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Unidade 2 Princípios e Organização da Justiça do Trabalho Direito Processual do Trabalho Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria JÉSSICA RAIANE ALVES CONFESSOR MILENA BARBOSA DE MELO AUTORIA Jéssica Raiane Alves Confessor Sou formada em Direito pela UNIFACISA – Universidade de Ciências Sociais Aplicadas. Atualmente sou professora conteudista e advogada. Como jurista atuo nas áreas de Direito Penal, Direito de Família, Direito do Consumidor, e na minha paixão, que é o Direito do Trabalho. Milena Barbosa de Melo Possuo graduação em Direito pela Universidade Estadual da Paraíba (2004). Doutora em Direito Internacional pela Universidade de Coimbra. Mestre e Especialista em Direito Comunitário pela Universidade de Coimbra. Atualmente sou Professora Universitária e Conteudista. Como jurista atuo principalmente nas seguintes áreas: Direito à Saúde, Direito Internacional público e privado, Jurisdição Internacional, Direito Empresarial, Direito do Desenvolvimento, Direito da Propriedade Intelectual e Direito Digital. Por isso fomos convidadas pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estamos muito felizes em poder ajudar vocês nesta fase de muito estudo e trabalho. Esperamos te ajudar a crescer e se apaixonar por cada tópico do Direito Processual do Trabalho. Conte conosco! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Princípios às vistas do Direito Processual do Trabalho .............. 10 Funções dos Princípios. ............................................................................................................... 11 Princípios do Direito Processual do Trabalho ............................................................. 12 A organização da Justiça do Trabalho................................................ 19 Estrutura da Organização Judiciária ................................................................................. 20 TST – Tribunal Superior do Trabalho .............................................................. 21 TRTs –Tribunais Regionais do Trabalho ......................................................25 Varas do Trabalho. Dos juízes do Trabalho ..............................................26 A competência da justiça do trabalho. ..............................................29 Competência Material da Justiça do Trabalho .........................................................29 Competência Territorial da Justiça do Trabalho .......................................................32 Competência Funcional da Justiça do Trabalho ......................................................34 Competência em Função do Valor da Causa e a Justiça Trabalhista ...... 36 Conflitos de Competência .......................................................................................................37 As Partes e Procuradores na Justiça do Trabalho .........................39 Conceito ................................................................................................................................................ 39 Sujeitos ................................................................................................................................................... 40 Capacidade ....................................................................................................................................... 40 Representação e Assistência ..................................................................................................42 Representação do empregado ........................................................................................... 46 7 UNIDADE 02 Direito Processual do Trabalho 8 INTRODUÇÃO Nesta unidade vamos nos aprofundar um pouco mais para conhecer os princípios às vistas do Direito Processual do Trabalho, de que forma o norteiam, como são utilizados e sua importância, além de elencar suas funções. Aprenderemos também a organização da Justiça do Trabalho, explicando inicialmente como ganhou força e espaço na Constituição Federal e na legislação internacional, trazendo também a estrutura da organização judiciária, de que forma seus órgãos são compostos e quais suas funções. Estudaremos também a competência da Justiça do Trabalho, que é extensa e não possui um rol taxativo. Poderemos aprender ainda sobre as partes e procuradores na Justiça do Trabalho, seu conceito, quem são, suas funções e a capacidade. Animado? Espero que sim!! Vamos juntos navegar na aprendizagem? Direito Processual do Trabalho 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Descrever os princípios às vistas do direito processual do trabalho; 2. Compreender a organização da justiça do trabalho; 3. Entender a competência da justiça do trabalho; 4. Identificar as partes e procuradores na justiça do trabalho. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Vamos juntos! Direito Processual do Trabalho 10 Princípios às vistas do Direito Processual do Trabalho OBJETIVO: Neste capítulo você irá conhecer os princípios às vistas do Direito Processual do Trabalho, iremos descrevê-los e compreender sua aplicação para efetivação do Direito. Espero que você se envolva a cada descoberta. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos juntos!! Inicialmente, devemos conceituar princípios, que vem do latim principiu e significa o início, fundamento e a essência de um fenômeno. Podemos dizer ainda que é a causa inicial, a origem de algo. Ao unirmos este conceito com o campo próprio da teoria geral do Direito, aprenderemos que os Princípios Gerais do Direito, que são muitas vezes universais, irão orientar os operadores do direito a compreender o ordenamento jurídico em relação a elaboração, aplicação, integração, alteração ou supressão de normas jurídicas. Os princípios possuem valores fundamentais ao ordenamento jurídico, sua principal função é ser o limite de atuação ao jurista. Além de funcionar como ponte de interpretação, limita a vontade subjetiva do operador do Direito. Não podemos esquecer que os princípios são a base para formar valores. São também pressupostos universais que determinam as regras essenciais que servem de direção para relações, as decisões e as ações. Sendo assim, podemos compreender que os princípios são como regras para disciplinar um ramo específico. Por não ser função da norma legal determinar quais são os princípios do ordenamento jurídico, eles não são positivados. É através de doutrina e jurisprudência que são identificados e interpretados os princípios. Ainda, é a partir dahá sujeitos, que são os titulares da relação de Direito Material e são as partes no conflito a ser solucionado em juízo. Aprendemos também que Parte é o sujeito da relação jurídica, demanda em nome próprio ou que tem nome em demanda para atuação de uma vontade da lei. Os sujeitos no Direito Processual do Trabalho são autor, réu, o juiz, distribuidor, secretário de audiência, oficial de justiça; os eventuais: peritos, tradutores, intérpretes; assim como os terceiros; testemunhas, licitantes e outros. Aprendemos ainda que capacidade, capacidade de direito e capacidade postulatória, bem como a parte pode ser representada ou assistida no Direito Processual do Trabalho. E ainda as hipóteses em que o empregado pode ser representado em audiência. Direito Processual do Trabalho 48 REFERÊNCIA BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988. Brasil. Decreto-Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943 alterada pela Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017. Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oficial da União. BRASIL. Lei federal 13.105 de 16 de março de 2015. Institui o Novo Código de Processo Civil. Diário Oficial da União, Brasília, 16 de março de 2015. BRASIL. Lei n. 10.406, 10 de janeiro de 2002. Código Civil. Diário Oficial da União, Rio de Janeiro. CAVALCANTE, Jouberto de Q. Pessoa e NETO, Francisco F. Jorge. Direito Processual do Trabalho. 9ª Edição. São Paulo. Editora Atlas. 2019. JUNIOR, José Cairo. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13ª Edição. São Paulo. Editora Juspodivm. 2019. LEITE, Carlos H Bezerra. Curso de Direito Processual do Trabalho. 17ª Edição. São Paulo. Editora Saraiva Educação. 2019. PEREIRA, Leone. Manual de Processo do Trabalho. 6ª Edição. São Paulo. Editora Saraiva. 2019. RENZETTI, Rogério. Direito do Trabalho: Teoria e Questões Práticas. 5ª Edição. São Paulo. Editora Forense Ltda. 2018. SÜSSEKIND, Arnaldo. Direito constitucional do trabalho. Rio de Janeiro: Renovar, 1999. Direito Processual do Trabalho Princípios às vistas do Direito Processual do Trabalho Funções dos Princípios. Princípios do Direito Processual do Trabalho A organização da Justiça do Trabalho. Estrutura da Organização Judiciária TST – Tribunal Superior do Trabalho TRTs –Tribunais Regionais do Trabalho Varas do Trabalho. Dos juízes do Trabalho A competência da justiça do trabalho. Competência Material da Justiça do Trabalho Competência Territorial da Justiça do Trabalho Competência Funcional da Justiça do Trabalho Competência em Função do Valor da Causa e a Justiça Trabalhista Conflitos de Competência As Partes e Procuradores na Justiça do Trabalho Conceito Sujeitos Capacidade Representação e Assistência Representação do empregadocoerência de um sistema jurídico transcorre dos princípios, nesse sentido, Leite (2019, p. 75) diz: Direito Processual do Trabalho 11 A importância dos princípios foi identificada por Jorge Miranda nos seguintes termos: “O Direito não é mero somatório de regras avulsas, produto de atos de vontade, ou mera concatenação de fórmulas verbais articuladas entre si, o Direito é ordenamento ou conjunto significativo e não conjunção resultante de vigência simultânea; é coerência ou, talvez mais rigorosamente, consistência; é unidade de sentido, é valor incorporado em regra. E esse ordenamento, esse conjunto, essa unidade, esse valor, projeta-se ou traduz-se em princípios, logicamente anteriores aos preceitos. Os princípios não se colocam, pois, além ou acima do Direito (ou do próprio Direito positivo); também eles – numa visão ampla, superadora de concepções positivistas, literalistas e absolutizantes das fontes legais – fazem parte do complexo ordenamental. Não se contrapõem às normas, contrapõem-se tão somente aos preceitos; as normas jurídicas é que se dividem em normas- princípios e normas-disposições”. Os princípios possuem funções específicas no ordenamento jurídico, vamos juntos descobrir quais são? Funções dos Princípios. Os princípios constitucionais possuem três funções principais no ordenamento jurídico, que podemos classificar como: informativa, interpretativa e normativa. Vamos conhecer cada uma delas? • Informativa: Essa função tem como destinatário o legislador, de forma que os princípios irão atuar como sugestões para a implantação de novas regras jurídicas, para atualizá-las, em harmonia com a sociedade e atendendo com justiça as reivindicações dos jurisdicionados. • Interpretativa: Essa função tem como destinatário o aplicador do direito, para que os princípios o auxiliem na compreensão das normas que integram o ordenamento jurídico. Direito Processual do Trabalho 12 Aprendemos que há vários métodos de interpretação oferecidos pela hermenêutica, e os princípios desempenham importante papel na escolha do método adotado na solução de conflitos. • Normativa: Essa função também tem como destinatário o aplicador do direito, isto porque o princípio pode ser aplicado de forma direta, na solução de casos concretos e de forma indireta, para integrar o sistema em hipóteses de lacuna na lei. Há ainda outras funções secundárias que os princípios desempenham no ordenamento jurídico: • Compor o Direito Positivo com norma fundamental. • Ocupar alto posto na escala normativa. • Ser fontes formais e primárias do Direito. • Vinculam os poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). • São normas introdutórias do ordenamento jurídico brasileiro. • São escolhas preferenciais em caso de conflito entre lei e justiça. Há ainda outras funções, mas essas são as primordiais para compreender os princípios as vistas do Direito Processual do Trabalho. Devemos compreender a relação dos princípios constitucionais e de que forma repercute nas relações de trabalho e nas soluções de conflito. Conseguiu compreender a importância dos princípios para nosso ordenamento jurídico? Vamos juntos descrever os que se aplicam ao Direito Processual do Trabalho? Princípios do Direito Processual do Trabalho • Princípio da igualdade: Esse princípio determina que a lei não trará a sociedade privilégios ou perseguições, mas que será um meio para regular a vida em sociedade, tratando igualmente todos os cidadãos. Sendo assim, o legislador tem a obrigação de trazer à sociedade condições que dignidade social a todos e em todos os aspectos. A igualdade implica a justiça concreta e real. Direito Processual do Trabalho 13 Segundo podemos aprender com Neto e Cavalcante (2019, p. 144): O princípio processual do tratamento igualitário às partes não é absoluto. A ordem jurídica estabelece exceções: (a) prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer quando a parte for a Fazenda Pública ou o Ministério Público (art. 1º, II e III, Dec.-lei 779/69). Pelo CPC, todos os prazos são em dobro (arts. 180 e 183); (b) isenção de caução para os trabalhadores; (c) dispensa de custas aos necessitados e carentes (art. 790, § 3º, CLT); (d) isenção do pagamento dos honorários periciais (art. 790-B); (e) isenção de custas para a Administração Pública Direta e Indireta (Autárquica e Fundacional, que não explorem atividade econômica) e o Ministério Público do Trabalho (art. 790-A, I e II); (f) o duplo grau de jurisdição obrigatório nas causas em que a Administração Pública Direta e Indireta são vencidas total ou parcialmente (art. 496, CPC; art. 1º, V, Dec.-lei 779; Súm. 303, TST). Não esqueça que nem sempre poderemos tratar todos igualmente, tendo em vista que devemos tratar os desiguais de forma desigual para poder transformá-los em iguais. • Princípio da Finalidade Social: Esse princípio norteia que todos precisam de atenção e as vezes de atendimentos diferentes. O princípio da Princípio da Finalidade Social orienta que o magistrado deverá deve adotar as medidas processuais adequadas e que auxiliam o trabalhador reconhecendo que as partes são desiguais, agindo assim para garantir a efetiva justiça. • Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa: Esse princípio encontra-se nos art. 5º, LV, CF; arts. 7º e 10, CPC, reflete que é imprescindível se ouvir as partes em um processo para garantir a defesa e o pronunciamento durante o desenrolar do processo. No Direito Processual do Trabalho, a decisão só influencia as pessoas que são partes do processo; apenas após a citação do demandado é que a relação jurídica processual estará completa; o juiz só promulga a sentença após ouvir as partes. Direito Processual do Trabalho 14 Em complemento contraditório, teremos o princípio da ampla defesa que é uma reação, ou seja, a resposta no processo, que permite da produção de provas e contraprovas, da participação da colheita das provas em audiência, entre outros. • Princípio da Imparcialidade do Juiz: O magistrado deve velar pelo efetivo contraditório em um processo, garantindo às partes paridade de tratamento no curso do processo, sendo assim, no desempenho de suas atribuições, deverá agir com isenção de ânimo, lisura e probidade. Vale lembrar que a capacidade subjetiva do juiz é um dos pressupostos processuais e sua ausência pode tornar nulos seus atos. Nesses casos a parte pode e deve denunciar o magistrado • Princípio da Publicidade e da Motivação das Decisões: Esses princípios asseguram que todos os julgamentos serão públicos e as decisões fundamentadas. A Constituição Federal assegura esse princípio, em seu artigo 93, IX, vejamos: Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. (Grifo nosso). • Princípio do Devido Processo Legal: Podemos encontrar esse princípio no art. 5º, LIV da Constituição Federal, que assegura que ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Direito Processual do Trabalho 15 Figura 1: Ilustração da justiça. Fonte: Freepik No âmbito processual, isso quer dizer que haverá a garantia de direito à citação e ao conhecimento do teor da acusação; direito a um rápido e público julgamento; direito ao arrolamento de testemunhas e à notificação das mesmas para comparecimento perante os tribunais; direito ao procedimento contraditório; direito de não ser processado, julgado ou condenado por alegadainfração às leis ex post facto; direito à plena igualdade entre acusação e defesa; direito contra medidas ilegais de busca e apreensão; direito de não ser acusado nem condenado com base em provas ilegalmente obtidas; direito à assistência judiciária, inclusive gratuita; privilégio contra a autoincriminação. • Princípio do Duplo Grau de Jurisdição: Esse princípio encontra- se na Constituição Federal, em seu artigo 5º, LV, que assegura reanálise da decisão ao vencido, sendo o duplo grau de jurisdição um vetor de segurança para as decisões judiciais, garantindo a boa justiça, vejamos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Direito Processual do Trabalho 16 LV - Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (Grifo nosso). Como disse Neto e Cavalcante (2019, p. 149) há fatores contra e a favor do duplo grau de jurisdição: Os fundamentos positivos: necessidade humana quanto à revisão dos julgados; o cuidado em se evitar o erro nos julgados ou a má-fé; como os recursos são julgados por pessoas de maior experiência, tem-se a possibilidade de que o juízo inferior seja mais prudente em suas decisões. Os fundamentos negativos: atividade supérflua do Judiciário; a reforma envolve desprestígio do próprio poder que o julga; os recursos delongam a atividade para a formação da coisa julgada; a má-fé na utilização dos recursos. O duplo grau de jurisdição deve ser incentivado, por ser uma via de conservação do prestígio e da atitude ética do Judiciário como um todo, representando recurso primordial para a segurança das decisões. • Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional: Esse princípio também pode ser chamado de “princípio da indeclinabilidade da jurisdição”. Encontrado também na Constituição Federal, no artigo 5º, XXXV, determina que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Sendo assim, nenhum órgão jurisdicional poderá recusar a aplicação do Direito, tampouco poderá qualquer lei excluir do Poder Judiciário a apreciação por lesão ou ameaça ao direito. Esse princípio visa garantir ao cidadão acesso ao Judiciário para a proteção dos seus direitos e interesses. • Princípio da Razoabilidade da Duração do Processo: Esse princípio também podemos encontrar na Constituição Federal, vejamos: Direito Processual do Trabalho 17 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (Grifo nosso). Como vimos, esse princípio assegura a razoável duração do processo, ou seja, além da efetividade, a celeridade da decisão judicial. Cabe ao magistrado evitar demora, porém não poderá ser rápido demais, de forma que possa prejudicar produção das provas e das alegações das partes. A razoabilidade encontrará um equilíbrio entre uma rápida e justa decisão, respeitando o direito das partes no decorrer do devido processo legal. Não esqueça que apesar de alguns princípios estarem expressos na CF, outros implícitos, muitos não são positivados e o rol de princípios que estudamos não são únicos, há outros princípios que auxiliam aos operadores do Direito a preencher lacunas deixadas pela lei e serem justos e fiéis em suas decisões. • Princípio da Busca da Verdade Real: Sabendo que o processo é o meio pelo qual há solução de conflitos, o juiz deverá sempre buscar a essência da verdade, ou seja, a verdade real. Então, o magistrado tem participação ativa e decisiva nessa busca. Lembre-se que o magistrado não poderá violar o princípio da imparcialidade do juiz. No processo do trabalho, poderão juízes e TRTs determinar diligências que achem necessárias ao esclarecimento das causas em que estejam atuando. • Princípio da Indisponibilidade: Pode ser considerado como princípio da irrenunciabilidade do direito material do trabalho, ou seja, busca efetivar os direitos indisponíveis dos trabalhadores e o Poder Judiciário Trabalhista atuará adotando as medidas adequadas para a busca da verdade real. Direito Processual do Trabalho 18 • Princípio da Conciliação: A conciliação é obrigatória no procedimento trabalhista, pois a Justiça do Trabalho tem como escopo a solução do conflito, mediante a negociação. A conciliação será ofertada antes da formulação da defesa; após a formulação das razões finais e quando se tratar de procedimento sumaríssimo, o magistrado tentará a solução conciliatória em qualquer fase da audiência. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Você conheceu os principais princípios que norteiam o Direito Processual do Trabalho e auxiliam os magistrados na efetivação dos direitos e na solução de conflitos trabalhistas. Aprendemos que o conceito de princípio vem do latim principiu e significa o início, fundamento e a essência de um fenômeno, sendo a origem de algo. No campo do Direito, irão orientar os operadores do direito a compreender o ordenamento jurídico em relação a elaboração, aplicação, integração, alteração ou supressão de normas jurídicas. São base para formação de valores e servem como regras para disciplinar um ramo específico. Não esqueça que os princípios têm também função informativa, interpretativa e normativa. Aprendemos também os conceitos de alguns princípios que são importantes para o Direito Processual do Trabalho, que são: Princípio da igualdade, Princípio da finalidade social, Princípio do contraditório e ampla defesa, Princípio da imparcialidade do juiz, Princípio da publicidade e da motivação das decisões, Princípio do devido processo legal, Princípio do duplo grau de jurisdição, Princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, Princípio da razoabilidade da duração do processo, Princípio da busca da verdade real, Princípio da indisponibilidade e da conciliação. Direito Processual do Trabalho 19 A organização da Justiça do Trabalho. OBJETIVO: Neste capítulo compreenderemos a organização da Justiça do Trabalho, conheceremos as partes que compõem cada da justiça trabalhista, seus órgãos internos. Aprenderemos especialmente que a Justiça do Trabalho ganhou destaque com a Constituição Federal de 1988 e que a legislação internacional vem reafirmando essa força. Prontos? Vamos!! Antes de nos aprofundarmos na organização do judiciário trabalhista, devemos explanar de que forma a justiça trabalhista ganhou espaço na Constituição Federal de 1988 e na legislação internacional. Para identificar onde o trabalho está inserido na CF, basta ler o artigo 1°, que determina República Federativa do Brasil tem como um de seus fundamentos a dignidade da pessoa humana, ladeada pelos valores sociais do trabalho e da livre-iniciativa. Questões relacionadas ao valor do trabalho e direitos dos trabalhadores foram tratadas em capítulo próprio, dentro dos direitos fundamentais, que é cláusula pétrea do nosso ordenamento jurídico e encontramos no artigo 60, § 4º, IV, do Texto Constitucional, bem como em outros dispositivos. O que não podemos deixar de destacar aqui é que o trabalho e suas proteções se tornaram tão importantes, que estão previstas dentro de cláusulas pétreas, para garantir os direitos dos trabalhadores e ninguém poderá suprimir esses direitos de nenhuma maneira. A importância das Cláusulas Pétreas está no fatode que elas garantem segurança jurídica de direitos essenciais para o ser humanos e o convívio social, limitando o poder de alteração constitucional, dando maior credibilidade à constituição como norma suprema, sendo de extrema importância para a Constituição Federal. Assim como o direito do trabalho e dos trabalhadores ganharam espaço na legislação brasileira, no âmbito internacional, estão crescendo cada dia mais, como podemos ver em diversos tratados e convenções Direito Processual do Trabalho 20 internacionais firmados. Podemos mencionar ainda a participação do Brasil como Estado-Membro da OIT – Organização Internacional do Trabalho, que é um órgão internacional com o mesmo propósito. Encontramos uma ampla valorização do trabalho e dos trabalhadores também no âmbito legal, com as leis, decretos, portarias próprias a preservar e assegurar os direitos dos trabalhadores. Temos os previstos na CLT e na legislação trabalhista esparsa, encontramos também a proteção penal com o cunho de assegurar o bem jurídico do trabalho, ou a liberdade de trabalho. Há ainda a organização dos sindicatos, Comissões Internas de Prevenção de Acidentes – CIPAs, entre outras instituições e regulamentações com o mesmo objetivo: proteger e prevenir o trabalho e os trabalhadores regendo e fiscalizando a relação de trabalho. E então, estão gostando dessas descobertas? Que tal nos aprofundarmos mais na Organização da Justiça do Trabalho? Vamos nessa! Estrutura da Organização Judiciária Inicialmente precisamos saber que estrutura do Poder Judiciário Trabalhista é composta órgãos jurisdicionais e auxiliares, que se encontram em três níveis: um nacional, um regional e um local. Em relação ao nível nacional, teremos o Tribunal Superior do Trabalho, que é de grau superior e está em Brasília. É um órgão de cúpula do Poder Judiciário Trabalhista. Em relação ao nível regional teremos os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), também de grau superior e estão nas capitais dos Estados. NOTA: Há Estados que não possuem TRT, devido a pequena densidade da população e conflitos relacionados às questões de trabalho. Sendo assim, vinculam-se um TRT a outro adjacente que dividem um mesmo Estado da Federação. Direito Processual do Trabalho 21 Quando ao nível local, teremos a primeira instância, correspondente a um grau inferior, que serão as Varas do Trabalho. Há cidades em que não teremos varas exclusivamente do trabalho, mas os juízes de Direito terão a jurisdição trabalhista. Em grau de recurso, este será direcionado ao respectivo Tribunal Regional do Trabalho. TST – Tribunal Superior do Trabalho Sabemos que o TST é um órgão de cúpula do Poder Judiciário Trabalhista, em nível nacional e está localizado em Brasília e tem jurisdição em todo território nacional. Surgiu em 1946, substituindo o Conselho Nacional do Trabalho. O TST é composto por 27 (vinte e sete) ministros togados, que devem ser todos brasileiros e ter entre 35 (trinta e cinco) e 60 (sessenta) anos de idade, devendo obrigatoriamente ter notável saber jurídico, reputação ilibada. Todos serão nomeados pelo presidente da República, somente após aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal. O grupo de ministros que compõem o TST estará entre advogados e membros do Ministério Público do Trabalho, todos com mais de dez anos de efetivo exercício de atividade profissional, conforme artigo 111-A, I, da Constituição Federal. Os demais membros serão nomeados dentre os membros dos Tribunais Regionais do Trabalho. Compete ao TST julgar em grau extraordinário, recursos previstos em lei interpostos contra as decisões dos TRTs, enquanto em grau ordinário, os recursos em dissídio coletivo e demais decisões originárias dos TRTs. NOTA: A competência do TST é definida através da Lei n. 7.701/88. Em relação ao regimento interno, cabe ao próprio TST sua aprovação e é através do referido regimento que organiza sua estrutura. O regimento interno vigente é a Resolução Administrativa n. 1.295/2008, com algumas alterações. Direito Processual do Trabalho 22 O regimento interno do TST determina a existência do Tribunal Pleno, Órgão Especial, Seção Especializada em Dissídios Coletivos, Seção Especializada em Dissídios Individuais e as Turmas são órgãos do Tribunal Superior do Trabalho. VOCÊ SABIA? A Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat) e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) são órgãos que funcionam junto ao Tribunal Superior do Trabalho. • Tribunal Pleno: Composto por todos os ministros da Corte, é o órgão máximo do TST. Sua competência está prevista no artigo 68 do RITST (Regimento Interno do TST), vejamos: I – eleger , por escrutínio secreto, o Presidente e o Vice- Presidente do Tribunal Superior do Trabalho, o Corregedor- Geral da Justiça do Trabalho, os sete Ministros para integrar o Órgão Especial, o Diretor , o Vice-Diretor e os membros do Conselho Consultivo da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat), os Ministros membros do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e respectivos suplentes e os membros do Conselho Nacional de Justiça; II – dar posse aos membros eleitos para os cargos de direção do Tribunal Superior do Trabalho, aos Ministros nomeados para o Tribunal, aos membros da direção e do Conselho Consultivo da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (Enamat); III – escolher os integrantes das listas para preenchimento das vagas de Ministro do Tribunal; IV – deliberar sobre prorrogação do prazo para a posse no cargo de Ministro do Tribunal Superior do Trabalho e o início do exercício; V – determinar a disponibilidade ou a aposentadoria de Ministro do Tribunal; VI – opinar sobre propostas de alterações da legislação trabalhista, inclusive processual, quando entender que deve manifestar-se oficialmente; VII – aprovar , modificar Direito Processual do Trabalho 23 ou revogar , em caráter de urgência e com preferência na pauta, Súmula da Jurisprudência predominante em Dissídios Individuais e os Precedentes Normativos da Seção Especializada em Dissídios Coletivos; VIII – julgar os Incidentes de Uniformização de Jurisprudência; IX – decidir sobre a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, quando aprovada a arguição pelas Seções Especializadas ou Turmas; X – aprovar e emendar o Regimento Interno do Tribunal Superior do Trabalho; e XI – aprovar o cancelamento e a revisão de orientação jurisprudencial. Após analisar a competência do Tribunal Pleno, podemos analisar que as questões jurisdicionais não estão inclusas, compete a este órgão apenas questões administrativas mais relevantes. Para o funcionamento do Tribunal Pleno é exigida a presença de, no mínimo, quatorze ministros. • Órgão Especial: É como se denomina o destacamento de alguns membros do tribunal para decidir sobre determinadas questões. Só será possível em tribunais com que possuam mais de 25 julgadores. As sessões deverão ter no mínimo onze e no máximo vinte e cinco julgadores, que serão escolhidos metade por antiguidade e a outra metade por eleição pelo tribunal pleno e decidirão sobre questões administrativas e jurisdicionais delegadas da competência do Tribunal Pleno. É um órgão com funções judiciárias e administrativas, possui quórum mínimo de oito ministros. • Seções Especializadas: São responsáveis pelas questões relacionadas aos dissídios coletivos, que são solucionadas através de grupos especializados, que são a Seção de Dissídios Coletivos (SDC) e a Seção de Dissídios Individuais (SDI). A Seção Especializada em Dissídios Coletivos possui nove membros, inclusive o Presidente, o Vice-Presidente e o Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho. Já a Seção Especializada em Dissídios Individuais é formada por vintee um ministros, sendo desses o Direito Processual do Trabalho 24 Presidente e o Vice-presidente do Tribunal, o Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho e mais dezoito ministros. • Turmas: São órgãos fracionários do TST, são constituídas, cada uma, por três ministros, o presidente será o ministro que as compõe mais antigo, em um prazo de dois anos, sendo proibida a recondução, até que todos os integrantes tenham sido presidentes. O artigo 18-A do Regimento Interno prevê que por excepcionalidade poderá o TST chamar desembargadores do Trabalho para atuarem, temporariamente, em suas Turmas. Compete as turmas, conforme Filho (2020, p.123): A cada uma das Turmas do TST cumpre julgar os recursos de revista interpostos contra decisão dos Tribunais Regionais do Trabalho, nos casos previstos em lei, os agravos de instrumento dos despachos de Presidente de Tribunal Regional que denegarem seguimento a recurso de revista, os agravos e os agravos regimentais interpostos contra despacho exarado em processos de sua competência e os recursos ordinários em ação cautelar, quando a competência para julgamento do recurso do processo principal for atribuída à Turma. • Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho: É função da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho fiscalizar, disciplinar e orientar a a administração da Justiça do Trabalho sobre os Tribunais Regionais do Trabalho, seus juízes e Serviços Judiciários, o que deverá ser feito a partir de Regimento Interno próprio. O Corregedor-Geral da Justiça do Trabalho é eleito para exercer o cargo de direção do Tribunal. VOCÊ SABIA? O artigo 709, II, da CLT, determina que uma das atribuições da Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho é o julgamento da denominada reclamação correcional, que é uma espécie de recurso impróprio contra atos tumultuários do Presidente do TRT ou de juízes dos Tribunais. Direito Processual do Trabalho 25 • Conselho Superior da Justiça do Trabalho: Não é um órgão jurisdicional, funciona junto ao TST, exercendo papel de supervisor administrativo, orçamentário, financeiro, bem como patrimonial de todos os órgãos de primeiro e segundo graus da Justiça do Trabalho. • Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento da Magistratura do Trabalho: Esse é um órgão que é órgão que funciona junto ao Tribunal Superior do Trabalho. Possui autonomia administrativa, regulamenta os cursos oficiais para o ingresso e a promoção na carreira, na forma de seus estatutos. Também é responsável pela promoção e organização dos concursos para juiz do Trabalho, dos cursos de formação inicial para juízes do Trabalho, dentre outros. TRTs –Tribunais Regionais do Trabalho Também surgiram em 1946 em substituição aos Conselhos Regionais do Trabalho. São a segunda instância do Poder Judiciário do Trabalho. São compostos por, no mínimo, sete desembargadores, dentre brasileiros com mais de 30 (trinta) e menos de 65 (sessenta e cinco) anos de idade. No território nacional há 24 (vinte e quatro) Tribunais Regionais do Trabalho, cada um responsável por uma região. Lembrem da excepcionalidade para hipóteses em que um mesmo Estado da Federação concentra mais de uma Região, como São Paulo ou quando ocorre o oposto e dois estados se concentram em uma mesma região, como os Estados do Amazonas e Roraima ou Estados de Rondônia e Acre. Quando a sua composição, deverão fazer parte dos TRT’s pelo menos um quinto de advogados e membros do Ministério Público do Trabalho com reputação ilibada e mais de dez anos de efetivo serviço, indicados em lista sêxtupla ao Tribunal pelos respectivos conselhos de classe. O Tribunal irá votar e encaminhar uma lista contendo os nomes dos três mais votados à Presidência da República para a escolha de Direito Processual do Trabalho 26 um dos nomes para nomeação. Os outros também serão nomeados pela Presidência, que deverão ser juízes indicados por antiguidade e merecimento, alternadamente, dentre os que integram a primeira quinta parte mais antiga dos titulares de Vara do Trabalho. Os TRT’s também possuem órgãos próprios, em sua maioria equivalentes aos órgãos que já aprendemos existirem no TST. Igual ao TST, o TRT também possui Tribunal Pleno, que é a instância máxima dentro da estrutura dos Tribunais Regionais. O Pleno é composto pela totalidade dos desembargadores do Trabalho do Regional, que tem competência jurisdicional e de matérias administrativas. Apenas para os TRT’s que possuam número superior a vinte e cinco membros é possível a constituição de órgão especial, para exercer atribuições administrativas e jurisdicionais da competência do Tribunal Pleno. E todos têm as turmas, que podem receber por delegação julgar questões de competência originária dos Tribunais, que são funções do tribunal pleno. Varas do Trabalho. Dos juízes do Trabalho São órgãos base Poder Judiciário do Trabalho, sendo o próprio juiz, que estará lotado nas denominadas Varas do Trabalho. Como sabemos, o juiz é expressamente previsto enquanto órgão da estrutura judiciária brasileira, através do artigo 111 da Constituição Federal de 1988, vejamos: São órgãos da Justiça do Trabalho: I - o Tribunal Superior do Trabalho; II - os Tribunais Regionais do Trabalho; III - Juízes do Trabalho. Sua Competência é extensa, tendo em vista que tudo que for dever do Poder Judiciário Trabalhista e não for competência do TST ou TRT’s, será das Varas do Trabalho, desta forma são mais numerosas. As Varas do Trabalho são órgão de piso da Justiça do Trabalho. Direito Processual do Trabalho 27 Por iniciativa do TST, as Varas do Trabalho só podem ser criadas a partir de lei federal específica, na forma do art. 112 da CF, sendo observadas as demandas judiciais e a população local. E nas localidades em que não houver Vara do Trabalho, como são solucionados os conflitos trabalhistas? Ainda de acordo com o artigo 112 da Constituição Federal, as comarcas não abrangidas por Vara do Trabalho, terão sua competência atribuída a juízes de Direito, e os recursos deverão ser dirigidos ao respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Vejamos o art. 112 CF na integra: A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. VOCÊ SABIA? Súmula 10 do STJ determina que quando instalada Vara do Trabalho em uma localidade, o feito deve seguir para esta nova Vara. Sum. 10: “INSTALADA A JUNTA DE CONCILIAÇÃO E JULGAMENTO, CESSA A COMPETÊNCIA DO JUIZ DE DIREITO EM MATÉRIA TRABALHISTA, INCLUSIVE PARA A EXECUÇÃO DAS SENTENÇAS POR ELE PROFERIDAS.” É importante ressaltar que o juiz de Direito é parte que compõe a estrutura do Poder Judiciário dos Estados, devendo aplicar na solução de suas demandas o direito material e o direito processual do trabalho na solução dos conflitos trabalhistas, seguindo as peculiaridades da lei celetista. E então, compreendeu tudo? Já chegamos na metade de nossa unidade. Vamos avançar mais um pouco!! Direito Processual do Trabalho 28 RESUMINDO: Finalizamos mais uma unidade, você compreendeu tudo? Ficou alguma dúvida? Aprendemos nessa competência que o trabalho e suas proteções se tornaram tão importantes, que estão previstas dentro de cláusulas pétreas, para garantir os direitos dos trabalhadores e ninguém poderá suprimir esses direitos de nenhuma maneira. Aprendemos também sobre a organização da Justiça do Trabalho, vimos que é composta por órgãos jurisdicionais e auxiliares, que se encontram em três níveis: um nacional, um regional e um local. Temos o Tribunal Superior do Trabalho, que é um órgão de cúpula do Poder Judiciário Trabalhista, em nível nacional e está localizado em Brasília e tem jurisdição em todo território nacional, composto por 27 (vinte e sete) ministros togados, todos brasileiros. O TST possui Tribunal Pleno, Órgão Especial,Seções Especializadas, Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, Conselho Superior da Justiça do Trabalho e Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento da Magistratura do Trabalho. Temos também os Tribunais Regionais do Trabalho, que são compostos por, no mínimo, sete desembargadores. Há 24 (vinte e quatro) TRT’s, cada um responsável por uma região, com exceção para hipóteses em que um mesmo Estado da Federação concentra mais de uma Região. Os TRT’s também possuem Tribunal Pleno. E para completar a composição da Justiça do Trabalho, temos as Varas do Trabalho e os juízes do trabalho, que possui competência extensa e na localidade que não existir Vara do Trabalho, caberá ao juiz de direito solucionar os conflitos trabalhistas, devendo os recursos serem direcionados ao respectivo TRT. Direito Processual do Trabalho 29 A competência da justiça do trabalho OBJETIVO: Neste capítulo estudaremos a competência da justiça do trabalho. Iremos entender as atribuições do TST, TRT’s e os juízes do trabalho. Espero que você se surpreenda e não fique com nenhuma dúvida ao final. Preparados?? Vamos lá!! Inicialmente vamos estudar o que é Jurisdição para assim compreender a competência na Justiça do Trabalho. Sempre que falarmos do poder estatal no âmbito da Justiça, devemos saber que há apenas uma jurisdição. Os tribunais possuem jurisdição que é distribuída de acordo com normas constitucionais e ordinárias a seus órgãos. A distribuição da jurisdição entre os órgãos dos tribunais obedece vários critérios e baseado neles os órgãos exercem a jurisdição, porém com os limites, que são os litígios. Sendo assim, competência será a quantia da jurisdição exercida e atribuída aos órgãos do Poder Judiciário. Ainda, segundo Neto e Cavalcante (2019, p. 242), temos que “a competência é o pleno exercício da jurisdição, que se concretiza por meio de órgãos incumbidos de resolver determinados grupos de litígios.” Quais são os critérios utilizados para estabelecer a competência? Sempre utilizaremos os elementos de material, território, funcional e valor para estabelecer a competência. Vamos estudá-los? Competência Material da Justiça do Trabalho Na Justiça do Trabalho a competência material ocorre de acordo com a natureza do conflito, decorrendo da própria relação jurídica. Estará presente em na solução de todos os conflitos provenientes da relação de trabalho que seja prestado por pessoa natural. Direito Processual do Trabalho 30 Encontramos positivada a competência material no artigo 114 da Constituição Federal, vejamos: Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: I - as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II - as ações que envolvam exercício do direito de greve; III - as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores; IV - os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; V - os conflitos de competência entre órgãos com jurisdição trabalhista, ressalvado o disposto no art. 102, I, o; VI - as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho; VII - as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho; VIII - a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir; IX - outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei. Observamos que a competência material da Justiça do Trabalho é extensa e não possui um rol taxativo, além de competências específicas elencadas no artigo supra, compete a esta competência a solução de todas as controvérsias decorrentes de relações de trabalho. Direito Processual do Trabalho 31 A demarcação da competência ocorrerá em virtude da relação jurídica material, que será definida na causa de pedir e do pedido. Apesar de existir outras classificações, costumamos ver na doutrina que no Direito do Trabalho os conflitos podem ser individuais ou coletivos. Para Süssekind (1999, p. 693-694), temos que: o que caracteriza a natureza do dissídio é seu objeto. Se a controvérsia tende a assegurar, a uma ou várias pessoas, o direito proveniente da relação de emprego a que se vincularam, seja este resultado da lei, de sentença, de contrato coletivo ou individual, haverá então dissídio individual. Haverá, em troca, dissídio coletivo, quando a controvérsia tiver por objeto assegurar às pessoas que pertencem a certo grupo ou categoria de trabalhadores novas condições de trabalho, como também a aplicação e interpretação das normas jurídicas às condições de trabalho vigentes. Desta forma, podemos observar que a competência material da Justiça do Trabalho ficou ainda mais extensa após sua ampliação dada pela EC/45 de 2004 e desde então houve questionamento entre juristas se isto não modificaria o objetivo primordial da Justiça do Trabalho, que sempre foi o de proteger ao trabalhador subordinado, hipossuficiente e presente em uma relação jurídica desigual. Definitivamente, devemos discordar, tendo em vista que o fato da própria Justiça Trabalhista por ter sua competência material estendida, trouxe mais serviço aos magistrados trabalhistas, mas acelerou o trâmite processual para soluções desses conflitos. Está gostando dessas descobertas? Conseguiu compreender tudo? Vamos avançar juntos para mais uma Competência da Justiça do Trabalho? Vamos!! Direito Processual do Trabalho 32 Competência Territorial da Justiça do Trabalho A competência territorial na Justiça do Trabalho ocorre de acordo com a prestação de serviço, referência que está positivada no artigo 651 da CLT, vejamos: A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro. Desta forma, aplica-se competência territorial aos empregados brasileiros ou estrangeiros para o local de prestação de serviços. Quando o empregado tiver trabalhado em vários locais, a competência será para o último local de trabalho, nos casos em que o empregado trabalhe ao mesmo tempo em locais diferentes, cada um deles será competente. Devemos ter cuidado, tendo em vista que as peculiaridades do caso concreto deverão ser analisadas, para a não aplicação do critério legal de fixação de competência territorial quando o mesmo representar um óbice de acesso ao Poder Judiciário. Ademais a estas regras que estudamos no art. 651 da CLT, devemos estudar outras três que compõem as regras de competência territorial da Justiça do Trabalho, sendo elas: viajantes e agentes; empregado brasileiro que trabalhe no estrangeiro; empresas que promovem atividades em mais de um local. Vamos juntos? • Viajantes e Agentes: Sempre que houver no dissídio parte que seja agente ou viajante comercial, a competência será designada a vara de onde a empresa possua sede ou filial e é necessário que esteja o empregado subordinado a esta, para os casos em que não houver vara, será competência da vara de onde o empregado tenha domicílio ou a mais próxima. Como determinado no artigo 651, § 1º da CLT, vejamos: Direito Processual do Trabalho 33 § 1º - Quando for parte de dissídio agente ou viajante comercial, a competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a Junta da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima. Há ainda a hipótese em que o empregado não seja subordinadoa sede ou filial, desta forma a competência será da vara do local do domicílio do empregado ou da localidade mais próxima. • Empregado brasileiro que trabalhe no estrangeiro: Quando empregado brasileiro trabalhe no estrangeiro a competência das varas de trabalho se estenderá a dissídios que ocorram em sede ou filial no estrangeiro, desde que não exista convenção internacional dispondo em contrário. Vejamos o que determina o artigo 651, § 2º da CLT: § 2º - A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento, estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário. Desta forma a ação trabalhista deverá ser ajuizada onde o empregador tenha sede no Brasil ou no local de contratação do empregado antes de ser designado ao exterior. SAIBA MAIS: Para que a propositura de ação do brasileiro que trabalhe no exterior possa acontecer, conforme determina art. 651, § 2º da CLT, deverá a empresa ter sede ou filial no Brasil. A lei não proíbe expressamente, mas caso não possua filial em território Brasileiro, terá a citação ter de ser feita por carta rogatória, o que pode inviabilizar a propositura da ação, tendo em vista que nenhuma empresa no estrangeiro irá querer ficar sujeita a decisões do tribunal brasileiro. Direito Processual do Trabalho 34 Importante destacar também que o aludido artigo não obriga o empregado que reside e trabalha no exterior a ajuizar ação no Brasil. • Empresas que promovem atividades em mais de um local: A CLT assegura aos empregados a opção de ajuizar reclamação trabalhista no foro de celebração de contrato ou no foro da prestação de serviço para aqueles que sejam contratados por empresas que promovem atividades fora do local de celebração de contrato, como disciplinado em seu artigo 651, § 2º, observe: § 3º - Em se tratando de empregador que promova realização de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços. Lembre-se que a hipótese retratada no § 3º é para situações em que o trabalho seja em locais incertos, eventuais ou transitórios, por assim o empregador desenvolver seus trabalhos. Conseguiu compreender até aqui? Está gostando? Vamos avançar juntos nessa competência! Competência Funcional da Justiça do Trabalho Quando falarmos em competência funcional da Justiça do Trabalho, estaremos nos referindo aos atos judiciais praticados pelos órgãos da Justiça Trabalhista e pelos juízes em um mesmo processo. Esses atos podem acontecer através de juízes que compõem mesmo órgão ou através de magistrados que fazem parte de diversos órgãos jurisdicionais, onde tramitam processos de primeira e segunda instância, por exemplo. Além de competências habituais, os magistrados possuem também competências administrativas. • Juiz Titular da Vara do Trabalho: Positivado pelo artigo 659 da CLT, compete a ele presidir as audiências; executar as suas próprias decisões; dar posse ao diretor de secretaria e aos demais Direito Processual do Trabalho 35 funcionários da secretaria; despachar as petições e os recursos interpostos pelas partes, fundamentando a decisão recorrida antes da remessa ao tribunal regional; conceder medida liminar, até decisão final do processo em reclamações trabalhistas que visem a tornar sem efeito transferência disciplinada pelos parágrafos do art. 469 da CLT; conceder medida liminar até decisão final do processo, em reclamações trabalhistas que visem reintegrar no emprego dirigente sindical afastado, suspenso ou dispensado pelo empregador. • Desembargador Presidente do tribunal Regional do Trabalho: Positivado pelo artigo 682 e 727, da CLT, compete a ele dar posse aos juízes titulares de varas e juízes substitutos e funcionários do próprio tribunal e conceder férias e licenças aos mesmos; presidir as sessões do tribunal; presidir as audiências de conciliação nos dissídios coletivos; executar suas próprias decisões e as proferidas pelo TRT; convocar suplentes dos juízes do tribunal, nos impedimentos destes; representar ao presidente do TST contra os juízes titulares que faltarem a três reuniões ou sessões consecutivas, sem motivo justificado; despachar os recursos interpostos pelas partes; requisitar às autoridades competentes, nos casos de dissídio coletivo, a força necessária, sempre que houver ameaça de perturbação da ordem; exercer correição, para tribunais não divididos em turmas; distribuir os feitos, designando os juízes que os devem relatar; designar, dentre os funcionários do TRT e das varas existentes em uma mesma localidade, o responsável pela função de distribuidor. • Tribunais Regionais do Trabalho: Possuem competência originária na solução de conflitos individuais ou coletivos, iniciados no próprio Tribunal. A instância para recurso será o Tribunal Superior do Trabalho, que decorre do duplo grau de jurisdição. • Tribunal Superior do Trabalho: Como já estudamos na unidade anterior, o TST possui Tribunal Pleno; Órgão Especial; Seção Especializada em Dissídios Coletivos; Seção Especializada em Dissídios Individuais, Turmas. Direito Processual do Trabalho 36 Você lembra tudo que estudamos na unidade anterior sobre o TST? Se não lembra, retorne para recordar, se lembra, vamos juntos seguir adiante! • Juiz de Direito: É de responsabilidade dos juízes de direito administração da Justiça do Trabalho acrescida da jurisdição dos artigos 668 da CLT e 112 da CF, vejamos: Art. 668 - Nas localidades não compreendidas na jurisdição das Juntas de Conciliação e Julgamento, os Juízos de Direito são os órgãos de administração da Justiça do Trabalho, com a jurisdição que lhes for determinada pela lei de organização judiciária local. Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. Desta forma, quando sua competência for de administração da justiça, será igual a competência das varas de trabalho e em comarcas com mais de um juízo de Direito, a competência será determinada entre os juízes por distribuição ou pela divisão judiciária local. Competência em Função do Valor da Causa e a Justiça Trabalhista A CLT não possui regras explícitas para determinar regras acerca do valor da causa na Justiça do Trabalho, dessa forma utilizaremos subsidiariamente os critérios elencados pelo Código de Processo Civil. O valor da causa se refere ao pedido, demonstrando o bem lesado. No direito trabalhista o valor da causa é utilizado para determinar o procedimento e se caberá ou não recurso. O Direito Processual do Trabalha possui o procedimento ordinário, sumário e sumaríssimo. Vamos estudá-los juntos? • Procedimento Sumário: Este procedimento será aplicado para causas com valor igual ou inferior a dois salários-mínimos, Direito Processual do Trabalho 37 não sendo permitido recurso, exceto se for o caso de matéria constitucional. • Procedimento Sumaríssimo: Este procedimento será aplicado para os conflitos individuais com valor de causa igual ou inferior a 40 salários-mínimos e não podem fazer parte deste processo as demandas em que forem partes Administração Pública direta, a autárquica e a fundacional. • Procedimento Ordinário: Este procedimento será aplicado para causas com valor que ultrapasse 40 (quarenta) salários mínimos, na data de seu ajuizamento. SAIBA MAIS: Há também no Processo do Trabalho o procedimento especial, para mandado de segurança, ação rescisória e inquérito policial para apuração de falta grave. Conflitos de Competência Quando dois órgãos jurisdicionais entram em conflito no tocante ao exercício de competência,dizemos que há conflito de competência, este acontecimento está positivado no artigo 66 do Código de Processo Civil, vejamos: Há conflito de competência quando: I - 2 (dois) ou mais juízes se declaram competentes; II - 2 (dois) ou mais juízes se consideram incompetentes, atribuindo um ao outro a competência; III - entre 2 (dois) ou mais juízes surge controvérsia acerca da reunião ou separação de processos. Parágrafo único. O juiz que não acolher a competência declinada deverá suscitar o conflito, salvo se a atribuir a outro juízo. Direito Processual do Trabalho 38 Desta forma, sabemos que o conflito se dá de forma positiva quando duas autoridades se declaram simultaneamente competentes julgar determinada matéria ou de forma negativa quando se declaram incompetentes para solucionar a lide. E aí? Conseguiu compreender todo o assunto? Vamos fazer uma breve revisão? RESUMINDO: Gostou de conhecer a Competência da Justiça do Trabalho? Extensa e cheia de detalhes, não é? Nesse momento de nosso estudo você pode entender a competência da Justiça trabalhista e entender as atribuições do TST, TRT’s e os juízes do trabalho. Inicialmente aprendemos que sempre que falarmos do poder estatal no âmbito da Justiça, devemos saber que há apenas uma jurisdição. Os tribunais possuem jurisdição que é distribuída de acordo com normas constitucionais e ordinárias a seus órgãos. Assim como que a competência será a quantia da jurisdição exercida e atribuída aos órgãos do Poder Judiciário. Aprendemos também que a competência será estabelecida através de elementos materiais, territoriais, funcionais e de valor para estabelecer a competência. E ainda que poderá haver conflito de competência positivo ou negativo. Direito Processual do Trabalho 39 As Partes e Procuradores na Justiça do Trabalho OBJETIVO: Estamos chegando ao final de uma unidade! Espero que tenham gostado e feito muitas descobertas, aprendendo e desenvolvendo cada uma das competências!! Neste capítulo poderemos identificar as partes e procuradores na Justiça do Trabalho. Vamos juntos para a última competência desta unidade? Vamos juntos!! No Processo há sujeitos, que são os titulares da relação de Direito Material e são as partes no conflito a ser solucionado em juízo. Sendo assim aqueles que participam do contrato são sujeitos da lide. Conceito A princípio devemos conceituar o que é Parte, que é aquele que demanda em nome próprio ou que tem nome em demanda para atuação de uma vontade da lei, sendo assim, podemos dizer que a parte é o sujeito da relação jurídica processual. Segundo Leite (2019, p. 484), temos que: Os principais sujeitos do processo são: as partes (autor e réu) – como o próprio termo está a dizer, parte é sempre parcial, pois tem interesse jurídico em sair vencedora na lide; logo, as partes são sujeitos do processo e sujeitos da lide. Os terceiros intervenientes também são sujeitos do processo e da lide. o juiz – como representante do Estado é sujeito do processo cujo papel é compor o conflito com imparcialidade e justiça, fazendo atuar o ordenamento jurídico. O juiz é, pois, sujeito (desinteressado) do processo no que concerne à pretensão deduzida pelas partes; logo, ele não é sujeito da lide. Direito Processual do Trabalho 40 Não podemos deixar de elencar que há outros sujeitos que fazem parte do processo, praticando atos processuais, porém não sendo possuidores de qualquer interesse no conflito. Sujeitos No Processo, há sujeitos permanentes, que são por exemplo distribuidor, secretário de audiência, oficial de justiça; os eventuais: peritos, tradutores, intérpretes e outros; assim como os terceiros; testemunhas, licitantes e outros. Podemos dizer também que são sujeitos do processo os advogados, o Ministério Público do Trabalho, que atuam em nome próprio como órgão agente para defender a ordem jurídica, o regime democrático, os interesses individuais, difusos, coletivos, sociais ou indisponíveis ou ainda como órgão interveniente, cuja função é emitir parecer nos autos quando houver interesse social que justifique a intervenção do MPT. Capacidade Ao falar sobre as partes do processo trabalhista, devemos elencar que elas estão relacionadas com três temas, como disse Rodolfo de Pamplona Filho (2020, p. 314) “a capacidade de ser parte, como medida da personalidade jurídica, a capacidade ad causam, que está ligada à noção de legitimidade para figurar no processo, e a denominada capacidade postulatória, que é, justamente, a possibilidade de atuar em processo, formulando pedidos que serão conhecidos na demanda jurídico- processual.” IMPORTANTE: Nesse ponto precisamos esclarecer que capacidade é a aptidão para exercer os direitos. Dessa forma todo sujeito possui direitos e pode usufruir deles. Lembre-se que nem sempre o possuidor do direito poderá usufruir deste, por não ser possuidor de discernimento suficiente para negociar ou exercer sua vontade. Direito Processual do Trabalho 41 Desta forma, de acordo com o art. 70 do CPC dizemos que todos que possuem personalidade jurídica possuem também a capacidade de ser parte. Não esqueçamos que a capacidade de ser parte se extingue com a morte, como previsto no artigo 6º do Código Civil. Ainda sobre capacidade, devemos mencionar que para ter capacidade de ser parte em um processo, ou seja, ter aptidão geral em ter e exercer direitos será adquirida ao completar 18 anos, que é chamada de capacidade plena. Devemos mencionar também a capacidade postulatória, que corresponde a capacidade de dirigir-se ao juiz no processo. Essa capacidade no Direito Processual Civil é privativa do advogado, conforme artigo art. 103 do CPC, quando o litígio for no Processo Trabalhista, essa capacidade será da parte, ou seja, do reclamante e do reclamado, sendo assim possuem o jus postulandi diretamente, não necessitando do profissional de direito para o intermédio, conforme artigo 791, §§ 1º e 2º, da CLT. Vejamos: Art. 791 - Os empregados e os empregadores poderão reclamar pessoalmente perante a Justiça do Trabalho e acompanhar as suas reclamações até o final. § 1º - Nos dissídios individuais os empregados e empregadores poderão fazer-se representar por intermédio do sindicato, advogado, solicitador, ou provisionado, inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. § 2º - Nos dissídios coletivos é facultada aos interessados a assistência por advogado. A determinação de que as partes do processo trabalhista não precisam de advogado, como visto no artigo supra, já foi duramente criticada por supostamente ferir a prerrogativa da advocacia indispensável à administração da justiça, apesar disto, o artigo 791 da CLT continua válido e esse direito sendo exercido pelas partes. Direito Processual do Trabalho 42 Figura 2: Ilustração da justiça Fonte: Pixabay No Direito Processual do Trabalho as partes são chamadas de reclamante (autor) e reclamado (réu). Em caso de dissídio coletivo, as expressões utilizadas são “suscitante” e “suscitado”, mas também é possível se valer de outras formas, como demandante, vindicante e outros. Representação e Assistência Como sabemos, ao exercer a manifestação de vontade, haverá repercussão processual. Sendo assim, há necessidade de verificar a capacidade processual do demandante para que os efeitos processuais possam surtir seus efeitos. Algumas pessoas tem personalidade jurídica, mas não possuem capacidade para praticar atos jurídicos e fazer valer seus direitos, sendo assim precisam ser representadas. Outras possuem capacidade parcial para praticar os atos jurídicos, nesse caso, precisando ser assistidas para prática dos atos em juízo. Interessante, não é? Vamos estudar esses conceitos? Como já vimos tem capacidade de ser parte aquele que tem personalidade jurídica, desta forma a parte pode demandar em juízo diretamente. Sendo assim, há premissa de capacidade para empregados e empregadoresatuarem em nome próprio para solucionar conflitos em justiça. Direito Processual do Trabalho 43 Observe que por ser a incapacidade no Direito Processual do Trabalho uma exceção, na grande maioria das vezes a parte terá sua manifestação de vontade a partir do próprio sujeito de direito. • Representação: Em relação às pessoas jurídicas, que são desprovidas de corpo, existe inviabilidade fática para a manifestação de vontade, então a representação dessas entidades se fará através de alguém que a exercerá em seu nome. Não podemos deixar de mencionar o menor de 16 (dezesseis) anos de idade, que apesar de sujeito de direito e biologicamente apto a manifestar sua vontade não pode de maneira nenhuma exercer sozinho e pessoalmente os atos da vida civil, devendo ser o incapaz ser representado por um capaz com fulcro de realizar sua pretensão em juízo. É importante mencionar que não é qualquer pessoa menor de 16 anos que poderá acionar a Justiça Trabalhista, segundo nossa legislação pátria, tendo em vista que só é permitido laborar a partir dos 14 anos, nossa legislação prevê que em necessidade de demandar em juízo por força do contrato de trabalho, deverá aquele que seja maior de 14 anos e menor de 16 anos, ser representado. Em relação a este tema, a CLT não foi objetiva ao tratá-lo o que gera muitas dúvidas e dificuldades práticas, gerando a necessidade de interpretar. • Assistência: Para a parte que possui direito e não pode demandar sozinho por incapacidade, deverá estar assistido por pais, tutor ou curador, na forma da lei. Como determina o artigo 71 do Código de Processo Penal, que determina “O incapaz será representado ou assistido por seus pais, por tutor ou por curador, na forma da lei”. A assistência também é necessária para ébrios habituais e os viciados em tóxico aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade, de acordo com o artigo 4°, incisos I e II do Código Civil. Direito Processual do Trabalho 44 VOCÊ SABIA? Os indígenas terão sua capacidade regulada por legislação especial, conforme determina o parágrafo único do art. 4º do CC. Cumpre ainda ressaltar que a CLT faculta a assistência em diversos momentos ao longo da execução contratual, a exemplo, o artigo 439, permite ao menor firmar recibo pelo pagamento de salário, mas expressamente veda ao menor de dezoito anos dar, sem assistência de seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida, vejamos: Art. 439 - É lícito ao menor firmar recibo pelo pagamento dos salários. Tratando-se, porém, de rescisão do contrato de trabalho, é vedado ao menor de 18 (dezoito) anos dar, sem assistência dos seus responsáveis legais, quitação ao empregador pelo recebimento da indenização que lhe for devida. Há hipóteses em que o menor de 16 anos possui capacidade plena, não precisando ser assistido, a exemplo de quando o menor possui economia própria, tendo todos seus atos praticados possuindo validade. Sendo assim a assistência imposta pelo artigo 439 CLT será necessária quando o trabalhador menor não se enquadrar em qualquer das hipóteses do parágrafo único do art. 5º do CC. Observe: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; II - pelo casamento; III - pelo exercício de emprego público efetivo; Direito Processual do Trabalho 45 IV - pela colação de grau em curso de ensino superior; V - pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. (Grifo nosso) Não podemos confundir a capacidade dada por esse inciso supra na relação de trabalho e os atos praticados por menor dentro dessa relação com a postulação de ação em juízo, tendo em vista que o Direito do Trabalho possui regra própria sobre o tema. A CLT determina representação dos trabalhadores abaixo de dezoito anos, por seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público ou curador nomeado em juízo. Vejamos: Art. 793. A reclamação trabalhista do menor de 18 anos será feita por seus representantes legais e, na falta destes, pela Procuradoria da Justiça do Trabalho, pelo sindicato, pelo Ministério Público estadual ou curador nomeado em juízo. Segundo Pamplona (2020, p 320) temos: Para sistematizar o assunto, sugerimos o seguinte: i) se acima de dezoito anos, absolutamente capaz para todos os atos da vida civil, inclusive do ponto de vista processual; ii) se entre dezesseis e dezoito anos, configurada quaisquer das hipóteses do parágrafo único do art. 5º do CC, o trabalhador possuirá capacidade plena. Sem o enquadramento no aludido dispositivo, o jovem menor de dezoito anos não conta com a mesma capacidade plena, devendo ser assistido; iii) se abaixo de dezesseis anos, será representado por seus representantes legais, e na falta, pelo Ministério Público do Trabalho, pelo sindicato ou curador nomeado. A prescrição não corre para o menor de 18 anos, em razão de sua necessária proteção, conforme o artigo 440 da CLT. Direito Processual do Trabalho 46 Representação do empregado Você sabia que o empregado pode ser representado em audiência? Não?? Então vamos juntos aprender sobre isto? Ao ser representado em juízo o empregado afirma que apesar de não existir sua presença física no ato, há interesse em prosseguir com determinada demanda. Cumpre ressaltar que essa representação é fática, tendo em vista que o representante do empregado não poderá por ele transigir, desistir da ação, confessar, recorrer, entre outros. A possibilidade de representação por parte do empregado é uma exceção trazida pela CLT. Previsto no artigo 843 CLT, vejamos: Na audiência de julgamento deverão estar presentes o reclamante e o reclamado, independentemente do comparecimento de seus representantes salvo, nos casos de Reclamatórias Plúrimas ou Ações de Cumprimento, quando os empregados poderão fazer-se representar pelo Sindicato de sua categoria. (Grifo nosso) Desta forma, nos casos de reclamatórias plúrimas, que são os casos em que existe litisconsórcio ativo ou nas ações de cumprimento, que são só casos em que se pretende o cumprimento de acordo ou sentença normativa, poderão os empregados fazer-se representar pelo sindicato de sua categoria. Essa possibilidade de representação é taxativa, não podendo o sindicato representar o empregado em outras hipóteses além de demandas plúrimas ou nas ações de cumprimento. Podemos observar ainda que o § 2º do artigo 843 da CLT determina que quando o empregado não tiver a possibilidade de comparecer pessoalmente em audiência por motivo de doença ou motivo poderoso, devidamente comprovado, poderá ser representado por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou por seu sindicato. Observe: § 2º Se por doença ou qualquer outro motivo poderoso, devidamente comprovado, não for possível ao empregado comparecer pessoalmente, poderá fazer-se representar por outro empregado que pertença à mesma profissão, ou pelo seu sindicato. Direito Processual do Trabalho 47 Figura 3: Ilustração da representação Fonte: Pixabay Estão gostando dessas descobertas? Estamos quase finalizando nossa segunda unidade!! Espero que você tenha se aprofundado no conteúdo e aprendido tudo! Vamos juntos? RESUMINDO: Animados por estarmos finalizando nossa segunda unidade? Compreendeu todo o assunto? Vamos para a última revisão dessa unidade? Aprendemos que no Processo