de miomas ou nas patologias não ginecológicas; ➧ RNM : melhor exame para visualizar mioma, permite diferenciar mioma e adenomiose, degeneração maligna e CA uterino. Usado quando o mioma é muito grande ou se associado a endometriose com aderências; ➤ Diagnós�co Diferencial ○ Pólipos endometriais (diferencial com submucoso pediculado) e endocervicais ○ Neoplasia do colo uterino ○ Adenomiose e endometriose ○ Hiperplasia endometrial e CA uterino ○ Malformação uterina (didelfo e bicorno) ○ Gravidez: tópica e ectópica ○ Abortamento e prolapso genital ○ Tumores cís�cos / sólidos do ovário (como o teratoma) ○ Rim pélvico ○ Fecaloma (diferencial com torção do ovário) _________________________________ — Tratamento — ___________________ ________ ★ Assintomá�cos, oligossintomá�cos com mioma de pequeno/médio porte: Conduta expectante (involução) — acompanhamento ambulatorial com USG de 6 em 6 meses; ★ Raciocínio: paciente 49 anos com mioma 2-4cm com aumento de sangramento de 30%, pouca dor —> paciente prestes a entrar na menopausa comprovável queda do estrogênio ⇒ tratamento expectante ↪ Se grande sangramento ou dor ⇒ cirurgia; ↪ Se após menopausa con�nuar crescendo, pode ser degeneração sarcomatosa ⇒ cirurgia; ➥ Tratamentos possíveis ⇒ miomectomia, histeroscopia, videolaparoscopia, histerectomia (laparotomia e por via vaginal), embolização vascular nutridora e tratamento medicamentoso; USG vaginal costuma ser suficiente Histerossalpingografia: inférteis Histeroscopia: SUA e cirurgia do submucoso/diag. dif. Videolaparoscopia: miomectomia do subseroso TC pélvica: suspeita de degeneração/diag. dif. RNM: Miomas grandes ou endometriose com aderências Pouco/Sem sintomas Mioma pequeno/médio: EXPECTANTE -- USG 6 EM 6 MESES Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➤ Indicações do Tratamento Cirúrgico ◉ Pacientes sintomá�cos com repercussões sistêmicas (hipermenorreia, metrorragia, anemia, dor pélvica crônica, dismenorreia, dispareunia); ★ Ex.: paciente 40 anos, sangramento há 14 dias, falta ao trabalho, anemia importante ⇒ cirurgia; ◉ Abdome agudo ou dor abdominal intensa como torção de pedículo do mioma subseroso ◉ Mioma parido: maioria deles não carece de histerectomia, basta exérese ◉ Miomas que causam infer�lidade ⇉ M S/ filhos: Miomectomia ⇉ M C/ filhos: Histerectomia ◉ Miomas que aumentam de volume na pós-menopausa têm enorme chance de estar sofrendo degeneração sarcomatosa (CA) ◉ Mioma na Gravidez (mioma tende ao crescimento na gravidez) : cirurgia quando mioma com pedículo torcido/ degeneração carnosa sintomá�cas ⇉ Pode predispor gravidez tubária ➤ Embolização do Mioma: Injeção de par�culas (álcool polivinil PVA, microesferas) que incham as artérias uterinas, impedindo a passagem de sangue no mioma, levando-o à regressão ou desaparecimento; ➤ Tratamento Medicamentoso: restrição hormonal —> reduz volume do tumor, controle anemia no pré-operatório (quando risco cirúrgico elevado ou pacientes próximas da menopausa); ★ Inibidores de LH/FSH (Gosserrelina – Zoladex 3.6/10.8mg): Para pacientes que não podem operar, pois pode ocasionar menopausa precoce ⇶ Inibidores da Aromatase ⧬ Caso Clínico : Paciente, feminino 32 anos, 04 filhos vivos por partos normais, HAS controlada; ○ Hipermenorreia e metrorragia há 06 meses, com piora nos úl�mos 02 meses, levando à anemia importante. Às vezes há sangramento fora do período menstrual; Dor pélvica intensa durante o período menstrual. Preven�vo normal há seis meses. Em consulta, foi avaliado USG e exames laboratoriais, sendo providenciado uma reserva de sangue. ? Diagnós�co? Mioma ? Qual indicação cirúrgica? Se quer filho, faz miomectomia, se não quiser mais, faz histerectomia ? Provável localização topográfica do órgão acome�do? Submucoso ? Cirurgia será ex�rpar todo o órgão acome�do, parte do mesmo e/ou outros órgãos vizinhos? Tiramos colo e útero, mas mantemos o ovário devido a idade. Se já es�vesse em menopausa tudo poderia ser �rado Inibição Hormonal: INIBIDORES LH/FSH (Gosserelina -- Zoladex) > Pode ocasionar menopausa precoce Mirena -- DIU ÚNICO CAPAZ DE REGRIDIR O TAMANHO DO MIOMA MIOMAS GRANDE CIRURGIA Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ Ginecologi�: Sangrament� Uterin� Anorma� (SUA) ◀ Definição : Perda sanguínea > 80 mL por ciclo em quan�dade, ou frequência, ou duração maior que 7-8 dias, em cerca de 40% das mulheres; ◀ E�ologia : Múl�pla — idade influencia nas hipóteses diagnós�cas; ➔ Menacme: Lesão estrutural dos órgãos, miomas, etc ➔ 40a até menopausa: Irregularidade no padrão dos ciclos decorrente de flutuações na função do eixo e patologias do endométrio ➔ Pós-menopausa: Predomínio de causas endometriais ◀ PALM-COHEN (PALM + importante) ⟾ P ólipos : comum na peri-pós menopausa, tratamos com exérese por histeroscopia ⟾ A denomiose : sangramento, dismenorreia, dispareunia. Inibimos LH e FSH c/ progesterona em alta dose ⟾ L eiomioma : (aula anterior) ⟾ M alignidade e hiperplasia: comum na peri-pós menopausa —> leva ao CA de endométrio ⟾ COHEN = Coagulopa�a, disfunção ovariana, hiperplasia endometrial, iatrogenia e causas não classificada s ★ Eco endometrial ➢ Mulher que menstrua = Normal até 16-18 — se > 18, fazer histeroscopia ➢ Mulher que usa hormônio = Normal até 10 – se > 10, fazer histeroscopia ➢ Mulher em menopausa = Normal até 5 — se > 5, fazer histeroscopia ■ Se maior que esses valores, realizar biópsia por histeroscopia ➤ Causas ⇉ Não estruturais: coagulopa�as, distúrbios ovarianos (como o SOP), distúrbio endometrial (hemostasia endometrial local pela resposta inflamatória (como a DIP), iatrogenia (AHCO - spo�ng -, DIU, fármacos - aas, an�coagulantes, hormônios, �reoide, an�depressivos, cor�costeroides); ⇉ Não classificadas: condições sistêmicas raras (malformações arteriovenosas, hipertrofia miometrial, istomecele); ➤ Diagnós�co : anamnese, exame �sico geral, ginecológico, quan�ficação do fluxo, BHCG, USG ➤ Tratamento ⇉ Cirúrgico (ablação/histerectomia): miomas, pólipos ⇉ Medicamentoso: AHCO, an�coagulantes, an�inflamatorios, DIU de progesterona, SIU-LNG ★ SUA Aguda ( por ex. quando paciente chega carregada, pálida, coberta por cobertor cheio de coágulos de sangue, desmaiou 5x na ambulância, PA 80 x 40, taquipneia, taquirritmia) ■ Medicamentoso depende da estabilidade hemodinâmica : estrogênio equino conjugado, AHCO, progestagênios isolados an�fibrinolí�cos (ac, tranexâmico), AINES ■ Cirúrgico: curetagem, ablação endometrial, embolização da artéria uterina, histerectomia (de acordo com o desejo de ter filhos); pós menopausa: causas endometriais menstrua: 16-18 // > 18 Histeroscopia hormônio: até 10 // > 10 Histeroscopia menopausa: até 5 // > 5 Histeroscopia Biópsia na Histeroscopia Highlight Alexandre Garrido __ Miomatose e SUA ____ / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ___________________ — Exercícios — _____________ ________ ❖ 01 – Qual principal representante da SUA no ambulatório GO? ➢ Mioma ❖ 02 – Qual o método usado para se chegar ao diagnós�co da PALM? ➢ Anamnese, exame ginecológico e USG. ❖ 03 – Qual, dentre os componentes PALM, que é mais encontrada na menopausa e pós menopausa? ➢ Na menopausa é a hiperplasia endometrial. ❖ 04 – O SUA encontrado nos extremos da vida reprodu�va é de origem uterina, ovariana ou hipofisária? ➢ Ovariana (?) ❖ 05 – No menacme, entre 35 e 40 anos, qual é a causa da patologia mais frequentemente encontrada no ambulatório de ginecologia? ➢ Mioma ❖ 06 – Qual degeneração de mioma mais frequente na pós menopausa? E na gestação? Qual degeneração é a mais comum entre todas? ➢ Na pós menopausa é Neoplásica, hiperplasia endometrial (antes de virar câncer). Na gestação é Rubra, Vermelha ou Carnosa. A mais comum é a hialina. ❖ 07 – Qual o tratamento de um mioma que é a causa de uma infer�lidade? ➢ Miomectomia ❖ 08 – Quando se procede uma histerectomia em miomas? Quando o tratamento será conservador? ➢ Quando é sintomá�ca e não quer mais engravidar. O tratamento é conservadorquando o paciente não tem sintomas, mas se passar de 5cm pode operar ❖ 09 – Qual é a indicação para uma histeroscopia em miomas? ➢ Submucoso. ❖ 10 – Quais são os sintomas dos miomas entre os mais leves e os mais graves? ➢ Pequenos sangramentos até sintomas que trazem a diminuição da qualidade de vida ❖ 11 – Qual o tratamento em um PS de um SUA AGUDO com manifestações hemodinâmicas sérias? ➢ Passo A passo: Pegar acesso, reposição volêmica, estrogênio equino conjugado, an� inflamatório, etc . ❖ 12- Quando se indica uma curetagem uterina, ablação endometrial ou uma histerectomia? ➢ A curetagem é quando não tem histeroscopia disponível, a ablação é quando não achamos a causa do sangramento. A histerectomia é quando o paciente tem sintomas robustos. ❖ 13 – Qual o exame-procedimento indicado para uma paciente com SUA na pós menopausa? ➢ Biópsia (histopatológico) com histeroscopia ❖ 14 – Qual a principal causa do crescimento dos miomas? ➢ Estrogênio, progesterona, aromatase, 17 alfa. ❖ 15 – Qual a topografia dos miomas que causam mais sangramento - hipermenorreia e metrorragia? ➢ Submucoso. ❖ 16 – Quais os seis �pos de tratamento dos miomas? ➢ Histerectomia, miomectomia, histeroscopia, videolaparoscopia, ligadura do pedículo e embolização da artéria uterina. ❖ 17 - Qual método cirúrgico para o tratamento de pólipos endometriais? ➢ Histeroscopia com biópsia ❖ 18 –Qual é a conduta para uma menina de 12 anos que está apresentando irregularidade menstrual com exames normais? ➢ Orientação a menina e a mãe. ❖ 19 – Qual a conduta para uma senhora de 50 anos, na peri menopausa, que apresenta irregularidade menstrual, mas com todos os exames normais? ➢ Orientação e acompanhamento.