Prévia do material em texto
Capacitação em Hanseníase Implementação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) Aspectos imunológicos e clínicos da hanseníase Módulo 1 Aula 03 Aspectos clínicos da hanseníase Ementa da aula Nesta aula, serão descritos os principais aspectos clínicos da hanseníase, a fim de facilitar abordagem ao paciente. Esta aula também buscará integrar os conteúdos abordados na aula anterior (Aula 2 — Introdução e aspectos imunológicos da hanseníase) para relacionar os aspectos imunológicos e clínicos da doença. Serão trabalhados ainda os conceitos de suspeição diagnóstica e definição de caso, assim como a classificação operacional proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). • Conhecer os conceitos de suspeição diagnóstica e a definição de caso de hanseníase; • Entender a classificação operacional da hanseníase. Objetivos de aprendizagem Ao final desta aula, você será capaz de: 3 Sumário 1. Introdução 5 2. Suspeição Diagnóstica 6 3. Definição de Caso de Hanseníase 8 4. Classificação Operacional 12 5. Classificação de Madri e de Ridley & Jopling 15 Síntese da aula 16 Referências 16 4 Essas perguntas serão abordadas nesta aula. Então, vamos continuar juntos aprimorando seus conhecimentos. Quando devemos suspeitar de um caso de hanseníase? Quando aventamos a hipótese, como posso definir o caso? E depois, o que devo fazer? Quando referenciar para um centro especializado? 1. Introdução Prezado(a) aluno(a), seja muito bem-vindo novamente. Nesta terceira aula do Módulo 1 do curso, abordaremos os principais aspectos clínicos conceituais da hanseníase, deixando o estudo das formas clínicas propriamente para a aula 5 (síncrona). 5 2. Suspeição Diagnóstica A hanseníase se apresenta sob variado espectro clínico, determinado pela interação entre o Mycobacterium leprae (M. leprae) e a resposta imunológica da pessoa infectada, podendo evoluir para a neuropatia periférica e, consequentemente, para as suas sequelas. Portanto, é fundamental que os profissionais de saúde conheçam esses aspectos. De acordo com o 8º Relatório do Comitê de Especialistas em Hanseníase da OMS, publicado em 20121, e o PCDT de hanseníase2, um caso suspeito de hanseníase pode ser definido como uma pessoa que apresenta um dos seguintes sinais e sintomas da infecção: Manchas hipocrômicas ou eritematosas na pele 1 Perda ou diminuição da sensibilidade em mancha(s) da pele 2 Dormência ou formigamento de mãos/pés 3 Dor ou hipersensibilidade nos nervos 4 Edema ou nódulos na face ou nos lóbulos de orelhas 5 Ferimentos ou queimaduras indolores nas mãos ou nos pés 6 Na presença de um ou mais sinais e sintomas deve-se coletar a história clínica sobre o tempo desses eventos, interrogar a existência de convívio frequente da pessoa com outras que apresentam a mesma queixa, qual o local de origem e de residência da pessoa e o tempo de moradia nesses locais2. Na sequência, deve ser feito o exame físico da pessoa com suspeita de hanseníase, que consiste no exame visual de toda a pele (em ambiente com iluminação adequada), palpação dos principais nervos periféricos acometidos pela infecção, além de testes de sensibilidade nas lesões cutâneas e nas áreas dos sintomas neurológicos, e observar os olhos, as mãos e os pés2. Na persistência da dúvida diagnóstica de hanseníase, a pessoa deve ser encaminhada da Atenção Primária para avaliação na Atenção Especializada2. Observe o Fluxograma 1, reproduzido do PCDT2. Na parte superior são listados os critérios de suspeição diagnóstica e dar continuidade ao fluxo de atendimento. 6 Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 127)2. | Fluxograma 1. Diagnóstico e tratamento da hanseníase na Atenção Primária à Saúde CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE (INDIVÍDUO NÃO CONTACTANTE) • Lesões de pele esbranquiçadas e/ou avermelhadas persistentes, com diminuição de sensibilidade, da sudorese e/ou dos pelos; • Áreas de pele com diminuição de sensibilidade, da sudorese e/ou dos pelos; • Infiltração ou nódulos na face e pavilhões auriculares; obstrução e/ou sangramento nasal persistente; • Queixas de dormência ou formigamento, sensação de agulhadas, nas mãos e/ou nos pés; • Hipersensibilidade ou sensação de dor ou choque no trajeto de nervos periféricos; • Áreas de dormência ou anestesia nas mãos e pés, especialmente quando há ferimentos ou queimaduras indolores; • Diminuição da força muscular ou paralisias nas mãos, pés e/ou olhos; • Incapacidades físicas adquiridas, visíveis nas mãos, pés e/ou olhos. AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou nas áreas referidas como dormentes AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e motora nas mãos, pés e olhos ACHADOS CLÍNICOS 1 Lesão(ões) e/ou áreas(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ oudolorosa e/ou tátil; e/ou Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas ACHADOS CLÍNICOS 2 Testes de sensibilidade cutânea duvidoso e Avaliação neurológica normal ou inconclusiva ACHADOS CLÍNICOS 3 Comprometimento neural comprovado, com ausência de lesões cutâneas DESCARTADO Exclusão do protocolo Investigar outras causas CASO DE HANSENÍASE DEFINIDO Definir classificação operacional + definir grau de incapacidade física + avaliar a presença de reações hansênicas + notificar no Sinan SOLICITAR BACILOSCOPIA NEGATIVA (IB = 0,0) Encaminhar para avaliação na Atenção Especializada (Fluxograma 2) POSITIVA (IB > 0,0) Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa Hanseníase paucibacilar (PB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 6 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais nervos periféricos comprometidos e/ou baciloscopia positiva Hanseníase multibacilar (MB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 12 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver SEGUIMENTO (PB ou MB) Avaliação clínica mensal + dose supervisionada mensal + ANS trimestral CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB) Confirmação de todas as doses supervisionadas + avaliação clínica + ANS CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB 2,0) OU MB COM SUSPEITA DE PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO FIM DE 12 DOSES DE PQT-U Encaminhar para avaliação de resistência, conforme Fluxograma 5 ou 6 7 3. Definição de Caso de Hanseníase Segundo o Ministério da Saúde3, um caso de hanseníase apresenta pelo menos um ou mais dos seguintes critérios ou sinais cardinais da infecção: Na Atenção Primária, a pessoa pode procurar atendimento devido ao aparecimento de algum sinal e/ou sintoma suspeito de hanseníase, por exemplo: formigamento nas mãos e nos pés ou qualquer um dos sinais e sintomas listados no fluxograma 1. Qual deve ser o procedimento? Em primeiro lugar devem ser aplicados os sinais cardinais definidos pelo Ministério da Saúde. Na sequência, deve ser feito o exame físico completo da pele pois os sinais cardinais só podem ser aplicados para o caso em análise após a realização do exame físico e avaliação neurológica. Voltemos ao Fluxograma 1, mas desta vez dando ênfase à parte central: 1 2 3 Lesão (ou lesões) e/ou áreas(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ou dolorosa e/ou tátil Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas Presença do M. leprae, confirmada na baciloscopia de esfregaço intradérmico ou na biópsia de pele 8 CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE (INDIVÍDUO NÃO CONTACTANTE) • Lesões de pele esbranquiçadas e/ou avermelhadas persistentes, com diminuição de sensibilidade, da sudorese e/ou dos pelos; • Áreas de pele com diminuição de sensibilidade, da sudorese e/ou dos pelos; • Infiltração ou nódulos na face e pavilhões auriculares;obstrução e/ou sangramento nasal persistente; • Queixas de dormência ou formigamento, sensação de agulhadas, nas mãos e/ou nos pés; • Hipersensibilidade ou sensação de dor ou choque no trajeto de nervos periféricos; • Áreas de dormência ou anestesia nas mãos e pés, especialmente quando há ferimentos ou queimaduras indolores; • Diminuição da força muscular ou paralisias nas mãos, pés e/ou olhos; • Incapacidades físicas adquiridas, visíveis nas mãos, pés e/ou olhos. AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou nas áreas referidas como dormentes AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e motora nas mãos, pés e olhos ACHADOS CLÍNICOS 1 Lesão(ões) e/ou áreas(s) da pele com alteração de sensibilidade térmica e/ oudolorosa e/ou tátil; e/ou Espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas ACHADOS CLÍNICOS 2 Testes de sensibilidade cutânea duvidoso e Avaliação neurológica normal ou inconclusiva ACHADOS CLÍNICOS 3 Comprometimento neural comprovado, com ausência de lesões cutâneas DESCARTADO Exclusão do protocolo Investigar outras causas CASO DE HANSENÍASE DEFINIDO Definir classificação operacional + definir grau de incapacidade física + avaliar a presença de reações hansênicas + notificar no Sinan SOLICITAR BACILOSCOPIA NEGATIVA (IB = 0,0) Encaminhar para avaliação na Atenção Especializada (Fluxograma 2) POSITIVA (IB > 0,0) Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa Hanseníase paucibacilar (PB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 6 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais nervos periféricos comprometidos e/ou baciloscopia positiva Hanseníase multibacilar (MB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 12 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver SEGUIMENTO (PB ou MB) Avaliação clínica mensal + dose supervisionada mensal + ANS trimestral CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB) Confirmação de todas as doses supervisionadas + avaliação clínica + ANS CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB 2,0) OU MB COM SUSPEITA DE PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO FIM DE 12 DOSES DE PQT-U Encaminhar para avaliação de resistência, conforme Fluxograma 5 ou 6 9 Caso persista alguma dúvida diagnóstica, deve ser solicitada a baciloscopia de raspado intradérmico. Tais dúvidas podem ocorrer: Observe agora o Fluxograma 2 com os casos suspeitos referenciados pela APS para a Atenção Especializada. a. b. Quando o teste de sensibilidade cutânea é duvidoso e a avaliação neurológica simplificada é normal ou inconclusiva (Fluxograma 1, achados clínicos 2), ou Quando ocorre o acometimento neural comprovado, mas sem lesões cutâneas (Fluxograma 1, achados clínicos 3). Caso a baciloscopia seja positiva pelo encontro dos bacilos (índice bacilar > 0,0), então será confirmada a hanseníase. Porém, se a baciloscopia for negativa, a pessoa deve ser referenciada à Atenção Especializada2. 10 Encaminharpara avaliação na Atenção Especializada (Fluxograma2) Encaminhar para avaliação na Atenção Especializada (Fluxograma 2) CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE REFERENCIADO PELA APS AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou nas áreas referidas como dormentes AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e motora nas mãos, pés e olhos Solicitar exames complementares, se necessário (biópsia e exame histopatológico de pele e/ ou de nervos periféricos; eletroneuromiografia; ultrassonografia de nervos periféricos) Confirma um caso de hanseníase? DESCARTADOCONFIRMADO Exclusão do protocolo Investigar outras causasCASO DE HANSENÍASE DEFINIDO Definir classificação operacional + definir grau de incapacidade física + avaliar a presença de reações hansênicas + notificar no Sinan CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO NA APS Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa Hanseníase paucibacilar (PB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 6 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais nervos periféricos comprometidos e/ou baciloscopia positiva Hanseníase multibacilar (MB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 12 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver SEGUIMENTO (PB ou MB) Avaliação clínica mensal + dose supervisionada mensal + ANS trimestral CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB) Confirmação de todas as doses supervisionadas + avaliação clínica + ANS CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB 2,0) OU MB COM SUSPEITA DE PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO FIM DE 12 DOSES DE PQT-U Encaminhar para avaliação de resistência, conforme Fluxograma 5 ou 6 Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 128)2. | Fluxograma 2. Diagnóstico de caso de hanseníase na Atenção Especializada 11 A Atenção Especializada é o onde os casos duvidosos são submetidos aos exames complementares para a elucidação diagnóstica. Dentre tais exames, destacam-se biópsias das áreas e/ou lesões cutâneas e/ou nervos periféricos suspeitos para estudo histopatológico e eletroneuromiografia e ultrassom de nervos periféricos. Na elucidação diagnóstica, o paciente deve ser contrarreferenciado à Atenção Primária para tratamento e acompanhamento de caso de hanseníase2. Até 5 lesões de pele e bacilos Hanseníase pauc CONFIRMADO CASO DE HANSENÍASE DEFINIDO Definir classificação operacional + definir grau de incapacidade física + avaliar a presença de reações hansênicas + notificar no Sinan CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO NA APS 4. Classificação Operacional A partir de 1986, com o objetivo de facilitar o tratamento da hanseníase, particularmente nas áreas com menos acesso aos recursos de saúde, a OMS subdividiu a hanseníase em casos paucibacilares e casos multibacilares4. A hanseníase paucibacilar é aquela na qual estão presentes até cinco lesões cutâneas e baciloscopia de raspado intradérmico negativa, e a hanseníase multibacilar é aquela que apresenta acima de cinco lesões cutâneas e/ou baciloscopia de raspado intradérmico positiva5. No Fluxograma 2, podemos observar que, depois da definição de caso, é necessário fazer a classificação operacional para então iniciar o tratamento farmacológico. 12 CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE REFERENCIADO PELA APS AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou nas áreas referidas como dormentes AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e motora nas mãos, pés e olhos Solicitar exames complementares, se necessário (biópsia e exame histopatológico de pele e/ ou de nervos periféricos; eletroneuromiografia; ultrassonografia de nervos periféricos) Confirma um caso de hanseníase? DESCARTADOCONFIRMADO Exclusão do protocolo Investigar outras causasCASO DE HANSENÍASE DEFINIDO Definir classificação operacional + definir grau de incapacidade física + avaliar a presença de reações hansênicas + notificar no Sinan CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E ACOMPANHAMENTO NA APS Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa Hanseníase paucibacilar (PB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 6 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais nervos periféricos comprometidos e/ou baciloscopia positiva Hanseníase multibacilar (MB) Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS PQT-U por 12 meses + Tratamento de reações hansênicas, se houver SEGUIMENTO (PB ou MB) Avaliação clínica mensal + dose supervisionada mensal + ANS trimestralCRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB) Confirmação de todas as doses supervisionadas + avaliação clínica + ANS CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB 2,0) OU MB COM SUSPEITA DE PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO FIM DE 12 DOSES DE PQT-U Encaminhar para avaliação de resistência, conforme Fluxograma 5 ou 6 Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 128)2. | Fluxograma 2. Diagnóstico de caso de hanseníase na Atenção Especializada 13 Em relação ao acometimento dos nervos periféricos deve-se avaliar o número de nervos afetados: Lembrando que a avaliação dos nervos periféricos deve ser feita de forma cuidadosa e, caso exista dúvidas quanto à alteração de um ou mais nervos periféricos, é prudente o encaminhamento à Atenção Especializada, para que outros exames complementares sejam providenciados, tais como eletroneuromiografia, ultrassom de nervos e biópsia com estudo histopatológico de nervo. Os casos duvidosos em relação à classificação devem receber tratamento multibacilar.2 A avaliação neurológica simplificada (ANS) e os testes de apoio de diagnóstico serão abordados de forma mais detalhada no Módulo 2 deste curso. a. b. Se houver mais de um nervo periférico acometido, apresentando perda ou diminuição da sensibilidade na área responsável pela sua inervação, o caso é definido como multibacilar. Se o paciente tiver apenas um nervo periférico comprometido, desde que a avaliação tenha sido bem feita e afastado o acometimento de outros nervos, trata-se de um caso paucibacilar. Casos que apresentam o comprometimento de apenas um nervo periférico, a OMS prefere rotular também como multibacilar; porém, na literatura brasileira, esta apresentação é consensualmente reconhecida como paucibacilar.1-6 Atenção 14 brasileira, 5. Classificações de Madri e de Ridley & Jopling Além da classificação dos casos de hanseníase proposta pela OMS, existem outras classificações que ajudam no reconhecimento das lesões cutâneas e dos achados neurológicos, associados aos aspectos histopatológicos e baciloscópicos dessas lesões. Rabelo, em 1937, descreveu o conceito de doença espectral para a hanseníase de acordo com a imunidade da pessoa em relação ao bacilo7. A partir desse conceito foram estabelecidas: Nessa classificação foram mantidas as formas clínicas de Madri e foi descrita a subdivisão da forma Dimorfa Tuberculoide (DT), Dimorfa dimorfa (DD) e Dimorfa virchowiana (DV)2,8. O Ministério da Saúde adota a classificação de Madri no diagnóstico clínico das formas clínicas da hanseníase2. Mas, e as formas clínicas? Calma! Ainda não terminamos o Módulo 1. As formas clínicas da hanseníase serão abordadas em nossa aula síncrona, quando vocês terão a oportunidade de interagir com nossos tutores e esclarecer todas as suas dúvidas. 2 a. b. A classificação de Madri (1953), produzida por um grupo de especialistas no Congresso de Madri, que é baseada nas lesões clínicas e neurológicas associadas ao exame físico e aos exames complementares, admitindo as formas polares e opostas (tuberculoide e virchowiana), uma forma interpolar e instável (dimorfa ou borderline) e uma forma inicial (indeterminada)5. A classificação de Ridley & Jopling (1966), que utilizou a classificação de Madri, porém acrescentou os aspectos histopatológicos das lesões, definindo as formas clínicas de acordo com: a frequência e a distribuição de células vacuoladas, células epitelioides, células gigantes, linfócitos e fibroblastos; e a presença de infiltração em ramos nervosos, o infiltrado na faixa subepidérmica, a presença de globias e o índice baciloscópico no fragmento de biópsia. 1 15 Síntese da aula O conhecimento dos fluxogramas 1 e 2 do PCDT são fundamentais para a padronização do atendimento em paciente com suspeita clínica de hanseníase, facilitando a prática clínica dos profissionais da linha de frente e fortalecendo as ações da Atenção Primária à Saúde. O diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais para o combate à doença, portanto é extremamente importante reforçar os conhecimentos abordados nesta aula a fim de definir o caso, classificar o paciente e estabelecer a conduta terapêutica adequada, ou, quando for necessário, referenciar o paciente para atendimento especializado. Referências 16 1. World Health Organization (WHO). WHO Expert Committee on Leprosy. World Health Organ. Tech. Rep. Ser. 2012;968:1-61. 2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2022. 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretrizes para vigilância, atenção e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2016 [acesso em 08 de Agosto de 2024]. Disponível em: https://portal.saude. pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_ manual_- _3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf. 4. World Health Organization (WHO). Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of leprosy. New Delhi: World Health Organization, Regional Office for South- East Asia; 2017 [acesso 08 de Agosto de 2024]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/ bitstream/handle/10665/274127/9789290226383-eng.pdf?ua=1. 5. Talhari S, Penna GO, Gonçalves HS, De Oliveira MLW. Hanseníase. 5ª ed. Rio de Janeiro: DiLivros; 2015. 6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia prático sobre a hanseníase. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2017 [acesso em 08 de Agosto de 2024]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_hanseniase.pdf. 7. Rabello FE. A clinico-epidemiological classification of the forms of leprosy. Int J Lepr other Mycobact Dis. 1937;5(3):343-56. 8. Ridley DS, Jopling WH. Classification of leprosy according to immunity: a five-group system. Int J Lepr other Mycobact Dis. 1966;34(3):255-73. https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf https://apps.who.int/iris/%20bitstream/handle/10665/274127/9789290226383-eng.pdf?ua=1 https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_hanseniase.pdf 17