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Competência Territorial e Composição da Justiça do Trabalho Competência territorial das Varas do Trabalho A competência territorial das Varas do Trabalho (competência em razão do lugar) está disciplinada no art. 651 da CLT. "Art. 651. A competência das Varas do Trabalho é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. Portanto, em regra, a demanda trabalhista deve ser proposta na localidade em que o empregado efetivamente tenha prestado seus serviços, independentemente do local da contratação. Neste contexto, contratado o trabalhador no Paraná para laborar na Bahia, terá competência territorial para processar e julgar eventual reclamação trabalhista uma das Varas do Trabalho do local da prestação de serviços, qual seja Bahia. Exceção; Entendemos que tal regra não é absoluta, permitindo exceções. Imaginemos a hipótese de uma obreira que é contratada no interior do Pará e levada para trabalhar como empregada doméstica em Curitiba. Suponhamos ainda que, dois anos depois, resolva o empregador doméstico, sem justa causa, romper o contrato de trabalho, deixando de honrar as verbas rescisórias à doméstica, limitando-se a pagar a passagem rodoviária de volta para o Pará. Entendemos que, na hipótese em comento, o princípio da inafastabilidade de jurisdição previsto no art. 5°, XXXV, da CF/1988 se sobrepõe à regra insculpida no art. 651 da CLT, permitindo, nessa hipótese, que a obreira proponha a ação no seu domicílio e não no local da prestação de serviços. Quanto ao agente ou viajante comercial, o § 1° do art. 651 contempla uma exceção à regra geral, devendo o obreiro viajante propor sua ação trabalhista: na Vara da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o trabalhador esteja subordinado; não existindo agência ou filial, na Vara localizada onde o empregado tenha domicílio ou na localidade mais próxima. Outra exceção à regra geral da competência territorial estabelecida no diploma consolidado é o § 2°, do art. 651 da CLT, o qual atribui competência às Varas do Trabalho para processar e julgar lides ocorridas em agência ou filial situada no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional em contrário. Empresa tem que ter filial ou matriz no Brasil* Em Qual unidade será proposta a ação? Onde presta serviço. O art. 651, § 3° , da CLT, por último, menciona que em relação às empresas que promovam atividades fora do lugar da celebração do contrato (exemplos: atividades circenses, feiras agropecuárias, motoristas de ônibus de linhas intermunicipais etc.), seria assegurado ao obreiro apresentar reclamação trabalhista no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços. Modificação de competência Em relação à competência absoluta (quanto à matéria e hierarquia), temos que a mesma é imodificável, inderrogável. A competência relativa, nos termos do art. 54 do CPC, poderá ser modificada por conexão ou pela continência. - * A competência relativa é fixada em razão do valor da causa, para sua fixação entre o Juizado Especial ou Justiça Comum; e fixada em razão do foro/território, que em regra é no domicílio do réu, e suas exceções estão descritas no CPC Em função da omissão da norma consolidada, abre-se caminho para a aplicação subsidiária das normas de processo civil de modificação de competência ao direito instrumental laboral por conexão e por continência: Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto nesta Seção. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. § 2o Aplica-se o disposto no caput: I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; II - às execuções fundadas no mesmo título executivo. § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais Na seara trabalhista, podemos citar como exemplo de continência duas reclamações trabalhistas em que na primeira o reclamante alega que sofreu acidente do trabalho e foi dispensado sem justa causa no período estabilitário. Nesta, ele postula a nulidade de sua dispensa, reintegração no emprego ou indenização substitutiva e indenização por danos morais. Na sequência, ajuíza uma nova reclamação trabalhista contra o mesmo empregador postulando o ressarcimento pelos danos materiais em razão do mesmo acidente do trabalho, pelos gastos com os quais teve de arcar com o tratamento médico. No âmbito trabalhista, tendo em vista que não há despacho citatório pelo juiz, sendo a notificação postal ato automático da Secretaria da Vara do Trabalho, na hipótese de duas ou mais ações conexas, o juízo prevento será aquele cuja ação trabalhista for protocolada em primeiro lugar. No âmbito trabalhista, tendo em vista que não há despacho citatório pelo juiz, sendo a notificação postal ato automático da Secretaria da Vara do Trabalho, na hipótese de duas ou mais ações conexas, o juízo prevento será aquele cuja ação trabalhista for protocolada em primeiro lugar. Composição da Justiça do Trabalho São órgãos da Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho (TST), os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e os juízes do trabalho. Art. 111 - CF O judiciário trabalhista, portanto, é dividido em três graus de jurisdição, quais sejam: · TST (terceiro grau de jurisdição), · TRTs (segundo grau de jurisdição) e · Os juízes do trabalho (primeiro grau de jurisdição, que exercem a jurisdição nas Varas do Trabalho). O TST, que tem sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional, passou a ser composto de 27 ministros, escolhidos dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos, nomeados pelo Presidente da República, após aprovação da maioria absoluta do Senado Federal. Da totalidade de 27 ministros, deverá ser observado o quinto constitucional em relação aos membros provenientes do Ministério Público do Trabalho e da OAB, sendo o restante dos magistrados escolhidos dentre juízes dos TRTs, oriundos da magistratura de carreira. 0s órgãos que compõem o próprio TST, quais sejam: · Tribunal Pleno, · Órgão Especial, · Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC), · Seção Especializada em Dissídios Individuais (SDI), dividida em duas subseções e Turmas. São órgãos que funcionam junto ao Tribunal Superior do Trabalho - · A Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho – ENAMAT, · O Conselho Superior da Justiça do Trabalho - CSJT. · TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO Anteriormente, a Constituição da República previa que haveria pelo menos um TRT em cada Estado, o que nunca chegou a ocorrer, visto que os Estados de Tocantins, Roraima, Acre e Amapá nunca possuíram TRT. Foi excluída esta obrigatoriedade da Carta Maior, apenas exigindo o atual art. 115 que os TRTs sejam compostos, no mínimo, de sete juízes, recrutados, quando possível, nas respectivas regiões, e nomeados pelo Presidente da República, dentre brasileiros com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos. · Não necessita de maioria absoluta no STF · Observação do quinto constitucional, · Justiça itinerante, - Art. 115 CF · Câmaras Regionais · Estado de SP dois TRTs – 2ª e 15ª, Regiões, · Estados que não possuem TRTs são o Tocantins, o Amapá, Roraima e Acre Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Jurisdição – una e indivisívelCompetência – medida de jurisdição; esfera de atribuição dos órgãos encarregados da justiça; · Competência em razão da matéria – definida em função da natureza da lide descrita na peça inaugural – causa de pedir e pedidos contidos na inicial. · Justiça do Trabalho – Competência material ampliada com a EC 45 de 2004 Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos . Os entes de direito publico externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - as ações que envolvam exercício do direito de greve; III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VIl - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e 11, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; Relação contratual de consumo? Discute-se na doutrina se a competência material da Justiça do Trabalho para processar e julgar as ações oriundas das relações de trabalho alcançaria também a relação contratual de consumo, reguladas pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990 OBS; O Código de Defesa do Consumidor possibilita que a relação de consumo também tenha por objeto a prestação pessoal de serviços (art. 3., § 2., da Lei 8.078/1990). Pois bem, nessa hipótese, a relação jurídica formada entre o prestador do serviço (fornecedor) e o destinatário do mesmo serviço (consumidor) apresenta- se sob dois ângulos distintos. OU SEJA, podem ser julgadas na Vara do Trabalho. · Caso o litígio entre o fornecedor e o consumidor envolva relação de consumo, ou seja, a discussão gire em torno da aplicação do Código de Defesa do Consumidor, entendemos que a Justiça do Trabalho não terá competência para processar e julgar a demanda, uma vez que a pretensão deduzida em juízo não está afeta à relação de trabalho Todavia, se o litígio entre o prestador de serviços e o consumidor abranger a relação de trabalho existente entre ambos, como no caso de não recebimento pelo fornecedor pessoa física do numerário contratado para a prestação dos respectivos serviços, não há dúvida que a Justiça do Trabalho será competente para processar e julgar a demanda. ENTES DO DIREITO PÚBLICO EXTERNO: Estados estrangeiros e organismos internacionais: - Atos de Império e Atos de Gestão (imunidade de execução – carta rogatória) OJ 416. IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO. ORGANIZAÇÃO OU ORGANISMO INTERNACIONAL. As organizações ou organismos internacionais gozam de imunidade absoluta de jurisdição quando amparados por norma internacional incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro, não se lhes aplicando a regra do Direito Consuetudinário relativa à natureza dos atos praticados. Excepcionalmente, prevalecerá a jurisdição brasileira na hipótese de renúncia expressa à cláusula de imunidade jurisdicional.