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APG 26 | Feliphe Mascarenhas 1 – Revisar a morfometria das mamas. 2 – Compreender a epidemiologia, fatores de risco, fisiopatologia, manifestações clínicas do CA de mama. 3 – Estudar a avaliação da mama (Exame físico). 4 – Entender o diagnóstico e tratamento do CA de mama. ➢ Alterações benignas e malignas A morfometria das mamas refere-se à avaliação das dimensões, forma e simetria das mamas, levando em consideração aspectos anatômicos e funcionais. Essa avaliação é útil tanto em contextos clínicos, como no diagnóstico de doenças mamárias, quanto em situações estéticas, como na cirurgia plástica reconstrutiva e estética. Componentes Anatômicos da Mama As mamas são estruturas localizadas sobre o músculo peitoral maior, compostas por tecido glandular, tecido adiposo e ligamentos suspensores (ligamentos de Cooper), que dão sustentação às mamas. A morfometria avalia essas estruturas para entender suas dimensões e características. Os principais parâmetros avaliados na morfometria das mamas incluem: • Tamanho: Refere-se ao volume mamário, influenciado pela proporção de tecido glandular e adiposo. • Forma: A forma da mama varia entre as mulheres e pode ser arredondada, em formato de gota, ou outras variações, que podem ser influenciadas pela idade, genética, amamentação e peso corporal. • Simetria: Muitas mulheres apresentam mamas ligeiramente assimétricas, o que é normal. No entanto, grandes assimetrias podem ser esteticamente indesejadas ou indicativas de condições patológicas. • Altura da Base: A altura da base da mama é medida desde o ponto mais alto da mama (polo superior) até o sulco inframamário (onde a mama encontra o tórax). • Diâmetro da Mama: O diâmetro é avaliado na base da mama e pode influenciar o tipo de sutiã ou cirurgia indicada. • Complexo Aréolo-Papilar (CAP): Avalia-se o tamanho, forma e posição do mamilo e da aréola, que podem influenciar a estética e a função (por exemplo, durante a amamentação). Importância da Morfometria das Mamas A avaliação morfométrica é importante em diversos contextos clínicos e estéticos: 2.1. Diagnóstico e Avaliação Clínica • Tumores e Nódulos: Alterações no tamanho, simetria ou forma das mamas podem ser indicativas de tumores ou condições benignas, como fibroadenomas. A avaliação da morfometria é fundamental para detectar mudanças estruturais que possam sugerir malignidade. • Assimetria Mamária: A assimetria entre as mamas pode ser congênita ou adquirida, e em casos acentuados, pode gerar desconforto estético ou emocional. O exame clínico das mamas utiliza a morfometria para avaliar essas alterações. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Pós-amamentação: Muitas mulheres apresentam alterações no tamanho e forma das mamas após a amamentação. A perda de volume e a ptose mamária (queda das mamas) são comuns e podem ser avaliadas para fins de planejamento de cirurgia reconstrutiva. 2.2. Cirurgia Plástica e Reconstrutiva • A morfometria das mamas é essencial no planejamento de cirurgias plásticas, como a mamoplastia de aumento, mamoplastia redutora e mastopexia (lifting das mamas). • Mamoplastia Redutora: Pacientes com hipertrofia mamária (mamas grandes) podem sofrer de dores nas costas, no pescoço e nos ombros. A avaliação morfométrica ajuda a determinar a quantidade de tecido que deve ser removida para atingir uma proporção equilibrada entre o tamanho das mamas e o corpo da paciente. • Mamoplastia de Aumento: Na escolha do tamanho e tipo de implante mamário, a morfometria é usada para avaliar o volume ideal que harmonize com o tórax e proporcione um resultado estético satisfatório. • Mastopexia: Em casos de ptose (queda das mamas), a morfometria é essencial para planejar a elevação da mama e reposicionar o complexo aréolo-papilar para uma aparência mais estética. 2.3. Reconstrução Mamária Pós-Mastectomia • Após uma mastectomia (remoção parcial ou total da mama devido ao câncer), a morfometria desempenha um papel crucial na reconstrução mamária. A avaliação precisa das dimensões da mama original e da simetria entre as mamas é importante para obter um resultado reconstrutivo equilibrado. • A reconstrução pode ser feita com tecidos autólogos (retalhos de tecido do próprio corpo) ou com implantes mamários, e o planejamento envolve uma avaliação morfométrica cuidadosa. Técnicas de Medição na Morfometria Mamária Existem várias técnicas para avaliar a morfometria das mamas, utilizadas principalmente em contextos cirúrgicos e estéticos: • Medidas Manuais: Utilizam fitas métricas e compasso para medir o diâmetro da mama, a distância do mamilo até o sulco inframamário, e a distância do mamilo até a clavícula ou até o esterno. • Avaliação 3D: Técnicas avançadas, como a tomografia tridimensional ou fotografia 3D, permitem criar imagens precisas das mamas, facilitando o planejamento cirúrgico. A reconstrução 3D oferece uma visão detalhada da forma, volume e simetria das mamas, permitindo simulações pré-operatórias. • Ultrassonografia Mamária: Além de ser uma ferramenta diagnóstica para avaliar lesões mamárias, a ultrassonografia pode ser usada para medir a espessura do tecido glandular e adiposo, ajudando na avaliação morfométrica das mamas. Alterações Morfométricas ao Longo do Tempo As mamas passam por diversas mudanças ao longo da vida devido a fatores hormonais, gestacionais e envelhecimento, o que influencia a morfometria: • Ciclo Menstrual: Durante o ciclo menstrual, pode haver flutuações no tamanho e sensibilidade das mamas, devido às mudanças hormonais. A retenção de líquidos e o aumento temporário da glândula mamária podem causar variações sutis. • Gravidez e Amamentação: A gravidez e a lactação resultam em aumento significativo do volume mamário devido à expansão das glândulas mamárias. Após a amamentação, muitas mulheres experimentam redução de volume e ptose mamária. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Menopausa: Com a queda dos níveis hormonais, as mamas tendem a perder volume glandular, sendo substituído por tecido adiposo, o que altera a textura e a forma. A ptose mamária também pode se acentuar nesse período. Anomalias Morfométricas Em alguns casos, anomalias no desenvolvimento ou alterações adquiridas na morfometria das mamas podem ocorrer, como: • Hipertrofia Mamária: Crescimento excessivo das mamas, muitas vezes levando a desconforto físico e emocional. • Hipoplasia Mamária: Desenvolvimento insuficiente das mamas, com volume menor que o esperado. • Mamas Tuberosas: Alteração congênita na forma da mama, caracterizada por base estreita e desenvolvimento glandular insuficiente em certas regiões. • Gigantomastia: Forma extrema de hipertrofia mamária que pode ocorrer em resposta a hormônios durante a puberdade, gravidez ou até mesmo sem causa aparente, exigindo tratamento cirúrgico. Considerações Funcionais Além da estética, a morfometria das mamas também tem impacto funcional, principalmente em situações relacionadas à postura e amamentação: • Dor Musculoesquelética: Mamas de grandes dimensões podem causar sobrecarga na coluna e ombros, resultando em dores nas costas, pescoço e até dificuldade de movimentação. • Amamentação: Alterações morfométricas podem influenciar a produção de leite e a capacidade de amamentar, especialmente se houver deformidades ou alterações cirúrgicas no complexo aréolo-papilar. Definição • Câncer de Mama: Tumor maligno que se origina no tecido mamário. • Localização: o Pode se desenvolver nos ductos mamários (câncer ductal). o Ou nos lóbulos, responsáveis pela produção de leite (câncer lobular). 1. Incidência Global • Frequência: O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres globalmente, representando cerca de 25% de todos os casos de câncer feminino. • Número de Casos: Estima-se que aproximadamente 2,3 milhões de novos casos sejam diagnosticados a cada ano no mundo. • Distribuição Geográfica:células cancerígenas, bloqueando o estímulo ao crescimento. • Indicações: Usado tanto em mulheres na pré-menopausa quanto na pós-menopausa. • Efeitos Colaterais: o Ondas de calor. o Aumento do risco de trombose e embolia pulmonar. o Pequeno risco de câncer de endométrio (em mulheres pós-menopausa). 3.2. Inibidores de Aromatase • Exemplos: Anastrozol, Letrozol, Exemestano. • Mecanismo: Esses medicamentos bloqueiam a enzima aromatase, responsável pela conversão de androgênios em estrogênio nos tecidos periféricos (especialmente em mulheres pós-menopausa). Com menos estrogênio circulando, há menos estímulo para o crescimento das células tumorais. • Indicações: Usados principalmente em mulheres na pós-menopausa, pois nesses casos a principal fonte de estrogênio é a aromatização periférica (não os ovários, que já cessaram a produção de estrogênio). • Efeitos Colaterais: o Perda de densidade óssea (osteoporose). o Dores articulares e musculares. o Ondas de calor. o Elevação do colesterol. 3.3. Supressão Ovariana (Ablação Hormonal) • Exemplos: Análogos do GnRH (goserelina, leuprolida). • Mecanismo: Em mulheres na pré-menopausa, a principal fonte de estrogênio são os ovários. A supressão ovariana é usada para inibir a função dos ovários, reduzindo drasticamente os níveis de estrogênio circulante. • Métodos: APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Análogos do GnRH: Esses medicamentos agem no eixo hipotalâmico-hipofisário, desativando a produção de hormônios que estimulam os ovários (FSH e LH). o Ooforectomia: A remoção cirúrgica dos ovários (não reversível) também pode ser usada para suprimir a produção de estrogênio. o Radioterapia Ovariana: Menos comum, pode ser usada para interromper a função ovariana. • Indicações: Pacientes na pré-menopausa com câncer de mama RE+ em alto risco de recidiva. • Efeitos Colaterais: o Sintomas de menopausa (ondas de calor, secura vaginal). o Redução da densidade óssea. 4. Protocolos de Tratamento • Terapia Adjuvante: A terapia hormonal geralmente é utilizada por 5 a 10 anos após a cirurgia, dependendo do risco de recidiva. Em alguns casos, pode-se iniciar com tamoxifeno por alguns anos, seguido de inibidor de aromatase na pós-menopausa. • Terapia Neoadjuvante: Em alguns casos de câncer de mama hormônio-dependente, a terapia hormonal pode ser administrada antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor e facilitar sua remoção. • Terapia Paliativa: Em casos avançados ou metastáticos, a terapia hormonal pode ser usada para controle da doença, prolongando a sobrevida e melhorando a qualidade de vida. 5. Efeitos Colaterais Os efeitos colaterais da terapia hormonal variam dependendo da classe de medicamentos utilizada, mas em geral incluem: • Ondas de calor. • Secura vaginal e outros sintomas de menopausa. • Diminuição da libido. • Aumento do risco de osteoporose, especialmente com os inibidores de aromatase e supressão ovariana. • Risco aumentado de trombose venosa profunda e embolia pulmonar, particularmente com o tamoxifeno. • Dor articular (artralgia) e muscular, mais comum com inibidores de aromatase. 6. Monitoramento e Cuidados Durante a Terapia Hormonal • Densitometria Óssea: Pacientes em terapia com inibidores de aromatase devem realizar avaliação regular da densidade óssea, devido ao risco aumentado de osteoporose. Pode ser necessário suplementar com cálcio e vitamina D ou prescrever medicamentos para fortalecer os ossos (bifosfonatos ou denosumabe). • Avaliação de Risco Cardiovascular: Pacientes em uso prolongado de terapia hormonal devem ser monitoradas quanto a fatores de risco cardiovascular, pois alguns agentes (como tamoxifeno) podem elevar o risco de trombose. • Exames Ginecológicos: Mulheres em uso prolongado de tamoxifeno, especialmente na pós-menopausa, devem ser monitoradas quanto ao risco de câncer de endométrio. 7. Resistência à Terapia Hormonal APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Em alguns casos, o tumor pode desenvolver resistência à terapia hormonal ao longo do tempo. Mecanismos incluem mutações nos receptores de estrogênio ou vias de sinalização que permitem o crescimento do tumor independentemente da presença de estrogênio. • Quando isso ocorre, pode ser necessário ajustar o tratamento, introduzindo outras terapias, como inibidores de CDK4/6 (ex.: palbociclibe), que podem ser usados em combinação com a terapia hormonal para tumores avançados que se tornaram resistentes. 8. Combinações Terapêuticas • Em casos de câncer de mama metastático hormônio-dependente, a terapia hormonal pode ser combinada com terapias-alvo para melhorar a eficácia. Por exemplo: o Inibidores de CDK4/6: (palbociclibe, ribociclibe, abemaciclibe) usados junto com a terapia hormonal para bloquear o ciclo celular e inibir o crescimento tumoral. o Inibidores de mTOR: (everolimo) podem ser combinados com terapia hormonal em tumores que desenvolveram resistência. 9. Perspectiva e Prognóstico • A terapia hormonal é muito eficaz para tumores de mama hormônio-dependentes, reduzindo o risco de recidiva e prolongando a sobrevida das pacientes. • Como parte de um tratamento multimodal, combinada com cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a terapia hormonal oferece uma abordagem personalizada que melhora os resultados para muitas mulheres com câncer de mama. Terapias-alvo (Terapias Biológicas) As terapias-alvo ou terapias biológicas são tratamentos inovadores que agem diretamente em alvos específicos nas células cancerígenas, interferindo em processos moleculares responsáveis pelo crescimento e proliferação tumoral. Ao contrário da quimioterapia tradicional, que afeta tanto células normais quanto cancerígenas, as terapias-alvo são mais seletivas, atacando especificamente proteínas ou vias de sinalização envolvidas no desenvolvimento do câncer. No câncer de mama, as terapias-alvo desempenham um papel crucial, principalmente para pacientes com tumores que expressam certas mutações ou marcadores biológicos, como o HER2. A seguir está uma explicação detalhada das terapias-alvo no contexto do câncer de mama: 1. Objetivos das Terapias-Alvo • Inibir o Crescimento Tumoral: Ao bloquear moléculas-chave envolvidas no crescimento e sobrevivência das células tumorais. • Minimizar Danos às Células Normais: Aumentando a precisão do tratamento, diminuindo os efeitos colaterais sistêmicos típicos da quimioterapia. • Controlar Doenças Metastáticas: Melhora o controle de tumores que se espalharam para outras partes do corpo. 2. Principais Tipos de Terapias-Alvo no Câncer de Mama 2.1. Inibidores de HER2 (Receptor 2 do Fator de Crescimento Epidérmico Humano) • HER2 é uma proteína que, quando superexpressa, estimula o crescimento descontrolado das células tumorais. Aproximadamente 15-20% dos cânceres de mama apresentam amplificação do gene HER2, o que os torna mais agressivos. A terapia-alvo para esse subtipo envolve bloquear essa via de sinalização. APG 26 | Feliphe Mascarenhas Principais Medicamentos: • Trastuzumabe (Herceptin): o Mecanismo de Ação: É um anticorpo monoclonal que se liga à proteína HER2 na superfície das células cancerosas, bloqueando o sinal de crescimento e marcando as células para destruição pelo sistema imunológico. o Indicações: Usado no câncer de mama HER2-positivo, tanto em estágios iniciais como avançados ou metastáticos. o Efeitos Colaterais: Pode causar cardiotoxicidade (disfunção cardíaca), fadiga, sintomas semelhantes à gripe. • Pertuzumabe (Perjeta): o Mecanismo de Ação: É um anticorpo monoclonal que impede a dimerização (junção) do HER2 com outros receptores da família HER, bloqueando o sinal de crescimento. Usado em combinação com trastuzumabe. o Indicações: Usado principalmente em combinação com trastuzumabe e quimioterapia em câncer de mama HER2-positivo metastático. o Efeitos Colaterais: Semelhantes aos do trastuzumabe, incluindo risco de cardiotoxicidade.• T-DM1 (Trastuzumabe Emtansina): o Mecanismo de Ação: Combina trastuzumabe com um agente quimioterápico (emtansina), permitindo a entrega direta do quimioterápico às células cancerígenas HER2-positivas. Quando o trastuzumabe se liga ao HER2, o agente quimioterápico é liberado dentro da célula tumoral. o Indicações: Usado em câncer de mama HER2-positivo que progrediu após outros tratamentos com HER2. o Efeitos Colaterais: Fadiga, aumento das enzimas hepáticas, náuseas e trombocitopenia (redução de plaquetas). 2.2. Inibidores de CDK4/6 • O ciclo celular é controlado por proteínas chamadas quinases dependentes de ciclina (CDKs). O bloqueio das CDKs 4 e 6 impede que as células tumorais avancem no ciclo celular, evitando a proliferação. Principais Medicamentos: • Palbociclibe (Ibrance), Ribociclibe (Kisqali), Abemaciclibe (Verzenio): o Mecanismo de Ação: Inibem as enzimas CDK4 e CDK6, bloqueando a transição da fase G1 para a fase S do ciclo celular, interrompendo a divisão das células tumorais. o Indicações: Usados principalmente em câncer de mama metastático hormônio-receptor positivo (ER+) e HER2-negativo, em combinação com terapia hormonal. o Efeitos Colaterais: Neutropenia (redução dos glóbulos brancos), fadiga, diarreia, aumento das enzimas hepáticas. 2.3. Inibidores de mTOR • O mTOR (mammalian target of rapamycin) é uma proteína envolvida no crescimento celular e na sobrevivência. Alguns tumores desenvolvem resistência à terapia hormonal através da ativação da via mTOR. Principal Medicamento: APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Everolimo (Afinitor): o Mecanismo de Ação: Inibe a proteína mTOR, interferindo na sinalização que promove o crescimento celular e a proliferação. o Indicações: Usado em combinação com terapia hormonal (ex.: exemestano) para câncer de mama metastático hormônio-receptor positivo (ER+), especialmente em pacientes que desenvolveram resistência à terapia hormonal. o Efeitos Colaterais: Estomatite (inflamação da mucosa oral), fadiga, erupções cutâneas, diarreia e aumento do risco de infecções. 2.4. Inibidores de PARP • As proteínas PARP (poli-ADP ribose polimerase) estão envolvidas na reparação do DNA. Inibidores de PARP bloqueiam essa via de reparo, causando acúmulo de danos ao DNA nas células tumorais, o que leva à morte celular. Principal Medicamento: • Olaparibe (Lynparza): o Mecanismo de Ação: Inibe a enzima PARP, interrompendo a capacidade de reparo de DNA nas células tumorais com mutações BRCA1/BRCA2, levando à morte celular. o Indicações: Usado em pacientes com câncer de mama metastático HER2-negativo que têm mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. o Efeitos Colaterais: Fadiga, náusea, anemia, neutropenia. 2.5. Terapias-Alvo Contra Angiogênese • Os tumores precisam formar novos vasos sanguíneos (angiogênese) para crescer. Bloquear essa formação pode restringir o suprimento de nutrientes e oxigênio ao tumor. Principal Medicamento: • Bevacizumabe (Avastin): o Mecanismo de Ação: É um anticorpo monoclonal que bloqueia o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), inibindo a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor. o Indicações: Já foi utilizado no câncer de mama metastático, mas seu uso foi descontinuado em muitos países devido à falta de benefício de sobrevida geral e ao aumento dos efeitos colaterais. o Efeitos Colaterais: Hipertensão, sangramentos, trombose, perfuração intestinal. 3. Efeitos Colaterais Gerais das Terapias-Alvo • Cardiotoxicidade: Algumas terapias, como o trastuzumabe, podem causar insuficiência cardíaca, exigindo monitoramento regular da função cardíaca. • Toxicidade Hematológica: Como a neutropenia e trombocitopenia, particularmente com inibidores de CDK4/6 e terapias que afetam a divisão celular. • Reações Gastrointestinais: Náusea, diarreia e estomatite são comuns com muitos agentes. • Fadiga: Um efeito colateral comum em várias terapias-alvo. • Aumento do Risco de Infecções: Especialmente com terapias que afetam o sistema imunológico ou causam mielossupressão. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 4. Vantagens das Terapias-Alvo • Maior Precisão: Agem diretamente nos alvos moleculares envolvidos no crescimento do tumor, poupando mais as células normais. • Menos Efeitos Sistêmicos: Embora as terapias-alvo ainda tenham efeitos colaterais, em geral, elas causam menos toxicidade global em comparação com a quimioterapia tradicional. • Eficácia Prolongada: Em alguns casos, essas terapias podem controlar a progressão do câncer por períodos mais longos, principalmente em doenças metastáticas. 5. Desafios e Resistência • Desenvolvimento de Resistência: As células tumorais podem eventualmente se adaptar às terapias-alvo, encontrando novas vias de sinalização para sobreviver e crescer. Isso pode exigir a combinação de várias terapias ou mudança de estratégia terapêutica. • Custo Elevado: Muitas terapias-alvo são caras e podem não estar amplamente disponíveis em todos os sistemas de saúde. Imunoterapia A imunoterapia é uma forma inovadora de tratamento do câncer que utiliza o próprio sistema imunológico do paciente para reconhecer e destruir as células tumorais. Diferente da quimioterapia e radioterapia, que atacam diretamente as células cancerígenas, a imunoterapia estimula as defesas naturais do corpo, permitindo uma resposta imune mais eficaz contra o câncer. No câncer de mama, a imunoterapia é mais utilizada em subtipos específicos, como o câncer de mama triplo- negativo (TNBC), que não expressa receptores de estrogênio, progesterona ou HER2, e é mais agressivo e de difícil tratamento com terapias convencionais. 1. Objetivo da Imunoterapia • Estimular o Sistema Imune: Fortalecer a capacidade do sistema imunológico de reconhecer as células tumorais como uma ameaça e atacá-las. • Prolongar a Sobrevida: Em pacientes com câncer avançado ou metastático, a imunoterapia pode ajudar a controlar a progressão da doença e melhorar a sobrevida. • Melhorar o Controle da Doença: Impedir a evasão das células cancerígenas dos mecanismos de defesa do sistema imunológico. 2. Mecanismos de Ação da Imunoterapia A imunoterapia atua principalmente em três frentes: 2.1. Inibidores de Checkpoints Imunes • O sistema imunológico possui mecanismos chamados "checkpoints", que regulam sua atividade para evitar que ele ataque células normais do corpo. As células tumorais podem manipular esses checkpoints para escapar da detecção pelo sistema imune. • Inibidores de Checkpoints bloqueiam essas vias de escape, permitindo que o sistema imunológico ataque o câncer. Principais Medicamentos: • Pembrolizumabe (Keytruda) e Atezolizumabe (Tecentriq): APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Mecanismo de Ação: Esses medicamentos são anticorpos que bloqueiam a proteína PD-1 (programmed cell death protein 1) ou PD-L1 (ligante de PD-1) nas células tumorais ou nas células T, impedindo que as células cancerosas inibam a resposta imune. Ao bloquear essa interação, as células T (células de defesa) são reativadas para atacar o tumor. o Indicações: Usados principalmente em câncer de mama triplo-negativo metastático ou localmente avançado que expressa PD-L1. o Efeitos Colaterais: ▪ Fadiga, diarreia, erupções cutâneas. ▪ Reações autoimunes: Como colite, pneumonite, hepatite ou tireoidite, onde o sistema imunológico ataca órgãos saudáveis devido à hiperativação. 2.2. Vacinas Terapêuticas • As vacinas contra o câncer são desenvolvidas para estimular o sistema imunológico a atacar células tumorais específicas. • Mecanismo de Ação: As vacinas são projetadas para apresentar antígenos específicos do tumor ao sistema imunológico, treinando-o a reconhecer e atacar células com essas características. • Exemplo: Vacinas experimentais estão em desenvolvimento para subtipos específicos de câncer de mama, mas ainda são consideradas terapias investigacionais. 2.3. Anticorpos Monoclonais• São proteínas do sistema imunológico criadas em laboratório que se ligam a alvos específicos nas células cancerosas, marcando-as para destruição pelas células imunes. • Exemplo: Trastuzumabe (embora seja considerado uma terapia-alvo para HER2, tem um componente imunológico porque recruta células imunes para atacar o tumor). 3. Indicações da Imunoterapia no Câncer de Mama • Câncer de Mama Triplo-Negativo (TNBC): o O câncer de mama triplo-negativo, que não expressa receptores hormonais ou HER2, é mais agressivo e tem menos opções de tratamento direcionado. Em casos avançados ou metastáticos, especialmente quando há expressão de PD-L1, a imunoterapia com inibidores de PD-1/PD-L1 pode ser uma opção. • Tumores com Alta Carga Mutacional (TMB): o Pacientes com tumores que apresentam muitas mutações (alta carga mutacional) podem ter uma maior resposta à imunoterapia, pois essas mutações geram novos antígenos que podem ser reconhecidos pelo sistema imunológico. • Microssatélites Instáveis (MSI): o Alguns tumores apresentam instabilidade de microssatélites, o que também pode torná-los mais responsivos à imunoterapia. 4. Benefícios da Imunoterapia • Eficácia Prolongada: Em alguns pacientes, a imunoterapia oferece uma resposta mais duradoura, prolongando a sobrevida mesmo em casos metastáticos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Menor Toxicidade Sistêmica: Comparada à quimioterapia tradicional, a imunoterapia tende a ter um perfil de toxicidade mais favorável, embora com o risco de efeitos colaterais autoimunes. • Resposta Imunológica Duradoura: O sistema imunológico, uma vez ativado, pode manter uma vigilância de longo prazo contra o câncer, mesmo após o término do tratamento. 5. Efeitos Colaterais da Imunoterapia Embora a imunoterapia tenha benefícios significativos, ela pode causar efeitos colaterais, principalmente devido à ativação excessiva do sistema imunológico, resultando em respostas autoimunes: • Efeitos Comuns: o Fadiga. o Erupções cutâneas e prurido. o Diarreia e náuseas. o Perda de apetite. • Efeitos Colaterais Graves (Reações Autoimunes): o Colite: Inflamação do cólon, causando diarreia grave. o Pneumonite: Inflamação dos pulmões, causando dificuldade respiratória. o Hepatite Autoimune: Inflamação do fígado, que pode elevar as enzimas hepáticas. o Tireoidite: Inflamação da tireoide, causando hipo ou hipertireoidismo. o Nefrite Autoimune: Inflamação nos rins, podendo comprometer a função renal. • Tratamento dos Efeitos Colaterais: o Corticosteroides: São frequentemente usados para tratar os efeitos colaterais autoimunes causados pela imunoterapia. Em casos graves, pode ser necessário interromper o tratamento. 6. Monitoramento e Cuidados Durante a Imunoterapia • Monitoramento Imunológico: O acompanhamento rigoroso é necessário para identificar sinais precoces de efeitos colaterais autoimunes. Exames de sangue regulares para avaliar a função dos órgãos e detectar inflamações são essenciais. • Tratamento Individualizado: Dependendo da resposta do paciente e da tolerância ao tratamento, a dose ou a frequência da imunoterapia pode ser ajustada, e os efeitos colaterais devem ser tratados rapidamente. 7. Desafios da Imunoterapia • Resistência à Imunoterapia: Nem todos os pacientes respondem à imunoterapia, e alguns tumores podem desenvolver mecanismos para escapar da detecção pelo sistema imunológico. • Marcadores Biomoleculares: Nem todos os pacientes têm biomarcadores adequados, como a expressão de PD-L1, que indicam uma probabilidade de boa resposta à imunoterapia. • Custo Elevado: A imunoterapia é cara e nem sempre está disponível para todos os pacientes, dependendo do sistema de saúde e do país. 8. Combinações Terapêuticas • A imunoterapia pode ser combinada com outras formas de tratamento, como: APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Quimioterapia: Alguns estudos mostram que a quimioterapia pode aumentar a imunogenicidade dos tumores, tornando-os mais suscetíveis à imunoterapia. o Terapias-Alvo: A combinação com terapias-alvo pode potencializar a resposta imune em tumores com certas mutações ou expressão de proteínas específicas. o Radioterapia: A radioterapia pode induzir uma resposta imunológica ao expor mais antígenos tumorais, facilitando a ação da imunoterapia. 9. Perspectivas Futuras • A imunoterapia no câncer de mama ainda está em desenvolvimento, mas os avanços na compreensão do microambiente tumoral e da interação com o sistema imunológico estão abrindo novas possibilidades de tratamento. • Vacinas contra o câncer e novas combinações de imunoterapias com outros tratamentos estão sendo investigadas em estudos clínicos, prometendo expandir as opções de tratamento nos próximos anos. A prevenção do câncer de mama envolve uma combinação de estratégias voltadas para a redução dos fatores de risco e o rastreamento precoce da doença. Embora nem todos os fatores de risco possam ser controlados, adotar medidas preventivas e realizar exames regulares pode ajudar a diminuir a incidência da doença e permitir o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são maiores. 1. Prevenção Primária A prevenção primária visa reduzir os fatores de risco que predispõem ao desenvolvimento do câncer de mama. Entre as principais estratégias estão: 1.1. Modificação de Estilo de Vida • Manter um Peso Saudável: A obesidade, especialmente após a menopausa, está associada a um aumento no risco de câncer de mama, devido ao aumento da produção de estrogênio no tecido adiposo. Manter um índice de massa corporal (IMC) saudável é uma das formas de prevenção. • Atividade Física Regular: Praticar exercícios regularmente (pelo menos 150 minutos de atividade moderada por semana) reduz o risco de câncer de mama, além de melhorar a saúde geral e o bem-estar. • Dieta Saudável: Adotar uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e com baixo teor de gordura saturada pode contribuir para a prevenção do câncer. Dietas ricas em alimentos ultraprocessados e com alta ingestão de álcool estão associadas a um maior risco. • Redução do Consumo de Álcool: O consumo regular de álcool está relacionado ao aumento do risco de câncer de mama. A recomendação geral é limitar o consumo a no máximo uma dose de álcool por dia, ou preferencialmente, evitar o consumo. 1.2. Controle Hormonal • Evitar Terapias Hormonais Prolongadas na Menopausa: A terapia de reposição hormonal (TRH), especialmente a que combina estrogênio e progesterona, aumenta o risco de câncer de mama. A TRH deve ser usada pelo menor tempo possível e apenas quando seus benefícios superarem os riscos, com acompanhamento médico rigoroso. • Contraceptivos Orais: Embora o uso de contraceptivos hormonais (pílula anticoncepcional) possa aumentar o risco de câncer de mama, esse risco parece ser baixo e diminui após a interrupção do uso. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando os benefícios contraceptivos e o risco pessoal. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 1.3. Amamentação • Amamentar: Estudos indicam que a amamentação, especialmente por períodos prolongados, tem um efeito protetor contra o câncer de mama. O aleitamento materno reduz a exposição aos hormônios que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer. 2. Prevenção Secundária (Detecção Precoce) A prevenção secundária foca no diagnóstico precoce do câncer de mama por meio do rastreamento, o que aumenta as chances de cura e melhora o prognóstico. As estratégias incluem: 2.1. Rastreamento Mamográfico • A mamografia é o principal método de rastreamento para o câncer de mama. Ela pode detectar tumores em estágio inicial, quando são pequenos e não palpáveis. Recomendações de Rastreamento: o Mulheres de 40 a 49 anos: O rastreamento por mamografia deve ser discutido com o médico, que avaliará o risco individual e os benefícios e malefícios de começar o rastreamento nesta idade. o Mulheres de 50a 69 anos: A maioria das diretrizes recomenda a mamografia de rastreamento a cada 1 a 2 anos, dependendo do risco e da política de saúde local. o Mulheres de alto risco (história familiar significativa ou mutação genética, como BRCA1 ou BRCA2): Podem precisar iniciar o rastreamento mais cedo, frequentemente combinado com outros exames de imagem, como a ressonância magnética. 2.2. Exame Clínico das Mamas • Realizado por médicos ou profissionais de saúde, o exame clínico das mamas complementa o rastreamento por imagem, especialmente para identificar alterações palpáveis, como nódulos, retrações ou secreções anormais. • Recomenda-se a realização anual para mulheres a partir dos 40 anos ou conforme orientado pelo médico. 2.3. Autoexame das Mamas • Embora o autoexame das mamas não seja mais recomendado como estratégia isolada de rastreamento, ele continua a ser importante para que as mulheres conheçam seu próprio corpo e identifiquem mudanças que possam ser investigadas mais rapidamente. • Deve ser feito mensalmente, preferencialmente na semana seguinte ao término da menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis. 3. Prevenção Terciária A prevenção terciária tem como objetivo reduzir a recorrência do câncer de mama e suas complicações em pacientes que já foram diagnosticadas e tratadas. As principais medidas incluem: 3.1. Terapia Adjuvante • Terapia Hormonal: Pacientes com câncer de mama hormônio-receptor positivo podem se beneficiar da terapia hormonal (tamoxifeno ou inibidores de aromatase) por vários anos após o tratamento, para reduzir o risco de recorrência. • Quimioterapia e Radioterapia: Em casos indicados, a quimioterapia e/ou radioterapia adjuvante podem ser utilizadas para eliminar células cancerígenas remanescentes e prevenir metástases. 3.2. Monitoramento Pós-Tratamento APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Pacientes que já tiveram câncer de mama devem seguir um protocolo rigoroso de acompanhamento médico, com exames clínicos e de imagem regulares, para detectar precocemente qualquer sinal de recorrência ou novo tumor. 4. Prevenção em Grupos de Alto Risco Algumas mulheres apresentam risco significativamente elevado para o câncer de mama devido a fatores genéticos ou históricos, como mutações em genes como BRCA1 ou BRCA2. Nesses casos, medidas mais agressivas de prevenção podem ser discutidas: 4.1. Cirurgia Profilática (Mastectomia Preventiva) • A mastectomia bilateral profilática (remoção cirúrgica das mamas antes do desenvolvimento do câncer) é uma opção para mulheres com alto risco genético, como as portadoras de mutações BRCA1 ou BRCA2, que desejam reduzir drasticamente o risco de desenvolver câncer de mama. 4.2. Ooforectomia Profilática (Remoção dos Ovários) • Para mulheres com mutações BRCA, a remoção profilática dos ovários (ooforectomia) pode reduzir o risco de câncer de mama e ovário, já que a produção de estrogênio diminui consideravelmente após a retirada dos ovários. 4.3. Quimioprevenção • Em algumas mulheres com risco elevado, o uso de medicamentos como tamoxifeno ou raloxifeno pode ser indicado para reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de mama. 5. Educação e Conscientização • A conscientização sobre o câncer de mama é fundamental para aumentar a adesão às estratégias de prevenção e detecção precoce. Campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, desempenham um papel importante na educação pública sobre o câncer de mama e a importância do rastreamento regular. O exame clínico das mamas é um dos métodos mais importantes para a detecção precoce de alterações mamárias, como o câncer de mama, bem como para identificar outras condições benignas. Ele deve ser realizado com técnica adequada e inclui etapas de inspeção estática e dinâmica e palpação, além da avaliação de secreções mamilares (expressão papilar). Esse exame deve ser complementado com exames de imagem quando indicado. Objetivos do Exame Clínico das Mamas • Identificação precoce de alterações: Detectar nódulos, massas, secreções mamilares anormais, assimetrias, retrações ou outras mudanças na pele ou no tecido mamário. • Monitoramento de sintomas: Avaliar queixas da paciente, como dor mamária, sensação de massa palpável ou secreção mamilar. • Detecção precoce de câncer de mama: O exame clínico é uma importante ferramenta de prevenção secundária para detectar alterações iniciais, especialmente em conjunto com mamografias e ultrassonografias. • Avaliação de condições benignas: A maioria das alterações mamárias é benigna, como fibroadenomas e cistos, e o exame clínico pode ajudar a diferenciá-las. Quando Realizar o Exame Clínico das Mamas APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Rastreamento de rotina: Geralmente recomendado a partir dos 40 anos, de acordo com as diretrizes nacionais de rastreamento de câncer de mama, e realizado anualmente. • Pacientes com sintomas: Sempre que a paciente apresentar queixas como nódulos palpáveis, dor ou secreção mamilar, o exame deve ser realizado, independentemente da idade. • Alto risco: Mulheres com alto risco de câncer de mama, como aquelas com histórico familiar significativo ou mutações genéticas (ex.: BRCA1/BRCA2), podem precisar de exames clínicos mais frequentes. Exame Clínico das Mamas O exame clínico das mamas é composto por duas etapas principais: a inspeção (que inclui a avaliação estática e dinâmica) e a palpação. Abaixo, segue uma descrição detalhada de cada uma dessas etapas e como realizá-las corretamente. Etapas do Exame Físico das Mamas 1. Inspeção A inspeção é a primeira etapa do exame físico das mamas e é crucial para identificar sinais visíveis de alterações estruturais ou patológicas. Ela deve ser feita em duas fases: estática e dinâmica. 1.1. Inspeção Estática Na inspeção estática, a paciente está sentada ou em pé, com os braços relaxados ao lado do corpo. O objetivo é observar as mamas em repouso, comparando o tamanho, formato, simetria, e notando a presença de quaisquer alterações na pele ou nos mamilos. Aspectos observados na inspeção estática: • Simetria: Embora a assimetria leve seja comum, diferenças significativas entre as mamas podem sugerir a presença de massas subjacentes, cistos ou outras patologias. • Formato e volume: Verificar o formato geral das mamas, buscando por deformidades, aumento de volume ou perda de volume, que podem indicar condições benignas ou malignas. • Alterações cutâneas: o Retrações: A presença de retrações ou afundamentos localizados na pele pode indicar a presença de tumores que tracionam os tecidos subjacentes. o Edema em “casca de laranja”: A pele com aspecto de casca de laranja sugere comprometimento linfático, comum em carcinomas inflamatórios. o Eritema (vermelhidão): Pode indicar um processo inflamatório, como mastite, ou ser um sinal de câncer inflamatório. • Alterações no mamilo: o Inversão: A inversão congênita do mamilo pode ser uma condição benigna, mas a inversão recente deve ser investigada, pois pode ser um sinal de malignidade. o Desvios: Qualquer desvio lateral do mamilo, especialmente se associado à retração, pode indicar uma neoplasia subjacente. o Eczematização do mamilo (Doença de Paget): Se houver descamação ou crostas no mamilo, isso pode indicar a Doença de Paget, um tipo raro de câncer de mama. 1.2. Inspeção Dinâmica APG 26 | Feliphe Mascarenhas A inspeção dinâmica é realizada para avaliar a mobilidade dos tecidos mamários em diferentes posições e detectar alterações ocultas que podem não ser visíveis na inspeção estática. Como realizar a inspeção dinâmica: • Com os braços levantados acima da cabeça: A paciente eleva os braços, permitindo ao examinador observar se há qualquer alteração na movimentação do tecido mamário, como retrações ou deformidades que não eram visíveis em repouso. • Com as mãos na cintura, pressionando os músculos peitorais: Essa posição contrai os músculos peitorais,evidenciando retrações ocultas ou distorções na simetria das mamas. • Paciente inclinada para frente: Nessa posição, as mamas ficam pendentes, o que pode evidenciar assimetrias ou retrações que estavam ocultas quando a paciente estava ereta. 2. Palpação A palpação é a fase do exame físico onde o examinador usa as mãos para sentir o tecido mamário em busca de nódulos, massas, dor ou espessamento. Deve ser realizada tanto com a paciente sentada quanto deitada. Objetivos da palpação: • Identificar nódulos: Verificar a presença de massas ou nódulos palpáveis e determinar suas características (tamanho, forma, consistência, mobilidade, localização e sensibilidade). • Avaliar a textura do tecido mamário: O tecido mamário pode variar de acordo com a idade, o ciclo menstrual e a densidade glandular. A avaliação da textura ajuda a identificar áreas de espessamento ou endurecimento. • Avaliar a dor: Perguntar à paciente se ela sente dor durante a palpação, pois isso pode indicar a presença de inflamação ou infecção (ex.: mastite). Técnicas de palpação: • Paciente sentada: o Palpação inicial das axilas para avaliar a presença de linfonodos aumentados (linfadenopatia). Em alguns casos, linfonodos endurecidos e fixos podem ser um sinal de disseminação neoplásica. o Palpação das mamas na posição sentada pode ajudar a evidenciar alterações que se tornam mais aparentes com a gravidade. • Paciente deitada (decúbito dorsal): o A paciente deve ser posicionada com uma almofada ou toalha sob o ombro do lado examinado, com a mão correspondente atrás da cabeça. Isso distribui o tecido mamário de forma homogênea, facilitando a palpação. o Usar a superfície palmar dos dedos (os três dedos centrais) em movimentos circulares suaves, cobrindo toda a área da mama, desde a clavícula até o sulco inframamário. o Palpar a mama em três níveis de profundidade: superficial, médio e profundo, para garantir que todo o tecido mamário, inclusive o tecido mais profundo, seja examinado. o Método em espiral: Começar ao redor do mamilo e seguir em movimentos circulares até cobrir toda a mama. o Método vertical: Palpar em linhas verticais paralelas, da região da clavícula até o sulco inframamário. Características de nódulos a serem observadas: APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Tamanho: Medido em centímetros. • Forma: Regular ou irregular. • Consistência: Nódulos malignos geralmente são duros, enquanto lesões benignas, como cistos, são mais moles. • Mobilidade: Nódulos malignos tendem a ser fixos, enquanto nódulos benignos geralmente são móveis. • Localização: Registrar a localização do nódulo em relação ao mamilo (ex.: quadrante superior externo, etc.). 3. Expressão Papilar (Secreção Mamilar) A expressão papilar é uma etapa importante para avaliar se há secreção nos mamilos e determinar sua natureza. Deve ser feita com delicadeza para evitar dor ou desconforto. Como realizar a expressão papilar: • O examinador deve comprimir suavemente o mamilo entre os dedos polegar e indicador. • Observar a presença de secreção e anotar sua cor, consistência e quantidade. Tipos de secreção: • Sanguinolenta ou serossanguinolenta: Pode estar associada a tumores intraductais ou carcinoma ductal. • Leitosa: A galactorreia (secreção leitosa) pode estar relacionada a condições hormonais (como hiperprolactinemia) e nem sempre indica patologia mamária. • Clara ou amarelada: Pode estar relacionada a lesões benignas, como papilomas intraductais. • Purulenta: Sugere a presença de infecção, como um abscesso mamário. 4. Palpação dos Linfonodos A palpação dos linfonodos é essencial para avaliar a presença de linfonodomegalias (aumento dos linfonodos) que podem ser sinais de disseminação neoplásica, especialmente nos linfonodos axilares, supraclaviculares e infraclaviculares. Como realizar a palpação dos linfonodos: • Axilas: Colocar a mão suavemente na axila da paciente, verificando a presença de linfonodos. Linfonodos normais são pequenos e móveis, enquanto linfonodos patológicos podem ser duros, maiores e fixos. • Região supraclavicular e infraclavicular: Palpar a área acima e abaixo da clavícula em busca de linfonodos aumentados, que podem estar associados a metástases. Autoexame das Mamas Embora não seja considerado um método diagnóstico, o autoexame das mamas é uma prática útil para que as mulheres conheçam seu próprio corpo e detectem alterações precocemente. Como fazer o autoexame: 1. Diante de um espelho: Observar as mamas com os braços relaxados, depois com os braços levantados e, por fim, com as mãos na cintura. Verificar se há alterações de tamanho, forma, ou na pele. 2. Durante o banho: Com as mãos ensaboadas, palpar as mamas em movimentos circulares, cobrindo toda a área mamária e as axilas. 3. Deitada: Colocar uma mão atrás da cabeça e, com a outra, palpar a mama oposta, em movimentos circulares suaves.A incidência é maior em países desenvolvidos, possivelmente devido a diferenças em fatores hormonais, reprodutivos e de estilo de vida, além de maior acesso a diagnósticos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Taxa de Mortalidade: É uma das principais causas de morte por câncer em mulheres, com cerca de 685 mil mortes por ano no mundo. 2. Incidência no Brasil • Casos Anuais: No Brasil, o câncer de mama é o mais prevalente entre as mulheres e corresponde a cerca de 29,7% dos novos casos de câncer a cada ano. • Diferenças Regionais: As regiões Sudeste e Sul apresentam as maiores taxas de incidência, enquanto as regiões Norte e Nordeste têm taxas menores. Isso pode refletir o acesso desigual aos serviços de saúde e de rastreamento. • Faixa Etária: A maioria dos casos ocorre em mulheres acima dos 50 anos, embora também seja observado em mulheres mais jovens, especialmente entre 30 e 50 anos. 3. Fatores de Risco • Idade: A incidência aumenta com a idade, sendo mais comum após os 40-50 anos. • Genética: Mutação nos genes BRCA1 e BRCA2 aumenta significativamente o risco, sendo esses genes responsáveis por cerca de 5-10% dos casos. • Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau com câncer de mama ou ovário eleva o risco. • Fatores Reprodutivos e Hormonais: o Menarca precoce (antes dos 12 anos) e menopausa tardia (após os 55 anos) prolongam a exposição ao estrogênio. o Ausência de gravidez e idade avançada na primeira gestação aumentam o risco. o Uso prolongado de terapia de reposição hormonal (principalmente estrogênio combinado com progesterona). • Estilo de Vida: o Consumo de álcool está associado a um aumento de risco proporcional à quantidade ingerida. o Tabagismo, especialmente em mulheres jovens. o Obesidade e sedentarismo, particularmente na pós-menopausa, pois o tecido adiposo produz estrogênio. 4. Diferença por Sexo • Embora muito mais comum em mulheres, o câncer de mama também ocorre em homens, representando cerca de 1% dos casos. Em homens, o diagnóstico costuma ocorrer em estágios mais avançados devido à baixa suspeita e ao desconhecimento da possibilidade. 5. Distribuição Racial e Étnica • Mulheres Brancas: Geralmente apresentam maior incidência, especialmente em países desenvolvidos. • Mulheres Afrodescendentes: Podem apresentar maior mortalidade, o que pode estar relacionado ao acesso desigual a tratamentos e exames de rastreamento. Em alguns grupos, como as mulheres negras dos EUA, a incidência entre os 40 e 50 anos é mais alta que em mulheres brancas da mesma faixa etária. • Outros Grupos Étnicos: Mulheres asiáticas e latinas tendem a ter uma incidência mais baixa em comparação com as mulheres brancas e negras, mas a incidência está aumentando em alguns desses grupos devido a mudanças no estilo de vida e fatores reprodutivos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 6. Tendências Temporais • Aumento na Incidência: Em décadas recentes, houve um aumento global nos casos de câncer de mama, associado a mudanças nos fatores de risco, urbanização e aumento da expectativa de vida. • Redução da Mortalidade: Em muitos países desenvolvidos, a mortalidade vem diminuindo, reflexo de diagnósticos mais precoces e avanços no tratamento. No entanto, em países em desenvolvimento, as taxas de mortalidade continuam altas, refletindo barreiras no acesso à saúde. 7. Impacto Socioeconômico • Custo de Tratamento: O câncer de mama tem alto custo de tratamento, incluindo cirurgia, quimioterapia, radioterapia e acompanhamento, o que gera um impacto financeiro significativo para sistemas de saúde pública e pacientes. • Consequências Psicológicas e Sociais: A doença afeta a qualidade de vida das pacientes e suas famílias, devido ao impacto emocional e às possíveis consequências no contexto familiar e de trabalho. 8. Importância do Rastreamento e Diagnóstico Precoce • Programas de Rastreamento: Em países onde a mamografia é oferecida como parte de programas de rastreamento, observam-se taxas de diagnóstico mais precoces e melhores resultados de tratamento. • Acesso Desigual ao Rastreamento: Em regiões de baixa e média renda, muitas mulheres não têm acesso ao rastreamento e ao diagnóstico precoce, levando a diagnósticos em estágios avançados, quando as opções de tratamento e as chances de cura são mais limitadas. 9. Prognóstico • O câncer de mama tem uma boa taxa de sobrevida em estágios iniciais, especialmente quando diagnosticado precocemente. Em países desenvolvidos, a sobrevida média em 5 anos chega a 90%, enquanto em países em desenvolvimento é menor, refletindo a diferença de acesso ao tratamento. 1. Fatores Genéticos e Hereditários • Mutação nos Genes BRCA1 e BRCA2: Esses genes normalmente produzem proteínas que ajudam a reparar o DNA e a manter a estabilidade genética das células. Quando mutados, essas proteínas não funcionam corretamente, aumentando a chance de erros na divisão celular, o que pode levar ao desenvolvimento de tumores. Mulheres com mutações nesses genes têm risco de até 60-80% ao longo da vida para câncer de mama. • Histórico Familiar: A presença de parentes de primeiro grau com câncer de mama ou ovário sugere uma predisposição genética para a doença. Ter um parente próximo com câncer de mama ou ovário, especialmente se diagnosticado precocemente, aumenta a chance de herdar alterações genéticas que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer. • Outros Genes (TP53, PTEN, PALB2): Esses genes também desempenham papéis na reparação do DNA e na regulação do ciclo celular. Quando mutados, podem resultar em instabilidade genética e proliferação celular descontrolada, favorecendo a formação de tumores. 2. Fatores Reprodutivos e Hormonais • Idade da Menarca Precoce (Antes dos 12 Anos): Uma menarca precoce expõe o tecido mamário ao estrogênio por um período mais longo ao longo da vida, aumentando o tempo de proliferação das células APG 26 | Feliphe Mascarenhas mamárias. Como o estrogênio estimula o crescimento das células mamárias, essa exposição prolongada favorece o desenvolvimento de mutações que podem resultar em câncer. • Menopausa Tardia (Após os 55 Anos): Assim como a menarca precoce, a menopausa tardia prolonga a exposição aos hormônios femininos. Esse maior tempo de estímulo hormonal aumenta o risco de proliferação celular e possíveis mutações no tecido mamário. • Primeira Gravidez Tardia (Após os 30 Anos): Durante a gravidez, as células mamárias se diferenciam, o que reduz a probabilidade de sofrerem mutações. Mulheres que têm filhos mais tarde, ou que nunca tiveram filhos, passam mais tempo com tecido mamário "imaduro" e, portanto, mais vulnerável a alterações genéticas. • Ausência de Gravidez (Nuliparidade): Mulheres que nunca engravidaram permanecem por mais tempo com o tecido mamário "imaduro". Como a gravidez induz diferenciação e maturação das células mamárias, o risco de sofrerem mutações é menor nas mulheres que tiveram múltiplas gestações. • Terapia de Reposição Hormonal (TRH): A terapia com estrogênio e progesterona, utilizada para tratar sintomas da menopausa, expõe o tecido mamário a hormônios que estimulam a proliferação celular. O uso prolongado (mais de 5 anos) está associado a um aumento do risco de câncer de mama, pois cria um ambiente propício ao crescimento de células que podem desenvolver mutações. 3. Fatores Relacionados ao Estilo de Vida • Consumo de Álcool: O álcool pode aumentar os níveis de estrogênio no sangue e também causa danos diretos ao DNA, promovendo mutações. Quanto maior o consumo de álcool, maior o risco de câncer de mama. • Tabagismo: O tabagismo prolongado expõe o organismo a diversas substâncias químicas cancerígenas que podem danificar o DNA das células mamárias. Além disso, o tabagismo afeta o sistema imunológico, reduzindo a capacidade de identificar e eliminar células anômalas. • Obesidade e Sedentarismo: Em mulheres na pós-menopausa, o tecidoadiposo se torna a principal fonte de estrogênio, pois converte hormônios androgênicos em estrogênio. O excesso de tecido adiposo, portanto, aumenta os níveis de estrogênio circulante, favorecendo a proliferação das células mamárias. O sedentarismo também está relacionado a um maior risco, pois a atividade física ajuda a regular os níveis hormonais. 4. Exposição à Radiação • Radioterapia em Idade Jovem: Exposição à radiação, especialmente durante a infância e adolescência, aumenta o risco de câncer de mama na idade adulta. A radiação pode causar mutações diretas no DNA das células, promovendo instabilidade genética e aumentando o risco de desenvolvimento de tumores. 5. Fatores Demográficos • Idade Avançada: O risco de câncer de mama aumenta com a idade, pois a exposição acumulada a fatores ambientais e biológicos pode levar ao acúmulo de mutações genéticas ao longo dos anos. • Sexo Feminino: Ser mulher é o maior fator de risco para o câncer de mama devido à maior quantidade de tecido mamário e à influência dos hormônios femininos, que estimulam a proliferação das células mamárias. 1. Início da Transformação Maligna APG 26 | Feliphe Mascarenhas O câncer de mama se origina geralmente nas células epiteliais que revestem os ductos ou lóbulos mamários. A transformação maligna acontece quando há mutações no DNA dessas células, que afetam genes importantes no controle do ciclo celular e na sobrevivência celular. Os principais genes envolvidos são: • Proto-oncogenes: Genes que, quando mutados, se transformam em oncogenes e promovem o crescimento celular descontrolado. Exemplo: mutação no gene HER2. • Genes supressores de tumor: Genes que normalmente impedem o crescimento desordenado, como o BRCA1 e BRCA2, que são cruciais para a reparação do DNA. Quando mutados, falham em reparar danos ao DNA, permitindo que as mutações se acumulem. • Genes de reparo de DNA: A incapacidade de corrigir mutações no DNA aumenta a instabilidade genética, levando ao desenvolvimento de células anormais. Essas mutações podem ser hereditárias (presentes desde o nascimento, como no caso das mutações BRCA) ou adquiridas ao longo da vida por influências ambientais e hormonais. 2. Proliferação Celular Descontrolada Uma vez que a célula sofreu mutações nos genes que controlam o ciclo celular, ela perde os mecanismos normais de regulação de crescimento e começa a se dividir de forma descontrolada. A principal consequência dessa proliferação é a formação de um nódulo tumoral. • Alteração na apoptose: As células cancerosas frequentemente adquirem a habilidade de evitar a apoptose, que é a morte celular programada. Elas conseguem sobreviver por mais tempo e acumular mais mutações. • Estimulação hormonal: No câncer de mama, os hormônios estrogênio e progesterona podem estimular o crescimento de tumores que expressam receptores para esses hormônios. Tumores com receptores de estrogênio (ER+) ou progesterona (PR+) dependem desses hormônios para seu crescimento. 3. Invasão Local e Destruição de Tecidos Conforme o tumor se desenvolve, as células malignas podem adquirir a capacidade de invadir tecidos adjacentes. Elas fazem isso ao produzir enzimas proteolíticas, como as metaloproteinases da matriz (MMPs), que degradam a membrana basal e a matriz extracelular. Isso permite que as células cancerosas: • Invasão local: O tumor invade o tecido mamário circundante, penetrando o estroma e os vasos sanguíneos ou linfáticos. • Carcinoma invasivo: Esse é o estágio onde as células cancerosas quebram a barreira da membrana basal e começam a se espalhar para os tecidos próximos, caracterizando um carcinoma invasivo. 4. Angiogênese: Suprimento de Nutrientes ao Tumor À medida que o tumor cresce, ele requer uma quantidade crescente de nutrientes e oxigênio. Para sustentar seu crescimento, o tumor ativa mecanismos que promovem a angiogênese — a formação de novos vasos sanguíneos. O principal mediador desse processo é o fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF), que induz a formação de vasos sanguíneos que alimentam o tumor. • Nutrição do tumor: Os novos vasos sanguíneos fornecem os nutrientes necessários para o crescimento tumoral, além de remover produtos metabólicos. 5. Metástase: Disseminação à Distância Uma das características mais perigosas do câncer de mama é sua capacidade de se disseminar para órgãos distantes. Esse processo, chamado metástase, ocorre em várias etapas: • Invasão de vasos sanguíneos ou linfáticos: As células cancerosas invadem os vasos que circundam o tumor e entram na circulação sistêmica. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Sobrevivência na circulação: Uma vez na circulação, as células tumorais precisam sobreviver ao estresse mecânico e ao ataque do sistema imunológico. • Extravasamento: As células cancerosas saem da circulação ao alcançar outros órgãos (como ossos, pulmões, fígado) e colonizam esses tecidos. • Formação de metástases: As células formam novos focos tumorais no local de colonização, o que leva à progressão da doença. 6. Subtipos Moleculares e Heterogeneidade Tumoral O câncer de mama é uma doença heterogênea, o que significa que diferentes tipos de células tumorais coexistem no mesmo tumor, cada uma com características distintas. Esses subtipos são determinados principalmente pela presença de receptores hormonais e de crescimento: • Câncer de mama positivo para receptor hormonal (ER+/PR+): Depende de estrogênio ou progesterona para crescer. • HER2-positivo: Cresce de forma mais agressiva devido à superexpressão da proteína HER2. • Triplo-negativo: Não expressa ER, PR, nem HER2, sendo mais agressivo e com menos opções terapêuticas específicas. Essa heterogeneidade permite que o tumor se adapte e se torne resistente a diferentes tratamentos, um fenômeno conhecido como evolução clonal. 7. Imunossupressão e Evasão Imunológica O tumor pode manipular o microambiente tumoral para evitar ser destruído pelo sistema imunológico. Ele atrai células imunes, como os macrófagos associados ao tumor (TAMs) e células T reguladoras, que suprimem a resposta imune e ajudam o tumor a crescer e se disseminar. Isso cria um ambiente imunossupressor, dificultando a eliminação das células tumorais pelo corpo. Tipos Histopatologicos 1. Carcinoma Ductal Invasivo (CDI) • Descrição: Também conhecido como carcinoma ductal infiltrante, é o tipo mais comum de câncer de mama, correspondendo a cerca de 70-80% dos casos. • Origem: Surge das células que revestem os ductos mamários, que são os canais por onde passa o leite até o mamilo. • Características Histológicas: As células malignas rompem a membrana basal e invadem o tecido adjacente, formando estruturas sólidas ou em cordões. • Comportamento Clínico: Tendência a metastatizar para linfonodos e outros órgãos, como ossos, fígado e pulmões. 2. Carcinoma Lobular Invasivo (CLI) • Descrição: Representa aproximadamente 10-15% dos casos de câncer de mama. • Origem: Surge nas células dos lóbulos mamários, que são as glândulas produtoras de leite. • Características Histológicas: As células malignas invadem o tecido adjacente de forma dispersa, em vez de formar massas sólidas, e apresentam um padrão de infiltração em “fila indiana”. • Comportamento Clínico: Esse tipo tem maior tendência a ser multifocal e bilateral e também pode metastatizar para diferentes locais, como peritônio, meninges e ovários. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 3. Carcinoma Ductal In Situ (CDIS) • Descrição: Forma pré-invasiva do carcinoma ductal, responsável por cerca de 20% dos cânceres detectados em exames de rastreamento. • Origem: Células dos ductos mamários, mas sem invasão do tecido circundante. • Características Histológicas: As células cancerosas permanecem confinadas aos ductos, sem romper a membrana basal. • Comportamento Clínico: Potencial para se tornar invasivo, por isso é importante tratamento, mesmo sendoconsiderado estágio inicial. 4. Carcinoma Lobular In Situ (CLIS) • Descrição: Não é considerado uma lesão pré-cancerosa em si, mas um marcador de risco para o desenvolvimento de câncer invasivo em ambos os seios. • Origem: Células nos lóbulos mamários, mas as células malignas não invadem o tecido adjacente. • Características Histológicas: Células malignas que permanecem confinadas dentro dos lóbulos. • Comportamento Clínico: A presença do CLIS aumenta o risco de desenvolver carcinoma invasivo, seja lobular ou ductal. 5. Carcinoma Medular • Descrição: Forma rara de câncer de mama invasivo, responsável por menos de 5% dos casos. • Origem: Geralmente dos ductos mamários, mas apresenta um padrão específico de crescimento. • Características Histológicas: As células são grandes, com núcleos proeminentes e infiltração linfocítica densa ao redor do tumor. • Comportamento Clínico: Tendência a ser menos agressivo que outros carcinomas invasivos. 6. Carcinoma Mucinoso (ou Coloide) • Descrição: Representa cerca de 1-2% dos cânceres de mama e é composto por células malignas que produzem grandes quantidades de muco. • Origem: Ductos mamários. • Características Histológicas: Células tumorais flutuam em um lago de muco. • Comportamento Clínico: Geralmente apresenta comportamento mais favorável e responde bem ao tratamento. 7. Carcinoma Tubular • Descrição: Tipo raro de câncer invasivo, responsável por cerca de 2% dos casos. • Origem: Ductos mamários. • Características Histológicas: As células malignas formam pequenas estruturas tubulares. • Comportamento Clínico: Geralmente é de baixo grau e tem excelente prognóstico. 8. Carcinoma Papilífero • Descrição: Tipo raro e geralmente de baixo grau, representa menos de 1% dos cânceres de mama. • Origem: Ductos mamários. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Características Histológicas: Forma projeções papilares com tecido fibroso central e células tumorais ao redor. • Comportamento Clínico: Tem um comportamento clínico menos agressivo. 9. Carcinoma Inflamatório • Descrição: Tipo raro e agressivo, responsável por cerca de 1-5% dos cânceres de mama. • Origem: Qualquer tipo de célula ductal ou lobular que desenvolva uma invasão linfática intensa. • Características Histológicas: Invasão linfática extensa que resulta em bloqueio dos vasos linfáticos da pele, causando aparência inflamada. • Comportamento Clínico: Evolução rápida e agressiva, com alta propensão à metástase. 1. Nódulo Mamário (Massa Palpável) • Descrição: Um dos sinais mais comuns do câncer de mama é a presença de um nódulo ou massa palpável na mama. Esses nódulos geralmente são endurecidos, indolores, com bordas irregulares, e podem crescer progressivamente. • Explicação: O tumor se desenvolve no tecido mamário, criando uma massa que pode ser sentida ao toque. Tumores malignos tendem a ser mais firmes e aderidos aos tecidos circundantes, o que explica sua consistência endurecida e suas bordas mal definidas. Nódulos benignos, por outro lado, costumam ser mais móveis e macios. 2. Alterações na Pele da Mama • Retração ou Enrugamento da Pele: Algumas mulheres podem notar retração ou depressão na pele da mama, que parece puxada ou franzida. Isso ocorre devido à invasão do tumor nos ligamentos de Cooper, que dão sustentação à mama. Quando esses ligamentos são afetados, podem puxar a pele, causando retrações. • Pele de Laranja: Outra manifestação clássica, a "pele de laranja" (peau d'orange), é caracterizada pelo aspecto da pele da mama semelhante à casca de uma laranja. Isso ocorre devido à obstrução dos vasos linfáticos, resultando em edema intersticial que confere esse aspecto característico. 3. Alterações no Mamilo • Inversão do Mamilo: A inversão ou retração do mamilo é um sintoma preocupante que pode indicar o crescimento do tumor nas proximidades dos ductos mamários ou nos tecidos de suporte. A invasão do tumor pode puxar o mamilo para dentro, alterando sua posição natural. • Secreção Anormal pelo Mamilo: A presença de secreção pelo mamilo, especialmente quando é sanguinolenta ou de aspecto seroso (transparente ou amarelo-claro), pode ser um sinal de câncer. Essa secreção pode ocorrer quando o tumor invade os ductos mamários ou causa inflamação local. 4. Dor Mamária (Mastalgia) • Descrição: Embora a maioria dos nódulos malignos seja indolor, algumas pacientes podem sentir dor mamária. A dor pode ser localizada, relacionada à área do tumor, ou mais difusa. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Explicação: A dor pode estar relacionada ao crescimento do tumor, que comprime estruturas circundantes ou nervos sensíveis. No entanto, a dor mamária isolada não é um sinal muito comum de câncer de mama e, em muitos casos, está associada a condições benignas. 5. Aumento de Volume ou Assimetria Mamária • Descrição: O câncer de mama pode causar um aumento de volume na mama afetada, tornando-a assimétrica em comparação com a mama contralateral. • Explicação: O tumor em crescimento ou a presença de edema podem levar a um aumento do volume da mama. Esse aumento pode ser discreto ou evidente, dependendo do tamanho do tumor. 6. Nódulos na Axila (Linfadenopatia) • Descrição: A presença de nódulos linfáticos aumentados ou doloridos na axila pode ser uma manifestação clínica do câncer de mama. • Explicação: Quando o câncer se dissemina para os linfonodos regionais, as células tumorais invadem os linfonodos axilares, causando seu aumento de tamanho. Esses linfonodos podem ser palpáveis e, muitas vezes, não são dolorosos, especialmente em casos de câncer avançado. 7. Alterações na Cor e Sensação da Mama • Vermelhidão e Calor Local: A pele da mama pode apresentar vermelhidão e aumento da temperatura local, especialmente em casos de câncer de mama inflamatório. Essa forma agressiva de câncer se manifesta como uma inflamação difusa da mama, que pode ser confundida com uma infecção (mastite). • Explicação: No câncer de mama inflamatório, o tumor bloqueia os vasos linfáticos, causando inchaço, vermelhidão e calor. Esses sinais inflamatórios indicam que a doença é agressiva e se espalha rapidamente. 8. Sintomas Sistêmicos (Estágios Avançados) • Perda de Peso Inexplicada: Em casos mais avançados de câncer de mama, a paciente pode experimentar perda de peso involuntária. Isso ocorre devido à liberação de substâncias inflamatórias e ao consumo metabólico causado pelo tumor. • Fadiga: A fadiga generalizada é comum em cânceres avançados, especialmente se houver disseminação metastática. O corpo fica sobrecarregado pela luta contra a doença e pelo consumo energético do tumor. • Dispneia e Dor Óssea: Se o câncer metastatizou para os pulmões, ossos ou outros órgãos, pode haver sintomas como falta de ar (dispneia) ou dor óssea persistente. 9. Carcinoma Inflamatório da Mama • Descrição: Esse tipo agressivo de câncer de mama é caracterizado por inchaço, vermelhidão e uma sensação de calor na mama afetada, com a pele assumindo o aspecto de pele de laranja. É uma forma rara, mas muito agressiva, de câncer de mama. • Explicação: O câncer inflamatório envolve os vasos linfáticos da pele da mama, bloqueando o fluxo linfático e causando uma reação inflamatória. O diagnóstico é muitas vezes clínico, e a progressão é rápida. 10. Manifestações de Metástases Nos estágios avançados, o câncer de mama pode se disseminar para outros órgãos (metástase), levando a uma variedade de manifestações clínicas, dependendo da localização da disseminação: • Metástase Óssea: Quando o câncer de mama se dissemina para os ossos, as pacientes podem sentir dor óssea, que pode ser intensa e localizada. As fraturas patológicas também podem ocorrer devido à fragilidade óssea. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Metástase Pulmonar: Quando o câncer atinge os pulmões, podem surgir sintomas como tosse persistente, falta de ar e dor torácica. • Metástase Hepática: A disseminaçãopara o fígado pode causar sintomas como dor abdominal, icterícia (amarelamento da pele e olhos) e fadiga extrema. • Metástase Cerebral: A metástase para o cérebro pode causar cefaleias, convulsões, dificuldade para falar e alterações neurológicas, como perda de coordenação motora. Métodos de Diagnóstico O diagnóstico de câncer de mama é baseado em três pilares principais: exame clínico, exames de imagem e biópsia. A. Exame Clínico O primeiro passo no diagnóstico é o exame clínico das mamas e axilas, que pode identificar sinais sugestivos de câncer, como: • Nódulo mamário: Geralmente, uma massa endurecida e irregular, fixa ao tecido. • Alterações cutâneas: Retração da pele, pele de laranja, ou ulcerações. • Inversão do mamilo ou secreção anormal. • Linfadenopatia: Nódulos linfáticos aumentados na axila ou clavícula. B. Exames de Imagem 1. Mamografia • Principal exame de rastreamento do câncer de mama, recomendado para mulheres a partir dos 40-50 anos, dependendo das diretrizes do país, e anualmente ou a cada dois anos, dependendo da faixa etária e fatores de risco. • Indicações: Detectar lesões em fases iniciais, como microcalcificações suspeitas e nódulos, muitas vezes antes de serem palpáveis. Tipos de Mamografia: • Mamografia Digital: Permite maior contraste nas imagens e é mais eficaz em mulheres com mamas densas. • Tomossíntese (Mamografia 3D): Oferece imagens tridimensionais da mama, com cortes finos que ajudam a visualizar lesões pequenas que podem ser obscurecidas no exame convencional. Melhora a detecção em mamas densas. Características do Câncer na Mamografia: • Nódulos Espiculados: Nódulos com margens irregulares e espiculadas são altamente sugestivos de malignidade. • Microcalcificações: Agrupamentos de microcalcificações de formato e tamanhos irregulares podem indicar câncer, especialmente carcinoma ductal in situ (CDIS). Limitações: • Menor sensibilidade em mamas densas (comum em mulheres mais jovens). • Não consegue diferenciar com clareza lesões sólidas de cistos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 2. Ultrassonografia Mamária (Ecografia Mamária) • Indicações: Avaliar nódulos detectados na mamografia ou no exame físico, e em mulheres jovens com mamas densas, onde a mamografia pode ter limitações. Também é usada como complemento em casos de mamografia inconclusiva. • Vantagens: Diferencia com precisão lesões sólidas (como tumores) de cistos (lesões benignas cheias de líquido). Muito útil na avaliação de nódulos palpáveis e na orientação de biópsias. Características do Câncer na Ultrassonografia: • Nódulos Hipoecoicos: Lesões que aparecem mais escuras do que o tecido ao redor, com margens irregulares, podem indicar malignidade. • Margens Espiculadas ou Microlobuladas: Indicativas de um tumor invasivo. • Ausência de Halo: Tumores malignos geralmente não apresentam o halo ecogênico que lesões benignas possuem. Limitações: • Depende muito do operador (variação da qualidade entre profissionais). • Não é um exame de rastreamento de rotina, mas sim complementar. 3. Ressonância Magnética (RM) das Mamas • Indicações: o Avaliação complementar em pacientes de alto risco (mutações BRCA1/BRCA2). o Estadiamento de câncer de mama para verificar a extensão da doença. o Avaliar a resposta à quimioterapia neoadjuvante. o Avaliar implantes mamários e complicações associadas. Vantagens: • Alta sensibilidade na detecção de lesões, principalmente em mamas densas. • Visualização detalhada do tecido mamário, com capacidade de detectar lesões não visíveis na mamografia ou ultrassonografia. • Avalia tanto a mama contralateral quanto a extensão local do tumor, sendo útil para detecção de multifocalidade ou multicentricidade. Características do Câncer na RM: • Realce com Contraste: As lesões malignas geralmente apresentam um padrão de captação rápida e intensa do contraste, com lavagem precoce (washout). • Morfologia Irregular e Espiculada: Lesões com margens irregulares ou espiculadas, e captação de contraste são altamente suspeitas. Limitações: • Baixa Especificidade: Embora seja altamente sensível, pode gerar muitos falsos positivos, o que leva à necessidade de mais exames invasivos, como biópsias. • Alto custo e não indicado como exame de rotina para rastreamento populacional. 4. Tomografia Computadorizada (TC) APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Indicações: Usada mais frequentemente para o estadiamento do câncer de mama avançado ou para avaliar metástases em outros órgãos, como pulmões, fígado e ossos. • Não é o exame de escolha para diagnóstico de lesões mamárias primárias, mas sim para avaliar a extensão da doença além da mama. 5. Cintilografia Óssea • Indicações: Avaliar metástases ósseas, especialmente em pacientes com câncer de mama avançado ou com dor óssea e elevação de marcadores ósseos. • Usa um marcador radioativo para identificar áreas de aumento de metabolismo ósseo, que podem indicar metástases. 6. PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons com Tomografia Computadorizada) • Indicações: Avaliação de metástases à distância, recorrência do câncer ou monitoramento da resposta ao tratamento em câncer de mama avançado. • Vantagens: Combina a detecção metabólica do PET (que detecta células com alta atividade metabólica, como as células cancerosas) com a anatomia detalhada do TC, oferecendo um panorama preciso de lesões e metástases. • Limitações: Não é utilizado rotineiramente para diagnóstico inicial, devido ao alto custo e menor especificidade para lesões pequenas. 7. Ductografia (Galactografia) • Indicações: Utilizada principalmente em pacientes com secreção papilar (especialmente secreção sanguinolenta). O exame visualiza os ductos mamários para detectar papilomas ou carcinomas ductais in situ (CDIS). • Técnica: Um contraste é injetado nos ductos mamários antes da realização de uma mamografia, o que permite visualizar lesões que obstruem ou causam irregularidades nos ductos. 8. Elastografia Mamária • Indicações: Exame relativamente novo que complementa a ultrassonografia. Avalia a elasticidade do tecido, sendo útil para diferenciar lesões benignas (mais elásticas) de malignas (mais rígidas). • Vantagens: Adiciona informações sem aumentar o tempo do exame ultrassonográfico e pode reduzir biópsias desnecessárias em lesões claramente benignas. 9. Termografia • Indicações: Um exame menos utilizado, que detecta variações de temperatura na mama. Tumores malignos podem ter maior fluxo sanguíneo e temperatura aumentada, o que seria detectado pelo exame. • Limitações: Baixa precisão diagnóstica e, portanto, não recomendado rotineiramente para o diagnóstico do câncer de mama. 10. Exames de Imagem Intraoperatórios • Durante cirurgias conservadoras, a radiografia intraoperatória do fragmento retirado pode ser usada para confirmar a remoção completa da área suspeita de tumor, garantindo margens livres de doença. C. Biópsia APG 26 | Feliphe Mascarenhas A biópsia é essencial para confirmar o diagnóstico de câncer de mama. Existem diferentes tipos de biópsias, dependendo da acessibilidade da lesão: 1. Biópsia por Agulha Grossa (Core Biopsy) o Descrição: Método padrão para biópsia mamária, utilizando uma agulha mais grossa para obter amostras de tecido. o Achados: Confirma o diagnóstico histopatológico, permitindo a classificação e o estudo de receptores hormonais e HER2. 2. Biópsia Excisional: Quando a lesão não é acessível por biópsia por agulha, pode ser necessária uma excisão cirúrgica da área suspeita. Classificação Histopatológica e Subtipos Moleculares Após a biópsia, o tecido tumoral é examinado por um patologista, que define o tipo histopatológico e o subtipo molecular. Isso tem um papel fundamental no planejamento terapêutico. A. Classificação Histopatológica Os principais tipos histopatológicos do câncer de mama incluem: • Carcinoma Ductal Invasivo(CDI): Tipo mais comum, originado dos ductos mamários. • Carcinoma Lobular Invasivo (CLI): Surge nos lóbulos e tem tendência a ser multifocal e bilateral. • Carcinoma Ductal In Situ (CDIS): Não-invasivo, mas com potencial para evoluir para carcinoma invasivo. • Carcinoma Lobular In Situ (CLIS): Marcador de risco, mas não considerado lesão invasiva. B. Subtipos Moleculares Os subtipos moleculares são determinados pela expressão de receptores hormonais e pela superexpressão de HER2, e cada subtipo tem diferentes características biológicas e implicações terapêuticas. 1. Luminal A (ER+/PR+, HER2-) • Descrição: Esse subtipo é positivo para receptores de estrogênio (ER) e/ou progesterona (PR), mas negativo para HER2. É o subtipo mais comum e representa uma forma menos agressiva de câncer de mama. • Características: o Baixo índice de proliferação celular (medido pelo marcador Ki-67). o Geralmente, são tumores de crescimento mais lento e menor agressividade. • Tratamento: o Terapia hormonal é a principal abordagem (com medicamentos como tamoxifeno e inibidores da aromatase). o Quimioterapia raramente é necessária, devido à baixa taxa de proliferação. • Prognóstico: o Geralmente, o prognóstico é bom, com uma taxa de sobrevida mais alta em comparação aos outros subtipos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 2. Luminal B (ER+/PR+, HER2+ ou HER2-, com Ki-67 alto) • Descrição: Esse subtipo também é positivo para receptores hormonais (ER e/ou PR), mas possui um índice de proliferação mais elevado (alto Ki-67) e pode ser positivo ou negativo para HER2. Comparado ao Luminal A, é mais agressivo. • Características: o Alto índice de proliferação celular. o Subtipo de crescimento mais rápido e com maior probabilidade de recorrência do que o Luminal A. • Tratamento: o Terapia hormonal é utilizada, assim como no Luminal A. o Quimioterapia é frequentemente recomendada, especialmente se o Ki-67 for alto. o Se for HER2-positivo, também pode ser usada terapia anti-HER2 (ex. trastuzumabe). • Prognóstico: o O prognóstico é intermediário: menor que o Luminal A, mas melhor do que os subtipos triplo- negativo e HER2-enriquecido. 3. HER2-Enriquecido (HER2+, ER-, PR-) • Descrição: Esse subtipo é caracterizado pela superexpressão da proteína HER2 e é negativo para receptores hormonais (ER e PR). Os tumores HER2-enriquecidos são geralmente mais agressivos e de crescimento rápido. • Características: o Elevado potencial de proliferação e maior tendência à invasão e metástase. o Antes do desenvolvimento de terapias específicas anti-HER2, era considerado um subtipo de câncer de mama com prognóstico ruim. • Tratamento: o Terapia anti-HER2 é essencial e inclui medicamentos como trastuzumabe e pertuzumabe. o Quimioterapia é frequentemente combinada com terapia anti-HER2. • Prognóstico: o O prognóstico melhorou substancialmente com o uso de terapias anti-HER2, oferecendo uma resposta positiva ao tratamento em muitos casos. 4. Triplo-negativo (ER-, PR-, HER2-) • Descrição: Esse subtipo não expressa receptores de estrogênio, progesterona ou HER2, sendo o mais agressivo e de difícil tratamento entre os subtipos de câncer de mama. • Características: o Alta taxa de proliferação e propensão a metástases precoces, especialmente para o cérebro e os pulmões. APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Mais comum em mulheres jovens e em pacientes com mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. • Tratamento: o Não responde a terapia hormonal ou terapia anti-HER2. o Quimioterapia é o principal tratamento, e imunoterapia pode ser uma opção para alguns pacientes com triplo-negativo avançado. o Estudos recentes investigam terapias-alvo e imunoterapias para melhorar o prognóstico. • Prognóstico: o O prognóstico é pior em comparação com outros subtipos, devido à agressividade e falta de terapias específicas. Estadiamento do Câncer de Mama Sistema TNM T – Tumor Primário O "T" do sistema TNM se refere ao tamanho do tumor primário e à extensão de sua invasão no tecido mamário. • TX: O tumor primário não pode ser avaliado. • T0: Nenhuma evidência de tumor primário (não há tumor palpável ou visível nos exames de imagem). • Tis: Carcinoma in situ (câncer não invasivo). o Tis (DCIS): Carcinoma ductal in situ. o Tis (Paget): Doença de Paget do mamilo sem presença de tumor invasivo. • T1: Tumor de até 2 cm no maior diâmetro. o T1mi: Tumor invasivo de 1 mm ou menos. o T1a: Tumor maior que 1 mm, mas menor ou igual a 5 mm. APG 26 | Feliphe Mascarenhas o T1b: Tumor maior que 5 mm, mas menor ou igual a 10 mm. o T1c: Tumor maior que 10 mm, mas menor ou igual a 20 mm. • T2: Tumor maior que 2 cm, mas menor ou igual a 5 cm. • T3: Tumor maior que 5 cm. • T4: Tumor de qualquer tamanho com invasão direta da parede torácica e/ou pele. o T4a: Extensão para a parede torácica (não incluindo apenas o músculo peitoral). o T4b: Ulceração e/ou edema (pele de laranja) da pele da mama. o T4c: Ambos T4a e T4b. o T4d: Carcinoma inflamatório. N – Linfonodos Regionais O "N" do sistema TNM refere-se ao envolvimento dos linfonodos regionais, especialmente os linfonodos axilares. • NX: Os linfonodos regionais não podem ser avaliados. • N0: Sem metástase nos linfonodos regionais. o N0(i+): Micrometástase nos linfonodos (menor que 0,2 mm), detectada apenas por métodos moleculares (imuno-histoquímica). o N0(mol+): Micrometástase detectada apenas por métodos moleculares. • N1: Metástase em 1 a 3 linfonodos axilares, ou linfonodos internos da mama, com metástase detectada por biópsia de linfonodo sentinela. o N1mi: Micrometástase maior que 0,2 mm e menor que 2 mm. • N2: Metástase em 4 a 9 linfonodos axilares ou em linfonodos internos da mama, sem envolvimento axilar. o N2a: Metástase em 4 a 9 linfonodos axilares. o N2b: Metástase em linfonodos internos da mama sem metástase axilar. • N3: Metástase em 10 ou mais linfonodos axilares, ou em linfonodos infraclaviculares, ou em linfonodos internos da mama e axilares combinados, ou em linfonodos supraclaviculares. o N3a: Metástase em 10 ou mais linfonodos axilares ou em linfonodos infraclaviculares. o N3b: Metástase em linfonodos axilares e linfonodos internos da mama. o N3c: Metástase em linfonodos supraclaviculares. M – Metástase à Distância O "M" no sistema TNM indica se o câncer se espalhou para outros órgãos além da mama. • M0: Nenhuma metástase à distância. • M0 (i+): Células tumorais detectadas em locais à distância (menor que 0,2 mm), como medula óssea, sem evidência clínica de metástase. • M1: Presença de metástase à distância, como nos pulmões, fígado, ossos ou cérebro. APG 26 | Feliphe Mascarenhas Classificação por Estágios do Câncer de Mama Com base nas informações de TNM, o câncer de mama é classificado em estágios que variam de 0 a IV. Essa classificação é usada para avaliar o prognóstico e decidir o tratamento adequado. Estágio 0 • Descrição: Carcinoma in situ (Tis, N0, M0). • Tipos: Inclui carcinoma ductal in situ (CDIS) e doença de Paget do mamilo. • Prognóstico: Excelente, pois o câncer não invadiu tecidos adjacentes. Estágio I • Descrição: Tumor invasivo pequeno com ou sem micrometástase linfonodal. • Detalhamento: o Estágio IA: T1 (≤2 cm), N0, M0. o Estágio IB: T0 ou T1 com N1mi (micrometástase em linfonodos) e M0. • Prognóstico: Geralmente bom, com alta taxa de cura. Estágio II • Descrição: Tumor invasivo maior e/ou com envolvimento linfonodal. • Detalhamento: o Estágio IIA: ▪ T0 ou T1, N1, M0. ▪ T2 (2-5 cm), N0, M0. o Estágio IIB: ▪ T2, N1, M0. ▪ T3 (>5 cm), N0, M0. • Prognóstico: Intermediário, com tratamento mais intensivo e chance de cura dependendo do subtipo molecular e resposta ao tratamento. Estágio III • Descrição: Tumor localmente avançado com envolvimento linfonodal significativo e/ou invasão extensa na mama. • Detalhamento: o Estágio IIIA: ▪T0 ou T1 ou T2, N2, M0. ▪ T3, N1 ou N2, M0. o Estágio IIIB: ▪ T4 (qualquer tumor com invasão na parede torácica ou pele), N0 a N2, M0. o Estágio IIIC: APG 26 | Feliphe Mascarenhas ▪ Qualquer T, N3, M0. • Prognóstico: Variável, dependendo da resposta ao tratamento. Geralmente exige tratamento agressivo com combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapia-alvo. Estágio IV • Descrição: Presença de metástase à distância (M1), independentemente do tamanho do tumor ou do envolvimento linfonodal. • Características: Tumor pode se disseminar para órgãos como pulmões, fígado, ossos e cérebro. • Prognóstico: Prognóstico reservado. O tratamento é paliativo, focado no controle da doença e na qualidade de vida do paciente. Achados nos Exames • Mamografia: Massa irregular e densa, microcalcificações agrupadas (indicativo de CDIS), distorção arquitetural. • Ultrassonografia: Nódulo sólido, irregular, hipoecóico, com bordas mal definidas. • Ressonância Magnética: Realce irregular pós-contraste, áreas mal definidas ou múltiplas lesões sugerem multicentricidade. • Biópsia: Presença de células malignas confirmada pela análise histológica, com possível caracterização do tipo e grau do tumor. Alterações Benignas das mamas 1. Alterações Fibrocísticas Descrição: As alterações fibrocísticas são as mais comuns e envolvem a presença de tecido mamário denso, nódulos e cistos pequenos, que podem variar com o ciclo menstrual. Causas: APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Alterações hormonais, especialmente a flutuação dos níveis de estrogênio e progesterona durante o ciclo menstrual, são as principais causas. • Afetam principalmente mulheres em idade fértil, entre 20 e 50 anos. Características: • Dor mamária (mastalgia), principalmente no período pré-menstrual. • Nódulos palpáveis: Múltiplos nódulos pequenos, geralmente móveis e com limites bem definidos. • Sensação de inchaço na mama, que pode mudar ao longo do ciclo. • Cistos podem ser presentes, e se detectados, tendem a ser preenchidos com líquido e bem delimitados. Diagnóstico: • Exame clínico: Presença de nódulos móveis e dor cíclica associada ao ciclo menstrual. • Ultrassonografia: Útil para diferenciar entre cistos e nódulos sólidos. • Mamografia: Pode revelar áreas de densidade aumentada ou pequenas calcificações. 2. Cistos Mamários Descrição: Os cistos mamários são sacos cheios de líquido que se desenvolvem no tecido mamário. Eles podem ser únicos ou múltiplos, e variam em tamanho. Causas: • Os cistos se formam devido a dilatações dos ductos mamários e acúmulo de fluido, geralmente associados a alterações hormonais. • Comuns em mulheres na premenopausa e podem desaparecer após a menopausa. Características: • Nódulos móveis, macios ou firmes, geralmente indolores, mas podem ser dolorosos. • Cistos simples: Têm contornos bem definidos, são anecóicos na ultrassonografia (sem ecos) e preenchidos por líquido. • Cistos complexos: Podem ter septações internas ou conteúdos heterogêneos, necessitando de acompanhamento mais próximo. Diagnóstico: • Ultrassonografia: Diferencia cistos simples de lesões sólidas. Cistos simples não necessitam de tratamento, enquanto cistos complexos podem requerer biópsia. • Aspiração com agulha: Pode ser realizada se o cisto for grande ou doloroso. O fluido aspirado é analisado, e o cisto pode desaparecer após a aspiração. 3. Fibroadenoma Descrição: APG 26 | Feliphe Mascarenhas O fibroadenoma é um tumor benigno comum, composto de tecido glandular e tecido fibroso. É mais comum em mulheres jovens, entre 15 e 35 anos. Causas: • O fibroadenoma parece estar relacionado à sensibilidade hormonal (estrogênio), pois é mais frequente em mulheres jovens e tende a regredir após a menopausa. • Não se sabe exatamente por que alguns fibroadenomas crescem, mas acredita-se que estejam relacionados a uma resposta anormal ao crescimento do tecido mamário. Características: • Nódulo firme, liso, elástico e móvel, com bordas bem definidas. Costuma ser indolor. • Tamanho variável: podem ser pequenos (5 cm). • Crescimento lento e, em alguns casos, podem aumentar de tamanho durante a gravidez ou com uso de anticoncepcionais hormonais. Diagnóstico: • Exame clínico: Nódulo móvel, elástico e bem circunscrito. • Ultrassonografia: Lesão homogênea e bem circunscrita, com características benignas. • Biópsia por agulha grossa: Pode ser necessária para confirmar o diagnóstico em casos de dúvida ou se houver características atípicas. 4. Papiloma Intraductal Descrição: O papiloma intraductal é um tumor benigno que cresce dentro dos ductos mamários, próximo ao mamilo. É mais comum em mulheres entre 35 e 55 anos. Causas: • O papiloma pode ser causado por crescimento excessivo do epitélio ductal, resultando em proliferação dentro dos ductos. Características: • Secreção papilar: Pode ser clara, amarelada ou sanguinolenta. • Nódulo próximo ao mamilo: Pequenos papilomas podem não ser palpáveis, mas grandes papilomas podem ser sentidos como pequenos nódulos ao redor do mamilo. • Dor: Geralmente, o papiloma não causa dor significativa. Diagnóstico: • Ductografia: Método que injeta contraste nos ductos para avaliar a presença de lesões intraductais. • Ultrassonografia: Pode identificar dilatação ductal e a presença de uma massa dentro do ducto. • Biópsia ou excisão cirúrgica: Pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e excluir malignidade, especialmente em casos de secreção sanguinolenta. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 5. Necrose Gordurosa Descrição: A necrose gordurosa é uma alteração benigna da mama, geralmente causada por trauma ou cirurgia, que resulta em áreas de tecido gorduroso danificado. Causas: • Geralmente ocorre após um trauma direto na mama, como lesões ou cirurgias prévias, mas também pode ocorrer espontaneamente. • A necrose do tecido adiposo resulta em um processo inflamatório, formando uma massa que pode ser confundida com câncer. Características: • Nódulo firme, geralmente indolor, mas pode ser sensível ao toque. • A pele sobre a área afetada pode apresentar retração ou vermelhidão, semelhantes aos sinais de malignidade. • Calcificações: À medida que o tecido necrosado cicatriza, pode haver calcificações que aparecem nos exames de imagem. Diagnóstico: • Mamografia: Pode mostrar calcificações grosseiras, que são frequentemente benignas, mas podem ser confundidas com malignidade. • Ultrassonografia: Lesão heterogênea com áreas de calcificação ou cavidades císticas. • Biópsia: Frequentemente realizada para confirmar que a massa é benigna e descartar malignidade, principalmente se houver suspeita em exames de imagem. 6. Ectasia Ductal Descrição: A ectasia ductal ocorre quando os ductos mamários próximos ao mamilo se dilatam e acumulam secreções, podendo causar inflamação. Causas: • Comum em mulheres pós-menopausa, a ectasia ductal é associada ao envelhecimento do tecido mamário. • Ocorre devido à dilatação dos ductos e inflamação crônica resultante da estase do conteúdo dentro dos ductos. Características: • Secreção mamilar espessa: Pode ser branca, verde ou acastanhada. • Sensibilidade ou dor na mama. • Pode haver retração do mamilo ou um nódulo firme causado pela inflamação e fibrose ao redor do ducto dilatado. Diagnóstico: • Ultrassonografia: Identifica ductos dilatados próximos ao mamilo. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Mamografia: Pode mostrar alterações não específicas, como áreas de densidade aumentada. • Biópsia: Pode ser indicada em casos suspeitos ou quando há dúvida diagnóstica, para descartar malignidade. Tratamento Cirúrgico 1. Cirurgia Conservadora da Mama (CCM) • Objetivo: Remover o tumor preservando a maior parte da mama. • Procedimentos: o Tumorectomia ou Lumpectomia: Remoção do tumor com uma margem de tecidomamário ao redor, indicada para tumores pequenos em relação ao tamanho da mama. o Quadrantectomia: Remoção de um quadrante da mama onde o tumor está localizado. É indicada para tumores maiores ou em áreas que exigem uma remoção maior de tecido para obter margens cirúrgicas livres. • Indicações: Tumores em estágios iniciais, sem metástase ou linfonodos axilares acometidos (ou com acometimento mínimo). • Pós-operatório: Geralmente é seguida de radioterapia para eliminar possíveis células tumorais residuais. 2. Mastectomia • Objetivo: Remoção completa do tecido mamário, podendo ser total ou incluir estruturas adjacentes. • Tipos de Mastectomia: o Mastectomia Simples ou Total: Retira a mama por completo, incluindo o tecido mamário, a pele e o complexo aréolo-papilar, sem remoção de linfonodos axilares. o Mastectomia Radical Modificada: Remove toda a mama e os linfonodos axilares, mas preserva o músculo peitoral maior e, às vezes, o menor. É uma opção quando há invasão local ou linfonodal. o Mastectomia Radical (Mastectomia de Halsted): Inclui a remoção da mama, linfonodos axilares e músculos peitorais maior e menor. Foi muito comum até algumas décadas atrás, mas atualmente só é indicada em casos muito avançados. o Mastectomia com Preservação de Pele ou Complexo Aréolo-Papilar: Retira apenas o tecido mamário, mantendo a pele ou o complexo aréolo-papilar, facilitando a reconstrução mamária imediata. • Indicações: Tumores extensos, múltiplos tumores na mesma mama, tumores grandes em relação ao tamanho da mama, além de preferência do paciente ou contraindicações para radioterapia. 3. Avaliação Linfonodal • A avaliação dos linfonodos axilares é essencial para o estadiamento do câncer de mama e ajuda a determinar o prognóstico e a necessidade de terapias complementares. • Biópsia do Linfonodo Sentinela (BLS): o Consiste na remoção do primeiro linfonodo que recebe drenagem linfática do tumor. Se esse linfonodo está livre de células tumorais, é provável que os demais também estejam, evitando uma dissecção completa. APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Indicação: Tumores pequenos e ausência de metástase linfonodal ao exame de imagem. • Dissecção Axilar Completa: o Remoção de vários linfonodos axilares, indicada quando o linfonodo sentinela mostra-se comprometido ou em tumores mais avançados. o Complicações: Risco de linfedema, dor e redução da mobilidade no braço do lado afetado. 4. Reconstrução Mamária • Objetivo: Restaurar a aparência da mama após mastectomia. • Tipos de Reconstrução: o Expansores e Prótese Mamária: Expansores de tecido são colocados para esticar a pele, seguidos da colocação de próteses. o Retalhos Autólogos: Uso de tecidos do próprio corpo, como no retalho do músculo reto abdominal (TRAM) ou retalho do músculo dorsal (LD), para reconstruir a mama. o Reconstrução Imediata versus Tardia: A reconstrução pode ser feita no mesmo ato da mastectomia (imediata) ou após o término dos tratamentos (tardia). 5. Complicações e Cuidados Pós-operatórios • Complicações: Incluem infecção, necrose de pele, linfedema (especialmente após dissecção axilar), seroma e deiscência de ferida. • Cuidados Pós-operatórios: Orientações para movimentação do braço e fisioterapia são fundamentais, além de cuidados com a ferida cirúrgica, prevenção do linfedema e suporte psicológico. 6. Fatores para Escolha do Tratamento • Estágio do Câncer: Tumores em estágios iniciais são mais candidatos à cirurgia conservadora, enquanto estágios mais avançados podem exigir mastectomia. • Características Biológicas do Tumor: Tumores agressivos ou multifocais geralmente requerem uma abordagem mais radical. • Idade e Preferência da Paciente: A preferência da paciente, com orientação adequada, é fundamental na decisão da cirurgia. • Necessidade de Radioterapia Adjuvante: Pacientes com cirurgia conservadora geralmente recebem radioterapia, enquanto algumas pacientes com mastectomia podem não precisar. 7. Perspectiva e Prognóstico • As taxas de sobrevida são comparáveis entre a cirurgia conservadora seguida de radioterapia e a mastectomia em muitos casos iniciais, sendo a escolha do procedimento um equilíbrio entre a segurança oncológica e a qualidade de vida da paciente. Radioterapia A radioterapia é uma modalidade essencial em muitos planos de tratamento, especialmente após cirurgias conservadoras, com o objetivo de eliminar células cancerosas residuais que possam estar presentes no local do tumor primário ou nos linfonodos. APG 26 | Feliphe Mascarenhas 1. Objetivos da Radioterapia no Câncer de Mama • Controle Local: Eliminar células malignas remanescentes na área da mama, nos linfonodos ou na parede torácica. • Redução do Risco de Recorrência: Reduzir a possibilidade de o câncer retornar na área tratada. • Tratamento de Lesões Metastáticas: Em casos de metástase óssea ou em outras áreas, a radioterapia pode ser utilizada para controle de sintomas. 2. Indicações da Radioterapia • Após Cirurgia Conservadora da Mama (ex.: Lumpectomia): Indicada em quase todos os casos para reduzir o risco de recidiva na mama remanescente. • Após Mastectomia: Indicada para pacientes com alto risco de recidiva local, como: o Tumores com mais de 5 cm. o Comprometimento de múltiplos linfonodos axilares. o Invasão da pele ou parede torácica. • Radioterapia em Metástases: Em pacientes com metástase óssea ou cerebral, pode ser usada para controle da dor e redução de sintomas locais. 3. Técnicas de Radioterapia • Radioterapia Externa: o Mais Comum: Utiliza uma máquina chamada acelerador linear que direciona feixes de radiação para a área afetada. o Planejamento: Antes do tratamento, o paciente passa por uma simulação de planejamento em que são definidas as áreas a serem irradiadas, as doses e o posicionamento. É um processo personalizado para evitar danos a tecidos saudáveis. o Duração: Normalmente, o tratamento é feito em sessões diárias, de segunda a sexta-feira, com duração de 3 a 6 semanas, dependendo do protocolo. • Radioterapia de Intensidade Modulada (IMRT): o Alta Precisão: Permite moldar a dose de radiação com mais precisão, protegendo melhor os tecidos normais e aumentando a dose no tecido alvo. • Radioterapia Intraoperatória (IORT): o Durante a Cirurgia: Em alguns casos, uma dose de radiação é aplicada diretamente na área da mama durante a cirurgia, poupando tecidos vizinhos. • Braquiterapia: o Fontes Radioativas Internas: Pequenas fontes radioativas são colocadas diretamente na mama. É usada principalmente em casos selecionados de câncer inicial. o Menor Duração: Reduz o tempo total de tratamento, pois as doses são mais concentradas. 4. Efeitos Colaterais da Radioterapia • Agudos (Durante e Pouco Após o Tratamento): o Fadiga: Bastante comum e tende a piorar ao longo das semanas. APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Reações Cutâneas: A pele na área irradiada pode apresentar vermelhidão, descamação, escurecimento e até formação de bolhas em casos mais graves. o Dor e Sensibilidade na Mama: Sensibilidade aumentada e sensação de inchaço na mama irradiada. o Edema Mamário: A mama pode ficar inchada devido à inflamação causada pela radiação. • Tardios (Semanas a Meses Após o Tratamento): o Fibrose: Endurecimento do tecido mamário irradiado. o Alterações na Pele: A pele pode escurecer, se tornar mais rígida ou apresentar telangiectasias (vasinhos aparentes). o Linfedema: Quando combinada com a dissecção de linfonodos axilares, pode causar linfedema no braço. o Danos a Órgãos Adjuntos: Pequena possibilidade de dano aos pulmões (pneumonite por radiação) ou coração (cardiopatia induzida por radiação), dependendo da localização do tumor e técnica de proteção utilizada. 5. Protocolos e Duração do Tratamento • Hipofracionamento: Em vez de uma série longa de sessões, o hipofracionamento envolve doses mais altas por sessão,reduzindo o tempo total de tratamento para cerca de 3 a 4 semanas. Estudos mostram que é tão eficaz quanto o protocolo convencional e pode ter menos efeitos colaterais. • Radioterapia Adjuvante e Neoadjuvante: o Adjuvante (pós-cirúrgica): Mais comum, especialmente após cirurgia conservadora. o Neoadjuvante (pré-cirúrgica): Raramente usada no câncer de mama, mas pode ser considerada em tumores grandes que precisam de redução antes da cirurgia. Quimioterapia A quimioterapia é um dos principais pilares no tratamento do câncer, utilizando medicamentos que interferem no crescimento e divisão das células cancerígenas. No câncer de mama, a quimioterapia é frequentemente utilizada como tratamento adjuvante, neoadjuvante ou paliativo, dependendo do estágio e das características biológicas do tumor. 1. Objetivos da Quimioterapia • Neoadjuvante: Administrada antes da cirurgia para reduzir o tamanho do tumor, facilitando a remoção e possibilitando uma cirurgia conservadora. • Adjuvante: Após a cirurgia, para eliminar células tumorais remanescentes e reduzir o risco de recidiva. • Paliativa: Em casos de câncer avançado ou metastático, para controlar a progressão da doença e aliviar sintomas. 2. Mecanismo de Ação • A quimioterapia atua principalmente interferindo no ciclo celular das células cancerígenas, interrompendo sua capacidade de dividir e se replicar. Cada classe de quimioterápicos possui um mecanismo específico: Principais Classes de Quimioterápicos e seus Mecanismos • Agentes Alquilantes (ex.: ciclofosfamida, ifosfamida): APG 26 | Feliphe Mascarenhas o Danificam diretamente o DNA, formando ligações cruzadas (cross-linking) entre as cadeias de DNA, impedindo que a célula se divida corretamente. o Ação independente do ciclo celular, afetando tanto células em repouso quanto em divisão ativa. • Antimetabólitos (ex.: metotrexato, 5-fluorouracil, gemcitabina): o Mimicam moléculas naturais utilizadas na síntese de DNA e RNA, interferindo na replicação do DNA e na divisão celular. o São mais eficazes em células que estão se dividindo ativamente, pois essas estão em fases do ciclo onde ocorre a síntese de DNA (fase S). • Antibióticos Antitumorais (ex.: doxorrubicina, epirrubicina): o Interagem com o DNA e inibem a topoisomerase II, uma enzima essencial para a replicação do DNA, levando a quebras nas cadeias de DNA. o Também produzem radicais livres que causam danos adicionais às células. • Inibidores da Topoisomerase (ex.: irinotecano, etoposídeo): o Inibem as enzimas topoisomerases I e II, que são fundamentais para o enrolamento e desenrolamento do DNA durante a replicação e transcrição. • Alcaloides da Vinca e Taxanos (ex.: vincristina, vinorelbina, paclitaxel, docetaxel): o Interferem no fuso mitótico, impedindo que as células completem a divisão celular (mitose). o Bloqueiam a polimerização e despolimerização dos microtúbulos, essenciais para a separação dos cromossomos durante a mitose. • Anticorpos Monoclonais e Inibidores de Tirosina Quinase (ex.: trastuzumabe, lapatinibe): o Atuam em alvos específicos na superfície das células tumorais, como o HER2, bloqueando o crescimento do tumor e induzindo a morte celular. 3. Protocolos de Quimioterapia para o Câncer de Mama • Os protocolos de tratamento variam de acordo com o tipo de tumor e sua agressividade. Alguns dos principais regimes incluem: o FAC: 5-fluorouracil, adriamicina (doxorrubicina), e ciclofosfamida. o TAC: Docetaxel, adriamicina e ciclofosfamida. o AC-T: Adriamicina e ciclofosfamida, seguidos de paclitaxel. o Carboplatina e Paclitaxel: Frequentemente usados em câncer de mama triplo-negativo. 4. Efeitos Colaterais da Quimioterapia • Os quimioterápicos não distinguem entre células normais e cancerígenas, afetando células de rápida divisão, como: o Células da Medula Óssea: Leva à mielossupressão (diminuição dos glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas), causando anemia, neutropenia (risco de infecção) e trombocitopenia (risco de sangramentos). o Células do Trato Gastrointestinal: Náuseas, vômitos, mucosite oral e diarreia. o Células dos Folículos Capilares: Perda de cabelo (alopecia). APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Efeitos Tardios: o Cardiotoxicidade: Agentes como a doxorrubicina têm potencial cardiotóxico, podendo levar a insuficiência cardíaca em longo prazo. o Neurotoxicidade: Taxanos e platinas (ex.: cisplatina) podem causar neuropatia periférica. o Fadiga e Fraqueza Muscular: Comuns e podem persistir após o término do tratamento. 5. Cuidados e Monitoramento • Avaliação Cardíaca: Principalmente em tratamentos com agentes cardiotóxicos, como a doxorrubicina. • Função Hepática e Renal: Monitoradas regularmente, pois muitos quimioterápicos são metabolizados e excretados pelo fígado e rins. • Contagem de Células Sanguíneas: Avaliação da função hematológica antes de cada ciclo de quimioterapia para prevenir complicações como infecções e sangramentos. 6. Resistência à Quimioterapia • Algumas células tumorais podem desenvolver resistência aos quimioterápicos, o que limita a eficácia do tratamento. Mecanismos comuns incluem: o Alterações nas Bombas de Efluxo: As células tumorais podem aumentar a expressão de proteínas que expulsem o fármaco, como a glicoproteína-P, reduzindo a concentração intracelular do medicamento. o Reparação do DNA: Células que aprimoram sua capacidade de reparar o DNA tendem a resistir aos agentes que causam danos ao DNA. o Alterações no Ciclo Celular e Apoptose: Mutações que alteram a regulação do ciclo celular e os mecanismos de morte celular também podem conferir resistência. 7. Quimioterapia de Dose Densa e Alta Dose • Dose Densa: Intervalos menores entre os ciclos de quimioterapia, com o objetivo de reduzir a chance de células tumorais se recuperarem entre os tratamentos. Necessita de fatores de crescimento (ex.: G-CSF) para manter a contagem de leucócitos. • Quimioterapia de Alta Dose: Administração de doses muito altas, seguida de um transplante autólogo de medula óssea para restaurar a função hematopoiética. É menos comum no câncer de mama e usada em situações específicas. Terapia Hormonal (Endócrina) A terapia hormonal é uma abordagem essencial no tratamento do câncer de mama, especialmente para os tumores que expressam receptores hormonais, como os receptores de estrogênio (RE) e progesterona (RP). Esses tumores, chamados de hormônio-dependentes, são influenciados por hormônios sexuais, e a terapia hormonal tem como objetivo bloquear essa influência para reduzir o crescimento tumoral e o risco de recorrência. 1. Objetivo da Terapia Hormonal • Bloquear o Estrogênio: O estrogênio é um hormônio que estimula o crescimento das células mamárias normais, mas também pode estimular o crescimento de células cancerígenas com receptores hormonais. • Reduzir o Risco de Recorrência: A terapia hormonal adjuvante é usada após a cirurgia e/ou quimioterapia para evitar a recidiva do câncer de mama. APG 26 | Feliphe Mascarenhas • Controle de Tumores Avançados ou Metastáticos: Pode ser usada para controlar a progressão da doença em pacientes com câncer de mama avançado ou metastático. 2. Indicações • Tumores que expressam receptores de estrogênio (RE) ou receptores de progesterona (RP). A positividade para esses receptores indica que a terapia hormonal será eficaz. • Pode ser usada tanto em pré-menopausa quanto em pós-menopausa, com estratégias e medicamentos ajustados para cada fase. 3. Mecanismos de Ação A terapia hormonal interfere na ação ou produção de estrogênio de três formas principais: 3.1. Moduladores Seletivos dos Receptores de Estrogênio (SERMs) • Exemplos: Tamoxifeno. • Mecanismo: O tamoxifeno se liga aos receptores de estrogênio nas células mamárias, bloqueando a ação do estrogênio. Embora o estrogênio continue presente no corpo, o tamoxifeno impede que ele se conecte aos receptores nas