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AULA 1 
JUSTIÇA DO TRABALHO 
Profª Paula Rena Beraldo 
 
 
2 
TEMA 1 – JUSTIÇA DO TRABALHO 
A Justiça do Trabalho é um ramo do Poder Judiciário brasileiro. A sua 
aplicação na sociedade é de ampla notoriedade, posto que grande parte da 
população durante a vida integra uma relação de trabalho, e em havendo conflitos 
nessas relações, busca-se a Justiça do Trabalho na intenção de solucioná-los. 
Interligado a esse conceito, e para que se possa adentrar ao efetivo estudo 
da Justiça do Trabalho, importante uma breve introdução à história do Direito e da 
Justiça do Trabalho. 
Iniciaremos a história quando os trabalhadores não tinham nenhuma 
proteção e chegaremos até a Justiça do Trabalho atual, com suas 
regulamentações específicas que asseguram os direitos trabalhistas. 
Na sociedade pré-industrial, como denominam os doutrinadores, 
predominava a escravidão, na qual não havia um sistema de normas jurídicas que 
regulassem as relações de trabalho. 
Na Idade Média, surgiram as corporações de ofício, nas quais, inobstante 
ainda não existisse uma ordem jurídica estabelecida, ocorreu uma maior liberdade 
do trabalhador. Com a formação de corporações organizadas, cada grupo 
disciplinava as relações de trabalho, como por exemplo entre os artesãos, que se 
agrupavam em uma mesma localidade no mesmo ramo e se organizavam. 
Nesse contexto, encontramos na obra de Amauri Mascaro Nascimento e 
Sônia Mascaro Nascimento maiores detalhes: “Havia três categorias de membros 
das corporações: os mestres, os companheiros e os aprendizes.” (2015, p. 49). 
Os autores complementam que os mestres seriam os donos das oficinas, 
equiparando-se aos empregadores atuais, os companheiros seriam os 
trabalhadores livres, que recebiam salários, pagos pelos mestres e por fim, os 
aprendizes que eram os que recebiam conhecimento, desenvolvendo um ofício. 
Os primeiros registros de relação de trabalho subordinado ocorreram na 
Europa, na Primeira Revolução Industrial, em meados dos séculos XVIII e XIX, 
que fizeram com que o trabalho passasse a ser assalariado e as pessoas 
começaram a integrar um quadro produtivo. O que antes era realizado por uma 
única pessoa, passou a ser produzido numa cadeia produtiva. 
Essa alteração gerou consequências diretas nas relações de trabalho, 
passando com que houvesse maior concentração de pessoas nas 
fábricas/indústrias e desencadeando o êxodo rural (deslocamento das pessoas do 
 
 
3 
campo para a cidade), gerando um aumento populacional nas cidades e ausência 
de estrutura adequada a suportar, gerando uma certa crise/necessidade 
econômica por parte dessas pessoas, que passaram a se sujeitar a condições 
inadequadas e de trabalho excessivo, em prol do recebimento de algum salário, 
que devido às condições, eram habitualmente baixos. 
Não havia, nessa época, nenhuma proteção aos trabalhadores, o que os 
deixava ainda mais fragilizados. 
Contudo, houve certa mobilização por parte dos trabalhadores, que 
começaram a iniciar movimentos buscando um mínimo de direitos à classe 
operária da época. Um dos movimentos iniciais que buscava garantia dos direitos 
ocorreu na Inglaterra e fora o “Cartismo”, que pregava a redução da jornada de 
trabalho com limitação de 10 horas diárias por exemplo. As reivindicações destes 
obtiveram certo êxito, e passaram a ser incluídas na Constituição Inglesa entre os 
anos de 1860 e 1869. 
Segundo dispõe Nascimento e Nascimento em sua obra, a primeira 
constituição do mundo fora a do México, instituída em 1917, que disponha acerca 
de diversos direitos importantes, como a limitação de jornada de trabalho, 
proibição de trabalho por menores de 12 anos, salário-mínimo, entre outros (2015, 
p. 51). 
Em seguida, a Alemanha instituiu direitos trabalhistas em sua constituição, 
no ano de 1919, e a Itália em 1927, através da Carla Del Lavoro. 
No Brasil, a regulamentação de direitos trabalhistas foi adequadamente 
implantada por Getúlio Vargas, com a Constituição de 1934, que dedicou o texto 
do art. 122 à instituição da Justiça do Trabalho, pertencente à época ao Poder 
Executivo, e com o objetivo de julgar conflitos entre empregadores e empregados, 
com a seguinte redação, conforme citação de Jorge Neto e Cavalcante, em sua 
obra Direito Processual do Trabalho: 
Para dirimir questões entre empregadores e empregados, regidas pela 
legislação social, fica instituída a Justiça do trabalho, à qual não se aplica 
o disposto no Capítulo IV do Título I. A constituição dos Tribunais do 
Trabalho e das Comissões de Conciliação obedecerá ao princípio da 
eleição de membros, metade pelas associações representativas dos 
empregados, e metade pelas dos empregadores, sendo o presidente de 
livre nomeação do Governo, escolhido entre pessoas de experiencia e 
notória capacidade moral e intelectual. (2019, p. 16) 
Embora pertencente ao Poder Executivo na era de Getúlio, a Justiça do 
Trabalho ganhou força e regulamentação eficaz, considerando o direito daquele 
período. Tanto que em 1941 fora oficialmente instalada a Justiça do Trabalho no 
 
 
4 
Brasil, composta de 3 (três) instâncias: Juntas de conciliação e julgamento, 
conselhos regionais do trabalho e conselho nacional do trabalho. 
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi instituída em 1943, como 
uma sistematização de leis desta ordem, existente na época, com a 
complementação de novas regras. 
A Justiça do Trabalho somente passou a integrar o Poder Judiciário com a 
Constituição de 1946. 
A estrutura se manteve como instituída, e os juízes eram classistas 
temporários, com mandato de 3 anos, podendo ser prorrogado uma vez. No 
governo do presidente Dutra (Eurico Gaspar), fora publicado o Decreto 
9797/1946, que criou o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e alterou o nome dos 
Conselhos Regionais do Trabalho para Tribunais Regionais do Trabalho (TRT), 
mantendo-se as juntas de conciliação e julgamento. 
Atualmente, a Justiça do Trabalho é composta pelas Varas do Trabalho 
(antigas juntas de conciliação e julgamento), Tribunais Regionais do Trabalho e 
Tribunal Superior do Trabalho, e atende, além das relações empregatícias puras 
(entre empregado e empregador), os conflitos decorrentes de qualquer relação de 
trabalho, a exemplo de autônomos, trabalhadores eventuais, atuando em dissídios 
individuais e coletivos, que serão melhor explicados no decorrer da matéria. 
A Constituição Federal de 1988 trouxe também a implementação no texto 
de alguns direitos trabalhistas fundamentais, vigentes até hoje que amparam a 
aplicação do Direito do Trabalho na Justiça do Trabalho. 
O relevante é que a Justiça do Trabalho é hoje, no Brasil, uma Justiça 
especializada, integrante do Poder Judiciário da União Federal, que atua como 
órgão de atendimento à sociedade e ao bem comum, buscando a pacificação dos 
conflitos trabalhistas, sendo de suma importância a compreensão de sua estrutura 
e funcionamento, que será pontualmente estudado. 
TEMA 2 – ORGANIZAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO 
Como visto na introdução da matéria, os conflitos decorrentes das relações 
trabalhistas são solucionados pela Justiça do trabalho. E para que seja possível 
essa atuação, ela possui uma organização. 
Dessa forma, a Justiça do Trabalho atualmente é dividida em Órgãos, 
conforme disposto no art. 111 da Constituição Federal/1988, com redação da 
Emenda Constitucional 45, de 2004, sendo estes: o Tribunal Superior do Trabalho; 
 
 
5 
os Tribunais Regionais do Trabalho e os Juízes do Trabalho (que atuam 
diretamente nas Varas do Trabalho), órgãos estes que serão objetos de nosso 
estudo. 
Contudo, há ainda outro importante Órgão na Justiça do Trabalho: o 
Ministério Público do Trabalho, cujo estudo é essencial para compreensão de toda 
a organização desta. 
2.1 Varas do Trabalho 
 As Varas do Trabalho são os órgãos da Justiça do Trabalho nas quais 
atuam os Juízes, indicados no inciso III do art. 111 da Constituição Federal de1988. 
 Estas são consideradas órgão de primeiro grau da Justiça do Trabalho e a 
jurisdição de cada vara abrange o território da comarca a qual sedia, podendo ser 
restringida ou estendida por lei federal. A vara do trabalho de uma comarca pode 
ser jurisdicional de diversas cidades, tendo em vista que há critérios legais para 
criação de uma vara do trabalho, dispostos na Lei n. 6947/1981, cuja íntegra fica 
a livre consulta, mas que prevê requisitos a exemplo de uma quantidade mínima 
de empregados na base territorial para criação de uma vara do trabalho, bem 
como a limitação a 100 km de distância da vara a outros Municípios a serem por 
ela abrangidos ou atendidos. 
 A título de exemplificação, podemos observar a Jurisdição de atendimento 
de alguns Municípios do Estado do Paraná, conforme consta disponível para 
consulta no site , senão vejamos: 
 Jurisdição dos Municípios 
MUNICÍPIO DISTÂNCIA 
DA CAPITAL 
POPULAÇÃO JURISDIÇÃO 
TRABALHISTA 
Abatiá 408 10.367 Vara de Bandeirantes 
Adrianópolis 133 7.338 Varas de Curitiba 
Agudos do Sul 070 6.434 Varas de São José dos 
Pinhais 
Almirante Tamandaré 016 71.782 Vara de Colombo 
 
Disponível em: . 
 
 Tendo em vista esta divisão pela quantidade de habitantes, a exemplo da 
Comarca de Curitiba, no ano de 2021, são 23 varas do trabalho ativas. 
 
 
6 
 Cada vara do trabalho é composta por no mínimo um Juiz titular – singular, 
e habitualmente um Juiz substituto, que ingressam na magistratura, através de 
concurso público, ingressando como substituto e podendo ser promovido de 
acordo com o preenchimento dos critérios de antiguidade e merecimento. 
 É comum nas Comarcas com maior número de habitantes que uma vara 
do trabalho tenha mais de um Juiz titular e substituto. 
 O atendimento das varas do trabalho é prestado através das secretarias, 
que são responsáveis pelo recebimento, autuação e gestão dos processos e 
demais documentos dirigidos à vara do trabalho, bem como ao atendimento às 
partes, advogados e suporte aos Juízes. 
2.2 Tribunais Regionais do Trabalho 
Os Tribunais Regionais do Trabalho, ou TRT´s, como usualmente 
denominados na prática trabalhista, são os órgãos de segundo grau da Justiça do 
Trabalho – segunda instância julgadora. Em todo território nacional, temos 24 
Tribunais Regionais do Trabalho, sendo: 
• TRT da 1ª Região – Rio de Janeiro; 
• TRT da 2ª Região – São Paulo; 
• TRT da 3ª Região – Minas Gerais; 
• TRT da 4ª Região – Rio Grande do Sul; 
• TRT da 5ª Região – Bahia; 
• TRT da 6ª Região – Pernambuco; 
• TRT da 7ª Região – Ceará; 
• TRT da 8ª Região – Pará e Amapá; 
• TRT da 9ª Região – Paraná; 
• TRT da 10ª Região – Distrito Federal e Tocantins; 
• TRT da 11ª Região – Amazonas e Roraima; 
• TRT da 12ª Região – Santa Catarina; 
• TRT da 13ª Região – Paraíba; 
• TRT da 14ª Região – Acre e Rondônia; 
• TRT da 15ª Região – São Paulo/Campinas; 
• TRT da 16ª Região – Maranhão; 
• TRT da 17ª Região – Espírito Santo; 
• TRT da 18ª Região – Goiás; 
• TRT da 19ª Região – Alagoas; 
 
 
7 
• TRT da 20ª Região – Sergipe; 
• TRT da 21ª Região – Rio Grande do Norte; 
• TRT da 22ª Região – Piauí; 
• TRT da 23ª Região – Mato Grosso; 
• TRT da 24ª Região – Mato Grosso do Sul. 
Destaca apenas, para melhor identificação, que são 4 os Estados que não 
possuem sede territorial do TRT: Tocantis (integrado ao Distrito Federal 10ª 
Região), Acre (integrado a Rondônia 14ª. Região), Roraima (integrado ao 
Amazonas 11ª Região) e Amapá (integrado ao Pará 8ª Região). 
Os TRT´s possuem regimentos internos que determinam o seu 
funcionamento, e os julgadores são os Desembargadores do Trabalho (juízes de 
segundo grau). 
A promoção a Desembargador ocorre pelo critério de merecimento e 
antiguidade, e estes são ordenados desta forma nos Tribunais, sendo que 
habitualmente o Desembargador mais antigo é nomeado o presidente da Turma 
Julgadora a qual compõe. 
A título de exemplificação, no site do TRT 9ª Região, do Estado do Paraná, 
há uma listagem em ordem de antiguidade no exercício do cargo de 
Desembargador, a qual traz apenas o início, para que se verifique os períodos de 
exercício das funções por eles: 
 
01. LUIZ EDUARDO GUNTHER 
- Exercício como Juiz Substituto: 15/07/1987 
- Exercício como Juiz Titular de Vara: 01/07/1988 
- Exercício como Desembargador do Trabalho: 31/01/1995 
E-mail: gunther_assessoria@trt9.jus.br 
02. ROSEMARIE DIEDRICHS PIMPÃO 
- Exercício como Juíza Substituta: 11/01/1984 
- Exercício como Juíza Titular de Vara: 15/09/1986 
- Exercício como Desembargadora do Trabalho: 11/11/1996 
E-mail: rosedp_assessoria@trt9.jus.br 
Disponível em: 
. 
Os órgãos internos dos Tribunais Regionais são habitualmente: o Tribunal 
Pleno; o órgão especial; a Presidência do Tribunal; a Vice-presidência 
administrativa; a Vice-presidência judicial; a Corregedoria Regional; a Seção 
especializada em dissídios coletivos; as seções especializadas em dissídios 
individuais de competência originária e as turmas julgadoras. 
http://www.trt20.jus.br/
 
 
8 
Os TRT´s possuem competência originária, podendo julgar questões que 
por sua natureza iniciem neles, a exemplo do mandado de segurança, ações 
rescisórias e competência recursal, em decorrência da garantia às partes do 
acesso ao duplo grau de jurisdição, para rever questões processuais através do 
reexame neste grau jurisdicional. 
2.3 Tribunal Superior do Trabalho 
O Tribunal Superior do Trabalho, ou comumente chamado apenas pela 
abreviação TST, é terceiro grau da Justiça do Trabalho e o maior Órgão desta. O 
TST fica sediado na capital do nosso País e sua jurisdição é todo o territorial 
nacional. 
O art. 111-A da Constituição Federal/1988 dispõe acerca da composição 
dos julgadores – 27 Ministros do TST. 
Como órgãos internos do Tribunal Superior do Trabalho, temos: Tribunal 
Pleno; Órgão especial; Seção especializada em Dissídios Coletivos; Seção 
especializada em Dissídios Individuais e as Turmas, cada um destes com suas 
funções conforme determinado no Regimento Interno. 
Em breve síntese, pontuaremos o que compete a cada um desses Órgãos 
para melhor compreensão dessa organização interna. 
O Tribunal Pleno, para que possa atuar, exige-se no mínimo 14 Ministros, 
sendo que para deliberação de casos especiais indicados no Regimento Interno, 
é necessária a maioria absoluta destes e em outros casos, 2/3 dos votos dos 
Ministros, podendo ser consultado maiores detalhes no endereço eletrônico do 
TST – . 
O Órgão especial é composto por 14 integrantes (Ministros), destes, 7 são 
por antiguidade e os outros 7 mediante processo de eleição, havendo ainda 3 
suplentes. Esse órgão tem competência para julgar matéria judiciária e 
administrativa, conforme disposto no Regimento Interno do Tribunal. 
A Seção especializada em Dissídios Coletivos é composta pelo Presidente 
e Vice-Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o Corregedor Geral da 
Justiça do Trabalho e 6 Ministros integrantes da Corte e possui competência 
ordinária e em última instancia para julgamentos, conforme determinação 
constante do Regimento Interno. 
A Seção especializada em Dissídios Individuais é formada pelo Presidente 
e Vice-Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o Corregedor Geral da 
 
 
9 
Justiça do Trabalho e 18 Ministros integrantes da Corte, exigindo-se o mínimo de 
11 Ministros para funcionamento e as aprovações somente ocorrem com voto da 
maioria absoluta dos integrantes da Seção. 
As Turmas são compostas por três Ministros e são presididas sempre pelo 
mais antigo, possuindo competência para julgamento conforme disposto no 
Regimento Interno. 
2.4 Ministério Público do Trabalho 
 O art. 127 da Constituição Federal/1988 dispõe que incumbe ao Ministério 
Público do Trabalho a promoçãoda defesa da ordem jurídica, do regime 
democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 
O doutrinador Gustavo Filipe Barbosa Garcia ao tratar do tema, ressalta 
que: “A atuação do Parquet do Trabalho apresenta relevância diferenciada para o 
bem comum, inclusive por defender os direitos humanos e fundamentais de ordem 
social, pertinentes às relações de trabalho [...]” (2019, p. 137). 
Dessa forma, resta claro que compete ao Ministério Público do Trabalho o 
atendimento de questões as quais necessitem de sua tutela, sendo sua atuação 
disciplinada pelos arts. 127 e 129 da CF/1988, podendo ser esta como parte ou 
na condição de fiscal da lei (custos legis), a exemplo desta última, se manifestar 
em qualquer processo trabalhista que entenda envolver interesse público que 
justifique sua atuação. 
Conclui-se que a principal função deste é a proteção da dignidade da 
pessoa humana no âmbito das relações trabalhistas, contudo, este será objeto de 
estudo em tema específico em nossa matéria. 
TEMA 3 – COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO 
Para que se compreenda a questão da competência da Justiça do 
Trabalho, necessária se faz uma breve exposição acerca do conceito de 
jurisdição. 
Em poucas palavras, Gustavo Felipe Barbosa Garcia define que: “A 
jurisdição, assim, é manifestação do poder do Estado de decidir imperativamente 
e impor as decisões” (2019, p. 161). 
Jorge Neto e Cavalcante referenciam em sua obra que “A jurisdição atua 
quando se tem a violação dos direitos assegurados pelas normas jurídicas (Direito 
 
 
10 
Objetivo) em função de um conflito de interesse, ou seja, pressupõe aplicação da 
lei ao caso concreto” (2019, p. 159). 
Desta forma, podemos dizer que a competência será o exercício pleno da 
jurisdição. Passemos ao estudo pontual da competência da Justiça do Trabalho, 
sobre os critérios de fixação em função dos seguintes elementos: material, 
funcional, territorial e em razão do valor da causa. 
3.1 Previsão constitucional da competência – competência material 
A competência da Justiça do Trabalho está expressamente disposta no art. 
114 da Constituição Federal: 
Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: 
I as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de 
direito público externo e da administração pública direta e indireta da 
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; 
II as ações que envolvam exercício do direito de greve; 
III as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre 
sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; 
IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o 
ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; 
V os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, 
ressalvado o disposto no art. 102, I, o; 
VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes 
da relação de trabalho; 
VII as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos 
empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; 
VIII a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, 
I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que 
proferir; 
IX outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da 
lei. (Brasil, 1988) 
Podemos observar que a definição da competência da Justiça do Trabalho 
disposta no inciso I do art. 114 da CF/1988 é estabelecida em razão da matéria, 
ações advindas das relações de trabalho. 
Jorge Neto e Cavalcante concluem que: 
Diante da nova redação do art. 114, CF, a Justiça do Trabalho tem 
competência material para conhecer, instruir e julgar toda e qualquer 
relação de trabalho, em que o prestador dos serviços é uma pessoa 
natural, tendo por objeto a atividade pessoal, subordinada ou não, 
eventual ou não, e que é remunerada (ou não) por uma outra pessoa 
natural ou pessoa jurídica. (2019, p. 167) 
 A definição de relação de trabalho está posta, e por não ser o objetivo 
principal da matéria em questão, resta a indicação de um aprofundamento com a 
análise mais ampla acerca do próprio conceito da relação de trabalho e sua 
abrangência. 
 
 
11 
3.2 Competência funcional 
 A competência funcional refere-se ao estabelecimento da competência 
interna de cada ramo do Poder Judiciário, de acordo com as funções exercidas 
pelo juízo ou tribunal. 
 Essa competência tem natureza absoluta, ou seja, é fundada em fatores de 
ordem pública, podendo ser conhecida de ofício pelo Juiz. 
 O grande destaque dessa competência é a hierarquia, seguindo os graus 
de jurisdição da Justiça do Trabalho. Ou seja, habitualmente, as demandas são 
ajuizadas perante as varas do trabalho, primeiro grau de jurisdição, sendo que os 
Tribunais (segundo grau de jurisdição) somente irão possuir competência 
originária para ajuizamento de ação quando houver expressa previsão legal neste 
sentido, a exemplo dos mandados de segurança em alguns casos ou ainda em 
dissídios coletivos de trabalho (previstos nos arts. 678 e 856 da Consolidação das 
Leis Trabalhistas). 
3.3 Competência territorial 
 A competência territorial é definida em razão do lugar onde deve ser 
ajuizada a ação. 
 O art. 651 da Consolidação das Leis Trabalhistas dispõe que a 
competência territorial é fixada pelo local da prestação de serviços e tendo o 
empregado laborado em diversas localidades, a competência territorial será a do 
último local da prestação de serviços. Se tiver o labor ocorrido concomitantemente 
em diversas localidades, a ação poderá ser ajuizada em qualquer uma delas. 
 Um detalhe importante, inobstante relacionado à questão processual é que, 
por ser a competência territorial, via de regra, relativa (não pode ser reconhecida 
de ofício), caso se entenda (o Reclamado-réu) que a competência territorial do 
local do ajuizamento da ação está errada, deverá ser oposta exceção de 
incompetência territorial em peça processual autônoma, em cinco dias a contar 
da citação, conforme disposto nos arts. 799 e 800 da CLT. 
 
 
 
12 
3.4 Competência em razão do valor da causa 
 O valor da causa, valor do pedido perante a Justiça do Trabalho é outro 
elemento determinante da competência. 
 Este é um elemento aplicável aos dissídios individuais trabalhistas como 
fator determinante para que se observe o procedimento a ser seguido, além da 
possibilidade de interposição de recurso para o segundo grau recursal. 
 Os procedimentos definidos pelo valor da causa são os seguintes: 
• Procedimento sumário, sendo aplicadas as demandas trabalhistas cujo 
valor do pedido seja igual ou menor do que 2 (dois) salários-mínimos 
nacionais. Esse rito processual costuma ser mais célere, contudo, não 
admite interposição de recurso à instancia superior, à exceção de 
discussão de matéria constitucional. Na prática, é um rito pouco utilizado. 
• Procedimento sumaríssimo, aplicado às demandas trabalhistas cujo valor 
do pedido seja igual ou menor do que 40 (quarenta) salários-mínimos 
nacionais, conforme disposto e regulamentado no art. 852-A da CLT, 
estando vetada a aplicação em demandas trabalhistas em face da 
administração pública direta, a autárquica e a administração funcional (art. 
852-A, parágrafo único). Nesse procedimento, é cabível a interposição de 
recurso ao Tribunal Regional do Trabalho. Já a interposição de recurso ao 
Tribunal Superior do Trabalho (3ª Instancia recursal) é limitada aos casos 
dispostos no art. 896, parágrafo 9º da CLT: por contrariedade à súmula de 
jurisprudência uniforme do Tribunal Superior do Trabalho ou à súmula 
vinculante do Supremo Tribunal Federal e por violação direta da 
Constituição Federal. 
• Procedimento ordinário, aplicado às causas com valor do pedido superior 
a 40 (quarenta) salários-mínimos nacionais. É o rito mais utilizado perante 
a Justiça do Trabalho, pelo fato de admitir valor maior queos demais, bem 
como não haver limitações das esferas recursais, podendo ser interpostos 
os recursos competentes que se entender necessário de acordo com as 
previsões legais para tanto. 
3.5 Conflito competência 
Conforme estudado, diversos são os elementos definidores da 
competência perante a Justiça do Trabalho. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
 
 
13 
Pode ocorrer, contudo, que se instale o conflito de competência, quando se 
verificar que dois ou mais juízes teriam competência para atuar no feito ou ainda 
sejam incompetentes para tanto, sendo a forma de conduzi-lo processualmente 
disposta nos arts. 803 e seguintes da CLT. 
Esta pode ser alegada ou suscitada, tecnicamente tratando, pelas partes, 
pelo Juiz ou ainda pelo Ministério Público, na forma disposta no art. 805 da CLT, 
cabendo a quem alegou a prova da existência do conflito, art. 807 CLT. 
Após os trâmites legais, eliminada a discussão, será definido o Juízo para 
tramitação do processo trabalhista. 
TEMA 4 – PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS 
Os princípios são fundamentais ao Direito como um todo. Na Justiça do 
Trabalho, os princípios possuem uma função integrativa e diretiva. 
A função integrativa em virtude da disposição do art. 8º da CLT, senão 
vejamos: 
As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de 
disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela 
jurisprudência, por analogia, por eqüidade e outros princípios e normas 
gerais de direito, principalmente do direito do trabalho, e, ainda, de 
acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de 
maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre 
o interesse público. (Brasil, 1943) 
Os princípios sob esse prisma atuam como um complemento do 
ordenamento jurídico, devendo ser aplicado na falta de disposições legais ou 
contratuais. 
Com relação à função diretiva dos princípios, pelo simples fato de que estes 
não podem sofrer imposição de legislação infraconstitucional, sendo prevalente. 
São muitos os princípios existentes no mundo jurídico, e com relação aos 
princípios constitucionais aplicados à Justiça do Trabalho, há certa divergência 
entre os doutrinadores, contudo, passemos ao estudo pontual dos princípios 
constitucionais aplicados à Justiça do Trabalho mais destacados na Doutrina. 
4.1 Princípio do Juiz Natural 
Este princípio está previsto no art. 5º, inciso LIII da CF/1988: “ninguém será 
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente” (Brasil, 1988), 
assegurando assim que o processo seja julgado por autoridade competente. 
 
 
14 
4.2 Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional 
O inciso XXXV do art. 5º da CF/1988 assim dispõe: “XXXV - a lei não 
excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito” (Brasil, 
1988). 
Nas palavras de Jorge Neto e Cavalcante: “O principal destinatário deste 
princípio é o legislador, visto que não mais se pode impedir que o cidadão tenha 
acesso ao Judiciário para a proteção dos seus direitos e interesses” (2019, p. 84). 
Essa obrigação do controle jurisdicional está diretamente vinculada ao 
princípio do acesso à justiça, que se traduz no direito constitucional da ação, 
desde que na prática restem presentes as condições da ação e os pressupostos 
processuais. 
4.3 Princípio do contraditório e ampla defesa 
 O art. 5º inciso LV da CF/1988 assim prevê: “aos litigantes, em processo 
judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o 
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes” (Brasil, 
1988). 
 Esse princípio nada mais é do que segurança das partes envolvidas em 
uma lide processual, de que serão ouvidas e poderão se manifestar no decorrer 
do trâmite processual, permitindo impugnações as decisões que contrariem seus 
interesses processuais, bem como participem da produção de provas. 
4.4 Princípios do devido processo legal 
Segundo o art. 5º inciso LIV: “ninguém será privado da liberdade ou de seus 
bens sem o devido processo legal” (Brasil, 1988). 
De forma objetiva, esse princípio assegura que a parte deverá ter um 
processo judicial de acordo com as normas que o regulam, garantindo assim 
segurança jurídica. 
4.5 Princípio publicidade dos atos processuais e motivação das decisões 
 O art. 93, IX da CF/1988 prevê esses dois princípios: 
Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei 
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus 
 
 
15 
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do 
direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse 
público à informação. (Brasil, 1988) 
 O princípio da publicidade nada mais é do que a segurança de que serão 
tornados públicos todos os atos processuais, possibilitando a intervenção das 
partes e advogados, bem como garantia da participação em audiências e sessões 
de julgamento a exceção dos processos em segredo de justiça. 
 O princípio da motivação das decisões, por sua vez, garante que as 
decisões judiciais deverão ser fundamentadas sob pena de nulidade. Isso significa 
que o julgador não pode simplesmente decidir sem justificar suas razões. 
4.6 Princípio da razoável duração do processo 
Assegurado pelo texto do art. 5º, inciso LXXVIII da CF: “a todos, no âmbito 
judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os 
meios que garantam a celeridade de sua tramitação” (Brasil, 1988), garante que 
o processo deve ter uma solução em prazo razoável, com celeridade. 
4.7 Princípio da Igualdade 
 A respeito desse princípio, leciona Jorge Neto e Cavalcante: “No campo do 
direito processual, em função do disposto no art. 5º., CF, deriva o princípio da 
igualdade processual, isto é, os litigantes e os seus advogados devem ter idêntico 
tratamento pelo juiz (art. 139, I, CPC)” (2019, p. 76). 
 Podemos indicar que está disposto no próprio caput do art. 5º da 
Constituição Federal: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de 
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no 
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade” (Brasil, 1988). 
 Esse princípio estabelece que deve ser concedido tratamento isonômico às 
partes e advogados pelo juiz, não podendo nenhum envolvido ser beneficiado no 
trâmite processual. 
TEMA 5 – PERCULIARIDADES DO PROCESSO DO TRABALHO 
 A principal função do processo do trabalho é propiciar efetividade ao Direito 
Material do Trabalho, sendo marcantes as características de celeridade e 
efetividade processual, motivo pelo qual possui peculiaridades que o diferenciam 
 
 
16 
dos demais processos como: autonomia, ius postulandi e formalismo mínimo, 
objetos de nosso estudo. 
5.1 Autonomia 
Inobstante exista uma discussão doutrinária no Brasil acerca da autonomia 
do Processo do Trabalho, com correntes discordando de que seria um processo 
autônomo e que faz parte do direito processual civil (monistas), podemos sim, em 
uma análise pontual e com base na maioria dos autores que tratam do tema, 
afirmar que o Direito Processual do Trabalho é autônomo. 
Garcia defende essa linha de raciocínio de forma bem fundamentada, 
senão vejamos: 
Efetivamente, no Brasil, a Justiça do Trabalho é o ramo especializado do 
Poder Judiciário que aplica o Direito Processual do Trabalho, o qual 
conta com diplomas legais próprios (com destaque para a Consolidação 
das Leis do Trabalho), doutrina e trabalhos científicos específicos, 
matéria diferenciada, bem como peculiaridades que o distinguem do 
Direito Processual Civil propriamente. (2019, p. 24) 
 Embora inexista um Código de Processo do Trabalho, hoje a matéria é 
legislativamente disposta na CLT e em diversas leis esparsas. 
 O Autor cita ainda quedoutrinariamente e didaticamente, o Direito 
Processual do Trabalho é objeto de diversas obras publicadas e estudado nas 
diversas faculdades de direito do País, sem objeto inclusive de custas de extensão 
e aperfeiçoamento (Garcia, 2019, p. 25). 
 Sabe-se, contudo, que embora autônomo, aplica-se ao Direito Processual 
do Trabalho, regras do Direito Processual Civil, de forma subsidiária, quando 
ausentes naquele normas específicas, observando-se sempre a compatibilidade 
das normas. 
5.2 Jus Postulandi 
O Jus Postulandi consiste na capacidade postulatória, capacidade de 
requerer seus direitos. Em decorrência disso, no Processo do Trabalho, 
empregados e empregadores podem reclamar pessoalmente perante a Justiça do 
Trabalho, sem a necessidade de acompanhamento ou nomeação de advogado. 
Essa peculiaridade do Processo do Trabalho existe em decorrência da 
necessidade de atendimento aos princípios que o protegem, como do livre acesso 
 
 
17 
à justiça, celeridade, entre outros, visto que simplifica a parte do ajuizamento e 
prosseguimento de uma demanda sem o amparo de um advogado. 
Um tema de nossa matéria será dedicado ao estudo pontual do Jus 
Postulandi, para que haja a compreensão acerca da prática efetiva e ainda dos 
limites de atuação. 
5.3 Formalismo mínimo 
Historicamente é sabido que o formalismo exacerbado é muitas vezes o 
grande responsável pela demora na atuação da Justiça. Essa é a ideia central 
dessa peculiaridade do Processo do Trabalho, o mínimo de formalismo possível, 
com o objetivo de tornar esse processo simples e acessível a fim de atender de 
forma mais breve possível o trabalhador. 
Esse formalismo se revela através da priorização da oralidade, da reiterada 
tentativa de conciliação, da concentração dos atos processuais em audiências 
(exemplo da audiência una), do efeito meramente devolutivo (e não suspensivo) 
dos recursos e assim por diante. 
Ainda, para validar o formalismo mínimo, temos que os atos processuais 
não dependem de uma forma determinada, à exceção de quando a lei exigir, 
validando assim os atos praticados sem formalismo, desde que atentam a 
finalidade a qual foram praticados. 
Desta forma, identifica-se que esta peculiaridade está diretamente 
vinculada a todo o contexto que envolve o processo do trabalho, buscando a 
melhor e mais rápida solução ao atendimento do empregado, hipossuficiente da 
relação processual trabalhista. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
18 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
_____. Decreto-lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Aprova a consolidação das leis 
do trabalho. Diário Oficial da União, 9 ago. 1943. 
GARCIA, G. F. B. Curso de Direito Processual do Trabalho. 8. ed. revista, 
atualizada e ampliada. Rio de Janeiro: Forense, 2019. 
JORGE NETO, F. F.; CAVALCANTE, J. de Q. P. Direito Processual do 
Trabalho. 8. ed. Revista e atualizada. São Paulo: Atlas, 2019. 
NASCIMENTO, A. M.; NASCIMENTO, S. M. Iniciação ao Direito do Trabalho. 
40. ed. São Paulo: LTr, 2015. 
 
 
	Jurisdição dos Municípios

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