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Capacitação em
Hanseníase
Implementação do Protocolo Clínico e
Diretrizes Terapêuticas (PCDT)
Aspectos imunológicos e
clínicos da hanseníase
Módulo 1
Aula 03
Aspectos clínicos
da hanseníase
Ementa da aula
Nesta aula, serão descritos os principais aspectos clínicos da hanseníase, a fim de facilitar
abordagem ao paciente. Esta aula também buscará integrar os conteúdos abordados na aula anterior
(Aula 2 — Introdução e aspectos imunológicos da hanseníase) para relacionar os aspectos
imunológicos e clínicos da doença. Serão trabalhados ainda os conceitos de suspeição diagnóstica e
definição de caso, assim como a classificação operacional proposta pela Organização Mundial da
Saúde (OMS).
• Conhecer os conceitos de suspeição
diagnóstica e a definição de caso de
hanseníase;
• Entender a classificação operacional da
hanseníase.
Objetivos de aprendizagem Ao final desta aula, você será capaz de:
3
Sumário
1. Introdução 5
2. Suspeição Diagnóstica 6
3. Definição de Caso de Hanseníase 8
4. Classificação Operacional 12
5. Classificação de Madri e de Ridley & Jopling 15
Síntese da aula 16
Referências 16
4
Essas perguntas serão abordadas nesta aula. Então, vamos continuar juntos aprimorando seus 
conhecimentos.
Quando devemos suspeitar 
de um caso de hanseníase?
Quando aventamos a hipótese, 
como posso definir o caso?
E depois, o que devo fazer?
Quando referenciar para 
um centro especializado?
1. Introdução
Prezado(a) aluno(a), seja muito bem-vindo novamente.
Nesta terceira aula do Módulo 1 do curso, abordaremos os principais aspectos clínicos
conceituais da hanseníase, deixando o estudo das formas clínicas propriamente para a aula 5
(síncrona).
5
2. Suspeição Diagnóstica
A hanseníase se apresenta sob variado
espectro clínico, determinado pela interação
entre o Mycobacterium leprae (M. leprae) e a
resposta imunológica da pessoa infectada,
podendo evoluir para a neuropatia periférica
e, consequentemente, para as
suas sequelas. Portanto, é fundamental que
os profissionais de saúde conheçam esses
aspectos.
De acordo com o 8º Relatório do Comitê de
Especialistas em Hanseníase da OMS,
publicado em 20121, e o PCDT de hanseníase2,
um caso suspeito de hanseníase pode ser
definido como uma pessoa que apresenta um
dos seguintes sinais e sintomas da infecção:
Manchas hipocrômicas ou 
eritematosas na pele
1
Perda ou diminuição da sensibilidade
em mancha(s) da pele
2
Dormência ou formigamento de 
mãos/pés
3
Dor ou hipersensibilidade 
nos nervos
4
Edema ou nódulos na face ou 
nos lóbulos de orelhas
5
Ferimentos ou queimaduras 
indolores nas mãos ou nos pés
6
Na presença de um ou mais sinais e sintomas
deve-se coletar a história clínica sobre o
tempo desses eventos, interrogar a existência
de convívio frequente da pessoa com outras
que apresentam a mesma queixa, qual o local
de origem e de residência da pessoa e o
tempo de moradia nesses locais2.
Na sequência, deve ser feito o exame físico da
pessoa com suspeita de hanseníase, que
consiste no exame visual de toda a pele (em
ambiente com iluminação adequada), palpação
dos principais nervos periféricos acometidos
pela infecção, além de testes de sensibilidade
nas lesões cutâneas e nas áreas dos sintomas
neurológicos, e observar os olhos, as mãos e
os pés2.
Na persistência da dúvida diagnóstica de
hanseníase, a pessoa deve ser encaminhada
da Atenção Primária para avaliação na
Atenção Especializada2.
Observe o Fluxograma 1, reproduzido do
PCDT2. Na parte superior são listados os
critérios de suspeição diagnóstica e dar
continuidade ao fluxo de atendimento.
6
Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 127)2.
| Fluxograma 1. Diagnóstico e tratamento da hanseníase na Atenção Primária à Saúde
CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE (INDIVÍDUO NÃO CONTACTANTE)
• Lesões de pele esbranquiçadas e/ou avermelhadas
persistentes, com diminuição de sensibilidade, da
sudorese e/ou dos pelos;
• Áreas de pele com diminuição de sensibilidade, da
sudorese e/ou dos pelos;
• Infiltração ou nódulos na face e pavilhões auriculares;
obstrução e/ou sangramento nasal persistente;
• Queixas de dormência ou formigamento, sensação de
agulhadas, nas mãos e/ou nos pés;
• Hipersensibilidade ou sensação de dor ou choque no
trajeto de nervos periféricos;
• Áreas de dormência ou anestesia nas mãos e pés,
especialmente quando há ferimentos ou queimaduras
indolores;
• Diminuição da força muscular ou paralisias nas
mãos, pés e/ou olhos;
• Incapacidades físicas adquiridas, visíveis nas mãos, pés
e/ou olhos.
AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA
Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da 
sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou 
nas áreas referidas como dormentes
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e
motora nas mãos, pés e olhos
ACHADOS CLÍNICOS 1
Lesão(ões) e/ou áreas(s) da
pele com alteração de 
sensibilidade térmica e/ 
oudolorosa e/ou tátil; e/ou 
Espessamento de nervo 
periférico, associado a
alterações sensitivas e/ou 
motoras e/ou autonômicas
ACHADOS CLÍNICOS 2
Testes de sensibilidade 
cutânea duvidoso e Avaliação
neurológica normal
ou inconclusiva
ACHADOS CLÍNICOS 3
Comprometimento 
neural comprovado, 
com ausência de 
lesões cutâneas
DESCARTADO
Exclusão do 
protocolo
Investigar outras 
causas
CASO DE 
HANSENÍASE 
DEFINIDO
Definir classificação
operacional + definir grau de 
incapacidade física + avaliar a
presença de reações
hansênicas + notificar no Sinan
SOLICITAR BACILOSCOPIA
NEGATIVA 
(IB = 0,0)
Encaminhar para 
avaliação na Atenção
Especializada
(Fluxograma 2)
POSITIVA 
(IB > 0,0)
Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa
Hanseníase paucibacilar (PB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª 
linha na APS
PQT-U por 6 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se 
houver
Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais 
nervos periféricos comprometidos e/ou 
baciloscopia positiva
Hanseníase multibacilar (MB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS
PQT-U por 12 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
SEGUIMENTO (PB ou MB)
Avaliação clínica mensal + dose 
supervisionada mensal + ANS 
trimestral
CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB)
Confirmação de todas as doses 
supervisionadas + avaliação 
clínica + ANS
CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB
2,0) OU MB COM SUSPEITA DE
PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO
FIM DE 12 DOSES DE PQT-U
Encaminhar para avaliação de resistência, 
conforme Fluxograma 5 ou 6
7
3. Definição de Caso de Hanseníase
Segundo o Ministério da Saúde3, um caso de hanseníase apresenta pelo menos um ou mais dos
seguintes critérios ou sinais cardinais da infecção:
Na Atenção Primária, a pessoa pode procurar atendimento devido ao aparecimento de algum sinal e/ou
sintoma suspeito de hanseníase, por exemplo: formigamento nas mãos e nos pés ou qualquer um dos
sinais e sintomas listados no fluxograma 1.
Qual deve ser o procedimento?
Em primeiro lugar devem ser aplicados os sinais cardinais definidos pelo Ministério da Saúde. Na
sequência, deve ser feito o exame físico completo da pele pois os sinais cardinais só podem ser
aplicados para o caso em análise após a realização do exame físico e avaliação neurológica.
Voltemos ao Fluxograma 1, mas desta vez dando ênfase à parte central:
1 2 3
Lesão (ou lesões) e/ou 
áreas(s) da pele com
alteração de 
sensibilidade térmica 
e/ou dolorosa
e/ou tátil
Espessamento de 
nervo periférico, 
associado a 
alterações sensitivas 
e/ou motoras e/ou 
autonômicas
Presença do M. leprae, 
confirmada na 
baciloscopia de 
esfregaço intradérmico 
ou na biópsia de pele
8
CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE (INDIVÍDUO NÃO CONTACTANTE)
• Lesões de pele esbranquiçadas e/ou avermelhadas
persistentes, com diminuição de sensibilidade, da
sudorese e/ou dos pelos;
• Áreas de pele com diminuição de sensibilidade, da
sudorese e/ou dos pelos;
• Infiltração ou nódulos na face e pavilhões auriculares;obstrução e/ou sangramento nasal persistente;
• Queixas de dormência ou formigamento, sensação de
agulhadas, nas mãos e/ou nos pés;
• Hipersensibilidade ou sensação de dor ou choque no
trajeto de nervos periféricos;
• Áreas de dormência ou anestesia nas mãos e pés,
especialmente quando há ferimentos ou queimaduras
indolores;
• Diminuição da força muscular ou paralisias nas
mãos, pés e/ou olhos;
• Incapacidades físicas adquiridas, visíveis nas mãos, pés
e/ou olhos.
AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA
Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação da 
sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de pele e/ou 
nas áreas referidas como dormentes
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e
motora nas mãos, pés e olhos
ACHADOS CLÍNICOS 1
Lesão(ões) e/ou áreas(s) da
pele com alteração de 
sensibilidade térmica e/ 
oudolorosa e/ou tátil; e/ou 
Espessamento de nervo 
periférico, associado a
alterações sensitivas e/ou 
motoras e/ou autonômicas
ACHADOS CLÍNICOS 2
Testes de sensibilidade 
cutânea duvidoso e Avaliação
neurológica normal
ou inconclusiva
ACHADOS CLÍNICOS 3
Comprometimento 
neural comprovado, 
com ausência de 
lesões cutâneas
DESCARTADO
Exclusão do 
protocolo
Investigar outras 
causas
CASO DE 
HANSENÍASE 
DEFINIDO
Definir classificação
operacional + definir grau de 
incapacidade física + avaliar a
presença de reações
hansênicas + notificar no Sinan
SOLICITAR BACILOSCOPIA
NEGATIVA 
(IB = 0,0)
Encaminhar para 
avaliação na Atenção
Especializada
(Fluxograma 2)
POSITIVA 
(IB > 0,0)
Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa
Hanseníase paucibacilar (PB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na 
APS
PQT-U por 6 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais 
nervos periféricos comprometidos e/ou 
baciloscopia positiva
Hanseníase multibacilar (MB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS
PQT-U por 12 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
SEGUIMENTO (PB ou MB)
Avaliação clínica mensal + dose 
supervisionada mensal + ANS 
trimestral
CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB)
Confirmação de todas as doses 
supervisionadas + avaliação 
clínica + ANS
CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB
2,0) OU MB COM SUSPEITA DE
PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO
FIM DE 12 DOSES DE PQT-U
Encaminhar para avaliação de resistência, 
conforme Fluxograma 5 ou 6
9
Caso persista alguma dúvida diagnóstica, deve ser solicitada a baciloscopia de raspado intradérmico.
Tais dúvidas podem ocorrer:
Observe agora o Fluxograma 2 com os casos suspeitos referenciados pela APS para a Atenção
Especializada.
a. b.
Quando o teste de sensibilidade
cutânea é duvidoso e a avaliação
neurológica simplificada é normal
ou inconclusiva (Fluxograma 1,
achados clínicos 2), ou
Quando ocorre o acometimento
neural comprovado, mas sem lesões
cutâneas (Fluxograma 1, achados
clínicos 3).
Caso a baciloscopia seja positiva pelo encontro dos bacilos (índice bacilar > 0,0), então será
confirmada a hanseníase. Porém, se a baciloscopia for negativa, a pessoa deve ser referenciada à
Atenção Especializada2.
10
Encaminharpara avaliação
na Atenção Especializada
(Fluxograma2)
Encaminhar para avaliação
na Atenção Especializada
(Fluxograma 2)
CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE REFERENCIADO PELA APS
AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA
Inspeção da pele em toda a superfície corporal 
Avaliação da sensibilidade (térmica, dolorosa e
tátil) nas lesões de pele e/ou nas áreas referidas 
como dormentes
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e
motora nas mãos, pés e olhos
Solicitar exames complementares, se necessário 
(biópsia e exame histopatológico de pele e/
ou de nervos periféricos; eletroneuromiografia; 
ultrassonografia de nervos periféricos)
Confirma um caso de hanseníase?
DESCARTADOCONFIRMADO
Exclusão do 
protocolo
Investigar outras 
causasCASO DE HANSENÍASE DEFINIDO
Definir classificação operacional + definir grau de 
incapacidade física + avaliar a presença de reações 
hansênicas + notificar no Sinan
CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E
ACOMPANHAMENTO NA APS
Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa
Hanseníase paucibacilar (PB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na 
APS
PQT-U por 6 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais 
nervos periféricos comprometidos e/ou 
baciloscopia positiva
Hanseníase multibacilar (MB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS
PQT-U por 12 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
SEGUIMENTO (PB ou MB)
Avaliação clínica mensal + dose 
supervisionada mensal + ANS trimestral
CRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB)
Confirmação de todas as doses 
supervisionadas + avaliação 
clínica + ANS
CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB
2,0) OU MB COM SUSPEITA DE
PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO
FIM DE 12 DOSES DE PQT-U
Encaminhar para avaliação de resistência, 
conforme Fluxograma 5 ou 6
Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 128)2.
| Fluxograma 2. Diagnóstico de caso de hanseníase na Atenção Especializada
11
A Atenção Especializada é o onde os casos duvidosos são submetidos aos exames
complementares para a elucidação diagnóstica. Dentre tais exames, destacam-se biópsias das
áreas e/ou lesões cutâneas e/ou nervos periféricos suspeitos para estudo histopatológico e
eletroneuromiografia e ultrassom de nervos periféricos. Na elucidação diagnóstica, o paciente deve
ser contrarreferenciado à Atenção Primária para tratamento e acompanhamento de caso de
hanseníase2.
Até 5 lesões de pele e bacilos
Hanseníase pauc
CONFIRMADO
CASO DE HANSENÍASE DEFINIDO
Definir classificação operacional + definir grau de 
incapacidade física + avaliar a presença de reações 
hansênicas + notificar no Sinan
CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E
ACOMPANHAMENTO NA APS
4. Classificação Operacional
A partir de 1986, com o objetivo de facilitar o
tratamento da hanseníase, particularmente nas
áreas com menos acesso aos recursos de saúde,
a OMS subdividiu a hanseníase em casos
paucibacilares e casos multibacilares4.
A hanseníase paucibacilar é aquela na qual
estão presentes até cinco lesões cutâneas e
baciloscopia de raspado intradérmico negativa,
e a hanseníase multibacilar é aquela que
apresenta acima de cinco lesões cutâneas
e/ou baciloscopia de raspado intradérmico
positiva5.
No Fluxograma 2, podemos observar que,
depois da definição de caso, é necessário
fazer a classificação operacional para então
iniciar o tratamento farmacológico.
12
CASO SUSPEITO DE HANSENÍASE REFERENCIADO PELA APS
AVALIAÇÃO DERMATOLÓGICA
Inspeção da pele em toda a superfície corporal Avaliação
da sensibilidade (térmica, dolorosa e tátil) nas lesões de
pele e/ou nas áreas referidas como dormentes
AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA
Palpação dos nervos periféricos + avaliação sensitiva e
motora nas mãos, pés e olhos
Solicitar exames complementares, se necessário 
(biópsia e exame histopatológico de pele e/
ou de nervos periféricos; eletroneuromiografia; 
ultrassonografia de nervos periféricos)
Confirma um caso de hanseníase?
DESCARTADOCONFIRMADO
Exclusão do 
protocolo
Investigar outras 
causasCASO DE HANSENÍASE DEFINIDO
Definir classificação operacional + definir grau de 
incapacidade física + avaliar a presença de reações 
hansênicas + notificar no Sinan
CONTRARREFERENCIAR PARA TRATAMENTO E
ACOMPANHAMENTO NA APS
Até 5 lesões de pele e baciloscopia negativa
Hanseníase paucibacilar (PB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na 
APS
PQT-U por 6 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
Mais de 5 lesões de pele e/ou 2 ou mais 
nervos periféricos comprometidos e/ou 
baciloscopia positiva
Hanseníase multibacilar (MB)
Iniciar tratamento farmacológico de 1ª linha na APS
PQT-U por 12 meses
+ Tratamento de reações hansênicas, se houver
SEGUIMENTO (PB ou MB)
Avaliação clínica mensal + dose 
supervisionada mensal + ANS trimestralCRITÉRIO DE ALTA (PB ou MB)
Confirmação de todas as doses 
supervisionadas + avaliação 
clínica + ANS
CASO NOVO DE HANSENÍASE (IB
2,0) OU MB COM SUSPEITA DE
PERSISTÊNCIA DA INFECÇÃO AO
FIM DE 12 DOSES DE PQT-U
Encaminhar para avaliação de resistência, 
conforme Fluxograma 5 ou 6
Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase (p. 128)2.
| Fluxograma 2. Diagnóstico de caso de hanseníase na Atenção Especializada
13
Em relação ao acometimento dos nervos
periféricos deve-se avaliar o número de
nervos afetados:
Lembrando que a avaliação dos nervos
periféricos deve ser feita de forma cuidadosa e,
caso exista dúvidas quanto à alteração de um ou
mais nervos periféricos, é prudente o
encaminhamento à Atenção Especializada, para
que outros exames complementares sejam
providenciados, tais como eletroneuromiografia,
ultrassom de nervos e biópsia com estudo
histopatológico de nervo. Os casos duvidosos
em relação à classificação devem receber
tratamento multibacilar.2 A avaliação
neurológica simplificada (ANS) e os testes de
apoio de diagnóstico serão abordados de
forma mais detalhada no Módulo 2 deste
curso.
a.
b.
Se houver mais de um nervo
periférico acometido, apresentando
perda ou diminuição da
sensibilidade na área responsável
pela sua inervação, o caso é
definido como multibacilar.
Se o paciente tiver apenas um nervo
periférico comprometido, desde que a
avaliação tenha sido bem feita e
afastado o acometimento de outros
nervos, trata-se de um caso
paucibacilar.
Casos que apresentam o
comprometimento de
apenas um nervo
periférico, a OMS prefere
rotular também como
multibacilar; porém, na
literatura brasileira, esta
apresentação é
consensualmente
reconhecida como
paucibacilar.1-6
Atenção
14
brasileira, 
5. Classificações de Madri 
e de Ridley & Jopling
Além da classificação dos casos de hanseníase
proposta pela OMS, existem outras classificações
que ajudam no reconhecimento das lesões
cutâneas e dos achados neurológicos,
associados aos aspectos histopatológicos e
baciloscópicos dessas lesões.
Rabelo, em 1937, descreveu o conceito de
doença espectral para a hanseníase de
acordo com a imunidade da pessoa em relação
ao bacilo7. A partir desse conceito foram
estabelecidas:
Nessa classificação foram mantidas as formas
clínicas de Madri e foi descrita a subdivisão da
forma Dimorfa Tuberculoide (DT), Dimorfa
dimorfa (DD) e Dimorfa virchowiana (DV)2,8.
O Ministério da Saúde adota a classificação de
Madri no diagnóstico clínico das formas clínicas
da hanseníase2.
Mas, e as formas clínicas?
Calma! Ainda não terminamos o Módulo 1.
As formas clínicas da hanseníase serão
abordadas em nossa aula síncrona, quando
vocês terão a oportunidade de interagir com
nossos tutores e esclarecer todas as suas
dúvidas.
2
a.
b.
A classificação de Madri (1953),
produzida por um grupo de
especialistas no Congresso de
Madri, que é baseada nas lesões
clínicas e neurológicas associadas ao
exame físico e aos exames
complementares, admitindo as formas
polares e opostas (tuberculoide e
virchowiana), uma forma interpolar e
instável (dimorfa ou borderline) e uma
forma inicial (indeterminada)5.
A classificação de Ridley & Jopling
(1966), que utilizou a classificação de
Madri, porém acrescentou os
aspectos histopatológicos das
lesões, definindo as formas clínicas
de acordo com:
a frequência e a distribuição de células
vacuoladas, células epitelioides,
células gigantes, linfócitos e
fibroblastos; e
a presença de infiltração em ramos
nervosos, o infiltrado na faixa
subepidérmica, a presença de globias e
o índice baciloscópico no fragmento
de biópsia.
1
15
Síntese da aula
O conhecimento dos fluxogramas 1 e 2 do PCDT são fundamentais para a padronização do
atendimento em paciente com suspeita clínica de hanseníase, facilitando a prática clínica dos
profissionais da linha de frente e fortalecendo as ações da Atenção Primária à Saúde. O
diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais para o combate à doença, portanto é
extremamente importante reforçar os conhecimentos abordados nesta aula a fim de definir o caso,
classificar o paciente e estabelecer a conduta terapêutica adequada, ou, quando for necessário,
referenciar o paciente para atendimento especializado.
Referências
16
1. World Health Organization (WHO). WHO Expert Committee on Leprosy. World Health Organ.
Tech. Rep. Ser. 2012;968:1-61.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de
Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes
Terapêuticas da Hanseníase. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2022.
3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretrizes para vigilância, atenção
e eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública. Brasília, DF: Ministério da Saúde;
2016 [acesso em 08 de Agosto de 2024]. Disponível em: https://portal.saude.
pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_ manual_-
_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf.
4. World Health Organization (WHO). Guidelines for the diagnosis, treatment and prevention of
leprosy. New Delhi: World Health Organization, Regional Office for South- East Asia; 2017
[acesso 08 de Agosto de 2024]. Disponível em: https://apps.who.int/iris/
bitstream/handle/10665/274127/9789290226383-eng.pdf?ua=1.
5. Talhari S, Penna GO, Gonçalves HS, De Oliveira MLW. Hanseníase. 5ª ed. Rio de Janeiro:
DiLivros; 2015.
6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia prático sobre a hanseníase.
Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2017 [acesso em 08 de Agosto de 2024]. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_hanseniase.pdf.
7. Rabello FE. A clinico-epidemiological classification of the forms of leprosy. Int J Lepr other
Mycobact Dis. 1937;5(3):343-56.
8. Ridley DS, Jopling WH. Classification of leprosy according to immunity: a five-group system. Int J
Lepr other Mycobact Dis. 1966;34(3):255-73.
https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf
https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf
https://portal.saude.pe.gov.br/sites/portal.saude.pe.gov.br/files/diretrizes_para_._eliminacao_hanseniase_-_manual_-_3fev16_isbn_nucom_final_2.pdf
https://apps.who.int/iris/%20bitstream/handle/10665/274127/9789290226383-eng.pdf?ua=1
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_hanseniase.pdf
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